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Um clássico da literatura Rosacruz, trata específica

e detalhadamente sobre os
princípios da Reencarnação da alma na Terra.
Isento de preocupação como quaisquer outros
postulados de religiões ou escolas filosóficas,
o autor se ateve apenas à necessidade de uma
abordagem clara, compreensível e racional
da Reencarnação.
Um assunto tão controverso e ao mesmo tempo
fascinante vem trazer à tona
explicações que fazem a Reencarnação ser
vista de forma lógica e aceitável. Importantes
e esclarecedoras questões são respondidas em
capítulo específico.

ISBN 978-85-317-0004-0
10ª Edição

Curitiba – PR
2011
1
“Vou para preparar-vos um lugar”
Do choque das pedras surge uma faísca! Novo choque das
pedras, e mais uma faísca! E uma terceira vez! Agora, uma
pequena chama aparece no capim seco e nas penas; e a chama
irradia luz e queima os gravetos, produzindo uma fogueira.
O fogo é avivado e alimentado, aumentando de tamanho e
de intensidade. Ardendo sobre pedras chatas e toscamente
protegidas por outras, logo se tem uma pequena fornalha
de calor e luz, que irradia suas vibrações para as trevas da
pequena choupana de madeira e barro.
Regozijando‑se por essa nova e maravilhosa aquisição
para o seu tosco lar, o homem e a mulher primitivos, pela
primeira vez, sentam‑se no piso coberto de casca de árvore e
olham admirados para os recessos fracamente iluminados do
seu abrigo, que agora se tornou um local aprazível à noite.
Não fazia muito tempo, esse homem e essa mulher haviam
ousado abandonar seu abrigo nos ramos de uma árvore,
onde tinham vivido em segurança, para construir e ocupar
a morada ideal de sua mente em evolução. Contemplando
a possibilidade de um ambiente mais amplo do que aquele
que a árvore oferecia para segura relaxação e proteção contra
animais predadores, eles tinham construído o primeiro lar, a
primeira cabana, o primeiro castelo que o homem conhecia.

Com o pôr-do-sol, todos os dias, vinham as trevas e o


frio da noite. As longas horas de silêncio, juntamente com

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a impossibilidade de enxergar ou de fazer uso do tempo,
aumentavam a tristeza e o desânimo da vida monótona que
se escoava do pôr ao nascer do Sol. Verdadeiramente, o melhor
abrigo ou proteção contra as intempéries tornou esse rude
lar tão superior à moradia nas árvores, que um sentimento
de realeza, de domínio sobre os elementos e as criaturas da
Terra, trouxe muitas e novas inspirações à mente e ao coração
daqueles seres que eram considerados mais afortunados e
abençoados do que os seus companheiros.

A noite lhes proporcionava somente um prazer, uma rica


recompensa para a faina do dia: dormir e sonhar. Entretanto,
a ociosidade das primeiras horas da noite, quando a mente
ainda estava intensamente ativa e a especulação não tinha
limite, tornava‑se o tormento de todos os dias. Por certo a
vida havia de ter algo melhor do que isto a oferecer, embora
a luz do dia e as sombras da noite não sugerissem qualquer
resposta para esse mistério.

Veio então a descoberta da faísca, da luz, da chama, do fogo,


do calor! De súbito, a vida do homem primitivo modificou-se.
As trevas da noite podiam ser dissipadas; a friagem do ar da
noite e da brisa matutina podia ser alterada; metais podiam
ser reduzidos a formas maleáveis; e o alimento podia ser
preparado de modo mais saboroso do que no passado.

A maior de todas as modificações, no entanto, foi a que


ocorreu com o advento da luz. Luz à noite. Luz nas horas de
maior escuridão e no mais escuro abrigo. Luz e calor diante da
fogueira. Um lar confortável. Um ambiente onde as longas e
silentes horas da noite poderiam ser proveitosamente vividas.
Prazer, conforto, conversação, aprendizagem!

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O cair da noite era antecipado com alegria durante o
dia. Quando o Sol poente determinava o fim da caçada e da
faina no campo, e quando o corpo cansado não podia mais
continuar trabalhando, ainda restavam as horas da noitinha
para revigorar o homem e lhe proporcionar o deleitoso prazer
do calor, enquanto ele repousava em agradável companhia
diante do fogo.
Ao sentar‑se à luz brilhante da fogueira, a mente do homem
era ilusoriamente induzida a se concentrar nas fantásticas
formas e na estranha atividade das chamas. As maravilhas
dos poderes e das potencialidades da natureza intrigavam
a imaginação e estimulavam as faculdades especulativas da
consciência receptiva do homem primitivo.
Então, a meditação era a escola, e os mistérios da vida
o instrutor que levantava questões e extraía respostas das
inspiradas impressões de cada mente.
A esse santuário do fogo acorriam outros homens, com suas
perguntas, seus sonhos, seus problemas, e seu desejo de luz e
mais luz. A lareira tornou‑se o centro do templo dos mistérios
e sua pedra o altar de adoração do homem primitivo, quando
seu pensamento se voltava para a natureza e suas maravilhas.

Foi então que os homens começaram a dirigir seus


pensamentos para a possibilidade de um poder onipotente
regendo as forças do universo e criando as abundâncias da
vida; e que começaram a elevar seu pensamento para além
de si mesmos, para algo que deveria ser maior do que o maior
de todos eles. E os homens começaram a ansiar pelos castelos
da alma, mais grandiosos do que os castelos materiais que
construíam com madeira e argila.

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Eles eram chamados de ateus, porque adoravam ante o altar
do fogo. Ansiavam obter castelos, pois neles haveria proteção,
calor, conforto, e tempo para pensar e sonhar. Buscavam
mansões da alma, e afinal encontraram‑nas elevando seu
pensamento e unindo sua mente numa concepção perfeita
de um Reino Celestial.
Persistia, porém, a busca de conhecimento, o desejo de
soluções para os problemas ainda não resolvidos. “Por que
estamos aqui?” “Quem somos?” “De onde viemos e para
onde vamos?” Eram estas as perguntas feitas ao pé da primeira
lareira, e são estas as questões levantadas diante de cada lareira,
hoje em dia, com a mesma sinceridade e o crescente desejo
de explicações concretas e compreensíveis.
Teremos nós, como indivíduos, uma missão específica na
vida? Será cada ser humano uma entidade, uma indivi­dualidade,
conhecida e considerada pela Inteligência Infinita como elemento
importante no esquema universal das coisas? Será a Terra, afinal
de contas, meramente um palco, apresentando um drama fugaz
em que nos tenhamos lançado por nossa própria e livre escolha?
E quando tivermos desempenhado nosso papel, estará nossa tarefa
na Terra de fato cumprida?
As escrituras sagradas de todas as religiões falam de uma
só Terra, um só globo, um único lugar, em todo o universo,
onde o homem foi criado e vive como imagem de um Divino
Criador. A ciência, por outro lado, empenha‑se intensamente
nas fronteiras da descoberta, esperando a qualquer momento
revelar‑nos a real existência de outros planetas, além da Terra,
cheios de vida humana ou de seres vivos não muito diferentes
de nós. Os evangelhos de todas as épocas e de todas as nações
falam de grandes Avatares ou mensageiros do Santo Messias

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ou do Deus dos Deuses, que desceram à Terra para salvar
todos os seres vivos. Acaso não haverá redenção, a graça da
salvação, para os seres de outros planetas? Ou não terão eles
alma, personalidade divina, digna de infinita consideração?
Será a nossa personalidade, essa individualidade que
nos esforçamos por desenvolver através do idealismo e da
eliminação de características indesejáveis, apenas uma criação
temporária e imaginária da nossa mente?

Um grito de Luz e mais Luz ecoou ao longo dos séculos.


Ao nosso redor, tudo está se modificando, nada parece perma­
nente, fixo. Montanhas se pulverizam, rios secam, ilhas
submergem e novos mares se formam. Os grandes carvalhos,
com toda sua majestade, têm de sucumbir a essa transição,
mudança ou morte. O homem prossegue em seu caminho e
cruza o limiar do desconhecido, parecendo que sua existência
se extingue num piscar de olhos. Haverá então alguma parte
do homem, ou alguma parte da natureza, que seja imortal,
imutável, permanente, ou contínua?
Haverá algo que sobreviva à simples memória humana
das personalidades que ora existem em forma de homem?
Será que a morte do corpo, ou a alteração de sua forma, libera
algo intangível e invisível, que se eleva a maiores alturas do
que as dos monumentos a personalidades memoráveis, ou
transcende as limitações de Tempo e Espaço, alcançando
assim a incorruptibilidade e a imortalidade?
Se o nosso atual corpo físico é uma mansão da alma e o
Grande Mensageiro de Deus nos antecedeu, a fim de preparar
outras moradas para essa alma, haverá então outras mansões
a serem alcançadas? Como?

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A esperança do mundo ‑ e o inspirador poder que tem
possibilitado ao homem persistir ante colossais obstáculos
– é a de que um dia sejamos liberados do veículo mortal
que nos escraviza a esta Terra e nos possamos elevar a uma
vida de eterna ventura ou bem-aventurança. Se as religiões
que inspiraram o homem são verdadeiras, e a felicidade
suprema de sua vida só poderá ser encontrada na existência
espiritual da alma num reino extraterreno, por que terão
sido aqui aprisionadas as almas de milhões de pessoas? Para
sofrer e conhecer tormento, pesar, luta ou conflito? Que
objetivo, que missão é cumprida com a encarnação da alma
na Terra? Se cada alma provém da sublime e espiritual
consciência de um reino venturoso e a esse mesmo excelso
estado deverá retornar, para desfrutar sua divina herança,
então por que será ela enviada desse reino transcendental
para viver em associação com a corrupção, o pecado, o mal,
e a impureza?

Estas são as perguntas que milhões de pessoas estão fazendo


hoje em dia, e que devem ser respondidas mais completamente,
mais satisfatoriamente, e mais cons­trutivamente do que o
foram no passado. O fato de termos nossa atenção dirigida
para a adoração de Deus e sermos inspirados pela crença de
que esse Deus é amoroso, misericordioso, terno e justo, não
responde a essas perguntas; apenas aumenta o mistério da
nossa existência. Admitindo‑se que um Deus onipotente,
onisciente, miseri­cordioso e amoroso nos criou à Sua imagem
e infundiu em nosso corpo físico parte de Sua Consciência
Anímica, para sofrer e suportar as provas e tribulações de
desconhecidas e inesperadas experiências na Terra, persiste a
indagação: “Por que estamos aqui?” e “Como se manifestam,
neste esquema, a misericórdia, o amor e a justiça?

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