Você está na página 1de 65

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

ARNON DA SILVA CAVALCANTI ALBUQUERQUE

Era das Máquinas: a indústria 4.0 e suas possíveis consequências sobre o emprego.

Florianópolis, 2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

Era das Máquinas: a indústria 4.0 e suas possíveis consequências sobre o emprego.

Trabalho Conclusão do Curso de Graduação em


ciências Econômicas do Centro Sócio Econômico e
Departamento de Economia e Relações Internacionais
da Universidade Federal de Santa Catarina como
requisito para a obtenção do título de Bacharel em
Ciências Econômicas.
Orientador: Prof. Michele.

Florianópolis, 2019
ALBUQUERQUE, Arnon da Silva Cavalcanti. Era das máquinas:
a indústria 4.0 e suas possíveis consequências sobre o
emprego.UFSC, 2019.
ARNON DA SILVA CAVALCANTI ALBUQUERQUE

Título: Era das Máquinas: a indústria 4.0 e suas possíveis consequências sobre o emprego.

Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de
Bacharel em Ciências Econômicas e aprovado em sua forma final pelo Curso de Ciências
Econômicas.

Local, 21 de Florianópolis de 2019.

________________________
Prof. Daniel Vasconcelos, Dr.
Coordenador do Curso

Banca Examinadora:

________________________
Prof.(a)

________________________
Prof.(a)

________________________
Prof.(a)
AGRADECIMENTOS

Agradeço:

Existe uma pessoa acima de todas as outras que merece o meu agradecimento. Quanto aos
outros, agradeço em primeiro lugar meus pais, Marlene e Paulo pelo amor incondicional e
paciência. Apesar de todas dificuldades, sempre me apoiaram e incentivaram ao longo da
vida. A minha futura esposa, Larissa por ser o dínamo de toda a mudança na minha vida.
Ao meu irmão, Arthur e sua esposa, Gliciane que trouxeram ao mundo o sobrinho mais
lindo e fofo do universo, Predo (Pedro).
Agradeço meus amigos Uriel e Mateus, pelas inúmeras conversar edificadoras, pelo
incentivo em compartilhar a verdade e pelas suas orações. Aos amigos da faculdade, pelos
momentos de descontração, em especial a Monah minha amiga que sempre me incentivou a
continuar. Ao meu orientador professor Michele pela dedicação e apoio na elaboração deste
trabalho, agradeço por ter contribuído ao longo de minha formação e por ter aceitado me
guiar e auxiliar neste trabalho tão desafiador.
“viva na sabedoria do afeto reconhecido” Brennan Manning
RESUMO

O trabalho relaciona o conceito de inovação de Joseph Schumpeter e desenvolve os princípios


do desenvolvimento econômico a uma reflexão para a revolução industrial 4.0 concernente
ao impacto sobre desemprego. O objetivo do trabalho é através da utilização de fontes
bibliográficas encontrar o vínculo do avanço tecnológico atual e seus efeitos no índice de
desemprego em países economicamente desenvolvidos com a utilização de mecanismos
robotizados e os avanços computacionais. Através de estudos bibliográficos e dados
econômicos o trabalho relata a evolução tecnológica ocorrida nos países desenvolvidos nos
principais setores econômicos como industrial e alimentício. O trabalho relata os
pensamentos de Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx e John M. Keynes em relação ao
emprego e renda, e como a indústria 4.0 afeta a confirmação de suas teorias. Por último, nota-
se a iniciativa de redução da necessidade de mão de obra e a substituição da mesma por
tecnologia robótica autônoma. Levantando hipóteses sobre o futuro, o trabalho resume
expondo que o aumento da utilização de mecanismos robóticos nos setores econômicos
resulta no efeito da possível eliminação categórica de empregos, entretanto não causalidade
do aumento do desemprego com substituição da mão de obra humana.

Palavras Chaves: Indústria 4.0. Desemprego. Mecanismos Robotizados. Evolução


Tecnológica. Inovação.
ABSTRACT

The paper relates Joseph Schumpeter's innovative concept and develops the principles of
economic development through the reflection of the industrial revolution 4.0 and its’ impact
concerning a possible rise in unemployment. The objection of the paper is to link the current
advances in technology and its effects on the unemployment rate located in developed
countries through the accessibility of robotic mechanisms and computational innovation by
utilizing bibliographical resources and data. Through bibliographical resources and economic
data the paper mentions the occurring technological evolution in developed countries, mainly
in the industrial and food sector, and how the two sectors have been developing. The paper
reports the ideology of Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx, and John M. Keynes
regarding topics like employment and income, and how the industry 4.0 affects the
confirmation of their theories. Finally, the paper reviews the initiatives to reduce the need for
manpower and replace it with autonomous robotic technology. The paper is summarized by
exposing the increase use of robotic mechanisms through all economic sectors and the
possible effect of the increase of unemployment caused by the substitution of human labor.

Keywords: Industry 4.0. Unemployment. Robotic Mechanisms. Technological Evolution.


Innovation.
LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Employment by major industry sector, 2006, 2016, and projected 2026 ............. 47
Tabela 2. Employment by detailed occupation, 2016 and projected 2026 (Numbers in
thousands) ............................................................................................................................. 49
Tabela 3. Ranking de Produção Automobilística Mundial................................................... 28
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 13
1.1 Indústria 4.0 e os efeitos econômicos. ................................................................... 13
1.2. Objetivos ................................................................................................................ 14
1.2.1. Objetivo Geral ................................................................................................ 14
1.2.2. Objetivos Específicos ..................................................................................... 14
1.2.3. Justificativa ..................................................................................................... 15
2. METODOLOGIA....................................................................................................... 16
3. REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................................... 17
3.1. Definição do Conceito de Indústria 4.0 e a Nova Revolução Industrial ............... 17
3.2. Definição do emprego e desemprego de acordo com Economistas ...................... 17
3.3. Conceito de Emprego de acordo com Adam Smith ............................................... 18
3.4. Conceito de Emprego e Maquinário de acordo com David Ricardo .................... 19
3.5. Conceito da relação social do Emprego de acordo com Karl Marx ..................... 20
3.6. Conceito desemprego de acordo com John Maynard Keynes ............................... 22
4. ÍNDICES E DADOS DE EFEITO DE SUBSTITUIÇÃO DE EMPREGO .......... 45
4.1. Índice desemprego e expectativa de desemprego nos Estados Unidos ................. 45
4.2. Ocupações e Índice de Risco de Automação ......................................................... 50
4.3. Evolução contemporânea do desemprego influente ao avanço tecnológico ......... 51
5. TECNOLOGIA........................................................................................................... 24
5.1. Evolução Tecnológica e conceito Schumpeteriano ............................................... 24
5.2. Evolução Tecnológica nos Setores Automobilístico e Agrícola ............................ 25
5.3. Evolução Tecnológica setor de Comércio ............................................................. 30
5.4. Tecnologia Atuais, futuras e seus efeitos a mão de obra humana ......................... 35
6. CONCLUSÃO............................................................................................................. 57
7. ESTUDO FUTUROS .................................................................................................. 60
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 61
13

1. INTRODUÇÃO

1.1 Indústria 4.0 e os efeitos econômicos.

A ampliação, desenvolvimento e avanço tecnológico e, consequentemente, o


aumento da produtividade é considerada como o fundamento primórdio do sucesso
econômico por parte da maioria dos economistas. Em 1942, o economista austríaco Joseph
Schumpeter escreveu seu livro o Capitalismo, Socialismo e Democracia, onde ele descreve
sua compreensão do fenômeno de desenvolvimento econômico através do sistema capitalista
e relata seu pensamento sobre a destruição criativa. De acordo com Schumpeter o
desenvolvimento “é uma mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo, perturbação
do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente”
(SCHUMPETER, 1997, p.75). Nota-se que a interdependência industrial na economia
favorece maior possibilidade de inovação tecnológica, versus o desenvolvimento nos setores
de produção primário como é notável em comparação entre países desenvolvidos e países
subdesenvolvidos. O avanço da tecnologia tem maior impacto sobre a produção industrial ao
invés da produção primária, e nesse contexto entende-se a necessidade da ampliação
industrial. Decorrente ao desenvolvimento inovativo gerador de grandes revoluções
industriais, o cenário contemporâneo apresenta as mesmas características anteriores, assim
iniciando-se a quarta revolução industrial nomeada por Indústria 4.0.
O desenvolvimento da indústria 4.0 possibilita ainda maiores reduções da utilidade
de mão de obra e consequentemente maior redução dos custos. A quarta revolução industrial
possibilita a criação inteligente de máquinas operadas autonomamente, uma junção do
desenvolvimento computacional codificado da inteligência artificial e machine learning com
as inovações da ciência da macro e micro robótica. Esses desenvolvimentos transformam
países que já abandonaram a indústria pelo setor de serviços a voltarem com investimentos
direcionados a indústria interna. Enquanto isso, países prestes a transição por meio do
aumento do ressarcimento da mão de obra agora investem continuamente no progresso da
indústria inteligente. Grandes empresas multinacionais recebem incentivos governamentais
para retornarem a seus países de origem graças a possibilidade da produção autônoma
industrial (GUEST, 2018). Enquanto isso, novas empresas emergem inovando os setores com
novos métodos de produção em benefício a inovação.
14

Nesse contexto de adaptação, o retorno de investimento industrial tem causado um


deslocamento de produção e empregos ainda maior que se refere ao poder econômico de
países desenvolvidos. Certo que um dos maiores custos industriais são a remuneração de
empregados, indústria assim percorria incentivos de mão de obra barata com a localização
de manufaturas sempre se deslocando para países de baixa renda. Entretanto a nova a
revolução industrial 4.0 demonstra efeitos de retrocesso no nível de emprego com retorno da
indústria a países desenvolvidos pelo incentivo de substituição de mão de obra. Através do
estudo de Jeremy Rifkin, Klaus Schwab, Martin Ford e Irmgard Nübler estuda-se a existência
de uma ruptura na taxa de desemprego em países desenvolvidos pela redução do uso da mão
de obra em utilização a maquinários inteligentes. O trabalho utiliza obras clássicas de Adam
Smith, David Ricardo, Karl Marx e John M. Keynes para descrever o conceito de emprego e
desemprego, e inovação e como essa transição tecnológica segue ou não suas teorias
econômicas.

1.2.Objetivos

1.2.1. Objetivo Geral

Demonstrar através do estudo bibliográfico o possível efeito do aumento na taxa de


desemprego como resultado da ampliação e desenvolvimento inovativo decorrente a
indústria 4.0, nos setores econômicos.

1.2.2. Objetivos Específicos

Para melhor entendimento do tema, o estudo apresenta:


a) A definição e significado do conceito de emprego, desemprego, renda de
acordo com os economistas Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx e John
Maynard Keynes.
b) O conceito de ciclos econômicos e o conceito de inovação de Joseph
Schumpeter em relação a sua teoria e os acontecimentos contemporâneos.
c) A análise de alguns setores econômicos e o avanço tecnológico.

d) E a exposição dos efeitos da indústria 4.0 e seus avanços tecnológicos em


relação a taxa de desemprego e descrevendo as projeções inovativas para o
futuro.
15

1.2.3. Justificativa

Através deste estudo pretende-se esclarecer o conceito do desenvolvimento


tecnológico e com base no mesmo expor as dificuldades em manter a competitividade da
mão de obra com as máquinas. Espera-se que este estudo venha expor os benefícios
econômicos no livre mercado decorrentes da inovação tecnológica, mas ao mesmo tempo
expor a tendência de uma alta na taxa de desemprego através do fenômeno de substituição
da mão de obra por máquinas. O estudo ajuda a caracterizar um êxodo do trabalhador no
mercado de trabalho em relação aos benefícios e praticidade da implementação da mão de
obra robotizada e inteligente.
16

2. METODOLOGIA

O trabalho segue a utilização de pesquisa bibliográfica expondo características


claras e determinadas pelo fenômeno do desenvolvimento industrial através de estudos e
artigos científicos, além disso será de grande relevância a utilização de análise de dados e
índices econômicos para a compreensão e explicação das características do fenômeno do
processo inovativo. Além da utilização de artigos, publicações, teses e livros como base ao
estudo monográfico, o projeto utiliza também o método de pesquisa descritiva para
aprofundar as relações dos estudos.
Segundo Gil (2008 p.28), a pesquisa descritiva tem como objeto primordial a
descrição das características do fenômeno, o estabelecimento das relações das variáveis e
determinar a natureza dessa relação. Como a pesquisa proporciona estudo sobre a fenômeno
da industrialização robotizada em países desenvolvidos e as relações contribuintes ao
fenômeno, a utilização do método explicativo também será abordada. Este tipo de pesquisa
é realizado especialmente quando o tema escolhido aprofunda o conhecimento da realidade
explicando a razão e o porquê das coisas (GIL, 2001, p.29).
Logo, os métodos adotados serão a pesquisa descritiva e o método bibliográfico
sobre o estudo e conceito do fenômeno da inovação tecnológica em países desenvolvidos e
os seus efeitos econômicos principalmente relacionado ao mercado de trabalho. Com a
utilização dos devidos métodos de pesquisa com análise de dados, utilização de fontes
secundárias o trabalho apresenta a conclusão a respeito de como o mercado de trabalho é
afetado com a implementação de novas tecnologias como a robotização industrial e a
inteligência artificial em função a substituição do trabalhador.
17

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1. Definição do Conceito de Indústria 4.0 e a Nova Revolução Industrial

Antes de iniciarmos o estudo, faz se necessário um levantamento da definição do


conceito da indústria 4.0 e a nova revolução industrial. De acordo com Ford, (2015) o termo
indústria 4.0 é utilizado para descrever o novo paradigma industrial. O nome faz referência
a quarta revolução industrial, que é caracterizada pela integração e controle de produção
através da conectividade entre equipamentos e sensores entre o mundo físico e o virtual. Esse
processo gera enormes mudanças na indústria através da evolução tecnológica como aumento
de produtividade, autonomia e redistribuição de trabalho. Ford utiliza ambos os termos,
indústria 4.0 e novo paradigma industrial para descrever o cenário futuro da indústria, onde
é utilizado junção do poder cognitivo computacional em sintonia com a robótica no processo
de produção. Em outras palavras, o novo paradigma industrial é completa interação dos
processos de produção e de distribuição. Através do poder cognitivo computacional, as
máquinas e insumos trocam informações durante toda as operações como produção, logística,
compras e estoques de maneira autônoma. Segundo ele, a utilização de meios de produções
industriais compostas por máquinas altamente inteligente, graças ao avanço do
processamento de dados, pode ser classificada pelo termo da indústria 4.0. Klaus Schwab1
relata em seu livro, A Quarta Revolução Industrial que a utilização da robótica avançada na
base da cadeia de produção industrial, que compartilha com os avanços cognitivos da
inteligência artificial e do método de machine learning 2são características classificadas com
o termo revolução industrial 4.0 (SCHWAB, 2018). Sendo assim, define-se que os termos
indústria 4.0 e nova revolução industrial estão de acordo com conectividade de rede que
geram um processo sincronizado e inteligente entre a produção.

3.2. Definição do emprego e desemprego de acordo com Economistas

Os próximos capítulos consistem em relatar a definição do emprego e desemprego


de acordo com Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx e John Maynard Keynes. É

1
Klaus Schwab doutor em economia pela universidade de Friburgo, e em engenharia no Instituto Federal de
Tecnologia em Zurique. Mestre em administração pública da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente
Executivo do Fórum Econômico Mundial.
2
Machine Learning é um método de análise de dados analiticamente automatizados. O modelo segue o padrão
de interpretação de dados e identificação de padrões sem nenhuma intervenção humana.
18

importante reconhecer o pensamento crítico de cada economista em relação ao contexto para


decifrar os efeitos possíveis com desenvolvimento do novo paradigma industrial. A dualidade
da perspectiva sobre o trabalho de Adam Smith permite-nos entender que ambas as categorias
de emprego, produtivo e improdutivo podem ser ameaçados com a evolução tecnológica.
Entretanto o aspecto que gera diretamente impacto a economia categorizado como trabalho
produtivo, que resulta como sendo o mais impactado. Ambos Ricardo e Smith concordam
que o salário e a produtividade têm grande representatividade na economia. Ricardo cita a
utilização de maquinários que refletem um aumento na produtividade, entretanto ele se faz
de acordo com a noção de Karl Marx sobre a utilização. Marx relata que o contrato social do
trabalhador e sua dependência de seu ressarcimento da de mão de obra trocada, e que a
utilização de maquinários é prejudicial ao trabalhador. Por fim, Keynes apela pela
categorização do desemprego involuntário, criando a noção que é possível existir um cenário
em que a busca por trabalho excede o número de vagas de trabalho. Resumidamente nota-se
a importância do fator do emprego na economia como formação de valor e o pessimismo
sobre a utilização de maquinários.

3.3. Conceito de Emprego de acordo com Adam Smith

Ao decorrer da evolução econômica vários pensadores geraram definições


diferentes em relação ao emprego. A formação da teoria econômica de Adam Smith, mesmo
primitiva tem ampla importância e relevância ao estudo econômico atual pela contínua
utilização, interpretação e evolução da mesma com o estudo contemporâneo da economia.
Sua teoria econômica representativa do emprego pode ser dividida na consideração da
dualidade do emprego, a fundamentação da renda e por último a divisão social do trabalho
com o exemplo da fábrica de alfinetes. Em sua obra The Wealth of Nations, Adam Smith
atribui a riqueza das nações a riqueza da terra, retratando que o capital deriva da proporção
de produção da força de trabalho em relação aos recursos naturais da nação. Para o autor a
existência de duas configurações de trabalho, aquele que molda e restitui as obrigações
coletiva da sociedade como as instituições e o trabalho produtivo, aquele que produz
mercadoria.

“Foi no contexto dessa estrutura domiciliar que a distinção social entre trabalho
produtivo e improdutivo começou a ser imposta às classes trabalhadoras. O
trabalho produtivo passou a ser definido como aquele que recebe remuneração em
19

dinheiro (principalmente, trabalho assalariado) e o não produtivo como aquele que,


embora necessário, constitui uma atividade de mera "subsistência': sem produzir
um "excedente" que possa ser apropriado por alguém.” (WALLERSTEIN 1996.
p.23)

Em relação ao trabalho produtivo, Adam Smith elabora a especialização do trabalho


e a produtividade. Mesmo primitiva, sua teoria econômica consegue ordenar as duas
categorias de trabalho, ampliando ao fundamento de geração de renda e por fim mencionar o
processo de especialização que amplifica a geração de capital. Em sua obra Smith descreve
o exemplo de especificação ilustrando a fábrica de alfinete. Para ele a organização de setores
e especificação do trabalho beneficia a quantidade produtiva e o aumento proporcional de
retorno tendo em vista o aumento da quantidade produtiva. Esse processo gera um aumento
da riqueza pela causalidade circular a economia.

“...a dinâmica de seu modelo de crescimento pode ser melhor entendida em


termos...de um processo de “causalidade circular cumulativa” e, em seus traços
essenciais, consiste no seguinte: o crescimento da produtividade do trabalho, que
tem origem em mudanças na divisão e especialização do processo de trabalho, ao
proporcionar o aumento do excedente sobre os salários permite o crescimento do
estoque de capital, variável determinante do volume de emprego produtivo; a
pressão da demanda por mão-de-obra sobre o mercado de trabalho, causada pelo
processo de acumulação de capital, provoca um crescimento concomitante dos
salários e, pela melhora das condições de vida dos trabalhadores, da população; o
aumento paralelo do emprego, salários e população amplia o tamanho dos
mercados que, para um dado estoque de capital, é o determinante básico da
extensão da divisão do trabalho, iniciando-se assim a espiral de crescimento.”
(SMITH, 1996 p.9-10)

3.4. Conceito de Emprego e Maquinário de acordo com David Ricardo

Procedendo de alguns conceitos da teoria da obra de Adam Smith, David Ricardo


utilizou e envolveu alguns princípios sobre o emprego e salário. Além de aprimorar o
conceito sobre a renda, Ricardo levanto um novo pensamento sobre a utilização de
maquinários no capítulo 31º de sua obra, Princípios De Economia Política E Tributação.
Resumidamente entende-se que para o economista existiam duas categorias de salário, o
preço natural e o preço de mercado. Como seguidor do conceito da oferta e demanda Ricardo
utiliza o mesmo para descrever as categorias de salário. No primeiro instante, o economista
inglês descreve sobre o preço natural. Nessa primeira definição Ricardo descreve que o valor
é constituído pela formação natural do valor da mercadoria, o quanto a mercadoria custa para
ser produzida. Considerando a força de trabalho como objeto de troca, o valor natural pode
ser constituído pela junção do preço da subsistência. Já o valor de mercado é construído pela
formação de valor do livre mercado, respeitando as leis da oferta e demanda. Similarmente,
20

considerando o trabalho como força de trabalho, o salário de mercado seria o valor


disponibilizado em remuneração categórica do trabalho e o nível de emprego. Nesse caso, o
preço de mercado encontra-se dependente da quantidade que o empregador está disposto a
pagar dependendo da taxa de desemprego, qualificação do empregado e margem de lucro.
Entretanto Ricardo menciona que em um cenário aonde o preço de mercado é superior ou
preço natural equivale a um aumento de consumo e bem-estar ao trabalhador. Similarmente
em uma situação aonde o preço de mercado é inferior ao preço natural o trabalhador tem uma
remuneração inferior ao valor necessário para sobreviver, resumidamente vive da miséria.
Além de sintetizar a relação do salário, Ricardo conclui seu ponto de vista decorrente a
utilização de maquinários. Mesmo acreditando na limitação da tecnologia na produção sendo
que existiria fonte de produção que necessitaria a mão de obra, David Ricardo reconhece à
consequência negativa a classe do trabalhador na utilização da máquina.

“Como naquela época parecia-me que existiria a mesma demanda de trabalho que
antes, e que os salários não diminuiriam, acreditava que a classe trabalhadora,
assim como as demais classes, participaria igualmente das vantagens do
barateamento geral das mercadorias decorrente do uso da maquinaria. Essas eram
minhas opiniões, e elas seguem inalteradas no que diz respeito ao proprietário da
terra e ao capitalista. Mas estou convencido de que a substituição de trabalho
humano por maquinaria é freqüentemente muito prejudicial aos interesses da classe
dos trabalhadores. Meu erro consistia em supor que sempre que o rendimento
líquido da sociedade aumentasse, seu rendimento bruto também aumentaria.
Agora, no entanto, tenho razões suficientes para pensar que o fundo de onde os
proprietários de terra e os capitalistas obtêm o seu rendimento pode aumentar
enquanto o outro — aquele de que depende principalmente a classe trabalhadora
— pode diminuir. Consequentemente, se estou certo, a mesma causa que pode
aumentar o rendimento líquido do país, pode ao mesmo tempo tornar a população
excedente e deteriorar as condições de vida dos trabalhadores ”(RICARDO, 1996
p.288).

Para Ricardo a substituição do trabalho humano por máquinas pode ser beneficial
para as classes capitalistas e mercantis. Ele reconhece que uma eventual ampliação de
maquinários no meio produtivo aumentaria a capacidade produtiva da economia e reduziria
o valor dos produtos. Entretanto ele conclui que a classe trabalhadora sofreria com o nível
alto de desemprego.

“...o uso da maquinaria podem ser acompanhados por uma redução da produção
bruta e, sempre que isso acontecer, será prejudicial para a classe trabalhadora, pois
uma parte será desempregada e a população tornar-se-á excessiva em comparação
com os fundos disponíveis para empregá-la.” (RICARDO, 1996 p.290).

3.5. Conceito da relação social do Emprego de acordo com Karl Marx


21

A definição elaborada por Karl Marx sobre a relação social do emprego pode ser
resumida entre um contrato social de trocas de bens e serviços. Marx diz que para tudo ter
valor é necessário que o mesmo seja trocado ou comercializado, isso significa que o valor do
objeto é composto pela utilidade de troca e tempo necessário para produção. “O sistema
inteiro da produção capitalista baseia-se no fato de que o trabalhador vende sua força de
trabalho como mercadoria” (MARX, 2011).

Essas trocas entre mercadorias geram um valor incompreensível que igualam a


outras mercadorias variando a quantidade respectiva ao valor do outro. Marx diz que a forma
do valor está relacionada diretamente na mão de obra e no tempo efetivo de produção. Se
existe uma relação de maior mão de obra e menor produtividade de um objeto o seu valor
constituirá em maior valor comparado ao de uma mercadoria com menos mão de obra e maior
produtividade. Nesse caso a produtividade está vinculada ao tempo e quantidade da produção
individual de um produto. A relação do trabalho envolve no mesmo entendimento que um
produto. O trabalhador contém um valor quantificado a sua habilidade de produção, e através
do mercado ele vende seu poder produtivo pelo salário. Além disso, Marx explica que o uso
da cédula monetária, o dinheiro também tem um valor equivalente às mercadorias, que em
outras palavras pode ser considera uma própria mercadoria. O dinheiro para Marx não é uma
forma de medida para as mercadorias e sim uma própria mercadoria que contém um valor
específico e que dependendo a sua quantidade esse mesmo tem um valor equivalente a
desejável troca como nota-se na seguinte citação de sua obra; “moedas de prata e de ouro
circulavam inicialmente como mercadorias” (MARX, 2011). Para Marx o sistema capitalista
é composto totalmente pela troca de bens e serviço e cada qual todos contêm um certo valor.

Resumidamente o trabalhador troca seu tempo e trabalho pelo salário, que é


resultado da sua produtividade, o salário é recebido em forma de dinheiro que representa um
valor, o valor da moeda é utilizada em troca por mercadorias dependentemente do valor
explícito por cada uma. Desta forma, argumenta-se que existem vários meios que o capitalista
é capaz de usurpar o trabalhador. “A autovalorização do capital por meio da máquina é
diretamente proporcional ao número de trabalhadores cujas condições de existência ela
aniquila” (MARX, 2011). Além da manipulação de preço, aumento da jornada de trabalho
ou redução salarial Marx cita a utilização de máquinas como forma de usurpar o trabalhador.
22

“A divisão do trabalho unilateraliza tal força, convertendo-a numa habilidade


absolutamente particularizada de manusear uma ferramenta parcial. Assim que o
manuseio da ferramenta é transferido para a máquina, extingue-se, juntamente com
o valor de uso, o valor de troca da força de trabalho. O trabalhador se torna
invendável, como o papel-moeda tirado de circulação. A parcela da classe
trabalhadora que a maquinaria transforma em população supérflua, isto é, não mais
diretamente necessária para a autovalorização do capital, sucumbe, por um lado,
na luta desigual da velha produção artesanal e manufatureira contra a indústria
mecanizada e, por outro, inunda todos os ramos industriais mais acessíveis,
abarrota o mercado de trabalho, reduzindo assim o preço da força de trabalho
abaixo de seu valor”(MARX, 2011 p.288).

Para Marx a utilização de maquinários gera um efeito de desvalorização do


trabalhador e consequentemente um aumento no desemprego. Maquinário e avanços
tecnológicos beneficiam somente os capitalistas, enquanto possibilitam a exploração de
mulheres e crianças na força de trabalho.

“The result can only be more exploitation.” (SKOUSEN, 2007 p.98). Ele
argumenta que maquinários destroem o mercado de trabalho em função da redução
do salário em fator a exploração do trabalhador e um aumento no desemprego.

3.6. Conceito de desemprego de acordo com John Maynard Keynes

Para John Maynard Keynes a definição do desemprego vai além dos pensamentos
dos economistas clássicos. Contrariado com a crise de 1930 e os efeitos diretamente com o
nível assustador do desemprego, Keynes cria a terceira vertente sobre o desemprego, o
desemprego involuntário. Disposto a refutar o desemprego natural e o desemprego voluntário
estabelecido pelos economistas clássicos, Keynes cria a notação do desemprego involuntário
para expor uma explicação ao cenário econômico no período da grande depressão. Dado que
o desemprego natural é o processo temporário de transição de emprego, e que o desemprego
voluntário é o processo dos trabalhadores não aceitarem os salários vigentes, então o
desemprego involuntário pode ser compreendido como a incapacidade do trabalhador de
arranjar empregos com a rigidez do salário de mercado (SOUZA, 2011 p.109). Para Keynes
a explicação do alarmante nível de desemprego excepcionalmente nos Estados Unidos era
causada pela forte procura de trabalho, entretanto em um cenário hostil ao trabalhador onde
o emprego existente é limitado pela razão do crescente custo das empresas que são
impossibilitadas a ajustarem os salários. Keynes expressa claramente esse fator em seu livro,
A Teoria do Emprego, do Juro e da Moeda
“... quando a procura agregada da mesma (mão de obra disponível) ao dito salario
são maiores que o volume de emprego existente” (KEYNES, 1992 p.23).
23

Keynes observou que o avanço tecnológico era intensamente mais acelerado em


comparação ao surgimento de novos empregos. Em seu artigo, Essays in Persuasion, ele
classifica a categoria do desemprego causado pela inovação, technological unemployment
(desemprego tecnológico), que para ele é o efeito da movimentação e avanço tecnológico em
contrapartida a emersão de novos serviços.

For the moment the very rapidity of these changes is hurting us and bringing
difficult problems to solve. Those countries are suffering relatively which are not
in the vanguard of progress. We are being afflicted with a new disease of which
some readers may not yet have heard the name, but of which they will hear a great
deal in the years to come—namely, technological unemployment. This means
unemployment due to our discovery of means of economising the use of labour
outrunning the pace at which we can find new uses for labour (KEYNES, 2016
p.360-361).

Entretanto, Jeremy Rifkin interpreta Keynes como otimista em relação da inovação


com o longo prazo econômico. Keynes olhava com expectativa para um futuro em que as
máquinas produzirem bens e serviços abundante e gratuitamente, libertando a espécie
humana do cansaço e das tribulações e aliviando a mente das preocupações com interesses
estritamente pecuniários para se concentrar mais nas «artes da vida» e na busca pela
transcendência (RIFKIN, 2014 p.21). Rifkin acrescenta que de acordo com Keynes “o
desemprego tecnológico acaba por se revelar vantajoso à longo prazo porque significa que
“a humanidade está a resolver o seu próprio problema económico” (RIFKIN, 2014 p.21).
Mesmo afirmando sobre a existência do desemprego tecnológico em razão a redução dos
custos de bens e serviços e o aumento da produtividade, ele acreditava que ao longo prazo
todo esse efeito de desemprego geraria maior possibilidade na dedicação ao desenvolvimento
de artes da vida.
24

4. TECNOLOGIA

4.1. Evolução Tecnológica e conceito Schumpeteriano

O conceito evolutivo da tecnologia teve grande impacto ao estudo econômico


através do economista Joseph Schumpeter que escreveu em seu livro Capitalismo,
Socialismo e Democracia no ano de 1942 sobre a dinâmica do mecanismo essencial do
capitalismo. Com ênfase ao assunto de tecnologia, sua teoria moldou o entendimento
contemporâneo sobre a evolução tecnológica através do princípio econômico capitalista,
principalmente com o conceito da destruição criadora. Para Schumpeter a iniciativa de
criação de algo novo na economia possibilita um crescimento econômico temporal e um
destacamento do objeto inicial para o novo objeto. “O ponto essencial que se deve ter em
conta é que, ao tratar do capitalismo, tratamos também de um processo evolutivo”
(SCHUMPETER, 1961. p.109). Não limitado ao crescimento econômico sua teoria continua
relevante até mesmo no âmbito microeconômico. Entendendo-se que o lucro é o resultado
positivo da equação entre receitas e despesas, nesse caso a empresa busca sempre realizar tal
saldo. “Por despesas entendemos todos os desembolsos que o empresário deve fazer direta
ou indiretamente na produção. A isso se deve acrescentar um salário apropriado para o
trabalho desempenhado pelo empresário” (SCHUMPETER, 1997 p.129). Existindo um
excedente sobre a receita, sendo que a receita seja maior que a despesa, o resultado equivale
ao lucro do empresário. Nesse contexto de possível resultado crescente de lucro que
Schumpeter divulga sua teoria pela busca do avanço tecnológico. Em uma economia
competitiva, as empresas investem em pesquisa e desenvolvimento a fim de desenvolver
novas tecnologias e consequentemente reduzir suas despesas ou aumentar seus rendimentos.
Nota-se isso no capítulo III da Teoria do desenvolvimento Econômico (1997) que desenvolve
um exemplo de utilização de teares mecânicos nas empresas.
“Se um trabalhador pode com esse tear produzir agora seis vezes mais do que um
trabalhador manual num dia o negócio deve render um excedente sobre os custos,
uma diferença entre receitas e despesas” (SCHUMPETER, 1997 p. 130).

A contínua mutação do objeto inovador pode ser demonstrada no decorrer histórico


econômico das nações com o desenvolvimento da agricultura e indústria. Em especial nota-
se como exemplo da evolução industrial, o desenvolvimento da máquina a vapor que
designou a revolução industrial e sua obsolescência com a ampliação da tecnologia para
outros mecanismos como o motor a diesel, gasolina e elétrico. Ou melhor indicado pela
citação de Schumpeter.
25

Podemos, por exemplo, observar estatística e historicamente — pois o fenômeno é


tão claro que nossos escassos conhecimentos servem para comprová-lo — o
nascimento de um desses longos ciclos pelas alturas da década de 1780, a sua
culminação em volta de 1800, o declínio e uma espécie de recuperação que
terminou em princípios da década de 1840. Tratava-se da Revolução Industrial,
assunto de tanta predileção dos (87) autores de manuais econômicos. Nos seus
calcanhares, todavia, ocorreu outra dessas revoluções, produzindo outro ciclo que
se elevou na década de 1840, atingiu o ponto culminante pouco antes de 1857 e
declinou em 1897, para ser seguido, por seu turno, pelo que alcançou o ponto
máximo mais ou menos em 1911 e entra hoje em fase de declínio (SCHUMPETER
1961, p.)

Entre tantos outros exemplos é evidente a obsolescência de métodos e produtos


antigos, similarmente ao processo biológico da evolução. Para Schumpeter o procedimento
evolutivo tecnológico é considerado uma revolução econômica pela ruptura cíclica gerada na
economia.

Similarmente, a história da aparelhagem produtiva de uma fazenda típica, desde os


princípios da racionalização da rotação das colheitas, da lavra e da engorda do gado
até a agricultura mecanizada dos nossos dias — juntamente com os silos e as
estradas-de-ferro — é uma história de revoluções, como o é a história da indústria
de ferro e aço, desde o forno de carvão vegetal até os tipos que hoje conhecemos,
a história da produção da eletricidade, da roda acionada pela água à instalação
moderna, ou a história dos meios de transporte, que se estende da antiga carruagem
ao avião que hoje corta os céus. A abertura de novos mercados, estrangeiros e
domésticos, e a organização da produção, da oficina do artesão a firmas, como a
U.S. Steel, servem de exemplo do mesmo processo (106) de mutação industrial—
se é que podemos usar esse termo biológico — que revoluciona incessantemente *
a estrutura econômica a partir de dentro, destruindo incessantemente o antigo e
criando elementos novos (SCHUMPETER, 1961 p.110).

No período de criação de sua obra em 1942 o setor automobilístico e aeroviário já


tinham passados por processos de variações tecnológicas que corroboraram com seu conceito
da criação destruidora. Irmgard Nübler (2016) menciona que desde a revolução industrial
existe uma busca pelo aumento de produtividade através da fragmentação e automação do
processo produtivo. De acordo com o avanço do processo produtivo, o trabalho busca
diferentes setores econômicos e potenciais efeitos decorrentes a evolução tecnológica.

4.2. Evolução Tecnológica nos Setores Automobilístico e Alimentício

O setor automobilístico estreou aproximadamente no início dos anos 1900, com a


empresa alemã Mercedes e logo após a americana Ford, e desde então a produção de
automóveis no setor progrediu com evolução tecnológica substancialmente no decorrer dos
anos. De acordo com a teoria do ciclo econômico (SCHUMPETER, 1961 p.93), nota-se que
o monopólio inovativo seguiu entre as duas empresas algum tempo até a certa estagnação no
26

setor. Com a estagnação do fenômeno revolucionário de inovações o número de empresas


automobilísticas começou a aumentar exponencialmente até a alcançar uma competição
quase perfeita, resumidamente resultando em decrescentes lucros. Schumpeter escreveu em
seu livro que “os ciclos de longa duração que afetam a atividade econômica, cuja análise
revela... a natureza e o mecanismo da evolução capitalista. Todos esses ciclos consistem de
uma revolução industrial e da absorção dos seus efeitos” (1961, p. 93). Visto que a criação
inicial de um meio de transporte foi à ruptura que gerou crescimento econômico, entretanto
o número de empresas emergentes secundárias foi a absorção dos efeitos primários e a réplica
dos processos e produtos por outras empresas.

Utilizando o exemplo do setor automobilístico pode-se notar o funcionamento das


duas teorias Schumpeteriana, ciclo econômico e destruição criadora. A inovação revoluciona
a economia com a criação de um novo produto gerando ruptura no ciclo, e eventualmente o
processo é replicado por outras empresas gerando uma estagnação econômica. A próxima
revolução inovativa transforma o produto ou método produzido anterior obsoleto através da
criação destruidora e causa outra ruptura no ciclo econômico. O ciclo é contínuo, pois ao
final de cada revolução tecnológica existe uma redução lucro, assim surgem outras empresas
que começam a fabricar o mesmo produto. Provido que o sistema capitalista reage em ciclos,
entende-se então que “processo de destruição criadora é básico para se entender o
capitalismo. É dele que se constitui o capitalismo e a ele deve se adaptar toda a empresa
capitalista para sobreviver” (SCHUMPETER, 1961 p.110). A ausência da inovação denota
crises econômicas, e a falta do processo de destruição criadora traduz na consequência que o
sistema econômico ou a empresa não sobreviva.

Em relação à estagnação econômica descrita por Schumpeter pode-se criar um


paralelo ao mercado automobilístico atual. A competição das empresas tem gerado
dificuldade em adquirir lucro sem qualquer criação inovadora. Visto isso com os dados
derivados da Organização Internacional Manufatureira de Veículos, OICA, que indicam que
as 10 empresas mais produtivas acumulam aproximadamente 67% do mercado
automobilístico, enquanto as duas primeiras Toyota e Volkswagen consistem em controlar
quase um quinto da produção total (Tabela 1.5). A acumulação do mercado está mais
relacionada à eficiência do processo produtivo dos produtos do que ao avanço tecnológico
do próprio produto. Em 2014 a Volkswagen foi acusada de trapacear a medida de emissão
de gás, emitindo relatórios forjados descrevendo um aumento tecnológico do motor de
27

propulsão assim aumentando sua margem de lucro e mercado sem qualquer real inovação ao
o setor e ao produto (HOTTEN, 2015). Outro exemplo da forte competitividade e baixa taxa
de lucro; que são sinônimos ao estado estagnado da tecnologia de Schumpeter, foram os
acontecimentos após a crise de 2008. Após a crise imobiliária de 2008, foi evidente o efeito
negativo de consumo retribuído sobre a crise econômica das empresas automobilísticas, que
em contrapartida modificaram suas frotas, inovaram, e participaram de merger com outras
empresas como meio de sobrevivência. Depois 2008, a Ford e a GM foram financiadas pelo
pacote de bailout pelo governo americano para reestruturação, já que a receita tinha sofrido
um grande impacto com a crise (WOODYARD, 2013). Outro exemplo foi a Chrysler que
com a crise e a alta competitividade no setor entrou em falência e em 2014 a Fiat se juntou
com a Chrysler, formando a FCA (Fiat Chrysler Automobiles), com os incentivos de salvar
a empresa americana da falência e de facilitar a entrada na empresa italiana no mercado norte
americano. Observa-se que o setor automobilístico tem uma competitividade tão grande que
as empresas estão em constante transição internas. Nota-se que o ciclo econômico proposto
por Schumpeter descreve perfeitamente o cenário automobilístico através de relatos como a
alta competitividade, baixa taxa de inovação tecnológica e baixos lucros. Schumpeter
considerava que o “impulso fundamental que põe e mantém em funcionamento a máquina
capitalista procede dos novos bens de consumo, dos novos métodos de produção ou
transporte, dos novos mercados e das novas formas de organização industrial criadas pela
empresa capitalista” (SCHUMPETER, 1961, p.110). Sendo que em meio a ocorrente
competitividade nasce a empresa Tesla Motor que além de inovar o mercado gera uma
ruptura nas atuais empresas automobilísticas forçando uma eventual adaptação tecnológico
antes não implementado.
28

Tabela 1. Ranking de Produção Automobilística Mundial


WORLD RANKING OF MANUFACTURERS

% de produção % de produção
Rank GROUP 2016 2017
2016 2017

1 TOYOTA 10,213,486 10,466,051 10.9% 10.8%


2 VOLKSWAGEN 10,126,281 10,382,334 10.8% 10.7%
3 HYUNDAI 7,889,538 7,218,391 8.4% 7.4%
4 G.M. 6,971,710 6,856,880 7.4% 7.1%
5 FORD 6,457,773 6,386,818 6.9% 6.6%
6 NISSAN 5,556,241 5,769,277 5.9% 6.0%
7 HONDA 4,999,266 5,236,842 5.3% 5.4%
8 FIAT 4,681,457 4,600,847 5.0% 4.7%
9 RENAULT 3,373,278 4,153,589 3.6% 4.3%
10 PSA 3,152,787 3,649,742 3.4% 3.8%
Total 94,020,883 96,922,080 - -
Fonte: International Organization of Motor Vehicle Manufacturers, 2018

Fruto da contribuição da influência de Nikola Tesla, a empresa automobilística


criada em 2003 por um grupo de engenheiros no Vale do Silício, Martin Eberhard e Marc
Tarpenning, tinha a ambiciosa ideia de criar um carro totalmente elétrico e ecológico e com
a performance superior ao motor tradicional de combustão (GREGERSEN, 2013). Em 2004,
Elon Musk co-fundador da PayPal, empresa de pagamentos online investiu mais que 30
milhões de dólares na ideia e com isso iniciou-se sua carreira como diretor. Em meio a
dificuldade da barreira de entrada e no desenvolvimento tecnológico exclusivo a propulsão
elétrica, a empresa só alcançou âmbito no setor automobilístico após quatro anos com o
modelo Roadster (GREGERSEN, 2013). Nesse período, além do seu próprio investimento
de capital, Musk conseguiu vender a ideia do carro elétrico; obtendo investimentos dos
fundadores da Google, Sergey Brin e Larry Page, e da própria fundadora da Mercedes-Benz
a Daimler AG (MCFADDEN, 2019). Com investimentos externos, a Tesla Motor conseguiu
livrar-se da falência e manter-se no mercado, atualmente possuem quatro modelos no
mercado (MCFADDEN, 2019). Em 2012 a Tesla introduziu o Modelo S, um sedan de alto
performance com a capacidade de percorrer 426 quilômetros em uma carga de bateria, é
capaz de alcançar 100 km/h em 3,2 segundos, a aceleração mais rápida na categoria
(GREGERSON, 2013). Entretanto o foco principal tecnológico foi à adaptação de sensores
sonares e câmeras que no estado inicial serviam para criar uma base de dados que
eventualmente possibilitaria através de machine learning a autonomização dos veículos. E
em 2012 a empresa desvendou o Tesla Autopilot, sistema semiautônomo e em 2015 alcançou
29

a 100 mil Modelos vendidos globalmente. No mesmo ano, a Tesla Motors inaugurou o mais
novo carro da frota, o Modelo X, um SUV de luxo 100% elétrico com capacidade de 475
quilômetros de alcance e ampliou a capacidade tecnológica de manobra autônoma
(MCFADDEN, 2019). Entretanto a entrada do carro elétrico introduzido ao mercado pela
Tesla, conseguiu causar uma adaptação no mercado, evoluído e modificado as frotas
existentes das demais empresas automobilísticas, atualmente 30% da frota na Noruega
consiste em carros elétricos (DOYLE, 2017). Além disso, nota-se o interesse mútuo das
grandes empresas tecnológicas e automobilísticas em criar meios para autonomizar seus
veículos. Entre as grandes empresas tecnológicas identificam-se interessadas no
desenvolvimento de tecnologia de direção autônoma a Google, Apple e Uber, que tem
desenvolvido seus próprios sensores, radares e métodos de autonomia veicular (RIFKIN,
2014 p.280). Para a empresa Uber, a autonomização da sua frota resultaria na redução da
mão de obra humana, eventualmente criando uma rede de táxis totalmente robotizada como
mencionado em capítulos adiante. Com a introdução do protótipo de caminhão da Tesla e
seus avanços em tecnologia de sensores autônomos pode-se compreender os eventuais efeitos
ao trabalhador do setor de transporte (Tesla, 2019).

Outro setor importantíssimo para economia doméstica e que foi concoorrente


múltiplas vezes de evoluções tecnológicas é o setor de alimentos. A agricultura que um dia
foi constituída como limitada ao espaço físico em função a subsistência da crescente
população agora pode ser considerada como um setor altamente tecnológico e desenvolvido.
De acordo com a citação abaixo, Thomas Malthus teorizou que uma sociedade teria
crescimento desproporcional entre a população e os meios de subsistência ceteris paribus
outros fatores sociais.

“In a state therefore of great equality and virtue, where pure and simple manners
prevailed, and where the means of subsistence were so abundant that no part of the
society could have any fears about providing amply for a family, the power of
population being left to exert itself unchecked, the increase of the human species
would evidently be much greater than any increase that has been hitherto known”
(MALTHUS, 1998 p.6).

Para ele uma sociedade onde consiste em princípios e igualdade simples e pura
consistente com um incremento populacional exponencialmente positivo enquanto a
produção de alimentos continua sendo linearmente positiva, resultaria com a falta de
suficientes meios de subsistência na sociedade. A controversa tese do clero anglicano foi
30

refutada historicamente com as adaptações e desenvolvimentos em setores agrícolas. É


evidente que a transformação do campo do século XVIII ao setor agrícola moderno passou
por um processo tecnológico que desproporcionou a quantidade de produtos e a redução da
mão de obra. O processo tecnológico no setor passou do experimento do processo evolutivo
de Gregor Mendel, seleções de cultivo, rotação de plantio, formatação química de adubo,
produção de agrotóxico e modificação genética de organismo. Evidencia que o meio de
produção agrícola tem se desenvolvido cada vez mais rápido desde o início do cultivo da pré-
história. Atualmente existe um monopólio entre as grandes empresas vinculadas ao setor
agrícola como empresas químicas de agrotóxico, empresas de fabricação de alimentos e
empresas de maquinários de agricultura (ROUMELIOTIS, 2016). Similarmente ao setor
automobilismo existem empresas emergentes que revolucionaram os setores alimentícios
como a Aerofarms, Bowery e a Mosa Meat. Enquanto a Aerofarm possibilita o plantio e a
produção agrícola em hangares e a Bowery em estruturas indoors, a Mosa Meat produz
carnes no processo de laboratório com a manipulação química celular. Similarmente com o
processo da destruição criadora de Schumpeter nota-se que ao desenvolvimento de novas
técnicas desenvolvidas para a agricultura elimina a antiga prática de produção. É relevante
entender os efeitos que ambas empresas podem causar no mercado de trabalho, que será
discutido com maior amplitude na próxima seção.

4.3. Evolução Tecnológica setor de Comércio

O atual mundo tecnológico do século XXI é altamente globalizado que facilita o


contato e as relações humanas, bem como agilizar e compartilhar informações de produtos.
O comércio digital sucede da invenção da internet. A empresa estadunidense Sears no final
do século XIX já realizava o comércio digital através de encomendas realizadas por telégrafo.
Os clientes realizavam o pedido observando as opções por um catálogo, e depois de feito o
pedido, a empresa enviava os produtos, vendendo-os à distância (AUGUSTYN, 2019).
Atualmente as pessoas conseguem contratar serviços e adquirir bens sem sair de casa, estando
apenas conectada a internet. De acordo com estudos de Mark Page e Christophe Firth (2016)
a economia global da internet chegou a 3,5 trilhões de dólares em 2015, sendo o comércio
digital um dos componentes chaves para esse valor. O surgimento da internet, décadas
depois, facilitou o contato entre empresa e consumidor, e criou uma revolução no “jeito” de
consumir. As compras online aumentam exponencialmente cada dia, causando detrimento no
número de bens adquiridos em lojas físicas. Entre os motivos estão a maior comodidade, por
31

poder comprar diretamente no conforto da casa; a maior variedade de produtos, pois


basicamente todas as opções podem ser encontradas nos sites eletrônicos; preços mais baixos,
já que é possível consultar o mesmo produto em várias lojas, com apenas alguns cliques no
mouse. Além disso, estão difundidas plataformas para filtrar produtos em vários sites, que
objetivam encontrar o menor preço, seja de produtos de lojas de departamento, carros, hotéis,
imóveis, entre outros. O crescimento da internet e do comércio digital mesmo facilitando o
comércio também tem causado danos nas empresas físicas varejistas. Já foi mencionado o
efeito catastrófico de grandes empresas varejistas como a JC Penney, que sofreu a referente
redução do lucro anual (DAWN, 2019), e o Walmart, que estimam fechar mais de 6 mil lojas
físicas até o final de 2019 nos Estados Unidos (SUPRIYO BOSE, 2019). Desde 2015 a
empresa Amazon tem a maior valorização no mercado de capitais comparado com o Walmart
(OYEDELE, 2015).

Segundo os dados contidos no estudo feito pelo Sistema de Comunicação Móvel


Global, GSMA, no final de 2015, 3,2 bilhões de pessoas tinham alguma forma de acesso a
internet no mundo inteiro, o que configura 43% de toda a população mundial. Com isso, a
cadeia de valor da internet no ano de 2015 somou 3,5 trilhões de dólares, e é esperado que
chegue a 5,8 trilhões em 2020. Nos Estados Unidos, por exemplo, outro número que vem
crescendo é o de consumo de mídia diário pelas pessoas (consumo de mídia inclui também
rádio e jornais). Em 2012, os estadunidenses passaram aproximadamente uma média de 12,4
horas por dia consumindo mídia, cerca de 251 minutos (4,18 horas) eram gasto na internet.
Em 2015 esse número chegou a 329 minutos (5,48 horas), e o estudo estimou que até o final
do ano de 2017 era esperado um aumento de consumo de tempo direcionado ao uso de
internet para 356 minutos (5,93 horas). Isso significa que em 2017 os estadunidenses passam
quase um quarto de seu dia online de alguma maneira, seja por computadores, ou,
principalmente, via smartphones, que nos últimos anos passaram por uma revolução
tecnológica e seu mercado expandiu de forma gigantesca (FIRTH, 2016 p. 20-23). Nota-se
que a quantidade da população mundial com acesso a internet tem se expandido
exponencialmente nos últimos anos, e que o tempo direcionado ao meio de comunicação tem
paralelamente sido acrescentado. Conclui-se que existe grande possibilidade de investimento
em serviços online, principalmente de comércio via comunicação de dados pela internet web.

O comércio eletrônico pode ser dividido entre duas categorias: o varejo conhecido
como e-commerce, e o e-travel. O varejo inclui todas as companhias que vendem bens online,
32

seja para pessoas físicas ou jurídicas. Qualquer transação de vendas é incluída nesse
segmento, mesmo que o pagamento não seja efetuado online, como por exemplo o pagamento
de boletos bancários. Grandes empresas do e-commerce reconhecidas mundialmente são a
Amazon, Ebay, MercadoLibre, Alibaba e entre outras, entretanto existe as empresas varejista
que estão se adaptando para vendas de produtos online, visto a redução de custo. O comércio
de varejo online tem sido tão frutificante que várias empresas têm se vinculado com grandes
empresas de frete postal, e entre outras a grande demanda de bens e o interesse pela eficiência
e rapidez de serviços de entregas tem causado grandes empresas varejistas em se mobilizar
na criação de suas próprias empresas de entrega. Nota-se o avanço tecnológico desenvolvido
pela empresa Amazon com o desenvolvimento de técnicas computacionais para melhor
sorteamento de entregas. Acima do investimento interno da agilização de sorteamento e
redirecionamento de encomendas, a empresa tem investido em sua própria empresa de
entrega, possibilitando a opção de recebimento no dia seguinte e através de sistema de
membros chamada Amazon Prime. A Amazon, por exemplo, está investindo em programação
de drones e robôs, para que estes consigam encurtar os prazos de entrega de seus produtos,
beneficiando os clientes, aumentando sua produtividade e ganhando vantagem em relação
aos seus concorrentes (SIMON, 2019).

Here in this sorting center of tomorrow, I walk along the edge of the field and hear
the morning break for humans, called out on loudspeakers. The drive robots
continue to shuffle around for a few minutes, with their incessant electric white
noise, until suddenly the place falls almost silent. Having delivered their packages
to chutes, the robots have run out of work. They park off to the side of the field,
some of them in charging stations. Only when the loudspeakers call the end of
break do the machines start up again, ready for their humans to feed them more
packages (SIMON, 2019).

Em 2015 a Amazon foi o quarto site eletrônico mais acessado nos Estados Unidos,
em comparação com o 11º lugar, em 2009. Isso mostra que o investimento em inovação
tecnológica realizado pela empresa, bem como a ampliação de seu leque de atividades, trouxe
resultados expressivos (FIRTH, 2016 p.33). Nota-se que o conjunto de comodidade, conforto
e o avanço tecnológico têm possibilitado a transferência de ocupação em favor a métodos
mais robotizados e menos humanos. O surgimento de comércios varejistas online,
denominado como e-commerce tem resultado no fechamento de lojas físicas e ampliado à
demanda de bens sem a necessidade humano de prestação de serviço. Nota-se a redução nos
números de ocupações de varejista e caixa, sendo que naturalmente as máquinas já alcançam
a capacidade de efetuação de dados relacionados a compra e venda de bens.
33

“These days, industries that are short human labor need automation to survive…
demand on that company is increasing, but the availability of resources to fill that
demand isn't necessarily increasing… robots are filling the void. ”(SIMON, 2019)

Já o e-travel engloba serviços de reserva online, e serviços de agências de viagem,


tais como a reserva de hotéis, compra de passagem aéreas e reserva de transporte via internet.
Esse segmento inclui serviços de reserva de transporte, conhecidos como Uber, 99pop, Lyft,
Blablacar entre outros. Pela facilidade e comodidade de possui um celular, a grande maioria
das empresas vinculadas ao e-travel tem desenvolvido aplicativos para celulares. Nota-se que
o avanço da comodidade de reserva de meios de transporte tem causado um declínio nas
ocupações de agentes de viagens, travel agents. A expectativa que entre o período de 2016
até 2026 o número de empregados nessa ocupação venha cair 11%(U.S. BUREAU OF
LABOR STATISTICS, 2018). Além do mais, existe um grande número considerado de
pesquisa e desenvolvimento em meios de transporte autônomo. A Google tem desenvolvido
sua própria tecnologia de automóveis autônomos e têm feito lobby para novas leis na região
da Califórnia, em total já acumulou mais de 480 mil quilômetros de teste com carros
autônomos (RIFKIN, 2014 p.280). Em 2013 a Mercedes-Benz introduziu o S-Class que
possuía capacidade para estacionar e seguir a estrada autonomamente. O CEO da Mercedes-
Benz disse na época que o veículo marcava o início de automóveis autônomos (EWING,
2013). O desenvolvimento dos automóveis se concretiza com a emergência da Tesla, e das
grandes empresas tecnológicas como Google, Apple e Uber em avançar a capacidade de um
automóvel totalmente autônomo. Nota-se que os avanços tecnológicos põem em risco
ocupações como taxistas, chauffeurs e motoristas de caminhão em um futuro não tão distante
como melhor detalhado nos próximos capítulos.

Unlike human drivers, automated vehicles don’t get distracted, don’t get
intoxicated, and don’t fall asleep at the wheel, opening up the prospect of saving
the lives of many of the tens of thousands of people each year who die from car
accidents in the United States alone (RIFKIN, 2014 p.281).

Considerando a difusão da internet pela população mundial nos últimos anos, bem
como o aumento do consumo pela população, ou seja, mais pessoas consumindo mais
internet, espera-se que ao longo dos próximos anos a cadeia de valor da internet cresça 11%
ao ano. A cadeia de valor da internet cresceu cerca de 16% entre os anos de 2008 e 2015
(FIRTH, 2016 p.23). Similarmente como a cadeia de valor da internet tem demonstrado
34

crescimento crescente, os números de ocupações destruídas pela tecnologia podem ser


altamente assustadores também.

Existe uma tendência muito particularmente similar acontecendo ao redor do globo,


principalmente na região latino americano. Dados mostram que em 2013, 46.7% da
população da América Latina tinham acesso à internet, uma porcentagem maior que o total
de usuários mundiais da internet no mesmo que alcançou 38% (KATZ, 2013 p.37). A
expansão da internet tem mostrado importantíssima ao desenvolvimento socioeconômico dos
países da América Latina, e principalmente como ferramenta essencial para a vida diária da
população. Em 2013 foi registrado que a penetração do acesso à internet no Brasil alcançou
51,6% da população, isso resume a aproximadamente 139 milhões de cidadãos Brasileiros.
No mesmo ano a Argentina alcançou uma penetração de usuários da internet de 59,9% da
população, e o Chile surpreende com valores altíssimos de penetração, 66,5% da população,
nível comparável a países Europeus. (KATZ, 2013 p.49). Sites internacionais,
principalmente os vinculados a serviços de mídia ou redes sociais ainda dominam o mercado,
como por exemplo, do site de busca, Google e o site de rede social, Facebook, entretanto a
adaptação de conteúdo único ou nacional tem crescido nos últimos anos. Mesmo assim, os
sites internacionais de e-commerce enfrentam dificuldade de se estabelecerem na região da
América Latina. Mesmo com a crescente escala de adaptação de mercado, até 2013 o grande
líder de e-commerce na região latino-americana era o MercadoLibre. No estudo sobre o
ecossistema e a economia digital na América Latina menciona que Mercado Livre é o site de
e-commerce com maior número de visitantes na América Latina, com 45.2 milhões de
visitantes por mês (KATZ, 2013 p.52).

Tendo em vista o desenvolvimento descentralizado da rede de internet e o


crescimento exponencial do mercado nota-se o efeito nas relações sociais e econômicas. A
tecnologia derivada pelo avanço da informática além de interromper o cotidiano de interações
e relações humanas também tem sido correlacionada com o efeito de substituição da mão de
obra no âmbito internacional. O e-commerce e o e-travel que já eram existentes mesmo antes
da invenção da internet, agora se estendem a comodidade e facilidade em relação ao
consumidor e a empresa pelos meios intuitivos de sites de vendas e aplicativos. Com o rápido
crescimento da base usuária do serviço de informação, o mercado de e-commerce e de e-
travel reciprocamente reage a essa expansão afetando o núcleo da sociedade, as interações
sociais e a substituição da mão de obra humana. Visto a tendência e as expectativas nos dados
35

norte-americanos em relação à eliminação de ocupações interligadas ao avanço do mercado


digital, generaliza-se que os mesmos impactos podem ser evidentes em países latino-
americanos.

4.4. Tecnologia Atuais, futuras e seus efeitos a mão de obra humana

No sistema capitalista a engrenagem que sustenta a economia e a oferta de produtos


em razão a demanda de sustentabilidade ao consumidor é o contínuo e crescente meio de
produção. A estagnação, recessão e depressão são momentos de crescimento negativo, zero
ou abaixo do esperado que as economias tendem a evitar com políticas econômicas
estruturadas no crescimento econômico. Entretanto para suprir o ilimitado nível de
crescimento desejado com um limitado nível de produtividade humana foram criados meios
de produção e maquinários que ajudariam com uma maior capacidade produtiva. A
simplificação da engenharia capacitou à criação de máquinas direcionadas a repetição do
processo produtivo. Todavia o progresso exponencial tecnológico acabou ampliando a
capacidade de máquinas para cada vez maior complexidade de produção. No presente nota-
se que muitos setores já aderiram à ampliação de maquinários e consequentemente reduziram
a mão de obra. Visto que o apenas o período de doze anos entre 2000 e 2012 resultou em um
impacto de aumento de produtividade de robôs industriais de 60%, equivalente a 28 bilhões
de dólares em 2012 (INTERNATIONAL FEDERATION OF ROBOTICS, 2016). Em um
sistema econômico onde a mão de obra é a estrutura da sociedade, a produção em massa
utilizando as novas tecnologias é capaz de criar um colapso dessa estrutura, tendo em vista a
teoria econômica do trabalho. Relevante ao avanço tecnológico nota-se a consequência em
números de empregos perdidos na China entre 1995 a 2002. Tendo em vista a evolução
industrial chinesa nos últimos séculos e a adaptação de novos meios tecnológicos produtivos,
vimos que em um período de 7 anos entre o ano de 1995 a 2002 se perdeu aproximadamente
15% do trabalho humano para máquina, equivalente a 16 milhões de trabalhos em relação ao
avanço tecnológico que desapareceram desde 1990. (BAUM, 2003)

Em capítulos posteriores serão divulgados a existência do impacto evidente da


eliminação da mão de obra humana em inúmeras ocupações em vários setores econômicos.
A seguir seção serve para demonstrar algumas emergentes tecnologias que surgiram nos
últimos 10 anos e os possíveis impactos na economia contemporânea.
36

O setor automobilístico já foi estudado em capítulos anteriores, desde sua


emergência e até o dia de hoje, entretanto nota-se importante enfatizar as tecnologias
desenvolvidas nesse setor. Duas grandes tecnologias têm impactado atualmente o mercado
automobilístico, o carro elétrico e a direção autônoma. A implementação de ambas
tecnologias tem ocorrido com maior frequência pela facilidade de integração de um único
sistema de suprimento de energia. A junção dos setores computacionais em relação a
tecnologia do sistema automatizado e o setor de transporte amplia as entradas de empresa de
ambos setores no desenvolvimento de novos produtos (MARKOFF, 2014). Grandes
empresas automobilísticas como Nissan, Mercedes, Volvo e outras já estão desenvolvendo
tecnologia própria de navegação autônoma, enquanto isso empresas do setor tecnológico
como Apple, Google e Uber estão também desenvolvendo sistema de navegação autônoma
e até mesmo insinuando a criação de sua própria frota de transporte (MARKOFF, 2014).
Abertamente o intuído da Tesla é desenvolver um sistema totalmente autônomo onde o
automóvel é encarregado de percorrer por supermercados, lojas e restaurantes buscando
pedido do seu dono enquanto o próprio está ausente do banco de motorista. Um sonho de
ficção científica ter um automóvel que faz as voltas de mercado enquanto você não sai de
casa. Talvez para a pequena porcentagem de pessoas capazes de adquirir um automóvel desse
considerariam um sonho, entretanto um pesadelo ao motorista de táxi, de ônibus ou delivery-
man3. O sistema de reconhecimento de objetos que garantem a autonomia veicular também
pode ser utilizado em outros setores que garantem autonomia a máquinas em produção e
execução de inúmeras atividades anteriormente capacitadas por seres humanos (FROST,
2019).

Grandes indústrias da atualidade não dependem da grande quantidade de mão de


obra que anteriormente, as novas empresas garantem o número limitado de empregados
graças ao desenvolvimento e flexibilidade dos maquinários modernos. Um exemplo e a
empresa KUKA, fundada em 1898 por Johann Josef Keller e Jacob Knappich iniciou-se sua
produção de produtos químicos e graças à revolução tecnológica industrial pós-segunda-
guerra iniciou-se a produção de equipamentos automatizados (History of KUKA, 2019.).
Hoje em dia é uma das principais empresas responsável pela produção de maquinários de
seis eixos. Sua linha de produção consiste em robôs capacitados a trabalharem em uma ampla

3
Delivery-man é a classificação do serviço de tele entrega em inglês.
37

faixa de peso, desde objetos pequenos de 3 quilos a grandes produtos de 1300 quilos. A
versatilidade dos maquinários reduz a necessidade de mão de obra, pois é ilimitada a
configuração específica de capa robô com a especificação do trabalho ou serviço necessário
(KING, 2019.). Em indústrias que utilizam a pintura, solda, ou qualquer outro serviço
milimetricamente dependente, os equipamentos KUKA podem ser utilizados. A empresa
Boston Dynamics também tem movido ultimamente no desenvolvimento de robôs, fundada
por Marc Raibert ex-professor da MIT foi uma das principais empresas de pesquisas de
desenvolvimento tecnológico de robôs para o Pentágono (MARKOFF, 2013). Desde 1992
ela vem desenvolvendo robôs, especificamente robôs quadriplégicos como forma de
transporte de bens (CHANDRAMITA, 2018). A divulgação de sua capacidade e
desenvolvimento tecnológico é demonstrada em vários vídeos na internet no decorrer de seu
histórico, entretanto a aquisição da empresa pela Google em 2013 alavancou maior atenção
do público (LOWENSOHN, 2013). Em vários vídeos encontra-se a demonstração do
incremento tecnológico desde o mais primitivo ao mais contemporâneo, atualmente a
empresa já está desenvolvendo um robô denominado como Spot, que está sendo designado a
serviço de construção, agências de seguranças de produção de gás e petróleo e salvamento
de desastres (HIAWATHA, 2019). O computador de bordo é capaz de ser automatizado pela
capacidade computacional, ou ser direcionado por um operador, com a capacidade de ambos
os direcionamentos, Spot se classifica como semiautônomo e precificado equivalente a um
carro (WAKEFIEL, 2019). Além do produto em estágio final, Spot, existem vários outros
robôs sendo desenvolvido, inclusive um antropomórfico, Atlas com capacitação de
movimento e articulação humanoide em particular movimentos ginásticos e o BigDog, robô
com capacidade de movimentação 160 quilos de cargo em terrenos de difícil acesso
desenvolvido especificamente para a agência de defesa avançada do governo americano,
DARPA (CHANDRAMITA, 2018). O setor tecnológico com a indústria de computadores,
televisões, monitores e celulares já utiliza amplamente a automação em massa com a
produção de seus equipamentos tecnológicos, e o avanço de capacitação robótica tem se
proliferado nos últimos tempos. Através do avanço tecnológico nota-se que o número de mão
de obra em grandes indústrias tem se reduzido pela capacidade disponível em novos robôs.

Em continuidade ao desenvolvimento do assunto industrial, atualmente existe uma


grande corrida tecnológica para desenvolvimento de técnicas para impressão em 3D. O
mercado de impressoras já está acomodado com o número de empresas que oferecem
pequenas impressoras capazes de criar protótipos e pequenos produtos. Entretanto existe o
38

interesse ao investimento para desenvolver impressoras capazes de sustentar grandes escalas


de impressões. Já existem algumas empresas que estão usando impressoras 3D para
desenvolvimento em certas partes no processo de produção. Um exemplo é a Adidas, que
desde 2017 tem transferido algumas de suas empresas localizado na Ásia, em particular
Indonésia, Vietnam e in particular China em função ao retorno produtivo na Alemanha,
graças ao desenvolvimento das impressoras 3D (GUEST, 2017). Alguns produtos já no
mercado consumidor do segmento de calçados como o Y-3 Runner 4D II e o Alphaedge 4D,
que utilizam a tecnologia denominada pela Adidas em junção com a Carbon 3D como
Futurecraft 4D, tecnologia de impressão 3D com auxílio da síntese de projeção programável
de luz UV em resina fotossensível (Carbon3D, 2019). A parceria da Adidas com a empresa
do Vale do Silício, Carbon3D manufaturou aproximadamente 5 mil exemplares no ano de
2017, e com expectativa de ampliar esse número em 20 vezes no próximo ano, o intuito é o
aumento de produtividade e a redução dos custos e a possibilidade do processo de
customização (YURIEFF, 2017). Além da Adidas a Nike iniciou em 2016 a utilização de
similar tecnologia batizada de SLS (sintetização seletiva de laser), porém iniciou-se a
produção a grupos seletivos de atletas como Nike Zoom Superfly Flynit desenvolvida em
especial para a corredora americana Allyson Felix (Nike News, 2016). As empresas Under
Armour e New Balance também investiram nos recentes anos com o desenvolvimento de
produtos fabricados pela de utilização de impressoras 3D (BANKS, 2016). A utilização de
tais meios para produção demonstra o interesse de grandes empresas em redução do número
de empregados e seus custos. Mesmo a relocalização para lugares com a menor custo de mão
de obra como Índia, China e Taiwan as grandes empresas visam o breve futuro da redução
extrema da necessidade do empregado. O desenvolvimento tecnológico ameaça grandes
empresas com a redução da mão de obra. Outro aspecto que o desenvolvimento de impressora
3D pode causar ao mercado trabalhista é na construção civil. Atualmente já existem planos
e desenvolvimento de métodos para implementar a tecnologia de impressão 3D na construção
civil. O Mars Habitat Challenge, é uma competição mundial iniciada pela NASA em parceria
com a Universidade Bradley de Illinois para implementar sistemas de construções civis em
Marte, o vencedor inovativo mais recente foi o time AI SpaceFactory que desenvolveu a
construção utilizando métodos de impressão 3D sem o auxílio de mão de obra humana
(HOWELL, 2019). Não somente isso demonstra alguns aspectos de interesse ao
desenvolvimento de tal tecnologia, porém existem empresas ao redor do mundo que desde
2015 já buscam desenvolver métodos de construção civis em junção a tecnologia de
impressão 3D. Entre as empresas estão a chinesa Winsun que imprimiu 10 casas em um dia
39

com o valor de cada equivalente a 5 mil dólares e a empresa holandesa que utiliza materiais
renováveis (REGA, 2015). Seus testes demonstram uma redução no tempo de construção e
nos custos de mão de obra agora somente o tempo determinará se esse setor tem condicionará
ao mercado robótico.

Outro aspecto da indústria e a utilização robótica já discutida em detalhes em


capítulos anteriores é a tecnologia sensorial e armazenamento e sorteamento de cartas e
encomendas. A Amazon tem investido desde 2012 em sistema de sorteamento de encomendas
por robôs autônomos, principalmente após a aquisição da Kiva Systems, assim possibilitando
a redução da necessidade da mão de obra (HEATER, 2019). A grande varejista online tem
se reposicionado seu sistema se sorteamento com tanta eficiência que se disponibiliza de
fazer suas próprias entregas, não utilizando as grandes empresas de entregas. No início do
ano de 2019 a empresa demonstrou que pretende utilizar robôs autônomos para entregas,
reduzindo ainda mais a necessidade de empregados (DORMEHL, 2019). Além do mais sua
eficiência de sorteamento está vinculada a sua aquisição da WholeFoods, empresa americana
de mercados, que com melhor logística pode aprimorar as entradas e saídas de mercadorias
e além disso também ampliar a vendas de produtos perecíveis ao consumidor (LA MONICA,
2017).

A automatização não só influencia os meios de produções de objetos físicos, mas


também os meios de serviços. Vários setores de serviços já experimentam uma transição a
serviços online e a redução de espaços físicos, como já visto em capítulos anteriores. Grandes
lojas de varejos têm migrado para lojas virtuais e grandes bancos têm dependido na
tecnologia para redução de custo. Grandes empresas varejistas como a J.C Penney tem
sofrido redução no lucro anual causado pela ampliação do setor e-commerce (DAWN, 2019).
Além de investido no desenvolvimento de melhor sorteamento e própria entrega de
encomenda a Amazon demonstrou maior valorização no mercado de capitais em relação ao
Walmart em 2015 (OYEDELE, 2015). Nota-se o número crescente de compras efetuadas
pela internet e o número físico de lojas cada vez inferior, como já demonstrado pela redução
de 6 mil lojas físicas da empresa Walmart nos Estados Unidos (SUPRIYO BOSE, 2019). Em
2013 quase metade da total população da América Latina tinha acesso à internet, com o
crescente acesso à internet mundialmente acredita-se que somente o fator tempo é o limitante
da ampliação tecnológica de e-commerce (KATZ, 2013 p.37).
40

Além da transferência de lojas físicas para lojas virtuais, outra divisão do setor de
serviço que vem crescendo seu footprint online ultimamente são as empresas financeiras.
Existe atualmente um pensamento negativo em relação aos empregos no mercado financeiro
nos Estados Unidos, que especula uma possível perda de 1,3 milhões de empregos para
sistemas robotizados (AKHATAR, 2019). Em particular os grandes bancos estadunidenses
especulam a redução 200 mil empregos pela utilização de inteligência artificial, tecnologia
inclusa nos 150 bilhões de dólares investidos anualmente pelos bancos, que estima reduzir
entre 10 a 20 por cento do atual custo processual hipotecário (NOONAN, 2019). Denominado
como reorganização administrativa, atualmente a própria potência mundial financeira,
Deutsche Bank já eliminou 18 mil empregos globais em 2019 (JACK, 2019). A facilidade de
atendimento na internet bank tem criado várias novas empresas bancárias e causado uma
transformação na utilização desse serviço. Não é comum somente em países desenvolvidos,
mas no próprio Brasil nota-se a criação de várias novas empresas financeiras como a NuBank
e o BancoInter. Nota-se o impacto da tecnologia também no Brasil onde grande número de
atendentes de loja física tem perdido seus empregos nos últimos anos, o número de
empregados na Caixa Economia e no Banco do Brasil tiveram a redução de aproximadamente
20 mil vagas (NAKAWAGA, 2018). “O Brasil tem hoje 130 fintechs4 e metade delas já
alcançou um faturamento acima de 1 milhão de reais” (DESIDÉRIO, 2016). Além da criação
de novas empresas os antigos bancos têm desenvolvido sites e aplicativos bancários para
reduzir a migração de usuários. Um exemplo de transição desenfreada tecnológica é o
acontecimento recente no pobre país de Zimbábue, localizado no continente Africano. Com
a falta de crédito externo e a redução da quantidade de chuva, o país tem sofrido vários
problemas internos, entretanto o governo prioriza a aquisição de energia elétrica, pois a
maioria dos pagamentos precisam de energia (SABARINI, 2019). Uma falta ampliada de
energia afeta com força a economia local pela limitação de recebimento de pagamento. Existe
uma corrida tecnológica para a utilização de serviços online, pois em meio a 18 horas sem
luz e o alto índice de inflação, a efetuação de pagamento online não se limita a um horário
específico. Em contrapartida o governo tem fiscalizado as transações online com impostos
em ordem de limitar a fuga da moeda local (SABARINI, 2019). Nesse caso, a facilidade de
pagamentos, transações e compras eliminam a necessidade física de lojas e bancos e a
transação física da moeda local, com isso nota-se as políticas monetárias que limitam tal ação
estipuladas pelo governo. Mesmo sendo particular ao cenário econômico extremo,

4
Fintechs são empresas da indústria emergente que através da tecnologia oferecem serviços relacionados a
serviços financeiros. A palavra deriva-se da junção entre Finance (Finanças) com Technology (tecnologia).
41

atualmente as pessoas estão reduzindo a necessidade de atendimento pessoal em razão ao


conformismo de elaborar os mesmos serviços online. Em razão disso, muitas lojas e muitos
bancos têm reduzido sua frota de trabalho e muitos caixa e atendentes têm perdido seus
empregos.

Similarmente no setor de serviços, existe uma transição de mão de obra


recentemente nas instituições educacionais. Talvez ainda muito primitivo em razão ao medo
da exclusão total da essencialidade do professor e do ensino presencial, o setor encontra-se
dividido e sem muito indicação da plena mudança em volta a atual revolução tecnológica.
Entretanto já existe curso totalmente a distância, principalmente no Brasil onde o número de
EAD teve um aumento de 51% no censo de 2018 (SALDAÑA, 2019). Além disso, o número
de cursos especializantes ou extracurriculares globalmente tem alcançado um número muito
elevado, sendo que existe uma redução numerosa nos custos, pois os mesmos se resumem na
contratação do grupo de media, filmagem e edição em uma única ocasião. O serviço de
educação a distância gera uma facilidade aos alunos interessados com lições amplamente
simplificadas e grandes lucros às empresas pela redução do número de agentes especializados
nos assuntos.

Outro setor de serviço que está passando pela transfiguração robótica são os serviços
de telefonagem e assistência técnica. Atualmente já existem vários serviços de atendimento
totalmente robotizado. O avanço computacional de distinção de voz e interpretação de texto
não só tem facilitado serviços de implementação de texto, mas também de assistência direta
com o cliente. Em 2011 o sistema computacional de inteligência artificial desenvolvido pela
IBM, Watson competiu em um programa popular na televisão americana (MARKOFF,
2011). O intuito não foi vencer a competição, mesmo sendo altamente capaz, mas para
demonstrar a capacidade cognitiva do sistema de inteligência artificial em relação a inúmeras
categorias de conhecimento. Watson atua em diversas áreas inclusive médica e jurídica
utilizando inúmeras técnicas de reconhecimento visual, chatbot5, analítica textual, assistência
técnica, machine learning, tradução e interpretação de áudio para texto (IBM). Além do
Watson da IBM, existe atualmente outros sistemas capazes de ajudar a interpretação de leis
e a assistência jurídica totalmente robotizado. Nos Estados Unidos já foi implementado o
sistema ROSS que desde 2016 tem reduzido o tempo e despesas de interpretação e assistência

5
Chatbot são sistemas computacionais que conversas automatizados. A palavra deriva da junção de chat, em
inglês significa conversa e bot, redução da palavra robot, ou robô em inglês.
42

jurídica, incluindo o gasto com a contratação de advogados, acredita-se que o AI bot6 já


economizou aproximadamente 3 milhões de dólares em recursos jurídicos (TURNER, 2016).
O sistema cognitivo avançado e os avanços tecnológicos robóticos têm ampla capacidade de
eliminação majoritária da mão de obra humana. Grandes empresas no passado investiam em
setores de atendimento de telefone para terceirização estrangeira, principalmente da Índia,
entretanto hoje em dia o desenvolvimento de tais serviços automatizados é muito mais
lucrável. A assistência automatizada já está sendo usada por várias empresas, inclusive no
Brasil.

Outro setor que demonstra capacidade de transfiguração total em razão ao avanço


tecnológico é o setor alimentício. No setor alimentício o desenvolvimento tecnológico
acompanha a manipulação de ciências biológicas e tecnológicas juntos com ciência robóticas.
Primeiramente é importante mencionar o método de plantio e colheita robotizado. A
revolução agrícola inicial foi umas das maiores causadoras de êxodos populacionais,
entretanto o avanço tecnológico se mostra capaz de despedir quase todo o restante
populacional das regiões rurais. O novo incentivo à agricultura é a ampliação de maquinários
inteligentes para cultivo de produtos. Atualmente já existem tratores e maquinários capazes
de seguir rota semiautônomo, direcionada por GPS e mapeamento virtual, entretanto o novo
sistema de cultivo é um complexo de equipamentos agrícolas (DIAZ, 2015). O
desenvolvimento de maquinários que planejam suas próprias rotas e que cultivam
individualmente cada produto já está sendo desenvolvido, o mercado robótico agropecuário
prevê um crescimento de 2,53 milhões de dólares em 2018 para 23 bilhões de dólares em
2028 (BANGA, 2019). O sistema desenvolvido atualmente opera em setores com área muito
reduzida, porém espera-se que a ampliação da capacidade venha crescer com o
desenvolvimento tecnológico. A tecnologia atual desenvolvida pela Universidade de
Cambridge cultiva produtos unitariamente como, por exemplo, alfaces e produtos
manualmente intensivos e adicionalmente consiste na discriminação de diferente maturidade
(HARIDY, 2019). Nesse caso o robô consegue distinguir a maturidade e cultivar um produto
que anteriormente era possível um ser humano fazer. Nos Estados Unidos o período de
cultivo o governo local abre portas para inscrição de vistos H-2A 7direcionados para

6
AI bot são sistemas computacionais de inteligência artificial. A palavra deriva da junção de AI, Inteligência
Artificial em inglês e bot, redução da palavra robot.
7
H-2A é uma classificação de vistos de entrada nos Estados Unidos que possibilitam um número de
imigrantes a entrarem no país e efetuarem serviços agrícolas em temporadas propícias a cada produto.
43

imigrantes trabalharem no cultivo, aproximadamente 250 mil certificações de trabalho foram


concedidas em 2018 (CASTILLO, 2018). Com a implementação de maquinários autônomo
de cultivo e o alto custo de contratação de mão de obra, existe a possível redução na
necessidade de trabalhadores para os períodos de cultivo de específicos produtos. O
desenvolvimento do Vegebot pelo departamento de engenharia da Universidade de
Cambridge possibilita não somente a geração de lucro pela redução de mão de obra, mas
também possibilita o cultivo inteligente pela utilização de machine learning (HARIDY,
2019). O segundo modo revolucionário que o robô de cultivo autônomo pode gerar é com a
ampliação de pequenas fazendas internas denominadas em inglês como indoor farms. Mesmo
considerado um dos melhores países localizado na Europa, a Holanda atualmente consiste na
segunda maior exportadora de produtos agrícolas, por valor no mundo, sendo que grande
parte de sua produção consiste de indoor farms (SEABROOK, 2019). A empresa originária
de Nova Jersey, Bowery está desenvolvendo métodos e sistemas de plantio indoor para vários
produtos agrícolas, desde sua fundação a empresa já recebeu o equivalente a 118 milhões de
dólares de investimento de empresas como a Google e Uber (ZALESKI, 2018). As fazendas
indoors mantém melhor mantimentos de temperatura, acesso solar, umidade sem a
preocupação com pesticidas, herbicidas fungicidas e inseticidas. Além de economizar
aproximadamente 95% da normal utilização de água, e regular melhor outras variáveis
necessárias para um bom plantio, a indoor farm também habilita um yield8 superior ao de
plantio tradicional, como mencionado no artigo da Bloomberg, produção equivale a 100
vezes superior ao mesmo metro quadrado comparado a fazendas tradicionais (ZALESKI,
2018). Além de todas essas e outras vantagens, a organização das plantas são ideais para a
utilização de robôs de cultivo autônomos, o ambiente de indoor farms habilita maiores
controles e manutenção do sistema de cultivo autônomo. Com a atual tecnologia e a
possibilidade de ampliação futura, o setor agrícola especula ainda maiores declínios no
número de mão de obra necessária. A tecnologia avançada capacita a junção de vários meios
tecnológicos para melhor ampliar e facilitar a produção de bens alimentícios como em
espécie da produção em massa.

Outro denominador tecnológico já evidente e desenvolvido no setor alimentício é a


manufatura de carnes biofabricadas. Não distante ao futuro, a realidade da proteína fabricada
em laboratório já é evidente nos tempos contemporâneos. Grandes empresas utilizam a

8
Yield significa a capacidade de rendimento ou produção em retorno de um processo econômico .
44

manipulação biológica de proteínas encontradas em carnes para produção industrial de suas


próprias proteínas produzidas em laboratórios. O intuito de reduzir custos com mão de obra,
veterinário e serviços em gerais, e ampliar vendas no niche market vegano e vegetariano,
empresas tecnológicas têm ampliado seus investimentos na produção de tal produto. Desde
2013 a empresas holandesa, Mosa Meat desvendou o primeiro hambúrguer fabricado
totalmente de células bovinas, técnica desenvolvida em junção a universidade de Maastricht
(LUCAS, 2019). Após a conferência demonstrando o método de fabricação de slaughter-free
hamburger 9em Londres, o professor encarregado do projeto Mark Post criou a empresa com
intuito de comercializar a produção de proteínas industrialmente fábricas (LUCAS, 2019). O
mais peculiar são os restaurantes que estão começando a utilizar tais produtos em suas linhas
de vendas, grandes empresas como até o Burger King. O Impossible Whopper, denominado
com o novo produto da empresa Burger King que utilizará proteína com base de planta
laboratorialmente modificada, que iniciou a venda nos Estados Unidos no início do mês de
abril, 2019 (AL-HEETI, 2019). A capacidade de produção já demonstra a possibilidade de
existência e amplificação de métodos, entretanto somente a aderência do consumidor a tais
produtos que podem-se afirmar tal capitação no mercado alimentício.

De acordo com o desenvolvimento tecnológico atual nas áreas biológicas, robóticas


e computacional nota-se uma articulação superior a vários segmentos no mercado de trabalho
em comparação ao ser humano. Os avanços de tais tecnologias limitam o crescimento de
empregos em vários setores econômicos, criando-se negativamente um aspecto ao futuro
populacional.

9
slaughter-free hamburger são produtos alimentício similar a carne, entretanto o processo de fabricação de
proteínas não deriva do processo de matadouro e sim de um composto fabricado em laboratório.
45

5. ÍNDICES E DADOS DE EFEITO DE SUBSTITUIÇÃO DE EMPREGO

A evolução da necessidade da mão de obra pode ser vista no êxodo do trabalho


agrícola e na urbanização resultado da evolução tecnológica de acordo com relatos históricos.
Regiões rurais onde se localizava grande parte da população no século XV, resultou com a
movimentação em massa da população para regiões urbanas por efeito do avanço
tecnológico. Com o desenvolvimento de técnicas, apropriação de rotatividade, inclusão de
maquinários e desenvolvimento químico, o valor percentual médio populacional em países
desenvolvidos alcançou aproximadamente 80% em regiões urbanas (GOLDEWIJK, 2010).
Em um primeiro impacto a massa desempregada gera problemas sociais vistos em vários
momentos da história. Além da relocalização em períodos medievais, renascentistas e pré-
modernos, nota-se o deslocamento da massa populacional em procura a subsistência. Um
grande exemplo pré-moderno da realidade está retratado na obra prima de John Steinbeck
(2011). As Vinhas da Ira ilustra o efeito social da emigração causada pela falta de emprego.
O setor agrícola não é o único sofredor desse paradigma, ultimamente a China vem
desenvolvendo maior capacidade produtiva industrial, entretanto existe uma fuga do número
de empregos para indústrias muito mais avançadas tecnologicamente. Para melhor retratar o
possível efeito da tecnologia em relação ao aumento das taxas de desemprego, o capítulo
utilizará a relação das taxas de emprego em diferentes setores econômicos dos Estados
Unidos, país tecnologicamente desenvolvido e potencialmente o melhor exemplo atual das
hipóteses da deslocação da mão de obra.

5.1. Índice desemprego e expectativa de desemprego nos Estados Unidos

Utilizando os Estados Unidos como exemplo para estudar e detalhar melhor os


setores e suas relações com o índice de desemprego e por último a expectativa de existência
desse emprego no período futuro encontra-se alguns deslocamentos em diversos índices de
empregos. Adquiridos os dados no U.S. Bureau of Labor Statistics nota-se as ocupações
selecionadas de acordo com o setor econômico. A tabela 1.1 mostra o nível de empregos para
cada setor, nota-se que a grande maioria de empregados nos Estados Unidos estão
relacionados aos setores de serviços. Ao total são 114 milhões de empregados no setor de
serviços equivalente a 77%, enquanto 15% do total estão vinculados ao setor de produção e
somente 1,4% são empregados no setor agrícola. A tabela ainda demonstra a previsão de
46

trabalhos no ano de 2026, onde pode-se notar uma variação negativa em vários trabalhos
específicos. O valor mais alarmante é a projeção de redução para empregados no setor de
manufatura. A estimativa é que em 2026 exista uma redução de 736 mil empregados
manufatureiros. Existem duas suposições que podem explicar tal fenômeno, ou os números
de trabalhos manufaturados estão sendo transferidos para outros países, ou a redução da
expectativa de empregos ao setor estão sendo afetadas pela emergência de novos meios de
produção. Seria a redução do número de trabalhadores resultado do avanço tecnológico? Para
melhor entender esse efeito precisa-se estudar melhor o detalhe referente ao equivalente
setor. Mais adiante será retratado a especificação dos trabalhos afetados e o efeito do mercado
empregador.

Outro relato da redução de empregos está relacionado ao setor agrícola. O Bureau


of Labor Statistics indica que existe uma redução no número de empregos independente (self
employed) em relação ao ano de 2006 para 2016, e uma expectativa continuamente
decrescente de 2016 até 2026. Aproximadamente 41 mil trabalhadores independentes no
setor agrícola perderam seus trabalhos no período de 2006 até 2016 e adicionalmente
perderão cerca de 23 mil empregos entre o período de 2016 até 2026. Esses valores são
equivalentes a 4.7% de perda de empregos para os 10 anos seguidos de 2006 até 2016 e 2.7%
entre os 10 anos de 2016 até 2026, totalizando em 7.8% de redução da quantidade de
empregos entre os 20 anos após 2006. Nota-se que para entender melhor o caso é preciso
compreender que existem três hipóteses possíveis para o fenômeno. A primeira está
relacionada a transição da produção agrícola para o exterior, a segunda em relação a uma
possível redução mundial de demanda por produtos agrícolas e a terceira uma possível
implementação tecnológica. Seria tal redução resultados do avanço tecnológico? Pelos dados
levantados pela agência de estática americana (tabela 1.1) pode-se afirmar que os empregos
dependentes (agriculture wage and salary) ainda tendem a crescer, com isso nota-se que
existe uma demanda pelo produto e que os empregos não estão refugiando para o exterior.
Vê-se que os empregos afetados são exatamente os vinculados as pequenas e independentes
fazendas, similar ao relato realista fictício escrito por John Steinbeck as grandes empresas
rurais crescem com a adaptação tecnológica causando desemprego ao pequeno agricultor.
Entretanto para melhor afirmar o efeito serão debatidos alguns relatos sobre a especificação
desses empregos e a avaliação do risco de eliminação de acordo com estudos feitos pela
Universidade de Oxford.
47

Tabela 2. Emprego (vezes 1000) por grandes Setores Econômicos, 2006, 2016 e projetado para 2026

Percentagem de Taxa Composta


Setor de Empregos (Milhares) Diferença
Distribuição Anual de Mudança
Econômico
2006 2016 2026 2006-16 2016-26 2006 2016 2026 2006-16 2016-26
100.0 100.0 100.0 0.5 0.7
Total(1) 148,988.2 156,063.8 167,582.3 7,075.7 11,518.5
Produção De 22,466.7 19,685.2 19,904.2 -2,781.5 219.0 15.1 12.6 11.9 -1.3 0.1
Mercadorias,
Excluindo
Agricultura
Mineração 619.7 626.1 716.9 6.4 90.8 0.4 0.4 0.4 0.1 1.4
Construção 7,691.2 6,711.0 7,575.7 -980.2 864.7 5.2 4.3 4.5 -1.4 1.2
Manufatura 14,155.8 12,348.1 11,611.7 -1,807.7 -736.4 9.5 7.9 6.9 -1.4 -0.6

Prestação De 114,724.2 125,294.1 135,820.6 10,569.9 10,526.5 77.0 80.3 81.0 0.9 0.8
Serviços, Exceto
Indústrias
Especiais
Utilidade 548.5 556.2 559.6 7.7 3.4 0.4 0.4 0.3 0.1 0.1
Públicas
Comércio de 5,904.6 5,867.0 6,012.8 -37.6 145.8 4.0 3.8 3.6 -0.1 0.2
Atacado
Comercio de 15,353.2 15,820.4 16,232.7 467.2 412.3 10.3 10.1 9.7 0.3 0.3
Varejo
Transporte e 4,469.6 4,989.1 5,353.4 519.5 364.3 3.0 3.2 3.2 1.1 0.7
Armazenagem
Informação 3,037.9 2,772.3 2,824.8 -265.6 52.5 2.0 1.8 1.7 -0.9 0.2
Atividades 8,366.6 8,284.8 8,764.6 -81.8 479.8 5.6 5.3 5.2 -0.1 0.6
Financeiras
Serviços 17,566.2 20,135.6 22,295.3 2,569.4 2,159.7 11.8 12.9 13.3 1.4 1.0
Profissionais e
Empresariais
Serviços 2,900.9 3,559.7 4,066.2 658.8 506.5 1.9 2.3 2.4 2.1 1.3
Educacionais
Assistência 15,253.3 19,056.3 23,054.6 3,803.0 3,998.3 10.2 12.2 13.8 2.3 1.9
Médica e
Assistência
Social
Lazer e 13,109.7 15,620.4 16,939.4 2,510.7 1,319.0 8.8 10.0 10.1 1.8 0.8
Hospitalidade
Outros Serviços 6,240.5 6,409.4 6,761.4 168.9 352.0 4.2 4.1 4.0 0.3 0.5
Governo Federal 2,732.0 2,795.0 2,739.2 63.0 -55.8 1.8 1.8 1.6 0.2 -0.2
Governo Local e 19,241.2 19,427.9 20,216.6 186.7 788.7 12.9 12.4 12.1 0.1 0.4
Estadual

Agricultura, 2,111.2 2,351.5 2,345.4 240.3 -6.1 1.4 1.5 1.4 1.1 0.0
Silvicultura,
Pesca e Caça (3)
Salário 1,218.6 1,501.0 1,518.0 282.4 17.0 0.8 1.0 0.9 2.1 0.1
Agricultura
Agricultura 892.6 850.5 827.5 -42.1 -23.0 0.6 0.5 0.5 -0.5 -0.3
Autônomo

Trabalhadores 9,686.0 8,733.0 9,512.1 -953.0 779.1 6.5 5.6 5.7 -1.0 0.9
não Agrícolas
Fonte: U.S. BUREAU OF LABOR STATISTICS, 2019
48

Outra tabela importante a ser considerada é relativa aos indicadores dos números de
empregos decrescentes nos Estados Unidos. Publicado pela mesma agência de estatísticas
que a tabela anterior, a tabela 1.2 demonstra as ocupações com maiores números de
supressão. Nota-se que existe uma grande porcentagem de efeitos aos empregos classificados
como white collar jobs10. As quatros ocupações mais afetadas pela redução de empregos
estão relacionadas ao desenvolvimento de capacidade computacional, pelo seu vínculo com
o setor informático. Operadores de computadores, processadores de informação e escrivães
estão entre os mais afetados. Aproximadamente 25 mil empregos serão perdidos por
escrivães nos 10 anos entre 2016 até 2026. Entre as 17 ocupações com maiores números de
desemprego notam-se que 12 podem ser consideradas como efeito da tecnologia. Operadores
telefônicos e operadores de computadores são empregos afetados pela capacidade
computacional, a redução do agente humano causado pela expropriação da capacidade
computacional que habilita a ampliação de funções que anteriormente estavam exclusivas
para operadores humanos. Atualmente através da programação existem métodos codificados
que facilitam a obtenção de dados, e a extração e interpretação de base de dados. Um exemplo
da capacidade de substituição são os adicionais da linguagem de programação denominada
como web scraping·. Com a facilidade de extração de dados o efeito será de uma redução no
número de empregos de Data Entry Keyers 11de 43 mil, ou equivalente a 21% no número de
empregos em 2016. Outra importante ocupação é a de sortimento postal de cartas e
encomendas (Postal service mail sorters, processors, and processing machine operators)
que sofrerá uma redução de 17 mil empregos em 2026. A tendência da redução de empregos
relacionada a ocupações mecânicas são evidentes nos dados de 2016 até 2026. O efeito da
redução do nível de empregos já foi estudado em capítulos anteriores, demostram a efeito do
desenvolvimento tecnológico criado pela empresa Amazon para reduzir custo de empregados
e aumentar eficiência com postagens e encomendas. Outra ocupação que tende a sofrer
grandes declínios de empregados são os assistentes administrativos. Duas subcategorias
dessa ocupação demonstram relevante redução de utilidade da força de trabalho humano.
Cerca de 353 mil empregados perderam seus empregos entre 2016 a 2026 entre as ocupações
de assistente administrativo. Outro relevante emprego que sofrerá aumento de desemprego
são os denominados como caixa (Cashiers) que já foi divulgado com mais detalhes a nova

10
Colarinho branco em português, classificação para serviços não classificados como braçal ou mão de obra
física.
11
Data Entry Keyers é o serviço de compilação e extração de dados. O serviço demanda a comparação de
documentos, verificação e detecção de erros.
49

tendência tecnológica que garante a redução de funcionários responsável por esse trabalho
nos próximos anos, como a utilização do autoatendimento. De acordo com as estimativas dos
anos de 2016 até 2026, sofrerão a redução de empregados 30 mil funcionários de caixa
(cashiers) nos Estados Unidos, isso equivale a 0.9% do total empregado em tal função.

Tabela 3. Emprego por ocupação, 2016 e projeção para 2026 (números em milhares)
Emprego
Matriz Nacional (EUA) de Emprego 2016
Variação na
Num. (1,000) Variação Percentual
distribuição 2016-26
2016 2026 2016 2026 Num. %

Processadores de texto e datilógrafos 74.9 50.1 0.0 0.0 -24.8 -33.1


Trabalhadores de entrada de dados e
processamento de informações 278.7 210.7 0.2 0.1 -68.1 -24.4
Operadores de computador 51.5 39.7 0.0 0.0 -11.8 -22.8
Operador telefônicos 9.1 7.0 0.0 0.0 -2.0 -22.6
Trabalhador de Processamento de Dados 203.8 160.6 0.1 0.1 -43.3 -21.2
Operadores de central telefônica, incluindo
serviço de atendimento 93.2 74.7 0.1 0.0 -18.5 -19.9
Instaladores, operadores e concursos de
máquinas para tricotar e tecer têxteis 22.2 17.9 0.0 0.0 -4.3 -19.3
Montadores e operadores de máquinas de
forjamento de metal e plástico 19.2 15.5 0.0 0.0 -3.7 -19.2
Secretários Legais 194.7 157.5 0.1 0.1 -37.1 -19.1
Instaladores, operadores de máquinas têxteis 79.3 65.4 0.1 0.0 -13.9 -17.5
Operadores de enrolamento, torção e extração
de máquinas têxteis 30.8 25.6 0.0 0.0 -5.2 -16.8
Operadores de máquinas de costura 153.9 128.2 0.1 0.1 -25.7 -16.7
Classificadores, processadores e operadores
de máquinas de processamento e sorteamento
de correio 106.7 89.1 0.1 0.1 -17.5 -16.5
Operadores de máquinas de escritório 59.9 50.5 0.0 0.0 -9.4 -15.6
Agentes de viagem 81.7 72.2 0.1 0.0 -9.5 -11.7
Secretários e assistentes administrativos,
exceto jurídicos, médicos e executivos 2,536.2 2,371.3 1.6 1.4 -164.9 -6.5
Novos funcionários de contas 42.0 39.4 0.0 0.0 -2.6 -6.2
Secretários e assistentes administrativos 3,990.4 3,798.2 2.6 2.3 -192.2 -4.8
Compradores de atacado e varejo, exceto
produtos agrícolas 123.3 120.3 0.1 0.1 -3.0 -2.5
Funcionários de Caixas 3,555.5 3,524.9 2.3 2.1 -30.6 -0.9
Funcionários financeiros 3,336.6 3,330.4 2.1 2.0 -6.3 -0.2
Trabalhadores Agrícolas 914.8 914.7 0.6 0.5 0.0 0.0
Outros funcionários de apoio administrativo e
de escritório 4,195.7 4,123.2 2.7 2.5 -72.5 -1.7
Agricultores, pecuaristas e outros gerentes
agrícolas 1,028.7 1,020.7 0.7 0.6 -8.0 -0.8
Fonte: U.S. BUREAU OF LABOR STATISTICS, 2019
50

5.2. Ocupações e Índice de Risco de Automação

De acordo com Klaus Schwab (2018) os efeitos da quarta revolução industrial são
alarmantes concernentes ao nível de redução de empregos. Ele cita que o número de trabalhos
que podem ser automatizados é exponencialmente crescente. Inicialmente os trabalhos
mecânicos e repetitivos sofreram redução do número de empregados, e recentemente com a
ajuda do avanço computacional e robótico os trabalhos manuais de precisão e especializados
também demonstram capacidade de serem parcialmente ou completamente substituídos pela
automatização. “Até o momento, a evidência é o seguinte: a quarta revolução industrial
parece estar criando menos postos de trabalhos nas novas indústrias do que as revoluções
anteriores” (SCHWAB 2018 p. 43 e 44).

Ford relata que a criação de trabalhos e ocupações não equivalem ao processo de


substituição ocorrente no mercado de trabalho, para ele a evolução tecnológica é muito
superior em comparação a criação de emprego (FORD, 2015 p.xxi). De acordo com estudo
da Universidade de Oxford, a classificação de ocupações que demandam criatividade e
pensamento cognitivo com salários elevados, em relação a ocupações manuais de trabalhos
repetitivos e rotineiros com baixos salários, apresentam memores risco de eliminação e
substituição de mão de obra humana (FREY, 2013). Para Carl Benedikt Frey12 e Michael
13
Osborne (2003) as inovações tecnológicas tendem a aumentar a produtividade pela
substituição de trabalhadores e não pela inovação e introdução de novos produtos que
gerariam novos cargos de empregados. Em suas pesquisas concernentes ao nível de empregos
os dois economistas da Universidade de Oxford classificaram acerca de 702 ocupações e suas
expectativas probabilidade de risco de automatização de acordo com a classificação de várias
características comparadas com a capacidade humana e tecnológica. A conclusão de sua
pesquisa demonstra que 47% dos empregos classificados nos Estados Unidos correm o risco
de automatização. Acreditam que nas próximas décadas o efeito do desemprego gerado pela
quarta revolução industrial será muito mais evidente, comparados com as revoluções
industriais anteriores em relação a destruição de emprego (FREY 2003 p. 38). Argumenta-
se que o avanço tecnológico possibilita a expansão de ocupações executadas por robôs em
relação a ampliação exponencialmente de capacidades.

12
Doutor pelo instituto Max Planck e fundador do programa Technology and Employment na Oxford Martin
School.
13
Doutor e professor de Machine Learning na Universidade de Oxford. Membro facultativo no Instituto de
Finanças Quantitativas pela Universidade de Oxford.
51

“As industrial robots are becoming more advanced, with enhanced senses and
dexterity, they will be able to perform a wider scope of non-routine manual tasks.
From a technological capabilities point of view, the vast remainder of employment
in production occupations is thus likely to diminish over the next decades” (FREY
2003 p. 38).

De acordo com seus estudos os mais altos índices de destruição de ocupação estão
relacionados ao estudo estatístico anteriormente mencionado. Dado as ocupações
mencionadas acima, nota-se que as mesmas são classificadas no estudo feito pela Para Carl
Benedikt Frey e Michael Osborne (2003). Entre as inúmeras classificações de risco de
automação, nota-se que a ocupação de digitação e classificação de dados denominada em
inglês por Data Entry Keyers demonstram um risco de automação de 99%. Além disso,
empregos de caixa (Cashiers) tem a probabilidade de risco de automação de 97% e os
assistentes administrativos e secretários com o risco de 96%. Além do mais, a ocupação de
escrivão designada em inglês de Word Processors and Typists corre o risco de automação de
81% e a ocupação de sortimento postal (Postal Service Mail Sorters) corre o risco de
automação de 79%. Outros índices de risco que foi discutido detalhadamente em capítulos
anteriores foram o desenvolvimento tecnológico da direção autônoma. Entre os afetados
estão empregos relacionados a motoristas de táxi, chauffeurs e motoristas de caminhões que
tendem a perder seus espaços competitivos com os avanços tecnológicos de automóveis
autônomos. De acordo com o estudo o risco de automação de táxi e chauffeurs são de 89%,
o de motorista de ônibus similarmente é de 89%, enquanto o motorista de caminhões tem o
risco de automação de 79% (FREY 2013 p.57-72). Em capítulos anteriores foram discutidas
as tecnologias emergentes que possibilitam a destruição dessa categoria de ocupação.

5.3. Evolução contemporânea do desemprego influente ao avanço tecnológico

O êxodo populacional para centros urbanos após a primeira revolução industrial não
ocorreu por acaso, a demografia foi causada por motivos econômicos. Marcados em todas as
revoluções industriais estão o movimento da massa populacional e com a indústria 4.0 não é
diferente. A capacitação computacional e os desenvolvimentos robóticos possuem
capacidade de introduzir a obsolescência da mão de obra e a desigualdade a níveis
elevadíssimos. De acordo com a lei de Moore, o desenvolvimento tecnológico (complexidade
integrada do circuito que possibilita a expansão da atividade computacional) duplica a cada
ano assim designando a quantidade do avanço tecnológico exponencialmente positivo
52

(FORD, 2015 p. XII). Contextualizando esse progresso afirma-se que a mão de obra
necessária para efetivar um serviço é decrescente, sendo que existe uma eliminação de
serviços menos complexos anualmente. Jeremy Rifkin (2014) descreve em seu livro os
efeitos da tecnologia.

“Big Data, advanced analytics, algorithms, Artificial Intelligence (AI), and robotics
are replacing human labor across the manufacturing industries, service industries,
and knowledge-and-entertainment sectors, leading to the very real prospect of
liberating hundreds of millions of people from work in the market economy in the
first half of the twenty-first century”.(RIFKIN, 2014 p.148)

De acordo com dados e estatísticos de desemprego nos Estados Unidos, Jeremy cria
a noção que o desenvolvimento tecnológico tem causado uma eliminação de categorias de
serviços (GOLDSTEIN, 2013). Para ele o avanço de Big Data14, sistemas analíticos,
inteligência artificial e robótica têm afetado negativamente o desempenho no número de
empregos no setor industrial e serviços. Globalmente o número de desemprego para jovens
adultos em 2010 era três vezes mais altos comparados a adultos mais velhos (MARLAR,
2010), isso em um período com crescente produtividade. Rifkin diz que enquanto milhões de
trabalhos foram irreversivelmente perdidos no período da grande recessão enquanto a
produtividade estava acelerada no mundo todo (RIFKIN, 2014 p.150). Estranho perceber que
a quantidade de mão de obra é decrescente enquanto a produtividade é crescente em um
período de crise mundial, a única explicação possível é o efeito da obsolescência do
trabalhador resultado do avanço tecnológico. Nos Estados Unidos entre o período de 1997
até 2005 a produção manufaturada subiu aproximadamente 60% enquanto no mesmo período
o número de trabalho manufaturado perdeu próximo de 3,9 milhões de trabalhadores.
Michaela Platzer e Glennon Harrison (2009) da Universidade de Cornell nos Estados Unidos
estipulam que a aplicação tecnológica computacional e robótica na indústria são atribuídas
ao aumento de qualidade, produtividade e despesa de trabalho.

“The economists attribute the dichotomy to a dramatic 30 percent increase in


productivity from 1993 to 2005 that allowed manufacturers to produce more output
with fewer workers. Those productivity advances came about by “the application
of new technologies such as robotics and the use of computing and software on the
factory floor ...[which] increased quality and cut prices, but also led to ongoing
layoffs”. (PLATZER, 2009)

14
Quantidade grandes de dados analisados computacionalmente resultando na revelação de padrões e
tendências.
53

Hoje em dia a mão de obra em grandes indústrias tem se reduzido ao menor número
possível. A indústria automobilística emprega um número de mão de obra muito inferior ao
número de empregados comparado há 50 anos atrás. Os avanços tecnológicos são evidentes
no chão de uma fábrica automobilística, entretanto os números de produção não se reduzem.
Até mesmo as grandes potências industriais têm perdido a vantagem de mão de obra barata
em competição ao desenvolvimento robótico. Argumentava-se que a China estava roubando
os empregos das indústrias americanas e europeias, porém os números demonstram que os
empregos no setor manufatureiros têm desaparecidos nos países desenvolvidos. Analisa-se
que os sete anos entre 1995 e 2002 os números de empregos de manufaturas foi reduzido em
22 milhões. Argumenta-se que os trabalhos tendem a transacionar para países com menor
custo de mão de obra, entretanto esse valor é relacionado à eliminação de trabalho no setor
industrial no cenário mundial (RIFKIN, 2014 p.154-155). Um grande exemplo da eliminação
do emprego se fez com a implementação da indústria robotizada da Philips localizado nos
Países Baixos. Enquanto isso, Rifkin menciona sobre a existência de transferência de mão de
obra produtiva para a China, a fábrica da Philips construída em 2013 consiste na produção
de eletrônicos através de manufatura robótica (RIFKIN, 2014 p.155). A empresa da Philips
investiu na restauração da produção de eletrônicos em solo europeu pelo motivo que a
utilização de mão de obra robótica reduziria os custos de importação da China, mesmo com
o salário médio superior a países asiáticos a implementação da fábrica na Holanda tem custo
reduzidos pela utilização de mecanismos de manufatura robotizada. O output da produção e
o mesmo que a antiga fábrica localizada na China, entretanto contém um décimo de
trabalhadores (MARKOFF, 2012). Além do anunciado movimentação e vantagens da
empresa Philips na Holanda, o artigo do New York Times menciona outros retornos de
empresas a seus países sedes causados pelas vantagens de redução de custo com a utilização
de mecanismos robóticos e a redução da necessidade da mão de obra (MARKOFF, 2012).
Enquanto empresas são incentivadas a voltarem para seus países sedes, a China também
cresce com o desenvolvimento e ampliação de mão de obra robotizada. Um exemplo dessa
transição é a mundialmente conhecida fábrica terceirizada da Apple, a Foxconn. Em 2013, a
empresa fabricante de iPhones investiu na implementação de um milhão de robôs
manufatureiros para reduzir a proporção de força de trabalho (RIFKIN, 2014 p.155).

“Fast forward 50 years. Today, near workerless factories run by computer


programs are increasingly the norm, both in highly industrialized countries and
developing nations” (RIFKIN, 2014 p.154)
54

Em um presente repleto com a redução da utilidade da mão de obra principalmente


relacionado ao setor industrial, encontra-se cada vez mais difícil reagir com políticas que
protejam os trabalhadores. Atualmente fábricas estão sendo incentivadas a substituir a mão
de obra em função a produção robotizada, esses fatores demonstra-se crescente em países
industriais onde o custo do trabalhador é alto, entretanto o mesmo demonstra-se evidente em
países em desenvolvimento pelo incentivo de mantimento da produção industrial. No ano de
2011, o Estados Unidos e a União Europeia demonstraram um crescimento na aquisição de
robôs em 43% (RIFKIN, 2014 p.156). O analista industrial, Joseph Carson afirmou em 2003
que com o deslocamento da tecnologia pode eliminar completamente a ocupação de
trabalhadores no setor manufatureiro (RIFKIN, 2014 p.156). A automação, inteligência
artificial e a indústria robotizada estão eliminando a ocupação de trabalhadores em vários
setores econômicos. Retratando o passado pode notar já todas as classificações de trabalhos
que já foram eliminados pela inovação tecnológica. Rifkin (2014 p.160) relata uma lista de
empregos ameaçados pelo avanço tecnológico, principalmente nos setores considerados
protegidos denominados como white collar jobs. Estão citados nessa lista empregos
relacionados ao setor de serviço como secretárias, operadores de telefone, agentes de viagens,
atendente de caixa, entre outros. Nos Estados Unidos esses trabalhos já têm sofrido agravante
número de dissipação nos últimos 25 anos pela crescente indústria emergente de automação,
robótica e inteligência artificial (RIFKIN, 2014 p. 160). A grande surpresa causada pela
emergência de tecnologia para Rifkin está relacionada com a eliminação de trabalhos
relacionados ao setor de serviços e não exclusivamente ao setor manufatureiro. “Automation,
robotics, and artificial intelligence are eliminating human labor as quickly in the white-collar
and service industries as in the manufacturing and logistics sectors” (RIFKIN, 2014 p.160).
Nesse contexto que o autor eleva a preocupação quando relacionada a emergência de serviços
online de grandes empresas de comércio. Para ele a redução de custo e tão necessária que
abrira a porta para a transição de mercados físicos para mercados virtuais. No seu livro escrito
em 2014, Rifkin comenta que:

“Many of the big-box retailers, including Best Buy, Target, and Walmart, will
likely attempt to get ahead of the curve by pushing more of their business online.
Others—especially traditional department stores like Macy’s, Nordstrom, and
Neiman Marcus—are going to pare down or simply die off as more and more retail
goes virtual. Online clothiers already offer virtual fitting. Online customers can
create a virtual model of themselves, providing information on their size, gender,
age, chest, waist, and hip size. Using a mouse, the customer can even check the
fitting from different angles” (RIFKIN, 2014 p.164).
55

Em pleno 2018 já é revelado que suas pressuposições do futuro foram realizadas. O


ano de 2018 terminou em despesa para a empresa de varejo JC Penney, quando teve uma
perda de 7% de lucro comparado com o balanço patrimonial do ano anterior. Se isso já não
fosse alarmante a empresa jornalística TODAY ainda relata o fechamento de 27 lojas físicas
(DAWN, 2019). A estimativa para o ano de 2019 é que aproximadamente mais de 1200 lojas
físicas se fechem equivalente a mais de 20% comparado com o ano anterior. (TYKO. 2019).
Já a famosa Walmart tem passado aperto com alto número de despesas e a necessidade de
redução de custo. Foi registrado o fechamento de 5.864 lojas físicas em 2018 e com a
expectativa de alcançar próximo de 6.000 lojas total com 2019, enquanto isso as vendas de
mercadorias na loja virtual aumentaram 16% (SUPRIYO BOSE, 2019). Esses são três
exemplos recentes do apocalipse esperado em resposta ao desenvolvimento tecnológico e a
redução de custos já advertida por Martin Ford, Klaus Shwab e Jeremy Rifkin. Outro aspecto
causador de grandes impactos na redução de número de empregos é a emergência da
economia compartilhada. Um breve relato sobre a economia compartilhada e seu impacto
pode ser visto no artigo da Forbes em 2012.

“In 2012, Governor Jerry Brown of California signed a law making it legal for
driverless vehicles to operate on California roads. Nevada and Florida have also
authorized driverless vehicles on their roadways. In signing the new law, Governor
Brown declared that “today, we’re looking at science fiction becoming tomorrow’s
reality.” (MULLER, 2012)

Rifkin interpreta que a política possibilitando a utilização de automóveis autônomos


geraria uma economia circulada de serviços sem autoria humana. Nesse contexto o autor
realça que composição economia de eliminação completa de posse humana tem se expandido,
e recentemente se tornado realidade. “The shift in personal mobility from ownership to access
and from markets to shared Commons is likely to quicken in the years ahead with the
introduction of driverless vehicles (RIFKIN, 2014 p.278). Enquanto a tecnologia é
desenvolvida o sistema econômico tende a se adaptar, o desenvolvimento de tecnologias para
carros autônomos tem alavancado novas possibilidades e com tudo uma alarmante
preocupação em relação a mão de obra humana. Enquanto o público se preocupa com a
segurança de automóveis autônomos, engenheiros afirmam que 90% dos acidentes são de
causalidade humana (RIFKIN, 2014 p.281) entretanto a eliminação do ser humano da
equação só demonstra prerrogativa a redução de custo negativamente relacionando os níveis
de desemprego. O surgimento de tal tecnologia tem incentivado praticamente todas as
empresas automobilísticas a desenvolverem algo particular.
56

“General Motors, Mercedes, BMW, Audi, Volvo, and Volkswagen are also testing
driverless vehicles. The Google vehicle is a refitted Toyota Prius that drives itself
using cameras, radar sensors, and a laser range finder and detailed Google maps
connected to a GPS navigation system.” (URMSON, 2012)

O assunto da tecnologia de automóveis autônomos e amplamente discutida em


capítulos posteriores, contudo o resultado da redução da utilização de mão de obra é notável
e de importantíssimo relato como nota-se o autor Rifkin. Entre o período após a grande
recessão, entre 2008 até 2012 a indústria sangrava mão de obra, porém nesse mesmo período
inovações de novos softwares alavancavam a rentabilidade de grandes empresas com a
redução de gastos salariais (RIFKIN, 2014 p.151).

“In the period of the Great Recession, economists discovered that while millions
of jobs were irreversibly lost, productivity was reaching new peaks and output was
accelerating around the world, but with fewer workers at their stations.”(RIFKIN,
2014 p.150).

Nesse contexto Jeremy Rifkin questiona como a economia tem a tendência de se


deslocar a redução de mão de obra, elevando o número de desempregos, entretanto
aumentando o retorno. Para ele o simples fato dos recentes acontecimentos já demonstra
como a economia futura vai convergir a maiores números de robotização, autonomia e
inteligência artificial e a drástica redução da atividade humana no setor trabalhista. Por último
é importante mencionar seu pensamento final sobre a autonomia automobilística em que se
depara com o questionamento sobre a vantagem de pagar um serviço de transporte autônomo
sem a preocupação de manutenção e eventuais preocupações que geram com a posse de um
automóvel.

“Why would anyone want to “own” and maintain an automobile when they could
“access” a driverless vehicle from a car-sharing service at a moment’s notice from
their cell phone and have it ferry them effortlessly with GPS guidance to their
destination, paying only for the precise time they are using the vehicle? ”(RIFKIN,
2014 p.282) .
57

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa destinou-se a compreensão do dilema da eliminação da mão de obra


decorrente a partir do desenvolvimento tecnológico. Pertinente a teoria que o
desenvolvimento tecnológico gera novas categorias de empregos, a pesquisa levou em
consideração o argumento contrário, em função da fractalidade de afirmar tal suposição.
Encontra-se limitado o argumento de eliminação de emprego, sendo que a linha de raciocínio
mainstream é a favor da geração de emprego, entretanto acredita-se que é de mera
importância estudar os mais raros fenômenos como menciona Nassim Talek no livro The
Black Swan; ‘seeing white swans does not confirm the nonexistence of black swans”
(TALEB, 2010 p.56). Com isso nota-se a importância de eliminar o viés confirmatório. Com
intuito de complementar a lacuna que corroborem os argumentos em prol a eliminação de
empregos, o trabalho visou reforçar alguns contextos do desenvolvimento tecnológico atual
e os efeitos probabilísticos determinados em alguns setores econômicos.
Baseado no conceito de desenvolvimento econômico de Joseph Schumpeter em
relação a destruição inovativa dos agentes econômicos, o trabalho relatou tal ocasiões em
cenário futuro. Em corroboração a destruição inovativa de Schumpeter, o trabalho utilizou
como referência os estudos de Jeremy Rifkin, Martin Ford, Klaus Schwab e artigos da
Universidade de Oxford escrito por Carl Benedikt Frey e Michael Orborne. O trabalho
estudou o possível resultado do avanço tecnológico e a redução da mão de obra que sobressai
do desenvolvimento mencionado por Keynes no seu artigo Economic Possibilities for our
Grandchildren.

“In quite a few years-in our own lifetimes I mean-we may be able to perform all
the operations of agriculture, mining, and manufacture with a quarter of the human
effort to which we have been accustomed.” (KEYNES, 2016)

A conclusão do mesmo considera as inúmeras variáveis econômicas que


correlacionam efeitos na taxa de desemprego, entretanto a falta de confirmação gera a
inconclusão de tais fenômenos como causalidades do efeito da taxa de desemprego e
tecnologia. Entretanto estudos estatísticos da U.S. Bureau of Labor Statistics, teses da
Universidade de Oxford e autores como Martin Ford e Klaus Schwab compreendem a
existência relacionada da eliminação categóricas de serviços em razão ao avanço tecnológico.
Através de pressupostos estatísticos eles notam que o avanço tecnológico possibilita a
desnecessidade da mão de obra humana, eliminando categorias de emprego principalmente
58

no setor de serviço, como Data Entry Keyers, caixas, empregos relacionados ao sortimento
postal de cartas e encomendas, operadores telefónicos, e escrivães. Não obstante da
eliminação de serviços, as teses e estudos relutam a afirmação que o avanço tecnológico
conduza elevação no nível de desemprego. Assim, com o alastramento do desenvolvimento
tecnológico em várias áreas da economia e a compreensão de eliminação categórica de
serviços, cria-se um argumento pessimista em relação ao nível de empregos futuros. O
argumento pessimista é similar ou relato de John Maynard Keynes em 1930 em seu artigo.

“I believe that this is a wildly mistaken interpretation of what is happening to us.


We are suffering, not from the rheumatics of old age, but from the growing-pains
of over-rapid changes, from the painfulness of readjustment between one economic
period and another. The increase of technical efficiency has been taking place faster
than we can deal with the problem of labour absorption”(KEYNES, 2016)

Com o pressuposto que o direito trabalhista e a remuneração são um dos fatores que
mais agravam os custos microeconômicos, acredita-se então que o avanço tecnológico tem o
principal papel de incentivar a eliminação de empregos. Existe vários exemplos de grandes
indústrias emigrando para países subdesenvolvidos em função a menores exigências
trabalhista, e em resultado menor custo com empregados. Empresas americanas e europeias
migraram suas indústrias para território asiático nos últimos 30 anos, e atualmente a própria
China controla suas taxas cambiais para manter o nível de exportação enquanto sofre um
aumento gradual do reajuste salarial (BARBOZA, 2010). Nota-se que grandes empresas
industriais não comportam o mesmo número de funcionário que demandavam anteriormente.
Não exclusivamente ao setor industrial, vários outros setores demonstram alguma redução
de mão de obra. Ainda assim, acredita-se que a atual evolução tecnológica contribui e
complementa o trabalho humano.

“Mobile robots can perform a variety of tasks, as opposed to the highly repetitive
tasks performed by large, industrial robots used in assembly lines. While large
industrial robots have replaced entire jobs in the past, the newly developed mobile
robots tend to complement human tasks.” (NÜBLER, 2016)

No mesmo sentido vê-se que o progresso de capacidade cognitiva e articulação


robótica e computacional tem evoluído exponencialmente nos últimos anos, como dita
Moore’s Law (FORD, 2013). A tecnologia tem se multiplicado exponencialmente, e
atualmente o desenvolvimento das mesmas demonstram a incapacidade humana em competir
com tais vantagens. Nota-se pela capacitação de alto potencial cognitivo, machine learning,
big data e inteligência artificial que computadores não estão mais limitados ao seguimento
59

de funções rotineiras. Mesmo com a demonstração anteriores em relação a atual e futura


capacidade cognitiva desenvolvida pela tecnologia, o trabalho continua inconclusivo pela
consideração implícita de eliminação de serviços e não elevação no nível de desemprego.

Decorrente a inúmeros fatores e variações econômicas, considerando recentes


eventos como a crise mundial de 2008, a redução do valor da commodity e como efeito de
tais ocorrências a queda do crescimento econômico ao redor do mundo, não se pode afirmar
que resultados da taxa de desemprego são meramente e exclusivamente ocorrências do
avanço tecnológico. O avanço tecnológico não pode ser afirmado como causalidade do
aumento do desemprego na economia brasileira muito menos na economia mundial, sendo
pela mesma a queda dos preços de commodity e as ocorrências politicas nos últimos anos. O
argumento da fragilidade da estabilidade da taxa de desemprego deve ser mais amplamente
estudado em relação ao avanço tecnológico e não exclusivamente a fatores econômicos.
Existe a necessidade de contingência de estudo econômico e desenvolvimentista em relação
ao avanço tecnológico. O projeto foi desenvolvido para relatar as possíveis características
tecnológicas e sua capacidade em substituir a mão de obra humana, entretanto afirmando que
não existe atualmente um estudo de causalidade entre os dois fatores e que somente através
da ampliação do estudo e do tempo poderá afirmar ou negar tais conclusões.
60

7. ESTUDO FUTUROS

No âmbito tecnológico ocorre inúmeras abrangência de assuntos correlacionados ao


desenvolvimento tecnológico. O estudo tentou abranger assuntos mais populares e com maior
apresentação de dados e estudos. Existe a urgência da popularização do assunto para melhor
aquisição de dados e abrangência de conclusões. O estudo atual limitou-se de uma firme
confirmação da hipótese pela restrição de estudos correlacionada ao desenvolvimento
tecnológico e o nível de empregos.

Recomenda-se, para novos estudos o conceito de eliminação de serviços, e estudo


de capacidade tecnológica. Outro aspecto importante de ser estudado é o desenvolvimento
social humano, se existe uma mudança no sistema político-econômico e se tal variação pode
ser a resposta ao nível de eliminação de empregos. Outro conceito importante de
consideração é o estudo de direito humano e como a hipotética realidade infere a capacitação
computacional e a eliminação de emprego.
61

REFERÊNCIAS

AKHTAR, Allana. Robots could wipe out 1.3 million Wall Street jobs in the next 10
years. Business Insider, 2019. Disponível em: <https://www.businessinsider.com/banking-
jobs-remain-popular-despite-the-threat-of-automation-2019-4>. Acesso em: 30 set. 2019.

AL-HEETI, Abrar. Burger King will sell meatless Impossible Whopper across US this
year. CNET, 2019. Disponível em: <https://www.cnet.com/news/impossible-burger-will-
be-sold-at-burger-king-nationwide-this-year/>. Acesso em: 13 jun. 2019.

AUGUSTYN, Adam, BAUER, Patricia, DUIGNAN, Brian. Sears, History & Facts.
Encyclopedia Britannica, 2019. Disponível em: <https://www.britannica.com/topic/Sears-
Roebuck-and-Company>. Acesso em: 24 jul. 2019.

Automotive Production 2017. OICA. International Organization of Motor Vehicle


Manufacturers, 2018. Disponível em: <http://www.oica.net/2017-production-statistics/>.
Acesso em: 23 out. 2018.

BANGA, Bhavya. Global Agriculture Drones and Robots Market to Reach $23.06
Billion by 2028. Bloomberg, 2019. Disponível em: <https://www.bloomberg.com/press-
releases/2019-05-07/global-agriculture-drones-and-robots-market-to-reach-23-06-billion-
by-2028>. Acesso em: 4 jun. 2019.

BANKS, Alec. 3D Printed Shoes: Here's Who is Winning the Battle & Why?.
Highsnobiety, 2016. Disponível em: <https://www.highsnobiety.com/2016/12/15/3d-
printed-shoes-nike-adidas/>. Acesso em: 28 mar. 2019.

BARBOZA, David. China’s Exports May Become Costlier as Wages Rise. NYTIMES,
2010. Disponível em:
<https://www.nytimes.com/2010/06/08/business/global/08wages.html>. Acesso em:
4 dez. 2019.

BAUM, Caroline. So Who's Stealing China's Manufacturing Jobs?. Bloomberg News,


2003. Disponível em:
<http://www.sddt.com/News/article.cfm?SourceCode=20031014fw#Article>. Acesso em:
11 dez. 2018.

Carbon lattice innovation, the Adidas story. Carbon3D, 2019. Disponível em:
<https://www.carbon3d.com/white-papers/carbon-lattice-innovation-the-adidas-story/>.
Acesso em: 28 set. 2018.

CASTILLO, Marcelo. Farm Labor. United States Department of Agriculture Economic


Research Service 2019. Disponível em: <https://www.ers.usda.gov/topics/farm-
economy/farm-labor/#legalstatus>. Acesso em: 29 set. 2019.

CHANDRAMITA, Bora. The Boston Dynamics Story – TechStory 2018. Disponível em:
<https://techstory.in/the-boston-dynamics-story/>. Acesso em: 16 set. 2019.
62

DAWN, Randee. JCPenney is closing 27 stores. TODAY.com. Disponível em:


<https://www.today.com/style/jcpenney-closing-27-stores-2019-company-confirms-
t151012>. Acesso em: 9 abr. 2019.

DESIDÉRIO, Mariana. Conheça as fintechs, as startups que desafiam os bancos.


EXAME, 2016. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/conheca-as-fintechs-as-
startups-que-desafiam-os-bancos/>. Acesso em: 1 jun. 2019.

DIAZ, Adriana. Farmers reap benefits of automated tractor tech. CBS NEWS, 2015.
Disponível em: <https://www.cbsnews.com/news/farmers-reap-benefits-self-driving-
tractor-technology/>. Acesso em: 4 out. 2018.

DOYLE, Alister. Road to electric car paradise paved with handouts. Reuters, 2017.
Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-autos-electric-analysis/road-to-
electric-car-paradise-paved-with-handouts-idUSKCN1BW1AN>. Acesso em:
27 out. 2019.

DORMEHL, Luke. Amazon is Launching a Fleet of Delivery Robots Called Amazon


Scouts. Digital Trends, 2019. Disponível em: <https://www.digitaltrends.com/cool-
tech/amazon-scout-delivery-robot-program/>. Acesso em: 5 jan. 2019.

EWING, Jack. A Benz with a Virtual Chauffeur, New York Times, 2013, Disponível em
<http://www.nytimes.com/2013/05/19/automobiles/a-benz-with-a-virtual-
chauffeur.html?pagewanted=all&_r=0>. Acesso em 22 jul, 2018.

FIRTH, Christophe, RAND, Colin, PAGE, Mark. The Internet Value Chain: A study on
the economics of the internet. A.T. Kearney GSMA, 2016. Disponível em:
<https://www.gsma.com/publicpolicy/wp-
content/uploads/2016/09/GSMA2016_Report_TheInternetValueChain.pdf>. Acesso em 2
jan 2019.

FORD, Martin. Rise of the Robots: Technology and the Threat of a Jobless Future. 1. Ed.
New York: Basic Books, 2015.

FREY, Carl Benedikt. OSBORNE, Michael A. The Future Of Employment: How


Susceptible Are Jobs To computerisation?. University of Oxford, 2013.

FROST, Adam. Panasonic showing new radar and V2X technologies at ITS World
Congress. Traffic Technology Today, 2019. Disponível em:
<https://www.traffictechnologytoday.com/news/event-news/panasonic-showing-new-radar-
and-v2x-technologies-at-its-world-congress.html>. Acesso em: 23 out. 2019.

GIL, Antônio Carlos. Método e Técnicas de Pesquisa Social. 6.Ed. São Paulo: Atlas, 2008
p.28.

GOLDSTEIN, Jacob. VO, Lam Thuy. 22 Million Americans Are Unemployed Or


Underemployed. NPR, 2013. Disponível em:
<https://www.npr.org/sections/money/2013/04/04/175697813/23-million-americans-are-
unemployed-or-underemployed>. Acesso em: 9 mar. 2019.
63

GOLDEWIJK, Klein. BEUSEN, Arthur. JANSSEN, Peter. Long term dynamic modeling
of global population and built-up area in a spatially explicit way, Netherlands
Environmental Assessment Agency, 2010.

GREGERSEN, Erik; SCHREIBER, Barbara A. Tesla, Inc. History, Cars, Elon Musk, &
Facts. Encyclopedia Britannica, 2013. Disponível em:
<https://www.britannica.com/topic/Tesla-Motors>. Acesso em: 2 out. 2019.

GUEST, Robert. Adidas’s high-tech factory brings production back to Germany. The
Economist. Disponível em: <https://www.economist.com/business/2017/01/14/adidass-
high-tech-factory-brings-production-back-to-germany>. Acesso em: 9 out. 2018.

HARIDY, Rich. Machine learning helps robot harvest lettuce for the first time. New
Atlas, 2019. Disponível em: <https://newatlas.com/robot-harvest-lettuce-vegetable-
machine-learning-agriculture/60465/>. Acesso em: 4 ago. 2019.

HEATER, Brian. Amazon debuts a pair of new warehouse robots. TechCrunch, 2019.
Disponível em: <https://techcrunch.com/2019/06/05/amazon-debuts-a-pair-of-new-
warehouse-robots/>. Acesso em: 8 set. 2019.

HIAWATHA, BRAY. Boston Dynamics’ Spot robot hits the street, work sites. The
Boston Globe 2019. Disponível em:
<https://www.bostonglobe.com/business/2019/09/24/boston-dynamics-spot-robot-hits-
street-works-sites/4QOY4Mo1nIdcNsYaxqoTYI/story.html>. Acesso em: 25 set. 2019.

History of KUKA: Automation then and now. KUKA AG. Disponível em:
<https://www.kuka.com/en-de/about-kuka/history>. Acesso em: 21 jul. 2019.

HOTTEN, Russel. Volkswagen: The scandal explained. BBC News, 2015. Disponível
em: <https://www.bbc.com/news/business-34324772>. Acesso em: 26 out. 2017.

HOWELL, Elizabeth. Here's the Winner of NASA's 3D-Printed Mars Habitat


Challenge. Space.com, 2019. Disponível em: <https://www.space.com/nasa-3d-printed-
habitat-competition-winners.html>. Acesso em: 28 maio 2019.

IBM Watson. Ibm.com. Disponível em: <https://www.ibm.com/watson>. Acesso em:


2 set. 2019.

International Federation Of Robotics. World record: 248,000 industrial robots


revolutionizing the global economy. [s.l.: s.n.], 2016. Disponível em:
<https://ifr.org/downloads/press/02_2016/2016-06-
22_Press_Release_IFR_Munich_PK_ENG.pdf>. Acesso em: 11 jun. 2019.

JACK, Simon. Bankers sent home as Deutsche starts slashing jobs. BBC News, 2019.
Disponível em: <https://www.bbc.com/news/business-48906466>. Acesso em:
19 jul. 2019.

KING, John. Global Commercial and Industrial Robotics Market 2019 Strategical
Overview. World Industry Report, 2019. Worldindustryreport.com. Disponível em:
64

<http://worldindustryreport.com/global-commercial-and-industrial-robotics-market-2019-
strategical-overview-by-fanuc-kuka-abb-yaskawa-nachi-kawasaki-robotics-
comau/93735/>. Acesso em: 15 ago. 2019.

KATZ, Raúl. El ecosistema y la economía digital en América Latina. Madrid;


Barcelona: Fundación Telefónica ; Ariel, 2015.

KEYNES, John Maynard. A Teoria do Emprego, do Juro e da Moeda. Editora Atlas


S.A. São Paulo, 1992 p.32.

KEYNES, John Maynard. Essays in Persuasion. Economic Possibilities for our


Grandchildren. London: Palgrave Macmillan UK, 2016. Disponível em <
https://assets.aspeninstitute.org/content/uploads/files/content/upload/Intro_and_Section_I.p
df>. Acesso em 15 out. 2019 p.358, 360-361.

LA MONICA, Paul; ISIDORE, Chris. Amazon is buying Whole Foods for $13.7 billion.
CNNMoney, 2017. Disponível em: <https://money.cnn.com/2017/06/16/investing/amazon-
buying-whole-foods/index.html>. Acesso em: 3 fev. 2019.

LOWENSOHN, Josh. Google buys Boston Dynamics, maker of spectacular and


terrifying robots. The Verge, 2013. Disponível em:
<https://www.theverge.com/2013/12/14/5209622/google-has-bought-robotics-company-
boston-dynamics>. Acesso em: 27 abr. 2019.

LUCAS, Sarah. Our story, Mosa Meat. Mosa Meat, 2019. Disponível em:
<https://www.mosameat.com/our-story>. Acesso em: 4 ago. 2019.

MALTHUS, Thomas Robert. An Essay on the Principle of Population. Londres:


Electronic Scholarly Publishing Project, 1998 p.6.

MARKOFF, John. On ‘Jeopardy!’ Watson Win Is All but Trivial. NYTIMES, 2011.
Disponível em: <https://www.nytimes.com/2011/02/17/science/17jeopardy-watson.html>.
Acesso em: 2 mar. 2019.

MARKOFF, John. New Wave of Deft Robots Is Changing Global Industry. NYTIMES,
2012. Disponível em: <https://www.nytimes.com/2012/08/19/business/new-wave-of-adept-
robots-is-changing-global-industry.html?pagewanted=all&_r=0>. Acesso em: 7 abr. 2019.

MARKOFF, John. Google Adds to Its Menagerie of Robots. NYTIMES, 2013.


Disponível em: <https://www.nytimes.com/2013/12/14/technology/google-adds-to-its-
menagerie-of-robots.html?pagewanted=all&_r=0>. Acesso em: 1 mar. 2019.

MARKOFF, John. Google’s Next Phase in Driverless Cars: No Steering Wheel or


Brake Pedals. NYTIMES, 2014. Disponível em:
<https://www.nytimes.com/2014/05/28/technology/googles-next-phase-in-driverless-cars-
no-brakes-or-steering-wheel.html>. Acesso em: 1 jun. 2019.

MARLAR, Jenny. Global Unemployment at 8% in 2011; Youth are three times more
likely than older adults to be unemployed. GALLUP, 2010. Disponível em:
65

<https://news.gallup.com/poll/153884/global-unemployment-2011.aspx>. Acesso em: 27


dez. 2018.

MARX, Karl. O Capital, Crítica da economia política. O processo de produção do


capital. 2. ed. Livro 1. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.

MCFADDEN, Christopher. The Short but Fascinating History of Tesla. Interesting


Engineering, 2019. Disponível em: <https://interestingengineering.com/the-short-but-
fascinating-history-of-tesla>. Acesso em: 27 out. 2019.

MULLER, Joann. With Driverless Cars, Once Again It Is California Leading the
Way.2012 Forbes. <http://www.forbes.com/sites/joannmuller/2012/09/26/with-driverless-
cars-once-again-it-is-california-leading-the-way/> acesso em 23 mai 2019.

NAKAWAGA, Fernando. Caixa e Banco do Brasil cortam 21,2 mil empregados em


dois anos. Economia Estadão 2018. Disponível em:
<https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,caixa-e-banco-do-brasil-cortam-21-2-mil-
empregados-em-dois-anos,70002524439>. Acesso em: 30 nov. 2018.

Nike Zoom Superfly Flyknit. Nike News, 2016. Disponível em:


<https://news.nike.com/news/allyson-felix-track-spike>. Acesso em: 28 ago. 2019.

NOONAN, Laura. Tech forecast to destroy more than 200,000 US bank jobs. Financial
Times, 2019. Disponível em: <https://www.ft.com/content/baf3297a-e456-11e9-9743-
db5a370481bc>. Acesso em: 1 out. 2019.

NÜBLER, Irmgard. New Technologies: A jobless future or a golden age of job creation?.
Ph.D, Research Department of the International Labour Organization, 2016.

OYEDELE, Akin. Amazon is now bigger than Walmart. Business Insider. Disponível
em: <https://www.businessinsider.com.au/amazon-bigger-than-walmart-2015-7>. Acesso
em: 24 fev. 2019.

PLATZER, Michaela D.HARRISON, Glennon J. The U.S. Automotive Industry:


National and StateTrends in Manufacturing Employment. Cornell University ILR School, 8
agosto 2009. Disponível em:
<https://digitalcommons.ilr.cornell.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1671&context=key_wo
rkplace>. Acesso em: 1 maio 2019.

REGA, Sam; COSTREL, France. The first 3D printed house is coming, and the
construction industry will never be the same. Business Insider, 2015. Disponível em:
<https://www.businessinsider.com/3d-printed-houses-construction-industry-
neighborhoods-2015-3>. Acesso em: 30 fev. 2019.

RICARDO, David. Princípios De Economia Política E Tributação. 1. ed. São Paulo:


Editora Nova Cultura Ltda., 1996 p.288-290.

RIFKIN, Jeremy. The Zero Marginal Cost Society: The Internet of Things, the
Collaborative Commons, and the Eclipse of Capitalism. 1. ed. New York: Editora Palgrave
Macmillan, 2014 p.21, 148-164.
66

ROUMELIOTIS, Greg. BURGER, Ludwig. Bayer to Buy Monsanto, Creating a Massive


Seeds and Pesticides Company. Scientific American, 2016. Disponível em:
<https://www.scientificamerican.com/section/reuters/bayer-to-buy-monsanto-creating-a-
massive-seeds-and-pesticides-company/>. Acesso em: 1 jul. 2019.

SABARINI, Prodita. Zimbabwe's addiction to borrowing continues – as inflation rises. The


Conversation, 2019. Disponível em: <https://theconversation.com/zimbabwes-addiction-to-
borrowing-continues-as-inflation-rises-122519>. Acesso em: 1 jul. 2019.

SALDAÑA, Paulo. Cursos a distância sobem 51% no ensino superior e número de


vagas supera o de modalidade presencial. Folha de S.Paulo, 2019. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/cursos-a-distancia-sobem-51-no-
ensino-superior-e-numero-de-vagas-supera-o-de-modalidade-presencial.shtml>. Acesso
em: 2 abr. 2019.

SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Rio de Janeiro:


Fundo de Cultura, 1961 p.108-112.

SCHUMPETER, Joseph Alois. Teoria do Desenvolvimento Econômico: Uma


Investigação Sobre Lucros, Capital, Crédito, Juro e o Ciclo Econômico. São Paulo: Nova
Cultural Ltda, 1997 p.75, 129-130.

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2018 p.43,
95.

SEABROOK, John. The Age of Robot Farmers, Picking strawberries takes speed,
stamina, and skill. Can a robot do it?. NEW YORKER, 2019. Disponível em:
<https://www.newyorker.com/magazine/2019/04/15/the-age-of-robot-farmers>. Acesso
em: 4 ago. 2019.

SIMON, Matt, GRAEBER, Charles, NIILER, Eric. Inside the Amazon Warehouse
Where Humans and Machines Become One. WIRED, 2019. Disponível em:
<https://www.wired.com/story/amazon-warehouse-robots/>. Acesso em: 1 jul. 2019.

SKOUSEN, Mark. The Big Three in Economics: Adam Smith Karl Marx and John
Maynard Keynes. Armonk, N.Y.: M.E. Sharpe, 2007 p.98.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: Investigação Sobre sua Natureza e suas Causas.
1. ed. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1996 p.9-10.

SOUZA, Nali de Jesus de. Desenvolvimento Econômico. 6. ed. São Paulo: Editora Atlas
S.A., 2011 p. 109.

SOUZA-SANTOS, Elson Rodrigo de; COSTA, Armando dalla. As características da


estrutura financeira brasileira e a trajetória de industrialização. Nova Economia, [s.l.],
v. 24, n. 2, p.243-264, ago. 2014. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/0103-
6351/1701.

STEINBECK, John. The grapes of wrath. London: Penguin Books, 2011.


67

SUPRIYO BOSE, Zacks. Retail Store Cannibalization: Walmart Latest to Fall Prey
2019. Finance.yahoo.com. Disponível em: <https://finance.yahoo.com/news/retail-store-
cannibalization-walmart-latest-092209358.html>. Acesso em: 8 de julho 2019.

TALEB, Nissim Nicholas. The Black Swan, The impact of the Highly Improbable. New
York: Random House Publishing Group, 2010 p.56.

Tesla Semi. Tesla, 2019. Disponível em: <https://www.tesla.com/semi>. Acesso em:


27 out. 2019.

TURNER, Karen. Meet ‘Ross,’ the newly hired legal robot. Washington Post, 2016.
Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/innovations/wp/2016/05/16/meet-
ross-the-newly-hired-legal-robot/>. Acesso em: 4 mar. 2019.

TYKO, Kelly. More store closings coming: An estimated 12,000 shops could close by
the end of 2019. Usatoday.com. Disponível em:
<https://www.usatoday.com/story/money/2019/07/03/2019-store-closings-list-these-
retailers-shuttering-locations/1597997001/>. Acesso em: 3 de julho 2019.

URMSON, Chris. The Self-Driving Car Logs More Miles on New Wheels.2012. Google
Blog. Disponível em: <http://googleblog.blogspot.com/2012/08/the-self-driving-car-logs-
more-miles-on.html>. Acesso em 11 dezembro 2018.

U.S. BUREAU OF LABOR STATISTICS. Employment by detailed occupation.


Washington DC: USBLS, 2019. Disponível em: < https://www.bls.gov/emp/tables/emp-by-
detailed-occupation.htm>. Acesso em 07 novembro 2018.

YURIEFF, Kaya. Adidas unveils new 3D printed shoe. CNNMoney, 2017. Disponível
em: <https://money.cnn.com/2017/04/07/technology/adidas-3d-printed-shoe/index.html>.
Acesso em: 15 jan. 2019.

WAKEFIELD, Jane. Robot dog Spot on sale for 'price of a car'. BBC News, 2019.
Disponível em: <https://www.bbc.com/news/technology-49823945>. Acesso em: 25 set.
2019.

WALLERSTEIN, Immanuel Maurice. Historical Capitalism. 8. ed. Londres: Binddles


Ltd., 1996. p.23

WOODYARD, Chris. GM bailout played out over five years. USA Today, 2013.
Disponível em: <https://www.usatoday.com/story/money/cars/2013/12/09/gm-bailout-
timeline/3929953/>. Acesso em: 15 fev. 2018.

ZALESKI, Olivia. Uber CEO and Alphabet Invest in Urban Farming Startup.
Bloomberg, 2018. Disponível em: <https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-12-
12/uber-ceo-and-alphabet-invest-in-urban-farming-startup>. Acesso em: 4 abr. 2019.