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SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

SESSÃO SOLENE
DE INSTALAÇÃO
DO ANO JUDICIÁRIO
DE 2011
SESSÃO DE 1º DE FEVEREIRO DE 2011

BRASÍLIA – 2011
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Ministro Antonio CEZAR PELUSO (25-6-2003), Presidente

Ministro Carlos Augusto AYRES de Freitas BRITTO (25-6-2003), Vice-Presidente

Ministro José CELSO DE MELLO Filho (17-8-1989)

Ministro MARCO AURÉLIO Mendes de Farias Mello (13-6-1990)

Ministra ELLEN GRACIE Northfleet (14-12-2000)

Ministro GILMAR Ferreira MENDES (20-6-2002)

Ministro JOAQUIM Benedito BARBOSA Gomes (25-6-2003)

Ministro Enrique RICARDO LEWANDOWSKI (16-3-2006)

Ministra CÁRMEN LÚCIA Antunes Rocha (21-6-2006)

Ministro José Antonio DIAS TOFFOLI (23-10-2009)


Diretoria-Geral
Alcides Diniz da Silva

Secretaria de Documentação
Janeth Aparecida Dias de Melo

Coordenadoria de Divulgação de Jurisprudência


Leide Maria Soares Corrêa Cesar

Seção de Padronização e Revisão


Rochelle Quito

Seção de Distribuição de Edições


Maria Cristina Hilário da Silva

Fotografias
Carlos Humberto Lins, Fellipe Bryan Sampaio
Gervásio Carlos Baptista e Nelson Gontijo Resende Júnior

Capa e Diagramação: Jorge Luis Villar Peres

Supremo Tribunal Federal — Biblioteca Ministro Victor Nunes Leal


Brasil. Supremo Tribunal Federal (STF).
Sessão solene de instalação do Ano Judiciário de 2011
[recurso eletrônico] : (1º-2-2011) / Supremo Tribunal
Federal. – Brasília : Secretaria de Documentação,
Coordenadoria de Divulgação de Jurisprudência, 2011.

Modo de acesso: World Wide Web: <http://www.stf.


jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=publicacaoPu
blicacaoInstitucionalAberturaAno>

1. Poder judiciário, Brasil. 2. Tribunal supremo,


Brasil. I. Brasil. Supremo Tribunal Federal (STF), sessão
solene. II. Título.

CDD-341.419104
O Presidente do Supremo
FOTO Tribunal Federal, Ministro
Cezar Peluso, cumprimenta
a Presidente da República,
Dilma Rousseff.

Plenário do Supremo Tribunal Federal, durante a sessão.


Ministro Cezar Peluso, Presidente do
Supremo Tribunal Federal.

O Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Cezar


Peluso, e a Presidente da República, Dilma Rousseff, ao
término da sessão.
SUMÁRIO

Palavras do Excelentíssimo Senhor Ministro Cezar Peluso,


Presidente do Supremo Tribunal Federal ............................... 7

Discurso do Excelentíssimo Senhor Ministro Cezar Peluso,


Presidente do Supremo Tribunal Federal ............................... 9
Palavras do Excelentíssimo Senhor Ministro
CEZAR PELUSO,
Presidente do Supremo Tribunal Federal
O Senhor Ministro Cezar Peluso (Presidente) —
Esta sessão especial destina-se à abertura do Ano Judiciário de
2011.

Convido os presentes a celebrarem o Hino Nacional.

(Execução do Hino Nacional.)

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___________________________________________
Discurso do Excelentíssimo Senhor Ministro
CEZAR PELUSO,
Presidente do Supremo Tribunal Federal
___________________________________________
O Senhor Ministro Cezar Peluso (Presidente) —
Cumprimento e agradeço a presença da Excelentíssima Senhora
Presidente da República, Dilma Rousseff; dos Excelentíssimos
Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal de ontem e de
hoje; do Excelentíssimo Presidente do Superior Tribunal de Justiça,
Ministro Ari Pargendler, em nome de quem agradeço a presença dos
Ministros dos Tribunais Superiores; do Excelentíssimo Presidente
do Superior Tribunal Militar, Ministro Carlos Alberto Marques
Soares, em nome de quem cumprimento todos os membros da
Justiça Militar; do Excelentíssimo Presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, Ministro Milton de Moura França, na pessoa de quem
saúdo todos os membros da Justiça do Trabalho; do Excelentíssimo
Ministro de Estado da Justiça, José Eduardo Cardozo, na pessoa
de quem cumprimento os demais Ministros de Estado presentes;
dos Conselheiros do Conselho Nacional de Justiça; do Procurador-
-Geral da República, Doutor Roberto Monteiro Gurgel Santos, em
nome de quem agradeço aos membros do Ministério Público da
União, dos Estados e do Distrito Federal; do Senhor Advogado-Geral
da União, Ministro Luís Inácio Lucena Adams; do Presidente do
Tribunal de Contas da União, Ministro Benjamin Zymler, em nome
de quem cumprimento os demais Ministros daquele Tribunal; do
Defensor Público-Geral Federal, Doutor José Rômulo Plácido Sales;
do Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil, Doutor Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, em nome de quem
agradeço a presença dos senhores advogados; do Presidente do
Barreau de Paris, bâtonnier Jean Castelain, na pessoa de quem
cumprimento a delegação francesa; do Presidente do Tribunal de
Justiça do Distrito Federal e Territórios, Desembargador Otávio
Augusto Barbosa, em nome de quem cumprimento todos os
membros dos Tribunais de Justiça; do Presidente do Colégio
Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça, Desembargador
Marcus Antonio de Souza Faver, em nome de quem agradeço aos
demais Presidentes dos Tribunais de Justiça; do Vice-Presidente,
no exercício da Presidência, do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo, Desembargador Armando Sérgio Prado de Toledo; do
Secretário da Reforma do Judiciário, interino, Doutor Marcelo Vieira
de Campos; dos Presidentes das Associações da Magistratura
e demais representantes da classe; das demais autoridades,
servidores desta e de outras Cortes; Senhoras e Senhores.

Desde 2004, por iniciativa do então Presidente


desta Corte, Ministro Maurício Corrêa, o Ano Judiciário é aberto
solenemente, em cerimônia à qual emprestam especial significado

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e importância os mais altos representantes dos outros dois Poderes
da República.

Honra-nos, hoje, com sua presença, a Excelentíssima


Senhora Presidente da República, Dilma Rousseff, a quem
cumprimento em nome desta Casa.

A sessão preparatória de posse e de prestação


de compromisso dos congressistas, para a 54ª legislatura, nesta
manhã e no mesmo horário, impede a presença dos Senhores
Presidentes da Câmara e do Senado, Deputado Marco Maia e
Senador José Sarney, os quais, em honrosas mensagens escritas,
nos saúdam e desejam bom sucesso na empresa que ora se inicia.

Quero dirigir-me hoje aos meus pares, aos chefes


dos outros Poderes e, sobretudo, ao cidadão, que é o objeto e o
destinatário último de toda ação do Poder Público.

Não foram poucas as autoridades de diferentes


áreas do conhecimento e de atuação que se referiram ao terceiro
milênio como o século do Judiciário.

E assim também eu o estimo, porque as crises


e controvérsias de toda ordem, nestes tempos de globalização,
liberalismo econômico e afirmação crescente de uma sociedade
plural e democrática, já tinham exigido que o Estado Administrador
e o Estado Legislador se reorganizassem e capacitassem para
realizar o bem comum, em velocidade mais próxima daquela que
pauta a agenda das demandas da sociedade. Ficava, pois, ao Estado
Juiz, por iniciativas próprias, mas em arranjo harmônico, aviar o
que fosse necessário para distribuir justiça mais ampla, adequada,
efetiva e em tempo razoável.

Estou convicto de que o estamos fazendo, sem


perda de tempo. Nossos movimentos têm sido ágeis, porém
seguros. As palavras de ordem que nos têm governado são:
“modernização responsável e comprometimento com a cidadania”.
Operamos aquilo que, não sem razão, alguém já denominou de
revolução silenciosa do Judiciário brasileiro.

Nisto foi instrumento catalisador de mudanças a


criação do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, como órgão de

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controle externo da magistratura e, em particular, de promotor de
significativos projetos para a vida judiciária nacional.

No dia 7 de dezembro de 2010, durante o IV


Encontro Nacional do Judiciário, no Rio de Janeiro, antecedeu-lhe
à votação das metas para 2011, o balanço de cumprimento das
dez estabelecidas no ano anterior. O resultado médio de alcance
dessas metas, em percentual anunciado de 50%, é auspicioso para
a Justiça de país como o Brasil, com tantas diversidades regionais,
e que conta com 16,1 mil magistrados para processamento e
apreciação de 14 milhões de ações ajuizadas só durante 2010,
desconsiderados os acervos ainda por vencer. Como exemplo,
pelo menos sete Tribunais de Justiça – e isto merece relevo –,
no que respeita à meta “1” (julgamento de todos os processos
de conhecimento distribuídos em 2010, mais uma parcela do
estoque), cumpriram-na em 100%. Do ponto de vista financeiro,
o aprimoramento da administração e da gestão permitiu recuperar
para o erário cerca de 50% do que foi gasto por toda a máquina
da Justiça (19,3 bilhões, em números absolutos).

São inegáveis, pois, não só o esforço extraordinário


de que deram prova juízes e tribunais, mas, acima de tudo, o
empenho, a sinergia e o entusiasmo que comprometeram a todos
na prestação da tutela jurisdicional, sob as múltiplas dimensões
em que essa tarefa se desdobra. Foi preciso boa dose de coragem
para reconhecer fragilidades, confessar desacertos, confrontar
carências, e propor-lhes remédios viáveis, calcados em experiências
controladas e possibilidades não temerárias, nem aventureiras.

O Supremo Tribunal Federal, em 2010, ostentou


desempenho extremamente animador em termos de resposta aos
apelos da sociedade por mais efetividade na prestação jurisdicional.

Foram distribuídos em 2010 apenas 41.098


processos, em oposição aos 106.128 feitos registrados em 2007,
o que representa média de 311 processos/mês para cada Ministro.
Em 2007, a média foi de 804 processos/mês.

Ao final do exercício, o STF chegou à marca de


88.701 feitos em tramitação, enquanto fato histórico para a Corte
que, depois de onze anos, alcança acervo processual de menos
de 90 mil processos.

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Esses e outros consideráveis resultados obtidos
em 2010, testemunhos de desempenho singular, nem sempre
reconhecido, em favor do cidadão, constituem produto direto da
introdução de medidas concebidas, formuladas e negociadas pelo
Judiciário, como, por exemplo, a sistemática da Repercussão Geral,
que possibilitou, em pouco mais de três anos de vigência, alteração
significativa do perfil dos julgamentos da Corte.

A regulamentação regimental e a aplicação


desse instituto foram decisivas para o fortalecimento do papel
constitucional do Supremo, para o aprimoramento do processo
decisório e para a unificação da inteligência de matérias relevantes.
Além disso, o trabalho conjunto com os outros tribunais, em clima
de frutuosa cooperação, tem sido crucial para administração do
sistema e seus resultados práticos.

Ao lado da Repercussão Geral, os avanços do


processo eletrônico, no âmbito desta Suprema Corte, são
fundamentais à atividade judiciária. Desde 2009, quando teve início
o peticionamento eletrônico, são já catorze as classes de ações
processadas, obrigatoriamente, por esse meio.

O processo eletrônico tornou-se programa


institucional do STF. O objetivo é aproximar, integrar e inserir
todos os seus agentes (partes, advogados, tribunais, PGR, AGU,
defensorias e procuradorias, entre outros), na práxis de gestão
judiciária automática, simples, inteligente e, sobretudo, mais
célere e econômica. O escopo do programa vai muito além da
mera digitalização dos processos; é tornar eletrônicas todas as
suas fases: os peticionamentos, a tramitação, as comunicações e
a finalização.

E, neste passo, não regateio elogio à Ordem dos


Advogados do Brasil – OAB. O apoio dessa instituição que, até o
final do ano passado, já havia emitido mais de 30 mil certificados
digitais e oferecido, gratuitamente, quase 1.500 vagas em cursos
de capacitação, triplicou, em 2010, o número de advogados aptos
a atuar virtualmente, com possibilidade de acesso aos feitos de
todos os Estados e atuação nas Cortes superiores, sem os custos
de deslocamento físico.

Devo, ainda, reconhecer a não menor importância


da coparticipação da Procuradoria-Geral da República, da Advocacia-

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-Geral da União, das Procuradorias e Defensorias Públicas, que se
comprometeram nessa empreitada comum rumo à modernidade.

Outra valiosa diretriz que tem orientado a atuação


da Corte é a prioridade que, atribuída aos processos da área
criminal, conduziu às primeiras condenações em ações penais
originárias, depois da Constituição de 1988.

Merece também especial registro a forte atividade


de diplomacia judiciária que este Supremo Tribunal Federal
vem empreendendo, num contexto em que, com indiscutível
reconhecimento de entidades homólogas e de círculos acadêmicos,
se apresenta hoje menos como importador que exportador de lições
e modelos estruturais de Justiça.

Nos dias 16, 17 e 18 de janeiro último, o Brasil foi


o anfitrião da II Conferência Mundial sobre Justiça Constitucional,
realizada no Rio de Janeiro, e que contou com a presença de mais
de 350 pessoas na condição de presidentes e representantes de
Cortes Constitucionais de todo o mundo, demonstrando, mais
uma vez, a clara importância que assumiu o País nas relações
internacionais. Organizada pelo STF, em parceria com a Comissão
de Veneza, a Conferência debateu o tema “A Separação de Poderes
e as Cortes Constitucionais”, sob o ângulo de três eixos centrais
de reflexão para o destino da democracia: independência das
cortes constitucionais, independência dos juízes constitucionais e
procedimentos operacionais das cortes constitucionais.

Coube-me a honra de presidir o evento, o qual,


além de contar com as presenças dos Ministros Gilmar Mendes e
Ricardo Lewandowski, foi abrilhantado com a do Excelentíssimo
Senhor Vice-Presidente da República, Michel Temer.

Relato com orgulho a surpresa dos partícipes


estrangeiros perante alguns aspectos da vida judiciária brasileira,
tais como a transparência com que os julgamentos são conduzidos,
televisionados em tempo real pela TV Justiça, o desempenho
extraordinário da Justiça Eleitoral e a existência do Conselho
Nacional de Justiça – CNJ.

De todos, porém, o que mais nos surpreendeu e


admirou, provocando declarações públicas de reconhecimento
do fato como expressão maiúscula do amadurecimento do nosso

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Estado Democrático de Direito, da democracia representativa e
da consciência política dos chefes dos Poderes, foi a revelação da
existência dos Pactos Republicanos, como peculiar mecanismo de
aprimoramento de nossa ordem jurídica.

E é à luz e na reminiscência desse reconhecimento


internacional, que me dirijo agora, com muita reverência, aos
chefes do Poder Executivo e do Poder Legislativo, para lhes exaltar
a participação concertada e decisiva para o aperfeiçoamento da
Justiça e do ordenamento jurídico, na celebração dos Pactos
Republicanos.

Sua primeira edição deu-se após a promulgação


da Emenda Constitucional 45 e teve por objetivo fundante a
construção de um Judiciário mais rápido e mais sensível às
demandas da cidadania. Dele advieram notáveis contribuições
para a celeridade processual, como a aprovação dos institutos da
Repercussão Geral e da Súmula Vinculante.

A segunda edição foi assinada em abril de 2009


e representou a união dos três Poderes em torno do ideal de um
sistema de Justiça mais acessível e efetivo, dotado de ferramentas
capazes de promover a dignidade da pessoa humana.

Em 2010, no âmbito do Pacto, foi sancionada a Lei


12.322, que, com profunda repercussão na velocidade dos ritos
processuais, alterou o Código de Processo Civil quanto à disciplina
do recurso de agravo.

O fim da 53ª legislatura coincidiu com a conclusão


dos trabalhos do II Pacto. Além das diversas leis promulgadas
sob sua égide, vários projetos encontram-se em fase avançada
de tramitação.

Na Câmara dos Deputados, mencionam-se o PL


4.723/2004, que estabelece a uniformização da jurisprudência no
âmbito dos Juizados Especiais Cíveis; o PL 4.230/2004, que prevê
a remição da pena criminal por tempo de estudo; o PL 4.208/2001,
que cria novas medidas cautelares no processo penal; e o PL
3.443/2008, que altera a lei de combate à lavagem de dinheiro.

No Senado Federal, são de realçar o PLS 77/2002,


que institui a Certidão Negativa de Créditos Trabalhistas, e o PLC

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317/2009, que faculta ao STF julgar recursos extraordinários
tempestivos que envolvam casos com ampla repercussão social,
ainda que inadmissível por causa formal que a Corte não repute
grave.

Além dos projetos do Pacto, o Supremo Tribunal


Federal participou efetivamente dos debates sobre o Projeto de Lei
do Senado 156/2009, que institui o novo Código de Processo Penal.

Também no âmbito da Corte, foram colhidos


subsídios para o PLS 166/2010, que reforma o Código de Processo
Civil.

Senhora Presidente, tomo a liberdade de lançar aqui,


de modo formal, a ideia de firmarmos o III Pacto Republicano, para,
em substância, dar continuidade ao processo de aprimoramento da
ordem jurídica e consolidar a modernização da máquina judiciária.

Alguns temas já começam a amadurecer, como a


modificação da natureza dos recursos extraordinários, para efeito
de lograr razoável duração das causas judiciais e restaurar a certeza
do Direito e a credibilidade da Justiça. Com estrito respeito a todas
as garantias constitucionais, como o duplo grau de jurisdição, a
ampla defesa, a coisa julgada e os demais princípios inerentes à
cláusula do devido processo legal, tal proposta tende a eliminar,
entre muitos outros inconvenientes, manobras processuais que
retardam o cumprimento de sentenças e impedem o exercício de
um dos direitos mais fundamentais dos cidadãos, aliás, objeto
agora de ostensiva regra constitucional: o acesso a uma Justiça
rápida e eficiente.

Confortado pelo apoio público já manifestado por


Vossa Excelência, reitero, ainda, a proposta, que avancei em meu
discurso de posse como Presidente da Corte, da criação, em nosso
território, possivelmente com apoio de organismos internacionais,
de uma universidade multidisciplinar que tenha por objeto a
segurança pública e o desenvolvimento social. Seu propósito magno
é o de gerar massa de reflexões acadêmicas para abrir perspectivas
de ação no combate à criminalidade e à pobreza, com os recursos
de diferentes áreas de especialização.

Ainda na linha cooperativa, assinamos, em


dezembro passado, convênio com o governo do Estado do Rio de

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Janeiro e o Ministério da Justiça, para, completando e disseminando
a atuação estatal, assegurar a presença de juízos e serviços
judiciários, ao lado de promotorias de justiça e da defensoria
pública, nas chamadas Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs.
Trata-se de experiência inovadora e poderosa nas virtualidades,
que tenta levar o Estado e a cidadania plena às favelas do Rio de
Janeiro, sem prejuízo de se desenhar como eventual modelo de
resposta às demandas das periferias carentes das grandes capitais.

As perspectivas do Poder Judiciário, para este


ano de 2011, são ambiciosas. Mas, sozinhos, não poderemos
concretizá-las na plenitude de suas forças. Não é por acaso que
a Constituição prescreve, como afirmação, programa e tarefa,
que os Poderes são independentes, mas não podem deixar de
ser harmônicos entre si. Se assim tem sido neste já algo longo
período de estabilidade político-democrática, que é também obra
inegável da atuação do Judiciário, a quadra histórica pede-nos um
passo além na construção, não apenas de uma nova consciência
cívica, mas sobretudo de uma revigorante cultura de solidariedade,
interação e respeito institucionais entre os Poderes, nos limites que
nos outorga a Constituição da República.

É mister reafirmar, mediante ações concretas, as


duas inseparáveis dimensões republicanas conciliadas no seu texto:
a independência do Judiciário, que não abre mão desse predicado
que constitui a essência de suas atribuições constitucionais, e a
convivência harmônica dos Poderes. Independência, está claro, não
é submissão, mas tampouco pode significar oposição sistemática.
E a proclamação da harmonia, sobre figurar perceptível exigência
da fecundidade das ações práticas, convoca os Poderes para busca
permanente de entendimento ordenado ao desenvolvimento
virtuoso da nação, entendido não apenas como progresso
econômico, mas como avanço social, educacional e cultural,
necessários à emancipação da sociedade em todos os planos
das potencialidades humanas. Afinal, é essa a razão mesma da
existência das instituições do Estado que nos cabe representar
neste momento histórico.

Senhora Presidente, ao finalizar, quero agradecer,


ainda uma vez, a honrosa presença de Vossa Excelência, que,
no ato de abertura do Ano Judiciário, traz o sentido simbólico da
confirmação da ideia de harmonia entre os Poderes. E, em nome
desta Suprema Corte, manifestar a fundada expectativa de que,

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sem prejuízo da indeclinável independência, possamos manter uma
relação marcada sob o signo do diálogo, da compreensão mútua e
da disposição permanente para o elevado entendimento que nos
pedem os superiores interesses da pátria.

Declaro abertos os trabalhos do Ano Judiciário de


2011. Muito obrigado.

Esta solenidade, que honra o Poder Judiciário da


Nação, integrará a história e os anais do Tribunal.

Cumprida a sua finalidade, declaro encerrada a


sessão de abertura do Ano Judiciário de 2011 e peço a todos que
permaneçam em seus lugares até a retirada da Corte e de todas
as autoridades que compõem a Mesa.

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