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Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por JHONATA RODRIGUES DAS MERCES e Tribunal de Justica do Estado de Sao

Paulo, protocolado em 23/03/2020 às 17:06 , sob o número WPRO20002926458.


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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR DE DIREITO DA


3 CÂMARA DE DIREITO CRIMINAL DO PALÁCIO DA JUSTIÇA DO ESTADO

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1528313-28.2019.8.26.0228 e código 102BDC47.
DE SÃO PAULO.

Autos nº: 1528313-28.2019.8.26.0228

FRANCISCO EDIVANDO FREITAS GOMES,


já devidamente qualificado na Ação em epígrafe, que lhe move Justiça
Pública, por intermédio de seu advogado infra-assinado, Vem respeitosamente
perante Vossa Excelência, com caráter de urgência requerer a apreciação do
presente PEDIDO DE PRISÃO DOMICILIAR / LIBERDADE PROVISÓRIA,
com fulcro na Recomendação nº62/2020 do Conselho Nacional de Justiça, no
art. 1º, III da Constituição Federal e art. 318 do Código de Processo Penal,
conforme motivação a seguir.

Contatos: (11) 96964-8011 E-mail: jhonata_mercesrodrigues@hotmail.com


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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

DA PRISÃO DOMICILIAR / LIBERDADE


PROVISÓRIA

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O Sentenciado foi condenado à 4 (quatro) anos e 9
(nove) meses de reclusão a ao pagamento de 24 (Vinte e quatro) dias-multa, no
regime fechado mantendo o regime prisional fixado, não sendo concedido o
direito de recorrer em liberdade.

Contudo, a reincidência por si só não pode


constituir a decretação da prisão preventiva, pois o Indiciado possui residência
fixa e exerce atividade remunerada devidamente comprovada, portanto ostenta
requisitos objetivos e subjetivos para que recebam a benesse da prisão
domiciliar ou até mesmo a liberdade provisória, senão vejamos;

O Réu possui residência fixa e exerce atividade


remunerada, trabalha de free lancer, em técnico de sonorização fls. 87, e
motorista de aplicativo, pois possui habilitação categoria AB nº 03327739603.

As informações mencionadas e comprovadas


demonstram de forma cabal, robusta e notória que o Réu se regenerou, não
tinha conhecimento da ilicitude do veículo, muito menos ser proprietário do
revólver, ou seja não há nos Autos a presença do fumus comissi delicti.

Excelência conforme apresentado, o Réu possui


requisitos favoráveis para que respondam o processo em liberdade, não
podendo continuar padecendo no escuro do cárcere, senão vejamos;

Artigo 317. do Código de Processo Penal;

Art. 317. A prisão domiciliar consiste no


recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, só podendo dela
ausentar-se com autorização judicial.

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ADVOGADO

Entendimento Assente do Egrégio Tribunal de


Justiça do Estado de São Paulo;

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EMENTA:HABEASCORPUS.CONSTITUCIONALEPR
OCESSUAL PENAL. PRISÃO PREVENTIVA.
PACIENTEACOMETIDODEENFERMIDADESGRAVE
S.RECONHECIMENTO, PELO ESTABELECIMENTO
PRISIONAL, DE QUE NÃO TEM CONDIÇÕES DE
PRESTAR ASSISTÊNCIAMÉDICA ADEQUADA.
PRISÃO DOMICILIAR. HIPÓTESE
NÃOENQUADRADA NO ARTIGO 117 DA LEI DE
EXECUÇÃOPENAL. EXCEPCIONALIDADE DO
CASO. ARTIGO 1º, INCISOIII DA CONSTITUIÇAO
DO BRASIL [PRINCÍPIO DA DIGNIDADEDA
PESSOA HUMANA]. 1. Autos instruídos com
documentos comprobatórios do debilitado estado de
saúde do paciente, que provavelmente definhará na
prisão sem a assistência médica de que necessita, o
estabelecimento prisional reconhecendo não ter
condições de prestá-la.2. O artigo 117 da Lei de
Execução Penal determina, nas hipóteses
mencionadas em seus incisos, o recolhimento do
apenado, que se encontre no regime aberto, em
residência particular. Em que pese a situação do
paciente não se enquadrar nas hipóteses legais, a
excepcionalidade do caso enseja o afastamento da
Súmula 691-STF e impõe seja a prisão domiciliar
deferida, pena de violação do princípio da dignidade
da pessoa humana [artigo 1º, inciso III da
Constituição do Brasil]. Ordem concedida. (HC
98675, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda
Turma, julgado em 09/06/2009, DJe-157 DIVULG
20-08-2009PUBLIC 21-08-2009 EMENT VOL-
02370-05 PP-01023 RTJVOL-00211- PP-00483

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ADVOGADO

RT v. 98, n. 889, 2009, p. 546-550RSJADV out.,


2009, p. 60-62).

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Diante disso, de rigor a concessão da prisão
domiciliar, para que a prisão preventiva do Réu seja devidamente revogada.

O Réu, possui residência fixa e exerce atividade


remunerada, pois trabalha licitamente, neste caso afastando a presença do
periculum libertatis, vale dizer, jamais pode fazer às vezes de antecipação, mas
pena, o que seria de todo inadmissível em face do princípio constitucional da
presunção de inocência, mas pautar-se pela efetiva e concreta necessidade.

Por mais grave que seja o delito imputado, não são


motivos que justifiquem a prisão preventiva ou impeçam a liberdade
provisória, ainda mais quando o Indiciado em sede investigativa invoca o
direito de permanecer em silêncio, após ser capturado apresentava algumas
lesões corporais.

Observa-se que, no caso em tela, não estão


presentes os fundamentos que ensejam a prisão preventiva, uma vez que:

a) O Réu possui residência fixa, exerce atividade


remunerada, e não se eximiu da aplicação da Lei
Penal, muito pelo contrário, colaborou com as
investigações.

b) não há que se falar pela condição pessoal do


denunciado, bem como do tipo penal em questão
que haja risco à ordem econômica;

c) não há indícios de que o postulante, em


liberdade, ponham em risco a instrução criminal
nos Autos, tampouco indícios de que possa vir a
frustrar a aplicação da lei penal;

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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

Não bastasse isso, a pandemia de coronavírus


(COVID-19) exige olhar diferenciado dos aplicadores do Direito – e em especial
em matéria de direito penal e privação de liberdade - no presente momento.

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Como é cediço, nos últimos dias, observou-se em
nosso país a confirmação de diversos casos de contaminação pelo coronavírus,
com registro do aumento crescente de casos pelo Ministério da Saúde em
diversas unidades da federação. A expectativa é que, nos próximos dias,
ocorra um crescimento vertiginoso dos casos de infecção.

A recomendação n. 62/2020, do Conselho Nacional


de Justiça, foi expressa em determinar que o juízes com competência para fase
de conhecimento nos processos criminais realizem REAVALIAÇÃO DAS
PRISÕES PROVISÓRIAS (artigo 4º, I).

Antes mesmo do reconhecimento pandêmico do


COVID-19 pela OMS, o Ministério da Saúde já havia criado, em 6 de fevereiro,
a Portaria Nº 188/2020 Emergência em Saúde Pública de Importância
Nacional ESPIN, com estratégias para combate e propagação do vírus no
Brasil.

De tal modo que, nos últimos dias, diversas


medidas estão sendo adotadas pelo Estado por recomendação do Ministério da
Saúde, com o intuito de evitar a contaminação de novas pessoas e diminuir ou
frear o crescimento da curva epidemiológica do vírus, tais como: suspensão
das aulas, recomendação de auto isolamento e quarentena - mesmo para
pessoas que não estejam infectadas pelo vírus -, evitar aglomerações,
cancelamento de eventos públicos, etc.

Além de uma forte rotina higiênica com lavagem


recorrente das mãos e aplicação de álcool em gel em mãos e objetos como
telefones celulares, maçanetas de portas, teclados de computadores, etc.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/03/16/escolas-publicas-e-
particulares-de-spcomecam-suspensao-de-aulas-nesta-segunda-feira-16.ghtml

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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

Alguns casos de infecção pelo CONRONAVIRUS


podem ser mais graves em pessoas que estão dentro do grupo de risco2, o qual

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é formado por diabéticos, hipertensos, pessoas com insuficiência renal
crônica, pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas crônicas, pessoas
com HIV, etc; podendo ocorrer síndrome respiratória aguda grave e
complicações, e, por conseguinte, a morte. Saliente-se que a privação de
liberdade, por si só, coloca os presos em evidente situação de vulnerabilidade,
o que impõe a necessidade de adoção de medidas em prol desta parcela
vulnerável da população.

Importante lembrar que medidas emergenciais de


soltura de pessoas presas em unidades prisionais foram tomadas em outros
países em razão da pandemia do novo CORONAVÍRUS, como por exemplo nos
Estados Unidos, no Irã e no Bahrein.

Diante do exposto, considerando a situação


emergencial de saúde pública decorrente do conoravírus (COVID-19),
considerando que estabelecimentos em que há aglomeração de pessoas
privadas de liberdade são muito mais suscetíveis a disseminação de doenças
virais, bem como a impossibilidade de rotina higiênica nos moldes
recomendados pelo Ministério da Saúde no interior de estabelecimentos
prisionais, e visando a reduzir ao máximo os riscos advindos de uma possível
contaminação por coronavírus, principalmente dos sujeitos ainda protegidos
pela presunção de inocência, pugna pela revogação da prisão preventiva
imposta aos acusados.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/coronavirus-
governo-recomendacancelamento-e-adiamento-de-eventos
https://veja.abril.com.br/economia/coronavirus-leva-empresas-a-fecharem-
escritorios-e-aadotarem-home-office/
https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/12/saiba-
quais-sao-os-gruposmais-vulneraveis-ao-coronavirus-e-por-que.ghtml
http://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/assets/images/Q&A-corona-
virus02B.pdf

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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

https://www.nydailynews.com/coronavirus/ny-coronavirus-inmates-released-
ohio-jail-overvirus-concerns-20200316-yxukbzspwnfhzkk5gcfnmizqpi-
story.html

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https://aawsat.com/english/home/article/2177896/bahrain-royal-decree-
pardons-901-inmates

DA LIMINAR

In casu, presentes fumus boni iuris e o periculum in


mora, pois evidente a grave lesão aos direitos e garantias resguardados pela
Carta Magna, pois mantê-lo em prisão preventiva fere princípios
constitucionais e ainda trazendo riscos a sua exposição em um ambiente
insalubre e periculoso, aumentando as chances da disseminação do COVID-
19.

O requisito do fumus boni iuris encontra-se


presente, pois no caso em suma as previsões legais e doutrina majoritária
estão a favor do Indiciado com entendimento já pacificado na jurisprudência,
possui residência fixa e exerce atividades remuneradas, pois trabalha
licitamente conforme documentação anexa.

O requisito do periculum in mora, é nítido, pois se


trata de uma situação de caráter de emergência, não podem padecer no escuro
do cárcere, devendo ser concedia a prisão domiciliar, ou a liberdade provisória
ainda mais pelo risco de propagação do COVID-19, conforme recomendação nº
62/2020 do Conselho Nacional de Justiça, em consonância com o Princípio
da Dignidade da Pessoa Humana, como também o Princípio da Presunção
de Inocência.

DOS PEDIDOS

Requer seja acolhido a concessão da Prisão


Domiciliar, nos termos dos artigos 317 ou Liberdade Provisória, nos termos
do artigo 321 todos do Código de Processo Penal, expedindo-se o

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JHONATA RODRIGUES DAS MERCES

ADVOGADO

competente alvará de soltura em favor do Réu, conforme recomendação nº


62/2020 do Conselho Nacional de Justiça, como medida de Lídima Justiça.

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São Paulo, 23 de março de 2020.

_______________Assinatura Digital_______________

Dr. JHONATA RODRIGUES DAS MERCES


OAB/SP n° 413.836

Contatos: (11) 96964-8011 E-mail: jhonata_mercesrodrigues@hotmail.com


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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2020.0000268786

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ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Criminal nº


1528313-28.2019.8.26.0228, da Comarca de São Paulo, em que é apelante FRANCISCO
EDIVANDO FREITAS GOMES, é apelado MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE
SÃO PAULO.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 3ª Câmara de Direito Criminal

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por XISTO ALBARELLI RANGEL NETO, liberado nos autos em 17/04/2020 às 16:09 .
do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Negaram provimento ao
recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores RUY ALBERTO LEME


CAVALHEIRO (Presidente sem voto), LUIZ ANTONIO CARDOSO E TOLOZA NETO.

São Paulo, 17 de abril de 2020.

XISTO RANGEL
Relator
Assinatura Eletrônica
fls. 226

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Apelação n. 1528313-28.2019.8.26.0228
Apelante: Francisco Edivaldo Freitas Gomes

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Apelado: Ministério Público do Estado de São Paulo
Voto.: 00858

Apelação. Receptação e posse de arma de fogo de uso proibido.


Recurso visando a reforma da r. sentença para absolvição do
apelante sob o fundamento de insuficiência de provas da autoria e
da materialidade delitiva. Impossibilidade. Provas que

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por XISTO ALBARELLI RANGEL NETO, liberado nos autos em 17/04/2020 às 16:09 .
demonstraram cabalmente ambos os delitos, não tendo o
recorrente apresentado justificativa idônea para qualquer conduta.
Confissão que não ficou configurada no caso concreto. Apelante
que apresentou justificativa dissociada da realidade para o delito
de receptação. Dosimetria feita com correção. Regime fechado que
se mostra proporcional ao caso concreto, mormente pelos
antecedentes criminais do réu, o que impossibilita, inclusive, os
benefícios penais e a concessão de liberdade provisória pleiteados
pela defesa. Recomendação do CNJ acerca da pandemia pelo
COVID-19 que não significa expedição de alvará de soltura
irrestrito a todo e qualquer indivíduo. Circunstâncias pessoas que
indicam a necessidade de manutenção da custódia cautelar do
apelante. Recurso desprovido.

Ao relatório de fls. 144 e seguintes acrescento ter a r.


sentença ter julgado procedente a pretensão punitiva estatal para condenar Francisco
Edivaldo Freitas Gomes à pena de 04 anos, 09 meses e 18 dias de reclusão, em regime
inicial fechado, e ao pagamento de 24 dias-multa, no valor mínimo legal, por infração aos
artigos 180, caput do Código Penal e 16, parágrafo único, inciso IV da Lei nº 10.826/03,
em concurso material de delitos.
De acordo com a denúncia, em data incerta, mas entre os dias
27 de agosto e 28 de novembro de 2019, em local incerto, Francisco Edivando Freitas
Gomes adquiriu e recebeu o veículo Honda Fit LX Flex, placa FHC 0003, que sabia ser
produto de crime anterior de roubo; e no dia 28 de novembro de 2019, na Rua Irene
Pedroso Cataldo, 140, Parelheiros, na cidade de Sâo Paulo, conduziu, em proveito próprio,
referido veículo.
Consta também, que no dia 28 de novembro de 2019, no
logradouro acima mencionado, o apelante ainda portava e transportava um revólver, marca
Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 2
fls. 227

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Taurus, calibre .38, com numeração suprimida e 05 munições calibre .38, em desacordo
com determinação legal e regulamentar.

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De acordo com o que foi apurado, na data de 27 de agosto de
2019, na Rua Giovanni Bononcini, na cidade de São Paulo, Celina Maria Pereira do
Nascimento e Carlos Aparecido Jerônimo do Nascimento foram vítimas de roubo.
Mediante emprego de grave ameaça exercida com arma de fogo, os roubadores subtraíram
o automóvel acima descrito, que posteriormente foi adquirido pelo apelante, sabendo ser
produto de crime.

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Na data dos fatos, o recorrente conduzia referido veículo, sem
placas e na companhia de uma motocicleta, o que despertou a atenção de policiais
militares.
Após sinal de parada, o recorrente tentou empreender fuga,
inclusive a pé, mas foi capturado.
Em revista pessoal, os policiais militares lograram êxito em
localizar a arma de fogo bem como as munições acima descritas.
Por tais fatos, foi processado e condenado na forma
supramencionada.
Irresignada, a defesa técnica do acusado apresentou recurso
de apelação às fls. 155/167. Sustenta, em preliminar, o direito de apelar em liberdade. No
mérito, argumenta que o apelante possui residência fixa e exerce atividade remunerada
prestando serviços de técnico de sonorização, além de ser motorista de aplicativo.
Destaca que possui 04 filhos registrados em seu nome e mais
dois filhos que não se encontram registrados, sendo que um deles conta com apenas 07
anos de idade e que todos dependem de seu apoio financeiro para fazer frente as despesas.
Afirma que as provas produzidas não são suficientes para
embasar o decreto condenatório, já que somente se procedeu a oitiva dos policiais
militares, pleiteando a absolvição do acusado na forma do artigo 386 inciso VII do Código
de Processo Penal.
Subsidiariamente, em caso de manutenção da condenação,
entende ser caso de compensação da atenuante da confissão com a agravante da
reincidência, já que confissão houve, ainda que de forma parcial (somente em relação ao
delito de receptação).

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 3


fls. 228

PODER JUDICIÁRIO
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Argumenta também que faz jus a fixação de regime prisional


mais brando do que lhe foi imposto na sentença (fechado), já que a jurisprudência vem

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admitindo a imposição de regime aberto, inclusive para os casos de réus reincidentes.
Aduz também que, mesmo reincidente, faz jus a substituição
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, já que não há reincidência
específica, nos termos do artigo 44 §3º do Código Penal, já que, com a compensação da
atenuante da confissão com a agravante da reincidência, a pena imposta estaria de acordo
com o limite máximo previsto para possibilitar a substituição (04 anos).

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por XISTO ALBARELLI RANGEL NETO, liberado nos autos em 17/04/2020 às 16:09 .
Contrarrazões do Ministério Público às fls. 185/196,
pugnando pelo não provimento do recurso.
Parecer da PGJ às fls. 213/223 opinando pelo desprovimento
do apelo.
De conformidade com a Resolução nº 772/17, não houve
oposição ao julgamento virtual.
É o relatório.
A materialidade delitiva, assim como a autoria, encontram-se
devidamente comprovadas pelo auto de prisão em flagrante de fls. 01/02, boletim de
ocorrência de fls. 03/06 e 07/08, depoimentos de fls. 09, 10 e 11/12, auto de exibição e
apreensão de fls. 13, laudo pericial de fls. 106/110, além da prova oral colhida em
audiência.
Analisando-se os autos, verifica-se que a r. sentença de 1º
Grau apresenta-se suficientemente motivada; examinou detidamente o conjunto probatório.
Assim, seus fundamentos, quanto à demonstração dos fatos e a imputação de autoria, são
ratificados e acolhidos como parte integrante deste Acórdão, nos termos do artigo 2521, do
Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Conforme bem destacado na r. sentença: Note-se, quanto ao
crime de receptação, que as circunstâncias que envolveram os fatos tornam inequívoco
que o réu conhecia a origem criminosa do veículo que conduzia: o carro esta sem as
placas; havia uma motocicleta acompanhando esse veículo, cujo condutor evadiu-se da
polícia; o réu tentou esquivar-se da abordagem policial, também tentando empreender
fuga; o réu estava armado, a revelar sua personalidade criminosa; e o réu não soube
1
RITJSP - Art. 252. Nos recursos em geral, o relator poderá limitar-se a ratificar os fundamentos da decisão
recorrida, quando, suficientemente motivada, houver de mantê-la.
Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 4
fls. 229

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justificar, de forma minimamente convincente, a posse do veículo. Em casos como este,


consoante sedimentado entendimento jurisprudencial, inverte-se o ônus da prova,

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competindo ao agente demonstrar a posse lícita da coisa, o que não se verificou,
observando, igualmente, que “a prova do conhecimento da origem delituosa da coisa, no
crime de receptação, pode extrair-se da própria conduta do agente e dos fatos
circunstanciais que envolvem a infração” (TACrimSP, AC, Rel. Nogueira Filho,
JUTACRIM 96/240).
Cumpria ao apelante, no mínimo, apresentar versão razoável

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por XISTO ALBARELLI RANGEL NETO, liberado nos autos em 17/04/2020 às 16:09 .
para que pudesse, eventualmente, beneficiar-se pela dúvida que teria feito surgir no
julgador, mas nem disso se desincumbiu, e o conjunto probatório, permite concluir, com a
certeza necessária, de que tinha pleno conhecimento da origem espúria do bem, em
prejuízo de sua versão de que apenas fazia um favor para um amigo em levar o veículo de
um local para o outro.
Nesse sentido já há precedentes desta Colenda Câmara:

Apelação da Defesa Receptação Provas suficientes à


condenação Prisão em flagrante em poder de motocicleta
roubada Negativa judicial do acusado Circunstâncias
que evidenciam a ciência da origem ilícita do bem Crime
antecedente comprovado pelo boletim de ocorrência e pelas
declarações da vítima Pena-base acertadamente fixada
acima do mínimo legal, por força dos maus antecedentes do
acusado Mantidos o regime prisional aberto e a
substituição da pena corporal por apenas uma pena
restritiva de direitos, a despeito dos maus antecedentes e do
"quantum" da pena, haja vista a resignação do representante
do Ministério Público Recurso de apelação desprovido.
(TJSP; Apelação Criminal 0044794-29.2018.8.26.0050;
Relator (a): Cesar Augusto Andrade de Castro ; Órgão
Julgador: 3ª Câmara de Direito Criminal; Foro Central
Criminal Barra Funda - 12ª Vara Criminal; Data do
Julgamento: 11/12/2019; Data de Registro: 11/12/2019).

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 5


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Apelação da Defesa Receptação Provas suficientes à

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condenação Prisão em flagrante em poder de veículo
roubado Negativa do réu no distrito policial Revelia
Consistentes depoimentos dos policiais que efetuaram a
prisão Circunstâncias que evidenciam a ciência da origem
ilícita do bem Crime antecedente comprovado Pena-base
acertadamente fixada acima do mínimo legal, em razão das

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circunstâncias do delito Redução do acréscimo
Adequação da pena Circunstância agravante da
reincidência bem reconhecida Fixado o regime inicial
semiaberto para o cumprimento da pena Recurso de
apelação parcialmente provido. Apelação da Justiça Pública
Receptação Majoração da fração de acréscimo ante a
reincidência Inviabilidade Exacerbação correspondente
ao número de condenações definitivas Fixação de regime
prisional fechado Necessidades Obediência aos
princípios da individualização da pena e da
proporcionalidade Precedentes do STJ Recurso de
apelação parcialmente provido. (TJSP; Apelação Criminal
1500885-37.2018.8.26.0477; Relator (a): Cesar Augusto
Andrade de Castro ; Órgão Julgador: 3ª Câmara de Direito
Criminal; Foro de Praia Grande - 2ª Vara Criminal; Data do
Julgamento: 04/12/2019; Data de Registro: 04/12/2019)

É do princípio da auto responsabilidade que as partes


assumem e suportam as consequências de sua inatividade, negligência, erros e atos
intencionais, com isso, sendo produzidas provas por demais comprometedoras ao apelante
a ele cumpria rebatê-las à altura, o que não o fez.
O apelante apresentou versão fantasiosa, tentando imputar a
um amigo a propriedade do veículo que foi pego em sua posse. Estranhamente referido
“amigo” não foi arrolado como testemunha, para que viesse a Juízo e confirmasse a versão

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 6


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do apelante, o que poderia trazer o mínimo de credibilidade às suas palavras.


Em relação ao delito previsto no artigo 16, inciso IV da Lei

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11.823/03, da mesma forma a prova é segura a ensejar a condenação do recorrente.
Com efeito, a norma em comento relaciona as condutas de
portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou
qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado. Têm natureza,
segundo a Doutrina e a Jurisprudência, de "crime de perigo abstrato”, não exigindo a lei
qualquer outro requisito para a sua configuração. Possibilidade, inclusive, de tipificação do

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crime, ainda que a arma de fogo esteja desmuniciada ou desmontada, porquanto o objeto
tutelado não é a incolumidade física e, sim, a segurança pública e a paz social. Aliás, esse é
o entendimento perfilhado pelo Col. STJ.
Confira-se:
Processo AgRg no AREsp 1465987 / DF. AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
2019/0073413-3 Relator(a) Ministro RIBEIRO DANTAS
(1181) Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA. Data do
Julgamento 16/05/2019. Data da Publicação/Fonte DJe
21/05/2019. Ementa: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. ART. 16 DA LEI
10.826/2003. ARMA DESMUNICIADA. DELITO DE
PERIGO ABSTRATO. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO. 1. Não há ofensa ao princípio da
colegialidade quando o relator acolhe ou nega provimento
ao recurso, em virtude da decisão impugnada estar em
consonância com jurisprudência dominante da Corte
Suprema ou de Tribunal Superior, nos termos da Súmula
568/STJ. 2. Consoante entendimento firmado no julgamento
do AgRg nos EAREsp n. 260.556/SC, o crime previsto no art.
14 da Lei n. 10.826/2003 é de perigo abstrato, sendo
irrelevante o fato de a arma estar desmuniciada ou, até

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 7


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mesmo, desmontada ou estragada, porquanto o objeto


jurídico tutelado não é a incolumidade física, e sim a

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segurança pública e a paz social, colocados em risco com o
porte de arma de fogo sem autorização ou em desacordo com
determinação legal, revelando-se despicienda a
comprovação do potencial ofensivo do artefato através de
laudo pericial.
Vale lembrar que o crime em tela é de mera conduta e de

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perigo abstrato, isto é, sua consumação se dá com a prática de um ou alguns dos verbos
descritos no tipo (possuir, deter, portar, adquirir, ter em depósito, transportar, etc.), não
importando se a arma tenha gerado concretamente algum dano, basta que ela seja apta a
produzir lesão à sociedade.
Desnecessário, portanto, o resultado naturalístico, bastando a
simples conduta de possuir arma de fogo, capaz de produzir disparos.
Desse modo, é o entendimento perfilhado pelo Col. STJ:

Confira-se: “A jurisprudência desta Corte é pacífica no


sentido de ser irrelevante a existência de dolo específico, bem
como a ausência de risco concreto de dano, para a
configuração do crime descrito no art. 16 da Lei n.
10.826/2003, por se tratar de crime de mera conduta e de
perigo abstrato. 3. Agravo regimental improvido.” (STJ -
AgRg no AREsp 846.724/MS, Rel. Ministro NEFI
CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 06/12/2016, DJe
16/12/2016).

Com efeito, destaco que o laudo pericial de fls. 132/133


confirmou que os cartuchos apreendidos com o apelante mostraram-se eficazes para o fim a
que se destinavam.
Por sua vez, o laudo de fls. 106/107 confirmou que a arma
apreendida, em ensaios experimentais realizados, mostrou-se apta à realização de tiros.
E a usual e rotineira alegação de abuso por parte dos policiais

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 8


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militares não convence.


Não há razão para acreditar que tinham tido intenção de

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prejudicar o apelante. Nenhuma prova foi produzida neste sentido.
E nem se deve alegar a ausência de credibilidade dos
depoimentos policiais que, compromissados na forma da lei, reportaram os fatos com
segurança e insuspeição.
Não custa acrescentar que na hipótese de ausência da
veracidade acerca dos fatos narrados, em virtude da função exercida, os policiais militares,

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respondem por falso testemunho. Anotando-se, ainda, que seus depoimentos possuem valor
probante quando consonantes com os demais elementos de convicção dos autos.
Aliás, esse é o entendimento perfilhado pelo Col. STJ.
Confira-se:

“Esta Corte Superior possui


entendimento remansoso no sentido de que o depoimento de
policiais constitui meio de prova idôneo a dar azo à
condenação, principalmente quando corroborada em juízo,
circunstância que reforça a legalidade da decisão recorrida”
(AgRg no HC 481982 / MS, Relator(a) Ministro JORGE
MUSSI, Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA, Data do
Julgamento 20/08/2019, Data da Publicação/Fonte DJe
02/09/2019).

“A condição de as testemunhas
serem policiais não retira o valor da prova produzida, porque,
como qualquer testemunha, prestam o compromisso e a
obrigação de dizer a verdade. (CPP, arts. 203 e 206, 1ª parte).
A jurisprudência consolidada desta Corte, o depoimento
dos policiais prestado em Juízo constitui meio de prova
idôneo a resultar na condenação do réu, notadamente
quando ausente qualquer dúvida sobre a imparcialidade dos
agentes, cabendo à defesa o ônus de demonstrar a

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 9


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imprestabilidade da prova, o que não ocorreu no presente


caso” (HC 485543 / SP, Relator(a) Ministro FELIX

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FISCHER, Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA, Data do
Julgamento 21/05/2019, Data da Publicação/Fonte DJe
27/05/2019).

“Indicando a Corte local dar-se


a condenação não apenas pelo depoimento de policial, mas

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por outras provas também valoradas, não cabe a pretensão de
nulidade da condenação. Inexistindo impedimento legal ao
depoimento de policiais e presentes outras provas que
sustentem a condenação, não há falar em nulidade. 3. Agravo
regimental improvido” (AgRg nos EDcl no HC 446151 / RS,
Relator Ministro NEFI CORDEIRO, Órgão Julgador T6 -
SEXTA TURMA, Data do Julgamento 07/02/2019, Data da
Publicação/Fonte DJe 27/02/2019).

Desse modo, os depoimentos dos policiais militares são, no


caso, suficientes à prova da prática delitiva, de forma que a condenação era de rigor.
O fato de o acusado afirmar que tinha emprego fixo,
trabalhava de uber e possui mais de 04 (quatro) filhos, não o isentam da sanção penal,
tampouco pode ser fundamento para conceder a liberdade provisória a indivíduo que
pratica crimes extremamente graves.
Como visto nestes autos, a receptação foi precedida de um
delito de roubo, com emprego de arma de fogo, e a conduta do apelante em adquirir o
produto deste delito somente fomenta a reiteração dessa prática delitiva.
A preocupação com o sustento da prole, apesar de nobre,
devia ter sido pensada pelo recorrente antes das práticas delitivas, não podendo utilizar de
tal circunstância para buscar sua isenção da responsabilidade penal.
Em suma, o quadro probatório, bem examinado pela r.
sentença, convence que o sentenciado recorrente cometeu os crimes pelos quais se viu
condenado, o que impõe seja rejeitada as alegações de insuficiência probatória.

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 10


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No tocante à dosimetria da pena a r. sentença proferida não


merece qualquer reparo.

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As penas foram fixadas com harmonia e proporcionalidade.
De fato, como consignado pela nobre magistrada de primeiro
grau, não é possível o reconhecimento da atenuante da confissão espontânea.
Em Juízo, acerca do delito de receptação, o apelante informou
que tinha pego o carro com um amigo para deixar em outro local, o que não ficou
demonstrado nos autos. Não admitiu, portanto, a prática do delito.

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Enfim, correta a não incidência da atenuante da confissão.
O regime fechado foi corretamente fixado.
Conforme narrado pelos policiais militares, o réu tentou
empreender fuga quando ordenada sua parada, o que demonstra sua tentativa de furtar-se
da lei penal.
Ademais, é reincidente, a indicar que as condenações
anteriores não foram suficientes para impedi-lo de prosseguir na prática de condutas
criminosas.
Assim, com base no fato concreto, há necessidade de maior
rigor na resposta estatal, a justificar a imposição de regime mais gravoso para o
cumprimento da pena corporal, sem que isso implique em violação às súmulas 440 do STJ
e 718 do STF, já que a gravidade abstrata do crime não foi o fundamento utilizado para
imposição do regime fechado.
Logo, diante dos fatores acima mencionados, fica afastada
também a alegação de violação a súmula 719 do STF, que não impede a fixação de regime
de cumprimento de pena mais gravoso ao réu, desde que fundamentado no caso concreto.
Nesse sentido:
Ementa: AGRAVO
REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. FURTO
QUALIFICADO. CONSIDERAÇÃO DE DUAS
QUALIFICADORAS COMO CIRCUNSTÂNCIAS
JUDICIAIS. FIXAÇÃO DA PENA-BASE ACIMA DO
MÍNIMO LEGAL DEVIDAMENTE JUSTIFICADA. REGIME
INICIAL SEMIABERTO. FUNDAMENTOS IDÔNEOS.

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AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. 1. A exasperação da pena-


base e o respectivo quantum foram justificados pela

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consideração de duas das qualificadoras apuradas como
circunstâncias judiciais, de modo que não se verifica o
alegado constrangimento ilegal. É firme a jurisprudência
desta Suprema Corte no sentido de que, “[h]avendo mais de
uma qualificadora, é legal a consideração de uma delas
como circunstância judicial e a consequente fixação da pena-

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base em patamar superior ao mínimo legal (...). Do
contrário, seriam apenados igualmente fatos ofensivamente
diversos, - crimes praticados com incidência de uma só
qualificadora e aqueles praticados com duas ou mais
qualificadoras” (HC 95.157, Relator Min. JOAQUIM
BARBOSA, Segunda Turma, DJe de 1/2/2011). 2. A fixação
do regime inicial de cumprimento da pena não está
atrelada, de modo absoluto, ao quantum da sanção corporal
aplicada. Desde que o faça em decisão lastreada nas
particularidades do caso, o magistrado sentenciante está
autorizado a impor ao condenado regime mais gravoso do
que o recomendado nas alíneas do § 2º do art. 33 do Código
Penal. Inteligência da Súmula 719/STF. O mesmo
raciocínio se aplica para impedir a conversão da pena
corporal em restritiva de direitos. 3. Não cabe a esta
Suprema Corte, em Habeas Corpus, proceder à revisão dos
critérios de índole subjetiva invocados pelas instâncias
antecedentes para a determinação do regime prisional inicial
ou mesmo infirmá-los e, por consequência, concluir que a
conversão da reprimenda é socialmente recomendável.
Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.
(HC 145000 AgR, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE
MORAES, Primeira Turma, julgado em 04/04/2018,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-073 DIVULG 16-04-2018

Apelação Criminal nº 1528313-28.2019.8.26.0228 -Voto nº 00858 12


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PUBLIC 17-04-2018)

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Com efeito, diante da confirmação da condenação por esta
instância, ficam reafirmados e corroborados os argumentos que levaram à prisão preventiva
do apelante, que deve ser mantida.
A dupla reincidência mostra que solto, o apelante não
consegue segurar seu impulso à prática de crimes, de modo que eventual decisão que lhe
concedesse a liberdade provisória colocaria a ordem pública em risco.

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E a circunstância do recorrente ter tentado empreender fuga,
inclusive a pé, faz presumir que sua soltura, já ciente da condenação, tornaria incerta a
aplicação da lei penal.
E nem se diga que a pandemia da COVID-19 e a
recomendação n. 62/2020 do Conselho Nacional de Justiça estariam a justificar sua soltura
(fls. 203/210).
A existência de emergência epidemiológica não pode ser
considerada motivo de alvará de soltura irrestrito a todos os presos. O que deve ser feito,
isto sim, é verificar-se se, de fato, encontra-se o preso em situação de risco elevado que,
particularizando-o e fazendo-o destoar da condição de outros detentos, imponha a
substituição da prisão cautelar pela domiciliar ou por alguma outra medida cautelar
substitutiva da prisão.
Aqui, como se vê, não há demonstração de que no local onde
o paciente se encontra recolhido haja algum surto da aludida doença que o faça merecedor
de liberdade provisória ou prisão domiciliar em virtude da recomendação n. 62 do CNJ
contra pandemia do Covid-19.
Tampouco há evidências de que ele pertença ao grupo de
risco da doença.
Ou seja, não dá para cravar que para o paciente haja maior
risco de contaminação caso permaneça no cárcere.
Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso da
defesa, mantendo-se a r. sentença conforme proferida.
XISTO RANGEL
Relator

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