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CURSO - CANTIGAS

DE ÒRÌSÀ
Por Ògá Luiz

Mistérios dos Orixás


São Paulo, SP Whatsapp: (11) 2768-1585

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Quem Somos?

A Família Mistérios dos Orixás


Um projeto iniciado no ano de 2020 em meio a pandemia, com o intuito de
propagar e divulgar o culto do orixá em sua forma tradicional. Não somos uma
escola, mas somos uma família onde aprendemos uns com os outros.
Podemos não concordar com algumas coisas, porém, sempre respeitaremos
as escolhas e opiniões do outro desde que haja reciprocidade.

O Ògá Luiz
Ògá Luiz é suspenso dentro da liturgia candomblecista e um omo orisa dentro
do culto de tradição do orisa. Com 26 anos de idade e mais de 20 anos dentro
da religião do orisa, Ògá Luiz possuí vasta vivência e experiência nos cultos
de umbanda e candomblé, estando na mesma família de axé há mais de 15
anos. Nos últimos 2 anos, junto do sacerdote de orisa, Olojobi Ifasaanu
Ododoifa, vem aprendendo e se aprofundando dentro do culto tradicional
yorubá e buscando através de estudos e pesquisas, resgatar muito do que foi
perdido ao longo do tempo. Cantigas, orikis, adurás...etc.

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Os cânticos sagrados:
Falando especificamente sobre o candomblé, principalmente sobre a nação
Ketu, os cânticos (Orins), fazem parte de todo o contexto que envolve a
ritualística inserida na religião que se consolidou em nosso país.

Dentro das casas de nação Ketu, onde inicialmente se encontravam os povos


de descendência Nagô, o idioma utilizado é o Yorùbá. Claro que não posso
deixar de registrar neste material, que por inúmeras questões não só sociais
como educacionais, favoreceram o desaparecimento de grande parte do
conhecimento que até então era transmitido oralmente (boca a boca). Não é
incomum nos depararmos em nosso país, com palavras diferentes para um
único significado. Isso ocorre por conta dos inúmeros povos e culturas
inseridos em nossas terras. Uma palavra na Bahia pode soar diferente para
um paulistano, porém o significado não muda. Um exemplo clássico: Massa
na Bahia é o mesmo que Legal em São Paulo.

Dentro desta concepção, deve-se compreender que no passado existiram


inúmeros fatores que contribuíram para a perda de inúmeros saberes da
religião e do dialeto yorubano. Raros são os registros documentados em livros,
sobre os cânticos utilizados nas festividades do candomblé.

Não posso deixar de mencionar que infelizmente, aqueles que tentam quebrar
paradigmas e criar não só uma raiz, mas um registro de algo que venha a
desmistificar, evidenciar e responder os inúmeros porquês dos devotos e
participantes do culto em questão, são tidos como loucos. O mesmo ocorreu
com Bàbá Altair T’ Ogun, mais conhecido como T’Ogun. Eu sou um dos
admiradores da obra deixada por este grande sacerdote do culto
candomblecista. Não só eu como muitos Ogãs devem muito a este grande
senhor, pois através de sua obra (Nkorin Awon Orisa) conseguimos
compreender aquilo que cantamos durante as festividades.

Em resumo, as cantigas entoadas nas festividades candomblecistas são em


grande maioria, relatos históricos sobre os feitos da divindade seja no Céu
(Orun) ou na terra (Aye). Toda cantiga traz consigo um significado ou uma
história.

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O que esperar deste curso?


Como mencionei na minha apresentação, estou dentro da religião do orixá em
terras brasileiras há aproximadamente 20 anos, muito do que repassarei a
vocês é aquilo que eu vivencio e pratico em todos esses anos. Se você já
assistiu algumas das minhas lives, com certeza já me ouviu dizer que não sou
dono da verdade e que não acredito em uma única verdade. Uma coisa é fato,
ao longo de toda a minha trajetória na terra, buscarei meios de me aproximar
daquilo que faça mais sentido e se aproxime da verdade que eu acredito e que
faça bem a mim e aos meus familiares, amigos e seguidores.

Esse curso nasce através da necessidade que inúmeras pessoas possuem


em compreender e entender o que está sendo entoado durante as inúmeras
festividades em seus terreiros. Lógico que, sempre recomendarei aos já
iniciados que antes de qualquer coisa, busquem beber da água que brota em
seu axé. Sim, eu compreendo que nem sempre é fácil obter determinadas
informações. É por isso que vocês estão aqui!

O foco maior é transmitir um pouco do que eu sei a todos os participantes,


para que vocês ao finalizarem o curso, não só percam os inúmeros medos e
limitações mas tenham dentro de si a vontade em aprender mais e mais sobre
o culto aos nossos orixás. Espero vê-los cantando e abrilhantando as
festividades, sem medo de errar ou de ser condenado por não saber.

Vamos em frente! Espero que vocês gostem deste material que vem a somar
com as aulas ao vivo.

Desde já eu desejo que Aganju abençoe a cada um de vocês, e que Orí


permita que o conhecimento adquirido durante as nossas aulas, se tornem
sabedoria.

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O Xirê
O termo Xirê significa brincar, é o ato de louvarmos e “convidarmos” as
divindades através de uma brincadeira entre irmãos e familiares, com cânticos
e saudações.

Uma outra versão sobre o conceito do Xirê, e é nela que eu acredito, pois
retrata as inúmeras adaptações que o culto a orisa teve no Brasil, fala sobre
uma série de cânticos entoadas para que os filhos (as) do terreiro terminassem
de se arrumar, assim como para conciliar com o preparo do jantar a ser servido
a todos os presentes.

“Para toda regra, há uma exceção. Tudo depende da necessidade” – Ogã Luiz

O que quero dizer com isso é que, o responsável por cantar o candomblé, irá
observar as necessidades do momento para realizar um Xirê mais longo, de
forma a esperar que o jantar fique pronto ou que as pessoas da casa/visitantes
tenham chegado no barracão. No passado era comum cantarem algo em torno
de 14 cantigas para cada orixá, mas o candomblé se tornava cansativo e
maçante. Hoje, é comum que se cante 3 a 5 cantigas para cada divindade.

Obs: Nesta ocasião, não existe certo ou errado. Cada casa tem a sua dinâmica
e regras a serem seguidas por seus devotos.

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A sequência do Xirê
Podendo variar de acordo com cada axé, o xirê possuí uma sequência que
pode ser pré-determinada de acordo com a concepção de cada Babalorisa.

Dentro do que praticamos no axé do qual faço parte, seguimos a seguinte


ordem:

 Exu (É realizado um ato conhecido como: “Acomodar Exu”, horas antes


da festividade)
 Ogun
 Osoosi
 Ossain
 Obaluaye
 Osumare
 Nanã
 Osun
 Ologunede
 Obá
 Yewa
 Oyá
 Yemoja
 Sango

Obatalá não é reverenciado durante o xirê pois será ele quem fechará o
candomblé. Onde todos os devotos e orixás cantam e dançam para o grande
orixá do branco.

Obs: Alguns axés incluem no xirê os orixás: Oti, Iroko (Apesar deste não ser
um orixá e sim uma árvore onde são cultuados inúmeros orixás

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Cantigas de Xirê
Vamos a partir de agora iniciar aquilo que muitos estão buscando neste curso,
as tão famosas cantigas. Iniciando com as cantigas destinadas a acomodar
orixá Exu para que este nos proteja e permita que apenas pessoas de boas
intenções adentrem em nossos barracões.
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Cantiga 01 – Exu – Toque Mojuba

A jí kí Barabo e mo júbà, àwa kò sé


A jí kí Barabo é mo júbà,
E omodé ko èkò èkó kiBarabo
E mo júbà Elégbára Èsú l’óònòn.

A ji qui Barabô é mo jubá auá cô xê


A jí qui Barabô é mo jubá
Ê omódê có é có qui Barabô
Ê mô jubá Élébára Exú lonã.

Esta cantiga retrata a importância de respeitarmos Exu. Fala que a criança


desde cedo é ensinada a prestar reverência a este grande orixá, que é o
senhor da força e dos caminhos.

Cantiga 02 – Exu - Toque Mojuba

Bará ó bebe Tirirí l’ònòn


Èsú Tirirí, Bará o bebe Tirirí l’ònòn
Èsú Tirirí...

Bará ô bébé tirirí lónã


Exú tirirí, Bará ô bébé tirirí lónã
Exú tirirí...

Cantiga que fala sobre o fato de Exu realizar coisas maravilhosas em nossos
caminhos. A palavra Tirirí significa maravilhoso.

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Cantiga 03 – Exu - Toque Mojuba

Góké-góké Odára, Odára bàbá ebo


Góké-góké Odára, Odára bàbá ebo
(Góké-góké nidánón, Odára bàbá ebo)

Goquê-goquê ôdara-ôdara babá ebó


Goquê-goquê ôdara-ôdara babá ebó
(Goquê-goquê nidanã ôdara babá ebó)

Essa cantiga fala sobre a importância de Exú na relação com todos os ebós
(sacrifícios). Nenhuma oferenda é entregue as divindades sem que Èsù se
encarregue de leva-las. O dara significa, aquilo que é bom. Exú é o pai dos
ebós, é ele quem sobe ao topo da montanha sagrada para entregar as
oferendas e transmitir toda e qualquer mensagem entre o céu e a terra.

Cantiga 04 – Exu - Toque Mojuba

Èsù ò, Èsù Olóònòn


Mo foríbalè
Èsù ò

Exú ô, Exú Olonã


Môfori Balé
Exú ô

Este orin fala mais uma vez sobre a importância de reverenciarmos o senhor
dos caminhos. Foríbalè é o ato de colocarmos a cabeça no chão perante uma
divindade.

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Cantiga 05 – Exu - Toque Agueré (Exu)

Èsú wa jú wo mòn-mòn ki wo Odára


Laróyé Èsú wa jú wo mòn-mòn ki wo
Odára Èsú awo.

Exu a ju uô mã-mã qui uô odára


Larôiê Exu a ju uô mã-mã qui uô
Odára Exu auô.

Cantiga que relata que o culto a Exú é bom. Exú olha a todos, todos devem
cultuar Exú pois não só ele mas o seu culto é bonito. É Odára.

Cantiga 06 – Exu – Toque Agueré (Exu)

Odára ló sòro, Odára ló sòro lóònòn


Odára ló sòro
E ló sòro Odára ló sòro lóònòn

Ôdára lô xorô, Ôdára lô xorô lónã


Ôdára lô xorô
Ê lô xorô Ôdára lô xorô lónã.

Essa cantiga fala sobre o aspecto “negativo” de Exú, caso não prestemos as
reverências necessárias, Exú pode tornar o nosso caminho difícil. Ìsòro
significa dificuldade, tornar difícil.

Cantiga 07 – Exu – Toque Mojuba

Sónsó òbe, Odára kò l’orí ebo


Sónsó òbe, sónsó òbe
Odára kò l’orí erù, Laróyé

Xônxô óbé, Ôdara cô lôrí ébó.


Xônxô óbé, xônxô obé
Ôdara cô lôrí êrú larôiê

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Na cantiga acima, já vi muitas casas acomodarem Exú nesta hora, o que


dentro dos meus estudos e em conversas com outros irmãos estudiosos,
acredito ser um equívoco. Falo isso pois a tradução literal desta cantiga fala
sobre o fato de Exú não ter sua cabeça para levar ebó, por isso usa uma faca
pontiaguda em seu orí. Durante o rum, existe um ato para ilustrar esta
passagem.

Cantiga 08 – Exu – Toque Mojuba

Bára je n’tan Bára á nlo,


Bára je n’tan máa ló ilé

Bára jé untam Bára a unló


Bára jé untam máa ló ilê

Esta é uma das cantigas que aprendi e que eu canto para que os responsáveis
acomodem Exú no portão do Ilê. A cantiga fala que Exú já comeu e irá policiar
os arredores, de forma que, proteja a nossa casa e todos aqueles que vieram
prestigiar a festividade.

Cantiga 09 – Exu – Toque Avamunha

Éru ‘n lé omin layó


Éru ‘n lé omin layó

Érun lé omim laió


Erun lé omim laió

Essa cantiga é entoada para que as pessoas que acomodaram Exu no portão,
voltem com a quartinha cheia de água, para respingar nos 4 cantos do
barracão, para o alto visando afastar todas as negatividades. Deve se
despachar a água da quartinha na rua.

Chegamos ao final desta etapa. Próximo passo, Xirê dos demais orixás.

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Cantigas de Xirê para Ògún


As cantigas para este orisa podem variar de casa para casa, isso compete a
tradição de cada egbe. Apesar da variação, em 20 anos de religião me deparo
constantemente com uma sequência que quase não se altera. Sendo assim,
segue!

Cantiga 01 – Ògún – Toque Iguidá

Ògún àjò e mònriwò,


Alákòró àjò e mònriwò
Ògún pa lè pa lóònòn
Ògún àjò e mònriwò
Elé ki fí èjè wè

Ogum ajô é manriuô


Alácôrô ajô é manriuô
Ogun pa lê pa lónã
Ogun ajô é manriuô
Élé qui fi éjé ué

Esta primeira cantiga fala sobre Ogun ser o senhor dos caminhos e ser aquele
que toma banho de sangue (dos seus inimigos). É uma tradição dentro do
Ketu, todos os presentes na roda “baterem cabeça” nos pontos específicos do
barracão e para seus Bàbás ou Iyás.

Cantiga 02 – Ògún – Toque Iguidá

Àwa nsiré Ògún ó, èrù jojo


Àwa nsiré Ògún ó, èrù jojo
Èrù njéjé

Auá xirê ogum ô éru jójó


Auá xirê ogum ô éru jójó
Érum jéjé

Cantiga que fala sobre o ato de brincar, porém, uma brincadeira calma e sadia,
já que todos temos cautela e “medo” de brincar com Ogun.

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Cantiga 03 – Ògún – Toque Iguidá

Ògún nítà ewé rè,


Ògún nítà ewé rè
Ba Òsóòsí l’oko ri náà lóòde
Ògún nítà ewé rè

Ogum nitá euê ré,


Ogum nitá euê ré
Ba Óxóssi Okô ri naa lôdê,
Ogum nitá euê ré

Aqui retratamos a ligação de orisa Ogun com Osoosi, onde conta-se que Ogun
encontra Osoosi nos arredores da fazenda pois necessita vender suas ervas.
Acredito eu que esse ato de vender as ervas tenha ligação com o fato de Ogun
também ser Oogun (responsável por magias/medicinas tradicionais).

Cantiga 04 – Ògún – Toque Iguidá

Oní kòtò
Oní kòtò nilé Ògún
Àwúre dùró do onìjà...
Àwúre dúró do
Àwúre dùró do onìjà

Ôni cotô
Ôni cotô nilê Ogum
Auurê durô dô ônijá...
Auurê durô dô
Auurê durô dô ônijá

Neste ponto do xirê de Ògún, pedimos a este grande orisa que cesse qualquer
tipo de briga e que nos traga boa sorte para a nossa casa.

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Cantiga 05 – Ògún – Toque Vassi Lento

Aláàda méji, méji


A I ‘Ògùn méje Ìré

Aláda mêji-mêji
A lôgum mejê irê

Com o toque um pouco mais acelerado e demarcado do que na cantiga


anterior, aqui já relatamos sobre Ogun guerrear com duas espadas e defender
as 7 aldeias de Irê. E assim encerramos as cantigas para Ogun.

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Cantigas de Xirê para Osoosi


Gostaria de registrar neste material a importância de compreendermos a
história do povo yorubá. Falo isso por conta da questão que envolve Osoosi &
Èsù, afinal é comprovado que o verdadeiro Alaketu é Èsù. Osoosi é rei da
nação de candomblé Ketu e não da cidade de Ketu.

O Agueré é um toque característico desta divindade e traz consigo a


representação das inúmeras táticas de caça que esse Orisa detém.

Cantiga 01 – Osoosi – Toque Agueré

Ofà rè ye-ye fígbó dódé fígbó,


Ofà rè ye-ye ko sè omorode.

Ófa ré ié-ié fibô odé fibô,


Ófa ré ié é có xé ómóródé

Iniciamos com uma cantiga que já traz consigo o registro da importância que
o Ofá tem para todos os caçadores, tanto os velhos quanto os novos. Diz que
o arco e flecha são adequados para a caça.

Cantiga 02 – Osoosi – Toque Agueré

Olówó gìrì-gìrì lóòde,


Ó gìrì-gìrì lóòde,
Ó wá nígbó òrò ode
Òkè ó dára
Sáà ló gbéeron.

Olôwô guirí- guirí lôodê


Ô guirí-guirí lôodê,
Ô uá nibó órô ódé
Ôkê ô dára
Xáa lô bérã

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A cantiga 02, traz consigo os relatos sobre as táticas de caça adotadas por
muitos caçadores, onde estes fazem barulhos com os pés para simular que ali
se encontram inúmeras pessoas. Assim como, o fato dos Odés serem ágeis.
Cantiga 03 – Osoosi – Toque Agueré

Àwa ní kó dé lókè dodé a pa eron


Ode bí ewé ode lóòde kó àwa pa eron
Oní aráayé ode a rere òkè
Àwa ní kó dé lókè,
Dódé a pa eron.

Auá ni códé lôquê dódé a pua érã,


Ódé bi euê ódé lôdê có auá pua érã
Ôní aráiê ódé e rêrê ôkê
Auá ni códé lôquê,
Dódé a pua érã

Nesta cantiga, estamos a chamar pelos caçadores e senhores da


humanidade, para que estes nos ensinem a caçar (Ir atrás e encontrar a caça).

Cantiga 04 – Osoosi – Toque Agueré

Omorode sè rè ewé irokò, sè rè ewà ló igbó,


Oní aráayé
Ode a rere ó pè
Omorode sè rè ewé Irokò
Sè rè ewà ló igbó

Ómóródé xé ré euê irôco xé ré euá lo ibô,


Ôni aráiê
Ódé a rerê ô puê
Ómóródé xé ré euê Irôco
Xé ré éua lô ibô.

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Cantiga 05 – Osoosi – Toque Agueré

Olúwàiyé wà rere àgògbò,


Olúwàiyé àgògbò,
Olúwàiyé wà rere àgògbò,
Olúwàiyé àgògbò.

Olúuaiê ua rerê agôbô


Olúuaiê agôbô,
Olúuaiê ua rerê agôbô
Olúuaiê agôbô.

Cantiga fala da ligação entre Osoosi e a terra. Onde se pede licença ao


Senhor da terra para se adentrar nas matas.

Cantiga 06 – Osoosi – Toque Agueré

Àgógbó mi iroko sé mi rò,


òrò imonlè,
Àgógbó mi iroko sé mi rò,
òrò imonlè.

Agôbô mi irôco xê mirô


Ôrô imanlé,
Agôbô mi irôco xê mirô
Ôrô imanlé.

Aqui se fala sobre a importância da árvore de Iroko no culto de inúmeros


irunmoles. Pede-se licença as florestas.

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Cantiga 07 – Osoosi – Toque Agueré

Tóbi ewé oló tóbi ewé bàbá.


Oló tóbi ewé, oló tóbi ewé bàbá,.

Tôbi euê olô tôbi euê babá.


Olô tôbi euê olô tôbi euê bábá,

Exalta-se o grau de importância que Osoosi tem para com as folhas.

Encerramos aqui as cantigas de Xirê para orisa Osoosi. Em algumas casas


cantam se mais duas ou três cantigas. Cabe a tradição de cada egbe.

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Cantigas de Xirê para Ossain


Iniciamos as cantigas para o grande senhor das folhas. Ossain é tido como o
médico dos orixás. Em grande parte, as cantigas para este orisá na verdade
são sassanhas, cânticos para invocação da energia das folhas. Em outros
momentos é muito comum vermos cânticos a Vodun Agué inseridos neste
grupo.

Cantiga 01 – Ossain – Toque Awo

A gbéèdè
Ewé a gbéèdè ‘nbo,
E a gbéèdè,
A gbéèdè ewé a gbéèdè ‘nbo
E a gbéèdè

Abêedê
Euê a bêedê umbó
Ê a bêedê,
Abêedê euê a bêedê umbó
Ê a bêedê

A primeira cantiga entoada a Ossain, pode variar de axé para axé. Em


algumas casas se cantam cantigas no ritmo Ilu. Mas na grande maioria segue
esta sequência da qual abordaremos.
A cantiga 01, fala que por termos conhecimento e entendimento das folhas,
nós as cultuamos.

Cantiga 02 – Ossain – Toque Awo

Àwa dàgò l’ojú ewé


A dàgò l’ojú e mò oògum
A dàgò l’ojú ewé

Auá dagô lójú euê


Auá dagôlôjú é mã ôogum,
Auá dagô lójú euê

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Cantiga 03 – Ossain – Toque Awo

Òjòó máà òfuurufú, òjòó máà òfuurufú,


Òjòó máà àrá inón.

Ojoô mã ôfurufú, ojoô mã ôfurufú,


Ojoô mã ará inã.

A cantiga 02, fala que devemos pedir permissão ao senhor da medicina


(folhas), para que ele nos permita conhecer e ver o vosso conhecimento sobre
as folhas e magias.
Já na cantiga 03, é um súplica para que a chuva (fenômeno da natureza) não
permita que o vento e o fogo (devido ao raio) danifiquem as folhas.

Cantiga 04 – Ossain – Toque Awo

Pèrègún aláwé titun ó, pèrègún aláwé titun,


Gbogbo pèrègún aláwé lésé, pèrègún aláwé titun ó

Pêrêgun aláuê titum ô pêrêgum aláuê titum,


Bôbô pêrêgum aláuê léssé pêrêgum alauê titum ô.

Nesta cantiga louvamos Pèrègún, cujo conta-se que é a folha ancestral. A


mais antiga delas. A cantiga retrata que Pèrègún é o dono das folhas novas e
frescas, e aquele que tem como função, invocar os espíritos ancestres.
Pèrègún é uma das folhas mais importantes no culto a Orisa.

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Cantiga 05 – Ossain – Toque Awo

Ô mòjéwé pé mo sòrò ò, ómò jéwé pé mo sòrò,


Ò gbé lówó mi ògbè lówó mi ò
Mò jéwé pé mo sòrò

Ô mó jéuê puê mô sóró ô mó jéuê puê mô sóró,


Ô bê lóuó mi ô bê lóuó mi
Mó jéuê puê mô sóró

Cantiga que fala sobre a nossa conexão com o senhor das folhas, onde se diz
que nós conversamos com ele calmamente. É a folha que nos ajuda, nos dá
suporte em tudo o que fazemos no culto.

Em algumas casas é comum cantarem mais algumas cantigas, porém, dentro


da concepção de Sire, costumo cantar de 3 a 5 cantigas.

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Cantigas de Xirê para Obaluaye


Entraremos agora com as cantigas para o senhor da cura, Obaluaye.

Cantiga 01 – Obaluaye – Toque Ilu

A jí dàgòlóònòn kí wa sawo orò,


Dàgò ilé-ilé, dàgòlóònòn kí wa sawo orò,
Dàgò ilé-ilé

A ji dagôlônã qui uá xauôrô, dagô ilêilê,


Dagôlônã qui uá xauôrô,
Dagô ilêilê.

Nesta primeira cantiga falamos sobre o ato de acordar e pedir licença ao dono
dos caminhos da terra, assim como pedimos em nome da nossa casa e do
nosso povo. O respeito é algo primordial dentro do culto a Soponan.

Cantiga 02 – Obaluaye – Toque Ilu

Ó àjerìn l’ònòn lóòde bá ìwà ó bó‘m-bàtà,


Aé lóòde bá ìwà ó bò ‘m-bàtà.

Ô ajérim lónã lôodê baiuá ô bôumbata,


Aê lôodê baiuá ô bombata

Aqui falamos sobre o temperamento e personalidade forte deste grande orisá,


que muitas vezes é tido como ranzinza. A cantiga diz que ele come enquanto
caminha com bom caráter, temperamento e personalidade forte.

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Cantiga 03 – Obaluaye – Toque Ilu

Ó Táálá bé okùnrin wa ki lo kun, Táálá bé okùnrin


Abénilórí ìbé rí ó ní je Olúwàiyé Táálá bé okùnrin,
Ó ní a ló ìjeníìyà Ajàgun tó ló ìjeníìyà Olúwàiyé
Táálá bé okùnrin.

Ô táalábé ócunrim uá quilócum táalábé ócunrim


Abénilórí ibéri ônijé Ôlúuaiê táalábé ócunrim,
Ôni a lô ijéninha Ajagum tôlô ijéninha Olúuaiê
Táalábé ócunrim.

Essa cantiga fala que o grande senhor da terra pode nos punir, é ele quem se
encarrega de definhar e decapitar o homem. Esse é um dos aspectos que
levam Soponan a ser muito respeitado em terras yorubás. Apesar de ser forte,
esta cantiga serve para nos mostrar que devemos muito respeito as
divindades e que eles não são deuses que apenas amam.

Cantiga 04 – Obaluaye – Toque Ilu

Wúlò ní wúlò, a nilè gbèlé ìbé kò,


Wúlò ní wúlò, a nilè gbèlé ìbé kò.

Uúlô-uúlô a nilé bêlê ibécô,


Uúlô-uúlô a nilé bêlê ibécô.

Aqui falamos sobre o suporte (proteção) que Obaluaye dá a nossa casa. Ele
é aquele que não permite que nossas cabeças rolem.

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Cantigas de Xirê para Osumare


Vamos com 3 cantigas essenciais para o Xirê de Osumare, orisá da
transformação e das chuvas.

Cantiga 01 – Òsùmàrè – Toque Ilu

Lé’lé mo rí ó ràbàtà,
Lé’le mo rí Òsùmàrè ó,
Òsùmàrè wàlé’lé mo rí Òsùmàrè.

Lêlê morí ô rabatá,


lêlê morí Ôxumarê
Ôxumarê uálêlê morí Ôxumarê.

Essa cantiga retrata o ato de vermos o arco íris sob a nossa casa, assim como
a alusão de Osumare ser gigantesco devido a isso.

Cantiga 02 – Òsùmàrè – Toque Ilu

Ko be eji ró
Ara ka ko be eji ró
Osùmàrè ko be eji ró
Ara ka ko be eji ró
Osùmàrè

Côbê jiró
Araká côbê jiró
Oxumarê côbê jiró
Araká côbê jiró
Oxumarê

Cantiga onde se pede para que Oxumarê mande chuva de forma moderada.
Araka = Ser do corpo que se enrola.

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Cantiga 03 – Òsùmàrè – Toque Ilu

Aláàkòró lé èmi ô aláàkòró lé ìwo,


Aláàkòró lé èmi ô aláàkòró lé ìwo.

Alácôrô lêêmi ô alácôrô lêiuó,


Alácôrô lêêmi ô alácôrô lêiuó

Osumare que também é tido como o senhor do Akoro, a cantiga mais uma vez
retrata o fato de Osumare estar acima de todos nós. “O senhor do Akoro está
sobre mim.

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Cantigas de Xirê para Nanã


Nanã é uma das divindades mais antigas. Seu culto é repleto de mistérios e
inúmeras questões que poucos possuem o conhecimento para tal.

Cantiga 01 – Nanã – Toque Ilu

Nàná yò
O lù obó
Nàná yò
Yìn Nàná Yò
O lù obó

Naná Ió
Olú obó
Naná ió
Iin Naná ió
Olu obó

Essa cantiga fala que Nanã fica feliz ao ser glorificada, nós tocamos para
deixa-la feliz.

Cantiga 02 – Nanã – Toque Ilu

Eni koríko odò ki wàlè,


Omon nílè kò ràjò,
Nàná ikú rè omon nílè kò ràjò, kò ràjò,
kò ràjò, ó félé lé, kò ràjò,
Nàná ikú rè omon Nílè kò ràjò.

Éni côricôôdô quiuálé ómónilé côrajô,


Nanã icúré ómónilé côrajô
Côrajô, côrajô ô, félélé côrajô
Nanã icúré ómó Nilé côrajô.

Aqui começamos a retratar os mistérios do culto a Nanã e o respeito que os


devotos desse orisá tem com ela. A cantiga diz que os devotos desta divindade

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não devem transitar em determinado local do rio (barrento, frágil) que pode
mata-los.
Cantiga 03 – Nanã – Toque Ilu

Òdi Nàná ní ewà, léwà-léwà e,


Ódi Nàná ní ewà, léwà-léwà e

Ôdi Nanã ní éuá lêuá ê,


Ôdi Nanã ní éuá lêuá ê.

Cantiga que retrata a beleza de Nanã, que apesar de ser uma das divindades
mais antigas, e ter um culto repleto de mistérios, existe um lado mãe, que
cuida, zela e abençoa seus filhos. Nàná ní ewà – Nanã é bonita.

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Cantigas de Xirê para Osun


Entramos agora nas cantigas para Iya Osun, a princesa do Ekiti Efon, é
inúmeras cantigas de Osun é possível observar a sua relação com o povo
Efon. Isso ocorre por respeito a esse povo e ao marco na história de Osun.

Cantiga 01 – Osun – Toque Ilu

Yèyé, yèyé yíyé ó-ó, olúféwa àse omi odò,


E oba kó só ayaba ó, olúfé wa àse omi odò.

Iêiê, iêiê inhiêô ô, ôluféuáxé ômiôdô,


Ê óbacôssô aiabáô ôluféuáxé ômiôdô.

Apesar de existir uma outra variação nesta cantiga, sigo confiante no trabalho
de Bàbá Altair t’ Ogun. Essa primeira cantiga diz que Osun está viva e nos dá
o axé das águas dos rios. Ela é aquela que governa ao lado do rei.

Cantiga 02 – Osun – Toque Ilu

E fìbò e fìbò dò wa Òsún,


E fibò dò wa ìyá Òsún, e fibò dò
Wa ìyá Òsún.

É fibô é fibô dôuá iá Óxum,


É fibô dôuá ia Òxum, é fibô dôuá
Ia Óxum

Cantiga que fala sobre a proteção que Osun nos dá. A energia presente nos
rios é quem nos protege.

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Cantiga 03 – Osun – Toque Ilu

Ó ní ìyá beere, ó ní ìyá beere ó,


Ó ní ìyá beere ó, ó ní ìyá bè l’òpò omo,
Òsún a dé omo wa.

Ô niiá bééré ô niiá bééréô,


Ô niiá bééréô, ô niiá bélópó ómó
Óxum adê ómóuá.

O ní Iyá, a grande mãe. Essa cantiga retrata o quão grande é Osun dentro e
fora de seu culto. Uma coisa é fato, todos sabem quem é Osun. A cantiga
também retrata o ato de muitas devotas de Osun pedirem a essa divindade
para terem muitos filhos (fertilidade).

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Cantigas de Xirê para Ologunede


Ologunede, o pequeno guerreiro da cidade de Ede. Orisa de muitos
mistérios, infelizmente seu culto sofreu inúmeras alterações e no Brasil se
perdeu a essência de guerreiro que Ologunede possuí. Aquele que é
autossuficiente e filho de Iya Osun.

Cantiga 01 – Ologunede – Toque Ijesa

Olówó a kofà rè a kofà rè wo, é a kofà


Ijó-ijó Lògún ó é a kofà.

Olôuô a cófaré a cófaré uô, ê a cófa


Ijô-ijô Lôgum ô ê acôfa.

Ologunede além de ser um grande guerreiro (colérico por sinal), é também


exímio caçador. A primeira cantiga fala que devemos pegar o arco e flecha
para saudarmos e cultuarmos Logun, aquele que detém muita riqueza.

Cantiga 02 – Ologunede – Toque Ijesa

É-é-é-é-é, é Lògún dé lé k’ òkè,


É-é-é-é-é, é Lògún dé lé k’ òkè.

Ê-ê-ê-ê-ê, ê Lógum dêlê côquê,


Ê-ê-ê-ê-ê, ê Lógum dêlê côquê.

Cantiga que fala: Logun chegou em casa e gritou alto!

Cantiga 03 – Ologunede – Toque Ijesa

É Lògún eron-eron, pa Lògún pa, Lògún pa,


É Lògún eron-eron, pa Lògún pa, Lògún pa.

Ô Lôgum érã-érã pa Lôgum pa, Lôgum pa,


Ô Lôgum érã-érã pa Lôgum pa, Lôgum pa.

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Aqui temos o retrato de Ologunede caçador, aquele que caça animais


selvagens, que mata e leva seu alimento. (Logun Pa = Logun Mata).

Cantiga de Xirê para Obá


Adentramos agora na reta final do Xirê. Louvaremos Obá, a esposa mais velha
de Sango. Obá foi a primeira e foi aquela que o amou profundamente.

Cantiga 01 – Oba – Toque Oguele

Óbá É’lééko aja osí


Ajagba É’lééko aja osí
Oro awo mógbó Óbá
Ajagba É’lééko aja osí

Obá Elekô aja ossí


Ajaba elekô aja ossí
Oro auô, Móbo obá
Ajaba elekô aja ossí

Obá, aquela que é a anciã da sociedade Elekó, a que atende a todos os


mistérios.

Cantiga 02 – Oba – Toque Oguele

E le lowo
Ébé ji Elegbelegbe
Obá saba o
Obá odu do de re
Barin Ékó

E le luô
É bé ji elebelebe
Obá sába o
Obá odu do derê
Barin ekó

Suplicamos a vossa divindade poderosa e saudável para que nos abençoe.


Senhora que acompanha todas as mulheres durante a viagem.

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Cantiga 03 – Oba – Toque Oguele

E ji ji wéré
Ofá wéré

É dji dji uéré


Ofá uéré

Obá foi exímia caçadora, nesta cantiga retrata que com o arco e flecha Obá
era excelente.

Cantigas de Xirê para Yewá


Yewa, orisa cercado de mistérios. Muito do que se fala sobre Yewa é
baseado na cultura fon (djeje). Dentro da cultura yorubá, o nome terreno de
Yewa foi Yewajobi. Ela teve filhos, tem seu culto muito presente no estado
de Ogun e é tida como filha de Obatala, por isso na cultura Yoruba ela usa
branco.

Cantiga 01 – Yewá – Toque Abiamã

Iyewa Iyewa máa jó


Iyewa Iyewa
Iyewa Iyewa máa jó
Bọ̀ ìyá l'owó
Ó ọwọ́ l'ẹ́sẹ̀
Iyewa Iyewa máa jó
Iyewa Iyewa

Ieuá ieuá má a jô
Ieuá ieuá
Ieuá ieuá má a jô
Bó iá louô
O uô lessé
Ieuá ieuá má a jô

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Ieuá ieuá

Essa cantiga retrata que mãe Iyewa é linda e dança trazendo e mostrando a
sua riqueza (dinheiro).
Cantiga 02 – Yewá – Toque Abiamã

Iyewa Ni Fa Toto Lo Bewa ê,


Olu Aiye ara a Ni Fa Toto Lo Bewa ê
Olu Aiye

Iyewa Ni Fa Toto Lo Bewa ê,


Olu Aiê, ara a Ni Fa Toto Lo Bewa ê
Olu Aiê

Cantiga que fala sobre a mãe da graciosidade, da beleza ser a senhora da


terra, do renascimento.

Cantiga 03 – Yewá – Toque Abiamã

Se te Se Da
Iyewa Iyewa oju ewá

Xê te xê dã
Ieuá ieuá ojú euá

Iyewá a divindade dos olhos belos, aquela que é adorável e muito bela.

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Cantigas de Xirê para Oyá


Oyá, a terceira esposa do rei de Oyó, aquela que ama seus filhos de um jeito
único e incondicional. Senhora de Irá, divindade dos ventos e da água
sagrada.

Cantiga 01 – Oyá – Toque Ilu

Oya koorô nílé ó geere-geere,


Oya koorô nílé ó gè àrá gè àrá,
Obìnrin sápa koorô nílê geere-geere,
Oya kíì mò rè lo.

Oiá côorô nílê ô guerê-guerê,


Oiá côorô unlá ô gué ará,
Ôbinrim xápa côorô nilé o
Guerê-guerê, Óiá qui a móréló.

Oyá, aquela que ressoa como o vento, com o grande barulho ela corta como
um raio. Sensual e de inteligência ímpar, cumprimentamos – a para conhece-
la ainda mais.

Cantiga 02 – Oyá – Toque Ilu

Oyá odò hó yà-yàyà, odò hó yà-yà,


Oyá odò hó yà-yàyà, odò hó yà-yà.

Oyá ôdôrrô iá-iáiá, ôdôrrô iáiá,


Oyá ôdôrrô iá-iáiá, ôdôrrô iáiá.

Apesar de muitas pessoas não aceitarem ou se quer terem a ciência de tal


fato, Oyá tem muita relação com o rio. O Rio Níger é consagrado a Oyá. Essa
cantiga fala justamente de que Oyá é o redemoinho presente dentro dos rios.

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Cantiga 03 – Oyá – Toque Ilu

Tá ní a padà lóodò Oya ó, odò hó yà-yà,


Tá ní a padà lóodò Oya ó, odò hó yà-yà.

Tani a padá lôodô Oiá, ôdôrrô iáiá,


Tani a padá lôodô Oiá, ôdôrrô iáiá.

É apenas Oyá quem pode cessar o redemoinho para que possamos passar
pelo rio.

Cantiga 04 – Oyá – Toque Ilu

Bíírí ibí bo won lojú ògbèri kò mòn mònriwó,


Bíírí ibí bo won lojú ògbèri kò mòn mònriwó.

Bíri ibí bó uan lojú ôbérí côman mariuô,


Bíri ibí bó uan lojú ôbérí côman mariuô

Cantiga que fala sobre o fato dos não iniciados não conhecerem os segredos
(mistérios) que se encontram por baixo do Mariwo. “Os olhos dos não iniciados
não conhecem os mistérios encobertos pelo Mariwo”

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Cantigas de Xirê para Yemoja


Yemoja, orisa do rio. Aquela que é cultuada com abundância e muito
respeito.

Cantiga 01 – Yemoja – Toque Jiká

Àwa ààbò a yó
Yemonja, àwa ààbò a yó
Yemonja

Auá aabô aiô


Iémanja, auá aabô aiô
Iémanja.

Cantiga que fala sobre a proteção de Yemoja para com seus filhos. Ao
louvarmos Yemoja, estamos protegidos.

Cantiga 02 – Yemoja – Toque Jiká

Ìyáàgbà ó dé iré sé a kíì e Yemonja,


A koko pè ilé gbè a ó yó odò ó fí a sà
Wè rè ó

Iáaba ôdê irêxê a quié Iémanja,


A cócó puê ilê bê a ôiô
Ôdôô fi axa
Ué ré ô.

É no rio de Yemoja que nos banhamos, através dela que temos bênçãos em
nossa casa. Ela chega nos fazendo felizes.

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Cantiga 03 – Yemoja – Toque Jiká

A sà wè lé, a sà wè lé ó odò fí ó a sà wè lé,


A sà wè lé, a sà wè lé ó odò fí ó a sà wè lé.

Axauélê-axauélê ô ôdôfiô axauélê,


Axauélê-axauélê ô ôdôfiô axauélê

Aquele que deseja as bênçãos de Yemoja, deve banhar-se em seu rio. A


cantiga fala sobre o fato de nós escolhermos banhar em casa, mas ela se
banha e mora no rio.

Muitas casas cantam uma espécie de roda para Yemoja, confesso que não
vejo necessidade para tal, já que isso torna o xirê longo e cansativo. Essas
três cantigas são o suficiente para este momento.

Chegamos na etapa final do Sire, momento onde louvaremos o grande Obá,


Sango! Em festejos normais, é nessa hora que todos os Orixás se apresentam,
afinal, o Rei convoca a todos.

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Cantigas de Xirê para Sango


Nessa hora do xirê é bem comum o calor se mostrar presente no barracão,
afinal, louvamos o senhor do fogo, o grande Obá.

Cantiga 01 – Sango – Toque Ilu

Oba ní sà rè lóòkè odó, ó bérí omon,


Oba ní sà rè lóòkè odó, Oba kòso ayô

Óba nixá ré lôôquê ôdô obérí óman,


Óba nixá ré lôôquê ôdô Óba côssô aió.

Ele é o rei que pode despedaçar seus inimigos, aquele que cumprimenta todos
os seus filhos (devotos) militarmente. É o rei que carrega a coroa no templo
sagrado, com muita alegria.

Cantiga 02 – Sango – Toque Ilu

Máà inón-inón, máà inón wa, inón-inón Oba kòso


Máà inón-inón, olóko so aráayé, máà inón-inón
Oba kóso aráayé, máà inón, máà inón-inón.

Má inã-inã, má inã uá, inã-inã Óba côssô


Má inã-inã, olôcô só aráiê, má inã-inã
Óba côssô aráiê má inã, má inã-inã.

Sabemos que Sango é colérico, quando em estado de ira, age sem pensar.
Podendo ferir e punir tudo e a todos. Nessa cantiga pedimos para que Sango
não mande fogo (raio) para a nossa casa. O raio é a forma viva de
manifestação do rei.

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Cantiga 03 – Sango – Toque Ilu

Aláàkóso e mo júbà á ló si Oba ènyin,


Oba tan jé ló síbè lò sì Oba ènyin.

Alácossô é mojúba áló si Óba éninhiim,


Óba tanjé ló sibé ló si Óba éninhiim.

Aláàkóso, o rei que governa! Essa cantiga fala do nosso compromisso com
Sango, em relatarmos tudo a ele. De sempre irmos até o rei e relatarmos os
acontecimentos a ele.

Neste momento o atabaque rum passa a fazer as marcações do toque Alujá,


de maneira crescente e cadenciada. Em dado momento é feita a dobra para
invocar e trazer a terra todas as divindades, dos mais novos aos mais velhos.

Essa é a primeira etapa do nosso curso, espero que vocês tenham gostado do
material desenvolvido. Guardem isso com muito carinho e se dediquem nos
estudos.

Eu como bom filho de Sango, peço que meu grandioso pai abençoe a cada
um de vocês e que Orí absorva todo o conhecimento com sabedoria e
compreensão.

Àse ooo!!!

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Referências

Não posso deixar de citar os nomes daqueles que para mim são grandes
referências na divulgação e busca incessante por materiais que de fato
agreguem na vida dos Omo Orisas brasileiros.

Altair T’Ogun – Nkorin Awon Orisa


José Beniste – Dicionário Yorubá – Português
Pejigan Anderson de Bessen – Canal Pejigan Anderson (youtube)
Alagbe Elton – Acervo Origens

Infelizmente muitos sacerdotes de Orisá lutam contra a internet, contra a


divulgação daquilo que deveria ser divulgado aos quatro cantos do mundo
para que se mantenha viva a tradição e a história desse culto magnífico.

Meu muito obrigado a esses grandes mestres do culto a Orisá no Brasil.

Ògà Luiz – Mistérios dos Orixás

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