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AMORIM, Clarissa. Resenha “A Menina Que Roubava Livros”. ZUSAK, Markus.

A
Menina Que Roubava Livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. 480 p.

Markus Zusak é um escrito australiano, filho de pai austríaco e mãe alemã, que
viveram a experiência do que foi a Segunda Guerra e o nazismo, lhe dando inspiração e
histórias para escrever seu mais famoso romance, A Menina Que Roubava Livros, que
retrata um pouco dessa vivência de seus pais, além de pesquisas do próprio autor e um
tanto de imaginação sobre um acontecimento tão doloroso para a história da
humanidade1.

A Menina Que Roubava Livros conta a história de Liesel Meminger, que inicia a sua
narração em meio à Segunda Guerra Mundial, quando a menina é levada para ser
adotada por uma família alemã residente em Molching, cidade ficcional, não muito
longe de Munique. A história é narrada por um personagem bem incomum, a própria
Morte, que atua ativamente na história ficcional e também na história real.

O livro começa com a Morte apresentando-se, e explicando como se deparou com


Liesel, a roubadora de livros, três vezes, e como em todas as três a menina escapou de
suas mãos. A Morte justifica sua atenção a tal menina por se deparar tantas vezes com
ela, mas nunca chegando perto de levá-la, os encontros das duas sendo trágicos marcos
na vida de Liesel. Ela descreve a história de Liesel informalmente, conversando com o
leitor e conduzindo a narração de uma forma não muito linear, mas explicando os fatos
e ligando-os até o fim do livro. A história ficcional monta-se com pedaços da realidade,
em meio ao Terceiro Reich, transcorrendo entre 1939 até o fim da segunda guerra, em
1945.

A trama da menina que roubava livros começa num trem, quando a mãe biológica de
Liesel está levando ela e seu pequeno irmão para uma família de criação designada pelo
governo. O irmão de Liesel morre no caminho, e em meio a seu desespero e um enterro
improvisado no caminho à nova vida, a menina se depara com o que futuramente seria o
condutor e salvador de sua vida, um livro caído na neve do bolso do coveiro, uma
lembrança de seu adeus ao pequeno irmão. Liesel finalmente desembarca na casa de
seus futuros pais, Hans e Rosa Hubermann, dois humildes cidadãos alemães que

1
Dados retirados do site http://www.universoliterario.com.br/2011/02/markus-zusak.html.
acolhem a menina em troca de ajuda do governo. É aí que se descobre a razão da
separação de Liesel de sua mãe biológica, o fato dessa ser uma comunista, que
desaparece da trama e da vida da menina depois disso.

O autor desenrola a narrativa através de pontos de vista da Morte sobre a menina, da


própria menina e com pequenos adendos sobre a história dos personagens apresentados
ao longo da trama, além de notas sobre o que acontecia na guerra no decorrer da
história. Conhecemos melhor os pais adotivos de Liesel, Hans, um pintor desempregado
e tocador de acordeão, Rosa, dona de casa e lavadeira para ajudar a alimentar a família;
seu amigo Rudy, um menino de uma família grande e muito pobre, e outros
personagens do cotidiano da menina, como a dona da loja da esquina, a mulher do
prefeito e o refugiado judeu Max, grande amigo de Liesel.

Assim como o livro apresente a Alemanha nazista em seu contexto, o autor também
encaixa os personagens da trama em agentes atuantes da história. A mãe biológica de
Liesel, comunista, é obrigada pelo governo a entregar seus filhos a uma família alemã
nazista e desaparece logo depois; temos os pais adotivos de Liesel, pobres, nazistas por
obrigação2, e seus dois filhos biológicos já adultos, Hans Júnior e Trudy, ambos
apoiadores do governo e trabalhando para este; os vizinhos de Liesel, também pobres,
em sua maioria, seguidores do sistema por medo, assim como os pais da menina, mas
também vemos personagens apoiadores fervorosos do governo, como o anteriormente
citado Hans Júnior e a dona da loja da esquina, Frau Diller, uma senhora devotada à
figura de Hitler.

“[...] Frau Diller administrava esse sentimento, servindo-o como o único


produto grátis de suas instalações. Ela vivia para a sua loja, e sua loja vivia
para o Terceiro Reich. (...) Na parede, atrás do lugar em que costumava
ficar sentada, havia uma fotografia emoldurada do Führer.”3

2
No decorrer da trama vemos a resistência muda de Hans ao sistema de governo e os problemas que essa
falta de apoio a Hitler acarretam na vida da família.
3
ZUSAK, Markus. A Menina Que Roubava Livros. RJ: Intrínseca, 2007, p. 47.

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