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Circularidades Atlanticas e mediterranicas

Hershenzon

Braudel – O Mediterrâneo
Estabeleceu o mar Mediterrâneo como campo de estudos
Século XVII – quebra da unidade mediterrânica

A partir do final da década de 1960 – poucos estudos focando no Mediterrâneo


Antropologia social segue estudando o mar – foco nos valores sociais e culturais dos
povos mediterrânicos
Michel Herzfeld – crítica aos trabalhos de antropologia social do mediterrâneo

Andrew Hess – The forgotten frontier – unidade mediterrânica já não existia tinha
tempos

Tese de Braudel x críticos do mediterranismo – resulta num foco maior em nações e


estados

Horden e Purcell – The corrupting sea – muda o foco da unidade em favor das
especificidades – legitima mediterranismo contra Herzfeld
Mediterrâneo como espaço de combinação de fragmentação, instabilidade, risco
administrado pela diversificação e redistribuição, possibilitado pela conectividade
extrema.

Ian Morris artigo Mediterraneanization – 2003, Mediterranean Historical Review


– sugere que ao invés de se estudar mediterranismo, melhor seria estudar
mediterranização.
Espaços/mares não deixam existir simplesmente, mas são feitos e desfeitos por um
conjunto de indivíduos, instituições, práticas e representações.
Quando as interações entre as instãncias mudam, o que rola é mediterranização ou de-
mediterranização.
Pós-colonialismo e atenção maior à alteridade
Tendência a ignorar o Mediterrâneo – foco no Atlântico

Questão dos primeiros encontros

Horden – artigo 2005

The de Michael Herzfeld – crítica ao Mediterranismo


Mediterrâneo como objeto de diversos discursos, que deve ser desconstruída tb
Acadêmicos – risco do argumento circular do “Mediterrâneo” como uma única e
distintiva região ou cultura
Mediterranismo funciona como uma desculpa para fins políticos ilegítimos –
justificativa para a superioridade e domínio do norte europeu sobre osul

Horden – mediterrâneo como unidade: criação oitcentista


Geógrafos do séc XIX criam o Mediterrâneo alinhados aos projetos políticos do norte
europeu
Antiguidade – Mare nostrum – mas o Império Romano não era uma terra nostra –
pensamento geográfico via uma diversidade antes de um ambiente mediterrânico
comum

4 tendência nos estudos sobre isso:


- Reducionista – “história no”, parte apenas do mediterrâneo
Sem maior justificativa para esse recorte, que não a unidade mediterrânica imaginada
pelos oitocentistas
Ex.: Historie de la Méditerranée (1998) – coletânea
Dois tipos: pega o todo (ex.: David Abulafia, The Mediterranean in History, 2003 –
mutual influência / conflito através do mar)

Rhapsode – fica no âmbito do discurso sobre o Mediterrâneo (perspectiva pós-moderna)


Ex.: Matvejevic

Realismo reflexivo – Horden, The Corrupting Sea


Mediterrâneo como ambiente, não apenas um mar, criação + descoberta, síntese do
material e do mental, do discursivo e do pé-no-chão

Aspectos considerados por Horden e Purcel – aspectos econômicos


Regime de risco – estratégias para se lidar com tempos ruins
Lógica de produção – diversificação da produção para minimizar riscos
Estocagem de suprimentos para prevenir contra anos ruins futuros
Redistibuição do estocado e do “fresco”, com diferentes ritmos para diferentes produtos
dessa diversificação

Isso gera fragmentação topográficas


Microecologias – percepções dos produtores a respeito de qualquer particularidade
topográficas – interatividade entre populações e ambiente, e entre diferentes
microecologias – criações mutáveis e fluidas, o que aumenta o regime de risco normal,
resultando nas abordagens da produção

Regime d ecomunicações – possibilitado pela geografia da região – mediterraneo como


uma grande zona de rede de introversão – muitos contatos internos

Molly Greene – A shared world

Pirenne – Mediterrâneo como espaço de duas civilizações que se hostilizam e se


chocam através do mar

Braudel – passa para além das diversões de estado, religião e cultura para apontar uma
experiência comum baseada na partilha de contrastes ambientais – tira a ênfase no
conflito apontado por Pirenne

Historiadores otomanos – não confrontaram o argumento de Braudel diretamente, mas


apoiaram a ideia do Mediterrâneo como zona de contestação cultural e confronto
Andrew Hess – diz que Braudel analisa exemplos majoritariamente do cristianismo
latino
Atlântico – pensado como um mundo de comunidades europeias e seus territórios ao
londo da costa atlântica, vistos como merament4e “coloniais” ou “Pós-coloniais”
Agora, o atlântico é visto com uma comunidade de trocas de mercadorias, de ideias, de
trabalho, de linguagens e de cultura – compreendido como espaço compartilhado

Bailyn – Atlantic History

Tendência anteriores – história centrada nos impérios coloniais, suas estruturas e


administração – Charles Andrews, Clarence Haring; escritos sbre exploração e
descobrimento – Morison, William Hovgaard, Fridtjof Nanse, Henry Harisse, C. R.
Boxer, Bailey Diffie, Edgar Prestage, J. P. Oliveira Martins, Vignaud, Pigafetta, H. P.
Biggar
Escritos de Walter Lippmann – contexto: Primeira Guerra Mundial – clamava por uma
comunidade atlântica a ser defendida, para justificar a entrada dos EUA no conflito

Davis – The Atlantic System – contexto: 2ª GM - comentário sobre a política atlântica


de Churchill
Defendida que, a despeito de variações regionais, havia uma tradição atlântica, marcada
pelo cristianismo ocidental – mundo pós-guerra dominado por centros de poder
regionais dominados pelos estados atlânticos

Pós – 2ª Guerra
OTAN, Plano Marshall e Doutrina Truman – Preocupações políticas com determinada
configuração do Atlântico e com a posição dos EUA nesse espaço
Surge o Conselho Atlântico dos Estados Unidos
1963 – The Atlantic Journal Quartely – tiragens pequenas, mas aponta para um esforço
de altos escalões em promover uma ideia de uma histórica e inevitável comunidade
atlântica
Programas de promoção dos estudos atlânticos nas universidades
Contexto: Guerra Fria e a ideia de defesa da Cristandade Ocidental contra o avanço
comunista

Ross Hoffman – publica Europe and the Atlantic Community (1945).


Hayes – fala de um cultura ocidental de matriz greco-romana e judaico-cristã – ataca a
ideia de uma excepcionalidade dos EUA, que julga comum aos historiadores, e
argumenta que se deve pensar a América em sua afiliação com a Europa, ainda mais
com o comunismo vindo do Oriente
Ponte entre discurso político e a historiografia acadêmica

Defensores da ideia de uma comunidade atlântica (década de 1940) – Frederick Tolles


(Quakerss and the Atlantic Culture), H. Hale Bellot, Jacques GOdechot (se foca apenas
na história marítima), Jacques Pirenne, Michael Kraus

Década de 1950 – aumento das dimensões desses estudos atlânticos


Godinho (trabalhos da de economia do Império Português), Max Silberschmidt
Pierre e Huguette Chaunu – trabalho de Economia Atlântica
Verlinden – civilização comum no Atlântico surge no século XVIII, mas é resultado de
relações culturais que só ocorreram mediante a existência de fundações e predecente
administrativos, institucionais, econômicos e sociais que remontam à Europa Ocidental
da Idade Média – continuidade entre desenvolvimentos coloniais mediterrânicos da
Baixa Idade Média e as empreitadas coloniais dos séculos XVI e XVII
- Tentativa de uma história pan-americana – Zavala responsável pela empreitada e pelo
volume específico do período colonial – críticas ao projeto relacionadas ao isolamento
das Américas em relação a Europa (John Parry, Verlinden) e à África, mais importantes
do que as próprias relações das colônias entre si – o projeto acabou tendo impacto
menor que o esperado

1954-1955 – Godechot e Robert Palmer – primeira vez em que se conceitua a ideia de


uma História Atlântica – século XVIII – movimento revolucionário que existia tanto na
Europa quanto na América daquele momento
Paralelismo com o Mediterrâneo de Braudel – Atlântico como base em torno do qual
surge lentamente uma civilização
“Permeabilidade” das rotas transatlânticas e comunicações, dominação inglesa do
oceano, comércio atlântico
Palmer – The Age of the Democratic Revolution (1959-1964, 2v) – linka a Rev
Americana com o fenomeno atlântico

Chaunu – Seville et l´Atlantique (1950´s) – 4vols


Não apenas comércio atlântico de Sevilha, mas todos os aspectos da história de um
ocenao
Recorre às ideias dos Annales de estruturas e conjunturas para compreender a
civilização ibero-atlântica
Contempla todo o mundo ibero-americano em interação com a Europa durante período
de hegemonia espanhola

Philip Curtin (1969) – The Atlantic Slave Trade: a Census


Sistema do Atlântico Sul, surge a partir dos seus estudos sobre a Jamaica, pensando a
conexão entre as culturas e economias africana e europeia na américa do sul, inclusive a
ilha
Levanta dados sobre origens geográficas, números e condições da população escrava;
fontes africanas da cultura jamaicana
Inspira novos estudos sobre o comércio escravo
Culmina com a publicação em 1999 da Trans-Atlantic Slave Trade, uma base de dados
colaborativa computarizada, com muitos dados coletados em diversos países
Redes Pan-Atlanticas de associação entre diversos grupos assentados na América
Inglesa, com os nativos da América Ibérica, diáspora africana no Atlântico

Primeiros trabalhos sobre o mundo atlântico (Chaunu, Godinho, Haring, Hamilton)


Elementos para se pensar a história econômica e a multiplicidade de redes de troca,
flutuações monetárias e de capital, mercados intercontinentais e tópicos similares
Porém, estudos ficaram confinados em marcos nacionais por motivos práticos (com o
tempo, as limitações foram transpassadas por novos historiadores econômicos que
apontavam para um mundo mais complexo)
Fim da década de 1960 – Stanley e Barbara Stein – penetração de interesses estrangeiros
no sistema comercial iberoamericano – inclusive com presença de diversas procedências
nacionais na estrutura de dominação econômica espanhola

Percepção da complexidade do sistema atlântico, que não cabe nos enquadramentos


formais
Preocupações da História Atlântica que incorporam preocupações políticas
A partir dos trabalhos de Franco Venturi, começam a se explorar tópicos em história
intelectual / Pocock – O momento maquiavélico, faz uma genealogia da “tradição
republicana atlântica, do itália do séc XV para a américa do século XIX

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