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PODER EXECUTIVO

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

PIBIC/PAIC 2020/2021
1. INFORMAÇÕES DO PROJETO

PROJETO:

PERÍODO: 01/08/2020 - 31/07/2021 MUNICIPIO: PARINTINS

ÁREA: Zootecnia nº CAAE:

PALAVRAS CHAVES: espécies botânicas; mata de terra firme; fazenda ORDEM DE PRIORIDADE: 2
experimental

TÍTULO DO PROJETO DO ALUNO: Levantamento florístico de uma área de capoeira na Vila Amazônia, município de Parintins, estado do Amazonas, Brasil.

GRUPO DE PESQUISA: PRODUÇÃO ANIMAL NA AMAZÔNIA - PAAM

RENOVAÇÃO DE PROJETO:

2. DESCRIÇÃO
RESUMO: O bioma amazônico abriga notável riqueza biológica. O relevo é majoritariamente plano e baixo onde 85% das medições de altitude se encontram abaixo
dos 100m. A pluviosidade pode alcançar 2.000 a 4.000 mm/ano, e segue um ciclo anual entre cheias e seca, causando a variação da altura dos corpos
d’agua entre, em média, 7 a 10 m. Matas de terra firme, matas de várzea e matas de igapó são os principais compartimentos. A ecorregião de Parintins
recebe o nome de Madeira-Tapajós. Neste ocorrem Floresta Ombrófila Densa e Formações Pioneiras. Porém, sofreu modificações desde o século XIX
decorrentes de exploração de madeira e agricultura. Ocorrem nesses territórios remanescentes de florestas em regeneração e são também chamadas de
capoeira. Há no ambiente amazônico uma diversidade vegetal que pode alcançar 50 mil espécies ou mais. Apesar deste número, a região é considerada
subamostrada se levado em consideração a sua extensão. Este estudo resultará em informações que subsidiarão trabalhos de aulas práticas na UFAM e
outras, além do levantamento de informações úteis ao desenvolvimento e melhorias nas atividades agropecuárias, flora e biodiversidade. Objetivando o
levantamento das espécies vegetais em uma área de capoeira da UFAM, auxiliará na produção do conhecimento e na formação de recursos humanos,
bem como colaborará com a amostragem de plantas nestes ambientes. A área de estudo está inserida no município de Parintins, com aproximadamente
30 minutos de deslocamento de barco. Uma área de 89,5737 ha foi disponibilizada pelo INCRA para construção da fazenda experimental onde se
encontram diferentes tipos de vegetação que serão delimitadas com auxílio de GPS. As coletas serão realizadas a cada 2 meses seguindo métodos
científicos de coleta, e as plantas serão levadas ao ICSEZ para identificação taxonômica ao menor nível taxonômico possível seguindo bibliografia
especializada.

INTRODUÇÃO: A Amazônia é reconhecidamente a maior floresta tropical do mundo, abrange 6,1 milhões de Km2, onde a maior parte se encontra no Brasil (4.105.401
Km2), além de outros 8 países (Meireles Filho 2004). Situada no norte, parte do nordeste e centro-oeste do Brasil, cerca de 48% do território do país é
classificado como bioma amazônico, (Cáuper 2012) compreende 9 estados e abriga notável riqueza florística e faunística, étnica e cultural (Barbosa et al.
2008).
Possui um relevo que em sua maioria é plano onde 85% das medições de altitudes estão abaixo dos 100m, apesar de serem encontradas
montanhas com quase 3000 m de altitude. O território passa por um ciclo anual de estação chuvosa com a cheia dos rios e lagos, onde a pluviosidade pode
alcançar altas taxas de precipitação (2.000 a 4.000 mm/ano), e estação seca, escassez de chuvas, quando os corpos de água tendem a diminuir seus níveis
(IBGE 2020). Essa variação da altura é uma resposta monomodal da lamina da água a um pulso enchente que pode alcançar 7 a 10 metros (Junk et al
1990). O regime acontece com o pico da cheia nos meses de junho a agosto e a seca e estiagem nos meses de setembro a novembro (Barbosa et al 2008).
A região pode ser dividida em três grandes categorias: Matas de terra firme; Matas de várzea; Matas de igapó. Estas podem ser reconhecidas, entre outras
características, pela altitude, onde a primeira seriam as mais altas, com pouca ou nenhuma influencia direta das inundações. Já as matas de várzea estão
suscetíveis às cheias dos rios e lagos nas épocas onde as águas as invadem, em um ciclo anual. As matas de igapó situam se em áreas de baixas altitudes,
próximas aos rios que, ou estão sujeitas a inundações intermitentes ou permanecem inundadas o ano todo, tendo a vegetação adaptada aos frequentes
alagamentos (Cáuper 2012).
De acordo com estudos conjuntos entre o Ministério do Meio Ambiente, IBAMA e a organização não governamental Word Wildlife Fund (pt. Fundo Mundial
da Vida Selvagem) em 2001, ocorrem 23 ecorregiões da Amazônia Legal Brasileira. Estas são agrupadas por compartilhar e se assemelhar em aspectos
geográficos, biodiversidade, dinâmicas e processos ecológicos e condições ambientais. A ecorregião do município de Parintins, estado do Amazonas,
nomeada de interflúvio do Madeira-Tapajós, corresponde a 16,07% do território da Amazônia Legal e também se encontram Matas de Terra Firme, Matas de
Várzea e Matas de Igapó. Ainda que pode-se citar as que, na região, encontram-se Floresta Ombrófila Densa e Formações Pioneiras (IBGE 2004).
A região às margens do Rio Amazonas, entre Santarém e Manaus, sofreu sérias modificações em suas paisagens. No século XIX as plantações de cacau
foram responsáveis pelo desmatamento nas planícies inundáveis, e posteriormente, no século passado, as plantações de juta ampliaram o desflorestamento
durante o ciclo, entre as décadas de 1930 e 1990 (Wilklerprins 2006). Um agravante ao desmatamento foram as serrarias abertas na década de 1950, que
fizeram a extração seletiva de espécies madeireiras (Barros & Uhl 1997). Apesar disso, a cobertura vegetal destas áreas apresenta diversificação,
representada por uma mistura de floresta nativa, floresta em regeneração, campos naturais e áreas cultivadas (Wilklerprins 2006).
Áreas de capoeira surgem após a retirada da floresta nativa, estão em um processo de regeneração e são, por isso, também chamadas de floresta em
regeneração. A composição se dá principalmente por espécies vegetais pioneiras, algumas herbáceas e outras lenhosas de pequeno porte. Recebem
sementes provenientes de áreas próximas de florestas nativas e as espécies chamadas de clímax podem estar presentes na forma de pequenas plântulas
que se desenvolviam ali antes da retirada da planta mãe. A capacidade de fixação do carbono atmosférico nestas áreas é maior que a da floresta primária.
Nestes espaços, as árvores e arbustos têm seu crescimento acentuado por, ou maior disponibilidade de luz ou qualidade específica da diversidade que ali
se encontra, ou ainda sementes remanescentes que permaneceram dormentes por maior tempo e vieram a germinar posteriormente. Áreas de capoeira
contribuem significativamente para a redução do carbono atmosférico, pois retiram o CO2 do ar para construção de suas estruturas (Begon et al 2007).
Embora a capoeira não seja tão diversa quanto a floresta nativa ainda assim guarda uma biodiversidade significativa remanescente e é merecedora de
estudo.
A manutenção de áreas de capoeira ou de matas é prevista por lei (Lei 12.651). Estas áreas produzem uma série de benefícios e serviços ambientais como:
banco de sementes e mudas nativas de frutíferas; mudas para uso energético; plantas fixadoras de nitrogênio no solo; controle de temperaturas e umidade
do entorno; refúgios silvestres, que ao abrigar espécies que podem ser usadas em consórcio com produção silvo-pastoril, como insetos polinizadores,
controladores de pragas e outros. Muitas vezes esses locais também abrigam igarapés ou pequenos córregos com fontes de água limpa para uso pelas
populações e nas produções.
Estima-se que a bacia amazônica abrigue 50 mil espécies de plantas, entre 188 famílias taxonômicas. Boa parte destas espécies ainda não foram descritas
em publicações em periódicos devido principalmente ao grande número de táxons bem como o grande número de coletas e tipos. Assim, a biodiversidade
vegetal da Amazônia, é desconhecida e subamostrada (Hubbell et al 2008) e representa um potencial técnico, tecnológico e científico para o
desenvolvimento regional. Apesar de terem sido feitos estudos com o levantamento de espécies previamente, o território é grande e, de fato, ainda sim
existem porções de flora desconhecida. Os benefícios científicos poderão ser colhidos à medida que as espécies forem se desvendando.
Daí se extrai a relevância que estas áreas representam social e culturalmente, pois ao longo de sua história não foi apresentado um plano de manejo
sustentável ou mesmo racional dos terrenos.

OBJETIVO GERAL: • Realizar um levantamento das espécies vegetais em uma área de capoeira pertencente à Universidade Federal do Amazonas,
localizada no município de Parintins, estado do Amazonas.
OBJETIVOS • Fornecer subsídios para a realização de trabalhos científicos e didáticos nas áreas relacionadas à zootecnia e comunidades que
ESPECIFICOS: possam se beneficiar desta documentação.
• Demarcar as áreas de pastagens, capoeira e várzea do terreno da fazenda experimental da UFAM-ICSEZ.
• Colaborar com a amplitude de amostragem de plantas ocorrentes de ambientes de capoeira em paisagens amazônicas para os
herbários didáticos do ICSEZ-Parintins e da UFAM em Manaus;
• Contribuir para a formação de recursos humanos quanto a identificação e usos das espécies vegetais da região.
METODOLOGIAS: Área de Estudo:
A área de estudo está inserida no Assentamento da Vila Amazônia, município de Parintins, estado do Amazonas. O clima é tropical tipo Am de acordo com
a classificação de Köppen e Geiger, caracterizado por duas estações, uma chuvosa e uma seca, que vão dos meses de dezembro a julho e de agosto a
novembro respectivamente. A pluviosidade média é de 2257 mm e a temperatura média é de 27,8°C.
A área de estudo se localiza às margens direitas do Rio Amazonas, fundos com o Lago do Zé-Açú (figura 1), e aproximadamente 30 minutos de barco
voadeira com motor 40hp. O terreno foi disponibilizado pelo INCRA, corresponde aos lotes 35 e 36, compreendendo uma área de 89,5737 ha, na
comunidade Flor de Maio. A área será utilizada para construção de uma fazenda experimental que será realizada pela UFAM e poderá ser utilizada também
por outras instituições para cursos escolares, profissionalizantes e universitários. No espaço são encontradas várzeas, campos e capoeiras em diferentes
proporções. Estes compartimentos ainda não são conhecidos em sua dimensões nem localização específica dentro do terreno. Somente a partir da primeira
visita no projeto serão delimitadas com auxílio de GPS para posterior delimitação das diferentes áreas.

Coletas:
Serão realizadas esforços de coleta a cada 2 meses, totalizando 6 ao final do projeto (ver cronograma do projeto), a fim de realizar coletas de material fértil
que as espécies possam vir a produzir em diferentes épocas do ano.
Para as idas até a Área será utilizado transporte da universidade ou aluguel de barco com piloteiro a depender da necessidade.
A coleta do material será realizada de acordo com os métodos previstos em Bridson & Forman (1999). Que consiste da poda de material vegetal fértil das
árvores com diâmetro a altura do peito de (DAP) 5 cm, com auxílio de tesoura de poda com vara telescópica. O uso de prensas de coleta contendo estrado
de madeira, papelão e jornais, todos cortados nas mesmas medidas (60x40cm), amarrados firmemente com corda para secagem e conservação dos
caracteres de identificação. No momento da coleta são anotados todos os dados pertinentes como: localização geográfica (GPS), coletores, data, aspectos
como cor de flores/inflorescências e outros detalhes pertinentes à identificação das plantas. Ao final das coletas, o material seguirá para o laboratório
Zoobotanico, ICSEZ-Parintins. As plantas serão colocadas em estufas de secagem de plantas para desidratação gradual e posteriormente serão
confeccionadas exsicatas para deposição no herbário didático do ICSEZ e envio das duplicatas para o Herbário da UFAM Manaus.

Identificação das espécies:


Com o intento de identificar as espécies ao menor nível taxonômico possível, será utilizada bibliografia especializada como Souza & Lorenzi (2019) para
identificação das famílias botânicas. De acordo com as famílias encontradas serão utilizados guias de identificação contendo ilustrações e descrições
taxonômicas, obras clássicas, artigos científicos e livros contendo descrições taxonômicas. Fotos, desenhos, descrições e dados morfométricos serão
enviadas a especialistas quando necessário para auxílio nas identificações. Os nomes e a atualização taxonômica estará de acordo com o projeto Reflora
do Brasil.

REFERÊNCIAS: Barbosa, K.M.N., Piedade, M.T.F., Kirchner, F.F. 2006. Estudo temporal da vegetação da várzea da Amazônia Central. Floresta. 38(1):89-96

Barros, A.C., Uhl, C. 1995. Logging along the Amazon River and estuary: Patterns, problems and potential. Forest Ecology and Management. 77:87-105.
Begon, M., Twonsend, C.R., Harper, J.L. Ecologia: de indivíduos a Ecossistemas. Artmed. Porto Alegre. 4a ed. 752p. 2007.
Bridson, D., Forman, L. International Herbarium Handbook, 3ed., Royal Botanic Gardens, Kew, 334p. 1999.
Cáuper, G.C.B. Biodiversidade Amazônica. Manaus, Secretaria de Estado de Cultura, 172p. 2012.
Hubbel, S.P., He, F., Condit, R., Borda-de Água, L., Kellner, J., Steege, H. 2008. How many tree species are there in the Amazon and how
many of them will go extinct? PNAS, 105:11498-11505.
IBGE: https://www.ibge.gov.br/geociencias/informacoes-ambientais/estudos-ambientais/15842-biomas.html ultimo acesso em 20 de junho 2020.
Junk, W.J.; Bayley, P.B., Sparks, R.E. The flood pulse concept in river-floodplain. Em: Dodge, D.P. (ed.). Proceedings of the International Large River
Symposium (Lars). Canadian Government Publishing Centre, 1990.
Meireles-Filho, J.C. O livro de ouro da Amazônia. Rio de Janeiro. Editora Ediouro. 5ed. 442p. 2006.
Souza, V.C., Lorenzi, H. Botânica Sistemática. Guia ilustrado para identificação de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG IV. 768p. Nova
Odessa: Instituto Plantarum, 2016.
Wilklerprins, A.M.G.A. 2006 Jute Cultivation in the Lower Amazon, 1940-1990: an ethnographic account from Santarém, Pará, Brazil. Journal of Historical
Geography, 32(818-838).

3. RECURSOS HUMANOS
NOME CURSO FUNÇÃO BOLSA CH/SEMANAL ATIVIDADE
ANGELA MARIA DA SILVA LEHMKUHL Coordenação Acadêmica do Colaborador null 2 Pesquisa, identificação de plantas
ICSEZ
GABRIEL MENDES MARCUSSO Universidade Estadual Paulista Colaborador null 2 Pesquisa bibliografica; técnicas de coleta; Auxílio
na identificação de plantas
JEFFERSON DA CRUZ Depto de Biologia Colaborador null 2 Pesquisa e identificação de espécies
REDLEY DA SILVA NUNES TAVARES Zootecnia Aluno(Voluntário/Bolsi Candidato à bolsa Coleta de Plantas; Secagem e Herborização de
sta) plantas coletadas; Identificação das plantas;
Tombamento de plantas; Palestras.

4. CRONOGRAMA
ATIVIDADE 8/2020 9/2020 10/2020 11/2020 12/2020 1/2021 2/2021 3/2021 4/2021 5/2021 6/2021 7/2021

Pesquisa bibliográfica X X X X X X X

Coleta de plantas X X X X X X

Identificação de plantas X X X X X X X X X

Confecção de exsicatas X X X X X X

escrita do relatório parcial X X


Envio de plantas pra herbário da UFAM Manaus X X X

Escrita do Relatório Final X X X


5. CURRÍCULO

TITULAÇÃO - (Pontuar apenas a maior titulação)


ÍTENS DO CURRÍCULO LATTES PONTUAÇÃO TETO UNIDADES TOTAL

1.1Doutorado 100 1 1.0/ponto 100

PRODUÇÃO - Quadriênio
ÍTENS DO CURRÍCULO LATTES PONTUAÇÃO TETO UNIDADES TOTAL

Artigos publicados em periódicos

1.3 Completo com Qualis B1 70 1.0/ponto 70

1.6 Completo com Qualis B4 30 4.0 2.0/ponto 60

Trabalhos publicados em anais de eventos científicos

2.3 Resumo publicado em anais de evento científico 10 3.0 2.0/ponto 20

2.4 Resumo publicado em anais de evento científico regional/local 5 3.0 1.0/ponto 5

Livro ou capítulo de livro

Tradução

Produção artística/cultural

Propriedade intelectual

ORIENTAÇÕES – Quadriênio
ÍTENS DO CURRÍCULO LATTES PONTUAÇÃO TETO UNIDADES TOTAL

Orientações concluídas

1.5 Trabalho de conclusão de curso de graduação 5 10.0 1.0/ponto 5

Orientações em andamento

DADOS COMPLEMENTARES – Quadriênio


ÍTENS DO CURRÍCULO LATTES PONTUAÇÃO TETO UNIDADES TOTAL

PONTUAÇÃO TOTAL: 260