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Notas de Aula 5 - Teoria da Firma (1/2)

Microeconomia
Curso Cecı́lia Menon

1 Introdução
1.1 Caracterização
1.1.1 A Teoria da Firma
Na primeira parte das aulas, analisamos o comportamento dos consumidores. Desse comporta-
mento, obtivemos a demanda por um bem, (quase sempre) decrescente no seu preço.
Vamos analisar agora o comportamento das firmas. Desse comportamento, vamos obter a oferta
de um bem, que será crescente no seu preço.
O comportamento desses dois agentes pode levar a uma situação de equilı́brio no mercado do
bem estudado, onde a quantidade demandada iguala a quantidade produzida, por meio de preços
flexı́veis.

1.1.2 A Firma
A firma é uma entidade que transforma insumos em bens finais (produtos).

INSUMOS - FIRMA - PRODUTOS

Vamos supor que o objetivo da firma seja maximizar lucros (maximiza a renda dos donos da
firma). Outros objetivos podem ser considerados, mas este é o mais usado.
A questão da existência (e tamanho) de firmas foi discutido primeiro por Coase (1937).

1.1.3 Tecnologias
A tecnologia de uma firma descreve a sua capacidade de produzir bens usando insumos de produção
(também chamados de fatores de produção). A tecnologia é dada pela limitação técnica da firma,
definida por leis da natureza e por avanços tecnológicos.
Exemplo: uma padaria consegue produzir 1000 pães por dia se usar um espaço de 30m2 , dois
padeiros, três ajudantes, farinha, ovos, etc.
Note que medimos insumos e produtos como fluxos no tempo. Todos os insumos e produtos devem
ser calculados para o mesmo perı́odo de tempo.

1
1.1.4 Conjunto de Possibilidade de Produção (CPP)
O modo mais geral de representar a tecnologia de uma firma é por meio do Conjunto de Possibil-
idade de Produção Y ⊂ Rm .
Um vetor y ∈ Y é chamado um plano de produção, onde denotamos os insumos com valores
negativos e os bens finais com valores positivos:

yi < 0 ⇒ i denota um insumo


yi > 0 ⇒ i denota um bem final

1.1.5 Propriedades
Hipóteses a respeito do Conjunto de Possibilidade de Produção Y ⊂ Rm :

1. (algo é possı́vel) Y 6= ∅.

2. (possibilidade de inação) 0 ∈ Y .

3. Y é fechado.

4. (impossibilidade de produção sem o uso de insumos) Y ∩ Rm


+ = {0}.

5. (descarte livre) Y − Rm
+ ⊂ Y.

6. (irreversibilidade) Se y ∈ Y , y 6= 0, então −y 6∈ Y .

7. (retornos não crescentes de escala) Se y ∈ Y , então ty ∈ Y , para todo t ∈ [0, 1].

8. (retornos não decrescentes de escala) Se y ∈ Y , então ty ∈ Y , para todo t ≥ 1.

9. (aditividade) Y + Y ⊂ Y .

10. (retornos de escala) Se y ∈ Y , então ty ∈ Y , para todo t ≥ 0.

11. Y é convexo.

12. Y é um cone convexo.

y
6

Conj. de Possibilidade de Prod.


Insumo: x
  Produto: y

*
 

 


- x

2
1.1.6 Funções de Produção
Se a firma produz apenas um único bem, a função de produção relaciona a quantidade máxima de
produto que podemos obter, dados os insumos utilizados (fronteira do CPP).
Suponha que a firma utilize dois insumos, x1 e x2 . A função de produção é representada por:

y = f (x1 , x2 )

onde y é a quantidade produzida do bem final. Observe que abandonamos a notação de representar
insumos por números negativos, já que no caso de funções de produção não existe perigo de
confusão entre o que é produto e o que é insumo.
Em muitos problemas, usamos l = x1 , onde l é trabalho e k = x2 , onde k é capital.

1.1.7 Propriedades
Propriedades da função de produção:
1. f (0, 0) = 0: nada produz nada;

2. Contı́nua: uma mudança pequena nos insumos não altera muito a quantidade produzida;

3. Estritamente crescente (P M gi > 0, para todo insumo i): se aumentarmos o uso de um


insumo, aumentamos a produção (observe que se vale o “free-disposal” de insumos, então
devemos ter P M gi ≥ 0);

4. Quasecôncava: a tecnologia é convexa: se as quantidades de insumos (x1 , x2 ) e (y1 , y2 )


produzem a quantidade y de produto, então a média ponderada dessas quantidades também
produzirá y unidades do produto.
Se a função de produção é estritamente quasecôncava, então os dois insumos são conjuntamente
importantes na produção (e as isoquantas serão convexas). Podemos combinar tecnologias difer-
entes, e essa combinação será mais eficiente do ponto de vista da quantidade produzida do bem
final.

1.1.8 Isoquantas
Uma isoquanta descreve combinações de insumos que produzem a mesma quantidade do bem final.
Isoquantas é um conceito similar ao de curva de indiferença. Porém, o rótulo de uma curva
de indiferença não tem nenhum significado, enquanto o rótulo da isoquanta tem um significado
preciso: é a quantidade do bem produzido.
Uma isoquanta pode ser definida, em termos da função de produção, como:

Q(y) = {(x1 , x2 ) ≥ (0, 0); f (x1 , x2 ) = y}

Se os dois fatores são importantes na produção (f estritamente crescente), então as isoquantas


são negativamente inclinadas.
Se a tecnologia é convexa, então a isoquanta será convexa em relação à origem. Ou seja, com-
binações de insumos que produzem a mesma quantidade do bem final continuam produzindo pelo
menos a mesma quantidade do bem final.

3
1.1.9 Exemplo: Proporções Fixas
Uma tecnologia de Leontief (proporções fixas) exige que para se produzir uma certa quantidade
do bem final, os fatores de produção sejam usados em proporções fixas.
Portanto, não existe nenhum grau de substituição entre os fatores - a firma não pode diminuir o
uso de um insumo e aumentar o uso de outro, mantendo o nı́vel de produção constante.
A função de produção dessa tecnologia é:
y = f (min{ax1 , bx2 }),
onde f é uma função crescente e a e b são números positivos.

x2
6 Isoquantas
y = min{x1 , x2 }

y2 > y1

y1
-
x1

1.1.10 Exemplo: Substitutos perfeitos


Nesse tipo de tecnologia, os fatores de produção podem ser perfeitamente substituı́dos um pelo
outro, para qualquer nı́vel de produção.
Portanto, existe grau máximo de substituição entre os fatores - a firma pode diminuir o uso de
um insumo e aumentar o uso de outro, mantendo o nı́vel de produção constante.
A função de produção dessa tecnologia é y = f (ax1 + bx2 ), onde f é uma função crescente e a e b
são números positivos.

x2
6
Isoquantas
y = x1 + x2
@
@ Quanto mais afastada da origem,
@ maior o nı́vel de produção
@ @ que a isoquanta representa
@ @
@ @
@ @ @
@ @ @
@ @
@ @ @ @
@ @
@ @ @
@  @  @
@
@ @@
@ @ -
x1
4
1.1.11 Exemplo: Cobb-Douglas
Nesse tipo de tecnologia, os fatores de produção podem ser substituı́dos um pelo outro, mas não
de forma perfeita.
Portanto, existe algum grau de substituição entre os fatores - a firma pode diminuir o uso de um
insumo e aumentar o uso de outro, mantendo o nı́vel de produção constante.
A função de produção de Cobb-Douglas é y = Axα1 xβ2 . As isoquantas dessa função de produção
são convexas.
x2
6
Isoquantas
y = xα1 xβ2

y2 > y1
y1
-
x1
1.1.12 Produto Marginal
A função de produção relaciona insumos com a quantidade produzida do bem final. Se derivarmos
essa função com relação a algum dos insumos, encontramos o produto marginal desse insumo:
∂f (x1 , x2 )
P Mi (x1 , x2 ) = = fi (x1 , x2 ), i = 1, 2.
∂xi
No caso apenas de dois fatores, capital e trabalho, o produto marginal do trabalho, por exemplo,
mede o quanto a produção aumentará se aumentarmos (um pouco) a quantidade de trabalho
usada, mantendo a quantidade de capital usada fixa.
Vamos supor que vale a propriedade de “free-disposal” - a firma pode dispor de seus insumos sem
nenhum custo. Nesse caso, o produto marginal de qualquer insumo é sempre não negativo.

1.1.13 Lei do Produto Marginal Decrescente


A lei do produto marginal decrescente diz que o produto marginal de qualquer insumo decresce
à medida que usamos mais desse insumo, mantendo o uso dos outros insumos inalterado. Essa
propriedade é razoável e está ligada à idéia de exaustão dos fatores.
Exemplo: se uma firma continua a contratar funcionários, sem aumentar o seu espaço fı́sico, suas
máquinas, etc, chega uma hora em que esse acréscimo de funcionários trazem acréscimos cada vez
menores na produção.
Portanto, temos que:
∂f (x1 , x2 )
P M gi (x1 , x2 ) = = fi (x1 , x2 ) ≥ 0, para todo insumo i
∂xi
∂ 2 f (x1 , x2 )
P M gii (x1 , x2 ) = = fii (x1 , x2 ) ≤ 0, para todo insumo i
∂x2i

5
1.1.14 Taxa Técnica de Substituição
A taxa técnica de substituição (TTS) entre dois insumos mede o quanto a firma deve abrir mão de
um desses insumos e acrescentar do outro insumo para continuar produzindo a mesma quantidade
do bem final:
dx2 f1 (x1 , x2 )
T T S12 = =−
dx1 f2 (x1 , x2 )
A TTS é o análogo para a teoria da firma da taxa marginal de substituição da teoria do consumidor.
Se a TTS for decrescente em valor absoluto, então as isoquantas serão convexas: à medida que
percorremos a isoquanta, a sua inclinação decresce (em valor absoluto).

1.2 Elasticidade de Substituição


1.2.1 Elasticidade de Substituição
A TTS mede a inclinação de uma isoquanta. A elasticidade de substituição é uma medida da
curvatura de uma isoquanta. A elasticidade de substituição entre os insumos i e j é definida
como:        
f1
d ln xx21 d ln xx21 f2
d xx21
σ12 = =   =   
d ln (|T T S12 |) d ln ff12 x2
d ff12
x1

1.2.2 Exemplo - Função de Produção Cobb-Douglas


A elasticidade de substituição entre os dois insumos de uma função de produção Cobb-Douglas é
igual a um. Vamos derivar esse resultado. Primeiro note que:
f1 (x1 , x2 ) = αxα−1
1 x1−α
2
f2 (x1 , x2 ) = (1 − α)xα1 x−α
2

Portanto,
     
f1 (x1 , x2 ) α x2 f1 (x1 , x2 ) α x2
|T T S12 | = = ⇒ ln = ln + ln
f2 (x1 , x2 ) (1 − α) x1 f2 (x1 , x2 ) (1 − α) x1
E então temos que:    
x2
d ln x1
d ln xx12
σ12 = =   =1
d ln (|T T S12 |) d ln ff21 (x
(x1 ,x2 )
1 ,x2 )

1.2.3 Exemplo - Função de Produção CES


A função de produção CES é definida por:
1
f (x1 , x2 ) = (xρ1 + xρ2 ) ρ , − ∞ < ρ < 1, ρ 6= 0
Os dois produtos marginais são:
1 ρ 1 1
f1 (x1 , x2 ) = (x1 + xρ2 ) ρ −1 ρxρ−1
1 = (xρ1 + xρ2 ) ρ −1 xρ−1
1
ρ
1 ρ 1 1
f2 (x1 , x2 ) = (x1 + xρ2 ) ρ −1 ρxρ−1
2 = (xρ1 + xρ2 ) ρ −1 xρ−1
2
ρ

6
Portanto,
 1−ρ    
f1 (x1 , x2 ) x2 x2 1 f1 (x1 , x2 )
|T T S12 | = = ⇒ ln = ln
f2 (x1 , x2 ) x1 x1 1−ρ f2 (x1 , x2 )

O que resulta em:  


x2
d ln x1 1
σ12 = =
d ln (|T T S12 |) 1−ρ

As seguintes funções são casos especiais da função CES:


1
lim (xρ1 + xρ2 ) ρ = xα1 x21−α , lim σ12 = 1
ρ→0 ρ→0
1
lim (xρ1 + xρ2 ) ρ = x1 + x 2 , lim σ12 = +∞
ρ→1 ρ→1
1
lim (xρ1 + xρ2 ) ρ = min{x1 , x2 }, lim σ12 = 0
ρ→−∞ ρ→−∞

Ou seja, a função de produção CES engloba diversos graus de substituição entre os insumos. As
figuras abaixo ilustram diferentes tipos de isoquantas geradas por essa função.

x2 x2 x2
Isoquantas y = min{x1 , x2 } β
Isoquantas y = xα
6 6 6
1 x2 Isoquantas y = x1 + x2

@
 @
 @
y2 = 10 unidades
@ @
@ @
 y1 = 5 unidades @
@ @ @
@ @@
- - @ @ @ -
x1 x1 x1

Caso ρ → −∞ Caso ρ → 0 Caso ρ = 1


(σ → 0) (σ → 1) (σ → ∞)

1.3 Outros Conceitos


1.3.1 Economias de Escala
Dizemos que a função de produção apresenta retornos constantes de escala (RCE), retornos cres-
centes de escala (RCrE) ou retornos decrescentes de escala (RDE) se a função de produção satisfaz
a propriedade da coluna do meio da tabela abaixo.

Tipo de Retorno de Escala Função de Produção Tipo de tecnologia


Constantes f (tx1 , tx2 ) = tf (x1 , x2 ), t > 0, ∀(x1 , x2 ) replica
Decrescentes f (tx1 , tx2 ) < tf (x1 , x2 ), t > 1, ∀(x1 , x2 ) algum fator fixo
Crescente f (tx1 , tx2 ) > tf (x1 , x2 ), t > 1, ∀(x1 , x2 ) ganhos de escala

7
Retornos constantes de escala são uma hipótese natural para a firma no longo prazo (tecnologia é
replicada). No caso de RCE, a função de produção é homogênea de grau 1.
Retornos decrescentes de escala (ou deseconomias de escala) normalmente ocorrem quando algum
insumo está fixo.
Retornos crescentes de escala (ou ganhos de escala) ocorrem quando a tecnologia permite que haja
ganhos de escala na produção.

1.3.2 Escala e Tamanho das Firmas


As economias de escala têm importância na determinação do tamanho ótimo das empresas que
operam em um setor:

1. Se existem economias de escala, as empresas devem ser grandes para poder aproveitar estas
economias.

2. Se existem deseconomias de escala (ou RDE), é melhor ter várias empresas pequenas em
uma indústria.

3. Se existem rendimentos constantes de escala, podem coexistir empresas grandes e pequenas.

1.3.3 Economias de Escopo


Existem economias de escopo quando uma empresa pode produzir dois produtos a um custo menor
que as duas empresas separadas.
As economias de escopo ocorrem quando existem sinergias entre atividades. Por exemplo, entre
distintas etapas de um processo produtivo. Neste caso, poderia existir uma justificativa para a
integração vertical das empresas que operam diferentes etapas.
Também podem haver produtos complementares. Por exemplo, uma empresa de utilidade pública
que forneça vários serviços (eletricidade e gás, por exemplo) pode economizar nos custos de medição
e faturamento.

1.3.4 Curto Prazo e Longo Prazo


O curto prazo é o perı́odo de tempo onde alguns fatores da firma são fixos. A firma não pode
então alterar o nı́vel desses fatores.
O longo prazo é o perı́odo de tempo em que todos os fatores de produção são variáveis: a firma
pode ajustar todos os seus fatores de produção da forma que desejar.
Nota: Os conceitos de curto e longo prazo são abstratos, de modo geral.
Exemplo: uma empresa aluga um galpão por um perı́odo de um ano. O aluguel desse galpão é
um custo fixo para o perı́odo de um mês: a firma, mesmo que deixe de produzir, terá que honrar
o aluguel do galpão pelo prazo de um ano.

8
1.3.5 Custo Econômico, Custo Contábil e Custo Implı́cito
O custo econômico é um conceito de custo de oportunidade. Em outras palavras, o que se perde
por fazer um produto ou atividade.
É importante distinguir custo econômico de custo contábil ou financeiro. Exemplos:

1. custo de trabalho do dono da firma.

2. custo do capital financeiro investido na firma.

Nota: O lucro econômico pode ser diferente do lucro contábil, quando existem custos implı́citos.
O lucro econômico ser igual a zero não significa que a firma não tenha lucros contábeis.

1.3.6 Custo Social e Custo Privado


Outra distinção importante é a de custo social versus custo privado.
Exemplo: a produção de eletricidade com base em plantas termelétricas produz efeitos negativos
ao meio ambiente. Na medida em que as pessoas valorizam o meio ambiente, esta deterioração
significa uma perda para a sociedade e constitui um custo adicional da produção elétrica.
Vamos supor que todos os custos medidos são econômicos e que não existe distinção entre custo
social e custo privado.

1.3.7 QUESTÕES DA ANPEC


RESOLVER: Questão 5 - Exame 2008; Questão 5 - Exame 2007; Questão 5 - Exame 2005;
Questão 3 - Exame 2001; Questão 4 - Exame 2000; Questões 5, 6, 7 e 8 - Exame 1999.

Questões mais antigas: Questões 5 e 7 - Exame 1997; Questão 9 - Exame 1996; Questão 5 -
Exame 1993; Questões 4, 12, 13 e 14 - Exame 1991; Questão 5 - Exame 1990.

9
2 Minimização de Custos
2.1 O Problema de Minimização de Custos
2.1.1 Caracterização do Problema
Vamos dividir o problema da firma de maximização de lucros em duas etapas:

1. A firma minimiza o seu custo de produção, para um dado nı́vel de produção fixo.

2. A firma escolhe o nı́vel de produção ótimo que maximiza lucros.

Essa análise, além de trazer importantes insights sobre o problema da firma, é mais geral do que a
análise direta de maximização de lucros (que veremos na nota de aula 6), pois a primeira etapa é
válida sempre, qualquer que seja o tipo da firma (a segunda etapa acima da análise deve ser feita
associada a alguma hipótese sobre o mercado em que a firma se encontra).
Queremos resolver o seguinte problema:

min w1 x1 + w2 x2 s.a. y = f (x1 , x2 )


x1 ,x2

O Lagrangeano desse problema é:

L = w1 x1 + w2 x2 + λ (y − f (x1 , x2 )) ,

onde λ é o multiplicador de Lagrange do problema.


As CPO são:

w1 = λf1 (x1 , x2 )
w2 = λf2 (x1 , x2 )
y = f (x1 , x2 )

Se dividirmos a CPO do insumo 1 pela CPO do insumo 2, obtemos:

w1 f1 (x1 , x2 ) P M g1
= = = |T T S12 |
w2 f2 (x1 , x2 ) P M g2

Veremos que essa condição também é válida para o caso de maximização do lucro.
Por exemplo, se
w1 2 1 P M g1
= > = ,
w2 1 1 P M g2
então o insumo 1 está caro em relação ao insumo 2, dadas as produtividades marginais desses dois
insumos.
Se a firma diminuir em uma unidade o uso do insumo 1 e aumentar em uma unidade o uso do
insumo 2, o nı́vel de produção não se altera (P M g1 = P M g2 = 1), porém a firma economiza R$ 1,
já que w1 = 2 e w2 = 1. Portanto, se o preço relativo de dois insumos é diferente da sua taxa
técnica de substituição, a firma não estará minimizando custos.

10
2.1.2 Demandas Condicionais
As demandas derivadas do problema de minimização de custos da firma, se existirem, são demandas
por fatores condicionais (no nı́vel de produção y):
x1 = x1 (w1 , w2 , y) e x2 = x2 (w1 , w2 , y).
A demanda condicional xi (w1 , w2 , y) diz a quantidade ótima do insumo i, i = 1, 2, que minimiza
o custo de se produzir y aos preços dos insumos w1 , w2 .
Graficamente, para o caso de dois insumos, o problema de minimização de custo é achar o menor
custo possı́vel para a isoquanta gerada pela escolha do nı́vel de produção desejado (similar ao
problema de minimização do dispêndio do consumidor).
Uma reta de isocusto Ic = {(x1 , x2 ) : w1 x1 + w2 x2 = c} é a combinação de insumos com o mesmo
custo. Temos que achar a reta de menor isocusto que possibilite a produção de y.
x2
6
E: Solução do Problema
Q
Q de Minimização de Custos da Firma
Q
Q Q
Q QQ
Q Q
Q Q
Q Q
Q
Q E QQ
Qr Q
Q Q
Q Q
Q Q
Q Q
Q
Q QQ
QQ Q-
x1

2.1.3 O Caminho de Expansão da Firma


O caminho de expansão mostra a combinação de insumos que minimiza o custo de produção para
cada nı́vel de produção, dado o preço dos insumos.
Graficamente, obtemos o caminho de expansão conectando os pontos de tangência de uma iso-
quanta com a curva de isocusto, para diferentes isoquantas.
O caminho de expansão da firma será linear caso a função de produção seja homotética, ou seja,
f = g ◦ h, onde g é uma função crescente e f é uma função homogênea de grau 1 (Cobb-Douglas,
CES, Leontieff, linear são exemplos de funções de produção homotéticas).
x2
6
Q
Q
Q
Q
Q Q
Q Q
Q Q
Q
Q
Q
Caminho de Expansão
Qr
Q Q
Q Q
Qr
Q Q Q
Q Q
Q r Q Q
Q Q Q
Q Q Q
Q Q Q
Q Q Q
Q Q Q
Q Q QQ
Q Q -
x1

11
2.1.4 Função Custo
A função custo c(w1 , w2 , y) é definida como

c(w1 , w2 , y) = w1 x1 (w1 , w2 , y) + w2 x2 (w1 , w2 , y)

A função custo c(w1 , w2 , y) diz qual é o custo mı́nimo de se produzir a quantidade y de produto,
quando os preços dos insumos são w1 , w2 .

2.1.5 Propriedades da Função Custo


A função custo satisfaz as seguintes propriedades:

1. c(w1 , w2 , 0) = 0;

2. Crescente em y, crescente em w1 e w2 ;

3. Homogênea de grau 1 em w1 e w2 ;

4. Côncava em w1 e w2 .

5. Lema de Shephard:

∂c(w1 , w2 , y)
= xi (w1 , w2 , y), para i = 1, 2.
∂wi

2.1.6 Propriedades das Funções de Demanda Condicionais


As funções de demanda condicionais satisfazem as seguintes propriedades:

1. xi (w1 , w2 , y) é homogênea de grau 0 em w1 e w2 , i = 1, 2;

2. Não existem “insumos de Giffen”:


∂xi (w1 , w2 , y)
≤ 0, para i = 1, 2.
∂wi

3. Os efeitos preço-cruzados são iguais:

∂x1 (w1 , w2 , y) ∂x2 (w1 , w2 , y)


= .
∂w2 ∂w1

2.1.7 Observações
1. A prova dessas propriedades é similar à prova das propriedades das funções equivalentes na
teoria do consumidor.

2. Note que para as demandas por insumos condicionais não é possı́vel ocorrer que o preço de
um insumo aumente e que a firma passe a usar uma quantidade maior desse insumo.

12
2.1.8 Exemplos: Tecnologia Linear
A tecnologia linear de produção é representada pela seguinte função de produção:
y = f (x1 , x2 ) = x1 + x2 .
As demandas condicionais são:

 y, se w1 < w2
x1 (w1 , w2 , y) = 0, se w1 > w2
qualquer valor entre 0 e y, se w1 = w2


 0, se w1 < w2
x2 (w1 , w2 , y) = y, se w1 > w2
qualquer valor entre 0 e y, se w1 = w2

Note que para produzir y unidades do bem final, a firma tem que comprar y unidades do insumo
que vai usar.
A função custo é dada por:
c(w1 , w2 , y) = y min{w1 , w2 },
já que a firma usa apenas o insumo mais barato (menor preço), numa quantidade igual a y, para
poder produzir y unidades do bem final.

2.1.9 Exemplo: Tecnologia de Leontieff


A função de produção da tecnologia Leontief é:
y = f (x1 , x2 ) = min{x1 , x2 }.
As demandas condicionais são:
x1 (w1 , w2 , y) = x2 (w1 , w2 , y) = y,
onde a última igualdade é porque para se produzir y unidades do bem final, a firma deve usar y
unidades de cada insumo.
A função custo é dada por:
c(w1 , w2 , y) = (w1 + w2 )y.

2.1.10 Exemplo: Tecnologia Cobb-Douglas


A função de produção Cobb-Douglas é:
y = f (x1 , x2 ) = xα1 xβ2
As demandas condicionais são:
β
  α+β
α β β 1
x1 (w1 , w2 , y) = (w1 )− α+β (w2 ) α+β (y) α+β
β
α
 − α+β
α α α 1
x2 (w1 , w2 , y) = (w1 ) α+β (w2 )− α+β (y) α+β
β
A função custo é dada por:
"  β α
 − α+β #
α α+β α α β 1
c(w1 , w2 , y) = + (w1 ) α+β (w2 ) α+β (y) α+β
β β

13
2.2 Rendimentos Constantes de Escala e Função Custo
2.2.1 RCE e Função Custo
Existe uma ligação intuitiva entre rendimentos constantes de escala (RCE) e a função custo.
Lembrem-se que uma tecnologia que apresenta RCE pode ser representada por uma função de
produção homogênea linear:

f (tx1 , tx2 ) = tf (x1 , x2 ), para todo t > 0

Vamos denotar por c(w1 , w2 , 1) o menor custo de se produzir 1 unidade do bem final (y = 1). O
seguinte resultado é válido:

Teorema: Se a firma possui uma tecnologia que apresenta RCE, então a função custo dessa firma
pode ser escrita como:
c(w1 , w2 , y) = yc(w1 , w2 , 1)

De modo mais geral, o seguinte teorema é válido:

Teorema: Função de Produção Homotética. Se a função de produção é homotética (ou seja,


f = g ◦ h, onde g é estritamente crescente e h é homogênea de grau um), então as funções custo e
as demandas condicionais podem ser escritas como:

c(w, y) = φ(y)c(w, 1),


x(w, y) = φ(y)x(w, 1),

onde φ(y) é função estritamente crescente e w representa o vetor de preços dos insumos.
Se a função de produção é homogênea de grau α > 0, então:

c(w, y) = y 1/α c(w, 1),


x(w, y) = y 1/α x(w, 1)

O resultado do teorema é bastante intuitivo. Se a firma apresenta RCE, então o custo de se


produzir cem unidades do seu produto é apenas cem multiplicado pelo custo de produzir uma
unidade desse produto.

Se a tecnologia da firma apresenta RCrE, o custo aumenta numa proporção menor do que o
aumento da produção: se a firma, por exemplo, aumenta a produção em dez vezes, o custo
aumenta em menos de dez vezes.

O inverso ocorre se a tecnologia apresenta RDE: se a firma aumenta a produção em dez vezes, o
custo aumentará em mais de dez vezes.

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2.3 Outros Tópicos
2.3.1 Função Custo no Curto Prazo
Suponha que o segundo fator não possa ser alterado no curto prazo, x2 = x̄2 (por exemplo, o
segundo fator pode ser capital). A função custo de curto prazo (ou função custo restrita) é dada
por:
ccp (x1 , x2 , y; x̄2 ) = min w1 x1 + w2 x̄2 s.a. f (x1 , x̄2 ) = y
x1

Nota: O valor ótimo dos custos dos insumos variáveis (igual à w1 x1 (w1 , w2 , y; x̄2 ), no caso de dois
bens apenas) é o custo total variável da firma. O custo do insumo fixo (igual à w2 x̄2 , no caso de
dois bens apenas) é o custo fixo total da firma.
As CPOs da firma no curto prazo são dadas por:
w1 = λf1 (x1 , x̄2 )
y = f (x1 , x̄2 )
Ou seja, as CPOs para os insumos variáveis não mudam. Se tivermos três insumos, onde apenas
um está fixo, então para os dois insumos variáveis continua valendo a condição de que a taxa
técnica de substituição entre eles deve ser igual à sua relação de preços.

2.3.2 Demandas Condicionais


As demandas condicionais podem ser representadas da seguinte forma:
x1 = xcp
1 (w1 , w2 , y; x̄2 ) e x2 = x̄2
O superescrito cp indica que a demanda é de curto prazo. A demanda pelo primeiro insumo
depende do nı́vel que a firma possui do segundo insumo, x̄2 .
O custo de curto prazo é dado por:
ccp (w1 , w2 , y, x̄2 ) = w1 xcp
1 (w1 , w2 , y; x̄2 ) + w2 x̄2

2.3.3 Ligação entre Longo Prazo e Curto Prazo


Suponha que os preços dos insumos estão fixos por enquanto. Vamos representar então as funções
de demanda de longo prazo e a função custo apenas como funções do nı́vel de produção:
x1 = x1 (y), x2 = x2 (y) e c = c(y)
A seguinte relação entre demandas de longo prazo e demandas de curto prazo é válida:
x1 (y) = xcp
1 (y; x2 (y))

A seguinte relação entre a função custo de longo prazo e a função custo de curto prazo é válida:
c(y) = ccp (y; x2 (y))
A primeira igualdade diz que a quantidade ótima de longo prazo do primeiro insumo é igual à
quantidade ótima de curto prazo, quando a quantidade do insumo dois é fixa ao nı́vel ótimo de
longo prazo.
A segunda igualdade diz que o custo mı́nimo de longo prazo é igual ao custo mı́nimo de curto
prazo, quando a quantidade do insumo dois é fixa ao nı́vel ótimo de longo prazo (escolhida quando
a firma minimiza os custos no longo prazo).

15
2.3.4 Plantas de Produção
Suponha que uma firma tenha duas plantas diferentes, cada uma com uma função custo diferente.
O problema da firma é encontrar a divisão ótima da produção total entre as duas plantas.
Suponha que c1 (q1 ) e c2 (q2 ) são as funções custo das plantas 1 e 2, respectivamente. O custo total
de produção é dado pela soma dessas duas funções custo.
Por exemplo, se a firma deseja produzir a quantidade q do bem, devemos ter que q1 + q2 = q.
Nesse caso, o custo total de produzir q é c1 (q1 ) + c2 (q2 ).
O problema da firma é:

min c1 (q1 ) + c2 (q2 ) s.a. q1 + q2 = q


q1 ,q2

Podemos simplificar o problema substituindo a restrição na função objetivo. Nesse caso, o prob-
lema se torna:
min c1 (q1 ) + c2 (q − q1 )
q1

A CPO é:
c01 (q1 ) = c02 (q2 )
Portanto, a firma deve dividir a produção entre plantas diferentes de modo que o custo marginal
de cada planta seja igual.
Isso não necessariamente significa que o custo de produção em cada planta será igual. A firma
usará primeiro a planta cujo custo marginal de produção é mais baixo. Se o custo marginal de
produção dessa planta aumentar com o nı́vel de produção, a firma pode vir a usar outras plantas
que não sejam tão econômicas quanto a primeira.

2.3.5 QUESTÕES DA ANPEC


RESOLVER: Questão 15 - Exame 2011; Questão 4 - Exame 2009; Questão 6 - Exame 2008;
Questão 4 - Exame 2007; Questão 3 - Exame 2006; Questão 4 - Exame 2005; Questão 6 - Exame
2000; Questão 5 - Exame 1998.

Questões mais antigas: Questão 8 - Exame 1997; Questão 8 - Exame 1995; Questão 6 - Exame
1994; Questão 6 - Exame 1991; Questão 7 - Exame 1990.

16
3 Funções Custos
3.1 Definições
3.1.1 Funções Custos
Os custos totais de uma empresa podem ser divididos em várias categorias:

1. Custos como gastos salariais, arrendamentos, pagamentos a fornecedores de insumos e ma-


teriais, gastos de operação e manutenção;

2. Custos associados ao desgaste dos bens de capital durante o processo produtivo, chamado
de depreciação ou amortização;

3. Remuneração pelo investimento feito.

3.1.2 Custo Fixo e Custo Variável


O custo total é a soma do custo fixo e do custo variável, definidos como:

• Custo fixo: é a parte do custo que não varia com a quantidade produzida. Exemplos: aluguel,
contador, segurança, etc.

• Custo variável : é a parte do custo que varia com a quantidade produzida. Exemplos: insumos
variáveis, mão-de-obra, etc.

Nota: a classificação de um custo como fixo ou variável depende do horizonte temporal da análise
(no longo prazo todos os custos são variáveis).

3.1.3 Outros Tipos de Custos


Custo afundado ou custo irrecuperável é um custo fixo que uma vez feito, é perdido. Ou seja, uma
vez realizado, a firma não tem como recuperá-lo.
Exemplo: se uma loja resolve reformar o seu espaço fı́sico de um modo que não pode ser aproveitado
por nenhum outro comércio, isso é um custo irrecuperável.
Um outro tipo de custo é o quase fixo. Esse custo somente é realizado se a firma decide produzir
uma quantidade positiva do bem. Se ela produz zero, não gasta nada desse custo. Se ela produz
qualquer quantidade, ela gasta um valor fixo. Por isso o nome de quase fixo.

3.1.4 Notação
Vamos supor que alguns fatores estão fixos. Vamos denotar as demandas e os preços dos fatores
fixos pelo superescrito f e vamos denotar as demandas e os preços dos fatores variáveis pelo
superescrito v.
Notação: w = (wv , wf ) e x = (xv , xf ), onde wv , wf , xv , xf são vetores e wx, wv xv , wf xf
representam a multiplicação de vetores termo a termo.

17
3.1.5 Dividindo CT em CF e CV
A função custo total (CT) de curto prazo pode ser escrita como a soma dos custos variáveis (CV)
e dos custos fixos (CF) da firma:
f f
c(w, y; xf ) = wv xv (w, y; xf ) + |w{z
x}
| {z }
custo variável custo fixo

Portanto,
CT = CV + CF,
onde:

• Custo Variável (CV ): cv (y) = wv xv (w, y; xf ): é o custo que depende da quantidade pro-
duzida.

• Custo Fixo (CF ): CF = wf xf : é o custo que não depende da quantidade produzida.

3.1.6 Custo Médio (CM e) e Custo Marginal (CM g)


1. Custo Médio (CM e): é o custo total dividido pela quantidade produzida: CM e = y1 c(w, y; xf ):
custo médio por unidade produzida. O custo médio pode ser decomposto em dois outros
custos médios:

• Custo Variável Médio (CV M e): É o custo variável médio de produção, y1 wv xv (w, y; xf ) =
1
c (y).
y v

• Custo Fixo Médio (CF M e): é o custo fixo médio de produção, y1 wf xf = y1 CF .

2. Custo Marginal (CM g): é o acréscimo no custo ao se produzir mais uma unidade adicional
∂c
do bem final: CM g = ∂y = c0 (y) = c0v (y).

3.1.7 Observações
• O custo médio (CM e) é portanto igual ao custo variável médio (CV M e) mais o custo fixo
médio (CF M e), por definição.

• A integral do custo marginal de 0 a y mede o custo variável de produção dessas y unidades


do produto.

• Todos esses custos são custos de curto prazo. Vamos discutir a geometria dessas curvas de
custo de curto prazo.

18
3.2 Geometria das Funções Custos
3.2.1 Custos Médios
Para quantidades pequenas de produção, boa parte dos custos totais são custos fixos.
Para nı́veis altos de produção, esses custos fixos são diluı́dos e irão compor uma parte menor dos
custos totais.
⇒ o formato mais comum para a curva de custo médio é um U, como ilustra a figura abaixo.

Custos
6
Predominam efeitos Predominam efeitos
dos Custos Fixos dos Custos Variáveis
CM e

- y

3.2.2 Relação entre CM e, CF M e e CV M e


A curva de custos médios é a soma da curva de custo variável médio mais a soma da curva de
custo fixo médio:
CM e = CV M e + CF M e
A curva de custo fixo médio é sempre decrescente, e se aproxima de zero quando a produção
aumenta. Ou seja, para nı́veis mais altos de produção, a curva de custos variáveis médios se
aproxima da curva de custo médio total. A figura a seguir ilustra esse ponto.

Custos
6

CM e

CV M e

CF M e
-
y

19
3.2.3 Relação entre CM e e Rendimentos de Escala
Vimos anteriormente que se a tecnologia apresenta RCE, então a função custo pode ser escrita
como uma função linear da quantidade produzida:

c(w, y) = yc(w, 1).

⇒ O custo médio da firma é o mesmo para qualquer nı́vel de produção da firma (e é sempre igual
ao custo marginal, qualquer que seja o nı́vel de produção).
Observações:

1. Se a firma possui RCrE, o custo médio será decrescente.

2. Se a firma possui RDE, o custo médio será crescente.

Tipo de Rendimentos de Escala Forma da Curva de CM e


Decrescentes Crescente
Constantes Horizontal
Crescentes Decrescente

3.2.4 Relação com o Gráfico Anterior


Para a parte em que a curva de custo médio decresce, a tecnologia apresenta rendimentos crescentes
de escala.
Com o aumento do nı́vel de produção, é de se esperar que algum fator se torne escasso, virando
um fator fixo.
Nesse caso, o custo médio se tornará crescente, refletindo rendimentos decrescentes de escala a
partir desse nı́vel de produção. Essa relação é resumida na tabela acima.

Custos
6
Predominam efeitos Predominam efeitos
dos Custos Fixos dos Custos Variáveis
CM e

Nesta região de produção Nesta região de produção


predominam RCrE predominam RDE

-
y

20
3.2.5 Importância do Custo Médio
O custo médio é fundamental na determinação da viabilidade econômica e financeira de uma
empresa.
Exemplo: Se a receita média (as receitas da firma divididas pelas unidades produzidas e vendidas,
que no caso da firma competitiva é igual ao preço do produto) é maior que o custo médio, a empresa
obtém uma receita maior que a necessária para cobrir seus custos totais. Se a receita média é
igual ao custo médio, a empresa consegue cobrir exatamente todos seus compromissos. Se a tarifa
de receita média é menor que os custos médios, a empresa tem perdas financeiras.

3.2.6 Relação entre CM e e CM g


A curva de custo marginal possui uma relação importante com a curva de custo médio, descrita
pela proposição abaixo.
Proposição: A curva de custo marginal está abaixo da curva de custo médio quando esta é
decrescente e acima da curva de custo médio quando esta é crescente. As duas curvas se cruzam
no ponto mı́nimo da curva de custo médio.
Essa propriedade é intuitiva. Imagine a seguinte situação. Foram corrigidas dez provas de microe-
conomia, e a média dessas provas é sete. Se a nota da próxima prova é 8 (nota marginal acima da
nota média), então a nota média sobe com a inclusão dessa nova prova.

Custos
6
CM g CM e

-
y

3.3 Custos de Longo Prazo


3.3.1 Custo Médio de Longo Prazo
No longo prazo, todos os fatores são variáveis. Vimos anteriormente a seguinte relação entre o
custo de longo prazo e o custo de curto prazo:
c(y) = ccp (y; x2 (y))
Suponha que o insumo 2 esteja fixo no curto prazo em x2 = x̄2 . Suponha também que essa
quantidade de insumo 2 seria a quantidade que a firma escolheria no longo prazo se desejasse
produzir ȳ unidades do bem final. Para esse valor, as duas curvas de custo são iguais:
c(ȳ) = ccp (ȳ; x2 (ȳ))

21
3.3.2 Curto Prazo e Longo Prazo
Para qualquer outro nı́vel de produção, o custo de longo prazo vai ser menor do que o custo de
curto prazo, já que a firma pode ajustar o insumo 2 no longo prazo (e no curto prazo, não).
Essa relação se mantém válida para as curvas de custo médio de curto prazo e de longo prazo, já
que o custo médio é apenas o custo total dividido pelo nı́vel de produção.
Podemos ilustrar a relação entre custo médio de curto prazo e custo médio de longo prazo na
figura a seguir.

Custos
6

CM eCP CM eLP

-
ȳ y

3.3.3 Custo Médio de Longo Prazo


Mais precisamente, a curva de custo médio é a envoltória inferior de todas as curvas de custo
médio de curto prazo, onde cada curva de custo médio de curto prazo é obtida ao variarmos o
valor do insumo fixo.
A relação c(y) = ccp (y, x2 (y)) deixa esse ponto claro: cada nı́vel do insumo fixo corresponde a
algum nı́vel ótimo que seria escolhido no longo prazo, para a quantidade certa de produção. A
figura a seguir ilustra esse ponto.

Custos
6
Curvas de CM eCP para
três nı́veis do insumo fixo

CM eLP

-
y

22
3.3.4 Poucos Valores para o Insumo Fixo
Se a o insumo fixo pode apenas assumir uma quantidade limitada de valores, então a curva de
custo médio passa a ter um formato menos suave, mas continua sendo a envoltória das curvas de
custo médio de curto prazo.
A figura abaixo ilustra a curva de custo médio de longo prazo para uma situação onde o insumo
fixo pode tomar apenas três valores no longo prazo (por exemplo, imagine que esse insumo é
o tamanho do galpão que a firma pode alugar, e no longo prazo existem apenas três tamanhos
possı́veis).

Custos
6

CM eLP quando o insumo fixo pode ter apenas três nı́veis

A curva de CM eLP é a parte hachurada mais grossa

-
y

3.3.5 Custo Marginal de Longo Prazo


O custo marginal de longo prazo, para o caso onde o insumo era fixo e agora pode assumir qualquer
valor, é apenas a curva de custo marginal obtida da função custo de longo prazo.
Ela será menos inclinada do que qualquer curva de custo marginal de curto prazo, refletindo o
fato de que no longo prazo é mais barato produzir o bem final, já que a firma pode ajustar todos
os fatores de produção.

3.3.6 Poucos Valores do Insumo Fixo


No caso descrito acima, onde a firma pode escolher para o insumo fixo apenas três valores no longo
prazo, a curva de custo marginal de longo prazo é dada pelas três seções descontı́nuas das curvas
de custo marginal de curto prazo que correspondem às seções da curva de custo médio de curto
prazo que por sua vez geram a curva de custo médio de longo prazo. A figura abaixo ilustra esse
caso.

23
Custos
6 CM eLP e CM gLP para três nı́veis do insumo fixo

XXX @
R
@
z A curva de CM gLP
X são
- as três partes
hachuradas mais grossas

-
y
3.3.7 Custo Marginal de Longo Prazo
Para o caso onde o insumo fixo pode assumir uma infinidade de valores, a curva de custo marginal
terá um formato convencional.
A figura abaixo ilustra um exemplo de curvas de custo médio e custo marginal tanto para o longo
prazo como para o curto prazo (estamos desconsiderando complicações técnicas que podem surgir
quando existem mais de dois insumos fixos no curto prazo).
Custos
6

CM gCP CM eCP CM gLP


CM eLP

-
y
ȳ a escolha de longo prazo do
Note que para o nı́vel de produção ȳ, onde insumo fixo é a mesma
que o valor em que o insumo está fixo, a curva de custo médio de longo prazo é igual à curva de
custo médio de curto prazo e a curva de custo marginal de longo prazo é igual à curva de custo
marginal de curto prazo

3.3.8 QUESTÕES DA ANPEC


RESOLVER: Questão 4 - Exame 2006; Questão 3 - Exame 2004; Questão 5 - Exame 2002;
Questão 4 - Exame 2001; Questão 5 - Exame 2000.
Questões mais antigas: Questão 7 - Exame 1995; Questão 13 - Exame 1994; Questão 8 - Exame
1993; Questão 5 - Exame 1992; Questão 10 - Exame 1991; Questão 8 - Exame 1990.

3.3.9 Leitura sugerida:


• Varian, capı́tulos 18 (Tecnologia), 20 (Minimização de Custos), 21 (Curvas de Custo).

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