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Habilidades de Vida e HIV / SIDA

Manual de Tronco Comum

Habilidades de Vida e
HIV-SIDA
Código: A0205

Universidade Católica de Moçambique (UCM)


Centro de Ensino à Distância (CED)
i

Direitos de autor (copyright)


Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Centro de
Ensino à Distância (CED) e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação e/ou
reprodução deste manual, no seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer
meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de
entidade editora (Universidade Católica de Moçambique – Centro de Ensino à Distância). O
não cumprimento desta advertência é passível a processos judiciais.

Elaborado Por: Aurélio Piano Luís Lourenço

Licenciado em Psicologia e Pedagogia

Universidade Católica de Moçambique (UCM)


Centro de Ensino à Distância (CED)
Rua Correia de Brito No 613 – Ponta-Gêa
Beira – Sofala

Telefone: 23 32 64 05
Cell: 82 50 18 440
Moçambique
Fax: 23 32 64 06

Habilidades de Vida e HIV-SIDA ii

E-mail: ced@ucm.ac.mz
Website: www.ucm.ac.mz

Agradecimentos
Á todos aqueles que tornaram possível este trabalho, que contribuíram directa ou
indirectamente, pessoas colectivas ou singulares, a todos sinceros agradecimentos.

ÍNDICE
Visão geral ix

iii

Bem vindo à Habilidades de Vida e HIV-SIDA ix


Objectivo do curso ix
Quem deveria estudar este módulo x
Como está estruturado este módulo x
Conteúdo do curso / módulo xi
Outros recursos xi
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação xi
Comentários e sugestões xi
Os Ícones xi
Habilidades de estudo xii
Precisa de apoio? xiii
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) xiv
Avaliação xv
Unidade N0 01-A 0205 16
Tema: Conceito de saúde 16
Introdução 16
Sumário 16
Exercícios 19
Unidade N0 02-A0250 20
Tema: Reprodução Humana 20
Introdução 20

Habilidades de Vida e HIV-SIDA iv

Sumário 20
Exercícios 22
Unidade N0 03-A0205 21
Tema: Historial do HIV-SIDA 21
Introdução 21
Sumário 21
Exercícios 22
Unidade N0 04-A0205 23
Tema: O Vírus HIV, Composição e Ciclo de Vida 23
Introdução 23
Sumário 23
Exercícios 24
0
Unidade N 05-A0250 25
Tema: Transmissão do HIV 25
Introdução........................................................................................................................ 25
Sumário 25

Exercícios 28
0
Unidade N 06-A0205 29
Tema: Sinais e Sintomas do HIV-SIDA 29
Introdução 29
Sumário 29
Exercícios 30
Unidade N0 07-A0205 31
Tema: Imunidade 31
Introdução 31
Sumário 31
Exercícios 33
Unidade N0 08-A0205 34
Tema: Medidas de Prevenção 34
Introdução.................................................................................................................................. 34
Sumário: 34
Exercícios 38
0
Unidade N 09-A0205 39
Tema: Tratamento do HIV-Sida 39
Introdução 39
Sumário 39

Habilidades de Vida e HIV-SIDA vi

Exercícios 41
0
Unidade N 10-A0205 42
Tema: ACONSELHAMENTO 42
Introdução 42
Sumário 42
Exercícios 44
Unidade N0 11-A0205 45
Tema: Saúde Reprodutiva 45
Introdução 45
Sumário 45
Exercícios 47
Unidade N0 12-A0205 48
Tema: Estratégias para promoção da saúde reprodutiva 48
Sumário 48
Exercícios 50
Unidade N0 13-A0205 51
Tema: Saúde Sexual Reprodutiva 51
Introdução 51
Sumário 51
Exercícios 52
Unidade N0 14-A0205 53
Tema: Direitos Reprodutivos 53
Introdução 53
Sumário 53
Exercícios 54
0
Unidade N 15-A0205 55
Tema: Direitos Sexuais 55
Introdução 55
Sumário 55
Exercícios 57
0
Unidade N 16-A0205 58
Tema: Adolescência 58
Introdução 58
Sumário 58
Exercícios 60

vii

Unidade N0 17-A0205 61
Tema: Sexualidade na adolescência 61
Introdução 61
Sumário 61
Exercícios 62
0
Unidade N 18-A0205 63
Tema: Sexualidade e Afectividade 63
Introdução 63
Sumário 63
Exercícios 64
0
Unidade N 19-A0205 65
Tema: Sexo e Género 65
Introdução 65
Sumário 65
Exercícios 67
Unidade N0 20-A0205 68
Tema: Direitos Sexuais e Reprodutivos da mulher 68
Introdução 68
Sumário 68
Exercícios 69
Unidade N0 21-A0205 70
Tema: aspectos da vulnerabilidade ao HIV relacionado a anatomia e fisiologia do corpo
feminino 70
Introdução 70
Sumário 70
Exercícios 71
Unidade N0 22-A0205 72
Tema: Habilidades de vida 72
Introdução 72
Sumário 72
Habilidades de vida 72
Exercícios 73
Unidade N0 23A0205 74
Tema: Influencia da cultura e os valores socio-culturais no comportamento sexual da
comunidade 74
Introdução 74

Habilidades de Vida e HIV-SIDA viii

Sumário 74
Exercícios 76
Unidade N0 24-A0205 77
Tema: A Polémica sobre o HIV e a AIDS 77
Sumário 77
A Polémica sobre o HIV e a AIDS 77
Exercícios 78
EXERCÍCIOS A RESOLVER 79
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 81
ix

Visão geral

Bem vindo à Habilidades de Vida e HIV-SIDA

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) tem se


configurado como a mais importante e devastadora epidemia
contemporânea. A partir da identificação dos primeiros casos, no início
da década de 1980, tem-se evidenciado franca disseminação pelo
mundo, configurando-se na pandemia da actualidade. Desde então,
tornou-se uma das condições clínicas mais pesquisadas em todo o
mundo, gerando desafios diversos à humanidade.

Duas décadas após ter sido identificada, a infecção pelo HIV e a


síndrome da imunodeficiência humana (SIDA) já matou,
aproximadamente, 19 milhões de pessoas, quase tanto quanto a gripe
espanhola, no início do século XX (20 milhões), e a peste negra, na
Idade Média (25 milhões). Se forem mantidos os índices de mortalidade
atuais, pelos próximos dez anos, O Sida terá matado mais do que a
Segunda Guerra Mundial, considerada a maior catástrofe do século XX.

Objectivo do curso

Quando terminar o estudo de Habilidades de Vida e HIV-SIDA, o estudante


deverá:
Habilidades de Vida e HIV-SIDA x

 - Reflectir sobre a problemática de saúde sexual reprodutiva;


 Gerir sua vida de forma saudável

Quem deveria estudar este módulo

Este módulo foi concebido para todos aqueles que frequentam os cursos à
distância, oferecidos pela Universidade Católica de Moçambique (UCM), através
do seu Centro de Ensino à Distância (CED).

Como está estruturado este módulo

Todos os módulos dos cursos produzidos por UCM - CED encontram-se


estruturados da seguinte maneira:

Páginas introdutórias

 Um índice completo.

 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os aspectos-chave


que você precisa conhecer para completar o estudo. Recomendamos vivamente
que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo.
Conteúdo do curso / módulo

xi

O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma introdução,


objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo actividades de
aprendizagem, um resumo da unidade e uma ou mais actividades para auto-
avaliação.

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista de


recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir livros,
artigos ou sites na internet.

Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação

Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade.


Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para desenvolver as tarefas,
assim como instruções para as completar. Estes elementos encontram-se no final
do módulo.

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários sobre a
estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários serão úteis para
nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / módulo.

Os Ícones

Os ícones usados neste manual são símbolos africanos, conhecidos por


adrinka. Estes símbolos têm origem no povo Ashante de África Ocidental,
datam do século XVII e ainda se usam hoje em dia.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA xii

Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a seguir, cada um


com uma descrição do seu significado e da forma como nós interpretámos
esse significado para representar as várias actividades ao longo deste
módulo.

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma
nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Habilidades de estudo

Caro estudante, procure olhar para você em três dimensões


nomeadamente: o lado social, profissional e estudante, daí ser importante
planificar muito bem o seu tempo.

Procure reservar no mínimo 2(duas) horas de estudo por dia e use ao


máximo o tempo disponível nos finais de semana. Lembre-se que é
necessário elaborar um plano de estudo individual, que inclui, a data, o
dia, a hora, o que estudar, como estudar e com quem estudar (sozinho,
com colegas, outros).

Evite o estudo baseado em memorização, pois é cansativo e não produz


bons resultados, use métodos mais activos, procure desenvolver suas
competências mediante a resolução de problemas específicos, estudos de
caso, reflexão, etc.
xiii

O manual contém muita informação, algumas chaves, outras


complementares, daí ser importante saber filtrar e apresentar a informação
mais relevante. Use estas informações para a resolução das exercícios,
problemas e desenvolvimento de actividades. A tomada de notas
desempenha um papel muito importante.

Um aspecto importante a ter em conta é a elaboração de um plano de


desenvolvimento pessoal (PDP), onde você reflecte sobre os seus pontos
fracos e fortes e perspectivas o seu desenvolvimento.

Lembre-se que o teu sucesso depende da sua entrega, você é o responsável


pela sua própria aprendizagem e cabe a ti planificar, organizar, gerir,
controlar e avaliar o seu próprio progresso.

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza de que por uma ou por outra situação, o material
impresso, lhe pode suscitar alguma dúvida (falta de clareza, alguns erros de
natureza frásica, prováveis erros ortográficos, falta de clareza conteudística, etc).
Nestes casos, contacte o tutor, via telefone, escreva uma carta participando a
situação e se estiver próximo do tutor, contacte-o pessoalmente.

Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o estudante ter
a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor, usando para o efeito os
mecanismos apresentados acima.

Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de problemas


específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa fase posterior contacte
Habilidades de Vida e HIV-SIDA xiv

o coordenador do curso e se o problema for da natureza geral, contacte a direcção


do CED, pelo número 825018440.

Os contactos só se podem efectuar, nos dias úteis e nas horas normais de


expediente.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a


oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste período pode
apresentar dúvidas, tratar questões administrativas, entre outras.

O estudo em grupo, com os colegas é uma forma a ter em conta, busque apoio
com os colegas, discutam juntos, apoiem-me mutuamente, reflictam sobre
estratégias de superação, mas produza de forma independente o seu próprio saber
e desenvolva suas competências.

Juntos na Educação à Distância, vencendo a distância.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e auto-


avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que
sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes do período presencial.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos
prazos de entrega , implica a não classificação do estudante. As trabalhos devem
ser entregues ao CED e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docentes.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os


mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor.O
xv

plagiarismo deve ser evitado, a transcrição fiel de mais de 8 (oito) palavras de


um autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade , humildade científica
e o respeito pelos direitos autorais devem marcar a realização dos trabalhos.

Avaliação

Você será avaliado durante o estudo independente (80% do curso) e o período


presencial (20%). A avaliação do estudante é regulamentada com base no
chamado regulamento de avaliação.

Os trabalhos de campo por si desenvolvidos , durante o estudo individual,


concorrem para os 25% do cálculo da média de frequência da cadeira.

Os testes são realizados durante as sessões presenciais e concorrem para os 75%


do cálculo da média de frequência da cadeira.

Os exames são realizados no final da cadeira e durante as sessões presenciais,


eles representam 60% , o que adicionado aos 40% da média de frequência,
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.

A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de: (a) admissão ao exame, (b) nota
de exame e, (c) conclusão do módulo.

Nesta cadeira o estudante deverá realizar: 3 (três) trabalhos; 2 (dois) testes


escritos e 1 (um) exame escrito.

Não estão previstas quaisquer avaliação oral.

Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizadas como


ferramentas de avaliação formativa.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA xvi

Durante a realização das avaliações , os estudantes devem ter em consideração: a


apresentação; a coerência textual; o grau de cientificidade; a forma de conclusão
dos assuntos, as recomendações, a indicação das referências utilizadas, o respeito
pelos direitos do autor, entre outros.

Os objectivos e critérios de avaliação estão indicados no manual. Consulte-os.

Alguns feedbacks imediatos estão apresentados no manual.


Habilidades de Vida e HIV-SIDA 16

Unidade N0 01-A 0205


Tema: Conceito de saúde

Introdução

Os conceitos de saúde e de doença são analisados em sua evolução histórica


e em seu relacionamento com o contexto cultural, social, político e económico,
evidenciando a evolução das ideias nessa área da experiência humana.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Conceituar saúde

Objectivos:
 Compreender a dificuldade em estabelecer um conceito único de
saúde

Sumário

Conceito de saúde
O conceito de saúde reflecte a conjuntura social, económica, política e cultural.
Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá
da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá
de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito
das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito. Houve época em que
masturbação era considerada uma conduta patológica capaz de resultar em
desnutrição (por perda da proteína contida no esperma) e em distúrbios mentais.
17

A masturbação era tratada por dieta, por infibulação, pela imobilização do


“paciente”, por aparelhos eléctricos que davam choque quando o pénis era
manipulado e até pela ablação da genitália. Houve época, também, em que o
desejo de fuga dos escravos era considerado enfermidade mental: a drapetomania
(do grego drapetes, escravo). O diagnóstico foi proposto em 1851 por Samuel A.
Cartwright, médico do estado da Louisiana, no esclavagista sul dos Estados
Unidos. O tratamento proposto era o do açoite, também aplicável à “disestesia
etiópica”, outro diagnóstico do doutor Cartwright, este explicando a falta de
motivação para o trabalho entre os negros escravizados. Real ou imaginária, a
doença, e sobretudo a doença transmissível, é um antigo acompanhante da
espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas. Assim, múmias
egípcias apresentam sinais de doença. Não é de admirar que desde muito cedo a
Humanidade se tenha empenhado em enfrentar essa ameaça, e de várias formas,
baseadas em diferentes conceitos do que vem a ser a doença (e a saúde).

Pode-se dizer que “Saúde é o estado do mais completo bem-estar físico, mental e
social e não apenas a ausência de enfermidade”.

Este conceito reflectia, de um lado, uma aspiração nascida dos movimentos


sociais do pós-guerra: o fim do colonialismo, a ascensão do socialismo. Saúde
deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações. Um conceito útil
para analisar os factores que intervêm sobre a saúde, e sobre os quais a saúde
pública deve, por sua vez, intervir, é o de campo da saúde (health field),
formulado em 1974 por Marc Lalonde, titular do Ministério da Saúde e do Bem-
estar do Canadá - país que aplicava o modelo médico inglês. De acordo com esse
conceito, o campo da saúde abrange:

_ a biologia humana, que compreende a herança genética e os processos


biológicos inerentes à vida, incluindo os factores de envelhecimento;

_o meio ambiente, que inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho;

_ o estilo de vida, do qual resultam decisões que afectam a saúde: fumar ou


deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios;
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 18

_ a organização da assistência à saúde. A assistência médica, o serviços


ambulatoriais e hospitalares e os medicamentos são as primeiras coisas em que
muitas pessoas pensam quando se fala em saúde. No entanto, esse é apenas um
componente do campo da saúde, e não necessariamente o mais importante; às
vezes, é mais benéfico para a saúde ter água potável e alimentos saudáveis do
que dispor de medicamentos.

Em 1946, talvez buscando uma terapêutica. Para o zeitgeist, Saúde é o estado de


completo bem-estar, físico, mental e social, e não meramente a ausência de
doença ou incapacidade.

O impasse da clínica da saúde


Pelos motivos que passo a expor nesta secção, considero que não há qualquer
base lógica para uma definição negativa da Saúde, tanto no nível individual
quanto no colectivo, mesmo em suas versões aparentemente mais avançadas e
completas. Analisemos essa questão primeiro em relação ao nível individual, o
que mais uma vez nos leva a revisitar as relações entre a Clínica e a
Epidemiologia.

Com vistas a uma formalização preliminar da Saúde no nível individual,


devemos considerar as seguintes proposições:

(a) “Nem todos os sujeitos sadios acham-se isentos de doença.”

(b) “Nem todos os isentos de doença são sadios.” Na prática clínica e na vida
quotidiana, identificamos com frequência indivíduos activos, social e
profissionalmente produtivos, sem sinais de comprometimento, limitação
funcional ou sofrimento, auto e hetero-reconhecidos como sadios, que no entanto
são portadores de doenças ou sofrem de agravos, sequelas e incapacidades
parciais, mostrando-se muitas vezes profusamente sintomáticos. Outros, ao
contrário, encontram-se infectados, apresentam comprometimentos,
incapacidades, limitações se sofrimentos sem qualquer evidência clínicas doença.
Além da mera presença ou ausência de patologia.
19

Exercícios
1 – Explica porquê é difícil conceituar a saúde?

Resposta: é difícil conceituar saúde porque ela reflecte a conjuntura


social, económica, política e cultural num certo espaço e tempo, classe
social pois, não representa a mesma coisa para todas as pessoas.

Auto-avaliação
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 20

Unidade N0 02-A0250

Tema: Reprodução Humana

Introdução
O processo de reprodução humana é aquele no qual o ser humano reproduz um
ser semelhante mantendo assim a espécie o que envolve em princípio uma
relação sexual entre um homem e uma mulher.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos  Descrever o processo de reprodução humana.

 Enumerar as principais mudanças decorrentes de uma gravidez.

Sumário

Reprodução Humana

Os óvulos
Desde o nascimento, a mulher já tem nos seus ovários cerca de 400 mil óvulos. A
maioria desses óvulos não será fecundada nem amadurecerá, permanecendo
inactiva dentro dos ovários. Cerca de 500 deles vão-se desprendendo, um a um, a
partir da primeira menstruação até a menopausa, que representa o fim da vida
reprodutiva da mulher.
21

Os ovários da mulher produzem, em geral, somente um óvulo maduro por mês. A


saída do óvulo é provocada pela acção das hormonas. O óvulo parece dar um
salto para fora do ovário, sendo colhido pelas fissuras da extremidade das
trompas uterinas, através de seus movimentos ondulatórios. Por ovulação
entendemos a saída de óvulo de dentro do ovário. Depois que sai do ovário o
óvulo tem pouco tempo de vida. É neste tempo que se ele se encontrar com
espermatozóide, pode ser fecundado.

O Processo de Fecundação
Durante uma relação sexual os milhões de espermatozóides que o homem deixa
na vagina sobem pelo útero a procura do óvulo. A fecundação dá-se
normalmente na porção externa tubárica que fica mais próxima do ovário.
Fundidos, óvulo e espermatozóide, se transformam numa célula-ovo que,
algumas horas depois, se divide em duas células menores. Mais tarde haverá uma
outra divisão celular, depois outra e assim sucessivamente, até que 5 dias após a
fertilização, essa bola de células chega ao útero. Do pequeno grupo de células
formado na parte da bola é que se desenvolverá um bebé.

Dai por diante o ovo se fixará no útero e ali vai-se desenvolver durante 9 meses
como se estivesse no ninho. Se não for fecundado o óvulo morre e é reabsorvido
pelo organismo ou espelido junto com as secreções vaginais.

Gravidez e Nascimento
Se antes da relação o casal não conversou sobre os métodos contraceptivos e
nem; tomou nenhuma precaução, poderá ocorrer uma gravidez.

Após a fecundação, a célula-ovo se desloca até ao útero onde se onde se fixa e se


desenvolve até ao momento do parto. Nesta fase, o ovo muda de nome: agora ele
é um embrião.

Quando completa um mês na barriga da mãe, mede cerca de um centímetro e


meio, já tem cabeça, intestino, cérebro e células do aparelho reprodutor.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 22

No fim do 2º mês, muda novamente de nome, passa a chamar-se de feto com 5


centímetros, mãos, pés, olhos e boca já estão formados.

Quando completa 3 meses a barriga da mãe fica mais visível. O feto começa a
mexer-se e já sabe abrir e fechar os olhos.

Exercícios
1 – A saída do óvulo no ovário é provocada pela acção das hormonas.
-Como se chama esse processo ?

Resposta: Chama-se ovulação que é a saída do óvulo de dentro do ovário.


Auto-avaliação
23

Unidade N0 03-A0205

Tema: Historial do HIV-SIDA

Introdução
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
tem se configurado como a mais importante e devastadora
epidemia contemporânea. A partir da identificação dos
primeiros casos, no início da década de 1980, tem-se
evidenciado franca disseminação pelo mundo,
configurando-se na pandemia da actualidade. Desde então,
tornou-se uma das condições clínicas mais pesquisadas em
todo o mundo, gerando desafios diversos à humanidade.

Sumário

Historial do HIV-SIDA
O HIV-1, ou HIV foi descoberto e identificado como causador do SIDA
(Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) por Luc Montagnier e Françoise
Barré-Sinoussi da França e Odete Ferreira de Portugal em 1983 no Instituto
Pasteur na França. O HIV-2 foi descoberto por Odete Ferreira de Portugal em
Lisboa em 1985. Uma minoria de cientistas continuam a questionar a conexão
entre HIV e a SIDA e até a existência do HIV (ver SIDA reappraisal), embora a
relação entre o vírus e o desenvolvimento da doença já seja bem estabelecida.

Sua descoberta envolveu uma grande polémica, pois cerca de um ano após
Montagnier anunciar a descoberta do vírus, chamando-o de LAV (vírus
associado à linfoadenopatia), Robert Gallo publicou a descoberta e o isolamento
do HTLV-3. Posteriormente se descobriu que o vírus de Gallo era geneticamente
idêntico ao de Montagnier, e que possivelmente uma amostra enviada pelo
francês havia contaminado a cultura de Gallo.
O último boletim da UNAIDS projecta cerca de 33,2 milhões de pessoas que

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 24

vivem com o HIV em todo o mundo ao final de 2007, a maioria na África.

Nos Estados Unidos, torna-se ilegal uma pessoa com HIV infectar
voluntariamente (transmissão criminosa do HIV) outra pessoa com o vírus.
Acontece o mesmo em muitos países ocidentais.

É provável que o vírus do HIV tenha vindo pelo contacto com o macaco que tem
o vírus SIV (há variações de teorias de como teria ocorrido, como testes
científicos). Depois de o vírus ter infectado o ser humano, sofreu mutações
genéticas. Nas pessoas portadoras de HIV, o vírus pode ser encontrado no sangue
e, de acordo com o sexo, no esperma ou nas secreções vaginais e no leite
materno.

Assim, uma pessoa pode adquirir o HIV por meio de relações sexuais com
parceiros portadores do vírus, de transfusões com sangue contaminado, pela
aplicação de injecções com seringas e agulhas contaminadas. Mulheres grávidas
portadoras de HIV podem transmitir o vírus para o feto através da placenta, como
também pode vir a passar o vírus para o bebé por meio da amamentação.

Exercícios
1 Identifica os dois tipos de HIV e os respectivos descobridores.

Resposta

Auto-avaliação - O HIV-1, ou HIV foi descoberto e identificado como causador da AIDS


por Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi da França e Odete
Ferreira de Portugal em 1983 no Instituto Pasteur na França.

-O HIV-2 foi descoberto por Odete Ferreira de Portugal em Lisboa em


1985.
25

Unidade N0 04-A0205

Tema: O Vírus HIV, Composição e Ciclo de Vida

Introdução
O vírus da imunodeficiência humana (VIH), é da família dos retrovírus ,é o
responsável pelo SIDA (AIDS). Esta designação contém pelo menos duas
subcategorias de vírus, o HIV-1 e o HIV-2. Entre o grupo HIV-1 existe uma grande
variedade de subtipos designados de -A a -J. Porém com o passar dos anos, surgiram
novas subcategorias desse vírus, devido a pessoas portadoras se relacionarem com outras
também portadoras.

Ao completar esta unidade, você será capaz de

 Descrever:

Objectivos: (a) Composição do vírus de HIV

(b) Cíclo de vida do HIV


Habilidades de Vida e HIV-SIDA 26

Sumário

O Vírus HIV, Composição e Ciclo de Vida

O Vírus
O vírus da imunodeficiência humana (VIH), também conhecido por HIV
(sigla em inglês para human imunodeficiency vírus), é da família dos retrovírus e
o responsável pelo SIDA. Esta designação contém pelo menos duas sub-
categorias de vírus, o HIV-1 e o HIV-2. Entre o grupo HIV-1 existe uma grande
variedade de subtipos designados de -A a -J. Porém com o passar dos anos,
surgiram novas subcategorias desse vírus, devido a pessoas portadoras se
relacionarem com outras também portadoras deste vírus e ocasionar uma mistura
genética entre seus tipos.

Já dentro do corpo, o vírus infecta principalmente uma importante célula


do sistema imunológico, designada como linfócito T CD4+ (T4).

De uma forma geral, o HIV é um retrovírus que ataca o sistema de defesa


humano causando a síndrome da imunodeficiência adquirida ou SIDA.

Vírus da imunodeficiência humana

Concepção artística do vírus da SIDA

Classificação científica

Grupo: Grupo VI (ssRNA-RT)

Família: Retroviridae

Género: Lentivirus
27

Espécies

 Vírus da imunodeficiência humana 1

 Vírus da imunodeficiência humana 2

O Ciclo de Vida
O HIV entra no linfócito auxiliar(Helper) T CD4+ ao ligar-se à molécula
CXCR4 ou às moléculas CXCR4 e CCR5, dependendo do estágio no qual a
infecção pelo HIV se encontra. Uma proteína cofator (fusina) é requerida para
auxiliar na ligação do vírus à membrana da célula T. Durante as fases iniciais de
uma típica infecção pelo HIV, as duas moléculas CCR5 e CXCR4 estão ligadas,
enquanto que um estágio mais avançado da infecção geralmente envolve
mutações do HIV que apenas ligam-se à molécula CXCR4.

Uma vez que o HIV está ligado ao linfócito T CD4+, um estrutura viral
conhecida como GP41 penetra na membrana celular e o RNA do HIV e várias
enzimas, incluindo (mas não limitada) à transcriptase reversa, integrase e
protease são injectadas na célula.

Uma vez que a célula T hospedeira não processa o RNA em proteínas, o próximo
passo é gerar um DNA a partir do RNA do HIV usando a enzima transcritase
reversa para que ocorra a transcripção reversa. Se bem sucedida, o DNA pró-
viral deve ser então integrado ao DNA da célula hospedeira usando a enzima
integrase. Se o DNA pró-viral é integrado ao DNA da célula hospedeira, a célula
torna-se altamente infectada, mas não produzindo activamente proteínas do HIV.
Esse é o estágio latente do HIV, uma infecção durante a qual a célula infectada
pode ser uma "bomba não explodida" potencialmente por um longo tempo.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 28

Exercícios
1 – . Como se chama a célula responsável pela defesa do organismo, onde
o vírus de HIV se instala e infecta?

Auto-avaliação

Resposta: Linfócito T CD4+ (T4).


29

Unidade N0 05-A0250

Tema: Transmissão do HIV

Introdução

O Sida é uma doença incurável, mas prevenível. Transmite-


se através das relações sexuais não protegidas(penetração
sem preservativo),transfusões de sangue não triado,
agulhas e seringas contaminadas.(mais frequentemente as
usadas para injectar droga) e de uma mãe infectada para o
seu filho durante a gravidez, o parto ou amamentação.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Conhecer formas de transmissão da sida.

 Explicar mecanismos de transmissão.


Objectivos

Sumário

Transmissão do HIV
O vírus é mais frequentemente transmitido pelo contacto sexual (característica
que faz do SIDA uma doença ou infecção sexualmente transmissível), pelo
sangue (inclusive em transfusões), durante o parto (mãe para o filho) ou, mais

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 30

raramente, durante a gravidez.

Apesar de difícil, pode ocorrer pelo contacto directo com sangue, como por
exemplo se esguichar nos seus olhos. Mas no caso do sangue, é mais comum
com seringas trocadas entre usuários de drogas ou em reutilização em hospitais
(por isto, lembre-se de sempre exigir que a embalagem da seringa seja aberta na
sua frente).

No contacto sexual, pode ser qualquer tipo de sexo, como oral, vaginal e anal ou
até em casos mais raros como a língua, apesar de ser mais difícil de ocorrer
(ainda sim, possível). A transmissão do HIV durante o contacto sexual pode ser
facilitada por vários factores, incluindo:

1. A penetração anal ou vaginal sem protecção,

2. A presença concomitante de doenças sexualmente transmissíveis,


especialmente aquelas que levam ao aparecimento de feridas genitais,

3. As lesões genitais durante a relação sexual e

4. A quantidade mais elevada de vírus no sangue da pessoa infectada.

Em beijos é raro, pois o vírus não sobrevive a certas substâncias da saliva As


laminas usadas, facas ou instrumentos cortantes ou penetrantes, também
representam um risco para a propagação do HIV.

Exercícios

1 – Porque se diz que a sida é uma doença ou infecção sexualmente


transmissível?

Auto-avaliação Resposta: Porque o vírus HIV é mais frequentemente transmitido


pelo contacto sexual (característica que faz do SIDA uma doença
ou infecção sexualmente transmissível).
31

Unidade N0 06-A0205

Tema: Sinais e Sintomas do HIV-SIDA

Introdução

O hiv-sida é uma doença assintomatica, quer dizer que não tem nenhuma
sintomatologia especifica ,sendo igual a de qualquer doença comum. todas as
pessoas incluindo crianças correm o risco de contrair o hiv-sida, dai precisam de
informação e educação sobre a doença.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Explicar os sintomas comuns do hiv-sida.

Objectivos:  Compreender a assintomatologia do hiv-sida.

Sumário

Sinais e sintomas do HIV-SIDA


Assim que se adquire o HIV, o sistema imunológico reage na vã tentativa de
eliminar o vírus, então, cerca de 15 a 60 dias após pode surgir um conjunto de
sinais e sintomas semelhantes a um estado gripal forte, este estágio é conhecido
como síndrome da soro conversão aguda. A infecção aguda pelo HIV é uma
síndrome não específica, a qual não é facilmente percebida devido à sua
semelhança com a infecção por outros agentes virais como amononucleose,
gripe, até mesmo dengue ou muitas outras infecções virais. Febre, cansaço e
erupção são os sintomas mais comuns, e muitos desenvolvem linfadenopatia
(linfonodos inchados). Faringite, mialgia e muitos outros sintomas também

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 32

ocorrem (Kahn & Walker, 1998). Em geral esta fase é auto-limitada e não há
sequelas. Quando vamos a um médico este relata tratar-se de uma "virose", que o
único tratamento é repouso e sintomáticos - raramente há suspeita da
contaminação pelo HIV, a não ser que o paciente relate história compatível como
sexo receptivo desprotegido ou compartilhamento de seringas, por exemplo.

Entretanto, nesta fase não há o que fazer - basta esperar que os sintomas
passarão. Os pacientes poderão ficar assintomáticos por um longo período,
variável entre 3 e 20 anos, alguns nunca desenvolverão doença relacionada ao
HIV. Este fato relaciona-se com a quantidade e qualidade dos receptores de
superfície dos linfócitos e outras células do sistema imune, tais receptores (os
principais são o CD4, CCR5 e 0 CXCR4) funcionam como fechaduras que
permitem a entrada do vírus no interior das células: quanto maior a quantidade e
melhor afinidade dos receptores com o vírus maior será a penetração do vírus nas
células, maior replicação viral e maior velocidade de progressão para doença.
Estas características são determinadas por factores genéticos e possivelmente
envolvem também outros factores, ainda desconhecidos.

Não obstante, os hábitos e a qualidade de vida são também importantes para


velocidade de progressão da doença: tabagismo, etilismo, uso de drogas ilícitas,
stress emocional, alimentação irregular, sedentarismo, etc. são factores
determinantes para progressão desta enfermidade.

Foi criada então uma classificação não muito rígida: rápido progressor (adoecerá
em 3 anos), médio progressor (adoecerá em 5 anos), longo progressor (10 anos) e
não progressor (mais de 15 anos). A velocidade de progressão está relacionada
com a queda da contagem de linfócitos T CD4 no sangue (a contagem normal
dos linfócitos varia de 1.000 a 2.500 células/ml de sangue), e com a contagem da
carga viral do HIV (a contagem da carga viral é considerada alta acima de
100.000 cópias/ml de sangue. O HIV vai destruindo os linfócitos gradativamente
(em média a contagem declina 100 células/ml/ano), quanto menor a contagem,
mais grave a doença e mais intensos os sintomas. Para fins de tratamento com as
drogas anti-retrovirais consideram-se os seguintes parâmetros: abaixo de 200
células/ml: tratar todos; entre 200 e 350 células/ml: pode ser oferecido o
tratamento; entre 350 e 500 células/ml: não tratar ou a critério médico. Todos os
pacientes com doença relacionada ao HIV devem ser tratados.

Os sinais e sintomas das doenças relacionadas ao HIV são extremamente


individuais: o que acontece a um paciente pode ou não acontecer com outro.
Uma característica importante é a contagem de Linfócitos T CD4: quanto menor
a contagem piores os sintomas da doença, pois tais sintomas estão relacionados
com alguma doença causada por organismos oportunistas. Assim os sintomas
associam-se aos germes oportunistas em questão: sinais e sintomas de
tuberculose, neurotoxoplasmose, candidose, penumocistose, doenças neoplásicas
como Sarcoma de Kaposi ou Linfoma.
Os sintomas destas doenças são muito parecidos e somente um médico com

33

experiência e em local com apoio laboratorial poderá fazer o diagnóstico e


tratamento de cada uma delas. SEMPRE DEVEMOS PROCURAR UM
MÉDICO. Não é possível predizer qual doença acometerá o paciente. Pessoas
que desconhecem que estão com o vírus são as que mais adoecem e só assim
descobrem que estão contaminadas. Quem descobre a contaminação antes de
aparecer sintomas - e seguir todas as orientações dos médicos jamais ficarão
doentes, nunca apresentarão sinais e sintomas de doenças, viverão como qualquer
pessoa, terão uma vida produtiva e normal, podendo até ter filhos.

Exercícios

1 – Porque se diz que a sida e uma doença assintomática ou com uma


sintomatologia atípica

Resposta: Porque a sida não tem uma sintomatologia típica, pois tem os
Auto-avaliação
sintomas de qualquer doença comum.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 34

Unidade N0 07-A0205

Tema: Imunidade

Introdução

O sistema imunológico que contempla células responsáveis pela defesa do


organismo, quando este é infectado, reage para conter a multiplicação do vírus no
corpo, produzindo anticorpos e o desenvolvimento de células capazes de
identificar e eliminar outras células que foram infectadas pelo HIV, contudo a
resposta imunológica não é capaz de controlar o vírus na grande maioria das
pessoas que se infectam pelo vírus. O HIV passa, então, a destruir cada vez mais
as células T CD4.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos  Definir o conceito de imunidade;

 Identificar a razão do sida não ter cura;

 Explicar o processo de defesa do organismo.


35

Sumário

Imunidade
Após a infecção inicial, o sistema imunológico inicia uma série de reacções para
tentar conter a multiplicação do vírus no corpo. Elas incluem a produção de
anticorpos e o desenvolvimento de células capazes de identificar e eliminar
outras células que foram infectadas pelo HIV, chamadas linfócitos T CD8+
citotóxicos. Infelizmente, a resposta imunológica não é capaz de controlar o vírus
na grande maioria das pessoas que se infectam pelo vírus. O HIV passa, então, a
destruir cada vez mais as células T CD4+. Quando as células T CD4+ estão em
número muito baixo no sangue (em geral, quando ficam abaixo de 200 células
por microlitro de sangue), a pessoa fica mais predisposta a desenvolver doenças
que se aproveitam de sua fragilidade imunológica, daí o nome de doenças
oportunistas.

Cerca de 10% de todos os europeus carregam um polimorfismo do CCR5, um


receptor de superfície celular que auxilia nas infecções por HIV-1 M-trófico. O
HIV-1 M-trófico usa os receptores CCR5 e CD4 para entrar nas células-alvo,
diferentemente do HIV T-trófico que usa o CXCR4 com o CD4. Pessoas com
essa mutação (uma deleção de 32 pares de base) têm um risco muito baixo de
infecção pelo HIV-1 já que o HIV M-trófico geralmente inicia a infecção. De
fato, 1% de todos os europeus homozigóticos para o polimorfismo podem ter
uma proteção adicional (apesar de incompleta).
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 36

Exercícios

Auto-avaliação
1.O que entendes por doenças oportunistas?

Resposta:

–.São doenças que actuam no individuo quando este já tem o sistema


imunológico destruído ate abaixo de 200 células por microlitro de
sangue), a pessoa fica mais predisposta a desenvolver doenças que se
aproveitam de sua fragilidade imunológica, daí o nome de doenças
oportunistas.
37

Unidade N0 08-A0205

Tema: Medidas de Prevenção

Introdução

Falar de medidas de prevenção , resume-se seguramente nas rês medidas que se


destacam-se ,nomeadamente a Abstinência sexual, Fidelidade e ouso do
preservativo .Cada uma tem as suas implicações.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar medidas de prevenção do hiv-sida

Objectivos:  Identificar método mais eficaz de prevenção

Sumário:

Medidas de Prevenção
São várias formas de prevenção do HIV e DTS, mas destacam-se:
ABSTINÊNCIA SEXUAL: Todas as vezes que iniciarmos um novo

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 38

relacionamento e desejarmos ter relações sexuais sem protecção, teremos, antes,


que solicitar ao nosso parceiro para fazer um controle.

FIDELIDADE: Se decidirmos ter relações sexuais sem protecção com um


parceiro que não tenha uma DTS, então teremos de ter a certeza de que o nosso
parceiro apenas tem relações sexuais connosco o que é muito difícil. Se o nosso
parceiro tem relações sexuais sem protecção com uma outra qualquer pessoa, ele
ou ela pode contrair DTS e transmiti-la a nós.

USO DO PRESERVATIVO: Prática do sexo seguro.

Saiba como usar correctamente o preservativo masculino

Saiba como usar correctamente o preservativo feminino

Como evitar a transmissão vertical

 Notas Importantes

 Ao comprar o preservativo, verifique a data de validade e o certificado de


qualidade e confiabilidade do produto;

 Verifique se a embalagem não está furada, amassada ou rasgada;

 Dê preferência aos preservativos já lubrificados. Se desejar, utilize


lubrificantes apenas a base de água. Os lubrificantes a base de óleo, como
vaselina, creme hidratante, óleo para massagem etc. podem danificar a
borracha do preservativo;

 Proteja os preservativos do calor, da humidade e do atrito, evitando


guardá-los em bolsos, carteiras;

 Retire o preservativo da embalagem somente na hora de usá-la para evitar


que esta seque  e outros danos;

 Se, ao colocar o preservativo, ficar ar no reservatório ou se ficar mal


encaixada, retire-o, pois isso pode provocar o rompimento do mesmo.
Deve-se utilizar um novo preservativo;

 Se o preservativo rasgar antes ou durante a relação, troque-o


imediatamente;

 Não utilize mais de um preservativo por relação sexual, pôr por exemplo
dois preservativos masculinos no pénis, pode levar ao rompimento dos
dois preservativos devido ao atrito entre eles;

 Use sempre um preservativo novo a cada relação sexual;

 Se você nunca usou preservativo, treine antes de usar pela primeira vez;
 Com o uso correcto do preservativo você estará se protegendo e

39

protegendo seu parceiro, não só do SIDA, mas também de outras doenças


de transmissão sexual, como sífilis, gonorreia etc.

Outras formas que contribuem para a prevenção da infecção pelo HIV e outras
DTS incluem:

 Evitar manter relações sexuais depois de consumir álcool ou outras


drogas, pois pode induzir ao sexo desprotegido.

 Evitar a compartilha de agulhas e seringas

 Esterilização de todo o material cortante e perfurante

 Transfusão de sangue devidamente testado e negativo para o HIV

 Tratar o mais cedo possível as DTS

 Fazer amor sem manter relações sexuais

Circuncisão - contribui para que a região em redor do pénis seja menos infectada
devido ao engrossamento da pele nesta região, bem como melhora a higiene. Mas
o circuncisão não evita a infecção pelo HIV.

Nunca usar ervas secas ou outros incipientes na vagina - Secar a vagina por
quaisquer meios provoca maior tendência para golpes e para sangrar. Isso
aumenta o risco de transmissão do HIV.

Exercícios

1 –Nunca usar ervas secas ou outros incipientes na vagina.-diga Porque?

Resposta:. Resposta. –Porque secar a vagina por quaisquer meios provoca


maior tendência para golpes e para sangrar. Isso aumenta o risco de
Auto-avaliação
transmissão do HIV.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 40

Unidade N0 09-A0205

Tema: Tratamento do HIV-Sida

Introdução
O tratamento da HIV-sida é efectuado na base de um regime complexo de drogas
que atacam o HIV em vários estágios do seu ciclo de vida. Elas são conhecidas
como drogas anti-retrovirais cujo papel essencial é inibir a actividade do HIV: A
estrutura química do AZT. O AZT, um inibidor de transcriptase reversa, foi o primeiro
tratamento para o HIV.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar as principais linhas de tratamento do HIV-SIDA.

Objectivos:
 Conhecer o efeito inibidor das drogas e não cura.
41

Sumário

Tratamento do HIV-Sida

A estrutura química do AZT (Azidotimidina). O AZT, um inibidor de


transcriptase reversa, foi o primeiro tratamento para o HIV.

Hoje, os pacientes têm acesso a um regime complexo de drogas que atacam o


HIV em vários estágios do seu ciclo de vida. Elas são conhecidas como drogas
anti-retrovirais e incluem:

 Inibidor de protease (IPs) inibem a actividade da protease, uma enzima


usada directamente pelo HIV para clivar as proteínas nascentes virais, e
então previnem a fabricação final do vírions de HIV.

 Inibidores de transcriptase reversa (RUAS) inibem a actividade da


transcriptase reversa, uma enzima que o HIV precisa para completar a
infecção de uma célula. A falta dessa enzima previne que o HIV fabrique
um DNA pró-viral baseado em seu RNA. Eles vêm em três formas:

o Inibidores de nucleosídeos de transcriptase reversa (NNRTIs)

o Inibidores de nucleosídeos análogos de transcriptase reversa


(NARTIs or NRTIs)

o Inibidores de nucleotídeos análogos de transcriptase reversa


(NtARTIs for NtRTIs)
 Inibidores de entrada inibem a entrada do vírus na célula ao interagir

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 42

directamente com o receptor viral e ao evitar a fusão da membrana viral


com a membrana da célula-alvo.

 Inibidores da integrase inibem a acção da integrase, enzima viral que faz


com que o material genético do HIV entre no núcleo da célula infectada.

Muitos problemas estão envolvidos no estabelecimento de um curso de


tratamento para o HIV. Cada droga efectiva tem muitos efeitos colaterais,
algumas vezes graves e às vezes tendo que ser tratados pelo resto da vida. Efeitos
colaterais comuns incluem náusea e diarreia, dano e falência do fígado e icterícia.
Qualquer tratamento requer testes regulares de sangue para avaliar a eficácia
através da contagem de linfócitos T CD4+ no sangue total e a carga viral) no
plasma, além de averiguar se está ocorrendo algum efeito colateral com o uso dos
medicamentos.

Além disso, não existe nenhum caso conhecido no qual a terapia antiviral tenha
liquidado com a infecção pelo HIV. Embora o tratamento tenha melhorado muito
nos últimos anos (mais eficazes e com menos efeitos colaterais), seu início
significa que as pessoas infectadas pelo HIV estarão propensas a fazerem
tratamento pelo resto de suas vidas. Ainda, a mortalidade é muito menor entre
pessoas com infecção pelo HIV pouco tratada que entre HIV-positivos que se
trataram somente num estágio tardio da doença ou que não se trataram. Uma
consequência importante disso é que as pessoas com acesso a um cuidado
adequado com a saúde e que adquiriram o HIV estão muito melhores sabendo de
sua condição no início do que se soubessem apenas quando os sintomas do
declínio celular estivessem aparecendo.

Exercícios

1 – Como se chama o grupo de drogas inibidoras usado para tratamento


do hiv-sida?

Resposta:.Chama -se Antiretrovirais


Auto-avaliação
43

Unidade N0 10-A0205

Tema: ACONSELHAMENTO

Introdução
Aconselhamento significa ajudar as pessoas a definir, a natureza dos
problemas que estão a viver de modo a tomarem decisões em relação ao
que podem fazer para diminuir o impacto desses problemas sobre si, sua
família e seus amigos é ajudar as pessoas a mudarem o seu estilo de
vida.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos:
 Definir o conceito de Aconselhamento.

 Identificar as principais mensagens de aconselhamento.


Habilidades de Vida e HIV-SIDA 44

Sumário

O Aconselhamento

O aconselhamento é uma forma de ajudar as pessoas a definir, para si


próprias, a natureza dos problemas que estão a viver. Assim, elas podem
tomar decisões realistas em relação ao que podem fazer para diminuir o
impacto desses problemas sobre si, sua família e seus amigos/as.

Ajudar as pessoas a adquirirem confiança para mudar o seu estilo de vida


é uma parte fundamental do aconselhamento. O aconselhamento ajuda as
pessoas a reflectirem sobre os seus valores, atitudes, percepção e
condutas para que possam fazer escolhas informadas e consistentes com
os seus valores e prioridades.

O processo de aconselhamento inclui a avaliação de riscos pessoais em


relação a um determinado problema ou situação e facilitar a adopção de
comportamento preventivo.

O aconselhamento também oferece o suporte necessário para provocar e


manter mudanças no comportamento. O conhecimento, por si só, não
basta para reduzir a resistência das pessoas à mudança. Através do
aconselhamento, o/a jovem torna-se capaz de encontrar novas e
diferentes formas de sexo protegido e responsabilidade nas relações
sociais.

Ao serem criados os serviços e divulgadas as informações sobre a


sexualidade e a saúde reprodutiva de adolescentes e jovens em
determinado lugar, é provável que diversos/as jovens se sintam à vontade
e motivados/as para procurarem ajuda de conselheiros/as, solicitando
mais informações ou mesmo aconselhamento sobre determinados
problemas que estejam a enfrentar. Em outras regiões onde estão a serem
introduzidos esses conteúdos, tais problemas costumam a estar ligado
com o relacionamento familiar, relacionamento afectivo ou questões
específicas de saúde reprodutiva e sexualidade.

Além dos/as jovens, pode acontecer também que os familiares ou os


responsáveis de educação procurem esclarecimento de natureza similar.
É possível, inclusive, que os familiares queiram informações sobre como
conversar com os filhos e as filhas.
Em situações que ultrapassam as habilidades do/a conselheiro/a, ou que

45

exigem um acompanhamento profissionais especializado de um


trabalhador da Saúde, por exemplo, caberá ao/a conselheiro/a
encaminhar a pessoa ao profissional competente.

O papel do/a conselheiro/a enquanto conselheiro/a é diferente em relação


ao tipo de responsabilidade que os familiares e os responsáveis tem na
educação dos filhos/as.

No caso específico da saúde reprodutiva, é importante que o/a


conselheiro/a consiga transmitir e tornar aceite na comunidade o facto de
que a saúde reprodutiva diz respeito a mulheres, homens, adolescentes,
jovens e adultos, e que, portanto, todas as pessoas independentemente de
sexo e do seu estado civil, tem o direito de se informar para poderem
fazer escolhas e tomar decisões livres e responsáveis sobre a sua vida em
geral, e a sexualidade e a saúde reprodutiva em especial.

Este material é apenas um guião, não deve ser usado como um script ou
um “livro de receitas”.

O/a conselheiro/a provavelmente terá que adapta-lo ao estilo e a sua


experiência, ou as necessidade de cada pessoa em particular. O/a
conselheiro/a pode ajuda-lo/a a examinar as alternativas para escolher
uma delas. Quando o/a jovem começa a agir segundo escolhas
informadas, ele/a sente-se mais confiante, compreende que tem algum
controle sobre o seu comportamento e está em posição para aprender o
que é melhor para si, como um elemento importante de processo de
amadurecimento.

O aconselhamento pode ajudar o/a jovem a melhorar o seu auto-


desenvolvimento em direcção a maturidade de dificuldades através do
auto-conhecimento, auto-compreensäo e agindo conforme decisões
tomadas.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 46

Exercícios

1 – O que entendes por aconselhamento?

Resposta: Trata-se de uma forma de ajudar as pessoas a definir a natureza


dos problemas que estão a viver podendo elas tomar decisões em relação
Auto-avaliação
ao que podem fazer para diminuir o impacto desses problemas sobre si,
sua família e seus amigos ou seja,. ajudar as pessoas a adquirirem
confiança para mudar o seu estilo de vida.
47

Unidade N0 11-A0205

Tema: Saúde Reprodutiva

Introdução
Os direitos reprodutivos e o exercício da sexualidade são inerentes aos direitos
humanos. O respeito a esses direitos e a oferta de serviços de saúde reprodutiva,
são requisitos para a sobrevivência neonatal e combate a Os morbi-mortalidade
materna e ao efectivo exercício da cidadania. Os direitos em matéria de
sexualidade compreendem o direito de viver uma sexualidade satisfatória, que é
por si só essencial. Também constituem um instrumento fundamental de
comunicação e de amor entre humanos.  

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos:  Definir o conceito de Saúde reprodutiva.

 Identificar as principais componentes de saúde reprodutiva.

Sumário

Saúde Reprodutiva

CONCEITO E IMPLICAÇÕES

 O termo “Saúde Reprodutiva”, era apenas utilizado, durante muitos anos, em


círculos restritos de cientistas e profissionais. Porém, em 1994 na Conferência de
População e Desenvolvimento do Cairo, o conceito de saúde reprodutiva

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 48

constituiu um dos temas centrais e atingiu novas dimensões com o acréscimo da


saúde sexual e direitos reprodutivos.

  EVOLUÇÃO DO CONCEITO

 1960 – Anticoncepção e planeamento familiar

 1970 – Incorporou o tema aborto  

 980 – Saúde Materno-Infantil

 1990 – Saúde Integral da Mulher

 1994 – Ampliação do conceito:

“Saúde Reprodutiva é um estado de completo bem estar físico, mental e social


em todas as matérias concernentes ao sistema reprodutivo, suas funções e
processos, e não simples ausência, de doenças ou enfermidades”.

A saúde reprodutiva implica por conseguinte, que a pessoa possa ter vida sexual
segura e satisfatória, tendo capacidade de reproduzir e a liberdade de decidir
sobre quando e quantas vezes deve fazê-lo. Esta implícito nesta última condição
o direito de homens e mulheres de serem informados e de terem acesso aos
métodos eficientes, seguros, aceitáveis e financeiramente compatíveis de
planeamento familiar.  

Está incluído ainda, neste conceito , o direito ao acesso a serviços apropriados de


saúde que propiciem às mulheres as condições de passar com segurança pela
gestação e pelo parto, proporcionando aos casais uma chance melhor de ter um
filho sadio.  

Logo Saúde Reprodutiva é definida como a constelação de métodos, técnicas e


serviços que contribuem para a saúde e bem estar prevenindo e resolvendo os
problemas de saúde reprodutiva. Isto inclui igualmente a saúde sexual cuja
finalidade é a melhoria da qualidade de vida e das relações pessoais, e não o
mero aconselhamento e assistência relativas à reprodução e às doenças
sexualmente transmissíveis.

SAÚDE REPRODUTIVA PORTANTO IMPLICA EM: 

 Opção de uma vida sexual responsável e satisfatória

 Direito da mulher e do homem a ter acesso a métodos seguros da


regulação da fecundidade  
 Direito ao acesso a serviços para a assistência a gravidez, parto e pós-

49

parto e atenção imediata ao recém-nascido.

por idade da mãe reduziu em todos as faixas etárias entre 1980 a 1998 com
exceção da faixa etária da adolescência que apresentou elevação.

As mulheres no estado do Paraná tiveram em 1998, média de 2,2 filhos (TFT).


Ainda que persistam importantes diferenças regionais de fecundidade, os
níveis observados podem ser considerados reduzidos.

As menores taxas encontram-se nas regionais de Maringá com 1,8 filhos por
mulher, enquanto a maior correspondente à Regional de Saúde de União da
Vitória (2,7), além de Ponta Grossa, Irati, Guarapuava, Telêmaco Borba e Foz do
Iguaçu, que apresentaram taxas superiores a 2.5.

Exercícios

1 – Diga o que é Saúde Reprodutiva?

Resposta: “Saúde Reprodutiva é um estado de completo bem estar físico,


mental e social em todas as matérias concernentes ao sistema reprodutivo,
Auto-avaliação suas funções e processos, e não simples ausência, de doenças ou
enfermidades”.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 50

Unidade N0 12-A0205

Tema: Estratégias gerais e específica para a promoção da saúde


reprodutiva

Introdução
A promoção da saúde reprodutiva afigura-se imprescindível tendo em conta que
a saúde reprodutiva, constitui um dos direitos humanos Para responder aos
diversos factores que interferem na promoção da saúde reprodutiva são
necessárias acções intersectoriais para que se garanta este direito fundamental
que permite a manutenção da espécie humana.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Distinguir estratégias gerais e especificas para a promoção da saúde


reprodutiva.
Objectivos:
 Identificar estratégias para a promoção da saúde reprodutiva.
51

Sumário

ESTRATÉGIAS GERAIS PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE


REPRODUTIVA

Para responder aos diversos factores que interferem na promoção da saúde


reprodutiva são necessárias acções inter sectoriais como:

1-     Incorporar componentes de saúde reprodutiva nas intervenções de


promoção e desenvolvimento social voltados a mulher.

2-     Implementar programas que ampliem a discussão dos direitos reprodutivos


na perspectiva de género nas escolas com capacitação e apoio a docentes.

3-     Implementar mecanismos efectivos de protecção social da maternidade :


creches públicas, subsídios a mãe solteira e chefes de família.

4-     Ampliar as discussões sobre o aborto e sua assistência.

5-     Buscar a utilização das altas tecnologias de forma racional e não


mercantilista evitando vícios de formação profissional.

Estas estratégias entre outras, deverão integrar a promoção e atenção da saúde


reprodutiva assentada no enfoque integral que supre a perspectiva tradicional de
programas materno – infantis e de planeamento familiar, para atender as
necessidades específicas das mulheres e optimizar os recursos físicos e humanos
disponíveis. Esta estratégia deverá promover a participação das mulheres e suas
organizações no planeamento e execução das políticas e programas, para que
suas necessidades e preferências sejam consideradas explicitamente.

A inclusão da perspectiva de género, tanto na capacitação de pessoal como na


avaliação das acções se faz necessária, e a promoção dos direitos reprodutivos
da população geral e em particular das mulheres que são as mais prejudicadas
quando ocorrem falhas na assistência.

Estratégias de promoção da Saúde Reprodutiva

1-     Aumentar a eficiência dos controles pré – natais enfatizando a identificação


do risco gestacional com o propósito de melhorar sua capacidade de detectar e
tratar oportunamente patologias e responder mais apropriadamente as
necessidades e expectativas das mulheres, através da revisão dos critérios e
procedimento utilizados na prática assistencial habitual e organização formal das
referências.

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 52

2-     Implementar a assistência ao parto humanizado e vigilância de risco ao


puerpério, além de readequar os serviços de referência para que possam dar
resposta assistencial eficaz nas situações de emergência, assim como o livre
acesso a banco de sangue entre outras.

3-     Garantir acesso a anti concepção a mulheres e homens. Particular atenção


deverá ser prestada a mulheres internadas por complicações por aborto,
puérperas, e assegurar a adolescentes a informação dos métodos necessários para
prevenir a gravidez indesejada e as doenças sexualmente transmissíveis e SIDA.

4-     Capacitar o pessoal de saúde na dimensão género, e a relação entre


sexualidade, saúde reprodutiva e condições sociais e culturais, assim como
avaliar indicadores básicos de qualidade em saúde reprodutiva.

5-     Melhorar a capacidade resolutiva dos serviços de saúde para evitar as


mortes maternas, perinatais, as quais são evitáveis em sua maioria assim como
monitorar as suas ações através Direcções Distritais de Saúde, dos Postos de
Saúde e Maternidades.

Exercícios

1 –Qual a finalidade das estratégias acima apresentadas?

Resposta: Para garantir usufruir do direito a saúde reprodutiva e


responder aos diversos factores que interferem na promoção da saúde
Auto-avaliação
mesma .
53
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 54

Unidade N0 13-A0205

Tema: Saúde Sexual Reprodutiva

Introdução
Saúde sexual e reprodutiva é à promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de
ambos os sexos, através da divulgação de informação credível e cientificamente
sustentada, à facilitação do acesso à contracepção fiável e a meios de prevenção
das infecções sexualmente transmissíveis. .

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar elementos que caracterizam a saúde sexual reprodutiva


Objectivos
 Identificar a concepção tradicional sobre saúde sexual reprodutiva.

Sumário

Saúde Sexual Reprodutiva


O conceito de saúde sexual e reprodutiva corresponde, hoje, a uma forma
alargada de pensar e agir activamente na promoção de vivências gratificantes,
informadas e seguras no domínio da sexualidade de ambos os sexos.

Tradicionalmente, este domínio da saúde foi definido e encarado de modo mais


restrito, valorizando, sobretudo, os aspectos directamente relacionados com a
reprodução, nos quais se incluíam a gravidez, o parto e a contracepção. Por isso,
até há cerca de duas décadas, a atenção dos serviços e dos profissionais centrava-
se nesses temas, em geral, sob a designação de Saúde Materna e Planeamento
Familiar, dirigindo-se, em particular, para a população feminina.
As mudanças sociais, as necessidades expressas pelos indivíduos em relação às

55

suas vivências, a reflexão dos profissionais e também algumas medidas das


organizações de saúde vieram reforçar a importância de enquadrar a
problemática da reprodução num contexto mais vasto. Assumiu-se, assim, que
esse domínio está intimamente relacionado com a expressão e o prazer sexuais,
as relações conjugais, os papéis sociais atribuídos a cada um dos sexos, ao bem-
estar e à auto-determinação na vivência da sexualidade.

Por isso, quando se fala em saúde sexual e reprodutiva, referimo-nos, entre


outros aspectos, à promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de ambos os
sexos, através da divulgação de informação credível e cientificamente sustentada,
à facilitação do acesso à contracepção fiável e a meios de prevenção das
infecções sexualmente transmissíveis. Por outro lado, contempla-se ainda a
disponibilização de recursos que permitam que as gravidezes e os partos
decorram de forma segura e se garanta apoio aos indivíduos e aos casais no
domínio da sexualidade.

Devido a esta abrangência de temas e de áreas de actuação, o sucesso das


medidas e iniciativas de promoção da saúde sexual e reprodutiva depende da
acção de vários serviços e agentes, bem como da adequada articulação entre eles.
Para além do papel destacado dos profissionais e serviços de saúde, deve
reconhecer-se a importância do diálogo familiar acerca destes temas e das
actividades de educação sexual desenvolvidas em contexto escolar.

Este empenhamento colectivo é certamente uma das melhores vias para elevar os
níveis de saúde e de bem-estar individual e colectivo neste domínio específico,
permitindo agir sobre alguns dos problemas que, apesar das melhorias
significativas, permanecem ainda resistentes, como sejam as gravidezes não
desejadas, as taxas de contágio de infecções sexualmente transmissíveis e as
situações de violência e exploração sexual.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 56

Exercícios
1 O empenhamento colectivo eleva os níveis de saúde e de bem-estar
individual e colectivo neste domínio específico, permitindo agir sobre
alguns dos problemas que, apesar das melhorias significativas,
permanecem ainda resistentes .
Auto-avaliação

-Quais são esses problemas que ainda persistem ?

Respost:a como são gravidezes não desejadas, as taxas de contágio de


infecções sexualmente transmissíveis e as situações de violência e
exploração sexual.
57

Unidade N0 14-A0205

Tema: Direitos Reprodutivos

Introdução

Direitos reprodutivos fazem parte dos direitos humanos pelo que já estão legislados.
São leis que conferem aos casais o direito de decidirem quando ,onde ,quantos
filhos querem ter .No entanto para o exercício deste direito, devem tomar em
conta as necessidades das crianças – que já nasceram ou que virão – e as suas
responsabilidades perante a comunidade.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar os direitos reprodutivos

 Identificar factores que fazem escapar os direitos reprodutivos a muita


gente.
Objectivos
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 58

Sumário

Direitos Reprodutivos

Abarcam alguns direitos humanos já reconhecidos em leis nacionais e


documentos do direito básico de todos os casais e indivíduos de
decidirem, livremente e com responsabilidade, sobre o número, época e
espaçamento de filhos/as, bem como o direito de terem informação e
meios para isso, e o direito de desfrutaram dos melhores padrões de saúde
e reprodutiva. Isso inclui o direito de tomarem decisões, livres de
descriminação, coerção ou violência, como expressam os documentos
sobre os direitos humanos.

No exercício deste direito, devem tomar em conta as necessidades das


crianças – que já nasceram ou que virão – e as suas responsabilidades
perante a comunidade. A promoção do exercício responsável deste direito
para todas as pessoas deveria ser a base fundamental para todos os
programas e políticas de saúde reprodutiva , governamentais ou
comunitários. Como parte deste compromisso, deverá ser dada plena
atenção à promoção do respeito mútuo e equidade nas relações de
Género, particularmente no atendimento às necessidades educacionais e
de serviços para adolescentes, com vista a torná-los aptos para lidarem,
de uma forma positiva e responsável, com a sua sexualidade.

Uma série de factores faz com que a saúde reprodutiva escape a muitas
pessoas no mundo: níveis inadequados de conhecimento sobre a
sexualidade humana, informações e serviços de saúde reprodutiva
inadequados ou de baixa qualidade; prevalência de comportamento sexual
de alto risco; práticas sociais discriminatórias; atitudes negativas em
relanço às mulheres e raparigas; poder limitado das mulheres e raparigas
sobre a sua vida sexual e reprodutiva. Os adolescentes são
particularmente vulneráveis por causa da falta de informação e de acesso
a programas e serviços relevantes.
59

Exercícios
1 – Enumere os factores que fazem com que a saúde reprodutiva
escape a muitas pessoas no mundo.

Auto-avaliação
Resposta: São os níveis inadequados de conhecimento sobre a
sexualidade humana, informações e serviços de saúde reprodutiva
inadequados ou de baixa qualidade; prevalência de comportamento sexual
de alto risco; práticas sociais discriminatórias; atitudes negativas em
relanço às mulheres e raparigas; poder limitado das mulheres e raparigas
sobre a sua vida sexual e reprodutiva. Os adolescentes são
particularmente vulneráveis por causa da falta de informação e de acesso
a programas e serviços relevantes.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 60

Unidade N0 15-A0205

Tema: Direitos Sexuais


Introdução
Referem-se ao direito de desfrutar uma sexualidade saudável de prazer, é
essencial, pressupõem a escolha livre, autónoma e responsável promovendo
assim o respeito mutuo nas relações.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar direitos sexuais


Objectivos
 Explicar o teor dos direitos sexuais.

Sumário

Direitos Sexuais

São elementos fundamentas dos direitos humanos. Referem-se ao direito


de desfrutar uma sexualidade saudável e prazerosa, que é, em si própria,
essencial, além de ser um veículo de comunicação e de amor entre as
pessoas. Direitos sexuais incluem o direito à liberdade e autonomia no
exercício responsável da sexualidade.

Os direitos sexuais reforçam o respeito mútuo nas relações interpessoais e


asseguram que as pessoas possam desfrutar a sexualidade como uma
intimidade entre seres humanos, o que é essencial para o seu bem-estar
como pessoas e como casal. A igualdade de Género dificilmente será

61

atingida sem o exercício dos direitos sexuais e vice-versa.

O respeito aos direitos sexuais como direito humanos fornece a base para
a eliminação da violência contra as mulheres, que viola as liberdades
fundamentais das mulheres e raparigas, expondo-as a riscos de abuso
sexual, estupro, prostituição, violência doméstica e exploração sexual.

Os direitos sexuais incluem:

 Direito à felicidade, sonhos e fantasias;

 Direito de explorar a própria sexualidade livre de medo, vergonha,


falsas crenças e outros impedimentos à livre expressão dos próprios
desejos;

 Direitos de desfrutar a sexualidade livre de violência, coerção e


descriminação, num contexto de relações baseadas na igualdade,
respeito e justiça;

 Direito de escolher ser ou não sexualmente activo/a, incluindo o


direito de ter sexo consensualmente e de casar com pleno
consentimento;

 Direito de expressar a sexualidade independentemente da produção;

 Direito de exigir práticas de sexo seguro para a prevenção de


gravidez não desejada e infecção por DTS/HIV;

 Direito à informação, educação e serviços da mais alta qualidade e


confidencialidade.
1 – o que são direitos sexuais?

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 62

Auto-avaliação Resposta São elementos fundamenta dos direitos humanos.


Referem-se ao direito de desfrutar uma sexualidade saudável e
prazerosa, que é, em si própria, essencial, além de ser um veículo
de comunicação e de amor entre as pessoas. Direitos sexuais
incluem o direito à liberdade e autonomia no exercício
responsável da sexualidade.
63

Unidade N0 16-A0205

Tema: Adolescência

Introdução

Quando falamos de adoloscente,ja temos em vista pessoas se preparando, ou ate já


sexualmente activas. Como se sabe, é um período de muitas transformações a nível
biológico, psicológico e até social há necessidade de dispensar uma atenção
especial para os indivíduos dessa faixa etária.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Conhecer algumas transformações na adolescência;

Objectivos  Identificar alguns factores que condicionam a diversidade entre


adolescentes.

Sumário

Adolescência

Conceito e considerações

Conceito da adolescência surgiu com a modernização, a formação de grandes


cidades no século VII. Foi por essa época que a educação dos jovens sobre a
“aprendizagem” passou função basicamente da escola, sendo que antes era tarefa

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 64

da responsabilidade da família e da comunidade.

Adolescência é definida por transformações biológicas (puberdade) e


psicossociais incluindo a busca de uma identidade e autonomia, de rompimento
com os laços familiares de dependência infantil. Esta busca de autonomia,
frequentemente, é acompanhada de comportamentos agressivos e de oposição
aos valores familiares e sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define esse período da vida a partir do


aparecimento das características sexuais secundárias, do desenvolvimento de
processos psicológicos e de padrões de identificação que evoluem da fase infantil
para adulta; e pela transição de um estado de dependência para outro, de relativa
autonomia.

De acordo com OMS adolescência é o período compreendido entre os 10 e 19


anos, enquanto que jovem é o individuo entre os 15 e os 24 anos. Por consenso, o
termo “gente ou pessoa jovem” abrange todos aqueles cujas idades estão
compreendidas entre os 10 e 24 anos.

Alguns factores externos condicionam a diversidade entre os adolescentes: sua


classe socioeconómico, sua origem ética, o nível cultural dos pais, o maior ou
menor contacto com diferentes meios de informação, de educação e de
comunicação, etc.

A adolescência é o momento importante para integração entre adultos e jovens,


possibilitando a estes adquirir habilidades e informações para enfrentar futuras
decisões.

A adolescentes querem saber se o corpo que está mudando, agrada ao outro,


querem falar de desejo, namoro, prazer sexual, saber se a mulher sangra na
primeira relação, se a masturbação traz algum problema, quanto dura uma
relação sexual, se engravida ao 1° contacto sexual, se se engravida mesmo sem a
penetração, ou quando o parceiro só coloca a pontinha do pénis, até onde podem
ir, o que os outros vão pensar. Procuram orientar-se sobre questões delicadas que
mexem com o corpo, emoções, valores e preconceitos.
65

Exercícios
1 – O que entendes por adolescente ?

Resposta: Adolescência, de acordo com OMS é o período compreendido


entre os 10 e 19 anos, enquanto que jovem é o individuo entre os 15 e os
Auto-avaliação 24 anos. Por consenso, o termo “gente ou pessoa jovem” abrange todos
aqueles cujas idades estão compreendidas entre os 10 e 24 anos.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 66

Unidade N0 17-A0205

Tema: Sexualidade na adolescência

Introdução
O adolescente e jovens, hoje, não constituem problema social mas sim como um
tema de direito a educação sexual e de usufruto de direitos reprodutivos. De
contrario corre-se o risco de serem adoptadas posições que ferem com os seus
direitos, impondo lhes modelos de comportamento, ou adoptarem condutas
prejudiciais.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:.

 Identificar a importância da educação sexual para os jovens;


.
 Explicar os principais problemas encarados por jovens na sexualidade.
Objectivos
67

Sumário

Sexualidade na adolescência

A sexualidade e o comportamento reprodutivo de adolescentes e jovens


começam a ser vistos, hoje, menos como um problema social e mais como
um tema de direito a educação sexual e de usufruto de direitos
reprodutivos. Sem este enfoque, corre-se o risco de serem adoptadas
posições normalizadoras da sexualidade e reprodução dos\as jovens,
impondo lhes modelos de comportamento que, além de não cobrirem as
suas necessidades reais, poderão ferir alguns dos seus direitos básicas.

A sexualidade e comportamento reprodutivo dos\as adolescentes entram,


muitas vezes, com os projectos que a sociedade lhes atribui de que antes
de terem filhos\as é preciso que terminem os estudos, estejam trabalhando,
tenham um bom salário e condições de constituírem família.

A sociedade, por sua vez, tem respondido de maneira não satisfatória as


necessidades e direitos dos\as adolescentes sobre a sexualidade,
reprodução e prevenção das DTS/SIDA, para não falar de outros direitos
sociais básicos como a educação, saúde em geral, lazer, cultura, desporto,
habitação e direito ao trabalho. Não lhes é facultada informação sobre a
sexualidade em geral, sobre serviços de boa qualidade para
aconselhamento e fornecimento de métodos contraceptivos incluindo
preservativos para a prevenção das DTS/SIDA. A consciencialização
sobre seus direitos e responsabilidade, sua participação activa em
processos relacionados com a vida particular ou social, também não lhes
é, muitas vezes, fornecida.

A sexualidade, a reprodução e a prevenção das DTS/SIDA na


adolescência devem ser compreendidas na sua inter-relação com aspectos
educativos, culturais, psicológicos, sociais, jurídicos e políticos e cabe ao
profissional ficar atento\a a estes aspectos nas suas respectivas acções.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 68

Exercícios

1 – Que aspectos é que o profissional deve ficar atento nos adolescentes


relativos a sexualidade, a reprodução e a prevenção das DTS/SIDA na
adolescência, segundo o texto?

Auto-avaliação Resposta: Os aspectos que o profissional deve ficar atento, relativo a


sexualidade, a reprodução e a prevenção das DTS/SIDA na adolescência
são aspectos educativos, culturais, psicológicos, sociais, jurídicos e
políticos nas suas respectivas acções.

Unidade N0 18-A0205

Tema: Sexualidade e Afectividade

Introdução

Em princípio qualquer relação sexual devia partir da relacçäo de afectividade,


como muitas das vezes acontece, embora haja um ou outro caso contrario por ai,
motivado por varias causas. A afectividade, pressupõem a ausência de coerção,
violência e descriminação. as pessoas relacionam-se com a capacidade de
exercerem uma vida sexual informada e segura, buscada na auto-estima, com
uma abordagem positiva da sexualidade humana e respeito mútuo nas relações

69

sexuais e efectivas.

 Reconhece a importância da afectividade numa relacçäo sexual.

 Identificar os requisitos para assegurar a integridade e a dignidade ao


nível da sexualidade.
Objectivos

Sumário

Sexualidade e Afectividade

A Sexualidade e Afectividade são os termos que referem à habilidade de


mulheres e homens desfrutarem e expressarem a sua sexualidade, livres de riscos
de DTS gravidez não desejada, coerção, violência e descriminação. Relacionam-
se com a capacidade das pessoas exercerem uma vida sexual informada e segura,
buscada na auto-estima, com uma abordagem positiva da sexualidade humana e
respeito mútuo nas relações sexuais e efectivas. A sexualidade interfere com a
qualidade de vida, com as relações pessoais e com a identidade sexual de cada
pessoa. A sexualidade e a afectividade influem no enriquecimento positivo e no
prazer e melhoram a auto-determinação da pessoas, a sua comunicação e as suas
relações interpessoais.

A sexualidade é fundamental para o desenvolvimento do potencial humano de


cada pessoa, para o exercício dos direitos humanos e para um sentido global de
bem-estar. Ao endossar a importância da sexualidade para todas pessoas, os
sistemas de educação e de saúde criam uma forte base para prevenir e tratar as
consequências da violência sexual, da coerção e da descriminação. Assegurar a
integridade e a dignidade ao nível da sexualidade requer:

 Respeito e protecção aos direitos sexuais de todas pessoas;

 Respeito e protecção ao direito de controlo sobre o próprio corpo;

 Empowerment das mulheres e raparigas para que possam tomar


decisões em matéria de vida sexual, incluindo a decisão de serem ou
não sexualmente activas de terem habilidades para negociar sexo (não
coercivo), práticas de sexo seguro e uso de métodos contraceptivos
para prevenir gravidez não desejadas;

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 70

 Igualmente nas relações para assegurar mútua expressão sexual,


prazer e respeito;

 Sistema público de saúde funcional e oferecendo serviços de


qualidade com confidencialidade.

Exercícios
1 –O que entendes por Afectividade e Sexualidade, segundo o texto?.

Resposta: A Sexualidade e Afectividade são os termos que referem à


habilidade de mulheres e homens desfrutarem e expressarem a sua
sexualidade, livres de riscos de DTS gravidez não desejada, coerção,
Auto-avaliação violência e descriminação.

Unidade N0 19-A0205

Tema: Sexo e Género

Introdução
O conceito de género começou a ser usado na década de 80 por estudiosas
feministas, para contribuir com um melhor entendimento do que representa ser
homem e ser mulher em uma determinada sociedade e em um determinado
momento histórico.
71

 Reconhecer que as únicas diferenças reais entre homens e mulheres


são as de origem biológica ligadas a fecundação concepção e
amamentação;
 Promover a igualdade de direito entre homens e mulheres.

Sumário

Sexo e Género

O conceito de género começou a ser usado na década de 80 por estudiosas


feministas, para contribuir com um melhor entendimento do que representa ser
homem e ser mulher em uma determinada sociedade e em um determinado
momento histórico.

Se falamos em sexo , pensaremos imediatamente em um atributo biológico , ou


seja, já ao nascer o bebe tem um sexo definido . Quando nasce uma menina,
sabemos que quando ela cresce será capaz de ter filhos/as e amamenta-los/as.
entretanto, segundo a socióloga Teresa Citellli , o facto de desde cedo ela ser
estimulada a brincar com bonecas e ajudar nos serviços domésticos, por
exemplo, não tem nada a ver com o sexo são costumes, ideias, atitudes, crenças
e regras criadas pela sociedade em que ela vive. Partir da diferença biológica,
cada grupo social constrói, em seu tempo, um modo de pensar sobre os
papeis, comportamentos, direitos e responsabilidades de mulheres e homens “.

Ainda segundo Citelli, “ a grande vantagem de se usar a noção de género, e a de


desnaturalizar relações consideradas ate então do domínio da natureza , e dessa
forma evidenciar o carácter social e cultural da hierarquia entre géneros ,que
quase sempre favorece os homens.O que é considerado natural não pode ser
mudado, mas só o que é social e cultural pode ser alterado para corrigir
desigualdades. Essa compreensão do conceito de género permite identificar em
nosso cotidiano: quais sãos símbolos atribuídos a mulheres e homens, quais as
normas de comportamento que decorrem desses símbolos e quais as instituições
que funcionam a partir dessas normas e – o mais importante – quais as
consequências disso tudo na vida de mulheres e homens.

O conceito de género permitiu também que se corrigissem dois equívocos:

a) a ênfase numa igualdade absoluta, negando as diferenças;


b) a centralização em apenas um dos géneros, não levando em conta que a

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 72

história da humanidade é uma historia de homens e mulheres em relação.

Enfim conceito de género é, antes de tudo, uma construção histórica e


social cujas referencias partem das representações sociais e culturais construídas
a partir das diferenças biológicas do sexo .se partirmos dessa premissa ,podemos
concluir que :se levarmos em conta que o feminino e o masculino são
determinados pela cultura e pela sociedade ,as diferenças que se transformaram
em desigualdades são portanto ,passíveis de mudança.

Exercícios

1 – Quais os dois equívocos que o conceito de género permitiu também


que se corrigissem?

Resposta:
Auto-avaliação
a) A ênfase numa igualdade absoluta, negando as diferenças ;

b) A centralização em apenas um dos géneros, não levando em conta


que a história da humanidade é uma historia de homens e mulheres
em relação.
73

Unidade N0 20-A0205

Tema: Direitos Sexuais e Reprodutivos da mulher

Introdução
A negação maciça dos direitos sexuais e reprodutivos da Mulher ou seja, dos
direitos humanos, provoca a morte de milhões de pessoas todos os anos, sendo
muito mais ainda as que ficam com lesões ou infecções permanentes. A maior
parte destas pessoas são mulheres e a maioria delas vivem nos países em
desenvolvimento.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Conhecer os direitos sexuais e reprodutivos da mulher.


Objectivos
 Identifica as principais componentes dos direitos sexuais e
reprodutivos da Mulher.

Sumário

Direitos Sexuais e Reprodutivos da mulher

Hoje em dia, as lacunas e falhas dos cuidados de saúde reprodutiva,


conjugadas com as desigualdades, desde há muito, da mulher e as
pressões da sociedade e da família, impedem as pessoas do mundo
inteiro de exercer os seus direitos sexuais e reprodutivos. Esta negação
maciça de direitos humanos provoca morte de milhões de pessoas todos
os anos, sendo muito mais ainda as que ficam com lesões ou infecções
permanentes. A maior parte destas pessoas são mulheres e a maioria

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 74

delas vivem nos países em desenvolvimento.

Os direitos sexuais e reprodutivos incluem a escolha voluntária no que se


refere ao casamento, relações sexuais e procriação.

As principais componentes dos direitos sexuais e reprodutivos são:

- Igualdade e equidade entre homens e mulheres a fim de permitir que


os indivíduos façam escolhas livres e esclarecido em todas as esferas
da vida, sem estarem sujeitos a qualquer discriminação forçada no
sexo;

- Saúde reprodutiva e sexual como uma componente da saúde em


geral, ao longo do ciclo de vida;

- Tomada de decisão quanto à reprodução, incluindo a escolha


voluntária quanto no casamento. Formação da família e determinação
do número de filhos, momento de ocorrência e espaçamento entre os
nascimentos, o direito de ter acesso à informação e aos meios
necessários para exercer uma escolha voluntária;

- Segurança sexual e reprodutiva incluindo a não sugestão à violência


sexual e à coacção e o direito a privada.

Estes direitos estão relacionados com os outros direitos sociais,


económicos e culturais através da complexa rede de conceitos
internacionais, nacionais e locais dos deveres mútuos dos indivíduos,
famílias, comunidades e estado.

Esse sofrimento e mortes poderiam ser evitados por melhorias dos


cuidados da saúde reprodutiva, tais como uma melhor vigilância e
cuidados durante a gravidez, bem como pelo encaminhamento e sistema
de transporte, em caso de emergência, e pela assistência pós-parto.
75

Exercícios

1 – A negação maciça dos direitos sexuais e reprodutivos da Mulher ou


seja, dos direitos humanos, provoca a morte de milhões de pessoas
todos os anos,

Auto-avaliação -Explica o sentido da expressão sublinhada

Resposta: Quer dizer que os direitos sexuais e reprodutivos da Mulher


,fazem parte dos direitos Humanos
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 76

Unidade N0 21-A0205

Tema: aspectos da vulnerabilidade ao HIV relacionado a anatomia


e fisiologia do corpo feminino

Introdução

Não é motivo para alarme feminino, todas as pessoas são vulneráveis a infecção, e
esta comprovada cientificamente, do ponto de vista biológico, contudo algumas
características especificas do corpo feminino, podem aumentar essa
vulnerabilidade. Numa oficina de sexo mais seguro, dependendo dos seus
objectivos, pode ser necessário discutir bastante a anatomia e a fisiologia
reprodutiva da Mulher, assim como o significado de inflamações e infecções
genitais.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Reconhecer aspectos da vulnerabilidade ao HIV relacionado a


anatomia e fisiologia do corpo feminino
Objectivos
 Identificar aspectos da vulnerabilidade ao HIV relacionado a anatomia
e fisiologia do corpo feminino

Sumário

Do ponto de vista biológico todas as pessoas são vulneráveis a infecção. porém


algumas características especificas do corpo feminino, podem aumentar essa
vulnerabilidade especialmente quando, numa relação heterossexual a espressão

77

sexual mais frequente é a penetração. Embora condições particulares de ambos


os parceiros façam com a diferença de vulnerabilidade entre homens e mulheres
não seja sempre a mesma para cada casal e para o conjunto de homens e
mulheres, deve-se considerar que:

- A concentrarão do HIV num dado fluido corporal é um factor determinante


para a eficiência da transmissão e geralmente o sémen contem uma quantidade de
HIV maior que o muco vaginal.

-A mucosa vaginal rompe-se facilmente durante um relacçäo sexual. Dada a


estençäo do canal vaginal com penetração são abertas varias pequenas portas
“portas de entrada” para o HIV.

-Além das micro serrações que ocorrem normalmente durante uma relação
sexual, vários factores podem tornar a mucosa vaginal mais vulnerável,
aumentando as chances de se criarem portas de entrada do HIV. Entre estes esta
a insuficiência da lubrificação vaginal, que deixa a mulher mais seca, um
fenómeno esperável após uma certa idade e facilmente contornável com o uso de
lubrificantes. Isso poderá ocorrer também se ela não estiver excitada ou
suficientemente estimulada .uma serie de condições patológicas, com irritações,
inflamações ou infecções, embora muitas vezes não percebidas pela mulher,
também torna a vagina mais susceptível ao HIV.

-Há indicações do aumento de risco se a mulher tiver relações sexuais


desprotegidas durante a menstruação.

-Alguns contraceptivos (como o DIU, os anovulatorios orais de alta dosagem e


alguns espermicidas) também criam um ambiente favorável a penetração do
HIV.

-As relações sexuais entre mulheres; embora geralmente considerada de baixo


risco, também trarão um aumento de vulnerabilidade se ocorrem durante a
menstruação, ou se houver infecções ou inflamações genitais.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 78

Exercícios
1 “ A insuficiência da lubrificação vaginal, deixa a mulher mais seca,
um fenómeno esperável após uma certa idade e facilmente contornável
com o uso de lubrificantes”. – O que poderá acontecer se a mulher não
estiver excitada ou suficientemente estimulada .

Auto-avaliação

Resposta : Podem tornar a mucosa vaginal mais vulnerável, aumentando


as chances de se criarem portas de entrada do HIV.

Unidade N0 22-A0205

Tema: Habilidades de vida

Introdução
Falar de habilidades de vida ,é falar de um conjunto de medidas que levam o
individuo a adaptar-se a varias situações da vida, de forma a ultrapassar
dificuldades com eficiencia no seu dia a dia. A OMS sugere que programas
sejam desenvolvidos para reduzir comportamentos de risco e aumentar cuidados
com saúde física e mental e especialmente programas de HIV-SIDA .
79

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Definir habilidades de vida;


Objectivos
 Identificar os problemas básicos da interpretação do fenómeno hiv-
sida.

Sumário

 Habilidades de vida

Habilidades de Vida são capacidades para comportamento adaptativo positivo,


que possibilitam-nos negociar eficazmente as demandas e desafios do cotidiano.
Envolvem habilidades pessoais que potenciarão as relações interpessoais. A
OMS sugere que programas sejam desenvolvidos para reduzir comportamentos
de risco e aumentar cuidados com saúde física e mental. Adolescentes são uma
população especial para estes programas, pela sua maior vulnerabilidade. Vimos
desenvolvendo no Brasil programas para ensino de Habilidades de Vida com
adolescentes, em escola pública de futuros professores, com conteúdo elaborado
através de adaptação cultural de programas da OMS. O objectivo é capacitar
adolescentes de hoje, e preparar multiplicadores para incorporar estas habilidades
em suas práticas profissionais. Utiliza-se exposição oral, discussões,
dramatizações e dinâmica de grupos, em sessões semanais. O programa foi
adequadamente adaptado, e houve aumento do conhecimento sobre as
habilidades. Os adolescentes incorporaram habilidades no seu quotidiano,
melhorando a qualidade das relações interpessoais e aumentando sua
competência social.

 A Sexualidade é um termo que refere à habilidade de mulheres e homens


desfrutarem e expressarem a sua sexualidade, livres de riscos de DTS gravidez
não desejada, coerção, violência e descriminação .Ai entra a habilidade de vida
de modo a tomar a decisão mais correcta das opções que se nos apresentam .
Relacionam-se com a capacidade das pessoas exercerem uma vida sexual
informada e segura, tendo uma abordagem positiva da sexualidade humana e
respeito mútuo nas relações sexuais.
As Habilidades de Vida são fundamentais para o desenvolvimento do potencial

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 80

humano de cada pessoa, para o exercício dos direitos humanos e para um sentido
global de bem-estar. Ao endossar a importância da habilidades e em
consequência, também da sexualidade para todas pessoas, os sistemas de
educação e de saúde criam uma forte base para prevenir e tratar as consequências
da violência sexual, da coerção e da descriminação ,promovendo o conhecimento
das habilidades de vida.

Exercícios

1 –O que são Habilidades de vida?.

Resposta : São capacidades para comportamento adaptativo positivo, que


possibilitam-nos negociar eficazmente as demandas e desafios do
cotidiano.
Auto-avaliação
81

Unidade N0 23A0205

Tema: Influência da cultura e os valores socio-culturais no


comportamento sexual da comunidade

Introdução
A cultura de um povo determina a sua conduta. Ela influencia o seu
comportamento em varias áreas incluindo o comportamento sexual da
comunidade. Por causa de crenças, tabus, mitos; esse comportamento
varia de cultura para cultura.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos  Conhecer a influencia da cultura e dos valores sócio culturais no


comportamento sexual da comunidade.

 Explicar de que modo a cultura e os valores sócio culturais


influenciam no comportamento sexual da comunidade.

Sumário

Influência da cultura e os valores socio-culturais no comportamento


sexual da comunidade
Como sabemos, a cultura tem grande influencia no comportamento

Habilidades de Vida e HIV-SIDA 82

sexual da comunidade. Por causa de crenças, tabus, mitos; esse


comportamento varia de cultura para cultura e em vários aspectos tais
assim como:

- Em relação ao trabalho:

Homem e mulher tem um papel importante de produção (bens e


serviços).

Ao nível doméstico, homens e crianças, devem ser cuidados e


sustentados, o que significa que a mulher tem muito trabalho e ainda sob
carregada de que o homem. Isto porque desde crianças na sua
adolescência e os ritos de iniciação a mulher foi ensinada a servir o
marido, cuidar dele e dos filhos; enquanto que o homem foi ensinado a
trazer dinheiro, fazer os trabalhos mais pesados ir a escola

- Em relação aos direitos humanos:

Antigamente, em todo mundo as mulheres eram negadas os seus direitos.


Metades delas eram subordinadas, apesar das leis darem “direitos iguais” sem
distinção do sexo, raça e tribo.

Estes direitos iguais nos quais as mulheres eram negadas estavam relacionados a:
terra, propriedade, educação, alimento, oportunidade de emprego e poder de
decisão, mais actualmente elas exercem os tais direitos.

Alguns conceitos:

Cultura: a cultura define-se como hábitos, expectativas,


comportamentos, ritos, valores e crenças que grupos humanos
desenvolvem na história. A cultura é o produto da interacção de pessoas,
ideias e ambiente. através da cultura e tradição, as pessoas aprendem
comportamentos aceites como “certos” ou errados.

Valor: é uma crença que é importante para um indivíduo. Os valores


podem ser influenciados por factores religiosos, educativos ou culturais,
ou por outras experiências pessoais. Mesmo entre as pessoas da mesma
cultura, com vários pontos em comum, tem havido diferença entre seus
valores. É muito raro, quase impossível entrar dois indivíduos que
tenham valores idênticos.

Os valores de uma traduzem-se em costumes, práticas cerimoniais e


ritos de iniciação-alguns valores são praticamente universais, como por
exemplo: O de preservar a vida. No entanto, os valores que orientam o
comportamento quotidiano costumam ser específicos à cultura onde

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evoluem.

Ritos: são cerimónias que as pessoas realizam para entrar em contacto


com os deuses, antepassados, e forças invisíveis.

Os ritos de iniciação: são cerimónias que preparamos os adolescentes


para vida adulta, quando atinge determinada idade. Os ritos são usados
não só para ensinar assuntos ligados a sexo, mais também relativo a vida
tais como: amor, casamento e respeito em geral.

Dependendo da região, os ritos podem incluir os ritos de iniciação


sexual, a partir dos quais a/o adolescente pode casar e ou praticar
relações sexuais. Com a organização da população esta a desaparecer
pouco a pouco, e, muitas vezes, não estão a ser substituídas por outro
tipo de educação.

Exercícios

1 – Diga porque a cultura influencia o comportamento sexual do


indivíduo?

Resposta: Acultura influencia o comportamento sexual na medida em que


Auto-avaliação
cada comunidade age e actua conforme os seus próprios valores
culturais, isto em todas áreas.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 84

Unidade N0 24-A0205

Tema: A Polémica sobre o HIV e a AIDS

Introdução
O problema e a dimensão do HIV-SIDA suscita uma diversidade de opiniões e
conjecturas que por vezes tendem a por em causa informaçãoes valiosas sobre a
mesma, as medidas que se adoptam para fazer face a essa pandemia.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos  Rever o seu postura em relação ao hiv-sida.

 Identificar os problemas básicos da interpretação do fenómeno. hiv-


sida.

Sumário

A Polémica sobre o HIV e a AIDS

“ Há alguns anos atrás, possivelmente em 1998, publiquei o artigo abaixo em.


Desde então, o que de relevante houve de modificações no tratamento da
Síndrome de imunodeficiência adquirida, SIDA, entre nós conhecida através da

85

sigla anglófona AIDS, foi a diminuição das doses de AZT e também a introdução
de anti-virais menos agressivos ao organismo humano. No entanto, pouco ou
nada se fala ainda das causas que levam pacientes a utilizarem drogas ilícitas tais
como a cocaína, a heroína ou ainda menos ainda se fala das causas que levam o
ser humano a desenvolver padrões de comportamento sexual promíscuo.
Sabemos de pacientes que chegam a ter 20 relações anais passivas por dia com
clientes diferentes. Imagine o que isto causa ao sistema imunológico. Então,
continua-se a não se abordar de forma contundente estes comportamentos
causadores de depressão imunológica e continua-se somente a prescrever anti-
virais, a se indicar tratamentos psicológicos com a finalidade de levar o paciente
simplesmente a aceitar sua condição de HIV positivo, a aceitar os efeitos
colaterais dos medicamentos anti-virais e o único instrumento de prevenção
proposto até agora é a camisinha. Nunca vi nenhum organismo governamental
propor o questionamento da postura sexual de nenhum paciente! Alguma ONG o
faz?

    Temos ainda o problema da corrupção em nosso país.

    Olhando-se a abordagem que o governo FHC, através de seu ministro da


saúde, José Serra, tem dado ao problema, inspirado em proposta do PT, vemos
que se baseia na distribuição "gratuita" de anti-virais e camisinhas e com isso
tem sido este programa elogiado nas mídias de todo o mundo. Ora, isto seria
muito bonito se tivéssemos duas certezas: 1- a de que o tratamento à base de
medicamentos anti-virais somente é realmente eficiente. 2- que não há
pagamento de comissões ilícitas a intermediários, a burocratas, a fabricantes e
distribuidores, como tão comumente acontece. Ou será que estou equivocado e
nossos funcionários públicos de alto escalão tem sido exemplos de honestidade
no trato dos dinheiros públicos?

Abaixo, reparo algumas vírgulas e erros ortográficos somente e actualizo alguns


endereços e telefones para que o leitor possa comparar o que pensava há anos
atrás e o que está acontecendo hoje (31 de Outubro de 2002).g

Veja bem. Não estou propondo um tratamento e sim questionando a abordagem


oficial. Novas abordagens terapêuticas surgirão a partir do momento em que
estes pontos abaixo apontados forem completamente compreendidos.” - in,
Brasil.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 86

Exercícios
1 – Qual a essência da mensagem do texto?.

Resposta :Fala essencialmente do comportamento sexual promíscuo de


vários indivíduos e da corrupção no governo.
Auto-avaliação
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EXERCÍCIOS A RESOLVER

Trabalho1 para primeira sessão presencial – Código: T-SRHS-01

-Faça uma reflexão em quatro (4) páginas no mínimo sobre os temas abaixo e
Relacione o conteúdo do Módulo e o seu extracto com a realidade cotidiana:

“Por isso, quando se fala em saúde sexual e reprodutiva, referimo-nos, entre


outros aspectos, à promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de ambos os
sexos, através da divulgação de informação credível e cientificamente sustentada,
à facilitação do acesso à contracepção fiável e a meios de prevenção das
infecções sexualmente transmissíveis. Por outro lado, contempla-se ainda a
disponibilização de recursos que permitam que as gravidezes e os partos
decorram de forma segura e se garanta apoio aos indivíduos e aos casais no
domínio da sexualidade”.

Trabalho2 para segunda sessão presencial – Código: T- SRHS -02

-Faça uma reflexão no mínimo de 25 linhas sempre relacionando o conteúdo do


módulo com a realidade quotidiana, cada um dos ítenes:
a)Explica a razão da dificuldade de conceituar e a grande abrangência do termo
“saúde”
b) Explica o porquê do título impasse da clínica da saúde na unidade referente ao
conceito de saúde.
c) Fale do historial do HIV-SIDA e das várias tipologias de vírus.
d) Fale dos sinais e sintomas do HIV-SIDA assim como dos linfócitos T /CD4.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 88

Trabalho3 para terceira sessão presencial – Código: T- SRHS -03

- Faça igualmente uma reflexão no mínimo de 25 linhas sempre relacionando o


conteúdo do módulo com a realidade quotidiana, cada um dos ítenes
a )Explica com exemplo concreto da tua origem e experiência a influência da
cultura e os valores sócio-culturais do comportamento sexual da comunidade.
b)Em relação ao sexo, género, direitos reprodutivos e sexuais, relacione a prática
quotidiana com o teor do texto.
c) Tendo em conta que o jovem o futuro da nação aborde os aspectos do módulo
a ele referentes para que se garanta um desenvolvimento integral do jovem, o
futuro da nação.
d) Acerca da última unidade a polémica do HIV-SIDA, qual a sua percepção e
opinião e que conselhos irias dar a alguém que precisa baseando-se no teor da
unidade e na prática quotidiana.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1.OMS/UNICEF. Cuidados primários de saúde. Brasília

(DF); 1979 [Relatório da Conferência Internacional sobre

Cuidados Primários de Saúde; 1978, 6-12 set; Alma-Ata,

URSS].

2. Paim J. A reforma sanitária e os modelos assistenciais. In:

Rouquayrol MZ, Almeida Filho N. Epidemiologia e

saúde. Rio de Janeiro: Medsi; 1999. p. 473-87.

3.Almeida Filho N. A clínica e a epidemiologia. 2a ed.

Salvador. APCE/Rio de Janeiro: ABRASCO; 1997.

4. Clavreul J. A ordem médica. São Paulo: Brasiliense; 1980.

5.VILLELA,Wilsa, oficina de sexo mais seguro para mulheres,

6.MISAU/DNS/ Programa de Saúde Sexual e Reprodutiva para


Adolescentes e Jovens; Manual de Educação e aconselhamento em
sexualidade, Saúde e Direitos Reprodutivos e HIV/SIDA para
Adolescentes e Jovens, Fundo das Nações Unidas para à Popula
População. Maputo, Moçambique. 2003.

7.Chipkevitch, Puberdade e Adolescência, Editora lglu, São-Paulo,


Brasil, 1992

8.Bastos, Alvaro; Ginecologia Infanto-Jovenil, Editora Roca, São-


Paulo,Brasil,1994

9.MISAU/DNS; Aconselhamento e testes voluntários-Manual do


Conselheiro e do Supervisor dos Gabinetes de ATV,
MISAU,Maputo,Moçambique, 2001.
Habilidades de Vida e HIV-SIDA 90