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Leia o soneto de Gregório de Matos para responder às questões de 1 a 5.

Texto 1

Rompe o poeta com a primeira impaciência querendo


declarar-se e temendo perder por ousado
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente, Ser
Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que não a cortara


De verde pé, de rama florescente? E
quem um Anjo vira tão luzente, Que por
seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares,


Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,


Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
MATOS, Gregório de. In: DIAS, Ângela Maria (Org.). Gregório de Matos: sátira.
Rio de Janeiro: Agir, 1985. p. 121-122. (Coleção Nossos Clássicos.)

1 O soneto trata do sentimento do eu lírico por Angélica, descrita por meio de imagens na
primeira estrofe. Identifique-as e explique o que simbolizam.
2 Ainda na primeira estrofe, o autor “funde” as imagens que utilizou para referir-se a Angélica.
Transcreva as passagens em que se verifica essa “fusão”.

• De que maneira essa combinação de elementos é desenvolvida no poema?


3 Como você viu, na linguagem barroca, nada é nomeado de forma simples e direta. Imagens e
expressões metafóricas são utilizadas com frequência nos textos desse período. Considerando os
aspectos analisados nas questões anteriores, responda: a linguagem utilizada permite identificar o
soneto como barroco? Por quê?
4 Na segunda estrofe, o eu lírico recorre a outras imagens, derivadas das anteriores, para
demonstrar o tipo de sentimento que o amor pela jovem desperta nele. Explique.

Nas duas últimas estrofes, o eu lírico conclui seu raciocínio. Qual o sentido do primeiro
5 terceto e como se relaciona à estrofe anterior?

• O segundo terceto, por sua vez, traz uma oposição em relação ao primeiro. Explique como essa
oposição é apresentada e de que maneira altera a imagem angelical que, até então, caracterizava
a jovem.
Florente: que floresce, florido. Uniformara-se: combinara-se, unira-se.
Rama florescente: ramos floridos.
Luzente: que brilha.
Custódio: que guarda, protege.
Galharda: elegante.
Pesares: sofrimentos.
O poema a seguir serve de base para as questões de 6 a 9. [
.
Texto 2 .
]
MATOS, Gregório de. In: SPINA,
Segismundo.
Ato de Contrição depois de se confessar A poesia de
[...] Gregório de
Matos. São
Bem sei, meu Pai Soberano, Paulo: Edusp,
1995.
Que na obstinação sobejo, (Fragmento).
p. 119-120.
Corri, sem temor nem pejo, Pelos
caminhos do engano:
Bem sei, Senhor, que o meu dano
Muito vos tem agravado; Ato de contrição: prece feita pelo
cristão para expressar o
Porém venho confiado arrependimento de seus pecados.
Em vossa graça e amor, Que tão Obstinação: teimosia, apego às
bem sei que é maior, Senhor, próprias ideias.
Sobejar: exceder os limites, ser demasiado.
do que o meu pecado. Pejo: vergonha. Dano: corrupção pessoal,
usado aqui no sentido de pecados
cometidos.
Bem não vos amo, confesso, Agravar: ofender.
Várias juras proferi, Proferir: dizer.
Missa inteira nunca ouvi, Apetecer: desejar. Luxurioso: sensual,
lascivo, que se entrega aos prazeres da
A meus pais não obedeço, carne.
Matar alguns apeteço, Outrem: outra pessoa.
Chagas: feridas. “... as santas / correntes
Luxurioso pequei, do vosso lado”: referência ao sangue que
Bens do próximo furtei, escorre das chagas de Cristo, ferido no lado
do corpo pelos golpes de lança de um
Levantei falsos às claras, fariseu.
Desejei mulheres raras, Cousas
de outrem cobicei.

Para lavar culpas tantas


E ofensas, Senhor, tão feias,
São fontes de graça cheias
Essas chagas sacrossantas;
Sobre mim venham as santas
Correntes do vosso lado;
Para que fique lavado
E limpo nessas correntes,
Comunicai-me as enchentes Da
graça, meu Deus amado.

6 O poema caracteriza o momento em que


um pecador arrependido pede perdão a
7 Deus. Que elementos dão ao poema um
caráter religioso?
Segundo a religião católica, os fiéis pecam
quando contrariam os mandamentos da lei
de Deus. São eles:
1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar Seu santo nome em vão.
3. Guardar domingos e festas.
4. Honrar pai e mãe.
5. Não matar.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtar.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.
a) Quais mandamentos o eu lírico confessa ter contrariado?
b) Transcreva os versos em que o eu lírico apresenta o argumento com o qual jus-tifica merecer o perdão
de Deus.
c) Diante de tantos pecados, por que ele confia na possibilidade do perdão?
Em textos literários, o pecado é às vezes associado à imagem da sujeira, que se opõe à limpeza dos puros
de coração. Releia a última estrofe e identifique o verbo que simboliza o perdão dos pecados.
• Segundo o eu lírico, o que tem o poder de eliminar todos os seus pecados?
Um campo semântico é o conjunto formado por palavras que se referem a um mesmo conceito ou ideia.
No poema, vários termos relacionados ao campo semântico da água são usados na última estrofe.
Identifique-os.
8
• Explique de que modo eles reforçam a ideia de perdão.