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DINAMIZAÇÃO E CONDUÇÃO DE

UFCD
3497 ATIVIDADES DE ANIMAÇÃO EM
CONTEXTO TURÍSTICO
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Índice

1.Dinamização de atividades de animação......................................................................2


2. Aplicação de técnicas de animação turística................................................................6
3.Organização das atividades e participantes................................................................15
4.Gestão do tempo e espaço previsto para a animação.................................................19
5.Informação e demonstração dos objetivos e regras das atividades..............................24
6.Dinamização e condução do grupo............................................................................26
7. Avaliação e arbitragem............................................................................................29
8.Regras de segurança................................................................................................34
Bibliografia.................................................................................................................49

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

1.Dinamização de atividades de animação

Na organização das diferentes tarefas de programação e animação, os organizadores das


mesmas têm de ter em conta diferentes critérios e métodos, adequando-os sempre ao
grupo em questão, ou atividade em si, de forma a realizar as atividades de animação de
uma forma mais coerente, cordial, sem enganos, atribuindo um papel importante a cada
elemento do grupo.

Assim, para que a organização de um programa seja de boa qualidade e agrade ao


consumidor, é fundamental definir os seguintes pontos-chave:
 Ter sempre em conta o protagonista, ou seja, o cliente ou clientes, identificando os
seus desejos, expectativas, necessidades, características e capacidade física.
 Aproveitar de forma imaginativa as instalações de que dispõe e diversificar o
programa.
 Prever, atempadamente, o ritmo e sequência das atividades em função da
capacidade física das pessoas e as necessidades do serviço.
 Distribuir equilibradamente as atividades ao longo de cada dia da semana, ou ao
longo do dia em que se realiza a atividade, seguindo o horário dos clientes, de
forma a não colidir com outros compromissos que estes tenham. O profissional e a
equipa de animação devem entregar-se de corpo e alma, divertindo-se, de forma a
contagiar os consumidores com o mesmo sentimento e fazer com que estes se
abstraem do seu quotidiano profissional e até mesmo pessoal.

Critérios para as tarefas de programação e animação

A. Levantamento dos recursos:


Definição da vertente da animação em função dos seguintes critérios:

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Área de atuação da empresa em si:


 Neste sentido há que considerar qual é a especialização da empresa ou se é
abrangente, podendo realizar qualquer tipo de atividade de animação turística.

Competências da equipa:
 Ter em conta quais são as competências da equipa de trabalho, aproveitando
todos os seus pontos fortes, e organizando as tarefas de acordo com as
capacidades de cada um.

Público-alvo:
 Neste levantamento tem de se ter em conta diversos fatores como o número e as
características pessoais dos integrantes do grupo, os seus fins e objetivos, as
normas do grupo e o papel de cada pessoa no grupo. Além dos fatores tem de se
ter em conta a estrutura do grupo na medida em que pode ser formal ou informal.

Identificação dos potenciais recursos a introduzir no programa:


 Neste sentido o programador tem de ter em conta os recursos que são necessários
para a realização das atividades, desde recursos naturais e materiais, como luzes,
som, material desportivo, etc.

Avaliar o potencial de atracão do recurso:


 No caso de a atividade ser realizada num recurso natural ou patrimonial, tem de
ser ter em conta o seu estado de conservação, a informação que haja sobre o
mesmo, o horário e a capacidade de acolhimento.

Informação disponível ou a disponibilizar.


 O organizador tem de ter em atenção a informação que há disponível sobre o local
escolhido, sobre o tipo de animação, os materiais e elaborar uma informação

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coerente de forma a que o cliente fique bem informado e o ajude a integrar-se


mais facilmente no local.

B. Contratação/Negociação:

Definir recursos/fornecedores de serviço:


 Após o levantamento dos recursos necessários o gestor tem de prosseguir com um
levantamento e informar-se junto de fornecedores para obter tudo o que é
necessário à persecução das tarefas, como transporte, alojamento, restauração,
materiais de som, luz, desportivos, etc.
 Nesta fase o gestor tem de ter em conta qual o melhor serviço e os custos.
 Apresentação da empresa, dos seus objetivos e objetivos da atividade e o público
a quem se dirige.
 Avaliar os recursos e serviços (visitas de inspeção) para saber quais os melhores.
 Definir condições de contratação no sentido de definição de preços, encargos e
prazos de pagamento.

C. Programação:
Após o levantamento de tudo o que é necessário para perceber como há-de organizar as
atividades, tem de prosseguir à organização das mesmas tendo em conta os seguintes
passos:

Organização e integração da oferta:


Organização da atividade contextualizando-a no ambiente em que vai ser inserida e de
acordo com o público-alvo.

Definir recursos a integrar no programa:


 Daí a importância do levantamento dos recursos necessários, porque nesta fase é
necessário definir os que realmente se precisa obter.

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Construção do programa:
 Nesta fase tem de se construir o programa de forma a conciliar os horários dos
clientes, fazendo escalas para que os mesmos estejam bem informados.

Definir condições gerais:


 Aqui é importante definir as condições gerais de participação dos clientes nas
atividades.

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2. Aplicação de técnicas de animação turística

Podemos definir técnicas como procedimentos operatórios rigorosos, bem definidos,


transmissíveis, suscetíveis de serem novamente aplicados nas mesmas condições,
adaptados ao tipo de problema e aos fenómenos em causa. A escolha das técnicas
depende do objetivo que se quer atingir, o qual, por sua vez, está ligado ao método.

Numa visão mais humana, a técnica traduz o procedimento ou o conjunto de


procedimentos que têm como objetivo obter um determinado resultado, seja no campo da
Ciência, da Tecnologia, das Artes ou em outra atividade. Estes procedimentos não
excluem a criatividade como fator importante da técnica, como os conhecimentos técnicos
e a capacidade de improvisação.

A técnica não é privativa do homem, pois também se manifesta na atividade de todo ser
vivo e responde a uma necessidade de sobrevivência. No animal, a técnica é característica
de cada espécie. No ser humano, a técnica surge de sua relação com o meio e caracteriza-
se por ser consciente, reflexiva, inventiva e fundamentalmente individual. O indivíduo
aprende-a e fá-la progredir.

Assim como o pintor precisa de tintas, pincéis e tela para pintar, também, o animador
precisa de escolher, organizar e dominar um conjunto de técnicas de animação que lhe
permitam alcançar os seus objetivos.

O uso de uma técnica de animação acaba sempre em atividade, daí que o animador ao
escolher determinada técnica e tendo em vista o planeamento de uma atividade, deve ter
em conta uma série de fatores, dos quais se destacam os seguintes:
• As necessidades e expectativas do grupo;

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• O ritmo de aprendizagem do grupo;


• A faixa etária do grupo;
• A origem sociocultural do grupo;
• O local onde decorre a atividade;
• A compatibilidade da técnica a usar com a duração da atividade;
• A disponibilidade do grupo de pessoas e os meios materiais;
• A experiência e a competência do animador.

As técnicas de grupo devem ser “vividas” pelo animador e a sua eficácia irá depender da
sua habilidade pessoal, do seu bom senso e sentido de oportunidade e da sua capacidade
criativa e imaginativa.

Para selecionar a técnica mais adequada em cada caso, devemos considerar os seguintes
critérios:

Objetivos a concretizar
Os objetivos que se pretendem alcançar devem ser definidos de uma forma clara, de
modo a procurar a técnica que melhor se adeque a essa finalidade. Isto porque existem
técnicas para promover a troca de ideias, para promover a participação, para desenvolver
o pensamento criativo, para treinar a tomada de decisões.

Os objetivos podem variar em função do tipo de atividade (execução de tarefas, interação


entre os membros, conservação do grupo) e em função do tipo de grupo (grupo de
estudo, grupo de encontro ou grupo de ação).

Maturidade do grupo
Nem todas as técnicas têm as mesmas propriedades. Algumas são facilmente aceites pelo
grupo e outras recebem alguma resistência, seja porque são novidade, seja porque são
alheias às atitudes do grupo. Em geral é aconselhável começar por técnicas que requeiram

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pouca participação e evoluir progressivamente para técnicas de maior comunicação e


envolvimento.

Tamanho do grupo
O número de membros de um grupo condiciona, em grande medida, o comportamento
das pessoas. Nos pequenos grupos existe maior coesão, mais confiança e segurança, as
relações são mais íntimas e os níveis de participação aumentam. Em grandes grupos (+
de 20 pessoas) observa-se uma baixa interação entre os membros, menos participação e
mais dificuldade para o consenso.

Ambiente físico e tempo disponível


O espaço físico e o tempo disponível são elementos importantes para a aplicação das
técnicas de grupo. Determinadas técnicas necessitam de locais amplos, outras exigem
recursos auxiliares como mesas, cadeiras, quadros, papel.

As dimensões do local, a iluminação, a ventilação entre outros aspectos são detalhes que
podem fazer toda a diferença. Uma boa técnica de grupo realizada num ambiente pouco
adequado, pode levar ao fracasso. As condições físicas devem contribuir para a criação de
um clima agradável que facilite a interação entre os membros do grupo.

Características dos membros do grupo


Devemos ter sempre em conta as características dos membros do grupo (sexo, idade,
interesses, classe social, nível cultural, nacionalidade), visto que estas influenciam a
selecção da técnica de grupo.

Capacidades profissionais do animador


Todas as técnicas exigem um conhecimento prévio dos seus fundamentos teóricos, assim
como alguma experiência para colocá-las em prática.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

O animador deve começar pelas técnicas mais simples e fáceis. Será melhor usar técnicas
simples mas que o animador domine e já tenha praticado, em vez de outras, que podem
ser “melhores” mas que não se adaptem à personalidade do animador e à sua
experiência.

As técnicas de animação são várias, das quais se destacam as seguintes:


1. Exposição;
2. Demonstração;
3. Análise de problemas;
4. Reformulação;
5. Representação de papéis;
6. Tempestade de ideias;
7. Formulação de perguntas.

Exposição
Maneira ordenada e planificada de tratar um determinado tema, cuja finalidade é informar
ou fornecer um conjunto de dados para uma discussão.

Tem por objetivo dar ao grupo uma boa quantidade de informação particular; reconhecer
e clarificar problemas, estimular o grupo, estudar diversos pontos de vista e inflamar a
curiosidade e o interesse por determinado assunto ou tema.

Para tornar a exposição mais eficaz o animador deve preparar a exposição


antecipadamente, dando no início da atividade o plano da exposição que vai efetuar. Esta
exposição não deve exceder os 40 minutos e deve começar por uma breve introdução,
utilizando uma linguagem clara e simples.

Ajuda se citar exemplos pessoais ou casos concretos ligados ao tema, se fizer afirmações
polémicas que desencadeiem a discussão, variando o tom de voz e olhando diretamente
para o grupo.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Deve reservar um pouco de tempo para o grupo colocar perguntas ou dúvidas. Utilize
todos os meios auxiliares de comunicação disponíveis: quadro, retroprojetor, PowerPoint,
documentos, outros.

Tenha sempre em conta o que o grupo deve ficar a saber, o que será importante que
fique a saber e o que seria conveniente que soubesse.

Vantagens
• Permite abordar vários temas e um grande número de indivíduos num curto
espaço de tempo;
• Proporciona a apresentação de conceitos mais vastos e de algumas questões
polémicas;
• Possibilita uma relação direta entre o animador e o grupo.

Desvantagens
• Corre o risco de se tornar monótona, se não for preparada com antecedência.
• Não presta atenção especial a um indivíduo em particular e não facilita o diálogo.
• Condiciona a participação do grupo.
• Inibe o relacionamento interpessoal.

Demonstração
A organização de um conjunto de operações que, partindo do geral para o particular,
permite a aprendizagem de gestos ou operações, a partir da imitação de alguém – o
animador – que domina inteiramente o assunto.

Ao animador compete:
• Dominar a técnica a transmitir.
• Reconhecer o que o grupo sabe sobre o tema.

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• Dividir a atividade em vária fases, de modo a que o grupo aprenda de uma vez
só. As tarefas devem ser feitas uma de cada vez.
• Ordenar as tarefas de forma lógica.
• Identificar os sinais que podem levar ao êxito ou ao insucesso.
• Juntar todos os materiais necessários à compreensão do que vai ser
demonstrado.
• Organizar toda a atividade de uma forma estruturada, de modo a que o grupo
efetue uma aprendizagem correta da atividade.
• Avaliar o trabalho realizado, fazendo comentários pertinentes de modo a corrigir
erros, fazendo reforços positivos e recordando que errar e ter dúvidas são
oportunidades de aprendizagem.

Análise de problemas
Consiste em encontrar respostas consistentes para algumas questões, através da
identificação de um conjunto de informações relativas a uma determinada situação técnica
ou humana.

Etapas a percorrerem:

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

PROBLEMA

Quais as Qual a melhor Executar a


Quando ocorre e
Qual é? hipóteses de solução? solução
como?
solução?

Quais as
Onde começa e Como aplicar a
Quais as causas? vantagens e Avaliar a solução
acaba? solução?
desvantagens?

O que pretende Quais as Quando aplicar a


alterar? consequências? solução?

As etapas nem sempre obedecem a uma ordem. O importante é tentar e voltar atrás se
necessário, clarificando todos os assuntos ou questões.

Reformulação
É uma técnica usada pelo animador para repetir por suas palavras o que outro disse,
confirmando que compreendeu as suas ideias e sentimentos. Esta ação fará com que essa
pessoa se sinta encorajada a intervir.

A reformulação deve ser clara, breve e fiel.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Há dois tipos de reformulação, a confirmativa e a explicativa. A primeira reproduz o que


foi dito, introduzido por uma marca pessoal do animador. A segunda procura achar um
esclarecimento ou explicação por parte de quem fez a afirmação.

A reformulação pode também ser usada pelos participantes. Ela facilita a harmonia, a
compreensão e a autoconfiança, essenciais à união do grupo.

Representação de papéis
Consiste na dramatização de uma situação vivida pelo grupo, permitindo, a este, lidar de
modo mais adequado com situações semelhantes.

O animador escolhe a situação que quer ver dramatizada. Define os papéis que vão ser
demonstrados e distribui-os pelos participantes, instruindo-os sobre a representação. Aos
que assistem, deve alertá-los para observarem e analisarem a representação. No final,
debatem e analisam o impacto da dramatização.

Esta técnica tem por objetivo usar a representação como um meio de interação e
comunicação. Gera comportamentos espontâneos, alertando o grupo para a compreensão
de diferentes situações, ajudando na interiorização de conceitos não aprendidos e
estimulando a criatividade.

É prudente evitar que a representação contenha referências a pessoas ou factos


concretos. O animador deve terminar a representação assim que os objetivos forem
alcançados. No final, deve ser feita uma reflexão e o animador fará uma síntese do que foi
dito.

Tempestade de ideias (Brainstorming)


Consiste na criação do máximo de ideias possíveis, sobre uma situação, tema ou
problema, num curto espaço de tempo, pelo grupo.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

O número ideal de participantes é de 10 elementos. O animador dinamiza o grupo e faz


cumprir as regras. Deve, ainda, haver um anotador, que regista, em grandes folhas, todas
as ideias. O animador deve informar o tempo que vai ter o brainstorming e o assunto que
vão discutir.

Os intervenientes apresentam as ideias, um de cada vez, bastando levantar a mão. Não


devem ser feitas críticas nem autocensuras. É proibido não dizer nada. As ideias devem
ser breves e uns podem aproveitar ideias anteriores, e completá-las e melhorá-las. Todas
as ideias são um resultado do grupo.

No final, todas as ideias são avaliadas e escolhidas as que melhor vão ao encontro dos
objetivos pretendidos.

Formulação de perguntas
Uma boa pergunta é um apelo à reflexão, à análise e à tomada de decisões. As perguntas
têm a função de: estimular o debate, estimular a participação do grupo, centralizar o
grupo nos objetivos, gerir o tempo, dosear as intervenções, tomar decisões, dar
continuidade ao debate e ajudar na autoavaliação do grupo.

Há 3 tipos de perguntas: aberta, fechada e de resposta múltipla. A aberta permite ao


indivíduo manifestar livremente os seus pensamentos e opiniões sobre algo. A fechada
permite obter respostas precisas, tipo sim e não. A de resposta múltipla é as que
permitem várias alternativas de resposta.

Podem ser colocadas ao grupo ou a um determinado elemento. O animador não deve


colocar perguntas genéricas ou abstratas, deve limitar uma pergunta a um assunto e
partir do princípio que o grupo sabe a resposta.

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3.Organização das atividades e participantes

Programação de atividades com grupos


A adequada programação de atividades com grupos é essencial para garantir que se
atinjam os objetivos que devem ser previamente delineados em função do contexto
concreto em que estamos a atuar.
 
Importa ter presente que a prossecução de objetivos implica não somente uma adequada
programação, isto é, uma correta selecção e ordenação de atividades, mas também, a
definição antecipada e a posterior implementação de uma metodologia. Ou seja não
interessa apenas pensar no que se vai fazer com um grupo, mas também como se vai
trabalhar, como se vão implementar as atividades com esse grupo.
 
Alguns fatores a ter em conta na programação de atividades
Entre outros, há um conjunto de aspectos que devem estar presentes quando
programamos as atividades a desenvolver com um grupo.

Uma programação de atividades tem de ser flexível.


Em animação de grupos é indispensável encarar a programação com flexibilidade, tanto
mais que raramente existe a obrigatoriedade de cumprir programas antecipadamente
estabelecidos. É importante prever, ao programar, que uma atividade pode durar o tempo
inicialmente previsto, mas também pode durar muito menos ou muito mais tempo.

Ou seja, pode não existir tempo para realizar tudo o que se programou, ou pode ser
necessário realizar atividades não previamente programadas para que uma sessão de
trabalho não termine cedo demais.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Importa, também, ter presente que uma atividade que, ao programarmos, parecia
adequada para um determinado grupo, contexto e momento pode, pelos mais variados e
imprevistos fatores, revelar-se inadequada e, por isso mesmo, ter de ser substituída, à
última hora.
 
Uma programação de atividades deve ser uma proposta a negociar com o grupo
com quem se vai trabalhar. 
Uma das características mais distintivas do trabalho que se realiza, no âmbito da animação
com grupos, é que, as pessoas, habitualmente, devem poder escolher livremente e
participar ativamente nas atividades.

Os tempos e modos desta negociação do programa de atividades, com os participantes,


variará de acordo com as características do grupo. Se o grupo tiver maturidade e
capacidade de assumir compromissos a longo prazo é possível negociar todo um programa
logo no início do nosso trabalho com ele. Mas se o grupo tiver pouca maturidade, como
por exemplo quando é constituído por crianças pequenas, a negociação terá de ser
constante, atividade a atividade, dia a dia.

Ainda assim, algumas coisas terão de ser negociadas com antecedência, como por
exemplo uma atividade que exija equipamentos ou materiais que tenham de ser
garantidos previamente.
 
As atividades servem para atingir objetivos ou para satisfazer o grupo. Mas em
qualquer dos casos temos de ser coerentes com o objetivo da nossa atuação.
Não organizaremos atividades competitivas se um dos nossos propósitos for o de melhorar
as atitudes de cooperação entre os membros de um grupo.
 
A realização das atividades tem de ter em conta o ritmo de desenvolvimento do
grupo.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Um grupo que não se conhece, ou que acaba de chegar a um sítio novo, não tem a
mesma capacidade de realizar atividades que requerem cooperação do que a de um grupo
que já está instalado num local ou que já funciona há algum tempo.
 
A programação proposta deve incluir elementos atrativos, inovadores e
espetaculares.
Uma certa dose de originalidade e de espetacularidade na animação de atividades é
importante. Mas sem cair no permanente protagonismo e, ou, espetáculo da parte dos
animadores, que convertem o grupo em mero consumidor, de atuações, concursos e
outras atividades do género.
  
As atividades devem respeitar o ritmo de vida dos membros do grupo.
O que obriga a não programar, por exemplo, atividades que requeiram esforço físico
depois de comer, ou um longo período de atividades pouco movimentadas.
 
A programação de atividades deve ter sempre presente a segurança daqueles
com que trabalhamos.
 Por outro lado, os animadores, além de proporem uma programação inovadora, atrativa e
espetacular, devem conseguir que o grupo encontre e defina o tipo de atividades que
realmente lhe interessa, e que os membros do grupo façam também as suas propostas.
 
É importante, também, acostumar o grupo a decidir entre as propostas não apenas pelo
lado atrativo, mas também pela viabilidade.
 
Os animadores devem ajudar o grupo na preparação e realização de atividades.
As atividades são quase sempre preparadas pelos animadores, mas devemos tentar, com
firmeza e persistência, que o grupo assuma, também, a responsabilidade de preparar e
realizar atividades com o propósito de fomentar a sua autonomia e a coesão.
 

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Os animadores devem ser elementos potenciadores do desenvolvimento da


criatividade e imaginação dos membros do grupo.
Isto significa que os animadores devem ser criativos. Mas, não significa que devam criar,
muito menos durante as atividades, para que o grupo os imite. Devem ser originais e
imaginativos, mas sobretudo para saberem escolher elementos de trabalho, transmitir
sensações, oferecer elementos motivadores e que ajudem a desenvolver a imaginação e a
criar.

A este nível trabalhar com grupos, projetos com um centro de interesse (a


poluição, a idade média, a Primavera), pode ajudar a centrar a imaginação e a
criatividade.
 
Também devemos considerar atividades aquelas que são realizadas nos
momentos em que não há atividades programadas.
Há que tirar da cabeça a ideia de que as atividades são unicamente o que está escrito no
papel, o programado. Os jogos que surgem espontaneamente nos tempos livres, ou os
momentos de leitura e de conversa, devem, também, ser considerados atividades.
 
 Uma proposta metodológica para a programação de atividades
 Depois de todos os considerandos que antes fizemos, interessa, agora, tentar sistematizar
algumas pistas sobre o modo com devemos então programar as atividades. O esquema
reproduzido nesta página ilustra uma possível forma de elaborarmos programas de
atividades no âmbito da animação de grupos.
 

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

4.Gestão do tempo e espaço previsto para a animação

Espaços para animação – São as áreas ou lugares onde se desenvolvem as atividades


de animação.

Característica dos espaços para animação:


 Condições de salubridade
 Condições de conforto ambiental (temperatura, chuva, sol.)
 Qualificação dos espaços
 Quantificação dos espaços
 Segurança
 Flexibilidade – múltiplos usos e funções

Espaços para animação


 Espaços gerados – São aqueles concebidos especialmente para a animação.
 Espaços reutilizados – São aqueles inicialmente projetados para outras
finalidades, que podem ser reutilizados e adaptados para novos usos de animação.
 Espaços aproveitados- São aqueles inicialmente projetados para outras funções,
que são convertidos adequadamente para animação

Espaços e tipologia da animação


 Espaços para produto-animação
 Espaços para animação do produto

Espaços para produto-animação


 Centros de férias e recreação
 Clubes de turismo

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Colónias de férias
 Campings
 Alguns centros de turismo de massas

Considerações sobre os espaços para produto-animação:


 Localização – Convenientemente isolado e afastado dos centros urbanos;
 Implantação. Local beneficiado pelo meio físico natural
 Disposição. Horizontal e aberta, proporcionando deslocamento e contacto com a
natureza
 Qualificação. Os espaços devem ser oferecidos pouco a pouco, sendo quase
descobertos, porém não devem ser de difícil localização.

Espaços para animação do produto


 Hotéis urbanos
 Hotéis convencionais em estâncias naturais
 Hotéis de lazer
 Outros meios de alojamento

Meios de obtenção de espaços para animação


 Aproveitamento de espaços ociosos ou que foram projetados para outros usos e
funções
 Criação de centros de animação – estrutura comum que serve a vários
estabelecimentos de alojamento
 Formação de sistemas integrados de animação
 Intercâmbio

Destinação dos espaços de animação

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Espaços para animação cultural - Locais para música, representações,


apresentações, cinemas, reuniões, debates e informações, práticas artesanais e
trabalhos manuais, biblioteca, exposições, etc.
 Espaços para animação social - Locais para festas, jogos de salão, concursos e
brincadeiras, pistas de dança, etc.
 Espaços para animação desportiva - Locais para desportos náuticos, quadros
polivalentes, ginásios, campos de futebol, etc.

Não existem programas de animação standardizados, mas sim imensos jogos e ainda
muito mais por inventar que se podem ajustar à realidade existente e aos objetivos
pretendidos.

Geralmente cada programa é constituído por vários jogos ou minijogos, pelo que se
sugere que cada jogo possua uma ficha onde estão inseridas as suas características
essenciais:

Exemplo de ficha de jogo

Nome do jogo_____________________________________________
Nº de participantes (ideal)____________
Idade dos participantes (ideal)________
Número de participantes por equipa (se tiver)____________
Objetivos gerais do jogo
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________

Material a utilizar (ideal)________________________________________


Metodologia_______________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_________

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Vantagens e desvantagens do jogo


________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________

Comentário
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________

Na dinamização dos jogos existem imensas variáveis que têm de ser cruzadas: a equipa,
os participantes, os objetivos, os locais, etc., os materiais, etc.

De referir que os jogos ou programas podem ser realizados em vários locais ou


instalações, mesmo que estas não sejam desportivas.

Façamos uma breve análise sobre as fases do jogo. Para Nicanor Miranda, as fases do
jogo são:
• Preparação: é a fase efetiva da preparação. Arrumar o local, divisão de equipas,
posicionamento dos participantes.
• Evolução: É o jogo propriamente dito. A execução das regras. Vai desde o início
da movimentação até o término da ação. O animador deve fazer a observação do
participante, onde ele se coloca espontânea e livremente, e onde se mostra quanto
à personalidade.
• Final: É exatamente no término, quando se descobre a sensação de vitória ou
perda.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Exemplo de programa de animação desportiva

1ª fase
 Recepção dos participantes ou equipas (caso seja um jogo com inscrições por
equipas)
 Explicação da atividade (objetivos do jogo, regras, estrutura, normas de
segurança, materiais, etc.)
 Definição de equipas caso não seja necessário fazer inscrições por equipas

2ª fase
 Início da atividade dividida, por exemplo, por seis provas em que cada uma
corresponde a uma modalidade.
 As provas podem ser dirigidas a todos os elementos da equipa ou cada prova pode
ser direcionada apenas para um elemento escolhido pela organização ou pela
própria equipa.
 Cada prova pode ter como objetivo final chegar a um determinado local onde o
participante é esperado por outro colega que inicia outra prova, superar obstáculos
como jogos ou perícia ou responder a perguntas sobre vários assuntos.
 As provas podem ser todas seguidas, sendo algumas realizadas durante a noite, o
que contribui para o aumento da importância da organização nas questões de
segurança e logística.
 As provas individuais e o jogo podem ter vários tipos de pontuação (por ex: tempo,
superação dos vários jogos entre cada prova, conclusão de todos os elementos,
melhor jogo em equipa, etc.)

3ª fase
 Depois de concluído o jogo é necessário averiguar se todos os elementos
terminaram e assegurar-se de que o estado de saúde de cada participante se

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

mantém estável. É igualmente necessário verificar as condições do material


utilizado, realizar a sua recolha e fazer o inventário.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

5.Informação e demonstração dos objetivos e regras


das atividades

De acordo com a legislação em vigor, antes da venda dos seus serviços, as empresas de
animação turística e os operadores marítimo-turísticos devem informar os
clientes sobre:
- As características específicas das atividades a desenvolver;
- Dificuldades e eventuais riscos inerentes;
- Material necessário quando não seja disponibilizado pela empresa;
- Idade mínima e máxima admitida;
- Serviços disponibilizados e respetivos preços.

Antes do início da atividade, deve ser prestada aos clientes informação completa e
clara sobre:
- As regras de utilização de equipamentos;
- Legislação ambiental relevante;
- Comportamentos a adotar em situação de perigo ou emergência;
- Formação e experiência profissional dos seus colaboradores.

As empresas que desenvolvam atividades reconhecidas como turismo de natureza devem


disponibilizar ao público informação sobre:
- A experiência e formação dos seus colaboradores em matéria de ambiente,
património natural e conservação da natureza.

A capacidade de adaptação e flexibilidade de atividades de animação depende não só de


um bom programa mas também da humildade e do engenho da equipa responsável para
captar as informações fornecidas pelas próprias atividades e participantes.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Na fase de execução, o animador tem que ter consciência das suas potencialidades, para
que o entusiamo e a excitação em torno dos jogos não passem os limites da segurança e
do equilíbrio existente entre todos os fatores. Assim, é exigida uma constante atenção no
desenrolar das atividades e na perceção dos sintomas criados.

Para um bom desenvolvimento da atividade é necessário:


 Facilitar a explicação das regras;
 Permitir a compreensão de todos os participantes através de demonstrações, se for
necessário;
 Favorecer o bom desenvolvimento e estimular a iniciativa por parte dos
participantes;
 Evitar protestos;
 Se o jogo incluir pontos ou golos, deve facilitar-se a compreensão das regras sobre
a marcação ou obtenção dos mesmos.

A comunicação entre o animador e o grupo tem de ser direta, objetiva e interativa. É


necessário focar os aspectos mais importantes e intervir de forma clara. A explicação ao
grupo dos objetivos pretendidos pode passar pela explicação oral ou por uma
demonstração do movimento ou da ação.

A boa comunicação pode evitar a confusão na perceção por parte dos participantes e
permitir que a atividade se realize sem grandes interrupções.

26
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

6.Dinamização e condução do grupo

A mesma atividade realizada com sucesso para determinado grupo pode não ser
dinamizada com o mesmo grau de satisfação para outro grupo. Não se pode passar a
imagem de que uma atividade dirigida a um grupo possa sempre ser utilizada por outro
distinto.

Na maior parte das vezes, os grupos podem ser semelhantes em termos de idades, de
proveniência, de hábitos culturais e no entanto, os programas decorrerem de forma
diferente.

Existem casos, felizmente pouco frequentes, em que a equipa animadora só na hora de


iniciar a atividade tem acesso a certas informações que podem contribuir para o sucesso
da animação, até porque os animadores e monitores sabem as faixas etárias que vão
abranger, os locais de residência, o género e outras características.

Assim, a equipa responsável pela animação deve preocupar-se com a obtenção de vários
dados dos participantes:
 O género;
 A idade ou o grupo da faixa etária;
 O local onde habitam;
 O escalão social;
 Os hábitos culturais e desportivos;
 Etc.

Recomendações para a atuação de guias orientadores de percursos de


animação:

27
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Saudar o grupo, a presentar-se e dar as boas-vindas, de forma informal;


 Transmitir informação geral sobre a atividade a realizar: duração, grau de
dificuldade, recomendações de comportamento, de forma clara, segura e firme
 Estabelecer comunicação e interagir com o grupo
 Criar interesse sobre o tema,
 Participar ativamente nas dinâmicas e atividades que se realizam durante a
visita;
 Preparar cuidadosamente a visita
 O mais importante é a experiência. Quanto mais se interpreta, mais se
aprende;
 Nunca deixar de aprender sobre o recurso que queremos interpretar;
 Conhecer o melhor possível a nossa audiência;
 Determinar com maior exatidão a mensagem que queremos transmitir e o que
queremos alcançar com essa mensagem;
 Jamais mentir ou enganar o visitante;
 Preocupar-se com a comodidade e segurança do visitante;
 Aproveitar as oportunidades que se apresentam no decorrer do evento;
 Promover a participação dos visitantes, que expressem as suas opiniões e
ideias;
 Usar várias técnicas de interpretação ao mesmo tempo de forma a conseguir
melhores resultados;
 Usar exemplos que estejam relacionados com a audiência;
 Não usar nomes científicos e demasiado específicos, a menos que seja
estritamente necessário;
 Fornecer a informação logística (duração do evento, necessidades, etc.) no
princípio.

Guiar é sinónimo de comunicar


 Tratar de aclarar as ideias antes de comunicar

28
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Examinar o verdadeiro propósito de cada ato de comunicação


 Considerar o meio físico e humano em torno do qual se estabelece a comunicação
 Consultar os outros, quando for conveniente, ao planificar o que se vai comunicar
 Pensar muito bem no que vai dizer e concentrar-se no conteúdo básico da
mensagem
 Quando surgir oportunidade, aproveitar para comunicar algo que seja de ajuda ou
valor para o recetor
 Assegurar-se que as suas ações refletem as suas comunicações
 Procurar não só ser compreendido mas também compreender: seja um bom
ouvinte.

29
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

7. Avaliação e arbitragem

À semelhança do que acontece em qualquer processo ou projeto, a avaliação é


recomendada como um método para diminuir a probabilidade de erros em ações futuras e
semelhantes, permitindo reunir todos os dados resultantes da animação e, assim,
identificar os erros de modo a evitá-los.

Apesar de ser importante o reconhecimento dos erros praticados, convém não esquecer os
métodos, os jogos e as atividades que resultaram de um bom desempenho. Assim, a
avaliação pode ser caracterizada não só como a última etapa em determinado projeto mas
também como a primeira de futuras atividades.

Para cada atividade programada é conveniente elaborar uma ficha de controlo, em função
da necessidade de avaliação contínua da aplicação do projeto. Paralelamente, este
sistema facilita a monitorização da qualidade do serviço de animação que o
estabelecimento está a prestar.

As informações recolhidas através das fichas de controlo poderão ser alvo de um


tratamento e análise em termos estatísticos. Por outro lado, funcionam como arquivo
histórico das atividades realizadas, respetiva afluência e índice de aceitação; espaços,
material e equipamentos utilizados; problemas, queixas, sugestões, etc.

A título de proposta, sugere-se uma ficha com a seguinte estrutura, adaptável a diferentes
situações:
a) Designação da atividade, data de realização, horário(s) e local;
b) Nome do animador responsável e dos ajudantes, caso existam;

30
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

c) Caracterização dos participantes (sexo, ativos ou passivos, faixa etária,


nacionalidade);
d) Inventariação do material necessário (reutilizável ou não);
e) Grau de aceitação da atividade (muito bom, bom, razoável, fraco, muito fraco);
f) Tempo despendido e grau de dificuldade na preparação da atividade (muito, pouco
nenhum);
g) Observações referentes aos turistas e à sua participação nas atividades, ou
referentes ao material;
h) Sugestões por parte do animador ou dos participantes que ajudem a melhorar a
próxima aplicação da atividade.

Exemplo de ficha de avaliação

Preparação do turno

Nº de reuniões________
Comentário sobre o resultado das reuniões___________________________________________

Preparação da atividade
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_______________

Objetivos gerais definidos


________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________
Objetivos gerais alcançados

31
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________

Objetivos específicos definidos


________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
__________

Objetivos específicos alcançados


________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_______________

Obteve informações antes da atividade


sobre________________________________________________

Participantes__________________________
Local________________________________
Material disponível_____________________
Foram suficientes____________________________________________

Observações
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_______________

32
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

33
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Exemplo
Questionário de avaliação da satisfação da atividade de animação – peddy-
paper

QUESTIONÁRIO DE SATISFAÇÃO DO PEDDY-PAPER

Agradecendo desde já a sua preferência pela participação na nossa atividade, gostaríamos de solicitar a sua
colaboração no preenchimento deste questionário de avaliação de desempenho. Objectivamos desta forma
melhorar a nossa prestação no futuro. Obrigado pela sua colaboração.

Como tomou conhecimento da


atividade?  

Cartaz  
Flyers  
Internet  
Convite  
Outros   Quais  

Acesso ao local de partida


Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom Excelente
Estacionamento          

Relativamente ao Peddy Paper  


Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom Excelente
Acolhimento          
Inscrição          
Material de apoio          
Tema do evento          
Horários definidos          
Apoio e acompanhamento prestado pela          

34
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

organização
Atividades          

O Peddy Paper foi de encontro às


expectativas     Sim   Não
Comentários:

Bo
Satisfação global do evento Insuficiente Suficiente m Muito Bom Excelente

Observações:

8.Regras de segurança

Na organização de atividades de animação turística ou de qualquer tipo de animação, tem


de se garantir que a integridade física, tanto do animador como dos clientes, está sempre
assegurada. Para tal, é necessário a realização de seguros e licenças, para que se

35
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

acontecer alguma coisa a empresa estar sempre assegurada e não ter qualquer tipo de
problemas.

A empresa tem de estar devidamente licenciada para poder realizar as atividades e nesse
sentido para ser licenciada já tem de ter obtido todos os seguros que acarretam com as
despesas em caso de acidentes.

Para a realização de atividades fora da sede da empresa, há que ter em conta que se tem
de pedir licença especial às entidades competentes, normalmente são as autarquias, de
forma a que esteja tudo devidamente formalizado e os seguros possam cobrir qualquer
tipo de despesas.

Há que ter em conta em primeiro lugar sempre a segurança, principalmente em atividades


de maior risco, como sejam as atividades desportivas ou ambientais. Para este efeito, a
empresa tem de ter licenças diferentes o que já inclui os seguros também.

Nenhuma organização de atividade pode decorrer sem que estes pormenores estejam
todos resolvidos pois isso também acarreta problemas para o organizador caso aconteça
algo.

Quando é um organizador que não está licenciado como empresa turística, ou seja, um
organizador independente, tem de seguir determinadas normas, como dirigir-se às
entidades competentes para pedir licença temporária para usufruto de um determinado
espaço e, de seguida, realizar seguros para aquele período de tempo e que cubram
qualquer tipo de acidentes, de forma a assegurar sempre a sua integridade física e dos
clientes.

Requisitos de segurança no exercício da atividade das empresas de animação


turística (de acordo com a legislação em vigor):

36
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Instalações
 Quando as empresas de animação turística disponham de instalações fixas, estas
devem satisfazer as normas vigentes para cada tipo de atividade e serem
licenciadas pelas entidades competentes.
 Os empreendimentos turísticos, os estabelecimentos de restauração e de bebidas,
as casas e empreendimentos de turismo no espaço rural, as casas de natureza e as
agências de viagens e turismo que exerçam atividades de animação turística, ou se
situem no local onde se processa a respetiva realização, devem estar legalmente
aprovados, de acordo com a legislação que for aplicável a cada caso.

Utilização de meios próprios


 Na realização de viagens turísticas, as empresas de animação turística, licenciadas
nos termos previstos no presente diploma, podem utilizar meios de transporte
próprios, devendo, quando se tratar de veículos automóveis com lotação superior a
nove lugares, cumprir os requisitos de acesso à profissão de transportador público
rodoviário interno ou internacional de passageiros que nos termos da legislação
respetiva lhes sejam aplicáveis, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
 Entende-se por meios de transporte próprios aqueles que são propriedade da
empresa, bem como aqueles que são objeto de contrato de locação financeira, ou
de aluguer de longa duração, desde que a empresa de animação turística seja a
locatária.
 O motorista do veículo deve ser portador do seu horário de trabalho e de
documento contendo a especificação do evento, iniciativa ou projeto, a hora e o
local de partida e de chegada, que exibirá a qualquer autoridade competente que o
solicite.
 As empresas de animação turística que acedam à profissão de transportador
público rodoviário interno ou internacional de passageiros podem efetuar todo o
tipo de transporte ocasional com veículos automóveis pesados de passageiros.
 Os veículos automóveis utilizados no exercício das atividades com lotação superior
a nove lugares devem ser sujeitos a prévio licenciamento pela Direcção-Geral de

37
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Transportes Terrestres, nos termos a definir em portaria conjunta dos membros do


Governo responsáveis pelas áreas do turismo e dos transportes, a qual fixará
igualmente os requisitos mínimos a que devem obedecer tais veículos.

Livro de reclamações
 As empresas de animação turística devem possuir em todos os seus
estabelecimentos um livro destinado aos utentes para que estes possam formular
observações e reclamações sobre o estado e a apresentação das instalações e do
equipamento, bem como sobre a qualidade dos serviços e o modo como foram
prestados.
 O livro de reclamações deve ser obrigatória e imediatamente facultado ao utente
que o solicite.

Garantias exigidas
 Para garantia da responsabilidade perante os clientes, as empresas de animação
turística devem prestar um seguro de responsabilidade civil.

Formalidades
 Nenhuma empresa de animação turística pode iniciar ou exercer a sua atividade
sem fazer prova junto da Turismo de Portugal, IP de que as garantias exigidas
foram regularmente contratadas e se encontram em vigor.

Seguros
As empresas de animação turística devem Prestar as seguintes garantias:
 Seguro de acidentes pessoas garantindo:
o Pagamento das despesas de tratamentos, incluindo internamento hospitalar
e medicamentos, até ao montante anual de €3.500;
o ii. Pagamento de um capital de €20.000, em caso de morte ou invalidez
permanente dos seus clientes, reduzindo-se o capital por morte ao

38
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

reembolso das despesas de funeral até ao montante de €3.000, quando


este tiver idade inferior a 14 anos.
 Seguro de responsabilidade civil:
o Garantir €50.000 por sinistro, e anuidade que garanta os danos causados
por sinistros ocorridos durante a vigência da apólice, desde que reclamados
até um ano após a cessação do contrato.
 E, ainda, se exercer atividades no estrangeiro:
o Seguro de assistência às pessoas, válido exclusivamente no estrangeiro,
garantindo:
 Pagamento do repatriamento sanitário e do corpo.
 Pagamento de despesas de hospitalização, médicas e farmacêuticas,
até o montante anual de €3.000.
 A apólice uniforme do seguro é aprovada pelo Instituto de Seguros de Portugal.
 O seguro de responsabilidade civil pode ser substituído por caução de igual
montante, prestada nos termos nos números seguintes.
 Sem prejuízo do disposto no número seguinte, a caução pode ser prestada por
seguro-caução, garantia bancária, depósito bancário ou títulos da dívida pública
portuguesa, depositados à ordem do Turismo de Portugal, IP.
 O título da caução não pode condicionar o acionamento desta a prazos ou ao
cumprimento de obrigações por parte da empresa de animação turística ou de
terceiros.
 Em caso de atividades de reduzido risco, o Turismo de Portugal, IP pode dispensar
o seguro de responsabilidade civil.

Âmbito de cobertura
 O seguro de responsabilidade civil visa garantir:
o O ressarcimento dos danos patrimoniais e não patrimoniais causados a
clientes ou a terceiros, por ações ou omissões da empresa de animação
turística ou dos seus representantes;

39
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

o O repatriamento dos clientes e a sua assistência até ao ponto de partida ou


de chegada quando se tratem de atividades realizadas fora do território
nacional, quando, por razões que não lhe forem imputáveis, estes fiquem
impossibilitados de prosseguir a atividade, sendo neste caso obrigatória a
intervenção de uma agência de viagens e turismo devidamente licenciada
pelo Turismo de Portugal, IP na contratação de serviços a prestar fora do
território nacional;
o A assistência médica e os medicamentos necessários em caso de acidente
ou doença.
 São excluídos do seguro de responsabilidade civil:
o Os danos causados aos agentes ou representantes legais das empresas de
animação turística;
o Os danos provocados pelo cliente ou por terceiro, alheio ao fornecimento
dos serviços.
 Podem ainda ser excluídos do seguro os danos causados por acidentes ocorridos
com meios de transporte que não pertençam à empresa de animação turística,
desde que o transportador tenha o seguro exigido para aquele meio de transporte.

Regulamentação aplicável a atividades de animação turística em contextos


específicos

Atividades exercidas em áreas protegidas


 O exercício de Atividades de animação Ambiental deve obedecer aos requisitos
estabelecidos no diploma respectivo e carece de licença titulada por documento
emitido pelo ICN.
 Legislação aplicável: Decreto Regulamentar nº 18/99, de 27.08 (alterado pelo
Decreto Regulamentar nº 17/2003, de 10.10) que regula a animação ambiental
nas modalidades de animação, interpretação ambiental e desporto de natureza nas

40
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

áreas protegidas, bem como o processo de licenciamento das iniciativas e projetos


de atividades, serviços e instalações de animação ambiental.

Atividade marítimo-turística
 O exercício da Atividade Marítimo-Turística deve obedecer aos requisitos
estabelecidos no diploma respectivo e depende de licença a conceder pelo Instituto
Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) ou pelos órgãos locais da Direcção-
Geral da Autoridade Marítima (DGAM) ou ainda pelas entidades com jurisdição no
domínio hídrico fluvial ou lacustre (CCDR – Comissões de Coordenação e
Desenvolvimento Regional).
 Legislação aplicável: Decreto-lei 21/2000, de 31 de Janeiro (alterado pelo
Decreto-Lei nº 269/03, de 28 de Outubro) que aprova o regulamento da Atividade
Marítimo-Turística (RAMT).

Instalações desportivas
 São os espaços de acesso público organizados para a prática de atividades
desportivas, constituídos por espaços naturais adaptados, ou por espaços artificiais
ou edificados, incluindo as áreas de serviços anexos e complementares, podendo
ser organizados em:
o Instalações desportivas de base;
o Instalações desportivas especializadas ou monodisciplinares;
o Instalações especiais para espetáculo desportivo.
 A edificação, alteração ou adaptação dos espaços que constituem as instalações
desportivas obedece ao Regime de Licenciamento de Obras Particulares, com
algumas especificidades constantes da legislação aplicável a estas instalações.
 O início das atividades nas instalações desportivas carece de licença de
funcionamento, titulada por alvará a emitir pelo Instituto de Desporto de Portugal
(IDP).

41
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Legislação aplicável: Decreto-Lei nº 317/97, de 25 de Novembro, que


estabelece o Regime de Instalação e Funcionamento das Instalações Desportivas
de Uso Público. Decreto-Lei nº 385/99, de 28 de Setembro, que define o Regime
da Responsabilidade Técnica pelas Instalações Desportivas abertas ao público e
atividades aí desenvolvidas.

Atividade termal
 O licenciamento, a organização, o funcionamento e a fiscalização dos
estabelecimentos termais obedecem a uma regulamentação própria.
 Compete às Câmaras Municipais ou aos respetivos presidentes, consoante o caso,
o seu licenciamento ou autorização, com as especificidades do diploma próprio da
atividade termal.
 O pedido de licenciamento do funcionamento é efetuado ao Ministro da Saúde em
requerimento a entregar junto da Direção- Geral da Saúde.
 Legislação aplicável: Decreto-Lei nº 142/2004, de 11 de Junho, que aprova o
regime jurídico da atividade termal.

Boas práticas de segurança: exemplo do sector de animação ambiental/


turismo de natureza

Oferta
A oferta de atividades de desporto de natureza tem crescido bastante nos últimos anos. A
organizar estas atividades encontramos empresas, algumas das quais de organização de
eventos e outras de animação turística, mas também associações e clubes.

Os prestadores de serviços apresentam diferentes níveis de organização, profissionalismo


e exigências de licenciamento. Porém, todos têm de garantir que as atividades são
desenvolvidas sem ameaçar a saúde do praticante nem atentar contra a sua segurança
física.

42
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Assim, devem garantir:


 Capacidade técnica para organizar as atividades que oferecem;
 Profissionais qualificados e com formação adequada;
 O cumprimento de regras de segurança e das práticas internacionalmente aceites;
 Equipamentos e instalações em boas condições e adequados aos participantes;
 Informação ao praticante sobre as atividades;
 Planos de emergência e evacuação, em caso de acidente;
 Uma prática não nociva à natureza.

Prevenção:
Comparadas com outras práticas desportivas, estas atividades implicam um risco acrescido
para os praticantes, pois dependem da interação das forças da natureza instáveis com a
atuação do homem.

Contudo, quando praticadas de acordo com procedimentos de segurança corretos e


formação adequada, apresentam níveis de segurança satisfatórios.

Fatores importantes a considerar para uma prática segura:


 Saber ler e interpretar as condições naturais do meio e de meteorologia;
 Ter consciência das capacidades físicas e psíquicas dos indivíduos que as
praticam;
 Conhecer os tipos e níveis de intensidade das atividades a praticar para escolher
as mais adequadas para cada indivíduo;
 Ter qualificações adequadas às atividades a organizar,
 Saber usar corretamente o equipamento;
 Ter informação sobre os comportamentos e práticas adequadas;
 Saber atuar nos primeiros socorros e colaborar em situações de resgate consoante
o nível de dificuldade da atividade.

43
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Não existe segurança absoluta nestes desportos. Mas é possível garantir uma prática mais
segura, adotando medidas que reduzam os riscos e minimizem os danos em caso de
acidente.

Prevenção de acidentes
Um acidente não acontece por acaso e com as devidas precauções pode ser evitado. Eis
os principais fatores a acautelar pelo prestador para oferecer um serviço seguro.

Capacidade técnica para organizar as atividades


Todas as atividades têm de ser planeadas antecipadamente. Só assim saberá responder às
situações que podem ocorrer no decurso da prática.
Deve ser feito um diagnóstico e identificados os perigos humanos ou ambientais, para se
definirem os níveis de risco.

A responsabilidade e a partilha de tarefas dos profissionais envolvidos no terreno e das


equipas de apoio devem estar previamente definidas, por atividade e grupo de
praticantes, com indicação expressa do número de monitores.

É importante realizar simulações e treinos prévios para familiarizar os praticantes com a


atividade. Também são determinantes para os profissionais acautelarem problemas que
possam surgir.

Formação dos profissionais


Um fator-chave para a oferta de um serviço de qualidade e com segurança é a formação
dos seus profissionais. Para isso, é indispensável que tenham qualificações ajustadas às
atividades (tanto as equipas no terreno como as que supervisionam). Indicamos-lhe as
mais importantes:
 Estar habilitados para dominar tecnicamente as atividades;
 Conhecer e manusear os materiais;
 Ler e interpretar as condições naturais do meio;

44
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Conhecer a resistência dos materiais;


 Ter conhecimentos de primeiros socorros e de resgate, nomeadamente técnicas
de reanimação, de acordo com a atividade e o nível de dificuldade em que
trabalham;
 Saber reagir em situações de fadiga e stresse.

Para atividades com elevada complexidade e risco, como mergulho, condução de


embarcações náuticas ou voo livre, os monitores têm de possuir habilitação e formação
específicas.

Verificar as condições do meio natural e do equipamento


Deve ter capacidade técnica para avaliar as condições do meio natural e analisar os riscos
inerentes às condições físicas e climáticas (como descargas de barragens ou modificações
das marés e dos ventos).

Deve caber nos procedimentos de segurança do prestador de serviços verificar as


condições técnicas dos equipamentos. A sua manutenção é muito importante, devendo
existir um registo com a sua periodicidade. O equipamento deve ser mantido em espaços
de acondicionamento ou armazenagem em boas condições.

Todos os equipamentos devem ser adequados à função e cumprir as normas de


certificação internacionais.

Informação ao praticante
Muitos acidentes devem-se à falta de informação dos praticantes, por desconhecimento do
uso correto do equipamento ou comportamentos desadequados. Assim, a entidade que
organiza as atividades deve informar o praticante sobre:
 Contraindicações médicas e/ou físicas da atividade;
 Possíveis riscos inerentes à sua prática;

45
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Comportamentos seguros a adotar pelos praticantes;


 Práticas proibidas e prejudiciais aos outros participantes na atividade;
 Equipamento necessário (no rafting, por exemplo, o fato isotérmico de neoprene,
um colete homologado, capacete, botas isotérmicas);
 Instruções sobre o uso correto do equipamento e das infraestruturas ou espaços.

Emergência e resgate
É fundamental prever planos de emergência e resgate para minimizar os danos de um
acidente.

O prestador tem de estar preparado para agir com rapidez e eficácia. Para isso, deve ter
procedimentos de emergência e evacuação organizados e prontos a implementar no
terreno.

Os planos de emergência devem incluir os primeiros socorros (como kit de primeiros


socorros), técnicas de reanimação e utilização de equipamento de regaste.

Já os planos de evacuação devem permitir a ligação eficaz entre as zonas de prática dos
desportos e o sistema de emergência médica.

Nestas situações, é essencial um sistema de comunicações e alerta. Assim, este deve


assegurar uma rede de comunicações que permita dar o alerta para a equipa de
prevenção e para o sistema de emergência médica (112).

Código de conduta das empresas de turismo de natureza

Responsabilidade empresarial
As empresas organizadoras de atividades de turismo de natureza:
1) São responsáveis pelo comportamento dos seus clientes no decurso das
atividades de turismo de natureza que desenvolvam, cabendo -lhes garantir,

46
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

através da informação fornecida no início da atividade e do acompanhamento do


grupo, que as boas práticas ambientais são cumpridas;
2) Sempre que os seus programas tenham lugar dentro de áreas protegidas,
devem cumprir as condicionantes expressas nas respetivas cartas de desporto de
natureza, planos de ordenamento e outros regulamentos, nomeadamente no que
respeita às atividades permitidas, cargas, locais e épocas do ano aconselhadas
para a sua realização;
3) Devem respeitar a propriedade privada, pedindo autorização aos proprietários
para o atravessamento e ou utilização das suas propriedades e certificando -se de
que todas as suas recomendações são cumpridas, nomeadamente no que respeita
à abertura e fecho de cancelas;
4) Na conceção das suas atividades devem certificar- -se de que a sua realização
no terreno respeita integralmente os habitantes locais, os seus modos de vida,
tradições, bens e recursos;
5) Devem assegurar que os técnicos responsáveis pelo acompanhamento de
grupos em espaços naturais têm a adequada formação e perfil para o desempenho
desta função, quer ao nível da informação sobre os recursos naturais e os
princípios da sua conservação, quer ao nível da gestão e animação de grupos;
6) São co -responsáveis pela salvaguarda e proteção dos recursos naturais
devendo, quando operam nas áreas protegidas e outros espaços naturais, informar
o ICNB, I. P., ou outras autoridades com responsabilidades na proteção do
ambiente, sobre todas as situações anómalas detetadas nestes espaços;
7) São agentes diretos da sustentabilidade das áreas protegidas e outros espaços
com valores naturais devendo, sempre que possível, utilizar e promover os
serviços, cultura e produtos locais;
8) Devem atuar com cortesia para com outros visitantes e grupos que se
encontrem nos mesmos locais, permitindo que todos possam desfrutar do
património natural.

Boas práticas ambientais

47
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Em todas as atividades de turismo de natureza:


1) Devem ser evitados ruídos e perturbação da vida selvagem, especialmente em
locais de abrigo e reprodução;
2) A observação da fauna deve fazer -se à distância e, de preferência, com
binóculos ou outro equipamento ótico apropriado;
3) Não devem ser deixados alimentos no campo, nem fornecidos alimentos aos
animais selvagens;
4) Não devem recolher -se animais, plantas, cogumelos ou amostras geológicas;
5) Quando forem encontrados animais selvagens feridos estes devem, sempre que
possível, ser recolhidos e entregues ao ICNB, I. P., ou ao Serviço de Proteção da
Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA), ou a situação
reportada aos referidos organismos, para encaminhamento para centros de
recuperação ou outros locais de acolhimento adequados;
6) Os acidentes ou transgressões ambientais detetados devem ser prontamente
comunicados ao serviço SOS Ambiente e Território, ao ICNB, I. P., ou ao SEPNA;
7) O lixo e resíduos produzidos devem ser recolhidos e depositados nos locais
apropriados;
8) Só deverá fazer -se lume nos locais autorizados para o efeito;
9) Seja qual for a natureza da atividade, todas as deslocações que lhe são
inerentes devem utilizar caminhos e veredas existentes;
10) A sinalização deve ser respeitada.

Código de conduta do turista


As atividades de desporto de natureza podem ter impacto ao nível ambiental, danificando
a curto, médio ou longo prazo os locais utilizados.

O grau de impacte ambiental depende, principalmente, do modo e número de vezes que


se realizam, do lugar, da época, da dimensão do grupo e da sua conduta. Reduzi-lo é da
responsabilidade de cada praticante e dos organizadores que as desenham, publicitam e
guiam.

48
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Todos devemos contribuir para garantir que o ar, a água, o solo, a paisagem, a fauna e a
flora sejam defendidos e conservados. Listamos alguns exemplos de ações lesivas:
 No meio aquático: a contaminação das águas por perdas de óleos, carburantes ou
detergentes das embarcações a motor;
 No meio aéreo: interferência com os habitats de aves, em particular em período
de nidificação, devido a práticas descuidadas de parapente e asa delta.
 No meio terrestre: alterações erosivas em pistas e trilhos de serras ou montanhas;
desvio de pequenos cursos de água; recolha de plantas, rochas ou fósseis;
atropelamento de animais pelos praticantes de BTT, escaladores em rocha natural,
caminhadas.

De forma a evitar impactos negativos, de uma maneira geral, o comportamento do turista


deve focar-se em:
 Procurar informação sobre a cultura e as tradições do país visitado.
 Aprender e respeitar os aspectos culturais e naturais das áreas de acolhimento;
 Viajar sensibilizado para os aspectos ambientais e culturais locais, evitando
comportamentos desapropriados;
 Evitar a compra e uso de produtos e serviços que possam pôr em perigo os
aspectos ecológicos e culturais locais;
 Efectuar viagens de reduzido impacto e cumprir a regulamentação ambiental;
 Apoiar atividades de conservação dos recursos, que exijam assistência nas áreas
de destino.
 Na preparação da bagagem, reduzir o máximo possível as embalagens, levar
creme solar que não se dissolva em água, para não prejudicar a fauna e flora
marinhas, assim como sabão biodegradável para não contaminar a água do país
anfitrião.
 Nas reservas florestais e áreas preservadas evita assustar ou alimentar os animais
selvagens.

49
Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

 Resistir ainda à tentação de cortar flores nas regiões protegidas e esforçar-se para
não as pisar em jardins.
 Não acampar em áreas que não forem reservadas para o efeito.
 Utilizar carros ou qualquer outro meio de transporte apenas onde for permitido.
 Preferencialmente, optar por meios de transportes alternativos e mais saudáveis
como a bicicleta ou andar a pé.
 Utilizar a água e a energia de modo responsável. Tomar banhos curtos, desligar a
torneira para escovar os dentes e desligar a luz, ao sair de um quarto de hotel, são
regras válidas em qualquer lugar do planeta. Evitar também o uso do ar
condicionado.

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Dinamização e condução de atividades de animação em contexto turístico

Bibliografia

 DECO, Guia dos desportos de Natureza, 2008


 Lança, Rui, Animação desportiva e tempos livres: perspetivas de organização, Ed.
Caminho, 2003
 Manual para o investidor em turismo de natureza, Vicentina: Associação para o
desenvolvimento do Sudoeste, 2005
 Picazo, Carlos, Asistencia y Guía a grupos turísticos, Madrid, Editorial Sintesis, 1996
 Torres, Zilah, Animação Turística, 3ª edição, São Paulo, Ed. Roca, 2004

Legislação

 Código de Conduta das empresas de turismo de natureza - Portaria n.º 651/2009


de 12 de Junho

Webgrafia
 Portal anigrupos
http://anigrupos.org/

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