Detecção Remota – Parte II Engenharia Geológica

Apontamentos de Detecção Remota (versão provisória para consulta)

Graça Brito e Paulo Caetano Ano lectivo 2010/11

....................Conceitos de Teledetecção Índice 1........... 3........... 3 Comportamento espectral da água........................................................................... 6 2......................... Conceitos de Teledetecção ..........................................................3....... O sistema espacial de detecção remota Landsat 5 Thematic Mapper..... Organização de uma Imagem Digital de Satélite .... 14 Expansão Linear de Contraste .. 3................................ 15 Composição Colorida ........................................... 16 3................. 13 3........ 2 Interacção com a atmosfera..1.......................... O espectro electromagnético.2............ ........1.... 15 Análise em Componentes Principais ................. solos e vegetação......... 1.......... 10 2...................Introdução .4........ 18 1 ......1.........3................... Referências Bibliográficas ............ Processamento de imagens digitais .................. Técnicas de Realce e Processamento de imagens digitais............... 1...... 4.........................1...... 3....... 1..................2..........1...................1......................... 2 1...... 15 Filtros Digitais ou Matrizes de Convolução...........4........................... 11 3...............................................1........... 4 Comportamento espectral das rochas ......1..

qualquer sistema de detecção remota compreende um sensor e um dado objecto. pois não só permite o estudo de uma vasta área de observação como também permite a observação em simultâneo de todo o sistema envolvente. em que a relação entre ambos se efectua a partir de um fluxo de energia.Conceitos de Teledetecção 1. Desta forma. A quantidade de fluxo de energia que é reflectido ou emitido. permitindo a obtenção de imagens de detecção 2 . disperso. estabelece a relação entre os objectos e os sensores. sob a forma de radiação electromagnética (figura 1). uma vez que se trata da energia possível de ser registada por estes últimos. Fig. emitido ou reflectido por esses objectos. absorvido.Introdução A teledetecção assume primordial importância na observação e interpretação de fenómenos que ocorrem na superfície da terra à escala regional. Consoante a natureza dos objectos que se encontram à superfície terrestre. tal como o termo sugere. A principal fonte de energia radiante utilizada pela detecção remota é proveniente do Sol. O espectro electromagnético. Para que tal aconteça. o fluxo de energia radiante que incide sobre a Terra pode ser transmitido. 1 -Interacção entre radiação electromagnética e superfície terrestre. é necessária a existência de uma interacção entre os fenómenos e os sistemas que permitem a sua observação. A detecção remota. é uma técnica que permite observar fenómenos à distância sem que exista um contacto directo com os objectos em estudo. 1. Conceitos de Teledetecção .1.

6 e 2 µm. vulgarmente designadas por janelas atmosféricas (v. com comprimentos de onda que variam desde os 0. o espectro electromagnético é constituído por um conjunto de ondas electromagnéticas contínuas. Interacção com a atmosfera Uma das principais características da atmosfera terrestre é o facto de actuar como um filtro perante determinados comprimentos de onda.6 µm) e do vermelho (0. cuja designação se deve ao facto de abranger as únicas radiações capazes de serem perceptíveis pelo olho humano.6 µm a 0.7 µm). Assim. Qualquer radiação electromagnética pode ser caracterizada em função do seu comprimento de onda ou da sua frequência. estando esta limitada a regiões em que absorção não se faz sentir e que se caracterizam pela transmissão das radiações. 1. raios X e grande parte dos raios ultravioletas. sensível ao calor emitido pelos corpos. Uma vez que as imagens obtidas reflectem comportamentos espectrais.2.Conceitos de Teledetecção remota. até comprimentos de onda longos (da ordem dos metros. compreendendo comprimentos de onda desde 0. como as ondas rádio).3 µm até 8 µm. resultado de uma absorção da radiação por parte das partículas que a constituem. figura 2).5 µm a 0. entre 2.7µm. cujo intervalo varia desde comprimentos de onda curtos (da ordem dos micrometros.5 µm). É o que sucede no domínio dos raios gama. há que considerar as seguintes bandas espectrais: • Região do visível. o dióxido de carbono absorve radiações no infravermelho térmico e no infravermelho médio.14 µm) . Região do infravermelho térmico (8 µm . torna-se fundamental conhecer tais comportamentos. o vapor de água é o responsável pela absorção em torno de 6 µm e entre 0. Ocupa uma pequena porção do espectro. existem regiões de primordial importância para a detecção remota que convém destacar. em que se destacam as bandas do azul (0. Dentro do espectro electromagnético.7µ m até aos 1. bem como noutras regiões do espectro (por exemplo.4 µm a 0.4 µm a 0. verde (0.5 e 4. região do espectro cuja gama de valores varia entre 1 mm e os 300 cm. uma vez que são as mais utilizadas pelos sensores actuais. como é o caso dos raios gama e raios X).5µm). • • • Região do infravermelho médio. Este comportamento dá origem a que nem todas as regiões do espectro sejam possíveis de serem utilizadas pela detecção remota. 3 .3 µm. Micro-ondas. Desta forma.g. que inclui valores desde 1. • Região do infravermelho próximo.

Conceitos de Teledetecção Fig. vegetação e solos. que podem ser classificados em: Dispersão Rayleigh . A reflexão radiométrica (ou dispersão atmosférica) degrada a qualidade visual das imagens e manifesta-se por uma redução de contraste.independente do comprimento de onda da radiação e é provocado por partículas de diâmetro superior a 10 µm.Elementos atmosféricos/Janelas atmosféricas. solos e vegetação. nomeadamente a água. sendo também uma dispersão selectiva. o vapor de água e aerossóis).quando afecta comprimentos de onda inferiores ao diâmetro da partícula. de que são exemplo as partículas de gelo presentes nas nuvens. é a dispersão atmosférica causada pela interacção existente entre a radiação electromagnética e os gases e partículas existentes na atmosfera (por exemplo. A partir de medidas laboratoriais foi possível estabelecer curvas de reflectividade espectral. Dispersão não selectiva . Existem vários tipos de dispersão. Dispersão Mie . 1987) Outro fenómeno bastante importante em detecção remota. ilustradas na figura 3. 4 . para diferentes tipos de materiais que se encontram à superfície terrestre. é uma dispersão selectiva e reflecte-se essencialmente na banda azul do espectro electromagnético. (adaptado de Drury. 2 . 1.3. Comportamento espectral da água.afecta comprimentos de onda semelhantes à dimensão da partícula (aerossóis e pó atmosférico).

Tal como se pode observar pela figura. devido à presença de vegetação. que provoca um aumento da reflectividade na banda verde da região do visível. da profundidade existente e da rugosidade da sua superfície. Nem sempre é fácil adquirir informação sobre os solos a partir da detecção remota. A reflectividade dos solos na região do visível está condicionada principalmente pela presença de matéria orgânica e teor de humidade. como consequência da elevada absorção da água nestas bandas.Conceitos de Teledetecção Figura 3 . Como consequência. 5 . A curva espectral dos solos caracteriza-se por uma reflectividade relativamente baixa na região do visível. textura e teor de humidade. O comportamento espectral dos solos é condicionado pela sua composição química. a resposta espectral pode depender do teor de humidade. Nestes casos. De uma maneira geral. como é o caso da clorofila. pois à medida que estes aumentam. a reflectividade decresce. sendo praticamente nula a partir da região do infravermelho. aumentando gradualmente com o incremento do comprimento de onda das radiações. a presença de materiais em suspensão aumenta a reflectividade da água. Trata-se de uma resposta semelhante à da água. mas em sentido contrário. O comportamento espectral da água está dependente da natureza e concentração de materiais que se encontram em suspensão.Comportamento espectral da água. Em relação ao infravermelho próximo e médio. a sua reflectividade diminui ao longo do espectro. a água absorve ou transmite a maior parte das radiações à medida que os comprimentos de onda aumentam. uma vez que as espécies vegetais dependem directamente da natureza dos solos. vegetação e solos. os dados são inferidos a partir da cobertura vegetal.

tamanho da copa. 1.Conceitos de Teledetecção Existem inúmeros factores que influenciam a resposta espectral da vegetação.a heterogeneidade das espécies. Comportamento espectral das rochas O comportamento espectral das rochas está intimamente relacionado com a sua composição mineralógica. consequentemente podem existir variações espectrais passíveis de serem detectadas pela detecção remota. figura 4). .g. altura das plantas. o que se traduz numa única resposta em termos de detecção remota. Para o estudo da resposta espectral das diferentes litologias é frequente utilizarem-se curvas experimentais da resposta espectral dos minerais para inferir sobre a resposta de determinada litologia (v. em qualquer ecossistema é frequente a coexistência de vários tipos de vegetação. . a composição destes últimos influencia os seus comportamentos e. . O comportamento espectral da vegetação varia de acordo com: . 6 .composição.a espécie vegetal (folha . com diferentes comportamentos em relação às solicitações do meio ambiente. teor em água. etc. forma da copa. Para além disso. Em virtude da maioria das espécies estarem sujeitas à acção directa dos solos.o ciclo de vida da planta.a morfologia do coberto vegetal (densidade do coberto vegetal. forma).4. estrutura.

Assim. As propriedades térmicas das rochas (conductividade térmica. etc) permitem proceder à sua diferenciação no domínio do infravermelho térmico (8 a 12 µm). Quanto aos minerais argilosos estes apresentam uma forte absorção em torno de uma região restricta do infravermelho médio (comprimentos de onda da ordem dos 1. apresentam alta reflectividade na região visível do espectro electromagnético. inércia termal.9µm). Quadro I 7 .3 µm) e do infravermelho (apenas para comprimentos de onda da ordem dos 1. 1990). Nestes casos.5 µm). As rochas carbonatadas e as siliciosas. A observação de um tipo litológico é frequentemente dificultada pela cobertura do solo. etc). 4 . O quartzo e os feldspatos apresentam alta reflectividade nos domínios do visível e dos infravermelhos. decrescendo a sua resposta espectral para comprimentos de onda no domínio do infravermelho (2 a 2.Conceitos de Teledetecção Fig. traduzindo um decréscimo de reflectividade nestas regiões do espectro electromagnético. a melhor diferenciação observa-se entre rochas silicatadas e não silicatadas (Quadro I). zonas de abundante vegetação e pelo grau de alteração da rocha (óxidos Fe. densidade. pela sua composição mineralógica. e tal como no caso dos solos.Espectro laboratorial para diferenciar tipos minerais (Chuvieco. é possivel inferir a litologia atravéz do estudo dos solos e Geobotânica.

consoante a sua transmissividade.2 2.9 1. devido à fraca resolução espacial do sensor do Infravermelho Térmico (120m x 120m).0 2.0 1. Na figura 5 apresentam-se as curvas teóricas de diferenciação das diferentes rochas.6 1.8 7.5 0.9 3.6 7.7 8.6 3.3 2. sendo mais utilizado quando se pretende diferenciar apenas vastas zonas de diferentes litologias.4 6.8 1.4 7.7 1.2 0.5 2. o que permite que a sua resposta espectral seja bastante evidente no domínio do Infravermelho térmico (8 a 12µm).6 5.6 1.0 1.1 1.1 2.3 2.1 8.5 Densidade ρ (Kgm-3) 3200 3000 2800 2600 2400 2700 2700 2800 2500 2600 2100 1800 1700 1000 Cap. a sua aplicação é um pouco restrita.6 1.5 2.3 Peridotito Gabro Basalto Granito Serpentinito Quartzito Mármore Xisto Calcário Dolomite Gravilha solo arenoso solo argiloso água Difusão térmica χ (m2s-1) x(10-6) 1. 8 .1 7.1 3.1 2.1 Inércia termal P (Jm-2s-1/2K-1) x(10-3) 3.3 2.0 14.1 1.Conceitos de Teledetecção Material Conductiv.3 0.4 0.2 2.3 0.6 2.1 8.3 2.7 42. Térmica K (Jm-1s-1K-1) 4.4 9.0 5.1 8.6 1. No entanto. para o espectro da região do Infravermelho térmico.1 1.1 2.1 2.1 2.4 10. Termal C (JKg-1K-1) x (10-2) 8.0 2.5 As rochas possuem propriedades físicas e térmicas muito características.5 0.

5.4 e TM 7. (Adaptado de DRURY. consoante os tipos litológicos que se pretende diferenciar.4. TM 7.Conceitos de Teledetecção Fig.Transmissividade dos diferentes tipos de rochas. Para o estudo das litologias utilizam-se com grande frequência técnicas de combinação colorida de imagens correspondentes às diferentes bandas do espectro electromagnético. TM4.1.1. 5 . cada uma delas destacando aspectos mais ou menos característicos dos tipos litológicos presentes.1. 1987). Estas técnicas são chamadas técnicas de realce e permitem visualizar simultaneamente 3 imagens.4.5. Na geologia as combinações de bandas mais frequentes são combinação RGB das bandas TM5. 9 .

define-se IFOV como a área de superfície terrestre observada pelo sensor. baseado nas propriedades geométricas do sensor. O número de imagens obtidas. originando um aumento da resolução temporal (intervalo de tempo necessário para adquirir imagens da mesma região ) de 18 para 16 dias. O Landsat-4. sendo a mais usual baseada no modo como recebem a energia proveniente da superfície terrestre. oferece a possibilidade de obter imagens diferentes sobre várias regiões do espectro. No entanto. um sistema multi-espectral. sendo a mais comum o IFOV (Instantaneous field of view). em Março de 1985. foi mantido o sensor MSS. o TM (Thematic Mapper). deixou de operar em 1983. Mais tarde. a capacidade de registar informação discriminadamente. Neste sentido. existem várias formas de os classificar. Com a alteração das características orbitais. esta distância corresponde à dimensão de um pixel (picture element). Resolução espacial: Este conceito refere-se ao objecto mais pequeno que pode ser encontrado numa imagem. num determinado instante de tempo. Pode ser medido como um ângulo ou como a distância sobre o terreno a que corresponde esse ângulo. sem considerar as propriedades espectrais dos objectos.Conceitos de Teledetecção 2. Um dos grandes avanços tecnológicos que estes dois satélites apresentam é a incorporação de um novo sensor. Em termos de imagens. capazes de gerar a sua própria fonte de energia (em que o mais utilizado é o radar) e sensores passivos em que a energia recebida provém de uma fonte exterior em que se enquadra o satélite Landsat. No caso concreto do Landsat TM o IFOV é de 30 metros. definem a 10 . com as mesmas características orbitais foi enviado para o espaço o satélite Landsat-5. a altura de voo é reduzida de 917 km para 705 km. a partir de uma dada altitude. Existem diversas maneiras de definir a resolução espacial. Seguidamente descrevem-se os vários tipos de resolução e as suas características no Landsat 5 TM. dirigido principalmente para a cartografia temática. lançado em 1982. ou seja. Resolução espectral: Refere-se à capacidade de um sensor obter informação em diferentes domínios do espectro electromagnético. Desta forma. exceptuando-se os 120 m para a banda do infravermelho térmico (banda 6). existem dois tipos de sensores: sensores activos. bem como a região do espectro que cada uma delas abrange. marca o início de uma nova geração de satélites. tendo em conta a altitude e velocidade do sensor. existe um conceito comum a todos eles : a sua resolução. Assim. Em relação aos sensores. ou seja. O sistema espacial de detecção remota Landsat 5 Thematic Mapper. Para dar continuidade aos primeiros Landsat. à unidade mínima de informação presente numa imagem. Por razões de ordem técnica.

55-1. A organização de uma imagem pode ser representada por uma matriz numérica (v. de Norte para Sul. para uma determinada banda do espectro. Assim.45-0.63-0. sendo o valor registado o nível digital. a imagem apresenta-se usualmente em formato digital e.g. uma vez que a aquisição de imagens é feita segundo a trajectória do satélite.52 0. isto é.69 0. encontando-se as suas características resumidas na tabela 2. 11 . 2. A origem da imagem situa-se no canto superior esquerdo (linha 1. corresponde à resolução radiométrica. define a resolução radiométrica de um sensor. apresenta um valor de 256 níveis digitais por pixel. Este valor é o designado nível digital (ND). O número de bandas espectrais do Landsat TM é igual a 7. coluna 1). Organização de uma Imagem Digital de Satélite A forma como é efectuada a organização de uma imagem digital de satélite é importante para o seu posterior processamento informático.1. figura 6). Actualmente a maioria dos sensores. Tabela 2. No caso de sensores espaciais.40-12.08-2. uma vez que se pode expressar numa intensidade luminosa ou nível de cinzento.50 2. A resolução espectral será maior quanto maior for o número de imagens obtidas e quanto mais limitada for a região do espectro que cada uma delas inclui. exprime a capacidade de um sensor detectar variações na radiância espectral recebida. pois permite caracterizar pormenorizadamente os diferentes tipos de materiais. como tal.90 1. ou seja. em que se inclui o Landsat TM.35 Resolução radiométrica: por vezes também designada por sensibilidade radiométrica.76-0.060 0.52-. cada pixel de uma imagem é definido por um valor numérico que representa a radiância média registada pelo sensor de uma superfície terrestre equivalente à dimensão do pixel.Resolução espectral do satélite Landsat TM Banda 1 2 3 4 5 6 7 Comprimento de onda (µm) 0.Conceitos de Teledetecção resolução espectral de um sensor. Cada linha e coluna representam as coordenadas geográficas da imagem. o número máximo de níveis digitais detectados por uma imagem. Este valor varia consoante as características dos sensores.75 10.

Organização de uma imagem digital. 1990). (Adaptado de Chuvieco.Conceitos de Teledetecção Fig. 12 . 6 .

Correcção do Bandado da Imagem. caso seja necessário.coordenadas da imagem corrigida fl.Y . As Correcções Radiométricas consistem em atenuar as alterações provocadas pelo mau funcionamento dos sensores do satélite e pelo atenuamento. segundo uma transformação definida do seguinte modo : x= y= f f 1 (C . ou seja. A correcção geométrica consiste em atribuir um referencial geográfico às imagens de satélite.f2 – coef. de transformação C. e as Correcções Geométricas.coordenadas em pixeís da imagem não corrigida 13 . do efeito atmosférico. As técnicas de correcção ou Pré-Processamento de imagens digitais mais utilizadas são as Correcções Radiométricas – das quais se referem a Correcção de Linhas ou Píxeis Perdidos. L ) (C . as Correcções Atmosféricas (pelos métodos do histograma mínimo ou através da regressão linear entre bandas. L) 2 em que as coordenadas da imagem corrigida. x e y.L . As Correcções Geométricas consistem em atribuir um referencial geográfico a uma imagem. Processamento de imagens digitais As imagens de satélite devem ser previamente processadas de forma a introduzir correcções do ponto de vista radiométrico e geométrico.Conceitos de Teledetecção 3. na modificação da posição dos pixeis em relação a um sistema de coordenadas. respectivamente C e L da imagem não corrigida. são função das coordenadas coluna e linha. As novas coordenadas são obtidas pela transformação : X = Y= f 0 + f 1 C+ f 2 L+ f C 3 3 2 + f 4 4 CL + f L 5 5 2 g +g C+g 0 1 2 L+g C +g 2 CL + g L 2 X.

3º) assim precisaremos. de 4. O número de pontos de controle depende do tamanho e complexidade geométrica da imagem.2º. Consoante o grau do polinómio da transformação (lº. Quocientes e Índices de Vegetação – Operações aritméticas Análise em Componentes Principais (ACP) Classificação Digital 14 . 6. Técnicas de Realce e Processamento de imagens digitais As técnicas de realce e processamento digital de imagens de satélite mais vulgarmente utilizadas são: • • • • • • • • Expansão Linear de Contraste Equalização do Histograma Composição Colorida Composições RGB e HVI Filtros digitais. 12 pontos de controle. • 3ªetapa: transferência dos níveis digitais (DN) originais para uma nova posição corrigida (X. A distribuição do pontos de controle deverá ser uniforme. Quanto mais pontos forem selecionados melhores resultados se obtêm.Conceitos de Teledetecção Este processo desenvolve-se em 3 etapas: • 1ª etapa: localização de pontos comuns na imagem e no mapa correspondente Pontos de Controle • 2ª etapa: cálculo das funções de transformação entre as coordenadas da imagem digital e as coordenadas do mapa. No caso do contraste topográfico ser importante é aconselhável utilizar um maior nº de pontos de controle e recorrer a polinómios de transformação mais complexos. no mínimo.Y). abrangendo toda a área a corrigir. 3. Devem-se escolher pontos de controle temporalmente estáticos.1.

áreas urbanas.1. Para o estudo das diferentes geologias as composições que normalmente se utilizam são TM754. TM541. Faz-se corresponder ao menor ND da imagem o valor 0 e ao maior nivel o valor 255. 3. [ NDmin . obtendo-se no fim imagens de “falsa cor” que refletem as “melhores” assinaturas espectrais dos objectos a estudar. etc. 15 . Expansão Linear de Contraste Consiste numa mudança de escala para os ND da imagem. Análise em Componentes Principais e Filtros Digitais. no entanto estas dependem do objectivo e tipo de materiais a analisar.1. Composição Colorida. 255] 3. verde (G) e azul (B). Filtros Digitais ou Matrizes de Convolução Os filtros (ou matrizes de convolução) utilizados em teledetecção têm o objectivo de realcar determinadas características numa imagem digital. filtros de alta frequência . e ainda os filtros direccionais .vermelho (R). geologia.quando se pretende realçar determinadas características numa imagem. Os ND intermédios ficam igualmente distribuídos no intervalo.quando se pretende dar enfase ou “limpar” estruturas direccionais numa imagem digital. Estes podem ser baixa frequência .3. Composição Colorida A técnica da Composição Colorida permite visualizar em simultâneo 3 imagens relativas a 3 bandas do espectro electromagnético.NDmáx] ⇒ [0. TM741.1. 3.quando se pretende homogeneizar uma imagem.2.Conceitos de Teledetecção Neste trabalho apenas se fará referência à Expansão Linear do Contraste. Este processo utiliza-se muito no estudo da vegetação.1. TM451. permitindo deste modo evidenciar e tirar partido das diferentes respostas espectrais dos objectos à superficie da terra. Atribui-se a cada uma das imagens uma das cores primárias .

resultado de operações aritméticas ponderadas com os ND dos pixeís visinhos.) que vai percorrer a imagem sequencialmente e substituir o valor central na imagem por um novo ND (ponderado pelos (nxn)-1 pixeís vizinhos) (v. que resumem as características mais importantes dos dados originais. de forma a obter para cada eixo a máxima informação organizada por ordem decrescente. 9 – Filtros ou Matrizes de convolução. O resultado desta aplicação materializa-se pela obtenção de novas imagens de estudo. Esta operação faz-se através de uma matriz de dimensão nxn (3x3. figura 9).4. cada uma delas referente a um eixo principal. que muitos valores ND de pixeis são semelhantes. cujas características dependem das coordenadas das bandas nos diferentes eixos. 16 . especialmente em bandas correspondentes a regiões muito próximas do espectro electromagnético. Análise em Componentes Principais Um método que se usa para resumir o comportamento espectral de um grande conjunto de dados é redistribuí-los num espaço multidimensional de eixos ortogonais entre si. . 5x5. É frequente verificar.Conceitos de Teledetecção O valor de cada nível digital (ND) de uma imagem original é transformado e novos valores de ND são obtidos.g. frequentemente com um elevado grau de correlação. A aplicação da Análise em Componentes Principais (ACP) em imagens de detecção remota permite reduzir a informação disponível num conjunto de dados originais (bandas de uma imagem digital).. numa imagem de satélite. Fig. 3..1. a um conjunto de imagens mais reduzido.

Assim os eixos mais altos da ACP apresentam-se bastante úteis pois são o resultado de toda a informação singular que se não se encontra correlacionada no conjunto original das N bandas da imagem digital. A Análise em Componentes Principais faz a projecção das N bandas originais de dados em n eixos de Componentes Principais que são combinação linear de variáveis aditivas. Esta imagem representa a média pesada de toda a informação contida nas diferentes bandas. descrevendo as suas relações e minimizando a perda de informação. albedo. Obtêm-se assim diferentes imagens que descriminam sucessivamente aspectos particulares das imagens originais. topografia e pouco ruído. contornos bem definidos. 17 . resultando numa imagem de grande definição. Normalmente ao primeiro eixo está associada uma imagem que resume as principais características de toda a informação existente (no conjunto das N bandas originais).Conceitos de Teledetecção O objectivo da Análise em Componentes Principais é o de reduzir a informação redundante existente num conjunto N de dados originais. permitindo deste modo reduzir. o número de variáveis (bandas) a estudar. Os sucessivos eixos contemplam desvios no comportamento médio dos objectos nas diferentes bandas e assim vamos ter eixos componentes de ordem mais elevada que vão resumir e realçar diferenças na resposta espectral dos objectos para as diferentes regiões do espectro. sem perca de informação.

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