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Adaptação: O caso da lagarta que tomou chá de sumiço

Autor: Milton Célio Oliveira e Filho

Narrador: Era uma vez uma floresta onde os animais viviam em harmonia…até que um dia algo
de muito estranho aconteceu.

Joaninha: Dona Coruja, a senhora que é sempre muito sábia, poderia dizer-me onde se pode
encontrar a minha amiga lagarta? Ela costumava viver aqui nesta folha, e nós todos os dias
dávamos uns dedos de conversa. Mas hoje pela manhã, procurei aqui e procurei ali e nada,
parece que ela desapareceu do mapa!

Coruja: Huh! O caso é intrigante! Mas conte mais, alguém por estas bandas poderá estar
implicada no seu desaparecimento?

Joaninha: Bem, Dona Coruja, só me vem à mente um bicho que sem parar de esgadanhar a
terra, bica tudo o que lhe aparece pela frente.

Coruja: Boa, claro vou perguntar à galinha.

Galinha: Dona Coruja, a lagarta era boa gente e não incomodava ninguém. Quem me apontou
como suspeita esqueceu que a minha dieta consiste em grãos de milho. Mas agora estou a
lembrar-me, que bem perto da lagarta morava um animal que fiava de noite e de dia. Na certa
que foi esse bicho que tramou alguma coisa.

Coruja: Ora só pode ser a aranha. Vou já investigar o caso.

Aranha: Eu não gosto de diz que disse! E vou logo dizer que paciência não me falta para tecer
uma teia que resiste ao vento e à chuva. Mas sem querer tricotar há quem viva por aí sem nada
para fazer, passa o dia a bater as pernas. Sim, porque pernas tem para dar e vender! Não teria
um bicho assim dado um pontapé na lagarta para a expulsar da sua folha?

Coruja: poderás ter razão minha paciente amiga! Vou falar com a Centopeia.

Centopeia: Minha cara Coruja parece que alguém quer pisar os meus calos, e veja que não são
poucos! Mas pense… quem é que enche a pança com folhas, que alcança sem um mínimo de
esforço? Um sujeito tão preguiçoso… mas tão preguiçoso, pode muito bem ter engolido a lagarta
por engano.

Coruja: pois bem, a pista me empurra para a … Preguiça, claro!

Preguiça: Ora … ora eu vivo aqui e ao meu modo e sem incomodar ninguém. Mas digo em minha
defesa que não gosto de folhas de laranjeira e tanto quanto sei a Dona Lagarta vivia numa
laranjeira!

Mas já que é para lavar roupa suja vou soltar um pouco de veneno: há um bicho que não tem
serventia e mais cedo ou mais tarde acaba sempre num prato de sopa. Não poderá ser este
animal o nosso suspeito?

Coruja: Claro que pode. Tenho que falar com a mosca!

Mosca: Dona Coruja eu assumo que não tenho eira nem beira e que também não resisto a um
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pedaço de pão sobre a toalha da mesa! Mas note, falta-me o ferrão! Não posso dizer o mesmo
de quem se acha mais nobre por produzir cera e mel.

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Coruja: Com certeza, preciso ver…. Dona Abelha!

Abelha: Eu, culpada! Como uma boa operária trabalho para a colmeia. A minha vida é um livro
aberto. Mas quem se esconde do mundo, enterrando o focinho pelos buracos que encontra?

Coruja: Huh! Huh! Já sei vou visitar o …Tatu.

Tatu: Querem fazer de mim um bode expiatório! Pois Dona Coruja vou-lhe contar um segredo…
vive um bicho aqui ao lado que se esconde na folhagem e que está sempre a mudar de cor! E
que língua ele tem! Não pode ser ele o seu alvo?

Coruja: Parece que se fez luz! Mas vou precisar de muita sorte para o encontrar!

Camaleão: Desculpe-me, Dona Coruja….mas quando fico envergonhado acabo assim mesmo:
vermelho como um camarão! Este é o meu talento! Ir do verde ao amarelo e do azul ao
encarnado conforme mudo de humor. Uma coisa eu lhe posso dizer:

- Aposto que quem fez desaparecer a lagarta tinha um bico notável.

Coruja: acho que mudei de plano, vou seguir o …. Pelicano!

Pelicano: Veja bem Dona coruja, só pelo meu bico longo acham que sou o culpado? Mas que
tamanho engano! Às vezes a solução está a um passo de nós! Pense Dona Coruja, a lagarta agora
tem asas!

Coruja: Boa! Como não fui capaz de pensar nisso! A lagarta cresceu… cresceu e transformou-se
em Borboleta.

Narrador: Depois da grande descoberta, todos os animais ficaram contentes, pois na verdade
não existia nenhum culpado. A lagarta apenas se tinha transformado numa bela e colorida
borboleta.

Fim

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