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CENOFISCO - CENTRO DE ORIENTAÇÃO FISCAL

ICMS • IPI • ISS MG

Set/2020

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MG-13-2019 1
Cenofisco - Centro de Orientação Fiscal

SUMÁRIO
Doação de Mercadorias - Tratamento fiscal ...................................................... 3
Trabalho que dispõe sobre o tratamento fiscal aplicável às operações de doação de
mercadorias.

MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Páginas Eletrônicas - Planejamento, Confecção, Manutenção e Atualização ....... 10


Trabalho que dispõe sobre a incidência do ISS na prestação de serviço de planejamento,
confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas.

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Doação de Mercadorias - Tratamento fiscal


Data de publicação: 15/09/2020
SUMÁRIO
1. Introdução
2. Fato Gerador
3. Base de Cálculo
4. CFOP
5. Doação - Hipóteses de Isenção do ICMS
5.1. Produtos alimentícios considerados "perdas" ao Banco de Alimentos (Food Bank)
5.2. Brita e cimento
5.3. Entidade assistencial ou educacional - Importação de mercadoria doada
5.4. Importação de produtos hospitalares
5.5. Microcomputador usado
5.6. Doações para a Secretaria da Educação
5.7. Órgãos públicos - Doações para vítimas da seca
5.8. Órgãos públicos - Doações para vítimas de catástrofes
5.9. Órgãos públicos - Importação
5.10. SENAI
5.11. Vítimas de calamidades
5.12. MASP - Obras de arte
5.13. Fundo Social de Solidariedade
5.14. Furnas Centrais Elétricas S/A - Doacão
5.15. Medicamentos não registrados pela ANVISA
5.16. Fome Zero
5.17. Amigos do bem
5.18. Obras de arte
5.19. Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)

1. INTRODUÇÃO

Neste trabalho, comentaremos sobre o tratamento fiscal aplicável às operações de doação de


mercadorias, com fundamento nos dispositivos do RICMS-SP, aprovado pelo Decreto nº 45.490/2000.

2. FATO GERADOR

O ICMS é um imposto que incide sobre a circulação de mercadorias, a prestação de serviços de


transporte intermunicipal e interestadual e de comunicação.

Renomados tributaristas entendem que o ICMS somente incide sobre a circulação de mercadorias
realizada com o fim econômico, ou seja, com o objeto de comércio, não alcançando, portanto, toda e
qualquer saída física de mercadoria do estabelecimento, como é o caso da operação de doação de
mercadorias.

Em que pesem as discussões judiciais sobre o assunto, sob essa análise levaremos em consideração
apenas o estabelecido na Lei Complementar nº 87/96, em seu art. 2º, inciso I, que assim dispõe:

"Art. 2º - O imposto incide sobre:

I - operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de


alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares;".

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As disposições da Lei Complementar nº 87/96 foram introduzidas na legislação do ICMS do


Estado de São Paulo, por meio da Lei nº 6.374/1989, e regulamentada pelo Decreto nº 45.490/2000,
que aprova o Regulamento do ICMS, em vigor.

Para efeitos de aplicação da legislação do ICMS, não serão relevantes a natureza jurídica da operação
ou o fim a que se destina para a caracterização do fato gerador do imposto que se materializa com a saída
física da mercadoria do estabelecimento, a qualquer título.

Dessa maneira, observa-se que as operações de doação de mercadorias estão sujeitas à tributação
do ICMS, exceção feita às hipóteses de aplicação de isenção do imposto em determinadas operações
especificadas no tópico 5, ou,então, em relação a benefícios fiscais aplicáveis à própria mercadoria objeto
de doação, tais como os livros que se encontram amparados por imunidade constitucional, os alimentos
que compõem a cesta básica que se encontram beneficiados por base de cálculo reduzida, nos termos
do art. 3º do Anexo II do RICMS-SP.

3. BASE DE CÁLCULO

Em regra, a base de cálculo do ICMS corresponde ao valor da operação ou prestação, já incluído


nesse valor o montante do próprio imposto.

As operações de doação de mercadorias ou bens se submeterão à mesma regra, considerando-se,


inclusive, os eventuais benefícios fiscais aplicáveis para cada caso, em específico.

Nas saídas a título de doação, sujeitas à tributação comum do imposto, a base de cálculo
corresponderá (art. 38, incisos I a III, do RICMS-SP):

1 - ao preço corrente da mercadoria ou de sua similar no mercado atacadista do local da


operação ou, na sua falta, no mercado atacadista regional, caso o remetente seja produtor,
extrator ou gerador, inclusive de energia (art. 38, I, do RICMS-SP);

2 - ao preço FOB estabelecimento industrial à vista, caso o remetente seja


estabelecimento industrial, assim considerado o preço efetivamente praticado pelo remetente em
operação mais recente (art. 38, II, § 1º, do RICMS-SP);

3 - ao preço FOB estabelecimento comercial à vista, nas vendas a outros comerciantes ou


industriais, caso o remetente seja comerciante, ou seja, a base de cálculo será o preço
efetivamente praticado pelo estabelecimento remetente na operação mais recente (art. 38, III, §
1º, do RICMS-SP).

Na hipótese de não serem realizadas operações de vendas a comerciantes ou industriais, conforme


descrito no item 3, será considerado para composição da base de cálculo o equivalente a 75% do preço de
venda no varejo, utilizando-se o preço efetivamente praticado em operação mais recente (art. 38, § 2º,
do RICMS-SP).

4. CFOP

A nota fiscal emitida para acobertar a saída das mercadorias remetidas a título de doação, além dos
requisitos normalmente exigidos, deverá conter o CFOP: 5.910 ou 6.910, conforme o caso.

5. DOAÇÃO - HIPÓTESES DE ISENÇÃO DO ICMS

A legislação do ICMS dispõe sobre a aplicação do benefício fiscal de isenção do imposto a


determinadas operações relacionadas no Anexo I do RICMS-SP.

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Relacionamos, nos subtópicos adiante, de forma resumida, as operações de doação de mercadorias


contempladas com isenção do ICMS, desde que atendidas as condições exigidas em cada dispositivo do
Anexo I do RICMS-SP.

5.1. Produtos alimentícios considerados "perdas" ao Banco de Alimentos (Food


Bank)

Fica isenta do ICMS a saída, por doação, de produtos alimentícios considerados como "perdas", com
destino aos estabelecimentos do Banco de Alimentos (Food Bank) e do Instituto de Integração e de
Promoção da Cidadania (INTEGRA), sociedades civis sem fins lucrativos, para entrega, após necessária
industrialização ou reacondicionamento, a entidades, associações e fundações que devam distribuí-los
gratuitamente a pessoas carentes (art. 9º do Anexo I do RICMS-SP e Convênio ICMS nº 136/94).

5.2. Brita e cimento

Fica isenta do ICMS a saída interna promovida pela empresa S/A Indústrias Votorantim de 59.240
toneladas de brita e de 7.855 toneladas de cimento decorrente de doação efetuada ao Departamento de
Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo ou à Prefeitura Municipal de Votorantim (Convênio ICMS nº
79/98 e art. 11 do Anexo I do RICMS-SP).

5.3. Entidade assistencial ou educacional - Importação de mercadoria doada

Ficam isentos do ICMS o desembaraço aduaneiro, bem como a posterior saída, de mercadoria
importada do exterior em decorrência de doação efetuada por organização internacional ou estrangeira ou
por país estrangeiro, destinada à distribuição gratuita em programa implementado por instituição
educacional ou de assistência social, relacionado com suas finalidades essenciais (Convênio ICMS nº
55/1989 e art. 32 do Anexo I do RICMS-SP).

5.4. IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS HOSPITALARES

Fica isento do ICMS o desembaraço aduaneiro dos produtos indicados no art. 38 do Anexo I do
RICMS-SP, decorrente de importação do exterior feita diretamente por órgão ou entidade da
administração pública, direta ou indireta, bem como por fundação ou entidade beneficente de assistência
social certificada nos termos da Lei Federal nº 12.101/09 (art. 38 do Anexo I do RICMS-
SP e Convênio ICMS nº 104/1989).

Referido benefício alcança os casos de doação, ainda que haja similar nacional do bem importado.

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.5. Microcomputador usado

Fica isenta do ICMS a saída de microcomputador usado (seminovo), em decorrência de doação


efetuada diretamente pelo estabelecimento fabricante ou suas filiais, a escola pública especial e
profissionalizante, associação de portadores de deficiência ou comunidade carente (Convênio ICMS nº
43/99 e art. 47 do Anexo I do RICMS-SP).

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5.6. Doações para a secretaria da educação

Fica isenta do ICMS a saída interna e interestadual de mercadoria decorrente de doação efetuada à
Secretaria da Educação do Estado, para distribuição, também por doação, a escolas ou ao seu corpo
discente, da rede oficial de ensino (Convênio ICMS nº 78/92 e art. 52 do Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.7. Órgãos públicos - Doações para vítimas da seca

Fica isenta do ICMS a saída de mercadoria decorrente de doação a órgãos ou entidades da


administração direta ou indireta da União, dos Estados ou dos Municípios ou a entidade assistencial
reconhecida como de utilidade pública, para assistência às vítimas de situação de seca localizadas na área
de abrangência da SUDENE, bem como a prestação de serviço de transporte daquela mercadoria
(Convênio ICMS nº 57/98 e art. 53 do Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.8. Órgãos públicos - Doações para vítimas de catástrofes

Fica isenta do ICMS a saída de mercadoria em razão de doação efetuada ao Governo do Estado de
São Paulo para distribuição gratuita a pessoas necessitadas ou vítimas de catástrofes, em decorrência de
programa instituído para esse fim, bem como a prestação de serviço de transporte correspondente
(Convênios ICMS nºs 82/95 e 90/99 e art. 54 do Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.9. Órgãos públicos - Importação

Fica isento do ICMS o desembaraço aduaneiro, em decorrência de importação direta (Convênios


ICMS nºs 80/95 e 93/98 e art. 56, I, do Anexo I do RICMS-SP):

a) efetuada por órgãos da Administração Pública direta ou indireta de:

a.1) quaisquer produtos recebidos por doação;

a.2) equipamentos científicos e de informática, suas partes, peças de reposição e


acessórios, bem como de reagentes químicos, adquiridos a qualquer título;

b) de aparelhos, máquinas, equipamentos e instrumentos, suas partes e peças de


reposição e acessórios, de matérias-primas e produtos intermediários, e de artigos de laboratório,
em que a importação seja beneficiada com as isenções previstas na Lei Federal nº 8.010/1990,
efetuada por:

b.1) institutos de pesquisa federais ou estaduais;

b.2) institutos de pesquisa sem fins lucrativos instituídos por leis federais ou estaduais;

b.3) universidades federais ou estaduais;

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b.4) organizações sociais com contrato de gestão com o Ministério da Ciência e


Tecnologia indicadas no § 2º do art. 56 do Anexo I do RICMS-SP;

b.5) fundações sem fins lucrativos das instituições referidas nos itens anteriores, que
atendam aos requisitos previstos no artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN), para o estrito
cumprimento de suas finalidades estatuárias de apoio às entidades beneficiadas pela isenção
prevista neste subtópico;

b.6) pesquisadores e cientistas credenciados no âmbito de projeto aprovado pelo


Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Convênio ICMS nº
93/1998);

b.7) fundações de direito privado, sem fins lucrativos, que atendam aos requisitos
do artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN), contratadas pelas instituições ou fundações
referidas nos itens anteriores, nos termos da Lei Federal nº 8.958/1994, desde que os bens
adquiridos integrem o patrimônio da contratante (Convênio ICMS nº 93/1998).

Referido benefício fiscal alcança também às importações efetuadas por fundações ou entidades
beneficentes ou de assistência social que atendam aos requisitos previstos no artigo 14 do Código
Tributário Nacional (CTN).

5.10. SENAI

Fica isenta do ICMS a saída interna ou interestadual de mercadoria constante das posições 8444 a
8453 da NBM/SH, promovida por indústria de máquinas e equipamentos para os Centros de Formação de
Recursos Humanos do Sistema Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em razão de doação
ou cessão em regime de comodato, visando ao reequipamento desse centro (Convênios ICMS nºs 60/1992,
107/1992 e 133/2006 e inciso I do art. 76 do Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.11. Vítimas de calamidades

Fica isenta do ICMS a saída de mercadoria em decorrência de doação à entidade governamental ou à


entidade assistencial reconhecida como de utilidade pública e que atenda aos requisitos previstos no art.
14 do Código Tributário Nacional (CTN), portadora do "Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos"
fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, para assistência a vítimas de calamidade pública
declarada por ato de autoridade competente, bem como a prestação de serviço de transporte daquela
mercadoria (Convênios ICMS nºs 26/1975, 39/1990 e 151/1994 e art. 83 do Anexo I do RICMS-SP).

5.12. MASP - Obras de Arte

Fica isento do ICMS o desembaraço aduaneiro das obras de arte, relacionadas a seguir, recebidas em
doação pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), CNPJ nº 60.664.745/0001-87
(Convênios ICMS nºs 67/01 e 71/03 e art. 90 do Anexo I do RICMS-SP):

a) duas esculturas chinesas da Dinastia Tang (618-906 AD), importadas da Inglaterra;

b) pintura realizada em óleo sobre madeira, constante de um tríptico na moldura original,


do pintor renascentista flamengo Jan Van Domicke (Antuérpia 1470 - 1527), representando Cristo
carregando a cruz, a crucificação e o sepultamento, importada da Europa.

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5.13. Fundo social de solidariedade

Ficam isentas do ICMS as saídas de mercadorias com destino ao Fundo Social de Solidariedade do
Governo do Estado de São Paulo, em decorrência de doação (Convênio ICMS nº 117/01 e art. 91 do
Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.14. Furnas Centrais Elétricas S/A - Doação

Ficam isentas do ICMS as saídas, em decorrência de doação realizada pela empresa Furnas Centrais
Elétricas S/A, de material de consumo, equipamentos e outros bens móveis, para associações de amparo a
portadores de deficiência física, comunidades carentes, órgãos da Administração Pública Federal, Estadual
ou Municipal, inclusive suas escolas e universidades, bem como fundações de direito público, autarquias e
corporações mantidas pelo poder público (Convênio ICMS nº 120/2002 e art. 95 do Anexo I do
RICMS-SP).

5.15. MEDICAMENTOS NÃO REGISTRADOS PELA ANVISA

Ficam isentas do ICMS as operações relacionadas a seguir, realizadas com os medicamentos


indicados no § 3º do art. 96 do Anexo I do RICMS-SP (Convênio ICMS nº 21/03 e art. 96 do
Anexo I do RICMS-SP):

a) desembaraço aduaneiro decorrente de importação do exterior por empresa


patrocinadora do Programa Governamental denominado "Programa de Acesso Expandido" de que
trata a Resolução RCD nº 26/99, para doação a hospitais, clínicas e centros de pesquisa com a
finalidade específica de serem empregados no tratamento de portadores de doenças graves e que
ameaçam a vida dos integrantes do Programa, na ausência de droga específica disponível no
mercado nacional;

b) saída do estabelecimento do importador, em doação, com destino aos estabelecimentos


e para o fim específico indicados na letra "a".

5.16. Fome Zero

Ficam isentas do ICMS as saídas internas e interestaduais de mercadorias, em decorrência de doação,


destinadas ao atendimento do Programa intitulado Fome Zero (Convênio ICMS nº 18/2003, Ajuste
SINIEF nº 2/2003 e art. 97 do Anexo I do RICMS-SP).

Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.17. Amigos do bem

Fica isenta do ICMS a saída de bens e mercadorias recebidos em doação, promovida pela
organização não governamental "Amigos do Bem - Instituição Nacional Contra a Fome e a Miséria no
Sertão Nordestino", inscrita no CNPJ sob número 05.108.918/0001-72, destinada a compor suas ações para
a melhoria da situação alimentar e nutricional de famílias em situação de pobreza nas regiões Norte e
Nordeste (Convênio ICMS nº 129/2004 e art. 113 do Anexo I do RICMS-SP).

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Nota Editorial
Este benefício vigorará até 31/10/2020. (Decreto nº 65.156/20)

5.18. Obras de arte

Fica isenta do ICMS a saída de obras de arte, decorrente de operações realizadas pelo próprio autor
(Convênio ICMS nº 59/1991 e art. 128 do Anexo I do RICMS-SP).

Referido benefício aplica-se, também, nas operações de importação de obra de arte recebida em
doação realizada pelo próprio autor ou quando adquirida com recursos da Secretaria de Fomento e
Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (Convênio ICMS nº 56/2010).

5.19. Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)

Ficam isentas do ICMS as saídas internas de mercadorias produzidas ou recebidas em doação pela
Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), CNPJ nº 60.979.457/0001-11, bem como o
fornecimento de refeição, promovido por seus estabelecimentos, a seus empregados, pacientes e
acompanhantes, desde que, em ambos os casos, a renda decorrente seja integralmente revertida ao
financiamento das atividades previstas em seu estatuto social (Convênio ICMS nº 24/2009 e art. 142
do Anexo I do RICMS-SP).

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Município de São Paulo

Páginas Eletrônicas - Planejamento, Confecção, Manutenção e


Atualização
Data de publicação: 15/09/2020
SUMÁRIO
1. Introdução
2. Fato Gerador
3. Planejamento, Confecção, Manutenção e Atualização de Páginas Eletrônicas
4. Local de Pagamento do Imposto
5. Base de Cálculo
6. Resumo de Obrigações Fiscais
7. Profissional Autônomo
8. Responsável pelo Pagamento
9. Serviços de Informática - Cronograma

1. INTRODUÇÃO

Nesta oportunidade, comentaremos sobre a incidência do ISS na prestação de serviço de


planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, com fundamento no disposto
na Lei nº 13.701/2003.

2. FATO GERADOR

A prestação de serviços de planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas


eletrônicas está sujeita à incidência do ISS, uma vez que consta no subitem 1.08 da lista de serviços prevista
no art. 1º da Lei nº 13.701/2003.

3. PLANEJAMENTO, CONFECÇÃO, MANUTENÇÃO E ATUALIZAÇÃO DE PÁGINAS


ELETRÔNICAS

Conforme preceitua Sergio Pinto Martins, in "Manual do ISS", 6ª Edição, Ed. Atlas, pág. 155, "Planejar
é determinar os objetos ou metas ou a coordenação de meios e recursos para atingi-los.

Confecção é dar acabamento, executar uma obra qualquer, compor, criar uma página eletrônica.

Manutenção é a medida para a conservação da página eletrônica. Envolve cuidados técnicos


necessários ao funcionamento regular e permanente da página eletrônica.

Atualização envolve o aprimoramento da página em decorrência de situações mais modernas.

O item diz respeito a planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas e


não de outros materiais que não sejam ligados à informática".

4. LOCAL DE PAGAMENTO DO IMPOSTO

Em relação ao serviço de planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas,


o imposto é devido no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no domicílio do
prestador (art. 3º da Lei nº 13.701/2003)

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5. BASE DE CÁLCULO

A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, não permitidos quaisquer descontos ou abatimentos,
com exceção dos concedidos incondicionalmente (art. 14 da Lei nº 13.701/2003).

O recolhimento do valor do imposto será efetuado no dia 10 de cada mês subsequente ao de


ocorrência dos fatos geradores.

6. RESUMO DE OBRIGAÇÕES FISCAIS

A atividade de planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas (subitem


1.08 da lista de serviços prevista no art. 1º da Lei nº 13.701/2003), fica sujeita às obrigações fiscais
previstas na legislação do imposto.

Reproduzimos a seguir, os códigos de serviço relacionados com a referida atividade, bem como as
respectivas obrigações fiscais, que foram extraídos do Anexo I da Instrução Normativa SF/SUREM nº
8/2011:

Código Item - Art. Tipo Base


Data de Documentos Livros
de 1º da Lei nº Descrição de Alíquota de Incidência
Vencimento Fiscais Fiscais
Serviço 13.701/2003 Pessoa Cálculo

Planejamento,
Dia 10 do
confecção,
Preço mês
manutenção e
02935 1.08 PJ 2,9% do Mensal seguinte ao NFS-e 57
atualização de
Serviço de
páginas
Incidência
eletrônicas.

Outros
serviços de
informática
não
referenciados
em outro
Isento
código do
grupo
02685 1.08 PF (Ver - - - Facultativo
Jurídicos,
Tópico
Econômicos e
7)
Técnico-
Administrativo
e congêneres
prestados por
profissional
autônomo.

7. PROFISSIONAL AUTÔNOMO

Segundo o doutrinador Bernardo Ribeiro de Moraes (in "Doutrina e Prática do Imposto sobre
Serviços", Editora Revista dos Tribunais Ltda., novembro de 1975, p. 443), o profissional autônomo se
caracteriza como a pessoa física que, habitualmente e sem subordinação jurídica ou dependência
hierárquica, presta atividade remunerada. Seus traços característicos podem ser assim destacados:

a) pessoa física - o profissional autônomo é sempre uma pessoa física, representada pelo
indivíduo ou ser humano;

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b) habitualidade - o profissional autônomo, antes de tudo, é um profissional, isto é, exerce


uma atividade econômica, com ato de profissão e, portanto, com certa continuidade ou
habitualidade;

c) sem subordinação jurídica ou dependência hierárquica - o profissional autônomo exerce


sua atividade econômica com inteira liberdade de ação em face daquele para quem presta a
atividade, atribuindo ao interessado no serviço o poder de comandar ou de dar ordens ao
prestador do serviço. O horário para prestar o serviço, o modo desta prestação, etc. são decididos
pelo próprio profissional autônomo; e

d) atividade remunerada - o profissional autônomo exerce atividade remunerada,


prestando o serviço mediante pagamento ou remuneração. O serviço que presta é sempre
oneroso.

Como regra, para que seja exigido o ISS em relação a uma prestação de serviço, a atividade deve
estar relacionada na lista de serviços prevista nocaputdo art. 1º da Lei nº 13.701/2003.

Assim, o fato gerador do ISS ocorre com a efetiva prestação de serviços, seja na forma de trabalho
pessoal (autônomo) ou quando prestados por sociedade civil ou, ainda, quando os serviços forem
prestados por sociedade de profissionais.

Contudo, com o advento da Lei nº 14.864/2008, regulamentada pelo art. 146 do RISS-SP,
aprovado pelo Decreto nº 53.151/2012, com efeitos desde 01/01/2009, ficam isentos do pagamento do
ISS os profissionais liberais e autônomos, desde que tenham inscrição como pessoa física no Cadastro de
Contribuintes Mobiliários (CCM), quando prestarem os serviços previstos no art. 1º da Lei nº
13.701/2003.

O serviço de planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas pode ser


exercido por profissionais autônomos; todavia a isenção do ISS somente será aplicada aos profissionais
liberais e autônomos que tenham inscrição como pessoa física no CCM.

8. RESPONSÁVEL PELO PAGAMENTO

A legislação determina que o sujeito passivo da obrigação tributária é o prestador do serviço,


portanto, deverá cumprir as obrigações tributárias relativas à incidência do imposto (art. 5º da Lei nº
13.701/2003).

Dessa maneira, o prestador do serviço relacionado no art. 1º da Lei nº 13.701/2003, em regra,


indicada na legislação do imposto, será responsável direto pelo pagamento do imposto e pelo
cumprimento das demais obrigações tributárias e fiscais.

Contudo, o legislador poderá atribuir responsabilidade tributária a terceiro envolvido na prestação


do serviço, que substituirá o contribuinte no cumprimento da obrigação tributária.

Nos termos do art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN), a responsabilidade tributária fica
assim definida:

"Art. 128 - Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a
responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação,
excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento
total ou parcial da referida obrigação".

Quando o prestador e o tomador forem localizados no Município de São Paulo, não há a atribuição
da responsabilidade ao tomador em relação ao ISS incidente sobre o serviço objeto deste trabalho,
devendo, portanto o próprio prestador efetuar o recolhimento do ISS.

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Quando o serviço for prestado por contribuinte estabelecido em outro Município a tomador
estabelecido no Município de São Paulo, o prestador deverá inscrever-se no Cadastro de Prestadores de
Outros Municípios (CPOM) da Prefeitura do Município de São Paulo, conforme disposto no art. 9ºA da lei
nº 13.701/2003, observado o que segue:

1 - se o prestador estabelecido em outro município não for inscrito no CPOM da Prefeitura


do Município de São Paulo, o tomador do serviço deverá reter o ISS na fonte;

2 - se o prestador estabelecido em outro município for inscrito no CPOM da Prefeitura do


Município de São Paulo, o tomador do serviço não deverá reter o ISS na fonte.

Diante do exposto, resta-nos observar que a inscrição no CPOM não é exatamente uma regra de
retenção do imposto, pois a obrigatoriedade de retenção pelo tomador decorre da falta de cadastro do
prestador no CPOM da Prefeitura do Município de São Paulo. A partir do momento em que o prestador
regularizar essa situação, ele mesmo deve recolher o imposto para o Município em que estiver
estabelecido. No entanto, se essa irregularidade persistir, além de recolher o ISS para o município em que
está estabelecido, o prestador também sofrerá a retenção do ISS pelo tomador do Município de São Paulo,
o que acarretará em bitributação do ISS.

9. SERVIÇOS DE INFORMÁTICA - CRONOGRAMA

Os tomadores de serviços relacionados no art. 9º, II, "c" da lei nº 13.701/2003 (art. 6º, II, "c",
do RISS-SP - Decreto nº 53.151/2012), dentre eles o serviço de planejamento, confecção, manutenção e
atualização de páginas eletrônicas (subitem 1.08 da lista de serviços prevista no art. 1º da Lei nº
13.701/2003), passariam a ser responsáveis pela retenção na fonte e pelo recolhimento do ISS ao
Município de São Paulo, tornando-se assim sujeito passivo da obrigação tributária, desde que o serviço seja
prestado dentro do território do Município de São Paulo por prestadores de serviços estabelecidos no
Município de São Paulo, conforme cronograma a ser estabelecido pela Secretaria Municipal de Finanças.

Contudo a Secretaria das Finanças do Município de São Paulo até o presente momento não publicou
o mencionado cronograma, portanto para essa hipótese não há que falar em retenção na fonte pelo
tomador localizado no Município de São Paulo.

SP-38-2020 13