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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DE

CURITIBA - PR.

CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Art. 39 – É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras


práticas abusivas:
(...)
III – enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer
produto, ou fornecer qualquer serviço;

JOÃO DE TAL, brasileiro, solteiro, maior, comerciário, residente


e domiciliadO na Rua da X, nº. 0000, CEP 44555-666, em Curitiba (PR), possuidor do
CPF(MF) nº. 111.222.333-44, vem, com o devido respeito à presença de Vossa Excelência,

1
por intermédio de seu patrono que abaixo assina – instrumento procuratório acostado --,
para ajuizar, com supedâneo no art. 186 c/c art. 944, ambos do Código Civil , a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO,
(“COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA”)

contra

(01) CARTÃO XISTA S/A, pessoa jurídica de direito privado, estabelecida na Av. Y, nº.
0000 – Loja 07, em São Paulo (SP) – CEP nº. 33444-555, inscrita no CNPJ(MF) sob o nº.
22.555.444/0001-33,

em decorrência das justificativas de ordem fática e de direito abaixo delineadas.

(1) – SÍNTESE DOS FATOS

O Autor jamais tivera algum enlace contratual com a Requerida.


Entretanto, Promovente recebeu em sua residência cartão de crédito da Ré, sem que
houvesse qualquer solicitação neste sentido.

Destaque-se que o Autor jamais procedeu o desbloqueio do


mesmo e que tentou, sem sucesso, contatar a demandada para obter explicações e, mais,
sobretudo, devolver o cartão.
3
Outrossim, mesmo sem utilizá-lo, recebeu uma fatura mensal de
débitos lançados em seu nome, maiormente sob a rubrica de anuidade.

Passado algum tempo, absurdamente o Autor FOI surpreendido


com a inscrição do SEU nome do mesmo junto aos órgãos de restrições , justamente pela
falta de pagamento da fatura que diz respeito à anuidade do referido cartão.

Em realidade, resta absolutamente claro que, na busca


desenfreada pelo lucro, a Ré encaminhou o cartão de crédito à residência do Autor
esperando que o mesmo aceitasse a ´benesse´ e acabasse aderindo à contratação da
empresa de cartão de crédito em referência. Aliás, é bem provável que a grande maioria das
vezes a Ré obtenha êxito com tal agir.

HOC IPSUM EST

(2) – NO MÉRITO

Como antes relatado, o Autor não fizera qualquer pedido de


cartão de crédito e muito menos assinara qualquer pacto neste sentido.

É sabido que todo cartão reclama desbloqueio, quando somente


após tal providência, que é de interesse e manifestação de vontade unicamente do
subscritor, do futuro usuário do cartão, é que poderá dele se utilizar. Não é com a assinatura
do AR de recebimento que assim acontece.
3
Entende-se, também, que a aceitação pode ocorrer por adesão,
quando efetivamente utilizado o cartão. Aliás, a própria administradora traz as formas de
adesão, como consta da cláusula padrão neste sentido.

De outro bordo, muito provavelmente a Ré comprou os dados


cadastrais do Autor de lojas comerciais, ou mesmo de outras fontes, e remeteu, sem a
prévia solicitação do Promovente, o referido cartão.

Não se deslembre que constitui infração ao CDC a remessa não


solicitada de cartão de crédito.

CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Art. 39 – É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas


abusivas:
(...)
III – enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia,
prévia, qualquer produto,
ou fornecer qualquer serviço;

À luz da disciplina legal acima descrita, convém ressaltar notas


de jurisprudência com esse mesmo prisma de entendimento:

CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO.


3
Ação de revisão C.C reparação por dano moral. Cerceamento de defesa.
Julgamento antecipado da lide. Possibilidade. Dilação probatória e realização de
prova pericial. Desnecessárias. O julgador pode, sem se ater à indigitada prova,
decidir a respeito da incidência ou não das cláusulas contratuais acoimadas de
ilegais. REVELIA. Efeitos. Presunção de veracidade de fatos alegados -Presunção
relativa. Revelia que não implica, por si só, na procedência dos pedidos
formulados na inicial. BANCO DE DADOS. Órgãos de proteção ao crédito. Faturas
do cartão de crédito não liquidadas, sequer pelo pagamento mínimo, na data de
vencimento. Inadimplemento por parte do devedor -Legalidade da inscrição. O.
DÉBITO AUTOMÁTICO. Cláusula que permite à administradora do cartão de
crédito lançar mão dos recursos existentes na conta mantida pelo devedor,
perante a instituição bancária, para o pagamento mínimo da fatura, em caso de
inadimplemento por parte deste. Conduta abusiva nos termos do art. 39, III, do
CDC -Inviável a restituição dos valores debitados, uma vez que foram utilizados
para abater o saldo devedor do cartão de crédito. A conduta da ré causou
transtornos e inúmeros dissabores aos autores. Dano moral caracterizado.
CARTÃO DE CRÉDITO. Envio sem a solicitação do consumidor - Cobrança de
anuidade e demais encargos. Violação ao art. 39, III, do CDC. Prática abusiva.
Dano moral configurado Atitude que deve ser coibida para evitar a prática de
novos ilícitos. INDENIZAÇÃO. Dano moral. Verba fixada razoavelmente, em
consonância com os parâmetros adotados por esta Colenda Câmara. REVISÃO
CONTRATUAL. Confusão na cobrança de juros e encargos contratuais, sem
qualquer distinção. Necessidade de demonstração pormenorizada de todos os
fatores que compõem tais encargos distintos dos juros contratados. Os valores
cobrados a título de remuneração pela garantia prestada e pelos serviços 3de
administração do financiamento são devidos, desde que expressamente
pactuados e discriminados, de forma individualizada. Inadmissibilidade da
cobrança de juros capitalizados. Valores a serem apurados em sede de liquidação
de sentença. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. Possibilidade. Cobrança após o
vencimento dos contratos. Normas do BACEN e Jurisprudência do C. Superior
Tribunal de Justiça. Aplicabilidade. Cálculo pela taxa média das instituições
financeiras, limitada à taxa de contrato. Ausência de potestividade. Incidência da
Súmula nº 294 do C Superior Tribunal de Justiça. Vedação da cobrança cumulada
com juros remuneratórios, juros de mora, correção monetária e multa contratual.
Sucumbência atribuída à ré por ter sucumbido em maior parte dos pedidos.
Recursos providos em parte. (TJSP
(TJSP - APL 9266274-28.2008.8.26.0000; Ac.
6438896; São Paulo; Décima Sexta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Candido
Alem; Julg. 30/07/2012; DJESP 17/01/2013)

APELAÇÃO. DIREITO CIVIL, DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL. AÇÃO


DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER E
PEDIDO DE INDENIZAÇÃO. PRELIMINAR DE INVALIDADE PROCESSUAL POR
DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO DE PARTE. PROCURAÇÃO. FOTOCÓPIA.
APRESENTAÇÃO DE ORIGINAIS. DESNECESSIDADE. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM
DE AUTENTICIDADE. FALSIDADE NÃO ARGUIDA. ATOS CONSTITUTIVOS DO
APELANTE. JUNTADA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA NOS AUTOS NÃO
CONFIRMADA. REJEIÇÃO. PRELIMINAR DE INVALIDADE DA SENTENÇA. SUPOSTA
INCONGRUÊNCIA DA DECISÃO OBJURGADA COM O ACERVO PROBATÓRIO E
OMISSÃO ACERCA DAS QUESTÕES ALEGADAS NA CONTESTAÇÃO. MATÉRIA
3
NÃO IMPUGNÁVEL EM SEDE DE PREFACIAL. NÃO CONHECIMENTO. CARTÃO DE
CRÉDITO NÃO SOLICITADO. PRÁTICA ABUSIVA. PROIBIÇÃO. INTELIGÊNCIA DO
ART. 39, III, DO CDC. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM CADASTRO DE INADIMPLENTES.
DANO MORAL IN RE IPSA.
IPSA. ARBITRAMENTO DA INDENIZAÇÃO. CONFORMIDADE
DA SENTENÇA COM PARÂMETROS LEGAIS E DOUTRINÁRIOS. DESPROVIMENTO.
Preliminar de invalidade processual por irregularidade na representação de parte.
Não caracteriza defeito de representação processual a juntada de fotocópia da
procuração outorgada ao patrono do litigante, mormente quando não houve
arguição de falsidade. Precedente do STJ: agrg no agrg no resp 1082062/al. A
cópia dos extratos da ata de reunião ordinária e o estatuto social são documentos
hábeis a demonstrar a constituição da pessoa jurídica demandada. Encontrando-
se estes elementos nos autos, descabe a alegação de irregularidade afeta à
atuação da entidade societária na lide. Rejeição. Prefacial de invalidade da
sentença. A matéria impugnável em sede de preliminar é de natureza processual e
tem por escopo a invalidação de atos que configurem error in procedendo ou o
indeferimento do recurso, por ausência ou irregularidade dos pressupostos de
admissibilidade. Fora desses quadrantes, descabe suscitar este tipo de questão.
Não conhecimento. Mérito. O envio de cartão de crédito sem solicitação do
consumidor configura prática abusiva, vedada pelo art. 39, iii, do CDC. A inscrição
do consumidor em cadastro de devedores por débito inexistente gera dano moral,
sendo desnecessária a demonstração do prejuízo à honra. O arbitramento da
reparação imaterial obedece a critérios legais e doutrinários, dentre eles, a
extensão do dano, a vedação ao enriquecimento sem causa, o potencial
econômico das partes e a tríplice finalidade da indenização. Reparatória, punitiva
e pedagógica. Correspondência do ato recorrido com estes balizamentos. Recurso
3
improvido. (TJPE
(TJPE - APL 0001945-10.2009.8.17.0470; Segunda Câmara Cível; Rel.
Juiz Conv. Demócrito Ramos Reinaldo; Julg. 19/12/2012; DJEPE 07/01/2013; Pág.
463)

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO


CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ENVIO DE CARTÃO DE
CRÉDITO SEM SOLICITAÇÃO. OFENSA AO ARTIGO 39, III, DO CÓDIGO DE DEFESA
DO CONSUMIDOR. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM CADASTRO DE RESTRIÇÃO AO
CRÉDITO. DANO MORAL PRESUMIDO.
PRESUMIDO.
1. O envio cartão de crédito sem que tenha sido solicitado, afronta o disposto no
art. 39, III, do CDC e caracterizase
caracterizase como prática abusiva causadora de dano moral
indenizável. "Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre
outras práticas abusiva: (...);III enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação
prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço". 2. O dano moral por
inclusão indevida em órgãos de proteção ao crédito independe de prova,
bastando ao autor a comprovação do fato e do nexo causal. Tratase
Tratase de dano in re
ipsa, no qual o dano decorre do próprio fato. Precedentes do STJ: AGRG no AG
1222004/SP, Rel. Min. ALDIR PASSARINHO Junior, DJe 16/06/2010; AGRG no
AREsp 116.379/SP, Rel. Min. SIDNEI BENETI, DJe 19/04/2012 e AGRG no RESP
1265919/SC, Rel. Min. MASSAMI UYEDA, DJe 27/04/2012. 3. A quantia fixada pelo
Juízo a quo em R$ 10.000,00 (dez mil reais), a título de danos morais, mostra se
coerente com o dano sofrido pela recorrida e em consonância com os parâmetros
adotados pelo Superior Tribunal de Justiça, devendo ser corrigida
monetariamente a partir do arbitramento (Súmula nº 362/STJ) e com juros 3de
mora à taxa de 1% ao mês (art. 406 do CC/2002) a partir da citação. 4. Recurso
conhecido e não provido. Sentença reformada de ofício (CPC art. 515 § 1º), tão
somente quanto à incidência de correção monetária e juros moratórios. (TJCE
(TJCE - AC
000180769.2009.8.06.0043;
000180769.2009.8.06.0043; Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Francisco Bezerra
Cavalcante; DJCE 28/11/2012; Pág. 73)

Nesse mesmo enfoque, mister gizar o magistério de Rizzato


Nunes:

“A norma é taxativa em proibir o envio ou a entrega ao consumidor sem que


este tenha previamente solicitado qualquer produto ou serviço. O pará grafo
ú nico sanicou a violaçã o á proibiçã o, dispondo que o produto e o serviço
enviado ou entregue sem solicitaçã o tornam-se gratuitos, equiparando-se às
conhecidas “amostra grátis” que os fornecedores utilizam para promover seus
produtos e serviços.
( . . .)
Acontece que alguns serviços fornecidos sem solicitaçã o implicam graves
violaçõ es aos direitos do consumidor, podendo causar-lhes severos danos. É o
caso, infelizmente bastante conhecido, porque muito praticado, dos
cartões de crédito.
crédito.
Sem que o consumidor tenha solicitado (aliá s, ele se surpreende), a
administradora do cartã o remete-lhe pelo correio o pró prio cartã o físico (de
plástico), informando que ele já (!) é um novo “associado” da administradora.
Em primeiro lugar, para abrir a conta do consumidor, cadastrá -lo e fornecer o
cartã o, a administradora violou sua privacidade, uma vez que manipulou seus
dados sem autorizaçã o. Depois, colocou em risco a imagem e o nome 3do
consumidor, pois, ao enviar o cartã o pelo correio, este poderia ter-se
extraviado ou sido subtraído, podendo gerar problemas para a pessoa do
consumidor, que tem seu nome impresso no cartã o (e nem desconfia do que
está acontecendo). “ (NUNES, Luiz Antô nio Rizzato. Comentário ao Código de
Defesa do Consumidor.
Consumidor. 6ª Ed. Sã o Paulo: Saraiva, 2011, pp. 572-573)
(Nã o existem os destaques no texto original)

Importa salientar que o Autor negou-se à contratação, tendo por


diversas vezes tentado comunicar à Requerida a respeito de seu desinteresse, sem obter
qualquer resposta conclusiva.

Resulta com isso concretizado o dano moral indenizável.

O fato danoso caracteriza-se pelos diversos inconvenientes e


dissabores advindos ao autor em razão da conduta descabida e indevida da Ré. Foram
meses de intranqüilidade em que o Autor tentou obter o cancelamento do contrato( com o
qual não tinha anuído ) e a desconstituição da dívida em seu indevidamente lançada. Mas a
Ré nada fez, a não ser encaminhar o débito para cobrança, culminando nas comunicações
expedidas pela SERASA (doc. 01) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito. (doc. 02).

Sopese-se, mais, que a relação jurídica entabulada entre as


partes é de consumo, sendo o Código de Defesa do Consumidor plenamente aplicável à
espécie, abrindo, no caso, a responsabilidade objetiva da Ré.

3
Na hipótese em estudo, resulta pertinente a responsabilização
da Requerida, independentemente da existência da culpa, nos termos do que estipula o
Código de Defesa do Consumidor.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos
à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.

A corroborar o texto da Lei acima descrita, insta transcrever as


lições de Fábio Henrique Podestá:

“Aos sujeitos que pertencerem à categoria de prestadores de serviço, que nã o


sejam pessoas físicas, imputa-se uma responsabilidade objetiva por defeitos
de segurança do serviço prestado, sendo intuitivo que tal responsabilidade é
fundada no risco criado e no lucro que é extraído da atividade. “(PODESTÁ ,
Fá bio; MORAIS, Ezequiel; CARAZAI, Marcos Marins. Código de Defesa do
Consumidor Comentado.
Comentado. Sã o Paulo: RT, 2010. Pá g. 147)

Existiu, em verdade, defeito na prestação de serviços, o que


importa na responsabilização objetiva do fornecedor, ora Promovida.

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. PROCESSO CIVIL. EFEITO SUSPENSIVO. NÃO


CABIMENTO. CONSUMIDOR. INCLUSÃO INDEVIDA DO NOME EM CADASTROS
3
DE INADIMPLENTES. DANO MORAL CONFIGURADO. ASTREINTES. PREVISÃO
LEGAL. VALOR RAZOÁVEL E PROPORCIONAL. RECURSO NÃO PROVIDO.
SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
1. Não demonstrados os riscos de dano irreparável, incabível a atribuição de efeito
suspensivo ao recurso (artigo 43, Lei n. 9.099/95)
2. O fato alegado pelo recorrido - inscrição indevida junto aos órgãos de proteção
ao crédito - restou incontroverso.
3. O artigo 14 e seu §1º da Lei n. 8078/90 atribui ao fornecedor responsabilidade
objetiva pelos danos que causar, oriundos da prestação defeituosa dos seus
serviços. A indevida inscrição do nome em órgãos de proteção ao crédito
caracteriza prestação defeituosa do serviço disponibilizado no mercado de
consumo, viola direito da personalidade, dispensa a prova do prejuízo, que se
presume, e deve ser indenizado. Sendo incontroversa a inexistência do débito que
gerou a inscrição do nome do consumidor em órgãos de proteção ao crédito,
cumpre à empresa fornecedora indenizar os danos morais decorrentes.
4. A multa processual prevista no artigo 461, § 4º do CPC tem por objeto garantir a
efetividade da tutela jurisdicional, sendo cabível sua fixação nas condenações em
obrigação de fazer.
5. O valor das astreintes foi fixado pelo magistrado em consonância com a
obrigação principal e em montante suficiente para assegurar o cumprimento da
obrigação de fazer, concernente na retirada no nome do recorrido do cadastro de
inadimplentes e, portanto, razoável e proporcional.
6. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios
fundamentos, com Súmula de julgamento servindo de acórdão, na forma do artigo
46, Lei nº 9099/95. Custas e honorários pelo recorrente vencido, estes fixados em
3
10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, artigo 55, da Lei n. 9.099/95.
(TJDF - Rec 2012.06.1.006550-0; Ac. 647.988; Primeira Turma Recursal dos
Juizados Especiais do Distrito Federal; Relª Juíza Wilde Maria Silva Justiniano
Ribeiro; DJDFTE 25/01/2013; Pág. 410)

Ademais, aplicável ao caso sub examine a doutrina do “risco


criado” (responsabilidade objetiva), que está posta no Código Civil, que assim prevê:

CÓDIGO CIVIL

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.

Parágrafo único - Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de


culpa,
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem.
outrem.

Nesse compasso, lúcidas as lições de Pablo Stolze Gagliano e


Rodolfo Pamplona Filho, novamente evidenciadas:

“Muitos desconhecer, mas KARL LARENZ, partindo do pensamento de HEGEL,


já havia desenvolvido a teoria da imputaçã o objetiva para o Direito Civil,
visando estabelcer limites entre os fatos pró prios e os acontecimentos
acidentais.
3
No dizer do Professor LUIZ FLÁ VIO GOMES: ‘A teoria da imputaçã o objetiva
consiste basicamente no seguinte: só pode ser responsabilizado penalmente
por um fato (leia-se a um sujeito só poder er imputado o fato), se ele criou ou
incrementou um risco proibido relavante e, ademais, se o resultado jurídico
decorreu desse risco. ‘
Nessa linha de raciocínio, se alguém cria ou incrimenta uma situaçã o de risco
nã o permitido, responderá pelo resultado jurídico causado, a exemplo do que
corre quando alguém da causa a um acidente de veículo, por estar embrigado
( criado do risco proibido), ou quando se nega a prestar auxílio a alguém que
se afoga, podendo fazê-lo, caracterizando a omissã o de socorro (incremento
do risco).
Em todoas essas hipó teses, o agente poderá ser responsabilizado penalmente,
e, porque nã o dizer, para aqueles que admitem a incidência da teoria no
âmbito do Direito Civil. “ (GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO,
Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil. 10ª Ed. Sã o Paulo: Saraiva, 2012, p. 146)

Neste contexto, cumpre-nos evidenciar alguns julgados:

RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS.


NEGATIVAÇÃO INDEVIDA.
Indenização por danos morais decorrentes de indevido apontamento negativo em
nome do autor. Cobrança de débito resultante de contrato de financiamento não
contratado pelo autor. A ré lançou o nome do autor no cadastro de inadimplentes.
O dano moral tem natureza in re ipsa e, por isso, prescinde de demonstração.
3
Aplicação na espécie da teoria do risco, acolhida pelo art. 927, parágrafo único, do
Código Civil, que responsabiliza aquele que cria o risco com o desenvolvimento da
sua atividade independentemente de culpa. Indenização por dano moral que deve
ser fixada com moderação levando em conta as circunstâncias do caso. Majoração
da indenização de R$ 6.220,00 para R$ 15.000,00. Negado provimento ao recurso
da ré. Parcial provimento ao recurso do autor para majorar o valor da indenização,
bem como, os honorários advocatícios de sucumbência. (TJSP
(TJSP - APL 0226847-
66.2011.8.26.0100; Ac. 6423315; São Paulo; Décima Câmara de Direito Privado;
Rel. Des. Carlos Alberto Garbi; Julg. 18/12/2012; DJESP 22/01/2013)

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO


OCORRÊNCIA. PRECLUSÃO. ROMPIMENTO DE BARRAGEM. ATO ILÍCITO
DEMONSTRATO. TEORIA DO RISCO. INTELIGÊNCIA DO ART. 927 DO CC. DANOS E
NEXO CAUSAL COMPROVADOS. CHUVAS OCORRIDAS NO PERÍODO DO
ROMPIMENTO. POTENCIALIZAÇÃO DO DANO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. FIXAÇÃO
DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. EMBARGOS DECLARATÓRIOS
OPOSTOS. FIXAÇÃO DE MULTA POR INTUITO MERAMENTE PROTELATÓRIO.
NÃO VERIFICAÇÃO. RETIRADA DA PENALIDADE. SENTENÇA REFORMADA
PARCIALMENTE.
Com a adoção da teoria do risco, é a empresa responsável a reparar os danos
oriundos de sua atividade, independentemente da demonstração de culpa,
devendo ser comprovado apenas, para configurar o dever de indenizar, o dano e o
nexo causal. -A enchente decorrente das fortes chuvas ocorridas não afasta3 a
responsabilidade da apelante, já que o rompimento da barragem contribuiu de
forma relevante para a ampliação dos danos e, consequentemente na majoração
das proporções da enchente. -A fixação da indenização por danos morais pauta-se
pela aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, tendo por
finalidade compensar o ofendido pelo constrangimento indevido que lhe foi
imposto e, por outro lado, desestimular o ofensor a, no futuro, praticar atos
semelhantes. -Os Embargos Declaratórios opostos com a finalidade de
prequestionar e de sanar omissões, obscuridades e contradições, não enseja a
condenação em multa. (TJMG
(TJMG - APCV 1.0439.07.074254-9/001; Rel. Des.
Wanderley Paiva; Julg. 28/11/2012; DJEMG 30/11/2012)

APELAÇÕES CÍVEIS. CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTENTE. CONGRUENTE


APLICAÇÃO DO ART. 330 DO CPC. DANO MORAL. ACIDENTE DE TRABALHO.
ENFERMIDADE DECORRENTE DE RISCO PRÓPRIO DA ATIVIDADE LABORAL.
TEORIA DO RISCO. APLICAÇÃO DO ART. 927, § ÚNICO DO CÓDIGO CIVIL. NEXO
DE CAUSALIDADE CONFIRMADO. TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA.
MAJORAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. RECURSOS CONHECIDOS.
IMPROVIMENTO DO APELO INTERPOSTO PELO RÉU. PROVIMENTO PARCIAL DO
APELO MANEJADO PELO AUTOR.
1 Tratase
Tratase de Apelações Cíveis interpostas por município e servidor (motorista do
carro de coleta de lixo), em face de sentença proferida nos autos da Ação de
Indenização por Acidente de Trabalho, manejada pelo segundo apelante contra o
ente federativo, em que se julgou parcialmente procedente a causa, com a
condenação do polo réu ao pagamento de 40 (quarenta) salários mínimos ao

3
autor, uma vez que este teria adquirido úlcera de córnea, causada por bactéria
proveniente de lixo, resultando na cegueira de um de seus olhos.
2 Preliminar de cerceamento de defesa decorrente do julgamento antecipado da
lide improcedente; em observância ao Princípio da Razoável Duração do Processo,
extraise
extraise que, vislumbrado, no caso concreto, substrato jurídico suficiente à pronta
solução da lide, nos termos do art. 330 do CPC, por ordem de Celeridade e
Eficiência da Prestação Jurisdicional, exigese
exigese do magistrado a aceleração do
trâmite do feito.
3 Motorista de caminhão de lixo está, em decorrência de sua atividade laboral,
exposto a risco de saúde, razão pela qual, em se tratando de acidente de trabalho,
devese
devese aplicar o regime jurídico da Responsabilidade Civil Objetiva, conforme
positivado no art. 927, § único do Código Civil, afastandose,
afastandose, por conseguinte, a
perquirição de culpa do Município réu e exigindose
exigindose a verificação, tão somente, dos
quesitos de dano e nexo de causalidade.
4 Sendo o risco decorrente do labor a razão mais razoável a desencadear a
consequência danosa sofrida pelo autor, por aplicação da Teoria da Causalidade
Adequada, temse
temse por configurado o nexo de causalidade entre o dano sofrido e a
atividade laboral, constituindo todos os elementos a ensejar a relação
responsabilizadora do Município réu, em face do polo autoral.
5 Em relação à indenização, por assumir papel compensatório, em virtude de ser
originária de um dano moral, o seu valor deve atentar para os seguintes critérios:
Ser suficiente para a compensação do dano, razoável para que não cause
enriquecimento ilícito ao beneficiário e proporcional ao potencial econômico da
parte condenada. Precedentes do STJ.

3
6 Apelos conhecidos para NEGAR PROVIMENTO ao apelo interposto pelo polo réu
e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao manejado pelo autor, reformando a sentença
singular para estabelecer o quantum indenizatório em R$ 20.000,00 (vinte mil
reais), sem prejuízo da contabilização de juros moratórios a partir do evento
danoso (Súmula nº 54 do STJ) e correção monetária a partir da presente fixação
(Súmula nº 362 do STJ). Condenase
Condenase ainda o Município réu ao pagamento das
custas processuais e dos honorários advocatícios, ficando estes arbitrados, por ser
vencida a Fazenda Pública, nos ditames do art. 20, § 4º do CPC, em R$ 500,00
(quinhentos reais). (TJCE
(TJCE - APL 116375.2003.8.06.0128/1;
116375.2003.8.06.0128/1; Quinta Câmara Cível;
Rel. Des. Clécio Aguiar de Magalhães; DJCE 30/04/2012; Pág. 40)

Destarte, a responsabilidade civil, à luz do Código de Defesa do


Consumidor, é objetiva.

(2.1.) – DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

A inversão do ônus da prova se faz necessária na hipótese em


estudo, vez que a inversão é “ope legis” e resulta do quanto contido no Código de Defesa do
Consumidor.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos

3
à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
[...]
§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro .

À Ré, portanto, caberá, face a inversão do ônus da prova,


evidenciar se a inserção indevida do nome do Autor nos órgãos de restrições foi devido a
algum proceder inadvertido do Autor (consumidor), ou, de outro bordo, em face de
terceiro(s), que é justamente a regra do inc. II, do art. 14, do CDC, acima citado.

Nesse sentido, de todo oportuno evidenciar as lições de Rizzatto


Nunes:

“Já tivemos oportunidade de deixar consignado que o Có digo de Defesa do


Consumidor constituir-se num sistema autô nomo e pró prio, sendo fonte
primá ria (dentro do sistema da Constituiçã o) para o intérprete.
Dessa forma, no que respeita à questã o da produçã o de provas, no processo
civil, o CDC é o ponto de partida, aplicando-se a seguir, de forma
complementar, as regras do Có digo de Processo Civil (arts. 332 a 443).
“( NUNES, Luiz Antô nio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do
Consumidor.
Consumidor. 6ª Ed. Sã o Paulo: Saraiva, 2011, pp. 215-216)

3
Também é por esse prisma é o entendimento de Ada Pellegrini
Grinover:

“Já com a inversã o do ô nus da prova, aliada à chamada ‘culpa objetiva’, não há
necessidade de provar-se dolo ou culpa, valendo dizer que o simples fato de
ser colocar no mercado um veículo naquela condiçõ es que acarrete, ou possa
acarretar danos, já enseja uma indenizaçã o, ou procedimento cautelar para
evitar os referidos danos, tudo independemente de se indagar de quem foi a
negligência ou imperícia, por exemplo. “ (GRINOVER, Ada Pellegrini [et
[et tal].
tal].
Código de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto.
anteprojeto. 10ª
Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 158)

É altamente ilustrativo transcrever os seguintes julgados:

DIREITO DO CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. TELEFONIA MÓVEL.


DEFEITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ALTERAÇÃO DE PLANO E COBRANÇA
INDEVIDA. DANOS MORAIS.
1. Acórdão elaborado de conformidade com o disposto no art. 46, da Lei nº
9.099/1995 e arts. 12, inciso IX, 98 e 99 do Regimento Interno das Turmas
Recursais. Recurso próprio, regular e tempestivo.
2. Usuária de linha telefônica pré-paga que tem o seu contrato alterado para o
plano pós-pago, sem solicitação. Alegação da operadora de que a consumidora
solicitou alteração no plano, sem respaldo em prova idônea, qual seja, a gravação
do serviço de atendimento ao cliente. Inversão do ônus da prova em favor da
consumidora, na forma do art. 6º, inciso VIII do CDC.
3
3. Suspensão dos serviços com grave repercussão no cotidiano da autora. Danos
morais caracterizados. Indenização fixada em R$ 5.000,00, que atende aos
critérios de repressão e prevenção ao ilícito. Sentença que se confirma pelos seus
próprios fundamentos.
4. Recurso conhecido, mas não provido. Custas processuais e honorários
advocatícios, no valor de R$ 800,00, pelo recorrente. (TJDF
(TJDF - Rec
2012.01.1.096058-5; Ac. 647.710; Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais
do Distrito Federal; Rel. Juiz Aiston Henrique de Sousa; DJDFTE 25/01/2013; Pág.
437)

RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS. CURTO CIRCUITO EM LINHA DE TRANSMISSÃO DE
ENERGIA ELÉTRICA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. RELAÇÃO DE CONSUMO.
VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES E HIPOSSUFICIÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS
PREENCHIDOS. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
1. A inversão do ônus da prova é medida excepcional, aplicável nas hipóteses em
que forem verificados os requisitos necessários, quais sejam, a verossimilhança
das alegações ou quando a parte for hipossuficiente.
2. No caso concreto, à concessionária dos serviços de fornecimento de energia
elétrica deve ser imposto o ônus de provar eventual excludente de
responsabilidade pelos danos causados por curto circuito em linha de transmissão
da rede elétrica. Hipossuficiência do consumidor. (TJMT
(TJMT - AI 13474/2012; Segunda
Câmara Cível; Relª Desª Clarice Claudino da Silva; Julg. 16/01/2013; DJMT
24/01/2013; Pág. 34) 3
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FORNECIMENTO DE ÁGUA E COLETA DE ESGOTO.
COBRANÇA. RELAÇÃO DE CONSUMO. HIPOSSUFICIÊNCIA TÉCNICA DA AUTORA.
CONSTATAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Aplicação do artigo 6º, VIII do Código de Defesa do Consumidor. Admissibilidade.
Efetiva utilização, pelos réus, dos serviços cobrados. Comprovação. Ausência.
Ônus do qual a autora não se desincumbiu. Sentença mantida. Recurso improvido.
(TJSP - APL 0486973-44.2010.8.26.0000; Ac. 6444178; São Paulo; Trigésima
Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Rocha de Souza; Julg. 17/01/2013;
DJESP 24/01/2013)

(2.2.) – “PRETIUM DOLORIS”

Cabe primeiramente salientar que provado o fato que gerou o


dano moral, no caso em vertente a inscrição indevida do nome do Autor junto aos órgãos de
restrições, impõe-se a condenação da Promovida.

Pelas normas de consumo, resulta expressa a adoção da


responsabilidade civil objetiva, assim conceituada pela professora Maria Helena Diniz:

"Na responsabilidade objetiva, a atividade que gerou o dano é lícita, mas


causou perigo a outrem, de modo que aquele que a exerce, por ter a obrigaçã o
de velar para que dele não resulte prejuízo, terá o dever ressarcitó rio, pelo
simples implemento do nexo causal.
causal. A vítima deverá pura e
simplesmente demonstrar o nexo da causalidade entre o dano e a ação
3
que o produziu"
produziu" (in, Curso de Direito Civil Brasileiro.
Brasileiro. 24ª ed. Saraiva: 2010,
7º vol, p. 53).
( destacamos )

De outro plano, o Código Civil estabeleceu-se a regra clara de


que aquele que for condenado a reparar um dano, deverá fazê-lo de sorte que a situação
patrimonial e pessoal do lesado seja recomposta ao estado anterior . Assim, o montante da
indenização não pode ser inferior ao prejuízo. Há de ser integral, portanto.

CÓDIGO CIVIL

Art. 944 – A indenização mede-se pela extensão do dano.

Nesta esteira de raciocínio, emérito Julgador, cumpri-nos


demonstrar a extensão do dano( e não o dano ).

DANO MORAL

É consabido que a moral é um dos atribudos da personalidade,


tanto assim que Cristiano Chaves de Farias e Nélson Rosenvald professam que:

“Os direitos da personalidade sã o tendentes a assegurar a integral proteçã o da


pessoa humana, considerada em seus mú ltiplos aspectos (corpo, alma e
intelecto). Logo, a classificaçã o dos direitos da personalidade tem de

3
corresponder à projeçã o da tutela jurídica em todas as searas em que atua o
homem, considerados os seus mú ltiplos aspectos biopsicoló gicos.
Já se observou que os direitos da personalidde tendem à afirmaçã o da pelna
integridade do seu titular. Enfim, da sua dignidade.
Em sendo assim, a clssificaçã o deve ter em conta os aspectos fundamentais da
personalidade que sã o: a integridade física ( direito à vida, direito ao corpo,
direito à saú de ou inteireza corporal, direito ao cadá ver . . . ), a integridade
intelectual (direito à autoria científica ou literária, à liberdade religiosa e de
expressã o, dentre outras manifestaçõ es do intelecto) e a integridade moral ou
psíquica (direito à privacidade, ao nome, à imagem etc). (FARIAS, Cristiano
Chaves de; ROSENVALD, Nélson. Curso de Direito Civil.
Civil. 10ª Ed. Salvador:
JusPodvim, 2012, pp. 200-201)

Segundo Yussef Said Cahali caracteriza o dano moral:

“Parece mais razoá vel, assim, caracterizar o dano moral pelos seus pró prios
elementos; portanto, ‘como a privaçã o ou diminuiçã o daqueles bens que têm
um valor precípuo na vida do homem e que sã o a paz, a tranquilidade de
espírito, a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a
honra e demais sagrados afetos’; classificando-se, desse modo, em dano que
afeta a ‘parte social do patrimô nio moral’ (honra, reputaçã o etc) e dano que
molesta a ‘parte afetiva do patrimô nio moral’ (dor, tristeza, saudade etc); dano
moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz
deformante etc) e dano moral puro (dor, tristeza etc.). “ (CAHALI, Yussef Said.
Dano moral.
moral. 4ª Ed. Sã o Paulo: RT, 2011, pp. 20-21)
3
Quanto ao valor da reparação, tocantemente ao dano moral,
assevera Caio Mário da Silva Pereira, que:

“Quando se cuida de reparar o dano moral, o fulcro do conceito ressarcitó rio


acha-se deslocado para a convergência de duas forças: `caráter punitivo`
para que o causador do dano, pelo fato da condenaçã o, se veja castigado pela
ofensa que praticou; e o `caráter compensatório` para a vítima, que receberá
uma soma que lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal sofrido. “
(PEREIRA, Caio Mário da Silva (atualizador Gustavo Tepedino).
Responsabilidade Civil.
Civil. 10ª Ed. Rio de Janeiro: GZ Ed, 2012, p. 78)
(destacamos)

Nesse mesmo compasso de entendimento, leciona Arnaldo


Rizzardo que:

“Nã o existe uma previsão na lei sobre a quantia a ser ficada ou arbitrada. No
entanto, consolidaram-se alguns critérios.
Domina a teoria do duplo caráter da repaçã o, que se estabelece na finalidade
da digna compensaçã o pelo mal sofrido e de uma correta puniçã o do causador
do ato. Devem preponderar, ainda, as situaõ es especiais que envolvem o caso,
e assim a gravidade do dano, a intensidade da culpa, a posiçã o social das
partes, a condiçã o econô mica dos envolvidos, a vida pregressa da pessoa que

3
tem o título protestado ou o nome negativado. “ (RIZZARDO, Arnaldo.
Responsabilidade Civil.
Civil. 4ª Ed. Rio de Janeiro, Forense, 2009, p. 261)

No caso em debate, ficou cabalmente demonstrada a ilicitude do


defeito na prestação do serviço, inclusive com a inserção do nome do Autor junto aos
cadastros de maus pagadores, o que não se pode negar que este fato trouxe a mesma forte
constrangimento, angústia e humilhação, capazes, por si só, de acarretar dano moral de
ordem subjetiva e objetiva.

Desta maneira, o nexo causal ficou claríssimo. Logo, evidente


está o dano moral suportado pela Autora, devendo-se tão-somente ser examinada a questão
do quantum indenizatório.

É certo que o problema da quantificação do valor econômico a


ser reposto ao ofendido tem motivado intermináveis polêmicas, debates, até agora não
havendo pacificação a respeito. De qualquer forma, doutrina e jurisprudência são pacíficas
no sentido de que a fixação deve se dá com prudente arbítrio, para que não haja
enriquecimento à custa do empobrecimento alheio, mas também para que o valor não seja
irrisório.

Ademais, a indenização deve ser aplicada de forma casuística,


supesando-se a proporcionalidade entre a conduta lesiva e o prejuízo enfrentado pela
ofendida, de forma que, em consonância com o princípio neminem laedere, inocorra o
lucuplemento da vítima quanto a cominação de pena tão desarrazoada que não coíba o
infrator de novos atos.
3
Não precisamos ir longe para compreendermos o potencial
financeiro das promovidas, sobretudo da segunda ré(instituição financeira).

Desse modo, à luz das circunstâncias fáticas que envolvem o


episódio e, outrossim, com supedâneo nos fundamentos jurídicos acima descritos, o Autor
pede a condenação dos Réus ao pagamento da quantia de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), a
títulos de reparação pelos danos morais ocasionados.

(2.3.) – PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

O Código de Processo Civil autoriza o Juiz conceder a


antecipação de tutela “existindo prova inequívoca” e “dano irreparável ou de difícil
reparação”:

Art. 273 - O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os


efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca,
se convença da verossimilhança da alegação e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou


II - ...

§ 1° - Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as


razões do seu convencimento.

3
§ 2° - Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de
irreversibilidade do provimento antecipado.

§ 3° A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e conforme sua


natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4° e 5°, e 461-A.

Há nos autos “prova inequívoca” da ilicitude cometida pela Ré,


fartamente comprovada por documentos imersos nesta pendenga, maiormente com o
comprovante de inserção do nome do Autor junto aos órgãos de restrições.

Há, outrossim, fundado receio de dano irreparável, porquanto o


Autor, encontra-se como seu nome inserto nos cadastros de inadimplentes, o que lhes vem
trazendo seqüelas de irreparáveis, sobretudo no campo profissional(quando está impedida
de obter novos trabalhos, visto que, em regra, as empresas consultam antes os órgãos de
restrições antes de admitir o empregado); no campo financeiro (porquanto encontra-se
impedida de obter novos empréstimos e sequer conseguir um talonário de cheque, abrir
conta corrente, etc., por uma questão de procedimento inclusive do BACEN) e na seara
emocional(jamais terá de volta a paz e a tranqüilidade que antes a tinha, quando não tinha
seu nome “negativado” nos órgãos de restrições).

Sobre “prova inequívoca”, Luiz Guilherme Marinoni doutrina:

“. . . a denominada ‘prova inequívoca’, capaz de convencer o juiz da


‘verossimilhança da alegação’, somente pode ser entendida como a ‘prova
3
suficiente’ para o surgimento do verossímil, entendido como o não suficiente para
a declaração da existência ou inexistência do direito” (In,
(In, A antecipação de tutela,
tutela,
3ª edição rev. e ampl., Ed. Malheiros, página 155).

Neste mesmo propósito, Cândido Rangel Dinamarco:

“convencer-se da verossimilhança, não poderia significar mais do que imbuir-se do


sentimento de que a realidade fática pode ser como a descreve o autor.” (In,
(In, A
Reforma do Código de Processo Civil,
Civil, Editora Falheiros, 2ª Ed., p. 143)

Diante destas circunstâncias jurídicas, faz-se mister a


concessão da tutela antecipada, o que sustentamos à luz dos ensinamentos de Nelson Nery
Junior:

"Não há discricionariedade como alguns enganadamente têm apregoado ou


entendido, pois discricionariedade implica em possibilidade de livre escolha, com
dose de subjetividade, entre dois os mais caminhos, mencionados pela lei que
confere o poder discricionário. A admissão da prova 'leviores
'leviores'' (para a concessão
das liminares), como diz Saraceno, "não constitui para o juiz um simples conselho,
mas uma verdadeira e própria disposição com efeito vinculativos para o juiz, que é
obrigado a acolher a demanda ainda se a prova fornecida não chegar a dar-lhe a
certeza'." (In,
(In, Princípios do processo civil na Constituição Federal,
Federal, São Paulo: Ed.
Rev. dos Tribunais, 7ª ed., p. 150).

3
Por conseguinte, basta a presença dos dois pressupostos acima
mencionados, para o deferimento da tutela antecipada almejada.

A respeito do fumus boni juris, leciona Vicente Greco Filho:

"O fumus boni juris não é um prognóstico de resultado favorável no processo


principal, nem uma antecipação do julgamento, mas simplesmente um juízo de
plausibilidade, perspectiva essa que basta para justificar o asseguramento do
direito" (Direito Processual Civil Brasileiro, 3º vol., São Paulo: Saraiva, 13ª ed., p.
76).

A reversibilidade da medida também é evidente, uma vez que a


Ré, se vencedora na lide, poderá incluir o nome do Autor junto aos órgãos de crédito.

Diante disso, o Autor vem pleitear, sem a oitiva prévia da parte


contrária, tutela antecipada no sentido de:

a) determinar que a Ré exclua, no prazo de cinco(5) dias, o nome do


Promovente dos cadastros de inadimplenstes, inclusive junto ao CCF
do Bacen, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00(mil reais);

(3) – P E D I D O S e R E Q U E R I M E N T O S

POSTO ISSO,
3
como últimos requerimentos desta Ação Indenizatória, o Autor requer que Vossa Excelência
se digne de tomar as seguintes providências:

a) Determinar a citação da Requerida, por carta, com AR, instando-a, para,


querendo, apresentar defesa no prazo legal, sob pena de revelia e confissão;

b) pede, mais, sejam JULGADOS PROCEDENTES OS PEDIDOS


FORMULADOS NESTA AÇÃO, anulando o ato de inscrição do nome do Autor
nos órgãos de restrições, condenando a Ré ao pagamento de indenização a
título de reparação por danos morais, a ser estipulado por Vossa Excelência
por equidade, não menos que R$ 30.000,00 (trinta mil reais);

c) pleiteia, mais, que a Ré seja condenada, por definitivo, a não inserirem o


nome do Autor junto aos órgãos de restrições, sob pena de pagamento de
multa diária de R$ 1.000,00(mil reais), consoante regra do art. 461, § 4º, do
CPC;

d) que todos os valores acima pleiteados sejam corrigidos monetariamente,


conforme abaixo evidenciado:

Súmula 43 do STJ – Incide correção monetária sobre dívida por


ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.

Súmula 54 do STJ – Os juros moratórios fluem a partir do


evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual.
3
e) seja a Requerida condenada ao pagamento de honorários de 20%(vinte por
cento) sobre o valor da condenação, mormente levando-se em conta o
trabalho profissional desenvolvido pelo patrono da Autora, além do pagamento
de custas e despesas, tudo também devidamente corrigido.

Protesta prova o alegado por todos os meios admissíveis


em direito, assegurados pela Lei Fundamental(art. 5º, inciso LV, da C.Fed.), notadamente
pelos depoimentos dos réus, pena de tornarem-se confitentes fictos, oitiva de testemunhas a
serem arroladas oportuno tempore, junta posterior de documentos como contraprova,
perícia, tudo de logo requerido.

Atribui-se a presente Ação o valor de R$ 30.000,00 (trinta


mil reais).

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