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O caso do Homem dos Ratos relata o processo analítico, conduzido por Freud,

de um jovem homem que há muito era acometido de ideias obsedantes antes


mesmo da época em que procurou por seu tratamento. A princípio devido a sua
gravidade um pequeno deslize levaria o caso para a psicose, entretanto através
dos relatos e das associações percebe-se que se trata de neurose obsessiva em
virtude da identificação do jovem com seu pai. O caso foi publicado muito tempo
depois de seu término e foi edificado a partir das anotações que Freud fez do
mesmo, anotações essas que faziam parte de sua rotina de trabalho, realizadas
sempre à noite, logo depois do término dos atendimentos clínicos prestados por
ele durante cada dia.
A formação de seu sintoma inicia com sua iniciação precoce aos prazeres
quando a sua governanta deixa que ele veja suas partes íntimas e a toque.
Depois disso, ele adquiriu a consciência de suas obsessões, pois ao contar a sua
mãe sobre suas ereções teve a sensação que era possível que seus
pensamentos fossem ouvidos por seus pais. Seu desejo sobre a nudez feminina
era forte, porém tinha medo de pensar sobre isso imaginando que algo pudesse
acontecer, como a morte de seu pai.
A Neurose obsessiva é marcada pela dúvida e a dívida, bem como a
ambivalência de amor e ódio. Ernest ama e odeia seu pai e a dama. A dúvida
baseia- se em casar ou não com a dama, pois segundo seu pai (identificação) ele
deveria casar-se com uma mulher rica, assim como ele o fez, tendo casado com a
mãe de Ernest por interesse para que pudesse saldar uma dívida de jogo.
O que Freud percebe é que a dívida é associada ao significante de prestação
(quantia a ser paga em parcelas), que em alemão significa raten, sobrepondo-se
a ratten, que é rato. As duas palavras têm o mesmo som, portanto, trata-se do
mesmo significante, por este motivo o Homem dos Ratos projetava a dívida dos
seus óculos a algo terrível que aconteceria a seu pai no mundo dos mortos. O
símbolo do rato levou o paciente a uma série de associações que incluíam
erotismo anal e lembranças de excitações.
Somente depois de compreendido os fatos citados é que foi possível entender
o processo pelo qual se formara a ideia obsessiva do paciente. Essa formalização
teórica das variáveis que caracterizam a neurose obsessiva, constituem um
marco história do saber produzido acerca dela e até hoje não foi superado por
nenhum outro teórico que dela que se ocupou. Por isso mesmo, o caso do
Homem dos Ratos pode ser considerado como sendo uma das maiores
contribuições da psicanálise à história clínica do saber sobre a referida neurose.

REFERÊNCIAS:

Freud, S. (2013). Observações sobre um caso de neurose obsessiva. In S.


Obras completas (Vol. 9, pp. 13-112). São Paulo: Companhia das Letras.

RIBEIRO, Maria Anita Carneiro. A neurose obsessiva. Rio de Janeiro: Jorge


Zahar Editor, 2006

LACAN, Jacques. O seminário. Livro 5: as formações do inconsciente. Rio de


Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

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