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Capítulo 5 – Modulação CW Exponencial

Na modulação linear, o espectro modulado consiste no espectro da mensagem transladado pela


frequência da portadora,
portadora cuja largura de banda de transmissão nunca excede o dobro da banda de
mensagem.
Será estudado no Capítulo 10 que, em caso de modulação linear, a relação sina/ruído (SNR) no
destino não é melhor que na transmissão em banda base,
base podendo ser melhorada apenas pelo aumento
da potência transmitida.
Por sua vez, a modulação exponencial (ou angular) é um processo não-linear, e assim, a largura de
banda de transmissão é maior que o dobro da banda de mensagem.
mensagem
Porém, nesse tipo de modulação, podem ser obtidas relações sinal/ruído elevadas, sem a necessidade
de aumentar a potência de transmissão.

Constituem vantagens da modulação exponencial:


 As perdas de potência durante a transmissão não são tão preocupantes como em AM;
 Nem os problemas com tensão de ruptura dielétrica devido aos picos na forma de onda;
 A distorção não-linear de amplitude não afeta a mensagem recebida.

Como a modulação exponencial é um processo não-linear, o espectro do sinal modulado não se


relaciona de forma simples (por uma translação) com o espectro da mensagem.

Questão:

x(t) 2t cos x(t)


t cos t cos 2t

0 t

0 t

cos x(t)

0 t
Nota histórica:
Após o advento da radiodifusão AM, iniciou-se uma procura por técnicas que reduzissem o ruído na
recepção.
C
Como a potência
ê i de
d ruído
íd é proporcional
i l à largura
l de
d banda
b d do d sinal
i l transmitido,
i id a atenção
ã foi
f i dirigida
di i id
à busca de um processo de modulação que reduzisse a largura de banda.
A ideia de modulação em frequência, onde a frequência portadora pudesse ser variada em proporção
com a mensagem x(t)
( ) parecia
i promissora.
i
Assim, na modulação FM (PM), a amplitude de sinal de mensagem produziria uma variação proporcional
na frequência (fase).

modulação
ç de fase,, PM

AM: FM:
excursão = 30 kHz

A frequência da portadora, agora escrita como f(t), poderia ser variada com o tempo, tal que,
f(t) = fc+k x(t), onde k é uma constante arbitrária.
Assim, se o pico de amplitude de x(t) fosse fpico, então, os valores máximo e mínimo da frequência
portadora seriam fc+k fpico e fck fpico , respectivamente (k medido em Hz V/V).
Portanto, as amplitudes espectrais poderiam permanecer dentro desta banda,
Portanto banda com uma largura
2f = 2k fpico , centrada em fc.
A largura de banda seria controlada pela constante arbitrária k, cujo valor poderia ser selecionada à
vontade.
t d
Usando-se um k arbitrariamente pequeno, poderia se fazer a largura de banda de informação
arbitrariamente pequena.
E estaria resolvido o problema!

Assim, por exemplo, se em vez de modular a amplitude da portadora, se modulasse a sua frequência,
fazendo-a oscilar dentro de uma banda de 50 Hz (por exemplo), então, a largura de banda de
transmissão (BT) seria de apenas 100 Hz, independentemente da largura de banda da mensagem (W).
Infelizmente, resultados práticos mostraram que largura de banda de FM obtida experimentalmente
sempre resultava maior (ou, na melhor das hipóteses, igual) que a largura de banda de AM (BT = 2W) .
O raciocínio descrito anteriormente apresenta uma séria falha ao confundir os conceitos de frequência
s e , f(t), e frequência
instantânea, equê c espectral,
espec , f (u
(umaa variável
va áve independente).
depe de e).

__________________________________________________________________________________________________________

Por exemplo, em FM deseja-se variar a frequência portadora em proporção com o sinal de modulação
x(t) significando que tal frequência estará variando continuamente a cada instante
x(t), instante.
Em princípio, isto não faz muito sentido uma vez que, para se definir uma frequência, deve-se ter um
sinal senoidal pelo menos ao longo de um ciclo (ou meio-ciclo, ou quarto de ciclo, ...) com a mesma
frequência.
frequência
Por definição, um sinal senoidal tem uma frequência constante e, portanto, a variação de frequência
no tempo parece estar em contradição com a definição convencional de “frequência de sinal
periódico senoidal
senoidal”..
Portanto, deve-se estender o conceito de uma senóide para o de uma função generalizada, cuja
frequência possa variar no tempo.
Estas questões começam a ser esclarecidas
l id nas próximas
ó i seções. #
5.1 Modulação de Fase e Frequência
Nesta seção são definidos os conceitos de fase e frequência instantâneas, necessários para se
estabelecer os sinais PM e FM.
Desde que a natureza não-linear da modulação exponencial impede a análise espectral em termos
gerais, deve-se trabalhar com espectros resultantes de casos particulares, como a modulação em banda
estreita, ou então, com modulação de tom.

Sinais PM e FM
Considere-se um sinal CW, com envoltória constante mas com fase variável no tempo, tal que:

Define-se o ângulo instantâneo total como:

Dessa maneira, xc(t) pode ser expresso pela relação geral:

a qual define a modulação exponencial (ou angular), dentre os quais PM e FM são casos particulares.
A fase c(t) deve conter a informação da mensagem x(t).
Fica
i evidente
id a relação
l não-linear
ã i entre x(t)
( ) e xc(t)
().

A modulação exponencial pode ser descrita na forma portadora-quadratura como:


xc (t )  Ac cos[ c t   (t )]
 Ac cos  (t ) cos  c t  Ac sin  (t ) sin  c t

a partir da qual pode-se obter a descrição de envoltória e fase.


A envoltória é dada por:
A(t )  vi2 (t )  v q2 (t )  Ac2 cos 2  (t )  Ac2 sin 2  (t )  Ac

revelando que a envoltória do sinal modulado exponencialmente não varia no tempo.

Obviamente a fase instantânea deve ser o próprio (t),


Obviamente, (t) uma vez que:
v q (t ) sin  (t )
 (t )  arctg  arctg  arctg[tg (t )]   (t )
vi (t ) cos  (t )

Forma geral de um sinal PM (ou FM):

+Ac

A
Ac
Modulação PM

Um caso específico de dependência entre c(t) e x(t) corresponde à modulação de fase (PM),
definida como:

tal que

para  constante
t t (medida
( did em graus ou radianos).
di )

Esta relação estabelece que a fase instantânea varia diretamente com o sinal de modulação x(t) .

A constante  representa o deslocamento de fase máximo produzido por x(t) [pois x(t)  1].

O limite superior,   1800 , limita (t) à faixa  1800 e previne ambiguidade de fase.

(No tempo, não existe distinção física entre os ângulos + 2700 e 900 , por exemplo.)

O limite sobre  em PM é análogo ç   1 em AM,, e,,  costuma ser chamado de índice de


g à restrição
modulação de fase (ou desvio de fase).

Diagrama de fasor girante para modulação exponencial (PM ou FM):

Observe-se
Observe se que c não foi feito igual a zero:
fasor girante

O ângulo total c(t) consiste de um termo rotativo constante, ct, mais (t), que corresponde aos
desvios em relação à linha tracejada.
Frequência instantânea do sinal modulado

A frequência instantânea corresponde à taxa de rotação instantânea do fasor [velocidade de variação


de c(t) no tempo], medida em ciclos por segundo (cps) ou Hertz (Hz):

Embora f(t) seja medido em Hz, não deve ser confundido com a frequência espectral f (a variável
independente do domínio da frequência).
A frequência instantânea f(t) é uma propriedade que depende do tempo e da forma de onda que será
modulada exponencialmente [e portanto, da mensagem x(t)].

Discussão: conceito de fase instantânea*


O ângulo generalizado de um senóide convencional, Accos(ct+0), é (t)=ct+0, uma linha reta com
inclinação c e intercepto 0, como indicado na figura abaixo:
O gráfico de c(t), para um caso arbitrário,
ocorre ser tangencial ao ângulo (ct+0) em
algum instante t.

O ponto crucial
i l é que, ao longo
l de
d um
pequeno intervalo t0, o sinal
xc(t)=Accosc(t) e a senóide Accos(ct+0) são
dê t cos:
idênticos:
xc(t) = Accos(ct+0) para t1 < t < t2 .
Ao longo deste pequeno intervalo t, a
f
frequência
ê i ded c(t)
( ) é c.
Por (ct+0) ser tangencial a c(t), a
frequência de xc(t) é a inclinação de seu
â l c(t) ao longo
ângulo l deste
d t pequeno intervalo.
i t l

Pode-se generalizar este conceito para cada instante e dizer que a frequência instantânea
((t)=2f(t),
) f( ) em qqualquer
q instante t, é a inclinação de c((t)) em t.
__________________________________________________________________________________________
* B. P. Lathi e Z. Ding, Sistemas de Comunicações Analógicos e Digitias, Quarta edição, LTC, RJ, 2012.
Assim para xc(t)=Accosc(t),
Assim, (t) d c (t ) 
 (t )  2f (t )    c (t )
dt
t
e  c (t )    (  ) d


Pode-se agora visualizar a possibilidade de transmitir a informação de x(t) variando o ângulo c(t) de
uma portadora.
Por exemplo, no caso PM:  c (t )   c t  0 (t )   c t  0  x(t ),  (t )    x(t )

e assim x c (t )  Ac cos  c (t )  Ac cos[ c t    x(t )] (como definido anteriormente)

para 0 = 0, sem perda de generalidade.


Em PM, a frequência (angular) instantânea é
d (t ) dx(t )
 (t )  c   c   
dt dt
a qual varia linearmente com a derivada do sinal de modulação.

Alternativamente, a frequência (Hz) instantânea é


1 d c (t ) 1   dx(t ) 1 d (t ) 1 
f (t )    c (t )  f c    fc   fc   (t )
2 dt 2 2 dt 2 dt 2
(como anteriormente)

Modulação FM

No caso de modulação em frequência (FM), a frequência instantânea do sinal modulado é:

para f constante (medido em Hz), tal que f(t) varia em proporção ao sinal de modulação x(t).

Ou, alternativamente,  (t )  2f (t )   c  2 f  x(t )

A constante de proporcionalidade f é chamada de desvio de frequência, e representa o deslocamento


máximo de f(t) em relação à frequência portadora fc.
O limite superior, f < fc , simplesmente assegura que f(t) > 0.
Normalmente, deseja-se que f << fc a fim de garantir a natureza passa-banda de xc(t) . (ver adiante)

Tem-se também,
t t t
 c (t )    (  ) d   [ c  2 f  x( )]d   c t  2 f   x (  ) d
  

onde o termo constante em c(t) foi considerado nulo, sem perda de generalidade.

O sinal modulado em FM é: t
xc (t )  Ac cos[ c t  2 f   x( )d ]

_________________________________________________
Comparando se (5.1-4)
Comparando-se (5 1 4) com (5.1-5),
(5 1 5) observa
observa-sese que o sinal FM satisfaz
(t )  2f x(t )

e a integração
g ggera a seguinte
g modulação de fase:

Se t0 é tomado de forma que (t0) = 0, pode-se desconsiderar o limite inferior de integração e usar a
expressão mais informal:

Assume-se que a mensagem não tem componente DC, tal que as integrais acima não divirjam
quando t.
________________________________________________
Fisicamente, um termo DC em x(t) produzirá um desvio de frequência constante com relação à
portadora, igual a f  x(t ) .

Na prática, qualquer componente DC em x(t) deve ser bloqueada pelos circuitos do modulador.

Conceito generalizado de modulação exponencial (ou angular)


Na tabela 5.1-1 compara-se os sinais PM e FM:

Observa-se que sinais PM e FM não são apenas similares, mas também inseparáveis:
Sinal PM: xc (t )  Ac cos[ c t    x(t )] .
t
Sinal FM: xc (t )  Ac cos[ c t  2f   x( )d  ]  Ac cos[ c t  2f  g (t )]


t
onde foi definido que g (t )   x( )d .

No final das contas, ambas as expressões para xc(t) são idênticas.


Portanto, visualizando-se uma portadora modulada em ângulo, não existe maneira de discernir entre
FM e PM.
Sinal PM: xc (t )  Ac cos[ c t    x(t )]
t
Sinal FM: xc (t )  Ac cos[ c t  2f   x( )d  ]  Ac cos[ c t  2f  g (t )]


t
g (t )   x( )d
_______________________________________________
No caso de modulação de tom, fica bem evidente que torna-se praticamente impossível detectar a
diferença entre os sinais PM e FM:

x(t )  Am sin  m t

No caso de modulação de tom, torna


torna-se
se praticamente impossível detectar a diferença entre os sinais
PM e FM:

sinusoidal modulating signal

Quem é FM e que é PM?????


Conclui-se também que, com o uso de circuitos integradores ou diferenciadores, um modulador PM
pode produzir FM, e vice-versa:

t
xc (t )  Ac cos[[ c t     x( )d  ]


(t)

ap
partir de modulador de fase

t
xc (t )  Ac cos[ c t  2 f   x ( )d  ]


 Ac cos[[ c t  2 f  x(t )]
(t)=2f(t)
a partir de modulador de frequência

Os métodos FM e PM são simultâneos, no sentido de que qualquer variação na fase da portadora (ct)
resulta em variação na frequência, e vice-versa. (ambas são devido a x(t) variável)
________________________________________________
Os casos acima revelam que em PM e FM o ângulo de uma portadora varia em proporção à alguma
‘medida/ métrica’ (derivada, integral, etc.) de x(t).
Informa-se
Informa se que pode haver várias outras maneiras de se gerar uma ‘métrica’
métrica de x(t),
x(t) possibilitando
criar um grande número de esquemas de modulação angular, além de FM e PM.

Restringindo-se à escolha de um operador linear, então, uma ‘métrica’ de x(t) pode ser obtida como
saída de um SLIT apropriado, com x(t) como entrada.

convolução : x(t) * h(t)

A saída do sistema H(s) é uma ‘métrica’ de x(t) , sendo que esta é uma operação reversível, passando
(t) através da função 1/ H(s).
Então, a portadora com modulação generalizada em ângulo pode ser expressa como:
t
xc (t )  Ac cos[ c t   (t )]  Ac cos[ c t   x( )h(t   )d ]


sendo h(t) a TFI de H(s) (ou seja, a resposta impulsiva).

a) Se h(t )     (t ) tem-se um sinal PM


t
xc (t )  Ac cos[ c t   x( )   (t   )d ]  Ac cos[ c t    x(t )]


b) Se h(t )  2 f  u (t ) tem-se um sinal FM


t t
xc (t )  Ac cos[ c t   x( )2 f  u (t   )d ]  Ac cos[ c t  2 f   x (  ) d ]
 

Portanto, PM e FM são apenas duas possibilidades dentre um grande número de outras alternativas.
Exemplo: Considere-se o sinal x(t) mostrado na Figura (a). Dados fc= 100 MHz,  = 10 rad e
f = 105 Hz, esboçar os sinais de FM e PM.
Solução:
A frequência instantânea para FM é dada por:
f (t )  f c  f  x(t )  10 8  10 5 x(t )
Assim, seus valores máximos e mínimos são:

f (t ) min  10 8  10 5 [ x(t )]min  10 8  10 5 (1)  99,9 MHz

f (t ) max  10 8  10 5 [ x(t )] max  10 8  10 5 (1)  100,1 MHz

Como x(t) aumenta e diminui linearmente com o tempo,


a frequência instantânea aumenta linearmente de 99,9 a
100,1 MHz em um meio ciclo, e cai linearmente de 100,1
a 99,1 MHz no meio ciclo seguinte.
O sinal modulado está mostrado na Figura (b).

__________________________________
Por outro lado, a frequência instantânea para PM é dada por:
1 d c (t ) 1 d [ c t    x(t )] 1 dx(t ) 10 dx(t ) dx(t )
f (t )    fc    10 8   10 8  5
2 dt 2 dt 2 dt 2 dt dt
(continua...)

1 d c (t ) 1 d [ c t    x(t )] 1 dx(t ) 10 dx(t ) dx(t )


f (t )    fc    10 8   10 8  5
2 dt 2 dt 2 dt 2 dt dt
________________________________________________________________________________________________
O sinal x(t) é dado por:
 2  10 4 t  1 0  t  10 4 s
x(t )   4 4
 2  10 t  3 10  t  2  10 s
4

Sua derivada é igual a:


 2  10 4 0  t  10 4 s
x (t )   4 4
 2  10 10  t  2  10 s
4

cujo gráfico está desenhado na Figura (c).


(c)

As frequências instantâneas, mínima e máxima, são:

f (t ) min  10 8  5 x (t ) min  10 8  5  20.000  99,9 MHz

f (t ) min  10 8  5 x (t ) min  10 8  5  20.000  100,1 MHz

C
Como d /dt oscila
dx/dt il entre
t os valores
l d 20.000
de 20 000 e +20.000,
+20 000 a frequência
f ê i portadora
t d oscila
il entre
t 99,9
99 9 e
100,1 MHz a cada meio ciclo, e cujo gráfico está desenhado na Figura (d). #
Exemplo: Considere-se o sinal x(t) mostrado na Figura (a). Dados fc= 100 MHz,  = /2 rad e
f = 105 Hz, esboçar os sinais de FM e PM.
Solução:
A frequência instantânea para FM é dada por: f (t )  f c  f  x(t )  10 8  10 5 x(t )

Como x(t) oscila entre 1 e +1, a forma de


onda FM oscila entre 99,9 e 100,1 MHz,
como mostrado na Figura (b).

Este tipo de modulação digital é chamada de


modulaçao por chaveamento de frequência
(FSK – frequency shift keying).
keying)

1 dx (t ) 1 dx (t )
Por outro lado, a frequência instantânea para PM é dada por: f (t )  f c    10 8 
2 dt 4 dt
o qual depende de derivadas da Figura (a).
(continua...)

1 dx(t )  = /2 rad fc = 108 Hz


f (t )  10 8 
4 dt
________________________________________________________________________________________________
Devido as descontinuidades em x(t) , sua
derivada deve conter singularidades.

A derivada de x(t) é mostrada na Figura (c).

A frequência do sinal PM permanece a mesma,


fc, exceto nas descontinuidades com impulsos.

Não fica claro como a frequência instantânea


pode sofrer uma alteração de tamanho infinito
e voltar ao valor original num tempo zero.

Este método (chamado indireto) falha em


pontos de descontinuidades.

Usando-se a abordagem direta tem-se:

  A sin  c t quando x(t )  1


xc (t )  Ac cos[ c t    x(t )]  Ac cos[ c t  x(t )]   c
2  Ac sin  c t quando x(t )  1
1
obtendo-se a Figura (d). #
Exemplo: Modulação FM por pulso retangular
Estudou-se no Exemplo 2.2-1, que o espectro do pulso retangular de largura /2 e amplitude A, ou seja,
x(t )  A (t /  ) , é dado por X ( f )  A sinc( f ) . Pedem-se:
x(t)
a) O sinal modulado em FM, para
uma portadora na frequência fc= 2/,
tal que Af = fc .
b) A largura de transmissão BT.

 X(f) 

espectro da mensagem Solução:

A largura de banda da mensagem é:

1 fc
W 
arg X(f)  2

O sinal de FM é calculado a seguir.

(continua...)

x(t)

Dados: fc= 2/ e Af = fc , calcula-se:


calcula se:
t
xc (t )  Ac cos[ c t  2f   x( )d  ]


t
a) Para  < t < /2, ocorre x(t) = 0, e assim, xc (t )  Ac cos[ c t  2f   0d  ]  Ac cos  c t


b) Para /2 < t < +/2, ocorre x(t) = A, e assim,


 / 2  t
x c (t )  Ac cos[ c t  2f   A d  ]  Ac cos[ c t  2 f  A t ]  Ac cos[ c t  2 f c t ]  Ac cos 2 c t
 / 2
 / 2t
c) Para t > +/2,
+/2 ocorre x(t) = 0, assim xc (t )  Ac cos[ c t  2f   / 2 0d  ]  Ac cos  c t
0 e assim,

Este sinal de FM está desenhado abaixo:

xc(t)

Este corresponde ao sinal estudado no Exemplo 2.5-1, e então, sua TF já é conhecida.


(continua...)
Segundo o Exemplo 2.5-1, a TF do sinal modulado em FM é:
A A A
X c ( f )  [ ( f  f c )   ( f  f c )]  [sinc( f  f c )  sinc( f  f c )]  [sinc( f  2 f c )  sinc( f  2 f c )]
2 2 2
xc(t)

Xc(f) 

1 fc
W  
 2

2fc

Conclui-se, portanto, que a largura de banda de transmissão, BT , é de aproximadamente 2 fc = 4W,


independentemente da amplitude da mensagem, A.
Ou seja, a largura de banda de transmissão é quatro vezes maior que a largura de banda do sinal de
mensagem, contrariando o senso comum discutido na ‘Nota histórica’. #

Potência transmitida
Ao contrário do acontece na modulação linear, os sinais PM e FM têm amplitudes constantes.
Portanto, independente da mensagem x(t), a potência transmitida será:

_________________________________________________
T T
Prova: 1 1
S T  lim  xc2 (t )dt  lim  Ac2 cos 2  c (t )dt
T  T T  T
o o

para

1
T
1  cos 2 c (t ) A2 A2 1
T
A2
Ou seja, S T  lim Ac2
T  T 
o
2
dt  c  c lim  cos 2 c (t )dt  c
2 2 T  T o 2
#
(=0 para valores elevados de fc)
_________________________________________
Ac2  2 S x Ac2
Lembre-se que, em modulação linear: S T    Pc  2 Psb
2 2
e portanto, para aumentar Psb (associada ao sinal de mensagem) deve-se aumentar S x  x 2 (t ) .

Por outro lado, no caso de modulação angular, S T  Ac2 / 2 , independentemente de x(t).


Adianta-se que a demodulação (ou detecção) de FM (no receptor) consiste em se extrair a frequência
instantânea f(t) = fc+f x(t), a qual contém a mensagem x(t).
Portanto, o nível do sinal de mensagem no demodulador é melhorado se for aumentado o desvio de
frequência f , o qual, por sua vez, acarreta uma maior largura de banda de transmissão (ver a Seção
5.2).
Qualitativamente, se a potência transmitida ST permanecer constante, a potência de ruído também
permanece constante.
Pode-se aumentar a relação sinal-ruído (SNR) aumentando-se f , o qual aumenta o nível do sinal
recebido no receptor, sem alterar ST.
Para todos os efeitos,
efeitos isto é equivalente a reduzir o ruído!
Contudo, se f aumenta, também aumenta a largura de banda, e assim, na modulação exponencial
existe um compromisso entre a largura de banda () e a relação sinal-ruído ().
Conforme já foi anunciado, ironicamente, a modulação FM foi originalmente concebida como uma
forma de reduzir a largura de banda, mas falhou, devido à séria falha de se confundir os conceitos de
frequência instantânea, f(t), e frequência espectral, f.
Esta limitação, contudo, é compensada por várias outras vantagens (estudadas adiante).

Conforme verificado, os cruzamentos dos zeros de xc(t) na modulação linear são sempre periódicos.
Contudo, os cruzamentos dos zeros de um sinal de modulação exponencial não são periódicos, no
entanto, eles obedecem às equações para a fase mostradas na tabela 5.1-1.

Isto permite concluir que


a mensagem reside
exclusivamente nos
cruzamentos de zeros dos
sinais FM e PM, desde que
a frequência portadora seja
grande o suficiente.

Na Fig
Fig. 5.1-2
5 1-2 estão ilustrados
exemplos de sinais AM, FM
e PM para alguns sinais de
mensagem:

Conclui-se
Conclui se que,
que devido à não linearidade do processo de modulação exponencial,
exponencial o sinal modulado
não se assemelha em nada com a forma de onda da mensagem.
PM e FM Faixa Estreita
Usando a descrição de portadora-quadratura para a equação (5.1-1), qual seja

ou então
então,
obtêm-se:

onde foram aplicadas as séries de Taylor para cos  (t ) e sin  (t ) .


A seguir, impõe-se a condição: (faixa estreita)

tal que

e assim, o sinal modulado será: xc (t )  Ac cos  c t  Ac (t ) sin  c t


O espectro de Xc(f) do sinal modulado é dado por:

Xc(f)
no qual:

Xc(f)

________________________________
Se x(t) tem largura de banda W << fc , então, xc(t) será um sinal passa-banda com largura de banda
de (t) também igual a W.
Com isso,o espectro de magnitudes do sinal modulado será como o esboçado na figura abaixo:

Xc(f) Ac
 ( f  fc )
2 Ac
( f  f c )
2
fcW fc fc +W f

Portanto, a largura de banda de Xc(f) é igual a 2W, desde que (t)<<1. (faixa estreita)
Para valores maiores de ((t),
), os termos 
((t),
), 
((t),
), ...,, não podem
p ser ignorados
g na série de Taylor
y
em (5.1-10), e assim, aumentará a largura de banda de Xc(f) .
As equações (5.2-12) descrevem o caso especial de modulação fase ou frequência em banda estreita,
NBPM ou NBFM ((NarrowBand PM ou NarrowBand FM), ), os qquais se assemelham a um espectro
p de
sinal AM.
Exemplo 5.1-1: Espectro NBFM
Considere-se o caso de x(t) = sinc 2Wt, tal que X(f) = (1/2W) (f /2W).
x(t) X(f)
1 1/2W

Os espectros NBPM e NBFM são dados por (5.1-12a-b), ou seja:


x
Xc(f)

a) No caso NBPM, (5.1-12b) informa que: ( f )   X ( f )


e assim, imaginário
1 j 1 j 1  f  fc 
X c ( f )  Ac  ( f  f c )  Ac  X ( f  f c )  Ac  ( f  f c )  Ac   
2 2 2 2 2W  2W 
para f > 0 .
(continua...)

x(t) X(f)
1 1/2W

Xc(f) x

________________________________________
b) No caso NBFM
NBFM, (5.1-12b)
(5 1 12b) informa que: 1  ( f / 2W )
2W f
X(f ) 1  ( f / 2W ) 1 / 2W 2
 ( f )   jf    jf 
f 2W f W 0 +W f
 1 / 2W 2

Desta forma, o espectro do sinal modulado será:


real
1 j  1 [( f  f c ) / 2W ]  1 Ac 1 [( f  f c ) / 2W ]
Xc( f )  Ac  ( f  f c )  Ac  jf    Ac  ( f  f c )  f
2 2  2W f  fc  2 2 2W f  fc

(continua...)
1  ( f / 2W )
1 j 1  f  fc 
NBPM
NBPM: X c ( f )  Ac  ( f  f c )  Ac    2W f
2 2 2W  2W  1 / 2W 2
1 A 1 [( f  f c ) / 2W ] W
NBFM: X c ( f )  Ac  ( f  f c )  c f  0 +W f
2 2 2W
_____________________________________________ f  fc  1 / 2W 2

Os espectros de amplitude de ambos


Xc(f)
estão desenhados a seguir:

NBPM

Xc(f) sinal
i l

NBFM

(continua...)

Xc(f)
Os dois espectros têm impulsos na
frequência portadora e largura de
NBPM banda 2W.
Ambas as bandas laterais NBPM têm
um deslocamento de fase de 900.

Xc(f)

NBFM
Contudo, a banda lateral inferior em
NBFM está 1800 fora de fase.

Exceto pelo deslocamento de fase de 900, o espectro NBPM se parece exatamente com um espectro
de AM para o mesmo sinal modulador. #
Modulação de Tom
O estudo de FM e PM para modulação de tom pode ser realizado conjuntamente, tomando-se como
mensagem:

Nesta situação, as equações (5.1-2) e (5.1-6) geram:


(5.1-2)
PM
PM:  (t )    x(t )    Am sin
i mt
(5.1-6) t t Am f 
FM:  (t )  2f   x( ) d  2f   Am cos( m  ) d  sin  m t
fm
ou seja:

para ambos os casos, sendo

O parâmetro  serve como índice de modulação para PM e FM com modulação tonal.


E parâmetro
Este â é igual
i l ao desvio
d i de d fase
f máximo
á i e é proporcional
i l à amplitude
li d dod tom, Am , em
ambos os casos.
Contudo, para FM é inversamente proporcional à frequência do tom, fm .

_________________________________________________
a) Modulação de tom com banda estreita
No caso <<1 rad, a equação (5.1-9), ou seja

com e

p
simplifica-se para:
p

fazer c = 0
Em f = fc

(continua...)
xc(t)

PM ou FM

____________________________________________________
Observa-se como a reversão de fase da linha de banda lateral inferior produz uma componente
perpendicular ou de quadratura em relação ao fasor da portadora.
E t relação
Esta l ã ded quadratura
d t é quem gera modulação
d l ã ded fase
f ou frequência,
f ê i em vez de
d modulação
d l ã ded
amplitude.

AM

(continua...)

b) Modulação de tom com banda larga


Expandindo a equação (5.1-1), ou seja,

se obtém,

_________________________________________
Mesmo que xc(t) não seja necessariamente periódica, os termos cos(sinmt) e sin(sinmt) o são,
e podem ser expandidos como uma série de Fourier trigonométrica com frequência fundamental fm :

sendo n positivo e

a função de Bessel de primeira espécie, ordem n (não obrigatoriamente inteiro) e ângulo .

(Esta integral não tem solução analítica.)


(continua...)
Prova: Dado x c (t )  Ac cos(( c t   sin  m t )  Ac e{e jct e j sin mt }

e, sendo a exponencial complexa 2-periódica, ela pode ser expandida em série de Fourier:

e j sin mt  
n  
c(nff m ) e jnmt

1
onde c(nf m ) 
Tm  Tm
e j sin mt e  jnmt dt

para fm = 1/Tm , m = 2fm tal que mTm = 2.


1 1
P t t tem-se
Portanto, t c(nff m ) 
 mTm  mTm
e j sin mt e  j 2nf mt d m t 
2 
2
e j sin  e  jn d

1 
ou então: c( nf m ) 
2  
e j (  sin   n ) d

Da Física-Matemática, sabe-se que


1 
J n ( ) 
2 

e j (  sin   n ) d ,   0  c(nf m )  J n (  )

a função de Bessel de primeira espécie, ordem n (não obrigatoriamente inteiro) e ângulo .



P t t
Portanto, e j sin mt  
n  
J n (  ) e jnmt ,   0
(continua...)


1 
e j sin mt 
n  
 J n (  ) e jnmt J n ( ) 
2  
e j (  sin   n ) d ,   0
_________________________
Esta integral não tem solução analítica.

Função de Bessel de primeira espécie e ordem n:

Portanto: e j sin mt  ...  J 3 (  ) e  j 3mt  J  2 (  ) e  j 2mt  J 1 (  ) e  jmt


 J 0 (  )  J 1 (  ) e jmt  J 2 (  ) e j 2mt  J 3 (  ) e j 3mt  ...
(continua...)

1 
e j sin mt  
n  
J n (  ) e jnmt J n ( ) 
2 

e j (  sin   n ) d ,   0

e j sin mt  ...  J 3 (  ) e  j 3mt  J  2 (  ) e  j 2mt  J 1 (  ) e  jmt


 J 0 (  )  J 1 (  ) e jmt  J 2 (  ) e j 2mt  J 3 (  ) e j 3mt  ...
_________________________
Usando a propriedade das funções de Bessel: J  n (  )  (1) n J n (  ) para n inteiro, vem

cos(  sin  m t )  Re{e j sin mt }  Re{...  J 3 (  ) e  j 3mt  J  2 (  ) e  j 2mt  J 1 (  ) e  jmt 


 J 0 (  )  J 1 (  ) e jmt  J 2 (  ) e j 2mt  J 3 (  ) e j 3mt  ...}
 ...  [ J 3 (  )  J 3 (  )] cos 3 m t  [ J 2 (  )  J 2 (  )] cos 2 m t 
 [ J 1 (  )  J 1 (  )] cos  m t  J 0 (  )  ...

 J 0 ( )  
n par
2 J n (  ) cos n m t

De forma análoga, mostra-se que



i (  sin
sin( I {e j sin mt } 
i  m t )  Im{ 
n ímpar
2 J n (  ) sin
i n m t

como queríamos demonstrar. #

(continua...)

xc(t) (15)

_______________________________
Prosseguindo substitui
Prosseguindo, substitui-se
se (16) em (15),
(15)
   
x c (t )  Ac  J 0 (  ) cos  c t   2 J n (  ) cos  c t cos n m t   2 J n (  ) sin  c sin n m t 
 n par n ímpar 


Alternativamente, substituindo-se e
j sin  m t
 
n  
J n (  ) e jnmt na expressão de xc(t), qual seja:

x c (t )  Ac cos(( c t   sin  m t )  Ac e{e jct e j sin mt }



xc (t )  Ac e{e jct e j sin mt } e j sin mt  
n  
J n (  ) e jnmt
________________________________
Resulta:
 
 
 
x c (t )  Ac Re e jct  J n (  )e jnmt   Ac  Re J n (  )e j (ct  nmt )
 n  -  n  -

uma
ma forma mais compacta e que
q e permite obter o diagrama de linhas espectrais do sinal modulado.
mod lado

Um exemplo de espectro de linhas (unilateral) está desenhado na figura abaixo:

J  n (  )  (1) n J n (  )

______________________________________________________
 O espectro de FM consiste de uma linha na portadora, mais um número infinito de linhas de bandas
laterais f ê i (fc nf
l t i nas frequências  fm).
)
 Todas as linhas são igualmente espaçadas pela frequência de modulação (fm).
 As linhas de ordem ímpar
p da banda lateral inferior ((em relação
ç à portadora
p não modulada)) são
invertidas em fase.
 Num espectro de linhas de frequências positivas (unilateral), qualquer frequência aparente negativa
[(fc +nffm))<0]] deve ser rebatida de volta para
p valores positivos
p fc +nffm.
 As componentes do espectro acima, na região de frequência negativas, são desprezíveis uma vez
que fm << fc .
 O comportamento relativo das amplitudes de cada componente segue o comportamento das funções
de Bessel para um dado valor de , ou seja, de Jm(). (ver adiante)
Propriedades:
1. A amplitude da linha portadora J0() varia com o índice de modulação  e, portanto, depende do
sinal de modulação.
Assim, ao contrário da modulação linear, a componente de frequência portadora de um sinal FM
contém parte da informação da mensagem.
Todavia, pode haver espectros nos quais a portadora tem amplitude nula, desde que ocorre J0() =0
para  = 2.4, 5.5, etc.
2. O número de linhas de bandas laterais com amplitudes relativas significativas depende de .
Com  << 1, apenas J0() e J1() são significativas, tal que o espectro consiste de uma portadora e
duas linhas de banda lateral, como ocorreu na Fig. 5.1-4a.

Figura 5.1-4a
5 1 4a

Contudo, se  >>1, existirão muitas linhas de bandas laterais, gerando um espectro nada parecido
ç linear.
com a modulação

3. Grandes valores de  implica em grande largura de banda para acomodar a extensa estrutura de
bandas laterais, concordando com a interpretação física de um grande desvio de frequência.
Algumas dessas propriedades podem ser observadas na Fig. 5.1-6b, que fornece Jn() em função de
n/ (para n real, não inteiro) e parametrizado em .

Figura. 5.1-6b

Estas curvas representam a envoltória das linhas de bandas laterais, se o eixo horizontal for
n
multiplicado por f m : f m  nf m , para uma dada frequência de tom fm.

Exemplos:

J0 ( )
J1 ( )

portaddora
J2 ( )
1 2 n/
fm 2fm f fm
f=nf
n n
n  1,   1, nf m  1 f m
 1

n/

J2 ( )

J0 ( ) J4 ( )
1 2 n/
2fm 4fm f=nfm

n n
n  2,   1, nf m  2 f m
 2
(continua...)

Exemplos:

J5 ( )

1 2 n/
5fm 10fm f nfm
f=nf
J0 ( )
n n
n  5,   1, nf m  5 f m
 5

n/

J10()

1 2 n//
10fm 20fm f=nfm
J0 ( )
n n
n  10,   1, nf m  10 f m
 10
Em particular, observa-se que todos os Jn() decrescem
monotonicamente para n/ > 1, e que  Jn() <<1 se  n/  >>1.
1 e, >>1

rápido decaimento para n/ > 1

Na tabela 5.1-2
5 1 2 listam
listam-se
se alguns valores de Jn(),
() sendo que os valores em branco correspondem à
condição  n/  >>1.

n/=2/0.1=20

Valores de n/ elevados


e de Jn () reduzidos
Os espectros de linhas, desenhadas a partir da tabela 5.1-2, são mostrados na Fig. 5.1-7, omitindo-se
as inversões de sinais.

A figura em (a) é desenhada para valores crescentes de , com fm mantido fixo, e se aplica a FM e PM.
Am f 
FM:    f m  Am f   f m fixo,     Am f   Am aumenta
fm
PM:     Am     Am   Am aumenta

Em ambos os casos 2fm aumenta.

As linhas tracejadas auxiliam a visualizar


a concentração de linhas de bandas
laterais significativas dentro da faixa
fc  fm à medida que  aumenta.

   número de linhas significativas


A figura em (b) se aplica apenas a FM e ilustra o efeito de se aumentar  pelo decréscimo de fm, com
o produto Amf fixo.
A f
  m   Am f  fixo,     f m  2f m  2 Am f  constante
fm

As linhas tracejadas auxiliam a visualizar


a concentração de linhas de bandas
laterais significativas dentro da faixa
fc  fm à medida que  aumenta.

   número de linhas significativas

Interpretação fasorial de xc(t)


A fim de interpretar fasorialmente a expressão (5.1-8a), qual seja,

retorna-se a aproximação de banda estreita (n=1) da Fig. 5.1-4,

xc (t )  Ac J 0 (  ) cos  c t  Ac J 1 (  ) [cos( c   m )t  cos( c   m )t ]

A envoltória e a fase, construídas a partir da portadora e o


primeiro par de bandas laterais, são*:
são :
Figura 5.1-4

______________________________
*Obs: usar a série de Taylor 1  x  1  x / 2  ..., x  1 . (continua...)
no limite A(t) = Ac

_______________________________
Assim, a variação de fase é aproximadamente o desejado, porém, existe uma variação de amplitude
adicional com o dobro da frequência do tom.
Para cancelar este último, deve-se incluir um par de linhas de banda lateral de segunda ordem, que
rotaciona 2fm em relação à portadora, e cuja resultante seja colinear com a portadora.

x c (t )  Ac J 0 (  ) cos  c t  Ac J 1 (  ) [cos(
[ ( c   m )t  cos(( c   m )t ]
 Ac J 2 (  ) [cos( c  2 m )t  cos( c  2 m )t ]

Contudo, enquanto um par de segunda ordem virtualmente elimina


a modulação de amplitude, ele também distorce (t).
A distorção de fase é então corrigida acrescentando um par de
terceira ordem que, por sua vez, introduz modulação de
amplitude novamente.
E assim, por diante. ímpares, quadratura  corrige fase
pares, em fase  corrige amplitude

Distorção de amplitude e fase geradas devido a um número limitado de par de linhas laterais:

envoltória constante

envoltória não constante

distorção de fase

envoltória não constante

distorção de fase
Quando todas as linhas são incluídas, os pares de ordem superior têm uma resultante em quadratura
com a portadora
t d que proporciona
i a modulação
d l ã ded frequência/fase
f ê i /f desejada,
d j d mas sem modulação
d l ã ded
amplitude indesejável.
A resultante dos pares de ordem par, sendo colinear com a portadora, corrigem as variações de
amplitude.
lit d
xc (t )  Ac J 0 (  ) cos  c t  Ac J 1 (  ) [cos( c   m )t  cos( c   m )t ]
 Ac J 2 (  ) [cos( c  2 m )t  cos( c  2 m )t ]  Ac J 3 (  ) [cos( c  3 m )t  cos( c  3 m )t ]
 Ac J 4 (  ) [cos( c  4 m )t  cos( c  4 m )t ]

n=44 n=33
n=2
A(t)

(t) n=1

Ac
(diagrama obtido num
dado instante t) ímpares, quadratura  corrige fase
pares, em fase  corrige amplitude

(continua...)

A ponta da resultante varia um arco circular, refletindo que a amplitude permanece constante, Ac.
Exemplo 5.1
5.1-2:
2: Modulação de Tom com NBFM
O sinal NBFM xc(t) =100cos[25000t + 0.05 sin2200t] = 100cos[(t)] é transmitido.
A frequência instantânea é obtida derivando-se (t).

Comparando-se com f(t)=fc +f x(t), conclui-se que fc = 5000 Hz, f = 10, x(t)=cos2200t.
Existem duas formas de se determinar :
a) Para NBFM com modulação de tom, sabe-se que (t) =  sinmt.
Desde qque xc((t)) = Ac cos[[ct+((t)]
)] = 100cos[25000t+0.05
[ ], então,, ((t)) = 0.05sin2200t,,
sin2200t],
e assim,  = 0,05.
b) Calcula-se .

A partir de f(t) = fc +f Am cosmt = 5000+10cos2200t, encontra-se Am f = 10 e fm = 200, tal que


10
  0,05 .
200
(continua...)

A pequena distorção na aproximação NBFM se mostra na potência transmitida: a partir do espectro


de linhas obtém-se

Ac  100,   0,05
Ac  100  0,05
  2,5
2 2

Figura 5.1-4a

1 1 1
ST  (2,5) 2  (100) 2  (2,5) 2  5006,25
2 2 2

ao contrário do valor obtido quando há raias laterais suficientes de forma a não ocorrer distorção
de amplitude:
1 1
S T  Ac2  (100) 2  5000
2 2 #
Modulação Periódica e Multitom
A técnica de série de Fourier também pode ser aplicada ao caso de FM com modulação multitom.
Por exemplo, considere-se x(t )  A1 cos 1t  A2 cos  2 t , onde f1 e f2 não são harmonicamente
relacionadas (f1 não é um múltiplo inteiro de f2 ).
O sinal modulante em FM será:
t A A 
x c (t )  Ac cos[ c t  2f   x( )d ]  Ac cos[ c t  2f   1 sin 1t  2 sin  2 t 
 1 2 
ou x c (t )  Ac cos[ c t   1 sin 1t   2 sin  2 t
A1 f  A2 f 
sendo 1  e 2  .
f1 f2
Alternativamente, xc(t) pode ser escrito como: xc (t )  Ac Ree e 1 1 e 2 2 
jc t j sin  t j sin  t


Sabe-se que: e j sin mt  
n  
J n (  ) e jnmt ,   0

e assim,
  

x c (t )  Ac Re e jct  J n (  1 )e jn1t  J m (  2 )e jm2t 
 n -  m - 
  

 Ac Re    J n (  1 ) J m (  2 )e j (c  n1  m2 ) t 
n  -  m  -  
(continua...)

  

x c (t )  Ac Re    J n (  1 ) J m (  2 )e j (c  n1  m2 ) t 
________________________________ n  -  m - 
Portanto,

Esta técnica pode ser extendida para incluir três ou mais tons, embora com mais esforço algébrico.
Para interpretar (5.1
(5 1-19)
19) no domínio da frequência
frequência, divide
divide-se
se as linhas espectrais em quatro
categorias:

(1) Linhas portadoras em fc (para n=m=0), com amplitude:


Ac J 0 (  1 ) J 0 (  2 )
(2) Linhas de bandas laterais em fc  nf1 devido somente ao tom f1 (para m=0), com amplitude:
Ac J n ( 1 ) J 0 (  2 )
(3) Linhas de bandas laterais em fc  mf2 devido somente ao tom f2 (para n=0), com amplitude:
Ac J 0 ( 1 ) J m (  2 )

(4) Linhas de bandas laterais em fc  nf1 mf2 , que aparecem como modulação na frequência de
batimento nas frequências soma e diferença dos tons (f1 e f2) e suas harmônicas, e com amplitudes:
Ac J n ( 1 ) J m (  2 )
Exemplo: FM com dois tons

No caso de dois tons, cujas frequências são tais que f1 << f2 e 1 > 2 (existem mais linhas
significativas separadas por f1 do que linhas separadas por f2 ) tem
tem-se
se o espectro típico:

U di
Uma discussão
ã mais
i detalhada
d lh d é apresentada
d a seguir.
i

(continua...)

Exemplo: FM com dois tons (continuação)


Para f1 << f2 e 1 > 2 (existem mais linhas significativas separadas por f1 do que linhas separadas
por f2 ):
Ac J 0 (  1 ) J 0 (  2 )
f2
Ac J n ( 1 ) J 0 (  2 )
Espectro de FM com 2 tons, em f1 e f2 , para f1 < f2.
f1
f1 Ac J 0 ( 1 ) J m (  2 )

Ac J n ( 1 ) J m (  2 )

f1

f
fc2f2 fcf2 fcf1 fc+f1 fc+f2 fc+2f2

fc

Cada linha de banda lateral em fc  mf2 ( ) se comporta com uma portadora de FM com modulação
tonal na frequência f1 .
g
A largura de banda gglobal depende
p das componentes
p significativas
g do sinal em f2 e qque estão na sua
maior frequência. (continua...)
Categoria de linhas (4):
Linhas de bandas laterais em fc  nf1 mf2 , que aparecem como modulação na frequência de batimento nas frequên-
“Linhas frequên
cias soma e diferença dos tons (f1 e f2) e suas harmônicas, e com amplitudes: Ac J n (  1 ) J m (  2 ) .”
______________________________________________________
O comportamento das linhas (4) diferem das de AM, onde cada nova frequência adicionada ao sinal
modulado
d l d dá origem
i apenas às
à suas próprias
ó i bandas
b d laterais.
l i
Ou seja, em AM, as bandas laterais obedecem ao princípio de superposição.
Assim, se x1(t) e x2(t) dão origem às bandas X1(f) e X2(f), então, as bandas criadas pelo sinal composto
x1(t) + x2(t) serão oriundas de X1(f) + X2(f): f2

f1
Espectro
spec o de AM com
co 2 tons,
o s, eem f1 e f2 , ppara f1 < f2.

X1(f) X2(f)

f
fc2f2 fcf2 fcf1 fc+f1 fc+f2 fc+2f2

fc
Não há p
produtos de intermodulação ç ou bandas laterais devido a pproduto cruzado;; ou seja,
j , não há
termos nas frequências fc  nf1 mf2 . (continua...)

Exemplo: FM com três tons


Para f1 << f2 << f3 e 1 > 3 > 3 , tem-se o espectro abaixo:

W3/2

W2/2

W1/2

Espectro de FM com 3 tons f1 << f2 << f3 e 1 > 3 > 3.


X1(f-fc) X3(f-fc)

X2(f-fc)

fc fc+f2 fc+f3 f

Aparentemente, quem define a largura de banda global do espectro de FM multitons é o tom de maior
frequência. #
Sinais de FM com tons harmonicamente relacionados
Quando as frequências dos tons estão relacionadas linearmente (i.e. f1 = f0 , f2 = 2f0 , etc.), tem-se:

x(t )  A1 cos 2f 0 t  A2 cos 2 2 f 0 t  ...  0   Am cos 2mf 0 t  0 sin 2mf 0 t
m 1
uma série de Fourier e, portanto, um sinal periódico.

(Comparar com v(t )  c0   a n cos 2nf 0 t  bn sin 2nf 0 t .)
n 1
t
Com isso, (t) (=  x(t) para PM, e, = 2f   x( )d para FM) também será periódico, bem
como, exp[ j (t )].

Este, por sua vez, pode ser expandido em série de Fouriercomo: e j ( t )  
n  
c n e j 2nff 0t
1
sendo cn 
T0 T0
e j (t ) e  j 2nf 0t dt

Portanto, o sinal modulado será:


 

xc (t )  Ac cos[ c t   (t )]  Ac Re{e j[ct  (t )] }  Ac Ree jct  c n e jn0t 
 n   

sendo que Accn corresponde as magnitudes das linhas espectrais em f = fc +nf0 .

Exemplo 5.1
5.1-3:
3: FM com modulação por trem de pulsos (tons harmonicamente relacionados)
Seja x(t) uma função moduladora com forma de onda em trem de pulsos com amplitudes unitárias,
período T0, duração de pulso  e ciclo de trabalho d =/T0 .
D j
Deseja-se obter
b os gráficos
áfi d (t)
de ( ) , f(t)
f( ) e ddo espectro ddo sinal
i l de
d FM.
FM
As constantes de integração são escolhidas tais que (t)  0.
___________________________________________________________________________________________________

A frequência
equê c a instantânea
s a â ea para
pa a x(t) é: f (t )  f c  f  x(t )

x(t)

 0 T0 T0 t

A origem do tempo é escolhida tal que (t) tem valor de pico  =2f em t=0:
t
 (t )  2f   x( )d   (t 0 )
t0

Para  < t <0, x(t) = 1, e


t
 (t )  2f   1d   (t 0 )  2f  (t   )   (t 0 )

(continua...)
x(t) t
 (t )  2f   1d   (t 0 )  2f  (t   )   (t 0 )


Deseja-se  =2f em t=0.

 0 T0 T0 t
(t) Então, (t0) deve ser igual a zero em t = , para
ocorrer  =2fpara t = 0:
 =2f

 (t )  2f  (t   ) , para  < t <0.


 0 T0 T0 t

Para 0< t < T0, ocorre x(t) =0, e assim, não seria possível calcular a integral de (t) de tal forma
a manter esta função
f ã periódica.
iódi

(Não tem como (t) retornar a zero em T0após a integração, a fim de se tornar periódica.)

Neste caso, é razoável tentar obter (t) a partir de f(t).

(continua...)

x(t)
O valor médio de x(t) é:
1
t T     d
1 T0
T0
x(t ) 
T0 
T0 
1dt 
T0 0 T0

 0 T0 T0 t
Após remover a componente DC [x(t)  x’ (t) ], a frequência instantânea do sinal de FM resultante
será:
á
f ' (t )  f c  f  x' (t )  f c  f  [ x(t )  d ]

x’=x(t)d
1 d
A

A fc fd
0 t
d
0 t’ 1 d ' 1 d '
f ' (t )  f c 
  f  x' (t )
2 dt 2 dt
Por conveniência, emprega-se o sistema de coordenadas auxiliar t’.
t'
 '  2f   x' ( )d  K
0 (continua...)
a) Para o intervalo < t < 0, tem-se uma área A positiva:
x’=x(t)d ’(t)
1 d  =2f(1-d)
A

0 A t  0 T0 T0 t
d
0 t’
 ' (t )  2f   x' ( )d  K  2f   (1  d )d  K  2f  (1  d ) t0'  K  2f  (1  d )t ' K
t' t'

0 0

Sabe-se que: t’ = t+   ' (t )  2f  (1  d )(t   )  K

Em t = , ’(t) =0   ' (t )  2f  (1  d )(   )  K  0  K  0


e então t t
 ' (t )  2f  (1  d )(t   )  2f  (1  d )(1  )   ' (t )    (1  d )(1  )
 
b) Para o intervalo 0< t < T0,
 tem-se negativa sendo possível fazer (t) retornar a zero.
tem se uma área A negativa, zero
Emprega-se o sistema de coordenadas normal para t.

 ' (t )  2f   ( d )d  K  2f   t0  K '  (2f  d )t  K '


t

(continua...)

Para 0< t < T0,  (t )  (2f  d )t  K ' , d   / T0


___________________________________________________
Para t = T0  '  2f  d (T0   )  K '  0  K '  2f  d (T0,   ) .
dt d d 
E tã
Então:  '  2f  dt  f  d (T0   )      (T0   )    [T0    t ],
] d
   T0
d t 1 t t
 '   (T0   )[1  ]    (T0  dT0 )(1  )   '    (1  d )(1  )
 T0   T0 T0   T0  
Porém, deseja-se que (t) tem valor de pico  =2f em t=0.
t t
Obteve-se: para < t < 0,  ' (t )    (1  d )(1  ) , e, para 0< t < T0,  '    (1  d )(1  )
 T0  
então, pode-se normalizar ’(t) dividindo-se por (1d) obtendo-se:

(continua...)
fc fd

________________________________________________
O cálculo de cn é uma tarefa não trivial, envolvendo integrais exponenciais e relações trigonométricas.
O resultado final pode ser escrito como (aconselha-se o leitor a tentar demonstrá-lo) :
1
T0 T0
cn  e j[ (t )  n0t ]dt dt

resultando em:

onde   f  T0  f  / f 0 , o qual exerce um papel similar ao índice de modulação para o caso de


modulação de tom simples.
(continua...)

Para o caso particular onde d=1/4, =4 e Ac =1, tem-se o seguintes espectro de linhas:

xc (t )  A c Re{  c n e j (c  not ) } cn
n  
_____________________________________________

Espectro do sinal de FM:


fcfd

(continua...)
Nota-se a ausência de simetria do espectro em torno da portadora fc .
1 3
Os picos estão em f  f c  f  e f  f c  f  , revelados pelas frequências instantâneas
4 4
fc fd e fc+(1d) f , para d=1/4.

O fato de que o espectro contém outras


frequências também ressalta a diferença
q
entre frequência espectral
p e frequência
q
instantânea.
As mesmas observações se aplicam para o
p
espectro contínuo de FM,, com x(t)
( ) na forma
de um pulso único de modulação, e que foi
estudado no Exemplo 2.5-1:
Sinal temporal modulado em FM

Espectro contínuo de FM para f > 0