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ESTRUTURAS

ALGÉBRICAS

Professor Dr. Doherty Andrade


Revisão técnica Me. Emanuela Régia de Souza Coelho

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Gerência de Produção de Conteúdo
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de
Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Ivnna Gurniski de Oliveira
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Design Educacional

Isabela Agulhon Ventura
Iconografia
Amanda Peçanha dos Santos
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017.
Ana Carolina Martins Prado
276 p.
“Graduação - EaD”. Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
1. Estruturas. 2. Algébricas . 3. EaD. I. Título.
José Jhonny Coelho
ISBN 978-85-459-0410-6
CDD - 22 ed. 512.5
Arte Capa
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Arthur Cantareli Silva
Editoração
Matheus Felipe Davi
Revisão Textual
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Daniela Ferreira dos Santos
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Ilustração
Matheus Felipe Davi
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um
grande desafio para todos os cidadãos. A busca
por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a
educação de qualidade nas diferentes áreas do
conhecimento, formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento de uma
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais
e sociais; a realização de uma prática acadêmica
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela
qualidade e compromisso do corpo docente;
aquisição de competências institucionais para
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade
da oferta dos ensinos presencial e a distância;
bem-estar e satisfação da comunidade interna;
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de
cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quando
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou
profissional, nos transformamos e, consequentemente,
Diretoria de
transformamos também a sociedade na qual estamos
Planejamento de Ensino
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com
os desafios que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
Diretoria Operacional
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
de Ensino
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou
seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de
Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista
às aulas ao vivo e participe das discussões. Além dis-
so, lembre-se que existe uma equipe de professores
e tutores que se encontra disponível para sanar suas
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza-
gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e
segurança sua trajetória acadêmica.
AUTOR

Professor Dr. Doherty Andrade


Possui graduação em Licenciatura em Matematica pela Universidade
Federal do Espírito Santo (1980), mestrado em Matemática pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (1984), doutorado em Matemática pela
Universidade de São Paulo (1994) e pós-doutorado no LNCC entre 1996-1998.
Desde 1987 é professor da Universidade Estadual de Maringá, anteriormente
foi professor na UNESP e PUC-Rio. Tem experiência na área de Matemática,
com ênfase em Análise Funcional Não-Linear, atuando principalmente nos
seguintes temas: exponential decay, memory, decaimento exponencial,
transmission problem e otimização.
APRESENTAÇÃO

ESTRUTURAS ALGÉBRICAS
APRESENTAÇÃO

Olá, caro(a) estudante, seja bem-vindo(a) à disciplina de Estruturas


Algébricas. O objetivo destas unidades é dar uma introdução elementar aos
principais conceitos da Álgebra Abstrata e algumas estruturas fundamentais.
Ao redigirmos este texto tivemos a preocupação de deixá-lo mais completo
e compreensı́vel possı́vel, apresentamos sempre exemplos e comentários que
procuram esclarecer a teoria abordada.
O que apresentamos nestas unidades são os rudimentos de Álgebra Abs-
trata que é um sistema formado por um conjunto S de elementos e um
certo número de operações e relações sobre S. Estudar álgebra abstrata é
compreender o comportamento individual dos elementos, redescobrir alguns
teoremas e compreender algumas propriedades que descrevam o sistema, es-
tudando assim as funções de S.
Para estudar um conjunto particular S, com operações e relações
especı́ficas, primeiro listamos as propriedades básicas de que gozam as
operações e relações sobre S que desejamos estudar. Então, por abstração,
consideramos um conjunto arbitrário com operações e relações supostamente
definidas sobre o conjunto que são caracterizadas pelos axiomas correspon-
dentes às propriedades básicas que foram escolhidas. Isto dá lugar a uma
classe de álgebras abstratas. Exemplos dessas grandes classes de álgebras
abstratas que aqui consideraremos são os grupos, anéis e corpos.
Essas álgebras são importantes porque um grande número de sistemas
matemáticos diferentes e úteis podemi ser vistos como membros de uma ou
mais destas classes. Em cada caso, encontraremos alguns teoremas que nos
ajudarão a entender a estrutura de qualquer sistema particular.
Este texto está dividido em cinco unidades. Na primeria unidade, revi-
saremos alguns fatos sobre conjuntos, as operações de união, interseção,
diferença e produto cartesiano. Estas noções já devem ser familiares a você,
mas esta introdução não deve ser desprezada e serve para estabelecer uma
linguagem comum, as notações e convenções usadas ao longo do texto.
Na, segunda unidade, iniciamos com contéudo que talvez seja novo para
a maioria dos alunos. Aqui, tratamos das relações binárias e das funções.
Introduzimos as noções de relação de equivalência e relação de ordem. A
relação de equivalência permite introduzir o conjunto quociente, elemento
muito importante que aparecerá em outras situações ao longo do texto. Sobre
a relação de ordem, vamos provar que o conjunto dos números naturais é bem
ajudarão a entender a estrutura de qualquer sistema particular.
Este texto está dividido em cinco unidades. Na primeria unidade, revi-
saremos alguns fatos sobre conjuntos, as operações de união, interseção,
APRESENTAÇÃO
diferença e produto cartesiano. Estas noções já devem ser familiares a você,
mas esta introdução não deve ser desprezada e serve para estabelecer uma
linguagem comum, as notações e convenções usadas ao longo do texto.
Na, segunda unidade, iniciamos com contéudo que talvez seja novo para
a maioria dos alunos. Aqui, tratamos das relações binárias e das funções.
Introduzimos as noções de relação de equivalência e relação de ordem. A
relação de equivalência permite introduzir o conjunto quociente, elemento
muito importante que aparecerá em outras situações ao longo do texto. Sobre
a relação de ordem, vamos provar que o conjunto dos números naturais é bem
ordenado.
Na terceira unidade, trabalharemos com a primeira estrutura algébrica:
grupos. Apresentaremos os axiomas de grupo e alguns exemplos. Em
seguida, provaremos algumas propriedades. Definimos homomorfismo e iso-
morfismos de grupos, estudamos um pouco de grupos cı́clicos, demons-
traremos o importante Teorema de Lagrange e terminaremos a unidade com
o estudo dos subgrupos normais.
A quarta unidade é dedicada ao estudo de anéis e corpos. Depois de ap-
resentar seus axiomas, dar exemplos e provar algumas propriedades, falamos
sobre anéis de integridade e corpos. Estenderemos os conceitos de homomor-
fimos e isomorfimos para anéis. Para completar essa unidade, estudaremos a
caracterı́stica de uma anel.
Na quinta e última unidade, estudaremos corpos e o anel de polinômios.
Vamos construir o corpo dos números racionais, reais e complexos e abor-
ii
dar os polinômios sobre um anel, a divisão de polinômios e as raı́zes de
polinômios. Os polinômios sobre um corpo merecem também atenção e será
o nosso último tópico de estudos.
Faremos um passeio bem interessante no fascinante mundo da Álgebra
e espero poder encantar a todos vocês com os resultados que a comunidade
matemática tem arduamente procurado e colecionado.
Por fim, gostaria de apresentar um pensamento de Paulo Freire:“Estudar
é, realmente, uma tarefa difı́cil. Exige de quem o faz uma postura crı́tica,
sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser
praticando-a.”
09
SUMÁRIO

UNIDADE I

TEORIA DOS CONJUNTOS

15 Introdução

16 Conceitos e Propriedades

22 Operações com Conjuntos

31 Considerações Finais

38 Referências

39 Gabarito

UNIDADE II

RELAÇÕES E FUNÇÕES

45 Introdução

46 Definições, Representações e Propriedades

55 Relação de Equivalência

61 Relação de Ordem

67 Funções

78 Considerações Finais

86 Referências

87 Gabarito
10
SUMÁRIO

UNIDADE III

GRUPOS

95 Introdução

96 Operações Binárias

102 Grupos e Subgrupos: Conceitos e Propriedades

111 Grupos Especiais

121 Homomorfismos de Grupos

128 Grupos Cíclicos

131 Teorema de Lagrange

136 Subgrupos Normais

146 Considerações Finais

151 Referências

152 Gabarito

UNIDADE IV

ANÉIS

161 Introdução

161 Conceito e Propriedades

167 Resultados Básicos

171 Homomorfismo de Anéis

175 Domínios de Integridade


11
SUMÁRIO

179 A Construção do Anel dos Inteiros

184 Considerações Finais

190 Referências

191 Gabarito

UNIDADE V

CORPOS

199 Introdução

200 O Corpo de Frações

212 Construção dos Números Reais

229 O Corpo dos Números Complexos

238 Anel de Polinômios

244 Polinômios Sobre um Corpo

249 Ideais de K[x]

251 MDC de Polinômios

254 Fatoração em Polinômios Irredutíveis

261 Considerações Finais

271 Referências

272 Gabarito

275 CONCLUSÃO
Professor Dr. Doherty Andrade

I
UNIDADE
TEORIA DOS CONJUNTOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Rever a noção de conjunto.
■■ Rever as operações de união, interseção, diferença e produto
cartesiano.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Conceitos e propriedades
■■ Operações com conjuntos
15

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), os conjuntos formam a base da linguagem
matemática, aparecem em todas as suas áreas. Essa é uma das áreas
mais fascinantes da matemática, ficaremos apenas com a parte introdutória
necessária para prosseguirmos os nossos estudos.
A teoria dos conjuntos como era originalmente apresentava vários para-
doxos. Quem não conhece, por exemplo, a estória a seguir.
Em uma cidade isolada todos os homens se mantém barbeados e existe ape-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nas um barbeiro. Os homens dessa cidade ou se barbeiam ou frequentam o


barbeiro. Assim, o barbeiro só faz a barba dos homens que não se barbeiam
a si próprios. Pergunta: quem faz a barba do barbeiro? Esta estória não é
outra senão o paradoxo de Russel: “O conjunto de todos os conjuntos que
não são membros de si mesmos.” Isto é, seja Z = {X; X �∈ X}. Se Z não
pertence a Z, então pela definição de Z, Z pertence a si mesmo. Além disso,
se Z pertence a Z, então Z não pertence a si mesmo. Em ambos os casos,
somos levados a uma contradição.
A teoria dos conjuntos formal teve inı́cio com Georg Cantor (1845-1918).
Os resultados que Cantor obteve na teoria dos conjuntos surpreendeu a to-
dos, provocando muita resistência no meio matemático da época. Embora
o trabalho de Cantor tivesse inconsistências, que geravam paradoxos como o
do barbeiro, a sua contribuição para o progresso da matemática foi inegável.
Só no século XX essas inconsitências foram solucionadas, com o trabalho de
Zermelo e Fraenkel, o que permitiu à matemática um progresso nunca antes
experimentado na história.

Introdução
16 UNIDADE I

CONCEITOS
CONCEITOS E PROPRIEDADES
E PROPRIEDADES
Intuitivamente, um conjunto é qualquer lista bem definida de objetos.
Denotaremos os conjuntos por letras maiúsculas A, B, X, Y, ..., e seus objetos,
por letras minúsculas. Os objetos que formam um conjunto A são chamados
de elementos ou membros de A.
Para iniciarmos o nosso estudo, vamos ver a relação mais básica entre
objeto e conjunto, que é a de pertinência. Para indicar que “x é um elemento
de A” ou, de forma equivalente, que “x pertence a A” usaremos a notação

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
x ∈ A, e para negar esta afirmação, escreveremos x ∈
/ A; isto é, x não
pertence ao conjunto A.
Existem basicamente duas maneiras de se determinar um conjunto. A
primeira delas, mais simples, é listando todos os seus elementos. A segunda,
e mais usada em matemática, é descrevendo o conjunto por meio de pro-
priedades que selecionam seus elementos.
Por exemplo,
A = {a, e, i, o, u}

determina o conjunto A listando os seus elementos que são as letras a, e, i, o, u.


Note que os elementos são separados por vı́rgula e colocados entre chaves
{ }.
Esta parece ser a maneira mais simples, porém na maioria dos casos
não pode ser realizada. Tente fazer a lista completa dos números naturais
que formam o conjunto denotado por N. Podemos fazer a lista deixando
elementos subentendidos como nos seguintes exemplos no caso dos números
naturais e dos números inteiros:

N = {0, 1, 2, 3, . . .}
Z = {0, ±1, ±2, . . .}.

TEORIA DOS CONJUNTOS


17

A segunda maneira, a mais natural em matemática, descreve os elementos


do conjunto por meio de propriedades que selecionam seus elementos. Por
exemplo, o conjunto

B = {x : x é um inteiro, x > 0}

é lido como “B é o conjunto dos x tal que x é um inteiro e x é maior do que


0” . É simplesmente o conjunto dos números inteiros positivos.
Normalmente é usada a letra x para denotar um elemento arbitrário de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

um conjunto; os dois pontos lê-se “tal que” e a vı́rgula lê-se “e”.


O conjunto dos números naturais e o conjunto dos inteiros, por serem
largamente usados, recebem notação consagrada N e Z, respectivamente.
Existem vários outros nesta categoria, tais como: o conjunto dos números
racionais
a 
Q= : b �= 0, a são inteiros ;
b
dos números reais R e dos números complexos

C = {a + bi : a e b são números reais}.

Os conjuntos podem ser finitos ou infinitos dependendo da quantidade


de elementos que possui. Um conjunto que consiste de apenas um elemento
é chamado conjunto unitário. E um conjunto que não possui elementos é
chamado de conjunto vazio.

Relação de igualdade de conjuntos: outra importante relação entre dois


conjuntos é a relação de igualdade. Dois conjuntos A e B são ditos iguais
se consistem dos mesmos elementos. Isto é, cada elemento de A é também
elemento de B e vice-versa. Esta relação entre A e B é denotada por A = B.
Caso esta relação não se verifique, escreveremos A �= B.

Conceitos e Propriedades
18 UNIDADE I

Os seguintes exemplos ilustram como um mesmo conjunto pode ser escrito


de diferentes maneiras.

• Exemplo 1 : Sejam A = {x : x2 − 3x + 2 = 0}, B = {2, 1} e


C = {1, 2, 2, 1}. Temos que A = B = C. Observe que nem a repetição
de elementos nem a ordem com que eles são escritos alteram o conjunto.

• Exemplo 2 : Sejam A = {a, e, i, o, u} e B = {x : x é vogal}. Temos que


A = B.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Relação de inclusão de conjuntos: Um conjunto A é dito subconjunto
de B se todo elemento de A é também um elemento do conjunto B. Isto é,
x ∈ A implica x ∈ B.
Esta é a chamada relação de inclusão denotada por A ⊂ B, sendo lida
como A está contido em B. Usa-se também denotar esta relação por B ⊃ A,
isto é, B contém A.
A negação de A ⊂ B é escrita como A �⊂ B ou B �⊃ A e, significa que
existe um x ∈ A tal que x �∈ B.
Quando A ⊂ B e B �⊂ A, dizemos que A é subconjunto próprio de B.
Para os conjuntos de números, temos as seguintes inclusões:

N ⊂ Z ⊂ Q ⊂ R ⊂ C.

• Exemplo 3 : Considere os conjuntos.

A = {1, 3, 5, 7, . . .}, B = {5, 10, 15, 20, . . .}, C = {x : x é primo, x > 2}

Vemos que C ⊂ A, pois, todo número primo maior do que 2 é ı́mpar. Por
outro lado B �⊂ A, pois, 10 ∈ B, mas 10 �∈ A, entre outros elementos.

TEORIA DOS CONJUNTOS


19

Note que a igualdade entre conjuntos pode ser expressa em termos da


relação de inclusão da seguinte maneira:

Dois conjuntos A e B são iguais se, e somente se A ⊂ B e B ⊂ A.


Esta condição equivalente também pode ser usada como definição de
igualdade entre conjuntos.
Nas aplicações da teoria dos conjuntos, todos os conjuntos sob inves-
tigação são considerados subconjuntos de um conjunto fixo. Chamamos de
conjunto universo ou universo do discurso e o denotamos, neste capı́tulo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

por U. O conjunto universo pode variar de acordo com o interesse e cir-


cunstâncias.
Já introduzimos o conceito de conjunto vazio, isto é, o conjunto que não
contém nenhum elemento. Este conjunto, denotado pela letra grega ∅, é
considerado subconjunto de qualquer outro conjunto. Assim, para qualquer
conjunto A, temos ∅ ⊂ A ⊂ U.
Vejamos alguns exemplos:

• Exemplo 4 :Na geometria, plana tratamos de pontos, retas, segmentos de


reta, e nesse caso, o conjunto universo natural é o conjunto de todos os
pontos de um plano.
Na resolução de equações, podemos fixar como conjunto universo, no qual
buscamos as suas soluções, como sendo o conjunto dos números reais. Nesse
caso, as soluções complexas não nos interessam. Mas se as soluções com-
plexas nos interessam, então, podemos fixar o conjunto dos números com-
plexos como sendo o nosso conjunto universo.

• Exemplo 5 : Seja A = {x : x2 = 4 e x é ı́mpar}. Então, A é vazio, isto


é, A = ∅.

Conceitos e Propriedades
20 UNIDADE I

• Exemplo 6 : Seja B = {∅}. Então, B �= ∅, pois B contém um elemento,


que é o elemento conjunto vazio. Note que B é um conjunto unitário.

A seguir, listamos as principais propriedades da relação de inclusão entre


conjuntos.

Teorema 1 : Sejam A, B e C conjuntos quaisquer. Então, valem as


seguintes propriedades.

(a) ∅ ⊂ A.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(b) A ⊂ A (reflexividade).

(c) se A ⊂ B e B ⊂ A, então, A = B (simetria).

(d) se A ⊂ B e B ⊂ C, então, A ⊂ C (transitividade).

Conjunto potência: Muitas vezes nos deparamos com conjuntos cujos ele-
mentos são outros conjuntos. Por exemplo, em um conjunto de retas, cada
reta é um conjunto de pontos. Nesta situação é conveniente, para maior
clareza, usar as palavras “classe”, “coleção”, “famı́lia”, como sinônimos de
conjunto.
Normalmente, usamos classe para conjunto de conjuntos e, famı́lia, ou
coleção, para conjunto de classes. As palavras subclasse, subcoleção, e sub-
famı́lia tem siginificado análogo ao de subconjunto.

• Exemplo 7 : Os membros da classe {{2, 3}, {2}, {5, 6}}, são os conjuntos
{2, 3}, {2} e {5, 6}.

Um conjunto de conjuntos de especial interesse é o conjunto potência de um


conjunto.

TEORIA DOS CONJUNTOS


21

Definição 1 : Seja A um conjunto qualquer. O conjunto potência de A ou


conjunto das partes de A, denotado por P(A) ou 2A , é a classe de todos os
subconjuntos de A.

Como exemplo, se A = {a, b, c} então,

P(A) = {∅, A, {a}, {b}, {c}, {a, b}, {b, c}, {a, c}}.

Observe que A tem 3 elementos e P(A) tem 8 elementos.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A notação 2A para o conjunto potência vem da seguinte propriedade.

Teorema 2 : Se A possui n elementos, então P(A) possui 2n elementos,


n ≥ 0 inteiro.

A demonstração desse resultado pode ser feita por indução. Vamos dar os
principais passos para a sua demonstração.
Primeiramente, observe que se A = ∅ então, temos que:

P(A) = {A} = {∅}.

Segue que P(A) tem 20 = 1 elementos.


Observe também que se A tem um elemento, isto é, A = {x}, então,
temos que:
P(A) = {A, ∅}.

Assim, P(A) tem 21 = 2 elementos.


Suponha que a afirmação seja válida para conjuntos com n elementos.
Isto é, se um conjunto A com n elementos, então, P(A) tem 2n elementos.
Essa é a hipótese de indução.
Vamos provar que a afirmação ainda é verdadeira para conjuntos com n+1
elementos. Seja A = {x1 , x2 , . . . , xn+1 } um conjunto com n + 1 elementos.

Conceitos e Propriedades
22 UNIDADE I

Vamos provar que P(A) tem 2n+1 elementos.


De fato, retirando um elemento de A, digamos que seja xn+1 , então, esse
conjunto tem n elementos e pela hipótese de indução possui 2n subconjuntos
que ainda são subconjuntos de A. Agora, acrescentemos a esses 2n subcon-
juntos o elemento xn+1 e obtemos 2n subconjuntos de A distintos dos 2n
anteriores. Segue que temos duas vezes 2n subconjuntos de A, portanto 2n+1
subconjuntos de A. Isso prova o teorema. 

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
OPERAÇÕES COMCOM
OPERAÇÕES CONJUNTOS
CONJUNTOS
A união de dois conjuntos A e B de um conjunto universo U, denotada
por A ∪ B, é o conjunto de todos os elementos que pertencem a A ou B, isto
é,
A ∪ B = {x ∈ U : x ∈ A ou x ∈ B}.

Aqui a palavra “ou” é usada no sentido de “e/ou”.


A interseção de dois conjuntos A e B de um conjunto universo U, de-
notada por A ∩ B, é o conjunto dos elementos que pertencem a ambos os
conjuntos A e B, isto é,

A ∩ B = {x ∈ U : x ∈ A e x ∈ B}.

Se A ∩ B = ∅, isto é, se A e B não possuem elemento em comum, diremos


que eles são disjuntos.
As definições de união e interseção de dois conjuntos podem ser facilmente
estendidas para uma quantidade arbitrária de conjuntos. Por exemplo, sejam
A1 , A2 , . . . , An conjuntos, então, temos:
i=n

• Ai = {x : x ∈ Ai , para algum i = 1, 2, . . . n}.
i=1

TEORIA DOS CONJUNTOS


23

i=n

• Ai = {x : x ∈ Ai , para todo i = 1, 2, . . . n}.
i=1

A diferença entre A e B, denotada por A−B, é o conjunto dos elementos


de A que não pertencem a B, isto é,

A − B = {x : x ∈ A, x �∈ B}.

Observe que A − B e B são disjuntos, isto é, (A − B) ∩ B = ∅.


O complemento de um conjunto A, denotado por Ac , é o conjunto dos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

elementos (do universo U) que não pertencem a A, isto é,

Ac = {x : x ∈ U, x �∈ A}

Em outras palavras, Ac é a diferença entre o conjunto universo U e A.

• Exemplo 8 : Os diagramas a seguir, chamados diagramas de Venn, ilus-


tram as operações definidas anteriormente. Aqui, o universo U é o conjunto
dos pontos de um retângulo plano e, os conjuntos são áreas planas dentro
deste retângulo. A parte sombreada representa o resultado da operação.

A classe dos subconjuntos de um universo U munida das operações


definidas anteriormente é chamada álgebra dos conjuntos. Essas operações
possuem várias propriedades, listamos as mais importantes no seguinte teo-
rema.

Teorema 3 :(Leis da álgebra dos conjuntos) Se A, B, C são conjuntos


quaisquer no universo U, então, valem as seguintes propriedades:

1. Leis de idempotência

• A ∪ A = A,

10

Operações com Conjuntos


24 UNIDADE I

Figura 1: A ∪ B A∩B Ac
Figura 1: A1:∪ A
Figura B∪ B A ∩A
B∩ B Ac Ac

A A
A
B B
Fonte: o autor (2016).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Fonte: o autor
Fonte: (2016).
o autor (2016).

• A ∩ A = A.
• A•∩ A A ∩=AA.= A.
2. Leis associativas
2. Leis associativas
2. Leis associativas
• (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C), associatividade da união.
• (A• ∪(A B)∪∪B) C ∪=CA=∪ A (B∪∪(B C), associatividade
∪ C), da união.
associatividade da união.
• (A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C), associatividade da intersecção.
• (A• ∩(A B)∩∩B) C ∩=CA=∩ A (B∩∩(B C), associatividade
∩ C), da intersecção.
associatividade da intersecção.
3. Leis comutativas
3. Leis comutativas
3. Leis comutativas
• A ∪ B = B ∪ A, comutatividade da união.
• A•∪ A B ∪=BB=∪B A,∪comutatividade
A, comutatividadeda união.
da união.
• A ∩ B = B ∩ A, comutatividade da intersecção.
• A•∩ A B ∩=BB=∩B A,∩comutatividade
A, comutatividadeda intersecção.
da intersecção.
4. Leis distributivas
4. Leis distributivas
4. Leis distributivas
• A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C), distributividade da união com
• A•∪ A (B∪∩(B C)∩=C)(A=∪(A B)∪∩B) (A∩∪(A
C), distributividade
∪ C), distributividadeda união comcom
da união
relação a intersecção.
relação a intersecção.
relação a intersecção.
• A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C), distributividade da intersecção
• A•∩ A (B∩∪(B C)∪=C)(A=∩(A B) ∪ (A ∩ C), distributividade da intersecção
com relação a união. ∩ B) ∪ (A ∩ C), distributividade da intersecção
comcomrelação a união.
relação a união.
5. Identidades
5. Identidades
5. Identidades

11
11 11

TEORIA DOS CONJUNTOS


25

• A ∪ ∅ = A.
• A ∩ U = A.
• A ∪ U = U.
• A ∩ ∅ = ∅.

6. Leis do complemento

• A ∪ Ac = U
• A ∩ Ac = ∅
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• (Ac )c = A
• Uc = ∅
• ∅c = U

7. Leis de De Morgam

• (A ∪ B)c = Ac ∩ B c .
• (A ∩ B)c = Ac ∪ B c .

Essas propriedades podem ser facilmente demonstradas. Note que cada


uma dessas leis decorre de uma lei análoga de lógica. Por exemplo, vamos
provar que A ∩ B = B ∩ A.

A ∩ B = {x : x ∈ A e x ∈ B} = {x : x ∈ B e x ∈ A} = B ∩ A.

Aqui, usamos o fato que a afirmação “P e Q” é logicamente equivalente


a afirmação “Q e P”.
Como outro exemplo, vejamos como demonstrar a primeira lei de De
Morgan: (A ∪ B)c = Ac ∩ B c . Note que:

(A ∪ B)c = {x; x ∈
/ (A ∪ B)}

12

Operações com Conjuntos


26 UNIDADE I

= {x; x ∈
/Aex∈
/ B}
= {x; x ∈ Ac e B c }
= Ac ∩ B c .

As demonstrações das demais propriedades são deixadas como exercı́cio e


não oferecem dificuldades. Use diagramas de Venn para visualizar as pro-
priedades.
Se A e B são conjuntos finitos, então, A ∪ B também é finito, pois não

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pode ter mais do que a soma das quantidade de elementos que têm A e B
separadamente.
Dado um conjunto X, vamos denotar a quantidade de elementos de X por
|X| ou por card(X). A quantidade de elementos de um conjunto X também
é chamada de cardinalidade de X.
Mas quantos elementos têm A ∪ B? Se eles forem disjuntos é claro que
|A ∪ B| = |A| + |B|. E no caso geral, em que os conjuntos não são disjuntos,
qual é cardinalidade de A ∪ B?
Um importante resultado sobre a cardinalidade de A ∪ B que responde a
essa questão é dado pelo seguinte resultado.

Teorema 4 :Sejam A e B conjuntos finitos. Então, vale a seguinte igualdade


|A ∪ B| = |A| + |B| − |A ∩ B|.

Demonstração: Basta verificar que A ∪ B = (A − B) ∪ (B − A) ∪ (A ∩ B).


Faça um diagrama de Venn para visualizar.
Como valem as relações, em que os subconjuntos do lado direito são
disjuntos,

A = (A − B) ∪ (A ∩ B)
B = (B − A) ∪ (A ∩ B)

13

TEORIA DOS CONJUNTOS


27

A ∪ B = (A − B) ∪ (B − A) ∪ (A ∩ B),

temos que:

|A ∪ B| = |(A − B) ∪ (B − A) ∪ (A ∩ B)|
= |A − B| + |B − A| + |A ∩ B|
= (|A| − |A ∩ B|) + (|B| − |A ∩ B|) + |A ∩ B|
= |A| + |B| − |A ∩ B|.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Isso termina a prova desse resultado. 

Vamos apresentar, agora, exemplos em que o teorema 4 pode ser usado.

• Exemplo 9 : Se A = {a, b, c, d, e, f }, B = {a, b, e, f, g}, temos que A∪B =


{a, b, c, d, e, f, g} e A∩B = {a, b, e, f }. Então, |A∪B| = |A|+|B|−|A∩B| =
6 + 5 − 4 = 7.

• Exemplo 10 :
Em um encontro cientı́fico existem 110 pessoas presentes. Dentre elas: 25
falam apenas inglês, 65 falam francês e 30 falam alemão. Quantas pessoas
falam francês e alemão?
Vamos denotar por F o conjunto formado pelas pessoas que falam francês
e por A o conjunto formado pelas pessoas que falam alemão.
Temos que |F | = 65 e |A| = 30. Como F ∪ A são as pessoas que falam
francês ou alemão e 25 pessoas falam apenas inglês, então |F ∪A| = 110−25 =
85. Isto é, 85 pessoas falam francês ou alemão.
Pelo teorema 4, temos que:

|F ∪ A| = |F | + |A| − |F ∩ A|,

14

Operações com Conjuntos


28 UNIDADE I

e, então, temos:
85 = 65 + 30 − |F ∩ A|.

De onde segue que |F ∩A| = 10. Isto é, 10 pessoas falam francês e alemão.

O produto cartesiano: o produto cartesiano é outra operação entre dois


conjuntos. Sejam A e B conjuntos. O produto ou produto cartesiano de A
por B, denotado por A × B é o conjunto de todos os pares ordenados (a, b)
onde a ∈ A e b ∈ B, isto é

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A × B = {(a, b) : a ∈ A, b ∈ B}.

• Exemplo 11 : Você já está familiarizado com o Plano Cartesiano, ele é


na verdade o produto cartesiano dado por R × R e representado por R2 . No
plano cartesiano cada ponto é representado por um par ordenado de números
reais (x, y).

• Exemplo 12 :
Sejam A = {1, 2, 3} e B = {a, b}. Então:

A × B = {(1, a), (1, b), (2, a), (2, b), (3, a), (3, b)}.

Quando os conjuntos A e B são finitos, como no exemplo anterior, o


produto A × B pode ser representado em um diagrama chamado diagrama
de A × B como ilustrado a seguir onde, os elementos de A são identificados
com pontos no segmento de reta horizontal e, os de B, no vertical.

15

TEORIA DOS CONJUNTOS


29

Figura 2: Diagrama do produto cartesiano A × B.

Figura 2: Diagrama do produto cartesiano A × B.


Figura 2: bDiagrama do produto cartesiano A × B.

a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: o autor (2016).


1 2 3
Fonte: o autor (2016).
Fonte:
A definição de produto o autor entre
cartesiano (2016).
dois conjuntos que vimos antes
pode ser estendida para qualquer número finito de conjuntos de maneira
A definição de produto cartesiano entre dois conjuntos que vimos antes
natural.
A definição de produto cartesiano entre dois conjuntos que vimos antes
pode O serproduto
estendida para qualquer
cartesiano dos conjuntosnúmeroA1finito , A2 , . de ..,Aconjuntos de por:
n , denotado maneira
pode ser estendida para qualquer número finito de conjuntos de maneira
natural. n
natural. 
O produto cartesiano × Aconjuntos
A1dos 2 × . . . × A 1n, A 2 ,
ou . . . , A n, A
denotado
i por:
O produto cartesiano dos conjuntos A1 , A2 , . . . , Ai=1 n , denotado por:
 n
A × A × . . . × A
consiste de todas as 1listas2ordenadas n(a1 , a2 , . . ou . , anA)i onde ai ∈ Ai para cada
n

 A1 × A2 × . . . × An ou i=1Ai
i. O sı́mbolo é lido como produtório e funciona i=1 de modo semelhante ao
consiste de todas as listas ordenadas (a1 , a2 , . . . , an ) onde ai ∈ Ai para cada
somatório.
consiste de todas as listas ordenadas (a1 , a2 , . . . , an ) onde ai ∈ Ai para cada
i. O sı́mbolo
O espaço é lido como produtório
tridimensional R3 , o R4 e R e nfunciona
são exemplos de modo bem semelhante ao
conhecidos dessa
i. O sı́mbolo é lido como produtório e funciona de modo semelhante ao
somatório.
generalização de produto cartesiano. Assim, temos que:
somatório.
O espaço tridimensional R3 , o R4 e Rn são exemplos bem conhecidos dessa
O espaço tridimensional , o Ry,4 ez)R:nx,são
R3{(x,
R3cartesiano.
= y, zexemplos
∈ R},que: bem conhecidos dessa
generalização de produto Assim, temos
generalização de produto 4cartesiano. Assim, temos que:
R = {(x, y, z, w) : x, y, z, w ∈ R},
R3 =n {(x, y, z) : x, y, z ∈ R},
= {(x
R3 R= {(x, , x:2 ,x,. .y,
y, 1z) : xi ∈ R}.
. ,zxn∈) R},
R4 = {(x, y, z, w) : x, y, z, w ∈ R},
R4 = {(x, y, z, w) : x, y, z, w ∈ R},
Rn = {(x1 , x2 , . . . , xn ) : xi ∈ R}.
Rn = {(x1 , x2 , . . . , x16 n ) : xi ∈ R}.

16
16

Operações com Conjuntos


30 UNIDADE I

#REFLITA#
Se A tem cardinalidade m e B tem cardinalidade n, qual é a cardinalidade
de A × B? #REFLITA#
#REFLITA#
#SAIBA MAIS#
Se A tem cardinalidade m e B tem cardinalidade n, qual é a cardinalidade
de A × B? #REFLITA#
Diferentes Infinitos
Um conjunto
#SAIBA MAIS#que não é finito é chamado de infinito. Para os conjuntos
infinitos também é possı́vel introduzir a noção de cardinalidade. A cardi-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
nalidade de um conjunto infinito é dadaInfinitos
Diferentes por meio de uma bijeção entre o
conjunto e os números
Um conjunto naturais.
que não Isto
é finito é, se entredeXinfinito.
é chamado e N há uma
Parabijeção, dize-
os conjuntos
mos que otambém
infinitos conjuntoé Xpossı́vel
é infinito enumerável
introduzir e temdecardinalidade
a noção ℵ0 . A
cardinalidade. Lê-se o
cardi-
nalidadeℵ0decomo
sı́mbolo um aleph zero.infinito é dada por meio de uma bijeção entre o
conjunto
Se um econjunto
conjunto X é naturais.
os números infinito e Isto
não é,
existe umaXbijeção
se entre e N háentre
uma X e N, dize-
bijeção, dize-
mos
mosque
que oo conjunto
conjunto X
X é infinito enumerável
não enumerável
e teme cardinalidade
tem cardinalidade c, deo
ℵ0 . Lê-se
contı́nuo.
sı́mbolo ℵ0 como aleph zero.
Os
Se conjuntos N eX
um conjunto R são conjuntos
é infinito e nãoinfinitos; N é bijeção
existe uma infinito entre
enumerável
X e N,e dize-
R é
infinito
mos que não
o enumerável.
conjunto X éPor isso suas
infinito não cardinalidades são diferentes.
enumerável e tem Pode-se
cardinalidade c, de
provar que:
contı́nuo.
X
Os conjuntos N e R sãocard(2 ) >infinitos;
conjuntos card(X). N é infinito enumerável e R é
infinito não enumerável. Por isso suas cardinalidades são diferentes. Pode-se
Tomando X = N temos que card(N) < card(2N ). Pode-se provar que 2N
provar que:
não é enumerável. Além disso, a cardinalidade de R é a mesma de 2N e vale
card(2X ) > card(X).
c.
Fonte: o autor
Tomando X =(2016).
N temos#SAIBA MAIS#
que card(N) < card(2N ). Pode-se provar que 2N
não é enumerável. Além disso, a cardinalidade de R é a mesma de 2N e vale
c.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#

17

17
TEORIA DOS CONJUNTOS
31

CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, fizemos uma breve revisão sobre os conjuntos. Aprende-
mos a comparar conjuntos e a realizar operações com conjuntos, como união,
intersecção, diferença e produto cartesiano. Essas operações nos permitem,
a partir de dois conjuntos, construir um outro. O produto cartesiano será
um dos principais atores no próximo capı́tulo. Sobre um conjunto obtido do
produto cartesiano, definiremos o que chamaremos de relações binárias.
Introduzimos dois conjuntos importantes: o conjunto vazio e o conjunto
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

universo. O conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto. Aprende-


mos também que o conjunto universo depende do contexto com que estamos
trabalhando. Vimos também que a união é uma operação comutativa e as-
sociativa. Com relação à intersecção, também vale a comutatividade e a
associatividade. Vimos também que ambas se distribuem.
Estudamos também as leis de De Morgan que relacionam a união e a
intersecção com o complementar. Mais precisamente, o complementar da
união é igual à intersecção dos complementares. Também provamos que o
complementar da intersecção é igual à união dos complementares. Mostramos
que se o conjunto X tem n elementos, então, o conjunto das partes de X,
denotado por P (X), é um conjunto com 2n elementos.
Vimos que a cardinalidade de A ∪ B é igual à cardinalidade de A mais
a cardinalidade de B, menos a cardinalidade de A ∩ B. Esse resultado nos
permitiu resolver problemas de contagem como no exemplo 10.

18

Considerações Finais
32

ATIVIDADES
1. Considere os conjuntos numéricos N e Z. Determine N ∩ Z e Z − N.

2. Mostre que cada uma das afirmações a seguir é equivalente a A ⊂ B :

(a) A ∩ B = A.
(b) B c ⊂ Ac

3. Sejam A, B e C conjuntos quaisquer de um universo U. Verifique que:

(a) se A ⊂ B, então, A ∪ C ⊂ B ∪ C.
(b) se A ⊂ B, então, A ∩ C ⊂ B ∩ C.

4. Sejam os conjuntos A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {x, y, z, w}. Determine e


represente os conjuntos A × B e B × A.

5. Mostre que se x2 é par, então, x é par.

6. Mostre que se x2 é ı́mpar, então, x é ı́mpar.

7. Sejam os conjuntos A = {0, ±1, ±2, ±3, ±4} e B =


{0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16}. Represente em
2
A × B o seguinte conjunto R = {(x, x ) : x ∈ A}.

8. Seja A o conjunto de todos os quadriláteros, B o conjunto de todos o


retângulos e C o conjunto de todos os quadrados do plano. Determine
A ∩ B e A ∩ C.

9. Seja A o conjunto de todos os números naturais pares e B o conjunto


de todos os números naturais primos. Determine A ∩ B e A − B .

19
10. Seja A = {(x, y) ∈ R2 : x + y = 4} e B = {(x, y) ∈ R2 : −x + y = 0}.
Determine A ∩ B, A ∪ B e A − B .
33

LEITURA COMPLEMENTAR
O Princı́pio da Indução
Vamos utilizar neste texto o princı́pio da indução, por isso, esse impor-
tante resultado foi incluı́do aqui para facilitar a sua leitura e a compreensão.
O Princı́pio da indução trata de propriedades dos números naturais e dos
inteiros.

Teorema 5 : (Princı́pio da indução) Consideremos a proposição nos in-


teiros ∀n P (n). Suponha que:
1) existe n0 ∈ Z tal que P (n0 ) é verdadeira,
2) para todo n ≥ n0 , se P (n) é verdadeira, então, P (n + 1) é verdadeira.
Se (1) e (2) são satisfeitas, então, P (n) é verdadeira para todo inteiro
n ≥ n0 .

É muito comum propriedades P (n) em que n0 seja zero ou um.


Apresentamos a demonstração desse resultado que em uma primeira
leitura pode ser omitida.
Demonstração: Seja S = {n ∈ Z; n ≥ n0 e P (n) é falso }. Queremos
provar que S é vazio. Suponha S �= ∅, como S é limitado inferiormente,
existe um menor elemento a ∈ S. Logo, a ≥ n0 e por 1) n0 �∈ S e assim
a �= n0 . Segue que a > n0 e, portanto, (a − 1) ≥ n0 . Logo, (a − 1) �∈ S e,
portanto, P (a − 1) é verdadeira. De 2) segue que P (a) é verdadeira, o que é
uma contradição. 

A seguir uma generalização deste resultado.

Teorema 6 : (Segundo princı́pio de indução) Seja m um inteiro e P (n)


uma proposição para cada m ≤ n ∈ Z. Suponhamos que
1) P (m) é verdadeira,

21
34

2) para todo inteiro n ≥ m, se P (r) é verdadeira para qualquer que seja r tal
que m ≤ r < n, então P (n) é verdadeira.
Então, a proposição é verdadeira para todo n ≥ m.

Demonstração: Seja

S = {n ∈ Z, n ≥ m; P (n) é falsa }.

Queremos provar que S é vazio. Suponha que S não é vazio e seja n0 o


seu menor elemento. Segue que P (n0 ) é falso. Por 1) n0 > m e, portanto,
a afirmação é verdadeira para todo r satisfazendo m ≤ r < n0 . Por 2)
concluı́mos que P (n0 ) é verdadeira, uma contradição. 

Você pode provar por indução as propriedades a seguir:


n
1
a) i3 = [ n(n + 1)]2 , para todo n natural.
i=0
2
n
1
b) i2 = n(n + 1)(2n + 1), para todo n natural.
0
6
Fonte: o autor (2016).

22
35

LEITURA COMPLEMENTAR
O último Teorema de Fermat

Na opinião de muitos matemáticos modernos, Pierre de Fermat (1601-


1665) foi o maior dos matemáticos amadores. Exerceu altos postos na ad-
ministração pública francesa, chegando a ocupar o cargo de Conselheiro do
Parlamento de Toulouse, posição que ocupou até à sua morte.
Costumava trocar correspondências com outros estudiosos e graças a isso
sua obra matemática chegou aos dias de hoje. Nessas correspondências,
ele costumava apresentar teoremas de sua autoria, mas não apresentava as
demonstrações. Como era comum na época, eram apresentados como desafio
a outros matemáticos.
Era um apaixonado pela teoria dos números, gosto adquirido após a
leitura de uma obra de Diofanto. Para alguns dos teoremas de sua autoria
ele não apresentou as demonstrações e essas só foram realizadas por out-
ros matemáticos dezenas de anos após a divulgação, ou porque apresentava
dificuldades ou porque não havia conhecimento desses resultados.
O mais conhecido desses resultados de Fermat sem demonstração é o
chamado “último Teorema de Fermat”, assim denominado por ser o único de
seus resultados que até recentemente resistia às tentativas de demonstração.
Aparentemente simples, o teorema de Fermat, afirma que a equação

xn + y n = z n ,

não tem solução com x, y, z inteiros positivos quando o expoente n é um


natural maior do que 2.
Fermat não apresentou a demonstração desse resultado, limitou-se apenas
a escrever na margem de um livro que tinha achado uma boa demonstração

23
36

para esse fato, mas que ela não cabia naquele espaço. Acredita-se atualmente
que Fermat não tinha essa demonstração ou, se a tinha, estava errada.
Ernst Eduard Kummer, na década de 1840, deu inı́cio ao estudo dos
números algébricos, o que permitiu provar o último Teorema de Fermat para
uma grande quantidade de expoentes, de acordo com B. Cipra (“Science”,
261,32).
Com o advento dos computadores, foram testados todos os expoentes
até 4 milhões, e o resultado se mantinha. Na tentativa de resolver esse
problema várias teorias matemáticas foram criadas que vieram enriquecer
vários campos da matemática, principalmente da álgebra.
Em 1988, Yoichi Miyaoka, anunciou que havia conseguido provar o último
Teorema de Fermat. Depois os matemáticos descobriram muitas falhas na
sua demonstração que a inviabilizaram. Yoichi Miyaoka não foi o único a
falhar.
Andrew Wiles, usando um teorema demonstrado por Ken Ribet, que se
baseou em uma ideia desenvolvida por Gerhard Frey, apresentou uma prova
em três conferências seguidas realizadas no Newton Institute, de Cambridge,
Reino Unido, de 21 a 23 de junho de 1993.
Wiles solucionou a conhecida “conjectura de Taniyama-Weil”, de grande
importância desde a década de 1950, e o Teorema de Fermat seria uma sim-
ples consequência disso.
Mas, infelizmente, logo em seguida os matemáticos que estudaram o tra-
balho de Wiles anunciaram que foi encontrado um erro. Esse erro foi recon-
hecido por Wiles. Parecia bom demais para ser verdade.
Inconformado, Wiles dedicou mais algum tempo, o erro foi contornado, a
demonstração reformulada, e finalmente, em julho/1995, a demonstração ap-
resentada por Wiles está correta e o último Teorema de Fermat está provado.
Em 2016, a Norwegian Academy of Science and Letters conferiu a Wiles o
prêmio Abel 2016 “por sua impressionante demonstração do último teorema
24
de Fermat, iniciando uma nova era na teoria dos números”.
Fonte: o autor (2016).

MATERIAL COMPLEMENTAR
Veja no video abaixo sobre o paradoxo do barbeiro (conforme visto no
prêmio Abel 2016 “por sua impressionante demonstração do último teorema
MATERIAL COMPLEMENTAR
de Fermat, iniciando uma nova era na teoria dos números”.
Fonte: o autor (2016).

MATERIAL COMPLEMENTAR
Veja no video abaixo sobre o paradoxo do barbeiro (conforme visto no
inı́cio da unidade).
Disponı́vel em:
<https://www.youtube.com/watch?v=VloY6dYS6LU>.

25

Material Complementar
38
REFERÊNCIAS
Referências

[1] DEAN, R. Elementos de Álgebra Abstrata. LTC: Rio de Janeiro,


1974.

[2] MONTEIRO, L. H. J. Elementos de Álgebra. LTC: São Paulo,


1975.

[3] RUSSELL, B. The Philosophy of Logical Atomism. The Collected


Papers of Bertrand Russell, V. 8, 1914-19.

[4] SUPPES, P. Axiomatic Set Theory. Dover, 1972.

26
39
REFERÊNCIAS
GABARITO
GABARITO
1. Como N = {0, 1, 2, 3, . . . , } e Z = {0, ±1, ±2, ±3, . . . , } temos que
Z ∩ N = N e Z − N = {−1, −2, −3, . . . , }.

2. (a) A ⊂ B ⇒ A ∩ B = A. Devemos provar que se A ⊂ B, então,


A ∩ B = A. Isto é, A ∩ B ⊂ A e A ⊂ A ∩ B. É claro que sempre
temos A ∩ B ⊂ A. Resta então, provar que A ⊂ A ∩ B. Tomemos
x ∈ A. Como A ⊂ B, então, x ∈ B e assim x ∈ A ∩ B. Como x ∈ A
é arbitrário, segue que A ⊂ A ∩ B.

Agora, provaremos que A ∩ B = A ⇒ A ⊂ B. Tomemos x ∈ A. Como


A ∩ B = A segue que x ∈ A ∩ B e, portanto, x ∈ B. Logo, A ⊂ B.

(b)A ⊂ B ⇐⇒ B c ⊂ Ac . Suponha que A ⊂ B e seja x ∈ B c . Segue


que x �∈ B e, portanto, como A ⊂ B temos que x �∈ A. Assim,
B c ⊂ Ac .

Suponha agora que B c ⊂ Ac . Vamos provar que A ⊂ B. Tomemos


x ∈ A. Segue que x �∈ Ac . Como B c ⊂ Ac temos que x �∈ B c e,
portanto, x ∈ B. Assim, A ⊂ B.

3. (a) Sejam A, B e C conjuntos quaisquer de um universo U. Vamos


provar que se A ⊂ B, então, A ∪ C ⊂ B ∪ C. De fato, seja x ∈ A ∪ C.
Então, x ∈ A ou x ∈ C. Como A ⊂ B, então, x ∈ B ou x ∈ C. Logo,
x ∈ B ∪ C. Logo, A ∪ C ⊂ B ∪ C.

(b) Sejam A, B e C conjuntos quaisquer de um universo U. Vamos


provar que se A ⊂ B, então, A ∩ C ⊂ B ∩ C. De fato, seja x ∈ A ∩ C.
Então, x ∈ A e x ∈ C. Como A ⊂ B, então, x ∈ B e x ∈ C. Logo,
x ∈ B ∩ C. Logo, A ∩ C ⊂ B ∩ C.

27
GABARITO

4. Se A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {x, y, z, w}, vamos determinar e represen-


tar os conjuntos A × B e B × A. Por definição,

A × B = {(a, b); a ∈ A e b ∈ B}

e, portanto, A×B = {(1, x), (1, y), (1, z), (1, w), (2, x), (2, y), (2, z)(2, w),
(3, x), (3, y), (3, z), (3, w), (4, x), (4, y), (4, z), (4, w), (5, x), (5, y), (5, z), (5, w)}.

Por definição,
B × A = {(b, a); b ∈ B e a ∈ A}

e, portanto, B×A = {(x, 1), (x, 2), (x, 3), (x, 4), (x, 5), (y, 1), (y, 2), (y, 3), (y, 4),
(y, 5), (z, 1), (z, 2), (z, 3), (z, 4), (z, 5), (w, 1), (w, 2), (w, 3), (w, 4), (w, 5)}.

Para representar A × B e B × A, podemos usar a representação dada


no exemplo 12.

5. Devemos mostrar que se x2 é par, então, x é par. Ou equivalente-


mente, x não é par, então, x2 não é par. Isto, se x é ı́mpar, então, x2
é ı́mpar.

De fato, dado x ı́mpar, então, x = 2k + 1, para algum k ∈ Z. Logo,


x2 = 4k 2 + 4k + 1 = 2(2k 2 + 2k) + 1 é ı́mpar.

6. Devemos mostrar que se x2 é ı́mpar, então, x é ı́mpar. Ou equiva-


lentemente, se x é par, então, x2 é par. De fato, dado x par então,
x = 2k para algum k ∈ Z. Logo, x2 = 4k 2 = 2(2k 2 ) e, portanto, x2 é
par.

7. Se A = {0, ±1, ±2, ±3, ±4} e B =


{0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16}. Devemos repre-
sentar em A × B o seguinte conjunto R = {(x, x2 ) : x ∈ A}.

28
41
GABARITO

Figura 3: ilustração do exercı́cio 7.

17
16
15
14
13
12
11
10
Fonte: o autor (2016).
9
Figura 3: ilustração
8 do exercı́cio 7.
Figura 3: ilustração
7 do exercı́cio 7.
6
8. A ∩ B = B e A ∩ C = C. 5
4
3
9. A ∩ B = {2} e A − B = {x = 2k; 2 k > 1} .
1
0
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4
10. -1
A∩B = {(2, 2)}, A∪B = {(x, y); x+y = 4 ou −x+y = 0} e A−B =
Fonte: o autor (2016).
{(x, y); x + y = 4 e Fonte:
− x + yo �= {(x, y); x + y = 4 e x, y �= 2} .
0} =(2016).
autor

8. A ∩ B = B e A ∩ C = C.
8. A ∩ B = B e A ∩ C = C.
9. A ∩ B = {2} e A − B = {x = 2k; k > 1} .
9. A ∩ B = {2} e A − B = {x = 2k; k > 1} .
10. A∩B = {(2, 2)}, A∪B = {(x, y); x+y = 4 ou −x+y = 0} e A−B =
10. A∩B = {(2, 2)}, A∪B = {(x, y); x+y = 4 ou −x+y = 0} e A−B =
{(x, y); x + y = 4 e − x + y �= 0} = {(x, y); x + y = 4 e x, y �= 2} .
{(x, y); x + y = 4 e − x + y �= 0} = {(x, y); x + y = 4 e x, y �= 2} .

29
Professor Dr. Doherty Andrade

II
UNIDADE
RELAÇÕES E FUNÇÕES

Objetivos de Aprendizagem
■■ Introduzir o conceito de relação binária e definir composição de
relações.
■■ Introduzir a relação de equivalência e conjunto quociente.
■■ Introduzir a relação de ordem.
■■ Introduzir a noção de função e suas principais propriedades.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Definições, representações e propriedades
■■ Relação de equivalência
■■ Relação de ordem
■■ Funções
45

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, dando prosseguimento ao nosso plano
de estudos, vamos continuar a estabelecer uma linguagem comum e introduzir
novos conceitos e ferramentas que serão úteis para a compreensão do restante
do texto.
Como veremos, a noção de relação binária e de função estão estreitamente
relacionadas e desempenham um papel importante dentro da matemática.
Fique atento às noções de relação de equivalência e relação de ordem, e se
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

certifique de que as compreendeu corretamente. Essas noções são fundamen-


tais para o entendimento de todo o resto do texto.
Como veremos, uma relação de equivalência sobre um conjunto A, de-
compõe esse conjunto em subconjuntos não vazios e disjuntos, chamados de
classes de equivalência. A esse conjunto de classes chamamos de conjunto
quociente.
Essa técnica de formalização matemática que impõe uma relação de
equivalência sobre um conjunto A e cria o conjunto quociente é muito uti-
lizada em matemática, dá origem a objetos matemáticos importantes como
os corpos Q e R e o conjunto dos números inteiros. Talvez, você já tenha
visto essa técnica quando estudou vetores: a relação de equipolência entre
segmentos orientados do plano (ou espaço) é uma relação de equivalência, e
o conjunto quociente é o conjunto de classes de equipolência (equivalência),
nesse caso, uma classe de equivalência é chamada de vetor. Como você pode
ver nada aqui é inteiramente novidade.

31

Introdução
46 UNIDADE II

DEFINIÇÕES, REPRESENTAÇÕES E PRO-


DEFINIÇÕES,
PRIEDADES REPRESENTAÇÕES E PROPRIEDADES
Quando falamos em relações a primeira coisa que nos ocorre são as
relações sociais e familiares. Ilustramos com alguns exemplos, x é amigo
de y, x é a mãe de y e x é menor do que ou igual a y.
Na matemática, ampliamos e abstraı́mos essa noção de relação. Uma
relação binária de um conjunto A em um conjunto B é simplesmente um sub-
conjunto do produto cartesiano de A por B, A×B. Em termos matemáticos,
definimos relação binária do seguinte modo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Definição 1 : Uma relação binária (ou relação) R de um conjunto A em
um conjunto B é um subconjunto de A × B.
Uma relação binária de A em A é chamada simplesmente de relação em
A.

Se R é uma relação de A em B e o par (a, b) é um elemento de R,


representamos isso por aRb.
O domı́nio de uma relação binária R de A em B, denotado por dom(R),
é o conjunto das primeiras coordenadas dos pares em R. Mais precisamente,

dom(R) = {x ∈ A; ∃y, y ∈ B, tal que (x, y) ∈ R}.

A imagem de uma relação binária R de A em B, representada por im(R),


é o conjunto das segundas coordenadas de R. Mais precisamente,

im(R) = {y ∈ B; ∃x, x ∈ A tal que (x, y) ∈ R}.

Observe que dom(R) ⊂ A e im(R) ⊂ B. O conjunto A é chamado de


conjunto de partida e o conjunto B chamado de conjunto de chegada da

32

RELAÇÕES E FUNÇÕES
47

relação. Em geral, o domı́nio de uma relação é diferente do conjunto de


partida e a imagem de uma relação é diferente do conjunto de chegada.
A relação inversa de uma relação binária R de A em B, denotada por
−1
R , é a relação de B em A definida por:

R−1 = {(y, x) : (x, y) ∈ R}.

Observe que R−1 pode ser obtida revertendo-se os pares em R.

• Exemplo 1 :
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Seja R a relação binária em R dada por: xRy se, e somente se, y = x2 .


Nesse caso, dom(R) = R e im(R) = [0, ∞), o conjunto dos números reais
maiores ou iguais a zero.

• Exemplo 2 :
Considere a relação binária

R = {(1, 2), (1, 3), (2, 3), (1, 4), (2, 4), (3, 4)}

em A = {1, 2, 3, 4}. Então, dom(R) = {1, 2, 3}, im(R) = {2, 3, 4} e

R−1 = {(2, 1), (3, 1), (3, 2), (4, 1), (4, 2), (4, 3)}.

Observe que R e R−1 são idênticas às relações < (menor que) e > (maior
que) em A, respectivamente. Isto é,

(a, b) ∈ R ⇐⇒ a < b e (a, b) ∈ R−1 ⇐⇒ a > b.

• Exemplo 3 :
Consideremos o conjunto A = {3, 4, 6, 12, 18} e R a relação binária definida
por:
R = {(a, b); a, b ∈ A e a divide b}.

33

Definições, Representações e Propriedades


48 UNIDADE II

Ou de forma explı́cita, R = {(3, 3), (3, 6), (3, 12), (3, 18), (4, 4), (4, 12), (6, 6),
Ou de forma explı́cita, R = {(3, 3), (3, 6), (3, 12), (3, 18), (4, 4), (4, 12), (6, 6),
(6, 12), (6, 18), (12, 12), (18, 18)}.
(6, 12), (6, 18), (12, 12), (18, 18)}.
Outra forma de representar uma relação binária é por meio de uma tabela
Outra forma de representar uma relação binária é por meio de uma tabela
e indicando com × a célula que se encontra na intersecção da linha a com a
eOuindicando
de formacom × a célula
explı́cita, que 3),
R = {(3, se (3,
encontra na intersecção
6), (3, 12), da(4,
(3, 18), (4, 4), linha
12),a(6,
com6), a
coluna
Ou deb forma
quandoexplı́cita,
aRb. R = {(3, 3), (3, 6), (3, 12), (3, 18), (4, 4), (4, 12), (6, 6),
coluna
(6, 12), b(6,quando aRb.
18), (12, 12), (18, 18)}.
(6, 12), (6, 18), (12, 12), (18, 18)}.
Outra forma de representar3 uma 4 relação
6 12binária
18 é por meio de uma tabela
Outra forma de representar3uma 4 relação
6 12binária
18 é por meio de uma tabela
e indicando com × a célula que se encontra na×intersecção da linha a com a
3 × × ×
e indicando com × a célula × se encontra
3 que × × na × intersecção da linha a com a
coluna b quando aRb. 4 × ×
coluna b quando aRb. 6 4 × ×

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
× × ×
6 × × ×
12 3 4 6 ×12 18
12 3 4 6 ×12 18
183 × × × ××
183 × × × ××
4 × ×
Podemos também considerar 4 ×
uma matriz ×
binária
Podemos também considerar 6 uma × ×
matriz × com
binária
0 (zero) na posição
6 × × × com 0 (zero) na posição
em que a não está relacionado 12 com b e com 1×na posição em que aRb.
em que a não está relacionado 12 com b e com 1×na posição em que aRb.
Ainda outra forma de representar
18 uma relação× é por meio de laços ori-
Ainda outra forma de representar
18 uma relação × é por meio de laços ori-
entados, o que dá origem a um grafo orientado. Se aRb ligamos o ponto a
entados,
Podemos o que dá origem
também a um grafo
considerar orientado.
uma matriz Se com
binária aRb 0ligamos o ponto
(zero) na a
posição
ao ponto b portambém
Podemos um laçoconsiderar
orientado umaque matriz
parte de a e termina
binária em b.naVeja
com 0 (zero) a
posição
ao
em ponto
que a bnãoporestá
umrelacionado
laço orientado
com que parte1 de
b e com a e termina
na posição em queem aRb.
b. Veja a
ilustração
em que adessa relação.
não está relacionado com b e com 1 na posição em que aRb.
ilustração
Ainda dessa
outra relação.
forma de representar uma relação é por meio de laços ori-
Ainda outra forma de representar uma relação é por meio de laços ori-
entados, o que dá Figuraorigem a1: um grafo orientado. Se aRb ligamos o ponto a
entados, o que dá Figuraorigem a1:Ilustração
um de uma relação
grafo orientado.
Ilustração Se aRb ligamos o ponto a
de uma relação
ao ponto b por um laço orientado que parte de a e termina em b. Veja a
ao ponto b por um laço orientado que parte de a e termina em b. Veja a
ilustração dessa relação.
ilustração dessa relação. 6
12 18
Figura 1: Ilustração de uma relação
Fonte:
Figura o autor (2016).
1: Ilustração de uma relação
Fonte: o autor (2016).

4 3
Também podemos representar uma relação binária R de A em B pelo
Também podemos representar uma relação binária R de A em B pelo
diagrama de flechas. ComoFonte: exemplo, considere
o autor (2016).a relação R como sendo a
diagrama de flechas. ComoFonte: exemplo, considere
o autor (2016).a relação R como sendo a
relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5}, isto é, (a, b) ∈ R ⇐⇒ a < b.
relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5}, isto é, (a, b) ∈ R ⇐⇒ a < b.
Também podemos representar uma 34 relação binária R de A em B pelo
Também podemos representar uma 34 relação binária R de A em B pelo
diagrama de flechas. Como exemplo, considere a relação R como sendo a
diagrama de flechas. Como exemplo, considere a relação R como sendo a
relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5}, isto é, (a, b) ∈ R ⇐⇒ a < b.
relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5}, isto é, (a, b) ∈ R ⇐⇒ a < b.
34
34
RELAÇÕES E FUNÇÕES
49

Figura 2: Diagrama de flechas

A R B
1Figura 2: Diagrama de flechas
Figura 2: Diagrama de flechas
1

2 3
Fonte: o autor (2016).
3 5
4
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Exemplo 4 :
Fonte:
Fonte:o oautor
autor(2016).
(2016).
Dado qualquer conjunto A temos a relação identidade sobre A, denotada por
∆A , definida por:
• •Exemplo
Exemplo4 4: : ∆A = {(a, a) : a ∈ A}
Dado
Dado qualquer conjunto Atemos
qualquer conjunto A temosa arelação
relaçãoidentidade
identidadesobre
sobreA,A,denotada
denotadapor
por
A relação identidade é também chamada diagonal em virtude da posição
∆∆ A ,A definida por:
, definida por:
de seus pares no diagrama de A × A.
∆∆ A A=={(a,
{(a,a)a): a: a∈∈A}A}
Chamamos a relação R = A × B de relação universal.
AArelação
relaçãoidentidade
identidadeé étambém
tambémchamada
chamadadiagonal
diagonalem emvirtude
virtudedadaposição
posição
União
dedeseus e inteserção
pares no de relações:
diagrama de A ×como
A. uma relação binária é um conjunto,
seus pares no diagrama de A × A.
podemos definir a intersecção e a união de relações. Assim, se R e S são
Chamamos relaçãoRR==AA××BBdederelação
Chamamosa arelação relaçãouniversal.
universal.
relações binárias de A em B, então R ∩ S e R ∪ S são também relações
União
Uniãode
binárias e einteserção
Ainteserção de
em B. Tambémderelações:
relações:
podemoscomo
como umaumarelação
comparar duas binária
relação bináriaé por
relações éum conjunto,
ummeio
conjunto,
da
podemos
podemosdefinir
inclusão. definira aintersecção
intersecçãoe ea aunião
uniãodederelações.
relações. Assim,
Assim,seseRRe eSSsão são
relações
relaçõesbinárias
bináriasdedeAAem entãoRR∩∩SSe eRR∪∪SSsão
emB,B,então sãotambém
tambémrelações
relações
Composição
binárias de relações: agora, vamos apresentar a operação entre
bináriasdedeAAem emB.B.Também
Tambémpodemos
podemoscomparar
compararduas duasrelações
relaçõespor
pormeio
meiodada
relações
inclusão.binárias chamada de composição. Essa operação combina duas
inclusão.
relações binárias e retorna outra operação binária.
Composição
Composição de de relações:
relações: agora,
agora, vamos
vamosapresentar
apresentara aoperação
operaçãoentre
entre
Definição
relações 2 : Sejam
binárias R 1
chamada uma relação
de de A
composição.em B e
Essa R 2 uma relação
operação de B duas
combina em
relações binárias chamada de composição. Essa operação combina duas
C.relações
Definimos uma enova A × C chamada de composta de R2 e R1 ,
relação emoperação
relaçõesbinárias
binárias eretorna
retornaoutraoutra operaçãobinária.
binária.

Definição 35
Definição2 2: :Sejam
SejamRR1 1uma
umarelação
relaçãodedeAAem
emBBe eRR
2 2uma
umarelação
relaçãodedeBBemem
C.C.Definimos uma nova relação em A × C chamada de composta
Definimos uma nova relação em A × C chamada de composta de R de R e R
22 e R1 ,1 ,

3535

Definições, Representações e Propriedades


50 UNIDADE II

denotada por R2 ◦ R1 ou R2 R1 (observe a ordem!) dada por:


denotada por R2 ◦ R1 ou R2 R1 (observe a ordem!) dada por:

R2 R1 = {(a, c) ∈ A × C; ∃b, b ∈ B; aR1 b e bR2 c}.


R2 R1 = {(a, c) ∈ A × C; ∃b, b ∈ B; aR1 b e bR2 c}.

denotada FiguraR3:
2 ◦◦
ilustração da composição de dada
relações
denotadapor
porRFigura
R 1 ou
2 R1 3:ouRilustração
R2 RR
1 (observe a aordem!)
2 1 (observe ordem!) de
da composição dada por:
por:
relações
A1 = {(a,Rc) ∈ A × C;B∃b, b ∈ B; aR1 b e bRC2 c}.
2 RR
RR R2aR1 b e bR2 c}.
2 1 = {(a,1c) ∈ A × C; ∃b, b ∈ B;

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a
Figura b c
Figura 3:3:ilustração
ilustraçãodadacomposição
composiçãodederelações
relações
Fonte: o autor (2016).
Fonte: o autor (2016).

• Exemplo 5 :
• Exemplo 5 : R2R1
(a) Sejam aR1 b ⇐⇒ b = 2a Fonte:
e xR2 y o⇐⇒ y = 3x + 1, com a, b, x, y inteiros.
(a) Sejam aR1 b ⇐⇒ b = 2aFonte:e xR2oyautor
⇐⇒ (2016).
autor y(2016).
= 3x + 1, com a, b, x, y inteiros.
Então, R2 R1 é dada por:
Então, R2 R1 é dada por:

• •Exemplo
Exemplo R52 R: :1 = {(a, c) ∈ Z × Z, ∃b ∈ Z; aR1 b e bR2 c}
5R
2 R1 = {(a, c) ∈ Z × Z, ∃b ∈ Z; aR1 b e bR2 c}
R2 R1 = {(a, c) ∈ Z × Z, ∃b ∈ Z; b = 2a e c = 3b + 1}
1R R1 =b {(a,
b b2⇐⇒ c) ∈ Z 2×y Z, ∃b ∈ Z; b = 2a e c = a,
3b + 1}
(a)
(a)Sejam
SejamaR aR ⇐⇒ b==2a2ae exRxR y⇐⇒ ⇐⇒y y==3x3x++1,1,com
com a,b,b,x,x,y yinteiros.
inteiros.
R2 R11 = {(a, 6a + 1) ∈ Z2 × Z, a ∈ Z}.
Então, R
Então, R R
2 RR é
R dada
= por:
{(a, 6a + 1) ∈ Z × Z, a ∈ Z}.
2 2 1 é
1 1 dada por:

Note que emRgeral,


2 RR1 =={(a,
�= ∈
R2 R1 c) R1ZR×2 , Z,
isto é,∈aZ;
∃b∃b composição
aR 1 b be ebR
não é comutativa.
2 c}
R
Note que em 2 geral,
1 {(a,
R2 Rc) ∈R
1 �= Z1× R2Z,, isto ∈é,Z; aR
a composição
1 bR 2 c}
não é comutativa.
Nesse exemplo temos que R2 R1 �= R1 R2 . De fato,
R R
Nesse exemplo
R
2 R = {(a,
1 temos c)
= {(a,que∈ Z
c) ∈RZ×
2 R×
Z,
1 �=
∃b
Z, R ∈
∃b1 R Z; b =
∈2 .Z;De 2a2a e c = 3b++1}1}
b =fato, e c = 3b
2 1

R1RRR2 RR1 =={(a,


c) 6a
{(a,∈6aZ++ ∈∈∃b
1)1) ZZ× a∈∈
Z,Z,aaR
∈×Z, Z}.
22 =1{(a, × Z; 2 b Z}.
e bR1 c}
R1 R2 = {(a, c) ∈ Z × Z; ∃b ∈ Z, aR2 b e bR1 c}
R1 R2 = {(a, c) ∈ Z × Z; ∃b ∈ Z, b = 3a + 1 e c = 2b}
Note R2 = {(a,
R1geral, c) ∈R
1 �= Z1 × 2Z; ∃b ∈
é, Z, b = 3a + 1 enão
c =é 2b}
Note queem
que em geral, RR2 RR �= R RR , isto a composição comutativa.
1 2 , isto é, a composição não é comutativa.
R1 R2 = {(a, 6a2 +12) ∈ Z × Z; a ∈ Z}
Nesse
Nesseexemplo
R1 R2temos
exemplo = {(a,que
temos 6a R
que +R RR
22)1∈�=Z�=R×1R
R 2 .a.De
Z;
R ∈ fato,
DeZ} fato,
2 1 1 2

RR 2 = {(a, c) ∈ Z × Z; ∃b ∈ Z, aR2 b e bR1 c}


1 RR
1 2 = {(a, c) ∈ Z × Z; ∃b ∈ Z, aR2 b e bR1 c}
36
RR 2 = {(a, c) ∈ Z × Z;36
1 RR ∃b ∈ Z, b = 3a + 1 e c = 2b}
1 2 = {(a, c) ∈ Z × Z; ∃b ∈ Z, b = 3a + 1 e c = 2b}

RR 2 = {(a, 6a + 2) ∈ Z × Z; a ∈ Z}
1 RR
1 2 = {(a, 6a + 2) ∈ Z × Z; a ∈ Z}

RELAÇÕES E FUNÇÕES 3636


51

(b) Sejam R1 e R2 relações em R+ , os números reais não negativos, dadas


por:

xR1 y ⇐⇒ y = x2 e aR2 b ⇐⇒ b = a

Então:

R2 R1 = {(a, c) ∈ R+ ×R+ ; ∃b ∈ R+ com b = a2 e c = b} = {(a, a) ∈ R+ ×R+ }

(c) Seja A o conjunto de pessoas. Sejam R1 a relação sobre A dada por


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

aR1 b ⇐⇒ a é a mãe de b e R2 a relação sobre A dada por aR2 b ⇐⇒


a é o pai de b. Então, R2 R1 é dada por:

R2 R1 = {(a, c); ∃b, aR1 b e bR2 c}


R2 R1 = {(a, c); ∃b, a é a mãe de b e b é o pai de c}
R2 R1 = {(a, c); a é avó paterna de c}

Note que R2 R1 �= R1 R2 . De fato,

R1 R2 = {(a, c); ∃b, aR2 b e bR1 c}


R1 R2 = {(a, c), ∃b; a é o pai de b e b é a mãe de c}
R1 R2 = {(a, c); a é avô materno de c}

Como vimos nos exemplos, a composição de relações binárias não é uma


operação comutativa. Mas a composição de relações é associativa, isto é, tem
a seguinte propriedade:

Lema 1: Se R1 , R2 , R3 são relações de A em B, de B em C e de C em D,


respectivamente, então:

(R3 R2 )R1 = R3 (R2 R1 ).

37

Definições, Representações e Propriedades


52 UNIDADE II

Demonstração: Para estabelecermos a igualdade devemos mostraremos


que:
a) (R3 R2 )R1 ⊆ R3 (R2 R1 )
b) R3 (R2 R1 ) ⊆ (R3 R2 )R1 .
Faremos apenas a parte a), pois a parte b) é análoga.
Seja (a, d) ∈ (R3 R2 )R1 . Então, existe b ∈ B tal que (a, b) ∈ R1 e (b, d) ∈
(R3 R2 ). Logo, como (b, d) ∈ R3 R2 , existe c ∈ C tal que (b, c) ∈ R2 e (c, d) ∈
R3 . Portanto, (a, b) ∈ R1 e (b, c) ∈ R2 e assim (a, c) ∈ (R2 R1 ). Segue que

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(a, c) ∈ (R2 R1 ) e (c, d) ∈ R3 . Logo, (a, d) ∈ R3 (R2 R1 ). Portanto,(R3 R2 )R1 ⊆
R3 (R2 R1 ).
De modo inteiramente análogo demonstra-se a segunda parte. 

Uma relação binária sobre um conjunto A pode ser classificada de acordo


com suas propriedades. Definimos, a seguir, alguns tipos de relações binárias
sobre um conjunto A que são importantes.

Definição 3: Seja R uma relação binária em A.

(a) Dizemos que R é reflexiva, se para todo a ∈ A tem-se (a, a) ∈ R.

(b) Dizemos que a relação binária em A é simétrica se a, b ∈ A são tais que


(a, b) ∈ R, então, também se tem (b, a) ∈ R.

(c) Dizemos que a relação binária R em A é dita transitiva se a, b, c ∈ A


são tais que (a, b) ∈ R e (b, c) ∈ R então, também se tem (a, c) ∈ R.

• Exemplo 6 :
A relação de igualdade entre os números reais é uma relação reflexiva em R.
De fato, para qualquer real a tem-se a = a,

38

RELAÇÕES E FUNÇÕES
53

Além disso, se a e b são dois números reais quaisquer tais que a = b,


então, b = a, verificando a simetria. E se a = b e b = c, então a = c, que é a
transitividade.
Observe que a relação de igualdade é reflexiva sobre qualquer conjunto.

• Exemplo 7 :
Na Geometria Euclidiana plana, a semelhança de triângulos é uma relação
reflexiva, simétrica e transitiva no conjunto de todos os triângulos do plano.
De fato, se α, β,e γ são triângulos quaisquer, então: i) α é semelhante a
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si mesmo (reflexiva); ii) se α é semelhante a β, então, β é semelhante a


α (simétrica); iii) se α é semelhantea β e β é semelhante a γ, então α é
semelhante a γ (transitiva).
Note que uma relação binária sobre A é reflexiva se, e somente se, ∆A ⊂ R.
Observe que uma relação binária sobre A é simétrica se, e somente se,
R = R−1 .
Existem ainda as relações irreflexiva e antissimétrica, que passaremos a
definir.

Definição 4: Seja R uma relação binária sobre A.


a) R é irreflexiva se (x, x) �∈ R para todo x ∈ A.
b) R é antissimétrica se xRy e yRx juntos implicarem que x = y, para
todo x, y ∈ A.

• Exemplo 8 :

(a) A relação “menor ou igual” sobre os inteiros é reflexiva e não irreflexiva.


Também é antissimétrica e não é simétrica.

39

Definições, Representações e Propriedades


54 UNIDADE II

(b) A relação “menor que” sobre os inteiros é irreflexiva. Também é


anti-simétrica. Certifique-se de que entendeu este exemplo.

(b) A relação “menor que” sobre os inteiros é irreflexiva. Também é


anti-simétrica.
(c) As Certifique-se
relações < e ≤ de quesão
sobre os inteiros entendeu este exemplo.
transitivas.

(c)AAs
(d) relações
relação e ≤ sobre os sobre
de <divisibilildade inteiros
os são transitivas.
números naturais não nulos não é
simétrica. De fato, pois temos, por exemplo, que 2 divide 4; mas 4 não

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
divide 2. Mas essa relação é reflexiva, transitiva e anti-simétrica.
(d) A relação de divisibilildade sobre os números naturais não nulos não é
simétrica.
Como De fato,
uma relação pois temos,
binária por exemplo,
é um conjunto, que 2definir
podemos dividea4;intersecção
mas 4 não
dividede2. relações,
e a união Mas essacomorelação
já évimos.
reflexiva, transitiva
Além e anti-simétrica.
disso, se R e S são relações
reflexivas sobre A, então, R ∩ S e R ∪ S são também relações reflexivas sobre
Como uma relação binária é um conjunto, podemos definir a intersecção
A. Se R e S são relações simétricas sobre A, então, R ∩S e R∪S são também
e a união de relações, como já vimos. Além disso, se R e S são relações
relações simétricas sobre A.
reflexivas sobre A, então, R ∩ S e R ∪ S são também relações reflexivas sobre
Se R e S são relações transitivas sobre A, então, R ∩S é relação transitiva
A. Se R e S são relações simétricas sobre A, então, R∩S e R∪S são também
sobre A, mas nada podemos afirmar sobre R∪S. O mesmo vale para relações
relações simétricas sobre A.
R e S antissimétricas sobre A: R ∩ S é relação antissimétrica sobre A, mas
Se R e S são relações transitivas sobre A, então, R ∩S é relação transitiva
nada podemos afirmar sobre R ∪ S.
sobre A, mas nada podemos afirmar sobre R∪S. O mesmo vale para relações
R e S antissimétricas sobre A: R ∩ S é relação antissimétrica sobre A, mas
#REFLITA#
Senada
R épodemos
a relaçãoafirmar
vazia, sobre
como R ∪ S.
podemos classificá-la? Observe que ela é re-
flexiva, pois em R não há elementos que neguem a condição de reflexividade.
#REFLITA#
Em situações como essa, dizemos que a relação é reflexiva por vacuidade.
Se R é a relação vazia, como podemos classificá-la? Observe que ela é re-
Reflita sobre esse argumento e veja se ele pode ser usado para decidir se
flexiva, pois em R não há elementos que neguem a condição de reflexividade.
R é simétrica e transitiva. #REFLITA#
Em situações como essa, dizemos que a relação é reflexiva por vacuidade.
Reflita sobre esse argumento e veja se ele pode ser usado para decidir se
R é simétrica e transitiva. #REFLITA#

40

40

RELAÇÕES E FUNÇÕES
55

RELAÇÃOÃO
RELAÇ DE DE
EQUIVALÊNCIA
EQUIVALÊNCIA
A relação de equivalência que tratamos a seguir desempenha um papel
importante na matemática. Como veremos toda relação de equivalência sobre
um conjunto A não vazio decompõe esse conjunto em subconjuntos disjuntos
e não vazios cuja união é o conjunto A.

Definição 5: Seja R uma relação binária em A. Dizemos que R é uma


relação de equivalência se ela for ao mesmo tempo reflexiva, simétrica e
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transitiva.

Como exemplo prático, consideremos a seguinte relação R definida sobre


o conjunto A das pessoas vivas: xRy se, e somente se, x e y vivem em um
mesmo paı́s.
Note que essa relação é reflexiva, simétrica e transitiva; além disso, essa
relação divide ou separa o conjunto A das pessoas vivas em subconjuntos de A
em que cada subconjunto é formado pelas pessoas que moram em um mesmo
paı́s. Esses subconjuntos, os paı́ses, são chamados de classes de equivalência.
É isso o que acontece em uma relação de equivalência qualquer.

• Exemplo 9 :

(a) Como vimos a relação de igualdade entre os números reais é uma relação
de equivalência em R. De fato, é reflexiva, simétrica e transitiva.

(b) Já vimos que relação de semelhança de triângulos de um plano é uma


relação reflexiva, simétrica e transitiva. Portanto, é uma relação de
equivalência no conjunto de todos os triângulos de um plano.

41

Relação de Equivalência
56 UNIDADE II

Se R é uma relação de equivalência em A, definimos a classe de


equivalência de um elemento a ∈ A, denotada por [a] ou a, como o con-
junto de todos os elementos de A com os quais a está relacionado. Ou seja,

[a] = {x ∈ A; (a, x) ∈ R}.

A coleção das classes de equivalência dos elementos de A, denotada por


A/R, é chamada quociente de A por R:

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A/R = {[a]; a ∈ A}.

• Exemplo 10 :
Seja A = {2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}. Defina sobre A a seguinte relação R:

aRb se, e somente se 3|(b − a).

A notação a|b indica que a divide b.


Vemos que aRa para todo a ∈ A, pois a − a = 0 e 3 divide zero. Assim,
R é uma relação reflexiva.
Além disso, se aRb então 3 divide b − a. Logo, 3 divide a − b e, portanto,
bRa. Assim, R é simétrica.
Finalmente, suponha que aRb e bRc. Então, como aRb temos que 3
divide b − a. Isto é, b − a = 3m, para algum m ∈ Z. Como bRc temos
que 3 divide c − b. Isto é, c − b = 3n, para algum n ∈ Z. Logo, temos que
c − a = (3n + b) + (3m − b) = 3(n + m). Isto é, 3 divide c − a e, portanto,
aRc e a relação é também transitiva.
Como a relação R é reflexiva, simétrica e transitiva, ela é uma relação
de equivalência. Vamos escrever suas classes de equivalência, representadas

42

RELAÇÕES E FUNÇÕES
57

aqui por x:

2 = {x ∈ A : (2, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 2)} = {2, 5, 8},


3 = {x ∈ A : (3, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 3)} = {3, 6},
4 = {x ∈ A : (4, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 4)} = {4, 7},
5 = {x ∈ A : (5, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 5)} = {2, 5, 8},
6 = {x ∈ A : (6, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 6)} = {3, 6},
7 = {x ∈ A : (7, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 7)} = {4, 7},
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

8 = {x ∈ A : (8, x) ∈ R} = {x ∈ A : 3|(x − 8)} = {2, 5, 8}.

Observe que as classes 2, 5, 8 são iguais. O mesmo acontece com as classes


as classes 3 e 6. Também são iguais as classes 4 e 7. Segue que o conjunto
quociente A/R é o conjunto formado pelas classes 2, 3 e 4.
Assim, o conjunto quociente determinado por essa relação sobre A, é dado
por,
A/R = {2, 3, 4}.

O quociente A/R tem as seguintes propriedades básicas:

Teorema 1: Seja R uma relação de equivalência em A e, [a] a classe de


equivalência de a ∈ A. Então,
(i) Para todo a ∈ A, a ∈ [a].
(ii) [a] = [b] se, e somente se (a, b) ∈ R.
(iii) Se [a] �= [b], então, [a] e [b] são classes disjuntas.

(iv) a∈A [a] = A.

Demonstração: A demonstração deste teorema é um bom exercı́cio de


aplicação dos conceitos básicos da teoria dos conjuntos. Como a relação R é
uma relação reflexiva, então, aRa e, portanto, a ∈ [a]. Isso prova o item (i).

43

Relação de Equivalência
58 UNIDADE II

Se [a] = [b], então, como a ∈ [a] = [b]. Segue que a ∈ [b] e, portanto, aRb.
Suponha agora que (a, b) ∈ R. Seja x ∈ [a]. Como R é uma relação
simétrica e (a, x) ∈ R, então, (x, a) ∈ R. Usando a transitividade de R,
como (x, a) ∈ R e (a, b) ∈ R, então, (x, b) ∈ R. Segue que x ∈ [b]. Como x é
arbitrário de [a], segue que [a] ⊂ [b].
De modo análogo, seja x ∈ [b]. Como R é uma relação simétrica e (b, x) ∈
R, então, (x, b) ∈ R. Usando a transitividade de R, como (x, b) ∈ R e
(b, a) ∈ R, então, (x, a) ∈ R. Segue que x ∈ [a]. Como x é arbitrário de [b],

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
segue que [b] ⊂ [a]. Concluı́mos, portanto que [a] = [b]. Isso prova o item
(ii).
Agora, vamos provar o item (iii). Suponha que [a] �= [b], mas que existe
algum elemento x ∈ [a] ∩ [b]. Como x ∈ [a], e x ∈ [b], então aRx e xRb.
Logo, aRb e, portanto, [a] = [b]. O que é absurdo, pois por hipótese [a] �= [b].
O item (iv) é óbvio. 

O teorema descrito acima diz que uma relação de equivalência sobre um


conjunto A, particiona esse conjunto em subconjuntos não vazios e disjuntos,
esses subcojuntos são as classes de equivalência.
Uma classe A de subconjuntos não vazios de A é dita uma partição de A
se:
(1) cada a ∈ A pertence a algum membro de A;
(2) os membros de A são dois a dois disjuntos.
Com esta definição, o teorema anterior, teorema 1, implica no seguinte
teorema fundamental das relações de equivalência:

Teorema 2: Se R é uma relação de equivalência em A, então, o quociente


A/R é uma partição de A.

44

RELAÇÕES E FUNÇÕES
59

Vejamos mais um exemplo de relação de equivalência que será bastante


usado.

• Exemplo 11:(conjunto das classes residuais):

Seja m > 1 um inteiro. Se x e y são inteiros, dizemos que x é congruente


a y módulo m se x − y é múltiplo de m, isto é, se existe um inteiro k tal
que x − y = km. Ou ainda que m divide x − y. Representamos isso por
x ≡ y mod m e lê-se: x é congruente a y módulo m.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Observamos que quando m = 1 quaisquer dois inteiros são sempre con-


gruentes módulo 1; além disso, se a ≡ b mod m, então a ≡ b mod (−m).
Logo, podemos supor m ≥ 2.
Observe que se x é congruente a y módulo m, então, quando divididos
ambos por m, deixam o mesmo resto. De fato, suponha que x = k1 m + r1 e
y = k2 m + r2 , onde 0 ≤ r1 , r2 < m. Calculando x − y temos que:

x − y = (k1 − k2 )m + (r1 − r2 ).

Como m divide x − y e m divide (k1 − k2 )m, então, m tem obrigatoriamente


que dividir (r1 − r2 ). Como 0 ≤ r1 , r2 < m, então, r1 − r2 = 0 e, portanto,
r1 = r2 .
Usamos a notação x ≡ y(mod m) para representar que x e y são congru-
entes módulo m.
Por exemplo, escrevemos 3 ≡ 5(mod 2) para dizer que 3 e 5 quando
divididos por 2 deixam o mesmo resto, nesse caso 1.
Para cada inteiro positivo m ≥ 2, a relação de congruência módulo m,
definida no conjunto Z dos números inteiros é uma relação de equivalência.
O conjunto quociente é denotado por Zm e é chamado de conjunto das classes
residuais módulo m.

45

Relação de Equivalência
60 UNIDADE II

Podemos verificar rapidamente a reflexividade, a simetria e a transitivi-


dade. Primeiramente, observamos que aRa pois, a − a = 0 = 0m. Assim,
aRa para todo a ∈ Z, mostrando que R é reflexiva.
Por outro lado, se aRb, então, m divide (a − b) e, portanto, m divide
(b − a). Logo, bRa e, portanto, R é simétrica.
Para a transitividade, se temos aRb e bRc, então, temos que a − b = qm,
para algum inteiro q e b − c = q ′ m, para algum q ′ ∈ Z. Somando as duas
igualdades, obtemos a − c = (q + q ′ )m. Segue que aRc. Mostrando que R é

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
transitiva.
O algorı́tmo da divisão de números inteiros permite associar a cada x ∈ Z
um único inteiro 0 ≤ r < m tal que x = qm+r. Nesta divisão, q é o quociente
e r é o resto. Em termos de congruência módulo m isto significa que cada
inteiro x é, congruente módulo m, a um único inteiro 0 ≤ r < m, o resto da
divisão por m.
Denotando por x̄ a classe de equivalência de x ∈ Z temos que x̄ = r̄.
Assim a relação de congruência módulo m determina exatamente m classes
de equivalência em Z, as quais, de acordo com o Teorema 1, são duas a duas
disjuntas e, a união de todas dá o conjunto dos inteiros. O conjunto das
classes de equivalência módulo m é denotado por Zm e composto pelos restos
da divisão por m. Logo, temos:

Zm = {0̄, 1̄, . . . , m − 1} e Z = 0̄ ∪ 1̄ ∪ . . . ∪ m − 1.

#SAIBA MAIS#
Uma partição induz uma relação de equivalência

Vimos que dada uma relação de equivalência em um conjunto A, a relação


induz uma partição sobre A. Agora, vamos observar que dada uma partição Π

46

RELAÇÕES E FUNÇÕES
disjuntas e, a união de todas dá o conjunto dos inteiros. O conjunto das
classes de equivalência módulo m é denotado por Zm e composto pelos restos
da divisão por m. Logo, temos: 61

Zm = {0̄, 1̄, . . . , m − 1} e Z = 0̄ ∪ 1̄ ∪ . . . ∪ m − 1.

#SAIBA MAIS#
Uma partição induz uma relação de equivalência

Vimos que dada uma relação de equivalência em um conjunto A, a relação


induz uma partição sobre A. Agora, vamos observar que dada uma partição Π
de um conjunto A não vazio, esta partição induz uma relação de equivalência
de um conjunto A não vazio, esta partição induz uma relação de equivalência
sobre A. De fato, dado a ∈ A, existe um único Xa , subconjunto de A membro
46 único Xa , subconjunto de A membro
sobre A. De fato, dado a ∈ A, existe um
da partição Π, tal que a ∈ Xa ⊂ A, defina R por:
da partição Π, tal que a ∈ Xa ⊂ A, defina R por:

aRb ⇐⇒ Xa = Xb .
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

aRb ⇐⇒ Xa = Xb .

Esta relação é uma relação de equivalência em A e é chamada relação induzida


Esta relação é uma relação de equivalência em A e é chamada relação induzida
pela partição Π.
pela partição Π.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#

RELAÇ
RELAÇÃO
RELAÇÃO DE
DE ORDEM
DE ORDEM
ÃO ORDEM
Outro importante tipo de relação sobre um conjunto é a relação de ordem.
Outro importante tipo de relação sobre um conjunto é a relação de ordem.
É o que passaremos a abordar nesta seção.
É o que passaremos a abordar nesta seção.

Definição 6: Seja R uma relação binária em A. Dizemos que R é uma


Definição 6: Seja R uma relação binária em A. Dizemos que R é uma
relação de ordem parcial se satisfaz às três seguintes condições:
relação de ordem parcial se satisfaz às três seguintes condições:
1i) R é reflexiva,
1i) R é reflexiva,
2i) R é antissimétrica,
2i) R é antissimétrica,
3i) R é transitiva.
3i) R é transitiva.
Se R é uma relação de ordem parcial em A dizemos que A é parcialmente
Se R é uma relação de ordem parcial em A dizemos que A é parcialmente
ordenado por R.
ordenado por R.

São exemplos de ordem parcial:


São exemplos de ordem parcial:
a) A relação ≤ sobre os inteiros; também sobre os números reais,
a) A relação ≤ sobre os inteiros; também sobre os números reais,
b) Sobre as partes de um conjunto não vazio A, defina XRY se e, somente
b) Sobre as partes de um conjunto não vazio A, defina XRY se e, somente
se, X ⊆ Y. R é uma relação de ordem parcial sobre as partes de A.
se, X ⊆ Y. R é uma relação de ordem parcial sobre as partes de A.
Um conjunto finito parcialmente ordenado pela relação genérica R pode
Um conjunto finito parcialmente ordenado pela relação genérica R pode
ser representado por meio de um diagrama construı́do da seguinte forma.
ser representado por meio de um diagrama construı́do da seguinte forma.

47 Relação de Ordem
47
62 UNIDADE II

Represente cada elemento de A por um ponto de tal maneira que se xRy, x �=


y, então, y está acima de x no diagrama. Esse tipo de diagrama é denominado
de diagrama de Hasse.
Represente cada elemento de A por um ponto de tal maneira que se xRy, x �=
Em umcada
Represente conjunto parcialmente
elemento ordenado
de A por um ponto deA tal
pelamaneira
relaçãoque
R, se
dizemos
xRy, xque
�=
y, então, y está acima de x no diagrama. Esse tipo de diagrama é denominado
um elemento b cobre o elemento a, se não existe elemento c ∈ A tal
y, então, y está acima de x no diagrama. Esse tipo de diagrama é denominado que aRc
de diagrama de Hasse.
e cRb.
de Em outras
diagrama palavras:
de Hasse.
Em um conjunto parcialmente ordenado A pela relação R, dizemos que
Em um conjunto parcialmente ordenado A pela relação R, dizemos que
um elemento b cobre ∀x ∈o A,
elemento
(aRx ea,xRb)
se não
⇒ (aexiste ou x = b).c ∈ A tal que aRc
= x elemento
um elemento b cobre o elemento a, se não existe elemento c ∈ A tal que aRc
e cRb. Em outras palavras:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
e cRb.
ComoEm exemplo,
outras palavras:
seja A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} ordenado pela relação ≤
usual dos inteiros. ∀xEntão,
∈ A, (aRx e xRb)
temos ⇒ (a diagrama:
o seguinte = x ou x = b).
∀x ∈ A, (aRx e xRb) ⇒ (a = x ou x = b).
Como exemplo, seja A
Figura 4: = {1, 2, 3, 4,
Diagrama da5,relação
6, 7, 8} de ordem pela relação ≤
ordenado
Como exemplo, seja A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} ordenado pela relação ≤
usual dos inteiros. Então, temos o seguinte
8 diagrama:
usual dos inteiros. Então, temos o seguinte diagrama:
Figura 4: Diagrama7da relação de ordem
Figura 4: Diagrama da relação de ordem

Fonte: o autor
2 (2016).

1
Agora, consideremos o Fonte:
conjunto {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} ordenado pela
A = (2016).
o autor
Fonte: o autor (2016).
relação de divisibilidade dos inteiros. Note que essa relação é uma relação de

Agora, consideremos o conjunto A 48= {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} ordenado pela


Agora, consideremos o conjunto A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} ordenado pela
relação de divisibilidade dos inteiros. Note que essa relação é uma relação de
relação de divisibilidade dos inteiros. Note que essa relação é uma relação de
48
48
RELAÇÕES E FUNÇÕES
63

ordem parcial. Então, temos o seguinte diagrama de Hasse:

Figura 5: Diagrama da relação de ordem


8
ordem parcial. Então, temos o seguinte diagrama de Hasse:
6
4
Figura
7
5: Diagrama da relação de ordem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 5
2

Fonte: o autor (2016).

1 de ordem parcial R sobre o conjunto


Definição 7: Dizemos que uma relação
A é uma relação de ordem Fonte: o autor
total sobre (2016).
A se:

aRb ou bRa, para todo a, b ∈ A (lei da dicotomia).


Definição 7: Dizemos que uma relação de ordem parcial R sobre o conjunto
AEsta
é uma relação
condição dizdeque
ordem total sobre
quaisquer A se:
dois elementos de A podem ser comparados
pela relação de ordem.
aRb ou bRa, para todo a, b ∈ A (lei da dicotomia).
Vimos que a relação de divisibilidade dada acima é uma relação de ordem
Esta condição
parcial, mas nãodizé que
umaquaisquer
relação dedois elementos
ordem de A
total. De podem
fato, ser comparados
em uma relação de
pela relação de ordem.
ordem total quaisquer dois elementos do conjunto tem que estar relacionados
e este não é o caso, pois 2 e 3 (por exemplo) não estão relacionados.
Vimos que a relação de divisibilidade dada acima é uma relação de ordem
Agora, consideremos o conjunto A = {a, b, c} e o conjunto de suas partes
parcial, mas não é uma relação de ordem total. De fato, em uma relação de
ordenado parcialmente pela relação de inclusão. Então, temos o seguinte
ordem total quaisquer dois elementos do conjunto tem que estar relacionados
diagrama:
e este não é o caso, pois 2 e 3 (por exemplo) não estão relacionados.
Agora, consideremos o conjunto A49= {a, b, c} e o conjunto de suas partes
ordenado parcialmente pela relação de inclusão. Então, temos o seguinte
diagrama:

49
Relação de Ordem
64 UNIDADE II

Figura 6: Diagrama da relação de ordem

{a,b,c}

Figura 6: Diagrama da relação de ordem

{a,b} {a,c}
{b,c}

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
{a} {b} {c}
Fonte: o autor (2016).

A relação XRY ⇐⇒ X ⊆ Y não é uma relação de ordem total sobre as


0
partes de um conjunto A se A tem mais de um elemento. Pois, nesse caso,
Fonte: o autor (2016).
sempre temos subconjuntos que não podem ser comparados pela relação de
inclusão. Por exemplo, se A = {a, e, i, o, u}, B = {a, e} e C = {i, o}. Temos
AB
que relação XRY
e C são ⇐⇒ X ⊆ Ydenão
subconjuntos é uma
A, mas B relação
não estádecontido
ordem em
total
C sobre
e nemasC
partes de um em
está contido conjunto
B. OuAseja,
se Aeles
temnão
mais
sãodecompáráveis.
um elemento. Pois, nesse caso,
sempre temos subconjuntos
A relação querelação
≤ usual é uma não podem ser comparados
de ordem pela
total sobre os relaçãosobre
inteiros, de
inclusão. Por eexemplo,
os racionais sobre os se
reais. {a, e, i, o,lembrar
A =Convém {a,dados
u}, B =que = {i,
e} e Cdois o}. Temos
números reais
que
a e Bb sempre
e C sãovale:
subconjuntos de A, mas B não está contido em C e nem C
está contido em B. Ou seja, eles não são compáráveis.
A relação ≤ usual aé ≤ b ou
uma b ≤ a de
relação (leiordem
da dicotomia).
total sobre os inteiros, sobre
os racionais e sobre os reais. Convém lembrar que dados dois números reais
É muito comum encontrarmos em livros essa lei traduzida da seguinte forma:
a e b sempre vale:
dados dois números reais a e b sempre vale

a ≤ b ou b ≤ a (lei da dicotomia).
a < b ou b < a ou a = b.

É muito comum encontrarmos em livros essa lei traduzida da seguinte forma:


50
dados dois números reais a e b sempre vale

a < b ou b < a ou a = b.

50
RELAÇÕES E FUNÇÕES
65

Nessa nova formulação damos o nome de Lei da Tricotomia.

Definição 8: Seja A um conjunto parcialmente ordenado pela relação R e


B ⊆ A.
1i) um elemento b ∈ B é um maior elemento de B se para todo b′ ∈ B,
tem-se b′ Rb.
2i) um elemento b ∈ B é um menor elemento de B se para todo b′ ∈ B,
tem-se bRb′ .
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Exemplo 12 :

(a) Sejam A = {∅, {a}, {b}, {a, b}} e R a relação XRY ⇐⇒ X ⊆ Y.


Se B = {{a}}, então, {a} é um menor elemento de B.
Também {a} é um maior elemento de B.

Se B = {{a}, {b}}, então, B não tem um maior elemento e nem um


menor elemento.

Se B = {∅, {a}}, então, {a} é um maior elemento e ∅ é um menor


elemento de B.

(b) Sejam A o conjunto dos inteiros, R a relação dada por aRb ⇐⇒ a ≤ b,


e B = N. Então, B tem o zero como um menor elemento, mas não tem
um maior elemento.

Máximo e mı́nimo: Se A é um conjunto parcialmente ordenado pela


relação R, o elemento máximo de A é o elemento M tal que para todo x ∈ A
tem-se xRM . Do mesmo modo, se A é um conjunto parcialmente ordenado
pela relação R, o elemento mı́nimo de A é o elemento m tal que para todo
x ∈ A tem-se mRx.
Maximal e minimal: se A é um conjunto parcialmente ordenado pela
relação R, um elemento maximal de A é qualquer elemento x tal que para

51

Relação de Ordem
66 UNIDADE II

todo a ∈ A, se xRa então, a = x. Analogamente, se A é um conjunto


parcialmente ordenado pela relação R, um elemento minimal de A é qualquer
elemento y tal que para todo a ∈ A, se aRy então, a = y.
De modo pouco preciso, dizemos que não há elemento maior que um
elemento maximal nem há elemento menor que um elemento minimal.

Definição 9: Uma relação de ordem R sobre A é uma boa ordem se:


a) R é uma relação de ordem total.
b) Todo subconjunto não vazio de A tem um menor elemento.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Se R é uma boa ordem sobre o conjunto A ,então, o conjunto é dito bem
ordenado.
O conjunto dos números naturais é bem ordenado. Esse resultado é um
importantı́ssimo teorema. Apresentamos, a seguir, a demonstração desse
teorema. Não se preocupe se numa primeira leitura você não a compreende.
Com o passar do tempo você vai adquirindo experiência e ela vai ficar natural.

Teorema 3: O conjunto dos naturais munido da relação de ordem ≤ usual


é um conjunto bem ordenado.

Demonstração: De fato, suponha que exista S ⊆ N, que não tem um menor


elemento. Concluiremos que S = ∅. Devemos provar que todo elemento de
S é pelo menos tão grande quanto qualquer natural n, isto é,

∀n∀x[x ∈ S =⇒ n ≤ x].

Como nenhum natural é maior ou igual que todo natural, segue que x ∈ S é
falso, isto é, S = ∅. Para provarmos, isto, vamos usar a indução sobre n. 1i)
(Básica) ∀x[x ∈ S =⇒ 0 ≤ x] é verdade pois S ⊆ N.

52

RELAÇÕES E FUNÇÕES
67

2i) (Hip. indução) Suponha que ∀x[x ∈ S =⇒ n ≤ x] é verdade para um


natural arbitrário n. Não pode acontecer que n ∈ S, pois, isto, violaria a
2i) (Hip. indução) Suponha que ∀x[x ∈ S =⇒ n ≤ x] é verdade para um
hipótese de que S não tem um menor elemento. Portanto, segue:
natural arbitrário n. Não pode acontecer que n ∈ S, pois, isto, violaria a
2i) (Hip. indução)
hipótese de que S Suponha ∀x[x ∈elemento.
quemenor
não tem ∀x[x
um ≤ x] é verdade
S =⇒ nPortanto, segue: para um
∈ S =⇒ n < x]
natural arbitrário n. Não pode acontecer que n ∈ S, pois, isto, violaria a
hipótese de Concluı́mos
é verdade. que S não tem ∀x[x
que:um ∈ S elemento.
menor =⇒ n < x]Portanto, segue:

é verdade. Concluı́mos que:


∀x[x
∀x[x ∈ S∈ =⇒
S =⇒
(n n+<
1)x]≤ x]
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

éé verdade.
verdade. Concluı́mos ∀x[x
que:
Isto estabelece ∈ Sindutivo
o passo =⇒ (n +e, 1) ≤ x] que se S não tem um
portanto,
menor elemento, então S = ∅. 
é verdade. Isto estabelece o passo
∀x[x indutivo
∈ S =⇒ e, portanto,
(n + 1) ≤ x] que se S não tem um
menor elemento, então S = ∅. 
é#REFLITA#
verdade. Isto estabelece o passo indutivo e, portanto, que se S não tem um
menor elemento, então S Z ∅. é bem ordenado
= não 
#REFLITA#
Note que o conjunto dos inteiros com a ordem usual ≤ não é bem ordenado.
Z não é bem ordenado
De fato, o subconjunto dos inteiros negativos é não vazio, mas não tem um
#REFLITA#
Note que o conjunto dos inteiros com a ordem usual ≤ não é bem ordenado.
menor elemento. #REFLITA#
De fato, o subconjunto Zdosnão é bem
inteiros ordenado
negativos é não vazio, mas não tem um
Note queelemento.
menor dos inteiros com a ordem usual ≤ não é bem ordenado.
o conjunto#REFLITA#
FUNÇ
De ÕES
fato, o subconjunto dos inteiros negativos é não vazio, mas não tem um
menor elemento. #REFLITA#
FUNÇ
Sejam A ÕES
e B conjuntos e f uma relação de A em B. Se a cada elemento x
do conjunto A está associado a um único elemento y do conjunto B, dizemos
FUNÇÕES
Sejam ÕES
FUNÇ A e B conjuntos e f uma relação de A em B. Se a cada elemento x
que a relação f é uma função ou uma aplicação de A em B.
do conjunto A está associado a um único elemento y do conjunto B, dizemos
Denotamos isto por:
Sejam
que A e Bf conjuntos
a relação e f uma
é uma função relação
ou uma de A em
aplicação deB.
A Se
emaB.
cada elemento x
do conjunto
DenotamosA está
istoassociado
por: a um único elementof y do conjunto B, dizemos
f :A→B ou A→B
que a relação f é uma função ou uma aplicação de A em B.
f
Denotamos
O único istoem
elemento por:y ∈ →B
f :BAassociado ou → Bf é denotado por f (x),
a x ∈ AA por

f
O único elemento em fy :∈AB→associado
B 53oua x ∈A A→por
B f é denotado por f (x),

O único elemento em y ∈ B associado53a x ∈ A por f é denotado por f (x),

53
Funções
68 UNIDADE II

e chamado valor de f em x ou imagem de x por f . Os conjuntos A e B são


chamados, respectivamente, domı́nio e contradomı́nio da função f .
A cada função f : A → B corresponde uma relação em A × B dada por

{(a, f (a)) : a ∈ A}

Este conjunto é chamado gráfico de f . A imagem de f , denotada por f (A)


ou im(f ) é o conjunto das imagens, isto é,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
f (A) = {f (a) : a ∈ A}.

Duas funções f : A → B e g : C → D são iguais, denotado por f = g,


se, e somente se, A = C, B = D e f (a) = g(a) para todo a ∈ A. Isto é, elas
tem o mesmo gráfico. De acordo com estas definições, não há distinção entre
uma função e seu gráfico.
Sejam as funções f : A → B e g : A → B. A negação de f = g é escrita
como f �= g significa que: ∃a ∈ A para o qual f (a) �= g(a).
Observe que um subconjunto f de A × B, isto é, uma relação de A em
B, é uma função se, e somente se, tiver a seguinte propriedade:
cada a ∈ A aparece como primeira coordenada em exatamente um par (a, b)
em f.
Uma função f : A → A definida por f (a) = a, ∀a ∈ A, é chamada de
função identidade.
Seja A ⊂ X. A função f : A → X definida por f (a) = a, ∀a ∈ A, é
chamada de função inclusão de A em X.

• Exemplo 13 :

(a) Sejam a, b ∈ R e a relação f : R → R dada por f (x) = ax + b. Note que


a cada x ∈ R existe um único y = ax + b ∈ R. Assim, essa relação é uma

54

RELAÇÕES E FUNÇÕES
69

função. Funções desse tipo são chamadas de funções afim.

Note que se a = 0, então, f é uma função constante. E se b = 0 e a = 1,


a função passa a ser a função identidade em R.

(b) Sejam a �= 0, b, c números reais e a relação f : R → R definida por f (x) =


ax2 +bx+c. Note que a cada x ∈ R existe um único y = ax2 +bx+c ∈ R.
Assim, a relação f é uma função. Funções desse tipo são chamadas de
funções quadráticas.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No caso particular em que f (x) = x2 , seu gráfico é o conjunto {(x, x2 ) :


x ∈ R}, é representado na figura abaixo. Nesse caso, a imagem de f é o
conjunto dos números não negativos, isto é, f (R) = {x : x ∈ R, x ≥ 0}.

Figura 7: Gráfico de f (x) = x2

Fonte: o autor (2016).

• Exemplo 14 : Se A = B = R e xf y ⇐⇒ x2 = y 2 , então, f não é função.


De fato, se xf y e xf y ′ , então, |y| = |y ′ |. Note que y e y ′ podem ser diferentes.
Assim, cada x não nulo é levado em mais de um y.

Vejamos exemplos de funções mais comumente usadas:

1. Função constante: f (x) = c onde c, x ∈ R, c fixo.

55

Funções
70 UNIDADE II

2. Função identidade: f (x) = x, x ∈ R.

3. Função translação: f (x) = x + a, a ∈ R fixo e x ∈ R.

4. Função homotetias: f (x) = ax, a �= 0 e x ∈ R.

5. Função potência natural f (x) = xn , n ≥ 0 natural e x ∈ R.

6. Função polinomial f (x) = an xn + an−1 xn−1 + . . . + a1 x + a0 , aj ∈ R,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
j = 1, 2, . . . , n e n ≥ 0 natural e x ∈ R.

1
7. Função inversão: f (x) = , onde x ∈ R − {0}.
x

an xn + an−1 xn−1 + . . . + a1 x + a0
8. Função racional q(x) = , aj , bk ∈ R
bm xm + bm−1 xm−1 + . . . + b1 x + b0
e m, n ≥ 0 naturais. Note que o domı́nio de q(x) é conjunto dos
números reais nos quais o denominador não se anula.

Composição de funções: sejam g : A → B e f : B → C funções, então, a


composta f ◦ g das relações f e g é uma função de A em C, tal que:

(f ◦ g)(x) = f (g(x)), para todo x ∈ A.

Se uma função h : A → C é tal que h = f ◦ g dizemos que h é a composta de


f com g.
Já vimos que a composta de relações é associativa. Logo, a composição de
funções é associativa também. Mas, lembre-se que a composição de relações
não é comutativa e, portanto, a composição de funções também não pode ser
comutativa. 

Se f : X → Y e A ⊂ X, então, a restrição de f a A, denotada por f  ,
A

é a função de A em Y definida por:


56
f |A (a) = f (a) para todo a ∈ A.


De forma equivalente, f  = f ∩ (A × Y ). Por outro lado, se f : X → Y é a
A
restrição de alguma função g : X ∗ → Y , onde X ⊂ X ∗ , então, g é dita uma
RELAÇÕES E FUNÇÕES
extensão de f .
Função injetora e função sobrejetora: uma função f : A → B é injetora
71
é a função de A em Y definida por:

f |A (a) = f (a) para todo a ∈ A.


é a função de A em Y definida
 por:

De forma equivalente, f  = f ∩ (A × Y ). Por outro lado, se f : X → Y é a
A
f |A (a)g =
restrição de alguma função :Xf (a)

→ Ypara
, onde X a⊂∈XA.
todo ∗
, então, g é dita uma
extensão de f . 

De forma equivalente, f  = f ∩ (A × Y ). Por outro lado, se f : X → Y é a
Função injetora e funçãoA sobrejetora: uma função f : A → B é injetora
restrição de alguma função g : X ∗ → Y , onde X ⊂ X ∗ , então, g é dita uma
se elementos distintos em A tiverem imagens distintas, isto é, se
extensão de f .
Função injetora e função
a �=sobrejetora: f (a′ )função f : A → B é injetora
a′ =⇒ f (a) �=uma
se elementos distintos em A tiverem imagens distintas, isto é, se
Ou equivalentemente, se f (a) = f (a′ ) implicar que a = a′ .
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a′ =⇒
A função f é sobrejetoraase�=para (a′ ) a ∈ A tal que f (a) = b.
b ∈�=Bf existe
f (a)
cada
Isto é, uma função f : A → B é sobrejetora se f (A) = B.
Ou equivalentemente, se f (a) = f (a′ ) implicar que a = a′ .
Uma função que é injetora e sobrejetora é denominada bijetora.
A função f é sobrejetora se para cada b ∈ B existe a ∈ A tal que f (a) = b.
Como exemplo, vamos verificar que f : R → R dada por f (x) = 2x + 3
Isto é, uma função f : A → B é sobrejetora se f (A) = B.
é injetora. De fato, se f (x) = f (x′ ), então, temos que 2x + 3 = 2x′ + 3. De
Uma função que é injetora e sobrejetora é denominada bijetora.
onde segue que x = x′ . Logo, f é injetora.
Como exemplo, vamos verificar que f : R → R dada por f (x) = 2x + 3
Note que esta função também é ′ sobrejetora. Dado y ∈ R, vamos ′mostrar
é injetora. De fato, se f (x) = f (x ), então, temos que 2x + 3 = 2x + 3. De
que existe x ∈ R tal que f (x) = y. De fato, se f (x) = y, então, 2x + 3 = y
onde segue que xy = −x 3 ′ . Logo, f é injetora.
e, portanto, x = .
2
Note que esta função também é sobrejetora. Dado y ∈ R, vamos mostrar
x ∈ R tal que f (x) = y. De fato, se f (x) = y, então, 2x + 3 = y
que existe MAIS#
#SAIBA
y−3
e, portanto, x = e Sobrejetora:
Injetora . como são graficamente?
2
#SAIBA
Se uma MAIS#
função f : R → R é injetora, geometricamente ao traçarmos
Injetora
qualquer reta paralelae ao
Sobrejetora: como são
eixo das abscissas, essa graficamente?
cruzará o gráfico de f em
no máximo um ponto.
Se uma função f : R → R é injetora, geometricamente ao traçarmos
qualquer reta paralela ao eixo das abscissas, essa cruzará o gráfico de f em
no máximo um ponto. 57
E, analogamente, se uma função f : R → R é sobrejetora, geometrica-
mente ao traçarmos qualquer reta paralela ao eixo das abscissas, essa cruzará
57
o gráfico de f em pelo menos um ponto de seu gráfico.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#

Teorema 4: Sejam g : A → B e f : B → C duas funções quaisquer.


a) Se f e g são injetoras, então, f ◦ g é injetora.
b) Se f e g são sobrejetoras, então, f ◦ g é sobrejetora. Funções

c) Se f e g são bijetoras, então, f ◦ g é bijetora.


E, analogamente, se uma função f : R → R é sobrejetora, geometrica-
72 UNIDADE II
mente ao traçarmos qualquer reta paralela ao eixo das abscissas, essa cruzará
o gráfico de f em pelo menos um ponto de seu gráfico.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#

Teorema 4: Sejam g : A → B e f : B → C duas funções quaisquer.


a) Se f e g são injetoras, então, f ◦ g é injetora.
b) Se f e g são sobrejetoras, então, f ◦ g é sobrejetora.
c) Se f e g são bijetoras, então, f ◦ g é bijetora.

Demonstração: a) Suponha que (f ◦ g)(a) = (f ◦ g)(a′ ). Isto é, f (g(a)) =


f (g(a′ )). Logo, como f é injetora, temos que g(a) = g(a′ ). Novamente como
g é injetora temos que a = a′ .
b) Seja c ∈ C. Como f é sobrejetora existe b ∈ B tal que f (b) = c e como g

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
é sobrejetora existe a ∈ A tal que g(a) = b. Logo, dado c ∈ C existe a ∈ A
tal que (f ◦ g)(a) = c.
c) Decorre imediatamene de a) e de b). 

Teorema 5: Sejam g : A → B e f : B → C duas funções.


a) Se (f ◦ g) é sobrejetora, então, f é sobrejetora.
b) Se (f ◦ g) é injetora, então, g é injetora.
c) Se (f ◦ g) é bijetora, então, f é sobrejetora e g é injetora.

Demonstração: Admita que (f ◦ g) seja sobrejetora. Então, dado c ∈ C


existe a ∈ A tal que (f ◦ g)(a) = c. Isto é, existe b = g(a) tal que f (b) = c,
mostrando que f é sobrejetora.
Para provar a segunda parte, suponha que a �= a′ . Então, como (f ◦ g) é
injetora segue que (f ◦ g)(a) �= (f ◦ g)(a′ ). Se g(a) = g(a′ ), então, como f é
função teriamos (f ◦ g)(a) = (f ◦ g)(a′ ) o que contraria fato da composta ser

58

RELAÇÕES E FUNÇÕES
73

injetora. Logo, g(a) �= g(a′ ), mostrando que g é injetora. A última parte é


consequência imediata de a) e b). 

Em geral, a relação inversa f −1 de uma função f ⊂ A × B não precisa


ser uma função. No entanto, se f é bijetora, então, f −1 é uma função de B
em A, chamada inversa da função f .
A diagonal ∆A ⊂ A × A é uma função chamada identidade de A. Ela é
também denotada por 1A . Assim, 1A (a) = a para todo a ∈ A. Claramente,
se f : A → B, então:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1B ◦ f = f ◦ 1A

Além disto, se f é bijetora, tendo assim uma inversa f −1 , então:

f −1 ◦ f = 1A e f ◦ f −1 = 1B

A recı́proca também é verdadeira:

Proposição 1: Sejam f : A → B e g : B → A funções satisfazendo

g ◦ f = 1A e f ◦ g = 1B

Então f −1 : B → A existe e g = f −1 .

• Exemplo 15 : Sejam f, g, h : R → R as funções definidas por:

f (x) = ex g(x) = x3 − x h(x) = x2

A função f é injetora. Geometricamente, isto significa que cada reta horizon-


tal contém no máximo um ponto do gráfico de f . A função g é sobrejetora.
Geometricamente, isto significa que toda reta horizontal contém pelo menos
um ponto de seu gráfico. A função h, não é nem injetora nem sobrejetora,

59

Funções
74 UNIDADE II

pois h(2) = h(−2) = 4 e h(R) é subconjunto próprio de R, por exemplo,


−1 �∈ h(R). O gráfico da função h está na figura 7. Os gráficos de f e g
estão na figura 8.

Figura 8: f (x) = ex e g(x) = x3 − x


pois h(2) = h(−2) = 4 e h(R) é subconjunto próprio de R, por exemplo,
−1 �∈ h(R). O gráfico da função h está na figura 7. Os gráficos de f e g
estão na figura 8. y = ex

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 8: f (x) = ex e g(x) = x3 − x

y = x3 - x

Fonte: o autor (2016).

• Exemplo 16 : Seja Mn o conjunto das matrizes de ordem n de números


reais, isto é, as matrizes de n linhas e n colunas. Na teoria das matrizes,
a cada matriz quadrada A Fonte: é associado
o autorum número: o determinante de A
(2016).
denotado por detA. Assim,  o determinante é uma função de Mn em R.
a b 1 −2
Para n = 2 temos: det = ad − bc. Segue que det = 0,
• Exemplo 16 : Seja Mn codconjunto das matrizes de ordem −3 n de 6números
 
reais,x isto
0 é, as matrizes de n linhas e n colunas. Na teoria das matrizes,
det = x. Isto mostra que det : M2 → R é sobrejetora, mas não
a cada0 1matriz quadrada A é associado um número: o determinante de A
injetora.
denotado por detA. Assim,  o determinante é uma função de Mn em R.
a b 1 −2
ParaSeja → Y . det
n f= : 2Xtemos: Então, a imagem
= ad −fbc.(A) Segue
de um que
subconjunto
det A de =X 0,

cd −3 −1 6
 
o conjunto das imagens dos elementos de A e, a imagem inversa f (B) de
x0
det subconjunto
um = x. B Isto
de Ymostra que detdos
, é o conjunto : M 2 → R éde
elementos sobrejetora,
X que tem mas não
imagem
01
injetora.

Seja f : X → Y . Então, a imagem


60 f (A) de um subconjunto A de X é
o conjunto das imagens dos elementos de A e, a imagem inversa f −1 (B) de
um subconjunto B de Y , é o conjunto dos elementos de X que tem imagem

RELAÇÕES E FUNÇÕES
60
75

em B, isto é,
em B, isto é,
f (A) = {f (x) : x ∈ A} e f −1 (B) = {x : x ∈ X, f (x) ∈ B}.
f (A) = {f (x) : x ∈ A} e f −1 (B) = {x : x ∈ X, f (x) ∈ B}.
−1
Os conjuntos f (A) e f (B) são também referidos como imagem direta de A
por
Os fconjuntos
e imagemf (A) e f −1de
inversa B são
(B) portambém
f , respectivamente.
referidos como imagem direta de A
por f e imagem inversa de B por f , respectivamente.
• Exemplo 17 : Seja f : R → R definida por f (x) = x2 . Então,
• Exemplo 17 : Seja f : R → R definida por f (x) = x2 . Então,
f ({1, 3, 4, 7, }) = {1, 9, 16, 49}, f ({2, −2}) = {4}
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

f ({1, 3, 4, 7, }) = {1, 9, 16, 49}, f ({2, −2}) = {4}


f −1 ({4, 9}) = {±2, ±3}, f −1 ({−3}) = ∅, f −1 ((1, 4)) = (−2, −1) ∪ (1, 2),
f −1 ({4, 9}) = {±2, ±3}, f −1 ({−3}) = ∅, f −1 ((1, 4)) = (−2, −1) ∪ (1, 2),
união de dois intervalos abertos.
união de dois intervalos abertos.
#SAIBA MAIS#
Induzindo uma função em P(X)
#SAIBA MAIS#
Induzindo uma função em P(X)
Uma função f : X → Y induz uma função, também denotada por f , do
Uma P(X)
conjunto funçãodas
f :partes
X → de X no conjunto
Y induz P(Y também
uma função, ) das partes de Y , dada
denotada por fpor
, do
conjunto P(X) das partes de X no conjunto P(Y ) das partes de Y , dada por
f
P(X) → P(Y ), A �→ f (A).
f
P(X) → P(Y ), A �→ f (A).
Para imagens inversas, f induz a função:
Para imagens inversas, f induz a função:
f −1
P(Y ) → P(X), B �→ f −1 (B).
f −1
P(Y ) → P(X), B �→ f −1 (B).

Diferença entre imagem inversa e função inversa


Diferença entre imagem inversa e função inversa
A imagem inversa, f −1 (B), de B por f , não deve ser confundida com a
imagem direta de
A imagem B pela
inversa, f −1
função
(B), de B porf f−1, não
inversa :Y → X,ser
deve pois, esta, em com
confundida gerala
imagem direta de B pela função inversa f −1 : Y → X, pois, esta, em geral
61
nem existe. Porém, quando f possui inversa, estes conjuntos são iguais.
61
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#
As propriedades mais usadas das imagens diretas e inversas são dadas nos
seguintes teoremas:
Funções

Teorema 6: Se f : X → Y é uma função e A, B ⊂ X, então,


76 UNIDADE II

nem existe. Porém, quando f possui inversa, estes conjuntos são iguais.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#
As propriedades mais usadas das imagens diretas e inversas são dadas nos
seguintes teoremas:

Teorema 6: Se f : X → Y é uma função e A, B ⊂ X, então,


a) f (A ∪ B) = f (A) ∪ f (B)
b) A ⊂ B =⇒ f (A) ⊂ f (B),
c) f (A ∩ B) ⊂ f (A) ∩ f (B)
d) f (A) − f (B) ⊂ f (A − B).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O exemplo, a seguir, mostra que as inclusões em c) e d) não podem, em
geral, ser substituı́das por igualdades.

• Exemplo 18 : Considere os conjuntos A = (1, 2) × (1, 2) e B = (1, 2) ×


(3, 4) do plano R2 e a projeção π : R2 → R, (x, y) �→ x da primeira
coordenada. Observe que π(A) = π(B) = (1, 2) e que π(A ∩ B) = ∅, pois
A ∩ B = ∅. Assim

π(A) ∩ π(B) = (1, 2) �= π(A ∩ B) = ∅

Além disto, A − B = A. Logo, π(A − B) = (1, 2) �= ∅ = π(A) − π(B). Veja


a figura 9.

Teorema 7: Se f : X → Y é uma função e A, B ⊂ Y , então:


a) A ⊂ B =⇒ f −1 (A) ⊂ f −1 (B)
b) f −1 (A ∪ B) = f −1 (A) ∪ f −1 (B)
c) f −1 (A ∩ B) = f −1 (A) ∩ f −1 (B)
d) f −1 (A − B) = f −1 (A) − f −1 (B).

62

RELAÇÕES E FUNÇÕES
77

Figura 9: Ilustração do exemplo 18.

B
Figura 9: Ilustração do exemplo 18.

A
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: o autor (2016).

Corolário 1: Se f : X → Y é uma função e A ⊂ Y , então,

f −1 (Ac ) = (f −1 (A))c .
Fonte: o autor (2016).
Uma importante relação entre imagens diretas e inversas é dada por

Teorema1:8:SeSejam
Corolário f : Xf→
:XY→ A ⊂ X,e AB⊂⊂YY.
Y, função
é uma Então,
, então,

(i) A ⊂ ff−1
−1(f (A))
(Ac ) = (f −1(ii)
−1
(A))cB. = f (f (B)).

Como
Uma demonstrado
importante acima,
relação entre aimagens
inclusão em (i)
diretas não pode,
e inversas em por
é dada geral, ser
substituida pela igualdade.
Teorema 8: Sejam f : X → Y, A ⊂ X, B ⊂ Y. Então,

(i) A ⊂ f −1 (f (A)) (ii) B = f (f −1 (B)).

Como demonstrado acima, a inclusão em (i) não pode, em geral, ser


substituida pela igualdade.

63

Funções
63
78 UNIDADE II

CONSIDERAÇ
CONSIDERAÇÕESÕES FINAIS
FINAIS
Ao término, desta unidade, podemos olhar para trás e ver quantos con-
ceitos e resultados importantes já foram abordados. Aprendemos o que é
uma relação binária sobre um conjunto e aprendemos a classificá-las em re-
flexiva, irreflexiva, simétrica, antissimétrica ou transitiva. Vimos exemplos
importantes de relações binárias que já conhecı́amos como a relação ≤ e
de divisibilidade de números naturais. Definimos relação de equivalência e
provamos que elas particionam o conjunto em classes de equivalência que dão

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
origem ao conjunto quociente.
Alertamos que o conjunto quociente desempenha um papel importante na
matemática, ele dá origem a objetos matemáticos importantes, por exemplo,
os vetores e os corpos.
Definimos relação de ordem e provamos o importante teorema que afirma
que o conjunto dos números naturais com a ordem usual é bem ordenado.
Observamos que o conjunto dos números inteiros não goza dessa propriedade,
isto é, Z munido da ordem usual não é um conjunto bem ordenado.
Finalmente, estudamos o conceito de função e vimos que função é um
tipo particular de relação. Aprendemos a fazer a composição de funções e
mostramos que essa operação é associativa, mas não é comutativa. Vimos
que as funções podem ser injetoras, sobrejetoras e bijetoras.
Para funções f : R → R apresentamos o critério da reta horizontal para
decidir graficamente se uma dada função é injetora ou sobrejtora. Embora
esse critério gráfico seja interesssante, não podemos nos limitar a ele: o de-
senho pode nos iludir. E convenhamos, traçar o gráfico de uma função pode
ser uma árdua tarefa mesmo com a ajuda do computador.
Estamos avançando no fascinante mundo da álgebra.

64

RELAÇÕES E FUNÇÕES
79

ATIVIDADES
1. Verifique que toda relação universal sobre um conjunto A, isto é,
R = A × A, é de equivalência.

2. Verifique que a intersecção de duas relações de equivalência sobre um


conjunto A é ainda uma relação de equivalência.

3. Verifique se a união de duas relações de equivalência é uma relação de


equivalência.

4. Seja R a relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5}, isto é, (a, b) ∈


R ⇐⇒ a < b.
(i) Escreva R como conjunto de pares ordenados.
(ii) Represente R no diagrama de A × B.
(iii) Encontre o domı́nio de R, a imagem de R e R−1 .
(iv) Encontre R ◦ R−1 .

5. Considere a relação R = {(1, 1), (2, 3), (3, 2)} em A = {1, 2, 3, }. De-
termine se R é ou não: (i) reflexiva, (ii) simétrica, (iii) transitiva.

6. Considere a relação ≃ em N × N∗ definida por:

(a, b) ≃ (c, d) se, e somente se, ad = bc.

Prove que ≃ é uma relação de equivalência.

7. Seja X = {1, 2, 3, 4}. Decida se a relação dada é ou não uma função


de X em X.
(i) f = {(2, 3), (1, 4), (2, 1), (3, 2), (4, 4)}

65
80

(ii) g = {(3, 1), (4, 2), (1, 1)}


(iii) h = {(2, 1), (3, 4), (1, 4), (2, 1), (4, 4)}.

8. Se X e Y são conjuntos não vazios, prove que as projeções


π1 : X × Y → X e π2 : X × Y → Y são sobrejetoras.

9. Prove que a função f : R → R dada por f (x) = 3x − 1 é invertı́vel e


encontre uma fórmula par a função f −1 .

10. Seja R uma relação de equivalência em um conjunto não vazio X. A


função natural η de X no quociente X/R é definida por η(x) = [x], a
classe de equivalência de x. Prove que η é sobrejetora.

66
81

LEITURA COMPLEMENTAR
Algoritmo de Euclides
O algoritmo de Euclides é o método de divisão nos números inteiros.
Dado um inteiro a qualquer e um inteiro d �= 0, existem inteiros q e r únicos
tais que:
a = dq + r, 0 ≤ r < |d|.

Esse resultado é de simples verificação. Considere os múltiplos inteiros


de |d|, isto é,
· · · , −3|d|, −2|d|, −|d|, 0, |d|, · · · .

O inteiro a está certamente compreendido entre dois múltiplos consecutivos


de |d|, digamos
t|d| ≤ a < (t + 1)|d|.

Assim,
0 ≤ a − t|d| < |d|.

Seja r = a − t|d| = a − qd, onde q = t, se d > 0 e q = −t, se d < 0. Logo,


a = dq + r com 0 ≤ r < |d|.
A unicidade é claro pela construção de q e r.
Fonte: o autor (2016).

67
82

LEITURA COMPLEMENTAR
A constante de Kaprekar
Dattathreya Ramachandra Kaprekar
(1905 – 1986) foi um professor de
matemática indiano que descobriu várias
propriedades dos números inteiros. Ele
mostrou em 1949 que a constante 6174,
que leva o seu nome, é sempre obtida
após um processo que vamos descrever
aqui.
Primeiro, tome qualquer número de 4 dı́gitos, com ao menos 2 dı́gitos
diferentes (zeros complementares iniciais são permitidos).
No segundo passo, arrange os dı́gitos desse número em ordem crescente
e depois em ordem decrescente, de modo a obter dois números de quatro
dı́gitos, adicionando zeros iniciais se necessário.
Subtraia o menor número do maior. Repita o passo 2 até obter a cons-
tante 6174.
O processo acima, conhecido como rotina de Kaprekar, sempre resultará
em um mesmo número fixo, 6174, em no máximo oito execuções do processo
acima.
Assim que 6174 for alcançado, o processo continua resultando no valor
6174, pois, 7641 − 1467 = 6174.
Por exemplo, escolha 3524:

5432 − 2345 = 3087


8730 − 0378 = 8352
8532 − 2358 = 6174.

68
83

Os únicos números de quatro dı́gitos para os quais a rotina de Kaprekar


não leva a 6174 são dı́gitos repetidos tais que 1111, 2222, etc, que levam ao
resultado 0, após uma simples iteração. Todos os outros números de quatro
dı́gitos levam a 6174 se zeros complementares iniciais forem usados para
manter os números com quatro dı́gitos.
Vejamos um exemplo N = 1211:

2111 − 1112 = 0999


9990 − 0999 = 8991 (em vez de 999 − 999 = 0)
9981 − 1899 = 8082
8820 − 0288 = 8532
8532 − 2358 = 6174.

Vejamos mais um exemplo N = 9831:

9831 − 1389 = 8442


8442 − 2448 = 5994
9954 − 4599 = 5355
5553 − 3555 = 1998
9981 − 1899 = 8082
8820 − 0288 = 8532 (em vez de 882 − 288 = 594)
8532 − 2358 = 6174.

Note que em cada iteração da rotina de Kaprekar, os dois números partic-


ipando da subtração têm a mesma soma de seus dı́gitos e, assim, o mesmo
resto módulo 9. Assim, o resultado de cada iteração da rotina de Kaprekar
é um múltiplo de 9.

69
84

Como seria a constante de Kaprekar para números com 3 dı́gitos? O


inteiro 495 é a constante equivalente para números de três dı́gitos. Para
números com cinco dı́gitos ou mais, não há uma só constante equivalente;
para cada número de dı́gitos a rotina pode terminar em um ou diversos
valores fixos ou pode entrar um de vários loops.
Fonte: o autor (2016).

70
MATERIAL COMPLEMENTAR

MATERIAL COMPLEMENTAR
MENTAR
Livro
Elementos de Álgebra
L. H. Jacy Monteiro
Editora: LTC
Para uma exposição alternativa desse assunto você pode consult
consultar este livro.
sunto você pode consultar este livro.

71

Material Complementar
86
REFERÊNCIAS
Referências

[1] DEAN, R. Elementos de Álgebra Abstrata. Rio de Janeiro: LTC,


1974.

[2] MONTEIRO, L. H. J. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: LTC,


1975.

[3] KAPREKAR, D. R. On Kaprekar numbers., J. Rec. Math., 13, 81-82


1980-1981.

72
87
REFERÊNCIAS
GABARITO
GABARITO
1. R = A × A é relaçao de equivalência.

Para verificarmos que R = A × A é uma relação de equivalência,


devemos verificar que R é reflexiva, simétrica e transitiva.

Em R = A × A, para cada a ∈ A temos (a, a) ∈ R e assim, R é


reflexiva.

Se (a, b) ∈ A × A = R, então, (b, a) ∈ A × A e, portanto, (b, a) ∈ R o


que mostra que R é simétrica.

Do mesmo modo, dados (a, b) ∈ A × A e (b, c) ∈ A × A, temos que


(a, c) ∈ A × A e, portanto, (a, c) ∈ R.

Logo, R é uma relação de equivalência.

2. Sejam R e S relações de equivalência sobre A. Então, ambas são


reflexivas, simétricas e transitivas. Seja T = R ∩ S, vamos provar que
T também é reflexiva, simétrica e transitiva.

Tomemos a ∈ A, como (a, a) ∈ R e (a, a) ∈ S, então, (a, a) ∈ T .


Segue que T é reflexiva.

Seja (a, b) ∈ T . Logo, (a, b) ∈ R e (a, b) ∈ S, e como ambas são


simétricas segue que (b, a) ∈ R e (b, a) ∈ S. Assim, (b, a) ∈ T e,
portanto, T é simétrica.

Sejam (a, b) ∈ T e (b, c) ∈ T . Como R e S são transitivas, temos


que (a, c) ∈ R e (a, c) ∈ S. Segue que (a, c) ∈ T e, portanto, T é
transitiva.

3. A união de duas relações de equivalência não é em geral uma relação


de equivalência. De fato, sejam R = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (1, 2), (2, 1)}

73
GABARITO

e S = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (1, 3), (3, 1)} relações de equivalência so-
bre A = {1, 2, 3}. Então, ambas são reflexivas, simétricas e transiti-
vas. Seja T = R ∪ S = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (1, 3), (3, 1), (1, 2), (2, 1)}.
Note que (3, 1) e (1, 2) pertencem a T , mas (3, 2) não pertence a T .
= {(1,
e S Isso 1), (2,
prova que2),
T (3, 3),é(1,
não 3), (3, 1)}e, relações
transitiva portanto,denão
equivalência so- de
é uma relação
bre A = {1, 2, 3}. Então, ambas são reflexivas, simétricas e transiti-
equivalência.
vas. Seja T = R ∪ S = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (1, 3), (3, 1), (1, 2), (2, 1)}.
4.NoteSeque
R é(3,a 1)
relação
e (1, 2) de A = {1, a2, T3,,4}
< pertencem em(3,
mas B 2) {1, 3,pertence
= não 5}, a T.
(i) então R como conjunto de pares ordenados é:
Isso prova que T não é transitiva e, portanto, não é uma relação de
equivalência.
R = {(1, 3), (1, 5), (2, 3), (2, 5), (3, 5), (4, 5)} .

4. Se R é a relação < de A = {1, 2, 3, 4} em B = {1, 3, 5},


(ii) ARrepresentação
(i) então como conjunto de de
R pares
no diagrama de A
ordenados é: × B é:

Figura
R = {(1, 3), (1, 5), 10: R (2,
(2, 3), em5), × B.
A (3, 5), (4, 5)} .
5
(ii) A representação de R no diagrama de A × B é:

Figura 10: R em A × B.
3

1
Fonte: o autor (2016).

1 2 3 4

(iii) O domı́nio de R e a imagem de R são dom(R) = {1, 2, 3, 4} e


im(R) = {3, 5}. Fonte: o autor (2016).

74
(iii) O domı́nio de R e a imagem de R são dom(R) = {1, 2, 3, 4} e
im(R) = {3, 5}.

74
89
GABARITO

(iv) Podemos determinar graficamente R ◦ R−1 utilizando o diagrama,


a seguir: os seus elementos são todos aqueles pares de elementos (a, c)
que se ligam passando por algum elemento b intermediário.

Figura 11: Composta R ◦ R−1


(iv) Podemos determinar graficamente R ◦ R−1 utilizando o diagrama,
B R-1 A R B
a seguir: os seus elementos
a>b são todos aqueles pares
a<b de elementos (a, c)
1
que 1se ligam passando por algum elemento b intermediário.
1
3 2
Figura 11: Composta R ◦ R−1 3
3 (2016).
Fonte: o autor
5 5
4
RoR-1
Assim, temos que:

R−1 = {(3,
R ◦ Fonte: 3), (3,
o autor 5), (5, 3), (5, 5)}.
(2016).

Ou utilizando a definição de composta apresentada na definição 2.


Assim, temos que:
R ◦ R−1 = {(a, c) ∈ B × A, ∃b ∈ A; aR−1 b e bRc};
−1
R ◦=R{(a,=c){(3,
∈ B3),
× (3, 5), ∈
A, ∃b (5,A;
3),a (5,
> b5)}.
e b < c};
= {(3, 3), (3, 5), (5, 3), (5, 5)}.
Ou utilizando a definição de composta apresentada na definição 2.

5. A relação R não pode ser reflexiva, pois (2, 2) e (3, 3) não pertencem
R ◦ R−1 = {(a, c) ∈ B × A, ∃b ∈ A; aR−1 b e bRc};
a R. A relação R é simétrica, pois (2, 3) e (3, 2) pertencem a R. A
= {(a, c) ∈ B × A, ∃b ∈ A; a > b e b < c};
relação R não é transitiva, pois (2, 3) e (3, 2) pertencem a R, mas
= {(3, 3), (3,
(2, 2)e (3, 3) não pertencem 5), (5, 3), (5, 5)}.
a R.

5. A relação R não pode ser reflexiva, pois (2, 2) e (3, 3) não pertencem
a R. A relação R é simétrica, pois (2, 3) e (3, 2) pertencem a R. A
75
relação R não é transitiva, pois (2, 3) e (3, 2) pertencem a R, mas
(2, 2)e (3, 3) não pertencem a R.

75
GABARITO

6. Considere a relação ≃ em N × N∗ definida por:

(a, b) ≃ (c, d) se, e somente se, ad = bc.

Note que dado um elemento (a, b) de N × N∗ temos que (a, b)R(a, b),
pois ab = ba.

Tomemos agora (a, b)R(c, d). Para mostrar que R é simétrica devemos
provar (c, d)R(a, b). De fato, como (a, b)R(c, d) então, ad = bc. Como
cb = da, então, (c, d)R(a, b).

Para provarmos que R é transitiva, tomemos (a, b)R(c, d) e


(c, d)R(e, f ). Vamos provar que (a, b)R(e, f ). De fato, como
(a, b)R(c, d) temos ad = bc e como (c, d)R(e, f ) temos cf = de. Mul-
tiplicando ad = bc por f , obtemos adf = bcf e multiplicando cf = de
por b, obtemos bcf = bde. Logo, temos que adf = bde. Como d �= 0
(N∗ = {1, 2, 3, . . .}) segue que af = be e assim, (a, b)R(e, f ). Como
R é reflexiva, simétrica e transitiva, segue que R é uma relação de
equivalência.

7. (i) f = {(2, 3), (1, 4), (2, 1), (3, 2), (4, 4)} não é função, pois 2 está rela-
cionado a mais de um elemento, está relacinado aos elementos 3 e 1.
(ii) g = {(3, 1), (4, 2), (1, 1)} não é função, pois o elemento 2 do
domı́nio X não está relacionado a elemento algum do contradomı́nio
X. (iii) h é função.

8. Consideremos π1 : X × Y → X. Por definição π(x, y) = x. Para


provar que π é sobrejetora, devemos provar que dado x ∈ X qualquer,
existe y ∈ Y tal que π(x, y) = x. Assim, dado x ∈ X tomemos y ∈ Y
qualquer elemento. Segue π(x, y) = x, logo, π é sobrejetora.

76
91
GABARITO

De modo análogo, mostra-se que a projeção definida por π(x, y) = y


é sobrejtora.

9. Para mostrar que a função f : R → R dada por f (x) = 3x − 1 é


invertı́vel devemos provar que f é injetora e sobrejetora.

De fato, usando a definição de função injetora, se f (x) = f (x′ ), então


3x − 1 = 3x′ − 1. Segue que 3x = 3x′ e, portanto, x = x′ . Isso mostra
que f é injetora.

Para provar que f é sobrejetora, tomemos y ∈ R um elemento qual-


quer. Devemos provar que existe x ∈ R tal que f (x) = y. Tomemos
y+1
x= ∈ R. Segue que:
3
 
y+1
f (x) = 3 − 1 = (y + 1) − 1 = y.
3

Isso mostra que f é sobrejetora.

Como f é injetora e sobrejetora, f tem inversa f −1 . Para obter a


expressão de f −1 suponha que f (x) = y. Assim, 3x − 1 = y e isolando
y+1 y+1
x temos que x = . Logo, f −1 (y) = .
3 3

10. Devemos provar que função natural η : X → X/R definida por η(x) =
[x], onde [x] é a classe de equivalência de x, é sobrejetora. De fato,
dado a classe [x] ∈ X/R sabemos que pelo menos x ∈ [x]. Logo,
η(x) = [x]. Assim, η é sobrejetora.

77
Professor Dr. Doherty Andrade

III
UNIDADE
GRUPOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Definir grupos e subgrupos, apresentar exemplos e demonstrar suas
primeiras propriedades.
■■ Introduzir homomorfismos e isomorfismos de grupos.
■■ Definir grupos cíclicos.
■■ Enunciar e demonstrar o teorema de Lagrange.
■■ Definir subgrupos normais e grupo quociente.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Operações binárias
■■ Grupos e subgrupos: conceitos e propriedades
■■ Grupos especiais
■■ Homomorfismos de grupos
■■ Teorema de Lagrange
■■ Subgrupos normais e grupo quociente
95

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), em muitas áreas da matemática é comum apresentar
a teoria por meio do método axiomático. Esse método consiste em apresentar
os conceitos primitivos (termos amplamente aceitos) e axiomas (afirmações
aceitas como verdadeiras), e a partir disso deduzir as propriedades. Esse
método de apresentação não é novo. A Geometria Euclidiana foi o primeiro
ramo da Matemática que teve sua teoria construı́da dessa forma axiomática.
Os matemáticos usam esse método para prevenir contradições dentro da
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

teoria e facilitar na dedução de resultados tais como proposições, teoremas e


corolários.
A primeira tentativa de axiomatização na Álgebra foi feita pelo inglês
Benjamin Peacok (1791-1858), em 1830, mas não se mostrou consistente.
Nesta época poucos matemáticos se dedicavam a tentativa de axiomatizar
operações em conjuntos de forma geral, pois o objetivo principal era obter a
axiomatização dos conjuntos numéricos. O conjunto dos números complexos
foi o primeiro a ter sua construção descrita pelo método axiomático. Isso
ocorreu em 1833, com trabalhos de William R. Hamilton (1805-1865). O
último foi o conjunto dos números naturais em 1899, graças aos estudos de
Giuseppe Peano (1858-1932).
O pensamento matemático é minimalista e procura sempre fazer muito
utilizando pouco. Por isso, o raciocı́nio que norteia o método axiomático é:
quais as propriedades mı́nimas (necessárias e suficientes) que as operações
de um conjunto G devem satisfazer para que possamos fazer contas em G do
mesmo modo com que operamos em Z?
Isso possibilitou generalizações, pois as respostas para a pergunta acima
levou aos axiomas de grupo e de anel. E, portanto, todo conjunto que é
grupo tem as mesmas propriedades de qualquer grupo. Do mesmo modo, o

80

Introdução
conjunto que é anel tem as mesmas propriedades de qualquer anel. Assim,
deixa-se de estudar um determinado conjunto baseado apenas na natureza
de seus elementos e se passa a estudá-lo com base nas propriedades de suas
operações.
Nesta unidade, estudaremos os primeiros resultados da teoria de grupos.
Destacaremos exemplos especiais de grupos, tais como grupo de rotações de
polı́gono regular, grupo de simetrias de polı́gono regular e grupo das per-
mutações. A importância dos grupos de rotações e de simetrias está no seu
significado geométrico, e a do grupo das permutações está no fato de que
todo grupo pode ser identificado a subgrupo de um grupo de permutações.
Faremos a caracterização dos subgrupos do grupo (Z, +) e abordaremos sub-
grupos gerados por elementos. Isso leva a noção de grupo cı́clico. Definiremos
também ordem de grupo, ordem de elemento de um grupo e veremos algumas
de suas propriedades como o teorema de Lagrange.

OPERAÇÕES
OPERAÇÕES BINÁRIAS
BINÁRIAS
Uma operação binária sobre conjuntos combina os elementos de dois con-
juntos dados para produzir um elemento do terceiro conjunto. Trataremos
aqui apenas de operações binárias porque elas serão úteis na compreensão da
teoria de grupos e anéis.

Definição 1: Uma operação binária definida em E × F e assumindo valores


em G é qualquer aplicação (função), aqui denotada por: ∗,

∗ : E × F → G.

O resultado da operação ∗ no par (a, b) é dado por ∗(a, b), mas para
simplificar a notação escreveremos ∗(a, b) = a ∗ b.

81
97

Quando E = F = G, a operação ∗ é dita uma operação sobre E, ou uma


lei de composição interna sobre E.

Definição 2: Uma lei de composição externa sobre um conjunto E é qual-


quer aplicação (função):
 : K × E → E,

os elementos de K são chamados escalares.


O resultado da operação  no par (a, b) é dado por (a, b), novamente
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

para simplificar a notação escreveremos (a, b) = ab.

Vejamos alguns exemplos de operações.

• Exemplo 1 :

(a) A operação multiplicação usual em R. Associa a cada par (a, b) de reais


um único número real a.b. É portanto, uma lei de composição interna
sobre o conjunto dos números reais.

(b) A operação de adição de números naturais também é uma lei de com-


posição interna sobre N.

(c) Seja A um conjunto não vazio e E = {f ; f : A → A é função}. Vamos


definir uma operação sobre E, a composição usual de funções:

∗ : E × E → E,

dada por ∗(f, g) = f ◦ g.

Definição 3: Dizemos que a operação  em E é comutativa se, e somente


se,
xy = yx,

82

Operações Binárias
98 UNIDADE III

para quaisquer x e y elementos de E.


Dizemos que a operação é associativa se, e somente se,

x(yz) = (xy)z, ∀x, ∀y, ∀z ∈ E.

Definição 4: Seja  uma operação sobre E. Dizemos que e ∈ E é um


elemento neutro para  se satisfaz:

xe = ex = x, ∀x ∈ E.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• Exemplo 2 :

(a) Consideremos o conjunto dos números inteiros munido com a operação


usual de adição. Note que zero é um inteiro e satisfaz:

a + 0 = 0 + a = a, ∀a ∈ Z.

Assim, o zero é o elemento neutro para a adição no conjunto dos inteiros.


Sabemos que essa operação é comutativa e associativa.

(b) Consideremos o conjunto dos números reais (R) munido com a operação
usual de multiplicação. Note que o número 1 é um real que satisfaz:

a · 1 = 1 · a = a, ∀a ∈ R.

Assim, 1 é o elemento neutro para a multiplicação no conjunto dos reais.


Da nossa experiência com os números reais sabemos que essa operação é
comutativa e associativa.

(c) Seja A um conjunto não vazio e E = {f ; f : A → A é função }. Sobre E,


vamos considerar a operação de composição usual de funções. A operação

83

GRUPOS
99

composição de funções é associativa, e não é comutativa.

O elemento neutro é a função identidade. De fato, se f ∈ E e Id : A → A


é a função identidade, então, temos,

(f ◦ Id)(x) = f (Id(x)) = f (x) = Id(f (x) = (Id ◦ f )(x), ∀x ∈ A.

Logo, temos que:

(f ◦ Id) = (Id ◦ f ) = f, ∀f ∈ E.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(d) A união e a intersecção de conjuntos são operações associativas e comu-


tativas.

Veremos as primeiras propriedades das operações binárias sobre um con-


junto.

Teorema 1: Se a operação ∗ sobre E tem um elemento neutro, então, ele é


único.

Demonstração: Suponha que e e e′ são elementos neutros para a operação


∗. A ideia da demonstração é usar o fato de e e e′ serem elementos neutros.
Então, temos que:
e = e ∗ e′ = e′ ∗ e = e′ .

Segue que e = e′ . Note que na primeira e na segunda igualdade usamos o


fato de e′ ser um elemento neutro. Na terceira igualdade, usamos o fato de
e ser um elemento neutro. 

Definição 5: Seja E um conjunto,  uma operação sobre E e seja e o seu


elemento neutro. Dizemos que a ∈ E é simetrizável (possui um simétrico)

84

Operações Binárias
100 UNIDADE III

para a operação  se existe a′ ∈ E tal que:

aa′ = a′ a = e.

Neste caso, dizemos que a′ , também denotado por a−1 , é o simétrico de a.

Atenção para a notação x−1 , que representa o elemento simétrico de


x, parece o inverso de números reais, mas não é! A forma do simétrico
vai depender da operação. Por exemplo, no caso de composição de funções

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
bijetoras, o simétrico de uma dada função é a sua inversa. Isso ficará mais
claro nos exemplos.
Vejamos alguns exemplos.

• Exemplo 3 :

(a) Para a adição usual de números inteiros, sabemos que o elemento neutro
é 0 e todo x possui um simétrico dado por −x; para a operação de multi-
plicação em Z o elemento neutro é 1 e os únicos elementos simetrizáveis
são os inteiros 1 e −1, sendo seus simétricos os inteiros 1 e −1, respecti-
vamente.

(b) O conjunto dos números racionais com a operação de multiplicação usual


a
tem o número 1 como elemento neutro. Todo número racional �= 0
b
possui um simétrico em relação a essa operação de multiplicação dado
b
por .
a
(c) Nem toda matriz é simetrizável em relação
 a multiplicação usual
  de ma-
1 2 1 23
trizes. De fato, enquanto a matriz possui inversa , a
0 −3 0 − 13
 
12
matriz não é invertı́vel.
24

85

GRUPOS
101

(d) O simétrico de uma função f : X → X em relação a operação de com-


posição é a sua função inversa f −1 , se existir. Note que nem toda função
é simetrizável.

Teorema 2: Seja E um conjunto com uma operação  associativa sobre E


e e ∈ E o elemento neutro. Se a ∈ E é simetrizável, então, seu simétrico é
único.

Demonstração: Suponha que x ∈ E tenha simétricos x′ e x′′ . A demon-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

stração é muito simples, acompanhe os passos:

x′ = e ∗ x′ = (x′′ ∗ x) ∗ x′ = x′′ ∗ (x ∗ x′ ) = x′′ ∗ e = x′′ .

Logo, x′ = x′′ . 

Definição 6: Sejam ∗ e  duas operações binárias sobre E. Dizemos que ∗


é distributiva à esquerda em relação a operação  se:

x ∗ (yz) = (x ∗ y)(x ∗ z), ∀x, y, z ∈ E.

Do mesmo modo, dizemos que ∗ é distributiva a direita em relação a


operação  se:

(yz) ∗ x = (y ∗ x)(z ∗ x), ∀x, y, z ∈ E.

Dizemos simplesmente que ∗ é distributiva em relação a operação  se


valem a distributiva a direita e a distributiva esquerda ao mesmo tempo.

• Exemplo 4 :

86

Operações Binárias
102 UNIDADE III

(a) A multiplicação e a adição usuais no conjunto dos números inteiros,


no conjunto dos números racionais e no conjunto do números reais, se
distribuem.

(b) A união e intersecção de conjuntos se distribuem.

GRUPOS
GRUPOS E SUBGRUPOS: CONCEITOS
E SUBGRUPOS: E
CONCEITOS E
PROPRIEDADES

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PROPRIEDADES
A álgebra dos grupos, que passaremos a abordar agora, é a mais impor-
tante e elementar classe de álgebra abstrata. Foi primeiramente estudados
por Évariste Galois (1811-1832) e por Augustin-Louis Cauchy (1789-1857).

Definição 7: Um grupo G é um conjunto não vazio munido de uma operação


interna ∗ que, a cada par de elementos x, y de G associa um elemento de G,
denotado por x ∗ y, e que satisfaz:
G1-Para todos x, y, z ∈ G vale a associatividade:

(x ∗ y) ∗ z = x ∗ (y ∗ z).

G2-Existe um elemento e ∈ G, chamado elemento neutro, tal que:

x ∗ e = e ∗ x = x, ∀x ∈ G.

G3-Se x ∈ G, então existe um elemento denotado por x−1 ∈ G, chamado


elemento simétrico, tal que:

x ∗ x−1 = x−1 ∗ x = e.

87

GRUPOS
103

Se G é um grupo com a operação ∗, representamos isto por (G, ∗).


Se, além disso, a operação do grupo G satisfaz:
G4-Para todos x, y ∈ G vale a comutatividade:

x ∗ y = y ∗ x,

diremos que (G, ∗) é um grupo abeliano1 ou comutativo.

Resumo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Axiomas de grupo
G1 Associatividade (x ∗ y) ∗ z = x ∗ (y ∗ z)
G2 Existência de elemento neutro e ∈ G
G3 Existência do elemento simétrico
G4 -abeliano Comutatividade x ∗ y = y ∗ x

• Exemplo 5 :

(a) O conjunto dos números inteiros Z munido da operação usual de adição


é grupo abeliano. De fato, vamos verificar que Z munido da adição usual
satisfaz às quatro condições de grupo abeliano. Sabemos que a adição
é associativa (G1), que existe em Z o elemento neutro, que é o zero,
0 ∈ Z (G2), e que para cada inteiro n ∈ Z existe −n ∈ Z tal que
n + (−n) = (−n) + n = 0, (G3). Logo, (Z, +) é um grupo.

Além disso, como sabemos que a adição usual de Z é comutativa, então


o grupo (Z, +) é um grupo abeliano.

(b) Seja Mm×n o conjunto da matrizes reais de ordem m × n com a operação


usual de adição de matrizes. Então (Mm×n , +) é grupo abeliano. De
1
Em homenagem a Niels Henrik Abel (1802-1829), matemático norueguês, pioneiro no
estudo de grupos.

88

Grupos e Subgrupos: Conceitos e Propriedades


104 UNIDADE III

fato, a adição usual de matrizes é associativa (G1), tem como elemento


neutro a matriz nula (G2) e cada matriz M dada temos que −M é o seu
simétrico. Além disso, a adição de matrizes é comutativa.

(c) Seja A um conjunto não vazio e F = {f ; f : A → A é bijeção} munido


da composição de funções é um grupo não abeliano. Das propriedades
de composição de funções, sabemos que a composição é associativa.

O elemento neutro de F é a bijeção identidade, pois se f : A → A é


bijeção e Id : A → A onde Id(x) = x, ∀x ∈ A, então, temos que:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(f ◦ Id)(x) = f (Id(x)) = f (x) = (Id ◦ f )(x) = Id(f (x)) = f (x), ∀x ∈ A.

Segue que f ◦ Id = Id ◦ f = f, ∀f ∈ F . Logo, Id é o elemento neutro de


F.

Se f : A → A é uma bijeção, portanto um elemento de F , afirmamos


que a sua inversa f −1 : A → A, que também é uma bijeção, é o elemento
simétrico de f . De fato,

(f ◦ f −1 )(x) = f (f −1 (x)) = x = Id(x), ∀x ∈ A,

e que:
(f −1 ◦ f )(x) = f −1 (f (x)) = x = Id(x), ∀x ∈ A.

Logo, temos que:

(f ◦ f −1 ) = (f −1 ◦ f ) = Id, ∀f ∈ F.

Segue que F munido da composição usual de funções é um grupo. Como


a composição de funções não é comutativa, esse grupo não pode ser
comutativo.

89

GRUPOS
105

(d) O conjunto GLn (R), das matrizes reais de ordem n com determinante
não nulo, munido da multiplicação usual de matrizes é um grupo, este
grupo é chamado de grupo linear geral.

(e) O subconjunto SLn (R) do grupo GLn (R) formado pelas matrizes reais
de ordem n com determinante igual a 1, munido da multiplicação usual
de matrizes é um grupo, este grupo é chamado de grupo linear especial.

(f) Produto direto: Dados os grupos G e G′ , podemos construir a partir


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

deles outro grupo. Uma maneira de construir novos grupos a partir de


grupos já conhecidos, é usando o produto direto (também chamado de
externo).

Sejam (G, ⋆) e (G′ , ◦) dois grupos. O conjunto de todos os pares ordena-


dos G × G′ munido da operação,

(a, a′ )(b, b′ ) = (a ⋆ b, a′ ◦ b′ )

é um grupo, denominado produto direto de G e G′ . Este grupo é também


chamado produto externo.

Ouros exemplos clássicos e importantes para a teoria serão apresentados


mais adiante na seção §III

Primeiras propriedades de grupos


Já vimos no Teorema 1 que o elemento neutro quando existe é único.
Portanto, um grupo possui apenas um elemento neutro. Também já vimos
no Teorema 2 que em operação associativa, o simétrico de um elemento é
único. Logo, em um grupo o simétrico de cada elemento é único. Vamos
resumir essas duas observações em um resultado.

90

Grupos e Subgrupos: Conceitos e Propriedades


106 UNIDADE III

Lema 1: Seja (G, ∗) um grupo. Então, em G existe apenas um elemento


neutro e e cada elemento x ∈ G tem apenas um simétrico.

Lema 2: Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro e. Se x ∈ G é tal que


x ∗ x = x, então, x = e.

Demonstração: De fato,

e = x ∗ x−1 = (x ∗ x) ∗ x−1 = x ∗ (x ∗ x−1 ) = x,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
onde na segunda igualdade usamos a hipótese e na terceira igualdade usamos
a associatividade. 

Teorema 3: Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro e. Dados a, b ∈ G


existe um único elemento d ∈ G tal que d ∗ a = b e um único c ∈ G tal que
a ∗ c = b. Em outras palavras, as equações a ∗ x = b e x ∗ a = b têm soluções
únicas.

Demonstração: Devemos provar que existe solução e que ela é única.


Primeiro provaremos a existência de solução. De a ∗ x = b aplicamos a−1
à esquerda em ambos os lados da igualdade e obtemos a−1 ∗ (a ∗ x) = a−1 ∗ b
e associando temos (a−1 ∗ a) ∗ x = a−1 ∗ b. Usando que (a−1 ∗ a) = e temos
que x = a−1 ∗ b. Isto prova a existência de solução. Para provar a unicidade,
suponha que x′ ∈ G seja também solução, então, a ∗ x′ = b e assim podemos
escrever x′ = e ∗ x′ = (a−1 ∗ a) ∗ x′ = a−1 ∗ (a ∗ x′ ) = a−1 ∗ b = x. Isto é,
qualquer outra solução coincide com x = a−1 ∗ b.
No outro caso a prova é análoga ao anterior. 

Teorema 4 (Lei do cancelamento): Seja (G, ∗) um grupo com elemento


neutro e. Se a ∗ b = a ∗ c ou b ∗ a = c ∗ a então, b = c.

91

GRUPOS
107

Demonstração: De fato, aplicando a−1 à esquerda de ambos os lados da


igualdade a ∗ b = a ∗ c, temos,

a−1 ∗ (a ∗ b) = a−1 ∗ (a ∗ c).

Agora, usando a associatividade de ∗, obtemos,

(a−1 ∗ a) ∗ b = (a−1 ∗ a) ∗ c.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

De onde segue que b = c.


A segunda afirmação é demonstrada de modo análogo. Aplicando a−1 à
direita de ambos os lados da igualdade b ∗ a = c ∗ a, temos:

(b ∗ a) ∗ a−1 = (c ∗ a) ∗ a−1 .

Agora, usando a associatividade de ∗, obtemos,

b ∗ (a ∗ a−1 ) = c ∗ (a ∗ a−1 ).

De onde segue que b = c. 

Teorema 5 (cálculo dos simétricos) : Seja (G, ∗) um grupo com ele-


mento neutro e. Se a, b ∈ G então, (a ∗ b)−1 = b−1 ∗ a−1 , onde a−1 , b−1
representam os simétricos de a e de b.

Demonstração: Por definição e = (a ∗ b) ∗ (a ∗ b)−1 e por outro lado


e = (a ∗ b) ∗ (b−1 ∗ a−1 ) = a ∗ (b ∗ b−1 ) ∗ a−1 = a ∗ a−1 . Como o simétrico é
único segue que (a ∗ b)−1 = b−1 ∗ a−1 . 

Observação 1 (Notação) : É comum tomar emprestado dos inteiros a


notação multiplicativa e usá-la para grupos. Assim, no grupo (G, ∗), xn =

92

Grupos e Subgrupos: Conceitos e Propriedades


108 UNIDADE III

−n −1 n
 ∗ x ∗· · · ∗ x, para todo n ∈ N, e x = (x ) . Valendo, então, as leis
x
n
familiares ∗de
x x ∗ · · · ∗ x, para todo n ∈ N, e x−n = (x−1 )n . Valendo, então, as leis
expoentes.
−n
x ∗· · · ∗ xn, que
 ∗Lembrando
x para todo n ∈ N, xe 0 x= (x−1 )en .é Valendo,
e,= onde então, as do
leis
familiares depor convenção
expoentes. o elemento neutro
n
grupo.
familiaresLembrando
de expoentes. que por convenção x0 = e, onde e é o elemento neutro do
grupo. que por convenção x0 = e, onde e é o elemento neutro do
Lembrando
grupo.
#REFLITA#
Em geral vale:
#REFLITA#
#REFLITA# (a1 ∗ a2 ∗ · · · an )−1 = a−1
Em geral vale:
−1 −1
n · · · a2 ∗ a1 .

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Em geral vale:
#REFLITA# (a1 ∗ a2 ∗ · · · an )−1 = a−1 −1 −1
n · · · a 2 ∗ a1 .
(a1 ∗ a2 ∗ · · · an )−1 = a−1 −1
n · · · a∗ ∗ a−1 .
Um conjunto
#REFLITA#M não vazio com uma operação 2 que 1satisfaz apenas G1 e
G2#REFLITA#
é chamado
Um monóide.
conjunto MSe não
o conjunto
vazio comM satisfaz apenas∗G1,
uma operação queésatisfaz
chamado de G1 e
apenas
semigrupo.
UmG2conjunto M não
é chamado vazio com
monóide. Se ouma operação
conjunto ∗ que satisfaz
M satisfaz apenas apenas G1 e
G1, é chamado de
G2 é chamado monóide. Se o conjunto M satisfaz apenas G1, é chamado de
semigrupo.
Teorema 6: Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro eG . Se todo ele-
semigrupo.
∈ G satisfaz
mento xTeorema x2 = (G,
6: Seja eG , ∗)
então, G é necessariamente
um grupo abeliano.
com elemento neutro eG . Se todo ele-
Teorema 6: xSeja
mento ∈ G (G, ∗) um
satisfaz x2 grupo
= e , com elemento
então, neutro eG . Seabeliano.
G−1é necessariamente todo ele-
Demonstração: De fato, se x2 = eG G , então, x = x. Assim, dados a, b ∈ G
2
mento x ∈ G satisfaz x = eG , então, G é necessariamente abeliano.
temos que (a ∗ b)2 = eG eDe
Demonstração: fato,(ase∗ xb)2 =
assim = e(a ∗ b)−1 = −1
G , então, x
b−1=∗ x.
a−1Assim,
= b ∗ dados
a. Issoa, b ∈ G
conclui a demonstração
Demonstração:
temos do=teorema.
que (aDe∗ b)
fato,
2 2
seeGx e = eG , então,
assim −1
(a ∗ b)x= (a −1
= ∗x.b)Assim, −1
= b dados −1
∗ a a,=b ∈b∗Ga. Isso
que (a ∗a b)
temos conclui 2
= eG e assim
demonstração do (a ∗ b) = (a ∗ b)−1 = b−1 ∗ a−1 = b ∗ a. Isso
teorema. 
Definição 8: Um subconjunto não vazio S de um grupo (G, ∗) é chamado
conclui a demonstração do teorema. 
subgrupoDefinição
de G se : 8: Um subconjunto não vazio S de um grupo (G, ∗) é chamado
1) Ssubgrupo
é fechado
Definição desob
8: Um a operação
Gsubconjunto
se : ∗. Isto
não vazioé,Spara todogrupo
de um a e b(G,
elementos de S
∗) é chamado
tem-se
subgrupo a ∗G
que de
1) ∈ fechado
Sb ése S.
: sob a operação ∗. Isto é, para todo a e b elementos de S
S ∗)
2)1)(S, é grupo.
é fechado
tem-se que a sob operação ∗. Isto é, para todo a e b elementos de S
∗ b ∈a S.
∗ b∗)
tem-se que2)a(S, ∈ S.
é grupo.
É claro que se (G, ∗) é um grupo, então, S = {e} e S = G são subgrupos
2) (S, ∗) é grupo.
de G. Por Éserem
clarosubgrupos
que se (G,óbvios,
∗) é umeles são chamados
grupo, então, S =de{e}
subgrupos
e S = G triviais
são subgrupos
de G.É claro
de G.que (G, ∗)subgrupos
Porseserem é um grupo, então,
óbvios, S=
eles são{e} e S = Gde
chamados sãosubgrupos
subgrupostriviais
de G. de
PorG.serem subgrupos óbvios, eles são chamados de subgrupos triviais
93
de G.
93
93

GRUPOS
109

O seguinte lema dá condições necessárias e suficientes para que um sub-


conjunto seja subgrupo.

Lema 3: Um subconjunto não vazio S de um grupo (G, ∗) é um subgrupo se,


e somente se, são válidas as duas seguintes condições:
a) para todo a e b elementos de S tem-se que a ∗ b ∈ S.
b) para todo a elemento de S tem-se que a−1 ∈ S. Aqui a−1 siginifica o
simétrico de a em G.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Demonstração: Se S é um subgrupo então a condição a) é exatamente o


fechamento. Agora, provaremos que o elemento neutro de S é o elemento
neutro de G. Seja x o elemento neutro de S, então, x ∗ x = x ∈ S. Mas já
sabemos que neste caso x = e. Como S é grupo, dado a ∈ S existe a ∈ S
tal que a ∗ a = a ∗ a = e, pela unicidade do simétrico a = a−1 . Isso conclui a
primeira parte da demonstração.
Suponha agora que as condições a) e b) sejam satisfeitas para S ⊆ G,
provaremos que S é grupo. Como a operação ∗ é associativa, S é fechado
para ∗ e todo elemento de S tem simétrico, resta provar a existência de
elemento neutro. Como S é não vazio existe algum a ∈ S. Logo, a−1 ∈ S e,
portanto, a ∗ a−1 ∈ S, isto é, e ∈ S. Segue que (S, ∗) é um grupo. 

Este resultado pode ser melhorado. Vale o seguinte:

Teorema 7: Um subconjunto não vazio S de um grupo (G, ∗) é subgrupo de


G se, e somente se,

∀a∀b[a, b ∈ S =⇒ a ∗ b−1 ∈ S].

• Exemplo 6 :

94

Grupos e Subgrupos: Conceitos e Propriedades


110 UNIDADE III

a) Seja n ∈ Z um inteiro e consideremos o conjunto nZ de todos os múltiplos


de n. nZ é um subgrupo do grupo (Z, +).

b) Consideremos o grupo (R, +) dos números reais com a operação de adição


usual e Q o subconjunto dos números racionais. Com a operação de adição
herdada do grupo (R, +) temos que Q é subgrupo de R.

c) Dado um grupo (G, ∗), o centro de G é composto pelos elementos de G que


comutam com todos os outros elementos de G. Denotamo-lo por Z(G),

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i.e.,
Z(G) = {a ∈ G; a ∗ x = x ∗ a, ∀x ∈ G}.

Z(G) é um subgrupo de G.

d) Sejam H e K subgrupos de G. Então, H ∩ K é um novo subgrupo de G.


É claro que H ∪ K não é subgrupo em geral.

Teorema 8: Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro e. Se g r = g s para


inteiros distintos r e s , então, existe um único inteiro positivo m tal que:
a) g m = e e se 0 ≤ i < j < m, então g i �= g j .
b) Se g t = e, então, m|t, isto é, m divide t.
c) {g n , n ∈ Z} = {e, g, g 2 , · · · , g m−1 }.

Demonstração: Comecemos com a). Suponha r > s e que g r = g s . Então,


segue que g r ∗ g −s = g s ∗ g −s = e e, portanto, g r−s = e. Então, existe um
inteiro positivo t = r − s tal que g t = e. Seja m o menor inteiro positivo tal
que g m = e. Se 0 ≤ i < j < m e se g i = g j , então, g j−i = e. Mas j − i < m
contraria a escolha de m. Segue que se 0 ≤ i < j < m, então, g i �= g j .
Para provar a segunda parte, suponha que g t = e. Então, por a) temos
que t = 0 ou t ≥ m. Se t = 0, então, m|t. Se t ≥ m então, pela divisão

95

GRUPOS
111

euclidiana, t = mq + r, onde 0 ≤ r < m. Logo,

e = g t = g mq+r = g mq ∗ g r = (g m )q ∗ g r = g r .

Pela escolha de r segue que r = 0 e assim m|t.


Finalmente, para provar c), consideremos g n . Como antes n = mq + r,
onde 0 ≤ r < m. Donde, g n = g r . Isto conclui a prova do teorema. 

Observação: Ao menor inteiro positivo m tal que g m = e denomi-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

namos a ordem do elemento g. A ordem de um grupo G é o número de


elementos que ele possui e representamos por |G| ou o(G). Se |G| é infinito
dizemos que o grupo é de ordem infinita.

GRUPOS ESPECIAIS
GRUPOS ESPECIAIS
Nessa seção, apresentamos exemplos dos principais exemplos de grupos.

(a) Zm – Inteiros módulo m sob a adição

No exemplo 11, estudamos a relação de equivalência chamada de con-


gruência módulo m ≥ 2. Vimos que essa relação é uma relação de
equivalência sobre o conjunto dos inteiros. Representamos o conjunto
quociente por Zm .

Por a denotamos a classe de equivalência do inteiro a, isto é,

a = {x ∈ Z; x ≡ a mod m}.

No conjunto das classes de restos das divisões por m, representado por

96

Grupos Especiais
112 UNIDADE III

Zm , podemos definir as seguintes operações:

a + b = a + b, (adição),
a · b = a · b, (multiplicação).

Afirmamos que (Zm , +) é um grupo abeliano. Antes de verificarmos os


axiomas de grupo precisamos provar que a operação + está bem definida,
isto é, ao operarmos com as classes o resultado não depende do repre-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sentante escolhido para representar a classe. Assim, devemos provar
que a + b não depende dos representantes a e b das classes a e b. Se-
jam a, a′ elementos da classe a e b, b′ elementos da classe b, segue que
(a − a′ ) = mq e (b − b′ ) = mp. Logo, (a − a′ ) + (b − b′ ) = m(q + p), isto
é, (a + b) − (a′ + b′ ) = m(q + p). Ou seja, (a + b) ≡ (a′ + b′ ) mod m e
assim a + b = a′ + b′ .

A operação multiplicação em Zm também está bem definida, pois se


a = a′ e se b = b′ , então, a ≡ a′ mod m e b ≡ b′ mod m e assim m|(a−a′ )
e m|(b − b′ ). Como:

a · b − a′ · b′ = a(b − b′ ) + b′ (a − a′ ),

então segue que m|(a · b − a′ · b′ ), isto é, (a · b) ≡ (a′ · b′ ) mod m. Usaremos


mais tarde em anéis a multiplicação aqui definida.

Apresentamos a seguir, como exemplo, a tabela de operações do grupo


(Z5 , +), onde Z5 = {0, 1, 2, 3, 4}

Note que Z5 com a multiplicação não é um grupo, será um grupo se


considerarmos apenas os elementos não nulos.

97

GRUPOS
113

Tabela III.1: Tábua de operações de (Z5 , +) e de Z5 com a multiplicação


+ 0 1 2 3 4 · 0 1 2 3 4
0 0 1 2 3 4 0 0 0 0 0 0
1 1 2 3 4 0 1 0 1 2 3 4
——–
2 2 3 4 0 1 2 0 2 4 1 3
3 3 4 0 1 2 3 0 3 1 4 2
4 4 0 1 2 3 4 0 4 3 2 1
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(b) Sn – Grupo de permutações: seja S um conjunto não vazio, e G


o conjunto de todas as aplicações bijetoras de S em si mesmo. Então,
o conjunto G munido da lei de composição de funções é um grupo. Já
provamos esse resultado, mas devido a importância desse exemplo vamos
rever.

De fato, se f : S → S e g : S → S são bijetoras, então, a composta g ◦f é


uma aplicação bijetora de S em si mesmo. Como a composição de funções
é associativa está verificado mais um axioma de grupo. O elemento neu-
tro é a aplicação identidade. Quanto a existência do elemento simétrico,
lembramos que uma bijeção admite sempre uma inversa. Provamos assim
que G é um grupo.

Como caso particular, seja S = {1, 2, · · · , n}. Uma bijeção σ : S → S


é chamada uma permutação dos inteiros de 1 a n. O grupo de todas
as permutações do conjunto S é denotado por Sn , chamado de grupo
simétrico de grau n. É fácil ver que Sn tem n! elementos. Podemos
verificar isso usando o processo de indução.

É comum representar um elemento desse grupo de modo simplificado.


Por exemplo, se a permutação apenas permuta o elemento 1 com ele-

98

Grupos Especiais
114 UNIDADE III

mento n e deixa os demais fixos, podemos representá-la como:


 
1 2 3 ... ... n
π= .
n 2 3 ... ... 1

A permutação que deixa todos os elementos fixos, a permutação identi-


dade, é representada por:
 
1 2 3 ... ... n
π= .
1 2 3 ... ... n

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Essa representação simplifica muito o trabalho com permutações.

Por exemplo, para n = 6, considere as permutações:


   
123456 123456
π= τ=
432156 312465

Vamos fazer a composta π ◦τ ou com notação simplificada, o produto πτ .


Fazemos isso colocando as duas representações lado a lado e realizando
a composta:

     
123456 123456 123456
πτ = π ◦ τ = ◦ = .
432156 312465 243165

Lema 4: Se  
1 2 3 ... ... n
p=
j1 j2 j3 . . . . . . jn
é uma permutação, então,
 
−1 j1 j2 j3 . . . . . . jn
p = .
1 2 3 ... ... n

99

GRUPOS
115

Demonstração: Para provar isso basta realizar a composta. 

Uma permutação p no conjunto In = {1, 2, 3, · · · , n} é chamado um


ciclo de comprimento r, 1 < r ≤ n, se para algum subconjunto
{i1 , i2 , i3 , · · · , ir } de In tem-se p(i1 ) = i2 , p(i2 ) = i3 , . . . , p(ir ) = i1 e
para j ∈ In − {i1 , i2 , i3 , · · · , ir } tem-se p(j) = j.

Para indicar um ciclo p que permuta os inteiros i1 , i2 , i3 , · · · , ir ciclica-


mente e que os demais inteiros de In são deixados fixos escrevemos abre-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

viadamente
p = (i1 i2 i3 . . . ir ) .

Observe que em notação de ciclo só escrevemos os elementos que são


movidos e só o contexto vai nos permitir saber do domı́nio da permutação.

Um ciclo de comprimento dois é chamado de transposição. A permutação


identidade é olhada como um ciclo de comprimento um e é representada
por (1).

Por exemplo, a permutação dada por:


 
12345678
63541278

deixa fixos os elementos 4,7 e 8, é um ciclo de comprimento 5, e como


ciclo pode ser escrita como:
 
16235 .

Qualquer outra variação entre os elementos também representa esse ciclo.

100

Grupos Especiais
116 UNIDADE III

Por exemplo,
     
62351 ou 23516 ou 35162 .

Como vimos, anteriormene, uma transposição σ é uma permutação que


troca apenas dois elementos e os demais são deixados fixos. Assim, a
transposição que troca os elementos 1 e 5, pode ser escrita como,

 
123456  

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
τ= = 15
523416

Segue que se σ é uma transposição, então, σ 2 é igual a identidade. Além


disso, a inversa de uma transposição é uma transposição.

Para ilustrar, vamos mostrar como fazemos a composta de ciclos. Con-


sideremos n = 6 e, portanto, S6 como, anteriormente, e queremos efetuar
a seguinte composição (produto):
   
13452 6234 135 .

Note que 1 �→ 3 �→ 4 �→ 5, logo, 1 �→ 5.

Novamente, 3 �→ 5 �→ 5 �→ 2, logo, 3 �→ 2.

Novamente, 5 �→ 1 �→ 1 �→ 3, logo, 5 �→ 3.

Novamente, 2 �→ 2 �→ 3 �→ 4, logo, 2 �→ 4.

Novamente, 4 �→ 4 �→ 6 �→ 6, logo, 4 �→ 6.

Finalmente, 6 �→ 6 �→ 2 �→ 1, logo, 6 �→ 1.

Assim, temos:
     
13452 6234 135 = 153246 .

101

GRUPOS
117

Um dos resultados mais importantes relacionado às permutações é que


elas se resumem a composta de transposições. É o que afirma o teorema
a seguir.

Teorema 9: Toda permutação de S = {1, 2, · · · , n} pode ser expressa


como um produto (composta) de transposições.

Demonstração: Basta provar que todo ciclo é um produto (composta)


de transposições.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Iniciamos com a identidade, note que (1) = (12)(12).

Agora, consideremos um ciclo de comprimento r ≥ 2 dado por:

(i1 i2 . . . ir ).

Com um cálculo direto obtemos que vale a igualdade:

(i1 i2 . . . ir ) = (i1 ir )(i1 ir−1 ) . . . (i1 i3 )(i1 i2 ).

Isto prova o teorema. 

Uma permutação em Sn é par (ou ı́mpar) se é produto de um número


par (ou ı́mpar) de transposições. O sinal de uma permutação é +1 se
par, e −1 se ı́mpar.

Para uso futuro, chamamos de An o conjunto de todas as permutações


pares de Sn .

O teorema 13 que demonstraremos mais adiante afirma que um grupo


qualquer é essencialmente um subgrupo do grupo de permutações de
algum conjunto.

102

Grupos Especiais
118 UNIDADE III

(c) Dn – Grupo diedral: Seja Dn o conjunto das simetrias de um polı́gono


regular de n lados Pn . Este conjunto munido da operação de composição
de funções é um grupo denominado grupo diedral Dn .

Se Sn é o conjunto das permutações dos vértices de um polı́gono regular


de n lados, então Dn é o subconjunto de Sn formado pelas simétrias deste
polı́gono. Ele é composto por 2n elementos, n rotações e n reflexões. A
figura ilustra o caso em que n = 4. Você pode fazer um modelo de papel
para realizar as rotações e reflexões. Aqui, usamos a mesma notação de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
[2].

Figura 1: Simetrias do quadrado

A
 C
 

 
 
1   2
 


B
 
 
4 3
 

 

D
Fonte: o autor (2016).

Vamos denotar por A, B, C, D as reflexões e R, S, T são rotações. A


seguir a tabela de operações desse grupo. Na tabela, como usual, o
elemento aij = ai ∗ aj .
Tabela das simetrias do quadrado

103

GRUPOS
Fonte: o autor (2016).

119

Vamos denotar por A, B, C, D as reflexões e R, S, T são rotações. A


seguir a tabela de operações desse grupo. Na tabela, como usual, o
elemento aij = ai ∗ aj .
Tabela das simetrias do quadrado

◦ J R S T A B C D
J J R S T
103 A B C D
R R S T J C D B A
S S T J R B A D C
T T J R S D C A B
A A D B C J S T R
B B C A D S J R T
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

C C A D B R T J S
D D B C A T R S J

onde,    
1234 1234
J= = (1), R= = (1234)
1234 2341

   
1234 1234
S= = (13)(24), T = = (1432)
3412 4123

   
1234 1234
A= = (12)(34), B= = (14)(23)
2143 4321

   
1234 1234
C= = (13), D= = (24).
3214 1432
π
Por exemplo, R = (1234) é a rotação com centro no quadrado de 2
no
sentido sentido horário e A = (12)(34) é a reflexão com relação ao eixo
A que passa pelo centro do quadrado e pelo ponto médio da aresta que
une os vértice 1 ao vértice 2. Veja a figura.

Aqui, J = e, R, R2 = S, R3 = T correspondem a rotações de 0, π2 , π, 3π


2
no
sentido horário, enquanto que os elementos A, AR = B, AR2 = C, AR3 =

104

Grupos Especiais
120 UNIDADE III

D correspondem às reflexões com relação às retas como indicadas na


figura.

Observe que temos que D4 = {J = e, R, R2 , R3 , A, AR, AR2 , AR3 }, pois


como vimos que R2 = S e R3 = T ; e B = AR, C = AR2 , D = AR3 .

Note que H = {J, R, S, T } é um subgrupo de ordem 4 do grupo do


grupo das simetrias do quadrado. Você pode verificar isso pela tabela de
operações do grupo.

De modo análogo, podemos escrever o grupo de simetrias do triângulo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
equilátero. Veja a tabela do grupo G das simetrias do triângulo
equilátero.

Na tabela, como usual, o elemento aij = ai ∗ aj . Note que A, B e C são


reflexões e R e S são rotações. E como anteriormente, podemos observar
que S = R2 , B = AR, C = AR2 .

Figura 2: Simetrias do triângulo equilátero

A
A

1
B 1
B C
C

3 3 2
2

Fonte: o autor (2016).

Tabela das simetrias do triângulo equilátero

105

GRUPOS
121
3 2

Fonte: o autor (2016).

Tabela das simetrias do triângulo equilátero

◦ J R S A B C
◦ J R S105 A B C
J J R S A B C
J J R S A B C
R R S J C A B
R R S J C A B
S S J R B C A
S S J R B C A
A A B C J R S
A A B C J R S
B B C A S J R
B B C A S J R
C C A B R S J
C C A B R S J
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

onde,    
onde,  123  123
J =1 2 3 = (1), R =1 2 3 = (123)
J= 1 2 3= (1), R = 2 3 1= (123)
123 231
   
 123  123
S= 1 2 3 = (132), A =1 2 3 = (23)
S= 3 1 2= (132), A = 1 3 2= (23)
312 132
   
 123  123
B =1 2 3 = (13), C =1 2 3 = (12)
B= 3 2 1= (13), C = 2 1 3= (12)
321 213
Note que H = {J, R, S} é um subgrupo de ordem 3 do grupo das sime-
Note que H = {J, R, S} é um subgrupo de ordem 3 do grupo das sime-
trias do triângulo equilátero. Você pode verificar isso pela tabela de
trias do triângulo equilátero. Você pode verificar isso pela tabela de
operações do grupo.
operações do grupo.
Podemos generalizar e estudar o grupo das simetrias de um polı́gono
Podemos generalizar e estudar o grupo das simetrias de um polı́gono
regular de n lados. Este grupo é chamado de grupo diedral D de ordem
regular de n lados. Este grupo é chamado de grupo diedral Dn den ordem
2n.
2n.

HOMOMORFISMOS
HOMOMORFISMOS DEDE
HOMOMORFISMOS DE GRUPOS
GRUPOS
GRUPOS
O principal objetivo desta seção é apresentar o conceito de isomorfismo de
O principal objetivo desta seção é apresentar o conceito de isomorfismo de
grupos e estudar suas principais propriedades. Quando existe um isomorfismo
grupos e estudar suas principais propriedades. Quando existe um isomorfismo

106
106

Homomorfismos de Grupos
122 UNIDADE III

entre dois grupos, dizemos que esses dois grupos são isomorfos e isso significa
que eles são estruturalmente os mesmos. Nesse caso, as propriedades que
um deles tem, o outro também tem. Você provavelmente já utilizou essa
noção quando estudou congruências de triângulos. As propriedades de um
triângulo eram passadas para qualquer outro que fosse congruente a ele.

Definição 9: Sejam (S, ∗) e (T, ◦) dois grupos. Dizemos que estes grupos
são isomorfos se existe uma bijeção ϕ : S → T tal que:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ϕ(a ∗ b) = ϕ(a) ◦ ϕ(b), ∀a, b ∈ S.

A função ϕ é chamada de isomorfismo de grupos. Se S e T são grupos


isomorfos, representamos isso por S ∼
= T.
Quando a função ϕ não é bijetora, mas satisfaz apenas:

ϕ(a ∗ b) = ϕ(a) ◦ ϕ(b), ∀a, b ∈ S,

é chamada de homomorfismo. Nesse caso, os grupos são chamados de grupos


homomorfos.

• Exemplo 7 :
a) Seja G um grupo com elemento neutro eG . Existe sempre dois homomor-
fismos entre um grupo G e ele mesmo. De fato, ϕ : G → G dado por
ϕ(x) = eG , ∀x ∈ G (constante) e ϕ : G → G dado por ϕ(x) = x, ∀x ∈ G,
(identidade, é isomorfismo).

Outro isomorfismo importante que podemos sempre estabelecer entre um


grupo e si mesmo é por meio de translações. Seja (G, ·) um grupo e a ∈ G.
Então, ϕ : G → G dada por ϕ(x) = a · x · a−1 é um isomorfismo de grupos.
Esse isomorfismo apenas renomeia os seus elementos. Note que se o grupo
for abeliano, essa aplicação se reduz à identidade.

107

GRUPOS
123

b) Sejam S = Z o grupo dos inteiros e T = 2Z o grupo dos inteiros pares,


ambos munidos com a operação usual de adição. Seja φ : Z → 2Z dada
por ϕ(x) = 2x. É fácil ver que esta bijeção é um isomorfismo de grupos.

De fato, a função é bijetora e além disso satisfaz:

ϕ(x + y) = 2(x + y) = 2x + 2y = ϕ(x) + ϕ(y), ∀x, y ∈ Z.

c) Seja S o grupo dos reais positivos com a operação de multiplicação e T


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

o conjunto dos reais com a operação de adição e ϕ : S → T dada por


ϕ(x) = ln x. É um isomorfismo de grupos.

De fato, note que ϕ é bijetora (sua inversa é φ(x) = ex ) e, além disso,


satisfaz:

ϕ(x · y) = ln(x · y) = ln(x) + ln(y) = ϕ(x) + ϕ(y), ∀x, y ∈ S.

Vejamos algumas propriedades de homomorfismo de grupos.

Teorema 10: Sejam (G, ∗) e (H, ◦) dois grupos com elementos neutros rep-
resentados por eG e eH , respectivamente. Se ϕ : G → H é um homomorfismo
de grupos, então ϕ leva elemento neutro em elemento neutro e simétrico em
simétrico. Mais precisamente,
a) ϕ(eG ) = eH .
b) ϕ(x−1 ) = (ϕ(x))−1 , ∀x ∈ G.

Demonstração: De fato,

ϕ(eG ) = ϕ(eG ∗ eG ) = ϕ(eG ) ◦ ϕ(eG ).

Assim, aplicando a ambos os lados o simétrico de ϕ(eG ), obtemos que ϕ(eG ) =


eH .

108

Homomorfismos de Grupos
124 UNIDADE III

A outra parte,

eH = ϕ(eG ) = ϕ(x ∗ x−1 ) = ϕ(x) ◦ ϕ(x−1 ).


A outra parte,

eH = ϕ(e
Assim, como o simétrico G ) = ϕ(x
é único ∗ x−1 )H,
no grupo ϕ(x) ◦ ϕ(x−1 )).= (ϕ(x))−1 . 
= então,

Assim, o simétrico é único no grupo H, então, ϕ(x−1 ) = (ϕ(x))−1 . 


comoparte,
A outra
#REFLITA#
Como verificar quee dois grupos não são −1 isomorfos? Mostrar −1 que não existe
H = ϕ(eG ) = ϕ(x ∗ x ) = ϕ(x) ◦ ϕ(x ).
#REFLITA#
umaAfunção injetora ou sobrejetora entre os grupos que verifica a condição
outra parte,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Como verificar que
é adois grupos não sãode isomorfos? Mostrar que não existe
deAssim,
homomorfismo
como o simétrico única é alternativa
único no grupo solução? ϕ(x−1 ) = (ϕ(x))−1 . 
H, então,#REFLITA#
uma função injetoraeH = ou ϕ(esobrejetora entre
−1 os grupos que
G ) = ϕ(x ∗ x ) = ϕ(x) ◦ ϕ(x ).
−1 verifica a condição

#SAIBA MAIS#é a única alternativa de solução? #REFLITA#


de homomorfismo
A #REFLITA#
composta
Assim, comode homomorfismo
o simétrico é único deno
grupos
grupoé H,umentão, ϕ(x−1 ) = de
homomorfismo −1
grupos.
(ϕ(x)) . 
#SAIBA
Como
A função MAIS#
verificar quededois
inversa umgrupos não são
isomorfismo de isomorfos?
grupos é tambémMostrar umque não existe
isomorfismo
deA
umacomposta
função de
grupos. homomorfismo
injetora ou sobrejetora de grupos
entreéos umgrupos
homomorfismo
que verificade agrupos.
condição
#REFLITA#
A função
o autorinversa
de homomorfismo
Fonte: (2016). é adeúnica
um isomorfismo
#SAIBA alternativa
MAIS# de
de grupos é também
solução? #REFLITA#um isomorfismo
Como verificar
de grupos. que dois grupos não são isomorfos? Mostrar que não existe
uma
Teoremafunção
#SAIBA
Fonte: 11:injetora
MAIS#
o autor Seja
(2016). ou ◦)
(G, sobrejetora
um grupo.entre
#SAIBA Se ϕos: grupos
MAIS# G → Gque é o verifica a condição
homomorfismo de
deA homomorfismo
composta de é a única
homomorfismo −1 alternativa
de gruposde solução?

grupos dado por ϕ(x) = x , então, G é necessariamente abeliano. um #REFLITA#
homomorfismo de grupos.
Teorema
A função11:inversa
Seja (G, de um ◦) um grupo. Sedeϕgrupos
isomorfismo : G →é G é o homomorfismo
também um isomorfismo de
#SAIBA
Demonstração:
grupos MAIS# Dado x, y −1∈ G, devemos provar
dado por ϕ(x) = x , então, G é necessariamente abeliano. que x ◦ y = y ◦ x. Notemos
de grupos.
A composta
que: de homomorfismo de grupos é um homomorfismo de grupos.
Fonte: o autor (2016). #SAIBA MAIS#
Demonstração:
A função inversaDado de um y ∈ G, devemos
x,isomorfismo provaréque
de grupos x◦y =
também umy ◦isomorfismo
x. Notemos
que:
de x−1 11:
grupos.
Teorema ◦ y −1Seja (G, ◦◦)ϕ(y)
= ϕ(x) um = ϕ(x ◦Se
grupo. y) ϕ y)−1
= :(xG◦→ G=
−1
◦ x−1 .
é oy homomorfismo de
Fonte:
gruposo dado
autorpor
(2016). x−1 , então,
ϕ(x) =#SAIBA MAIS#
G é necessariamente abeliano.
x−1 ◦ yque
E assim, temos −1
= ϕ(x)
para ◦ ϕ(y) =x,ϕ(x
quaisquer y) = (x ◦ y)−1 = y −1 ◦ x−1 .
y ∈◦ G,
Teorema (G, ◦)x,um
11: SejaDado
Demonstração: y ∈grupo. : G → que
Se ϕ provar
G, devemos G é xo◦ homomorfismo
y = y ◦ x. Notemos
de
−1 −1 −1 −1 −1 −1
E assim,
grupos temos que para quaisquer
y ==(yx−1◦, xentão,
que: dado porx ◦ϕ(x) ) G x, y
= (x ∈ G,
◦ y ) = y ◦abeliano.
é necessariamente x.

−1
Logo, ◦ yx−1◦Dado
G é xabeliano.
Demonstração:
−1 y=
= (y x−1devemos
◦ G,
x, y◦ ∈ϕ(y)
ϕ(x) )−1ϕ(x
= = (x −1
provar
◦ y) =
−1 −1
◦ y(x ◦) y)−1
que y ◦=
x=◦y= yx.
y ◦◦ x.
−1
x−1Notemos
. 
que:
Logo, G étemos
E assim, abeliano.
que para quaisquer109 x, y ∈ G, 
x−1 ◦ y −1 = ϕ(x) ◦ ϕ(y) = ϕ(x ◦ y) = (x ◦ y)−1 = y −1 ◦ x−1 .
x ◦ y = (y −1 ◦ x−1 )−1109
= (x−1 ◦ y −1 )−1 = y ◦ x.
E assim, temos que para quaisquer x, y ∈ G,
Logo, G é abeliano. 
GRUPOS x ◦ y = (y −1 ◦ x−1 )−1 = (x−1 ◦ y −1 )−1 = y ◦ x.
109
grupos dado por ϕ(x) = x−1 , então, G é necessariamente abeliano.

Demonstração: Dado x, y ∈ G, devemos provar que x ◦ y = y ◦ x. Notemos


125
que:

x−1 ◦ y −1 = ϕ(x) ◦ ϕ(y) = ϕ(x ◦ y) = (x ◦ y)−1 = y −1 ◦ x−1 .

E assim, temos que para quaisquer x, y ∈ G,

x ◦ y = (y −1 ◦ x−1 )−1 = (x−1 ◦ y −1 )−1 = y ◦ x.

Logo, G é abeliano. 

Teorema 12: Seja ϕ : (G, ◦) → (H,109


∗) um isomorfismo de grupos. Se G é
abeliano, então H também o é.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Demonstração: Para provar isso, devemos mostrar que se x, y ∈ H, então,


x ∗ y = y ∗ x.
Tomemos x e y elementos quaisquer de H. Como ϕ é uma função bijetora,
existem a e b elementos de G tais que ϕ(a) = x e ϕ(b) = y. Logo, temos:

x ∗ y = ϕ(a) ∗ ϕ(b) = ϕ(a ◦ b) = ϕ(b ◦ a) = ϕ(b) ∗ ϕ(a) = y ∗ x.

Note que na segunda igualdade, usamos o fato de ϕ ser um isomorfismo e na


terceira igualdade usamos o fato de G ser abeliano. Assim, mostramos que
H é grupo abeliano. 

O Teorema de Cayley, a seguir, teorema 13, dá uma representação de


grupos, ele afirma que um grupo qualquer é essencialmente um subgrupo do
grupo de permutações de algum conjunto.

Teorema 13 (Cayley-Representação de grupos) : Seja (G, ∗) um


grupo. Então, G é isomorfo a um grupo de permutações.

Demonstração: Dado (G, ∗) um grupo seja:

H = {πg , πg : G → G é dada por πg (x) = g ∗ x}.

H munido da composição de funções é um grupo. Afirmamos que Ψ : G → H


dada por Ψ(g) = πg é um isomorfismo. Notemos que Ψ é função injetora,
pois se πa = πb , com a, b ∈ G, então, a ∗ x = b ∗ x, para todo x ∈ G.
tomando x = eG temos que a = b. Além disso, Ψ é claramente sobrejetora
pois dado πa ∈ H existe a ∈ G tal que Ψ(a) = πa . Homomorfismos
Agora, provaremos
de Grupos
Teorema 13 (Cayley-Representação de grupos) : Seja (G, ∗) um
grupo. Então, G é isomorfo a um grupo de permutações.
126 UNIDADE III
Demonstração: Dado (G, ∗) um grupo seja:

H = {πg , πg : G → G é dada por πg (x) = g ∗ x}.

H munido da composição de funções é um grupo. Afirmamos que Ψ : G → H


dada por Ψ(g) = πg é um isomorfismo. Notemos que Ψ é função injetora,
pois se πa = πb , com a, b ∈ G, então, a ∗ x = b ∗ x, para todo x ∈ G.
tomando x = eG temos que a = b. Além disso, Ψ é claramente sobrejetora
pois dado πa ∈ H existe a ∈ G tal que Ψ(a) = πa . Agora, provaremos
que Ψ é um homomorfismo: como Ψ(a ∗ b) = πa∗b devemos verificar que
Ψ(a) ◦ Ψ(b) = πa∗b . De fato, dado x110
∈ G, Ψ(a) ◦ Ψ(b)(x) = Ψ(a)(πb (x)) =
Ψ(a)(b ∗ x) = πa (b ∗ x) = a ∗ (b ∗ x) = (a ∗ b) ∗ x = πa∗b (x), para todo x ∈ G.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Segue que Ψ é um isomorfismo. 

Definição 10: O núcleo do homomorfismo, ou kernel do homomorfismo,


ϕ : G → H é o conjunto definido por:

Nuc(ϕ) = Ker(ϕ) = {x ∈ G; ϕ(x) = eH }.

A imagem do homomorfismo ϕ : G → H é o conjunto definido por:

Im(ϕ) = {ϕ(x); x ∈ G}.

Seja ϕ : (G, ◦) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. Então, Ker(ϕ) é


subgrupo de G. Para verificar isso vamos utilizar o lema 3.
Tomemos a e b elementos de Ker(ϕ), então, temos que ϕ(a) = eH e
ϕ(b) = eH . Segue que:

ϕ(a ◦ b) = ϕ(a) ∗ ϕ(b) = eH ∗ eH = eH .

Assim, verificamos que se a, b ∈ Ker(ϕ), então, a ◦ b pertence a Ker(ϕ).


Tomemos a elemento de Ker(ϕ), então, temos que ϕ(a) = eH . Segue que:

ϕ(a−1 ) = (ϕ(a))−1 = (eH )−1 = eH .

Assim, verificamos que se a ∈ Ker(ϕ), então, a−1 também pertence a Ker(ϕ).


Segue pelo lema 3 que Ker(ϕ) é subgrupo de G.
Seja ϕ : (G, ◦) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. De modo análogo
ao caso do núcleo de homomorfismo, podemos usar o lema 3 para mostrar
GRUPOS
111
Tomemos a elemento de Ker(ϕ), então, temos que ϕ(a) = eH . Segue que:

127
ϕ(a−1 ) = (ϕ(a))−1 = (eH )−1 = eH .

Assim, verificamos que se a ∈ Ker(ϕ), então, a−1 também pertence a Ker(ϕ).


Segue pelo lema 3 que Ker(ϕ) é subgrupo de G.
Seja ϕ : (G, ◦) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. De modo análogo
ao caso do núcleo de homomorfismo, podemos usar o lema 3 para mostrar
que Im(ϕ) é subgrupo de H.
111 então existem a e b em G tais que
Tomemos x e y elementos de Im(ϕ),
ϕ(a) = x e ϕ(b) = y. Segue que

x ∗ y = ϕ(a) ∗ ϕ(b) = ϕ(a ◦ b).

Assim, verificamos que se x, y ∈ Im(ϕ), então, x ∗ y pertence a Im(ϕ), pois é


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

imagem de a ◦ b, onde ϕ(a) = x e ϕ(b) = y.


Tomemos x elemento de Im(ϕ), então, existe a ∈ G tal que ϕ(a) = x.
Segue que:
ϕ(a−1 ) = (ϕ(a))−1 = x−1 .

Assim, verificamos que se x ∈ Im(ϕ), então, x−1 também pertence a Im(ϕ).


Segue pelo lema 3 que Im(ϕ) é subgrupo de H. 

Assim, provamos o seguinte teorema.

Teorema 14: Sejam ϕ : (G, ◦) → (G, ∗) um homomorfismo e K ⊆ G o


núcleo de ϕ. Então,
a) K é subgrupo de G.
b) ϕ(G) é um subgrupo de G.

Teorema 15: Sejam (G, ∗) e (H, ◦) dois grupos com elementos neutros rep-
resenados por eG e eH , respectivamente. Seja ϕ : G → H um homomorfismo
de grupos. Então, ϕ é injetor se, e somente se, Ker(ϕ) = {eG }.

Demonstração: Suponha que ϕ é injetor. Tomemos g ∈Ker(ϕ). Então,


temos que ϕ(eG ) = eH e ϕ(g) = eH . Como ϕ é injetor, então, g = eG . Logo,
Ker(ϕ) = {eG }.

112

Homomorfismos de Grupos
128 UNIDADE III

Suponha agora que Ker(ϕ) = {eG }. Se ϕ(x) = ϕ(y), então, ϕ(x) ◦


ϕ(y)−1 = eH . Isto é, ϕ(x ∗ y −1 ) = eH . Logo, x ∗ y −1 ∈ Ker(ϕ) = {eG }. Segue
que, x ∗ y −1 = eG e, portanto, x = agora
Suponha y. Portanto, ϕ é injetor.
que Ker(ϕ)  ϕ(y), então, ϕ(x)
= {eG }. Se ϕ(x) =
−1
ϕ(y)Ker(ϕ)
Suponha agora que = eH=. Isto
{eG é,
}. ϕ(x y −1 ) = eϕ(y),
Se ∗ϕ(x) H . Logo,
então, −1
x ∗ yϕ(x)
∈ ◦Ker(ϕ) = {eG }. Seg
ϕ(y)−1 = e . Isto é, ϕ(x ∗ y)−1
que,∗xy −1 ==e e. Logo, x ∗ y −1 ∈
e, portanto, x= y. Portanto,
Ker(ϕ) = {eG }.ϕSegue
é injetor.
GRUPOS
GRUPOS
H
CÍCLICOSH G
−1 CÍCLICOS
que, x ∗ y = eG e, portanto, x = y. Portanto, ϕ é injetor. 
Um tipo de grupo importante são os grupos chamados cı́clicos. Exemplos
GRUPOS CÍCLICOS
tı́picos de grupos cı́clicos são os grupos Z e Zm , ambos munidos da adição.
GRUPOS CÍCLICOS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Um tipo de grupo importante são os grupos chamados cı́clicos. Exemp
Definição 11: Um grupo G é dito cı́clico se existe um elemento g ∈ G tal
Um tipo de grupo tı́picos de grupos
importante são oscı́clicos
grupossão os grupos
chamados Z e ZExemplos
cı́clicos. m , ambos munidos da adição
que para cada x ∈ G existe um inteiro n tal que g n = x. Neste caso, dizemos
tı́picos de grupos cı́clicos são os grupos Z e Zm , ambos munidos da adição.
que g é um gerador deDefinição
G e representamos
11: Um grupo o grupoG éG dito
por G = �g�.
cı́clico se existe um elemento g ∈ G
0
Por definição g
Definição 11: Um grupo = e, onde
que para e é
G écada o elemento
∈ G existe
dito xcı́clico neutro de
um inteiro
se existe G. g ∈g nG=tal
n tal que
um elemento x. Neste caso, dizem
que g éumuminteiro
gerador de que n
G egrepresentamos o grupo G por G = �g�.
que para cada x ∈ G existe n tal = x. Neste caso, dizemos
São exemplos fáceis de grupos cı́clicos 0
Z = �1� gerado por 1 e Zm = �1�
que g é um gerador de GPor definição g =o e,grupo
e representamos ondeGe por
é o G
elemento
= �g�. neutro de G.
gerado por 1, munidos da operação de adição.
Por definição g 0 = e, onde e é o elemento neutro de G.
São exemplos fáceis de grupos cı́clicos Z = �1� gerado por 1 e Zm = �
#REFLITA#
gerado
São exemplos fáceis por 1, cı́clicos
de grupos munidosZ da operação
= �1� geradodeporadição.
1 e Zm = �1�
Grupos cı́clicos são todos abelianos. #REFLITA#
gerado por 1, munidos da operação de adição.
#REFLITA#
Ao tentar mostrar que dois grupos não são isomorfos o mais aconselhável
#REFLITA# Grupos cı́clicos são todos abelianos. #REFLITA#
é mostrar que um grupo tem uma propriedade algébrica que o outro não tem,
Grupos cı́clicos são todos abelianos. #REFLITA#
e assim não seriam estruturalmente os mesmos.
Ao tentar mostrar Por exemplo,
que dois grupos não você
sãonão pode o mais aconselháv
isomorfos
1 1
dizer
Aoque (Z, +)
tentar e (Q,é+)
mostrar não
doissão
mostrar
que queisomorfos
umnão
grupos grupo porque
sãotem uma∈propriedade
isomorfos
2 2
�∈ aconselhável
Qo emais Z; mas você que o outro não te
algébrica
pode dizerque
é mostrar queumnãogrupo
são isomorfos
e assim porqueestruturalmente
não seriam
tem uma Z é cı́clico
propriedade e Qque
algébrica não éoutro
cı́clico.
os omesmos. Por
não exemplo, você não po
tem,
Dizernão
e assim queseriam
dois grupos
dizer são
queisomorfos
estruturalmente(Z, +) significa
osemesmos.
(Q, +) não dizer
Por são que eles
isomorfos
exemplo, são
você estrutu-
porque
não 1
∈ Q e 1 �∈ Z; mas vo
pode
2 2
ralmente
dizer que os
(Z,mesmos. Se não
+) e (Q,pode
+) osdizer
grupos
sãoque são
não finitos,
isomorfossãoporqueé suficiente
isomorfos1
Q e 21ver
∈ porque aé ordem
�∈ZZ; cı́clico
mas vocêde
e Q não é cı́clico.
2
cada um, pois se as ordens forem distintas
Dizer queporque
pode dizer que não são isomorfos não
dois grupos pode haver bijeção
são isomorfos
Z é cı́clico entre
e Q não ésignifica eles
cı́clico. dizer que eles são estrut
e, portanto,
Dizer quenão podem
dois sersão
ralmente
grupos isomorfos.
os mesmos.
isomorfos Se os dizer
significa grupos
quesão finitos,
eles é suficiente ver a ordem
são estrutu-
ralmente os mesmos. cada um,
Se os pois se
grupos asfinitos,
são ordens éforem distintas
suficiente ver não pode de
a ordem haver bijeção entre e
e, portanto,
cada um, pois se as ordens 113
forem não podem
distintas nãoserpode
isomorfos.
haver bijeção entre eles
e, portanto, não podem ser isomorfos.
113
113
GRUPOS
129

Teorema 16: Para cada inteiro positivo n há um grupo cı́clico com n ele-
mentos.

Demonstração: Esse grupo pode ser (Zn , +). Mas podemos apresentar um
outro exemplo. Dado n defina a seguinte aplicação

i + 1, se i �= n;
ϕ(i) =
1, se i = n

para i = 1, 2, · · · , n. Verifique que ϕ, ϕ, ϕ2 , · · · , ϕn−1 , ϕn são distintos e que ϕn


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

é igual a identidade. Claramente este conjunto é um grupo sob a composição


de funções e tem n elementos. 

Teorema 17:
1) Se G = �g� é um grupo cı́clico infinito, então g r = g s implica que r = s.
2) Se G = �g� é grupo cı́clico com m elementos, então:
a) g m = e e se 0 ≤ i < j < m, então, g i �= g j ,
b) G = {e, g, g 2 , · · · , g m−1 }.

Demonstração: Provaremos primeiramente 1). Se g r = g s com r �= s,


então, podemos supor que r > s. Segue que g r−s = e e isto implica pelo
teorema 8 que G é grupo finito. O que é absurdo.
Para provarmos 2), se G tem m elementos, suponha que existem 0 ≤ i <
j < m tais que g i = g j , então, g j−i = e e novamente o teorema 8 implica que
G tem menos do que m elementos. Segue que G = {e, g, g 2 , · · · , g m−1 }. Se
g m = g i para algum 0 < i < m ,então, g m−i = e e isto contradiz o fato de
que e, g, g 2 , · · · , g m−1 são distintos. 

Teorema 18: Quaisquer dois grupos cı́clicos com mesmo número de elemen-
tos são isomorfos.

114

Grupos Cíclicos
130 UNIDADE III

Demonstração: Sejam G = �g� e H = �h� dois grupos cı́clicos com mesmo


número de elementos. Como os elementos de G são da forma g n , defina
Ψ : G → H dada por Ψ(g n ) = hn . Antes de provar que Ψ é um isomorfismo
provaremos que Ψ é função, isto é, provar que se g r = g s , então hr = hs . De
fato, se g r = g s e se G é infinito, então, temos do teorema 17 que r = s e,
portanto, hr = hs . Se g r = g s e se G é finito de ordem m, então, g r−s = e e
assim m|(r −s). Segue que (r −s) = mq, para algum q ∈ Z, assim r = mq +s.
Portanto, hr = hmq+s = hmq hs = hs . Logo, Ψ é função.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Para provar que Ψ é um homomorfismo, sejam x = g r e y = g s dois
elementos de G, então, Ψ(xy) = Ψ(g r g s ) = Ψ(g r+s ) = hr+s = hr hs =
Ψ(g r )Ψ(g s ) = Ψ(x)Ψ(y). Como todo elemento de H está na imagem da
Ψ segue que Ψ é sobrejetora. Resta provar que Ψ é injetora, para isto
suponha que hr = hs . Se H é infinito, então, r = s. Se H é finito,
então, de hr−s = e obtemos que m|(r − s) e, portanto, r = mq + s. Donde
g r = g mq+s = g mq g s = g s , e assim Ψ é injetora. Isto conclui a prova do
teorema. 

Outra demonstração do teorema no caso de grupos infinitos é considerar


as seguintes funções definidas em Z dadas por ϕ(n) = g n e ψ(n) = hn , onde g
e h são os geradores de G e H, respectivamente. Agora prove que π = ψ ◦ϕ−1
é isomorfismo. Veja o diagrama a seguir:

Z
 
ϕ(n) = g n  ψ(n) = hn



 


G H .
ψ ◦ ϕ−1

Para o caso de grupos finitos com m elementos tome Zm no lugar de Z.

115

GRUPOS
131

TEOREMA
TEOREMA DE LAGRANGE
DE LAGRANGE
O Teorema de Lagrange relaciona a existência de subgrupo com a ordem
do grupo e a ordem desse subgrupo. Afim de provarmos este importante
teorema, precisamos estabelecer alguns resultados auxiliares.

Teorema 19: Sejam (G, ·) um grupo e S subgrupo de G. A relação dada


por:
aRb ⇐⇒ a · b−1 ∈ S
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

é uma relação de equivalência em G.

Demonstração: É claro que aRa, para todo a ∈ G. Se aRb, então, a · b−1 ∈


S. Como S é subgrupo segue que (a·b−1 )−1 ∈ S, isto é, b·a−1 ∈ S. Logo, bRa,
mostrando que a relação é simétrica. Suponha agora que aRb e bRc, então,
temos a·b−1 ∈ S e b·c−1 ∈ S. Como S é subgrupo temos (a·b−1 )·(b·c−1 ) ∈ S,
isto é, a · c−1 ∈ S. Assim, aRc e a relação é transitiva. Logo, a relação é uma
relação de equivalência em G.
As classes de equivalência resultantes desta relação são chamadas de
classes laterais à direita módulo S. Em outras palavras:

Definição 12: Seja S um subgrupo do grupo (G, ·) e b ∈ G. A classe lateral


à direita S · b, módulo S, determinada por b, em G é o conjunto:

S · b = {s · b; s ∈ S}.

S · b é chamada a classe lateral à direita, módulo S, determinada por b.

Note que a ∈ Sb ⇐⇒ aRb. De fato, a ∈ Sb ⇐⇒ a = s · b, para algum s ∈ S.


Logo, s = a · b−1 , para algum s ∈ S. Segue que aRb.

116

Teorema de Lagrange
132 UNIDADE III

Analogamente definimos classe lateral à esquerda b · S, módulo S, deter-


minada por b:
b · S = {b · s; s ∈ S}.

Do mesmo modo podemos estabelecer uma relação de equivalência K:


aKb ⇐⇒ b−1 · a ∈ S. Como no caso anterior, temos que a ∈ bS ⇐⇒ aKb.
Se a operação do grupo é representada por +, então, as classes laterais
são denotadas por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
S + b = {s + b; s ∈ S} − − classe à direita.

b + S = {b + s; s ∈ S} − − classe à esquerda.

Em geral as classes laterais S · b e b · S não são iguais. Se o grupo G for


abeliano, então as duas classes são sempre iguais.

Lema 5: Sejam (G, ·) um grupo e S subgrupo de G. O conjunto das classes


laterais à esquerda módulo S e o conjunto das classes laterais à direita módulo
S em G têm mesma cardinalidade.

Demonstração: Sejam DS e ES os conjuntos das classes laterais à direita


e à esquerda módulo S em G, respectivamente. Defina ϕ : DS → ES por
ϕ(Sb) = b−1 S. Afirmamos que ϕ é função, pois se Sa = Sb, então, b ∈ Sa,
isto é, b = s · a para algum s ∈ S. Logo, b−1 = a−1 · s−1 , isto é, b−1 ∈ a−1 S, ou
seja a·b−1 ∈ S. Daı́ temos que b−1 S = a−1 S, ou seja, ϕ(Sa) = ϕ(Sb). Usamos
o mesmo argumento para provar que ϕ é injetora, pois se a−1 S = b−1 S então,
Sa = Sb. Finalmente para provar a sobrejetividade de ϕ tomemos bS ∈ ES .
Como ϕ(Sb−1 ) = (b−1 )−1 S = bS, então, ϕ é sobrejetora. Logo, DS e ES têm
a mesma cardinalidade.

Lema 6: Toda classe lateral aS ou Sb tem a mesma cardinalidade de S.

117

GRUPOS
133

Demonstração: Para mostramos que esses conjuntos têm a mesma cardi-


nalidade, devemos estabelecer entre eles uma bijeção. Isso pode ser feito facil-
mente, vejamos. Sejam aS e Sb duas classes quaisquer. Defina as aplicações
f : S → Sb e g : S → aS, dadas por f (s) = s · b e g(s) = a · s, respec-
tivamente, que são claramente bijetoras. Assim, as classes aS e Sb têm a
mesma cardinalidade de S e, portanto, ambas têm a mesma cardinalidade.
Isto conclui a prova. 

Definição 13: Se S é um subgrupo de G, o número de classes laterais à


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

direita ou à esquerda módulo S, é chamado o ı́ndice do subgrupo S em G e é


representado por [G : S].

Agora estamos prontos para enunciar o teorema de Lagrange.

Teorema 20 (Lagrange) : Sejam (G, ·) um grupo e S subgrupo de G.


Então, a ordem de G é o produto da ordem de S e do ı́ndice de S em G, isto
é,
o(G) = o(S)[G : S].

Demonstração: A relação aRb ⇐⇒ a·b−1 ∈ S é uma relação de equivalência


em G e, portanto, decompõe G em classes de equivalência que são as classes
laterais à direita. Logo, G é reunião disjunta de classes laterais à direita:
  
G = Sa1 · Sa2 · · · · San · · · · .

Como todas as classes têm a mesma cardinalidade que S e existem [G : S]


classes, então o(G) = o(S)[G : S]. 
A mesma demonstração se aplica se tomarmos classes laterais à esquerda.
Observe que se o(G) < ∞, então, o Teorema de Lagrange afirma que a
ordem do subgrupo divide a ordem do grupo.

118

Teorema de Lagrange
134 UNIDADE III

Corolário 1: Se |G| < ∞ e S é subgrupo de G, então, o(S) divide |G|.

Corolário 2: Seja G um grupo finito e g ∈ G. Então, o(g) divide |G| e em


particular g |G| = e.

Demonstração: Como o(g) = |�g�|, então, pelo Teorema de Lagrange temos


que
|G| = |�g�|[G : �g�],

isto é, o(g)|o(G). 

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Corolário 3: Se G é um grupo finito e sua ordem é um número primo p,
então G é grupo cı́clico e, portanto, abeliano. Além disso, todo elemento
x �= e é um gerador de G.

Demonstração: De fato, se S �= {e} é um subgrupo de G, então, |S| > 1 e


|S| divide p. Logo, |S| = p e S = G. Consideremos agora um elemento g �= e
qualquer de G. E seja S = �g� subgrupo gerado por g. Como S = G, então
G é cı́clico. 

• Exemplo 8 :

(a) Seja G um grupo finito com p primo elementos. Se G tem subgrupo,


a ordem desse subgrupo tem que dividir p. Mas os únicos divisores de
p são 1 e p. Logo, os únicos subgrupos de G são os triviais S = {e} e
S = G.

(b) Seja G um grupo de ordem 8. Se G tem algum subgrupo S, então, a


sua ordem tem que dividir 8. Portanto, só precisamos procurar apenas
subgrupos de ordem 1, 2, 4 e 8.

Corolário 4: Se G é um grupo tal que |G| ≤ 5, então, G é abeliano.

119

GRUPOS
135

Demonstração: Se G tem apenas um elemento, isto é, se |G| = 1, então,


G = {e}. Se |G| = 2, 3 ou 5 (primos), então G é cı́clico e, portanto, abeliano.
Suponha que |G| = 4 e que todo x ∈ G tem-se �x� �= G. Então, pelo Teorema
de Lagrange segue que |�x�| = 2, se x �= e. Assim, x2 = e, ∀x ∈ G e, portanto,
x = x−1 , ∀x ∈ G. Logo, se x, y ∈ G tem-se xy = (xy)−1 = y −1 x−1 = yx, ou
seja, G é abeliano. 

Teorema 21: Todo subgrupo de grupo cı́clico G = �g� é cı́clico.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Demonstração: Seja S subgrupo de G. Seja m o menor inteiro positivo


tal que g m ∈ S. Afirmamos que S = �g m �. Para estabelecer isto devemos
provar que se g b ∈ S, então, m|b. Se m não divide b, então, b = mq + r, onde
0 < r < m. Logo, g b = g mq+r = g mq g r ou seja g r = g b g −mq . Como g b ∈ S
e g −mq ∈ S segue que g r ∈ S. O que é absurdo, pois m é o menor inteiro
positivo tal que g m ∈ S. 

Teorema 22: Em um grupo cı́clico infinito todos os subgrupos exceto {e}


são infinitos.

Demonstração: Seja G = �g� e S = �g m � subgrupo de G. Como S �= {e},


então, podemos supor m > 0. Do teorema anterior sabemos que todo x ∈ S
é da forma g mb , para algum b ∈ Z. Se g mb = e, então, o(g) < ∞ e, portanto,
G seria finito. Logo, g mb �= e, ∀mb �= 0. 

Teorema 23: Seja G = �g� grupo cı́clico finito de ordem n. Se d|n, então,
existe um único subgrupo de ordem d.

Demonstração: (Existência) Suponha que n = dr. Mostraremos que


S = �g r � tem ordem d. Seja k a ordem de g r , como (g r )d = e e (g r )k = e

120

Teorema de Lagrange
136 UNIDADE III

segue que k|d e assim k ≤ d. Se k < d terı́amos rk < rd = n e assim g rk �= e,


absurdo. Logo, k ≥ d, e, portanto, k = d.
(Unicidade) Suponha que �g s � tem ordem d, onde n = dr. Mostraremos
que �g s � = �g r �. Como s = rm + t, 0 ≤ t < r, então, sd = rmd + td, 0 ≤ dt <
rd = n e assim g sd = g rmd g dt , isto é, g td = e o que é impossı́vel a menos que
td = 0. Logo, t = 0 e r|s. Segue que s = rm e g s = (g r )m ∈ �g r � e, portanto,
�g s � ⊂ �g r �. Como ambos tem ordem d temos que �g s � = �g r �. 

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
SUBGRUPOS
SUBGRUPOS NORMAIS
NORMAIS
Os subgrupos normais desempenham um papel importante dentro da teo-
ria dos grupos é, por meio, deles que criamos um novo grupo chamado de
grupo quociente. Também usamos os subgrupos normais para apresentar o
teorema fundamental do homomorfismo de grupos.

Definição 14: Um subgrupo S de um grupo (G, ·) é dito um subgrupo normal


em G se:
g · S = S · g, ∀g ∈ G.

Isto é, as classes laterais à direita e à esquerda de cada um dos elementos de


G, módulo S, são iguais.
Se S é um subgrupo normal de G, representamos isto por S  G.

Observamos que S = {e} e S = G são sempre subgrupos normais de G.


Além disso, todo subgrupo de um grupo abeliano G é subgrupo normal em
G.

• Exemplo 9 :
Seja G o grupo das simetrias do triângulo equilátero e H =
{J, R, S} subgrupo de G. Usando a tábua de operações

121

GRUPOS
137

de G vemos facilmente que H é subgrupo normal de G.


Para sua facilidade repetimos a tábua de operações aqui.
Tábua de operações das simetrias do triângulo

◦ J R S A B C
J J R S A B C
R R S J C A B
S S J R B C A .
A A B C J R S
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

B B C A S J R
C C A B R S J

Note que que as classes laterais xH e Hx são iguais para cada x ∈ G. De


fato,

JH = HJ = H = {J, R, S}
RH = HR = H
SH = HS = H
AH = HA = K = {A, B, C}
BH = HB = K
CH = HC = K.

Mas o subgrupo H = {J, C} não é normal. De fato, tomemos B ∈ G e


calculemos a partir da tabela as classes laterais BH e HB:

BH = {B, R} e HB = {B, S},

essas duas classes laterais não são iguais. Assim, o subgrupo H = {J, C} não
é normal em G.

122

Subgrupos Normais
138 UNIDADE III

Consideremos o subgrupo H = {J, R, S, T } do grupo das simetrias do


quadrado. Pela tabela vemos que as classes laterais Hg e gH, g ∈ G, são
iguais. Repetimos a tábua de operações aqui para facilitar a verificação.
Tábua de operações das simetrias do quadrado

◦ J R S T A B C D
J J R S T A B C D
R R S T J C D B A
S S T J R B A D C

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
T T J R S D C A B .
A A D B C J S T R
B B C A D S J R T
C C A D B R T J S
D D B C A T R S J

JH = HJ = H = {J, R, S, T }
RH = HR = H
SH = HS = H
T H = HT = H
AH = HA = K = {A, B, C, D}
BH = HB = K
CH = HC = K
DH = HD = K

Assim, H é subgrupo normal de G.

123

GRUPOS
139

Mas o subgrupo H = {J, D} não é normal em G. De fato, tomemos


A ∈ G e calculemos a partir da tabela as classes laterais AH e HA:

AH = {A, R} e HA = {A, T },

essas duas classes laterais não são iguais. Assim, o subgrupo H = {J, D}
não é normal em G.

• Exemplo 10 :
O subgrupo alternado An das permutações pares de Sn é um subgrupo normal
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de Sn .

Teorema 24: Se H é subgrupo de um grupo (G, ·) tal que [G : H] = 2, então


H é um subgrupo normal de G.

Demonstração: Devemos provar que para todo g ∈ G tem-se gH = Hg.


Se g ∈ H, então, gH = Hg = H. Se g �∈ H, então, gH é uma classe lateral à
esquerda diferente de H e Hg é uma classe lateral à direita diferente de H.
Como [G : H] = 2, então, G se decompõe em duas classes laterais, isto é,

G = H ∪ gH = H ∪ Hg.

Como H ∩ gH = ∅ = Hg ∩ H, resulta que gH = Hg. Logo, H é subgrupo


normal de G. 

O subgrupo H = {J, R, S, T } de D4 tem ı́ndice 2 em D4 , assim H é


subgrupo normal, como já foi visto.

Teorema 25: Seja (G, ·) um grupo e N subgrupo de G. N é subgrupo normal


de G se, e somente se,

∀x∀n[x ∈ G, n ∈ N =⇒ xnx−1 ∈ N ].

124

Subgrupos Normais
140 UNIDADE III

Demonstração: Suponhamos que N seja subgrupo normal em G. Então,


N x = xN, ∀x ∈ G. Logo, xn ∈ N x, para todo x ∈ G e para todo n ∈ N .
Demonstração: Suponhamos que N seja subgrupo normal em G. Então,
Assim para n ∈ N
Demonstração: e x ∈ G, existe
Suponhamos n1 ∈ subgrupo
N tal que xn = n 1 x.G.Portanto,
N x = xN, ∀x ∈ G. Logo, xn que∈ NNx, seja
para todo x ∈normalG e paraem todo Então,
n ∈ N.
−1 −1 −1
xnx = n , isto é,
∀x n∈ ∈G.NLogo,xnx ∈ N . Reciprocamente, suponhamos que n ∈ N∈.
xnx
NAssim
x = xN, para1
e x ∈xnG,∈ existe
N x, para
n1 ∈todo
N talx ∈queG exnpara
= ntodo1 x. Portanto,
N, ∀x−1∈
Assim G, ∀n∈∈NN.e Devemos x ∈−1 G, provar nque∈NNx = talxN, ∀xxn∈ =G. nComo xnx−1−1∈
xnx para = n1n, isto é, xnx ∈N existe
. Reciprocamente,
1 que
suponhamos 1 x.quePortanto,
xnx ∈
−1
N , então,
−1 xnx = n −1 algum n1 ∈ N . Segue que xn = n1 x e, portanto,
para −1
xnx
N, ∀x=∈ nG, 1 , isto
∀n ∈é, N.
xnx
1 ∈ N . provar
Devemos Reciprocamente,
que N x = xN, suponhamos
∀x ∈ G. Comoque xnx xnx−1∈∈
−1 −1 −1 −1
xN∀x⊂∈NG,x. ∀n
N, Suponha
∈ N. agora que
Devemos nx ∈que
provar N x,
N xentão,
= xN,x∀xnx = Como
∈ G. x n(xxnx)−1 ∈ =
N , então, xnx−1 =n 1 para algum n1 ∈ N . Segue que xn = n1 x e, portanto,
n2, ∈
N N implica −1 que nx = xn2 e, portanto, N x ⊂ xN .−1
n1 ∈ Logo,nN xe,=portanto,
xN. 
xNentão,
⊂ Nxnxx. Suponha= n1 para agoraalgum
que nx ∈N N.x,Segue quex xn
então, nx= = 1x
x−1 n(x−1 )−1 =

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
n2 ⊂
xN ∈NN x. Suponha
implica agora
que nx que
= xn nx ∈ N x, então, x−1 nx = x−1 n(x−1 )−1 =
2 e, portanto, N x ⊂ xN . Logo, N x = xN.

2 ∈ N implica que nx = xn2 e, portanto, N x ⊂ xN . Logo, N x = xN.


n#REFLITA# 
Se N1 e N2 são subgrupos normais de G, então N1 ∩ N2 é subgrupo normal
#REFLITA#
de G. #REFLITA#
#REFLITA#
Se N1 e N2 são subgrupos normais de G, então N1 ∩ N2 é subgrupo normal
SedeNG.
1 e N 2 são subgrupos normais de G, então N1 ∩ N2 é subgrupo normal
#REFLITA#
Teorema 26: Seja ϕ : (G, ·) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. O
de G. #REFLITA#
núcleo de ϕ, Ker(ϕ), é subgrupo normal em G.
Teorema 26: Seja ϕ : (G, ·) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. O
Teorema
núcleo de26: (G, ·) → normal
Seja ϕ é: subgrupo
ϕ, Ker(ϕ), (H, ∗) um homomorfismo de grupos. O
Demonstração: Como já provamos queemo G.
núcleo é um subgrupo, resta
núcleo de ϕ, Ker(ϕ), é subgrupo normal em G.
provar que é subgrupo normal em G. Para isto, usaremos o teorema anterior.
Demonstração: Como já provamos que o núcleo é um subgrupo, resta
−1
Seja x ∈ G e a ∈Como
Demonstração: Ker(ϕ), então, provaremos
já provamos que isto, que éxax
o núcleo ∈ Ker(ϕ).resta
umo subgrupo, De
provar que é subgrupo normal em G. Para usaremos teorema anterior.
−1 −1 −1
fato, ϕ(xax
provar ∗ ϕ(a) ∗ ϕ(x
) = ϕ(x)normal ) =isto, ∗ eH ∗ ϕ(x
ϕ(x)usaremos −1 ) = eanterior.
H . Logo,
Seja xque∈ éGsubgrupo
e a ∈ Ker(ϕ), em G. Para
então, provaremos que xax o teorema
∈ Ker(ϕ). De
−1
xax x ∈∈ Ker(ϕ).
Seja G e
−1 a ∈ Ker(ϕ), então, provaremos
−1 que xax −1 −1
∈ Ker(ϕ). 
De
fato, ϕ(xax ) = ϕ(x) ∗ ϕ(a) ∗ ϕ(x ) = ϕ(x) ∗ eH ∗ ϕ(x ) = eH . Logo,
−1
fato, ϕ(xax
xax−1 ) = ϕ(x) ∗ ϕ(a) ∗ ϕ(x−1 ) = ϕ(x) ∗ eH ∗ ϕ(x−1 ) = eH . Logo,
∈ Ker(ϕ).
Teorema 27: Seja G um grupo e ϕa : G → G automorfismo interno (dado
xax−1 ∈ Ker(ϕ). 
por ϕa (x) = axa−1 ). Então, ϕa aplica cada subgrupo normal de G em si
Teorema 27: Seja G um grupo e ϕa : G → G automorfismo interno (dado
mesmo.
Teorema
por ϕa (x)27:
= Seja
axa−1G). um
Então, a : G →
grupoϕea ϕaplica G automorfismo
cada interno
subgrupo normal de G(dado
em si
por ϕa (x) = axa−1 ). Então, ϕa aplica cada subgrupo normal de
mesmo. G em si
Demonstração: É claro que ϕa é isomorfismo. De fato, se axa−1 = aya−1
mesmo.
segue por cancelamento que x = y, mostrando que ϕa é injetora. A so-
Demonstração: É claro que ϕa é isomorfismo. De fato, se axa−1 = aya−1
−1
brejetividade é imediata,
Demonstração: É claro que xa) = a(a−1 xa)a
poisϕϕaé(aisomorfismo. −1
= x. Além
−1 disso,
−1
segue por cancelamento que xa = y, mostrandoDeque fato,
ϕaseé axa = aya
injetora. A so-
segue por cancelamento
brejetividade quepois
é imediata, x = y,125
ϕa (a mostrando
−1
xa) = a(aque
−1 ϕa−1é =
xa)a injetora.
x. AlémAdisso,
so-
−1 −1 −1
brejetividade é imediata, pois ϕa (a xa) = a(a xa)a = x. Além disso,
125
125

GRUPOS
141

ϕa (xy) = a(xy)a−1 = (axa−1 )(aya−1 ) = ϕa (x)ϕa (y), isto diz que ϕa é um


isomomorfismo. Finalmente, seja N subgrupo normal em G e n ∈ N . Então,
ana−1 ∈ N . Logo, o efeito de ϕa sobre os elementos de N é permutar com
outros elementos de N . 

Definição 15: Sejam (G, ◦) um grupo e N um subgrupo normal em G. Por


G/N entende-se o conjunto de todas as classes laterais (esquerda ou direita)
módulo N . Isto é,
G/N = {N g; g ∈ G}.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Neste conjunto, definimos a seguinte operação de classes:

(N x) ◦ (N y) = N (x ◦ y).

Esta operação é chamada operação induzida pela operação ◦ do grupo G.

Observamos que esta operação satisfaz:


a) (N x) ◦ (N y ◦ N z) = (N x ◦ N y) ◦ N z– associatividade
b) N ◦ N x = N x ◦ N = N x– elemento neutro
c) N x−1 ◦ N x = N = N x ◦ N x−1 – elemento simétrico.
Segue que (G/N, ◦) é um grupo. Este grupo é chamado de grupo quociente
de G pelo subgrupo normal N .
A parte que oferece mais dificuldade na prova é provar que a operação
definida, anteriormente, está bem definida. É o que faremos agora: se N x =
N a e N y = N b, então, devemos provar que N x ◦ N y = N a ◦ N b. Para isto,
basta provar que N (x ◦ y) = N (a ◦ b), isto é, (x ◦ y) ◦ (a ◦ b)−1 ∈ N . Mas
(x ◦ y) ◦ (a ◦ b)−1 = x ◦ y ◦ b−1 ◦ a−1 , como x ◦ a−1 = n1 ∈ N e y ◦ b−1 = n2 ∈ N ,
então, (x◦y)◦(a◦b)−1 = x◦(n2 )◦a−1 = (n1 ◦a)◦(n2 )◦a−1 = n1 ◦(a◦n2 ◦a−1 ),
e como a ◦ n2 ◦ a−1 ∈ N , segue que (x ◦ y) ◦ (a ◦ b)−1 ∈ N . Isto prova que

126

Subgrupos Normais
142 UNIDADE III

a operação definida antes não depende dos representantes escolhidos para as


classes.
Resumimos os resultados acima no seguinte teorema.

Teorema 28: Sejam (G, ◦) um grupo e N um subgrupo normal em G. No


conjunto quociente G/N definimos a seguinte operação de classes

(N x) ◦ (N y) = N (x ◦ y).

Esta operação é chamada operação induzida pela operação ◦ do grupo G está

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
bem definida. Além disso, (G/N, ◦) é um grupo.

Vimos que o núcleo de um homomorfismo entre dois grupos é um sub-


grupo normal. Agora, vamos provar que todo subgrupo normal é núcleo de
um homomorfismo de grupos.

Teorema 29: Todo subgrupo normal de um grupo G é núcleo de um homo-


morfismo.

Demonstração: Seja H subgrupo normal em G. Defina π : G → G/H


dada por π(g) = Hg, chamada de projeção canônica. Verifica-se que π é
homomorfismo e tem núcleo H. 

Agora, estamos prontos para provar um importante teorema da teoria dos


grupos.

Teorema 30 (Teorema Fundamental do Homomorfismo):


Sejam ϕ : (G, ◦) → (G, ∗) um homomorfismo e K ⊆ G o núcleo de ϕ. Então,
valem as seguintes afirmações:
a) ϕ(G) é um subgrupo de G,
b) K é subgrupo normal em G,
c) ϕ(G) e G/K são isomorfos.

127

GRUPOS
143

Observamos que se ϕ for sobrejetor, então, G e G/K são isomorfos.


Para demonstrar o Teorema fundamental do homomorfismo basta definir
a seguinte aplicação:
Ψ : G/K → ϕ(G),

onde Ψ(aK) = ϕ(a). Mostraremos que Ψ está bem definida e é um isomor-


fismo. Veja a ilustração:

G
 
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ψ(a) = aK  ϕ



 


G/K  G.
Ψ(aK) = ϕ(a)
Demonstração: Já vimos que ϕ(G) é um subgrupo. Seja aK ∈ G/K,
vamos definir uma aplicação:

Ψ : G/K → ϕ(G)

dada por Ψ(aK) = ϕ(a). A aplicação Ψ foi definida escolhendo um represen-


tante a da classe, e nosso trabalho é mostrar que Ψ está bem definida, isto
é, o valor ϕ(a) não depende do representante. Para provar isto seja b ∈ aK.
Então, existe k1 ∈ K tal que b = ak1 e assim a−1 b = k1 ∈ K. Então,
e = ϕ(k1 ) = ϕ(a−1 b) = ϕ(a)−1 ∗ ϕ(b), donde ϕ(b) = ϕ(a). Assim, Ψ está bem
definida.
Agora, provaremos que Ψ é injetora, suponha que Ψ(aK) = Ψ(bK).
Então, ϕ(a) = ϕ(b). Logo, e = ϕ(a)−1 ∗ ϕ(b) = ϕ(a−1 ◦ b) e, portanto,
a−1 ◦ b ∈ K. Mas a−1 ◦ b ∈ K implica que b ∈ aK. Segue que aK = bK. Isto
mostra que Ψ é injetora.
A sobrejetividade é imediata. Além disso, Ψ((aK)◦(bK)) = Ψ((a◦b)K) =
ϕ(a◦b) = ϕ(a)∗ϕ(b) = Ψ(aK)∗Ψ(bK), mostranto que Ψ é um homomorfismo.

128

Subgrupos Normais
144 UNIDADE III

Isto completa a prova. 

• Exemplo 11 :

a) Seja ϕ : (Z, +) → (Zn , +) dada por ϕ(m) = m. Essa função é um homo-


morfismo de grupos sobrejetor. Além disso, seu núcleo é nZ. Logo, pelo
teorema do homomorfismo temos que

Z
Zn ∼
= .
nZ

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
b) Seja G = �g� um grupo cı́clico infinito. Então, G é isomorfo a (Z, +).

De fato, seja ϕ : Z → G definida por ϕ(n) = g n . Essa aplicação é bijetora


e homomorfismo, portanto um isomorfismo entre os grupos.

Ou usando o teorema do homomorfismo, como ker(ϕ) = {0}, temos que


Z
G∼= = Z.
{0}
c) Seja G = �g� um grupo cı́clico finito com n elementos. Então, G é isomorfo
a Zn .

De fato, seja ϕ : Z → G definida por ϕ(k) = g k . Essa aplicação é so-


brejetora e homomorfismo. O seu núcleo é Ker(ϕ) = nZ, pois g n = e e
g mn = e, ∀m ∈ Z. Logo, pelo teorema do homomorfismo temos que:

Z
G∼
= = Zn .
nZ

d) Seja (R, +) o grupo dos números reais com a adição usual e (C∗ , ·) o
grupo dos números complexos (exceto zero) com a multiplicação usual.
Seja ϕ : R → C∗ dado por ϕ(θ) = exp(2πiθ) = cos(2πθ) + i sin(2πθ). Já
vimos que ϕ é um homomorfismo com núcleo K = Z. Como ϕ(R) = S 1 ,
o cı́rculo de centro na origem e raio 1, segue que S 1 ≈ R/Z.

129

GRUPOS
145

e) Seja G o grupo das matrizes quadradas de ordem 2 com a operação de


adição usual, (M2 , +),e (C, +)
 o grupo dos números complexos. Seja
a b
ϕ : G → C dado por ϕ( ) = a+bi. Sabemos que ϕ é um homomor-
c d  
0 0
fismo sobrejetor de grupos e seu núcleo é K = {A = , c ∧ d ∈ R}.
c d
Então, M2 /K ≈ C.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

130

Subgrupos Normais
146 UNIDADE III

CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, estudamos um pouco de grupos, um grupo é uma es-
trutura algébrica composta de um conjunto não vazio G munido de uma
operação binária sobre G e que satisfaz aos axiomas G1, G1 e G3. Dentre
suas propriedades mais imediatas, vimos que são únicos o elemento neutro e
o elemento simétrico de um grupo. Em um grupo vale a lei do cancelamento
a direita e a lei do cancelamento a esquerda, o que permite resolver equações
do tipo a ∗ x = b e x ∗ a = b.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Definimos subgrupos e aprendemos a determiná-los usando a definição,
ou o lema 3 ou o teorema 7.
Apresentamos muitos exemplos e também exemplos de grupos clássicos
como o grupo Sn das permutações, o grupo Dn diedral e o grupo Zm das
classes residuais módulo m, entre outros não menos importantes.
Definimos homomorfismos e isomorfismos de grupos e provamos que o
núcleo e a imagem de um homomorfismo são subgrupos. Mas o resultado
mais importante relacionado a homomorfismo de grupos é o teorema 30,
graças a esse teorema foi possı́vel descobrir, por exemplo, que todos os grupos
cı́clicos infinitos são isomorfos a (Z, +), que todos os grupos cı́clicos finitos
de ordem m são isomorfos a (Zm , +).
Ainda relacionado aos subgrupos vimos o teorema de Lagrange. Esse
teorema afirma que se um grupo tem um subgrupo, então, a ordem desse
subgrupo divide a ordem do grupo.
A partir de agora quando nos depararmos com conjuntos vamos sempre
observar se há definida nele uma operação binária e em seguida se com essa
operação esse conjunto é um grupo. A próxima pergunta é se esse grupo é
estruturalmente um grupo já conhecido, i.e., se é isomorfo a algum grupo já
conhecido.

131

GRUPOS
147

ATIVIDADES
1. Verifique se Z munido da operação ∗ dada por a ∗ b = a + b − 2 é um
grupo abeliano.

2. Verifique que Z∗5 munido da operação de multiplicação · dada por a·b =


a · b é um grupo abeliano. Resolva em (Z5 , ·) a equação 3x + 1 = 2.

3. Explique porque os grupos (Z, +) e (Q, +) não podem ser isomorfos.

4. Explique porque os grupos (Z6 , +) e (Z8 , +) não podem ser isomorfos.

5. Seja f : (G, ·) → (H, ∗) um homomorfismo de grupos. Prove que f é


injetor se, e somente se, Ker(f ) = {e} (= elemento neutro de G.)
 
cos θ − sin θ
6. Seja M = {A : A = , θ ∈ R}. Mostre que M com a
sin θ cos θ
operação usual de multiplicação de matrizes é um grupo.

7. Seja f : (G, ∗) → (G, ∗) um homomorfismo de grupos tal que f (g) = g 2 .


Prove que nessas condições G é grupo abeliano.

8. Seja GL(2, R) o grupo da matrizes não singulares (invertı́veis) 2 × 2.


Mostre que a aplicação f : GL(2, R) → R∗ dada por f (A) = det(A)
é um homomorfismo de GL(2, R) no grupo multiplicativo (R∗ , ·), onde
R∗ = R − {0}.

9. Seja F o conjunto da funções fn : Z → Z dadas por fn (x) = 2n x, onde


n ∈ Z. Verifique que F munido da composição usual de funções é um
grupo abeliano. Apresente o elemento neutro e o simétrico de cada
elemento.

10. Sejam C∗ = C − {0} e R∗ = R − {0} os grupos multiplicativos dos


números complexos não nulos e dos números reais não nulos. Seja
fn : C∗ → R∗ dado por f (z) = |z| (função módulo). Verifique que
132
f é um homomorfismo de grupos. Verifique que o seu núcleo é S 1 , o
cı́rculo centrado na origem e raio 1. Use o teorema fundamental do
homomorfismo para mostrar que R∗ é isomorfo a C∗ /S 1 .
148

LEITURA COMPLEMENTAR
Euclides e os números primos
Euclides provou que existem infinitos números naturais primos. Há cerca
de 2300 anos, na Proposição 20 do Livro IX dos seus Os Elementos, Euclides
apresentou uma demonstração de que a quantidade de números primos é
inesgotável. A argumentação de Euclides é bastante simples e vamos repeti-
la aqui.
A demonstração de Euclides é a mais simples de todas as conhecidas sobre
este resultado. Sua vantagem em relação as demais é a sua simplicidade.
Teorema: Existem infinitos números primos.
O argumento de Euclides é o seguinte: suponha que exista em um número
finito de números primos. Sejam eles 2, 3, 5, 7, ....p, sendo p o maior deles.
Considere o seguinte número natural:

N = 2 × 3 × 5 × 7 × · · · × p + 1.

Esse número não pode ser primo, pois é maior do que p – o maior primo.
É fácil ver que N não tem outros divisores diferentes de 1 e de N . De fato,
2 não divide N , pois a divisão de N por 2 deixa resto 1. Do mesmo modo,
vê-se que N ao ser dividido por qualquer outro primo, deixará sempre resto
1. Assim, N tem que ser primo. Sendo N primo maior do que p, chegamos
a um absurdo, pois p é o último dos primos. Isto demonstra o teorema. 

Questões relacionadas aos números primos sempre intrigaram os estu-


diosos. Vejamos uma questão interessante relacionada aos números primos.
Veja o [4] para estas e outras questões.
Primos gêmeos: Dois números primos são ditos primos gêmeos se a
diferença entre eles é 2. Assim, os números primos gêmeos são tais que dado

134
149

um primo p, também será primo o número p + 2. Os primos gêmeos formam


pares, por exemplo, (3, 5), (5, 7), (11, 13), (17, 19), (71, 73). Os matemáticos
acreditam que a quantidade de primos gêmeos seja infinita, mas ninguém até
agora conseguiu provar essa afirmação.
Os primos gêmeos estão relacionados a um episódio importante na
indústria dos computadores. Em 1993, o professor de matemática Thomas
Nicely, tentando melhorar o cálculo da soma de Brun utilizando cinco com-
putadores 486 e um Pentium, obteve resultados diferentes nas duas máquinas.
O resultado obtido pelo computador 486 estava de acordo com os resultados
já publicados. Mas os resultados obtidos com o Pentium não concordavam
com os dados já publicados. Depois de várias verificações foi identificado o
problema: o Pentium apresentava um erro 1010 vezes superior ao 486. O
prof. Nicely comunicou o fato a Intel, fabricante do processador, que o ig-
norou. A notı́cia se espalhou pela internet e o bug foi confirmado por dezenas
de pessoas até que a notı́cia chegou às TVs. Após a IBM anunciar que ia
deixar de comercializar PCs com Pentium, a cotação das suas ações da Intel
despencaram nas Bolsas de Valores. Algum tempo, a Intel lança no mercado
o Pentium II e III sem bugs e reconquista a confiança do mercado.
Fonte: Wikipédia (on-line)1 .

135
MATERIAL COMPLEMENTAR

Évariste Galois
A vida e a obra matemática de Évariste Galois foram por várias vezes retratadas no cinema. Você
pode ver um breve documentário sobre a sua vida, disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=J6dsanpnpt0.
151
REFERÊNCIAS
Referências
Referências
[1] DEAN, R. Elementos de Álgebra Abstrata. Rio de Janeiro: LTC,
[1] 1974.
DEAN, R. Elementos de Álgebra Abstrata. Rio de Janeiro: LTC,
1974.
[2] MONTEIRO, L. H. J. Elementos de Álgebra. São Paulo: LTC,
[2] 1975.
MONTEIRO, L. H. J. Elementos de Álgebra. São Paulo: LTC,
1975.
[3] EUCLIDES. Euclid’s Elements. Thomas L. Heath (ed.). Disponı́vel
[3] em <http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Euc.+1&redirect=true>.
EUCLIDES. Euclid’s Elements. Thomas L. Heath (ed.). Disponı́vel
Acesso em: 09 fev. 2016.
em <http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Euc.+1&redirect=true>.
Acesso em: 09 fev. 2016.
[4] KOSHY, T. Elementary Number Theory with Applications.
[4] Academic
KOSHY, T.Press, 2007.
Elementary Number Theory with Applications.
Academic Press, 2007.
CITAÇÃO DE LINKS
Citação de Links
1
Em: < ÃO
CITAÇ https:pt.wikipedia.org/wiki/Defeito
DE LINKS − de− ponot− flutuante>. Acesso

em:
1 04 <jul.
Em: 2016.
https:pt.wikipedia.org/wiki/Defeito − de− ponot− flutuante>. Acesso

em: 04 jul. 2016.

137
137
GABARITO
GABARITO
1. Z munido da operação ∗ dada por a ∗ b = a + b − 2 é um grupo abeliano.

Devemos mostrar que Z munido da operação ∗ satisfaz aos axiomas


G1,G2,G3 e G4.

Primeiramente, observamos que a operação ∗ aplica dois inteiros em


um outro inteiro, portanto é um operação sobre Z.

Agora vamos provar que a operação ∗ é associativa. De fato,

a ∗ (b ∗ c) = a ∗ (b + c − 2) = a + (b + c − 2) − 2 = a + b + c − 4

e por outro lado,

(a ∗ b) ∗ c = (a ∗ b) + c − 2 = (a + b − 2) + c − 2 = a + b + c − 4.

Logo, a ∗ (b ∗ c) = (a ∗ b) ∗ c, para quaisquer a, b, c ∈ Z. Segue que ∗ é


associativa.

Note que a operação ∗ é claramente comutativa, pois,

a ∗ b = a + b − 2 = b + a − 2 = b ∗ a, ∀a, b ∈ Z.

Em seguida vamos provar que ∗ admite elemento neutro. Dado a ∈ Z


queremos determinar e ∈ Z tal que a ∗ e = e ∗ a = a. Notemos que
a ∗ e = a + e − 2 = a implica que e = 2. Assim, afirmamos que o
elemento neutro é e = 2. De fato, dado qualquer a ∈ Z temos que

a ∗ e = a ∗ 2 = a + 2 − 2 = a.

Agora vamos mostrar que o elemento a ∈ Z tem simétrico. Queremos

138
153
GABARITO

determinar um elmento a′ ∈ Z tal que a ∗ a′ = a′ ∗ a = e. Note que


a ∗ a′ = e é igual a a + a′ − 2 = 2 e, portanto, a′ = 4 − a. Afirmamos
que o simétrico de cada elemento a ∈ Z é dado por a′ = 4 − a. De fato,

a ∗ a′ = a + a′ − 2 = a + 4 − a − 2 = 2 = e.

Assim, cada a ∈ Z tem simétrico.

Logo, (Z, ∗) é um grupo abeliano.

2. Verifique que Z∗5 munido da operação de multiplicação · dada por a·b =


a · b é um grupo abeliano. Resolva em (Z∗5 , ·) a equação 3x + 1 = 2.

Já vimos que essa operação está bem definida, é associativa e comuta-
tiva. Pela tábua de operações podemos verificar facilmente que 1 é o
elemento neutro. Além disso, o inverso de 2 é 3, pois 2 · 3 = 1 e claro,
o inverso de 3 é 2. Finalmente, o inverso de 4 é 4. Portanto, Z∗5 é um
grupo abeliano.

Para resolver em (Z∗5 , ·) a equação 3x + 1 = 2, vamos precisar da adição


em Z5 .

Aplicando o simétrico de 1 a ambos os lados da equação 3x + 1 = 2


temos:

3x + 1 + 4 = 2 + 4.

Logo, 3x = 1.

Agora aplicando inverso de 3 a ambos os lados de 3x = 1 temos,

2 · 3x = 2 · 1.

139
GABARITO

Logo, x = 2.

· 1 2 3 4
1 1 2 3 4
2 2 4 1 3
3 3 1 4 2
4 4 3 2 1

3. Os grupos (Z, +) e (Q, +) não podem ser isomorfos porque (Z, +) é


cı́clico e (Q, +) não é.

4. Os grupos (Z6 , +) e (Z8 , +) não podem ser isomorfos porque eles têm
quantidades de elementos diferentes, isto é, têm cardinalidade difer-
entes.

5. O homomorfismo f : (G, ·) → (H, ∗) é injetor se, e somente se,


Ker(f ) = {e}.

Suponha f um homomorfismo injetor e g ∈ Ker(f ). Como f (g) = f (e)


e f é injetor, segue que g = e. Assim, Ker(f ) = {e}.

Suponha agora que Ker(f ) = {e}, vamos mostrar que nesse caso f
é homomorfismo injetor. Suponha que f (g) = f (g ′ ), onde g, g ′ ∈ G.
Então, aplicando o simétrico de f (g) a ambos os lados, temos que:

f (g)−1 ∗ f (g) = f (g)−1 ∗ f (g ′ ).

Logo,
eH = f (g)−1 ∗ f (g ′ ) = f (g −1 · g ′ ).

Segue que g −1 · g ′ ∈ Ker(f ) = {e}. Logo,g −1 · g ′ = e e, portanto, g = g ′ .


Logo, f é homomorfismo injetor.

140
155
GABARITO

� �
cos θ − sin θ
6. Seja M = {A : A = , θ ∈ R}. Mostre que M com a
sin θ cos θ
operação usual de multiplicação de matrizes é um grupo.

Use que a multiplicação de matrizes é uma operação associativa. Note


que o elemento neutro é a matriz identidade
� �
cos(0) − sin(0)
I= .
sin(0) cos(0)

� �
cos θ − sin θ
Verifique que a inversa da matrix A = tem a forma
  sin θ cos θ
cos (θ) sin (θ)
A−1 =   que é um elemento de M . Assim, (M, ·) é
− sin (θ) cos (θ)
um grupo.

Você pode verificar que esse grupo é também abeliano. Basta observar
que
   
cos (θ) − sin (θ) cos (α) − sin (α)
AB =  · 
sin (θ) cos (θ) sin (α) cos (α)
 
cos (θ) cos (α) − sin (θ) sin (α) − cos (θ) sin (α) − sin (θ) cos (α)
= 
sin (θ) cos (α) + cos (θ) sin (α) cos (θ) cos (α) − sin (θ) sin (α)
 
cos (θ + α) − sin (θ + α)
=  = BA.
sin (θ + α) cos (θ + α)

7. Se f : (G, ∗) → (G, ∗) é um homomorfismo de grupos tal que f (g) =


g2 = g ∗ g, então, G é grupo abeliano.

De fato, notemos que f (x) = x ∗ x e f (y) = y ∗ y. Por um lado,

f (x) ∗ f (y) = f (x ∗ y) = (x ∗ y)2 = (x ∗ y) ∗ (x ∗ y)

141
GABARITO

e por outro lado,

f (x) ∗ f (y) = (x ∗ x) ∗ (y ∗ y).

Segue que (x∗x)∗(y∗y) = (x∗y)∗(x∗y) e usando a lei do cancelamento,


temos x ∗ y = y ∗ x. Assim, G é grupo abeliano.

8. Se GL(2, R) é o grupo da matrizes não singulares (invertı́veis) 2 ×


2, a aplicação f : GL(2, R) → R∗ dada por f (A) = det(A) é um
homomorfismo de GL(2, R) no grupo multiplicativo (R∗ , ·), onde R∗ =
R − {0}.

Sabemos de propriedades de determinante que det(AB) =


det(A) det(B) e é, basicamente, isso que se deve verificar. Tome duas
matrizes e verifique diretamente.

9. Seja F o conjunto da funções fn : Z → Z dadas por fn (x) = 2n x, onde


n ∈ Z. Verifique que F munido da composição usual de funções é um
grupo abeliano. Apresente o elemento neutro e o simétrico de cada
elemento.

Sabemos que a composição de funções é uma operação associativa. Afir-


mamos que nesse conjunto a composição é também comutativa. De
fato,

(fn ◦ fm )(x) = fn (fm (x)) = fn (2m x) = 2n (2m x) = 2n+m x, ∀x ∈ Z.

e,

(fm ◦ fn )(x) = fm (fn (x)) = fm (2n x) = 2m (2n x) = 2n+m x, ∀x ∈ Z.

142
157
GABARITO

Logo, fn ◦ fm = fm ◦ fn , para quaisquer m, n ∈ Z.

Afirmamos que f0 (x) = 20 x = x, ∀x ∈ Z é o elemento neutro. De fato,

(fn ◦ f0 )(x) = fn (f0 (x)) = fn (x), ∀x ∈ Z,

e, assim, fn ◦ f0 = fn .

Afirmamos que o simétrico de fn é o elemento f−n . De fato, seja fn ∈ F ,


então,

(fn ◦ f−n )(x) = fn (2−n x) = 2n (2−n x) = x, ∀x ∈ Z.

Logo, fn ◦ f−n = f−n ◦ fn = f0 .

10. Sejam C∗ = C − {0} e R∗ = R − {0} os grupos multiplicativos dos


números complexos não nulos e dos números reais não nulos e seja
fn : C∗ → R∗ dado por f (z) = |z| (função módulo).

Para verificar que f é um homomorfismo de grupos, basta verficar que


f (z1 z2 ) = f (z1 )f (z2 ). De fato,

f (z1 z2 ) = |z1 z2 | = |z1 ||z2 | = f (z1 )f (z2 ), ∀z1 , z2 ∈ C∗ .

O núcleo de f é por definição o conjunto:

ker(f ) = {z ∈ C∗ ; f (z) = 1},

onde 1 ∈ R∗ é o elemento neutro para a multiplicação em R∗ . Logo,

ker(f ) = {z = (x, y) ∈ C∗ ; f (z) = 1},


= {z = (x, y) ∈ C∗ ; |z| = 1},

143
GABARITO


= {z = (x, y) ∈ C∗ ; x2 + y 2 = 1},
= {z = (x, y) ∈ C∗ ; x2 + y 2 = 1}.

Assim, ker(f ) é o cı́rculo de centro na origem e de raio 1, representamos


esse conjunto por S 1 .

Para aplicar o teorema fundamental do homomorfismo, temos que ver-


ificar se f é sobrejetor, mas f é claramente sobrejetor. Assim,

im(f ) ≃ C∗ /ker(f )
R∗ ≃ C∗ /S 1 .

144
Professor Dr. Doherty Andrade

IV
UNIDADE
ANÉIS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Definir anéis, apresentar exemplos e demonstrar suas primeiras
propriedades.
■■ Introduzir homomorfismos e isomorfismos de anéis.
■■ Definir domínios de integridade e construir o anel dos inteiros.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Conceitos e propriedades
■■ Resultados básicos
■■ Homomorfismos de anéis
■■ Domínios de integridade
■■ A construção do anel dos inteiros
161

• A construção do anel dos inteiros

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, estudaremos os primeiros resultados
da teoria dos anéis. Como veremos, um anel A é uma estrutura algébrica
composta de um conjunto não vazio e munido de duas operações binárias,
uma delas chamada de adição e outra chamada de multiplicação que satis-
fazem a alguns axiomas, sendo que A munido da adição é um grupo abeliano
e A munido da operação multiplicação é um semigrupo. O exemplo mais
importante para anel é o conjunto dos inteiros munido da adição e multi-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

plicação usuais; muitos resultados da teoria dos anéis foram inspirados nas
propriedades dos números inteiros.
Destacaremos resultados que estendem aqueles já existentes para grupos,
tais como homomorfismo e isomorfismo de anéis. Estudaremos também anéis
com algumas propriedades especiais como os ideais, ideais primos, ideais
maximais e domı́nios de integridade.

CONCEITO E PROPRIEDADES
CONCEITO E PROPRIEDADES
Um anel é um conjunto A não vazio munido de duas operações binárias,
denotadas aqui por + e ·, e chamadas respectivamente de adição e multi-
plicação, tais que:
A1) (A, +) é um grupo abeliano.
A2) (A, ·) é um semigrupo. isto é, a multiplicação é associativa.
A3) Vale a distributividade à direita e à esquerda, isto é,

(b + c) · a = b · a + c · a,

146

Introdução
162 UNIDADE IV

a · (b + c) = a · b + a · c.

Usualmente, denotamos um anel A com as operações “+” e “·” por (A, +, ·).
Note que “ + ” e “ · ” associam a cada par de elementos a, b ∈ A elementos
a + b ∈ A e a · b ∈ A.

Resumo

Axiomas de Anel
A1 (A, +) é grupo abeliano

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A2 (A, ·) é semigrupo
A3 Vale distribuitivade a direita e a esquerda
(b + c) · a = b · a + c · a,
a · (b + c) = a · b + a · c.

Definição 1:
a) Um anel (A+, ·) é chamado um anel com identidade se o semigrupo (A, ·)
tem um elemento identidade, isto é, existe um elemento 1 ∈ A tal que
a · 1 = 1 · a = a, ∀a ∈ A.

b) Um anel é comutativo se o semigrupo (A, ·) é comutativo.

c) Um anel (A, +, ·) é chamado um domı́nio de integridade se é um anel


comutativo com identidade no qual a · b = 0 implica a = 0 ou b = 0, onde
0 é o elemento neutro do grupo (A, +). Nesse caso, dizemos que A não
tem divisores de zero.

d) Um anel é chamado corpo se os elementos não nulos formam um grupo


comutativo com a operação “·” multiplicação.

O elemento neutro para a adição será indicado por 0 e por 1 indicaremos


o elemento identidade (quando existir), por −x indicaremos o elemento

147

ANÉIS
163

simétrico de x. Se n ∈ Z, então, nx = x + x +
· · · + x, se n > 0 e
n
(−x) + (−x) + · · · (−x), se n < 0. Analogamente, xn = x
 · x· · · x, se n > 0 e
  
|n| n
n −1 −1 −1 −1
x = x · x  · · · x , se n < 0 e se x existe.
|n|

• Exemplo 1 :

(a) Seja (A, +) um grupo abeliano com elemento neutro dado por 0.
Definindo a multiplicação em A por a · b ≡ 0, obtemos que (A, +, ·)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

é um anel comutativo.

(b) O conjunto Z dos inteiros munido das operações de adição e de multi-


plicação usuais é um anel comutativo com identidade.

(c) (Zm , +, ·) é um anel comutativo com identidade.

(d) O conjunto das funções f : R → R, isto é, funções com domı́nio e con-
tradomı́nio sendo os números reais, é um anel comutativo com identidade,
munido das operações:

(f + g)(x) = f (x) + g(x), adição

(f · g)(x) = f (x) · g(x), multiplicação.

Observe que o elemento identidade é a função constante f (x) = 1, ∀x ∈


R. Note que este anel não é um domı́nio de integridade, sob essas
operações. De fato, tomando as funções f e g dadas por

2x, se x ≤ 0
f (x) =
0, se x > 0

0, se x ≤ 0
g(x) =
5x, se x > 0

148

Introdução
164 UNIDADE IV

obtemos que (f · g)(x) = 0, ∀x ∈ R, embora nenhuma delas seja função


nula.

(e) Os quatérnios. Seja,

Quat = {a + bi + cj + dk; a, b, c, d ∈ R}

munido das operações + e · dadas a seguir:

(a + bi + cj + dk) + (a′ + b′ i + c′ j + d′ k) =

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(a + a′ ) + (b + b′ )i + (c + c′ )j + (d + d′ )k,

(a + bi + cj + dk) · (a′ + b′ i + c′ j + d′ k) = (aa′ − bb′ − cc′ − dd′ )


+ (ab′ + ba′ + cd′ − dc′ )i
+ (ac′ + ca′ + db′ − bd′ )j
+ (ad′ + da′ + bc′ − cb′ )k,

onde

i2 = −1 i·j =k k · j = −i
2
j = −1 j · i = −k k·i=j
k 2 = −1 j·k =i i · k = −j

Um modo de memorizar esses resultados é utilizar a figura a seguir.


Observe o sentido das flechas.

149

ANÉIS
165

Figura 1: Cı́rculo com orientação horária de multiplicação dos quatérnios.

i
Figura 1: Cı́rculo com orientação horária de multiplicação dos quatérnios.

k j
Fonte: o autor (2016).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: o autor (2016).


Verifica-se facilmente que 1i · 1j = k �= 1j · 1i = −k, logo, a multiplicação
não é comutativa.
Verifica-se
Pode-se facilmente
provar queque 1i · 1j
(Quat, +,=·) ké �= · 1i =com
um1janel −k,elemento
logo, a multiplicação
neutro
não é comutativa.

Pode-se provar que (Quat, +,0·)=é0um


+ 0ianel
+ 0j + 0k
com elemento neutro

e a unidade é 0 = 0 + 0i + 0j + 0k
1 = 1 + 0i + 0j + 0k.
e a unidade é
Neste anel, dado x = a + bi + cj + dk não nulo, existe
1 = 1 + 0i + 0j + 0k.
a − bi − cj − dk
y=
Neste anel, dado x = a + bi + ∈ existe
Quat
a2 cj
++ b2 dk
+ cnão
2+d nulo,
2

tal que, a − bi − cj − dk
y= ∈ Quat
a2 + b2 + c2 + d2
x · y = y · x = 1.
tal que,
Assim, (Quat, +, ·) é quase um corpo, verifica a quase todos os axiomas de
x · y = y · x = 1.
um corpo exceto a comutatividade da multiplicação. Você pode verificar
Assim, (Quat, +,
os detalhes ·) é quase um corpo, verifica a quase todos os axiomas de
facilmente.
um corpo exceto a comutatividade da multiplicação. Você pode verificar
os detalhes facilmente.
150

150

Introdução
166 UNIDADE IV

(f) Os conjuntos numéricos Q e R munidos das operações usuais de adição


e multiplicação são aneis comutativos com identidade. Mais do que isso,
Q e R são corpos.

(g) Seja (A, +, ·) um anel. Um polinômio f sobre o anel A é uma sequência

(a0 , a1 , . . . , an , . . .)

de elementos de A na qual apenas um número finito de termos são difer-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
entes do zero do anel A.

Segue que para cada polinômio f existe um natural d que depende de f


tal que para cada n > d tem-se an = 0. Se ad �= 0, mas an = 0 para todo
n > d, então, d é chamado o grau do polinômio f.

É comum representar um polinômio f sobre A de grau n,

(a0 , a1 , . . . , an , 0, 0, . . .),

por
f (x) = a0 + a1 x + · · · + an xn .

Polinômios da forma (a0 , 0, . . . , 0, . . .) são chamados de polinômios es-


calares. Se a0 = 0 então o polinômio será dito polinômio nulo. O grau
do polinômio nulo será admitido como sendo (−1), embora alguns autores
não definam o grau para este polinômio.

Observamos que dois polinômios são iguais se os coeficientes correspon-


dentes são iguais. Isto é,

(a0 , a1 , . . . , an , . . .) = (b0 , b1 , . . . , bn , . . .)

151

ANÉIS
167

se ese
somente se ase
e somente , ∀ibi ,∈∀iN.∈ N.
i =aibi=

O conjunto de todos
O conjunto os polinômios
de todos sobre
os polinômios o anel
sobre A munido
o anel das das
A munido operações
operações
abaixo se transformará em um anel:
abaixo se transformará em um anel:
Adição:
Adição:

(a0 , (a
a10,,.a. 1.,,.a.n.,,.a.n.)+(b 0 , b10, ,. b. 1.,,.b.n.,,.b.n.)
, . . .)+(b , .=
. .)(a=0 +b , a10+b
(a00+b , . . 1.,,.a.n. +b
, a11+b , . .n.),
, ann+b , . . .),

Multiplicação:
Multiplicação:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a10,,.a. 1.,,.a.n.,,.a.n.), .·.(b


(a0 , (a .)0·, (b
b10, ,. b. 1.,,.b.n.,,.b.n.), .=
. .)(c=
0 , (c
c10, ,. c. 1.,,.c.k., ,. c.k.),
, . . .),

ondeonde

ck =ck = ai bj .ai bj .
i+j=k
i+j=k

Denotaremos
Denotaremos por por
(A[x], +, ·)+,o ·)anel
(A[x], dos dos
o anel polinômios sobre
polinômios o anel
sobre A com
o anel A com
as operações definidas
as operações acima.
definidas acima.

RESULTADOS
RESULTADOS
RESULTADOS BÁSICOS
BÁSICOS
BÁSICOS
Lema
Lema1: Seja (A, +,
1: Seja (A,·)+,um anelanel
·) um comcom
elemento neutro
elemento 0. Para
neutro a ∈ aA,∈ A,
todotodo
0. Para
temos: a · 0a=· 00 =e 00 ·ea0=· a0.= 0.
temos:

Demonstração:
Demonstração: De fato, a·0+
De fato, a ·a0·+0 a=· 0a(0
=+ · 0.aAplicando
0)+=0)a =
a(0 o simétrico
· 0. Aplicando o simétrico
· 0aa· 0ambos
de ade os lados, temos:
a ambos os lados, temos:

a · 0a+· 0a +
· 0a+· 0(−a · 0) ·=0)a =
+ (−a · 0a+· 0(−a · 0) · 0)
+ (−a

que que
resulta · 0a=· 00.=Segue
em aem
resulta a · 0a=· 00.=Analogamente,
que que
0. Segue 0 · a0=· a0.= 0.  
0. Analogamente,

152 152

Resultados Básicos
168 UNIDADE IV

Lema 2 (Regra de sinais): Seja (A, +, ·) um anel com elemento neutro 0.


Para todo a, b ∈ A, temos:
a) a · (−b) = (−a) · b = −(a · b),
b) (−a) · (−b) = a · b.

Demonstração: a) a · b + (−a) · b = [a + (−a)] · b = 0 · b = 0. Logo,


−(a · b) = (−a) · b.
Por outro lado, a·b+a·(−b) = a·[b+(−b)] = a·0 = 0. Logo, −(a·b) = a·(−b).
Para o item b) temos que (−a) · (−b) = −[(a) · (−b)] = −[−(a · b)] = a · b,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pois o simétrico do simétrico de x é x. 

Lema 3: Seja (A, +, ·) um anel com elemento neutro 0. Em um anel com


identidade, a identidade é única.

Demonstração: De fato, se 1 e 1′ são elementos identidades do anel A,


temos que
1 = 1 · 1′ = 1′ · 1 = 1′ .

Note que na primeira igualdade usamos que 1′ é elemento identidade e na


terceira usamos que 1 é também elemento identidade do anel. 

Lema 4: Seja (A, +, ·) anel não nulo com elemento neutro 0, isto é, A �=
{0}. Se A tem um elemento identidade 1, então, 1 �= 0.

Demonstração: Se 1 = 0, então, a = a · 1 = a · 0 = 0, isto é, a = 0 e,


portanto, A = {0}. Isto contradiz a hipótese. 

Em outras palavras, se um anel A tem elemento identidade 1 e 1 = 0


então o anel A se reduz ao conjunto A = {0}.

153

ANÉIS
169

Definição 2: Seja (A, +, ·) um anel com elemento neutro 0. Um elemento


a ∈ A é um divisor de zero à esquerda se a �= 0 e se existe b �= 0 tal que
a · b = 0. Um elemento a ∈ A é um divisor de zero à direita se a �= 0 e se
existe b �= 0 tal que b · a = 0.
Um elemento a do anel A que não é divisor de zero é chamado de elemento
regular.

Note que no anel (Z8 , +, ·) temos que 2 · 4 = 0, assim 2 e 4 são divisores


de zero.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Lema 5: Se (A, +, ·) é um anel no qual vale a lei do cancelamento à esquerda


para a operação multiplicação, então, A não tem divisores de zero à esquerda.

Demonstração: Se a · b = 0 e a �= 0, então a · b = a · 0 e usando a lei do


cancelamento à esquerda, obtemos que b = 0. 

Uma propriedade análoga vale para lei do cancelamento à direita.

Lema 6: Se (A, +, ·) é um anel no qual vale a lei do cancelamento à direita


para a operação multiplicação, então, A não tem divisores de zero à direita.

Demonstração: Se b · a = 0 e a �= 0, então, b · a = 0 · a e usando a lei do


cancelamento à direita, obtemos que b = 0. 

Um dos resultados mais importantes é o teorema, a seguir, que dá exem-


plo da existência de corpo com uma quantidade finita de elementos.

Teorema 1:Todo domı́nio de integridade finito é um corpo.

Demonstração: Como um domı́nio de integridade é um anel comutativo


com identidade e sem divisores de zero, resta provar que os elementos não

154

Resultados Básicos
170 UNIDADE IV

nulos de A têm inversos. De fato, seja a um elemento não nulo do domı́nio


A. Como o conjunto é finito a, a2 , · · · , an , · · · , não podem ser todos distintos.
Suponha que ar = as , r < s, ar �= 0. Então, as = ar · as−r , com s − r ≥ 1.
Logo, ar (1 − as−r ) = 0 e como ar �= 0 resulta que (1 − as−r ) = 0. Assim,
1 = as−r . Como s − r ≥ 1 podemos escrever 1 = a · as−r−1 , com s − r − 1 ≥ 0.
Logo, a−1 = as−r−1 . 

• Exemplo 2 :
Como exemplo, apresentamos o anel (Z5 , +, ·) com as operações já definidas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
em (a) da secção §III. É fácil ver que esse anel é um domı́nio de integridade
com 5 elementos e, portanto, pelo teorema 1, é um corpo. Veja a tábua de
operações, a seguir. Por meio da tábua de operações podemos identificar os
inversos e os simétricos de cada elemento. Por exemplo, o inverso de 2 é 3,
pois 2 · 3 = 1. Veremos mais tarde que todo (Zp , +, ·), p primo, é um corpo.

Tabela IV.1: Tábua de operações de (Z5 , +) e de Z5 com a multiplicação.


+ 0 1 2 3 4 · 0 1 2 3 4
0 0 1 2 3 4 0 0 0 0 0 0
1 1 2 3 4 0 1 0 1 2 3 4
——–
2 2 3 4 0 1 2 0 2 4 1 3
3 3 4 0 1 2 3 0 3 1 4 2
4 4 0 1 2 3 4 0 4 3 2 1

Definição 3: Um subconjunto S de um anel (A, +, ·) é chamado um subanel


de A se S é fechado para a adição e para a multiplicação e forma um anel
sob estas operações.

Teorema 2: Um subconjunto não vazio S de um anel (A, +, ·) é um subanel


de A se, e somente se,

155

ANÉIS
171

a) para todo a, b ∈ S tem-se a − b ∈ S,


b) para todo a, b ∈ S tem-se a · b ∈ S.

Observe que a condição a) é equivalente a (S, +) ser um subgrupo


abeliano, e a condição b) diz que S é fechado para a multiplicação. De
a) construı́mos o elemento neutro e como associatividade e distributividade
já valem em A, segue que (S, +, ·) é um anel. É claro que se S é um subanel
então estas condições são satisfeitas. 

Definição 4: Seja (A, +, ·) um anel e S = {n ∈ N∗∗, n · a = 0, ∀a ∈ A}. Se


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

S = ∅ dizemos que a caracterı́stica do anel A é zero. Se S �= ∅ a caracterı́stica


de A é o menor elemento de S.

m, +, ·) é m, a caracterı́stica de (Z, +, ·) é zero e a


A caracterı́stica de (Zm
caracterı́stica de (R, +, ·) é zero.

HOMOMORFISMO DE ANÉIS
HOMOMORFISMO DE ANÉIS
Sejam (A, +, ·) e (A, ⊕, ⊙) dois anéis. Uma função ϕ : A → A é chamada
um homomorfismo de anéis se para todo a, b ∈ A tem-se:
a) ϕ(a + b) = ϕ(a) ⊕ ϕ(b),
b) ϕ(a · b) = ϕ(a) ⊙ ϕ(b).
Se ϕ é bijetiva dizemos que é um isomorfismo de anéis.
É fácil ver que a composta de homomorfismo de anéis é um homomorfismo
de anéis.

• Exemplo 3 :

(a) A aplicação ϕ : (Z, +, ·) → (Zm


m, +, ·) dada por ϕ(n) = n é um

homomorfismo sobrejetor.

156

Homomorfismo de Anéis
172 UNIDADE IV

√  √
(b) Seja Q 2 = {a + b 2; a, b ∈ Q} munido das operações usuais dos
√  √ √ √
números reais e ϕ : Q 2 → Q[ 2] dada por ϕ(a + b 2) = a − b 2, é
um isomorfismo.

Definição 5: Sejam (A, +, ·) e (A, ⊕, ⊙) dois aneis com elementos neutros


0 e 0, respectivamente. Seja ϕ : (A, +, ·) → (A, ⊕, ⊙) um homomorfismo
entre os anéis. O núcleo de ϕ é definido por:

K = Ker(ϕ) = {a ∈ A; ϕ(a) = 0}.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
É fácil ver que 0 ∈ Ker(ϕ). Provaremos isso do mesmo modo como fizemos
para homomorfismo de grupos. De fato, como:

ϕ(0) = ϕ(0 + 0) = ϕ(0) ⊕ ϕ(0),

segue que ϕ(0) = 0.


Vamos provar que o núcleo de um homomorfismo de anéis é um subanel
do anel que é o domı́nio do homomorfismo. No estudo dos grupos, provamos
um resultado semelhante.

Lema 7: Sejam (A, +, ·) e (A, ⊕, ⊙) dois aneis com elementos neutros 0 e 0,


respectivamente. Se ϕ : (A, +, ·) → (A, ⊕, ⊙) é um homomorfismo de anéis,
então K = Ker(ϕ) é um subanel de A.

Demonstração: É claro que K = Ker(ϕ) é não vazio, pois 0 ∈ A é elemento


de K. Além disso, se a, b ∈ K, então, ϕ(a − b) = ϕ(a) ⊕ ϕ(−b) = 0 ⊕ 0 = 0.
Também, ϕ(a · b) = ϕ(a) ⊙ ϕ(b) = 0 ⊙ 0 = 0. 

O núcleo K de um homomorfismo de anéis tem outra propriedade im-


portante: se a ∈ A e k ∈ K, então, a · k e k · a estão em K. De fato,

157

ANÉIS
173

ϕ(a · k) = ϕ(a) ⊙ ϕ(k) = ϕ(a) ⊙ 0 = 0. Do mesmo modo, ϕ(k · a) =


ϕ(k) ⊙ ϕ(a) = 0 ⊙ ϕ(a) = 0.
Um subanel com esta proprieade é chamado de ideal.

Definição 6: Um subanel R de um anel (A, +, ·) é chamado um ideal (bi-


lateral) de A se: a ∈ A e r ∈ R, então, a · r ∈ R e r · a ∈ R.

Os ideais que vamos considerar são subanéis de um anel comutativo com


identidade e, portanto, bilaterais.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Exemplo 4 : Seja, (A, +, ·) um anel comutativo com identidade e a ∈ A.


O conjunto Aa = {x · a, x ∈ A} é um ideal de A.

Como vimos, ateriormente, o núcleo de um homomorfismo de aneis é um


ideal. Vamos registrar esse resultado no lema a seguir:

Lema 8: O núcleo de um homomorfismo de anel comutativo com identidade


é um ideal.

Definição 7: Seja (A, +, ·) um anel comutativo e a ∈ A. Seja,

�a� = {r · a + na; r ∈ A e n ∈ Z}.

Este ideal é chamado de ideal principal. Um ideal R é dito principal se existe


a ∈ A tal que R = �a�.
Um ideal R �= A do anel A é dito ideal primo se toda vez que a · b ∈ R
com a, b ∈ A implicar a ∈ R ou b ∈ R.
Um ideal M �= A do anel A é chamado de ideal maximal de A se para
todo R �= M contendo M implicar que R = A.

Observe que o ideal �a� se reduz a A · a, se A contém uma identidade.


De fato, se e ∈ A é uma identidade de A temos que n · a = (n · e) · a com
(n · e) ∈ A e, portanto, r · a + n · a = (r + n · e) · a = r′ · a.

158

Homomorfismo de Anéis
174 UNIDADE IV

Um exemplo de ideal maximal de Z é pZ, onde p é um número primo.

Teorema 3: Em um anel comutativo com identidade todo ideal maximal é


primo .

Demonstração: Seja M um ideal maximal do anel A e sejam a, b ∈ A tais


que a · b ∈ M . Se a �∈ M , então o ideal M + �a� é tal que M ⊂ M + �a� ⊂ A;
mas M é diferente de M + �a� pois a �∈ M. Como M é maximal segue que
M + �a� = A. Portanto, existem m ∈ M e a0 ∈ A tais que 1 = m + a0 · a.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Segue que,
b = m · b + a0 · a · b ∈ M,

pois m e a · b estão em M . Isto mostra de M é ideal primo. 

Teorema 4: Seja R um ideal do anel (A, +, ·). Existe um anel A e um


homomorfismo ϕ de A em A cujo núcleo é R.

Demonstração: Sabemos que (R, +) é um subgrupo normal de (A, +), pois


+ é comutativa. Sabemos também que existe um homomorfismo de grupos
ϕ de (A, +) em (A/R, +) com núcleo R dado por ϕ(a) = a + R. Defina em
A/R a multiplicação,

(a + R) · (b + R) = (a · b) + R.

Precisamos provar que esta operação não depende dos representantes. É


aqui que usaremos fortemente o fato que R é um ideal. Se a + R = a1 + R e
b + R = b1 + R, devemos provar que a · b + R = a1 · b1 + R, ou equivalemente
que a1 b1 ∈ ab + R. Como a1 ∈ a + R e b1 ∈ b + R, existem r1 e r2 em R tais
que,
a1 = a + r 1 e b1 = b + r2 .

159

ANÉIS
175

Logo, a1 b1 = (a + r1 )(b + r2 ) = ab + ar2 + r1 b + r1 r2 . Como R é ideal,


ar2 , ar1 ∈ R. Como R é um grupo segue que ar2 + br1 + r1 r2 pertencem
a R e, então, a1 b1 ∈ ab + R e, portanto, ab + R = a1 b1 + R. Verifica-se
facilmente que A = A/R com estas operações é um anel. Agora, definimos
o homomorfismo de anel entre A e A/R por ϕ(a) = a + R. Verifica-se que ϕ
tem as propriedades desejadas. 

Observe que se A é comutativo com identidade, então, o anel quociente


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

também é comutativo com identidade. É comum representar a classe a + R


por a.
O teorema a seguir é o teorema do isomorfismo para anéis.

Teorema 5: Seja ϕ um homomorfismo sobrejetor entre os anéis (A, +, ·) e


(A, ⊕, ⊙) com núcleo K. Então, A ≈ A/K.

Demonstração: Já sabemos que (A/K, +) ≈ (A, ⊕) pelo isomorfismo de


grupos Ψ(a + K) = ϕ(a). Vamos provar que Ψ preserva também a mul-
tiplicação. De fato, Ψ((a + K) · (b + K)) = Ψ(a · b + K) = ϕ(a · b) =
ϕ(a) ⊙ ϕ(b) = Ψ(a + K) ⊙ Ψ(b + K). 

DOMÍNIOS
DOM DEDE
ÍNIOS INTEGRIDADE
INTEGRIDADE
Nesta seção, vamos estudar algumas propriedades dos domı́nios de inte-
gridade.
Lembramos que um anel (A, +, ·) é chamado um domı́nio de integridade
se é um anel comutativo com identidade no qual a · b = 0 implica a = 0 ou
b = 0, onde 0 é o elemento neutro do grupo (A, +). Nesse caso, dizemos que
A não tem divisores de zero.

160

Domínios de Integridade
176 UNIDADE IV

Definição 8: Sejam (A, +, ·) um anel comutativo e a e b elementos de A.


Dizemos que a divide b, a|b, se a �= 0 e se existe c ∈ A tal que b = a · c.
Definição 8: Sejam (A, +, ·) um anel comutativo e a e b elementos de A.
Definição 8: Sejam (A, +, ·) um anel comutativo e a e b elementos de A.
Dizemos
Lema 9:que que a(D,
Sejam divide·)b,uma|b, se a �= 0 e se existe c e∈a,Ab tal queSeb =
∈ D. a · c.
Dizemos a divide+,
b, a|b, sedomı́nio
a �= 0 edeseintegridade
existe c ∈ A tal que b = aa· divide
c.
b, então existe um único c ∈ D tal que b = a · c.
Lema 9: Sejam (D, +, ·) um domı́nio de integridade e a, b ∈ D. Se a divide
Lema 9: Sejam (D, +, ·) um domı́nio de integridade e a, b ∈ D. Se a divide
único c ∈ D
b, então existe um a|b, que b = a · c.
tal definição,
Demonstração:
b, então existe um Se
único centão, que b = a · c.a �= 0 e b = a · c para algum
pela
∈ D tal
c ∈ D. Seja c′ ∈ D tal que b = a · c′ , temos, então, que a · (c − c′ ) = 0. Como
Demonstração: Se a|b, então, pela definição, a �= 0 e b = a · c para algum
Demonstração: Se a|b, então,
D é domı́nio de ′integridade, seguepela

c = c′ . a �= 0 e b = a · c para
quedefinição, ′
algum

c ∈ D. Seja ′ c ∈ D tal que b = a′ · c , temos, então, que a · (c − ′ c ) = 0. Como

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
c ∈ D. Seja c ∈ D tal que b = a · c , temos, então, que a · (c − c ) = 0. Como
D é domı́nio de integridade, segue que c = c′ . 
D é domı́nio9:deSeja
Definição integridade, segue
(R, +, ·) um c = c′ .
quecomutativo
anel com identidade 1. Um ele- 
mento u ∈ R é dito um elemento unidade (ou unitário) se u divide 1.
Definição 9: Seja (R, +, ·) um anel comutativo com identidade 1. Um ele-
Definição 9: Seja (R, +, ·) um anel comutativo com identidade 1. Um ele-
mento u ∈ R é dito um elemento unidade (ou unitário) se u divide 1.
mento u ∈ R é dito um elemento unidade (ou unitário) se u divide 1.
#REFLITA#
Em um domı́nio de integridade (D, +, ·) valem as propriedades:
#REFLITA#
#REFLITA#
(a)Em
Se um edomı́nio de integridade (D, +, ·) valem as propriedades:
Em uma|b b|c, então,
domı́nio a|c.
de integridade (D, +, ·) valem as propriedades:
(b)(a)
Se Se
a|b a|b e b|c, então,
a|(ba|c.
(a) Se a|b ee b|c,
a|c, então,
então, a|c. + c).

(c)(b)
(b) Se Se
Se a|b,a|b
a|b
e a|c,a|sb,
eentão,
a|c, então, ∀s
a|(b∈+
então, a|(b + c).
D.c).

(c) Se a|b, então, a|sb, ∀s ∈ D.


#REFLITA#
(c) Se a|b, então, a|sb, ∀s ∈ D.
#REFLITA#
Definição 10 : Seja (R, +, ·) um anel comutativo com identidade e a, b ∈ R.
#REFLITA#
Dizemos que a e b são associados se b = a·u, onde u é um elemento unidade.
Definição 10 : Seja (R, +, ·) um anel comutativo com identidade e a, b ∈ R.
Definição 10 : Seja (R, +, ·) um anel comutativo com identidade e a, b ∈ R.
Dizemos
Lema 10que que a(D,
: Seja e b são·) associados se b = a ·u, onde eua,é um elemento
∈ D. unidade.
Dizemos a e b são+,associados
um domı́nio
se b =dea·integridade
u, onde u é umbelemento
Se a|b e b|a,
unidade.
então, a = b · u para algum elemento unidade u.
Lema 10 : Seja (D, +, ·) um domı́nio de integridade e a, b ∈ D. Se a|b e b|a,
Lema 10 : Seja (D, +, ·) um domı́nio de integridade e a, b ∈ D. Se a|b e b|a,
então, a = b · u para algum elemento unidade u.
então, a = b · u para algum elemento unidade u.

161

161
161

ANÉIS
177

Demonstração: Se a|b e se b|a, existem c, d ∈ D tais que:

b=a·c e a = b · d.

Como D é um domı́nio de integridade, então, a · b = (a · b) · (c · d), logo,


c · d = 1 e assim d|1. Logo, d é unidade. Assim, a e b são associados. 

Como exemplo, é fácil ver que em um domı́nio 1 e −1 são unidades.


Também em um corpo, todo elemento não nulo é uma unidade.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Observe que a relação aRb ⇐⇒ a e b são associados é uma relação de


equivalência sobre um domı́nio de integridade.

Definição 11: Em um domı́nio de integridade um elemento b é irredutı́vel


se b �= 0 e b não é uma unidade, e se a|b implica que a é unidade ou a e
b são associados. Caso contrário, b é dito redutı́vel. Um elemento a é dito
primo se não é unidade e se a|(b · c), então a|b ou a|c.

Lema 11: Em um domı́nio de integridade D se p é primo, então, p é irre-


dutı́vel.

Demonstração: Se a|p, então, p = a · b. Logo, p|a ou p|b. Se p|a, como,


então, a|p segue do lema anterior que a e p são associados. Se p|b, então,
b = c · p e assim 1 · p = p = a · b = a · c · p = (a · c) · p. Logo, a · c = 1 e assim
a é unidade. 

É claro que todo elemento irredutı́vel é primo.

Lema 12: Seja (A, +, ·) um anel comutativo com identidade e R um ideal


com R �= A.
a) A/R é um domı́nio se, e somente se, R é ideal primo.
b) A/R é corpo se, e somente se, R é ideal maximal.

162

Domínios de Integridade
178 UNIDADE IV

Demonstração: a) Suponhamos primeiramente que A/R seja um domı́nio.


Sejam a · b ∈ R, logo, a · b = a · b = 0. Consequentemente, a = 0 ou b = 0 e,
portanto, a ∈ R ou b ∈ R, ou seja R é primo.
Suponhamos agora que R é ideal primo. Sejam a, b ∈ A/R tais que a · b = 0.
Segue que a · b ∈ R e, portanto, a ∈ R ou b ∈ R. Logo, a = 0 ou b = 0. O
que mostra que A/R é um domı́nio.
b) Suponhamos que A/R seja um corpo e J um ideal de A tal que R ⊂ J ⊂ A
mas com R �= J. Mostraremos que J = A. Seja a elemento de J que não

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
está em R. Logo, a �= 0 e, portanto, existe b ∈ A/R tal que a · b = 1, isto é,
a·b−1 ∈ R. Como R ⊂ J e a·b ∈ J segue que 1 ∈ J, pois (a·b−1)+(a·b) = 1.
E, portanto, J = A.
Para provar a recı́proca, suponhamos que R seja um ideal maximal. Seja
a �= 0, então, temos que a �∈ R e que R ⊂ R + �a�, mas R é diferente de
R + �a�. Segue que R + �a� = A. Logo, existem a0 ∈ A e b ∈ R tais que
1 = b + a0 · a. Portanto, passando ao quociente, temos:

1 = b + a0 · a,

isto é, 1 = a0 · a, mostrando que a é invertı́vel. Segue que A/R é um corpo.




Definição 12: Seja D um domı́nio de integridade, b e c elementos de D. Se


b ou c é não nulo, se a|b e se a|c, então, a é chamado um divisor comum de
b e c.
Se u é divisor comum de b e de c e se a|u, para todos os divisores comuns
a de b e c, então, u é chamado o maior divisor comum de b e c.
Representamos o maior divisor comum de b e c por M DC(b, c) = u.

Nem sempre existe o M DC entre dois elementos de um domı́nio de inte-

163

ANÉIS
179

gridade. Um anel de integridade é chamado um anel com máximo divisor


comum se, dois elementos quaisquer do anel admitem M DC.
gridade. Um anel de integridade é chamado um anel com máximo divisor
comum se, dois
Lema 13: Se belementos quaisquer
e c tem um máximododivisor
anel admitem
comum, M DC. ele é único, a
então,
menos de multiplicação por elementos unidade.
Lema 13: Se b e c tem um máximo divisor comum, então, ele é único, a
menos de multiplicação
Demonstração: Se u epor elementos
u1 são M DC(b,unidade.
c), então, u|u1 e u1 |u. Logo,u1 = u·v,
onde v é unidade. 
Demonstração: Se u e u1 são M DC(b, c), então, u|u1 e u1 |u. Logo,u1 = u·v,
onde v é unidade. 
Lema 14: Em um domı́nio de integridade se M DC(b, c) = d, então,
M DC(b1 , c1 ) = 1, onde b = db1 e c = dc1 .
Lema 14: Em um domı́nio de integridade se M DC(b, c) = d, então,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

M DC(b1 , c1 ) = 1, onde
Demonstração: b=
Se b = d ·dbb1 e c = dc
d ·1 .c1 , suponha que M DC(b1 , c1 ) = u.
Vamos provar que u é unidade. Como u|b1 , então, b1 = u · b2 e como u|c1
Demonstração: Se b = d · b1 e c = d · c1 , suponha que M DC(b1 , c1 ) = u.
então c1 = u · c2 . Logo, b = d · b2 · u e c = d · c2 · u e assim (d · u) é um divisor
Vamos provar que u é unidade. Como u|b1 , então, b1 = u · b2 e como u|c1
comum de b e c. Segue que (d · u) divide d e como d divide (d · u), temos que
então c1 = u · c2 . Logo, b = d · b2 · u e c = d · c2 · u e assim (d · u) é um divisor
(d · u) e d são associados. Logo, d = (d · u) · v e, portanto, u · v = 1 e daı́
comum de b e c. Segue que (d · u) divide d e como d divide (d · u), temos que
M DC(b1 , c1 ) = 1. 
(d · u) e d são associados. Logo, d = (d · u) · v e, portanto, u · v = 1 e daı́
M DC(b1 , c1 ) = 1. 
A CONSTRUÇÃO DO ANEL DOS IN-
A CONSTRUÇÃO
TEIROS
A CONSTRUÇ DO ANEL
ÃO DODOSANEL
INTEIROS
DOS IN-
TEIROS
Nesta seção, vamos construir de modo breve o anel dos inteiros. Consid-
eremos o conjunto dos números naturais N = {0, 1, 2, 3, 4, . . . , } e E = N × N.
Nesta seção, vamos construir de modo breve o anel dos inteiros. Consid-
Defina sobre E a seguinte relação:
eremos o conjunto dos números naturais N = {0, 1, 2, 3, 4, . . . , } e E = N × N.
Defina sobre E a seguinte relação:
(a, b)R(c, d) ⇐⇒ a + d = b + c.

(a, b)R(c, d) ⇐⇒ a + d = b + c.
Teorema 6: A relação definida acima é uma relação de equivalência sobre
E.
Teorema 6: A relação definida acima é uma relação de equivalência sobre
E. 164

164

A Construção do Anel dos Inteiros


180 UNIDADE IV

A demonstração desse resultado não oferece dificudades e será omitida.


Como R é uma relação de equivalência sobre E, o conjunto quociente
E/R será indicado por Z. Lembre-se que o conjunto Z é o conjunto de todas
as classes de equivalência dadas pela relação R.
Dados elementos quaisquer (a, b) e (c, d) de Z definimos a soma entre eles
por:
(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d).

Esta operação está bem definida. Além disso, é uma consequência ime-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
diata da adição dos naturais o seguinte resultado: a operação de adição é
associativa e comutativa. Resumimos no próximo teorema mais uma pro-
priedade dos inteiros.

Teorema 7: (Z, +) é um grupo abeliano.

Observe que o elemento neutro para a adição é a classe (m, m) e um


representante para essa classe pode ser o elemento (1, 1). O simétrico da
classe (a, b) é a classe (b, a), pois a soma resulta no elemento neutro.
Dados x = (a, b) e y = (c, d) dois elementos quaisquer de Z, definimos o
produto de x por y por:

x · y = (a, b) · (c, d) = (ac + bd, ad + bc).

Novamente, pode-se provar que esta operação está bem definida. Com a
operação de multiplicação definida acima Z admite um elemento identidade.
Afirmamos que esse elemento é a classe representada pelo elemento (2, 1).
De fato, (a, b) · (2, 1) = (2a + b, a + 2b) e essa classe é a mesma classe
(a, b). Para vermos isso devemos verificar se (2a + b, a + 2b)R(a, b). Mas isso
é claro, pela definição da relação R temos que (2a + b) + b = (a + 2b) + a.
É fácil verificar que valem as seguintes propriedades dos inteiros:

165

ANÉIS
181

Figura 2: Uma classe é composta pelos pares sobre uma reta.

Figura 2: Uma classe é composta pelos pares sobre uma reta.


2

Fonte:
0
o autor (2016).
-2 -1 0 1 2 3
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. Existência da identidade: (a, b).(2, 1) = (a, b).


Fonte: o autor (2016).
2. A multiplicação é associativa: x · (y · z) = (x · y) · z.

1. 3.
Existência da identidade:
Comutatividade: x · y =(a,
y ·b).(2,
x. 1) = (a, b).

2. 4.
A multiplicação é associativa:
Distributividade: · (y+· xz
x(y + z) =xxy z) = (x+
e (y · y) · z.= yx + zx.
z)x

3. 5.
Comutatividade: · y = y · x.
(a, b).(1, 2) = (b,x a).

4. Distributividade: x(y +e z)
Os ı́tens 1) a 4) acima = xy + xz
o teorema e (y +que
7 dizem z)x(Z,
= yx
+, +
·) zx.
é um anel comu-
tativo com identidade.
5. (a, b).(1, 2) = (b, a).

Observação
Os ı́tens 1) a 1:
4) acima e o teorema 7 dizem que (Z, +, ·) é um anel comu-
É interessante
tativo fazer um gráfico mostrando no produto cartesiano E = N × N
com identidade.
as classes de equivalência determinadas pela relação R. Veja a figura 2. Cada
Observação 1: o eixo horizontal, determina um número inteiro. Por exemplo,
reta ao cruzar
É interessante fazer
a classe (m, m) um
está gráfico
sobre mostrando
a reta bissetriz no
y =produto
x que aocartesiano N×N
E =horizontal
cruzar o eixo
as determina
classes de equivalência determinadas
o inteiro 0. Já a classe (m pela relação
+ 1, m) está R. Vejaa areta
sobre figura
y =2.x Cada
− 1 que
reta
aoao cruzar
cruzar o oeixo
eixohorizontal
horizontal, determina
determina um número
o inteiro +1. inteiro. Por exemplo,
a classe (m, m) estáossobre
Resumimos a reta bissetriz
resultados acima noy seguinte
= x que ao cruzar o eixo horizontal
teorema:
determina o inteiro 0. Já a classe (m + 1, m) está sobre a reta y = x − 1 que
ao cruzar o eixo horizontal determina o166
inteiro +1.
Resumimos os resultados acima no seguinte teorema:

166

A Construção do Anel dos Inteiros


182 UNIDADE IV

Teorema 8: (Z, +, ·) é um anel comutativo com identidade.

Definição 13: Dizemos que um inteiro x = (a, b) é menor do que ou igual


ao inteiro y = (c, d), se e somente se,

a + d ≤ b + c.

Se (m, m) ≤ (a, b) e (a, b) �= (m, m), então, (a, b) é chamado um inteiro


positivo. Se (a, b) ≤ (m, m) e (a, b) �= (m, m), então, (a, b) é chamado um

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
inteiro negativo.

Mais uma vez é necessário mostrar que esta definição não depende dos
representantes das classes de equivalência. Além disso, temos:

Teorema 9: A relação ≤ sobre os inteiros é uma relação de ordem total.

Demonstração: Sejam x = (a, b), y = (c, d) e z = (e, f ) inteiros quaisquer.


É claro que a relação é reflexiva. Para provar a anti-simetria, suponhamos
que x ≤ y e que y ≤ x. Então, a + d ≤ b + c e b + c ≤ d + a e, portanto,
a + d = b + c mostrando que x = y. Se x ≤ y e y ≤ z, então, temos:

a + d ≤ b + c e c + f ≤ d + e.

Segue de propriedade dos naturais que:

(a + d) + (c + f ) ≤ (b + c) + (d + e).

Logo, a+f ≤ b+e, e assim x ≤ z. Isto mostra que a relação é uma relação de
ordem parcial. Para concluir devemos provar ainda que dois inteiros quais-
quer estão relacionados. De fato, dados inteiros x e y quaisquer sabemos que

167

ANÉIS
183

uma das desigualdades ocorre:

a + d ≤ b + c ou b + c ≤ a + d,

e, portanto, x ≤ y ou y ≤ x. 

Observe que (2, 1) representa um inteiro positivo e que (1, 2) representa


um inteiro negativo. Comumente representamos a classe (m + 1, m) por +m
e a classe (m, m + 1) por −m.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Resumimos o principal resultado dessa seção no teorema a seguir.

Proposição 1: (Z, +, ·, ≤) é um domı́nio de integridade ordenado.

168

A Construção do Anel dos Inteiros


184 UNIDADE IV

CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, estudamos os primeiros resultados da teoria dos anéis.
Como vimos, um anel A é uma estrutura algébrica composta de um conjunto
não vazio e munido de duas operações binárias, uma delas chamada de adição
e outra chamada de multiplicação que satisfazem a alguns axiomas, sendo
que A munido da adição é um grupo abeliano e A munido da operação
multiplicação é um semigrupo. O exemplo mais importante para anel é
o conjunto dos inteiros munido da adição e multiplicação usuais; muitos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
resultados da teoria dos anéis foram inspirados nas propriedades dos números
inteiros.
Estendemos alguns resultados já existentes para grupos, tais como ho-
momorfismo e isomorfismo de anéis. Estudamos também anéis com algu-
mas propriedades especiais como os ideais, ideais primos, ideais maximais
e domı́nios de integridade. Vimos resultados que garantem que em certas
condições um anel é um corpo, como por exemplo, todo domı́nio de integri-
dade finito é um corpo. Enunciamos e demonstramos o teorema que afirma
que A/R é corpo se, e somente se, R é ideal maximal. Aprendemos dessa
forma a construir inúmeros exemplos de corpos.

169

ANÉIS
185

ATIVIDADES
1. Seja Q o conjunto dos racionais munido das operações:

x⊕y = x+y−3
xy
x⊙y = x+y− .
3

Verifique que (Q, ⊕, ⊙) é um anel comutativo com identidade.

2. Seja (A, +, ·) um anel com a propriedade x2 = x, ∀x ∈ A. Mostre que


A é comutativo.

3. Em um anel (A, +, ·) um elemento x ∈ A é dito nilpotente se xn = 0


para algum natural n não nulo. Mostre que se x e y são nilpotentes e
xy = yx, então (x ± y) é nilpotente.

4. Se A e A′ são domı́nios de integridade e f : A → A′ é homomorfismo,


então, f ≡ 0 ou f (1) = 1′ .

Se A e A′ são corpos, então, neste caso, f ≡ 0 ou f é injetora.

5. Sejam (D, +, ·) um domı́nio de integridade, 0 �= a ∈ D. Se ϕ : D → D


é dado por ϕ(x) = a · x, mostre que ϕ é injetora.

6. Se ϕ : (A, +, ·) → (A, ⊕, ⊙) é um homomorfismo sobrejetor de anéis e


A tem identidade 1, mostre que A também tem identidade 1 = ϕ(1).

170
186

LEITURA COMPLEMENTAR
Teorema Fundamental da Aritmética
Dizemos que um número inteiro p é primo se é maior do que 1 e se os
únicos divisores são ±1 e ±p. Os números primos são considerados os blocos
estruturais dos números inteiros. O Teorema Fundamental da Aritmétrica é
um importante resultado que afirma que todo número inteiro maior do que
ou igual a 2 (basta afirmar o resultado apenas para os inteiros positivos)
é produto de uma quantidade finita de números primos. Esse importante
resultado já era conhecido pelos antigos e consta no Livro IX de Os Elementos
de Euclides, Proprosição 14.

Teorema 10 (Teorema Fundamental da Aritmética): Todo inteiro


n ≥ 2 pode ser expresso como produto de uma quantidade finita de números
primos. Além disso, se n = p1 p2 · · · pk = q1 q2 · · · qs , onde p1 , p2 , . . . , pk e
q1 , q2 , . . . , qs são primos ordenados de modo crescente, então, k = s e pi = qi ,
i = 1, 2, . . . , k.

A demonstração desse importantı́ssimo resultado não será apresentada aqui,


pois foge do escopo deste texto. Uma demonstração elementar desse teorema
pode ser encontrada em <www.dma.uem.br/kit>.
Também consta em Os Elementos de Euclides, livro IX proposição 20,
que existem infinitos números primos.

Teorema 11: Existem infinitos números primos.

Demonstração: O argumento de Euclides é o seguinte: suponha que exista


em uma quantidade finita de números primos. Sejam eles 2, 3, 5, 7, ....p, sendo
p o maior deles. Considere o seguinte número natural

N = 2 × 3 × 5 × 7 × · · · × p + 1.

171
187

Esse número não pode ser primo, pois é maior do que p – o maior primo.
É fácil ver que N não tem outros divisores diferentes de 1 e de N . De fato,
2 nãonúmero
Esse divide N , pois
não podea ser
divisão de N
primo, poré 2maior
pois deixadoresto
que 1.p –Doo mesmo modo,
maior primo.
Évê-se
fácilque
ver Nque
aoNsernão
dividido por qualquer
tem outros divisoresoutro primo,dedeixará
diferentes 1 e de sempre resto
N . De fato,
21.não
Assim, NN
divide tem queaser
, pois primo.
divisão de Sendo
N porN2 deixa
primo resto
maior1.doDo
que p, chegamos
mesmo modo,
a um que
vê-se absurdo,
N ao pois p é o último
ser dividido dos primos.
por qualquer Isto
outro demonstra
primo, deixaráo sempre
teorema.resto


1. Assim, N tem que ser primo. Sendo N primo maior do que p, chegamos
Fonte: o autor (2016).
a um absurdo, pois p é o último dos primos. Isto demonstra o teorema. 

LEITURA
Fonte: COMPLEMENTAR
o autor (2016).

Números primos e criptografia


LEITURA COMPLEMENTAR
Hoje os computadores com algoritmos sofisticados e processadores cada
vez mais velozes criam tabelas
Números de números
primos primos, no passado recente
e criptografia
tabelas
Hoje eram elaboradas manualmente
os computadores usando
com algoritmos o crivo edeprocessadores
sofisticados Eratóstenes, como
cada
foi omais
vez casovelozes
da tabela
criampublicada
tabelas deemnúmeros
1914 por DericknoNorman
primos, passado Lehemer
recente
que continha
tabelas os números
eram elaboradas primos menores
manualmente usandodoo que
crivo10demilhões. Vejacomo
Eratóstenes, em:
<http://locomat.loria.fr/lehmer1914/lehmer1914doc.pdf>.
foi o caso da tabela publicada em 1914 por Derick Norman Lehemer
A utilização
que continha dos computadores
os números trouxedoa que
primos menores possibilidade
10 milhões.de Veja
procurar
em:
números primos cada vez maiores. Mas que utilidade tem o conhecimento
<http://locomat.loria.fr/lehmer1914/lehmer1914doc.pdf>.
de A
números primos
utilização doscada vez maiores?trouxe
computadores O conhecimento dos números
a possibilidade primos
de procurar
muito grandes
números primospermite
cada vezcriptografar
maiores. documentos e senhas.
Mas que utilidade temE isso não é pouco:
o conhecimento
garantir
de a segurança
números e a integridade
primos cada dosOdados
vez maiores? armazenados
conhecimento dos em um computa-
números primos
dor tornou-se
muito atualmente
grandes permite vital para
criptografar as pessoase esenhas.
documentos companhias. Segurança
E isso não é pouco:e
integridade
garantir de dadosesão
a segurança coisas diferentes:
a integridade segurança
dos dados significa
armazenados emproteger os da-
um computa-
dos tornou-se
dor contra usuários não autorizadas
atualmente vital para easintegridade significa proteger
pessoas e companhias. os dados
Segurança e
contra usuários autorizados.
integridade de dados são coisas diferentes: segurança significa proteger os da-
dos Um dosusuários
contra algoritmos atuais mais eseguros
não autorizadas de encriptação
integridade de informações,
significa proteger os dados
contra usuários autorizados.
172
Um dos algoritmos atuais mais seguros de encriptação de informações,

172
188

o algoritmo RSA, originou-se dos estudos de Ronald Rivest, Adi Shamir e


Leonard Adleman, Matemáticos que mudaram a história da Criptografia.
O princı́pio do algoritmo é construir, utilizando números primos, duas
chaves: uma chave chamada de chave pública e outra chamada de chave
privada.
Uma chave é uma informação restrita que controla toda a operação dos
algoritmos de criptografia. No processo de codificação uma chave é quem
dita a transformação do texto puro (original) em um texto criptografado.
Inicialmente devem ser escolhidos dois números primos quaisquer P e Q.
Quanto maior os números escolhidos mais seguro será o algoritmo.
Uma vez escolhidos números primos P e Q, defina os números:

N = P ×Q
Z = (P − 1) × (Q − 1).

Agora escolha um número D que seja primo com relação ao número Z. De


posse destes números começa o processo das chaves públicas e privadas. Para
isto é necessário encontrar um número E que satisfaça à seguinte propriedade:

(E × D)modZ = 1,

isto é, ED ao ser dividido por Z deixa resto igual a 1. Com esse processo
definem-se as chaves de encriptação e desencriptação.
Para encriptar utilizamos E e N – esse par de números será utilizado como
chave pública. Para desencriptar utilizamos D e N – esse par de números é
utilizado como chave privada. As formas gerais são:

Texto Criptografado = ((Texto Original)E ) mod N


Texto Original = ((Texto Criptografado)D ) mod N

173
189

Como exemplo, tomemos P = 17e Q = 13 dois números primos. Assim,


N = P Q = 221 e Z = (P − 1) × (Q − 1) = 192. Em seguida, escolhemos
o número D = 7 que é primo com relação a Z e o número E = 55 que é
congruente a 1 módulo Z. Temos os seguintes resultados:

Encriptando Desencriptando
Original =3 Criptografado = 198
55
Criptografado = (3 )mod221 Original = ((198)7 )mod221
= (174449211009120179071170507)mod221 = (11930436453209472)mod221
Criptografado = 198 Original= 3

Como podemos ver, quanto maior os números escolhidos mais protegidos


estarão os dados criptografos. A corrida por número primo muito grande já
começou e não deve parar logo. Outros detalhes em:
< http://www.dma.fi.upm.es/recursos/aplicaciones/matematica discreta/web/
aritmetica modular/criptografia.html#1>.
Fonte: o autor (2016).

174
190
REFERÊNCIAS
Referências

[1] DEAN, R. Elementos de Álgebra Abstrata. Rio de Janeiro: LTC,


1974.

[2] MONTEIRO, L. H. J. Elementos de Álgebra. São Paulo: LTC,


1975.

175
191
REFERÊNCIAS
GABARITO
GABARITO
1. Verificar que Q munido das operações:

x⊕y = x+y−3
xy
x⊙y = x+y−
3

é um anel comutativo com identidade.

Para verificar que (Q, ⊕, ⊙) é um anel comutativo com identidade de-


vemos verificar que:

(Q, ⊕) é um grupo abeliano,

Q munido da operação ⊙ é um semigrupo com identidade e vale a


distribuitividade.

Antes disso, notemos que as duas operações estão definidas sobre Q,


isto é, operam com dois elementos de Q e resulta em um elemento de
Q.

Vamos verificar que a operação ⊕ dada por x⊕y = x+y−3 é associativa.


De fato,

x ⊕ (y ⊕ z) = x ⊕ (y + z − 3)
= x + (y + z − 3) − 3
= x+y+z−6
= (x + y − 3) + z − 3
= (x ⊕ y) ⊕ z.

Note que essa operação é comutativa, pois x⊕y = x+y−3 = y+x−3 =


y ⊕ x.

176
GABARITO

Existência do elemento neutro: afirmamos que e = 3 é o elemento


neutro para a operação ⊕. De fato,

x ⊕ e = x ⊕ 3 = x + 3 − 3 = x,

o que mostra que e = 3 é o elemento neutro.

Em seguida, vamos demonstrar a existência de elemento simétrico. Isto


é, dado x ∈ Q, devemos determinar a existência de um elemento x′ ∈ Q
tal que x ⊕ x′ = e. Logo, x + x′ − 3 = 2 e assim temos que x′ = 5 − x.
Segue que dado x ∈ Q existe x′ = 5 − x ∈ Q tal que x ⊕ x′ = e.

Assim, mostramos que (Q, ⊕) é um grupo abeliano.

Agora vamos verificar que (Q, ⊙) é um semigrupo, isto é, ⊙ é associa-


tiva. Como há muita conta a ser feita, fica mais fácil calcular cada um
dos lados e compará-los ou efetuar a diferença:

x ⊙ (y ⊙ z) − (x ⊙ y) ⊙ z.

De fato, calculando cada um separadamente temos:

x ⊙ (y ⊙ z) = x + y − (1/3) xy + z − (1/3) zx − (1/3) zy + (1/9) zxy

(x ⊙ y) ⊙ z = x + y − (1/3) xy + z − (1/3) zx − (1/3) zy + (1/9) zxy.

Isso mostra que a operação é associativa.

Do mesmo modo provamos que vale a distributividade:

x ⊙ (y ⊕ z) = x ⊙ y ⊕ x ⊙ z,

(y ⊕ z) ⊙ x = y ⊙ x ⊕ z ⊙ x.

177
193
GABARITO

2. O anel (A, +, ·) tem a propriedade x2 = x, ∀x ∈ A. Devemos mostrar


que A é anel comutativo. Primeiramente observamos que (x + x)2 =
x + x e que (x + x)2 = (x + x)(x + x) = x · (x + x) + x · (x + x) =
x2 + x2 + x2 + x2 = x + x + x + x. Logo, temos que x + x = x + x + x + x
e, portanto, x + x = 0, onde 0 ∈ A é o elemento neutro. Segue que
x = −x, para todo x ∈ A. Vamos usar essa informação para provar
que x · y = y · x, que é a comutatividade.

Tomemos (x + y)2 . Sabemos que (x + y)2 = x + y e por outro lado,

(x + y)2 = (x + y) · (x + y) = x · (x + y) + y · (x + y) = x2 + x · y + y · x + y 2

= x + x · y + y · x + y.

Agora, substituindo x · y por −x · y (informação obtida anteriormente)


temos que:
(x + y)2 = x + x · y − y · x + y.

Segue que x + x · y − x · y + y = x + y e, portanto, x · y = y · x para


todo x, y ∈ A. Isso mostra que A é um anel comutativo.

Anéis desse tipo são chamados de anéis Booleanos, como vimos anéis
Booleanos são todos comutativos e x + x = 0, ∀x ∈ A.

3. Sejam a e b elementos nilpotentes do anel (A, +, ·). Devemos mostrar


que se x·y = y ·x (comutatividade), então, (a±b) é também nilpotente.

Suponha que am = 0 e que bn = 0. Vamos verificar que (a + b)m+n = 0.


Como a · b = b · a vale o binômio de Newton:
m+n

(a + b)m+n = ai · bm+n−i .
i=0

178
GABARITO

Agora observe que o somatório pode ser dividido em duas partes: uma
em que as potências de b são maiores ou iguais a n e assim essa parte é
nula; a outra parte as potências de a são maiores do que ou iguais a m
e, portanto, também nulas. Segue que o somatório inteiro é nulo. Isso
mostra que a + b é também nilpotente. O caso (a − b) é semelhante.

4. Sejam A e A′ domı́nios de integridade e f : A → A′ é homomorfismo.


Devemos provar que f ≡ 0 ou f (1) = 1′ .

Sejam 1 ∈ A e 1′ ∈ A′ elementos identidades. Então, temos que,

f (1) = f (1 · 1) = f (1) · f (1).

Assim,
f (1) = f (1) · f (1).

Aplicando o simétrico de f (1) a ambos os lados da igualdade acima


temos que:
f (1) · f (1) − f (1) = 0′ .

Logo, f (1) · (f (1) − 1′ ) = 0′ . Como A′ é um domı́nio de integridade,


segue que f (1) = 0′ ou f (1) = 1′ .

Suponha que A e A′ são corpos e que f (1) �= 0′ . Então, aplicando o


inverso de f (1) de cada lado da igualdade f (1) · (f (1) − 1′ ) = 0′ , temos
que:
f (1)−1 · f (1) · (f (1) − 1′ ) = f (1)−1 · 0′ ,

ou seja,
(f (1) − 1′ ) = 0′ .

Segue que f (1) = 1′ . Isso permite mostrar que f é injetora. Para provar
que f é injetora, vamos mostrar que o Ker(f ) = {0}. Seja x ∈Ker(f ).

179
195
GABARITO

Então, f (x) = 0′ . Como x = 0 é tal que f (0) = 0′ , vamos supor que


x �= 0. Assim, existe x−1 ∈ A inverso de x. Segue que:

1′ = f (1) = f (x · x−1 ) = f (x) · f (x−1 ),

de onde concluı́mos que f (x) �= 0 que é uma contradição. Portanto,


x = 0. Assim, Ker(f ) = {0} e f é homomorfismo injetor.

5. Seja (D, +, ·) um domı́nio de integridade e 0 �= a ∈ D. Vamos provar


que ϕ : D → D dada por ϕ(x) = a · x é injetora.

Suponha que ϕ(x) = ϕ(y). Devemos provar que x = y. Como ϕ(x) =


ϕ(y), então, a · x = a · y e assim, a · (x − y) = 0, onde 0 é o elemento
neutro. Como D é um domı́nio de integridade e a �= 0, então x = y.

6. Se ϕ : (A, +, ·) → (A, ⊕, ⊙) é um homomorfismo sobrejetor de anéis e


A tem identidade 1, mostre que A também tem identidade 1 = ϕ(1).

De fato, se y = ϕ(1), então, y = ϕ(1) = ϕ(1 · 1) = ϕ(1) ⊙ ϕ(1). Logo,


y = y 2 . Se y = 0 então, ϕ ≡ 0 e não seria sobrejetora. Logo, y �= 0.

Como y �= 0, notemos que ϕ(x) = ϕ(1 · x) = ϕ(1) ⊙ ϕ(x) e ϕ(x) = ϕ(x ·


1) = ϕ(x) ⊙ ϕ(1). Assim, ϕ(1) funciona como um elemento identidade
de A′ , logo, 1 = f (1) é o elemento identidade de A′ .

180
Professor Dr. Doherty Andrade

V
UNIDADE
CORPOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Construir o corpo de frações.
■■ Construir o corpo dos números racionais.
■■ Construir o corpo dos números reais.
■■ Construir o corpo dos números complexos.
■■ Introduzir o conceito de polinômios e dar suas principais
propriedades.
■■ Apresentar critérios de irredutibilidade e o teorema fundamental da
álgebra.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O corpo de frações de um domínio de integridade
■■ O corpo dos números reais
■■ O corpo dos números complexos
■■ O anel de polinômios
■■ Polinômios sobre um corpo
■■ Ideais de K[x]
■■ MDC de polinômios
■■ Fatoração em polinômios irredutíveis
199

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, vamos construir o corpo dos números
racionais, o corpo dos números reais e o corpo dos números complexos.
Alguns resultados básicos importantes da teoria dos corpos e do anel dos
polinômios sobre um corpo também serão apresentados.
Já introduzimos na unidade anterior a noção de corpo. Vimos que um
corpo é um domı́nio de integridade em que os elementos não nulos possuem
inverso. Vimos também exemplos de corpos finitos e corpos infinitos. Um
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

modelo básico de corpo é dado pelo corpo dos números racionais, ele foi cons-
truı́do para permitir a resolução de equações do tipo bx = a, b = 0. A nossa
construção dos números racionais que apresentaremos nesta unidade é feita
a partir dos números inteiros em um procedimento que pode ser replicado
para qualquer domı́nio de integridade. O corpo dos números racionais será
obtido como o corpo de frações de Z. Em seguida, faremos as construções de
R e C.
Já a nossa construção dos números reais é feita a partir dos números
racionais. Não pretendemos dar um desenvolvimento completo dos números
reais, pois um tratamento desse tipo foge do escopo desse livro. Mas vamos
dar os principais passos para essa construção. O corpo dos números reais tem
uma estrutura mais rica que o corpo dos números racionais e a necessidade de
um tal corpo está na impossibilidade de resolver questões básicas tais como
determinar x tal que x2 = 2 cuja solução não existe em Q.
Embora tenhamos respondido a muitas questões com a construção dos
números reais, ainda restam questões, por exemplo, x2 + 1 = 0 não tem
solução em R. Vamos usar o corpo dos números reais para construir o corpo
dos números complexos C, ambiente matemático em que toda equação poli-
nomial an xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 = 0, com coeficientes reais ou com-

183

Introdução
200 UNIDADE V

plexos, têm solução. Esse parece ser o corpo perfeito! O seu único defeito é
plexos, têm solução. Esse parece ser o corpo perfeito! O seu único defeito é
que ele não pode ser ordenado. Isso não chega ser um grande problema, pois
que ele não pode ser ordenado. Isso não chega ser um grande problema, pois
Q e R são corpos ordenados e estão contidos em C.
Q e R são corpos ordenados e estão contidos em C.
Esta unidade está baseada no livro do Prof. Jacy Monteiro, [10]. Para
Esta unidade está baseada no livro do Prof. Jacy Monteiro, [10]. Para
uma exposição complementar consulte-o.
uma exposição complementar consulte-o.

O
O CORPO
O CORPO
CORPODE DE
FRAÇÕES
DE FRAÇ
FRAÇÕES
ÕES
Vamos reunir na definição a seguir os axiomas de corpo.
Vamos reunir na definição a seguir os axiomas de corpo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Definição 1: Um sistema (K, +, ·), onde K é um conjunto não vazio e + e ·
Definição 1: Um sistema (K, +, ·), onde K é um conjunto não vazio e + e ·
são operações binárias sobre K, é chamado de corpo se os seguintes axiomas
são operações binárias sobre K, é chamado de corpo se os seguintes axiomas
são satisfeitos:
são satisfeitos:
1. a operação adição é associativa: x + (y + z) = (x + y) + z;
1. a operação adição é associativa: x + (y + z) = (x + y) + z;
2. K tem um elemento nulo: existe 0 tal que x + 0 = 0 + x = x;
2. K tem um elemento nulo: existe 0 tal que x + 0 = 0 + x = x;
3. existência do simétrico: todo elemento x ∈ K tem um simétrico −x ∈
3. existência do simétrico: todo elemento x ∈ K tem um simétrico −x ∈
K tal que x + (−x) = (−x) + x = 0;
K tal que x + (−x) = (−x) + x = 0;
4. a operação adição é comutativa: x + y = y + x;
4. a operação adição é comutativa: x + y = y + x;
5. a operação multiplicação · é associativa: x · (y · z) = (x · y) · z;
5. a operação multiplicação · é associativa: x · (y · z) = (x · y) · z;
6. existência do elemento identidade: K tem um elemento identidade 1,
6. existência do elemento identidade: K tem um elemento identidade 1,
1 �= 0, tal que 1 · x = x · 1 = x;
1 �= 0, tal que 1 · x = x · 1 = x;
7. existência do elemento inverso: todo elemento x �= 0 em K tem um
7. existência do elemento inverso: todo elemento x =� 0 em K tem um
inverso x−1 ∈ K tal que x · x −1
= x−1
· x = 1;
inverso x−1 ∈ K tal que x · x−1 = x−1 · x = 1;
8. a operação multiplicação é comutativa: x · y = y · x;
8. a operação multiplicação é comutativa: x · y = y · x;

184
184

CORPOS
201

9. a operação multiplicação se distribui sobre a operação adição:

x · (y + z) = x · y + x · z.

Já vimos exemplos de corpos infinitos (Q, +, ·), (R, +, ·) e (C, +, ·) com as
operações usuais, e (Zp , +, ·), p ∈ Z primo, é corpo finito, com as operações
definidas sobre as classes residuais.
No anel dos inteiros (Z, +, ·), e, portanto, nos anéis isomorfos a ele, con-
seguimos resolver equações simples. Mas equações do tipo bx = a nem sempre
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tem solução, por exemplo 3x = 1 não tem solução em Z. Por isso, desejamos
estender o domı́nio de integridade Z para um conjunto que contém Z e todas
as soluções de equações do tipo bx = a, com a, b ∈ Z, onde agora será possı́vel
resolver essas equações.
Observe que se b = 0 e a �= 0, então, a equação bx = a não tem solução.
Se a = 0 e b = 0, então, a equação bx = a tem como solução qualquer
elemento de Z. Por outro lado, se b �= 0, então, a equação bx = a pode ter
ou não solução. No caso da equação 3x = 1 precisamos do inverso de 3 que
não existe em Z.
Vamos denotar por Q∗ o conjunto de todas as soluções das equações
bx = a, b �= 0, a ∈ Z. Note que esse conjunto contém Z, pois a equação
1x = a, tem como solução x = a ∈ Z.
Vamos denotar pelo par ordenado (a, b) a solução da equação bx = a, a ∈
Z, b �= 0 ∈ Z. Assim, Q∗ pode ser identificado como Z × Z∗ :

Q∗ = {(a, b); a ∈ Z, b �= 0 ∈ Z}.

Se dx = c, d �= 0 e bx = a, b �= 0, têm a mesma solução, então, dbx = ad


e bdx = bc também terão a mesma solução. Logo, necessariamente ad = bc.

185

O Corpo de Frações
202 UNIDADE V

Isso nos leva a definir a seguinte relação R.

Definição 2: Em Q∗ , dizemos que (a, b)R(c, d) se, e somente se, ad = bc.

É fácil ver que essa relação é uma relação de equivalência sobre Q∗ . De


fato, é claro que (a, b)R(a, b) (reflexiva). Se (a, b)R(c, d), então, ad = bc e
como em Z a multiplicação é comutativa, então, da = cb e assim, (c, d)R(a, b).
Para a transitividade, suponha que (a, b)R(c, d) e (c, d)R(e, f ). Então,
temos:

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ad = bc
cf = de.

Multiplicando a primeira equação por f e a segunda por b, obtemos que:

adf = bcf
bcf = bde

concluı́mos que adf = bde. Como d �= 0, obtemos que af = be e, portanto,


(a, b)R(e, f ).
Assim, mostramos que essa relação é uma relação de equivalência sobre
Q∗ . 

Como uma relação de equivalência particiona o conjunto em classes de


equivalência (duas a duas disjuntas), essa relação particiona Q∗ em classes
a
de equivalência denotadas por ou (a, b):
b
a
= (a, b) = {(c, d) ∈ Q∗ ; (c, d)R(a, b)}.
b

186

CORPOS
203

Vamos denotar por Q o conjunto de todas as classes de equivalência de



Q.
O próximo passo é munir o conjunto Q de operações que nos permitam
resolver as nossas equações bx = a, b �= 0, a ∈ Z. As operações são:

a c ad + bc
+ = – adição,
b d bd
a c ac
· = – multiplicação.
b d bd
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Podemos demonstrar que com essas operações Q é um corpo. Isso será feito
mais adiante ainda nessa unidade.
Esse procedimento é geral e no lugar de Z podemos tomar qualquer
domı́nio de integridade D.
Vamos agora refazer o processo acima tomando no lugar de Z um domı́nio
de integridade D qualquer.
Seja (D, +, .) um domı́nio de integridade com elemento neutro denotado
por 0 e consideremos E = D × D∗ , onde D∗ = D − {0}. Definimos uma
relação R sobre E do seguinte modo:

(a, b)R(c, d) ⇐⇒ a.d = b.c.

Por exemplo, temos (a, a)R(b, b) quaisquer que sejam a e b elementos não
nulos de D.
O seguinte resultado é de verificação imediata.

Teorema 1: Seja (D, +, .) um domı́nio de integridade e consideremos E =


D × D∗ , onde D∗ = D − {0}. Definimos a relação R sobre E como:

(a, b)R(c, d) ⇐⇒ ad = bc.

187

O Corpo de Frações
204 UNIDADE V

A relação R é uma relação de equivalência sobre E.

Portanto, a relação R particiona o conjunto E em subconjuntos não vazios


dois a dois disjuntos, chamados de classes de equivalência. Se (a, b) ∈ E,
então (a, b) está em uma única classe de equivalência que será denotada por
(a, b). O conjunto de todas as classes de equivalência, o conjunto quociente
E/R, será indicado por K, isto é, K = E/R.

Definição 3: Definiremos as operações de adição e de multiplicação de duas

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classes quaisquer de K = E/R por:
1i) (a, b) + (c, d) = (ad + bc, bd)
2i) (a, b).(c, d) = (ac, bd).

Observe a semelhança dessas operações com as operações definidas sobre


os números racionais como o conhecemos.
É preciso provar que estas operações estão bem definidas, isto é, que estas
operações não dependem dos representantes das classes.

Lema 1: As operações acima estão bem definidas.

Demonstração: Para provar que as operações estão bem definidas, devemos


provar que independe dos representantes (a, b) e (c, d) das classes (a, b) e
(c, d). Sejam (a, b) e (a′ , b′ ) representantes da classe (a, b), (c, d) e (c′ , d′ )
representantes da classe (c, d), provaremos:

(ad + bc, bd)R(a′ d′ + b′ c′ , b′ d′ ).

Como (a, b)R(a′ , b′ ) temos que ab′ = a′ b e como (c, d)R(c′ , d′ ) temos que:
cd′ = c′ d. Multiplicando a primeira igualdade por dd′ e a segunda por bb′ ,
resulta que:
a′ bdd′ = ab′ dd′ e cd′ bb′ = c′ dbb′ .

188

CORPOS
205

Somando membro a membro estas igualdades, tem-se

ab′ dd′ + cd′ bb′ = a′ bdd′ + b′ c′ db,

isto é,
(ad + bc, bd)R(a′ d′ + b′ c′ , b′ d′ ).

De maneira análoga provamos que a multiplicação não depende dos repre-


sentantes. 
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Resumimos a seguir as principais propriedades das operações acima.


As demonstrações são consequências imediatas das propriedades do anel
(D, +, ·).

Lema 2: a) A operação adição de classes tem as seguintes propriedades:


1i) é associativa,
2i) é comutativa,
3i) existe elemento neutro para a adição: (0, m), m �= 0 é o elemento
neutro,
4i) existe elemento simétrico: o simétrico de (a, b) é (−a, b),
b) A operação de multiplicação de classes tem as seguintes propriedades:
1i) é associativa e comutativa,
2i) existe elemento identidade para a multiplicação: (m, m), m �= 0 é o
elemento identidade, vale
3i) distributividade da multiplicação com relação à adição,
4i) existe elemento inverso: se (a, b) �= 0 o inverso é (b, a).

Resumindo temos o seguinte teorema:

Teorema 2: O conjunto (K, +, .) é um corpo.

189

O Corpo de Frações
206 UNIDADE V

Demonstração: Vamos provar algumas das condições.


Afirmamos que a classe (0, 1) é o elemento neutro para a soma, de fato,
se (a, b) ∈ K, então, (a, b) + (0, 1) = (a.1 + b.0, b.1) = (a, b). Observe que
(0, m) = (0, 1), ∀m �= 0.
O simétrico de (a, b) é igual a (−a, b), pois (a, b) + (−a, b) = (ab − ab, b2 ) =
(0, b2 ) = (0, 1). Denotamos a classe (−a, b) por −(a, b).
O elemento neutro para a multiplicação, isto é, o elemento identidade é (1, 1),
a verificação é imediata.

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Se a classe (a, b) não é uma classe nula, o seu inverso é dado por (b, a). 

O corpo K construı́do acima é chamado o corpo das frações do anel de


integridade D, esse corpo possui uma cópia de D que é isomorfa a D.

Teorema 3: Seja (D, +, ·) domı́nio de integridade, K o seu corpo de frações


e D′ = {(b, 1) ∈ K; b ∈ D}. Afirmamos que D e D′ são isomorfos. Além
disso, K é o menor corpo contendo D.

Demonstração: Consideremos a aplicação ϕ : D → D′ dada por ϕ(b) =


(b, 1). A função é injetora pois se ϕ(b) = ϕ(c), então, (b, 1) = (c, 1) e,
portanto, b = c. É também claramente sobrejetora. Temos também que
ϕ(a + b) = (a + b, 1) = (a, 1) + (b, 1) = ϕ(a) + ϕ(b), e ϕ(a · b) = (a · b, 1) =
(a, 1) · (b, 1). Logo, ϕ é isomorfismo. Seja K ′ um corpo contendo D′ ,
 −1
então, K ′ contém (b, 1) , ∀b ∈ D. Portanto, K ′ contém (a, 1), (1, b) e
(a, 1) · (1, b) = (a, b) ∈ K ′ . Segue que K ′ = K. 

Segue deste teorema que podemos identificar D com D′ obtendo assim


uma cópia de D em K.

Definição 4: Chama-se corpo dos números racionais, ao corpo de frações


do anel dos inteiros.

190

CORPOS
207

Corolário 1: (Q, +, .) é um corpo.

Teorema 4:Não existe em Q um número a tal que a2 = 2.

Demonstração: Suponha que existe a ∈ Q tal que a2 = 2. Podemos supor


m
que a = , com MDC(m, n) = 1 (primos entre si). Elevando ao quadrado
n
m2
ambos os lados, temos a2 = 2 . De onde segue que m2 = 2n2 e assim m2 é
n
par e, portanto, m é par. Suponha que m = 2k, para algum k ∈ N. Logo,
4k 2 = 2n2 e, portanto, 2k 2 = n2 . Logo, n2 é par e, portanto, n é par. Assim,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

m e n são pares, o que é absurdo pois ambos são, por hipótese, primos entre
si. 

Definição 5: Seja D um anel comutativo com identidade e �= 0 e suponha-


mos que esteja definida uma ordem total “ ≤ ” sobre D. Dizemos que esta
ordem define uma estrutura de anel ordenado pela ordem “ ≤ ” se, e somente
se, valem as seguintes relações de compatibilidade:
OA: Quaisquer que sejam a, b, c ∈ D, se a ≤ b, então, a + c ≤ b + c :
OM: Quaisquer que sejam a, b, c ∈ D, se a ≤ b e se 0 ≤ c, então, ac ≤ bc.

Mesma definição para domı́nio de integridade ordenado, exceto que o anel


D deve ser um domı́nio de integridade. Um corpo ordenado é um corpo
munido de uma ordem que também satisfaz as condições acima. Dizemos
que a ordem “ ≤ ” é compatı́vel com a adição e multiplicação se verifica OA
e OM.
Observamos que toda classe (a, b) pode ser escrita com b > 0, pois
(a, −b) = (−a, b).

Teorema 5: Seja (D, +, ·, ≤) um domı́nio de integridade ordenado por ≤ .


Então, o seu corpo de frações K é ordenado.

191

O Corpo de Frações
208 UNIDADE V

Demonstração: Sejam (a, b) e (c, d) elementos de K com b > 0 e d > 0.


Definimos:
(a, b) ≤ (c, d) ⇐⇒ a · d ≤ b · c.

É claro que a relação é reflexiva e anti-simétrica. Vamos provar que é tran-


sitiva. De fato, se (a, b) ≤ (c, d) e (c, d) ≤ (e, f ) temos que:

a · d ≤ b · c e c · f ≤ d · e.

Tomando b > 0, d > 0 e f > 0 podemos escrever:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a · d · f ≤ b · c · f e b · c · f ≤ b · d · e.

Pela transitividade temos que:

a · d · f ≤ b · d · e.

Como d > 0 podemos concluir que a · f ≤ b · e, e, portanto, (a, b) ≤ (e, f ).


Isto mostra que a relação é uma relação de ordem parcial. Para provar que
a ordem é total tomemos (a, b) e (c, d) elementos quaisquer de K como b > 0
e d > 0, então, como a ordem ≤ em D é total temos que a · d ≤ b · c ou
b · c ≤ a · d ocorre e, portanto, uma das desigualdades vale:

(a, b) ≤ (c, d) ou (c, d) ≤ (a, b).

Resta ainda provar que as propriedades de compatibilidade com as operações.


Sejam (a, b), (c, d) e (x, y) tais que (a, b) ≤ (c, d). Segue que a · d ≤ c · b e
multiplicando esta desigualdade por y 2 temos que a · d · y 2 ≤ c · b · y 2 e assim

192

CORPOS
209

a · d · y 2 + x · y · b · d ≤ c · b · y 2 + x · y · b · d. Isto é,

(a, b) + (x, y) ≤ (c, d) + (x, y).

A compatibilidade com a multiplicação é demonstrado de modo análogo. 

Teorema 6: Seja (D, +, ·, ≤) um domı́nio de integridade ordenado por ≤ e


seja K o seu corpo de frações. Então, temos:
a) Existe uma única ordem total R, que estende a ordem ≤ de D, sobre o
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

conjunto K que o torna um corpo ordenado.


b) O conjunto dos elementos positivos de K, dados pela ordem R, é formado
a
por todas as frações , a e b ∈ D (b �= 0) tais que 0 ≤ ab.
b

Já provamos parte desse resultado, mas não vamos provar este teorema. Va-
mos apenas usá-lo para concluir que no corpo dos racionais existe uma única
ordem “ ≤ ” que estende a ordem de Z e que torna Q um corpo ordenado.

Definição 6: Dizemos que o subconjunto E0 ⊆ E é denso em E se, e so-


mente se, para quaisquer que sejam a < b em E existe um c0 ∈ E0 tal que
a < c0 < b.

Teorema 7: Q ordenado por “ ≤ ” é denso em Q.

Demonstração: De fato, se a, b ∈ Q e se a < b, devemos provar que existe


c ∈ Q tal que a < c < b. Como a < b, então, a + a < a + b e também
(a + b)
a + b < b + b, e assim a < < b. 
2

Corolário 2: O conjunto dos racionais estritamente positivos não tem


mı́nimo.

193

O Corpo de Frações
210 UNIDADE V

b
Aplicando o teorema anterior com a = 0 e 0 < b, obtemos 0 < < b. Isto é,
2
b
dado b estritamente positivo sempre existe c = < b. 
2

Definição 7: Dizemos que um corpo (K, ≤) ordenado é arquimediano se, e


somente se, para quaisquer que sejam a ∈ K, 0 < a existe um natural n tal
que a < ne, onde e é o elemento identidade de K.

Teorema 8: O corpo ordenado dos racionais é arquimediano.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Demonstração: A prova para este teorema pode ser dada assim: se a é
m
um racional estritamente positivo podemos representá-lo sob a forma a =
n
onde m, n são naturais não nulos. Note que m
n
< (m + 1) · 1, e assim pela
definição, Q é arquimediano. 

Definição 8: Um subconjunto S de um corpo (K, +, ·) é chamado de sub-


corpo de K se S munido das operações induzidas de K for um subanel de K
que é um corpo. Neste caso dizemos que K é uma extensão de S.

Lema 3: Seja S um subanel de um corpo (K, +, ·) e suponha que S contém


pelo menos dois elementos. Então, S é um subcorpo K, se somente se,
0 �= s ∈ S, implicar que s−1 ∈ S.

Demonstração: Se S é um subcorpo, então a condição é claramente ver-


dadeira. Reciprocamente, se S é subanel, então, para todo x, y ∈ S temos
que x · y ∈ S. Logo, se 0 �= x ∈ S temos que x−1 ∈ S e, portanto, x−1 · y ∈ S.
Segue que 1 = x−1 · x ∈ S e assim os elementos não nulos de S formam um
subgrupo com a multiplicação. Logo, (S, +, ·) é um subcorpo de K. 

Lema 4: A intersecção T de uma famı́lia de subcorpos é um subcorpo.

194

CORPOS
211

Demonstração: Como T é um subanel basta provar que se 0 �= x ∈ T,


então x−1 ∈ T. Como x pertence a cada um dos dos subcorpos, então, x−1
também pertence a cada um deles. Logo, x−1 ∈ T , pois está em todos. Pelo
lema anterior, T é um subcorpo. 

Definição 9: Dizemos que P é um subcorpo primo do corpo K se P é sub-


corpo de todos os subcorpos de K.

Corolário 3: Todo corpo K tem um subcorpo primo.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Demonstração: De fato, a intersecção de todos os subcorpos de K é um


subcorpo primo de K. 

Teorema 9: Seja K um corpo. O subcorpo primo de K é isomorfo ao corpo


Q dos racionais ou a Z/pZ, onde p é primo.

Demonstração: Primeiramente vamos precisar do seguinte fato: a carac-


terı́stica de um domı́nio de integridade (D, +, ·) é igual a zero ou igual a um
primo p. De fato, suponha que a caracterı́stica de D seja p > 0, e considere-
mos um divisor d > 0 de p. Logo, p = d · q, para algum 1 ≤ q < p. Se e é a
identidade de D, então, temos que q ·e �= 0 e 0 = p·e = (d·q)·e = (d·e)·(q ·e),
e assim d · e = 0, o que é absurdo, pois p é a caracterı́stica de D, a menos
que d = p. Logo, p é primo. Agora, estamos prontos para dar a prova do
nosso teorema: sabemos que caracterı́stica do subcorpo primo P é zero ou
um primo p. Se p é a caracterı́stica de P , então, provaremos que P é iso-
morfo a Zp , para isto consideremos o homomorfismo ϕ : Z → P dado por
ϕ(n) = n · ε, onde ε é o elemento identidade de K. O núcleo é um ideal prin-
cipal �m�, e a imagem de ϕ é um domı́nio de integridade R que é isomorfo
a Z/�m� e, portanto, m deve ser zero ou um primo p. Se m é um primo p,

195

O Corpo de Frações
212 UNIDADE V

então, Zp é corpo e, portanto, como P é o menor subcorpo de K segue que


então, Zp é corpo e, portanto, como P é o menor subcorpo de K segue que
P ≈ Zp . Suponhamos que a caracterı́stica de P seja zero. Como ϕ é agora
P ≈ Zp . Suponhamos que a caracterı́stica de P seja zero. Como ϕ é agora
homomorfismo injetor podemos prolongar ϕ para todo o corpo de frações Q,
homomorfismo injetor podemos prolongar ϕ para todo o corpo de frações Q,
isto é, ϕ : Q → P é dada por ϕ((a, b)) = (a · ε) · (b−1 · ε). Prova-se facilmente
isto é, ϕ : Q → P é dada por ϕ((a, b)) = (a · ε) · (b−1 · ε). Prova-se facilmente
que ϕ é um isomorfismo e, portanto, P ≈ Q. 
que ϕ é um isomorfismo e, portanto, P ≈ Q. 

CONSTRUÇÃO
CONSTRUÇ DOSDOS
CONSTRUÇÃO
ÃO NÚMEROS
DOS REAIS REAIS
NÚMEROS
N ÚMEROS REAIS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nesta seção, consideramos já construı́do o corpo ordenado dos números
Nesta seção, consideramos já construı́do o corpo ordenado dos números
racionais Q, munido das operações usuais, e a partir dele construiremos o
racionais Q, munido das operações usuais, e a partir dele construiremos o
corpo dos números reais. A construção é geral e em lugar de Q podemos
corpo dos números reais. A construção é geral e em lugar de Q podemos
tomar um corpo ordenado K qualquer. Este é o método de Cantor para a
tomar um corpo ordenado K qualquer. Este é o método de Cantor para a
construção dos números reais. Para não tornar o assunto maçante, vamos
construção dos números reais. Para não tornar o assunto maçante, vamos
apresentar apenas as linhas gerais da construção.
apresentar apenas as linhas gerais da construção.
Seja S(Q) o conjunto de todas as sequências infinitas (an ) de elementos
Seja S(Q) o conjunto de todas as sequências infinitas (an ) de elementos
de Q. Em S(Q) definimos as operações:
de Q. Em S(Q) definimos as operações:

(an ) + (bn ) = (an + bn ) (adição),


(an ) + (bn ) = (an + bn ) (adição),
(an ).(bn ) = (an .bn ) (multiplicação) ,
(an ).(bn ) = (an .bn ) (multiplicação) ,

para quaisquer que sejam (an ) e (bn ) ∈ S(Q). Decorre das operações de
para quaisquer que sejam (an ) e (bn ) ∈ S(Q). Decorre das operações de
adição e multiplicação de racionais que as operações definidas acima para
adição e multiplicação de racionais que as operações definidas acima para
sequências são comutativas, associativas e a multiplicação distribui a adição.
sequências são comutativas, associativas e a multiplicação distribui a adição.
Note que o elemento neutro para a adição em S(Q) é a sequência constante
Note que o elemento neutro para a adição em S(Q) é a sequência constante
nula 0 = (an ), onde an = 0, ∀n natural. O elemento unidade é a sucessão
nula 0 = (an ), onde an = 0, ∀n natural. O elemento unidade é a sucessão
constante 1 = (en ), onde en = 1 para todo natural n. Assim, S(Q) com estas
constante 1 = (en ), onde en = 1 para todo natural n. Assim, S(Q) com estas
operações é um anel comutativo com identidade.
operações é um anel comutativo com identidade.
Vamos registrar esse resultado no teorema, a seguir.
Vamos registrar esse resultado no teorema, a seguir.

196
196

CORPOS
213

Teorema 10: S(Q) munido das operações definidas acima é um anel comu-
tativo com identidade.

Uma sequência constante a = (an ), onde an = a ∈ Q para todo natural


n será indicada simplesmente por a.

Definição 10:
Dizemos que a sequência (an ) ∈ S(Q) é limitada superiormente se, e
somente se, o conjunto {an , n ∈ N} é limitado superiormente. Ou seja, se
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e somente se, existe M racional tal que an ≤ M, ∀n ∈ N. M é dito ser um


majorante ou cota superior para a sequência (an ).
De modo análogo, dizemos que a sequência (an ) ∈ S(Q) é limitada
inferiormente se, e somente se, o conjunto {an , n ∈ N} é limitado inferior-
mente. Ou seja, se e somente se, existe m racional tal que m ≤ an , ∀n ∈ N.
Ao número m chamamos de minorante ou cota inferior para a sequência (an ).
Dizemos que a sequência (an ) ∈ S(Q) é limitada se, e somente se, o
conjunto {|an |, n ∈ N} é limitado. Ou seja, se e somente se, existe M racional
tal que |an | ≤ M, ∀n ∈ N.

Definição 11: Um elemento L ∈ Q é dito ser o supremo da sequência (an )


se, e somente se, L é um majorante de (an ) e se L′ < L com L′ ∈ Q, então,
existe um p natural tal que:

L′ < ap ≤ L.

Resumidamente, o supremo de (an ) é o menor dos majorantes de (an ) em Q.


Um elemento l ∈ Q é o ı́nfimo da sequência (an ) se, e somente se, l é um
minorante de (an ) e se l′ > l com l ∈ Q, então, existe p natural tal que

l′ > ap ≥ l.

197

Construção dos Números Reais


214 UNIDADE V

Resumidamente, o ı́nfimo de (an ) é o maior dos minorantes de (an ) em


Q.
No conjunto A = {x; x ∈ Q, 0 < x < 1} temos que M = 1 é o supremo de
A e m = 0 é o ı́nfimo de A. Note que ambos nesse caso, supremo e ı́nfimo,
pertencem a Q e não estão no conjunto A.
No conjunto B = {x; x ∈ Q, x2 ≤ 2} temos que M = 2 é uma cota
superior de B. Note que B não tem supremo e nem ı́nfimo em Q, pois

sabemos que 2 �∈ Q.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Definição 12: Dizemos que (an ) ∈ S(Q) converge para um elemento a ∈ Q
se, e somente se, para todo ǫ > 0 racional existe um n0 natural tal que

|an − a| < ǫ,

para todo natural n > n0 .

Dizemos que (an ) ∈ S(Q) é convergente se existe um elemento a ∈ Q, tal


que (an ) convirja para a. Quando (an ) converge para a ∈ Q escrevemos:

lim an = a.
n−
→∞

Teorema 11: Se (an ) ∈ S(Q) converge, então ela converge para no máximo
um elemento a ∈ Q.

Demonstração: A demonstração é simples: suponha que (an ) convirja para


|a − a′ |
os racionais a e a′ distintos. Então, seja ǫ = ∈ Q. Então, existem p
2
e q naturais tais que:
|an − a| < ǫ, ∀n ≥ p

|an − a′ | < ǫ, ∀n ≥ q.

198

CORPOS
215

Então, para n0 = max{p, q} e n > n0 tem-se:

|a − a′ | = |a − an + an − a′ | ≤ |a − an | + |an − a′ | < 2ǫ = |a − a′ |.

O que é absurdo, assim a = a′ . 

• Exemplo 1 :

1
(a) an = ∈ S(Q) converge para zero.
n
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(b) an = n ∈ S(Q) não converge, pois tende ao infinito.


n
(c) an = (−1)n ∈ S(Q) não é convergente, pois oscila entorno de −1 e
n+1
1.

Teorema 12: Toda sequência (an ) ∈ S(Q) convergente é limitada.

Demonstração: Seja lim an = a. Dado ǫ = 1, existe um natural n0 tal que:

|an − a| < 1, ∀n > n0 .

Logo, |an | − |a| ≤ |an − a| < 1, assim |an | < 1 + |a|, ∀n > n0 .
Seja M = max{1 + |a|, |a1 |, . . . , |an0 −1 |}, segue que |an | ≤ M, ∀n. Isto
completa a prova. 

Observe que não é verdade que toda sequência limitada seja convergente.
n
A sequência an = (−1)n ∈ S(Q) é limitada, mas não é convergente.
n+1

→∞ (an − a) = 0.
→∞ an = a, então, limn−
Teorema 13: Se limn−

A demonstração é imediata. 

199

Construção dos Números Reais


216 UNIDADE V

Teorema 14: Se (an ) é limitada e (bn ) converge a zero, então, (an bn ) con-
verge a zero.

Demonstração: Como (an ) é limitada existe um racional estritamente pos-


ǫ
itivo M tal que |an | ≤ M. Como (bn ) converge a zero, dado M
racional
ǫ
estritamente positivo, existe um natural n0 tal que |bn | < M
, ∀n > n0 . Por-
tanto, para todo natural n > n0 , teremos:

ǫ
|an · bn − 0| = |an · bn | = |an |.|bn | < M = ǫ,
M

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
assim (an bn ) converge para zero. 

Corolário 4: Sejam (an ) e (bn ) duas sequências convergentes. Então:


a) limn−
→∞ (an + bn ) = limn−
→∞ (an ) + limn−
→∞ (bn )
→∞ (an · bn ) = limn−
b) limn− →∞ (an ) · limn−
→∞ (bn )

Demonstração: Suponha que lim an = a e que lim bn = b. Dado ǫ ∈ Q∗+


(ǫ > 0 racional), existem naturais n1 e n2 tais que:

|an − a| < ǫ/2, para n ≥ n1


|bn − b| < ǫ/2, para n ≥ n2 .

Tomando n0 = max{n1 , n2 } temos que para n ≥ n0

|(an + bn ) − (a + b)| ≤ |an − a| + |bn − b| < ǫ.

Para provar a segunda parte basta mostrar que (an · bn − a · b) converge


para zero. De fato, como as sequências são convergentes então também são
limitadas. Como a sequência (an − a) (e também (bn − b) ) converge para
zero segue do teorema 14 que (an − a)bn (e também (bn − b)a ) converge para

200

CORPOS
217

zero, isto é,

lim (an − a)bn = 0


n−
→∞
lim (bn − b)a = 0.
n−
→∞

Usando que,
an bn − ab = (an − a)bn + a(bn − b)

segue que lim(an bn − ab) = 0. 


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O corolário acima permite concluir que lim(−an ) = − lim(an ) e que


lim(an − bn ) = lim(an ) − lim(bn ), se as sequências convergem.

Lema 5: Seja (an ) ∈ S(Q) convergente para a �= 0. Então, existem um


natural n0 e um racional estritamente positivo M tal que |an | > M, ∀n > n0 .

|a|
Demonstração: Como lim |an | = |a|, dado ǫ = M = 2
(que é racional)
existe um natural n0 natural tal que ||an |−|a|| < M ou usando a definição de
valor absoluto |a| − M < |an | < |a| + M. Segue que |an | > |a| − |a|
2
= |a|
2
= M.
Logo, |an | > M, ∀n > n0 . 

Teorema 15: Seja (an ) uma sequência convergente com an �= 0, ∀n e limite


a �= 0. Então,
1 1 1
lim = = .
an lim an a

Demonstração: Como an �= 0, existe bn �= 0 tal que an .bn = 1, ∀n. Assim,


(an )(bn ) = (an bn ) = (1), donde (bn ) = ( a1n ). Provaremos que (bn ) é conver-
gente. Como a �= 0, existem um racional M estritamente positivo e p natural
tais que M < |an |, ∀n > p. Como lim an = a, dado um racional ǫ > 0 existe

201

Construção dos Números Reais


218 UNIDADE V

um natural q tal que |an − a| < M |a|ǫ, ∀n > q. Seja n0 = max{p, q}, então,
temos para n > n0 que:

|a−1 −1 −1 −1 −1 −1
n − a | = |an a (a − an )| = |an ||a ||a − an | <

< M −1 |a−1 ||a − an | < M −1 |a−1 |M |a|ǫ = ǫ.

Portanto, (a−1 −1
n ) converge para a . 

Indicaremos por Sf (Q) o subconjunto de S(Q) formado por todas as

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sequências fundamentais. Uma sequência (an ) ∈ S(Q) é fundamental, ou de
Cauchy, se para todo racional estritamente positivo ǫ existe um natural n0
tal que:
|am − an | < ǫ,

quaisquer que sejam m, n > n0 .


Chamamos uma sequência de monótona se esta for crescente ou decres-
cente: crescente se an ≤ an+1 e decrescente se an ≥ an+1 , ∀n ∈ N.

Teorema 16: Se (an ) ∈ S(Q) é monótona crescente e limitada, então (an )


é de Cauchy.

Demonstração: Por hipótese existe c ∈ Q tal que an ≤ c, ∀n. Dado ǫ > 0


racional seja:
c − an
S = {m ∈ N; m · 1 ≤ , ∀n ∈ N}.
ǫ
c − a1 c − an
Como ≥ ≥ 0 é elemento de Q e Q é arquimediano, existe
ǫ ǫ
m0 ∈ N tal que:
c − an
< m0 · 1, ∀n.
ǫ
Segue que S é limitado superiormente e como S �= ∅, pois 0 ∈ S, então, S

202

CORPOS
219

tem um maior elemento r. Como r ∈ S e (r + 1) �∈ S, temos:

c − an
r·1≤ , ∀n
ǫ

e existe n0 ∈ N tal que:

c − an0
(r + 1) · 1 > .
ǫ

Ou seja,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c − an0 < (r + 1)ǫ.

Se m, n > n0 , então, supondo n ≥ m, temos:

c − am ≤ c − an0 < (r + 1)ǫ = rǫ + ǫ


≤ c − an + ǫ,

ou seja c − am < c − an + ǫ e, portanto, an − am < ǫ. Mostrando que a


sequência é de Cauchy. 

Vale um resultado análogo ao lema acima para sequências monótonas


descrescentes e limitadas.
É fácil ver que o conjunto Sc (Q) das sequências convergentes em Q está
contido no conjunto Sf (Q). Mas Sc (Q) �= Sf (Q). Para provar esta última
afirmação considere a sequência de racionais dada indutivamente por a1 = 1
4an
e an+1 = , n ≥ 1. Observe que a sequência é monótona crescente e
2 + a2n
limitada, portanto de Cauchy, mas não é convergente em Q.
Um corpo K é dito ser completo se toda sequência de Cauchy de K é
convergente em K.

Observação 1: Para concluir que Q não é completo consideremos a

203

Construção dos Números Reais


220 UNIDADE V

sequência definida anteriormente,

4an
a1 = 1, an+1 = , n ≥ 1.
2 + a2n

Esta sequência é tal que 0 ≤ a2n < 2 e além disso é monótona crescente e
limitada superiormente. Segue do teorema 16 imediatamente acima que (an )
é sequência fundamental em Q. Mas esta sequência não é convergente em Q,
4a
pois se fosse convergente para a ∈ Q, o racional a deveria satisfazer a = 2+a2
,
isto é, a2 = 2, o que é absurdo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Lema 6: Toda sequência fundamental é limitada.

Demonstração: Para provar esta afirmação tomemos (an ) ∈ Sf (Q), e 1 ∈


Q, então, existe p natural tal que |an −am | < 1 quaisquer que sejam m, n > p.
Fixando n = p + 1 temos que para todo m > p,

|am | = |am − ap+1 + ap+1 |


≤ |am − ap+1 | + |ap+1 |
< 1 + |ap+1 |.

Seja M = max{|a0 |, · · · , |ap |, 1 + |ap+1 |}. Então, |am | ≤ M, para todo m ∈ N.


Logo, (an ) é limitada. 

Definição 13: Sejam (an ) e (bn ) elementos de Sf (Q), defina:

(an )R(bn ) ⇐⇒ (an − bn ) converge para zero.

Teorema 17: A relação R acima é uma relação de equivalência em Sf (Q)


e é compatı́vel com a adição e a multiplicação.

204

CORPOS
221

É fácil ver que a relação é de equivalência. Mostraremos que se (an ), (bn ), (cn )
estão em Sf (Q) e se (an )R(bn ), então,

(an + cn )R(bn + cn ) e (an cn )R(bn cn ),

isto é, R é compatı́vel com as operações.


De fato, como (an +cn )−(bn +cn ) = (an −bn ), então, segue (an +cn )R(bn +
cn ). Para o outro caso, (an cn ) − (bn cn ) = (an cn − bn cn ) = (an − bn )(cn ) que é
convergente para zero, assim (an cn )R(bn cn ). Isto termina a prova. 
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Denotaremos por (an ) um elemento do quociente Sf (Q)/R. Vamos


representar por R esse conjunto quociente.
A soma e o produto de dois elementos quaisquer de R são definidas por:

(an ) + (bn ) = (an + bn )

(an ) · (bn ) = (an · bn ).

As operações acima estão bem definidas, são associativas e comutativas. Com


essas operações R é um corpo.

Teorema 18: Sf (Q)/R munido das operações:

(an ) + (bn ) = (an + bn )

(an ) · (bn ) = (an · bn )

é um corpo.

O próximo passo é introduzir a noção de ordem sobre R e mostrar que R


é completo, isto é, as sequências de Cauchy em R são convergentes em R.

205

Construção dos Números Reais


222 UNIDADE V

Seja Q′ o conjunto de todas classes (a), onde a ∈ Q, é um subcorpo de


R. Defina f : Q → Q′ dado por f (a) = (a). Esta aplicação é um isomorfismo
de corpos entre Q e Q′ . Assim, é natural identificar Q e Q′ , e Q passa a ser
um subcorpo dos reais.
Dizemos que (an ) ∈ Sf (Q) é estritamente positiva se existem M racional
estritamente positivo e n0 ∈ N tais que an > M, ∀n > n0 .

Lema 7: Sejam (an ), (bn ) ∈ Sf (Q) e (an ) estritamente positiva. Se (an ) =


(bn ), então, (bn ) é também estritamente positiva.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Demonstração: Como (an ) é estritamente positiva existe M > 0 racional
e n0 ∈ N tal que M < an , ∀n ≥ n0 . Como (an − bn ) converge para zero,
M
então dado ǫ = 2
racional estritamente positivo existe um natural n1 tal
M
que |an − bn | < 2
, ∀n > n1 . Tome n2 = max{n1 , n0 }. Então, temos:

M
|bn − an | < ,
2

ou seja,

M M M M
=M− < an − < bn < an + , ∀n ≥ n2 .
2 2 2 2
M
Logo, bn > 2
> 0, ∀n ≥ n2 . De onde segue que (bn ) é estritamente positiva.


Para um corpo ordenado K denotamos por P ∗ os elementos estritamente


positivos de K. O seguinte resultado diz que toda sequência fundamental
mantém o sinal.

Proposição 1: Seja (an ) ∈ Sf (K). Apenas uma das condições vale:


a) (an ) ∈ S0 (K);

206

CORPOS
223

b) existem c ∈ P ∗ e n0 ∈ N tais que an ≥ c, ∀n ≥ n0 ;


c) existem c ∈ P ∗ e n1 ∈ N tais que an ≤ −c, ∀n ≥ n1 .

Demonstração: É fácil ver que estas condições são mutuamente exclusivas.


Suponhamos que (an ) �∈ S0 (K). Então, (an ) não converge para zero. Logo,
existem c > 0 em K e n0 ∈ N tais que |an | > c, ∀n ≥ n0 . Afirmamos que
uma tal sequência não pode ser fundamental. De fato, tomemos m, n ≥ n0 ,
se tivermos an ≥ c e −am ≥ c, então, an − am ≥ 2 · c > 0, que contradiz o
fato de (an ) ser fundamental. Logo, os termos an , para todo n ≥ n0 têm o
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mesmo sinal. 

Definição 14: Um real (an ) é estritamente positivo ⇐⇒ (an ) é estritamente


positiva. Por Sf (Q)+ denotamos a união:

S0 (Q) ∪ {(an ) ∈ Sf (Q) estritamente positiva}

e definimos:
(an ) ≤ (bn ) ⇐⇒ (bn − an ) ∈ Sf (Q)+ .

Concluı́mos que (an ) < (bn ) ⇐⇒ (bn − an ) não é convergente para zero e
existe natural n0 tal que an < bn , ∀n ≥ n0 .

Teorema 19: A relação “ ≤ ” é uma ordem total sobre R compatı́vel com a


adição e multiplicação.

Demonstração: Primeiro provaremos que a relação está bem definida. Para


isto devemos mostrar que se (an ) = (bn ) e se (cn ) = (dn ) são duas rep-
resentações para dois reais, e se (bn ) ≤ (dn ), então, (an ) ≤ (cn ). Isto é,
se (dn − bn ) ∈ Sf (Q)+ , então, (cn − an ) ∈ Sf (Q)+ . Como (an − bn ) ∈
S0 (Q) e , (cn − dn ) ∈ S0 (Q) temos que (cn − dn ) − (an − bn ) ∈ S0 (Q) ⊆

207

Construção dos Números Reais


224 UNIDADE V

Sf (Q)+ e como e (dn −bn ) ∈ Sf (Q)+ temos que (cn −dn )−(an −bn )+(dn −bn ) =
(cn − an ) ∈ Sf (Q)+ . Ou seja, (an ) ≤ (cn ).
A reflexividade, antissimetria e transitividade são propriedades quase que
imediatas e suas provas são deixadas como exercı́cio. A totalidade na ordem
segue da proposição anterior, pois dados reais (an ) e (bn ) só pode ocorrer
(an − bn ) ∈ Sf (Q)+ ou −(an − bn ) ∈ Sf (Q)+ , ou seja (an ) ≤ (bn ) ou (bn ) ≤
(an ).
Para a compatibilidade com a adição, sejam (an ), (bn ) e (cn ) reais. Se

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(an ) ≤ (bn ), então, temos que (bn + cn ) − (an + cn ) = (bn − an ) ∈ Sf (Q)+ ,
isto é,
(an ) + (cn ) ≤ (bn ) + (cn ).

A prova da compatibilidade com a multiplicação é provada de modo análogo.

Observamos também que a relação de ordem no completamento é uma


extensão da relação de ordem em Q, pois os elementos de Q estão no com-
pletamento por meio da identificação de elementos a ∈ Q com as sequências
constantes an = a, ∀n ∈ N. Se a, b ∈ Q são tais que a ≤ b, então b − a ≥ 0
e, portanto, a sequência cn = b − a ≥ 0, ∀n ∈ N, segue que a ≤ b no
completamento de Q. 

Lembramos que um corpo ordenado (K, +, ·, ≤) é arquimediano se, e


somente se, para qualquer 0 < b elemento de K existe um natural n tal
que b < n · e, onde e é o elemento identidade de K.
Já provamos que Q é arquimediano. Agora, vamos provar que R também
o é.

Teorema 20: R é arquimediano.

Como R é um corpo ordenado resta provar que para cada α = (an ) estrita-

208

CORPOS
225

mente positivo, existe um natural n tal que α < n.e, onde e é o elemento
identidade da multiplicação em R. Como (an ) é sequência fundamental, é
portanto majorada em Q, isto é, existe M ∈ Q+∗ tal que |an | < M, ∀n ∈ N.
Como Q é arquimediano existe um a ∈ N tal que M < a, portanto, o natural
a = (a) é estritamente maior que α. Isto conclui a prova. 

Observação 2: Sendo R um corpo arquimediano, para todo real ǫ1 > 0


existe um racional ǫ > 0 tal que ǫ < ǫ1 . Logo, para provar que (αn ) ∈ S(R)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

é fundamental basta provar que para todo racional estritamente positivo ǫ,


existe um natural n0 tal que:

|αn − αm | < ǫ ∀m, n ≥ n0 .

Mesma observação se aplica para sequências reais convergentes.

Lema 8: Se (an ) ∈ Sf (Q), então, (an ) ∈ Sc (R).

O lema acima diz que toda sequência fundamental de racionais é convergente


para um número real.
Dado ǫ ∈ Q+∗ estritamente positivo, existe um natural n0 tal que:

|am − an | < ǫ, ∀m, n > n0 .

Ou ainda,
an − ǫ < am < an + ǫ, ∀m, n > n0 .

Fixemos p > n0 , como Q ⊂ R, então, temos:

ap + ǫ = (ap + ǫ)

ap − ǫ = (ap − ǫ).

209

Construção dos Números Reais


226 UNIDADE V

Seja α = (an ), então,

ap − ǫ < am < ap + ǫ, ∀m > n0

e, portanto,
(ap − ǫ) < α < (ap + ǫ)

donde,
(−ǫ) < α − (ap ) < (ǫ).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Logo, |α − (ap )| < (ǫ) = ǫ. Resumindo: dado ǫ racional estritamente positivo,
existe um natural n0 tal que |α − (ap )| < ǫ, ∀p > n0 . Assim, (ap ) converge
para α. 

Lembramos que um corpo ordenado K é completo se, e somente se,


Sf (K) = Sc (K). O terema a seguir é um dos resultados mais importantes.

Teorema 21: R é completo.

Demonstração: Temos inicialmente que Sc (R) ⊂ Sf (R). Vamos provar que


Sf (R) ⊂ Sc (R). Seja (αn ) uma sequência de Cauchy em R. Então, αn =
+∗
→∞ ai,n , com ai,n ∈ Q. Logo, dado ǫ ∈ Q existe um natural i0 tal que:
limi−

|αn − ai,n | < 3−1 · ǫ ∀i ≥ i0 .

Para cada i seja bn = ai,n . Mostraremos que (bn ) é fundamental, de fato,


|bm − bn | ≤ |bm − αm | + |αm − αn | + |αn − bn | < 3.3−1 .ǫ = ǫ, ∀i, isto é, (bm )
é fundamental.
Como (bn ) é convergente para (bn ) = α, existe um natural n1 tal que

|bn − α| < 3
. Por outro lado, tem-se |αn − α| ≤ |αn − bn | + |bn − α| <
ǫ ǫ 2ǫ
3
+ |bn − α| < 3
+ 3
= ǫ, isto é, (αn ) é convergente para α. 

210

CORPOS
227

Assim, como as sequências de Cauchy são convergentes em R, segue que


a sequência de Cauchy dada por

4an
a1 = 1, an+1 = ,n ≥ 1
2 + an

é convergente. Essa converge para a tal que a2 = 2. A esse número repre-



sentamos por 2.

Teorema 22 (Princı́pio do supremo): Todo subconjunto S não vazio de


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

R limitado superiormente tem supremo.

Demonstração: Para cada natural n seja,

Tn = {y ∈ Z; x ∈ S =⇒ nx ≤ y}.

Tn é minorado por qualquer elemento nx com x ∈ S, além disso, é não vazio,


pois se b majora S então, todo y ∈ Z tal que n · b ≤ y pertencerá a Tn . Seja
yn o menor elemento de Tn . Então, existe xn ∈ S tal que:

yn − 1 < nxn ≤ yn ,

pois, caso contrário, yn não seria o menor elemento de Tn . Logo,

yn 1 yn
− < xn ≤ .
n n n
yn
Seja zn = n
. Afirmamos que (zn ) é sequência de Cauchy. De fato, suponha
yn ym
que n
≥ m
. Então:

yn 1 ym yn yn 1
− < xn ≤ ≤ < + .
n n m n n n

211

Construção dos Números Reais


228 UNIDADE V

Isto prova que:


yn ym 1 1
| − |≤ e |zn − xn | < ,
n m n n
para m, n suficientemente grandes, esse número é arbitrariamente pequeno e
assim (zn ) é de Cauchy. Seja w o seu limite. Suponha que existe x ∈ S tal
que w < x. Então, existe n tal que:

x−w
|zn − w| ≤ .
2

Então,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
x − zn = x − w + w − zn ≥ x − w − |w − zn |
x−w
≥ x−w−
2
x−w
≥ > 0,
2

e x > zn , contradizendo o fato de que zn é um majorante de S.


Agora, provaremos que w é o supremo de S. Seja u < w. Existe um n
suficientemente grande tal que

1 w−u
|zn − xn | ≤ < .
n 4

Tomando n tal que:


w−u
|zn − w| ≤ ,
4
pois w é o limite de (zn ). Agora,

xn − u = w − u + xn − zn + zn − w
≥ w − u − |xn − zn | − |zn − w|
w−u w−u
≥ w−u− −
4 4

212

CORPOS
229

w−u
≥ w − u > 0,
≥ 2 > 0,
2
donde temos que u < x . Logo, u não é um majorante e, portanto, w é o
donde temos que u < xnn . Logo, u não é um majorante e, portanto, w é o
supremo.Isto termina a prova. 
supremo.Isto termina a prova. 

Vale o seguinte teorema. Não vamos dar a sua prova aqui embora já
Vale o seguinte teorema. Não vamos dar a sua prova aqui embora já
temos todos os elementos para tal.
temos todos os elementos para tal.
Teorema 23: Seja K um corpo ordenado. São equivalentes:
Teorema 23: Seja K um corpo ordenado. São equivalentes:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a) K é completo,
a) K é completo,
b) K é arquimediano e S (K) = S (K).
b) K é arquimediano e Sff (K) = Scc (K).
c) toda sequência crescente e majorada, de elementos de K, é convergente.
c) toda sequência crescente e majorada, de elementos de K, é convergente.
Outro resultado importante que não vamos provar é o seguinte:
Outro resultado importante que não vamos provar é o seguinte:
Teorema 24: Seja K um corpo ordenado completo. Então, existe um único
Teorema 24: Seja K um corpo ordenado completo. Então, existe um único
isomorfismo de anéis ordenados de R em K.
isomorfismo de anéis ordenados de R em K.

O
O CORPO
O CORPO
CORPO DOS NÚMEROS
DOS
DOS COMPLEXOS
NÚMEROS
N ÚMEROS COMPLEXOS
COMPLEXOS
Os números complexos surgiram da necessidade de resolver equações
Os números complexos surgiram da necessidade de resolver equações
algébricas tais como x2 = −1. Um tratamento rigoroso para os números
algébricas tais como x2 = −1. Um tratamento rigoroso para os números
complexos só foi apresentato em 1837 e foi devido a Hamilton.
complexos só foi apresentato em 1837 e foi devido a Hamilton.
Se i é uma solução de x2 = −1, então, R ∪ {i} tem solução para x2 = −1.
Se i é uma solução de x2 = −1, então, R ∪ {i} tem solução para x2 = −1.
Além disso, é o anel dos elementos a + bi, em que a, b ∈ R. Isso motiva a
Além disso, é o anel dos elementos a + bi, em que a, b ∈ R. Isso motiva a
definição dos números complexos associando a + bi ao par (a, b).
definição dos números complexos associando a + bi ao par (a, b).
Definimos o conjunto dos números complexos, denotado por C, como
Definimos o conjunto dos números complexos, denotado por C, como
sendo o conjunto de todos os pares ordenados (a, b) em que a, b ∈ R:
sendo o conjunto de todos os pares ordenados (a, b) em que a, b ∈ R:

C = {(a, b); a, b ∈ R}.


C = {(a, b); a, b ∈ R}.

213
213

O Corpo dos Números Complexos


230 UNIDADE V

Aos elementos de C chamamos de números complexos.


Munimos o conjunto C das seguintes operações:

1. Adição: (a, b) + (c, d) = (a + c, b + d);

2. Multiplicação: (a, b) · (c, d) = (ac − bd, ad + bc).

É fácil verificar que valem as seguintes propriedades:

• (0, 0) + (a, b) = (a, b) + (0, 0) = (a, b),

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• (1, 0) · (a, b) = (a, b) · (1, 0) = (a, b).

É usual denotar (0, 0) por 0 e (1, 0) por 1 e vamos adotar esta notação.
Utilizaremos as letras z, w, z1 , z2 , w1 , w2 , . . . para representar números
complexos.
É facil verificar que valem as seguintes propriedades.

Propriedades 1: Para quaisquer números complexos z, z1 , z2 , z3 valem:

1. Associatividade da adição: z1 + (z2 + z3 ) = (z1 + z2 ) + z3 ;

2. Comutatividade da adição: z1 + z2 = z2 + z1 ;

3. Existência do elemento neutro: 0 + z = z;

4. Existência do elemento oposto: dado z = (x, y) ∈ C existe −z =


(−x, −y) ∈ C tal que z + (−z) = 0;

5. Associatividade da multiplicação: z1 (z2 z3 ) = (z1 z2 )z3 ;

6. Comutatividade da multiplicação: z1 z2 = z2 z1 ;

7. Existência do elemento unidade: 1z = z;

214

CORPOS
231

8. 
Existência do inverso:
 se z = (x, y) �= 0, então, existe z −1 =
x −y
, ∈ C tal que zz −1 = 1;
x2 + y 2 x2 + y 2
9. Distribuitividade da multiplicação com relação a adição: z1 (z2 + z3 ) =
z1 z2 + z1 z3 .

Essas propriedades nos dizem que C, munido das operações definidas acima,
é um corpo.
Vamos denotar por i o número complexo (0, 1). Note que:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

i2 = (0, 1) · (0, 1) = (−1, 0) = −1

e, portanto, a equação x2 + 1 = 0 tem em C as soluções ±i.


O corpo dos complexos não é ordenado, pois em um corpo ordenado
por uma relação � tem-se sempre 0 � w2 , ∀w. Esta observação demonstra o
seguinte resultado:

Proposição 2: Não existe relação de ordem alguma sobre C que o torne


corpo ordenado.

Como i = (0, 1) podemos escrever z = (x, y) = x · 1 + y · i ou simplesmente


z = x + yi. Em z = x + iy chamamos x de a parte real de z e y a parte
imaginária de z:
x = Re(z), y = Im(z).

Dois números complexos z = x1 + iy1 e w = x2 + iy2 são iguais se somente


se, x1 = x2 e y1 = y2 . É claro que dois números complexos são iguais se, e
somente se, possuem a mesma parte real e a mesma parte imaginária. Assim,
se z = x + iy é não nulo, segue que x �= 0 ou y �= 0.

R como subconjunto de C: Note que R pode ser visto como um sub-


conjunto de C, pois todo x ∈ R é escrito como x = x + i0. Além disso, as

215

O Corpo dos Números Complexos


232 UNIDADE V

operações de adição e multiplicação de R são as mesmas definidas em C. De


fato, dados x e y reais temos:

x + y = x(1, 0) + y(1, 0) = (x + y)(1, 0) = (x + y, 0) = (x + y)1 + 0i,


xy = (x, 0)(y, 0) = (xy − 0, 0) = xy(1, 0) = xy + 0i.

Uma aplicação bijetora entre dois corpos que preserva a soma e o produto
é chamada de isomorfismo de corpos. Da observação acima podemos enunciar
o seguinte resultado.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Proposição 3: C possui um subcorpo isomorfo a R.

Demonstração: Defina φ : R → C dada por φ(a) = (a, 0). Como vimos:

φ(a + b) = φ(a) + φ(b) e φ(ab) = φ(a)φ(b).

Como φ(a) = φ(1 · a) = φ(1)φ(a) segue que se φ(1) = 0, então, φ ≡ 0.


Logo, como φ(a) �= 0 para algum a ∈ R, segue que φ é isomorfismo. 

Note que na propriedade (8) apresentamos z −1 , que é de fácil dedução.


De fato, se z = x + iy é não nulo, então, z −1 = u + iv deve satisfazer:

xu − yv = 1
(1)
yu + xv = 0

que é um sistema de equações lineares nas variáveis u, v com determinante


não nulo dado por x2 + y 2 . Logo, possui uma única solução que pode ser
obtida usando a regra de Cramer:

x −y
u= , v= 2 .
x2 + y 2 x + y2

216

CORPOS
233

Assim,    
−1 x −y
z = +i . (2)
x + y2
2 x + y2
2

Vamos provar agora outra importante propriedade: Se z1 z2 = 0, então,


z1 = 0 ou z2 = 0. De fato, sejam z1 = x1 + iy1 e z2 = x2 + iy2 e suponha
que z1 z2 = 0 mas z1 �= 0. Vamos provar que z2 = 0. Como z1 z2 = 0, então,
temos que as equações: 
x1 x2 − y1 y2 = 0
(3)
y1 x 2 + x 1 y 2 = 0
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

devem ser satisfeitas. Como esse sistema homogêneo de equações lineares


(nas variáveis x2 e y2 ) tem determinante não nulo dado por x21 + y12 , segue
que a única solução é x2 = y2 = 0. Ou ainda, como C é um corpo e z1 �= 0,
existe z1−1 e, então, 0 = z1−1 0 = z1−1 (z1 z2 ) = (z1−1 z1 )z2 = z2 , o que mostra que
z2 = 0.
As operações subtração e divisão são consequências da adição e multi-
plicação:

• Subtração: z − w = z + (−w);
z
• Divisão: = zw−1 , desde que w �= 0.
w

Segue imediatamente que:


z1 + z2 z1 z2
• = (z1 + z2 )z3−1 = z1 z3−1 + z2 z3−1 = + .
z3 z3 z3
   
z1 z2 z1 z2
• = (z1 z2 ) · (z3 z4 )−1 = (z1 z2 ) · (z3−1 z4−1 ) = · .
z3 z4 z3 z4
Se z = x + iy ∈ C definimos o conjugado de z, denotado por z, por
z = x − yi. O conjugado z tem uma representação geométrica simples: z é
o simétrico de z em relação ao eixo real. Veja a figura 1.

217

O Corpo dos Números Complexos


234 UNIDADE V

Figura 1: O conjugado de um número complexo


Figura 1: O conjugado de um número complexo
z

Figura 1: O conjugado de um número complexo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
z
Fonte: o autor (2016).
Fonte: o autor (2016).

O módulo de z é denotado por |z| e é definido por |z| = x2 + y 2 . A
 
expressão
O módulox2de+ zy 2é aparece
denotadonaturalmente no trabalho
por |z| e é definido com= números
por |z| x2 + y 2com-
. A

plexos e representa
expressão x + y graficamente
2 2 o comprimento
aparece naturalmente do segmento
no trabalho de reta com-
com números com
Fonte: o autor (2016).
extremidades
plexos na origem
e representa (0, 0) e em
graficamente z = (x, y). Ado
o comprimento expressão
segmento para
de oreta
módulo
com
pode ser deduzida
extremidades por meio
na origem doeteorema
(0, 0) em z = de(x,Pitágoras. Veja a para
y). A expressão figura
 o 2.
módulo
O
Notemódulo
ser que de z é denotado por |z| e é definido por |z|
Veja|z| = x 2 + y2. A
= |z|. 2.
pode tanto por
deduzida z quanto
meio doz possuem
teorema odemesmo módulo:
Pitágoras. a figura
expressão x 2 + y 2 aparece naturalmente no trabalho com números com-
Note que tanto z quanto z possuem o mesmo módulo: |z| = |z|.
plexos e representa
Figuragraficamente
2: Módulo deo comprimento do segmento de reta com
um número complexo.
extremidades na origem
Figura 2: (0, 0) e em
Módulo de zum
= número
(x, y). A expressão para o módulo
complexo.
pode ser deduzida por meio do teorema de Pitágoras. Veja a figura 2.
y z possuem o mesmo módulo: |z| = |z|.
Note que tanto z quanto

Figura 2: Módulo de um número complexo.

Fonte: o autor (2016).


Fonte: o autor (2016).

218
x
Fonte: o218
autor (2016).

CORPOS
218
235

Como zz = x2 + y 2 , segue que |z|2 = zz. Portanto, se z �= 0, tem-se:

1 z
z −1 = = 2,
z |z|

concordando com (2).

Proposição 4: Dado o complexo z = a + bi, o polinômio p(x) = x2 − 2ax +


a2 + b2 tem z e z como raı́zes.

Demonstração: Basta substituir no polinômio. 


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Propriedades 2: Para quaisquer números complexos z e w valem:


1
1. Re(z) = (z + z);
2
1
2. Im(z) = (z − z);
2i
3. |z| = |z|;

4. z + w = z + w;

5. z · w = z · w;

6. |z · w| = |z| · |w|;
z |z|
 
7.   = , desde que w �= 0;
w |w|
8. z = z;

9. Re(z) ≤ |Re(z)| ≤ |z| e Im(z) ≤ |Im(z)| ≤ |z|;

10. |z + w| ≤ |z| + |w| (desigualdade triangular). Veja figura 3.

219

O Corpo dos Números Complexos


236 UNIDADE V

Figura 3: Ilustração da desigualdade triangular.

Figura 3: Ilustração da desigualdade triangular.

|w|
|z+w|

Fonte: o autor (2016).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
|z|

11. ||z| − |w|| ≤ |z + w|, ∀z, w ∈ C.


Fonte: o autor (2016).
Vamos demonstrar a desigualdade triangular.

2
11. ||z| − |w|||z≤
1+ 2 | w|,
|zz+ = ∀z,
(z1 w
+∈z2 )C.(z1 + z2 ) = (z1 + z2 ) (z1 + z2 )
= z1 z1 + z2 z2 + z1 z2 + z2 z1
Vamos demonstrar a desigualdade triangular.
= |z1 |2 + |z2 |2 + 2Re (z1 z2 )
2
|z1 + z2 |2 =≤(z|z
1+1 | z+ (z21|2++z22|z
2 ) |z )= 2 | 1 + z2 ) (z1 + z2 )
1 z(z
2
z11 |+2 +
=≤z1|z |2 z+1 z2|z
z2 z|z22+ 2+1 ||z
z22z|1= (|z1 | + |z2 |) .
= |z1 |2 + |z2 |2 + 2Re (z1 z2 )
Segue que:
≤ |z1 |2 + |z2 |2 + 2|z1 z2 |
|2 w|
≤ |z 1+ 2
+ |z≤2 ||z|
++2|z1 ||z∀z,
|w|, 2| =w (|z | + |z2 |)2 .
∈ 1C. (4)

SeguePor
que:indução, pode-se mostrar que:
 n 
   n
|z + w| ≤ |z|z + |w|, ∀z,|zw|∈ C. (4)(5)
k ≤ k .
 
k=1 k=1
Por indução, pode-se mostrar que:
 n  220n
  
 
 zk  ≤ |zk | . (5)
 
k=1 k=1

220
CORPOS
237

Agora a outra desigualdade:

||z| − |w|| ≤ |z + w|, ∀z, w ∈ C. (6)

De fato, como |z| = |(z + w) − w| ≤ |z + w| + |w| e, portanto, |z| − |w| ≤


|z + w|. Do mesmo modo, |w| = |(w + z) − z| ≤ |z + w| + |z| e, portanto,
|w| − |z| ≤ |z + w|. Logo, temos, ||w| − |z|| ≤ |z + w|.