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The Problem of "Misplaced Ideas" Revisited: Beyond the "History of

Ideas" in Latin America

Elias José Palti

O texto traz reflexões sobre o texto “As ideias fora do lugar" de


Roberto Schwarz, em 1973. A intenção do texto foi fornecer teorias para
autores progressistas se opusessem à influência de tendências nacionalistas
que, nas décadas de 1960 e 1970.

Este texto se tornou um ponto de referência na crítica cultural e


literária.

O objetivo deste artigo é explorar, novas perspectivas sobre a


dinâmica de ideias e intercâmbio cultural em áreas periféricas (das quais a
América Latina é apenas um caso particular), utilizando as novas ferramentas
conceituais fornecidas pelas disciplinas e teorias recentemente desenvolvidas
na área.

No texto, pretendia refutar crenças nacionalistas nos países latino-


americanos, para se livrar de ideias exportadas da Europa, repetidas pela elite
local. Esses conceitos geram distorções nas pesquisas.

Teoria de dependências. “é justamente nessas distorções, em


sempre designar a realidade local com nomes impróprios, que reside a
especificidade da cultura brasileira, aliás da cultura latino-americana.”

Outro texto: As ideias estão no lugar – Maria Sylvia de Carvalho


Franco

Para ela as ideias nunca foram perdidas pois elas podem circular
socialmente em um determinado meio. As ideias e as realidades termos
estranhos um para o outros.

Ela rebate também que as ideias marxistas não tinham no Brasil,


comenta que tinha e também o fascismo. Ambas faziam parte do país.
Para analises de obra, é necessário apreender o contexto social da
obra, dando conta, de imediato, da produtividade de suas dimensões
especificamente linguísticas e literárias. Não é nos materiais que um artista
usa, mas nos procedimentos construtivos da narração que o mundo que o
cerca é representado, ou, melhor dizendo, reencenado de maneira
especificamente literária.

Exemplo obra de José de Alencar

A obra de José de Alencar é particularmente ilustrativa dos atalhos e


contradições gerados pela transferência para o Brasil de uma forma literária (o
romance realista, desenvolvido na França por Balzac) tipicamente burguesa
e, portanto, pouco adequada para representar a realidade social
brasileira. de escravidão, paternalismo e dependência pessoal. A
memorável discussão de Schwarz sobre Senhora, o último romance de
Alencar, revela como a mencionada dialética entre falsidade e verdade
opera no nível literário. Aqui, a falsa natureza da forma, o efeito paródico
gerado pela transposição para o contexto brasileiro de situações próprias da
ficção realista burguesa, expõe o verdadeiro conteúdo dessa realidade social,
a saber, um sistema tempo em que o indivíduo que luta por riqueza e dinheiro é
orientado e mediado por relações paternalistas.

Machado de Assis rompeu com isso. A paródia então se converte


em autoparódia. Por meio da digressão, ele transcendeu o efeito da
verossimilhança, tornando paródico o próprio impulso mimético da ficção
realista. Retrabalhado "da periferia", o gênero, portanto, manifesta os artifícios
discursivos que deve ocultar para se constituir como tal.

Termos contraditórios. Aliás, Machado de Assis tirou seu modelo


de um escritor europeu, Laurence Sterne. Isso torna problemática a
segunda dialética que Schwarz discute, a saber, aquela entre "centro" e
"periferia": mesmo para "subverter" os modelos europeus, os autores
locais devem sempre apelar para os modelos estrangeiros.

Em suma, essa situação frustraria inevitavelmente todas as


tentativas de descobrir as características presumidas que distinguem a cultura
latino-americana e identificam sua condição "periférica".
Silviano Santiago

A ideia de Santiago do lugar "entre" questiona, portanto, a definição


das relações entre "centro" e "periferia" em termos de "original" e "cópia". Nem
Santiago nem Schwarz viam a obra de Machado de Assis como uma versão
degradada de algum modelo europeu original (e, presumivelmente, superior e
independente). A condição periférica de Machado de Assis permitiu-lhe de
alguma forma ultrapassar o seu modelo francês, revelando as suas limitações
intrínsecas.

No início da década de 1970, a questão da "periferia" e a crítica aos


desvios "nacionalistas" dentro da esquerda haviam de fato começado a perder
sua antiga centralidade, cedendo lugar à questão das consequências para a
produção artística e crítica do desenvolvimento do Brasil de uma mercado
capitalista avançado de bens culturais, com sua aparente capacidade de
absorver todas as tentativas de transgressão, assimilá-las à sua lógica e
transformá-las em instrumentos de sua própria reprodução. Schwarz estava,
portanto, escrevendo em um contexto cada vez mais hostil aos postulados da
teoria da dependência. Assim, agarrou-se à fórmula das "ideias mal
colocadas", embora tendesse a suavizar os meandros do seu pensamento,
porque pelo menos lhe permitia preservar a noção da presença de assimetrias
entre o centro e a periferia, entre o "modelo" europeu e "cópia" local.

A história das ideias na América Latina

Foi organizada em torno do objetivo de identificar as "distorções"


produzidas pela transposição para a região de ideias liberais que eram
alegadamente incompatíveis com as tradições e cultura herdadas da região.

A intenção de Schwarz, a perspectiva das "ideias mal colocadas", o


fato de que as ideias de um determinado autor se afastaram do postulado "tipo
ideal" de liberalismo (o logos) pode ser interpretado apenas como sintomático
de um pathos oculto (preconceitos conservadores, atraso econômico, uma
cultura atávica e assim por diante).

As definições dos livros didáticos são simplesmente consideradas


válidas; o único problema que a "história das ideias" aparentemente levanta na
América Latina é algo realmente externo às ideias: se elas são ou não
"aplicáveis" ao contexto local específico.

Ele comenta que não tem como elencar características próprias da


história das ideias da América Latina.

Os problemas encontrados na historicização das idéias (descobrindo


suas marcas distintivas) surgem do fato de que as "idéias" são "a-históricas"
por definição; as condições para sua eventual emergência em contextos
específicos denotam circunstâncias que são externas a eles. Daí a
tendência entre os historiadores das idéias de complementar suas descrições
de conteúdos intelectuais com explicações quase históricas, isto é, referindo-os
ao seu contexto social, "externo"; em suma, tomando os supostos "desvios"
como indicativos de um "mal-estar social".

Pocock é particularmente relevante e altamente esclarecedora: "a


questão aqui é que, sob a pressão da dicotomia idealista-materialista, temos
dado toda a nossa atenção ao pensamento como condicionado por fatos
sociais externos a si mesmo, e não atenção suficiente ao pensamento como
denotando, referindo, assumindo, aludindo, implicando e executando uma
variedade de funções, das quais a mais simples é a de conter e transmitir
informações "

Oposição entre ideia e realidade, repousa o problema das ideias mal


colocadas.

Com efeito, a identificação de Schwarz do fato de que as idéias na


América Latina estão "mal colocadas" por serem descrições inadequadas
(representações distorcidas) da realidade local indica que sua perspectiva
ainda depende daquele conceito tradicional de "história das idéias" que reduz a
linguagem a sua função meramente referencial.

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