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OS PRIMÓRDIOS DA

PSICANÁLISE
Foi o encontro de Freud com a histeria que deu origem à psicanálise.

Na antiguidade, Hipócrates, pai da medicina, criou o termo hytera – útero, e sua derivação, hysterikos –
mal funcionamento do útero – para designar a histeria como um fenômeno que só ocorria com as
mulheres, e que estava diretamente ligado à sexualidade.

Na idade média, com a caça as bruxas, a histeria é identificada à possessão demoníaca. – Encaradas como
feiticeiras, eram exorcizadas e levadas à fogueira.

No século 19, nos primórdios da medicina moderna, o preconceito com a histeria permanece difundido
nos meios científicos. – Sem sintomatologia definida, já que histeria apresenta diversas combinações de
sintomas, a psiquiatria identifica a hesitaria com a teatralização e as histéricas passam a ser rotuladas
como simuladoras e mentirosas.

Uma melhor compreensão da histeria só teve início com o trabalho de Jean Martin Charcot, médico e
cientista francês (Paris, 1825 – 1893, faleceu aos 68 anos).

Charcot, chefe da enfermaria de convulsões (1870) do hospital Salpétrière, dá dignidade à histérica


quando distingue os casos de epilepsia dos casos de histeria, excluindo o rótulo de simulação e incluindo
a histeria como doença.
Charcot não tratara ou curara os doentes, mas demonstrara, por sugestão hipnótica, que a histeria não
era uma simulação, já que, por sugestão, era capaz de anular e fabricar sintomas em homens e mulheres.

Charcot acreditara que a histeria tinha uma causa traumática, atrelada à predisposição hereditária.

Em 1885, Freud obteve uma bolsa de estudos da universidade de Viena para estudar a anatomia do
sistema nervoso em Salpétrière – ao se deparar com o trabalho desenvolvido por Charcot, desviou seus
interesses da neurologia para o psiquismo.

Ao retornar para Viena, Freud reencontra Breuer e passa a dividir com ele o seu interesse pela hipnose e
pela histeria.

Josef Breuer (Austria, 1842 – 1925, faleceu com 83 anos) inventou o método catártico para o tratamento
da histeria e o utilizava no tratamento de Bertha Pappenheiw (Anna O.), caso princeps da origem da
psicanálise.

Breuer dividiu o caso Anna O. com Freud que pôde perceber o 1o. de uma série de obstáculos para o
tratamento da histeria: a amnésia histérica. – a amnésia revelou a Freud que a mente manifesta do
paciente não é a mente em sua totalidade, preparando o caminho para o inconsciente.
A partir do tratamento proposto por Breuer, Freud constata que, na histeria, o afeto permanece
estrangulado e a lembrança traumática é isolada da consciência. – Assim, o afeto se manifesta no
sintoma e o revela como símbolo da lembrança recalcada.

Freud percebe que, quando a experiência original – trauma – juntamente com o seu afeto pode ser
introduzido na consciência, o afeto é, por si mesmo, ab.reagido (descarregado), e tal força, que até então
mantinha o sintoma, deixa de atuar e o sintoma desaparece.

Com a sua nova compreensão do processo psíquico, Freud abandona a hipnose, e passa a utilizar-se da
sugestão com o método de pressão da testa, que induz o paciente a rememorar e relatar o material
traumático esquecido.

Assim, sua experiência clínica o levou a conceituar a histeria a partir da teoria do trauma – teoria da
sedução real – que designara a histeria como o efeito de um trauma sexual vivido pelo sujeito na infância.

Esse foi o motivo central do afastamento de Freud e Breuer, pois embora Breuer não negasse a
importância da sexualidade na neurose, era incapaz de reconhecer sua primazia.
Com a crescente experiência clínica, atrelada as descobertas no campo da histeria, Freud lança a
associação livre como regra fundamental da psicanálise e apresenta sua nova teoria da fantasia, em
detrimento da teoria do trauma.

A partir de 1997, dando-se consta dos repetidos relatos de abuso sexual por parte das histéricas, Freud
lança a noção de fantasia, atrelada a realidade psíquica, e desloca a causa do exterior – realidade material
– para o inteiro – realidade psíquica abarcada pela fantasia.

. Carta 52 (06.12.1896) -> sexualidade e neurose (esboço do aparelho psíquico)


. Carta 69 (21.09.1897) -> teoria da fantasia
. Carta 71 (15.10.1897) -> complexo de Édipo.

Desde então, Freud atribui o caráter sexual e inconsciente à histeria, como efeito de uma produção
subjetiva atrelada ao complexo de Édipo.
. os ataques histéricos são uma cena sexual que representa algo que se encontra no inconsciente.
. os sintomas histéricos são significações simbólicas da realização do desejo insatisfeito.