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3 aula Agosto de 2016

CONSTRUÇÃO DE GRÁFICOS I: Papel Milimetrado


Objetivos: Construção de tabelas e gráficos, escalas especiais para construção de
gráficos e ajuste de curvas à dados experimentais.

3.1 Construção de Tabelas e Gráficos

Após a realização de um experimento, geralmente temos em mãos um conjunto de dados que podem
ser apresentados em tabelas e/ou gráficos. As tabelas e os gráficos devem ser construídos na forma mais
clara possível para quem lê o trabalho de forma que se tenha uma interpretação correta dos dados.
Na construção de gráficos devemos obedecer às seguintes regras gerais:

a) Escolha a área do papel com tamanho adequado;

b) Os eixos devem ser desenhados claramente. A variável dependente geralmente estará no eixo
vertical, eixo y, e a variável independente no eixo horizontal, eixo x;

c) Marque nos eixos as escalas, escolhendo divisões que resultem em fácil leitura de valores
intermediários (por exemplo, divida de 2 em 2 e não de 7,7 em 7,7). Se possível, cada um dos
eixos deve começar em zero;

d) Escolher as escalas de maneira a não obter um gráfico mal dimensionado;

e) Colocar título e comentários → é conveniente que uma pessoa observando o gráfico, possa
entender do que se trata este gráfico, sem recorrer ao texto.

f) Colocar a grandeza a ser representada e sua unidade, em cada eixo coordenado.

g) Marque cada ponto do gráfico cuidadosamente e claramente, escolhendo para isto um símbolo
adequado e de tamanho facilmente visível (por exemplo, um círculo ou um quadrinho com um
ponto no centro).

3.2 Construção de uma Escala Linear

Para construir uma escala linear em um certo segmento de reta (chamado de eixo), deve-se conhecer,
inicialmente o tamanho deste segmento (L). Deve-se conhecer a diferença entre os valores máximo e mínimo
da grandeza medida. Essa diferença será representada por “D”. Dividindo-se “L” por “D”, obtém-se uma
certa constante denominada de módulo da escala (Mod).
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Por exemplo, considere a tabela a seguir para ser marcada em uma escala linear de 18 cm de
comprimento.

Força (N) 4 9 20 26 32

O intervalo das medidas é D = 32 – 4 = 28 N e o comprimento do eixo é L = 18 cm. Portanto, o


modulo da escala, é dado por: Mod = 18/28 = 0,6428 cm/N. Este resultado indica que cada unidade da força
será representada por um comprimento igual a 0,6428 cm. A escala deve ser construída, então, com
espaçamentos iguais de 0,6428 cm. Como se percebe, o módulo da escala acima é inconveniente para se
trabalhar e, portanto, adota-se um número melhor que facilite as marcações. Na escolha deste melhor número
para representar o módulo Mod, o arredondamento deverá ser sempre para menos e deve ser tal que seja
utilizado pelo menos 2/3 do comprimento L ( por razões estéticas). No exemplo acima, um número
conveniente para representar o módulo da escala seria 0,5 cm/N. Escalas do tipo 1:3, 1:7 e 1:9 devem ser
evitadas, pois dificultam a marcação de submúltiplos dos valores da escala.
Em tabelas onde o valor mínimo é próximo de zero, como no exemplo acima, é aconselhável incluir
o zero para efeito de cálculo do módulo Mod. Isto pode ser feito quando for necessária a apresentação da
origem da escala. Nestes casos, divide-se comprimento disponível L pelo valor máximo de grandeza: Mod =
18/32 = 0,5625 cm/N. Com d determinação do módulo, obtêm-se os comprimentos que representarão cada
uma das medidas da tabela.
No exemplo anterior considerando-se o módulo como 0,5cm/N, tem-se a correlação dada pela tabela
3.1.

Força (N) 4 9 20 26 32
Distância (cm) 2,0 4,5 10,0 13,0 16,0
Tabela 3.1 – Comprimento em cm que representa cada valor de Força.

Note que para obter o ponto correspondente à força, basta multiplicar o Mod pelo valor da força. É
tecnicamente errado, ao se montar o eixo da escala, representar nela as medidas da tabela. O que se usa fazer
é representar no eixo da escala pontos igualmente espaçados, marcando e destacando cada um deles. Indica-
se, abaixo de cada ponto, o valor respectivo da grandeza, sem, no entanto, sobrecarregar a escala com
excesso de números. Em suma, deve-se sempre observar o aspecto da escala, procurando construí-la de
modo a se ter uma boa visualização de seus valores.

3.3 Escalas Logarítmicas

Se o gráfico dos valores tabelados em uma experiência for uma curva, a sua função pode não ser de fácil
determinação. Algumas vezes, funções deste tipo podem ser determinadas pelo uso adequado dos papéis
logarítmicos: papel mono-logarítmico (mono-log) e o papel dilogarítmico (log-log). O papel mono-log
possui escala linear no eixo das abscissas e escala logarítmica no eixo das ordenadas. O melhor papel a ser
utilizado dependerá dos dados obtidos experimentalmente.
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Em alguns casos a escolha de uma escala inadequada na construção de um gráfico, pode indicar,
visualmente, uma informação confusa sobre o experimento. Veja o exercício 1.

3.4 Ajuste de curvas a dados experimentais – Método dos Mínimos Quadrados.

Consideremos duas grandezas que podem ser relacionadas, teoricamente, por uma função do 1 o grau,
cuja representação gráfica é uma reta.
Quando determinamos experimentalmente os dados (os quais estão sujeitos a erros de medidas) e
representamos as coordenadas cartesianas (x,y) no gráfico, verificamos que geralmente, os pontos não estão
perfeitamente alinhados, então, o nosso problema passa a ser o de determinar a equação, isto é, os
coeficientes angular e linear da melhor reta que se ajusta ao conjunto de dados experimentais.
Uma das maneiras de encontrar esta reta pode ser “a olho”. Neste método o observador deverá
ajustar a reta aos pontos a partir da observação visual. Este procedimento tem a desvantagem de
observadores distintos obterem retas com coeficientes angulares e lineares diferentes, já que a escolha é
subjetiva devida a interpretação de cada um.
Para evitar o critério individual na determinação da reta, torna-se necessário encontrar
matematicamente a “melhor reta ajustada”. Isto pode ser feito com o Método dos Mínimos Quadrados, no
qual podemos encontrar os coeficientes a e b de uma reta (y = ax +b) que se ajusta a N pontos
experimentais. Os coeficientes desta reta são:
N ( xi yi )  ( xi )  ( yi )
a
N ( xi2 )  ( xi ) 2

( yi )  ( xi2 )  ( xi yi )  ( xi )
b
N ( xi2 )  ( xi ) 2
Para exemplificar o uso do Método dos Mínimos Quadrados, resolva o exercício 3.

Nos gráficos cartesianos, a linha que une os diferentes pontos assinalados é uma curva que pode, em
alguns casos, ser representada por uma função conhecida. Logicamente, o gráfico mais fácil de ser traçado e
analisado (interpretado) é uma reta, portanto, é comum efetuar-se transformações nas variáveis, de modo a se
obter uma reta.

Numa escala linear (papel milimetrado), como já foi visto a distância entre os traços consecutivos
representa sempre o mesmo intervalo da grandeza a ser representada. Numa escala logarítmica, isto não
acontece. As distâncias entre os traços não são lineares, ou seja, o passo é variável. A escala logarítmica é
constituída de DÉCADAS. Uma década é uma escala contida em um comprimento L, iniciando pelo número
10N e terminando no número 10N+1, sendo N um número inteiro negativo, nulo ou positivo, isto é, N  Z .
Entre estes números são colocados os algarismos inteiros de 2 a 9, representando os múltiplos de 10 N.
Observações:
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No papel logaritmo, os pontos estarão representando os logaritmos dos números, portanto, para se
construir o gráfico basta marcar diretamente os pontos correspondentes aos valores de x e y nos eixos
logarítmicos. Então, a função do papel logaritmo é poupar o trabalho de se extrair os logaritmos de todos os
valores de x e y.

3.5 Papel Mono-log

Ao se deparar com um gráfico cuja curva obtida for do tipo y  y0e , pode-se fazer uma
ax

transformação aplicando o operador logaritmo em ambos os lados da expressão obtendo:

log ( y )  log( y0 )  a log(e) x . Dessa forma, transforma-se uma exponencial decrescente em uma reta do

tipo Y  A  Bx , sendo Y  log ( y ) , A  log( y0 ) e B  a log(e) . Note que y0 e a são, agora, facilmente

B
obtidos fazendo uso do gráfico dessa reta, onde B é a inclinação da reta, logo, a  e y0 é obtido por
log(e)
extrapolação da reta.

O coeficiente angular da reta Y  A  Bx é determinado por:

Y Y2  Y1 log( y2 )  log( y1 )
B    .
x x2  x1 x2  x1

Um exemplo da aplicação de papel log-log pode ser visto no exercício 01.

No papel logaritmo, os pontos estarão representando os logaritmos dos números, portanto, para se
construir o gráfico basta marcar diretamente os pontos correspondentes aos valores de x e y nos eixos
logarítmicos. Então, a função do papel logaritmo é poupar o trabalho de se extrair os logaritmos de todos os
valores de x e y.

As regras para construção de gráficos em escala logarítmica são as mesmas que foram colocadas em
Construção de Gráficos I, a menos no que diz respeito à escala dos eixos.

3.6 Papel Log-log

Utilização

do Papel Log-Log

Ao construir um gráfico em um papel milimetrado, e a curva obtida for do tipo y  ax k , onde a e k


são constantes a serem encontradas para que a função y(x) seja determinada, caso fosse possível construir um
gráfico de y em função de x k, que seria uma reta passando pela origem, a constante a seria determinada
através do coeficiente angular desta reta. No entanto, isto não é possível, pois, não conhecendo o valor de k,
não se pode obter os valores de xk. Para resolver esse problema, aplica-se o operador logaritmo em ambos os
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lados da expressão y  ax k , resultando log ( y )  log(a )  k log( x) . A expressão resultante será uma reta

do tipo Y  A  kX , sendo Y  log ( y ) , A  log(a ) e X  log( x) . Note que A e k são, agora, facilmente
obtidos fazendo uso do gráfico dessa reta: k é a inclinação da reta; A (e conseqüentemente a) é obtido
fazendo X = 0, o que implica x = 1, por extrapolação da reta.

O coeficiente angular da reta Y  A  kX é determinado por:

Y Y2  Y1 log( y2 )  log( y1 )
k   
X X 2  X1 log( x2 )  log( x1 )

3.7 Exercícios

1. Considere um carro inicialmente em repouso, partindo da posição inicial S 0 = 500m,


com uma aceleração constante de 2 m/s2 (MRUV). Neste caso, sua equação horária será:

1
S  S0  at 2  S  500  t 2
2

Obtendo o valor da posição para cada valor do tempo indicado tem-se a seguinte tabela:

Tempo t(s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Posição
500 501 504 509 516 525 536 549 564 581 600
S(cm)
Tabela 3.2 – Tempo x Posição.

Com os dados da tabela 3.2 foi construído o gráfico S x t, em duas escalas diferentes, indicados na
figura 3.1.

S(m) S(m)

1000 600

580
800

560
600

540
400

520
200

500

0
0 2 4 6 8 10 t(s) 0 2 4 6 8 10 t(s)

Figura 3.1 – Gráficos S x t – Escolha de uma escala adequada.

a) Em qual dos dois gráficos (os dois estão corretos) se observa melhor o resultado esperado?
Justifique sua resposta.
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2. Considere que a população de uma região varie linearmente conforme a função P(t) = 200t, onde
t é dado em anos. Construa, num mesmo papel milimetrado, dois gráficos Pxt em escalas
diferentes, de maneira que em um deles a população aparentemente aumente rapidamente e no
outro ela aumente lentamente.

3. Represente no gráfico y x x os pontos da tabela 3.3.

X(m) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Y(m) 10 14 17 18 19 20 25 26 27 31
Tabela 3.3 – Y versus X

a) Ajuste uma reta “a olho” aos pontos do gráfico e determine os coeficientes a e b desta. Compare
os valores encontrados com os de outros alunos.

b) Aplicando o Método dos Mínimos quadrados, determine a equação da reta que melhor se ajusta
aos pontos do gráfico. Represente esta reta no gráfico e compare com a reta ajustada “a olho”.

Objetivos: Linearizar funções usando o gráfico no papel monolog.

4. Num circuito RC – série (Resistor – Capacitor) a voltagem V c, em função do tempo t, para um


capacitor que esta descarregando é dado por:


t V0  é a voltagem inicial
Vc  V0 e c onde 
 c  R  C  é a constante de tempo capacitiva

a) Considerando V0  10V e  c  47s complete a tabela 3.2.

t(s) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200

Vc(V)
Tabela 3.2 – voltagem Vc x tempo t

b) Construa o gráfico Vc  t num papel milimetrado;

t
c) Linearize a equação V  V e  c .
c 0

d) Construa o gráfico Vc  t num papel mono-log (Vc na escala logarítmica e t na escala linear) e

determine o coeficiente angular desta reta para obter  c . Compare o valor de  c obtido no

gráfico com o valor dado  c  47 s


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5. a) Para um corpo em queda livre, partindo do repouso, a distância h em função do tempo t para

1 2
um dado referencial, onde h0  0 , varia de acordo com a expressão: h  gt .
2

b) Considerando g  10 m / s 2 e h  5t 2 , complete a tabela 10.1.

t(s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

h(m)
Tabela 10.1 – Distância h x tempo de queda t.

c) Construa o gráfico h x t num papel milimetrado;

d) Linearize a equação h  5t 2 , procedendo como no item A;

e) Construa o gráfico h x t num papel log-log e determine o coeficiente angular desta reta. Verifique
que o expoente da variável t, neste caso, é igual a 2.

Dica: Escreva os números em potências de 10 0, 101, etc. para descobrir a década correspondente no
gráfico; em seguida, marque no gráfico a parte que multiplica a potência correspondente.

Observação: Caso o papel log-log tenha somente duas décadas na vertical, despreze os dois primeiros
pontos da tabela.

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