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_Geografi~ Física e llu~ana 147


. ..o .· habitàt rural .oferc(:ê, qµánto à ocupação impr~- .
dunva do solo (casas, ,est:radas, ruas, praças etc) c0.
, h b. lo . .d _ , . 1 rmas · 1

dífe~~~ces _: o _ a .itat _· . re~a .o, .e~ _que não. é -gta~de


a distanc1a entre ~s res1denc1~s e existem. espaçós consi~
1

derâve~ e~cre ,?S ,po~o~dos __ e º·.h~~it.at disperso, ém que·


as hab1ta~9es sao · m,~1s; ~sol~4a~ urpas das outras, ocupan~
do a 111:a1or, parte~-.dai area _teg1onal explorada.
As orígeps d~-.um~ c;~dade: se prendem geralmente a
_ um povoado prírrtítívb, -de .. caráter rural ou outro que
. encont~o~ condí,~?·es'·. f*~~-á~eís ' de ·âesenvolvím~n;o na
sua loçalização para íntetcân,ihí~;, isto é;_·um .porto, um
1 1

·de ·estrac/;,asf,. iÚ-iJ,ª- ponte, umâ. confluência de


iios, uma .- situêtçãq 'topÔgrdfic4, ,unl oasis, . um mosteiro
ou ' uma fortàleza ~--' ·. As.·_ ., êz~,'.~- vários dêscçs fatores :se
0

e.
\

acham reuni.dos a: tída.d': dese-rnp~nha_funções ·especiais


·,diversas. -~-•:,·~ . po_s'içã9 ,·ma,rgt . l, e~ ~e~ ntac.co com dois
meí~s ·diferén_t~s.,, plan~cíe . ç ·. ..,•1Yi ij ~" mar, .orla · da
mata~ gàrgaintà .oti p~sso, P,r~díspo. m · núcleo ·de pop~,
:cor~ar
_lação ·'1: _.se F..11~r~ _'urbân~~ ~ ~ além disso, cid~:-
. des -totalmente · artificidis, · c~nsfti4~dcl;s em terras preh~
minarmen;~ ~ çsc9lhjdis par~ qonsJ~t~itfim capitaís ~u sedfS ·
admínísctativás.·· .: ..- . . . - · ·· . 1..,·:- ·
- 1 • • • \
1
· .

. I{í6. ~e ·Janeiro é··tÍpo , da c1dad! ,pôrco de mar com


• • ,.), { \ /Ili,/

º. abrí~o- de ' àrnrlp. Bl~mena~J-::F~m su_a '.Pº:íçao m~r,


cada- como . sendo limite extremo -clã na vegaç?,o fluvial
· do · río ltaj aL . Lião é confluência· ti~~do~s rios ím:~orcan,
tes O Ródano e· o Saone. [?amasco JéW)asís. .Washin~t~n,.
e
C4iiberrçi, EelJ.Horizonte Gôiânitii"5são ce.ncros adm~ 1s~ .
tratívo,s·· irti.fícíaís, porque f9r~rrt traçados e.çon_scruid~s .
para êste fim:. Poços de .Caldas,- Carlsbad e Vtchy sao
cídad~s ~'águas; · O desenvo.l':ín:1erico .das~ éid:~ comfe~
crescimer:z,to ·corrppondcnte: de su_a popu.laçao nao e um
/ . •
: t-..

148 Carlos -Delgado de -º ~


ª~valho
1 .

. nômeno iegular e conscaô:ce. · Cert~s Cidades c~CScem :mais


t .·
1 ' .
ràpídamente, <?urras decaem _e decr.escem, como; na : an:-
tígüídad_e, Babilqní~ .o~ .A}exa~~ria._ . - º • _ .

. ,.Atualmente existem ~erca de trinta grandes cidades


Cuja população_é de ~ais d~ u~ tn~!hão_ d~ almas; cks-
cas umas :doze possuem mais de dois ~ulhoes e, quanto
às ~idades de -màís de três rnilhõ~s, eram (entte 1935 e
193g) . Londr~s,.··- Nova ·~-'York, · Tó1uío, París,- ;Berlim,
Moscoú, Changaí, -Chioago e Osaca: ·_ ·· . -·
;' _ !. .· ·_ Com a formàção das ·cidaqes e_o seu desenvolvimen,
··co-, a pai:sagem•· geogr~:fica· natural va.i desap~r'éce_ndo aos
poucos, :os·àcidence_s C(?pográfícos são vencidos e uma ~ede
1 •
f ,.

,l •_ -. _ complexa de abastecimento do· exterior se estabelece se,


1. -· _ · gundp um síst--etna ordei;iadq de circula_ção _urhana. Con,
~t '
1

, · gestío_nàdas e 'rnaJ àparelhadas, muitas grandes cidades


1
,1 1 não · se prestam .ao· intenso _movimento que nelas se vai
,.

estabelecendo e . irnpõe,se' -à -sua administração urn certo


1
1
. I·
púmero ~e readaptações o~ -planos de urbanismo. Com,
.p~~cam estes plano~, 1:1,oy.os traçados mais amplos; novas
l ruas, _n,_;ovas avenidas, . pontes de localização racional das
1 ,

1
. '
'•

1
-ocupaçoes t .dos prédi9s, arejamento e saneamento.
1 , _ O aspecto .social .<!,~ . o~Qpação''huinana do quadro geográfi~o ·
e dado ~ela agl?meraçao urbana. . . Certos núcleos · -de · populaçaf
i · encontra~ con~ções de meio que lhes permitem rápido cresci-
. ~ento, outr?s _v~ge!~m ou decé;\~m. A cidade, ' em regra, é q W. ex-
1 ,

poente _da vida po!1tica e ec~nômica de uma nação.·


. . ,

/ · As C,ap-i tais - ·As cíd;des -cuj~ -ímportânda


.' rlmca 'cbr~sceu . ao ponto . de se· t~rnaiem -sedes dos po-- l~.
ere~, pu licos. de um ·Estado- são .d.itas · cap·ítaís. S6 e:x--
cepc1onalme
· . . . ,. ~te ·e}c.~stem
· . ' . .vos ·lega.is
d1spos1t1 · · ·que conce
• dªrn
1
tais pnv1leg10s
.. . -. a· uma, c1'dade; ·e relativamente
· recence o
-conceito de cidade-capital única, pq~,· em alguus países,
· Geografia Física e Humana · 149

RIO DE JANEIRO · '


~:·J~tti ..,(l . CONVENÇÕES
.- (•"'"'º•· ·<V, CAPITA L:. ,l "b"lf' Novo,.

CIDAbE I , •--•••q•
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A baía de Guanabara e as suas comunicações


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existem a_inda · ·duas ou mais c~pita_ís - na Holan_da, _


po~. exemplo,- são_ capitais Amsterdam e Haia.
A ·maior parte das vêzes, a função de capital cabe
a uma -cidade · .devido a um conjunto de circunstâncias
históricas que nel~ localizaram no passado os . detentores .
d_o poder do Estado. O que coristícue a capital, em úl--í
~ima a_nálíse,_ é a r:esidfncia__d? gové~'!1º _do país. ·A pr6:_ão
os aconteç1mentos e --suf1c1ente pata . u~a deslocaçao,
tnesb~o temporária; foi assim que, em 1940, · Vichy
su stituíu p ans.
' · ,.
· As capitais naturais são · cidades do Estado que
se superpõ.e m · a · centros econômicos anteriores, aos quais
1

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150 Carlós Delgado de- Oarvàlho · · Geografia Física e H umdna 151
l elas vêm trazer maior ir:nportânda e atividade. Nelas 0 OU: • marginal. _ . Ao primeiro caso, pertencem Moscou,
interçâ111:bio p.recedeu o · exercício: da autoridade polícica. · , . .Par:ís! _Berlim; ao segundo,. 'R._ío de Janeiro, Istamhul,
Londres, París, Viena, sâo exemplos .dÊstes' núcleos de Lisbr;,a. .
relações sociais e econ8mícas. Algµns países -ainda .. possuem várias capitais ou
pelo · -m enos capitais· móveis: a Pérsí:a com Teheran e Is,
NEÓR:..O .. '.pahan, a Ab1ssínia com Anc6ber e Adis,Abeba. Marrocos
_; com , Fez e · Màrrakech são casos· típicos.
•,, . , . .A capital nem sempre 'é a cidade mais populosa do
• f '" · país;: na Itália, Roma, na Es_Ranha, Madrid e nos Es,
tados Unidos, W ashíngcon nao são mais povoadas do
~, EUROPA
·que Nápoles, .Barcelona e Nova York, respectívamente.
1 . . No conceito geográfic~ primitivo, uma capitaf deveria ser o
.,,. centro político mais iniportante do país, bem localizado, bastante
}- afastado d,a frónteir~, 1>9r motivos de. segurança e em fácil comu,-
. _ nicação coin .o país inteiro. Hoje em dia, o encurtamento das ~s-
1
i
.1! . -, · tânclas e o aperfeiçoa.inen,to dos meios de--ataque dão pouco vaj,or
A .
pr~tico a êste conceito. . .
4. · As fronteiras - Quando, ·em sociedades pri,
: . . ·· mitívas-, . grupos humanos isolaâos, em têrrit6rios sem
-~--f.: ,,:;.quàdros delimitados nem forinas precisas, se tornam vi:
' . ;:<.: •. iin}l,o~ e entram em contacto, estabelece,se entre êles
1
· .· · ·µt11a zona de separação, um líµ-Íice de competência
. . . ê -~ frontéira . .,. •. . . '
ESTAMf>UL N.O, !,QSFOR.Ô , s 1<m, . .. :
1; •' .->: ./}:tualmente, s&bre a ·superfície da Terra, a maior
~t ••
... .r·,1,arte· dos Estados possuem linhas de demàrcação, limites
. As capitais ai tíJicidís .ião.~idades planejadas e cons, a•· ~u fronteiras, isco é, marcos em que termina a _sua auto,
,fruídas, em local aproptíade>,..para servir de ·cenc_ro ad, -'. · . riçlade ·política e principia a autoridade política do Es,
m~nístrativo · São epcontradas~· freqüeotemente em Es, · tado vizinho · ou límícrofe.
tados feqeraciyos ou em . países .novos. . Wa.$hington, · :'.' · A' (ronteira, <::orno elemento políc~-co, é fixa mas
Leníngrado, Ma_drid, ·Canberra, são exemplos. , , · · nff~ perrr,.ánenie; · porque obedece às vicissitudes da vida
. . Cercas capitais ocupam uma, po~ição central no ~ais, , ; .· ·poHticà dos povos. A fronteira é o organismo periférico
dispondo ·de uma rede-de·estradas que .irradiam -p ara co~as . que· âvança ou .recua, dando a medida de fraqueza ou da
as ·regiões; outras Jão excêntrítas, com posi~ão marítima · f&iiça do Estado ·que limita.
. ·1' . .
·'
•. .1
-
CarlQs Delgado de Carvalho Geografia Física e H umàna 153
152
~r
1

E
. demarc
ceira
.

· · onceito moderno, relativamente, o de fron.


um c d d M'd'
. . . Na. I,., .a e• . .e ia. .remava
ada
. ,.,. nàs dehmitaçoes terntonais.
·-
H . uma, certa
OJe, a repre-

separa, .. os grupos conhecedores da navegação; a monta.•


nha ique, .fora , aJgumas exceções, une pelos seus passos,
seus colos e suas gargantas; o rio que, quando não tem
1mprecisao,., cartográfica . e, de' f ru,~teira
À .A • zinear,
· . e1a f;igura . quedas, é -um caminho natural.
sentaçao · . · d , 1 X b) As fr_onteiras humant;is marcadas, não por fei,
nos ma·pas, p·ríncipalmente -a , partir . . · o secu .o VI. ,Só.
,· , .
1
·reir do século XVqI, .porem, passou ser uma reali- ç~. vís~veis do solo, mas pela zona em que se enfren·•
a Pª . f· . .
pois correspo~ ·a" uma çartogra ia· 1:1ais exata.
d . ·cam dois tfpos de civilização: línguas, hábitos, etnias ou
/
dade,
Muitostratados do seculq XIX, entretanto, amda foram ·domínios políticos. . Não significa isso que, em certos
feitos baseados sô~re uma cartografia falha (nos Balqms, pá~ como a: Suíça., a Bélgica, a Rússia, populações . de ·
por exemplo). . · . , . , . .. _ . . ·língú.aS e religiões diferentes não possam ocupar · o terri•
Em geografia pohuca, era frequentemente . feito alu. t6río dentro dos limites políticos do mesmo Estado.
são a «fronteiras naturais », enteridendo,se pela -expressão . . Nó mundo moderno1 às fronteiràs dos países civiliza•
franteiras físicas , OU , fronteiras,obstáculos, que consti- - ·dos e outros são fronteiras de pressão, isto é, traçadas
tuíam; verdadeiras ~a:rreiras. A distinção entre êste típo , . segundo ·um .equilí'brio de forças econ8micas, sociais, po~
«natural». de fronteitas e o típo de fronteiras artificiais, ·Jíticas e_ militares, · príncipalménte nas .zonas em que a
isto é, constituídas de linhas. imagínáría,s, traçadas no ·.. fronteira é. vi,va, íst9 é., efetivamente oçupada por popula, ·
mapa e fixadas . por mar~os no terreno, já não satisfaz ções ..densas de ambos os lados da linha convencional. A
mais o geógrafo. . . · · · ·e~tabílidade das fronteiras depende do momento híst6rí,
. As fronteiras .físicas, isto ·é, evidenciadas por . uma co: na:',El;Íropa Cct?.tral tem sido instáveis as fronteiras
zona mais ou menos contínua de oúcra 11atureza, nem rr'esces últimos dois séculos . (1740-1940}. Em certos
sempre constituem obstaculos . intransponíveis, represen- pon~os,-a,s fronteiras podem escar'em extensão (lügoslávia,
tam entretanto acidentes natura'.is ou· fe~ções que· permi- ,-:R~m~nia, · ~te.}, em outros, em regressão (Auscr~a, Hun•_
tem concretizar a -linha da fronteira. ·--gtia, Rússia, etc.).
• · , A g~Ógrafia não conhece fronteiras nl;lturais co:mo domínios
. Exist.em: dois típos principais -de fronteiras : físicos · fechados circundando Estados perenes. Os argu:mentos
a) ·, As fronteiras físicas · marcadas no solo por .· histqcl.cos·• . raciais e culturais são pretextos para reivindicações
uma fi · ~ 'f· ' · , vi~ndo r~ajustà:mento das íronteirás hu:manas de pressão.
-barre. eiça,o geogr': 1ca. ,- . Podem sçr efícíentes, .isto e, ,. \ ,·•\ '
..ª .expansao humana . como matas, densas e .de
d1'f"1c1.u1aspenetração ·
i' ~r- · . IV_- . AS ATIVIDADES CULTURAIS
·, . .1
A • · · , •
desertos. - ' como pant~nos mtrans~omv~~, c~m 0
. Sao, em suma, ambientes repressivos que cn.am
obstacu1os verd d ·
r · ,., f". ª eiro~. - . ·
- ::Podem ser de outro a 0 ,
· 1d -~-~:,\~'J..,.- . Conceito-· Os gêneros de vida diferem de um
~e1çoes is1cas q "' · · - . ,.. ·d' · ' · -~Í~'?<ta.cial para outro,· de uma terra para outra e também
de separaçao _,., ue nao. envolvem forçosamente a .1 eia
· - . ·- . ... .. : ·, d~:;•:\lma épm,a para o.urra. Os conhecimentos, as crenças,
· · 0 mar., .qu~ une,. pe1o menos tanto quanto 1.:. , ... , - .
..... ~,
11::.-.: ' ...
~~-·
"·.
....
, ..-: . ·1·
-~ ,.
Carlos Delgado de Carvalho · Geografia Física e Humana 155
154
as artes, a_moralidade, os há~icos cost~me: conscit~em -- ~,., ·acha
, _., o ..grupo
,., . consjderado.
. . .Aí também , a class1·r·1ca-
um conjunéo, a cultura. Os gener~s de vida sao pautados, çao e, as vezes, · 1mprec1sa. A. escala, entretanto , existe,
. d . d ·
nos grupos. humanos, pelos padroe: ·de culcu:a que êles Sf,11e,ntan o . ~ran contra:;t:s; entre .o indígena austra-
adotaram. _Civilização e cultura sao expr~ssoes eqüiva- 1 .h9=n:o~ que vive nu, sob a_bngo de galhos, que se nutre
lences, -embora cívilízaçãq envolva mais . espedalrnence . _d,e ra1zes e p&sca com a mao, e o pastor da Asia Central
tecnicas e feições mater_iais, enquanto . que cultura · tenha vestido de. lã, que vive na tenda e de outro lado, 0 fazen~
um aspecco mais espiríttlal e moral. .Línguas, religiões, ~eiro pauhsta ou ·o comerciante de Santos há uma infí-·
ciência·, govêrno são :de natureza cultural principalmente; nídáde de graus. .
, '
· 1
.
· artes, industrias, habitação, ,processos .de caça e de guerrá, Para um estudo adequado de semelhantes contrastes
os . ~estágiós » formais de cultura. vão sendo abandonado~
,'
alimentação, etc.,· são antes . mo~alidades da civilização·. ·
,, Etnia nenhuma pode reivindicar monopólios . exélu- para um exame mais psícoÍógíco e social das ·áreas de
sivos de cultura ou civilização, superiodd~de ou preemi- cult~ra em que. vivem as. comunidades.
nência permanente. · Existem., ~e fato, típos de cultura . · · Uma drea cultural é·um espaço geográfico, ~cupado
l-
'
mais baixos_e cípos mais altos, porém, são apenas distin- por--um cípo de cultura, quer dizer, um ·conjunto de fatos
ções que indícaq1 -posições, atuais ou passadas, num lon- .é compléxos culturais ao qual chegou o grupo humano
go processo d~ evolução, isto é, nÚll:}-a , progressão lenta · ocupante· dêste espaço. E, pois, o partido que dêle tira o
:.:
do mais simples ª<? mais complexo. A história da cultura grupo, para a satisfação de suas necessidades materiais e
nos grupos humanos admite estágios. · ·espirituais_que intere,s_;a a geografia humana.
Uma velha e clássica distinção, apresei:1tada . em . Os processos pelos quais se constituem êstes com-
1865 . por John Lubboçk, estabelecia «idades» para a -plexos ,culturªÍs são · geralmente a _invençqo, proveniente
história do Homem -s&bre a Terra· a , 1dade da Pedra Las- · do-· erigênho e iniciativa individual, o aperfeiçoamento
da
. '
cada; a Idac/,e da Pedra Polida· a Idade de Bronze, e a
' '
ppr ·1,11eio cooperação do_grupo e da difusão ou afas-
I~ade de Ferro . . Posce;íormenç~; /fof ·propàst~ a seqüê~- . tramento por meio · da imitação de outros grupos. O mis-
c1a de quatro «estágios» _, colheita, -çaça, pastoreio, agn- siqnário, o mercador, o colonizador e o conquistador são_
_cultura. · Estas distinções;' embora . interessantes e qta- os . ag.entes mais ativos da difusão cultural. A expansão
terísticas, não c9rrespondef):l sempre à realidade, porque geQgráfica da citlturà não é, porém, igual em tôdas
0 desen:volvimenco das sociedades -humanas não é nem as direções nem em todos QS tempos. A circulação e aos
u~íforme, gradual; a . seqüência; ·. em cercos ·casos, meios de comunicação cabe um papel decisivo no alas~
nao se verifica: · · ·' . . ·· - .tram~nto da cultura e, de outro lado, a receptívidade ou
do
-~n~r:, as populações atua-is . ~lóbo, é comu.111 ª · ·.fa~ilida_de • de adaptação que apresentam os grupo~, de~
classifrcaçao em selvagens; . bdrbaros · e civilizados, se-- · . t?,en~e ..das conàiçõe~ psicológicas; isto é, da mentalidade,
gundo o grau de -dependência direta da -natureza em que
1 '
.,,.
"
156 Carlos . Delgado de Carvalho ·Geografia Física e Humana 157 ·
das -circunst~ncias hist6,rícas ou tradições do . grupo e <los difícil escabêlecer as origens hist6ricas e encontrar a lín,
recursos da área geográfica ocupada. · gu~ .primitiva; é o que se dá com a família das línguas
' De um modo geral, entretanto, pode,sé dizer que i slavas {russo, polonês, serbo,croata, tcheco·, búlgaro) .
l.
a cultura é, por natureza, · cumulatíva, porque as suas e
--~ão_- ~á forçosamente ligação ;ntre línguas raças,
feições sucessivamente adotadas por invenção ou por · porque tanto umas como outras sao produtos de cruza-
imitação se excluem muito meti.os do que se . completam menços cuja hist6ría é, às vêzes, difícil relatar. O in-
e se acumulam. _O civilizado tem uma .vida ·material e glls· da _atualida~e é o resulcado de concribuíções sucessi,
espiritual muito mais complexa. do que o primitivo ou vás da: língua da Britdnia, do anglo,saxão, do escandi,
o bárbaro. · · navo · e· do 'Jr4nco-normando. E uma língua da / amílía
. - ,,. .
A igualdade ou eqÜivalência das raças ou tipos raciais não.
germânica, apesar das importações latinas .
-·r'' implica à uniformidade das feições culturais · sôbre a superfície dá · , ~ais freqüente existir uma · ligação entre línguas
Terra. A cultura material, ou civilizáção, ainda depende, em gran-
de parte, do meio geográfico. Na esfera espiritual, porém, as ra:. e ,povos, porque a lín'gua faz parte, até certo ponto, · da
. cilidacles de. circwação dos ho.tnens ··e das idéias · vão niwtiplicando -. etnia de um povo. Embora certas nações sejam, como a
os cont~ctosJ vencendo distâncias, obstácul<>s e preconceitos sociais.
1 ·, · Suíça ou _a Bélgica, poliglotas ou pelo menos, tenham
1 mais de uma língua oficial, é regra geral, cada nação uci,
., ·2.- As líng.;,,,as -.. a) o feito social por ~xcelên,
lizar . quàse _exclusivamente um s6· idioma,
' eia é a linguagem falada e escrita, base da cultura, porque
_é o melhor instrumento de comunicação e de cooperação : b) Ã classificação de línguas em isolantes . (chinês,
entre os homens. As dist~ncias, os obstáculos e a diver, · siamês, malaio) aglutinantes (japonês, turco, bancu) in,
sidade dos ambientes não permitiram que se desenvolvesse · corporantes (cupí, quíchua, iroquês) e flexionais (línguas
entre os homens uma língua universàl. Como há dife, "indo-européias) não tem especial significação geográfica,
rentes etni~, existem também diferentes língua.s. Em · si, . a. não ser a sua distribuição regional.
estas não constituem um fen&meno geográfico, mas-·a sua · O -grupo i~do,europeu, oferece maior íncerêsse por,
distribui:ção e expansão pertencem à geografia humana, qu~ ., àbr~nge, àJém das línguas indianas e iranianas,
porqu~ são condicionadas, até certo ponto', pelos meios as . ·grandes línguas européias da Civilização Ocídenc~l : .
geograficos. · · · o grego, _as línguas latinas, as [ínguas eslavas e as lin,
As línguas são filiadas ·umas às outras e são ditas gua.s ..... -
.. ,.' .germamcas.. _
d~ ~esma · família, ·quando · representam ape~as ··diferen, ' ·_, :.:(,As -lí~guas semíticas são o hebreu, o árabe, o sírio
ciaçao de uma ·língua anteriormente falada ' embora em €! . Õ'-berb&o. . ·.
.
outro setor geográfico:; é o _caso .do portuguls·, do espa,
'
. :Entre as ' línguas índo-européias faladas sô-bre lar-
nhol, do /ra~ês e do riúnaico, língu~s c&das proveniet:' ga~; ··áreas geÓgráfü::as e de grande valor con:ier~ial e.
tes ;de uma hngua anterior; 0 As vêzes, é mais
latim. cuJtural, são seis as faladas por mais -de 50 m ilhoes de
-
t
. ,
t':.
/
I

158 Carlos· Delgq,do de . Carvalho •Geografia Física e Humana 159
getiJ-1 qu~, s6 ~:ando_ a língua nacional, obrigam os ha-
t, · bítant~ de_reg10~ diferentes a utilizá-la para se entender
.
o<l- entre s1. ·
·' . . A unidad: linguística, no Império Romano foi 0
o~ . resúltadó de · vias de comunicação relativamente rápidas
· pór-- meio de . boas estradas. .
()
p...
.
"'r~'/' . •/J'+.·y:.,. ---., ~-, i - :,: . .·· '1\s cidades, pelo~ múltiplos contactos sociais · que
,!_, /;

AW/_ES-~·°' _ áetermínam pela concentração de indivíduos de tôdas as
,. '//r/ .
M.~~5ll?IHT_
/ /-·ELAS
.. · '.+ i .AQl/t!·
: ~egiões, são centros de formação da língua ·comum. As
Rux
í .regiões rurq,is, ~apando à ação do'·Estado e dos negócios,
- --·,. ... ++ .. GRA
...
ui;i•----~-.,.-~~-
. --- . . ,e"---..!
.y_·• .../--f:1;:--_;
0
.. ( _ ;_, ..... , .• - .--,-./_.J---C ___ ·
,{,( WAT~,,DO •. · ·
•' . • . . éonseryam mais tempo o seu línguajar.
i As grandes artérias comerciais que ligam _cidades de
-
t.llLE i,;__ . . . NAMU/1
·'
...'C~~
~- .
um país, também são fatores de unificação língüística.
i No - Império Romano, o uso do latim resultou da
1--.--:,;..._,
Fl.AMEN<iCJ
, 1 +.,
necessidadé dos habitantes de regiões afastadas, não
... dotadas da mesma língua, se entenderem e comunicarem.
c:::]FRANcÊS ~ - "-,.+-t-
- .~AUMA() .~ Onde existia uma língua comurri e de alta cultura, como
/.IMITES PA BELCl<A foi o _cas9 ·qo grego, .o Íatim não foi adotado ; a língua
,, Distribuição · da_s línguas na Belgica
, , çl;·_ ~ om:a . ptevaleceu, P<?rén;i, na parte ocidental do lm-
peno,
._, · As col8nias romanas foram pontos de difusão; a
-t p~ôas: o ir;glês,À ·-o. r~ssó,
.--
o alemão,·
,
o espanhol;
'
o .Jran-. , ,aristoçr·acia · ·gaulesa adotou o latim para conservar seus
c_es e o portugues. .
A
·. privj.l~gíos e sua cultura. Já na Grã Bretanha e _nos
é) Qttànto · mais extensa é sua área geográfica, l'il;e'nius,. ·onde .~a ocupação I Omana foi menos efetiva'.
mais útil urna língüa, e as populações que · vivem -~o subsistiram o cêltj co e o basco. O francês do norte foi
isolame'KLto regional, ~se que.rem ter pai-te na cívilizaçao .rha,i§.~. diretamente influenciàdo pelo latim por causa da
de · seu tempo; . conservando . seu diaÍeto) precisam . o~qpàção .da linha defensiva do .Reno. O mesmo se deu
bílíngués. E o caso -de certos grupõs lingüístícos em país~s ni " llír{a: ·e na Dácia, onde as legiões do Danúbio implan-
de cultura antiga como a, · Alemanha, 'a ·Fr_ança ou a lta- , taram, o. latim, hoje rurhaicb. . .
lia. · N&tes países são agentes un.ifícadqres .da -língua, . a _AS$,im serviu a: língua de Roma de ~úcleo ao r~dor
escola,· o exé~<:ito, a administração .. e comércio em o do .,q.üal, .se . qrgartízaram as diferences lmguas lannas.
"!"
------
160 Carlos Delgado de Carvalho ' Geügrafia Física e Humana
161
comunidades _Sob a influência. .m_
Os estudos linguísticos fornecem elementos preciosos à geo-
grafia humana, porque revelam vestígios de migrações, diretrizes de - . de - issionária , ÍSto e,
, , b
a o ra
de expansão, resultados de ·contactos que 'servem à reconstituição d_e paz e persuasao, m pend~te de fatores geográ-
de deslocamentos históricos dos grupos humiínos sôbre a Terra,
De .outro fado, a formação das línguas modernas e o . enriquecimen-
ficos. • -
to de seus vocabulários expressam as facilidades progressivas das . ,A experiência
de histórica
- tende
, a provar que a so1·d1 ez
comunicações geográficas, a multiplicidade dos contactos e a ten-
. dência à integração da vida social sôbre o globo.
pDhtíca .u~a naçao nunca e ameaçac4 por dissenções
• I • •
e luras ·rd~g~~sas quando 80% - desta nação pertence i
3. As religiões -Na .definição · que foi dada mesma rd1g1ao.
de .Etnta, tivemos ocasião de mencionar, ao lado das As - crês grandes religões universais e monotcistas
feições raciais, as caraterísticas culturais pt6prías do gru-: · são: o ÚISTIANISMO, o MAoMETISMO e o JunAÍSMo - /
po considerado. Esc.as últimas, a:o· lado dos elementos que representam mais de 45% da humanidade e se acham
-lingÜISticos, cómportaríl os elémentos da- vida moral e larga~e.nte distribuídas pelo globo. ' t
. religiosa qie regem ' o grupo, -determinam- muitos de seus · 1, _ O GuSTIANiSMo apresenta crês divisões principais:
. hábitos e _costumes-: sociais; ditàm as suas instittii'.ções e 1) - A Religião Católica R..omana (cêrca de 14,5%) /
explicam também certos detalhes de su~ ·vida materiaL cuja . capital e.spÍÍitual é l\óma e predomina nos países la-
. Não há relações diretas e necessárias entre a religi.ão tinos da Europa - França, Itália, Espanha e Portugal
e ~á ge_ogràfia, mas 'há càsos em_que a vida religiosa do assim como ·em tôda a América Latina. Entre os esla-
.grupo é condicionada pelo -meio físicõ. Algumas reli-
. giões se prestam .a um~ interpretação regionalista, prin-
vós, a Pol.oniã, é. país católico também.
cipalmente entre. religiões de feições muito primitivas. 2)- As E.._eli~ Protestante~, evangélicas ou re-
M~s as grandes religiões do _globo · ultrapissam consi- -formadas, compreendem várias seitas (luterana, calvi-
deràvelinénce os· quadros · éqiicos, isto é, os grupos, as
regiões, os ·países. São estás as chamadas re:ligiões uni- .
ni_sca, anglicana, metodista,· batista) . E grande a sua
· variedade, representando de 10 a 12% da humanidade;
\ .
versais. O que ·J}elas há de_geográfico não é pois, o meio ..,; a única analogia .marcante que apresentam é a separação
etr1: que se. formaram mas a sua expansão e a sua dis- de Roma. E o Protestantismo, sob suas diversas formas,
,tribuição; em determinádo ·momento hist6rico. · predominante nos países germânicos e anglo-saxônícos
No estado atual do· mundo, parecem ter as. grari- da_Europa setentrional e da América do Norte, na Aus-
. des relígõe.s ·ad_quírido os seús quadros territoriais mais trália e na Africa do Sul.
ou ·menos fixos; as~grandes conquistas religiosas, éotno a 3) . A Reli gião Ortodoxa (cêrca de ,7°(o) ~-redo1;1~ª
expan~ão militar 4o .islão ou a penetração do .budismo, na Rússia e nos países balcânicos.- Grec1a, lugoslav1a,
~ão fatos do p~ado. ,·Nc:r- mundô de rtossos clias, a pro- Bulgária, Rum~ia. ·
e
pagação é 'mais lenta por . infiltração; assistimos à. eli- l , . ;l i: O MAoMETISMO ê a religião que abrange ª
minação gradual .do paganismo e· à dilatação de cercas ·grande faixa desértica e semi-árída que se estende, no
'
7
162 Carlos Delgado de Carvalho Geografia Física e Humana 163
'Z~
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hemisfério n-o;ce, enci:e a Afríca Ocidental, a Arábia e a
Asia Central, enfrencançlo o Mediterrâneo, com a Asía
. "'
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Menor, de um lado e, de outro, a Insulí:ndia. Possue
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elementos no lran, n_a lndia, e na China. Representa cêrca
. "' .
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0:,\\./;,~ de
13% da humamdade; sua cidade sanca é Meca na
. - sao- numerosas. '
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Arabia, e suas peregnnaçoes
, /..
III. _-O JuoAÍsMo, apesar de representar menos de
1% sla humanidade (17 milhões), é religião importante
.
V)
.
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"'
pela sua caraterística distribuição, principalmente nos
países de civilização ocidenca!. Na Palestina, onde cons-
-~ e
ii::
.~ .... ..,,
tituem os israelitas 30% da população, a capital judaica
é Tel-Aviv (150 000 habitantes). Os países que maior
llíl propor~éf judaica oferecem são os Estados Vnidos, onde
l~LI vivem 26% dos judeus, a Polonia, a Vnião Soviética , a
"' ·o
1,1) "'
e:,
Rumânia e a Alemanha. Ccrca de 30% da população
tiQ ísraelí~a, do globo reside em grandes cidades (Nova
- lZ _.. ,.
t
1:
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t York, com 2½ milhões, Varsóvia, Chicago, Filadélfia,
)
~-- Sl
li Londr.es, - Búdapeste, Lodz, Viena, Odessa, etc)..
· ·,\.
.
En~re · as demais religiões de importante difusão
territorial destaca-se o Budismo (31 % ôa humanidade)
' ,-
r-;
' . o·rigínario da lndia, mas atualmente, emigrado para a
Asia.: Orientàl onde domina na China, no Japão, e na
:~ fndÕchina_. A sua metrópole religiosa é Lassa no Tibet.
.$
· -Quanto · ao Bramanismo é religião politeísta quasi
~'t- r:/J exdúi'iv-a mente --limitada à India ' onde Benares é sua
. ... ...
M
_
cíaade sanca o Ganges seu rio sagrado.
-,o ·
( !)
..... .
....'.I
· .. S0b ·o po~to de vista da geografia humana, as reli-
giões ,pr-ín'cípais do globo foram, e às vêzes ainda são,
fa~or-es de difusão cultural de capital importância. N o
P~do, á,expansão militar do Islão pelos ár~bes e pelos
turcês: cobriu vastas áreas geográficas ainda hoJe ocupadas
. ' '
.•
164
Carlos Delgado de Carvalho Geografia Física e Humana 165
"'
'
pela cultura muçulmana. Os mjss~ários contribuíram (de onde emigri!:) para• outra • região
.J • d f.
ou outro país (onde
ainda éontribuem ao descobrimento, ou pelo meno imigra.) em qu~ tenciona res1.1:1ir e ínicivamence N
~o conhecimento de novas terras e de populações prim1 , . . d é ímígran~e, . pois há caÍnbém O .tuns_etm
-todo. viajante a.
tivas. As peregrinações foram criadoras . de correnc O crítetl? os re~ur;os -ma~ores ou menores de que dis-
·peri6dicas e auxpiaram 1;1a . formação de relações come~ póe O íriugrante nao e essenc_1al para qualificá-lo como cal.
ciais e na ~ixaçao d~ ~3tradas,. no passado. Em quasí · Os homens, em sociedade, vivem de colheita de
codos os paises, a rehg1~0 contnbue c~m as suas igrejas, pastoreio, de . criação, de agricultura ou 4e ind~tria,
--seus -templos,. seus mosteiros, seus cemiterio~ para a cara- segundo.' os recursos que oferece o meio· físico e o estado
terização · da paisagem geogtáfíca-humana das regiões. de civíHzação e cultura em que se acham. A cada um
Tãmbém são grandes as influências que sôbre as insti- dêstes gêneros de vida, em cada região do globo, cor-
tuições, os usos e costumes,·a: moralidade e a vida social responde ,uma densidade demográfica que permite um
exercem as id6ias religfosas. ·. · . . ' estado social e · uma vida econômica satisfatórios. Se
A geografia não explica, _ne:m pode explicar, as religiões do _ aumenta a densidade: se cresce a. pressão (permanecendo
globo. Estas, entretanto, ocupam área.s territóriais mais oú menos ·idênticos ~os reçursos), o grupo fica super-povoado e os
extensas, e tiveram a s,ua expansão condicionada por fatores geo-
gráficos. . Podem ser, por conseguinte, estudadas, na sua distri- indivíduos· prejudicados tendem a se afastar para outras
buição, com.o 'elementos culturais constituintes das diferentes regiões mais favoráveis, isto é, a emigrar.
etnias humanas.
· '"II. · São · várias· as causas de emigração.
-~, V. MIGRAÇÕES E COLONIZAÇÃO
a) _ Q motivo economico, determinado pela necessi-
dade · de achar novos recursos, para não baixar o seu
, 1. · Os niovinie,ntos migratórios - I. Os
padrão· de víd,a ou: para melhorar êste padrão, leva o
.indivíduo a abandonar, com sua família ou sozinho, a
grupos humanos não são . completamente fechados comunidade à· qual pertence. Uma catástrofe, uma inun-
nem perfeitamente estáveis; tendem a crescer ou a di- dação, ui:n terremoto, . podem causar se1:_1e~anc~ ~icuaçã?,
minuir, a se q:pandír ou a se deslocar ·e assim, tendem mas , o simples crescimento da populaçao e suficiente, as
também · a perder, por cruzamento, algumas de sua~ ca- vêzes. tornando mais escassos ·os recursos e mais difícil
raterísticas étnicas. Os ·seus deslocamentos conscírnem
·a vidâ'.
as migrações, -~eterminadas por· centros de repulsJ0 e .· b) .Os motivbs -- socíais são numerosos; podem ser
c~ntro~ de atraç:10. A Urbanização, por exemplo,· e um
, tipo de · migração no mundo moderno. E atualmente
o
pqlíticos, . religiosos, individuais. desejo de deslocaMe,
de .procur,ar av~nturas, a .a mbição, a curiosidade, os mo-0
considerado como · imigrante um. indivJduo · que, sob . ª tivos, ,sentimentais são de ordem individual e levam
1 sua · responsabilidade e por iniciativa própria, individua~- ·hom~~ , ·prfucipalrnente quando moço e sem encargos
mente 0 ~ com sua família, deixa uma região ou um Pª 15
r
- '
'· 166 Carlos Delgado de Carvalho ·Geografia Física e Humana 167
de família a emigar para um país estran:ho, s8bre o qual Hl. Quanto às modalidades, as migrações se des-
tem informações favoráveis.' · · _ tacam dos grandes movimentos- de povos conhecidos sob
No passado, · a perseguição política e · r~lígiosa teve p pqme de ínvasões, principalmente pelo seu caráter
uma importância considerável na .formação · de correntes _pcicíffco e: ordeiro, mas não pela quantidade, pois ~s Es-
migratórias. A América anglo-sax8níca tectheu da . In- . tados Unidos, em 1907, receberam 1285000 ímigran-
glaterrà do século XVII; forte proporção de imigrantes . tes, no ·-espaço de doze mêses apenas.
não-conformistas: A Alemanha, no mesmo, século, aco.,, :As migrações podem ser índividuais ou coletivas,
lheu protestàrttes franc~ses que foram colonizá:.la. Da _podem ser livres ou forçadas, como foi o tráfico dos
['., Alemanha saíram ·para os Estados Unidos e a América negros, pode,tn ser c~tinentais ou transoceânicas, podem
do Sul exilados políticos depois das revoluções de 1848 ser, por fim, temporárias, isto é, -periódicas ou perma-
1
l. e dos acontecimentos · de 1933 em diante. nentes. ·
· Depois da primeira ' q-rànde Guerr~, h~uve migra- IV.. Em todos · os países registram-se •movirpentos
1
,.
. ,· ções de intercâmbio entre· os gmgos da Asia Mêrior e internos_e· e·x ternos de circulação humana; há países en-
· - os turcos _dos Bálcans: deslocaram-se quase 2 ½ milhões tretanto ~m que êstes movimentos tomam anualmente
de pessôas. Os israelitas, · de· seu lado, emigraram em maiores proporções. .
massa para o Estado sionista na Palestina. Dois contínentes, -a Europá, e a Asia, fornecem os
: maiores contingen~es de emigração para os denomina-
dos · «países novos» das Américas e da Austrália par-
ENTRRD.RDE IMIGRRNTES NO BRÀSIL
\ • • • .. • .
1884 A1937
1 ticularmentll.
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A Europa apresenta quatro focos principais-de emi,
'ººººº
. gração do século XIX em diante :
IL
_J :
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110000
<( ~
. ·1) · O fóco britânico, em maioria anglo-sax8nico
1 1 1 1:i1 1nnr1 \ 1I . ' º'= ' do qual sàíram màis de 10 milhões de pess8as da Irlanda,
"ºººº f 7 1 1~ 1 11 111!- 11
120000
.
1
• t- -E
e da Ilha Br~tâníca para ir .povoar os Estados Unidos e
•00000
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1' , V1 r1 rn
· ·LW1lIli11n t1 1
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J/ 1111
1 - '. .' \ ,_ <(o
O\!)
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~- as, col8nias da América do Norte, da Afríca do Sul e
ªºººº 1 11 1/1 \í/f I V1111 "'\.- 11,1\ l\ 11 • 1.- o:\!l
t-~
d~ · Austrália.
rT 1 ' · · '· 2) : · O foco centrar-europeu, constituído pela Ale-
' ~ ' 1 /
•0000 11 1 1 · ,, 11 - - •· ·, . L-
40000 r 11 1 1 ·111 1
1M fl 111 1
. [\ 11 • -- 1, • 11 ._"· manha e. a, Austria, que durantt: a segunda parte do século
10000
J/
·1,,-
1\11 XIX ·( a , primeira do ,)(X enviaram mais de sete milhões
o .,
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' de emig~anc~s para as Américas do Norte e do Sul. A
' ~tt foéà, prende-se também alguma emigração holan-
·,
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• !' N.
'!! '!!
· "" .... . ... des'à. e escaridina va.
\
,,
168 . Carlos Delga_do. de Carvalho . ,, :Geografia Física e Humana 169 .
-~:~- , 3) · O foco latino da Europa m~idional onde a
Itáliá, a Espànha e Portugal passaram a · fornecer con-
·. o·/a/~,U) . ' ·p
tingént~ ~nuais consíderáveis a partir do fim do século
·passado-. . A .Itália foi desfalcada de c~ca de dez milhões
,~ . \.: / ; .<i. o ,º~- -ge ahpas contribuiu ao povoamento Ida parte .Sul da
1
< ; ~·
~...\]~·.· !\~ ' . -' \ . z .. b Amérícà Meridional (Argentina e Brasil)~
t1'
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: -- -4) O foco eslavo da _Europa Oriental e .balc~ica,
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~- ,.,~D.
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dcf qual 'cêrca de cinco milhões de russos, poloneses,


. d:i~cos; iügoslavos se dirigiram para . as Américas, do
, ... ,,' .=> Norce, -prinéipalmênte, e para a Sibéria (russos).
1
b
I: ·- . · A Ãsía; de seu lado, apresenta também focos prin,
< çipais -de. · ~adiação migratória; são menos ímportant~,
,· -~ . entiétanto, os contíngéntes saídos 1 porque o asiático cem
w . rtiaís · apêgo. à. terra em que nasceu e para a qual sempre
1
·•O UI t~ ."'esperança de voltar: · _
o-~~., ..
., ' '(" ' _:-1) O foco:. chinls envia anualmente fartos contin-
·~~-~.
o .:o,~
... < :i:: ( . ge~ces .de ~trabalhadores- indivíduaís que ·sé expatriam sem
o<( .. ~""~a "
ô::.,~<(:ti: família para· o . Sul da Asia, T ail1ndia, e Malásia e a
r1. :i:Gt~-~n~
ri , ___.,,r ~· _,, /' . .. 1c .. "I ..
"' .. .<
. \'. costa ,"otidental da _Ar:néi;íca e a Austrália. São os conhe-
·-
''· ----l. . ~... , . ,/•',
< .. ,
•111
."-. • - # # ,"''
0 ; 1T cid_os . carregadores, os coolies, dos quais mais de três mi-
- i IT .
\ ,,,, : 1 T !1 1 lhõE;S -. estão espal~dos pelo mundo. . ·
\ i; ;\••~TT1
: 1T . .· :.2) . _O faco_japanês ·é ,menos ,espondneo na sua ex-
< · antes a· conselhos e diretrizes do
~\i L
. )
pattjação,
' - '
·' _..obedece
. -gà:i~!lº _de -T6quio·; : os. japonêses concentram-se na
/ . .
' ..
·.\. , ·. ',Q
'' ~ ·1tsià-.•Oríental, nas ilhas e no Manchukuo, nas Filipinas
r, ---"/ -
.. ,,_,,., . :/ e- · .e_·11a . çosca :· das Américas. ·· ·
•> .· ·· 3), · :::o' foco . indiano expande-se principalmente na
~--·· --- · dirêção: da Ãfrica do Sul, _m as é fraca a súa migração, •
\ apesàr~ o super..povoamento da India. .
'· ., . . ·4)_::- Q .foco levantino ou ,turco-sírió na Asia Oci-
: dt!~~~J,-erivíà µmá emigração sui-gener~ · para os centros
"'c9r:pêrcia~: ~, Aw.ériqa e da .Africa.
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170 . Carlos Delgado de Carvalho ,

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' Geografia Física e Humana
1 '
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171
V. No !_Ilundo , .m.od~;no; as corren~~s _mi~rat.Órias ,_ .As América7,,.. certas por excel~ncía de imigração,
são constant~s, mas e varia ve!- c<:?:m . ~s c1rçupstancias a 'apreseÍlta_~ as fe1çoes mais variadas do fenômeno. E
sua intensidade. Segundo as oportumda~es , que, oferece assim que os Estados Vnid.os atraíram para -suas costas
·' uma região ela ;it~ai,.:;.,l1:ais ou menos,_·o e,mi?rante ~s- .nadâ menós _ de · trinca milhões de europeus britânicos,.
trangei!º· Por oca_~~ª? ~a de~cober~~ de - mmas uma aústro.-alemães, italianos, eslavos, escandinavos e outros
· correriçe_pode temporanam~nt~ mtens1ficar-se·. No Bra- é~g'iír~gentes, _sem contar o elemento africano que cons-
sil a · lei 13 de .maie, determinoµ lima entrada relativa- citue perto 1 de_ 10% de sua população atual. O Canadá
. j, . m~nte considerávd de, n:abàlhadores·: livres durante uns é: reservado à cplonÍ;Zação britânfca. Quanto à América
pouços anos . . Dê outro.e lado, uma guerra ou uma crise - .. ·tá4na é _preponderante o demento latino, espanhol, ita-
l
podem det-et: mt.JÍCOs einigrantês. ~ -. 0líário ·e português, mas n~o deixam de-figurar . correntes
· Todos _os· continentes apresentam possibfüdades à ~- . · ·, ·:gm-mânicas, eslavas e da bacia do Mediterrâneo.
imigração, .variáveis .segundo a_s ocasiões· e observando ·. As relativas ·facilidades de transporte e sua cresc.ente rapidez
1 '. proporções . diferences . -~ ·. tem . multiplicado de tal modo as migrações,...em tempos normais,
~
1 N~ Europa existe U;rri ~bvimenco migra_tórío in- · · e depois de 1850, que a fusão dos tipo~ étnícos vai-se acelerando .
. _ O fenômeno :m.igratórfo, hoje generalizado, pod~ ser considerado
terce>ncinentál baseante incenso: italianos, espanhóis,· bel- com() . a feição social mais característica da época atual.
1 ga:s e po'loneses afluem para _a França, grande centro .de
j
imigração'. · _De 1913 a, i940 ê'ste país recebéu·-2 milhões . 2. A ·c olonização - . I. TIPOS DE CoLONIZAÇÃO.
'I .
'
l .
11
de estrangeiros ·.irf!igrados·, ..quando;_ ·n o -mesmo período,
-:'
0 .êmigrante. - aquele· que se desloca, abandonando o
F , só 1 ½ ·_milhão~ çhegava ao B,~ _asil. . . · lug~r' em . que na:scçu- e . viveu ·_ procura instalar--se em
-A _Africq,, n9tadameriée · no extre-i no-norte e no ex- · __,te,rr:is . onde encQntiará J:naiores facilidades para prospe:.
1 tr;~ó-sul, recebe -ímigii!}tes- eur_o peus: a Algéria, a Tu- -- , t~f . e__ser feliz. _ Ele se torna assim colarw, -ocupante de
nisza, )efarroc_õs, a Tripolitdn'ía, são procurados por fran- . . ,, , :, -p~ _~eypaçó livre onde pretenqe çrabalhar é ter descenden-
cêses, ica1~anos· e ·espanhóis.:o Sul do- Contínence-acraíu '. ... ·Criar . çôlonia 9u colonizar é próprio do imigrante:
i muitos holandeses e p_orcugueses, mas; hoje em dia, é o
elernento brídníto que ·a( sç :i nstala. _ · ·
.:- ~~~::µ~ ,fato que tem ·base biológica e valor histórico. A
· ' . .'c;~làitJz,açãô · tem àspectos sociais, morais, econâmicos e
a
. Na 1si~, Sibérià, ptolopgamenco ríacurarda Rús-
.
1
._.tf!lft.ic<Js.,· ps :quais·, -segundo as épocas e as círcunscâ11cias,
sia europeia ,'e o campo · de expansão das mígfações rus- · "' ·· : :_ ·} ~0 _,:l!~ementos prepondei;antes ou d~císivos para os que
sas. · A seu lado,, 'a planície mandchuriana é colonizada -'.', ·se;.. ~~·a triam ·
. ':•'•-,;~~ f. ' • .
.por c4ineses · Japoneses,_. · ., · ·_ · ; , :~ A .colonizaç~q é a ação metódica de um: grupo hu-
• A ~a Oceânfa, o domínio quasí exclusivo do colôno
~41ip .: civiliz,ado. sôbre um território vago, tendo em vista
bntan\c~ se esta.9elece sôbre u éontíne.n te -e suas · ilhas, ~a-p:ro~eit~...lé> ·e ~alo~izá.-lo. Esta ação pode se exercer
Tasmama, Nova.-.Zeldndia, etc. . . . t~rn~ém se_.p ten:itório é· o~upado por comunidades de-
. . ... ' .
;
,/
.-----
I
/,
!'

\
172 Carlos Delgado de Carvalho -\. · · Geografia Física e Humana 173
cultura menos adíantáda ·OU de organização defeituosa. · 2f . A exploração industrial ou comercial de uma
Num -país · novo, em que há grandes espaços i explorar' · posses.são sj tua:da ~"':a lém do terri~6rio, mas já povoada de
e onde a colonização não é..efetuada fora , do pr6ptio ter~ indfg~~às. e populações nativas. E a colonizaç40 de en-
-rit6río nacional esta -ação é muitas vêzes ap~nas um - dos •qz,tacf,jtme,nto, em que os nacionais- do país metr6pole
aspectos do ,povoamentu do .solo. não·: y ísa~ instalação perm;mente, mas apenas residência
:' Nestas condíç~, -podem ser estudados . pelo . menos -temr,oi ári~ para ·auxiliar na exploração das ríquezas co-
quatrO' .típos ·díferêntes de colonização. . loníàís. - _ O T onquím, Marrocos, o .Senegal, a Nigéria,
,, ,., as Gu-ip.nas, Java e Malásia são dêste tipo. Nêsses lu- .
rv·• . gatês:,- .por vezes," a d~~idade demográfica indígena é
süped ói à.da metr6pole. ·
. ·') r _, ·-~ · · 3t · ··A exploração econômica .e a expansão nacional
N·- - '· de :µnf país'ê rfam um típo de colonização mista, em que,
no ·prcSpri_~ ·terrít6iíó, .éXcedentes de população e elementos
l,. :~t/~:
t
--~l~ - íJ;lfígrádci)s: são focalizados pelos poderes , públicos com o
-fíçJ tde··povoar, colonizar e explorar as terras ainda vagas.
11 ··O:~~ir.do_Brasil, da Argentina, c{os Estados Vnídos e
, 1t . ·d it ~!ͧ,sia típkos. _
-ui, \\ · •.•
·,/ ·' .it-1~"~-A- exploração econômico-política de certos pon-
1
- ~- --
, .,.. .• ,~\.Yi:3(;:."'i
·. ,,"i,.,:~'<.I. _ -~ ,6
'.14,iii
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•. tps.}fd,,~"•:~ ~la ou da ligação, bem situados para fins es-
e,= , ,~ - : : - · ~
:·'-~ - -
:· - -· ~
_::::-.- - ,

,
--· . tiitêg.icós ái.t de abastecimento. São col6nias de -posição,
C~sa de fazenda •chin~za-, construida de árgila e . tàl _ê,9 ~6 Gibraltar, Malta e as ilhas Hawaí .
coberta CQm _Pi!lha'.. ·)f)l:~-·. J-f~sr6R1~Õ DA CoLONIZAçÃo - A colonização
é.· -~~ ) ~as·'\Íenémenos humanos mais variáveis, porque,
1) A_ expl~tação econ&míca •dê possessões situad~s .cq~f<1J,,'1lt .o .p ovo colonizador, muda de aspecto o meio a
,. além ·do territ6río nácional. E. a chamada C()lonízaç(l_o cQ'tbn~f:-::e ã época de· colonização. Os fenícios limica-
, de povodmento, em que nacionais de uni país, â. rnetr~pole,
1
il v,~i:tJ;~ a ~·multíplícar em pontos acessíveis, as suas fei-
emigram para uma possessão· qo -tnesmo eJá~:proçuram . t çti)i f entrepostos de co~érdo : Cartago foi uma de
,. se arra~gar, criar família, trabalhar para·, o , seti futuro e 0 - ~ ~ {~ ,t~niãs.,que y íngou, tornando-se ca1:_1bém ag_rícola.
da pátria. . Geralmente são escolhidas terras ·férteis, em G}~f i~~go~_,tiveram uma grande expansao colonial no
e
. _bo:15 _clím~s com_recur~os e, comunicações co~ a mãe- e ·rtQ · Mar Negro. Os romanos esrabelec;-
-patna, ?ªº e1t,emplos desce ~1po_a Austrália, o Canadá, ,
a Algeria e Tunísia. rai:n11:l; bl8n"1•as·· du·radouras na Ibéria 1 na Gália , no Danu-
·b· l-- .:w·--.~:o.\:·J+~(>
.:icf~1pa,) \fríca -do Norte.
'· ''.·, i
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••
174 Çar1os Delgq,do de Carvalho i · Geografia Física e Humana
I 175
· Na Antiguidade n.ão hou~e; entretànto, movimen- .Na '
Asia·, a
grande potência colonizadora fo.i o
to comparável ào que ky0u à-coloni~ação ~s p·ovos eu- : J"apã_o, .que . só começou a sua expansão no século 20,
i
,j
1 -

ropeus dçpojs das descob:rtas e das mve,n~oes, tom as


possibilidades de esta?e~~c1mento n_as Americas. . _
/ ' . ~as 'ilhas do Pacífico e no continente asiático. As terras
-sibetfanás do rtorte da Asiaí e as) egioes semí-áridas da
i Os primeiros a. 1nd1car cammh~, nos cerpo!S mo-
·dernos, foram Os pürtugu~ses. No ,fim do seculo . XV
já ti~hàm passado Madeira e os .~çores~ e dobrado o cabo·
das Tormentas,· (1486) · chegando a India (1498) e
ao Brasil (1500) ; · No século XVI, Lisboa tornava-se ~}., -.
·o grande entreposto de_especíariàs, marfins, perfumes . e
tecidos do Oriente.:· Ex~essos de admín.istraçã_o diréta,
de monop6líos e fa,lta , dé liberdade com~rcía~, enfraquece-
ram as colôni.1:s ·pórtuguesas ç a metrópole, que mal se
· achava -aparelhada em relação -a seus novos concorrentes.
M6todos dá mesma espécie, com :abusos ainqà. maiores e
exploração ·pbuc9 és~lar~cida·, ca_taterízaram a colonização
espanhola. ·· .· - . ··. · . , ·
· Os ingleses s6 despertaram · para a s4a vocação ma-
rítima nó fim do,. século 16, depois dos holandeses.
Procuraram te-rras já colonízadas e somente no século 18 .
empreenderam o seu grande movimento colonizador em Casa de jeca-tatú, construida a sopapo.
(desenho de Maga lhães Cor rêa)
'
'
1 terras timperadas, aind,i não ocupadas; Foram bem su- . ..,. .
ri cedidos, bons adminístradores · e comerciantes, de espí- }y;ía,•:ôcinden,tàl : foram col~nizadas pela ex pansão russa,
1· rito prático e.. r~peítosos · das ,formás. Os contíngentes :-desqe ·.o sfrulo 17.
1
humanos que enviou · a G~ã-Bretanha para as colônías, ~j • • • , ·
foram colossais no séc;ulo 19. .Q uanto França, constí- . :\izi:JU ..·A PoLÍTlCA DE CoLONIZAÇÃO. - No Estado
tuÍu dois · impérios coloniais, um no século ·.18 que em · -l1}ddernô,,.-a colonização tende a -ser metódica e plane~
grande parte perdeu, · e outro no ,século, 19, que àinda j á~~~-i · não é . mais formada apênas por movimentos de-
subsiste. · - . - I
· · · · ' ,
Só~ganizados de ímígrant~s que escapam de um país para
Recém-.chegados . no mundo colonizador . foram a t1.ti ~ãcr. .. P1elhoràr- suas condições em outro. A ação me~
I~álía e á Alemanha. ~oi na Afri~ar principalmente qve ,, · tôd_i½~. se. revela principalmente pelas. crês feições se-
amda enconcrara,m terras a coloriízar. . · > glll'intes:
. .... i', . ' . :. '
I (·.rt ·
' .- . .
.
'
' ~ ;,
,_.-
·. Carlos J)elgado de Ça1vvalho (Jeografia Física e Húmana 177
176
1)' um critério de escolha-· De fato, o país que VI~ H~ITÀÇAO E ALIMENTAÇÃO
coloniza impõe cercas condições de saúde física . · mo- . :·; ·oe ,todos_· ~s -~forços feitos pelo homem para se
ral, de ·idade, de : aptidão, . para · admitir os coiitigentes adaptar as _ex1gçnc1as da natureza, o mais signuicativo
que nele imigram . ou que àtrai para as suas ·cerras _e ·revelador_~de seu engenho_ consiste em construir a sua
vagas . " moràdià, para nela viver do melhor modo, a seu entender.
2) um pláno de localizàçâo - O pa~ colon.izador · A cása de habitação, o ·gênero de alimentação e 0
· procµra fixar o -imígrante, torna-lo chefe de familía u~siuario, são ~e fato, . os .sinais mais visíveis do grau
. ·sedentária e ordeira. Para isso, : cuida em oferecer terras . de cultura de · uma comunidade. Acham,se estes três
que ·se prestem à cultura, erri regiões _providas,, d'água, elementos essenciais em relaªº íntima com os ·processos-
em -pontos de acesso rétativam~hte •fácil, pro:x:imos de de aproveitamento · dQs recursos naturais da região e com
1,.
mercados e · co·m t1;ansporçes que p·ossam ·~escoar . a :: pro- os -lhábitos, usos, tradições e mesmo com as crenças da
dução· de. suas col6rti3$. . . população local, Resultam pois de -duas .fôrças; uma
3) _um sistema de ajustamento ._.· O hábito de per- exte_rior ao hom~ : a tirania do solo e do clima, à qual
se tem ·de adaptar; outra interior ao homem : o seu génio
mitir a localização de ·elementqs estranhos em terras de
ínv~ntivo a ser,viço do désejo de progredir e de melhorar
am país soberano, resultou na formação de nucleós não
siúis . qm,dições ,de vida. Nasce daí uma espécie de oposi-
assimilá:veis,· de · «quistos » · estrangeiros, sempre perigo-
ç~o: segundo o meio físico e segundo a época, a casa do
sos para uma ·n.ação:.. Daf a- .necessidade de prever a
Homem ·.varía, por ~ezes, obedecendo mais ao ímperati
assimilação dos·contingentes ú;nigrados. As col6n1as deyem
v_o geográfico, outras vezes, cedendo às exigências as quais
., ser províc;las dos ele~etítos de nadonalização, de escolas _ já -pode satisfazer um maior progresso da civilização.
ti .
principalmei:ite. .A mistura dos elementos· estrang~iros
com os nacionais e de Outras provéniênciás é· hoje · uso · • · 1. Habitação - I. A . habitação rural ·é u~ a
cqrrent~. Também constitue .problema de ajustamento ocupação do solo que indica fixação tanto na exploraçao
a integração. ·da atividàde ·do· colono . tia . economia na- · da· terra· -mais ou menos delimitada ou cercada, como
cümal. . . na 'morda.ia' .do homem · e de sua família. A posse da
-Foram os imi~r:àntes QJle coloX:izaram. o ·mundo·· inteiro, O
i l";~ção, precede g';"'.1-
terra, coril a lguma forma de -~.-~
deslocamento seguido de instalação permanente é o ''fato colo- · mente a construção da casa, - -lias, pode s~ n:,o'Vd
nial" em .si. Pod.e assumir a~ mo.d alidades mais variadas. ·Uma como a tendà de pano, de feltro, de couro, . 0 iglu dos
mesma nação, . a Ing,Jaterr~ por exemplo; vê mo'difica'r-se atr~v_és
· esquimós ou a choça de trançados dos afncan~s . .
dos séculos o seu· conceito de colonização e seus métodos colon1a1s;
por isso, é exagero.falar em "tradições coloniais" .·· Hoje, entretan·
to, estão_se ~éneralizanj}o certos#critérios que devem ser conside-
A casa principalmente a casa fixa, acha,se mtu:t,
mente ligad~ aos recursos' naturais da região, pois os e,
rados numa coloni_zação racional das terras ainda a. pov9ar.
,
ff
178 Car-1os Delgado de Carvalho -Geografia Física e H iimana 179
a) ·A madeira, has regiões florestais, temperadas
-- mo.ntanhosas 1 - - tropicais, oferece quando abundante: óu
um demento fácil de trabalhar e moldar às necessidades -
• . ''âqriígo..
dÜ . · .]3.amos, bamb' . us, ta'buas e vigas são utili-
'i ' ' zados':€onform~ a região : na mata boreal é a ísba russa
• ·. ·-ou ~- k_bta fínla9:des_a; nas zonas alpinas,. o chalé suíço
ou ;tiroI~ ' e, no _•Paraná, a casa de colono. _Os tetos são
/ ··- - ._
.
. \ . .
C.tJ.-;z;i"'i-- '-'· ·.
- '! ... . .
.. 1 .. , .· ~· ·,.'.:..
Habitação egípcia ha 4 mjl anos. ~ . . .
1
.J
~-
- mentos vegetais, as pedra~ e:. argilas precisam ser apro:. .
veíradas com wn mínimo de-
transporte, do contrário não
. 1~ ·-
seriam econômkos · os materiais de ··çonsqução. _.Daí
-o intei:~e gepgi:afico :que -oferece a hàbi~açãp, e.o rno ex- _ -. ,___ __-ç - ------ ,:,.ctc. C,
poente significativo da pa~agem-, reflexo çlas . condições ~ -~ -- - -~ · ..:,.__ - --'- ~ J 4~ -
-,
topograficas. · - " . ' '. ... .... . .
Tenda de beduíno.
-. E, pois, da observação do~ materiais .que resultam .. , . -~ ."., r ~f . , .,. - .,.
as· prjmeitas · condusões a -respeito · do -meio -geográfic~, ·ern:i ~s t, ~/;,h3:s~arl:te .incÍinados cob~ tos de lages de pedra,
que çondiciona -a· ca,sa : 1
d~ ,--~,:~,9::5,i_qs.,,-:_o u de telhas, as vezes de lascas de ma-
_,.:d~ira;;_X>u !,pi~G ·de folhas de Flandres importadas. Na
' ·triataº·_J i&iii}a~e~ cana, . onde as espécies são lisas e re~as,
' . . illt 1 -'- · ,& - -
.. a çaba1Ja,.c41i,ade»se de madeira, ou log,cabin,. é um npo
.f : , :, -~~_p:· T a:mb~m são de madeira as casas
isobr~.
1
est
à In~lindia e as sampanas ou casas flu- :
tuantes", _ :: . ros. chineses . .
. ::~J-'}1\. p;.âra·.·é utilizada nas ·regiões calcáreas'. c/uj_as
cavertj~s~i se:ryiram de refugio durante a P;é-histona,
~~:11-º ri~ : s~C.d~ ·Frânça e em Minas, _e tambem nas re-
; ., groes .gt~t?:ft#::as, areníticas,· ou vulcâmças em que ª/ r~,
cha _s6,1~,g á .ai ~da. aparece à superfície . O exemplo elas.si-
: -~/
<:'..
Casa romana do século IV.
.. . ,, -"' .
....... ' .
.
" "
.., 1111111
Carlos Delgado. de -Carvalho" Geogratia Física e Humana, 181.
180 -
co da casa "de pedi:a, . larg_a. maciça -e q~~drada, · que .-surge domina o
111ar, ~onstituindo· Ótimo pôsco de observação.
ao sol ~m qu~dro vegetauvo . ~obre, e casa do Medi. Imita a casa africana do norte, mas tambem facilita O re-
terrineo. _Na mont~nh~-alta_, a_lem _d os limites das matas, collíim~nto das águas que trazem as chuvas. T ecos cônicos
aparece tambem o chale de pedra co_m super-estrutura d · de folhas de palm~íra são freqüentes nas cubatas africanas.
caípa, ou. .:le ripado, e ; cetos de ·. ud6sia. e · II . ., As . funções economícas da habitação variam
. _-c) A te?a argí~,sa também serve,_ nas .regiões gra- ·. com ·as , atividades das diferentes regiões e também com
níticas. Alem do tt;olo_,_ _empregé!•Se o adobe ou . tijolo os··. _usos e costumes _de suas populações. No que
. .-
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~.l).deC
-- ,_::: . Kraal de zulús com cercado para o gado .
. . -- ~ · . 42.
. . . · ) .
r~peica .à -forma da . casa, se_ os diversos .a~pecros que
Tenda de pastor kirghis.
_.ªl'~~~ta~ dependem às vêzes do número e d~~nsões
crú; ~cado ao soL. Na maioria d_as casas do Brasil e ~e ·c;k - ~as Janelas, de .suas . portas, de suas chammes
·- r~exo, - do clima . -· _em outras, entretanto , se adapta
Portugal, de Aveíro_ para· ·o Sul, emprega-se ~te !,llaterial
de grande .plasti~ida~e e fácil. é!Próvefrarpento. . ·f~=f tW.º· .ele: trabalho predominante na região.
Nas regiões calcáreàs da· -lnglaterrà, ·a casa de terr;
. ,:::~:) Nos· dimâs quentes_e secos, o pátio· interior é muito
é ·f ~eqüentemente coberta de colmo; no __ . Br~l!, ·de sape. rfi~~~~nt~\ J s-vezes com veg~tação. A propria ~asa de
,. - -~ o,r,ada , t~ _sua ylanta adaptada ao modo de viver da
Quanto ao telhado, a inclinação de- em Pª~ ~arnfliâ, " 1is··.suas ideias e crenças. Pode cer sobrados ,
da · chuva ~u da neve. da . r~gião, f).nt~' ' ~-~·-~ 9~estaf' . ~x~dos·pu,.- . sotãos; . pode ter dependências : granja,
de economia de made1ramento e de estilo · trad1ciona · ·º.?·q~·- ·.o.. gr_a:ngefro recolhe cereais e frutas, _(1,begoana,
Nos países de poucas ~huvas é comum o · uso -de terraços . .ondé o:abf!gão-itcolhe O gado e os ·utensílio:, da 1~voura~
de _tipo árabe .ou grego; .. no Egito a -casa iri?,is modesta · ·O~ .f~-~o~es. geográficos determinam a funç_ao agncola, a
pode mesmo dispensar cobertura. Num· país de nave . . · . ·f~~f<l::foastorfl, ~u a função industrial da casa, ·segundo
gances e pescadores, como_ o' Algarve, -a . açotéía branca
,. <' 1-
! .
'
·. ;
'
182 Càrlos Delgado· de 'Carvalho •
(j-éograf ia Física e Humana; 183
estado de· culçura · dos aldeões -e às . tradi_ções locais
0
Quanço!~ lo~alização ·da ·cas~ diz. 9 ge6grafo porcugu~ __; _fu. influê_ncias geográficas que atuam sôbre a aglo-
Amorim G~rao: «A casa, como . se fora . um .organismo .;: ;:. .; meiação ou a disseminação -do habitat rural são a maior
·vivo, procura 9;1a,~i sempre uma situ~ção_ bem exposta •· : /' _:·o ú .menor abund~ncia da água e o r.elêvo. Em regiões
. ao sol _e b~m prox1m_a d.e nascentes ou de linhas -de água. -.-: · '..-___-<de terras permeáveis, são raros os corregos e as casas
Nas _régiõ~ . montanhosas, prefere os _ vales ab~igados, .. ,ficam aglomeradas nos pontos favorecidos para o pro-
. . - '
l
... . ...·., _vimento da água. 1~m · terras impermeáveis, as águas
. ,
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~- . Chalé · da Floresta ~egra. · r
. O iglú, cas_a de g~lo . do esq,1.1imó. ·' , ~:~.
~)
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• 1.
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• .• .
..... •
;t/=.' :~ ,·supetfícié~.is -escoam por todos os lados e a casa é. mais
nàéuralmente defendidos dos vent~s dominantes, como ~~(:)\· ' :~íridependenté ·i1a ~olha de sua l_ocalização. Os morros
nas ~egiõés planas ou sujeitãs _-.a inundações;- ~se _localiza '" /~l~·{:~ i;n3ris ou menos Íngremes ou acessíveis, também tornam
particularmente nas saH~ncias do rdçvo, corit'órme suce- :f~:i([ "-d'f~êtbftat ·metios compacto', iiois neles nem tudo ·se presta
•' j.e, por exemplo, nas habitações das hérdades•~lentejanas --,~~i{,?\~~l9ça!ização -da. çasa. · A ~P?~íção ao sol entra como . ª!
(talvez por -isso mesmo conhedidas pelo nom:e de m,ontes ~ttl' t .<fa~or _importante. Na plamc1e, as- casas tendem a aglo--
e na re~iãó _ da «Beira Litoral». · • : .:':"( · j;pe)ição:- lnfluêm · tambem fatores sociais: no pas.53.do,
III. Os gr~os de càsa tomam a$pectos que, em .
:~e >., 1\ .à.· ~écessidade .de" defesa ou a cleterrpinação ·do senhor·.
·, t.\ ,.-y f~itçlil; · hoje, - pdncipalmente, O" regime agrícola
,4. ·.
., t . ' . ..
. \.. - . . .
·ou as
suas linhas gerais, ·: podem ser -redtizidos -a dois tipos:
o tipo -ag'lomerádo e o tipo -disseminàdo. -· . _·
·'f\~-\liõiiâtitás- de .recJ;istdbuíção ·anual . como no_ «·mir'» russo.
•~,fi';'•: ;~::~ :/•.... 1, ·.:... .~-~: .
·"'·:
· .· ,·t"""' "ª
,: • • ' . "·· . . . . ' _~, . ; _
.. "
• p.
-· -.•/·::, ..
/ ·
""
\=
,.,._,
Oarloa Delgado de Carvalho
1.84 Geografia Físipa e Humana . 185
l ,
_ Quanto à sua dísposiçã~, asaldefas de habitat aglo~
1 origens do .habitat urban_o, isto é, a formação de cidades
merado, podem apr,~ncar o , aspecto ·compacto de n l
!
arregondado, 11)uítas _vêzes c~m uma igreja, uma es:oíº sua préc1Sao. _
-
-· ·onde as ..caracteríscicas geográficas.
.
perdem um canto de
_
ou um . ed~fí.cfo público .no ~entro; pode _· ·ter O aspect~
" . 'A casa moderna sofre a influencia de uma civili-.
linear esnrado. ao longe de uma estrada, ou rua p . · ~- . _zação mundial em que as distdncias são· curtas, os erans, .
cipaL' Em cercas regiões, as ·~Ideias formam nas ale~~~; . portes · facilitados e os fretes reduzidos. Aos poucos; vai
. -----.,_ _._ -. ,,r:-·r ,, · .ela perdendo seu caráter regional e,· a exemplo da casa
- ~: . 0 q_._, '-'-. 1 --- . -
.. ,e::,.,, ,.--., ,
. ·. -da cidade, tende a ser padronizada: • cimento, telhas, ·
1/_ .-
1
( -L
~----- ~-- -_-rr"~~·Ç
/ --e__ ~
-. -- -·
"- / -~

djolos, vidros largos e regulares. O pr6prio mobiliário


é feito em série, e bem assim os utensilíos; a eletricidade
. penetr~ até .nas cocheiras e nas .pocilgas. Dessa forma
as
linhas vão se simplificando,. o aspecco -é de arquitetura
maçíca, onde não obstante, o àr, a luz e o calor penetram
fartamente . E a marca da universalidade da _civilização.
. ,., · O estudo dà habitação~ .isto é, sua observação sistemática e
- ' ,!,}- comparativ.a, penetrou· relativamente há pouco tempo na geogra•
·,i;·U
,~;'.,~
fia hqm.an:a; ,e~tretanto, é a feição mais constante e significativa
dâ reação do'•h ome~ ao meio a que tem de·se adaptar. Em. cada re-
, ..·-,.y ·
!
,.-. gião; em cada época, a casa é UD1a solução que revela o estado de
1 '
__;--;-- . · cultura e as exigências da natureza-~ Situação, solo, clima, vizi•
1 . nliahça, exposição, função econô:mica e social, tais são critérios ·
,. _.,,-- --,-- _;:.
1:) ·"· C:4/4- . aos quais o _seu exam.e ·deve ·ser submetido.
Casa de madeira na Noruega. -
· 2. Alimentação - - Ao progredir no caminho da
;)
verdadeiro~ anfiteatros de casas; é _O .. que se vê com t' civilização, o homem foi.:.se afastando _das condições íme-
· diatas da · vida _natural e, · é curioso -notar, foi perdendo
freqüencia, â beira ma.r, nos 'litorais :rochosos elevados, ·1 ·e . _
onde as habitações ficam como-. empoleiradas. . Íl .· as : oportunidades de ser guiado pelo -instinto na escolha
_'Não é _raro, ~o continente·europeu, a-cidade de
que teve su~ origens numa aldeia em terreno eleva_ '
hdt .:.;J- ·dos . _ alimentos mais -necessários a seu organismo. Na
. .. · aliniéntação1 màis dq que em qualquer outra atividade
1
)/!. . essencial, · o homem procurou soluções artificiais que
ao redor de um antigo castelo ou de um mosteiro.
.'
l :·., · C(?nstitµíram sérias . ameàças à integridade da raça sendo
No Br~si!, -aliás, Salva~or· e . Rio de Janeiro nasceram ;) . - causa de ·muitos males. Diminuíu, em _muitos casos
em pos1çoes de defesa. / · . .
' ·?:. :' à ' capacidade de resistência e O_S erros alimentares são,
_ . Ch~gam~s assim- às -fun5õ~ que repre$entam tan~~ . :;- · :;;iinda hoje, causas de· moléstias entre os civilizados•. ·
no habitat dISperso; -como . no habitat -· aglomerado, ª
"' !
186
Carlos Delgado de . Carvalho ·
1
'
.0-eografia Física e Humana 187
Felizmentei _u m · mo~-iinen~o baseado s&bre dados
ao sol, até o homem descobrir o valor do fogo para assar
científicos, visa hoje combater , esses erros 1 analisando as
e cozer: os alimentos; .
condições de alimentação na_s diferentes zonas · e nos Com a domesticação dos animais, os grupos }:tumanos
. diversos climas, com o fim -de -~~taurar as capacidades passaram à / ase pastoril, que forneceu à alúrnmtação pro-
vitais por meio de regimes dietétícos adequados e mais dutos .novos: queijos, ovos, leite e gorduras, como a
racionais. . Uma ciência nova, a q,ietética, fisiologia da . manteiga. O leite,. . era tido pelos gregos de Homero como
· alimento de bárbaros. Suas ·origens eram diversas: os
· íridús mungiam. búfa!os;· · os tártaros, .jumentos, os
árabes, camelos; os !apões, renas.
• · \ Com a . cultµ.ra das pi.antas µt_eís substituíndo a
1 . · simplés colheita, como a criação de gado · substituira
,. ·a ·caça, .outra fase -·~e abriu para -·cercos grupos humanos,
-~L--_
0 a fase agrícola . . Os éereaís, as raízes e tuberculos, as
·~ ..
Jru_tãs ·e legumes .foram trazendo à alimentação seu su-
primento mais regular e perí6dico.
-- -~~----=-=- - - .-- ~
,.,(. . · «At~ndendo à suà ·evolução cron6logíca », diz ·Re-
. . ~-..•,'>·- --- ·- .. ·- -~- --- ~
-~ ? - -
• .O--
_..!·
•• - ~
-:: .. .
-
--
-
-
---
• . . - ,__~--
,;, .ZL':!,.-
-
{~. · nato Sousa Lopes, «ó hotnein foi frugívoro no seu berço,
-~: ,,. -r · . . -
- ::.::-· - - -
. . .
-~
'
;e,.d.,. C.4~ ., car:nívoro no r~ino da caça, da pesca e da qiação pastoril,
-- - - ..
. -~ finalmente vegetaríanoJ na fase agrícola ». Na fase
1
seguinte, - . comercial e· -industrial · - foram disciplina-
Casa arabe no oasis.
i~ - · , , das as f ôrças da Natureza, mas ó homem nunca renunciou
alimentação, está se enriquecendo de pesquízas, des- ·· :a.qs seus álímentos .p rimitivos. Tornou-se onívoro. Seu
cobertas e conclusões práticas; , no Brasil, ela possue -regime a:límt:n~ar é ou deve . ser eclético; infelizmente,
representantes autorizados, empenhados todos em mel~o- ~em sempre isso ·acontece, pois há regimes sistemáticos,
rar as condições de nossa ainda defeituosa alímentaçao. úaiform~es, erraq_os. em relação à idade dos indivíduos,
âo trabalho -que desempenham, ao país ~m que vivem, _
a) · HístÓrícamente é difícil fixar fases bem defí- ao cHma, à estação, à qualidade e ã- quantidade.
n_ídas ~a evo!uç~o da humanidade;· o período pré-h!st6 - · _·A . híst6rià da alimentação; atravez dos tempos,
rico foi consideravelmente mais longo do que o . pen~do prova . qtie 3 000 anos antes de Cristo, os egípcios cul- -
do qual temos documentação. Entretanto, é reconhecido
0 . tivavam . cereais; bebiam vinho e cerveja. No , tempo
fato do homem primitivo ter ;ido caçador, pescador da XVIII..º· dinastia já sabiam chocar ovos artificialmente
.e colhedor de frutos selvageris. ·. As caças abatidas secavam e seus alimentos eram muito variados. Os hebreus ~m
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Carlos D_elgadQ- de Carvalho Geografia Físic(!, e HumanÇJ, 189
188 . •1
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e. • - ·e os 40 anos que passaram no deserto tiveram , Na Espanha, -o puchero, as almondigillâs, o
rrugats - "b . 1. · .
· 1n. fl ue· ncia ·considerave_l so re o- regime
. .. . a tmentar
. . que
d ainda . ;, ~abeche. São vinhos .esparih6is o malaga, o xerez e
'h • observam: Os gregos pnm1t1vos v1v1am e peixe ,O . álícante. _ .
. . OJe , d d . .• '
de legumes, de -frutas e e papas e c~rea1s; . · os espar- , _ -~-- \' - Em Portugal,_é apreciado o cosido-; seus vinhos
ciatas ficaram famosos pela sua f!llgahdade. · Na Idade- ., ' ··sã'o -: o ·perc~ e o madeira.
-, Médi~, a jardinagem nos ·conventos .e ·mosteiros desen:. . ·. ' -:- _Na Grã Bretanha prepara,se magistralmente o
volveu muito o uso dos legumes e das frutas," que foram · :çàrndro e a sopa de avéia; ,coristicue o ·roast beef uma
.. ao$ poucos, contrabalança·ndo o · uso excessivo dos con, · ~~eçialídade; o arenque defumado é ·tradicional No
1: dii:nentos asiáticos, canela, noz mo_scada, pimenta, aça,. -'.. -: ·isêé#lo ~XVIII, um lorde -inventou a sanduíche Entre
frão. Nos témpos modernos, .a maior parte dos pàíses !,, ·'" ·· . : _psi q:u~ijos, o chester, e entre os· temperos, os pickles e os
europeus linportava inqvaçõ_es . cul~~_árias · dos outros: :~ m.ôlhos -de W orcester.
·em França, · por exemplo, _-o melão foi 'índroduzido rio ·-_~ -· .-:;,, ·.- _ -Na · Alemanha destac~,se a salsicha e a batata,
tempo de Carlos. VII1 1 • assim como -os queíj<]s -italianos; · ..·.- ~--;,g~~o -do Mecklemburgo, o chucrute, os vinhos do
. o milho foi leva\lo no tempo de- Carl(?S IX; ó café, sob , · ::;.:Reifo: e a ·cerveja bavara .
o reinado de Luís _XIV. · · , · ,-- ·. _, - ·Na Rússia, os peixes do Volga, o caviar e o vodka.
.b) Uma · g~ografia dá aliment~ção poderia . hoje ser . · ' · · >_.Os países ·do Extremo Oriente são grandes consu,
tentada, levando em conta tr~ _'fatores priridpàis: as ·,rpidores,de arroz. Na Africa, .ãs populações negras subs-
j ' produções locais existentes ou· possíveis", isto_é, as aptidões ·.; \. i~ítµ_em . o milho e o trigo pelo sorgo. Mas cabe exclusi,
naturais _e recursos que oferecem as diferentes zonas de . ~):~:·->v-•.iQ1ente
.,_ 1' .' . -' ,
ao Brasil o vatapá baiáno, a feijoada, o piraruc{1
, •
•V_,,;;;: ·~t ~~zonense, o angu e o prrao.
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u~ país; - as tradições }Jist_ órkás, que .-muito ,,influem
sobre o paladar dos vários _grupos etriié:os, resultando na ;.:J~~ >··•·./{} Josué . de CasQ-i>1 distingue quatro fatores essenciai~ na acli-
pr~ferencia dos chamados «pràtos tradicionais ou· nado, . ''.:N.t, -~~çj,o técn~ca: a habitação, o vestuá!'io, al~men!ação e o re'.' -
: . • ·· · · ga,me· de trabalho. Aos poucos, a racionahzaçao vai penetrando
nais ~, e, p~r fim, as .facilidades · de transporte, ·que pro, :.. · ;r,#~y-ves(~ário e na habitação, progressos consideráveis, porém;
._ :'. ~i.n~à .precisaín ser feitos em dietética. O Homem tem, sôbre
mov~m a internacionalização de· cercos . produtos, como . ,jfái';p Jànt~, a vántagém de locomoção; sôbre o animal, a da adap-
o tr~go o arroz; Q café, os vinhos, ,,- as frutas 1e as
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t · . ··;;ifá~~o conciente e intelig~nte,: destas superioridades deve tirar
.carnes. . . · ': ':'( JJiaiorês · proveitos. O clima e o gênero do trabalho são os dois
,:'. ~-'if ~!,c.,res · que devem guiar, os progressos do H~mem neste im-
, Entre os _alimentos ·de distribuíçio . ge~gráfica .mais ·.- ,_ Ro:rtant~. ramo da Cultura·: a alimentação racional.
notavel, podem ser _citados: . . ..
.- Na Itdlia, a polenca (papa de milho) I ·o risoco,
0 mmescrone (so
•· . E · pa mi ·1 anesa de legumes) o spaghettl • 0
e
ra v1011.. ntre Os quel)os,
eh• ..
o gotgonzola; .entre' -
os vm • h
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iant1 e o asei espu~ante . .
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