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MÓDULO IV

A FAMÍLIA, A ESCOLA E O EDUCANDO COM TDAH

Capítulo 4 – O compromisso da família e escola 4.1. A

Família

A família é o primeiro espaço de afeto, de segurança e de alteridade. Daí


constituir--se num primeiro espaço de educação para a cidadania porque é a
instância matriz da socialização na vida das crianças. A família tem papel importante
na formação das crianças, visto que é o primeiro grupo social com que convivem
(GENTILE, 2006). Os valores dos pais vão lhes sendo transmitidos de forma gradual
e natural, colaborando então com a formação de seus princípios, valores, caráter e
modo de ver a vida (KEMP, 2000).
A legislação em vigência assegura a todos os cidadãos direitos que
favorecem o seu desenvolvimento e bem estar. Pinheiro (2006) afirma que grande
parte dos comportamentos inadequados das crianças com TDAH são mantidos pela
falta de habilidade da família em lidar com os sintomas do transtorno, ou seja, o
TDAH não é o único causador dessas condutas, a falta de limites também pode
agravar esse tipo de comportamento.

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O mesmo autor afirma que para treinar essas habilidades existe o Programa
de Treinamento dos Pais (PTP), que é voltado para responsáveis por crianças com
problemas de comportamento. Este tipo de treinamento, junto a uma abordagem
comportamental, intervenções multidisciplinares, terapêuticas e a medicação
adequada são indicadas em grande parte dos casos, principalmente quando só o
medicamento não é suficiente.
O tratamento de crianças com TDAH exige um esforço coordenado entre os
profissionais das áreas médica, saúde mental e pedagógica, em conjunto com os
pais. A criança com TDAH geralmente viola as regras, negligencia tarefas
domésticas, opõe-se às tarefas de casa e definitivamente perturba a paz.
Rocha (2009) identificou que pais de crianças com TDAH precisam de
assessoria para o desenvolvimento de habilidades pessoais consideradas essenciais
para a interação social, tanto no âmbito familiar como extrafamiliar, e de habilidades
sociais específicas para proverem o desenvolvimento dos filhos.
Para Ritter (2009), existem alguns princípios que os pais podem trabalhar com
seus filhos para melhorar o comportamento deles, seus relacionamentos sociais e o
ajuste geral em casa. Os pais devem:

a) Compreender que é necessário ter um conhecimento correto


do distúrbio e suas complicações.
b) Ser coerentes, previsíveis em suas ações e mostrar apoio às
crianças em suas interações diárias.
c) Manter-se numa posição de intermediação entre a escola e
outros grupos.
d) Dar instruções positivas.
e) Cuidar para que seus pedidos sejam feitos de maneira
positiva ao invés de negativa.
f) Recompensar amplamente o comportamento adequado.
Crianças com TDAH exigem respostas imediatas, frequentes,
previsíveis coerentemente aplicadas ao seu comportamento.
g) Planejar adequadamente.

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h) Aprender a reagir aos limites de seu filho de maneira positiva
e ativa. As regras devem ser claras e concisas. Atividades ou
situações nas quais já ocorreram problemas devem ser
evitadas.
i) Punir adequadamente, porém compreendendo que a punição
só trará uma modificação de comportamento para a criança
com TDAH, se acompanhada de uma estratégia de controle.

É importante mencionar as considerações de Goldstein e Goldstein (2009),


que apresentam quatro passos para um bom desempenho dos pais em relação à
criança com TDAH:
Primeiro Passo: O conhecimento e a compreensão são os
passos iniciais. É necessário compreender o comportamento da
criança, e ter consciência se este comportamento é causado
pelo transtorno ou não. É importante observar o mundo a partir
da visão dela, para que não haja reações de impulso ou
desânimo, fatores estes que poderão atrapalhar o
desenvolvimento da criança.

Segundo Passo: Saber distinguir desobediência de


incapacidade. A desobediência acontece quando o indivíduo
decide agir sem se importar com as consequências. Já a
incapacidade ocorre quando este indivíduo não tem as
habilidades necessárias para atender ao que lhe foi imposto.
Ambas devem ser tratadas de maneiras distintas, a
desobediência deve ser contida com firmeza e precisão e a
incapacidade com o desenvolvimento da habilidade necessária.

Terceiro Passo: Atuar de forma positiva, evidenciando o que


quer que a criança faça e não o que ela não deve fazer. É
necessário corrigir com firmeza, falar para a criança o que é

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correto fazer e esperar o resultado. Depois desse resultado
será possível diferenciar se o comportamento da criança é
causado pela desobediência ou pela incapacidade, para a partir
daí atuar de forma correta.
Quarto Passo: Promover o sucesso a partir das intervenções.
Corrigir de forma breve, firme e sempre elogiar um
comportamento de superação. Quando a criança compreende e
adquire uma habilidade, ela conserva essa mudança positiva
de comportamento.

O envolvimento entre os pais e a criança com TDAH necessita ser algo


constante, sólido, verdadeiro e consciente. Cada atuação positiva é um passo
relevante para que a criança adquira habilidades que possam favorecê-la no futuro.
Rohde e Mattos (2003) ressaltam que os pais não podem tentar resolver
todos os problemas de uma só vez, é necessário destacar prioridades, escolher um
ou dois comportamentos que mais incomodem e focalizar nestes até que os mesmos
sejam superados. Após atingir o resultado desejado, os pais gradualmente devem ir
resolvendo os outros aspectos que também precisam de atenção.

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4.1.1. Dicas para família

A família pode elaborar algumas situações que favorecem o desenvolvimento


da criança com TDAH, dentre elas pode-se elencar:

Organização do espaço - Aquela bagunça no quarto pode ser feito


um combinado que será arrumado dois dias por semana em um horário
estipulado. Você até pode ajudar, mas não fique chamando a atenção ou
criticando a bagunça. Apenas dê uma forcinha e não se esqueça de respeitar
os horários para fazer parte da rotina que é tão complicada para seu filho.
Esquecimentos do material - Para o esquecimento do material
combine a checagem inicialmente duas vezes por semana antes de sair de
casa. Mas é importante ir aumentando os dias até completar a semana.
Atividades escolares - direcione um horário para a realização da
atividade de modo compartilhado, participe, colabore.
Situações cotidianas - Os pais devem estar preparados para fornecer
consequências imediatas para o comportamento da criança.
Limites - Respeite os limites de concentração da criança. Se ele
produz mais com intervalos maiores entre períodos de apenas 10 minutos de
estudo, os deveres devem ser organizados dessa maneira. Evite fazê-lo
estudar por mais tempo do que ele consegue.

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Planejamento - ajudar a planejar coisas é importantíssimo
principalmente quando o dever escolar for a leitura de um livro. Deve-se
estabelecer os dias para a leitura, porém deverá ser cumprido os horários.
Não somente com as tarefas escolares que é preciso agir dessa maneira,
mas também com a mesada, os planos para as férias e outros.
Lembretes - use um mural para afixar lembretes, listas de coisas a
fazer, calendários de provas. Também coloque algumas regras que foram
combinadas e promessas de prêmios quando for o caso.
Regras - estabeleça regras e limites dentro de casa.
Descanso - alguns portadores de TDAH precisam de um cochilo
durante o dia para recarregar sua bateria, outros de passear com o cachorro,
outros de passar o final de semana fora, outros de fazer ginástica ou futebol.
Motivação - nunca esqueça os elogios.

A família deve trabalhar com TDAH, auxiliando em seu tratamento e não


esquecer em momento algum da imposição dos limites, pois a criança vive em uma
sociedade onde as regras. É importante que a família tenha a certeza que o TDAH
merece atenção, carinho e compreensão, para que seu mundo preto e branco possa
ter um colorido especial.

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4.2. A Escola

A escola deve oferecer condições para que o aluno com TDAH possa
acompanhar a turma, mesmo havendo a necessidade de modificar a proposta
pedagógica, tendo em vista que a instituição deve propor meios para se adaptar as
necessidades desses educandos e não o contrário. Para Santos (1999, p. 43), a
escola e a família, devem estreitar os laços:

As famílias precisam se aproximar da escola não apenas


comparecendo a reuniões de pais ou participando de
Conselhos Escola-Comunidade através de representantes, mas
é preciso que ela se inteire mais diretamente no processo
educacional acadêmico dos seus filhos, ajudando-os a
aprender [...].

Percebe-se que para trabalhar com o educando TDAH, é indispensável à


criação de um vínculo de confiança entre família e docente. Esta criança necessita
sentir-se compreendida, acolhida e aceita em suas dificuldades, principalmente em

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casa e na escola. Nestes ambientes ela precisa encontrar o apoio e o respeito
necessário para a superação de todos os obstáculos que terá que enfrentar. De
acordo com Silva (2009), o primeiro passo para facilitar a vida escolar do aluno com
TDAH deve partir da instituição escolar juntamente com a família, devendo ambas
desenvolver um trabalho em parceria. Em seguida a escola deverá desenvolver um
conjunto de medidas para atuar com essas crianças, educando-as e aprimorando
suas habilidades.
Com base nessas considerações, percebe-se que a escola, por sua vez,
precisa abrir suas portas às famílias, de fato e de direito, não alimentando uma
relação hierárquica e autoritária ou assumindo papel de juiz ou cobrador da família,
mas, sobretudo, ampliando o espaço de participação, respeitando o desejo desta e
auxiliando-a a se informar para crescer numa relação mais igualitária. Pois, só com o
estabelecimento de uma relação nesse nível é que as propostas educacionais,
especificamente aquelas voltadas para as pessoas com necessidades educativas
especiais, relativas à formação de cidadãos, poderão se concretizar.
Nesse sentido, a partir do reconhecimento do poder público brasileiro sobre a
importância da participação da família no desempenho escolar do filho, o Ministério
da Educação e Cultura (MEC) lançou uma campanha de mobilização nacional, com
o objetivo de sensibilizar e conscientizar a sociedade em geral para o valor da
integração entre pais e escola. Intitulada como o Dia Nacional da Família na Escola,
a campanha vale-se da experiência que comprova que o interesse dos pais pelo
sucesso dos filhos é fator relevante para a melhoria do rendimento do aluno.
Para Rohde (2003), alunos com TDAH necessitam de uma estrutura externa
bem definida, já que tem dificuldades com a organização e o planejamento. A sala
de aula deve ser bem estruturada, preferencialmente com um número pequeno de
alunos, propõe-se uma organização que seja dinâmica e flexível, que facilite o
processo ensino-aprendizagem e a participação ativa de todos os envolvidos nesse
processo. A sala deve ser arrumada de modo a haver bom acesso e boa visibilidade
para todos.

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O aluno com TDAH deverá sentar-se próximo ao professor, no meio de
colegas tranquilos e que possam ajudá-lo e distante de janelas ou portas,
dificultando assim a frequente distração. Devem ser supervisionados e ajudados na
organização do lugar de trabalho, do material, das escolhas e do tempo a ser
destinado para uma atividade.
Quanto às aulas, devem ter uma rotina diária e clara, com períodos de
descanso definidos. As regras, expectativas, instruções e orientações devem ser
dadas de forma direta, clara e curta. Estabelecer consequências razoáveis e
realistas para o não cumprimento de tarefas e regras combinadas. Certificar-se que
as atividades são estimuladoras e que os alunos compreendam a relevância da
lição. Adotar uma atitude positiva, como elogios e recompensas para
comportamentos adequados, especificando e reforçando positivamente aquilo que
fazem certo Rohde (2003).
Ainda de acordo com a ideia de Rohde (2003), o professor pode reduzir o
trabalho escrito ao necessário como: não fazer a criança recopiar o trabalho; permitir
que o aluno copie as anotações de seus colegas ou do professor; aceitar tarefas
digitadas ou gravadas e reforçar todo o bom trabalho da criança. No fator baixa
estima deve-se regularmente salientar os pontos fortes e os esforços do aluno;
incentivar a realização das atividades, pois aumenta a energia e a produtividade;
desenvolver atração por novidades estimulando assim a criatividade e colocar em
evidência a conduta correta da criança e não os seus erros.
Segundo Reis e Camargo (2008), o trabalho pedagógico desenvolvido com
crianças portadoras de TDAH deve ser significativo, participativo e questionador,
sendo necessário motivar e envolver os aprendizes, afim de que eles não busquem
durante as aulas atividades paralelas que liberem a sua criatividade e energia.

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4.3. Educador e educando: parceria nas ações propostas

Fazer educação inclusiva implica,


entre outras coisas, trabalhar com
diversidade e,sobretudo, com alunos
portadores de direitos especiais. Frei
Betto

De acordo com Rohde e Mattos (2003) o educador para trabalhar com o


educando com TDAH precisa conhecer e entender o significado de transtorno e
saber distinguir os comportamentos inadequados, apresentados por crianças
desobedientes e limitações causadas pelo TDAH. É importante que o professor
perceba a criança com TDAH como uma pessoa que tem potencial que poderá ou
não se desenvolver, e reconheça sua responsabilidade sobre o resultado final desse
processo.
Para os autores o docente precisa suprir as necessidades específicas do
educando com TDAH e ao mesmo tempo se esforçar para não deixar de atender aos
demais alunos da sala, isto é, o educador tem o desafio de corresponder as
necessidades individuais favorecendo assim que todos tenham seus direitos
assegurados.
Nessa perspectiva, reporta-se as orientações dos estudiosos da educação
que direcionam sua atenção para a importância da formação continuada, como
Nóvoa (2004), Perrenoud (2002), M0rin (1996) e outros. Segundo esses autores é
possível perceber que a preparação do professor é o que lhe dará suporte em suas
atuações, e a partir do conhecimento sobre a realidade do educando ele saberá
conduzir sua prática pedagógica. Segundo Libâneo (2005, p.33):

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Pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da
prática educativa, direta ou indiretamente ligada à organização
e aos processos de transmissão e assimilação de saberes e
modos de ação, tendo em vista objetos de formação humana
previamente definida em sua contextualização histórica.

Em consenso com o autor pode-se compreender que a intervenção direta dos


educadores na inclusão de alunos com TDAH é bastante relevante, principalmente
diante da resistência de alguns em aceitar que o aluno com esse transtorno
necessita de um acompanhamento individualizado, com propostas pedagógicas e
avaliações diferenciadas. É fundamental que o professor organize momentos para
estudos, debates, trocas de experiências, fazendo com que os diferentes
profissionais envolvidos com a escola possam atualizar-se, identificando os canais
de comunicação receptivos para a aprendizagem do aluno com TDAH, abrangendo
a valorização de todas as áreas do desenvolvimento humano (afetiva, motora, social
e cognitiva) e não apenas a área cognitiva.
Benczik (2002) destaca algumas características que o professor precisa ter,
ou pelo menos precisa adquirir para colaborar com as necessidades do aluno com
TDAH:
Ser democrático, solícito e compreensivo;
Criar um vínculo de amizade, ser otimista e empático;
Corrigir de maneira rápida, consistente;
Não deixar transparecer raiva nos momentos das correções;
Ser organizado, saber administrar o tempo e elaborar vários tipos de
atividades;
Ser objetivo e capaz de buscar recursos para auxiliar seu aluno no
alcance das metas.

Phelan (2005) afirma que as crianças com TDAH são muito apegadas com
seus professores, e esta aproximação pode causar efeitos tanto positivos como

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devastadores. Para que esta relação tenha apenas bons resultados é necessário
que o professor conheça o seu aluno, para saber como intervir de forma eficaz e
consciente.
De acordo com Rohde e Mattos (2003), o professor precisa estipular uma
rotina clara, bem estruturada, com regras e limites que direcionem o que o educando
precisa fazer diariamente. O docente também precisa compreender que a criança
com TDAH apresenta uma necessidade maior de estimulação, porém estes
estímulos não podem ser exagerados, precisam ser dosados para que ela não crie
uma dependência.
Nota-se que o professor precisa encontrar inúmeros recursos, caminhos e
estratégias para fazer com que o aluno com TDAH consiga se concentrar, manter a
atenção e aprender. Este profissional também precisa dosar suas emoções para
saber lidar com seu aluno nos momentos que em que os sintomas prevalecem.
O professor deve mudar os estilos de apresentação das aulas, tarefas e
materiais para ajudar a manter o interesse da criança, otimizando a atenção e a
concentração do aluno, sendo importante ainda o estabelecimento e a manutenção
do vínculo escola/família. O professor deve estar em sintonia com os pais para que
possam orientar e trabalhar com a criança hiperativa. Para atuar com os educandos
com o TDAH é necessário:

Propor atividades que façam sentido para o aluno;


Estabelecer e organizar rotinas de trabalho;
Privilegiar trabalhos curtos, realizando uma tarefa por vez;
Oferecer sempre ao aluno o retorno positivo sobre seu desempenho,
para mantê-lo focado na atividade escolar; Estimular a comunicação;

Cooperar nas suas atividades;


Trabalhar em consonância com a família;
Permitir que o aluno faça sugestões;
Estimular a organização do tempo e do material de trabalho;

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Utilizar tecnologias que despertem o interesse e mantenham o foco de
atenção;
Evitar tarefas monótonas e repetitivas;
Evitar tarefas extremamente longas, como, por exemplo, pedir ao
educando que copie da lousa um texto demasiadamente extenso;
Utilizar a afetividade e o interesse do aluno na construção do currículo;
Compartilhar tarefas e estimular trabalhos em grupo.

Santos (2009) traz sugestões para Intervenções do Professor para ajudar a


criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula:

Deve-se proporcionar uma boa estrutura, organização e constância (exemplo:


sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários,
regras claramente definidas).

Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do


professor, na parte de fora do grupo.

Encorajar frequentemente, elogiar e ser afetuoso, para que os alunos não


desanimem facilmente.

Procurar dar responsabilidades que possam cumprir fazendo com que se


sintam necessárias e valorizadas.

Iniciar sempre com tarefas simples e gradualmente mudar para mais


complexas.

Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de


madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma
atitude.

Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer


oportunidades sociais.

Trabalhar em grupos pequenos, buscando atingir melhores resultados


acadêmicos, comportamentais e sociais.

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Manter comunicação com os pais, pois geralmente, eles sabem o que
funciona melhor para o seu filho.

Proporcionar mudança do ritmo ou o tipo de tarefa com frequencia para


eliminar a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a
atenção, e isso vai ajudar a autopercepção.

Dar oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria,


levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as
plantas ou dar de comer ao mascote da classe.

Reconhecer as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH, fazendo


adaptações necessárias. (Exemplo: se a atenção é muito curta, não deve
esperar concentração em uma única tarefa)

Dar recompensa pelo esforço, persistência e o comportamento bem sucedido


ou bem planejado.

Trabalhar com exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da


comunidade.

Avaliação continua sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela


mesma e sobre os outros ajuda bastante.

Proporcionar contato aluno/ professor, permitindo um “controle” extra sobre o


aluno na execução da tarefa, possibilitando oportunidades de reforço positivo
e incentivo para um comportamento mais adequado.

Colocar limites claros e objetivos; tendo uma atitude disciplinar equilibrada e


proporcionar avaliação frequente, com sugestões concretas e que ajudem a
desenvolver um comportamento adequado.

Fornecer instruções claras, simples e dadas uma de cada vez, com um


mínimo de distrações.

Não segregar o aluno que talvez precise de um canto isolado com biombo
para diminuir o apelo das distrações.

Fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de


um lugar de castigo.

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Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como
exercícios de alongamento ou isométricos.

Proporcionar intervalos previsíveis sem trabalho que o aluno pode ganhar


como recompensa por esforço feito, aumentando o tempo da atenção
concentrada e o controle da impulsividade através de um processo gradual de
treinamento.

Perceber se há isolamento nas atividades recreativas barulhentas, pode


indicar dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma intervenção
adicional.

Preparar com antecedência para as novas situações, pois tem sensibilidade


em relação às suas deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.

Trabalhar com métodos variados (som, visão, tato), entretanto, novas


experiências envolvem muitas sensações (sons múltiplos, movimentos,
emoções ou cores), e provavelmente irá precisar de tempo extra para
completar a tarefa.

Reconhecer que os alunos com TDAH necessitam de aulas diversificadas,


modificando o programa para que o aluno senta conforto.

Ter comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola, ele é a


melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.

Também é necessário que o professor realize pesquisas sobre TDAH, com o


intuito de melhorar a aprendizagem dos alunos que apresentam esse déficit,
traçando estratégias para que os mesmos não e sintam entediados e não
atrapalhem o andamento das aulas, o professor poderá:

Substituir as aulas monótonas aulas mais estimulantes que venham prender a


atenção do aluno.
Utilizar recursos variados que não são habituais na sala de aula (informática,
experiências, construção de maquetes, atividades desafiadoras de criar,
construir e explorar.
Procurar trazer os alunos para perto do quadro, podendo acompanhar melhor
o processo educativo, se está conseguindo acompanhar o ritmo, ou se é
necessário desacelerar um pouco.

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Fazer um roteiro das atividades do dia, para que o aluno perceba as regras
pré-definidas e que todos devem cumpri-las.
As tarefas devem ser curtas, para que ele consiga concluir a tarefa e não pare
pela metade, o que é muito comum.
Não utilizar cores muito fortes na sala e na farda como amarelo e vermelho,
cores fortes tendem a deixar os alunos mais agitados, excitados e menos
atentos. Procure colocar tons mais neutros e suaves.
Possibilitar a saída do aluno algumas vezes da sala para levar bilhetes, pegar
giz em outra sala, ir ao banheiro, assim estará evitando que ele fuja da sala
por conta própria.
Elogiar o bom comportamento e as produções, ajudando a elevar sua
autoestima.

Utilizar uma agenda de comunicação entre pais e escola, evitando que as


conversas se deem apenas em reuniões.
Aproveitar as aulas de educação física como auxílio na aprendizagem dos
alunos que parecem ter energia triplicada (ginástica ajuda a liberar a energia
que parece ser inesgotável, melhora a concentração com exercícios
específicos, estimula hormônios e neurônios, a distinguir direita de esquerda
já que possuem problemas de lateralidade que prejudicam muito sua
aprendizagem).

Por meio das orientações e estratégias citadas o professor poderá melhorar o


desenvolvimento tanto do aluno como da turma, uma vez que todos irão se adaptar
ao novo trabalho realizado em sala de aula. Partindo desse pressuposto o currículo
das escolas precisa se expandir para incluir o desenvolvimento de potencialidades,
diferenças, valores, atitudes e de caráter dos alunos, sendo as práticas educativas
examinadas regularmente, para eliminar aquelas que impedem aos alunos as
oportunidades de exercer ativamente seu papel na sociedade.

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