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Direito e Legislação Comercial

Walter Matheus Bernardino Silva

Curso Técnico em Finanças


Direito e Legislação
Comercial
Walter Matheus Bernardino Silva

Cuiabá-MT
2014

Nome da Aula 1 e-Tec Brasil


Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
Diretoria de Integração das Redes de Educação Profissional e Tecnológica

© Este caderno foi elaborado em parceria entre o Instituto Federal de Educação,


Ciência e Tecnologia/RO, o Ministério da Educação e a Universidade Federal de Mato
Grosso para o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil – e-Tec Brasil.

Equipe de Revisão Instituto Federal de Educação, Ciência e Tec-


nologia de Rondônia - IFRO
Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT
Coordenação Institucional Campus Porto Velho Zona Norte
Carlos Rinaldi
Direção-Geral
Coordenação de Produção de Material Miguel Fabrício Zamberlan
Didático Impresso
Pedro Roberto Piloni Direção de Administração e Planejamento
Gilberto Laske
Designer Educacional
Izabel Solyszko Gomes
Departamento de Produção de EaD
Ariádne Joseane Felix Quintela
Designer Master
Neure Rejane Alves da Silva
Coordenação de Design Visual e Ambientes
Ilustração de Aprendizagem
Cláudia Santos Rafael Nink de Carvalho

Diagramação Coordenação da Rede e-Tec


Cláudia Santos Ruth Aparecida Viana da Silva

Revisão de Língua Portuguesa


Marta Maria Covezzi

Revisão Final
Marta Magnusson Solyszko

Projeto Gráfico
Rede e-Tec Brasil / UFMT

Direito e Legislação Comercial - Finanças

S586d Silva,Walter Matheus Bernardino.

Direito e legislação comercial / Walter Matheus Bernardino Silva. – Cuiabá: Ed.UFMT, 2013.

104 p.
Curso Técnico – Rede E- Tec. (IFRO)

ISBN 978-85-68172-09-4

1. Direito Comercial - Brasil. 2. Direito do Consumidor - Brasil. Contratos Comerciais – Brasil. I. Título.

CDU 347.7

Ficha Catalográfica Elaborada por Almira de Araújo Medeiros – CRB1 2.327


Apresentação Rede e-Tec Brasil

Prezado(a) estudante

Bem-vindo(a) à Rede e-Tec Brasil!

Você faz parte de uma rede nacional de ensino que, por sua vez, constitui uma das
ações do Pronatec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. O Pro-
natec, instituído pela Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, in-
teriorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT)
para a população brasileira propiciando caminho de acesso mais rápido ao emprego.

É neste âmbito que as ações da Rede e-Tec Brasil promovem a parceria entre a Se-
cretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e as instâncias promo-
toras de ensino técnico, como os institutos federais, as secretarias de educa-
ção dos estados, as universidades, as escolas e colégios tecnológicos e o Sistema S.

A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e grande diversi-


dade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao garantir aces-
so à educação de qualidade e ao promover o fortalecimento da formação de jovens mo-
radores de regiões distantes, geográfica ou economicamente, dos grandes centros.

A Rede e-Tec Brasil leva diversos cursos técnicos a todas as regiões do país, incentivando os
estudantes a concluir o ensino médio e a realizar uma formação e atualização contínuas. Os
cursos são ofertados pelas instituições de educação profissional e o atendimento ao estudan-
te é realizado tanto nas sedes das instituições quanto em suas unidades remotas, os polos.

Os parceiros da Rede e-Tec Brasil acreditam em uma educação profissional quali-


ficada – integradora do ensino médio e da educação técnica - capaz de promover o ci-
dadão com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das di-
ferentes dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e ética.

Nós acreditamos em você!


Desejamos sucesso na sua formação profissional!
Ministério da Educação
Abril de 2014
Nosso contato
etecbrasil@mec.gov.br

3 Rede e-Tec Brasil


Indicação de Ícones

Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de lin-


guagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.

Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.

Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto


ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estuda-
do.

Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão


utilizada no texto.

Mídias integradas: remete o tema para outras fontes: livros, filmes,


músicas, sites, programas de TV.

Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes


níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e con-
ferir o seu domínio do tema estudado.

Reflita: momento de uma pausa na leitura para refletir/escrever so-


brepontos importantes e/ou questionamentos.

5 Rede e-Tec Brasil


Palavra do Professor-autor

Estimado(a) estudante,

Seja bem vindo ao componente curricular Direito Comercial.

É com grande satisfação que apresentamos a você o conteúdo deste compo-


nente curricular, com carga horária de 40 horas.

Almejamos que o presente curso e o aprendizado dele decorrente tragam


elementos suficientes para que você consiga alcançar espaço e bom desem-
penho no mercado de trabalho.

Durante o curso, você terá a oportunidade de interagir por meio da pla-


taforma Moodle e participar de chat, fóruns, realizar atividades individuais
e em grupo, o que lhe proporcionará o crescimento e aperfeiçoamento do
aprendizado.

Vamos aprender juntos, somos parceiros nesta etapa da sua formação,


conte conosco, pois nós contamos com sua participação e sua dedicação.

7 Rede e-Tec Brasil


Apresentação da Disciplina

Neste caderno, nossos estudos terão como objeto o componente curricu-


lar Direito Comercial, modernamente conhecido como direito empresa-
rial, no qual abordaremos, dentre outros, os direitos do consumidor, os
contratos comerciais, as empresas e sua função social, o micro e pequeno
empresário, as questões tributárias e fiscais, as leis e artigos relacionados
ao antigo direito comercial.

Esses temas são muito importantes para o direito comercial, que consiste
em um dos ramos do direito no qual se estuda as normas que disciplinam
as atividades comerciais/empresariais desenvolvidas no exercício das prá-
ticas econômicas no país.

Assim, referidos assuntos possuem grande relevância para o futuro pro-


fissional do(a) técnico(a) em finanças, já que sua atuação profissional está
diretamente ligada às práticas comerciais de um modo geral. É impres-
cindível que esse(a) profissional conheça os assuntos e institutos tratados
neste caderno, a fim de pensar e colocar em prática os ensinamentos ad-
quiridos no curso em questão, principalmente quando ingressar no mer-
cado de trabalho.

Sendo assim, bons estudos e sucesso em seu aprendizado.

9 Rede e-Tec Brasil


Sumário

Aula 1 – Direitos do Consumidor 15


1.1 Noções introdutórias 15
1.2 Consumidor 16
1.3 Fornecedor 17
1.4 Produtos e serviços 17
1.5 Relação de consumo 18
1.6 Sistema de proteção dos consumidores: princípios ou diretri-
zes 18

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 23
2.1 Noções introdutórias 23
2.2 Direito à segurança, à vida e à saúde 24
2.3 Direito à educação e à informação para o consumo 24
2.4 Proteção contra práticas abusivas 24
2.5 Direito à prevenção e reparação de danos 26
2.6 Direito à facilitação do acesso à justiça para defesa de seus
direitos 27
2.7 Direito à inversão do ônus da prova 27
2.8 Direito à adequada prestação dos seviços públicos em ge-
ral 28
2.9 Direitos decorrentes de defeitos no produto ou serviço 28
2.10 Direito ao arrependimento 29
2.11 Forma do consumidor fazer valer seus direitos 29
2.12 Prazos para reclamar 30

Aula 3 – Contratos Comerciais 33


3.1 Noções introdutórias 33
3.2 Contrato de compra e venda mercantil 35
3.3 Contrato de mandato mercantil 36
3.4 Contrato de comissão mercantil 37

11 Rede e-Tec Brasil


3.5 Contrato de representação comercial 37
3.6 Contrato de franquia ou franchising 38
3.7 Contrato de distribuição 39
3.8 Contrato de seguro 40

Aula 4 – Contratos Bancários 45


4.1 Noções introdutórias 45
4.2 Contrato de mútuo 46
4.3 Contrato de depósito 47
4.4 Contrato de alienação fiduciária em garantia 47
4.5 Contrato de arrendamento mercantil (leasing) 48
4.6 Contrato de faturização ou factoring 49
4.7 Contrato de fiança bancária 49
4.8 Contrato de cartão de crédito 48

Aula 5 – Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das


Empresas 55
5.1 Noções introdutórias 55
5.2 Empresário 55
5.3 Sociedade empresarial (empresa) 56
5.4 Estabelecimento comercial 57
5.5 Nome empresarial 58
5.6 Tipos de sociedades empresariais 59
5.7 Função social das sociedades empresariais 65

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 71


6.1 Noções introdutórias 71
6.2 Micro e pequenos empresários 72
6.3 Impedimentos para enquadramento como micro ou peque-
no empresário 73
6.4 Regime jurídico dos micro e pequenos empresários 75
6.5 Principais benefícios previstos na lei complementar n. 123/
2006 77

Rede e-Tec Brasil 12 Direito e Legislação Comercial


Aula 7 – Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prá-
tica Empresarial 85
7.1 Noções introdutórias 85
7.2 Tributo: conceito e espécies 86
7.3 Competência tributária e atividade empresarial 91
7.4 Função dos tributos 92
7.5 Planejamento tributário e fiscal 93

Aula 8 – Leis e Artigos Relacionados ao Antigo Direito Comer-
cial: Evolução Histórica 97
8.1 Noções introdutórias 97
8.2 Origem do direito comercial 98
8.3 O direito comercial no Brasil 100

Palavras finais 105
Guia de soluções 106
Referências 111
Obras consultadas 115
Bibliografia básica 117
Currículo do Professor-autor 119

13 Rede e-Tec Brasil


Aula 1 - Direitos do Consumidor

Objetivos:

• identificar os sujeitos e o objeto da relação e consumo;

• distinguir os fundamentos dos direitos do consumidor.

Estimado(a) estudante,

Esta é a nossa primeira aula da disciplina Direito e Legislação Comercial.


Iniciaremos nossas reflexões com o estudo dos direitos dos consumidores.
Juntos, buscaremos compreender a importância deste assunto para um
futuro Técnico em Finanças.

Desejamos que você compreenda as relações de consumo e seus ele-


mentos, bem como se sinta sujeito integrante desta temática, so-
bretudo pela importância deste assunto no mundo contemporâneo.

1.1 Noções introdutórias


Em seus primórdios, o direito só se preocupava com as relações individuais,
de modo que a preocupação com as relações envolvendo a coletividade,
dentre as quais, fornecedores e consumidores, é relativamente nova. Preo-
cupação esta que deu origem às relações de consumo, ou seja, ao próprio
direito do consumidor. (VIEGAS; ALMEIDA, 2011).

Assim sendo, com o crescimento e desenvolvimento das empresas e, con-


sequentemente, o aumento da oferta de produtos postos à disposição das
pessoas, mais acentuado a partir dos anos 50, ficou mais nítida a depen-
dência dos consumidores ao consumo cada vez mais crescente.

Com isso e com o passar do tempo, fez-se necessário estabelecer regras


legais específicas para tratar da questão relativa às relações de consumo.

Nesse contexto é que surgiu a regra geral acerca do direito do consumidor,


prevista no artigo 5º, inciso XXXIII, da Constituição Federal de 1988, pela

Aula 1 - Direitos do Consumidor 15 Rede e-Tec Brasil


qual o Estado promoverá, nos termos da lei, a proteção do consumidor.

Também no artigo 170, inciso V, a Constituição Federal, ao tratar


dos princípios que regem a ordem econômica nacional, prevê a de-
fesa do consumidor (artigo 170, inciso V, da Constituição Federal).

Contudo, é a Lei n. 8.078/90, conhecida como Código de Defesa do Con-


sumidor que, efetivamente, disciplina a questão, apresentando de forma
detalhada as regras sobre o assunto, definindo, por exemplo, os sujeitos
da relação de consumo (consumidor e fornecedor), seu objeto (produtos
e serviços), os direitos e obrigações de cada parte integrante da relação,
entre outros.

1.2 Consumidor

Figura 1
Fonte: Ilustradora

O conceito de consumidor está previsto no artigo 2º, do Código de Defe-


sa do Consumidor, pelo qual: “consumidor é toda pessoa física ou jurídi-
O Código Brasileiro de Defesa
do Consumidor (CDC) é, no ca que adquire ou utiliza produtos ou serviços como destinatário final”.
ordenamento jurídico brasileiro,
um conjunto de normas que
visam a proteção aos direitos Deste modo, verifica-se, basicamente, que o consumidor é aquele que uti-
do consumidor, bem como
disciplinar as relações e as liza, para o próprio uso, o produto ou serviço oferecido na relação de con-
responsabilidades entre o sumo, ou seja, é o seu destinatário final.
fornecedor (fabricante de
produtos ou o prestador de
serviços) com o consumidor Por destinatário final podemos entender aquele que retira o produto ou
final, estabelecendo padrões de
conduta, prazos e penalidades. serviço do mercado para fins de consumo. Aquele que coloca um fim na
Foi instituído pela Lei Nº
8.078, de 11 de setembro de cadeia produtiva e não aquele que utiliza o bem ou serviço para continuar
1990. Disponível em: <http:// a produzir (MARQUES; BENJAMIN; MIRAGEM, 2006).
pt.wikipedia.org/wiki/
C%C3%B3digo_de_Defesa_do_
Consumidor> Mas não é só isso, pois o consumidor, para os fins do Código de Defesa

Rede e-Tec Brasil 16 Direito e Legislação Comercial


do Consumidor, pode não ser apenas uma pessoa que utiliza o produto
ou serviço como destinatário final, isoladamente considerado, já que o
parágrafo único do artigo 2º, da Lei n. 8.078/90 equipara o consumidor à
coletividade de pessoas que participam da relação de consumo nesta con-
dição, conhecido como consumidor por equiparação, ou seja, aquele que,
mesmo não tendo efetivamente adquirido o produto ou serviço, utilizou-o
ou está exposto ao seu uso.

1.3 Fornecedor

Figura 2
Fonte: Ilustradora

O conceito de fornecedor também é trazido pelo Código de Defe-


sa do Consumidor que, em seu artigo 3º, estabelece como tal toda

pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira,


bem como os entes despersonalizados que desenvolvem as ativida-
des de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produ-
tos ou prestação de serviços.

Desta forma, todo aquele que, de algum modo, participe da atividade eco-
nômica com a finalidade de obter lucro ou renda, é visto como fornecedor
pelo direito do consumidor.

1.4 Produtos e serviços

Figura 3
Fonte: Ilustradora

Os produtos e serviços, em verdade, correspondem ao objeto da relação


de consumo.

Segundo o artigo 3º, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor, “produto

Aula 1 - Direitos do Consumidor 17 Rede e-Tec Brasil


é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial”, com valor econô-
mico, isto é, passível de compra, que se destina a satisfazer as necessidades
do consumidor.

Os serviços, nos termos do artigo 3º, § 2º, do Código de Defesa do Con-


sumidor correspondem a toda e “qualquer atividade fornecida no mer-
cado de consumo mediante remuneração, inclusive as de natureza
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das re-
lações de caráter trabalhista”. Portanto, para fins de direito do consumi-
dor, a atividade gratuita ou voluntária não pode ser considerada como
serviço, já que este tem, necessariamente, que ser remunerado (pago).

1.5 Relação de consumo

Figura 4
Fonte: Ilustradora

Tendo em vista os conceitos acima mencionados, verifica-se que a relação


jurídica de consumo é aquela onde é possível identificar de um lado o con-
sumidor e de outro o fornecedor, com o objetivo de comercializar produtos
ou serviços.

1.6 Sistema de proteção dos consumidores:
Princípios ou Diretrizes
A sistemática do Código de Defesa do Consumidor destina-se, em regra, a
proteger o consumidor, considerado a parte mais fraca da relação de con-
sumo.

Assim, com objetivo de equiparar a posição desfavorável do consumidor


na relação de consumo, o Código de Defesa do Consumidor segue algu-
mas diretrizes ou princípios, tais como: o princípio da vulnerabilidade ou da
hipossuficiência, da informação, da publicidade, da boa-fé, entre outros.

Rede e-Tec Brasil 18 Direito e Legislação Comercial



1.6.1 Princípio da vulnerabilidade ou da hipossu-
ficiência

Figura 5
Fonte: Ilustradora

Por esta regra, prevista, por exemplo, nos artigos 4º, inciso I e 6º, inciso VIII, am-
bos do Código de Defesa do Consumidor, o consumidor é a parte vulnerável,
carecedor de proteção em relação ao fornecedor, pois não tem qualquer tipo
de controle ou interferência na produção dos bens ou serviços que consome.

Portanto, o consumidor, hipossuficiente, por ser mais fraco, indefeso e me-


nos capaz, necessita de atenção especial da Lei, que estabelece em seu
favor mecanismos destinados a compensar sua situação de desigualdade.

“O consumidor é o elo mais fraco da economia. E nenhuma corrente pode


ser mais forte do que o seu elo mais fraco” Henry Ford

1.6.2 Princípio da informação


Nos tempos atuais, a informação é imprescindível para o convívio social. Nas
relações de consumo não é diferente. Nelas, os consumidores têm direito
a todas as informações necessárias ao pleno conhecimento do produto ou
serviço.

Em relação à importância do princípio em estudo, interessantes são as lições


de Carvalho (2002, p. 255), para quem “Não há sociedade sem comunica-
ção de informação. A história do homem é a história da luta entre idéias, é
o caminhar dos pensamentos. O pensar e o transmitir o pensamento são tão
vitais para o homem como a liberdade física.”

No mesmo sentido são os ensinamentos de Nunes (2005, p.129) que, ao


tratar do princípio da informação, assim se pronuncia:

Aula 1 - Direitos do Consumidor 19 Rede e-Tec Brasil



Dever de informar: com efeito, na sistemática implantada pelo CDC,
o fornecedor está obrigado a prestar todas as informações acerca do
produto e do serviço, suas características, qualidades, riscos, preços e
etc., de maneira clara e precisa, não se admitindo falhas ou omissões.

Portanto, tem o fornecedor o dever de informar aos consumidores sobre


tudo aquilo que se fizer necessário para o bom uso do produto ou serviço.

1.6.3 Princípio da publicidade
Pelo princípio da publicidade, o consumidor tem o direito de identificar a
propaganda de todo e qualquer produto ou serviço (artigo 36, do Código
de Defesa do Consumidor), sendo proibida a propaganda indireta ou su-
bliminar, ou seja, aquela em que a pessoa não percebe, imediatamente, a
mensagem comercial.

Além disso, o princípio da publicidade, em razão do artigo 30, do Código


de Defesa do Consumidor, vincula o fornecedor ao seu cumprimento. As-
sim, se for feito um determinado anúncio, o fornecedor tem a obrigação de
cumpri-lo.

É proibida, também, a publicidade abusiva, capaz de induzir o consumi-


dor a erro, e a discriminatória, que privilegia determinada classe ou grupo.

1.6.4 Princípio da boa-fé


O Princípio da boa-fé, nas relações de consumo, está expressamen-
te previsto no inciso III, do artigo 4°, do Código de Defesa do Consumi-
dor, pelo qual as partes envolvidas nas relações de consumo devem agir
com correção, de forma honesta, sem a intenção de prejudicar a outra.

Deste modo, a boa-fé está diretamente ligada à honestidade com que as


pessoas devem agir em relação as outras, não desejando obtar vantagens
desproporcionais nas relações de consumo.

Resumo
Nesta aula, foram estudados a origem e a evolução dos direitos do consu-
midor no Brasil, os sujeitos e o objeto da relação de consumo, assim como o
sistema de proteção dos consumidores.

Rede e-Tec Brasil 20 Direito e Legislação Comercial


Atividades de aprendizagem
1. A partir do conteúdo desta aula, aponte o fundamento para a proteção
do consumidor na relação de consumo, bem como indique os pontos
positivos e negativos de tal protecionismo.
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2. “Nas relações de consumo a parte fraca é o consumidor, assim


como nos contratos de trabalho, o laborista é a parte fraca e
mereceu a proteção de um código próprio, CLT, e de uma justiça
especializada, a Justiça do Trabalho. Hoje um importante reino
do direito que cuida exclusivamente das relações trabalhistas é
o Direito do Trabalho. Nem todos os consumidores são traba-
lhadores, mas todos os trabalhadores são consumidores, logo,
justifica-se a existência de maior atenção e proteção jurídica às
relações de consumo”. (SOARES, 2000:55-56). Com base na citação
acima, aponte a alternativa que retrata o princípio de proteção do con-
sumidor referido pelo autor do texto acima:

a) Princípio da publicidade;
b) Princípio da vulnerabilidade ou hipossuficiência;
c) Princípio da informação;
d) Princípio da boa-fé

Chegamos ao fim da primeira aula sobre direitos do consumidor. Nela,


buscamos demonstrar conceitos básicos sobre as relações de consumo e
os parâmetros que as orientam. Na próxima aula, estudaremos os direitos
básicos dos consumidores, as responsabilidades dos fornecedores, as for-
mas e os prazos para assegurar o respeito aos direitos do consumidor no
mercado de consumo.Continue atento(a) e não deixe de realizar as ativi-
dades de aprendizagem

Aula 1 - Direitos do Consumidor 21 Rede e-Tec Brasil


Aula 2 - Direitos Básicos do Consumidor

Objetivos:

• reconhecer os direitos básicos do consumidor;

• identificar a forma de fazer valer os direitos do consumidor;

• apontar os prazos para reclamar de defeitos nos produtos ou servi-


ços, no mercado de consumo.

Prezado(a) estudante,

Em nossa primeira aula, avançamos bastante no estudo dos direitos


dos consumidores. Em nosso segundo encontro, daremos sequên-
cia ao conteúdo da disciplina, abordando, desta vez, os direitos bási-
cos dos consumidores, as formas de dar efetividade a tais direitos, as-
sim como os prazos para reclamar de defeitos em produtos ou serviços.
Continue disciplinado(a) em seu estudos, há ainda muito para aprender.

2.1 Noções introdutórias
Esta aula terá como tema os direitos básicos do consumidor, conferidos
pelo Código de Defesa do Consumidor, isto é, as garantias asseguradas
aos consumidores e, consequentemente, os deveres impostos aos forne-
cedores na relação de consumo.

Além disso, serão abordadas as formas e os prazos para assegurar o res-


peito aos direitos do consumidor.

Como regra, os direitos básicos do consumidor estão previstos nos ar-


tigos 6º a 10, do Código de Defesa do Consumidor, sendo eles, basica-
mente: o direito à segurança, à vida e à saúde; direito à educação para
o consumo; a proteção contra práticas abusivas; direito à prevenção e
reparação de danos; direito à facilitação do acesso à justiça para defesa
de seus direitos; direito à inversão do ônus da prova; direito à adequada
prestação dos seviços públicos em geral.

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 23 Rede e-Tec Brasil


“Consumidores, por definição, somos todos nós. O consumidor é o maior
grupo econômico na economia, afetando e sendo afetado por quase todas
as decisões econômicas, públicas e privadas”. John Kennedy

2.2 Direito à segurança, à vida, e à saúde


(artigo 6º, I, do código de defesa do
consumidor)
O direito à segurança, à vida e à saúde do consumidor deve ser visto da
forma mais ampla possível, indo do amparo à segurança e saúde física do
consumidor até a proteção de seu patrimônio.

Portanto, o consumidor, antes de adquirir um produto ou contratar um


serviço, tem o direito de ser avisado dos possíveis riscos que podem ofere-
cer à sua saúde ou sua segurança.

Mas não é só isso, já que o fornecedor, ao colocar um determina-


do produto ou serviço no mercado de consumo, tem o dever de ga-
rantir que o mesmo não ofereça qualquer risco aos seus destinatários.

2.3 Direito à educação e à informação para


o consumo (Artigo 6º, II e III, do código
de defesa do consumidor)
É assegurado aos consumidores conhecimentos mínimos para a utilização
adequada dos bens e serviços, a fim de que possam, livremente, escolher
entre os vários produtos e serviços existentes no mercado, aquele que me-
lhor atenda aos seus interesses.

A informação em questão se revela, por exemplo, naquelas informações


constantes nos manuais de instrução.

2.4 Proteção contra práticas abusivas (ar-


tigo 6º, IV e V, do código de defesa do
consumidor)

Figura 6
Fonte: Ilustradora

Rede e-Tec Brasil 24 Direito e Legislação Comercial


O consumidor tem o direito de não sofrer com práticas consideradas abu-
sivas na relação de consumo.

A referida regra deve ser vista sob dois enfoques: a vedação de práticas
abusivas ou enganosas e a proibição da existência de cláusulas abusivas.

A proibição referente às práticas abusivas ou enganosas retrata o dever


de o fornecedor oferecer, com transparência e verdade, as informações
sobre o produto ou serviço, expondo suas características verdadeiras, não
podendo omitir qualquer informação relevante, ainda que prejudicial a sua
reputação, sob pena de configurar prática abusiva ou propaganda enga-
nosa. Também não pode impor o uso de determinado produto ou serviço.

Já a proibição da existência de cláusulas abusivas se refere, mais preci-


samente, aos contratos feitos com os consumidores em geral, sen-
do vedada a existência de cláusulas excessivas, ou seja, pesadas
e desproporcionais, por impor obrigações difíceis de serem cum-
pridas pelo consumidor. Nestas hipóteses, as cláusulas ou o pró-
prio contrato podem ser anulados ou modificados pela justiça.

Além disso, quando o consumidor assina um contrato sem ter exato co-
nhecimento de seus termos, o contrato não cria obrigações para o consu-
midor, pois este não foi devidamente informado.

Deste modo, em geral, práticas abusivas são consideradas condições ir-


regulares de negociações nas relações de consumo que ferem, principal-
mente, a boa-fé. O Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 39
especifica algumas práticas tidas como abusivas, contudo, há inúmeras
outras que assim podem ser consideradas.

Podem ser citados como exemplos de práticas abusivas:

• condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento


de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites
quantitativos;

• recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida


de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os
usos e costumes;

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 25 Rede e-Tec Brasil


• enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer
produto, ou fornecer qualquer serviço;

• prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista


sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe
seus produtos ou serviços;

• exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;

• executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização


expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anterio-
res entre as partes;

• repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consu-


midor no exercício de seus direitos;

• colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em de-


sacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes
ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacio-
nal de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro);

• recusar a venda de bens ou a prestação de serviços diretamente a quem


se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento;

• elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços;

• deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou dei-


xar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério;

• aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratual-


mente estabelecido.

2.5 Direito à prevenção e reparação de da-


nos (artigo 6º, VI, do código de defesa
do consumidor)
O fornecedor tem o dever de prevenir todo e qualquer risco o dano, ainda
que potencial, que o produto ou serviço por ele oferecido vir a oferecer
ao consumidor. Um bom exemplo disso são os Serviços de Atendimento
ao Consumidor, conhecidos como SAC, no qual é possível obter todas as

Rede e-Tec Brasil 26 Direito e Legislação Comercial


informações sobre os perigos na utilização de determinado produto ou
serviço e as providências a serem tomadas em caso de acidentes.
Além do que, em caso de dano efetivo, deve o fornecedor responsabilizar-
-se por sua integral reparação.

2.6 Direito à facilitação do acesso à justi-


ça para defesa de seus direitos (artigo
6º, VII, do código de defesa do consu-
midor)

Figura 7
Fonte: Ilustradora

O consumidor, como mencionado na primeira aula, é considerado parte


mais fraca (vulnerável) na relação de consumo, por este motivo, o Código
de Defesa do Consumidor facilita o acesso à justiça para a defesa de seus
direitos.

Tanto é assim que, quando o consumidor mora em uma cidade e o for-


necedor em outra, o processo judicial movido para a defesa dos direitos
daquele vai correr na cidade em que ele reside, ja que é mais fácil para ele
participar do processo no local onde mora.

2.7 Direito à inversão do ônus da prova


(artigo 6º, VIII, do código de defesa do
consumidor)

Figura 8
Fonte: Ilustradora

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 27 Rede e-Tec Brasil


O direito à inversão do ônus da prova é decorrente do próprio direito à
facilitação do acesso à justiça para a defesa dos direitos do consumidor.

Em regra, a pessoa que requer um determinado direito tem o dever de


comprovar a verdade dos fatos que ela alega, porém, os consumidores
possuem direito à inversão do ônus da prova, de modo que, nos processos
envolvendo relação de consumo, a obrigação de provar a verdade dos fa-
tos recai sobre o fornecedor.

Assim sendo, pela inversão do ônus da prova, é imposta ao possui-


dor do poder econômico ou do conhecimento técnico (fornecedor)
o dever de fazer prova contrária às alegações do consumidor, visto ser
mais fácil ao fornecedor, que possui todas as informações sobre os pro-
dutos ou serviços, provar a verdade sobre os fatos a eles relativos.

Mesmo porque, como bem assinala Cavalcanti (2001, p. 83) o fornecedor


tem o dever de “manter em seu poder todos os dados e informações acer-
ca de seus produtos e serviços, sendo bem mais fácil a comprovação dos
fatos referentes a esses bens e serviços pelo fornecedor que pelo consumi-
dor, sobretudo quando se tratar de hipossuficiente”.

2.8 Direito à adequada pretação dos servi-


ços públicos em geral (artigo 6º, IX, do
código de defesa do consumidor)
Mesmo em relação aos serviços públicos, de um modo geral, é conferida
ao consumidor a devida proteção, principalmente em relação aos serviços
que, apesar de serem considerados públicos, são oferecidos por empre-
sas privadas, tais como os serviços de luz, água, telefone, transporte etc.

Portanto, em relação a tais serviços incidem as garantias e direitos estabe-


lecidos no Código de Defesa do Consumidor.

2.9 Direitos decorrentes de defeitos no


produto ou serviço (artigo 18, do có-
digo de defesa do consumidor)
Caso o produto ou serviço apresente defeito, é responsabilidade do for-
necedor providenciar, em prazo não superior a 30 (trinta) dias, a resolução
do problema.

Se o defeito não for resolvido no mencionado prazo, o consumidor tem

Rede e-Tec Brasil 28 Direito e Legislação Comercial


direito a optar, conforme a sua vontade: pela substituição do produto por
outro equivalente, em perfeito estado de funcionamento e uso; pela resti-
tuição imediata do valor pago, devidamente corrigido monetariamente; ou
pelo abatimento proporcional no preço.

2.10 Direito ao arrependimento (artigo 47,


do código de defesa do consumidor)
Quando o produto ou serviço for adquirido
fora do estabelecimento comercial, por
exemplo, em casos de compras por telefo-
ne, pela internet ou em domicílio, o consu-
midor pode desistir do contrato, indepen-
dentemente de qualquer justificativa, no
prazo de 07 (sete) dias, contados de sua
assinatura ou do ato de recebimento do
produto ou serviço. Ocasião em que terá
direito a restituição integral do valor pago,
corrigido monetariamente. O Programa de Proteção
Figura 9 e Defesa do Consumidor
Fonte: Ilustradora (ou Procon) é uma fundação
presente em diversos estados
e municípios brasileiros com
2.11 Forma do consumidor fazer valer seus personalidade jurídica de
direitos direito público, cujo objetivo é
elaborar e executar a política
A maioria das empresas possui o Serviço de Atendimento ao Consumidor, estadual de proteção e defesa
do consumidor. Funciona como
conhecido como SAC, destinado a atender às reclamações, bem como resol- um órgão auxiliar do Poder
Judiciário, tentando solucionar
ver os problemas apresentados pelo produto ou serviço. Deste modo, o pri- previamente os conflitos entre
meiro passo é entrar em contato com o serviço de atendimento da empresa. o consumidor e a empresa que
vende um produto ou presta
um serviço, e quando não há
Porém, na hipótese de o consumidor não conseguir solucionar o proble- acordo, encaminha o caso para
o Juizado Especial Cível com
ma com o SAC, há outras formas para fazer valer seus direitos, já que jurisdição sobre o local. O Procon
pode ser estadual ou municipal,
pode procurar os Órgãos de defesa do consumidor, tais como: PROCON, e segundo o artigo 105 da Lei
IDEC, Ministério Público, Juizados Especiais (Juizados de Pequenas Causas) 8.078/90 (Código de Defesa do
Consumidor), é parte integrante
do Sistema Nacional de Defesa
É imprescindível ao consumidor, caso necessite de proteção, que tenha do Consumidor. O Procon é
estabelecido primeiramente
em mãos a nota fiscal do produto ou serviço, o certificado de garantia, o pelo governo estadual por meio
de decretos. A partir da criação
contrato, o recibo, enfim, todos os documentos que comprovem a compra deste Procon, são criados
ou contratação. outros Procons nas cidades do
estado. Nem todas as cidades
de um estado possuem um
Além disso, é preciso especificar, com detalhes, os problemas apresentados escritório do Procon. Todas as
capitais do Brasil possuem uma
pelo produto ou serviço. filial do Procon. Fonte: http://
pt.wikipedia.org/wiki/Procon

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 29 Rede e-Tec Brasil


Por fim, deve o consumidor, em caso de reclamação, guardar os documen-
tos que comprovem tal fato, por exemplo, o protocolo de atendimento, o
nome e o cargo exercido pela pessoa responsável pelo atendimento.

Desta forma, é bem provável que o consumidor consiga, de fato, fazer


valer seus direitos.

2.12 Prazos para reclamar (artigo 26, do


código de defesa do consumidor)

O consumidor tem, em regra, pra-


zo para reclamar de defeitos nos
produtos ou serviços, sendo que, se
transcorrido o prazo estipulado pelo
Código de Defesa do Consumidor
sem que tenha havido o registro da
respectiva reclamação, o direito do
consumidor se extingue, ou seja,
“caduca”.

Figura 10
Fonte: Ilustradora

Portanto, em se tratando de fornecimento de produtos ou serviços não


duráveis, o prazo para reclamação é de 30 (trinta) dias, ao passo que, em
relação aos produtos ou serviços duráveis, o prazo é de 90 (noventa) dias.

A identificação de serviços e produtos duráveis ou não duráveis deve ser


feita pelo critério da durabilidade, conforme o tempo de consumo. Logo,
como serviços e produtos duráveis podem ser citados, eletrodomésticos,
automóveis, serviços de construção civil etc., e como não duráveis, produ-
tos que são consumidos rapidamente, alimentos, roupas, calçados, entre
outros.

Resumo
Nesta aula, foram estudados os direitos básicos dos consumidores na re-
lação de consumo, assim como os mecanismos postos à disposição dos
consumidores para fazer valer os seus direitos. Além disso, identificou-se
quais são os prazos para reclamar sobre defeitos nos produtos ou serviços,
no mercado de consumo.

Rede e-Tec Brasil 30 Direito e Legislação Comercial


Atividades de aprendizagem
1. Escreva um pouco sobre a justiça da proteção conferida ao consumi-
dor, ou seja, se é justa ou não a referida proteção, bem como dê sua
opinião sobre a efetividade das normas previstas no Código de Defesa
do Consumidor, isto é, se, na prática, elas efetivamente funcionam.
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______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
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2. Dentre as alternativas abaixo, aponte aquela que não configura práticas
abusivas na relação de consumo:

a) Enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer


produto, ou fornecer qualquer serviço;

b) Prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vis-


ta sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-
-lhe seus produtos ou serviços;

c) recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamen-


te a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento;

d) Recusar a reclamação contra defeitos de produtos ou serviços não du-


ráveis após 90 dias da venda do produto ou da prestação do serviço.

3. João comprou uma geladeira em uma loja que vende eletrodomésti-


cos na cidade onde mora. Um dia após a entrega da geladeira em sua
casa, João se arrependeu da compra, já que não gostou do modelo do
eletrodoméstico, tendo procurado a loja para devolvê-la, alegando que
estava no exercício do direito de arrependimento, previsto no artigo 47
do Código de Defesa do Consumidor. Contudo, o dono da loja se recu-
sou a aceita a devolução da geladeira. Com base nesses fatos, assinale
a alternativa correta.

a) O dono da loja está certo, pois o consumidor só pode exercer seu


direito de arrependimento em sete dias a contar de sua assinatura
ou do ato de recebimento do produto, se a aquisição ocorrer fora

Aula 2 – Direitos Básicos do Consumidor 31 Rede e-Tec Brasil


do estabelecimento, especialmente por telefone ou em domicílio;

b) O dono da loja está correto, pois não existe direito de arrependimen-


to, em qualquer situação, se o produto não é defeituoso ou não apre-
senta vício de qualidade;

c) João está certo, pois o CDC prevê o prazo de sete dias a contar da
aquisição do produto, em qualquer situação, para o consumidor exer-
cer o direito de arrependimento;

d) João está certo, por estar no prazo de arrependimento, mas


o dono da loja pode impor multa pela devolução do produto.

Prezado(a) estudante,

Alcançamos, assim, o fim de nossa segunda aula, na qual abordamo-


sum pouco da matéria sobre os direitos básicos do consumidor. Con-
tudo, o referido tema, como visto, é bastante amplo, de modo que
comporta pesquisa e estudo mais aprofundados, o que fica, desde
já, sugerido. Na próxima aula, estudaremos os contratos comerciais.

Rede e-Tec Brasil 32 Direito e Legislação Comercial


Aula 3 - Contratos Comerciais

Objetivos:

• compreender as especificidades dos contratos comerciais;

• identificar as características dos principais contratos comerciais.

Caro(a) estudante,

Nas aulas anteriores, você teve oportunidade de aprender sobre os direi-


tos dos consumidores. Agora iniciaremos o estudo dos contratos comer-
ciais, suas peculiaridades e espécies mais comuns. Esperamos que você
consiga assimilar a importância deste tema nas relações comerciais, nas
quais, em regra, as transações comerciais encontram-se materializadas
em contratos.

Então, vamos adiante

3.1 Noções introdutórias.


Com o passar do tempo e a evolução das relações comerciais, sur-
giu a necessidade de se celebrar contratos, como forma de assegu-
rar o cumprimento das obrigações assumidas nas relações comerciais.

Figura 11
Fonte: Ilustradora

O contrato pode ser definido como o acordo feito por duas ou mais
pessoas, manifestando suas vontades, destinado a estabelecer uma re-
gulamentação de interesses entre as partes, com a finalidade de adquirir,

Aula 3 – Contratos Comerciais 33 Rede e-Tec Brasil


modificar ou extinguir direitos ou obrigações; é, portanto, um instrumento
capaz de criar determinados vínculos entres as pessoas que dele partici-
pam.

Para Diniz (1997, p. 30):


Antigamente, um acordo entre
duas ou mais pessoas que
transferem entre si obrigações contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformida-
era feito através de uma de da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamenta-
“carta partida”; o interessante
documento era cortado ao ção de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, mo-
meio, de alto a baixo, e as duas dificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial.
partes ficavam em poder dos
contratantes para a garantia
do negócio. O ato da entrega
de cada pedaço era realizado Sendo assim, no direito comercial, os contratos, além das características
à presença de testemunhas acima, identificam-se por ter como objeto relações de natureza comercial,
idôneas. O cumprimento das
obrigações, exigia por vezes, isto é, os direitos e as obrigações pactuadas referem-se às práticas comer-
a exibição de cada pedaço do ciais.
original. A carta partida, nome
por que se tornou conhecido o
pitoresco documento contratual,
esteve em uso na Aquitânia, Tanto é assim que Coelho (2002, p. 413) afirma que:
região da Galia antiga. Na
França e notadamente na
Inglaterra, por volta do século a exploração da atividade empresarial, a que se dedica, o empre-
XIII, era comum, nas transações sário individual ou a sociedade empresária celebram vários con-
comerciais, esse tipo original
de contrato. Há quem diga que tratos. Pode-se dizer que combinar os fatores de produção é con-
na Idade Média até acordos
amorosos eram estabelecidos em trair e executar obrigações nascidas principalmente de contratos.
“cartas partidas”; cada um dos
namorados guardava consigo um
pedaço do documento. (Fonte: Deste modo, em regra, os contratos devem conter um objeto (que deve
http://homemdoconhecimento. ser lícito, por exemplo, não é possível contratar a morte de alguém, já que
blogspot.com.br/2011/11/o-
contratos-eram-firmados-numa- isto é ilícito), uma forma (pode ser escrita ou verbal), as partes contratantes
carta.html)
e o acordo entre elas celebrado.

A principal diferença entre os contratos comerciais e os civis é que aque-


les são celebrados por comerciantes no exercício de suas atividades, com
finalidade de obtenção de lucro, já os civis podem ser feitos por qual-
quer pessoa (comerciante ou não) e podem não ter como objetivo o lucro.

Os contratos comerciais surgem pelo acordo de vontade das partes e extin-


guem-se, em regra, pela sua execução, isto é, pelo cumprimento das obriga-
ções nele assumidas. Contudo, podem se extinguir por outras formas, sen-
do elas: o distrato (quando ambas as partes, de comum acordo, desistem da
contratação); a denúncia unilateral (quando uma das partes manifesta sua
vontade em desistir da contratação, desde que haja previsão no contrato
desta possibilidade); inadimplemento (quando uma das partes não cumpre

Rede e-Tec Brasil 34 Direito e Legislação Comercial


com a sua obrigação, gera direito a reparação de perdas e danos em favor
da outra parte); resolução por onerosidade excessiva (quando a obrigação
de uma das partes se torna excessivamente onerosa – desproporcional).

No direito comercial, os contratos comerciais, também conhecidos


como mercantis, que merecem maior atenção, e por esta razão serão
abordados no presente estudo, são os Contratos de Compra e Ven-
da Mercantil, de Mandato Mercantil, de Comissão Mercantil, de Re-
presentação Comercial, de Franquia, de Distribuição e de Seguro.

3.2 Contrato de compra e venda mercantil


Contrato de compra e venda mercantil é aquele que um dos contratantes
se obriga a transferir o domínio de coisa determinada ao outro mediante
o pagamento do respectivo preço. Em regra, são regidos pela regra geral
do artigo 481 do Código Civil, pelo qual “um dos contratantes se obriga a
transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em
dinheiro”.

O que diferencia o contrato de compra e venda mercantil do contrato


de compra e venda civil é, na verdade, as partes nele envolvidas, já que,
no contrato mercantil, ambas as partes são empresários ou comerciantes.

Os contratos de compra e venda mercantil são a base das atividades em-


presariais, pois as operações de compra e venda constituem a essência das
práticas comerciais.

Os elementos necessários para conferir validade aos contratos de compra e


venda mercantil são o consentimento (vontade) das partes, o objeto (coisa
vendida) e o preço.

Os contratos de compra e venda mercantil possuem natureza bilateral,


pois geram obrigações recíprocas entre as partes contratantes, de modo
que o vendedor tem o dever de entregar o bem, transferindo a proprieda-
de do mesmo para o comprador que, por sua vez, fica obrigado a pagar o
preço combinado pela compra.

Na compra e venda mercantil, podem existir, ainda, obrigações es-


peciais, tais como a retrovenda; venda a contento; venda a preemp-
ção ou preferência, venda com reserva de domínio; entre outras.

Aula 3 – Contratos Comerciais 35 Rede e-Tec Brasil


A retrovenda é característica dos contratos de compra e venda de bem
imóvel, nos quais fica estipulado que o vendedor poderá reaver a coi-
sa vendida, dentro de um prazo determinado, não superior a 03 (três),
restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador.
A venda a contento é aquela em que há uma sujeição à ocorrên-
cia de uma condição, qual seja, a satisfação do comprador, de modo
que a venda somente será concretizada após a manifestação favorá-
vel do comprador no sentido de que a coisa satisfez suas expectativas.

Preempção ou preferência é a modalidade de venda em que o comprador,


caso pretenda vender o objeto da compra, fica obrigado, por um determi-
nado período, a oferecer primeiramente para o vendedor, já que este pos-
suirá direito de preferência na compra da coisa, em igualdade de condições
com os demais interessados.

Venda com reserva de domínio é aquela ocorrida normalmente nas ven-


das a prazo, na qual o vendedor, mediante expressa previsão contratu-
al, somente transfere a propriedade (o direito) sobre bem vendido de-
pois de realizado integralmente o pagamento do preço. Destaque-se
que a coisa é entregue no momento da venda, porém o direito de pro-
priedade somente será transferido ao final se houver total pagamento.

3.3 Contrato de mandato mercantil


Mandato mercantil é o contrato pelo qual alguém se obriga a praticar
atos ou administrar interesses de natureza comercial em nome e por conta
de outrem, mediante remuneração (artigo 140 do antigo Código Comer-
cial e artigo 653 do Novo Código Civil). Nele, pelo menos uma das par-
tes é empresário e os atos a serem praticados são negociais (comerciais).

Neste passo, para Martins (2000), mandato mercantil é o contrato segun-


do o qual uma pessoa se obriga a praticar atos ou administrar interesses
de natureza comercial, em nome e por conta de outrem, mediante remu-
neração.

Portanto, a principal característica do mandato é a representação, ou seja,


sempre uma pessoa estará agindo (representando) outra, como se esta
fosse.

No mandato, mandante ou outorgante é a pessoa que outorga (dá) pode-


res a outra para a prática de determinados atos de comércio, ao passo que

Rede e-Tec Brasil 36 Direito e Legislação Comercial


mandatário ou procurador é a pessoa que recebe os referidos poderes.
As obrigações do mandante e do mandatário estão previstas nos ar-
tigos 667 a 681, do Código Civil, cuja pesquisa mostra-se interessante.

O contrato de mandato mercantil extingue-se (termina) pela revogação


dos poderes por parte do mandante; pela renúncia do mandatário; pela
morte ou incapacidade de quaisquer das partes; pela mudança de estado
(capacidade) que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o manda-
tário para exercê-los; pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio
(artigo 682, do Código Civil).

3.4 Contrato de comissão mercantil


No contrato de comissão mercantil, uma das partes compromete-se a re-
alizar, mediante o recebimento de determinada quantia, atos ou negócios
comerciais em favor e conforme as orientações da outra, contudo, agem
em seu próprio nome (artigo 165 do antigo Código Comercial e artigo 693
do Novo Código Civil).

Na comissão, comitente é a pessoa que outorga (dá) poderes a outra para


a prática de determinados atos de comércio, ao passo que comissário é a
pessoa que recebe os referidos poderes.

A principal diferença entre contrato de comissão e de mandato é que,


neste, o mandatário age em nome de outra pessoa (mandante), ao passo
que, naquele, o comissário age em nome próprio.

Exemplo desta modalidade de contrato são os contratos de leilão.

As obrigações das partes contratantes estão estabelecidas nos artigos 693


a 709, do Código Civil.

As formas de extinção do contrato de comissão são, via de regra, as mes-


mas do contrato de mandato.

3.5 Contrato de representação comercial


O contrato de representação comercial é regido pela Lei n. 4.886/1965, a
qual, em seu artigo 1º, conceitua o referido instrumento, segundo o qual:
Art. 1º
Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou
a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em

Aula 3 – Contratos Comerciais 37 Rede e-Tec Brasil


caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a me-
diação para a realização de negócios mercantis, agenciando pro-
postas ou pedidos, para, transmiti-los aos representados, prati-
cando ou não atos relacionados com a execução dos negócios.

Na representação comercial, o representante é a pessoa que efetivamente


pratica a atividade comercial, isto é, quem promove a realização dos ne-
gócios mercantis, sendo que o representado é aquele que produz ou tem
para venda o respectivo produto.

O representante comercial é remunerado, em regra, por um percen-


tual do valor das vendas que realizar. Contudo, só terá direito ao rece-
bimento da remuneração se estiver registrado no Conselho Regional
de Representantes Comerciais (artigos 2º e 6º, da Lei n. 4.886/1965).

Os deveres dos representantes e dos representados estão previstos nos


artigos 28 a 31, da Lei n. 4.886/1965.

O contrato de representação pode ser rescindido pelo representado, em


caso de falta de cumprimento, por parte do representante, das obrigações
decorrentes do contrato; pela prática de atos que importem em descrédito
comercial do representado; pela falta de cumprimento de quaisquer obri-
gações inerentes ao contrato de representação comercial; pela condena-
ção definitiva por crime considerado infamante; ou por força maior (artigo
35, Lei n. 4.886/1965). Também pode ser rescindido pelo representante,
quando houver redução de esfera de suas atividades em desacordo com as
cláusulas do contrato; quebra, direta ou indireta, da exclusividade, se pre-
vista no contrato; fixação abusiva de preços em relação à zona do repre-
sentante, impossibilitando-lhe um trabalho regular; não pagamento de sua
retribuição na época devida; força maior (artigo 36, da Lei n. 4.886/1965).

3.6 Contrato de franquia ou franchising


O contrato de franquia está previsto na Lei n. 8955/94, que em seu artigo
segundo estabelece o conceito do instrumento em estudo.

Art. 2º
Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao
franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito
de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e,

Rede e-Tec Brasil 38 Direito e Legislação Comercial


eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implanta-
ção e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos
ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indi-
reta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício.

Na franquia, o franqueado é aquele que utiliza a marca ou patente desen-


volvida pelo franqueador.

Portanto, inicialmente, o contrato de franquia é um negócio mais atrati-


vo para o franqueado, já que este se aproveita dos conhecimentos e ex-
periências do franqueador no desempenho daquela atividade comercial.

Na franquia, normalmente, o franqueado paga ao franqueador um va-


lor inicial para o uso da marca ou produto. Além disso, se comprome-
te a pagar ao franqueador determinada porcentagem sobre a venda. Em
contrapartida, o franqueador garante a exclusividade da marca ou pro-
duto em local determinado (cidade, região, estado, ou mesmo no país).

Outra peculiaridade do contrato de franquia é que o preço do produto, em


regra, é estabelecido pelo franqueador.

São exemplos de franquia o McDonald’s, Habib’s, Bob’s, Subway, entre


outros.

O contrato de franquia extingue-se pela expiração do prazo convencio-


nado entre as partes; pelo consentimento de ambas as partes; pelo des-
cumprimento, por uma das partes, das obrigações constantes no contrato.

Além disso, se o franqueado, no desempenho da atividade comercial, pre-


judicar a reputação da marca ou do produto, pode o franqueador rescindir
o contrato.

3.7 Contrato de distribuição


O contrato de distribuição mercantil é aquele no qual uma das partes - o
distribuidor - adquire os produtos fabricados por outrem (o fabricante),
obrigando-se a revendê-los com certa margem de lucro (preço maior do
que comprou), em geral, com exclusividade em um determinado território.

Forgioni (2008, p. 116), define bem o que vem a ser contrato de distribui-
ção mercantil:

Aula 4 – Contratos Bancários 39 Rede e-Tec Brasil


contrato bilateral, sinalagmático, pelo qual um agente econô-
mico (fornecedor) obriga-se ao fornecimento de certos bens ou
serviços a outro agente econômico (distribuidor), para que este
os revenda, tendo como proveito econômico a diferença entre
o preço de aquisição e o preço de revenda e assumindo à satis-
fação de exigências do sistema de distribuição do qual participa

No contrato de distribuição comercial, embora não haja expressamente


uma lei específica que o regulamente, em relação a ele são aplicadas as
regras previstas na Lei n. 6.729/79, que trata das concessões comerciais
relativas aos distribuidores de veículos.

O contrato de distribuição comercial extingue-se pelo decurso do prazo


nele previsto; pela vontade das partes ou pelo descumprimento, por uma
dela, das obrigações assumidas no contrato.

3.8 Contrato de seguro


No contrato de seguro, uma das partes, conhecida como seguradora, me-
diante o recebimento de determinado valor, chamado de prêmio, assume
o compromisso com a outra parte, denominada segurado, de pagar a este
uma indenização decorrente de prejuízos oriundos de riscos futuros e in-
certos, alheios à vontade das partes.

Os dispositivos legais mais importantes que tratam do contrato de seguro


são os artigos 666 a 730, do Código Comercial, os artigos 757 a 802,
do Código Civil, o Decreto-Lei n. 73/1966, o Decreto n. 60.459/1967.

O contrato de seguro tem como objeto a garantia contra o risco que pode
sofrer uma coisa ou uma pessoa, de modo que os seguros podem ser feitos
em relação a pessoas ou coisas.

A seguradora, ao assumir o risco pela reparação dos danos experimen-


tados pelo segurado, recebe como contraprestação o pagamento de um
determinado valor, conhecido como prêmio.

O valor da indenização a ser paga pela seguradora em caso de ocorrência


do risco previsto no contrato, conhecido também como sinistro, normal-
mente corresponde ao valor do bem segurado, mas pode ser diferente,
desde que as partes pactuem neste sentido.

Rede e-Tec Brasil 40 Direito e Legislação Comercial


O contrato de seguro é conhecido por ser um contrato formal, isto é, pre-
cisa estar materializado num documento escrito. Como regra, o contrato
de seguro materializa-se na apólice, que é o documento em que cons-
tam todos os dados referentes ao seguro, tais como o nome das partes, a
descrição da coisa ou da pessoa segurada, os riscos cobertos pelo seguro,
o valor da indenização e do prêmio, o prazo de vigência, entre outros.

A seguradora tem como obrigação emitir a respectiva apólice, bem como


se responsabilizar pelo pagamento da indenização na hipótese de ocor-
rência do sinistro. Já o segurado fica obrigado a pagar o prêmio do se-
guro, nos termos constantes no contrato, e prestar todas as informações,
sem mentiras ou omissões, sobre o objeto do seguro e suas características.

O contrato de seguro extingue-se pelo vencimento do prazo nele previsto,


pelo acordo entre as partes, pela cessação do risco que a ele deu origem,
pela ocorrência do sinistro seguido do pagamento da respectiva indeni-
zação, ou pela falta de pagamento do prêmio por parte do segurado.

Resumo
Na presente aula, foram analisados o conceito de contrato comercial, bem
como as principais espécies de contatos mercantis e suas respectivas pe-
culiaridades, tais como conceito, objeto, partes, disposições legais, obriga-
ções deles decorrentes e formas de extinção.

Atividades de aprendizagem
1. Indique a importância dos contratos mercantis para as atividades co-
merciais, bem como aquele que, no seu entendimento, possui maior
utilidade prática.
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2. Acerca do contrato de seguro, opine sobre a possibilidade ou não do


segurado, em caso de ocorrência do sinistro, exigir do segurador o paga-
mento da indenização caso esteja em atraso com pagamento do prêmio
devido ao segurador.
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Aula 4 – Contratos Bancários 41 Rede e-Tec Brasil


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3. Com relação aos contratos comerciais, aponte a alternativa correta:
a) faturizador e faturizado têm que ser, necessariamente, pessoa jurídica;

b) o representante poderá resolver o contrato face à inobservância da


cláusula de exclusividade, pelo representado;

c) sempre haverá vínculo empregatício entre franqueado e franqueador;


d) Na alienação fiduciária em garantia, havendo inadimplemento, o cre-
dor não poderá requerer a reintegração na posse do bem móvel aliena-
do fiduciariamente.

4. O contrato pelo qual um empresário cede a outro o direito de


uso da marca ou patente, associado ao direito de distribui-
ção exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, ain-
da, presta-lhe serviços de organização empresarial por ele de-
senvolvidos, mediante remuneração direta ou indireta, sem que
fique caracterizado vínculo empregatício entre as partes, denomina-se:

a) Franquia;
b) Comissão;
c) Representação comercial;
d) Compra e venda.

5. Em relação aos contratos comerciais, aponte V para verdadeiro e F para


falso:
( ) O contrato de comissão mercantil assemelha-se ao de mandato no
que se refere à responsabilidade do comissário, que deverá agir em
nome do comitente, ao efetuar contratos com terceiros;

( ) No contrato de seguro, prêmio é o valor recebido pelo segurado em


caso de acidente (sinistro);

( ) No contrato de distribuição mercantil o distribuidor é aquele que


fabrica os produtos postos a venda;

Rede e-Tec Brasil 42 Direito e Legislação Comercial


( ) No contrato de comissão mercantil uma das partes se compromete
a realizar, mediante o recebimento de determinada quantia, atos ou
negócios comerciais em favor e conforme as orientações da outra,
contudo agem em seu próprio nome

Prezado(a) estudante,

Chegamos ao fim de nossa terceira aula, na qual foram abordados con-


ceitos básicos sobre os contratos comerciais e suas principais modalidades.
Esperamos que você se aproprie das infomações que trouxemos e que pos-
sa utilizá-las quando estiver atuando na função para a qual está se qualifi-
cando. Na próxima aula, continuaremos os estudos dos contratos mercan-
tis, agora com a exploração dos contratos bancários. Continue atento(a).

Aula 4 – Contratos Bancários 43 Rede e-Tec Brasil


Aula 4 - Contratos Bancários

Objetivos:

• reconhecer os contratos bancários;

• identificar as peculiaridades dos principais contratos bancários.

Caríssimo(a) estudante,

Na aula passada, você teve oportunidade de compreender os contratos


comerciais, assim como identificar suas espécies mais comuns. Agora anali-
saremos os principais contratos bancários e suas respectivas características.
Com o estudo do conteúdo desta aula, você estará avançando em seu
processo de aprendizagem.

Seja bem vindo(a) ao debate sobre contratos bancários e suas pecualiari-


dades!

4.1 Noções introdutórias

Figura 12
Fonte: Ilustradora

Os contratos bancários, na verdade, fazem parte do gênero que são os


contratos comerciais. Portanto, possuem os mesmos elementos dos con-
tratos mercantis em geral. Todavia, tem uma peculiaridade que os distin-
gue, já que, ao menos, uma das partes nele envolvida será sempre uma
instituição bancária ou financeira.

Aula 4 – Contratos Bancários 45 Rede e-Tec Brasil


Mas não é só isso, para configurar o contrato bancário não basta que uma
das partes seja uma instituição financeira, é preciso, também, que tenha
como objeto a intermediação de uma operação econômica ou monetária.

Os contratos bancários mais comuns, que merecem maior atenção, são


os contratos de mútuo, de depósito, de alienação fiduciária em garantia,
de arrendamento mercantil (leasing), de faturização (factoring), de fiança
bancária e de cartão de crédito.

4.2 Contrato de mútuo


O contrato de mútuo, na verdade, corresponde a um empréstimo, nor-
malmente de dinheiro, mas também pode ser de outra coisa fungível (que
pode ser trocada por outra do mesmo gênero), mediante o recebimento
de determinado valor (artigo 247, do Código Comercial e artigo 586, do
Código Civil).

Segundo Bittar (1990, p. 116):

configura-se o mútuo pela entrega de certa quantia em dinheiro,


com transferência de propriedade, para uso do mutuário, mediante
pagamento de determinado valor, denominado juro. O juro é, pois,
remuneração do capital, constituindo-se em percentual sobre ele in-
cidente, em função do prazo de empréstimo. Findo o prazo, deve o
valor ser restituído ao mutuante, pagos os juros correspondentes às
ocasiões convencionadas, por períodos, ou ao final do relacionamen-
to, conforme a situação.

No contrato de mútuo, mutuário é aquele que recebe o dinheiro ou a


coisa fungível em empréstimo, e mutuante é a pessoa que dá a coisa em
empréstimo.

As principais obrigações do contrato de mútuo recaem sobre o mutuário,


que deve restituir a coisa emprestada e pagar a remuneração pelo emprés-
timo (juros), no prazo combinado.

Um exemplo comum de mútuo bancário é o empréstimo de dinheiro para


compra da casa própria, normalmente feito pela Caixa Econômica Fede-
ral pelo Sistema de Financiamento Habitacional (SFH). Tanto que é co-
mum ouvir as expressões como “mutuários da Caixa” ou “da casa pró-
pria”, para referir-se às pessoas que contraem os referidos empréstimos.

Rede e-Tec Brasil 46 Direito e Legislação Comercial


O contrato de mútuo extingue-se pelo vencimento do prazo, pelo des-
cumprimento de suas cláusulas (inadimplemento), ou por acordo entre as
partes.

4.3 Contrato de depósito


O contrato de depósito é aquele em que uma das partes (depositante),
entrega à outra (depositário) uma coisa móvel, em se tratando de depósito
bancário (dinheiro) que deve permanecer guardado pelo prazo combinado
ou até que o depositante solicite sua devolução (artigo 280, do Código
Comercial e artigo 627, do Código Civil).

O depositante obriga-se a pagar certa remuneração pelo depósito da coi-


sa, bem como pagar pelas despesas decorrentes do negócio, ao passo que
o depositário fica obrigado a guardar e zelar pela coisa depositada, não
utilizá-la ou transferi-la sem que haja permissão do depositante e restitui-la
quando solicitada.

Extingue-se o depósito pelo vencimento do prazo, pela vontade das partes,


pela morte ou incapacidade do depositário.

4.4 Contrato de alienação fiduciária em


garantia
O contrato de alienação fiduciária em garantia é regido pela Lei n.
4.728/1965 (artigo 66) em combinação com o Decreto Lei n. 911/1969
e consiste no acordo em que uma parte, o devedor (fiduciário), transfere
ao credor (fiduciante), a propriedade de um determinado bem, mantendo,
porém, a posse direta do bem, com a condição de pagar a dívida no prazo
estipulado.

Essa espécie de contrato é muito utilizada para financiamento de veículos


em que o banco (credor) adquire a propriedade do bem (veículo), que fica
na posse direta (uso) do devedor (pessoa que comprou o carro na conces-
sionária). Se, no final do prazo de vigência do contrato, o devedor saldar a
dívida, o credor devolve a propriedade do bem, em definitivo, para aquele.
Assim, essa prática serve como garantia do negócio, daí o nome de aliena-
ção fiduciária em garantia.

O contrato de alienação fiduciária em garantia extingue-se pelo cumpri-


mento das obrigações nele assumidas no prazo estipulado, por vontade
das partes ou por inadimplemento do devedor.

Aula 4 – Contratos Bancários 47 Rede e-Tec Brasil


4.5 Contrato de arrendamento mercantil
A palavra leasing é de origem
inglesa, mais precisamente
(Leasing)
surgida ns Estados Unidos, O contrato de arrendamento mercantil é disciplinado pela Lei n.
país onde teve origem como
devivação do verbo “to lease”, 6.099/1974, conhecido também como leasing, é aquele em que
que significa alugar. Acrescida uma das partes, chamada de arrendador, aluga para a outra, co-
do sufixo “ing” (gerúndio)
esta obteve uma idéia de nhecida como arrendatário, um determinado bem mediante paga-
continuidade. Acredita-se que mento de um valor a título de aluguel (preço). Contudo, a proprie-
esta forma de “finaciamento”
das atividades empresariais dade do bem permanece com o locador (arrendador), sendo que o
tenha surgido há séculos atrás,
de uma forma bem rudimentar. locatário (arrendatário) recebe apenas a posse direta da coisa, para uso.
Estudiosos acreditam que este
tenha se propagado por volta
da década de 40, logo após a Entretanto, no final do contrato, o arrendatário tem o direito de adquirir
segunda guera mundial, quando a propriedade sobre o objeto do contrato, desde que pague um determi-
os Estados Unidos passaram
a “alugar” materiais bélicos nado valor a mais por isso, chamado de valor residual. Caso não tenha
(de guerra) a seus aliados,
dando-lhes a opção de compra interesse em adquirir o bem, tem o locatário outras duas possibilidades,
no fim do contrato. Não há uma pode optar pela prorrogação do contrato ou pela devolução do bem.
data definida da chegada do
leasing no Brasil, mas a primeira
companhia de leasing fundada Esta modalidade de contrato bancário também é bastante utilizada para
aqui foi a “Rent a Maq”, uma
pequena empresa arrendadora financiamento de veículos.
de máquinas de escrever
fundada em 1967 na cidade
de São Paulo. O surgimento Existem, basicamente, duas espécies de leasing, o financeiro e o lease-
da atividade de arrendamento
mercantil (leasing) se deu -back.
inicialmente com o objetivo de
oferecer recursos às empresas
a baixo custo, para aquisição O leasing financeiro caracteriza-se pela presença de três partes. O arren-
de bens e modernização de
seus parques tecnológicos. dador (comprador do bem que será locado), o arrendatário (a pessoa que
Fundamentadamente a idéia de utilizará o bem locado) e o fornecedor (quem comercializou o bem locado).
leasing é baseada na concepção
de que o fato propulsor do Este tipo de leasing é chamado de comum, puro ou propriamente dito. É
rendimento para uma empresa é a espécie mais usual.
a utilização, e não a propriedade
de um bem. Seu crescimento no
Brasil se deu principalmente a
associação desta atividade com O lease-back segue a mesma sistemática do financeiro, sendo que o que
as atividades bancárias. (Fonte: os diferencia é a ausência da figura do fornecedor, já que no lease-back o
http://blogdareba.blogspot.
com.br/2010/06/curiosidades- bem, desde o início, pertence ao próprio arrendador.
sobre-o-leasing.html).

No contrato de arrendamento mercantil, o arrendador fica obrigado a ad-


quirir e entregar o bem a ser dado em locação; vender a coisa ao arren-
datário, ao final, caso este opte pela compra; renovar a contratação se o
locatário assim desejar; ou receber a coisa de volta. Ao passo que o arren-
datário se obriga a pagar o preço, normalmente dividido em prestações
mensais; conservar o objeto da locação; devolver, no final do contrato, a
coisa, caso não haja opção pela compra ou pela renovação da contratação.

Rede e-Tec Brasil 48 Direito e Legislação Comercial


A extinção do contrato de arrendamento mercantil ocorre pelo vencimen-
to do prazo do contrato, pelo consentimento das partes, pelo inadimple-
mento, ou pela falência do arrendador.

4.6 Contrato de faturização ou factoring


O contrato de faturização ou factoring é aquele onde uma das partes (fa-
turizado, aderente ou devedor), em regra um comerciante, cede a outra
(factor ou faturizador) o produto (créditos) adquirido no desempenho de
suas atividades comerciais, mediante o recebimento de determinada re-
muneração pactuada entre as partes, correspondente a um percentual dos
créditos.

Deste modo, o contrato de factoring corresponde a um contrato de ad-


ministração de créditos (compra e venda de créditos), onde factor ou fa-
turizador adquire os créditos, com ou sem adiantamento do respectivo
valor, e assume os riscos pelo inadimplemento dos devedores originários,
ao passo que o faturizado, aderente ou devedor é quem cede o crédito de
que é titular, mediante o recebimento de certa quantia, normalmente um
percentual do valor original.

A principal finalidade do contrato de factoring é garantir às empresas de


pequeno porte, principalmente, oportunidade de ter acesso a créditos,
pois a dificuldade de acesso capital de giro é grande. Isto porque o risco do
negócio é transferido para o faturizador, que assume, como dito, o risco
pelo não recebimento dos créditos.

Existem, basicamente, duas espécies de faturização, a maturiy factoring,


conhecida como compra a prazo, onde o faturizador efetua o pagamen-
to apenas na data do vencimento do crédito; e a conventional factoring,
compra à vista, na qual o faturizador efetua o pagamento à vista, isto é,
no momento da compra do crédito.

Em regra, o contrato de factoring se extingue com o próprio alcance de


sua finalidade (venda do crédito), pela decorrência do prazo nele previsto,
pelo acordo entre as partes, ou pelo descumprimento de alguma das obri-
gações assumidas no contrato.

4.7 Contrato de fiança bancária


O contrato de fiança bancária é aquele por meio do qual o banco, na qua-
lidade de fiador, assegura (garante) o cumprimento de uma determinada

Aula 4 – Contratos Bancários 49 Rede e-Tec Brasil


obrigação assumida por um de seus clientes (afiançado) numa determina-
da relação comercial.

A fiança consiste, na verdade, numa obrigação secundária, já que ela so-


mente terá importância caso o devedor descumpra a obrigação por ele
assumida, tida como principal, ocasião em que o fiador (banco) deverá se
responsabilizar pelo cumprimendo da obrigação.

Via de regra, a fiança bancária é feita por meio de um documento cha-


mado carta de fiança, no qual constam: a identificação das partes (banco
e cliente); a descrição da dívida a ser garantida; o índice de atualização do
valor do débito; a renúncia do banco ao benefício de ordem previsto no
artigo 827, e ao direito previsto no artigo 835, ambos do Código Civil.

O contrato de fiança bancária extingue-se pelo término do prazo de va-


lidade da carta de fiança (instrumento que materializa o contrato); pela
devolução, ao banco, da carta de fiança; ou pela manifestação expressa do
credor, liberando a garantia prestada pelo fiador.

4.8 Contrato de cartão de crédito

Atualmente, tendo em vista


a popularização do cartão de
crédito, onde grande parte
das relações comerciais são
concretizadas via cartão de
crédito é interessante analisar
se a cobrança feita por muitos
estabelecimentos comerciais,
acerca da exigência de um
consumo/valor mínimo para
pagamento via cartão é abusiva
ou não. Se o pagamento for à
vista, não pode haver limitação
de valores para compras pagas Figura 13
Fonte: Ilustradora
por meio de cartão de crédito.
Contudo, em caso de compra
à prazo ou de parcelamento,
O contrato de cartão de crédito surgiu como um instrumento capaz de
o fornecedor pode impor garantir mais segurança ao uso do dinheiro, pois com ele não é necessário
condições, como, por exemplo,
somente aceitar pagamento por que a pessoa leve consigo dinheiro em espécie para realizar transações
cartão de crédito em compras comerciais. Além disso, permite que a pessoa realize uma compra à vista
acima de um valor determinado.
(fonte: http://proconmpmg. e somente tenha que desembolsar o dinheiro na data do vencimento do
wordpress.com/2011/10/21/
cartao-de-credito-e-certo-
cartão, ou seja, a prazo.
cobrar-do-cliente-um-valor-
minimo-para-que-possa-usa-
lo/) No contrato de cartão de crédito figuram como partes o emissor (insti-

Rede e-Tec Brasil 50 Direito e Legislação Comercial


tuição financeira), o adquirente (o consumidor, possuidor do cartão) e o
fornecedor (pessoa que realiza as vendas para o adquirente e recebe do
emissor o pagamento pela compra).

A responsabilidade pelo pagamento para com o fornecedor/vendedor, pe-


las compras efetuadas com cartão de crédito, é da instituição financeira,
sendo que o adquirente/cliente é responsável pelo pagamento diretamente
ao banco. Em caso de falta de pagamento por parte do cliente, o banco
quita a dívida existente com o fornecedor e depois cobra do cliente/adqui-
rente a respectiva quantia, acrescida de juros (em regra, bastante altos) e
correção monetária.

O contrato de cartão de crédito extingue-se pelo cancelamento, feito pelo


emissor em caso de inadimplemento contratual; pelo adquirente, se assim
desejar; ou pelo vencimento do prazo sem que haja renovação do contrato.

Resumo
Nesta aula, tratamos dos contratos bancários e você pôde identificar as
principais espécies dessa modalidade de contratos, assim como suas carac-
terísticas, tais como conceito, objeto, partes, disposições legais, obrigações
deles decorrentes e formas de extinção.

Atividades de aprendizagem
1. No contrato de arrendamento mercantil (leasing), na sua visão, dentre
as três opções a que dispõe o arrendatário, qual é a mais interessante
para o consumidor. Justifique sua resposta apresentando os respectivos
argumentos.
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Aula 4 – Contratos Bancários 51 Rede e-Tec Brasil


2. Escreva sobre as vantagens e desvantagens do contrato de cartão de
crédito.
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3. Em relação aos contratos bancários, é correto afirmar:

a) O objeto do contrato de alienação fiduciária em garantia será sempre


bem móvel, pertencente ou não ao devedor;

b) O mútuo bancário é o contrato consensual de empréstimo de coisa


infungível ao cliente;

c) Como regra geral, as administradoras de cartões de créditos estão


limitadas, na cobrança dos juros remuneratórios, à taxa de 12% ao
ano;

d) d) O contrato de factoring corresponde a um contrato de adminis-


tração de créditos (compra e venda de créditos), em que faturizador
adquire os créditos e assume os riscos pelo inadimplemento dos deve-
dores originários, ao passo que o faturizado é quem cede o crédito de
que é titular, mediante o recebimento de certa quantia, normalmente
um percentual do valor original.

4. O contrato pela qual o banco garante o cumprimento de uma determi-
nada obrigação assumida por um de seus clientes, numa determinada
relação comercial, denomina-se:

a) Contrato de cartão de crédito;


b) Contrato de leasing;
c) Contrato de arrendamento mercantial;
d) Contrato de fiança bancária.

Rede e-Tec Brasil 52 Direito e Legislação Comercial


Caro(a) estudante,

Alcançamos, assim, a conclusão de nossa quarta aula e, com isso, a


abordagem de alguns dos mais importantes contratos bancários, espé-
cie dos contratos mercantis. Na próxima aula, estudaremos os concei-
tos de empresário, sociedade empresarial (empresa), estabelecimento
empresarial, alguns tipos de sociedade empresarial e a função social da
atividade empresarial.Caso surjam dúvidas ao realizar as atividades de
aprendizagem, volte sempre ao texto da aula e releia-o atenciosamente.

Aula 4 – Contratos Bancários 53 Rede e-Tec Brasil


Aula 5 - Empresário, Sociedades Em-
presariais e Função Social das
Empresas

Objetivos:

• identificar o significado de empresário, de sociedade empresarial (em-


presa) e de estabelecimento empresarial;

• distinguir algumas das principais espécies de sociedade empresarial;

• perceber a função social da atividade empresarial.

Querido(a) estudante,

A partir de agora, estudaremos as empresas, os elementos que a com-


põem, as principais modalidades de sociedades empresariais, bem como
sua função social. Esse é um tema relevante dentro da disciplina que,
com toda certeza, despertará grande interesse em você, estudante, já
que retrata o direito comercial propriamente dito. Certamente você
precisará desse conhecimento ao ingressar no mercado de trabalho.

5.1 Noções intodutórias


Nesta aula, serão abordados conceitos interessantes e de extrema relevân-
cia para o direito comercial, tais como o que vem a ser empresário, socie-
dade empresarial (empresa), estabelecimento empresarial, alguns tipos de
sociedade empresarial, entre outros.

Todos os assuntos com enfoque na função social da atividade empresarial,


isto é, na contribuição que a atividade comercial pode dar ao meio social.

5.2 Empresário
O conceito de empresário é estabeleci-
do pela própria lei, mais precisamente
pelo artigo 966, do Código Civil, pelo
qual “considera-se empresário quem
exerce profissionalmente atividade eco- Figura 14
nômica organizada para a produção ou Fonte: Ilustradora

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 55 Rede e-Tec Brasil
a circulação de bens ou de serviços”.

Deste modo, “empresário é aquele que explora a atividade de empresa,


ou seja, é o titular do exercício da atividade empresarial, o responsável
pela assunção dos riscos dela decorrentes” (VERÇOSA, 2004, p. 155).

5.3 Sociedade empresarial (empresa)

Figura 15
Fonte: Ilustradora

A sociedade empresarial corresponde a toda a organização composta por


pessoa física ou jurídica, destinada à exploração (prática) de atividades co-
merciais/empresariais, com fins de obtenção de lucro.

Na verdade, o exercício da atividade empresarial, como regra, é feito por


intermédio das empresas/sociedades empresariais, que exercem profissio-
nalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação
de bens ou de serviços, constituindo elemento de empresa.

Logo, pode-se dizer que a sociedade empresarial consiste na reunião de


dois ou mais empresários, para a exploração de atividades econômicas,
com a intenção de obter lucro.

As sociedades empresariais são criadas por meio de um documento cha-


mado de contrato social ou estatuto social, conforme o caso, no qual
devem constar, em regra: o nome, naturalidade e domicílio dos sócios;
o nome pelo qual a sociedade será conhecida; os nomes dos sócios que
podem usar da firma social ou gerir em nome da sociedade; a atividade ou
objetivo social a ser desenvolvido; o total das cotas com que cada um dos
sócios entra para o capital social; a responsabilidade dos sócios; a escolha

Rede e-Tec Brasil 56 Direito e Legislação Comercial


do tipo societário; a nomeação do administrador (gerente); a sede e o foro.
A sociedade somente adquire personalidade própria, passando a ser um
ente próprio, diferente dos seus sócios considerados individualmente,
quando o seu contrato social é registrado no Órgão competente, normal-
mente, a Junta Comercial.

5.4 Estabelecimento comercial

Figura 16
Fonte: Ilustradora

O estabelecimento comercial, também conhecido como fundo de comér-


cio, corresponde aos bens reunidos pelos empresários para o desempenho
da atividade empresarial por eles planejada. Porém, nem todos os bens
pertencentes à sociedade empresarial fazem parte, necessariamente, do
estabelecimento comercial, pois este se limita aos bens destinados ao fun-
cionamento da empresa.

Assim, o imóvel (prédio) onde a empresa funciona não faz parte do esta-
belecimento comercial, já que não é essencial para o seu funcionamento,
pois pode funcionar em outro prédio, alugado, por exemplo.

Além disso, os bens particulares dos empresários também não fazem par-
te do estabelecimento comercial, visto que são alheios ao patrimônio da
empresa.

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 57 Rede e-Tec Brasil
5.5 Nome empresarial (artigos 1.155 a
1.168, do Código Civil).

Figura 17
Fonte: Ilustradora

O nome empresarial consiste no elemento identificador da empresa, que


as distingue das demais. Contudo, o nome empresarial não se confunde
com o nome do estabelecimento comercial (fantasia), tampouco com a
marca do produto ou do serviço ofertado pela empresa, pois para a com-
posição do nome empresarial existem regras a serem seguidas, ao passo
que o nome do estabelecimento e a marca são escolhidos livremente pelo
empresário.

O nome empresarial pode se materializar por meio da firma ou da deno-


minação.

A firma é composta pelo nome do empresário, completo ou abreviado,


acrescentando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do
gênero de atividade, por exemplo, João da Silva; João da Silva Comércio de
Combustíveis ou J. S Comércio de Combustíveis.

Na sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará


sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando
para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão “e companhia” ou
sua abreviatura, por exemplo, José da Silva e Companhia ou José da Silva e
Cia, José da Silva Comércio de Combustíveis e Companhia ou José da Silva
Comércio de Combustíveis e Cia.

Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas


sob a firma social aqueles que, por seus nomes, aparecerem na firma da

Rede e-Tec Brasil 58 Direito e Legislação Comercial


sociedade de responsabilidade ilimitada.

São exemplos de sociedades que utilizam, obrigatoriamente, como nome


a firma: Sociedade em Nome Coletivo (N/C) e Sociedade em Comandita
Simples (C/S); e, opcionalmente: Sociedade Limitada (Ltda) e Sociedade de
Comandita por Ações (C/A).

A firma consiste na identificação (assinatura) da sociedade, de modo que


o empresário deve utilizá-la para a prática de todos os atos da empresa.
Já a denominação é composta pelo elemento fantasia ou nome do sócio
ou dos sócios, obrigatoriamente, acompanhada do ramo de atividade da
sociedade, por exemplo, Brasil Posto de Combustíveis Ltda ou José da Silva
Posto de Combustíveis Ltda.

Utilizam-se, de forma obrigatória, da denominação: as Sociedades Anôni-


mas (S/A) e, de forma opcional: Sociedades Limitadas (Ltda) e Sociedade
em Comandita por Ações (C/A).

Portanto, se o nome da sociedade for composto pelo elemento fantasia


ou nome dos sócios, seguido do ramo de atividade da sociedade, será
denominação, ao passo que se contiver o nome dos sócios, sem que haja
o ramo de atividade, será firma. Mas se tiver o nome dos sócios e o ramo
de atividade pode ser firma ou denominação, sendo que para se saber
de qual se trata é necessário analisar o contrato ou estatuto social, onde
consta o tipo de sociedade e a forma de utilização do nome da empresa.

5.6 Tipos de sociedades empresariais


São tipos de sociedades empresariais mais comuns: a sociedade em
nome coletivo, a sociedade em comandita simples, a sociedade limi-
tada, a sociedade anônima e a sociedade em comandita por ações.

5.6.1 Sociedade em nome coletivo (artigos 1.039


a 1.044, do Código Civil)
As sociedades em nome coletivo são constituí-
das por um contrato social, no qual consta ex-
pressamente o caráter pessoal da sociedade, já
que sua criação é feita em relação a pessoas de-
terminadas, sendo, via de rega, proibida a
entrada de outras pessoas que não aquelas
Figura 18
constantes no quadro social. Fonte: Shutterstock

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 59 Rede e-Tec Brasil
Neste tipo de sociedade, o capital social está dividido em cotas.

Somente podem participar da sociedade em nome coletivo pessoas físicas,


pois nela a responsabilidade dos sócios é ilimitada e solidária, isto é, os
sócios respondem com seu patrimônio pessoal ilimitadamente (indepen-
dente do valor de suas cotas) pelas obrigações assumidas pela sociedade.

A sociedade em nome coletivo pratica seus atos em nome próprio, já


que possui personalidade jurídica, em razão disso, identifica-se pela fir-
ma, composta pelo nome civil de um, de alguns ou de todos os seus
sócios, acrescida da expressão e companhia ou sua abreviatura “cia”.

Este tipo de sociedade somente pode ser administrada por seus sócios, não
admitindo, assim, a contratação de um gerente ou administrador que não
seja sócio da empresa.

A sociedade em nome coletivo dissolve-se (extingue ou termina) quando ven-


cer o prazo de sua duração; por acordo entre os sócios; pela falta de pluralida-
de dos sócios (quando, por exemplo, a sociedade é composta por 02 sócios e
um deles morre, a sociedade fica com apenas um, faltando-lhe pluralidade de
pessoas); pela extinção da autorização para funcionar, quando exigida por lei.

5.6.2 Sociedade em comandita simples (artigos


1.045 a 1.051, do Código Civil)

Figura 19
Fonte: Shutterstock

As sociedades em comandita simples também são criadas por um contrato


social. Seu capital social, igualmente, é dividido em cotas.

A principal característica deste tipo de sociedade é que ela pos-


sui duas espécies de sócios: os comanditados e os comanditários.

Os comanditados são aqueles que respondem ilimitadamente pelas obri-

Rede e-Tec Brasil 60 Direito e Legislação Comercial


gações contraídas pela sociedade, ao passo que os comanditários têm res-
ponsabilidade limitada ao valor de suas cotas.

A especificação do tipo de sócio (comanditado ou comanditário) deve ser


feita no contrato social.

A sociedade em comandita simples pratica seus atos em seu próprio nome,


que pode ser apenas por firma, na qual somente pode constar o nome civil
dos sócios comanditados. Se, no nome da sociedade, constar o nome de
algum sócio comanditário, ele automaticamente passa a responder ilimita-
damente pelas obrigações da sociedade.

A administração da sociedade só pode ser feita pelos sócios comanditados.


A dissolução deste tipo de sociedade ocorre quando vencer o prazo de sua
duração; por acordo entre os sócios; pela falta de pluralidade dos sócios
ou pela extinção da autorização para funcionar, quando exigida por lei.

5.6.3 Sociedades limitadas (artigos 1.052 a1.087,


do Código Civil)

Figura 20
Fonte: Ilustradora

As sociedades por cota de responsabilidade limitada ou apenas sociedade


limitada também deve ser constituída por um contrato social, em que o
capital social é dividido em cotas.

As cotas correspondem a frações do capital social, e devem ser subscritas


e integralizadas (pagas com dinheiro ou bens), a fim de se formar o acervo
patrimonial da empresa.

O diferencial das sociedades limitadas é que a responsabilidade dos sócios


é limitada ao valor das cotas do capital social que possui, se integraliza-
das (incorporadas ao patrimônio da sociedade), devem se utilizadas para o
pagamento das dívidas, se ainda não estiverem integralizdas, o respectivo

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 61 Rede e-Tec Brasil
valor pode ser retirado do patrimônio pessoal do sócio.

Deste modo, se o patrimônio da empresa não for suficiente para quitar


suas dívidas, os sócios respondem, com seu patrimônio pessoal, apenas
em relação ao valor das cotas por ele subscritas (constantes no contrato
social) mas não integralizadas, por exemplo, se susbcreveu 10% do capital
social de uma sociedade com capital social de R$ 10.000,00, mas ainda
não incorporou o referido valor no patrimônio da sociedade (integralizou),
caso haja dívidas que estrapolem o patrimônio da empresa, pode ser res-
ponsabilizado, com seus próprios bens, até o limite de R$ 1.000,00, corres-
pondente ao valor de suas cotas (10% do capital social não integralizado).

Entretanto, se tiver integralizado suas cotas no capital social da empresa,


utilizando o exemplo acima, se já tiver incorporado os R$ 1.000,00 no
patrimônio social, seu patrimônio pessoal não será atingido pela dívida da
sociedade, pois sua responsabilidade limita-se ao valor de suas cotas na
sociedade.

As sociedades limitadas adotam como nome a firma ou a denominação,


acrescida da expressão “Limitada” ou “Ltda”.

A administração da sociedade pode ser feita por um sócio, mais de um


sócio ou mesmo por uma pessoa que não seja sócio, conforme esteja esta-
belecido no contrato social.

Neste tipo de sociedade, o contrato social é feito, normalmente, por prazo


indeterminado, podendo o sócio dela se retirar em qualquer momento,
se assim desejar, ocasião em que terá direito ao recebimento do valor das
suas cotas. O sócio também pode ser excluído da sociedade caso esteja em
atraso com a integralização de sua parte no capital social, caso cometa al-
guma falta considerada grave ou na hipótese de ocorrer sua incapacidade
para prática de atos da vida civil.

Em regra, a dissolução deste tipo de sociedade ocorre por acordo entre os


sócios; pela falta de pluralidade dos sócios; pela extinção da autorização
para funcionar, quando exigida por lei; por decisão judicial quando algum
sócio assim requerer; ou por falência.

Rede e-Tec Brasil 62 Direito e Legislação Comercial


5.6.4 Sociedades anônimas (artigos 1.088 e
1.089, do Código Civil e Lei no. 6.404/76).

Figura 21
Fonte: Ilustradora

As sociedades anônimas são aquelas que são criadas por um estatuto so-
cial, por esta razão também são chamadas de institucionais ou compa-
nhias, seu capital social é dividido em ações, sendo que cada sócio é dono
de um determinado número de ações e, por esse motivo, é chamando de
acionista.

As sociedades anônimas são regidas por uma lei específica, a Lei n.


6.404/76, uma de suas principais características é que a responsabilidade
dos sócios é limitada ao valor de suas ações.

Neste tipo de sociedade, o nome empresarial é composto por denomina-


ção, seguida da expressão “Sociedade Anônima” ou “Companhia” ou por
suas abreviações “S/A” ou “Cia”.

As sociedade anônimas podem ser abertas ou fechadas.

Abertas são aquelas que negociam suas ações no mercado de capital (bol-
sa de valores ou mercado de balcão), de modo que qualquer pessoa pode
se tornar sócio, desde que compre as respectivas ações. Fechadas são
aquelas que não vendem suas ações no mercado de capitais, ou seja, não
disponibilizam suas ações para o público em geral, sendo mais restritas.

A sociedade anônimas dissolvem-se de pleno direito, por decisão judicial


ou por decisão da autoridade administrativa competente.

A dissolução de pleno direito ocorre quando termina o prazo de sua du-


ração; quando ocorre algum fato previsto no estatuto nesse sentido; pela
vontade dos acionistas manifestada em assembleia geral; pela existência

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 63 Rede e-Tec Brasil
de um único acionista; pela extinção da autorização para funcionar, quan-
do a lei assim determinar.

A dissolução por decisão judicial ocorre quando houver anulação do ato


que a constituiu; quando ficar demonstrado que não atingiu seu objetivo
ou quando for decretada sua falência.

A dissolução por decisão da autoridade administrativa ocorre nos casos


em que a lei prevê determinadas exigências que não são cumpridas, por
exemplo, falta de autorização para funcionar.

A sociedade anônima também pode ser objeto de fusão, incorporação


ou cisão. Haverá fusão quando duas ou mais sociedades se unem para
dar origem a uma nova sociedade, extinguindo as sociedades originárias.

Ocorrerá incorporação quando uma ou mais sociedades são absorvidas por


outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Configurar-se-
-á a cisão quando a sociedade transferir seu capital para outras socieda-
des, dando origem a novas sociedades e extinguindo a sociedade inicial.

5.6.5 Sociedade em comandita por ações (arti-


gos 1.090 a 1.092 de Código Civil).

Figura 22
Fonte: Shutterstock

As sociedades em comandita por ações, na verdade, são do gênero das


sociedades estatutárias, de modo que também são constituídas por um
estatuto social, cujo capital social é dividido em ações que podem ser ad-
quiridas por qualquer pessoa.

Este tipo de sociedade pode adotar como nome a firma ou deno-


minação, seguida da expressão “Comandita por Ações” ou “C/A”.

A característica peculiar deste tipo de sociedade é que ela possui dois tipos

Rede e-Tec Brasil 64 Direito e Legislação Comercial


de sócios. Aqueles que exercem cargos de administração da empresa (di-
retoria) e aqueles que não exercem cargos de direção.

Assim, a categoria de sócios que ocupam a direção da sociedade possui


responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais. Já os sócios que não
exercem função de direção possuem responsabilidade limitada ao valor de
suas ações.

No mais, as caracaterísticas das sociedades em comandita por ações são as


mesmas das sociedades anônimas.

No mais, as caracaterísticas das sociedades em comandita por ações são as


mesmas das sociedades anônimas.

5.7 Função social das sociedades empresariais


Cada vez mais, a exploração das atividades
econômicas produz reflexos no meio social
(sociedade), de modo que a função social das
sociedades empresariais, isto é, o papel por
elas desempenhado no desenvolvimento do
interesse coletivo, é tema de grande relevância.

Para se compreender em que, verdadeiramen-


te, consiste a função social das empresas, é
necessário entender, primeiramente, em que
consiste a função social da propriedade, pois o
conceito de empresa está diretamente ligado
Figura 23
ao conceito de propriedade. Fonte: Ilustradora

Assim, a função social da propriedade corresponde, basicamente, ao uso


do direito de propriedade de forma racional e compatível com os anseios
da coletividade. Está prevista na Constituição Federal de 1988, nos arti-
gos 5º, XXII, 182, § 2º e 186, bem como no Estatuto das Cidades (Lei n.
10.257/2001).

Portanto, na verdade, a função social da empresa nada mais é do que um


alongamento da própria função social da propriedade.

Para Almeida (2003, p. 141) “A função social da empresa representa


um conjunto de fenômenos importantes para coletividade e é indispen-

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 65 Rede e-Tec Brasil
sável para a satisfação dos interesses inerentes à atividade econômica”.

Sendo assim, considerando a função social da empresa, ela não deve ape-
nas se preocupar apenas com a obtenção de lucro, que é sua principal
finalidade, já que também tem que pensar na repercussão que o exercício
de sua atividade econômica trará para o meio social.

Deste modo, o exercício da atividade empresarial, mesmo sob a ótica de


sua função social, não deve se distanciar da busca pelo lucro (seu objetivo
primordial), por meio da melhor organização de suas atividades, destina-
da à circulação de valores, redução de custos, aumento da produtividade,
entre outros.

Inclusive porque, no mundo capitalista em que vivemos, as empresas não


se destinam a promover filantropia, mas sim a obter lucro e ganho no de-
sempenho de suas atividades.

Porém, é possível produzir benefícios sociais por meio de gestão eficien-


te da atividade econômica, pois os resultados positivos de uma empresa
traduzem-se, quase sempre, na expansão de suas atividades. O que, con-
sequentemente, contempla a sociedade, já que a ampliação das ativida-
des de uma empresa gera mais empregos, mais impostos (que podem ser
revertidos em benefícios para a sociedade), mais circulação de renda (di-
nheiro), entre outros. Enfim, melhorias na sociedade em que se encontra
estabelecida.

Logo, a função social da empresa também é alcançada quando ela obtém


sucesso (lucro).

Mas não é só isso, já que apenas a busca do lucro não basta, visto que a
empresa não pode se preocupar somente com ganhos, devendo, também,
direcionar seus propósitos para os interesses coletivos, para as modifica-
ções positivas da sociedade.

Portanto, uma empresa atenta à sua função social é aquela que se preo-
cupa com o bem estar de seus empregados, assegurando-lhes adequadas
condições de trabalho e justa remuneração; que atua com lealdade em
relação aos seus concorrentes, sem tentar obter vantagens indevidas que a
beneficiem em detrimento dos demais; que se envolve em ações públicas
ou coletivas, destinadas à promoção do bem estar da sociedade, que res-

Rede e-Tec Brasil 66 Direito e Legislação Comercial


peita o meio ambiente e os consumidores e assim por diante.

Desta forma, o empresário socialmente responsável, especialmente nos


tempos atuais, é aquele que consegue enxergar que a função social da
empresa, na verdade, corresponde a um investimento e não a um gas-
to, uma vez que os consumidores, sobretudo pela facilidade no acesso
à informação (televisão, jornais, internet etc.), cada vez mais procuram
consumir produtos de qualidade, oriundos de empresas que respeitam o
meio ambiente, os seus funcionários e a comunidade em geral, sendo que
o menor preço, em muitos casos, não é o fator determinante da compra.

Portanto, no exercício da atividade empresarial socialmente responsá-


vel, o capital e o trabalho não se excluem, ao contrário, completam-se.

Tanto que nos dizeres de Salles (2000, p. 107): “A empresa não pode ser
corolário de filantropia e nem de selvageria, mas apenas deve ser a con-
tribuição privatista para o desenvolvimento social, mediante a reunião dos
fatores produtivos”.

Resumo
Nesta aula, apresentamos os conceitos de empresário, de sociedade em-
presarial e de estabelecimento empresarial, bem como os tipos mais usuais
de sociedade empresarial: a sociedade em nome coletivo, a sociedade em
comandita simples, a sociedade limitada, a sociedade anônima e a socie-
dade em comandita por ações.

Além disso, fizemos uma análise da função social da empresa, ou seja, o


papel por elas desempenhado no desenvolvimento da sociedade em que
ela se encontra estabelecida.

Atividades de aprendizagem
1. Aponte a importância do nome empresarial em relação ao tipo de res-
ponsabilidade dos sócios no quadro societário.
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Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 67 Rede e-Tec Brasil
2. No mundo atual é cada vez mais importante a função social das empre-
sas. Assim, opine se, de um modo geral, as empresas tem se preocupa-
do com essa função, justifique sua resposta. Além disso, escreva sobre a
viabilidade, no desempenho da atividade empresarial, do cumprimento
da função social da empresa e seu sucesso no mercado profissional.
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3. Com relação às sociedades empresariais, considere as afirmações abaixo:


I. Nas sociedades em nome coletivo, a responsabilidade de todos os
sócios é ilimitada;
II. Nas sociedades anônimas, a responsabilidade dos sócios é limitada
ao valor de suas ações;
III. Nas sociedades por comandita simples, a responsabilidade de uma
parte dos sócios (comanditários) é limitada, ao passo que dos outros
sócios (comanditados) é ilimitada.

Diante de tais afirmações, é correto afirmar que:


a) Todas as afirmações estão incorretas;
b) Todas as afirmações estão corretas;
c) Apenas o iten I está incorrento;
d) Os itens I e III estão incorretos

4. A sociedade empresarial personificada, onde só podem figurar como
sócios pessoas física, na qual todos os sócios são solidaria e ilimitada-
mente responsáveis pelas dívidas sociais é chamada de:
a) Sociedade Limitada;
b) Sociedade Anônima;
c) Sociedade em Nome Coletivo:
d) Sociedade em Comandita Simples.

5. No que se refere ao nome empresarial é correto afirmar que:
a) A sociedade limitada pode adotar firma ou denominação, integra-
das pela palavra final “limitada” ou a sua abreviatura;

b) A sociedade anônina adota, obrigatoriamente, a firma integrada


pela expressão “S/A”;

Rede e-Tec Brasil 68 Direito e Legislação Comercial


c) A sociedade em comandita por ações somente pode adotar a deno-
minação, designativa do objeto social, acrescida da expressão “co-
mandita por ações”;

d) A sociedade em nome coletivo pode adotar tanto a firma como a


denominação, integradas pela expressão N/C.

Prezado(a) estudante,

Vencemos mais uma etapa da disciplina Legislação e Direito Comercial.


Nesta aula você pôde estudar conceitos importantes do direito comercial
moderno, tais como empresário, sociedades empresariais e função social
da atividade empresarial. Na próxima aula, abordaremos os aspectos ge-
rais sobre o micro e pequeno empresário. Não desista do seu processo de
aprendizagem.

Aula 5 - Empresário, Sociedades Empresariais e Função Social das Empresas 69 Rede e-Tec Brasil
Aula 6 - Micro e Pequeno Empresário

Objetivos:

• conhecer a definição de micro e pequeno empresário;

• identificar o tratamento diferencidado dado ao micro e pequeno em-


presário pela lei.

Estimado(a) estudante,

Na aula anterior, iniciamos o estudo das sociedades empresariais e dos


elementos que a integram. Nesta aula, daremos sequência ao assunto,
analisando a figura do micro e do pequeno empresário, assim como do
sistema jurídico diferenciado criado em benefícios deles, pela legislação
de nosso país. Este é mais um conteúdo que contribuirá para a sua qua-
lificação e que poderá ser bastante útil na execução das tarefas que lhe
couberem na área escolhida para atuar.

6.1 Noções introdutórias
A presente aula tem como objeto o estudo do micro e pequeno empresá-
A questão referente às micro
rio e o tratamento diferenciado, mais benéfico, que lhe é dispensado pela e pequenas empresas é tão
legislação brasileira, a fim de promover o incentivo de suas atividades. importante na atualidade que
o Governo Federal criou, por
intermédio da Lei n. 12.792,
de 28 de Março de 2013 a
Assunto bastante relevante, cujo conhecimento mostra-se necessá- Secretaria da Micro e Pequena
rio ao Técnico em Finanças, que irá trabalhar, ainda que de forma in- Empresa da Presidência da
República, que tem status de
direta, com o direito empresarial e, consequentemente, com as pecu- ministério ligada à diretamente
liaridades e os sistemas afetos ao exercício das atividades empresariais. à Presidência da República.
O projeto de lei que previa a
criação da secretaria foi enviado
ao Congresso Nacional no início
Isto porque as micro e pequenas empresas representam grande parte dos da gestão Dilma Rousseff, em
empregos gerados no país, especialmente nas pequenas cidades, que 2011. A secretaria foi criada com
o objetivo de “assessorar direta
correspondem a aproximadamente 70% dos municípios brasileiros, onde e imediatamente o Presidente
quase a totalidade das atividades empresariais é capitaneada por micro e da República, especialmente:
I - na formulação, coordenação
pequenos empresários. e articulação de: a) políticas
e diretrizes para o apoio à
microempresa,(...)

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 71 Rede e-Tec Brasil


(...) empresa de pequeno porte e
artesanato e de fortalecimento,
expansão e formalização de
Micro e Pequenas Empresas;
b) programas de incentivo
e promoção de arranjos
produtivos locais relacionados
às microempresas e empresas
de pequeno porte e de
promoção do desenvolvimento
da produção; c) programas
e ações de qualificação e
extensão empresarial voltadas
à microempresa, empresa de
pequeno porte e artesanato;
d) programas de promoção da Figura 23
competitividade e inovação Fonte: <http://fabiobragaadv.blogspot.com.br/2013/04/lei-que-cria-secretaria-da-micro-e.html>
voltados à microempresa e
empresa de pequeno porte; II -
na coordenação e supervisão dos
6.2 Micro e pequenos empresários
Programas de Apoio às Empresas
de Pequeno Porte custeados
com recursos da União; III -
na articulação e incentivo à
participação da microempresa,
empresa de pequeno porte e
artesanato nas exportações
brasileiras de bens e serviços
e sua internacionalização.
(Fonte: http://noticias.r7.com/
brasil/aprovada-estrutura-da-
secretaria-danbspmicro-e-
pequena-empresa-13052013)
Figura 24
Fonte: Ilustradora

As atividades desenvolvidas pelos micro e pequenos empresários são re-


gulamentadas pela Lei Complementar n. 123/2006, conhecida com Lei
Geral da Micro e Pequena Empresa, a qual estabelece as normas ge-
rais a serem aplicadas no tratamento das micro e pequenas empresas.

Além da mencionada lei, a própria Constituição Federal também dispõe


sobre o assunto, mais precisamente em seus artigos 170, inciso IX e 179.

A indicação do que vem a ser micro ou pequena empresa é feita pela Lei
Complementar n. 123/2006, que em seu artigo 3º, incisos I e II e 68 esta-
belece:
Art. 3º. Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se mi-
croempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresá-
ria, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade
limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406,
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados

Rede e-Tec Brasil 72 Direito e Legislação Comercial


no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas, conforme o caso, desde que:

I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita


bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil
reais); e

II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-


-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e ses-
senta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e
seiscentos mil reais).

Artigo 68. Considera-se pequeno empresário, para efeito de apli-


cação do disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de
janeiro de 2002 (Código Civil), o empresário individual caracterizado
como microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira
receita bruta anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A. (R$
60.000.00)

Portanto, a definição de micro e pequena empresa está ligada direta-


mente ao volume financeiro de suas atividades, isto é, ao montante de
valores movimentado em sua atuação, que é considerado pequeno.

Fato que demonstra, em tese, sua fragilidade perante os demais segmen-


tos do ramo empresarial, pelo que precisa receber um tratamento dife-
renciado, privilegiado, destinado a fomentar/incentivar suas atividades.

6.3 Impedimentos para enquadramento como


micro ou pequeno empresário
O enquadramento como micro ou pequeno empresário não depende ape-
nas do montante de sua movimentação financeira (faturamento bruto
anual), já que existem outros requisitos a serem preenchidos.

O primeiro deles consiste no registro da atividade perante o órgão compe-


tente (Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas,
conforme o caso), ou seja, é indispensável a formalização da atividade, não
se aceitando, assim, empresas informais.

Mas não é só isso, já que existem, também, alguns requisitos negativos,


isto é, proibições, que, se presentes, impedem que o empresário, pessoa

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 73 Rede e-Tec Brasil


jurídica ou a ela equiparada, sejam enquadrados como micro ou pequena
empresa, para os fins da Lei Complementar n. 123/2006.

As principais vedações estão previstas no artigo 3º, § 4º, da referida lei e


referem-se às pessoas jurídicas:

• cujo capital participe outra pessoa jurídica;

• que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pes-


soa jurídica com sede no exterior;

• cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empre-
sário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurí-
dico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que
a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00 (três
milhões e seiscentos mil reais);

• cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento)
do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Comple-
mentar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$
3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais);

• cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra


pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global
ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos
mil reais);

• constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo;

• que participe do capital de outra pessoa jurídica;

• que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de


desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito,
financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corre-
tora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio,
de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de
capitalização ou de previdência complementar;

• resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de


desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um

Rede e-Tec Brasil 74 Direito e Legislação Comercial


dos 5 (cinco) anos-calendário anteriores;

Ano-Calendário corresponde ao
• constituída sob a forma de sociedade por ações. ano anterior ao ano corrente
(atual). Por exemplo, se estamos
em 2013, o ano-calendário é o
Desta forma, apenas poderá ser enquadrado como micro ou pequena em- de 2012. (fonte: http://www.
dicionarioinformal.com.br/ano-
presa aquele que estiver devidamente registrado no Órgão competente, calend%C3%A1rio/)
que tiver faturamento bruto anual compatível com os valores especificados
nos artigos 3º, incisos I e II, 18-A e 68, da Lei Complementar n. 123/2006,
e que não preencher os requisitos de vedações acima especificados

6.4 Regime jurídico dos micro e pequenos


empresários
Como destacado inicialmente, as micro e pequenas empresas recebem,
das leis brasileiras, um tratamento diferenciado, mais protetivo e vantajoso.
Essa proteção começa na própria Constituição Federal, a lei mais im-
portante do país que, em seus artigos 174, inciso IX e 179, abaixo
transcritos, realçam a necessidade de promover o incentivo do mi-
cro e pequeno empresário, por meio de um regime jurídico distinto.

Art. 170 [...]


IX – tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte cons-
tituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração
no País.
Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte,
assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a
incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas,
tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redu-
ção destas por meio de lei.”

O Código Civil, em seus artigos 970 e 1.179, § 2º, também prestigia o


pequeno empresário:

Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e sim-


plificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à
inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a


seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base
na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 75 Rede e-Tec Brasil


documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patri-
monial e o de resultado econômico. [...]

§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário


a que se refere o art. 970.]

Este espírito permeia a Lei Complementar 123/2006, a fim de se criar um


cenário favorável para as micro e pequenas empresas desenvolverem suas
atividades.

Assim, como regra geral, é possível afirmar que a legislação que cuida do
regime jurídico aplicável às micro e pequenas empresas tem 03 (três) obje-
tivos principais: reduzir a carga tributária, desburocratizar a atividade em-
presarial e estimular o desenvolvimento dos negócios de pequeno porte.

A redução da carga tributária é alcançada pela opção pelo Regime Es-


pecial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições pelas Mi-
croempresas e Empresas de Pequeno Porte, conhecido como Simples
Nacional ou Super Simples, previsto nos artigos 12 e seguintes da Lei
Complementar n. 123/2006 em que há a unificação, num só documen-
to de arrecadação, do pagamento dos principais tributos, incidentes, via
de regra, sobre a receita bruta mensal da micro ou pequena empresa.

A desburocratização da atividade empresarial caracteriza-se, por exem-


plo, pela facilitação dos procedimentos de abertura, alteração e fecha-
mento das empresas que, normalmente, são feitos num mesmo ór-
gão responsável, o que, sem dúvida, facilita a vida do micro e pequeno
empresário, que terá mais tempo para dedicar-se às suas atividades.

O estímulo ao desenvolvimento dos negócios de pequeno porte é repre-


sentado pelo tratamento diferenciado conferido às micro e pequenas em-
presas, destinado a conferir melhores oportunidades e possibilidades de su-
cesso e manutenção no mercado produtivo, exemplo disso é o tratamento
privilegiado em relação às demais empesas nas questões trabalhistas, pre-
videnciárias, no acesso ao crédito e nas de licitações (compras feitas pelo
governo), no acesso à justiça para a defesa de seus direitos, entre outros.

Desta forma, conclui-se que o regime jurídico aplicável ao micro e pequeno


empresário é bastante peculiar, visto se diferenciar daquele normalmente apli-
cado aos demais empreendedores, sobretudo em razão de sua simplificação.

Rede e-Tec Brasil 76 Direito e Legislação Comercial


Isto se deve pela intenção do Governo em fomentar e estimular os micro
e pequenos empreendedores e, consequentemente, a formalização das
respectivas atividades produtivas ( na maioria das vezes desempenhada
de maneira informal, o que não é bom para o empreendedor, que fica
desprotegido, sem estar amparado pelos direitos decorrentes da legaliza-
ção de sua situação, nem para o Governo, que deixa de arrecadar tri-
butos e de contribuir para o progresso da nação) e a geração de mais
empregos que, se exitosa, refletirá positivamente na economia do país.

6.5 Principais benefícios previstos na lei


complementar no 123/2006
Conforme já mencionado, a Lei Complementar n. 123/2006 estabeleceu
um tratamento diferenciado para os micro e pequenos empresários, confe-
rindo-lhes alguns benefícios destinados a estimular suas atividades empre-
sariais, podendo ser citados como exemplos: a unificação no pagamento
dos tributos pelo Simples Nacional ou Super Simples; a simplificação para
abertura, alteração ou baixa na empresa; acesso ao mercado; a dispensa
de determinadas obrigações trabalhistas; o acesso à Justiça; a fiscalização
orientadora; incentivo à associação; estímulo ao crédito e o cancelamento
de protesto.

6.5.1 Simplificação no pagamento dos tributos -


simples nacional (artigo 12 e seguintes da
lei complementar no 123/2006)
Conforme já destacado acima, houve a instituição do Simples Nacional,
que se caracteriza num regime especial de arrecadação de tributos e con-
tribuições devidos pelas microempresas, pelo qual o recolhimento mensal
de tributos é feito por meio de um único documento de arrecadação dos
seguintes impostos e contribuições: Imposto sobre a Renda da Pessoa Ju-
rídica - IRPJ; Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI; Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido - CSLL; Contribuição para o Financiamento
da Seguridade Social - COFINS; Contribuição para o PIS/PASEP; Contri-
buição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social; Imposto
sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Presta-
ções de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comu-
nicação - ICMS; Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN.

Com relação ao pequeno empresário, também chamado de microem-


preendedor individual (MEI), a opção pelo Simples Nacional, nos termos
do artigo 18-A, inciso V, da Lei Complementar n. 123/2006, importa no

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 77 Rede e-Tec Brasil


recolhimento de um valor fixo mensal, correspondente a: a) R$ 45,65
(quarenta e cinco reais e sessenta e cinco centavos), a título da contri-
buição para seguridade social; b) R$ 1,00 (um real), a título de ICMS; e
c) R$ 5,00 (cinco reais), a título de ISSQN; ficando isento do pagamento
de IRPJ, IPI, CSLL e COFINS. Entretanto, fica impossibilitado de optar por
esta sistemática de recolhimento o microempresário individual cuja ativi-
dade seja tributada pelos Anexos IV ou V Lei Complementar n. 123/2006;
que possua mais de um estabelecimento; que participe de outra empre-
sa como titular, sócio ou administrador; ou que contrate empregado.

Na hipótese do micro ou pequeno empresário optar pelo Simples Nacio-


nal, a referida opção não pode ser alterada pelo prazo de 01 (um) ano.

6.5.2 Simplificação para abertura, alteração e


baixa na empresa (artigos 8º e 9º, da lei-
complementar no 123/2006)
O procedimento para abertura, alteração ou baixa na micro ou pequena
empresa é bem mais simples do que aquele inerente às demais empresas,
pois a pessoa interessada em desenvolver atividade econômica por meio
de uma micro ou pequena empresa, conseguirá dar início às suas ativida-
des por apenas um órgão responsável, no qual fará um cadastro único e
obterá o número de seu CNPJ.

Além disso, quando do registro, no órgão competente, dos atos constituti-


vos, não será necessário comprovar a regularidade das obrigações tributá-
rias, previdenciárias ou trabalhistas, relativas ao empresário, da sociedade,
dos sócios ou dos administradores, sem prejuízo de responsabilidade dos
mesmos a ser apurada futuramente. Também é dispensada a apresentação
de certidão negativa de condenação criminal, substituída por declaração
do próprio interessado.

Para dar baixa na empresa, em caso, por exemplo, de paralisação das ati-
vidades por mais de 03 (três) anos, o empresário, administrador ou sócio
poderá solicitar baixa no registro nos órgãos competentes, independente-
mente de pagamento dos débitos tributários, taxas, multas devidas pelo
atraso na entrega das respectivas declarações nesses períodos, sem preju-
ízo de posterior cobrança.

Rede e-Tec Brasil 78 Direito e Legislação Comercial


6.5.3 Facilitação do acesso ao mercado (arti-
gos 42 e seguinte, da lei complementar no
123/2006)
Os micro e pequenos empresários possuem facilidades de acesso ao mer-
cado, a fim de que alcancem o desenvolvimento dos negócios por eles
conduzidos, exemplo disso é o tratamento diferenciado na participação
de licitações para vendas de produtos ou serviços ao poder público, já que
podem participar das licitações sem a comprovação imediata de sua regu-
laridade fiscal, que pode ser demonstrada apenas na data da assinatura do
contrato.

Além do mais, em caso de empate, como critério de desempate há que


se dar preferência de contratação para as micro e pequenas empresas. Por
empate, entendem-se aquelas situações em que as propostas apresenta-
das pelas micro e pequenas empresas sejam iguais ou até 10% (dez por
cento) superiores à proposta mais bem classificada.

É possível, também, realizar licitações com a presença apenas de micro e


pequenas empresas, desde que o valor da contratação não ultrapasse a
quantia de R$ 80.000,00.

6.5.4 Dispensa de determindas obrigações tra-


balhistas (artigo 51, da lei complementar
no 123/2006)
Tendo em vista a regra em questão, ficam as micro e pequenas empresas
dispensadas das seguintes obrigações trabalhistas:

• afixação de Quadro de Trabalho em suas dependências;

• anotação das férias dos empregados nos respectivos livros ou fi-


chas de registro;

• empregar e matricular seus aprendizes nos cursos dos Serviços


Nacionais de Aprendizagem;

• posse do livro intitulado “Inspeção do Trabalho”; e

• comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego a concessão de


férias coletivas.

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 79 Rede e-Tec Brasil


Os benefícios contidos no artigo 51, da Lei Complementar n. 123/2006,
não eximem as micro e pequenas empresas das demais obrigações tra-
balhistas, especialmente de proceder às anotações na Carteira de Tra-
balho e Previdência Social - CTPS; ao arquivamento dos documentos
comprobatórios de cumprimento das obrigações trabalhistas e previden-
ciárias, enquanto não prescreverem essas obrigações; à apresentação
da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servi-
ço e Informações à Previdência Social - GFIP; à apresentação das Rela-
ções Anuais de Empregados e da Relação Anual de Informações Sociais
- RAIS e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED.

6.5.5 Facilitação dos acesso à justiça (artigos 54


e 74, da lei complementar no123/2006)
Basicamente, duas são as facilitações para que a micro e pequena empre-
sa tenham mais facilidade para a defesa de seus direitos junto ao Poder
Judiciário.

A primeira delas refere-se à Justiça do Trabalho, que faculta ao micro ou


pequeno empresário ser representado por terceiras pessoas que conheçam
os fatos que deram origem ao processo, ainda que não possuam vínculo
trabalhista ou societário.

Destaque-se que as demais empresas somente podem ser representadas


na Justiça do Trabalho por pessoas que com ela tenham vínculo trabalhista
ou societário.

A segunda reporta-se aos Juizados Especiais Cíveis, conhecidos como Jui-


zados de Pequenas Causas, que passaram a admitir que as micro e pe-
quenas empresas proponham ação para discutir seus direitos, o que era
proibido. Ressalte-se que, nos Juizados, o processo é mais simplificado e
rápido, além do que não há cobrança de custas judiciais ou imposição de
sucumbência, em primeira instância.

6.5.6 Fiscalização orientadora (artigo 55, da lei


complementar no 123/2006)
A fiscalização, diferentemente do que ocorre normalmente, no que se re-
fere aos aspectos trabalhistas, metrológicos, sanitários, ambientais e de
segurança, das micro e pequenas empresas, deverá ter natureza priorita-
riamente orientadora, ou seja, inicialmente os órgãos de fiscalização de-
vem orientar sobre a correção das práticas tidas como irregulares, ficando

Rede e-Tec Brasil 80 Direito e Legislação Comercial


para um momento posterior a imposição de punição (auto de infração).

Assim, deve ser observado o critério da dupla visita antes de ser lavra-
do o auto de infração, salvo se tratar de matéria tributária ou quando
for constatada infração por falta de registro de empregado ou anotação
da Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS, ou, ainda, na ocor-
rência de reincidência, fraude, resistência ou embaraço à fiscalização.

6.5.7 Incentivo à associação (artigo 56, da lei


complementar no 123/2006)
A Lei Complementar n. 123/2006 incentiva a formação de sociedades
com propósitos específicos (consórcio) de micro e pequenas empresas,
sem que haja criação de nova personalidade jurídica, a fim de que con-
signam desempenhar suas atividades com melhor poder de negociação,
por exemplo, comprar matéria prima em maior volume (para atender to-
das as consorciadas) por um preço menor, tornando-se mais competitivas.

6.5.8 Estímulo ao crédito (artigo 57 e seguintes,


da lei complementar no 123/2006)
Devem ser instituídas políticas destinadas a melhorar o acesso das micro
e pequenas empresas aos mercados de crédito e de capitais, objetivando
a redução do custo das transações, a elevação da eficiência alocativa, o
incentivo ao ambiente concorrencial e a qualidade do conjunto informa-
cional, em especial o acesso e portabilidade das informações cadastrais
relativas ao crédito.

Exemplo disso é que os bancos públicos estão obrigados a manter linhas


de crédito específicas paras as micro e pequenas empresas, as quais de-
verão ser amplamente divulgadas, a fim de que seus destinatários tomem
conhecimento de sua existência.

6.5.9 Cancelamento de protestos (artigo 73, da


lei complementar no 123/2006)
O cancelamento de protesto, quando se tratar de micro ou pe-
quena empresa, será facilitado, já que poderão pagar o títu-
lo no próprio cartório com cheque próprio, cuja quitação fica-
rá condicionada à compensação do cheque, ressalvando que, em
regra, o pagamento deve ser feito em dinheiro ou cheque administrativo.

Além disso, o cancelamento do protesto, fundado no pagamento do tí-

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 81 Rede e-Tec Brasil


tulo, será feito independentemente de declaração de anuência do credor,
salvo no caso de impossibilidade de apresentação do original protestado.
Por fim, destaque-se que, se o pagamento do título ocorrer com cheque
sem a devida provisão de fundos, serão automaticamente suspensos pe-
los cartórios de protesto, pelo prazo de 01 (um) ano, todos os benefícios
previstos para o devedor no artigo 73, da Lei Complementar n. 123/2006,
independentemente da lavratura e registro do respectivo protesto.

Resumo
Nesta aula, você teve oportunidade de verificar a definição de micro e
pequeno empresário, bem como o tratamento diferenciado, mais vanta-
joso, que lhe é oferecido pela legislação brasileira, no intuito de incen-
tivar as atividades desenvolvidas pelos micro e pequeno empresários.

Atividades de aprendizagem
1. Dentre os benefícios assegurados ao micro e pequeno empresá-
rio, pela Lei Complementar n. 123/2006, aponte aquele que, no
seu entendimento, é mais eficaz para promover o desenvolvimen-
to da respectiva atividade empresarial. Justifique sua resposta com
os motivos que o levaram a optar por este ou aquele privilégio legal.
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2. Considera-se pequeno empresário, para efeito de aplicação do disposto


nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Có-
digo Civil):

a) O empresário individual caracterizado como microempresa que au-


fira receita bruta anual de até R$ 60.000,00;

b) A sociedade simples e o microempresário individual que aufiram


receita bruta anual de até R$ 60.000,00;

c) As sociedades simples e a sociedade empresária que aufiram receita

Rede e-Tec Brasil 82 Direito e Legislação Comercial


bruta anual de até R$ 90.000,00;

d) O empresário individual ou empresário de pequeno porte caracte-


rizado como microempresa que aufira receita bruta anual de até
R$ 65.000,00.

3. A Lei Complementar n. 123/2006 estabeleceu diversas norma relativas


ao tratamento diferenciado, mais vantajoso, oferecido às Microempre-
sas e às Empresas de Pequeno Porte. Assinale a alternativa que indica
um benefício NÃO PREVISTO na mencionada lei:

a) regime unificado de apuração e recolhimento dos impostos e con-


tribuições da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municí-
pios, inclusive com simplificação das obrigações fiscais acessórias;

b) dispensa do cumprimento de todas as obrigações trabalhistas e


previdenciárias;

c) facilitação do acesso ao crédito e ao mercado;

d) preferência nas compras públicas.

Caro(a) estudante,

Concluímos mais uma fase de nossos estudos, na qual foram enfrentadas


questões referentes aos micro e pequenos empresários e o regime jurídico
a eles aplicado. A próxima aula terá como objeto o estudo das questões tri-
butárias e fiscais decorrentes da prática empresarial. Você está caminhando
para a finalização da disciplina, mas ainda há mais para estudar. Não desista!

Aula 6 – Micro e Pequeno Empresário 83 Rede e-Tec Brasil


Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais
Decorrentes da Prática Empre-
sarial

Objetivos:

• compreender conceitos e institutos do direito tributário relativos às


atividade empresariais;

• entender o planejamento tributário destinado à redução legal da car-


ga tributária.

Caro(a) estudante,

Acreditamos que você avança com êxito em seus estudos e já superou


vários degraus na escada do aprendizado. Lembre-se de que o cami-
nho do conhecimento não termina, pois sempre estamos aprendendo
e compartilhando saberes, mas há etapas importantes a serem con-
cluídas, como a finalização deste caderno. Esta é a nossa penúltima
aula, chegou o momento de analisarmos os desdobramentos tributá-
rios e fiscais decorrentes da atividade empresarial. Sigamos em frente.

7.1 Noções introdutórias


No Brasil, o sucesso da atividade empresarial é tare-
fa cada vez mais difícil, isto se deve, em muito, pela
elevada carga tributária existente no país, que se
aproxima de 40% do nosso Produto Interno Bru-
to. (Fonte: http://www.jmnews.com.br/noticias/espaco%20
publico/42,33195,05,05,o-pib-e-os-impostos-no-brasil.shtml).

Assim, no estudo de direito empresarial, impos-


sível não se ater às questões tributárias e fiscais, as quais
têm importância determinante no desempenho da ativi-
dade empresarial.

Desta forma, faz-se necessário compreender alguns


conceitos e institutos do direito tributário, que têm in-
fluência direta no dia a dia das sociedades empresariais, uma vez que

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 85 Rede e-Tec Brasil
as empresas e as pessoas que nela trabalham devem conhecer o sistema
tributário, a fim de que possam alcançar um melhor enquadramento fiscal,
no intuito de melhor planejar suas atividades, bem como reduzir o peso
dos tributos em seu orçamento, sendo este o objetivo da presente aula.

7.2 Tributo: conceito e espécies

Figura 26
Fonte: Ilustradora

O conceito de tributo é trazido pelo artigo 3º, do Código Tributário Na-


cional, pelo qual “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em
moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de
A expressão in natura é uma
locução latina que significa “na ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
natureza, da mesma natureza”. plenamente vinculada”.
É utilizada para descrever os
alimentos de origem vegetal
ou animal que são consumidos
em seu estado natural, como Logo, são características primordiais do conceito legal de tributo:
por exemplo as frutas. (http://
pt.wikipedia.org/wiki/
In_natura) a) Deve ser pago em dinheiro, ou seja, não se admite o pagamento de
tributo por meio de prestação de serviços ou in natura;

b) É obrigatório (compulsório) independentemente da vontade do con-


tribuinte;

c) Não consiste em sanção pela prática de ato ilícito por parte do con-
tribuinte. Assim, a obrigação de pagar o tributo surge independen-
temente da prática de qualquer ato contrário à lei. Aqui reside a
principal diferença entre tributo e multa, já que esta decorre justa-
mente da prática de um ato proibido por lei;

Rede e-Tec Brasil 86 Direito e Legislação Comercial


d) A obrigação de pagar o tributo decorre sempre de uma lei;

e) É cobrado por meio de uma atividade administrativa vinculada, isto


é, obrigatória do Poder Público (Fisco), ocorrendo o fato gerador o
ente estatal fica obrigado a cobrar o tributo.

f) Basicamente, 05 (cinco) são as espécies de tributos: os impostos, as


taxas, as contribuições de melhoria, os empréstimos compulsórios e
as contribuições.

7.2.1 Impostos

Figura 27
Fonte: Ilustradora

Os impostos são espécie do gênero tributos, apesar de muitas pessoas pen-


sarem, de forma equivocada, que os impostos são sinônimo de tributos.

O conceito de imposto também é trazido pelo Código Tributário Nacional,


que em seu artigo 16 afirma que “imposto é o tributo cuja obrigação tem
por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal
específica, relativa ao contribuinte”.

Sendo assim, os impostos se caracterizam pelos valores pagos ao governo


(federal, estadual ou municipal) em razão da prática de determinados fatos
previstos em lei, destinados a fazer frente aos gastos públicos em geral
(saúde, educação, segurança etc). A utilização do dinheiro arrecadado com
a cobrança dos impostos, portanto, não é vinculada, ou seja, não é ne-
cessário que seja utilizado para despesas específicas, podendo o governo
escolher a sua destinação.

Os impostos incidem sobre a renda (salários, lucros, ganhos de capital) ou


sobre o patrimônio (bens móveis ou imóveis) das pessoas físicas e jurídicas.

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 87 Rede e-Tec Brasil
7.2.2 Taxas

Figura 28
Fonte: Ilustradora

As taxas, segundo o artigo 77, do Código Tributário Nacional,


“têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia,
ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específi-
co e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição”.

A taxa, portanto, é um tributo ligado diretamente a uma atividade es-


tatal, a uma contraprestação de serviços públicos ou de benefícios
feitos ou colados à disposição do contribuinte. A utilização dos re-
cursos captados com a cobrança das taxas é vinculada à respectiva ati-
vidade, que devem ser por eles custeadas. Deste modo, não há li-
berdade na destinação dos recursos arrecadados, os quais devem ser
aplicados integralmente na atividade que deu origem à sua cobrança.

Em relação a esse fato, o contribuinte pode dizer que não a pagará porque o
governo não está oferecendo o respectivo serviço, já que seu valor corresponde
a uma contraprestação estatal. Isto não ocorre, como dito, com os impostos.

Percebe-se, assim, que o fato gerador da taxa não consiste numa ati-
vidade do contribuinte, mas do próprio Estado, que exerce uma deter-
minada atividade e, em razão dela, cobra da pessoa que dela se utiliza.

São exemplos de taxas as cobranças por autorizações de funcionamen-
to, de vistorias etc. (exercício do poder de polícia – fiscalização) ou taxa
de limpeza pública, de iluminação pública, entre outras (taxas de serviço).

Rede e-Tec Brasil 88 Direito e Legislação Comercial


7.2.3 Contribuição de melhoria

Figura 29
Fonte: Ilustradora

A contribuição de melhoria, nos termos do artigo 81, do Código Tributário


Nacional, consiste na cobrança

pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pe-
los Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições,
é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de
que decorra valorização imobiliária, tendo como limite to-
tal a despesa realizada e como limite individual o acréscimo
de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

A contribuição de melhoria, portanto, é a espécie de tributo que


tem como causa a valorização de um imóvel em razão da realização de uma
obra pública, sendo, deste modo, vinculado, já que seu valor é limitado, de
forma geral, ao valor da obra, e de forma individual, à valorização do imóvel
do contribuinte. Desta forma, o Poder Público não pode arrecadar, de todos
os contribuintes, mais do que o valor gasto na obra, e o contribuinte não é
obrigado a pagar mais do que o valor referente à valorização de seu imóvel.

7.2.4 Empréstimo compulsório


O empréstimo compulsório consiste no pagamento
obrigatório ao governo federal, a título de emprés-
timo, de determinada quantia por parte dos contri-
buintes, a fim de que seja resgatado num determina-
do prazo, para fazer frente a situações excepcionais
decorrentes de calamidade pública, guerra externa
ou a sua iminência.

Sendo assim, a principal característica dos emprés-


timos compulsórios é a de que serão restituídos ao
Figura 30
Fonte: Ilustradora

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 89 Rede e-Tec Brasil
contribuinte, o que não ocorre com os demais tributos. Além do mais, só
podem ser cobrados pelo governo federal (União).

Além disso, é um tributo vinculado, pois o dinheiro arrecadado deve ser


utilizado na situação que justificou sua cobrança (calamidade pública,
guerra externa ou a sua iminência).

Consiste numa espécie de tributo bastante rara, pouco utilizada, pois,


como dito, é vinculado à ocorrência de determinadas situações excepcio-
nais.

7.2.5 Contribuições sociais

Figura 31
Fonte: Ilustradora

As contribuições sociais podem ser, resumidamente, definidas como uma


espécie de tributo destinado à intervenção do governo em determinadas
áreas.

Nos termos do artigo 149, caput, da Constituição Federal, três são as es-
pécies de contribuições sociais: as de seguridade social, as de intervenção
no domínio econômico e as de interesses de categorias profissionais ou
econômicas.

A finalidade destas contribuições é assegurar ao Governo Federal (União),


responsável, em regra, pela criação das contribuições, um instrumento de
intervenção e/ou atuação nas respectivas áreas em que são instituídas, de
modo que os valores arrecadados devem ser destinados às finalidades es-
pecíficas que justificaram sua cobrança.

As contribuições de seguridade social caracterizam-se pela busca do bem


estar e da justiça social, têm como objetivo o financiamento da própria
seguridade social, ou seja, as ações destinadas a garantir os direitos relati-

Rede e-Tec Brasil 90 Direito e Legislação Comercial


vos à saúde, à previdência e à assistência social, conforme prevê o artigo
194, da Constituição Federal, podem ser citadas como exemplos de contri-
buições de seguridade social o pagamento de INSS (Previdência Social), a
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), entre outras.

As contribuições de intervenção no domínio econômico, também conhe-


cidas como CIDE, são aquelas instituídas com a finalidade não apenas de
arrecadar valores, mas especialmente de intervir em determinada atividade
econômica, pode ser citada como exemplo a CIDE/Combustível.

As contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas,


chamadas também de contribuições profissionais, são aquelas instituídas
em favor de determinadas categorias profissionais ou econômicas, desti-
nadas ao custeio das atividades desenvolvidas pelas respectivas instituições
de classe para o desempenho de suas atribuições. Exemplos desta espécie
de contribuição são as contribuições sindicais, anuidade do CREA, da OAB,
entre outras.

7.3 Competência tributária e atividade
empresarial
No Brasil, os tributos podem ser criados pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal ou pelos Municípios, conforme a competência de cada um,
estabelecida pela Constituição Federal ou pelo Código Tributário Nacional.
De um modo geral, a esse poder de criar determinado tributo dá-se o
nome de competência tributária.

Desta forma, basicamente, a competência tributária está dividida em tribu-


tos federais, estaduais e municipais.

Assim, são os principais tributos de competência da União, referentes ao


exercício da atividade empresarial: Imposto de Importação (II), Imposto de
Exportação (IE); Imposto de Renda (IR); Imposto sobre Produtos Industriali-
zados (IPI); Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF);
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); Contribuição Social so-
bre o Lucro Líquido (CSLL); Contribuição para os Programas de Integração
Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP); Con-
tribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Previdên-
cia Social (INSS), Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), taxas e
contribuições de melhoria.

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 91 Rede e-Tec Brasil
No âmbito da competência estadual, podem ser citados: Imposto sobre
Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD); Impostos sobre Operações Re-
lativas à Circulação de Mercadorias e à Prestação de Serviços de Comunica-
ção e Transporte Interestadual e Intermunicipal (ICMS); Imposto sobre a Pro-
priedade de Veículo Automotor (IPVA), taxas e contribuições de melhoria.

Já na esfera municipal destacam-se os seguintes tributos: Imposto sobre os


Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN); Imposto Predial Territorial Urbano
(IPTU); Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI);

7.4 Função dos tributos


A princípio, como regra, as pessoas acreditam que os tributos arrecadados
pelo Poder Público têm apenas a função de arrecadar recursos para custear
as despesas do Estado. Entretanto, esta consiste em apenas uma das três
funções inerentes aos tributos.

Por conseguinte, em nosso país, os tributos têm como função: a fiscal, a


extrafiscal e a parafiscal.

A função fiscal pode-se dizer que se trata da regra, ou seja, é a função


mais comum, já que tem como finalidade arrecadar recursos financeiros
para abastecer os cofres do ente público, a fim de que possa praticar os
atos de governo.

Já a função extrafiscal, apesar de arrecadar recursos, não tem isso como


objetivo principal, pois visa, primeiramente, interferir no domínio econômi-
co (na economia), no intuito de regular determinados setores, aumentan-
do ou diminuindo o consumo de determinado produto. Por exemplo, os
tributos incidentes sobre as bebidas alcoólicas e os cigarros são mais caros
do que aqueles que recaem sobre os alimentos, o que faz com que o preço
daqueles seja mais elevado. Isto se deve pelo fato de o governo, com tal
medida, tentar desestimular o consumo de tais produtos.

A função parafiscal também não se destina, propriamente, a arrecadar


valores para o Estado, já que nela ocorre a transferência para outros entes,
que não a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, da autonomia
para arrecadar (cobrar), fiscalizar e aplicar (gastar) determinados tributos,
na realização de suas respectivas finalidades. Normalmente, a função para-
fiscal está presente nas contribuições sociais, mais especificamente nas de
interesse de categorias profissionais ou econômicas, podendo ser citadas

Rede e-Tec Brasil 92 Direito e Legislação Comercial


como exemplo as contribuições devidas à OAB, ao CREA, ao CRM etc.

7.5 Planejamento tributário e fiscal


Tendo em vista o elevado número de tributos inci-
dentes sobre a atividade empresarial, é indispensá-
vel para o sucesso da empresa, e para sua própria
manutenção no mercado o planejamento tributá-
rio, o qual se destina a buscar, antes mesmo de re-
alizar o fato sobre qual incidirá o tributo, melhores
alternativas para o enfrentamento do pesado valor
dos tributos.
Figura 32
Fonte: Ilustradora

Mesmo porque, nos tempos atuais, os tributos correspondem a maior


parcela de despesas das empresas, razão pela qual é quase questão de
sobrevivência a adequada administração do peso dos tributos, tarefa bas-
tante complicada ante a quantidade de tributos, o número excessivo de
leis sobre o assunto e a burocracia existente na arrecadação e fiscalização
tributária, porém é muito útil e proveitoso para as empresas valerem-se de
tal prática.

Portanto, o planejamento tributário caracteriza-se pela realização,


por parte das empresas, de estudos e pesquisas destinados a desco-
brir alternativas mais benéficas em relação aos impactos tributários e
fiscais decorrentes da atividade comercial, com o objetivo de redu-
zir a carga tributária, sempre de acordo com as determinações legais.

Assim, o planejamento tributário visa reduzir o valor devido a título de tri-


butos por meio de alternativas previstas em lei, nunca pelo uso de práticas
ilegais, tal como a sonegação.

Figura 33
Fonte: Ilustradora

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 93 Rede e-Tec Brasil
Sendo assim, o planejamento tributário, pode dar origem a duas situações:
a elisão e à evasão fiscal.

A elisão fiscal corresponde ao próprio planejamento tributário, ou seja,


práticas destinadas à eliminação, redução ou retardamento do ônus tribu-
tário, feitas antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e
em total conformidade com a lei.

Já a evasão fiscal corresponde a uma prática ilegal (contrária à lei), des-


tinada à redução do valor dos tributos, também chamada de sonegação,
por meio da qual o contribuinte oculta, frauda ou desvirtua determi-
nadas operações tributáveis. É considerada ilegal e passível de punição.

De tal modo, o planejamento tributário corresponde à escolha, entre


duas ou mais opções, todas lícitas, daquela que melhor atenda aos in-
teresses da empresa, ou seja, daquela que resulte no menor valor dos
tributos, podendo ser citada como exemplo a empresa que opta por
mudar sua sede para outra cidade onde a alíquota do ISSQN é menor.

Resumo
Nesta aula, você pôde estudar conceito, espécies e função dos tributos,
bem como planejamento tributário. Estes são temas de grande importân-
cia para aquele que desempenha a atividade empresarial, tendo em vista a
elevada carga tributária do país.

Atividades de aprendizagem
1. Pesquise e aponte qual o tributo que mais pesa no orçamento dos con-
tribuintes, bem como se há meios de efetuar planejamento para dimi-
nuir seu ônus.
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Rede e-Tec Brasil 94 Direito e Legislação Comercial


2. A respeito do conceito de tributo, estabelecido no artigo 3º do Código
Tributário Nacional, é correto afirmar que:
a) Pode constituir sanção de ato ilícito;
b) Pode ser pago por meio de prestação de serviços de qualquer na-
tureza;
c) é toda prestação pecuniária facultativa;
d) é toda prestação pecuniária facultativa

3. A Constituição Federal outorgou competência tributária a diversos en-


tes. Dentre as alternativas abaixo, aponte o ente que NÃO possui com-
petência tributária:
a) União;
b) Estados;
c) Municípios;
d) Empresas Públicas.

4. São tributos de competência dos Municípios.


a) ICMS e ITBI;
b) ISSQN e IPTU;
c) ITCD e IR;
d) ISSQN e ITR.

Prezado(a) estudante,

Ao finalizar esta aula, você pôde avançar mais um pouco em seu pro-
cesso de aprendizagem. Nela abordamos aspectos tributários e fis-
cais inerentes ao desempenho das atividades empresariais. As-
sim, estamos próximos de concluir nossas reflexões sobre o direito
comercial. Na próxima e última aula, estudaremos a legislação comercial
e o antigo direito comercial. Prossiga para chegar ao fim da disciplina.

Aula 7 - Questões Tributárias e Fiscais Decorrentes da Prática Empresarial 95 Rede e-Tec Brasil
Aula 8 - Leis e Artigos Relacionados ao
Antigo Direito Comercial: Evo-
lução Histórica

Objetivos:

• identificar a origem e evolução do direito comercial;

• reconhecer a legislação comercial brasileira, desde o seu surgimento.

Valioso(a) estudante,

Chegamos, com alegria e satisfação, ao final de nossa jornada. Este é


o nosso último encontro. Graças à dedicação e esforço até aqui empre-
gados, podemos afirmar que os objetivos foram alcançados, você pôde
vencer mais uma etapa, adquirir mais conhecimento e ampliar seus ho-
rizontes no campo do saber, especialmente no que se refere ao direito
comercial. Nesta última aula, estudaremos temas referentes à origem do
direito comercial e ao seu aprimoramento ao longo dos tempos, tanto no
exterior quanto no Brasil.

8.1 Noções introdutórias


Nesta aula, serão tratados assuntos relacionados à origem do direito co-
mercial, que surgiu ainda na Idade Média, com o aprimoramento das rela-
ções comerciais entre os povos, pois juntamente com a evolução dos atos
de comércio, surgiram os problemas e questões decorrentes de tal práti-
ca, os quais precisavam ser regulamentados de forma específica. O que se
deu por meio do direito comercial, sendo esta a razão de seu surgimento.

Além disso, como consequência lógica do estudo da origem e evolução


das leis e regras do direito comercial, serão enfatizados os aspectos mais
relevantes dos primórdios do direito comercial no Brasil e de seu desen-
volvimento ao longo dos tempos.

Estes temas são bastante relevantes no estudo das normas que tratam
das relações empresariais, já que somente é possível conhecer, entender
e manipular um sistema jurídico se conhecidos suas origens, causas e
fundamentos.

Aula 8 – Leis e Artigos Relacionados ao Antigo Direito Comercial: Evolução Histórica 97 Rede e-Tec Brasil
8.2 Origem do direito comercial

Figura 34
Fonte: Ilustradora

O estudo dos primórdios do direito comercial remonta a própria origem


das relações de comércio na história da humanidade, de modo que o sur-
gimento do direito comercial está diretamente ligado à história das práticas
comercias entre os povos.

MARTINS (1996) assinala que no início os grupos sociais buscavam bastar-


-se a si mesmos, mantendo-se com suas produções rurais familiares. Con-
A palavra escambo significa tudo, com o natural crescimento da população surgiu a necessidade de se
a troca de mercadorias por
trabalho. (fonte: http://www. realizar trocas de mercadorias e, posteriormente, a criação da moeda. Tudo
suapesquisa.com/o_que_e/
escambo.htm)
isso para facilicar o escambo.

Após essa fase, conforme Cavalcante (2010), teve início o cum merx, ou
escambo de mercadorias, derivando mais tarde na expressão cummerciun.
A palavra comércio segundo Tomazette (2009) vem do latim commutatio
mercium que significa troca de mercadorias.

Neste passo, na antiguidade, as práticas comerciais limitavam-se às trocas,


ou seja, os bens eram trocados entre si. Inexistiam leis específicas discipli-
nando o assunto, razão pela qual não se pode dizer que existia, naquela
época, direito comercial propriamente dito.

Assim sendo, foi a partir da Idade Média que as relações comerciais se


aprimoraram, ocasião em que o comércio se intensificou, especialmen-
te na Europa, na região do Mediterrâneo, mais precisamente nas cidades
de Gênova, Pisa e Veneza. Esta evolução se estendeu, ainda no período
medieval, para além do Oceano Atlântico, com as Grandes Navegações
capitaneadas por Portugal e Espanha.

Logo, juntamente com o crescimento das atividades comerciais, surgi-


ram, como consequência lógica, os problemas dela decorrentes, os quais

Rede e-Tec Brasil 98 Direito e Legislação Comercial


necessitavam de regras para serem esclarecidos e superados. Além do
que, era necessário dar mais segurança jurídica às práticas comerciais.

Foi neste cenário que surgiram as primeiras regras de direito comercial,


destinadas a conferir maior confiança e estabilidade às relações mercantis.
Neste momento da história, que coincidiu com o ressurgimento das cidades
(burgos) e o aparecimento da burguesia, que era formada pelos habitantes
que povoavam as cidades medievais, os quais, em regra, se dedicavam ao
comércio e à produção artesanal, houve a necessidade de organizar as
práticas comerciais, o que se deu, principalmente, pelas Corporações de
Ofício, que eram instituições formadas por operários e produtores de um
determinado segmento (ofício/profissão), que organizaram suas próprias
leis destinadas a solucionar os conflitos decorrentes das atividades comer-
ciais por eles desenvolvidas.

Este momento coincidiu com o aparecimento de alguns institutos jurídicos


até hoje utilizados, tais como: os títulos de crédito, as sociedades, os con-
tratos mercantis e os bancos. Sendo, portanto, a Idade Média o berço do
direito comercial.

Todavia, apesar de ter surgido na Idade Média, foi na Idade Moderna, com
a formação dos Estados Nacionais Monárquicos, época das Monarquias,
que o direito comercial se aprimorou, cujas regras eram ditadas pelo Es-
tado, na figura do Monarca/Rei, devendo ser obedecidas pelas pessoas,
conhecidas como súditos.

Assim, na França, em 1804 e 1808, foram editados o Código Civil e o Có-


digo Comercial, respectivamente, os quais estabeleceram regras a serem
observadas nas relações privadas.

O Código Comercial Francês era pautado na teoria dos atos do comércio,


já que havia a discriminação de todos os atos tidos como comerciais, de
modo que aquele que praticasse um ato descrito na lei como comercial
ficava sujeito às regras respectivas (Código Comercial).

Não obstante, mesmo depois das primeiras codificações, ou seja, após edi-
tadas as primeiras leis, o direito comercial continuou a evoluir, tanto que,
na Idade Contemporânea, pode ser citado como marco desta evolução
o Código Civil Italiano de 1942, que delineou institutos e regimes jurídi-
cos muito próximos daqueles atualizados atualmente no direito comer-

Aula 8 – Leis e Artigos Relacionados ao Antigo Direito Comercial: Evolução Histórica 99 Rede e-Tec Brasil
cial, passando a utilizar como parâmetro a teoria da empresa, pela qual
a atividade empresarial é vista como atividade econômica independente e
organizada. Portanto, ainda que não estiver prevista em lei como atividade
comercial, deverá ser considerada como tal, se reunir suas características.

Por conseguinte, de um jeito ou de outro, as práticas comerciais sempre


estiveram presentes na vida das pessoas, tendo se desenvolvido ao lon-
go dos tempos. Desenvolvimento que deu origem ao direito comercial,
que, igualmente, vem evoluindo no decorrer da história, acompanhando
os avanços e progressos sociais.

8.3 O direito comercial no Brasil


No Brasil, na época da Colônia, apesar da existência de relações comer-
ciais, não havia leis locais que regulamentassem o comércio em geral,
mesmo porque o direito aplicado naquela época era o português, pois
a Colônia estava submetida às regras legais da Coroa, o que começou a
mudar apenas no início do século XIX, mais precisamente em 1808, com a
vinda da família real portuguesa que tinha fugido da Europa para escapar
do domínio Napoleônico no continente europeu Foi o momento em que
o direito comercial brasileiro começou a nascer.

Figura 35
Fonte: <http://www.brasil.gov.br/linhadotempo/epocas/1808/chegada-da-familia-real-portuguesa-ao-brasil>

Deste modo, com a chegada da família real no país, houve a promulgação,

Rede e-Tec Brasil 100 Direito e Legislação Comercial


em 28 de janeiro de 1808, pelo Príncipe-Regente de Portugal, Dom João
de Bragança, do Decreto de Abertura dos Por-
tos às Nações Amigas. O referido decreto cor-
respondeu a uma Carta Régia, pela qual ficava
autorizada a abertura dos portos do Brasil ao
comércio com as nações amigas de Portugal,
terminando, com isso, o pacto colonial, sendo
possível o comércio direto entre o Brasil e outras
nações, sem a intervenção direta de Portugal.

Ainda em 1808, foi editado o Alvará de 1º Figura 36


Fonte: <http://guiaavare.com/noticia/
de Abril, que permitiu o livre estabeleci- 4514/dia-da-abertura-dos-portos-1808-
mento de fábricas e manufaturas no Brasil. 25-de-janeiro>

Figura 37
Fonte: <http://linux.an.gov.br/mapa/?p=3451>

No mesmo ano, também foi elaborado o Alvará de 12 de outubro, que


criou o primeiro banco do território nacional, qual seja, o Banco do Brasil.

Figura 38 - Logo Banco do Brasil


Fonte: Ilustradora

Em 1822, o Brasil conseguiu sua independência perante Portugal, mas,


ainda assim, as relações mercantis eram disciplinadas, em sua maioria, pe-
las leis portuguesas e, em caso de omissão das leis lusitanas, pelos Códigos
Comerciais da Espanha e da França, em decorrência da “Lei da Boa Ra-
zão”, pela qual, no caso de lacuna ou omissão da lei portuguesa, deveriam

Aula 8 – Leis e Artigos Relacionados ao Antigo Direito Comercial: Evolução Histórica 101 Rede e-Tec Brasil
ser aplicadas as regras previstas nas leis de outras nações cristãs, situação
que perdurou até 25 de junho de 1850, quando foi editada a Lei n. 556,
conhecida como o Código Comercial Brasileiro, inspirado no Código Co-
mercial Francês.

Figura 39
Fonte: Ilustradora

O Código Comercial de 1850 surgiu em decorrência do crescente potencial


econômico do país, que necessitava de uma lei própria para regulamentar
as relações comerciais.

Como dito, a inspiração do Código Comercial Brasileiro de 1850 veio da


França, que tinha como base a teoria dos atos de comércio, segundo a
qual todo aquele que praticasse os denominados atos de comércio, espe-
cificados na lei como tal, teria a qualidade de comerciante, de modo que
suas atividades deveriam ser regidas pelo respectivo Código Comercial.

Deste modo, se a relação jurídica envolvesse a prática de alguns dos atos


definidos pelo Código Comercial como atos de comércio, deveriam ser
aplicadas as regras nele previstas. Porém, se a atividade não envolvesse
a prática destes atos, deveriam ser aplicadas as normas do Código Civil.

Contudo, embora orientado pela teoria dos atos de comércio, o Có-


digo Comercial de 1850 não relacionou especificamente quais se-
riam os atos considerados como comerciais, sendo, portanto, omis-
so neste ponto. Tanto que, em 25 de novembro de 1850, foi editado
o Decreto n. 737, popularmente conhecido como Regulamento 737
que, suprindo a omissão do Código Comercial, estabeleceu quais
eram as atividades sujeitas à jurisdição dos Tribunais de Comércio,
ou seja, quais eram os atos considerados como práticas comerciais.

Este cenário perdurou por quase um século, pois apenas a partir de 1960,

Rede e-Tec Brasil 102 Direito e Legislação Comercial


o tratamento jurídico das relações comerciais começou a mudar, uma vez
que se passou a entender o direito comercial como um sistema geral, liga-
do ao direito privado, relativo a inúmeras práticas comerciais e não somen-
te àquelas atividades descritas na lei como tal. Tal entendimento é pautado
na teoria da empresa, tida esta como toda e qualquer atividade econô-
mica organizada e não somente aquelas especificadas na lei como tal.
Isto ocorreu em razão da influência do direito italiano, mais precisamente do

Código Civil de 1942 que, além de não ter definido conceito jurídico de em-
presa, também promoveu a unificação formal do direito privado, no qual as
relações civis e comerciais foram disciplinadas numa única lei, o Código Civil.

Assim, este processo de alteração de paradigmas ocorrido no Bra-


sil concluiu-se apenas em 2002, com a Lei n. 10.406, conhecida como
o Novo Código Civil Brasileiro que, além de tratar das regras de di-
reito civil, revogou a Primeira Parte do Código Comercial de 1850,
assim como promoveu a unificação do direito privado brasileiro.

Figura 40
Fonte: Ilustradora

Portanto, o novo Código Civil deu início a uma nova fase do direito co-
mercial brasileiro, confirmando-o como o direito da empresa, mais amplo
e adequado para regulamentar o desenvolvimento das atividades econô-
micas desenvolvidas no país.

Resumo
Nesta aula, apresentamos a origem do direito comercial e os motivos
que deram ensejo ao seu surgimento, assim como sua evolução históri-
ca ao longo dos tempos, tanto no exterior, como no Brasil, até chegar
aos tempos atuais e as leis que, neste momento, tratam do assunto.

Atividades de aprendizagem

Aula 8 – Leis e Artigos Relacionados ao Antigo Direito Comercial: Evolução Histórica 103 Rede e-Tec Brasil
1. Escreva sobre a importância da vinda da família real portuguesa para o
direito comercial brasileiro.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
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______________________________________________________________

2. Com relação à evolução do direito comercial brasileito, assinale a alter-


nativa incorreta:

a) O marco inicil do direito comercial no Brasil ocorreu no sécu-


lo XIX, mais precisamente em 1808, com a vinda da família real
portuguesa, que tinha fugido da Europa para escapar do do-
mínio Napoleônico no continente europeu naquela época;

b) Em 28 de janeiro de 1808, houve a Abertura dos Por-


tos às Nações Amigas, pelo Príncipe-Regente de Portu-
gal, Dom João de Bragança, autorizando a abertura dos por-
tos do Brasil ao comércio com as nações amigas de Portugal;

c) Ainda em 1808, foi editado o Alvará de 1º de Abril, que permi-


tiu o livre estabelecimento de fábricas e manufaturas no Brasil;

d) Em 1950 foi criado o Código Comercial, destinado a disciplinar as


questões comerciais no Brasil.

Prezado(a) estudante,

Chegamos ao final de nossos estudos em relação ao componente curricu-


lar de direito comercial, ao longo dos quais foram enfrentadas algumas
questões básicas pertinentes a este segmento do direito. Porém, dada a
amplitude da matéria, há inúmeros outros assuntos cujo conhecimento
mostra-se útil aos profissionais que, no exercício de suas funções, lidam
com as normas comerciais, dentre os quais, o Técnico em Finanças, pelo
que, desde já, fica sugerida uma pesquisa mais aprofundada da matéria,
que possibilitará o conhecimento mais apurado dos institutos do direito
comercial.

Rede e-Tec Brasil 104 Direito e Legislação Comercial


Palavras finais

Caríssimo(a) estudante,

Em razão do grande esforço e dedicação empreendidos até aqui, foi possí-


vel chegar ao final de mais uma etapa desta jornada, no curso de Técnico
em Finanças. Essa vitória é digna de elogios e comemoração.

Os ensinamentos absorvidos nesta disciplina serão de grande valia para


seu futuro profissional e pessoal, pois todo e qualquer conhecimento con-
tribui, ainda que indiretamente, para o aprimoramento e progresso pesso-
al e profissional daquele que o adquiriu.

Entretanto, o entusiasmo decorrente da conclusão desta fase deve perma-


necer, a fim de que as próximas etapas sejam transpostas com a mesma
dedicação, porquanto, na vida, o sucesso pode ser alcançado se houver
muito empenho e zelo, e a busca pelo conhecimento deve ser constante,
uma vez que o saber se traduz num processo contínuo e gradativo, em
constante desenvolvimento.

Portanto, este é o primeiro passo, porém muitos outros deverão ser dados.
Não se esqueça de que o conhecimento deve ser construído a cada dia,
além do que, ele não tem limites. Nosso contato direto encerra-se aqui,
porém estamos à disposição para colaborar no que for necessário.

Até breve, sucesso em sua caminhada.


Bons estudos e prosperidade em seus propósitos!

105 Rede e-Tec Brasil


Guia de soluções

Aula 01
Atividade 01
Resposta: A justificativa para a proteção dos consumidores nas relações
de consumo é a sua situação de hipossuficiência, ou seja, por ser parte
mais fraca e vulnerável, precisa de tratamento diferenciado para são so-
frer abusos. O ponto positivo é que a proteção conferida aos consumido-
res, garante, em regra, relações mais justas, sem excessos ou exageros.

O ponto negativo é que se o sistema de proteção for utilizado sem cri-


térios, pode prejudicar o fornecedor e, inclusive, inviabilizar a produção.

Atividade 02
Resposta: B

Aula 02
Atividade 01
Resposta: Como regra, o sistema de proteção aos consumidores, criado
pelo CDC, parece ser justo, pois tenta colocar em condição de igualda-
de aqueles que se encontram em situação desigual, fornecedor e consu-
midor. Evitando, ou pelo menos tentando evitar, que os mais fortes (for-
necedores) cometam abusos com os menos favorecidos (consumidores).

A efetividade dos instrumentos de proteção aos consumidores, na prática,


esta ligada diretamente à informação e ao desenvolvimento local, pois nos
lugares mais desenvolvidos, onde há mais informação e, consequentemen-
te, as pessoas são mais esclarecidas, os direitos dos consumidores são mais
respeitados, pois os abusos são denunciados aos Órgãos de proteção com
mais frequência.

Atividade 02
Resposta: D

Atividade 03
Resposta: A

Rede e-Tec Brasil 106 Direito e Legislação Comercial


Aula 03
Atividade 01
Resposta: A importância dos contratos mercantis se revela pela própria
evolução das relações comerciais, já que é fundamental que as obrigações
assumidas nas relações mercantis sejam materializadas em um documento
escrito, ou seja, um contrato, a fim de que possam ser exigidas. A maior
ou menor utilidade de determianda espécie de contrato comercial está li-
gada diretamente ao tipo de atividade desenvolvida pela parte interessada.
Como regra, pode-se dizer que o contrato de compra e venda é um dos
mais utilizados.

Atividade 02
Resposta: Se o segurado estiver em atraso com o pagamento do prêmio,
em caso de sinistro, não terá o direito de receber a respectiva indenização,
já que no contrato de seguro há obrigações para ambas as partes. Assim,
aquela que não cumpriu com suas obrigações não pode exigir que a outra
parte cumpra.

Atividade 03
Resposta: B

Atividade 04
Resposta: A

Atividade 05
Resposta: F, V, F, V

Aula 04
Atividade 01
Resposta: A opção pela compra parece ser a mais interessante, tanto que
é a mais comum, pois após pagar um número determinado de parcelas,
a título de locação, o arrendatário pode adquirir a propriedade do bem
mediante o pagamento do valor residual. Nas outras opções o arrendatário
não fica com a propriedade do bem.

Atividade 02
Resposta: Vantagens: facilita as compras; gera mais segurança, pois não
é preciso que a pessoa leve consigo dinheiro em espécie; possibilita que
a pessoa realize uma compra pelo valor à vista e pague somente na data

107 Rede e-Tec Brasil


do vencimento da fatura. Desvantagem: caso o cliente não pague a fatu-
ra na data do vencimento, são cobrados juros com taxas elevadíssimas.

Atividade 03
Resposta: D

Atividade 04
Resposta: D

Aula 05
Atividade 01
Resposta: O nome empresarial, em se tratando de responsabilidade dos
sócios é tema de grande importância, pois nas sociedades onde há respon-
sabilidade ilimitada o nome do sócio que tem responsabilidade ilimitada
compõe o nome empresarial.

Deste modo, quando o nome do sócio estiver no nome da empresa, sendo


ela de responsabilidade ilimitada, o patrimônio pessoal daquele sócio pode
responder por dívidas contraídas pela empresa.

Atividade 02
Resposta: Atualmente é cada vez maior o número de empresas preocu-
padas com sua função social, embora é preciso reconhecer que se trata
da minoria das empresas existentes no mercado. Dentre as empresas que
possuem compromisso social, há aquelas que, de fato, estão preocupadas
com o desenvolvimento coletivo, destinando suas ações para o alcance
do bem comum; e, também, aquelas que, apesar de originariamente não
se preocupar tanto com o interesse social, promove práticas sociais como
meio de atender determinadas exigências legais, bem como vincular e di-
vulgar que sua marca está ligada a questões sociais.

Sobre a viabilidade e o progresso no mercado empresarial da empresa


atenta a sua função social, nos parece perfeitamente alcançável, vez que
a preocupação com o bem comum e práticas sociais, não tem potencial,
por si só, de comprometer o sucesso da empresa. Pelo contrário, já que a
marca de um empresa socialmente responsável pe difundida com maior
amplitude.

Rede e-Tec Brasil 108 Direito e Legislação Comercial


Atividade 03
Resposta: B

Atividade 04
Resposta: C

Atividade 05
Resposta: A

Aula 06
Atividade 01
Resposta: O benefício mais interessante, no nosso entendimento, é a sim-
plificação no pagamento dos tributos, visto que o micro e pequeno empre-
sário recolhe os tributos incidentes na atividade por ele desenvolvida atra-
vaés de um único documento de arrecadação fiscal. O que facilita bastante
a vida do pequeno empresário, especialmente pela quantidade de tributos
e pela burocracia na arrecadação.

Atividade 02
Resposta: A

Atividade 03
Resposta: B

Aula 07
Atividade 01
Resposta: O tributo mais significativo na vida do empresário é o ICMS, que
incide sobre a circulação de mercadorias e serviços de transporte interesta-
dual, intermunicipal e de comunicação.

Existem formas de diminuir a incidência do ICMS, com planejamento tri-


butário, por exemplo, o empresário abre uma filial em outra cidade ou
estado, após isso não pagará mais ICMS na transferência de produtos e
serviços entre as lojas, pois, em tese, não há venda de mercadores ou pres-
tação de serviços, mas apenas transferência de um estabelecimento para
outro, do mesmo proprietário.

Atividade 02
Resposta: D

109 Rede e-Tec Brasil


Atividade 03
Resposta: D

Atividade 04
Resposta: B

Aula 08
Atividade 01
Resposta: Foi com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em
1808, que nasceram as primeiras regras de direito comercial no país, além
do que as relações comerciais se intensificaram, pois houve a abertura dos
portos para as nações amigas, fato que estimulou o comércio.

Atividade 02
Resposta: D

Rede e-Tec Brasil 110 Direito e Legislação Comercial


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Currículo do Professor-autor

Walter Matheus Bernardino Silva, nascido em


Cambará, Estado do Paraná, em 16 de julho de
1982. Graduado em Ciências Sociais e Jurídicas
pela Universidade Estadual do Norte do Paraná,
UENP, Brasil, no ano de 2006. Pós-Graduado Latu
Sensu em Direito Tributário, com Formação em
Magistério Superior, pela Universidade Anhangue-
ra Uniderp, UNIDERP, Brasil, no ano de 2012. Procurador de Carreira da
Procuradoria Geral do Município de Cacoal, Estado de Rondônia. Membro
do Escritório de Advocacia Pena Carvalho e Silva Sociedade de Advogados.

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