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22 A 24 DE JULHO DE 2020

O MAIS DINÂMICO E ATUALIZADO EVENTO


PARA AGENTES PÚBLICOS DO BRASIL!

MATERIAL DE APOIO

negociospublicos.com.br/obras SEMINÁRIO
SUMÁRIO

PALESTRA 04

Manutenção predial contratada pelo srp: prescrições regulamentares e cautelas a se-


rem observadas

OFICINA I 14

Contratos de facilities - uma nova opção na manutenção predial

OFICINA II 40

Contratação de serviços continuados de manutenção predial

PALESTRA 62

Erros mais comuns na contratação de obras e serviços de engenharia

PALESTRA 75

Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas

PALESTRA 86

Cautelas a serem observadas para a garantia quinquenal em obras de engenharia

OFICINA I 91

Governança, compliance e integridade nas contratações da administração publica e


das estatais, especialmente nas contratações para atender a ncecessidade de comba-
te a pandemia do covid – 19

OFICINA II 112

Contratação de obras e serviços de engenharia sem licitação: hipóteses legais e requi-


sitos do processo

PALESTRA 121

Penalidades que podem ser aplicadas pela inexecução contratual

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 2


PALESTRA 126

Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou


diminuição do prazo de execução

OFICINA I 132

Contratação de obras rodoviárias utilizando o regime diferenciado de contratações


públicas – RDC

OFICINA II 142

Exigências para análise da qualificação técnica nas licitações: qualificação técnica pro-
fissional e qualificação operacional

PALESTRA 157

Responsabilidades da autoridade competente na designação da equipe de fiscalização

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 3


PALESTRA

I
PAULO REIS

MANUTENÇÃO PREDIAL
CONTRATADA PELO SRP:
PRESCRIÇÕES REGULAMENTARES
E CAUTELAS A SEREM
OBSERVADAS
Manutenção predial contratada pelo SRP: Prescrições regulamentares e cautelas a serem observadas Paulo Reis |

MANUTENÇÃO PREDIAL CONTRATADA PELO SRP:


PRESCRIÇÕES REGULAMENTARES E CAUTELAS A
SEREM OBSERVADAS

MANUTENÇÃO PREDIAL PELO SRP


1. O Sistema de Registro de Preços
2. Quando pode ser aplicado
3. Manutenção predial: regras a serem observadas
4. Utilização do SRP na manutenção predial
5. Tipos de contratação
6. A licitação para SRP
7. Gerenciamento da Ata e dos contratos

1) SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS


• Decreto nº 7.892, de 2013;
• Conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços e aquisição
de bens, para contratações futuras;

Decreto nº 4.536, de 1922


Art. 52. Para os fornecimentos ordinários às repartições públicas, poderá o Governo estabelecer o regime de
concorrências permanentes, inscrevendo-se, nas contabilidades dos Ministérios e nas repartições interessadas
nos fornecimentos, os nomes dos negociantes que se propuserem a fornecer os artigos de consumo habitual,
com a indicação dos preços oferecidos, qualidade e mais esclarecimentos reputados necessários.
§ 1º A inscrição far-se-á mediante requerimento ao chefe da repartição ou ao Ministro, conforme determinação
regulamentar, acompanhado das informações necessárias ao julgamento da idoneidade do proponente,
indicação dos artigos e preços dos fornecimentos pretendidos.
§ 2º Julgada dentro de 10 dias a idoneidade do proponente, será ordenada a sua imediata inscrição si este se
subordinar ás condições exigidas para o fornecimento.
§ 3º Os preços oferecidos não poderão ser alterados antes de decorridos quatro meses da data da inscrição,
sendo que as alterações comunicadas em requerimento só se tornarão efetivas após 15 dias do despacho, que
ordenar a sua anotação.
§ 4º O fornecimento de qualquer artigo caberá ao proponente que houver oferecido preço mais barato, não
podendo, em caso algum, o negociante inscripto recusar-se a satisfazer a encomenda, sob pena de ser excluído
o seu nome ou firma do registro ou inscrição e de correr por conta dele a diferença.

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 3º O Sistema de Registro de Preços poderá ser adotado nas seguintes hipóteses:
I – quando, pelas características do bem ou serviço, houver necessidade de contratações frequentes;
II – quando for conveniente a aquisição de bens com previsão de entregas parceladas ou contratação de
serviços remunerados por unidade de medida ou em regime de tarefa;
III – quando for conveniente a aquisição de bens ou a contratação de serviços para atendimento a mais de um
órgão ou entidade, ou a programas de governo; ou
IV – quando, pela natureza do objeto, não for possível definir previamente o quantitativo a ser demandado pela
Administração.

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Aquisição de Bens
Lei nº 8.666/1003 - art.15

SRP

Prest. de serviços comuns


Lei nº 10.520/2002 - art.11

Resolução nº 218, de 1975 – CONFEA


Art. 1º - Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da
Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes
atividades:
(...)
Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção;

Norma brasileira ABNT NBR 5674:1999


1. Objetivo
Esta Norma fixa os procedimentos de orientação para organização de um sistema de manutenção de edificações.
3. Definições
(...)
3.5 manutenção: Conjunto de atividades a serem realizadas para conservar ou recuperar a capacidade funcional
da edificação e de suas partes constituintes de atender as necessidades e segurança dos seus usuários.

Acórdão 504/2013 – TCU – Plenário


• “O objeto de auditoria foi delimitado de forma a abranger exclusivamente os processos de trabalho
geridos pela UFPE, que estivessem relacionados ao planejamento, à programação e à execução dos
serviços de manutenção das edificações que integram os seus diversos campi, excluindo-se os prédios
do Hospital das Clínicas e do Centro de Convenções.
• De forma a complementar a definição do objeto de auditoria, faz-se importante deixar claro quais
serviços são classificados como sendo relacionados à manutenção predial, tendo por base os itens 4.2
e 4.3 da ABNT NBR 5674:1999 (peça 11, p. 3), abaixo transcritos:
• A manutenção de edificações inclui todos os serviços realizados para prevenir ou corrigir a perda de
desempenho decorrente da deterioração dos seus componentes, ou de atualizações nas necessidades
dos seus usuários. A manutenção de edificações não inclui serviços realizados para alterar o uso da
edificação.”

POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO SRP PARA MANUTENÇÃO PREDIAL


Acórdão 2628/2019 – TCU – Plenário

• “o) nesse sentido, o Acórdão 7.268/2016-TCU-2ª Câmara dispõe que se admite o Sistema de Registro de
Preço para serviços de manutenção predial divididos em lotes por tipos de imóveis, desde que a autori-
dade assuma que não se utilizará dos serviços registrados para realizar obra (inclusive reforma) e desde
que não se admita a adesão à ata de registro de preços, devendo a divisão de lotes por tipo de imóveis

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estar fundamentada em razões técnicas e econômicas; e”


• Contratação de serviços de manutenção predial
• Tipos de contratação
• Recomenda-se a leitura do inteiro teor do Acórdão 2339/2016 – TCU – Plenário
Acórdão 2339/2016 – TCU – Plenário
“Somente postos de trabalho (PT):
59.1.1. Nesse modelo, a Administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial
mediante alocação de postos de trabalho - mão de obra residente (empregados da contratada alocados
para trabalhar de maneira contínua nas dependências da contratante). A execução dos serviços segue rotina
estabelecida e supervisionada pela Administração.
Postos de trabalho mais materiais (PT + MAT):
59.2.1. Esse modelo possui características semelhantes ao modelo de contrato denominado “PT”, com a
diferença de que, neste contrato denominado “PT + Mat”, os materiais empregados na execução dos serviços
são fornecidos pela contratada nas quantidades e qualidade exigidas no instrumento contratual.
59.2.2. Para isso, a organização faz o levantamento dos tipos e quantidades dos materiais a serem empregados
na execução contratual. Assim, paga à contratada o valor total dos postos de trabalho acrescido dos materiais
a serem fornecidos.
• Serviços (SV):
1.1.
59.3.1. Nesse caso, a Administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial mediante
fornecimento de serviços sob demanda, a serem realizados por mão de obra não residente (não há alocação
contínua de empregados da contratada nas dependências da contratante, nem dedicação exclusiva desses
empregados).
59.4. Postos de trabalho mais materiais e serviços (PT + MAT + SV):
59.4.1. Nesse modelo, a administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial, em
parte mediante alocação de postos de trabalho, em parte por meio de fornecimento de serviços sob demanda
(a serem realizados por mão de obra não residente), e prevendo também o fornecimento de materiais, pela
contratada, para a execução de todos os serviços. Dessa forma, esse modelo de contrato traz características
dos modelos denominados “PT+ Mat” e “SV”.”

SRP
• Opção 1: contratação tipo SV – realização dos serviços sob demanda, sem mão de obra residente, sem
fornecimento de material pela contratada
• Opção 2: contratação tipo SV + MAT – realização dos serviços sob demanda, sem mão de obra residen-
te, com fornecimento de material pela contratada
• Obrigatoriamente contratado mediante processo de licitação pública, na modalidade Concorrência (Lei
nº 8.666/1993, art. 15) ou Pregão (Lei nº 10.520/2002, art. 11)
• Pregão como modalidade preferencial / obrigatória

Decreto nº 10.024, de 2019


Art. 1º (...)
(...)
§ 1º A utilização da modalidade de pregão, na forma eletrônica, pelos órgãos da administração pública federal
direta, pelas autarquias, pelas fundações e pelos fundos especiais é obrigatória.
§ 3º Para a aquisição de bens e a contratação de serviços comuns pelos entes federativos, com a utilização
de recursos da União decorrentes de transferências voluntárias, tais como convênios e contratos de repasse,
a utilização da modalidade de pregão, na forma eletrônica, ou da dispensa eletrônica será obrigatória, exceto
nos casos em que a lei ou a regulamentação específica que dispuser sobre a modalidade de transferência
discipline de forma diversa as contratações com os recursos do repasse.
§ 4º Será admitida, excepcionalmente, mediante prévia justificativa da autoridade competente, a utilização
da forma de pregão presencial nas licitações de que trata o caput ou a não adoção do sistema de dispensa

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eletrônica, desde que fique comprovada a inviabilidade técnica ou a desvantagem para a administração na
realização da forma eletrônica.
Art. 3º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:
(...)
VIII - serviço comum de engenharia - atividade ou conjunto de atividades que necessitam da participação e
do acompanhamento de profissional engenheiro habilitado, nos termos do disposto na Lei nº 5.194, de 24 de
dezembro de 1966, e cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pela
administração pública, mediante especificações usuais de mercado;

Definição do objeto e dos quantitativos estimados


• Como relacionar os serviços que poderão vir a ser objeto de demanda?
• Como definir os quantitativos?

Objeto
Considerar os serviços definidos no SINAPI como padrão
• Possibilidade de relacionar outros serviços específicos

Quantitativos
• Como definir os quantitativos estimados?
• Disposições legais
• Basear-se em histórico das necessidades passadas
• Definição em função de adequada técnica quantitativa de estimação
• Levar em consideração a vida útil dos componentes do imóvel

Lei nº 8.666/1993
Art. 15. As compras, sempre que possível, deverão:
(...)
II. ser processadas através de sistema de registro de preços;
(...)
§ 4º A existência de preços registrados não obriga a Administração a firmar as contratações que dele poderão
advir, (…)
• Desnecessidade da existência de disponibilidade orçamentária
• Disposições do Decreto regulamentador

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 7º (...)
(...)
§ 2º Na licitação para registro de preços não é necessário indicar a dotação orçamentária, que somente será
exigida para a formalização do contrato ou outro instrumento hábil.
Tipo da licitação
• Menor preço global
• Menor preço por lote
• Menor preço por item
• Maior desconto

Acórdão 113/2012 – TCU – Plenário


“Atenta contra os princípios da razoabilidade e da finalidade o ente público (“órgão gerenciador”, nos termos
do art. 1º, parágrafo único, III, do Decreto Federal nº 3.931/2001) valer-se do sistema de registro de preços
para celebrar contrato com objeto absolutamente idêntico ao da ata que lhe deu origem, isto é, constituir
uma ata de registro de preços para simplesmente firmar contrato pela totalidade do valor da ata. Não se
pode aceitar aqui o argumento de que, nesse caso, a ata ainda teria utilidade para os “caronas”, uma vez que

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sua finalidade precípua - sua razão maior de ser - é o atendimento às necessidades do “gerenciador” e dos
eventuais “participantes” (art. 2º, III, do Decreto Federal nº 3.931/2001)”.”

Decreto nº 10.024, de 2019


Art. 7º Os critérios de julgamento empregados na seleção da proposta mais vantajosa para a administração
serão os de menor preço ou maior desconto, conforme dispuser o edital.

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 8º O órgão gerenciador poderá dividir a quantidade total do item em lotes, quando técnica e economicamente
viável, para possibilitar maior competitividade, observada a quantidade mínima, o prazo e o local de entrega
ou de prestação dos serviços.
§ 1º No caso de serviços, a divisão considerará a unidade de medida adotada para aferição dos produtos e
resultados, e será observada a demanda específica de cada órgão ou entidade participante do certame.
§ 2º Na situação prevista no § 1º, deverá ser evitada a contratação, em um mesmo órgão ou entidade, de
mais de uma empresa para a execução de um mesmo serviço, em uma mesma localidade, para assegurar a
responsabilidade contratual e o princípio da padronização.
• Riscos em relação à utilização de lotes
• Inobservância das propostas mais vantajosas em relação aos itens
• Registro de Preços para lotes, mas contratações por itens: riscos de superfaturamento

Acórdão 757/2015 – TCU – Plenário


“9.3. determinar à Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU que oriente suas unidades, especialmente a
Secretaria de Controle Externo das Aquisições Logísticas (Selog), sobre a necessidade de sempre avaliar os
seguintes aspectos em processos envolvendo pregões para registro de preços:
9.3.1. planejamento da contratação, incluindo os procedimentos relativos à intenção de registro de preços
e à estimativa de quantidades a serem adquiridas, devidamente justificada e baseada em estudos técnicos
preliminares e elementos objetivos - arts. 6º, inciso I, e 10, § 7º, do Decreto-Lei 200/1967, art. 6º, inciso IX, da Lei
8.666/1993, arts. 4º, 5º, inciso V, e 8º do Decreto 7.892/2013 e Acórdãos 1.100/2008, 392/2011 e 3.137/2014, do
Plenário, 612/2004 e 559/2009, da 1ª Câmara, e 1.720 e 4.411/2010, da 2ª Câmara;
9.3.2. obrigatoriedade da adjudicação por item como regra geral, tendo em vista o objetivo de propiciar a
ampla participação de licitantes e a seleção das propostas mais vantajosas, sendo a adjudicação por preço
global medida excepcional que precisa ser devidamente justificada, além de incompatível com a aquisição
futura por itens - arts. 3º, § 1º, inciso I, 15, inciso IV, e 23, §§ 1º e 2º, da Lei 8.666/1993, e Acórdãos 529, 1.592,
1.913, 2.695 e 2.796/2013, todos do Plenário;
9.3.3. hipótese autorizadora para adoção do sistema de registro de preços, indicando se seria o caso de
contratações frequentes e entregas parceladas (e não de contratação e entrega únicas), ou de atendimento a
vários órgãos (e não apenas um), ou de impossibilidade de definição prévia do quantitativo a ser demandado
(e não de serviços mensurados com antecedência) - art. 3º do Decreto 7.892/2013 e Acórdãos 113 e 1.737/2012,
ambos do Plenário;”

CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DO SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS


Partícipes do processo:

• Órgão gerenciador
• Órgão participante

Órgão Gerenciador: órgão ou entidade da administração pública responsável pela condução do conjunto de
procedimentos para registro de preços e gerenciamento da Ata de Registro de Preços dele decorrente
Órgão participante: órgão ou entidade integrante da Administração Pública que participa dos procedimentos
iniciais do SRP e integra a ata de registro de preços

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FASE INTERNA DA LICITAÇÃO


• Órgão gerenciador:

1 – registra sua intenção de registro de preços no Portal de Compras


2 – consolida as informações relativas à estimativa individual e total de consumo, promovendo a adequação
dos respectivos termos de referência ou projetos básicos encaminhados para atender aos requisitos de
padronização e racionalização
3 – promove os atos necessários à instrução processual para a realização do procedimento licitatório
4 – realiza pesquisa de mercado para identificação do valor estimado, consolidando os dados das pesquisas
realizadas pelos órgãos participantes
5 – elabora o ato convocatório e submete à aprovação de todos os órgãos participantes, especialmente quanto
aos quantitativos e especificações
6 – realiza a licitação
7 – promove a assinatura da Ata, encaminhando cópia aos participantes
8 – gerencia a Ata, obedecendo a ordem de classificação
9 – conduz eventuais renegociações dos preços registrados
10 – conduz os procedimentos relativos à aplicação de penalidades decorrentes de infrações cometidas no
procedimento licitatório
11 – conduz os procedimentos relativos à aplicação de penalidades decorrentes de infrações cometidas no curso
da utilização da ata de registro de preços e respectivos contratos, em relação às suas próprias contratações
12 – presta aos licitantes e aos órgãos participantes todas as informações relativas ao procedimento, inclusive
realizando reuniões prévias, se necessário, para esclarecimentos de dúvidas e para definir direitos e deveres

Decreto 7.892, de 2013


Art. 16. A existência de preços registrados não obriga a administração a contratar, facultando-se a realização
de licitação específica para a aquisição pretendida, assegurada preferência ao fornecedor registrado em
igualdade de condições.
1 – Possibilidade da realização de licitação específica para atender determinada aquisição
2 – O detentor do registro poderá participar dessa licitação, se quiser, em igualdade de condições com os
demais licitantes
3 – na conclusão do processo, respeito ao detentor do registro quando em igualdade de condições com o
licitante vencedor

• Possibilidade de registro de diversos


fornecedores para o mesmo produto
cadastro de reserva

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 11. Após a homologação da licitação, o registro de preços observará, entre outras, as seguintes condições:

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I – serão registrados na ata de registro de preços os preços e quantitativos do licitante mais bem classificado
durante a fase competitiva;
II – será incluído, na respectiva ata na forma de anexo, o registro dos licitantes que aceitarem cotar os bens
ou serviços com preços iguais ao do licitante vencedor na sequência da classificação do certame, excluído o
percentual referente à margem de preferência, quando o objeto não atender aos requisitos previstos no art.
3º da Lei nº 8.666, de 1993;
III – o preço registrado com indicação dos fornecedores será divulgado no Portal de Compras do Governo
Federal e ficará disponibilizado durante a vigência da ata de registro de preços; e
IV – a ordem de classificação dos licitantes registrados na ata deverá ser respeitada nas contratações.
§ 1º O registro a que se refere o inciso II do caput tem por objetivo a formação de cadastro de reserva no caso
de impossibilidade de atendimento pelo primeiro colocado da ata, nas hipóteses previstas nos arts. 20 e 21.
§ 2º Se houver mais de um licitante na situação de que trata o inciso II do caput, serão classificados segundo a
ordem da última proposta apresentada durante a fase competitiva.
§ 3º A habilitação dos fornecedores que comporão o cadastro de reserva a que se refere o inciso II do caput
será efetuada, na hipótese prevista no parágrafo único do art. 13 e quando houver necessidade de contratação
de fornecedor remanescente, nas hipóteses previstas nos arts. 20 e 21.
§ 4º O anexo de que trata o inciso II do caput consiste na ata de realização da sessão pública do pregão ou da
concorrência, que conterá a informação dos licitantes que aceitarem cotar os bens ou serviços com preços
iguais ao do licitante vencedor do certame.

Ata de Registro de Preços


• Ata de Registro de Preços – documento vinculativo, obrigacional, com característica de compromisso
para futura contratação, em que se registram os preços, fornecedores, órgãos participantes e condições
a serem praticadas, conforme as disposições contidas no instrumento convocatório e propostas apre-
sentadas.

Convocação para Recusa por parte do Convite aos Licitantes


assinatura da Ata Licitante Vencedor Remanescentes

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 13. Homologado o resultado da licitação, o fornecedor mais bem classificado será convocado para assinar
a ata de registro de preços, no prazo e nas condições estabelecidos no instrumento convocatório, podendo
o prazo ser prorrogado uma vez, por igual período, quando solicitado pelo fornecedor e desde que ocorra
motivo justificado aceito pela administração.
Parágrafo único. É facultado à administração, quando o convocado não assinar a ata de registro de preços no
prazo e condições estabelecidos, convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para fazê-lo
em igual prazo e nas mesmas condições propostas pelo primeiro classificado.
Art. 14. A ata de registro de preços implicará compromisso de fornecimento nas condições estabelecidas, após

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cumpridos os requisitos de publicidade.


Parágrafo único. A recusa injustificada de fornecedor classificado em assinar a ata, dentro do prazo estabelecido
neste artigo, ensejará a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas.

Termo de contrato
• Termo de Contrato, Nota de Empenho, Autorização de Compra, Ordem de Compra e Serviços ou instru-
mento equivalente;
• Publicação na imprensa oficial, como condição de eficácia (art. 61, par. único, da Lei nº 8.666/93);
• Recusa do detentor da Ata em retirar o empenho ou instrumento equivalente – inexecução contratual
– processo para aplicação de penalidade.

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 12. (...)
(...)
§ 4º O contrato decorrente do Sistema de Registro de Preços deverá ser assinado no prazo de validade da ata
de registro de preços.

Gerenciamento da Ata
• Inexistência da obrigação de contratação por parte da Administração;
• Possibilidade de realização de licitação específica, assegurando-se ao fornecedor registrado a
preferência, em igualdade de condições.
• Obrigatoriedade de atendimento pelo fornecedor.

Preço registrado
• Manutenção do preço registrado inalterado pelo prazo de 12 meses;
• Possibilidade de reajustamento do preço registrado durante a vigência da Ata;
• Disposições da Lei nº 10.192, de 14 de fevereiro de 2001.

Lei nº 10.192/2001
Art. 3º Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo
com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.
§ 1º A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo será contada a partir da data limite
para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir.

Alterações na Ata
• Alteração do preço registrado: redução ou elevação
• Redução:
• Negociação promovida pelo órgão gerenciador;
• Impossibilidade de cumprimento pelo fornecedor – liberação do compromisso, sem aplicação de
penalidade;
• Convocação de outros fornecedores – cadastro de reserva;
• Revogação do Registro.
• Elevação:

• Manutenção das condições pactuadas até a manifestação do detentor da Ata;


• Necessidade de requerimento, devidamente comprovado;
• Possibilidade de liberação do compromisso assumido, sem aplicação da penalidade, após a confir-
mação da veracidade;
• Obrigatoriedade de cumprimento dos contratos pendentes;
• Convocação dos demais fornecedores registrados, na ordem de classificação, objetivando nego-

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ciação;
• Revogação da Ata, se não houver acordo com os detentores.
• Alteração quantitativa:

1. Existe alteração quantitativa na Ata de Registro de Preços?


2. Existe alteração quantitativa nos contratos decorrentes da Ata?

Decreto nº 7.892, de 2013


Art. 12. (...)
§ 1º É vedado efetuar acréscimos nos quantitativos fixados pela ata de registro de preços, inclusive o acréscimo
de que trata o § 1º do art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.
§ 3º Os contratos decorrentes do Sistema de Registro de Preços poderão ser alterados, observado o disposto
no art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.

Cancelamento do Registro sem penalidades


• Detentor da Ata não aceitar a redução do preço, quando este se tornar superior ao de mercado;
• Razões de interesse público;
• Solicitação do fornecedor que demonstra a existência de fato superveniente, decorrente de caso fortu-
ito ou força maior, devidamente comprovado.

Cancelamento de registro de fornecedor


Art. 20. O registro de fornecedor será cancelado quando:
I – descumprir as condições da ata de registro de preços;
II – não retirar a nota de empenho ou instrumento equivalente no prazo estabelecido pela Administração, sem
justificativa aceitável;
III – não aceitar reduzir o seu preço registrado, na hipótese deste se tornar superior àqueles praticados no
mercado; ou
IV – sofrer sanção prevista nos incisos III ou IV do art. 87 da Lei nº 8.666, de 1993, ou no art. 7º da Lei nº 10.520,
de 2002.
Parágrafo único. O cancelamento de registros nas hipóteses previstas nos incisos I, II e IV do caput será
formalizado por despacho do órgão gerenciador, assegurado o contraditório e a ampla defesa.
Art. 21. O cancelamento do registro de preços poderá ocorrer por fato superveniente, decorrente de caso
fortuito ou força maior, que prejudique o cumprimento da ata, devidamente comprovados e justificados:
I – por razão de interesse público; ou
II – a pedido do fornecedor.

Extinção do Registro de Preços


• Pelo esgotamento do prazo de vigência da Ata;
• Pelo esgotamento do quantitativo registrado;
• Prevalece o evento que acontecer em primeiro lugar.

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OFICINA

I
CLÁUDIO SARIAN

CONTRATOS DE FACILITIES
- UMA NOVA OPÇÃO NA
MANUTENÇÃO PREDIAL
O que são facilities e como minha empresa pode se beneficiar com isso? Cláudio Sarian |

O QUE SÃO FACILITIES E COMO MINHA EMPRESA PODE


SE BENEFICIAR COM ISSO?1

• A palavra “Facilities” vem do inglês e significa “facilidades”, e quando tratamos de serviços em geral, tudo
que vem para facilitar nosso dia a dia, com certeza é muito bem-vindo.
• Essas facilidades podem ser aplicadas de diversas formas dentro de uma empresa, mas em geral, po-
demos tratar isso como um conjunto de atividades agrupadas em um só lugar.
• Facilities é a aplicação de mão-de-obra especializada e dedicada à serviços dentro de uma empresa. É
reunir um conjunto de serviços e valores que, se bem integrados e racionalizados, poderão reduzir os
custos e aprimorar a qualidade global da organização.
• Assim, com muitas definições e enfoques, o Facilities nada mais é do que uma terceirização ampla e
integrada, onde um único provedor se tornará responsável por uma gama de serviços.

QUAIS SERVIÇOS SÃO OFERECIDOS EM CONTRATOS DE FACILITIES?


Limpeza
• Limpeza técnica
• Limpeza industrial
• Higienização hospitalar

Logística interna e armazenagem


• Seleção de materiais
• Administração
• Movimentação de materiais

Manutenção
• Manutenção de equipamentos e controle de sistemas
• Manutenção predial
• Limpeza de fachadas e áreas externas
• Jardinagem

Segurança
• Escolta Armada
• Segurança Pessoal
• Transfer Executivo
• Vigilância Eletrônica
• Vigilância Patrimonial

Serviço de suporte administrativo


• Logística interna e armazenagem
• Expedição

1 http://www.globalsegmg.com.br/o-que-sao-facilities-e-como-minha-empresa-pode-se-beneficiar-com-isso/

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O que são facilities e como minha empresa pode se beneficiar com isso? Cláudio Sarian |

• Administração predial
• Arquivos
• Copiadoras
• Transportes
• Recepção
• Telefonista
• Portaria

FACILITIES - LEGISLAÇÃO
Legislação

Estrutura Normativa Nacional


Hierarquia

Constituição Federal

Legislação

Súmulas
Decretos
Jurisprudência
Instruções Normativas

Acórdãos

• Constituição Federal
• Leis de licitações nº 8.666/93 x Lei 10.520/02 x Lei 12.462/11 x Lei 13.303/16 x Lei 13.979/20
• Lei 14.011/20
• Plano Plurianual
• Lei de Diretrizes Orçamentárias:
• Lei Orçamentária Anual
• Lei de Responsabilidade Fiscal
• Lei Complementar nº 123
• Lei nº 5.194/66; 6.496/77; E 12.378/10
• Decretos
• Instruções Normativas
• Resoluções CONFEA
• Resoluções CONAMA

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Licitação

Decreto Leio 8.666 Lei 10.520 Lei 12.462 Lei 13.303 Lei 13.979/20 Lei 14.011/20
2.2300/1986 1993 2002 2011 2016 2020 2020

LEI Nº 14.011, DE 10 DE JUNHO DE 2020


Aprimora os procedimentos de gestão e alienação dos imóveis da União; altera as Leis nos 6.015, de 31 de
dezembro de 1973, 9.636, de 15 de maio de 1998, 13.240, de 30 de dezembro de 2015, 13.259, de 16 de março
de 2016, e 10.204, de 22 de fevereiro de 2001, e o Decreto-Lei nº 2.398, de 21 de dezembro de 1987; revoga
dispositivos das Leis nos 9.702, de 17 de novembro de 1998, 11.481, de 31 de maio de 2007, e 13.874, de 20 de
setembro de 2019; e dá outras providências.

Art. 7º A administração pública poderá celebrar contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos, nos
termos da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

§ 1º O contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos consiste na prestação, em um único contrato, de
serviços de gerenciamento e manutenção de imóvel, incluído o fornecimento dos equipamentos, materiais e
outros serviços necessários ao uso do imóvel pela administração pública, por escopo ou continuados.

§ 2º O contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos poderá:


I - incluir a realização de obras para adequação do imóvel, inclusive a elaboração dos projetos básico e executivo;
e
II - ter prazo de duração de até 20 (vinte) anos, quando incluir investimentos iniciais relacionados à realização
de obras e o fornecimento de bens.
§ 3º (VETADO).
§ 4º Na hipótese de que trata o § 2º deste artigo, as obras e os bens disponibilizados serão de propriedade do
contratante.
§ 5º Ato do Poder Executivo poderá regulamentar o disposto neste artigo.

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FASES DA CONTRATAÇÃO

Etapas Contratação

Fase Preliminar à Licitação

Decisão de Licitar

Licitação - Fase Interna

Publicação do Edital

Licitação - Fase Externa

Assinatura do Contrato Contratação Direta

Fase Contratual

Recebimento Definitivo

Fase Posterior à Contratação

PASSO 1
Fase Preliminar
• Programa de necessidades
• Alinhamento ao Plano Estratégico
• Estudo de Viabilidade
• Plano Anual de Contratações
• Regularidade do terreno e
• interferências relevantes
• Restrições legais
• Disponibilidade de recursos

Primeira Página do Processo é a Definição da Necessidade

Qual a necessidade? Como atender a Qual a necessidade?


necessidade?

• Existe de fato • Precisa do objeto? • 8.666


• Alinha-se ao plano • Somente o objeto é • RDC
estratégico? o suficiente?
• 13.303
• A solução é viável?
• Concessão
• Existem recursos?
• PPP
• Aluguel
Built to Suit

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PASSO 2
Fase Interna
• Elaboração de projetos básicos*
• ou Elaboração do Termo de Referência
• Formação e treinamento da equipe
• Licenciamento ambiental
• Definição do orçamento
• Inclusão na Lei Orçamentária
• Elaboração do Edital (definição das regras de julgamento)
*Na integrada é anteprojeto.

PASSO 3
Fase Externa
• Nomeação da Comissão de Licitação
• Observância a prazos
• Respostas a questionamento
• Avaliação da habilitação
• Avaliação das propostas (critérios de aceitabilidade e exequibilidade)
• Homologação e Adjudicação do Objeto

PASSO 4
Fase Contratual
• Assinatura do contrato
• Ordem de serviço
• Designação da equipe de fiscalização
• Acompanhamento dos serviços (medição)
• Aditivos
• Prazos (5 anos)
• Correção de falhas de projeto
• Recebimentos

Objetos

Contratações

Bens Serviços Obras

Serviços de Engenharia Obras de Engenharia

Outros Tipos

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LICITAÇÕES
Lei 8.666/93

Art. 6o Para os fins desta Lei, considera-se:


I - Obra - toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou
indireta;
II - Serviço - toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais
como: demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção,
transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais;
III - Compra - toda aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só vez ou parceladamente;

OBRA
3. relação exaustiva: construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação;
4. gera acréscimo material significativo;
5. é permanente;
6. precisa de profissional habilitado (engenheiro ou arquiteto).

Contratações Públicas
Sob a características da Obrigação

Contratações

Bens Serviços Obras

Obras de Engenharia
Serviços de Engenharia

Obrigação de Dar Outros Tipos Obrigação de Fazer

Contratações Públicas
Sob a classificação de comum ou não

Contratações

Bens Serviços Obras

Obras de Engenharia
Serviços de Engenharia

Comuns ou Existem
não comuns Outros Tipos Comuns?

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Fiscalização Contratual
Vigência e Prorrogação

Prazos

Escopo Contínuos

Contratações Públicas
Sob a classificação de escopo ou contínuo

Contratações

Bens Serviços Obras

Obras de Engenharia
Serviços de Engenharia

Escopo ou
Outros Tipos Escopo
Contínuo

Contratações Públicas
Serviços continuados ou não (escopo)
Contratos de limpeza, vigilância, recepção, portaria, que, via de regra, requerem disponibilização contínua e permanente
dos empregados nas dependências do órgão.

serviços nos quais há cessão de mão-de-obra pela Contratada, ou seja, se€faz


Com dedicação Exclusiva
necessário€que ela€mantenha, em período integral e de forma exclusiva, funcionários
de mão de obra
à disposição da Administração, para que executem tarefas de seu interesse.

serviços realizados de forma contínua mas€sem a necessidade€da Contratada manter,


Sem dedicação Exclusiva
em período integral e de forma exclusiva, os funcionários€à disposição da
de mão de obra
Administração para que executem tarefas de seu interesse.

consultoria, supervisão, manutenção* preventiva ou corretiva de equipamentos, locação de máquinas, etc.

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SERVIÇOS DEMO
In 5/2017

Dos Serviços com Regime de Dedicação Exclusiva de Mão de Obra


Art. 17. Os serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra são aqueles em que o modelo de
execução contratual exija, dentre outros requisitos, que:
I - os empregados da contratada fiquem à disposição nas dependências da contratante para a prestação dos
serviços;
II - a contratada não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma contratação para
execução simultânea de outros contratos; e
III - a contratada possibilite a fiscalização pela contratante quanto à distribuição, controle e supervisão dos
recursos humanos alocados aos seus contratos.
Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput poderão ser prestados fora das dependências do órgão ou
entidade, desde que não seja nas dependências da contratada e presentes os requisitos dos incisos II e III.

IX - Instrumento de Medição de Resultado (IMR): mecanismo que define, em bases compreensíveis, tangíveis,
objetivamente observáveis e comprováveis, os níveis esperados de qualidade da prestação do serviço e
respectivas adequações de pagamento.
Item 2.5. d) Definir a forma de aferição/medição do serviço para efeito de pagamento com base no resultado,
conforme as seguintes diretrizes, no que couber:
d.1. estabelecer a unidade de medida adequada para o tipo de serviço a ser contratado, de forma que permita
a mensuração dos resultados para o pagamento da contratada e elimine a possibilidade de remunerar as
empresas com base na quantidade de horas de serviço ou por postos de trabalho, observando que:
d.1.1. excepcionalmente poderá ser adotado critério de remuneração da contratada por quantidade de horas
de serviço, devendo ser definido o método de cálculo para quantidade, qualificação da mão de obra e tipos de
serviços sob demanda, bem como para manutenção preventiva, se for o caso;

FISCALIZAÇÃO CONTRATUAL
Acórdão 860/2012-Plenário

Em contratos de terceirização de mão de obra, a adoção de critério de remuneração com base na quantidade
de horas de serviço só será possível quando restar comprovada a inviabilidade de adoção do critério de aferição
dos resultados.

FISCALIZAÇÃO CONTRATUAL
Acórdão 608/2011-Plenário

Na contratação de prestação de serviços, em que, pelas características do objeto, seja adotada a remuneração
por horas trabalhadas, em detrimento a remuneração por resultados ou produtos, a Administração deve
providenciar o detalhamento do grau de qualidade exigido em relação aos serviços e fazer prévia estimativa
da quantidade de horas necessárias à sua execução, justificando quando não for possível ou necessário tal
procedimento.

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Objetos
Sob a características da Obrigação

O quê?
Anteprojeto

Obrigação de Dar Obrigação de Resultado

Como?
Projeto básico

Obrigação de Fazer Obrigação de Meio

VISÃO GERENCIAL DE UMA CONTRATAÇÃO


Projeto

• Um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclu-
sivo. Os projetos e as operações diferem, principalmente, no fato de que os projetos são temporários e
exclusivos, enquanto as operações são contínuas e repetitivas. (PMI)
• Não confundir Projeto com projeto

Obras e Serviços Continuados ou Não

Obras Projeto

Não Continuadas

Não Continuados Engenharia

Serviços

Não Engenharia

Continuados Atividade

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Projeto - Visão Sistêmica

Projeto

Contrato 1 Contrato 2 Contrato 3

Projeto Execução 1 Execução 2

Fases de um Projeto

Execução

Execução Planejamento
Esforço

Encerramento

Controle

Tempo

Fases de um Projeto

Execução
Planejamento

Projeto
Execução Executivo
Esforço

Encerramento
Projeto
Básico

Documento
Anteprojeto Controle
as Built
Estudo de
Viabilidade

Tempo

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Fases de um Projeto
“Tudo junto e misturado?”

Execução Execução
Planejamento Planejamento

Projeto Projeto
Execução Executivo Execução Executivo

Esforço

Esforço
Limpeza Manutenção
Encerramento Encerramento
Projeto Projeto
Básico Básico

Documento Documento
Anteprojeto Controle Anteprojeto Controle
as Built as Built
Estudo de Estudo de
Viabilidade Viabilidade

Tempo Tempo

Execução Execução
Planejamento Planejamento

Projeto Projeto
Esforço Execução Executivo Execução Executivo

Esforço
Vigilância Recepção
Encerramento Encerramento
Projeto Projeto
Básico Básico

Documento Documento
Anteprojeto Controle Anteprojeto Controle
as Built as Built
Estudo de Estudo de
Viabilidade Viabilidade

Tempo Tempo

Execução
Planejamento

Projeto
Execução Executivo

Esforço
Encerramento
Projeto
Básico Motoristas
Documento
Anteprojeto Controle
as Built
Estudo de
Viabilidade

Tempo

LICITAÇÃO
In 40/2020 – Seges

Art. 1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a elaboração dos Estudos Técnicos Preliminares - ETP - para
a aquisição de bens e a contratação de serviços e obras, no âmbito da Administração Pública federal direta,
autárquica e fundacional, e sobre o Sistema ETP digital.
Art. 5º Os ETP deverão evidenciar o problema a ser resolvido e a melhor solução dentre as possíveis, de modo
a permitir a avaliação da viabilidade técnica, socioeconômica e ambiental da contratação.
Art. 6º Os ETP serão elaborados conjuntamente por servidores da área técnica e requisitante ou, quando
houver, pela equipe de planejamento da contratação.

LICITAÇÃO
In 1/2019
Art. 1° Esta Instrução Normativa dispõe sobre o Plano Anual de Contratações – PAC de bens, serviços, obras
e soluções de tecnologia da informação e comunicações no âmbito da Administração Pública federal direta,
autárquica e fundacional e sobre o Sistema de Planejamento e Gerenciamento de Contratações – PGC.
Art. 4° Para os efeitos desta Instrução Normativa, são adotadas as seguintes definições:
I - Setor de licitações: unidade responsável pelo planejamento, coordenação e acompanhamento das ações
destinadas à realização das contratações no âmbito do órgão ou entidade;
II - Setores requisitantes: unidades responsáveis por identificar necessidades e requerer ao setor de licitações
a contratação de bens, serviços, obras e soluções de tecnologia da informação e comunicações.
Parágrafo único. Cada órgão ou entidade poderá definir de forma diversa a divisão de atribuições de que
tratam os incisos I e II, quando contemplar áreas específicas em sua estrutura.

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Caracterização do Objeto Obras e Serviços

Caracterização da Obra

Anteprojeto Orçamento Estimado

Licença Ambiental Prévia Projeto Básico Orçamento Detalhado

TR

Projeto Executivo

Documentação as Built

Licitação - Fase Interna

Edital - Fase Interna

O que Com quais Com quem Como Como


Contratar Recursos Contratar Executar Contratar

Regras para
Caracteriz. Previsão de Regras para Regras para Regras para
Estruturar
da Obra Recursos Habilitação Contratação Jugalmento
a Licitação

LICITAÇÃO
Fase Interna

Requisitos (o que contratar e com quais recursos)


Art. 7º , § 2º, Lei nº 8666/93 As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em
participar do processo licitatório;
II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários;
III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de
obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma;
IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas estabelecidas no Plano Plurianual de que trata o
art. 165 da Constituição Federal.

LICITAÇÃO – EDITAL
Lei 8.666/93

Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada
e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta
Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos

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envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte:


I - objeto da licitação, em descrição sucinta e clara;
III - sanções para o caso de inadimplemento;
X - o critério de aceitabilidade dos preços unitário e global,...
XI - critério de reajuste
XIV - condições de pagamento, prevendo:

§ 2o Constituem anexos do edital, dele fazendo parte integrante:


I - o projeto básico e/ou executivo, com todas as suas partes, desenhos, especificações e outros complementos;
II - orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários;
III - a minuta do contrato a ser firmado entre a Administração e o licitante vencedor;
IV - as especificações complementares e as normas de execução pertinentes à licitação.

PARCELAMENTO X FRACIONAMENTO
Facilities é a contratação de um enorme grupo de serviços em apenas 1 bloco.
Como fica o parcelamento?

LICITAÇÃO
Fracionamento X Parcelamento

Art.23, 8.666, § 1o (Parcelamento) As obras, serviços e compras efetuadas pela administração serão divididas
em tantas parcelas quantas se comprovarem técnica e economicamente viáveis, procedendo-se à licitação com
vistas ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e à amplicação da competitiivdade, sem
perda da economia de escala.
§ 2o Na execução de obras e serviços e nas compras de bens, parceladas nos termos do parágrafo anterior, a
cada etapa ou conjunto de etapas da obra, serviço ou compra, há de corresponder licitação distinta, preservada
a modalidade pertinente para a execução do objeto em licitação.
Art.23, 8.666, § 5o (Fracionamento) É vedada a utilização da modalidade “convite” ou “tomada de preços”,
conforme o caso, para parcelas de uma mesma obra ou serviço, ou ainda para obras e serviços da mesma
natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e concomitantemente, sempre que o somatório
de seus valores caracterizar o caso de “tomada de preços” ou “concorrência”, respectivamente, nos termos deste
artigo, exceto para as parcelas de natureza específica que possam ser executadas por pessoas ou empresas de
especialidade diversa daquela do executor da obra ou serviço.

TCU – ACÓRDÃO Nº 839/09 – PLENÁRIO


Em consonância com o disposto nos arts. 3º, § 1º, inciso I, e 23, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.666/1993, incumbe ao
gestor promover o parcelamento do objeto a ser licitado com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos
disponíveis no mercado e à ampliação da competitividade, ou, na impossibilidade técnica e econômica de fazê-
lo, apresentar justificativas fundamentadas nos autos do procedimento licitatório.

Dividir o Objeto
Será que fica mais caro?

Vantagens Desvantagens

Aumenta competição Maior nº de licitações

Reduz preço de contração específica Demanda de equipes internas

Facilita Coordenação Coordenar serviços

Foco no “core business” Responsabilidade individual

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QUAL O ENTENDIMENTO DO TCU A RESPEITO DE FACILITES?


TCU – Acórdão 929/2017-Plenário

Assegurado o atendimento aos princípios que regem as licitações e os contratos públicos, a contratação de
serviços de conservação e manutenção de infraestrutura predial, com a inclusão de serviços variados, na
modelagem conhecida como contratação de facilities, não configura, por si só, afronta à Lei de Licitações,
quando:

1. prévia e formalmente motivada,


2. de modo a evidenciar, de forma clara e inequívoca, os benefícios potenciais advindos dessa modelagem,
3. com destaque para a quantificação das vantagens econômicas e financeiras e dos ganhos advindos da
economia de escala.

TCU – ACÓRDÃO 2.333/2018-PLENÁRIO


É legítima a contratação conjunta de serviços terceirizados, sob gestão integrada da empresa contratada, no
regime de empreitada por preço global e com enfoque no controle qualitativo ou de resultado, devendo a
Administração, na fase de planejamento da contratação,
1. estabelecer a composição dos custos unitários de mão de obra, material, insumos e equipamentos,
2. bem como realizar preciso levantamento de quantitativos, em conformidade com o art. 7º, § 2º, inciso
II, c/c o art. 40, § 2º, inciso II, da Lei 8.666/1993, o art. 9º, § 2º, do Decreto 5.450/2005 e a Instrução Nor-
mativa Seges/MPDG 5/2017.

TCU – ACÓRDÃO 10.264/2018-2ª CÂMARA


Em licitações de serviços diversos em contrato único (Facilities Full), a permissão de formação de consórcios
e a possibilidade de subcontratação de serviços são meios que podem amenizar a restrição a concorrência
decorrente da junção de inúmeros serviços em único objeto.

QUAL A NOVA ESTRUTURA NORMATIVA?


Lei Nº 14.011, De 10 De Junho De 2020

Aprimora os procedimentos de gestão e alienação dos imóveis da União;


altera as Leis nos 6.015, de 31 de dezembro de 1973, 9.636, de 15 de maio
de 1998, 13.240, de 30 de dezembro de 2015, 13.259, de 16 de março de
2016, e 10.204, de 22 de fevereiro de 2001, e o Decreto-Lei nº 2.398, de 21 de
dezembro de 1987; revoga dispositivos das Leis nos 9.702, de 17 de novembro
de 1998, 11.481, de 31 de maio de 2007, e 13.874, de 20 de setembro de
2019; e dá outras providências.

Art. 7º A administração pública poderá celebrar contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos, nos
termos da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.
§ 1º O contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos consiste na prestação, em um único contrato, de
serviços de gerenciamento e manutenção de imóvel, incluído o fornecimento dos equipamentos, materiais e
outros serviços necessários ao uso do imóvel pela administração pública, por escopo ou continuados.
§ 2º O contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos poderá:
I - incluir a realização de obras para adequação do imóvel, inclusive a elaboração dos projetos básico e executivo;
e
II - ter prazo de duração de até 20 (vinte) anos, quando incluir investimentos iniciais relacionados à realização
de obras e o fornecimento de bens.
§ 3º (VETADO).
§ 4º Na hipótese de que trata o § 2º deste artigo, as obras e os bens disponibilizados serão de propriedade do
contratante.

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§ 5º Ato do Poder Executivo poderá regulamentar o disposto neste artigo.

COMEÇANDO PELO VETO


§ 3º do art. 7º
“§ 3º Quando se tratar de contrato de gestão para projetos de habitação de interesse social inseridos em
programas sociais, o Ministério do Desenvolvimento Regional deverá especificar em edital as condições do
contrato.”

RAZÕES DO VETO
“A propositura legislativa gera insegurança jurídica e contraria o interesse público. O art. 7º trata da possibilidade
da Administração firmar contrato para prestação de serviços de gerenciamento e manutenção de imóveis da
União. Os imóveis em questão são de uso material e direto da própria Administração, como se depreende do
§ 1º. O §3º inserido inova com a previsão de contratos de gestão para projetos de habitação em programas
sociais, o que foge ao escopo da disposição, mudando seu sentido original. Não há a possibilidade jurídica
de compatibilização do contrato de gestão com projetos de habitação de interesse social, de forma que o
dispositivo se encontra em descompasso com o que preceitua o art. 7º, § 1º, da propositura, o que viola o art.
11, da Lei Complementar nº 95, de 1998.”
...
I - incluir a realização de obras para adequação do imóvel, inclusive a elaboração dos projetos básico e executivo;
...

E se for Alocado?

...
§ 1º O contrato de gestão para ocupação de imóveis públicos consiste na prestação, em um único contrato,
de serviços de gerenciamento e manutenção de imóvel, incluído o fornecimento dos equipamentos, materiais e outros
serviços necessários ao uso do imóvel pela administração pública, por escopo ou continuados.
...

...
I - incluir a realização de obras para adequação do imóvel, inclusive a elaboração dos projetos básico e executivo;
...

A grande diferença para as facilities antes da Lei!

...
I - incluir a realização de obras para adequação do imóvel, inclusive a elaboração dos projetos básico e executivo;
...

• Seria uma contratação integrada?


• E se o contratado fizer obra para reduzir custo de manutenção?

RDC
Art. 9º Nas licitações de obras e serviços de engenharia, no âmbito do RDC, poderá ser utilizada a contratação
integrada, desde que técnica e economicamente justificada e cujo objeto envolva, pelo menos, uma das
seguintes condições:

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I - inovação tecnológica ou técnica;


II - possibilidade de execução com diferentes metodologias; ou
III - possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado.
§ 1º A contratação integrada compreende a elaboração e o desenvolvimento dos projetos básico e executivo,
a execução de obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-operação e todas as
demais operações necessárias e suficientes para a entrega final do objeto.

§ 2º No caso de contratação integrada:


I - o instrumento convocatório deverá conter anteprojeto de engenharia que contemple os documentos
técnicos destinados a possibilitar a caracterização da obra ou serviço, incluindo:
a) a demonstração e a justificativa do programa de necessidades, a visão global dos investimentos e as
definições quanto ao nível de serviço desejado;
b) as condições de solidez, segurança, durabilidade e prazo de entrega, observado o disposto no caput e no §
1º do art. 6º desta Lei;
c) a estética do projeto arquitetônico; e
d) os parâmetros de adequação ao interesse público, à economia na utilização, à facilidade na execução, aos
impactos ambientais e à acessibilidade;

...
II - ter prazo de duração de até 20 (vinte) anos, quando incluir investimentos iniciais relacionados à realização de obras
e o fornecimento de bens.
...

E a amortização?

...
§ 4º Na hipótese de que trata o § 2º deste artigo, as obras e os bens disponibilizados serão de propriedade do contratante.
...

FUNDAMENTAL GERENCIAMENTO DE RISCOS

Mapa de Riscos

Probabilidade Impacto

Causa Evento Consequência

Contingência
Prevenção (quem assume?)
Linhas de Defesa Dano
Plano de
Continuidade

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Base para Análise de Risco

PA Ib PA IA

Probabilidade

Pb Ib Pb IA

Impacto

Base para Análise de Risco

Matriz Consequência

Semi-Quantitava Despresível Marginal Média Crítica Extrema


de Risco

Quase certo 11 16 20 23 25

Provável 7 12 17 21 24
Probabilidade

Possível 4 8 13 18 22

Pouco 2 5 9 14 19
Provável

Rara 1 3 6 10 15

Intolerável Substancial Moderado Aceitável Trivial

IN 5/2017
Seção III - Do Gerenciamento de Riscos

Art. 25. O Gerenciamento de Riscos é um processo que consiste nas seguintes atividades:
I - identificação dos principais riscos que possam comprometer a efetividade do Planejamento da Contratação,
da Seleção do Fornecedor e da Gestão Contratual ou que impeçam o alcance dos resultados que atendam às
necessidades da contratação;
II - avaliação dos riscos identificados, consistindo da mensuração da probabilidade de ocorrência e do impacto
de cada risco;
III - tratamento dos riscos considerados inaceitáveis por meio da definição das ações para reduzir a probabilidade
de ocorrência dos eventos ou suas consequências;
IV - para os riscos que persistirem inaceitáveis após o tratamento, definição das ações de contingência para o
caso de os eventos correspondentes aos riscos se concretizarem; e
V - definição dos responsáveis pelas ações de tratamento dos riscos e das ações de contingência.
Parágrafo único. A responsabilidade pelo Gerenciamento de Riscos compete à equipe de Planejamento da
Contratação devendo abranger as fases do procedimento da contratação previstas no art. 19.

Art. 26. O Gerenciamento de Riscos materializa-se no documento Mapa de Riscos.


§ 1º O Mapa de Riscos deve ser atualizado e juntado aos autos do processo de contratação, pelo menos:

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O que são facilities e como minha empresa pode se beneficiar com isso? Cláudio Sarian |

I - ao final da elaboração dos Estudos Preliminares;


II - ao final da elaboração do Termo de Referência ou Projeto Básico;
III - após a fase de Seleção do Fornecedor; e
IV - após eventos relevantes, durante a gestão do contrato pelos servidores responsáveis pela fiscalização.

Anexo II
Fase da Análise

() Planejamento da Contratação e Seleção do Fornecedor


() Gestão do Contrato

Risco 01

Probabilidade: () Baixa () Média () Alta


Impacto () Baixa () Média () Alta

Id Dano

1.

Id Ação Preventiva Responsável

1.

Id Ação de Contigência Responsável

1.

MATRIZ DE RISCOS
Lei Nº 12.462/11

Art. 9º Nas licitações de obras e serviços de engenharia, no âmbito do RDC, poderá ser utilizada a contratação
integrada, desde que técnica e economicamente justificada e cujo objeto envolva, pelo menos, uma das
seguintes condições:
§ 5º Se o anteprojeto contemplar matriz de alocação de riscos entre a administração pública e o contratado,
o valor estimado da contratação poderá considerar taxa de risco compatível com o objeto da licitação e as
contingências atribuídas ao contratado, de acordo com metodologia predefinida pela entidade contratante.

MATRIZ DE RISCOS
Lei Nº 13.303/16

§ 1º As contratações semi-integradas e integradas referidas, respectivamente, nos incisos V e VI do caput deste


artigo restringir-se-ão a obras e serviços de engenharia e observarão os seguintes requisitos:
I - o instrumento convocatório deverá conter:
peças técnicas;
d) matriz de riscos;

Art. 69. São cláusulas necessárias nos contratos disciplinados por esta Lei:
X - matriz de riscos.
Art. 42. § 1º As contratações semi-integradas e integradas referidas, respectivamente, nos incisos V e VI do
caput deste artigo restringir-se-ão a obras e serviços de engenharia e observarão os seguintes requisitos:
I - o instrumento convocatório deverá conter:
peças técnicas;
d) matriz de riscos;
Art. 42.
X - matriz de riscos: cláusula contratual definidora de riscos e responsabilidades entre as partes e caracterizadora
do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, em termos de ônus financeiro decorrente de eventos
supervenientes à contratação, contendo, no mínimo, as seguintes informações:
a) listagem de possíveis eventos supervenientes à assinatura do contrato, impactantes no equilíbrio econômico-

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financeiro da avença, e previsão de eventual necessidade de prolação de termo aditivo quando de sua
ocorrência;
Art. 42.
b) estabelecimento preciso das frações do objeto em que haverá liberdade das contratadas para inovar em
soluções metodológicas ou tecnológicas, em obrigações de resultado, em termos de modificação das soluções
previamente delineadas no anteprojeto ou no projeto básico da licitação;
c) estabelecimento preciso das frações do objeto em que não haverá liberdade das contratadas para inovar
em soluções metodológicas ou tecnológicas, em obrigações de meio, devendo haver obrigação de identidade
entre a execução e a solução pré-definida no anteprojeto ou no projeto básico da licitação.

QUAL A MODELAGEM?

Questão Inicial: modelagem

Positivos Positivos

Facilidade Intervenção Baixa Produtividade


Instalações maiores Ociosidade equipe
Posto de Serviço
Maior qualidade Coincidência com quadro
Melhor conhecimento funcional

Mais econômico Menor conhecimento


Não há terceirização Demora atendimento
Demanda
Uso do SRP Dificuldade previsão
de serviços

Possibilidade de Uso Misto

MODELAGENS DE CONTRATAÇÃO
1. Mão de obra por posto + material com base SINAPI (maior desconto linear)
2. Mão de obra por posto para demandas ordinárias + material por demanda com base no SINAPI (maior
desconto linear) + mão de obra para serviços eventuais com base no SINAPI (maior desconto linear)
3. Contratação apenas de mão de obra por posto (material gerido em contratação à parte)
4. Mão de obra por demanda + material por demanda, com base no SINAPI (maior desconto linear)
5. Mão de obra + material por demanda, com base em planilha de quantidade e custos preparados pela
Administração (menor preço – empresas cotaram os custos unitários)

FISCALIZAÇÃO CONTRATUAL
Conformidade/Qualidade

Art. 47. IN 5/2017.


§ 1º Deve ser estabelecido, desde o início da prestação dos serviços, mecanismo de controle da utilização dos
materiais empregados nos contratos, para efeito de acompanhamento da execução do objeto bem como para
subsidiar a estimativa para as futuras contratações.
§ 2º A conformidade do material a ser utilizado na execução dos serviços deverá ser verificada juntamente
com o documento da contratada que contenha a relação detalhada destes, de acordo com o estabelecido
no contrato, informando as respectivas quantidades e especificações técnicas, tais como marca, qualidade e
forma de uso.
Anexo I. IN 5/2017.
IX - INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO DE RESULTADO (IMR): mecanismo que define, em bases compreensíveis,
tangíveis, objetivamente observáveis e comprováveis, os níveis esperados de qualidade da prestação do serviço
e respectivas adequações de pagamento.
XVII - PRODUTIVIDADE: capacidade de realização de determinado volume de tarefas, em função de uma
determinada rotina de execução de serviços, considerando-se os recursos humanos, materiais e tecnológicos

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disponibilizados, o nível de qualidade exigido e as condições do local de prestação do serviço.


IN 5/2017. DIRETRIZES PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO BÁSICO (PB) OU TERMO DE REFERÊNCIA (TR)
2.4. Requisitos da contratação:
d.2. estabelecer a produtividade de referência ou os critérios de adequação do serviço à qualidade esperada, de
acordo com a unidade de medida adotada para a execução do objeto, sendo expressa pelo quantitativo físico
do serviço ou por outros mecanismos capazes de aferir a qualidade, seguindo-se, entre outros, os parâmetros
indicados nos Cadernos de Logística;
d.3. identificar os indicadores mínimos de desempenho para aferição da qualidade esperada da prestação dos
serviços, com base nas seguintes diretrizes:
d.5. O Instrumento de Medição do Resultado (IMR) ou seu substituto, quando utilizado, deve ocorrer,
preferencialmente, por meio de ferramentas informatizadas para verificação do resultado, quanto à qualidade
e quantidade pactuadas;

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Estrutura orçamento normal de contrataçãode serviços

Mão de Obra Material Equipamentos

Pagamentos
Funcionários

Encargos

Custos indiretos e tributos

Preços

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Estrutura orçamento normal de contrataçãode serviços

Mão de Obra Material Equipamentos Obras

Amortização do
Pagamentos
investimento no prazo
Funcionários
de contrato

Encargos

Custos indiretos e tributos

Preços

ORÇAMENTO-BASE
IN 5/2017

PARA SERVIÇOS
Art. 24. Com base no documento que formaliza a demanda, a equipe de Planejamento da Contratação deve
realizar os Estudos Preliminares, conforme as diretrizes constantes do Anexo III.
VI - estimativas de preços ou preços referenciais;
Art. 30. O Termo de Referência ou Projeto Básico deve conter, no mínimo, o seguinte conteúdo:
X - estimativas detalhadas dos preços, com ampla pesquisa de mercado nos termos da Instrução Normativa nº
5, de 27 de junho de 2014; e
Anexo I
XV - PLANILHA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS: documento a ser utilizado para detalhar os componentes
de custo que incidem na formação do preço dos serviços, podendo ser adequado pela Administração em
função das peculiaridades dos serviços a que se destina, no caso de serviços continuados.
3.6. Estimativas de preços ou preços referenciais:
a) Definir e documentar o método para estimativa de preços ou meios de previsão de preços referenciais,
devendo seguir as diretrizes de normativo publicado pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão;
b) Incluir nos autos as memórias de cálculo da estimativa de preços ou dos preços referenciais e os documentos
que lhe dão suporte;

ORÇAMENTO-BASE
IN 5/2017

Anexo V Diretrizes Para Elaboração Do Projeto Básico (PB) Ou Termo De Referência (TR)
2.9. Estimativa de preços e preços referenciais:
a) Refinar, se for necessário, a estimativa de preços ou meios de previsão de preços referenciais realizados nos
Estudos Preliminares;
b) No caso de serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, o custo estimado da contratação
deve contemplar o valor máximo global e mensal estabelecido em decorrência da identificação dos elementos

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que compõem o preço dos serviços, definidos da seguinte forma:


b.1. por meio do preenchimento da planilha de custos e formação de preços, observados os custos dos itens
referentes ao serviço, podendo ser motivadamente dispensada naquelas contratações em que a natureza do
seu objeto torne inviável ou desnecessário o detalhamento dos custos para aferição da exequibilidade dos
preços praticados;
b.2. por meio de fundamentada pesquisa dos preços praticados no mercado em contratações similares; ou
ainda por meio da adoção de valores constantes de indicadores setoriais, tabelas de fabricantes, valores oficiais
de referência, tarifas públicas ou outros equivalentes, se for o caso; e
b.3. previsão de regras claras quanto à composição dos custos que impactem no valor global das propostas
das licitantes, principalmente no que se refere a regras de depreciação de equipamentos a serem utilizados
no serviço.

ORÇAMENTO-BASE
IN 5/2017

Anexo Vi-A Serviço De Vigilância, Limpeza E Conservação


1. Deverá constar do Projeto Básico ou Termo de Referência para a contratação de serviços de vigilância:
a) a justificativa do número e das características dos Postos de Serviço a serem contratados; e
b) os quantitativos dos diferentes tipos de Posto de Vigilância, que serão contratados por Preço Mensal
do Posto.
2. O Posto de Vigilância adotará preferencialmente uma das seguintes escalas de trabalho:
a) 44 (quarenta e quatro) horas semanais diurnas, de segunda a sexta-feira, envolvendo 1 (um) vigilante;
b) 12 (doze) horas diurnas, de segunda-feira a domingo, envolvendo 2 (dois) vigilantes em turnos de 12 (doze)
x 36 (trinta e seis) horas;
c) 12 (doze) horas noturnas, de segunda-feira a domingo, envolvendo 2 (dois) vigilantes em turnos de 12 (doze)
x 36 (trinta e seis) horas;
d) 12 (doze) horas diurnas, de segunda-feira a sexta-feira, envolvendo 2 (dois) vigilantes em turnos de 12 (doze)
x 36 (trinta e seis) horas; ou
e) 12 (doze) horas noturnas, de segunda-feira a sexta-feira, envolvendo 2 (dois) vigilantes em turnos de 12
(doze) x 36 (trinta e seis) horas.

ORÇAMENTO-BASE
IN 5/2017

Anexo Vi B Serviço De Limpeza E Conservação


1. Deverão constar do Projeto Básico na contratação de serviços de limpeza e conservação, além dos demais
requisitos dispostos nesta Instrução Normativa:
a) áreas internas, áreas externas, esquadrias externas, fachadas envidraçadas e áreas hospitalares e
assemelhadas, classificadas segundo as características dos serviços a serem executados, periodicidade, turnos
e jornada de trabalho necessários etc;
b) produtividade mínima a ser considerada para cada categoria profissional envolvida, expressa em termos de
área física por jornada de trabalho ou relação de serventes por encarregado;
c) exigências de sustentabilidade ambiental na execução do serviço, conforme o disposto no Caderno de
Logística; e
d) faixa referencial de produtividade, delimitando o intervalo no qual será dispensada a necessidade de
comprovação de exequibilidade.
2. Os serviços serão contratados com base na área física a ser limpa, estabelecendo-se uma estimativa do custo
por metro quadrado, observadas a peculiaridade, a produtividade, a periodicidade e a frequência de cada tipo
de serviço e das condições do local objeto da contratação.
3. Nas condições usuais serão adotados índices de produtividade por servente em jornada de oito horas
diárias, de acordo com os seguintes parâmetros:

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3.1. Áreas Internas:


a) Pisos acarpetados: 800 m2 a 1200 m2;
b) Pisos frios: 800 m² a 1200 m2;
c) Laboratórios: 360 m² a 450 m2;
d) Almoxarifados/galpões: 1500 m² a 2500 m2;
e) Oficinas: 1200 m² a 1800 m2;
f) Áreas com espaços livres - saguão, hall e salão: 1000 m² a 1500 m2; e
g) Banheiros: 200 m² a 300 m².
4. Nos casos dispostos no item 3, será adotada a relação de um encarregado para cada trinta serventes, ou
fração, podendo ser reduzida, exceto para o caso previsto no subitem 3.4 do referido item, onde será adotado
um encarregado para cada quatro serventes.

Orçamento-Base
Portaria TCU 444/2018

Serviços

Sem Demo Com Demo

Arts. 8º e 11 Art. 9º

ORÇAMENTO-BASE
Portaria TCU 444/2018

Sem DEMO
CAPÍTULO II
DAS ESTIMATIVAS DE PREÇOS
Art. 8º A estimativa de preços para contratação de serviços sem dedicação exclusiva de mão de obra deverá
ser elaborada com base na média aritmética simples de, no mínimo, três referências de preços, obtidas por
meio de pesquisa de preços realizada, preferencialmente, em contratos firmados por órgãos ou entidades da
Administração Pública, observando-se as disposições contidas no art. 11 desta Portaria.
Art. 11. A estimativa de preços dos insumos de serviços deverá ser elaborada com base na média aritmética
simples de, no mínimo, três referências de preço, obtidas por meio de pesquisa de preços realizadas
preferencialmente em contratos firmados por órgãos ou entidades da Administração Pública.
I - As pesquisas de preços no mercado poderão ser realizadas via internet, e-mail ou correspondência, por
telefone, em publicações especializadas e pessoalmente com fornecedores por meio de representante da
Administração do TCU, observadas as seguintes orientações:
a) se realizada em lojas da internet, deve ser juntada aos autos a cópia da página consultada, em que conste a
descrição do bem, a data da pesquisa, e o preço, o qual deve refletir, se possível, o valor final da contratação,
inclusos custos como instalação e frete.
b) quando realizada por telefone, devem ser registrados e juntados aos autos, o número do telefone, a data, o
horário, o nome da empresa e das pessoas que forneceram o orçamento;
c) no caso de pesquisa de preços realizada por e-mail ou correspondência, devem ser juntados aos autos o
pedido e a resposta do fornecedor;
d) se realizadas em publicações especializadas, deve ser juntada aos autos a cópia da capa e da página

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pesquisadas ou, alternativamente, indicado o número da publicação e da página pesquisadas; e


e) no caso de pesquisas de preço realizadas pessoalmente, deverá ser juntado aos autos documento em nome
da empresa, contendo a data, o nome e a assinatura do representante ou responsável pelo fornecimento do
preço;
II - As pesquisas de preços baseadas nos valores praticados em órgãos ou em entidades da Administração
Pública se provam, entre outras formas, por meio de resultados de processos licitatórios realizados há menos
de um ano da data da pesquisa, bem como de preços registrados em atas de registro de preços vigentes ou de
preços praticados em contratos em execução, cuja data de início da vigência não exceda, à época da pesquisa,
a um ano.
§ 1º No cálculo da média aritmética simples a que se refere o caput devem ser excluídos os valores extremos e
desarrazoados que possam alterar significativamente a tendência central do resultado da amostra.
§ 2º Para as pesquisas de preços realizadas via e-mail ou por correspondência devem ser adotados os seguintes
procedimentos:
I - decorrido o prazo de cinco dias úteis contados da emissão do e-mail ou da correspondência, não havendo
resposta, o responsável pela pesquisa de preços deverá reiterar o pedido;
II - decorrido o prazo de cinco dias úteis contados da data da reiteração do e-mail, os procedimentos relacionados
à estimativa de preços poderão ser continuados com base nas propostas já obtidas, ainda que em número
inferior a três, desde que comprovada a adoção dos procedimentos previstos neste parágrafo.

ORÇAMENTO-BASE
PORTARIA TCU 444/2018

Com DEMO
Art. 9º A estimativa de preços para contratação de serviços com dedicação exclusiva de mão de obra será
elaborada com base em planilha analítica de composição de custos e formação de preços da mão de obra e de
insumos e observará os seguintes critérios para obtenção dos valores de referência:
I - os salários dos empregados terceirizados serão fixados com base em acordo, convenção coletiva de trabalho
ou sentença normativa proferida em dissídio coletivo da categoria profissional pertinente ou em lei;
II - havendo mais de uma categoria em uma mesma contratação, os salários serão fixados com base no
acordo, na convenção coletiva de trabalho ou na sentença normativa proferida em dissídio coletivo ou em lei,
concernente a cada categoria profissional;
III - não havendo salário definido em acordo, convenção coletiva de trabalho ou sentença normativa proferida
em dissídio coletivo ou em lei, o salário deverá ser fixado com base em preços médios obtidos em pesquisa de
mercado, em fontes especializadas, em empresas privadas do ramo pertinente ao objeto licitado ou em órgãos
públicos e entidades;
IV - os encargos sociais e tributos deverão ser fixados de acordo com as leis específicas;
V - os valores dos insumos de serviços serão apurados com base em pesquisa de preços, na forma do art. 10
desta Portaria; e
VI - os insumos de mão de obra deverão observar acordo, convenção coletiva de trabalho ou sentença normativa
proferida em dissídio coletivo ou em lei, com exceção dos uniformes, que deverão ser apurados com base em
pesquisa de preços, na forma do art. 11 desta Portaria.
§ 1º Por razões de ordem técnica, devidamente justificadas, os salários poderão ser fixados pela Administração
em valores superiores aos fixados em acordos, convenções coletivas de trabalho ou sentença normativa
proferida em dissídio coletivo ou em lei.
§ 2º Quando da utilização dos acordos, das convenções coletivas de trabalho e das sentenças normativas ou lei,
deverá ser respeitado o local da prestação dos serviços.
§ 3º Deverá ser devidamente justificada a estimativa de preços para contratação de serviços continuados
de limpeza, conservação, higienização e de vigilância acima dos limites estabelecidos em ato normativo da
Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.

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OFICINA

II
PAULO REIS

CONTRATAÇÃO DE
SERVIÇOS CONTINUADOS DE
MANUTENÇÃO PREDIAL
Contratação de serviços continuados de manutenção predial Paulo Reis |

CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS CONTINUADOS DE


MANUTENÇÃO PREDIAL

Instrução Normativa nº 5, de 26 de maio de 2017


Dispõe sobre as regras e diretrizes do procedimento de contratação de serviços sob o regime de execução
indireta no âmbito da Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional.

NBR 14037:1998 - ABNT


3. Definições
(...)
3.11 manutenção: Conjunto de atividades a serem realizadas para conservar ou recuperar a capacidade
funcional da edificação e de suas partes constituintes de atender as necessidades e segurança dos seus
usuários.

OT - IBR 002/2009 – IBRAOP


Serviço de Engenharia é toda a atividade que necessite da participação e acompanhamento de profissional
habilitado conforme o disposto na Lei Federal nº 5.194/66, tais como: consertar, instalar, montar, operar,
conservar, reparar, adaptar, manter, transportar, ou ainda, demolir.

Serviço Continuado

SERVIÇO

Serviço Não Continuado

IN nº 5/2017
Art. 15. Os serviços prestados de forma contínua são aqueles que, pela sua essencialidade, visam atender
à necessidade pública de forma permanente e contínua, por mais de um exercício financeiro, assegurando
a integridade do patrimônio público ou o funcionamento das atividades finalísticas do órgão ou entidade, de
modo que sua interrupção possa comprometer a prestação de um serviço público ou o cumprimento da
missão institucional.
Art. 16. Os serviços considerados não continuados ou contratados por escopo são aqueles que impõem
aos contratados o dever de realizar a prestação de um serviço específico em um período predeterminado,

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Contratação de serviços continuados de manutenção predial Paulo Reis |

podendo ser prorrogado, desde que justificadamente, pelo prazo necessário à conclusão do objeto, observadas
as hipóteses previstas no § 1º do art. 57 da Lei nº 8.666, de 1993.

ENTENDIMENTO DO TCU SOBRE O ENQUADRAMENTO DE MANUTENÇÃO PREDIAL COMO SERVIÇO CON-


TINUADO

Acórdão 11256/2018 – TCU – 2ª Câmara


“7. Conforme já amplamente explanado na instrução destes autos à peça 37, serviços de manutenção predial
são considerados de natureza contínua e visam a dar suporte a um bem que está em pleno uso, para
que assim o continue no futuro. Por sua vez, serviços de reforma são considerados como de natureza não
continuada, pois são um produto específico executado em período predeterminado, conforme definição de
serviços não continuados constante da IN 2/2008-SLTI/MPOG. A reforma realizada pelo Mapa no prédio da
Conab se enquadrou na categoria de serviço não contínuo, haja vista ter sido realizada reforma do prédio
cedido para que fosse instalada a recém-criada escola, e não apenas serviços para manter em funcionamento
alguma atividade preexistente do ministério.”

DISPOSIÇÕES DA IN Nº 5/2017 SOBRE CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS

IN nº 5, de 2017
Art. 7º Nos termos da legislação, serão objeto de execução indireta as atividades previstas em Decreto que
regulamenta a matéria.
§ 1º A Administração poderá contratar, mediante terceirização, as atividades dos cargos extintos ou em extinção,
tais como os elencados na Lei nº 9.632, de 7 de maio de 1998.
Art. 8º Poderá ser admitida a contratação de serviço de apoio administrativo, considerando o disposto no
inciso IV do art. 9º desta Instrução Normativa, com a descrição no contrato de prestação de serviços para cada
função específica das tarefas principais e essenciais a serem executadas, admitindo-se pela Administração, em
relação à pessoa encarregada da função, a notificação direta para a execução das tarefas.
Art. 9º Não serão objeto de execução indireta na Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional:
I - atividades que envolvam a tomada de decisão ou posicionamento institucional nas áreas de planejamento,
coordenação, supervisão e controle;
II - as atividades consideradas estratégicas para o órgão ou entidade, cuja terceirização possa colocar em risco
o controle de processos e de conhecimentos e tecnologias;
III - as funções relacionadas ao poder de polícia, de regulação, de outorga de serviços públicos e de aplicação
de sanção; e
IV - as atividades inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos do órgão ou entidade,
salvo expressa disposição legal em contrário ou quando se tratar de cargo extinto, total ou parcialmente, no
âmbito do quadro geral de pessoal.
Parágrafo único. As atividades auxiliares, instrumentais ou acessórias às funções e atividades definidas nos
incisos do caput podem ser executadas de forma indireta, sendo vedada a transferência de responsabilidade
para realização de atos administrativos ou a tomada de decisão para o contratado.

1 2

Quais as fases obrigatórias do processo de Quais são os procedimentos iniciais do


contratação? Qual a importância do planejamento da contratação?
planejamento nessas contratações?
Quem deve integrar a Equipe de
O que deve ser entendido com Planejamento?
planejamento neste caso?

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Contratação de serviços continuados de manutenção predial Paulo Reis |

IN nº 5, de 2017
Art. 19. As contratações de serviços de que tratam esta Instrução Normativa serão realizadas observando-se
as seguintes fases:
I - Planejamento da Contratação;
II - Seleção do Fornecedor; e
III - Gestão do Contrato.

Importância do planejamento Etapas do


da contratação planejamento

Partícipes do
processo

Acórdão 6368/2017 – TCU – 2ª Câmara


“Destaque-se que tal ocorrência foi viabilizada pelas falhas identificadas no planejamento da licitação,
fase em que as especificações técnicas da ferramenta necessárias ao atendimento das reais necessidades da
unidade foram omitidas, tendo em vista que, no Termo de Referência (peça 39, p. 5), elas foram descritas de
forma genérica, conforme abaixo: (…)”

Acórdão 6098/2017 – TCU – 2ª Câmara


“256. Desse modo, entende-se que deva ser proposta audiência de quem deu causa à contratação do aludido
sistema para que apresente as razões de justificativas pelas falhas de planejamento, insuficiente avaliação
do ambiente organizacional, bem como pela escolha inadequada da solução automatizada implantada no
Hospital: Sr. (...) - CPF (...) - Ordenador de Despesas do HFA, que chancelou a aprovação do Projeto Básico e
contratação do CONSAIH (peça 23, p. 1 e peça 29, p. 13).”

• Necessidade de planejamento integrado


• Busca do melhor resultado para a administração

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Falha de planejamento integrado

IN nº 5, de 2017
Art. 20. O Planejamento da Contratação, para cada serviço a ser contratado, consistirá nas seguintes etapas:
I - Estudos Preliminares;
II - Gerenciamento de Riscos; e
III - Termo de Referência ou Projeto Básico.

1 2

Setor Requisitante Setor de Licitações

IN nº 5, de 2017
Art. 21. Os procedimentos iniciais do Planejamento da Contratação consistem nas seguintes atividades:
I - elaboração do documento para formalização da demanda pelo setor requisitante do serviço, conforme
modelo do Anexo II, que contemple:
a) a justificativa da necessidade da contratação explicitando a opção pela terceirização dos serviços e
considerando o Planejamento Estratégico, se for o caso;
b) a quantidade de serviço a ser contratada;
c) a previsão de data em que deve ser iniciada a prestação dos serviços; e
d) a indicação do servidor ou servidores para compor a equipe que irá elaborar os Estudos Preliminares e
o Gerenciamento de Risco e, se necessário, daquele a quem será confiada a fiscalização dos serviços, o qual
poderá participar de todas as etapas do planejamento da contratação, observado o disposto no § 1º do art. 22;
II - envio do documento de que trata o inciso I deste artigo ao setor de licitações do órgão ou entidade; e
III - designação formal da equipe de Planejamento da Contratação pela autoridade competente do setor de
licitações.

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 44


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Art. 22. Ao receber o documento de que trata o inciso I do art. 21, a autoridade competente do setor de
licitações poderá, se necessário, indicar servidor ou servidores que atuam no setor para compor a
equipe de Planejamento da Contratação.
§ 1º A equipe de Planejamento da Contratação é o conjunto de servidores, que reúnem as competências
necessárias à completa execução das etapas de Planejamento da Contratação, o que inclui conhecimentos
sobre aspectos técnicos e de uso do objeto, licitações e contratos, dentre outros.
§ 2º Os integrantes da equipe de Planejamento da Contratação devem ter ciência expressa da indicação das
suas respectivas atribuições antes de serem formalmente designados.

Equipe de planejamento
Composição mínima:
• Um servidor indicado pelo setor requisitante, profissional da área de engenharia / arquitetura;
• Um servidor indicado pelo setor de licitações.

Acórdão 1278/2020 – TCU – 1ª Câmara


• “9.2. dar ciência ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso e à Fundação
Universidade Federal de Mato Grosso, sobre as seguintes irregularidades identificadas no Pregão
Eletrônico 06/2015:
• 9.2.1. participação de (...) e de (...) na fase interna da licitação e na condução do Pregão Eletrônico
06/2015, o que evidencia falha na segregação de funções do Instituto, além de afrontar o princí-
pio da moralidade, insculpido no caput do art. 37 da Constituição Federal c/c art. 3º, caput, da Lei
8.666/1993;”

É posível padronizar essas


Quais os estudos Preliminares obrigatórios?
contratações?

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Estudos preliminares
• Justificativa da necessidade
• Objeto pretendido
• Estimativas de quantidades
• Definição do preço estimado
• Análise da possibilidade de parcelamento
• Resultados esperados

IN nº 5, de 2017
Art. 24. Com base no documento que formaliza a demanda, a equipe de Planejamento da Contratação deve
realizar os Estudos Preliminares, conforme as diretrizes constantes do Anexo III.
§ 1º O documento que materializa os Estudos Preliminares deve conter, quando couber, o seguinte conteúdo:
I - necessidade da contratação;
II - referência a outros instrumentos de planejamento do órgão ou entidade, se houver;
III - requisitos da contratação;
IV - estimativa das quantidades, acompanhadas das memórias de cálculo e dos documentos que lhe dão
suporte;
V - levantamento de mercado e justificativa da escolha do tipo de solução a contratar;
VI - estimativas de preços ou preços referenciais;
VII - descrição da solução como um todo;
VIII - justificativas para o parcelamento ou não da solução quando necessária para individualização do
objeto;
IX - demonstrativo dos resultados pretendidos em termos de economicidade e de melhor aproveitamento dos
recursos humanos, materiais ou financeiros disponíveis;
X - providências para adequação do ambiente do órgão;
XI - contratações correlatas e/ou interdependentes; e
XII - declaração da viabilidade ou não da contratação.

2. São diretrizes gerais para a elaboração dos Estudos Preliminares:


a) Listar e examinar os normativos que disciplinam os serviços a serem contratados, de acordo com a sua
natureza;
b) Analisar a contratação anterior, ou a série histórica, se houver, para identificar as inconsistências ocorridas
nas fases do Planejamento da Contratação, Seleção do Fornecedor e Gestão do Contrato, com a finalidade de
prevenir a ocorrência dessas nos ulteriores Termos de Referência ou Projetos Básicos;
c) Ao final da elaboração dos Estudos Preliminares, avaliar a necessidade de classificá-los nos termos da Lei nº
12.527, de 18 de novembro de 2011.

IN nº 5, de 2017 – Anexo III


3. São diretrizes específicas a cada elemento dos Estudos Preliminares as seguintes:
3.1. Para a identificação da necessidade da contratação:
a) Atentar que a justificativa da necessidade deve ser fornecida pela unidade requisitante da contratação.
3.2. Referência aos instrumentos de planejamento do órgão ou entidade, se houver:
a) Indicar se a contratação está alinhada aos planos instituídos pelo órgão ou entidade tais como Plano de
Desenvolvimento Institucional ou Planejamento Estratégico, quando houver;
b) Informar a política pública a que esteja vinculada ou a ser instituída pela contratação, quando couber.
3.3. Requisitos da contratação:
a) Elencar os requisitos necessários ao atendimento da necessidade;
b) No caso de serviços, definir e justificar se o serviço possui natureza continuada ou não;
c) Incluir, se possível, critérios e práticas de sustentabilidade que devem ser veiculados como especificação
técnica do objeto ou como obrigação da contratada;
d) Avaliar a duração inicial do contrato de prestação de serviços de natureza continuada, que poderá,

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excepcionalmente, ser superior a 12 meses, e justificar a decisão;


e) Identificar a necessidade de a contratada promover a transição contratual com transferência de conhecimento,
tecnologia e técnicas empregadas;
f) Elaborar quadro identificando as soluções de mercado (produtos, fornecedores, fabricantes etc) que
atendem aos requisitos especificados e, caso a quantidade de fornecedores seja considerada restrita, verificar
se os requisitos que limitam a participação são realmente indispensáveis, de modo a avaliar a retirada ou
flexibilização destes requisitos.
3.4. Estimativas das quantidades:
a) Definir e documentar o método para a estimativa das quantidades a serem contratadas;
b) Utilizar informações das contratações anteriores, se for o caso;
c) Incluir nos autos as memórias de cálculo e os documentos que lhe dão suporte;
d) Para os casos em que houver a necessidade de materiais específicos, cuja previsibilidade não se mostra
possível antes da contratação, avaliar a inclusão de mecanismos para tratar essa questão.
3.5. Levantamento de mercado e justificativa da escolha do tipo e solução a contratar:
a) Considerar diferentes fontes, podendo ser analisadas contratações similares feitas por outros órgãos
e entidades, com objetivo de identificar a existência de novas metodologias, tecnologias ou inovações que
melhor atendam às necessidades da Administração;
b) Em situações específicas ou nos casos de complexidade técnica do objeto, poderá ser realizada audiência
pública para coleta de contribuições a fim de definir a solução mais adequada visando preservar a relação
custo-benefício;

Acórdão 2339/2016 – TCU – Plenário


“Somente postos de trabalho (PT):

59.1.1. Nesse modelo, a Administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial
mediante alocação de postos de trabalho - mão de obra residente (empregados da contratada alocados
para trabalhar de maneira contínua nas dependências da contratante). A execução dos serviços segue rotina
estabelecida e supervisionada pela Administração.
59.1.2. Para isso, a organização deve fazer o levantamento dos tipos e quantidades de postos de trabalho
necessários ao atendimento das suas necessidades relativas à manutenção predial (por exemplo, postos de
eletricista, serralheiro, pedreiro, pintor, gesseiro). A organização paga à contratada o valor total destes
postos. Dessa forma, a estimativa das especialidades e quantitativos da mão-de-obra residente deve ser
criteriosa, de maneira a mitigar o risco de que a Administração pague por mais trabalhadores do que realmente
necessita ou contrate menos trabalhadores do que o necessário para a adequada prestação dos serviços.

59.1.3. A mão de obra empregada é de inteira responsabilidade da contratada, mas a Administração


pode ser responsabilizada pelo descumprimento das obrigações trabalhistas (responsabilidade
subsidiária - hipótese de culpa in vigilando) e previdenciárias (responsabilidade solidária) relativas
aos empregados alocados na execução contratual. Dessa forma, são necessários mecanismos eficazes de
fiscalização da execução contratual, de maneira a evitar a ocorrência de irregularidades que possam resultar
na responsabilização futura da Administração.

59.1.4. Nesse modelo de contratação, não são inseridos gastos com materiais para a execução dos serviços,
pois os materiais são fornecidos pelo contratante (normalmente, a partir de um contrato específico de
fornecimento de materiais com outros fornecedores). Nesse modelo de contrato, não há pagamento por
serviços eventuais.
59.1.5. No modelo de contratação somente postos de trabalho (PT) a Administração poderá optar por:
Fixar o quantitativo e tipos dos postos (quantidade de postos definida pelo órgão); ou
Estabelecer um número mínimo de postos para a apresentação das propostas das licitantes, mas fixando os
resultados, de modo que cada proponente avalie se conseguirá prestar o serviço com o quantitativo mínimo de
postos ou se deve fazer sua proposta com um número maior de funcionários (quantidade de postos definida

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pela contratada, com um número mínimo de postos exigido pelo órgão).

Postos de trabalho mais materiais (PT + MAT):


59.2.1. Esse modelo possui características semelhantes ao modelo de contrato denominado “PT”, com a
diferença de que, neste contrato denominado “PT + Mat”, os materiais empregados na execução dos serviços
são fornecidos pela contratada nas quantidades e qualidade exigidas no instrumento contratual.
59.2.2. Para isso, a organização faz o levantamento dos tipos e quantidades dos materiais a serem empregados
na execução contratual. Assim, paga à contratada o valor total dos postos de trabalho acrescido dos materiais
a serem fornecidos.
59.2.3. A estimativa dos materiais e das especialidades e quantitativos da mão-de-obra residente devem ser
criteriosas, de maneira a mitigar o risco de que a Administração pague por mais materiais ou por mais postos
de trabalho do que realmente necessita, ou contrate quantidades menores levando à execução de serviços
sem a qualidade esperada e, eventualmente, a inexecução do contrato.

Serviços (SV):
59.3.1. Nesse caso, a Administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial
mediante fornecimento de serviços sob demanda, a serem realizados por mão de obra não residente
(não há alocação contínua de empregados da contratada nas dependências da contratante, nem dedicação
exclusiva desses empregados).
59.3.2. Para isso, a organização faz o levantamento dos tipos e quantitativos de serviços a serem fornecidos
pela contratada por meio de mão de obra não residente. Dessa forma, a estimativa dos serviços deve ser
criteriosa, de maneira a mitigar o risco de que a Administração contrate somente parte da solução ou que
contrate determinado serviço sob demanda quando, na verdade, haja a necessidade de constante prestação
desse serviço no dia a dia da organização, nesse caso, a contratação de mão de obra residente para esse posto
de trabalho específico mostrar-se-ia menos onerosa.

59.4. Postos de trabalho mais materiais e serviços (PT + MAT + SV):


59.4.1. Nesse modelo, a administração contrata a prestação de serviços técnicos de manutenção predial,
em parte mediante alocação de postos de trabalho, em parte por meio de fornecimento de serviços sob
demanda (a serem realizados por mão de obra não residente), e prevendo também o fornecimento de
materiais, pela contratada, para a execução de todos os serviços. Dessa forma, esse modelo de contrato
traz características dos modelos denominados “PT+ Mat” e “SV”.
59.4.2. Nesse modelo de contrato, a organização deve avaliar quais tipos de postos de trabalho são utilizados por
mais tempo no âmbito da contratante (o que justificaria a contratação do posto de trabalho, pois seria menos
oneroso) e quais postos são utilizados apenas eventualmente, de forma que não se justifica a presença desse
profissional em tempo integral (sendo que o pagamento seria apenas por aquele período que o profissional
esteve na organização e por aquele serviço específico).
59.4.3. Como exemplo, há casos em que a contratação de um determinado tipo de posto de trabalho pode vir
a ficar ocioso no decorrer da contratação, sendo assim o serviço referente a esse posto poderia ser prestado
de forma eventual, ou seja, sob demanda, quando houvesse necessidade da prestação do serviço específico, a
empresa o realizaria e o pagamento seria pela sua prestação efetiva.
59.4.4. Por outro lado, em uma contratação com pagamento exclusivamente pelos serviços prestados sob
demanda, poderia ser mais oneroso para a administração caso esse serviço fosse constantemente prestado no
dia a dia da organização. Nesse caso, justificar-se-ia a contratação de um posto de trabalho, pois não haveria
ociosidade desse.
59.4.5. Nesse modelo de contrato, é essencial que a organização tenha pleno conhecimento da quantidade e
dos tipos de serviços que devem ser contratados por posto de trabalho e da quantidade e tipos de serviços que
devem ser contratados sob demanda. As duas formas de prestação de serviços são possíveis e podem estar
no mesmo contrato.
59.4.6. Assim, a administração paga à contratada o valor total dos postos de trabalho, acrescido dos serviços
eventuais e materiais fornecidos.”

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NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE PROJETO BÁSICO


Súmula nº 261/2010 – TCU

Em licitações de obras e serviços de engenharia, é necessária a elaboração de projeto básico adequado e


atualizado, assim considerado aquele aprovado com todos os elementos descritos no art. 6º, inciso IX, da Lei n.º
8.666, de 21 de junho de 1993, constituindo prática ilegal a revisão de projeto básico ou a elaboração de projeto
executivo que transfigure o objeto originalmente contratado em outro de natureza e propósito diversos.

Resolução nº 361, de 1991 – CONFEA


Art. 1º - O Projeto Básico é o conjunto de elementos que define a obra, o serviço ou o complexo de obras
e serviços que compõem o empreendimento, de tal modo que suas características básicas e desempenho
almejado estejam perfeitamente definidos, possibilitando a estimativa de seu custo e prazo de execução.
Art. 2º - O Projeto Básico é uma fase perfeitamente definida de um conjunto mais abrangente de estudos
e projetos, precedido por estudos preliminares, anteprojeto, estudos de viabilidade técnica, econômica e
avaliação de impacto ambiental, e sucedido pela fase de projeto executivo ou detalhamento.
Art. 5º - Poderá ser dispensado o Projeto Básico com as características descritas nos artigos anteriores, para
os empreendimentos realizados nas seguintes situações:
I - nos casos de guerra ou graves perturbações da ordem;
II - nos casos de obras ou serviços de pequeno porte, isolados e sem complexidade técnica de gerenciamento
e execução;
III - nos casos de emergência, quando caracterizada a urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos e
privados.
Parágrafo único - O responsável técnico do órgão contratante deverá justificar a urgência para o atendimento
dos casos de emergência, referida neste artigo, emitindo respectivo laudo técnico com Anotação de
Responsabilidade Técnica – ART.

OT – IBR 001/2006 – IBRAOP


Projeto Básico é o conjunto de desenhos, memoriais descritivos, especificações técnicas, orçamento,
cronograma e demais elementos técnicos necessários e suficientes à precisa caracterização da obra a ser
executada, atendendo às Normas Técnicas e à legislação vigente, elaborado com base em estudos anteriores
que assegurem a viabilidade e o adequado tratamento ambiental do empreendimento.

IN nº 5/2017
Art. 30. O Termo de Referência ou Projeto Básico deve conter, no mínimo, o seguinte conteúdo:
I - declaração do objeto;
II - fundamentação da contratação;
III - descrição da solução como um todo;
IV - requisitos da contratação;
V - modelo de execução do objeto;
VI - modelo de gestão do contrato;
VII - critérios de medição e pagamento;
VIII - forma de seleção do fornecedor;
IX - critérios de seleção do fornecedor;
X - estimativas detalhadas dos preços, com ampla pesquisa de mercado nos termos da Instrução Normativa nº
5, de 27 de junho de 2014; e
XI - adequação orçamentária.

Decisão Normativa CONFEA nº 106, de 2015


Art. 1° Conceituar o termo “Projeto” como a somatória do conjunto de todos os elementos conceituais,
técnicos, executivos e operacionais abrangidos pelas áreas de atuação, pelas atividades e pelas atribuições

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dos profissionais da Engenharia e da Agronomia, nos termos das leis, dos decretos-lei e dos decretos que
regulamentam tais profissões, quais sejam: Decreto nº 23.196, de 1933, Decreto nº 23.569, de 1933, Decreto-Lei
nº 8.620, de 1946, Lei nº 4.076, de 1962, Lei nº 4.643, de 1965, Lei nº 5.194, de 1966, Lei nº 6.664, de 1979, Lei nº
6.835, de 1980, e Lei nº 7.410, de 1985, e a Constituição Federal de 1988.
Art. 2º Para efeito desta decisão normativa, considera-se o termo genérico “Projeto” como:
I – o Projeto Básico, abordado pela Resolução n° 361, de 1991, e pela Orientação Técnica IBRAOP/OT-IBR
001/2006, que consiste nos principais conteúdos e elementos técnicos correntes aplicáveis às obras e serviços,
sem restringir as constantes evoluções e impactos da ciência, da tecnologia, da inovação, do empreendedorismo
e do conhecimento e desenvolvimento do empreendimento social e humano, nas seguintes especialidades:
a) levantamento Topográfico;
b) sondagem;
c) projeto Arquitetônico;
d) projeto de Terraplenagem;
e) projeto de Fundações;
f) projeto Estrutural;
g) projeto de Instalações Hidráulicas;
h) projeto de Instalações Elétricas;
i) projeto de Instalações Telefônica, de dados e som;
j) projeto de Instalações de Prevenção de Incêndio;
k) projeto de Instalações Especiais (lógicas, CFTV, alarme, detecção de fumaça);
l) projeto de Instalações de Ar-condicionado;
m) projeto de Instalações de Transporte Vertical; e
n) projeto de Paisagismo.

DOCUMENTOS QUE ANTECEDEM O PROJETO BÁSICO


OT – IBR 004/2012 - IBRAOP
3.3 Estudos Preliminares: conjunto de elementos que objetivam analisar o empreendimento sob os aspectos
técnico, ambiental, econômico, financeiro e social, caracterizando e avaliando as possíveis alternativas para a
implantação do projeto e procedendo à estimativa do custo de cada uma delas.

OT - IBR 006/2016 - IBRAOP


Anteprojeto de engenharia é a representação técnica da opção aprovada em estudos anteriores, para subsidiar
a elaboração do Projeto Básico, apresentado em desenhos, em número, escala e detalhes suficientes para
a compreensão da obra planejada, contemplando especificações técnicas, memorial descritivo e orçamento
estimativo, e deve ser elaborado como parte da sequência lógica das etapas que compõem o desenvolvimento
de uma obra, precedido obrigatoriamente de estudos preliminares, programa de necessidades e estudo de
viabilidade.

5. CONTEÚDO TÉCNICO
O anteprojeto de engenharia e seus correspondentes estudos preliminares devem conter as condições de
contorno, as informações e os requisitos técnicos destinados a possibilitar a caracterização do objeto contratual
e a visão global do empreendimento, incluindo, no que couber:
a) programa de necessidades;
b) nível de serviço desejado;
c) identificação e titularidade de terrenos;
d) condições de solidez, segurança, durabilidade e prazo de entrega da obra;
e) levantamentos preliminares que embasaram a concepção adotada, tais como geológicos, geotécnicos,
hidrológicos, batimétricos, topográficos, sociais, ambientais e cadastrais, conforme o caso;
f) desenhos preliminares da concepção da obra;
g) parâmetros de adequação ao interesse público, à economia na utilização, à facilidade na execução, aos
impactos ambientais e à acessibilidade;

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h) previsão de utilização de produtos, equipamentos e serviços que, comprovadamente, reduzam o consumo


de energia e de recursos naturais;
i) projetos anteriores, caso existam e sejam de interesse para demonstrar a solução pretendida;
j) diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, incluindo a avaliação do passivo ambiental, o estudo
dos impactos ao meio ambiente e as prováveis medidas mitigadoras ou compensatórias, conforme o caso;
k) avaliação de impactos de vizinhança, quando exigida pela legislação aplicável;
l) proteção do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e imaterial, inclusive por meio da avaliação do
impacto direto ou indireto causado pelas obras contratadas, quando exigida pelas legislações aplicáveis;
m) memorial descritivo da obra, indicando os componentes construtivos e os materiais de construção a serem
empregados, de forma a estabelecer padrões mínimos para a contratação;
n) estudo de tráfego, no caso de vias terrestres; e
o) compatibilidade com o Plano Diretor e com o Plano de Saneamento Básico, no caso de obras de saneamento
básico.

As soluções técnicas, tais como definição de materiais e equipamentos a serem empregados, dimensionamento
de estruturas e componentes da obra e metodologias executivas, são elementos obrigatórios do anteprojeto
quando assim definidos no instrumento convocatório, constituindo-se em obrigações de meio. Em caso
contrário, podem ser estabelecidas posteriormente à licitação, no projeto básico.

As especificações técnicas atinentes às características finais do produto, tais como dimensões, acabamentos,
qualidade e desempenho, por se constituírem em obrigações de resultado (finalísticas) devem estar previamente
definidas no edital, o qual também deverá explicitar quais dessas características poderão ser alteradas quando
da elaboração do projeto básico.

CONTEÚDO DO PROJETO BÁSICO


OT – IBR 001/2006 – IBRAOP
• Desenho
• Memorial Descritivo
• Especificação Técnica
• Orçamento
• Cronograma Físico-Financeiro

Orçamento detalhado

Fundamentado em quantitativos de Base para elaboração do orçamento:


serviços e fornecimentos de materiais quantitativos obtidos a partir do
devidamente avaliados projeto básico

OT – IBR 001/2006 – IBRAOP


5.4 Orçamento
Avaliação do custo total da obra tendo como base preços dos insumos praticados no mercado ou valores de
referência e levantamentos de quantidades de materiais e serviços obtidos a partir do conteúdo dos elementos
descritos nos itens 5.1, 5.2 e 5.3, sendo inadmissíveis apropriações genéricas ou imprecisas, bem como a
inclusão de materiais e serviços sem previsão de quantidades.
O Orçamento deverá ser lastreado em composições de custos unitários e expresso em planilhas de custos e
serviços, referenciadas à data de sua elaboração.
O valor do BDI considerado para compor o preço total deverá ser explicitado no orçamento.

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5.4.1 Planilha de Custos e Serviços


A Planilha de Custos e Serviços sintetiza o orçamento e deve conter, no mínimo:
• Discriminação de cada serviço, unidade de medida, quantidade, custo unitário e custo parcial;
• Custo total orçado, representado pela soma dos custos parciais de cada serviço e/ou material;
• Nome completo do responsável técnico, seu nímero de registro no CREA e assinatura.

5.4.2 Composição de Custo Unitário de Serviço


Cada Composição de Custo Unitário define o valor financeiro a ser despendido na execução do respectivo
serviço e é elaborada com base em coeficientes de produtividade, de consumo e aproveitamento de insumos
e seus preços coletados no mercado, devendo conter, no mínimo:
• Discriminação de cada insumo, unidade de medida, sua incidência na realização do serviço, preço
unitário e custo parcial;
• Custo unitário total do serviço, representado pela soma dos custos parciais de cada insumo.

Para o caso de se utilizarem Composições de Custos de entidades especializadas, a fonte de consulta deverá
ser explicitada.

5.5 Cronograma físico-financeiro


Representação gráfica do desenvolvimento dos serviços a serem executados ao longo do tempo de duração
da obra demonstrando, em cada período, o percentual físico a ser executado e o respectivo valor financeiro
despendido.
• Precisão do orçamento
• Diferenças entre os diversos orçamentos
• Fundamentação para elaboração dos orçamentos
• Vedação aos orçamentos com conceitos imprecisos (“verba”)

OT-IBR 004/2012 – IBRAOP


PREFÁCIO
O Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas – IBRAOP edita Orientações Técnicas (OT), visando
uniformizar o entendimento da legislação e práticas pertinentes à Auditoria de Obras Públicas.
Esta OT – IBR 004/2012 estabelece parâmetros sobre a precisão do orçamento de obras públicas, e foi
elaborada com base em debates de âmbito nacional por técnicos envolvidos diretamente com Auditoria de
Obras Públicas, e em consonância com a legislação e normas pertinentes.

4.3 O conceito de precisão apresentado nesta Orientação Técnica também não está relacionado com o
percentual de sobrepreço ou de superfaturamento decorrente da comparação dos preços de orçamentos de
licitações ou de planilhas contratuais com preços obtidos em sistemas referenciais de preços ou qualquer outra
fonte de preços paradigmas de mercado, pois estes últimos não são os preços reais finais praticados pelos
construtores. O conceito de precisão aqui apresentado é mais abrangente, englobando não apenas variações
de preços, mas também a acurácia na estimativa dos quantitativos dos serviços.

4.4 O nível de desenvolvimento de um projeto tem impacto direto no grau de precisão da estimativa de custos
ou do orçamento dele decorrente.

4.5 O grau de precisão de um orçamento pode sofrer influência da tipologia da obra que se está orçando, pois
os quantitativos de alguns serviços têm maior imprecisão em sua estimativa.

Para efeito desta Orientação Técnica, conceitua-se:


3.2 Estimativa de custo: avaliação expedita feita com base em custos históricos, índices, gráficos, estudos de
ordens de grandeza, correlações ou comparação com projetos similares.
3.6 Orçamento preliminar: orçamento sintético composto pela descrição, unidade de medida, preço unitário

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e quantidade dos principais serviços da obra, elaborado com base no anteprojeto de engenharia. Pressupõe o
levantamento de quantidades e requer pesquisa de preços dos principais insumos e serviços.
3.4 Orçamento base: orçamento detalhado do custo global da obra que integra o projeto básico da licitação,
fundamentado em quantitativos de serviços e em composições de custos unitários.
3.5 Orçamento detalhado ou analítico: orçamento elaborado com base nas composições de custos unitários
e extensa pesquisa de preços dos insumos, realizado a partir do projeto básico ou do projeto executivo.
3.7 Orçamento real: orçamento elaborado após a conclusão da obra, com base nos preços, consumos e
produtividades efetivamente incorridos na execução dos serviços, acrescidos do rateio das despesas indiretas e
da margem de lucro do construtor apurados contabilmente, bem como dos tributos recolhidos pelo contratado.
3.5 Precisão do orçamento: desvio máximo esperado entre o valor do custo de uma obra nas várias fases de
projeto (estimativa de custo, orçamento preliminar, orçamento analítico) e o seu orçamento real, apurado após
sua conclusão, considerando-se que o projeto orçado tenha sido efetivamente executado sem significativas
alterações de escopo.

4.6 São referências adequadas os seguintes intervalos para fins de aferição do grau de precisão do orçamento
nas diversas fases do projeto:

Tipo de Orçamento Fase do Projeto Cálculo do Preço Faixa de Precisão

Estimativa de Custo Estudos Preliminares Àrea de construção multiplicada por um indicador ± 30%*

Quantitativos de serviços apurado no projeto ou


Preliminar Anteprojeto estimados por meio de índices médias, e custos de ± 20%*
serviços tomados em tabelas referenciais

* Para obras de edificações, a faixa de precisão esperada da estimativa de custo é de 30%, podendo ser
superior em outras tipologias de obras.

Tipo de Orçamento Fase do Projeto Cálculo do Preço Faixa de Precisão

Quantitativos de serviços apurados no projeto,


e custos obtidos em composições de custos
Detalhado ou analítico
unitários com preços de insumos oriundos de
(orçamento base da Projeto Básico ± 10%
tabelas referenciais ou de pesquisa de mercado
licitação)
relacionados ao mercado local, levando-se em conta
o local, o porte e as peculiaridades de cada obra

Tipo de Orçamento Fase do Projeto Cálculo do Preço Faixa de Precisão

Quantitativos de serviços apurados no projeto,


e custos obtidos em composições de custos
Detalhado ou analítico unitários com preços de insumos oriundos de
Projeto Básico ± 5%
definitivo tabelas referenciais ou de pesquisa de mercado
relacionados ao mercado local, levando-se em conta
o local, o porte e as peculiaridades de cada obra

4.7 O projeto básico necessário para a obtenção do grau de precisão apresentado no Quadro 1 é aquele
definido na OT – IBR 001/2006, devendo conter os elementos mínimos exigidos por aquela Orientação Técnica.

FUNDAMENTOS PARA ELABORAÇÃO DA PLANILHA DE BDI


Decreto nº 7.983, de 2013
Art. 9º O preço global de referência será o resultante do custo global de referência acrescido do valor
correspondente ao BDI, que deverá evidenciar em sua composição, no mínimo:

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I - taxa de rateio da administração central;


II - percentuais de tributos incidentes sobre o preço do serviço, excluídos aqueles de natureza direta e
personalística que oneram o contratado;
III - taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento; e
IV - taxa de lucro.
• Despesas diretas: são aquelas decorrentes da execução da obra, que podem ser devidamente mensu-
radas – constam de itens da planilha
• Despesas indiretas: são, também, decorrentes da execução da obra, mas não são passíveis de mensu-
ração adequada – constam do BDI

DI: percentual aplicado sobre o custo direto para se chegar ao preço de venda a ser apresentado ao cliente
Ac – Administração central
S – Seguros
R – Risco
G – Garantias
DF – Despesas Financeiras
L – Lucro
I – Impostos

Súmula nº 254/2010 – TCU


O IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – e a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – não se
consubstanciam em despesa indireta passível de inclusão na taxa de Bonificações e Despesas Indiretas –
BDI do orçamento-base da licitação, haja vista a natureza direta e personalística desses tributos, que oneram
pessoalmente o contratado.

Acórdão 648/2016 – TCU – Plenário


“22. No que tange à inclusão de IRPJ e CSLL na composição do BDI dos contratos auditados, bem destacou o
Ministério Público de Contas que o voto condutor do Acórdão 1.591/2008-Plenário, de minha relatoria, trouxe
o entendimento de que ‘a indicação em destacado na composição do BDI do imposto de renda pessoa jurídica
e da contribuição social sobre o lucro líquido não acarreta, por si só, prejuízos ao erário, pois é legítimo que
empresas considerem esses tributos quando do cálculo da equação econômico-financeira de sua proposta’.
23. Verifico, assim, que não há nenhuma ilegalidade no fato de a empresa contratada incluir tais rubricas
na composição do seu BDI, desde que os preços praticados estejam em consonância com os paradigmas
de mercado. Tanto a Súmula TCU nº 254/2010 como o art. 9º, do Decreto 7.983/2013, vedam a inclusão
de tais rubricas apenas no orçamento-base da licitação, não sendo tais entendimentos aplicáveis aos
preços ofertados pelos privados.”

Acórdão 2622/2013 – TCU - Plenário


“9.1. determinar às unidades técnicas deste Tribunal que, nas análises do orçamento de obras públicas,
utilizem os parâmetros para taxas de BDI a seguir especificados, em substituição aos referenciais contidos nos
Acórdãos nºs. 325/2007 e 2.369/2011:

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VALORES DO BDI POR TIPO DE OBRA

Tipos de Obras 1º Quartil Médio 3º Quartil

Construção de edifícios 20,34% 22,12% 25,00%

Construção de rodovias e ferrovias 19,60% 20,97% 24,23%


Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e
20,76% 24,18% 26,44%
construções correlatas
Construção e manutenção de estações e redes de distribuição de energia
24,00% 25,84% 27,86%
elétrica
Obras portuárias, marítimas e fluviais 22,80% 27,48% 30,95%

9.2. orientar as unidades técnicas deste Tribunal que:


9.2.1. nas análises do orçamento de obras públicas, quando a taxa de BDI estiver fora dos patamares estipulados
no subitem 9.1 deste Acórdão, procedam ao exame pormenorizado dos itens que compõem essa taxa,
utilizando como diretriz para esse exame os seguintes percentuais obtidos no estudo de que tratam estes
autos, levando-se sempre em consideração as peculiaridades de cada caso concreto:

Administração Central Seguro + Garantia Risco


Tipos de Obras
1º Q M 3º Q 1º Q M 3º Q 1º Q M 3º Q

Construção de edifícios 3,00% 4,00% 5,50% 0,80% 0,80% 1,00% 0,97% 1,27% 1,27%
Construção de rodovias e
3,80% 4,01% 4,67% 0,32% 0,40% 0,74% 0,50% 0,56% 0,97%
ferrovias
Construção de redes de
abastecimento de água, coleta de 3,43% 4,93% 6,71% 0,28% 0,49% 0,75% 1,00% 1,39% 1,74%
esgoto e construções correlatas
Construção e manutenção de
estações e redes de distribuição 5,29% 5,92% 7,93% 0,25% 0,51% 0,56% 1,00% 1,48% 1,97%
de energia elétrica
Obras portuárias, marítimas e
4,00% 5,52% 7,85% 0,81% 1,22% 1,99% 1,46% 2,32% 3,16%
fluviais

Despesa Financeira Lucro


Tipos de Obras
1º Q M 3º Q 1º Q M 3º Q

Construção de edifícios 0,59% 1,23% 1,39% 6,16% 7,40% 8,96%

Construção de rodovias e ferrovias 1,02% 1,11% 1,21% 6,64% 7,30% 8,69%


Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e
0,94% 0,99% 1,17% 6,74% 8,04% 9,40%
construções correlatas
Construção e manutenção de estações e redes de distribuição de
1,01% 1,07% 1,11% 8,00% 8,31% 9,51%
energia elétrica
Obras portuárias, marítimas e fluviais 0,94% 1,02% 1,33% 7,14% 8,40% 10,43%

9.2.2. na verificação da adequabilidade das planilhas orçamentárias das obras públicas, utilizar como referência
do impacto esperado para os itens associados à administração local no valor total do orçamento, os seguintes
valores percentuais obtidos no estudo de que tratam estes autos:

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Percentual de administração local inserido no custo direto 1º Quartil Médio 3º Quartil

Construção de edifícios 3,49% 6,23% 8,87%

Construção de rodovias e ferrovias 1,98% 6,99% 10,68%


Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e
4,13% 7,64% 10,89%
construções correlatas
Construção e manutenção de estações e redes de distribuição de
1,85% 5,05% 7,45%
energia elétrica
Obras portuárias, marítimas e fluviais 6,23% 7,48% 9,09%

9.3.2. oriente os órgãos e entidades da Administração Pública Federal a:


9.3.2.1. discriminar os custos de administração local, canteiro de obras e mobilização e desmobilização na
planilha orçamentária de custos diretos, por serem passíveis de identificação, mensuração e discriminação,
bem como sujeitos a controle, medição e pagamento individualizado por parte da Administração Pública, em
atendimento ao princípio constitucional da transparência dos gastos públicos, à jurisprudência do TCU e com
fundamento no art. 30, § 6º, e no art. 40, inciso XIII, da Lei nº 8.666/1993 e no art. 17 do Decreto nº 7.983/2013;”
• Análise do BDI, tomando por base os referenciais aprovados formalmente pelo TCU
• Diferença entre referencial e teto

Acórdão 2738/2015 – TCU – Plenário


“Cabe esclarecer que o entendimento preponderante é de cada particular poder apresentar a taxa que
melhor lhe convier, desde que o preço proposto para cada item da planilha e, por consequência o preço global,
não estejam em limites superiores aos preços de referência, valores estes obtidos dos sistemas utilizados pela
Administração e das pesquisas de mercado, em casos de lacunas nos mencionados referenciais.”

Acórdão 548/2016 – TCU – Plenário


“30. O TCU tem considerado que a análise isolada de apenas um dos componentes do preço (custo direto ou
BDI) não é suficiente para caracterizar o sobrepreço, pois um BDI contratual elevado pode ser compensado
por um custo direto ofertado pela licitante abaixo do paradigma, de forma que o preço do serviço contratado
esteja abaixo do preço de mercado. Foi exatamente esse entendimento que constou da ementa doAcórdão
1.551/2008-Plenário, relatado pelo eminente Ministro Augusto Nardes:
“9. Não se admite a impugnação da taxa de BDI consagrada em processo licitatório plenamente válido sem
que esteja cabalmente demonstrado que os demais componentes dos preços finais estejam superestimados,
resultando em preços unitários completamente dissociados do padrão de mercado. Na avaliação financeira
de contratos de obras públicas, o controle deve incidir sobre o preço unitário final e não sobre cada uma
de suas parcelas individualmente (...)”.
31. Por isso, no relatório que embasou o Acórdão 2.622/2013-Plenário, foi consignado que as taxas referenciais
de BDI não têm por objetivo limitar o BDI das propostas de preços das empresas licitantes, já que os
valores do BDI podem oscilar de empresa para empresa, de acordo com as suas características particulares,
tais como: remuneração desejável, situação econômico-financeira, localização e porte da empresa, estrutura
administrativa, número de obras em execução, nível de competitividade do mercado etc.
32. Nesse sentido, durante a fase de licitação, a jurisprudência do TCU entende que a desclassificação de
proposta de licitante que contenha taxa de BDI acima de limites considerados adequados só deve
ocorrer quando o preço global ofertado também se revelar excessivo, dado que a majoração do BDI pode
ser compensada por custos inferiores aos paradigmas (Acórdão 1.804/2012-Plenário).”

Decreto nº 7.983, de 08 de abril de 2013


Ementa: Estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de
engenharia, contratados e executados com recursos dos orçamentos da União, e dá outras providências.
Art. 18. A elaboração do orçamento de referência e o custo global das obras e serviços de engenharia
nas contratações regidas pela Lei nº 12.462, de 04 de agosto de 2011, obedecerão às normas específicas
estabelecidas no Decreto nº 7.581, de 11 de outubro de 2011.

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Art. 3º O custo global de referência de obras e serviços de engenharia, exceto os serviços e obras de
infraestrutura de transporte, será obtido a partir das composições dos custos unitários previstas no projeto
que integra o edital de licitação, menores ou iguais à mediana de seus correspondentes nos custos unitários
de referência do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil - Sinapi, excetuados os
itens caracterizados como montagem industrial ou que não possam ser considerados como de construção civil.
Parágrafo único. O Sinapi deverá ser mantido pela Caixa Econômica Federal - CEF, segundo definições técnicas
de engenharia da CEF e de pesquisa de preço realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
Art. 4º O custo global de referência dos serviços e obras de infraestrutura de transportes será obtido a partir
das composições dos custos unitários previstas no projeto que integra o edital de licitação, menores ou iguais
aos seus correspondentes nos custos unitários de referência do Sistema de Custos Referenciais de Obras
- Sicro, cuja manutenção e divulgação caberá ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes -
DNIT, excetuados os itens caracterizados como montagem industrial ou que não possam ser considerados
como de infraestrutura de transportes.
Art. 5º O disposto nos arts. 3º e 4º não impede que os órgãos e entidades da administração pública federal
desenvolvam novos sistemas de referência de custos, desde que demonstrem sua necessidade por meio de
justificativa técnica e os submetam à aprovação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Parágrafo único. Os novos sistemas de referência de custos somente serão aplicáveis no caso de
incompatibilidade de adoção dos sistemas referidos nos arts. 3º e 4º, incorporando-se às suas composições de
custo unitário os custos de insumos constantes do Sinapi e Sicro.
Art. 6º Em caso de inviabilidade da definição dos custos conforme o disposto nos arts. 3º, 4º e 5º, a estimativa de
custo global poderá ser apurada por meio da utilização de dados contidos em tabela de referência formalmente
aprovada por órgãos ou entidades da administração pública federal em publicações técnicas especializadas,
em sistema específico instituído para o setor ou em pesquisa de mercado.
Art. 8º Na elaboração dos orçamentos de referência, os órgãos e entidades da administração pública federal
poderão considerar especificidades locais ou de projetos na elaboração das respectivas composições de
custos unitários, desde que demonstrada a pertinência dos ajustes para a obra ou serviço de engenharia a ser
orçado em relatório técnico elaborado por profissional habilitado.
Parágrafo único. Os custos unitários de referência da administração pública poderão, somente em
condições especiais justificadas em relatório técnico elaborado por profissional habilitado e aprovado pelo
órgão gestor dos recursos ou seu mandatário, exceder os seus correspondentes do sistema de referência
adotado na forma deste Decreto, sem prejuízo da avaliação dos órgãos de controle, dispensada a compensação
em qualquer outro serviço do orçamento de referência.

Decreto nº 7.983, de 2013


Art. 10. A anotação da responsabilidade técnico pelas planilhas orçamentárias deverá constar do projeto que
integrar o edital da licitação, inclusive de suas eventuais alterações.

A INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6, DE 2018, SUA ORIGEM E SUAS CONSEQUÊNCIAS


IN nº 06/2018 – MPDG
Ementa:
Dispõe sobre cláusulas assecuratórias de direitos trabalhistas quando da execução indireta de obras públicas,
no âmbito da Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional.

O SECRETÁRIO DE GESTÃO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO E GESTÃO, no uso das


atribuições que lhe conferem o Decreto nº 9.035, de 20 de abril de 2017, e o Decreto nº 1.094, de 23 de março de
1994, considerando o disposto na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e na Convenção nº 94, da Organização
Internacional do Trabalho, promulgada pelo Decreto nº 58.818, de 14 de julho de 1966, resolve:

Art. 1º — 1. A presente convenção se aplica aos contratos que preencham as condições seguintes:
a) que ao menos uma das partes contratantes seja uma autoridade pública;
b) que a execução do contrato acarrete:

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I) o gasto de fundos por uma autoridade pública;


II) o emprego de trabalhadores pela outra parte contratante;
c) que o contrato seja firmado para:
I) a construção, a transformação, a reparação ou a demolição de obras públicas;
II) a fabricação, a reunião, a manutenção ou o transporte de materiais, petrechos ou utensílios;
III) a execução ou o fornecimento de serviços;

Art. 2º — 1. Os contratos aos quais se aplica a presente convenção conterão cláusulas garantindo aos
trabalhadores interessados salários, inclusive os abonos, um horário de trabalho, e outras condições de
trabalho que não sejam menos favoráveis do que as condições estabelecidas para um trabalho da mesma
natureza, na profissão ou indústria interessada da mesma região: (…)

Art. 5º — 1. (...)
2. Medidas apropriadas serão adotadas, seja pela retenção dos pagamentos devidos em função dos termos
do contrato, seja por qualquer outra maneira, a fim de permitir que os trabalhadores interessados recebam os
salários a que têm direito.

IN nº 6/2018 – SEGES/MP
Art. 2º Os instrumentos convocatórios e os contratos referentes à execução indireta de obras públicas deverão
prever, no mínimo, cláusulas que:
I - exijam, durante a execução contratual, o cumprimento de Acordo, Dissídio, Convenção Coletiva ou
equivalente, relativo à categoria profissional abrangida no contrato bem como da legislação em vigor;
II - estabeleçam a possibilidade de rescisão do contrato por ato unilateral e escrito da contratante e a aplicação
das penalidades cabíveis para os casos do não pagamento dos salários e demais verbas trabalhistas, bem como
pelo não recolhimento das contribuições sociais, previdenciárias e para com o Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS), em relação aos empregados da contratada que efetivamente participarem da execução do
contrato;
III - exijam declaração de responsabilidade exclusiva da contratada sobre a quitação dos encargos trabalhistas
e sociais decorrentes do contrato;
IV - prevejam a verificação da comprovação mensal, por amostragem, pela contratante, do cumprimento das
obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o FGTS, em relação aos empregados da contratada que
efetivamente participarem da execução do contrato;
V - exijam a indicação de preposto da contratada para representá-la na execução do contrato, nos termos do
art. 68 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993;
§ 1º Caso não seja apresentada a documentação comprobatória do cumprimento das obrigações de que trata
o inciso IV, a contratante comunicará o fato à contratada e reterá o pagamento da fatura mensal, em valor
proporcional ao inadimplemento, até que a situação seja regularizada.
§ 2º Na hipótese prevista no § 1º, não havendo quitação das obrigações por parte da contratada no prazo
de quinze dias, a contratante poderá efetuar o pagamento das obrigações diretamente aos empregados da
contratada que tenham participado da execução dos serviços objeto do contrato.
§ 3º Não havendo na região Acordo, Dissídio ou Convenção Coletiva relativa à categoria profissional abrangida
no contrato, este deverá prever cláusulas que garantam os direitos trabalhistas, podendo utilizar como
referência regulamento de trabalho ou profissão de natureza similar da região mais próxima.
§ 4º A Administração Pública não se vincula às disposições contidas em Acordos, Dissídios ou Convenções
Coletivas que tratem de pagamento de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa
contratada, de matéria não trabalhista, ou que estabeleçam direitos não previstos em lei, tais como valores ou
índices obrigatórios de encargos sociais ou previdenciários, bem como de preços para os insumos relacionados
ao exercício da atividade.

Lei nº 8.666/1993
Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração

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especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações


pertinentes a essa atribuição.
Art. 68. O contratado deverá manter preposto, aceito pela Administração, no local da obra ou serviço, para
representá-lo na execução do contrato.

Lei nº 5.194/1966
Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo
consistem em:
(...)
e) fiscalização de obras e serviços técnicos;

IN 05/2017
II - Fiscalização Técnica: é o acompanhamento com o objetivo de avaliar a execução do objeto nos moldes
contratados e, se for o caso, aferir se a quantidade, qualidade, tempo e modo da prestação dos serviços estão
compatíveis com os indicadores de níveis mínimos de desempenho estipulados no ato convocatório, para
efeito de pagamento conforme o resultado, podendo ser auxiliado pela fiscalização de que trata o inciso V
deste artigo;
III - Fiscalização Administrativa: é o acompanhamento dos aspectos administrativos da execução dos
serviços nos contratos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra quanto às obrigações previdenciárias,
fiscais e trabalhistas, bem como quanto às providências tempestivas nos casos de inadimplemento;

IN 06/2018
Art. 3º Para fins de fiscalização do cumprimento de que trata o inciso IV do art. 2º, a contratante deverá
solicitar, mensalmente, por amostragem, que a contratada apresente os documentos comprobatórios das
obrigações trabalhistas e previdenciárias dos empregados alocados na execução da obra, em especial, quanto:
I - ao pagamento de salários, adicionais, horas extras, repouso semanal remunerado e décimo terceiro salário;
II - à concessão de férias remuneradas e pagamento do respectivo adicional;
III - à concessão do auxílio-transporte, auxílio-alimentação e auxílio-saúde, quando for devido;
IV - aos depósitos do FGTS; e
V - ao pagamento de obrigações trabalhistas e previdenciárias dos empregados dispensados até a data da
extinção do contrato.
§1º A contratante poderá solicitar, por amostragem, aos empregados da contratada, que verifiquem
se as contribuições previdenciárias e do FGTS estão ou não sendo recolhidas em seus nomes, por meio da
apresentação de extratos.
§2º A fiscalização por amostragem tem por objetivo permitir que todos os empregados tenham tido seus
extratos avaliados ao final de um ano da contratação.
§ 3º O objetivo disposto § 2º não impede que a análise de extratos possa ser realizada mais de uma vez em
relação a um mesmo empregado.
§ 4º Em caso de indício de irregularidade no cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para
com o FGTS, os fiscais ou gestores de contratos deverão oficiar os órgãos responsáveis pela fiscalização.

Convenção nº 94 – OIT
Art. 5º — 1. (...)

2. Medidas apropriadas serão adotadas, seja pela retenção dos pagamentos devidos em função dos termos
do contrato, seja por qualquer outra maneira, a fim de permitir que os trabalhadores interessados recebam
os salários a que têm direito.

Acórdão 3301/2015 – TCU – Plenário


“1. É legal retenção parcial de valores devidos à prestadora de serviços continuados com dedicação de mão de
obra, para fazer frente ao descumprimento de obrigações trabalhistas. 2. A possibilidade de retenção parcial

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tem como fundamento os “poderes implícitos”, princípio basilar de hermenêutica constitucional, segundo o
qual a outorga de competência a determinado ente estatal importa no deferimento implícito, a esse mesmo
ente, dos meios necessários à sua consecução.

3. Retenção parcial não constitui sanção, mas medida preventiva e acautelatória, destinada a evitar que a
inadimplência da contratada com suas obrigações trabalhistas cause prejuízo ao erário. 4. Somente é possível
retenção de valores devidos à contratada, por descumprimento de obrigação contratual assessória, nos casos
em que o ente estatal possa ser responsabilizado por essas obrigações, que não é o caso do descumprimento
de obrigações comerciais e fiscais stricto sensu, nem da inadimplência de obrigações trabalhistas relativas a
empregados não dedicados exclusivamente ao contrato.

5. Retenção integral dos pagamentos à contratada só é admissível nas hipóteses de inadimplemento de


obrigações trabalhistas com valores superiores aos devidos pela Administração e de desconhecimento do
montante inadimplido. 6. À exceção da hipótese de inadimplemento em valores superiores aos devidos
à Administração, retenção integral não pode dar-se por prazo indeterminado, para não caracterizar
enriquecimento ilícito da Administração. Como regra, deve ser mantida por prazo suficiente para quantificação
das obrigações não adimplidas, após o que deverá ser convertida em retenção parcial.”

IN nº 5/2017
Art. 17. Os serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra são aqueles em que o modelo de
execução contratual exija, dentre outros requisitos, que:
I - os empregados da contratada fiquem à disposição nas dependências da contratante para a prestação dos
serviços;
II - a contratada não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma contratação para
execução simultânea de outros contratos; e
III - a contratada possibilite a fiscalização pela contratante quanto à distribuição, controle e supervisão dos
recursos humanos alocados aos seus contratos.
Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput poderão ser prestados fora das dependências do órgão ou
entidade, desde que não seja nas dependências da contratada e presentes os requisitos dos incisos II e III.

AgInt no AREsp 503038 / RJ


“2. O Superior Tribunal de Justiça tem pacificado o entendimento de que, “não obstante o poder conferido à
Administração de exigir a comprovação de regularidade fiscal durante toda a vigência do contrato, não pode
proceder à retenção do pagamento pelos serviços comprovadamente prestados, sob pena de caracterizar
enriquecimento ilícito (AgRg no AREsp 561.262/ES, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe
31/08/2015).”

Súmula nº 331 – TST


IV- O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade
subsidiária do tomador de serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação
processual e conste também do título executivo judicial.
V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas
condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei nº
8.666/93, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de
serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações
trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.

Orientação Jurisprudencial nº 191 – TST


OJ-SDI1-191 CONTRATO DE EMPREITADA. DONO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE (nova
redação) - Res. 175/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. Diante da inexistência de previsão legal
específica, o contrato de empreitada de construção civil entre o dono da obra e o empreiteiro não enseja

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responsabilidade solidária ou subsidiária nas obrigações trabalhistas contraídas pelo empreiteiro, salvo
sendo o dono da obra uma empresa construtora ou incorporadora.
• Acórdão SbDI-1 (09 de agosto de 2018)
• PROCESSO Nº TST-ED-IRR-190-53.2015.5.03.0090
• C/J PROC. Nº TST-RR-10119-76.2015.5.03.0069
• C/J PROC. Nº TST-RR-706-13.2013.5.15.0154
• C/J PROC. Nº TST-RR-10965-29.2014.5.15.0123
• EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITO MODIFICATIVO. INCIDENTE DE RECURSO DE REVISTA
REPETITIVO. TEMA Nº 0006. CONTRATO DE EMPREITADA. DONO DA OBRA. RESPONSABILIDADE. DE-
CISÃO DE CARÁTER VINCULANTE. MODULAÇÃO DOS EFEITOS.
• 1. A SDI-1 do TST, no julgamento de recurso de revista repetitivo, firmou a tese de que, excepcionados
os entes públicos da Administração direta e indireta, o dono da obra é subsidiariamente responsável
por obrigações trabalhistas não adimplidas do empreiteiro que contratar sem idoneidade econômi-
co-financeira, por aplicação analógica do artigo 455 da CLT e com fundamento em culpa in eligendo.

Pode a Administração desclassificar uma proposta


Procedimentos que podem ser
considerando que o licitante não obedeceu o piso
adotados no julgamento de propostas
salarial da categoria em suas composições de custo?

Acórdão 719/2018 – TCU – Plenário


“9.2. responder ao consulente que:
9.2.1. nos certames objetivando a contratação de obras públicas, não há determinação legal que obrigue a
Administração Pública a examinar as propostas dos licitantes para observar se estes consideraram nos seus
preços as despesas com mão de obra decorrentes do cumprimento de acordo, convenção ou dissídio coletivo
de trabalho, devendo ser observadas as disposições dos arts. 48, 44, §3º, da Lei 8.666/1993, bem como os
critérios de aceitabilidade de preços e outros requisitos previstos no instrumento convocatório;
9.2.2. as licitantes, por sua vez, estão obrigadas ao cumprimento de acordo coletivo, do qual foi signatária,
bem como de disposições presentes em convenção ou dissídio coletivo de trabalho, em observância ao art. 7º,
inciso XXVI, da Constituição Federal de 1988, e ao art. 611 do Decreto-Lei 5.452/1943 (Consolidação das Leis do
Trabalho), que conferem caráter normativo a tais instrumentos, tornando obrigatória, assim, a sua observância
nas relações de trabalho;
9.2.3. as regras e critérios para elaboração de orçamentos de referência de obras e serviços de engenharia
pela Administração Pública, estão estabelecidos no Decreto 7.983/2013 – no caso de certames fundamentados
na Lei 8.666/1993 que prevejam o uso de recursos dos orçamentos da União –, bem como nos arts. 8º, §§ 3º,
4º e 5º, da Lei 12.462/2011, e 31, §§ 2º e 3º, da Lei 13.303/2016, ou seja, devem se basear precipuamente nos
sistemas referenciais oficiais de custo (Sinapi e Sicro);
9.2.4. os sistemas referenciais Sicro e Sinapi, utilizados para fundamentar o orçamento estimativo das
contratações de obras e serviços de engenharia pelo Poder Público, consideram, de forma direta ou indireta,
os parâmetros salariais e outras disposições de instrumentos de negociação coletiva de trabalho na formação
de custos com a mão de obra;
9.2.5. as disposições existentes na Instrução Normativa MPOG nº 02/2008, que foi revogada pela IN-Seges/
MPDG 5/2017, são aplicáveis às contratações de serviços pela Administração Pública, não versando tais atos
normativos sobre a contratação de obras públicas;
9.2.6. em face do princípio do formalismo moderado e da supremacia do interesse público, que permeiam
os processos licitatórios, o fato de o licitante apresentar composição de custo unitário contendo salário de
categoria profissional inferior ao piso estabelecido em instrumento normativo negociado é, em tese, somente
erro formal, o qual não enseja a desclassificação da proposta, podendo ser saneado com a apresentação
de nova composição de custo unitário desprovida de erro;”

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PALESTRA

I
CLAUDIO SARIAN

ERROS MAIS COMUNS NA


CONTRATAÇÃO DE OBRAS E
SERVIÇOS DE ENGENHARIA
Erros mais comuns na contratação de Obras e Serviços de Engenharia Cláudio Sarian |

ERROS MAIS COMUNS NA CONTRATAÇÃO DE OBRAS E


SERVIÇOS DE ENGENHARIA

ERRO 1
Ausência de visão sistêmica da evolução do empreendimento

Fases de um Projeto

Execução

Execução Planejamento
Esforço

Encerramento

Controle

Tempo

Fases de um Projeto

Execução
Planejamento

Projeto
Execução Executivo
Esforço

Encerramento
Projeto
Básico
Ante
projeto Documento
Controle
as Built
Estudo de
Viabilidade

Tempo

Lei 8.666: Licitação Projeto Licitação Obra

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Erros mais comuns na contratação de Obras e Serviços de Engenharia Cláudio Sarian |

Projeto - Visão Sistêmica

Projeto

Contrato 1 Contrato 2 Contrato 3 Contrato ...

Execução 1 Execução 2 ...

Projeto

ERRO 2
Equipe com pouca capacidade técnica e gerencial para conduzir o empreendimento: DA ADMINSITRAÇÃO
E DA EMPREITEIRA

NOTÍCIAS VEICULADAS NA IMPRENSA Desabamento: Crea-RJ diz que obras no nono andar do edifício
Liberdade eram irregulares (Do R7 | 16/02/2012 )

LEI nº 5.194/66
Art . 6º Exerce ilegalmente a profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo:
a) a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços público ou privado reservados aos
profissionais de que trata esta lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais;
Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo
consistem em:
a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas, de
economia mista e privada;
b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes,
explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária;
c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica;
Art. 7º ...

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d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios;


e) fiscalização de obras e serviços técnicos;
f) direção de obras e serviços técnicos;
g) execução de obras e serviços técnicos;
h) produção técnica especializada, industrial ou agropecuária.

ERRO 4
Ausência de recursos para a execução da totalidade das obras

LICITAÇÃO
REQUISITOS (O QUE CONTRATAR E COM QUAIS RECURSOS)

Art. 7º , § 2º, 8666 As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de
obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma;
IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas estabelecidas no Plano Plurianual de que trata o
art. 165 da Constituição Federal.

ERRO 6
Ausência dos elementos obrigatórios exigidos no Edital

Licitação - Fase Interna

Edital - Fase Interna

O que Com quais Com quem Como Como


Contratar Recursos Contratar Executar Contratar

Regras para
Caracteriz. Previsão de Regras para Regras para Regras para
Estruturar
da Obra Recursos Habilitação Contratação Jugalmento
a Licitação

LICITAÇÃO
FASE INTERNA
REQUISITOS (O QUE CONTRATAR E COM QUAIS RECURSOS)

Art. 7º , § 2º, 8666 As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em
participar do processo licitatório;
II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários;
Art. 7º , § 2º, (...)
III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de
obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma;
IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas estabelecidas no Plano Plurianual de que trata o
art. 165 da Constituição Federal.

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Erros mais comuns na contratação de Obras e Serviços de Engenharia Cláudio Sarian |

Arts. 40 e 55 e
Lei 8.666/93

ERRO 7
Projetos de má qualidade e insuficientes para garantir isonomia entre concorrentes ou segurança para
a Administração

Caracterização da Obra

Caracterização da Obra

Anteprojeto Orçamento Estimado

Licença Ambiental Prévia Projeto Básico Orçamento Detalhado

Projeto Executivo

Documentação “as Built”

SÚMULA Nº 261
Em licitações de obras e serviços de engenharia, é necessária a elaboração de projeto básico adequado e
atualizado, assim considerado aquele aprovado com todos os elementos descritos no art. 6º, inciso IX, da Lei
nº 8.666, de 21 de junho de 1993, constituindo prática ilegal a revisão de projeto básico ou a elaboração
de projeto executivo que transfigurem o objeto originalmente contratado em outro de natureza e propósito
diversos.

LICITAÇÃO
FASE INTERNA - PROJETO BÁSICO - Resolução 361 – CONFEA

Art. 3º - As principais características de um Projeto Básico são:


(...)
e) identificar e especificar, sem omissões, os tipos de serviços a executar, os materiais e equipamentos a
incorporar à obra;
f) definir as quantidades e os custos de serviços e fornecimentos com precisão compatível com o tipo e porte
da obra, de tal forma a ensejar a determinação do custo global da obra com precisão de mais ou menos
15% (quinze por cento);

SÚMULA Nº 260
É dever do gestor exigir apresentação de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART referente a projeto,
execução, supervisão e fiscalização de obras e serviços de engenharia, com indicação do responsável pela
elaboração de plantas, orçamento-base, especificações técnicas, composições de custos unitários, cronograma
físico-financeiro e outras peças técnicas.
QUAIS OS ELEMENTOS TÉCNICOS MÍNIMOS DO PROJETO BÁSICO?
• PRECISÃO (15%)
• CONJUNTO DE ELEMENTOS:
• 1 - DE AVALIAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
• 2 - DE INSERÇÃO DO PROJETO NO MEIO AMBIENTE
• RESPONSÁVEL TÉCNICO HABILITADO (COM ART)

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• DEPENDE DE CADA EMPREENDIMENTO


• VER IBRAOP: OT – IBR 001/2006
• Edificações
• Obras Rodoviárias
• Pavimentação Urbana
• Detalhamento dos desenhos, especificações e memoriais
• www.ibraop.org.br

ERRO 11
Ausência de estudos ambientais adequados

LICITAÇÃO
FASE INTERNA - PROJETO BÁSICO - TCU - LICENÇA AMBIENTAL

TCU – Acórdão nº 516/2003 - Plenário


9.2.3. inclua no Fiscobras, como indício de irregularidade grave, as seguintes ocorrências:
9.2.3.1. a contratação de obras com base em projeto básico elaborado sem a existência da licença prévia,
conforme art. 2º, § 2º, inciso I e art. 12, ambos da Lei nº 8.666/93 c/c o art. 8º, inciso I, da Resolução Conama nº
237/97;
9.2.3.2. o início de obras sem a devida licença de instalação, bem como o início das operações do
empreendimento sem a licença de operação com base nas Resoluções Conama nº 237/97 e 06/87;

ERRO 12
Ausência ou insuficiência de elementos/estudos básicos na definição do orçamento da obra

LICITAÇÃO
FASE INTERNA - PROJETO BÁSICO – ORÇAMENTO DETALHADO
• FUNÇÕES DO ORÇAMENTO:
3. PARÂMETRO PARA A ADMINISTRAÇÃO NA FASE INTERNA:
• VERIFICAR A EXISTÊNCIA DE RECURSOS SUFICIENTES
• DEFINIR CRITÉRIOS DE ACEITABILIDADE
4. REFERÊNCIA PARA A AVALIAÇÃO DOS PREÇOS RECEBIDOS DAS EMPRESAS NA FASE EXTERNA
5. ACOMPANHAMENTO DOS SERVIÇOS NA FASE CONTRATUAL

Orçamentos
Principais Definições

Insumo A
Quantidades

Insumo B
Serviços
Insumo C

Insumo D

Custos Diretos
Custo
Preço Custos Indiretos Preço
BDI
Lucro

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ERRO 13
Ausência ou insuficiência de pesquisa de custos de insumos para a caracterização dos custos dos serviços

Decreto nº 7.983/13
Art. 3o O custo global de referência de obras e serviços de engenharia, exceto os serviços e obras de infraestrutura
de transporte, será obtido a partir das composições dos custos unitários previstas no projeto que integra o
edital de licitação, menores ou iguais à mediana de seus correspondentes nos custos unitários de referência
do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil - Sinapi, excetuados os itens
caracterizados como montagem industrial ou que não possam ser considerados como de construção civil.
Parágrafo único. O Sinapi deverá ser mantido pela Caixa Econômica Federal - CEF, segundo definições técnicas
de engenharia da CEF e de pesquisa de preço realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
Art. 4o O custo global de referência dos serviços e obras de infraestrutura de transportes será obtido a partir
das composições dos custos unitários previstas no projeto que integra o edital de licitação, menores ou iguais
aos seus correspondentes nos custos unitários de referência do Sistema de Custos Referenciais de Obras
- Sicro, cuja manutenção e divulgação caberá ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes -
DNIT, excetuados os itens caracterizados como montagem industrial ou que não possam ser considerados
como de infraestrutura de transportes.
Art. 6o Em caso de inviabilidade da definição dos custos conforme o disposto nos arts. 3º, 4º e 5º, a estimativa
de custo global poderá ser apurada por meio da (1) utilização de dados contidos em tabela de referência
formalmente aprovada por órgãos ou entidades da administração pública federal, (2) em publicações técnicas
especializadas, (3) em sistema específico instituído para o setor ou em (4) pesquisa de mercado.
Art. 8o Na elaboração dos orçamentos de referência, os órgãos e entidades da administração pública federal
poderão adotar especificidades locais ou de projeto na elaboração das respectivas composições de custo
unitário, desde que demonstrada a pertinência dos ajustes para a obra ou serviço de engenharia a ser orçado
em relatório técnico elaborado por profissional habilitado.
Parágrafo único. Os custos unitários de referência da administração pública poderão, somente em condições
especiais justificadas em relatório técnico elaborado por profissional habilitado e aprovado pelo órgão gestor
dos recursos ou seu mandatário, exceder os seus correspondentes do sistema de referência adotado na forma
deste Decreto, sem prejuízo da avaliação dos órgãos de controle, dispensada a compensação em qualquer
outro serviço do orçamento de referência.

ERRO 14
Insuficiência de regras para evitar o jogo de planilha na licitação (critérios de aceitabilidade)

Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da


proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável, e será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade,
da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento
convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.

TIPOS DE LICITAÇÃO
FASE INTERNA

Art. 45. (...)


§ 1o Para os efeitos deste artigo, constituem tipos de licitação, exceto na modalidade concurso
I - a de menor preço - quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar
que será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite
e ofertar o menor preço;
II - a de melhor técnica;
III - a de técnica e preço;
IV - ........…

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Estudo de caso simplificado


Duas empresas (A e B) participam de uma licitação, conforme propostas em anexo:
1. Quem venceu?
2. Quanto B cobrou após realizar os serviços de escavação e fundação? E quanto cobraria A?

ORÇAMENTOS

Serviço Unidade Quantidade Custo Unitário Custo Total

Escavação m³ 200 10,00 2.000,00

Fundação m 50 100,00 5.000,00

Concreto m³ 50 150,00 7.500,00

Alvenaria m² 60 25,00 1.500,00

Total 16.000,00

Serviço Unidade Quantidade Custo Unitário Custo Total

Escavação m³ 200 20,00 4.000,00

Fundação m 50 150,00 7.500,00

Concreto m³ 50 70,00 3.500,00

Alvenaria m² 60 15,00 900,00

Total 15.900,00

TCU – Acórdão nº 1.650/06 – PL


Em terceiro lugar, estão presentes todos os pressupostos usualmente considerados necessários por este
Tribunal para se caracterizar a ocorrência do “jogo de planilha”: licitação processada sem a definição e o emprego
de critérios efetivos de aceitabilidade de preços unitários; adjudicação pelo menor preço global; existência, no
orçamento contratado, de serviços com sobrepreço e de outros com subpreço, que se compensam na análise
da compatibilidade do preço global; alterações quantitativas posteriores, por meio de aditivos, em decorrência
de deficiências ou insuficiências do projeto básico, que privilegiam serviços com sobrepreço em detrimento
dos com subpreço.
Ademais, não é necessário se demonstrar a conduta dolosa do agente público ou do contratado beneficiado
para se caracterizar a ocorrência do “jogo de planilha”. A responsabilidade civil decorre de condutas dolosas
e culposas, stricto sensu, consoante o estabelecido pelos arts. 186, 187 e 927 do Código Civil. É dever do
gestor público zelar para que as condições contratuais não se tornem prejudiciais ao erário. Havendo vontade
deliberada ou não de beneficiar indevidamente o contratado, deve o gestor ser responsabilizado por seus
atos, omissivos ou comissivos, dolosos ou culposos, que contrariem o interesse público e provoquem prejuízo
ao erário. A contratada não pode beneficiar-se de ganhos exorbitantes e ilegítimos a custa do sacrifício de
recursos públicos, devendo ser solidariamente responsabilizada, consoante estabelece o art. 16, §2º, alínea b,
da Lei Orgânica deste Tribunal.

Decreto nº 7.983/13
Art. 11. Os critérios de aceitabilidade de preços deverão constar do edital de licitação para contratação de
obras e serviços de engenharia.

SÚMULA Nº 259
Nas contratações de obras e serviços de engenharia, a definição do critério de aceitabilidade dos preços
unitários e global, com fixação de preços máximos para ambos, é obrigação e não faculdade do gestor.

ERRO 15
Parcelas de composição do BDI incompatíveis com a jurisprudência

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QUESTÃO INTERESSANTE
Nos termos do Acórdão nº 2.622/2013 — Plenário do TCU, quais os percentuais aceitáveis de BDI?
ORÇAMENTO
TCU - Acórdão nº 2.622/2013 – Plenário
9.1. determinar às unidades técnicas deste Tribunal que, nas análises do orçamento de obras públicas, utilizem
os parâmetros para taxas de BDI a seguir especificados, em substituição aos referenciais contidos nos
Acórdãos ns. 325/2007 e 2.369/2011 (ver quadro em anexo)

ERRO 16
Exigências de habilitação além do permitido pela lei de licitações

HABILITAÇÃO (LEI 8.666/93)


Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação relativa
a:
I - habilitação jurídica;
II - qualificação técnica;
III - qualificação econômico-financeira;
IV – regularidade fiscal e trabalhista;
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal.
Art. 28. A documentação relativa à habilitação jurídica, conforme o caso, consistirá em: ...
Art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista, conforme o caso, consistirá em: ...
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a: ...
Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a: …

HABITAÇÃO

Profissional Operacional

De quem? Engenheiro Empresa

Exigência Parcelas de relevância e valor significativo Parcelas de relevância e valor significativo

Características Semelhantes Semelhantes

Quantidade Não Sim

Atestado Acervo CREA Atestado PJ ou PF

Outros - Instalação, equipamento e pessoal

ERRO 22
Acreditar que serviço de engenharia não pode ser licitado por pregão
SÚMULA Nº 257/2010
• O uso do pregão nas contratações de serviços comuns de engenharia encontra amparo na Lei nº
10.520/2002.

USO DO PREGÃO – PROJETOS


ACÓRDÃO Nº 601/2011
1.  O pregão não deverá ser utilizado para a contratação de serviços de natureza predominantemente
intelectual, assim considerados aqueles que podem apresentar diferentes metodologias, tecnologias e níveis
de desempenho e qualidade, sendo necessário avaliar as vantagens e desvantagens de cada solução.
2.  Se o projeto ou estudo a ser elaborado por um profissional ou empresa for similar ao que vier a ser
desenvolvido por outro(a), o serviço pode ser caracterizado como comum. Caso contrário, se a similaridade
dos produtos a serem entregues não puder ser assegurada, o objeto licitado não se enquadra na categoria de
comum.

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USO DO PREGÃO – SUPERVISÃO


ACÓRDÃO Nº 3341/2012
9.2.3. para contratação de serviços de supervisão e consultoria, realize a licitação na modalidade pregão,
especificando detalhadamente os serviços que a empresa de supervisão ou de consultoria deverá prestar,
ressalvando as situações excepcionais em que tais serviços não se caracterizam como “serviços comuns”, caso
em que deverá ser justificada, dos pontos de vista técnico e jurídico, nos autos do processo de licitação, a
utilização extraordinária de outra modalidade licitatória que não o pregão;”
7. Portanto, para esta Corte de Contas, o serviço de supervisão de obras deve ser, em regra, licitado na modalidade
pregão, pois, na maioria dos casos, seu padrão de desempenho e qualidade pode ser objetivamente definido,
conforme previsão legal.

ERRO 23
Utilizar os regimes de execução previstos em lei de forma equivocada

DEFINIÇÕES - Lei nº 8.666/93


Execução indireta - a que o órgão ou entidade contrata com terceiros, sob qualquer das seguintes modalidades:
a) empreitada por preço global - quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total;
b) empreitada por preço unitário - quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de
unidades determinadas;
c) tarefa - quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento
de materiais;
d) empreitada integral - quando se contrata um empreendimento em sua integralidade, compreendendo
todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até
a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais
para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às
finalidades para que foi contratada.

Acórdão 1.977/2013 – Pleno


9.1.3. a empreitada por preço global, em regra, em razão de a liquidação de despesas não envolver,
necessariamente, a medição unitária dos quantitativos de cada serviço na planilha orçamentária, nos termos
do art. 6º, inciso VIII, alínea ‘a’, da Lei 8.666/93, deve ser adotada quando for possível definir previamente
no projeto, com boa margem de precisão, as quantidades dos serviços a serem posteriormente executados
na fase contratual; enquanto que a empreitada por preço unitário deve ser preferida nos casos em que os
objetos, por sua natureza, possuam uma imprecisão inerente de quantitativos em seus itens orçamentários,
como são os casos de reformas de edificação, obras com grandes movimentações de terra e interferências,
obras de manutenção rodoviária, dentre outras;
9.1.5. a proposta ofertada deverá seguir as quantidades do orçamento-base da licitação, cabendo, no
caso da identificação de erros de quantitativos nesse orçamento, proceder-se a impugnação tempestiva do
instrumento convocatório, tal qual assevera o art. 41, § 2º, da Lei 8.666/93;
9.1.6. alterações no projeto ou nas especificações da obra ou serviço, em razão do que dispõe o art. 65,
inciso I, alínea ‘a’, da Lei 8.666/93, como também do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, repercutem na
necessidade de prolação de termo aditivo;

Aditivo
Tipo 1

9.1.7. quando constatados, após a assinatura do contrato, erros ou omissões no orçamento relativos
a pequenas variações quantitativas nos serviços contratados, em regra, pelo fato de o objeto ter sido
contratado por “preço certo e total”, não se mostra adequada a prolação de termo aditivo, nos termos
do ideal estabelecido no art. 6º, inciso VIII, alínea “a”, da Lei 8.666/93, como ainda na cláusula de expressa
concordância do contratado com o projeto básico, prevista no art. 13, inciso II, do Decreto 7.983/2013;

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9.1.8. excepcionalmente, de maneira a evitar o enriquecimento sem causa de qualquer das partes, como
também para garantia do valor fundamental da melhor proposta e da isonomia, caso, por ERRO ou omissão
no orçamento, se encontrarem subestimativas ou superestimativas relevantes nos quantitativos da planilha
orçamentária, poderão ser ajustados termos aditivos para restabelecer a equação econômico-financeira da
avença, situação em que se tomarão os seguintes cuidados:

Aditivo
Tipo 2

9.1.8.1. observar se a alteração contratual decorrente não supera ao estabelecido no art. 13, inciso II, do
Decreto 7.983/2013, cumulativamente com o respeito aos limites previstos nos §§ 1º e 2º do art. 65 da Lei
8.666/93, estes últimos, relativos a todos acréscimos e supressões contratuais;
9.1.8.2. examinar se a modificação do ajuste não ensejará a ocorrência do “jogo de planilhas”, com redução
injustificada do desconto inicialmente ofertado em relação ao preço base do certame no ato da assinatura do
contrato, em prol do que estabelece o art. 14 do Decreto 7.983/2013, como também do art. 37, inciso XXI, da
Constituição Federal;

Decreto 7.983/13
Art. 13. Em caso de adoção dos regimes de empreitada por preço global e de empreitada integral, deverão ser
observadas as seguintes disposições para formação e aceitabilidade dos preços:
II - deverá constar do edital e do contrato cláusula expressa de concordância do contratado com a adequação
do projeto que integrar o edital de licitação e as alterações contratuais sob alegação de falhas ou omissões
em qualquer das peças, orçamentos, plantas, especificações, memoriais e estudos técnicos preliminares do
projeto não poderão ultrapassar, no seu conjunto, dez por cento do valor total do contrato, computando-
se esse percentual para verificação do limite previsto no § 1º do art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.

ERRO 24
Ausência de documentos imprescindíveis ao início da obra

CONTRATOS
INÍCIO DOS SERVIÇOS
a) Anotação de Responsabilidade Técnica – ART dos responsáveis técnicos pelo empreendimento recolhida
junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA do Estado em que a obra será
realizada, nos termos dos art. 1º e art. 2º da Lei nº 6.496/77;
b) licença ambiental de instalação junto ao órgão ambiental competente, nos casos previstos em lei;
c) ordem da Administração autorizando o início dos serviços;
d) alvará de construção junto à Prefeitura Municipal, quando cabível, e, se necessário, o alvará de demolição;
e) quando for o caso, aprovação do projeto de prevenção e combate a incêndio pelo corpo de bombeiros e dos
projetos de instalação elétrica, hidráulica e de telefonia das concessionárias competentes;
f) Certificado de Matrícula junto ao INSS referente à obra,
g) autorizações exigidas em obras com características especiais, como aqueles pertencentes a patrimônio
histórico-cultural.

ERRO 25
Ausência de indicação de fiscal de contrato para acompanhar a obra

CONTRATOS
FISCALIZAÇÃO
Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração
especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações
pertinentes a essa atribuição.

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§ 1o O representante da Administração anotará em registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a


execução do contrato, determinando o que for necessário à regularização das faltas ou defeitos observados.
§ 2o As decisões e providências que ultrapassarem a competência do representante deverão ser solicitadas a
seus superiores em tempo hábil para a adoção das medidas convenientes.

ERRO 28
Ausência de atuação adequada da fiscalização no controle do objeto

Controle de Escopo
Preocupações - Conclusão do Objeto

Medições Aditivos Falhas de Projeto

Conhecimento dos Gerenciamento dos Medias s serem


Serviços projetados Acréscimos e Adotadas
(por partes) supressões

Aferição dos Ajustes para a Repercussões no


Serviços Executados conclusão do objeto regime de execução

Mudanças de Fiscais
Limite 25% Integração Custos e Prazos

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ERRO 29
Registros de má qualidade no diário de obras, com ausência de pontuação de marcos relevantes

DIÁRIO DE OBRAS
Registro de informações da obra

Diário de Obras
Registro de Informações da Obra

• entrada e saída de equipamentos;


• serviços em andamento;
• efetivo de pessoal (por empresa);
• condições climáticas,
Fatos
• visitas ao canteiro de serviço (inclusive Responsáveis Técnicos)
• subcontratadas

• subsídios para medidas futuras (sanções, etc.)


• avaliação de compatibilidade de serviços (equipamentos, tempo, etc.)
• Subsídios para auditorias

Utilidade
3 vias: OBRA; ADMINISTRAÇÃO; EMPREITEIRA
Assinar sempre e de forma tempestiva!!!

Acórdão 1694/2011-Plenário
Enunciado
A montagem de certame licitatório para justificar pagamento a empresa que não conseguiu comprovar a
execução de serviços para os quais fora remunerada é motivo para a aplicação da penalidade de inabilitação
do responsável para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da Administração
Pública Federal.

ERRO 30
Desconhecimento dos limites legais de aditivos

CONTRATOS
LIMITES PARA ALTERAÇÃO
Art. 65,§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou
supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial
atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50%
(cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.
§ 2º Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no parágrafo anterior, salvo:
II - as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes.
§ 6o Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração
deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial.

CONTRATOS
LIMITES PARA ALTERAÇÃO - TCU - ALTERAÇÃO QUALITATIVA
TCU - Acórdão nº 591/2011-Plenário
9.2. determinar ao (...) que, para efeito de observância dos limites de alterações contratuais previstos no art.
65 da Lei nº 8.666/93, passe a considerar as reduções ou supressões de quantitativos de forma isolada, ou
seja, o conjunto de reduções e o conjunto de acréscimos devem ser sempre calculados sobre o valor original
do contrato, aplicando-se a cada um desses conjuntos, individualmente e sem nenhum tipo de compensação
entre eles, os limites de alteração estabelecidos no dispositivo legal;

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PALESTRA

I
RAFAEL JARDIM

LEI ANTICORRUPÇÃO E A
CONTRATAÇÃO DE OBRAS
PÚBLICAS
Rafael Jardim |
Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas

LEI ANTICORRUPÇÃO E A CONTRATAÇÃO DE OBRAS


PÚBLICAS

QUAL O PAPEL DA LEI ANTICORRUPÇÃO NA GOVERNANÇA E NO COMPLIANCE DAS OBRAS PÚBLICAS?

Por que a Administração Pública faz obras?


Por que estamos falando de Lei Anticorrupção?

NOVIDADES NORMATIVAS

Lei 13.979/2020 (e MPs que a alteraram) - medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública
MP 927 - medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública
Decreto 10.288/2020 – define os “serviços essenciais”
MP 932 – reduz as contribuições devidas ao Sistema S

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

MP 946 – extinção do “fundo PIS-PASEP”


MP 936 – Suspensão temporária dos contratos de trabalho
MP 961 – altera regras de dispensa, permite a antecipação de pagamentos e a utilização do RDC
MP 966 – responsabilização de agentes públicos em tempos de pandemia
MP 951 – utilização de registro de preços em dispensas de licitação
IN-ME nº 40/2020 – Define o que são os “estudos preliminares” para compras, obras e serviços
Decreto 10.024/2019 – nova decreto do pregão.

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

Acórdão 2699/2018-Plenário1

1 https://meapffc.apps.tcu.gov.br/

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

ATOS LESIVOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


I - prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a agente público, ou a terceira pessoa
a ele relacionada;
II - comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo subvencionar a prática dos atos
ilícitos previstos nesta Lei;
III - comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais
interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados;
IV - no tocante a licitações e contratos:
a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo de
procedimento licitatório público;
b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de procedimento licitatório público;
c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo;
d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente;
e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação pública ou celebrar
contrato administrativo;
f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de modificações ou prorrogações de contratos
celebrados com a administração pública, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação pública
ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou
g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos celebrados com a administração
pública;
V - dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em
sua atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos órgãos de fiscalização do sistema financeiro
nacional.

RESPONSABILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA (art. 6º)


I - multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento) a 20% (vinte por cento) do faturamento bruto do último
exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca será
inferior à vantagem auferida, quando for possível sua estimação; e
II - publicação extraordinária da decisão condenatória.

(...)
§ 3o  A aplicação das sanções previstas neste artigo não exclui, em qualquer hipótese, a obrigação
da reparação integral do dano causado.

RESPONSABILIZAÇÃO JUDICIAL (Art. 19)


I - perdimento dos bens, direitos ou valores que representem vantagem ou proveito direta ou indiretamente
obtidos da infração, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;
II - suspensão ou interdição parcial de suas atividades;
III - dissolução compulsória da pessoa jurídica;
IV - proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou entidades
públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo mínimo de 1 (um)
e máximo de 5 (cinco) anos.

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

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Lei anticorrupção e a contratação de obras públicas Rafael Jardim |

JAMES MADISON
4º Presidente americano (1751 – 1836)
“Mas o que é o próprio governo, senão a maior das críticas à natureza humana? Se os homens fossem anjos,
não seria necessário governo algum. Se os homens fossem governados por anjos, o governo não precisaria de
controles externos nem internos”. (MADISON, art. 51, p. 350)

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PALESTRA

II
HAMILTON BONATTO

CAUTELAS A SEREM OBSERVADAS


PARA A GARANTIA QUINQUENAL
EM OBRAS DE ENGENHARIA
Cautelas a serem observadas para a garantia quinquenal em obras de engenharia Hamilton Bonatto |

CAUTELAS A SEREM OBSERVADAS PARA A GARANTIA


QUINQUENAL EM OBRAS DE ENGENHARIA

Cautelas a serem observadas para a Garantia Quinquenal em Obras Públicas

Fases Empreendimento

• Fase Posterior à Conclusão da Obra


• Operação
• Manutenção
• Garantia Quinquenal

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Cautelas a serem observadas para a garantia quinquenal em obras de engenharia Hamilton Bonatto |

Responsabilidades da Administração quanto à qualidade das Obras

Antes Durante Final Depois

Projeto
Básico e Fiscalização Recebimento Pós-Ocupação
Executivo

Erros nos projetos Materiais de má qualidade Recebimento de obra Fase de utilização:


Projetos incompletos Métodos construtivos inacabada, com vícios onde os erros
Planilha de serviços inadequados aparentes se manifestam
com erros substanciais inexecução parcial As built não representativo

UM POUCO DE HISTÓRIA
• Código de Hamurabi
• Danos pessoais
• Danos Materiais;
• Defeito da obra;
• Ameaça de ruir.
• Império Romano
• Stipulatio;
• Plano de construção e local;
• Responsabilidade pelos defeitos

VÍCIOS
Vícios aparentes;
Vícios ocultos.

FUNDAMENTOS JURÍDICOS
CÓDIGO CIVIL

Após entregar a obra, fica presumida a responsabilidade pela solidez e segurança da obra, durante o período
de cinco anos, esse prazo é definido por lei, como garantia

Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de materiais
e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em
razão dos materiais, como do solo.

LEI 8.666, DE 1993


Art. 54. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito
público, aplicando-se-lhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito
privado.

O Código Civil estabeleceu também que a ação deveria ser ajuizada em até 180 (cento e oitenta) dias (prazo
decadencial) após o aparecimento do defeito ou do vício.

Art. 618 - Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação
contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.

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Cautelas a serem observadas para a garantia quinquenal em obras de engenharia Hamilton Bonatto |

Prazo decadencial - aplicado a uma ação desconstitutiva.

CÓDIGO CIVIL
O prazo de cinco anos refere-se ao prazo de garantia da construção e não a prazo de decadência ou de
prescrição.

A responsabilidade do construtor não se limita ao prazo previsto no art. 618. Sua responsabilidade se estende
por toda a vida útil da obra. A responsabilidade passa a ser subjetiva.
• legislação que regula as profissões da engenharia e arquitetura
• Código de Defesa do Consumidor, em seus arts. 12, 20, 26 e 27.

Art. 73. Executado o contrato, o seu objeto será recebido:


(...)
§ 2º O recebimento provisório ou definitivo não exclui a responsabilidade civil pela solidez e segurança da obra ou do
serviço, nem ético-profissional pela perfeita execução do contrato, dentro dos limites estabelecidos pela lei ou pelo
contrato.

O órgão ou entidade responsável pela administração do empreendimento, quando a natureza ou prazo de


validade dos materiais empregados permitirem, deve implementar controle sobre o desempenho das obras
contratadas e recebidas, do recebimento da obra ou serviço de engenharia até o término da garantia quinquenal
estabelecida pelo art. 618 da Lei Federal nº 10.406, de 2002.

LEI 8.429, DE 1992.


Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres
das entidades referidas no art. 1º desta lei.

JURISPRUDÊNCIA
RESPONSABILIDADES
• Refazimento de serviços ou reparação de dano;
• Responsabilidade da empreiteira;
• Responsabilidade das empresas de consultoria;
• Responsabilidade dos gestores públicos;
• Vistorias periódicas;

CONTROLE DA EXECUÇÃO DOS CONTRATOS DE OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA


• Para isso, devem ser implementadas periodicamente inspeções nos empreendimentos públicos, a ser-
em realizadas por profissionais habilitados, com experiência suficiente para reconhecer os diversos
tipos de defeitos e avaliar se são de fato precoces, com o seguinte procedimento.
• O controle sobre o desempenho deve permanecer, em regra, até o término da garantia quinquenal
estabelecida pelo art. 618 do Código Civil.
• Ultrapassado o período de garantia quinquenal;
• Início da garantia quinquenal;
• Serviços que devem ser monitorados durante suas vidas úteis;

PROCEDIMENTO PRÁTICO
Fonte: ORIENTAÇÃO TÉCNICA IBRAOP OT–IBR 003/2011)
• Notificação dos responsáveis.
• Controle sobre o desempenho das obras contratadas e recebidas até o término da garantia quinquenal.
• Avaliações periódicas da qualidade das obras.
• Instauração de Processo Administrativo.

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Cautelas a serem observadas para a garantia quinquenal em obras de engenharia Hamilton Bonatto |

PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
A instauração ou instrução do Processo Administrativo não impede que, em casos urgentes, a Administração
Pública execute os serviços de reparação.

Nesse caso, deve comunicar previamente o fato, informando do respectivo orçamento, à empreiteira
responsável para posterior ressarcimento.

A Administração Pública deve manter arquivados, referentes a cada obra contratada, os correspondentes
elementos documentais.

PROCEDIMENTO JUDICIAL
• Encerrado o Processo Administrativo, uma vez concluído pela responsabilização do executor, deve ser
remetido à Procuradoria-Geral da unidade federativa;
• Pleitear em juízo a obrigação de fazer com pedido de antecipação de tutela e a arbitragem de uma mul-
ta diária pelo não cumprimento.

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OFICINA

I
RAFAEL JARDIM

GOVERNANÇA, COMPLIANCE
E INTEGRIDADE NAS
CONTRATAÇÕES DA
ADMINISTRAÇÃO PUBLICA E DAS
ESTATAIS, ESPECIALMENTE NAS
CONTRATAÇÕES PARA ATENDER
A NCECESSIDADE DE COMBATE A
PANDEMIA DO COVID – 19
Governança, Compliance e integridade nas contratações da Administração publica e das estatais, especialmente nas contratações Rafael Jardim |
para atender a ncecessidade de combate a pandemia do Covid – 19

GOVERNANÇA, COMPLIANCE E INTEGRIDADE NAS


CONTRATAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA E DAS ESTATAIS,
ESPECIALMENTE NAS CONTRATAÇÕES PARA ATENDER A
NCECESSIDADE DE COMBATE A PANDEMIA DO COVID – 19

QUAL O PAPEL DA LEI ANTICORRUPÇÃO NA GOVERNANÇA E NO COMPLIANCE DAS OBRAS PÚBLICAS?

Obras em andamento - Aditivos


Teletrabalho
Fiscalização remota?
Flutuação do preço dos materiais
Alterações nos custos de mão de obra
Faltas de funcionários
Oscilações cambiais
Atrasos na obra
Quebras de empresas e fornecedores
Materiais entregues fora do prazo
Modificações tributárias
Achatamento do orçamento
Mudança de prioridades de gestão
Variações no custo de combustíveis
...
Obras Novas - “Replanejamento”

A UN-INTOSAI Joint Project: Figure 1. The effect of accountability, discretion in decision-making, and
business freedom on the level of corruption in social life.
Collection of Important Literature on
Strengthening Capacities of Little Accountability
Supreme Audist Institutions
On the Fight against Corruption Much
Medium Small
Likehood of corruption

Business
Freedom High Medium

Much Discretion

Source: Developed by Z. Dobrowolski [in:] Z. Dobrowolski, J. Kocielniak,


The Role of SAI in Detection Corruption, Fraud and Money Laundering 2012
October 2013 (prepared for printing)

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Teoria de Cressey

Prevenção

Punição Detecção

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PLANEJAMENTO X GESTÃO DE CRISES

IMPORTÂNCIA DO CONTROLE
O que você faria com esse envelope cheio de dinheiro?

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Se não houver qualquer possibilidade de descoberta do fato

17% ficam com


o dinheiro

33% notificam o achado 50% indecisos/refletem sobre


e devolvem o dinheiro o assunto durante e noite

A necessidade de controle
Se houver 30% de probabilidade de descoberta do fato por terceiros

Ficam com o dinheiro 4% Redução de 325%

74% notificam o achado e devolvel o dinheiro

Aumento de 124%
Fonte repassada pelo Prof. Licurgo Mourão:http://www.worldbank.org/wbi/governance

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O QUE GARANTE QUE ATINGIREMOS OS OBJETIVOS DO CONTRATO?

COMO “ADMINISTRAMOS” TAL ALCANCE DE RESULTADOS?

COMO GOVERNAMOS OS RESULTADOS?

A GOVERNANÇA é o conjunto de macroprocessos relacionados à tomada de decisão, definição de


estratégias e controle tendentes a maximizar a chance do alcance eficiente de objetivos
organizacionais, alinhados com determinada missão e estratégia organizacionais.

Objetivos Metas Prestação de contas Avaliação de riscos Fluxo de informações Monitoramento Alçadas decisórias

Comportamentos Expectativa de controle Conformidade normativa Integridade Politica de contratação (...)

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PLANEJAMENTO x GESTÃO DE CRISES


Planejamento – Construção de um plano a otimização do alcance de determinado resultado ou objetivo, bem
como da respectiva alocação de serviços para tal.
Crise – Concretização de determinado evento de risco de alto impacto na entrega dos resultados (ameaça).
Gestão de crises – Conjunto de processos tendentes à redução dos prejuízos e minimização das
consequências quando concretizado determinado evento de risco.

AS AÇÕES DE ENFRENTAMENTO À CRISE DEVEM SER PLANEJADAS!


QUANTO MAIS IMINENTE FOR A CONSEQUÊNCIA, MENOR O TEMPO DESSE PLANEJAMENTO.

16

MULTIDISCIPLINARES
MULTICONTRATUAIS
CONFLITANTES
COMPLEXAS

Técnicas (de engenharia)


Jurídicas
Trabalhistas

Medidas provisórias Financeiras

Aumento de custos Sociais

Atrasos Estratégicas

Sem dinheiro Operacionais

.. De imagem... 17

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COMITÊ DE CRISES
1. Agilização da chegada e transmissão de FATOS E INFORMAÇÕES
2. Previsão rápida das consequências multidisciplinares frente aos novos fatos
3. Listagem e priorização das medidas de contingência
4. Alocação de recursos necessários para as medidas
5. Cobrança de resultados em curto intervalo de tempo (controles internos)
6. Governança decisória ágil e bem delimitada.

PROVIDÊNCIAS PROVIDÊNCIAS
RÁPIDAS! IMEDIATAS!

(comitê de crise (comitê de crise)


ou gestão)

PROVIDÊNCIAS
PROVIDÊNCIAS
RÁPIDAS!
DE MÉDIO E
LONGO PRAZO!
(comitê de crise
ou gestão)
(gestão)

PROVIDÊNCIA IMEDIATA!
ENCAMINHE OFÍCIO ÀS CONTRATADAS PERGUNTANDO, FORMALMENTE, OS IMPACTOS ESPERADOS E JÁ
SENTIDOS PELA CONSTRUTORA EM FACE DA CRISE SANITÁRIA. ISSO DEVE ENVOLVER:
• Impactos de prazo
• Impactos nos custos dos materiais
• Impactos nos custos de mão de obra
• Impactos nos custos dos equipamentos
• Outros entendidos como relevantes pela construtora.

ISSO DIMINUI A CHANCE DE SURPRESAS, COM CUSTOS EXTRAS, QUANDO A OBRA ESTIVER MAIS AVAN-
ÇADA! (A ENSEJAR A SUA PARALIZAÇÃO, EXTRAPOLAÇÕES LEGAIS, INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS PARA
TOCAR OUTRAS OBRAS, ETC…)
DETERMINE A INCLUSÃO, NO DIÁRIO DE OBRAS, DE QUALQUER ALTERAÇÃO NO DIA A DIA DA EMPREITADA
SENTIDO EM RAZÃO DA CRISE DO COVID-10. DETERMINE QUE DIARIAMENTE ESSA CÓPIA SEJA ENCAMINHADA
AO COMITÊ DE CRISES. SE NÃO HOUVER, COLECIONE OS FATOS E LEVE RELATÓRIO AO ORDENADOR DE
DESPESAS.
• Atrasos de cronograma
• Faltas de trabalhadores
• Atrasos de materiais
• Trabalhadores cujo exame tenha dado positivo
• Falta de fiscais, em razão de quarentena
• Dentre outros

QUANTO MAIS FATOS E INFORMAÇÕES, MAIORES TENDEM A SER OS CONTROLES E A DIMENSÃO DE CON-

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SEQUÊNCIAS
NOVOS FATOS COVID-19
(o que sabemos?)
• NOVAS LEIS
• QUARENTENA, AFASTAMENTO SOCIAL, LOCK DOWN
• IMPACTO NOS RECURSOS (materiais, mão de obra e equipamentos)
• CONTINGÊNCIA ORÇAMENTÁRIA

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS?
O QUE FAZER PARA MINIMIZÁ-LAS
COMO PRIORIZAR?
IMPACTOS MAIS PROVÁVEIS
• Insuficiência de recursos
• Atrasos na obra em razão de quarentenas, lock downs e medidas de distanciamento.
• Atrasos no fornecimento de materiais

Paralisações Totais/Parciais de Contrato


Rescisões

Lei 8666/93
Art. 78.  Constituem motivo para rescisão do contrato:
(...)
XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 (cento e
vinte)  dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda
por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento obrigatório
de indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras
previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela suspensão do cumprimento das
obrigações assumidas até que seja normalizada a situação;
(...)
XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada, impeditiva da execução do
contrato.

Indenização financeira pela:


• Administração local;
• Manutenção do canteiro;
• Mobilização / Desmobilização

Quanto maior o tempo e o volume de serviços suspensos, maior deve ser o valor da indenização.

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AVALIAR

CALCULAR NOVO PRAZO E CUSTOS A SEREM


SUFICIÊNCIA
ORÇAMENTÁRIA OBRA CONTINUA

REDUZIR O RITMO

INDENIZADOS
AVALIAR
SUSPENDE-SE O SUFICIÊNCIA
CONTRATO ORÇAMENTÁRIA

REDUZIR O RITMO REDUZIR O RITMO

26

Consequência Potencial

Termo aditivo

Vamos fortalecer a nossa base teórica para saber


“se” de fato haverá aditivo

Teoria das Áleas


Possibilidade de lucro simultânea à possibilidade o prejuízo (ou seja, risco).
Pode ser ordinária ou extraordinária (esta última, motiva alteração de contrato)

Álea Administrativa Álea Economica

Álea de risco que se corre em contratar com a Impacta o contrato de forma externa, sem decorrência
Administração Pública e estabelecer a responsabilidade de vontade de qualquer das partes.
de quem descumprir com o contrato.
•Aplicação da Teoria da Imprevisão
• Alteração unilateral do contrato;
• Fato do príncipe;
• Fato da administração.

Teoria da imprevisão
Aplicação aos contratos públicos por força do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal.
Alterações econômicas imprevisíveis, tornando inviável ao particular executar o contrato nas condições
originalmente previstas. Executar a prestação nos exatos termos pactuados acarretaria ruína, com

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enriquecimento correspondente da outra parte (Marçal Justen Filho).


Conjugação dos seguintes requisitos:
• Imprevisibilidade do evento ou incalculabilidade de seus efeitos;
• Inimputabilidade do evento às partes;
• Grave modificação das condições do contrato (impacto real do fato);
• Ausência de impedimento absoluto (nexo causal entre o fato e o adimplemento contratual, impeditivo
ou retardador das obrigações);
• Ausência de previsão contratual
• Se o projeto for ruim e disso decorrer a necessidade alterar as condições inicialmente pactuadas em
contrato, isso é um fato novo capaz de ensejar um aditivo, alinhado com a teoria da imprevisão?
• Se o aço disparar no mercado internacional, isso é um fato novo capaz de ensejar um aditivo, alinhado
com a teoria da imprevisão?
• Se os funcionários entrarem em greve, isso é um fato novo capaz de ensejar um aditivo?
• E se o dólar disparar?

ALGUNS IMPACTOS EM RAZÃO DE NOVAS LEIS


MP 932/2020 (de 31 de março de 2020)
Art. 1º Excepcionalmente, até 30 de junho de 2020, ficam reduzidas as alíquotas das contribuições aos serviços
sociais autônomos para os seguintes percentuais:
(...)
II - Serviço Social da Indústria - Sesi, Serviço Social do Comércio - Sesc e Serviço Social do Transporte - Sest -
setenta e cinco centésimos por cento;
III - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - Senac, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial -
Senai e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte - Senat - cinco décimos por cento;

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IMPORTÂNCIA DOS RISCOS


• O QUE PODE DAR ERRADO?
• COMO IDENTIFICAR O QUE PODE DAR ERRADO?
• COMO ANTECIPAR-SE AOS PROBLEMAS?

COSO
Com base na missão ou visão estabelecida por uma organização, a administração estabelece os planos principais,
seleciona as estratégias e determina o alinhamento dos objetivos nos níveis da organização. Essa estrutura de
gerenciamento de riscos corporativos é orientada a fim de alcançar os objetivos de uma organização e são
classificados em quatro categorias:
• Estratégicos – metas gerais, alinhadas com o que suportem à sua missão.
• Operações – utilização eficaz e eficiente dos recursos.
• Comunicação – confiabilidade de relatórios.
• Conformidade – cumprimento de leis e regulamentos aplicáveis.

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QUAIS OS PRINCIPAIS RISCOS PRESENTES NAS OBRAS PÚBLICAS

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E SE HOUVER ATRASO, O QUE FAZER?


Se a culpa for da administração => Aditivo de prazo + Custos adm.
Se força maior ou caso fortuito => Aditivo de prazo + Custos adm.
Sem justificativa (culpa contratada) => Aditivo de prazo + MULTA!

PARÁBOLA DO CONSTRUTOR DA TORRE | Lucas 14:28-30


“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem
dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a
virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’”.

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OFICINA

II
HAMILTON BONATTO

CONTRATAÇÃO DE OBRAS E
SERVIÇOS DE ENGENHARIA SEM
LICITAÇÃO: HIPÓTESES LEGAIS E
REQUISITOS DO PROCESSO
Contratação de obras e serviços de engenharia sem licitação: hipóteses legais e requisitos do processo Hamilton Bonatto |

CONTRATAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE


ENGENHARIA SEM LICITAÇÃO: HIPÓTESES LEGAIS E
REQUISITOS DO PROCESSO

INTRODUÇÃO
DEVER DE LICITAR
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.

A licitação trata de um procedimento que induz à seleção daquele que será contratado pela Administração
Pública. No caso deste estudo, a seleção de quem executará a obra pública ou o serviço de engenharia.

São três os procedimentos possíveis, pela legislação em vigor:


• Licitação; ou
• Contratação Direta
• Dispensa;
• Inexigibilidade.

DISPENSA E INEXIGIBILIDADE

Dispensa e Inexigibilidade

Serviços Serviços

Dispensada (Art. 17) Dispensável (Art. 24) Licitação Inviável (Art. 25)

Não há licitação
para alienação de bens Pode haver licitação caput
móveis (I) e imóveis (II) Rol taxativo Rol exemplificativo
Rol taxativo

Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades

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Contratação de obras e serviços de engenharia sem licitação: hipóteses legais e requisitos do processo Hamilton Bonatto |

pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade:


Pena - detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, tendo comprovadamente concorrido para a consumação da
ilegalidade, beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ilegal, para celebrar contrato com o Poder Público.

DISPENSA DE LICITAÇÃO
Obras e Serviços de Engenharia

Dispensa de Licitação - Obras e serviços de Engenharia


Obras ou Serviços de Engenharia de Pequenos Valores

Objeto Valor Fundamento

Obras e Serviços
≤ 33.000,00 INCISO I, Art. 24
de engenharia

Outros Serviços
≤ 17.600,00 INCISO II, Art. 24
e Compras

FRACIONAMENTO DA DESPESA
A lei veda o fracionamento ou desmembramento de obra, compra ou serviço cujo propósito seja o de enquadrar
o valor dentro dos limites de dispensa.
O art. 23, §5º, da Lei de Licitações trata da questão do fracionamento nos seguintes termos:

Art. 23. [...] §5º. É vedada a utilização da modalidade de convite ou tomada de preços, conforme o caso, para parcelas
de uma mesma obra ou serviço, ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mesmo local que possam
ser realizadas conjunta e concomitantemente, sempre que o somatório de seus valores caracterizar o caso de tomada
de preços ou concorrência, respectivamente, nos termos deste artigo, exceto para as parcelas de natureza específica
que possam ser executadas por pessoas ou empresas de especialidade diversa daquele do executor da obra ou
serviço.

Idêntica regra, que veda o desmembramento, pode ser observada na Lei nº 13.303/2016, art. 29, I e II:
“art. 29.
I - para obras e serviços de engenharia de valor até R$100.000,00 (cem mil reais), desde que não se refiram a parcelas
de uma mesma obra ou serviço ou ainda a obras e serviços de mesma natureza e no mesmo local que possam ser
realizadas conjunta e concomitantemente;
II - para outros serviços e compras de valor até R$50.000,00 (cinquenta mil reais) e para alienações, nos casos
previstos nesta Lei, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço,compra ou alienação de maior
vulto que possa ser realizado de uma só vez”
A realização de vários procedimentos em um exercício não caracteriza por si só, o fracionamento indevido da
despesa, o qual somente ocorre quando não se preserva a modalidade pertinente para o total de aquisições
do exercício (§2º do art. 23 da Lei 8.666/1993) (Acórdão nº 82/2005, Plenário)

PARCELAMENTO DO OBJETO
É certo que, em determinados empreendimentos, é técnica e economicamente inviável fazer o parcelamento do
objeto, casos que devem ser justificados pelo órgão licitante. Em consonância com o disposto nos arts. 3º, §1º, inciso

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I, e 23, §§1º e 2º, da Lei nº 8.666/1993, incumbe ao gestor promover o parcelamento do objeto a ser licitado com
vistas ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e à ampliação da competitividade, ou, na
impossibilidade técnica e econômica de fazê-lo, apresentar justificativas fundamentadas nos autos do procedimento
licitatório. (Acórdão nº 839/2009, Plenário)

OBRAS OU SERVIÇOS DE ENGENHARIA EMERGENCIAIS


IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa
e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias
consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos
respectivos contratos;

FALTA DE PLANEJAMENTO
A falta de planejamento ou o planejamento inadequado das ações a serem executadas não permite que o
administrador, em etapa posterior, invoque a dispensa de licitação sob a alegação de situação de emergência.
(TCU. Decisão nº 374/94. )

PRESUPOSTOS
“... além da adoção das formalidades previstas no art. 26 e seu parágrafo único da Lei nº 8.666/93, são
pressupostos da aplicação do caso de dispensa preconizados no art. 24, inciso IV, da mesma lei:
a1) que a situação adversa, dada como de emergência ou de calamidade pública, não se tenha originado, total ou
parcialmente da falta de planejamento, da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos disponíveis, ou seja,
que ela não possa, em alguma medida, ser atribuída à culpa ou dolo do agente público que tinha o dever de agir para
prevenir a ocorrência de tal situação;
a2) que exista urgência concreta e efetiva do atendimento a situação decorrente do estado emergencial ou calamitoso,
visando afastar risco de danos a bens ou à saúde ou à vida das pessoas;
a3) que o risco, além de concreto e efetivamente provável, se mostre iminente e especialmente gravoso;
a4) que a imediata efetivação, por meio de contratação com terceiro, de determinadas obras, serviços ou compras,
segundo as especificações e quantitativos tecnicamente apurados, seja o meio adequado, efetivo e eficiente de afastar
o risco iminente detectado”. (Decisão nº 347/94 – Plenária)

FALTA DE PLANEJAMENTO, DESÍDIA OU MÁ GESTÃO


O Tribunal de Contas da União também já admitiu a contratação direta com dispensa de licitação quando a
emergência ocorre por falta de planejamento do órgão, porém deve ser apurada a responsabilidade de quem
deu causa:
A dispensa de licitação também se mostra possível quando a situação de emergência decorrer da falta de
planejamento, da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos públicos, pois a inércia do gestor, culposa ou
dolosa, não pode vir em prejuízo de interesse público maior tutelado pela Administração. Nessas situações, contudo,
o reconhecimento da situação de emergência não implica convalidar ou dar respaldo jurídico à conduta omissiva do
administrador, a quem cabe a responsabilidade pela não realização da licitação em momento oportuno. (Acórdão
2240/2015-Primeira Câmara)

INTERDIÇÃO DA EDIFICAÇÃO
É irregular a contratação emergencial por dispensa de licitação (art. 24, inciso IV, da Lei 8.666/93) quando a interdição
do acesso à edificação com problema estrutural for suficiente para a eliminação do risco e, consequentemente, da
situação emergencial (Acórdão 27/2016 Plenário)

ITENS ESTRITAMENTE NECESSÁRIOS AO AFASTAMENTO DE RISCOS IMINENTES


A ausência ou precariedade de equipamentos e serviços públicos, que podem ser entendidas como urgência
controlada, não caracterizam por si só a imprevisibilidade e a excepcionalidade exigidas para a contratação direta

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fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/1993, a qual, ainda, deve se restringir aos itens estritamente
necessários ao afastamento de riscos iminentes à segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares. (Acórdão 513/2013-Plenário)

180 DIAS –POSSIBILIDADE DE DEVOLUÇÃO DO PRAZO


(...) responder ao interessado que é possível, quando da dispensa de licitação nos casos de emergência ou calamidade,
consoante o disposto no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, o retardamento do início e da devolução da contagem do
prazo de 180 (cento e oitenta) dias, desde que as ações tomadas pela Administração tenham sido prejudicadas pela
superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que altere fundamentalmente as
condições de execução do contrato (Decisão n.º 820/1996-Plenário)

PROJETO BÁSICO
... mesmo na hipótese de contratação emergencial, é necessária a elaboração de projeto básico com todos os elementos
indicados no art. 6º, inciso IX, da Lei nº 8.666/93, em face do disposto no art. 7º, §2º, inciso II e §9º da mesma Lei. É
possível admitir a celebração de contratos firmados com suporte em projeto básico que não apresentem todos esses
elementos, em casos excepcionais, com o intuito de afastar risco iminente de dano a pessoas ou a patrimônio público
ou particular. (Acórdão nº 3065/2012-Plenário)

ASSINATURA DO CONTRATO
No caso concreto, embora os trâmites burocráticos para a assinatura do contrato tenham sido particularmente
longos – quase cinco meses depois de iniciados os serviços –, o relator entendeu ser aplicável o posicionamento
uniformemente adotado pelo Tribunal diante dessa irregularidade. Com efeito, “nada de mais grave resultou
da inexistência do contrato durante os serviços iniciais, tendo ambas as partes contratantes se exposto a
riscos comparáveis pela falta do instrumento”, em prol da celeridade na execução dos serviços. O Plenário
acolheu o voto do relator. (Acórdão nº 2049/2010-Plenário)

CONTRATAÇÃO DE REMANESCENTE DE OBRAS OU SERVIÇOS


XI - na contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em consequência de rescisão contratual,
desde que atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo
licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido;

CONTRATO RESCINDIDO – OBRA NÃO INICIADA


• Possibilidade de convocação da segunda colocada
• Quanto ao prazo de execução a ser estabelecido no novo contrato.
• No caso de remanescente de obra, não havendo classificados na licitação anterior que aceitem as mesmas
condições oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, o administrador não pode optar
pela contratação direta, com fundamento no art. 24, inc. XI, da Lei 8.666/1993, de empresa que não
participou da licitação, devendo promover novo certame

LICITAÇÃO DESERTA E LICITAÇÃO FRACASSADA


V - quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem
prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas;
VII - quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente superiores aos praticados no mercado
nacional, ou forem incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o
parágrafo único do art. 48 desta Lei e, persistindo a situação, será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços,
por valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos serviços; (...).

Art. 48 da Lei nº 8.666/93, in verbis:


§3º Quando todos os licitantes forem inabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas, a administração
poderá fixar aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a apresentação de nova documentação ou de outras
propostas escoimadas das causas referidas neste artigo, facultada, no caso de convite, a redução deste prazo para

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três dias úteis.

OPORTUNIDADE PARA TODOS OS LICITANTES


Quando for reaberta a oportunidade a que se refere a Lei, esta deverá ser para todos os concorrentes, não
devendo a oportunidade ser dada apenas à licitante vencedora da licitação, quando todas as propostas estiverem
acima dos valores estimados pela instituição contratante. (Acórdão nº 2528/2011-Plenário)

APENAS UM COMPETIDOR
Mesmo se houver apenas um competidor em determinada fase do certame, não se impede a aplicação do art. 48, §3º,
da Lei 8.666/93, ressalvados os casos de licitação na modalidade convite, onde se exige o mínimo de três propostas
aptas à seleção. (Acórdão nº 3520/2013-Segunda Câmara)

MARCO LEGAL DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO


Lei 8.666/83. Art. 6º. XX – produtos para pesquisa e desenvolvimento – bens, insumos, serviços e obras necessários
para atividade de pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia ou inovação tecnológica,
discriminados em projeto de pesquisa aprovado pela instituição contratante.

Lei 8.666/93. Art. 24. É dispensável a licitação: XXI – para a aquisição ou contratação de produto para pesquisa e
desenvolvimento, limitada, no caso de obras e serviços de engenharia, a 20% (vinte por cento) do valor de que trata
a alínea “b” do inciso I do caput do art. 23; (…)
3º A hipótese de dispensa prevista no inciso XXI do caput, quando aplicada a obras e serviços de engenharia, seguirá
procedimentos especiais instituídos em regulamentação específica.

O Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação dispõe que na contratação direta para aquisição ou contratação
de PPD “não se aplica a vedação prevista no inciso I do caput do art. 9º à hipótese prevista no inciso XXI do caput.”

Art. 9o Não poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obra ou serviço e do
fornecimento de bens a eles necessários:
I - o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física ou jurídica
Art. 20. Os órgãos e entidades da administração pública , em matéria de interesse público, poderão contratar
diretamente ICT, entidades de direito privado sem fins lucrativos ou empresas, isoladamente ou em consórcios,
voltadas para atividades de pesquisa e de reconhecida capacitação tecnológica no setor, visando à realização de
atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação que envolvam risco tecnológico, para solução de problema
técnico específico ou obtenção de produto, serviço ou processo inovador.

INEXIGIBILIDADE
Obras e Serviços de Engenharia

INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO
Dever de Licitar

Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:


(...)
II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais
ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;

SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS


Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos profissionais especializados os trabalhos relativos a:
I - estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
II - pareceres, perícias e avaliações em geral;
(...)

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IV - fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;

NOTÓRIA ESPECIALIZAÇÃO
§1º Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade,
decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe
técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e
indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.

DIREITOS AUTORAIS
Diante da necessidade da realização de modificações nos projetos arquitetônicos e de engenharia durante a
execução da obra ou após a sua conclusão:
• É obrigatória a contratação do autor do projeto em função de seus direitos autorais?
• Seria o autor do projeto a única pessoa habilitada para realizar tais modificações?
• Em caso positivo, deve a administração necessariamente contratar o autor do projeto, por inexigibili-
dade de licitação, para realizar as adequações necessárias para atender aos interesses públicos?
• Quais elementos merecem a guarida do direito autoral? Seria necessário o consentimento do autor
para alteração de meros projetos complementares, tais como o de instalação elétrica, mesmo quando
não importa em modificação do projeto arquitetônico?

O direito autoral não protege o conteúdo da ideia, mas sim a sua forma exteriorizada, conforme se depreende
da leitura do art. 7º da Lei nº 9.610, de 1998 (“são obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas
por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”).

PROTEÇÃO DOS PROJETOS


O art. 7º, inciso X, da Lei nº 9.610/1998, garante a proteção dos “projetos, esboços e obras plásticas concernentes
à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência”.

PROTEÇÃO DAS OBRAS


Lei nº 12.378, de 2010, que regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo, em seu art. 16: “Alterações em
trabalho de autoria de arquiteto e urbanista, tanto em projeto como em obra dele resultante, somente poderão
ser feitas mediante consentimento por escrito da pessoa natural titular dos direitos autorais”.

1ª CORRENTE: os defensores desta corrente sustentam a impossibilidade de alteração do projeto inicial sem o
consentimento do autor.

2ª CORRENTE: defensores desta corrente partem de um pressuposto distinto: o direito do autor ao repúdio da
obra, conforme previsto pelo art. 26, da Lei nº 9.610/1998

1ª CORRENTE: PREVALÊNCIA DO DIREITO DO AUTOR


CC/2002, Art. 621. Sem anuência de seu autor, não pode o proprietário da obra introduzir modificações no projeto
por ele aprovado, ainda que a execução seja confiada a terceiros, a não ser que, por motivos supervenientes ou
razões de ordem técnica, fique comprovada a inconveniência ou a excessiva onerosidade de execução do projeto em
sua forma originária.
Tal conclusão encontra perfeita harmonia com a Lei nº 9.610/1998, que elenca, em seu art. 24, os direitos
morais do autor. Dentre eles, destacam-se os incisos IV e V:
Art. 24. São direitos morais do autor: […]
IV – o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer
forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;
V – o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;

Resolução nº 67 do Conselho de Arquitetura e Urbanismo:

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Art. 16. Alterações em trabalho de autoria de arquiteto e urbanista, tanto em projeto como em obra dele
resultante, somente poderão ser feitas mediante comprovação do consentimento por escrito do autor original
ou, se existirem, de todos os coautores originais.
§1ºÉ do autor da alteração a obrigação de obter o consentimento do autor original.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (Processo nº 25.360/2007), tratou como lícita a contratação por inexigibilidade
do autor do projeto do Estádio Mané Garrincha, para reforma, ampliação, atualização e adaptação do estádio para
Copa do Mundo de 2014

2ª CORRENTE: PREVALÊNCIA DO DIREITO DO PROPRIETÁRIO DA OBRA


Os defensores desta corrente partem de um pressuposto distinto: o direito do autor ao repúdio da obra,
conforme previsto pelo art. 26, da Lei nº 9.610/1998:
Art. 26. O autor poderá repudiar a autoria de projeto arquitetônico alterado sem o seu consentimento durante a
execução ou após a conclusão da construção.
Parágrafo único. O proprietário da construção responde pelos danos que causar ao autor sempre que, após o
repúdio, der como sendo daquele a autoria do projeto repudiado.

Essa corrente não se nega ao autor os direitos morais da integridade e da autoria.


A divergência no entendimento é a consequência da alteração do projeto sem o consentimento do autor.

A proteção aos direitos morais do autor lhe confere a possibilidade de, em havendo alteração no projeto,
durante sua execução ou após a conclusão, sem o seu consentimento, repudiar a paternidade da concepção
da obra modificada (TCU, primeira turma. Acórdão 1.980/2004)

QUAL CORRENTE DEVE PREVALECER?


Como fazer?

• Possibilidade de se exigir a outorga do consentimento prévio para futuras modificações do projeto por
terceiros

A Lei nº 9.610/1998, ao abordar a proteção acerca das obras intelectuais, adotou a teoria a dualista, estabelecendo
dois direitos, cujas naturezas são distintas: o direito moral e o direito patrimonial.

• Alterações de pouca monta


• Alterações em construções com alto valor artístico ou histórico

ESPECIFICIDADES DOS PROJETOS COMPLEMENTARES


Nas contratações de projetos de arquitetura e urbanismo com inexigibilidade de licitação, os projetos de instalações
e serviços complementares devem ser licitados, salvo se demonstrada a inviabilidade técnica e econômica de tal
procedimento ante a complexidade do empreendimento (TCU, Plenário. Acórdão 1183/2010/2015).

HIPÓTESE DE IMPOSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DO AUTOR DO PROJETO ORIGINAL


Em caso de recusa, impedimento ou morte do autor originário:
O que o gestor público deve verificar;
Como realizar o projeto.

DISPENSA DE LICITAÇÕES - CONTRATAÇÃO EMERGENCIAS – LEI Nº 13.979/2020


Obras e Serviços de Engenharia

CONTRATAÇÕES EMERGENCIAIS DA LEI Nº 13.979/2020 - Obras E Serviços de Engenharia -


Lei nº 13.979/2020 - alterada pelas Medidas Provisórias nºs 926/2020, 927/2020, 928/2020 e 951/2020: Dispõe

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sobre as providências para o enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional


decorrente do Novo Coronavírus.

OBJETO
Art. 4º É dispensável a licitação para aquisição de bens, serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao
enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus de que trata
esta Lei.

Lei 8.666, de 1993:


Art. 6o Para os fins desta Lei, considera-se:
I - Obra - toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou indireta;
II - Serviço - toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como:
demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção,
transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais;

PERÍODO
§ 1º A dispensa de licitação a que se refere o caput deste artigo é temporária e aplica-se apenas enquanto perdurar
a emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus.
• SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS
• TERMO DE REFERÊNCIA E PROJETO BÁSICO SIMPLIFICADOS

Art. 4º-E. Nas contratações para aquisição de bens, serviços e insumos necessários ao enfrentamento da emergência
que trata esta Lei, será admitida a apresentação de termo de referência simplificado ou de projeto básico simplificado.

TERMO DE REFERÊNCIA E PROJETO BÁSICO SIMPLIFICADOS


O termo de referência simplificado ou o projeto básico simplificado a que se refere o caput conterá:
I - declaração do objeto;
II - fundamentação simplificada da contratação;
III - descrição resumida da solução apresentada;
IV - requisitos da contratação;
V - critérios de medição e pagamento;
VI - estimativas dos preços obtidos por meio de, no mínimo, um dos seguintes parâmetros:
a) Portal de Compras do Governo Federal;
b) pesquisa publicada em mídia especializada;
c) sítios eletrônicos especializados ou de domínio amplo;
d) contratações similares de outros entes públicos; ou
e) pesquisa realizada com os potenciais fornecedores; e
VII - adequação orçamentária.

Excepcionalmente, mediante justificativa da autoridade competente, será dispensada a estimativa de preços.


Os preços obtidos a partir da estimativa de que trata o inciso VI do caput não impedem a contratação pelo
Poder Público por valores superiores decorrentes de oscilações ocasionadas pela variação de preços, hipótese
em que deverá haver justificativa nos autos.

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PALESTRA

I
HAMILTON BONATTO

PENALIDADES QUE PODEM SER


APLICADAS PELA INEXECUÇÃO
CONTRATUAL
Penalidades que podem ser aplicadas pela inexecução contratual Hamilton Bonatto |

PENALIDADES QUE PODEM SER APLICADAS PELA


INEXECUÇÃO CONTRATUAL

PENALIDADES QUE PODEM SER APLICADAS PELA INEXECUÇÃO CONTRATUAL


Função precípua da sanção

Âmbito de Aplicação: Lei nº8666/93 (art. 81 a 108); Lei 10.520/2002 (art. 7º - Lei do Pregão); Lei nº 12.846/2013
(art. 6º - Lei Anticorrupção Empresarial)

PRINCÍPIOS APLICÁVEIS
• Devido Processo Legal;
• Legalidade Estrita e Vinculação ao Contrato;
• Tipicidade;
• Motivação;
• Verdade Real;
• Contraditório e Ampla Defesa;
• Indisponibilidade do Interesse Público;
• Proporcionalidade.

PROCEDIMENTO
• Autorização para a instauração do procedimento;
• O ato de instauração deve indicar os fatos e as normas pertinentes á infração e à sanção aplicável;
• Deve ser oferecido um prazo de defesa (depende da lei de processo regente) para que a empresa pos-
sa, se assim desejar, apresentar provas;
• caso haja requerimento para produção de provas, deve ser apreciada sua pertinência em despacho mo-
tivado (quando se fizer necessário, as provas serão produzidas em audiência, previamente designada
para este fim);
• concluída a instrução processual, a parte será intimada para apresentar razões finais, no prazo estabe-
lecido na legislação regente;
• transcorrido o prazo previsto no inciso anterior, a comissão, dentro de 15 (quinze) dias, elaborará o
relatório final e remeterá os autos para deliberação da autoridade competente, que pode solicitar man-
ifestação jurídica da assessoria jurídica do órgão ou entidade perante o qual se praticou o ilícito;
• todas as decisões do procedimento devem ser motivadas;
• da decisão cabe recurso à autoridade superior, no prazo estabelecido na lei processual regente.

PENALIDADES APLICÁVEIS – LEI Nº 8.666, DE 1993


• Advertência;
• Multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
• Suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar com a Administração,
por prazo não superior a 2 (dois) anos;
• Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração.

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Penalidades que podem ser aplicadas pela inexecução contratual Hamilton Bonatto |

ADVERTÊNCIA
• Punição mais leve;
• Necessita de contraditório e ampla defesa;
• Não é um precedente necessário à aplicação das demais sanções

MULTA
• Multa Moratória;
• Multa Punitiva;
• Multa Ressarcitória (ou compensatória)

MULTA
A Lei 8666 não prescreveu qualquer PARÂMETROS ou LIMITE PARA FIXAÇÃO DE MULTA – devem ser fixados no
edital e contrato.

EXECUÇÃO DAS MULTAS (ART. 86, § 3º E 87, § 1º, DA LEI 8.666/93):


7. Descontar da garantia;
8. Pagamentos pendentes;
9. Cobrança judicial

SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DE PARTICIPAÇÃO EM LICITAÇÃO E IMPEDIMENTO DE CONTRATAR COM A


ADMINISTRAÇÃO, POR PRAZO NÃO SUPERIOR A 2 (DOIS) ANOS (Art. 87, III, da Lei 8.666/93)

Quando a base legal for exclusivamente a Lei nº 8.666, de 1993, deve ser observada a gradação que traz aquele
Diploma legal, cabendo à autoridade competente estabelecer a dosimetria da pena.

DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem
os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade
que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos
prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso anterior.
A ocorrência de fraude comprovada à licitação sujeita as licitantes que a perpetraram efetivamente à declaração
de inidoneidade para participar de licitação na Administração Pública (Acórdão nº1340/2011-Plenário - rel. Min.
Raimundo Carreiro, revisor Min.-Subst. Weder de Oliveira)

AMPLITUDE DAS SANÇÕES


SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DE PARTICIPAÇÃO EM LICITAÇÃO E IMPEDIMENTO DE CONTRATAR COM A
ADMINISTRAÇÃO
DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para licitar ou contratar com a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

Art. 6º (Lei nº 8.666/93) Para os fins desta Lei, considera-se:


XI - Administração Pública - a administração direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, abrangendo inclusive as entidades com personalidade jurídica de direito privado sob controle do poder
público e das fundações por ele instituídas ou mantidas;
XII - Administração - órgão, entidade ou unidade administrativa pela qual a Administração Pública opera e atua
concretamente;
É irrelevante a distinção entre os termos Administração Pública e Administração ... - A limitação dos efeitos da
suspensão de participação de licitação não pode ficar restrita a um órgão do poder público, pois os efeitos do
desvio de conduta que inabilita o sujeito para contratar com a Administração se estendem a qualquer órgão da
Administração Pública. - Recurso especial não conhecido. (STJ. RESP nº 151.567/RJ, rel. Ministro Francisco Peçanha
Martins, julgado em 25.02.2003).
Ainda, no mesmo sentido,
Sendo uma a Administração, os feitos da suspensão de participação em licitação não se restringem a um órgão do

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Penalidades que podem ser aplicadas pela inexecução contratual Hamilton Bonatto |

poder público. (MS nº 24.553, 15.05.2020. Rel. Min. Francisco Falcão)

PENALIDADES APLICÁVEIS – LEI Nº 10.520/2002 – LEI DO PREGÃO


Art. 7º Quem ... ficará impedido de licitar e contratar com a União, Estados, Distrito federal OU Municípios ...
A locução alternativa “OU” implica que o impedimento ficará restrito ao âmbito federativo respectivo. (TCU. Acórdão
nº 2.242/2013 – Plenário. Relator Ministro José Múcio Monteiro).

APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DA LEI 8.666/93 NO ÂMBITO DO PREGÃO E CONTRATOS DECORRENTES


Art. 9º (Lei nº 10.520/2002). Aplicam-se subsidiariamente, para a modalidade pregão, as normas da Lei nº
8.666/93.

PENALIDADES APLICÁVEIS – LEI Nº 12.846/2013 – LEI ANTICORRUPÇÃO EMPRESARIAL (LAE)


I. multa; e
II. publicação extraordinária da decisão condenatória.
As sanções administrativas previstas na Lei Anticorrupção poderão ser aplicadas concomitantemente com as
demais sanções da Lei 8666 , da Lei do Pregão e da Lei do RDC (art. 30 da LAE).
A responsabilidade da pessoa jurídica é objetiva no âmbito administrativo pela prática dos atos contra a
Administração Pública.

MULTA
A multa é estabelecida no valor de 0,1% (um décimo por cento) a 20% (vinte por cento) do faturamento bruto
do último exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca
será inferior à vantagem auferida, quando for possível sua estimação.

PUBLICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA
Publicação, na forma de extrato de sentença, a expensas da pessoa jurídica, em meios de comunicação de
grande circulação na área da prática da infração e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, em publicação
de circulação nacional, bem como por meio de afixação de edital, pelo prazo mínimo de 30 (trinta) dias, no
próprio estabelecimento ou no local de exercício da atividade, de modo visível ao público, e no sítio eletrônico
na rede mundial de computadores.

ACORDO DE LENIÊNCIA
Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com as pessoas
jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as investigações e o
processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:
I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e
II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração.

APURAÇÃO E JULGAMENTO CONJUNTOS


Os atos previstos como infrações administrativas à Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 , ou a outras normas de
licitações e contratos da administração pública que também sejam tipificados como atos lesivos na Lei nº 12.846,
de 2013 , serão apurados e julgados conjuntamente, nos mesmos autos, aplicando-se o rito procedimental
previsto neste Capítulo. (art. 12 do Decreto nº 8,420, de 2015).

PRESCRIÇÃO E PRECLUSÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA


Prazo para aplicar a sanção
Deve ser considerada a prescrição quinquenal da Lei nº 9.873/99:

Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do
poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso
de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado.

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 124


Penalidades que podem ser aplicadas pela inexecução contratual Hamilton Bonatto |

PRAZO PARA APLICAR A SANÇÃO


Com o recebimento definitivo do objeto ocorre uma preclusão consumativa para a aplicação de qualquer
sanção, já que o recebimento definitivo ter-se-ia a comprovação da adequação do objeto aos termos contratuais.

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


Trata-se do abuso, da pessoa física dos sócios, consistente em utilizar como proteção a personalidade jurídica
da sociedade, com o fim de livrar-se de responsabilidades. Assim, admite-se que o patrimônio dos sócios
responda pelos encargos descumpridos pela sociedade.

A DISREGARD DOCTRINE NÃO É NOVIDADE:


• Código Tributário – Lei nº 5.172/66
• Código de Defesa ao Consumidor - Lei nº 8.078/90;
• Lei Antitruste - Lei nº 8.884/94 - que trata da prevenção e repressão às infrações contra a ordem
econômica;
• Lei Ambiental sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao
meio ambiente – Lei 9.605/98;
• Código Civil brasileiro - Lei nº 10.406/02;
• PL nº 1.292/95 - Estabelece normas gerais de licitação e contratação para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais.

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PALESTRA

II
ANDRÉ KUHN

COMO CALCULAR A VARIAÇÃO


DO VALOR DA “ADMINISTRAÇÃO
LOCAL” NO CASO DE AUMENTO OU
DIMINUIÇÃO DO PRAZO DE EXECUÇÃO
Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou diminuição do prazo de execução André Kuhn |

COMO CALCULAR A VARIAÇÃO DO VALOR DA


“ADMINISTRAÇÃO LOCAL” NO CASO DE AUMENTO OU
DIMINUIÇÃO DO PRAZO DE EXECUÇÃO

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
10. Definição de administração local;
11. Classificação como custo direto;
12. Forma de precificação;
13. Critérios de medição;
14. Impactos fruto da variação de prazo de execução;
15. Impactos fruto da variação de escopo;
16. Como elaborar e analisar pleito de acréscimo de administração local;
17. Ajustes necessários nas medições futuras.

CUSTOS DA OBRA
Classificação de custos

Para se elaborar um orçamento adequado, seja como de referência do edital ou como proposta de preço dos
licitantes, ter conhecimento da classificação dos custos é fundamental, pois o orçamentista deve saber em qual
“gaveta” do orçamento determinados custos se encaixam. Se o mesmo custo aparece em duas “gavetas”, há
um sobrepreço, e se ele não aparece em nenhuma, o orçamento está com valores abaixo do custo total.

Classificação quanto à identificação com o produto,


Onde os custos podem ser classificados como diretos ou indiretos.

Os custos diretos - são aqueles que estão diretamente incorporados ao produto, como no caso dos tijolos,
areia, cimento e horas trabalhadas de pedreiro e servente necessários para produzir uma parede de alvenaria,
pois são facilmente apropriados durante a execução do serviço, de forma que se pode definir a quantidade de
cada insumo consumido na produção de um metro quadrado de parede. Já no caso do engenheiro responsável
pela obra, é difícil a mensuração do tempo dispensado por ele em cada serviço executado no canteiro, sendo
o seu custo classificado como indireto.

custos indiretos – são aqueles necessários à execução da obra, mas que são de difícil quantificação nos
serviços executados. Na orçamentação, eles fazem parte das bonificações e despesas indiretas (BDI), onde
percentualmente todos esses custos são representados e acrescidos de lucro e, ao serem aplicados aos custos
diretos, definem o preço da obra.

BDI - pode ser dividido nas seguintes parcelas: riscos e eventuais; mobilização e desmobilização, administração
central; administração local; e encargos financeiros. A respeito de cada parcela do BDI, eles devem ser
quantificados, conforme as peculiaridades de cada uma:

Riscos e eventuais – Uma das formas de se tratar os riscos de um empreendimento é quantificá-lo


monetariamente, definindo um contingenciamento de recursos a ser aplicado quando o fator de risco ocorrer

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 127


Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou diminuição do prazo de execução André Kuhn |

Mobilização e desmobilização – São todos os custos relacionados à carga, transporte e descarga de


equipamentos e utensílios necessários à execução da obra, incluídos nesse custo os seguros, o manuseio e
embalagem de utensílios, além também do transporte de pessoal, considerando os custos com alimentação e
hospedagem durante o trajeto, se for o caso. A mobilização e desmobilização considera o trajeto do transporte
da sede-canteiro-sede, ou o de uma obra para outra. , sendo esse o valor a ser adotado na parcela riscos e
eventuais do BDI.

Administração central – São todos os custos da empresa que não estão alocados na execução da obra, tais
como instalações, material, serviços e pessoal da sede e suas filiais. O método mais adotado para o seu cálculo
consiste em um rateio desses custos entre todas as obras contratadas, adotando uma média ponderada em
relação aos valores de cada contrato de obra.

Encargos financeiros – São os custos financeiros oriundos do fluxo de caixa de receitas e despesas. Os encargos
financeiros dependem da forma de pagamento prevista em contrato e do custo de capital, e não considera os
custos oriundos de atraso de pagamento, que devem ser ressarcidos por multas e juros de mora. Caso o custo
de capital da empresa seja demasiadamente alto, e o ressarcimento contratual por atraso de pagamento não
seja suficiente para cobrir tais custos, essa diferença deve ser considerada nos riscos e eventuais do BDI.

Impostos – são os impostos incidentes sobre os faturamentos das medições realizadas. Apesar de serem
considerados custos indiretos, eles incidem sobre o preço final (de venda), tais como imposto sobre serviço
(ISS); COFINS; PIS; imposto de renda sobre pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido
(CSLL). Cabe destacar que, para contratos públicos, o IRPJ e a CSLL não devem constar na planilha do BDI da
proposta, dada a sua natureza direta e personalística. Entretanto, continuam conceitualmente sendo custos do
empreendimento, devendo ser incorporados no percentual de lucro da proposta.

Administração local – São todos os custos da obra que não foram considerados nos custos diretos, mas estão
vinculados diretamente à sua execução, tais como instalação e manutenção do canteiro de obras; pessoal
alocada na obra não apropriado em atividades diretas; e veículos de apoio à administração.

Enfoque contratada x enfoque contratante - na definição dos custos de uma obra é necessário que o
orçamentista observe se o enfoque é de quem contrata ou de quem é contratado. Pro exemplo, o contratante
não sabe, previamente ao processo de seleção ou concorrência, se a construtora irá construir um canteiro em
alvenaria ou madeira, alugar um galpão, ou adquirir contêineres.

Logo, sem essas informações, algumas premissas devem ser adotadas para elaboração do orçamento de
referência, que serve de base para a definição de um preço máximo, justo e aceitável, para a contratação. Mas
sempre deve-se observar o princípio da isonomia.
Se as premissas adotadas forem excessivamente restritivas, ou o processo de contratação será fracassado, ou
a contratada, no ímpeto de assinar o contrato, apresentará preços inexequíveis, com a expectativa de ajustes
futuros no contrato, caso que será abordado posteriormente na parte de gestão de contratos.

Peculiaridades de alguns custos indiretos – alguns custos indiretos podem ser tratados como diretos,
desde que sejam representados como itens do orçamento. É o caso de engenheiro da obra, que apesar da
dificuldade de se alocar seus custos em cada atividade, ele pode ser classificado como direto, desde que se
defina um nome, uma unidade de medida, um valor unitário e uma quantidade. Sendo assim, cria-se um item
de orçamento denominado “engenheiro da obra”, cuja unidade de medida é “mês”, o custo unitário o salário, e
a quantidade a duração da obra:

Serviço Unidade Valor Unitário Quantidade Valor


Engen. de Obras mês 20.000,00 10 200.000,00

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Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou diminuição do prazo de execução André Kuhn |

Peculiaridades de alguns custos indiretos – por orientação do controle, a administração local deve ser
classificada como custo direto, devendo-se então definir uma unidade de medida, um valor unitário e uma
quantidade.
NÃO ADOTE VERBA COMO UNIDADE DE MEDIDA!!!

CUSTOS DA OBRA
Exemplo de BDI com a administração local como custo indireto

Custos dos Serviços 100.000,00

Custos Indiretos (exceto impostos)

Riscos e eventuais 1.000,00

Mobilização/Desmobilização 2.000,00

Administração Central 10.000,00

Administração Local 5.000,00

Encargos Financeiros 2.000,00

Total de Custos Indiretos 20.000,00

Custos Total (exceto impostos) 120.000,00

Impostos Imediatos 10,00%

Lucro 10,00%

Preço da Obra 150.000,00

BDI 50%

CUSTOS DA OBRA
O que muda com a alteração de classificação de custos?
A obra diminui seu valor?

CUSTOS DA OBRA
Exemplo de BDI com administração como custo direto

Custos dos Serviços 107.000,00

Custos Indiretos (exceto impostos)

Riscos e eventuais 1.000,00

Mobilização/Desmobilização 0,00

Administração Central 10.000,00

Administração Local 0,00

Encargos Financeiros 2.000,00

Total de Custos Indiretos 13.000,00

Custos Total (exceto impostos) 120.000,00

Impostos Imediatos 10,00%

Lucro 10,00%

Preço da Obra 150.000,00

BDI 40,19%

PREÇO X FORMA DE PAGAMENTO


Outro aspecto a ser considerado é que os custos de administração local, via de regra, sofrem pouca variação
de valor com o ritmo da obra. Logo, pode-se inferir que seu custo varia pouco de um mês para o outro, sendo
comum no passado se medir e pagar um preço fixo por mês de execução de obra.

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 129


Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou diminuição do prazo de execução André Kuhn |

Contudo, a regra atual, por orientação dos órgãos de controle, é medir e pagar o valor proporcionalmente aos
serviços executados.

Em outras palavras, o critério de precificação difere do critério de medição e pagamento, criando uma
defasagem temporal entre receitas e despesas.

Essa defasagem temporal gera um custo financeiro para a contratada, que é ressarcido pelo campo encargos
financeiros do BDI.

Caso a obra seja executada exatamente como prevista no cronograma e sem mudança de escopo, o que é raro,
não se discute distorções entre o que foi orçado e o que foi medido e pago em relação à administração local.

O problema ocorre quando há alterações contratuais de acréscimos, supressões e mudanças de cronograma,


onde essas alterações geram distorções em relação às medições e ao valor previsto para administração local.

IMPACTOS NA MEDIÇÃO
Situação A - sem alterações de prazo e escopo

Cronograma Físico-Financeiro Inicial

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho

A 10,00% 15,00% 30,00% 25,00% 15,00% 5,00%

Valor da Obra R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 300.000,00 R$ 250.000,00 R$ 150.000,00 R$ 50.000,00

Valor da Administração local R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00

Modelo Extraído da Nota Técnica 09/2015 – SEA/MF

IMPACTOS NA MEDIÇÃO

Cronograma Físico-Financeiro com Dilação de Prazo e sem Impacto Financeiro

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro

10,00% 15,00% 15,00% 20,00% 10,00% 10,00% 9,00% 7,00% 4,00%

B Valor inicial da Obra R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 300.000,00 R$ 250.000,00 R$ 150.000,00 R$ 50.000,00

Valor da Administração local R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00

Valor da Obra - Pós aditivo R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 150.000,00 R$ 200.000,00 R$ 100.000,00 R$ 100.000,00 R$ 90.000,00 R$ 70.000,00 R$ 40.000,00

Val. Adm. Local - Pós aditivo R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 15.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.000,00 R$ 7.000,00 R$ 4.000,00

Modelo Extraído da Nota Técnica 09/2015 – SEA/MF

IMPACTOS NA MEDIÇÃO

Cronograma Físico-Financeiro com Dilação de Prazo e Acréscimo de Valor de Serviços e de Manutenção de Canteiro

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro

8,00% 12,00% 17,00% 20,00% 13,00% 10,00% 9,00% 7,00% 4,00%

C Valor inicial da Obra R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 300.000,00 R$ 250.000,00 R$ 150.000,00 R$ 50.000,00

Valor da Administração local R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00

Valor da Obra - Pós aditivo R$ 1.250.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 212.500,00 R$ 250.000,00 R$ 162.500,00 R$ 125.000,00 R$ 112.500,00 R$ 87.500,00 R$ 50.000,00

Val. Adm. Local - Pós aditivo R$ 125.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 21.250,00 R$ 25.000,00 R$ 16.250,00 R$ 12.500,00 R$ 11.250,00 R$ 8.750,00 R$ 5.000,00

Modelo Extraído da Nota Técnica 09/2015 – SEA/MF

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Como calcular a variação do valor da “administração local” no caso de aumento ou diminuição do prazo de execução André Kuhn |

IMPACTOS NA MEDIÇÃO

Cronograma Físico-Financeiro com Dilação de Prazo e Acréscimo de Valor e sem Acréscimo de Manutenção de Canteiro

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro

8,00% 12,00% 17,00% 20,00% 13,00% 10,00% 9,00% 7,00% 4,00%

D Valor inicial da Obra R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 300.000,00 R$ 250.000,00 R$ 150.000,00 R$ 50.000,00

Valor da Administração local R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00

Valor da Obra - Pós aditivo R$ 1.250.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 212.500,00 R$ 250.000,00 R$ 162.500,00 R$ 125.000,00 R$ 112.500,00 R$ 87.500,00 R$ 50.000,00

Val. Adm. Local - Pós aditivo R$ 125.000,00 R$ 8.000,00 R$ 12.000,00 R$ 17.000,00 R$ 20.000,00 R$ 13.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.000,00 R$ 7.000,00 R$ 4.000,00

Modelo Extraído da Nota Técnica 09/2015 – SEA/MF

IMPACTOS NA MEDIÇÃO

Cronograma Físico-Financeiro sem Dilação de Prazo e com Acréscimo de Valor e sem Acréscimo de Manutenção de Canteiro

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho

8,00% 12,00% 25,00% 30,00% 15,00% 10,00%

E Valor inicial da Obra R$ 1.000.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 300.000,00 R$ 250.000,00 R$ 150.000,00 R$ 50.000,00

Valor da Administração local R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00

Valor da Obra - Pós aditivo R$ 1.250.000,00 R$ 100.000,00 R$ 150.000,00 R$ 312.500,00 R$ 375.000,00 R$ 187.500,00 R$ 125.000,00

Val. Adm. Local - Pós aditivo R$ 125.000,00 R$ 8.000,00 R$ 12.000,00 R$ 25.000,00 R$ 30.000,00 R$ 15.000,00 R$ 10.000,00

Modelo Extraído da Nota Técnica 09/2015 – SEA/MF

IMPACTO NA MEDIÇÃO

Observa-se que nas situações D e F, a medição da administração local do mês de março deve ter uma glosa de
R$ 5.000,00, devido às distorções dos percentuais executados.

Mês Valor Medido Novo Valor Diferença a glosar

Janeiro R$ 10.000,00 R$ 8.000,00 R$ 2.000,00

Fevereiro R$ 15.000,00 R$ 12.000,00 R$ 3.000,00

Totais: R$ 25.000,00 R$ 20.000,00 R$ 5.000,00

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 131


OFICINA

I
ANDRÉ KUHN

CONTRATAÇÃO DE OBRAS
RODOVIÁRIAS UTILIZANDO
O REGIME DIFERENCIADO DE
CONTRATAÇÕES PÚBLICAS – RDC
Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

CONTRATAÇÃO DE OBRAS RODOVIÁRIAS UTILIZANDO


O REGIME DIFERENCIADO DE CONTRATAÇÕES
PÚBLICAS – RDC

Conteúdo Programático
1. O que é Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC;
2. Objetivos do RDC;
3. Inversão de fases, vícios sanáveis e fase recursal única;
4. Formas de execução, modos de disputa e critérios de julgamento;
5. Adequabilidade da disputa aberta para obras;
6. Regimes de execução preferenciais para obras;
7. Diferenciação entre preço global e preço unitário;
8. Diferenciação entre preço global e contratação integrada;
9. Diferenciação entre anteprojeto e projeto básico;
10. O orçamento do anteprojeto;
11. Aditivos contratuais em empreitada por preço global
12. Aditivos contratuais em contratação integrada;
13. Vantagens percebidas na utilização do RDC em obras rodoviárias
14. Cuidados a serem tomados na adoção do RDC.

Aplicável exclusivamente às licitações e contratos:


• dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016;
• da Copa das Confederações e da Copa do Mundo 2014;
• de obras de infraestrutura e aeroportos das capitais dos Estados distantes até 350 km das cidades
sedes;
• das ações integrantes do PAC;
• das obras e serviços de engenharia no âmbito do SUS;
• Das obras e serviços de engenharia para construção, ampliação e reforma de estabelecimentos penais
e unidades de atendimento socioeducativo;
• das ações no âmbito da segurança pública;
• das obras e serviços de engenharia, relacionadas a melhorias na mobilidade urbana ou ampliação de
infraestrutura logística;
• das ações em órgãos e entidades dedicados à ciência, à tecnologia e à inovação;
• contratos de locação de bens móveis e imóveis, nos quais o locador realiza prévia aquisição, construção
ou reforma substancial, com ou sem aparelhamento de bens, por si mesmo ou por terceiros, do bem
especificado pela administração (art. 47-A). – (Built to Suit)

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 133


Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

Considerações Iniciais

Ampliar a eficiência nas contratações

Competitividade entre os licitantes

Troca de experiências e tecnologias


Objetivos
do RDC
(art. 1º, § 1º)
Incentivar a inovação tecnológica

Assegurar o Tratamento Isonômico

Seleção da Proposta mais Vantajosa

Adoção do RDC

Opcional

Deverá constar de forma expressa no edital

Resulta no afastamento das normas contidas na Lei 8.666/1993

Regime de contrato continua reido pela Lei 8.666/93, com excessões pontuais

Diretrizes
I - padronização do objeto da contratação relativamente às especificações técnicas e de desempenho e,
quando for o caso, às condições de manutenção, assistência técnica e de garantia oferecidas;
II - padronização de instrumentos convocatórios e minutas de contratos, previamente aprovados pelo
órgão jurídico competente;
III - busca da maior vantagem para a administração pública, considerando custos e benefícios, diretos e
indiretos, de natureza econômica, social ou ambiental, inclusive os relativos à manutenção, ao desfazimento de
bens e resíduos, ao índice de depreciação econômica e a outros fatores de igual relevância;
IV - condições de aquisição, de seguros, de garantias e de pagamento compatíveis com as condições do
setor privado, inclusive mediante pagamento de remuneração variável conforme desempenho, na forma
do art. 10; 
V - utilização, sempre que possível, nas planilhas de custos constantes das propostas oferecidas pelos licitantes,
de mão de obra, materiais, tecnologias e matérias-primas existentes no local da execução, conservação e
operação do bem, serviço ou obra, desde que não se produzam prejuízos à eficiência na execução do respectivo
objeto e que seja respeitado o limite do orçamento estimado para a contratação;
VI - parcelamento do objeto, visando à ampla participação de licitantes, sem perda de economia de escala.
VII - ampla publicidade, em sítio eletrônico, de todas as fases e procedimentos do processo de licitação, assim
como dos contratos

As contratações realizadas com base no RDC devem respeitar, especialmente, as normas relativas à:

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 134


Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

I - disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos gerados pelas obras contratadas;
II - mitigação por condicionantes e compensação ambiental, que serão definidas no procedimento de
licenciamento ambiental;
III - utilização de produtos, equipamentos e serviços que, comprovadamente, reduzam o consumo de energia
e recursos naturais;
IV - avaliação de impactos de vizinhança, na forma da legislação urbanística;
V - proteção do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e imaterial, inclusive por meio da avaliação do
impacto direto ou indireto causado pelas obras contratadas; e
VI - acessibilidade para o uso por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Pontos Gerais

Lei RD sintetizou outra leis

Inversão de fases

Combinações de possibilidades

Vícios Sanáveis
Menos Recursos
Fase Recursal Única

Orçamento Sigiloso

LEI DECRETO
Orçamento
Tornado público após Tornado público após
Sigiloso
o encerramento a adjucação
da licitação do objeto

Excessão do Sigilo
Maior Desconto Melhor Técnica

Orçamento sigiloso
O custo global de obras e serviços de engenharia deverá ser obtido a partir de custos unitários de insumos ou
serviços menores ou iguais à mediana de seus correspondentes ao Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e
Índices da Construção Civil (Sinapi), no caso de construção civil em geral, ou na tabela do Sistema de Custos de
Obras Rodoviárias (Sicro), no caso de obras e serviços rodoviários.
No caso de inviabilidade da definição dos custos pelo Sicro ou Sinapi, a estimativa de custo global poderá ser
apurada por meio da utilização de dados contidos em tabela de referência formalmente aprovada por órgãos
ou entidades da administração pública federal, em publicações técnicas especializadas, em sistema específico
instituído para o setor ou em pesquisa de mercado.
Contratações realizadas pelos governos municipais, estaduais e do Distrito Federal, desde que não envolvam
recursos da União, o custo global de obras e serviços de engenharia poderá também ser obtido a partir de
outros sistemas de custos já adotados pelos respectivos entes e aceitos pelos respectivos tribunais de
contas.

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Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

Fases do RDC

Preparatória

II

Publicação

III

Apresentação das
propostas ou lances
art. 12 da
IV Lei 12.462

Julgamento

Habilitação

VI

Recursos

Aspectos RDC

Formas de Execução Modos de Disputa Critérios de Julgamento

• Fechado I menor preço ou


• Presencial • Aberto maior desconto
• Eletrônica • Combinação II Técnica e preço
• Fechado e Aberto III melhor técnica ou
ou conteúdo artístico
IV maior oferta de preço
V maior retorno econômico

Prazos para apresentação de propostas


Para aquisição de bens:

a) 5 (cinco) dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento pelo menor preço ou pelo maior
desconto; e
b) 10 (dez) dias úteis, nos demais casos;

Para a contratação de serviços e obras:


a) 15 (quinze) dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento pelo menor preço ou pelo maior
desconto; e
b) 30 (trinta) dias úteis, nos demais casos;

Para licitações em que se adote o critério de julgamento pela maior oferta:


10 (dez) dias úteis; e

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Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

Para licitações em que se adote o critério de julgamento pela melhor combinação de técnica e preço, pela
melhor técnica ou em razão do conteúdo artístico:
30 (trinta) dias úteis.

Publicidade
I - publicação de extrato do edital no Diário Oficial da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, ou,
no caso de consórcio público, do ente de maior nível entre eles, sem prejuízo da possibilidade de publicação de
extrato em jornal diário de grande circulação; e
II - divulgação em sítio eletrônico oficial centralizado de divulgação de licitações ou mantido pelo ente
encarregado do procedimento licitatório na rede mundial de computadores.

No caso de licitações cujo valor não ultrapasse:


• R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para obras ou
• R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) para bens e serviços, inclusive de engenharia, é dispensada a pub-
licação no Diário Oficial.

Apresentação de propostas
Nas licitações de obras ou serviços de engenharia, após o julgamento das propostas, o licitante vencedor
deverá reelaborar e apresentar à administração pública, por meio eletrônico, as planilhas com indicação dos
quantitativos e dos custos unitários, bem como do detalhamento das Bonificações e Despesas Indiretas
(BDI) e dos Encargos Sociais (ES), com os respectivos valores adequados ao lance vencedor.

Desclassificação de propostas
I - contenham vícios insanáveis;
II - não obedeçam às especificações técnicas pormenorizadas no instrumento convocatório;
III - apresentem preços manifestamente inexequíveis ou permaneçam acima do orçamento estimado para a
contratação;
IV - não tenham sua exequibilidade demonstrada, quando exigido pela administração pública; ou
V - apresentem desconformidade com quaisquer outras exigências do instrumento convocatório, desde que
insanáveis.

A verificação da conformidade das propostas poderá ser feita exclusivamente em relação à proposta mais
bem classificada.
A administração pública poderá realizar diligências para aferir a exequibilidade das propostas ou exigir
dos licitantes que ela seja demonstrada.
No caso de obras e serviços de engenharia, para efeito de avaliação da exequibilidade e de sobrepreço, serão
considerados o preço global, os quantitativos e os preços unitários considerados relevantes, conforme
dispuser o regulamento.

Critérios de desempate
Serão utilizados os seguintes critérios de desempate, nesta ordem:
I - disputa final, em que os licitantes empatados poderão apresentar nova proposta fechada em ato
contínuo à classificação;
II - a avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes, desde que exista sistema objetivo de
avaliação instituído;
III - os critérios estabelecidos na Lei 8.666/93.
IV – sorteio.

Negociação
Definido o resultado do julgamento, a administração pública poderá negociar condições mais vantajosas
com o primeiro colocado.

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Contratação de obras rodoviárias utilizando o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC André Kuhn |

A negociação poderá ser feita com os demais licitantes, segundo a ordem de classificação inicialmente
estabelecida, quando o preço do primeiro colocado, mesmo após a negociação, for desclassificado por sua
proposta permanecer acima do orçamento estimado.

Fim do processo licitatório


O procedimento licitatório será encerrado e encaminhado à autoridade superior, que poderá:
I - determinar o retorno dos autos para saneamento de irregularidades que forem supríveis;
II - anular o procedimento, no todo ou em parte, por vício insanável;
III - revogar o procedimento por motivo de conveniência e oportunidade; ou
IV - adjudicar o objeto e homologar a licitação.

Procedimentos auxiliares
São procedimentos auxiliares das licitações regidas pelo disposto nesta Lei:
I - pré-qualificação permanente;
II - cadastramento;
III - sistema de registro de preços; e
IV - catálogo eletrônico de padronização.

Regimes de Contratação

I - empreitada por preço unitário

II - empreitada por preço global


Para obras e serviços de
engenharia serão III - contratação por tarefa
adotados preferencialmente
IV - empreitada integral

V - contratação integrada

CONTRATAÇÃO INTEGRADA
Nas licitações de obras e serviços de engenharia, no âmbito do RDC, poderá ser utilizada a contratação
integrada, desde que técnica e economicamente justificada e cujo objeto envolva, pelo menos, uma das
seguintes condições:
I - inovação tecnológica ou técnica;
II - possibilidade de execução com diferentes metodologias; ou
III - possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado.

Contratação Integrada

Obras e serviços de engenharia

Critério de julgamento Obrigatório


Técnica e Preço
Projetos básico e executivo Menor Preço

Execução de obras e serviços de engenharia

montagem

realização de testes

Pré-operação e todas as demais operações para entrega final do objeto

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Anteprojeto de Engenharia
Possibilitar a caracterização da obra ou serviço, incluindo:

Contratação Integrada

Demonstração e a justificativa do programa de necessidades, a visão global


dos investimentos e as necessidades quanto ao nível de serviço desejado;
Condições de solidez, segurança, durabilidade e prazo de entrega;
Estética do projeto arquitetônico; e
Parâmetros de adequação ao interesse público, à economia na utilização,
à facilidade na execução, aos impactos ambientais e à acessibilidade;

Orçamento do Anteprojeto

Valores
praticados pelo
mercado Orçamento
sntético

metodologia
Orçamento expedita
Estimado

Valores pagos Avaliação do


em serviços e custo global da
obras similares obra metodologia
paramétrica

Contratação Integrada x Aditivos


Na contratação Integrada é vedada a celebração de termos aditivos, exceto:

Recomposição do equilíbrio econômico-financeiro


(caso fortuito ou força maior); e
Aditivos
Necessidade de alteração do projeto ou das especificações.

CONTRATAÇÃO INTEGRADA X RISCOS


Se o anteprojeto contemplar matriz de alocação de riscos entre a administração pública e o contratado,
o valor estimado da contratação poderá considerar taxa de risco compatível com o objeto da licitação e as
contingências atribuídas ao contratado, de acordo com metodologia predefinida pela entidade contratante.

Remuneração variável
Na contratação das obras e serviços, inclusive de engenharia, poderá ser estabelecida remuneração
variável vinculada ao desempenho da contratada, com base em metas, padrões de qualidade, critérios de
sustentabilidade ambiental e prazo de entrega definidos no instrumento convocatório e no contrato.

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A utilização da remuneração variável será motivada e respeitará o limite orçamentário fixado pela
administração pública para a contratação.

Necessidade de Projetos

Projeto Básico

Para obras e serviços, deverá haver projeto básico aprovado pela autoridade
competente, disponível para exame dos interessados em participar do
processo licitatório.
Exceção Contratação integrada

Projeto Executivo

É vedada a realização, sem projeto executivo, de obras e serviços de


engenharia para cuja concretização tenha sido utilizado o RDC, qualquer que
seja o regime adotado.

PROJETO BÁSICO X PROJETO EXECUTIVO


Projeto Executivo
É o conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, de acordo com as normas
técnicas pertinentes.

Projeto Básico
É o conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para, observado o
disposto no parágrafo único deste artigo:
a) caracterizar a obra ou serviço de engenharia, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, com
base nas indicações dos estudos técnicos preliminares;
b) assegurar a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento; e
c) possibilitar a avaliação do custo da obra ou serviço e a definição dos métodos e do prazo de execução;
Parágrafo único. O projeto básico referido no inciso IV do caput deste artigo deverá conter, no mínimo, sem
frustrar o caráter competitivo do procedimento licitatório, os seguintes elementos:
I - desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão global da obra e identificar seus elementos
constitutivos com clareza;
II - soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a restringir a necessidade
de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das
obras e montagem a situações devidamente comprovadas em ato motivado da administração pública;
III - identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar à obra, bem
como especificações que assegurem os melhores resultados para o empreendimento;
IV - informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e
condições organizacionais para a obra;
V - subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação,
a estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso, exceto, em
relação à respectiva licitação, na hipótese de contratação integrada;
VI - orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e
fornecimentos propriamente avaliados.

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CONCLUSÕES

Vantagens Percebidas

Estudo do
empreendimento

Remuneração Investimento
variável pré-obra

RDC

Saneamento Alocação de
de falhas/êxito riscos/seguros
nos certames

Sigilo do
orçamento

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OFICINAS

II
PAULO REIS

EXIGÊNCIAS PARA ANÁLISE DA


QUALIFICAÇÃO TÉCNICA NAS
LICITAÇÕES: QUALIFICAÇÃO
TÉCNICA PROFISSIONAL E
QUALIFICAÇÃO OPERACIONAL
Exigências para análise da qualificação técnica nas licitações: qualificação técnica profissional e qualificação operacional Paulo Reis |

EXIGÊNCIAS PARA ANÁLISE DA QUALIFICAÇÃO


TÉCNICA NAS LICITAÇÕES: QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
PROFISSIONAL E QUALIFICAÇÃO OPERACIONAL

QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Fundamentação constitucional e legal
Exigências que podem ser feitas
Qualificação técnico-profissional
Qualificação técnico-operacional
Definição das parcelas
Detalhamento das exigências
(conteúdo – slide 03)

Constituição Federal
Art. 37. (...)
(...)
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações.

Lei nº 8.666/1993

Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação relativa a:
I - habilitação jurídica;
II - qualificação técnica;
III - qualificação econômico-financeira;
IV – regularidade fiscal e trabalhista;
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal.
Acórdão 9859/2019 – TCU – 2ª Câmara
“14. Como bem observado pela unidade instrutiva, a exigência para que os licitantes apresentassem certidão
negativa referente a protesto (item 6.1.3.a) não encontra respaldo no Regulamento de Licitações e
Contratos do SESC/AR-DF nem tampouco na Lei 8.666/1993, sendo inadmitida pela jurisprudência deste
Tribunal, a exemplo do acórdão 534/2011-TCU-Plenário, prolatado em processo de representação em que
se apuraram supostas irregularidades em edital de concorrência promovida pelo SESI/SENAI - entidades do
Sistema ‘S’ (Acórdão 2.375/2015-TCU-Plenário, Rel. Weder de Oliveira).”
Aplicação do princípio do formalismo moderado
• Razoabilidade
• Equilíbrio
• Bom senso

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Exigências para análise da qualificação técnica nas licitações: qualificação técnica profissional e qualificação operacional Paulo Reis |

• Princípio da competitividade como corolário da busca da proposta mais vantajosa

Acórdão 357/2015 – TCU – Plenário


“15. Sendo assim, o caso atrairia, inequivocamente, o princípio do formalismo moderado, que prescreve a
adoção de formas simples e suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito
aos direitos dos administrados, promovendo, assim, a prevalência do conteúdo sobre o formalismo
extremo, respeitadas, ainda, as praxes essenciais à proteção das prerrogativas dos administrados, tudo de
acordo com o art. 2º, parágrafo único, incisos VIII e IX, da Lei 9.784/1999, bem assim com o espírito da Lei de
Licitações.”

Lei nº 8.666/1993
• Art. 28. A documentação relativa à habilitação jurídica, conforme o caso, consistirá em: (...)
• Art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista, conforme o caso, consistirá em:
(…)

(conteúdo – slide 10)


Lei nº 8.666/1933
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a:
I - registro ou inscrição na entidade profissional competente;
II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do aparelhamento e do pessoal
técnico adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação, bem como da qualificação de cada um
dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os documentos, e, quando exigido, de que
tomou conhecimento de todas as informações e das condições locais para o cumprimento das obrigações
objeto da licitação;
IV - prova de atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando for o caso.

POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DOS DOIS ÂNGULOS DA QUALIFICAÇÃO TÉCNICA


Qualificação técnica profissional
Qualificação técnica operacional

Acórdão 2055/2018 – Plenário


“17.3.4. Na mesma linha dispôs o Relatório que deu origem ao Acórdão 378/2018 – Plenário, de relatoria
do Ministro Walton Alencar Rodrigues, com destaque para o registro de que nas contratações de obras e
serviços de engenharia, não pode o administrador prescindir de verificar tanto a qualificação técnica
operacional quanto a qualificação técnica profissional:
39. Com efeito, a Lei 8.666/93, ao exigir a comprovação de aptidão para execução do objeto licitado (art. 30, inc.
II), cingiu a qualificação técnica em capacitação técnico-operacional e capacitação técnico-profissional. Ainda
que os vetos presidenciais apostos no referido diploma legal tenham dificultado, à primeira vista, a visualização
desses conceitos, há muito a jurisprudência desta Corte (cf. Acórdão 1.706/2007 – Plenário) e a doutrina já
deixaram clara a delimitação entre qualificação técnico-operacional e qualificação técnico-profissional.”

Acórdão 1706/2007 – TCU - Plenário


“10. Nos termos do art. 30 da Lei 8.666/93 é necessário que façamos uma distinção entre capacidade técnico-
operacional e capacidade técnico-profissional. A primeira diz respeito à capacidade operativa da empresa
como um todo, a segunda, definido no inciso I do §1º, diz respeito ao profissional que atua na empresa.”
REsp 331.215-SP. (RSTJ, vol. 157, p. 97).
“A capacitação técnica operacional consiste na exigência de organização empresarial apta ao desempenho de
um empreendimento, situação diversa da capacitação técnica pessoal.”

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DETALHAMENTO DAS EXIGÊNCIAS QUE PODEM SER FEITAS


Lei nº 8.666/1993
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a:
I - registro ou inscrição na entidade profissional competente;

Lei nº 5.194/1966
Art. 6º Exerce ilegalmente a profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo:
a) a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços público ou privado reservados aos
profissionais de que trata esta lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais;
(…)

Lei nº 12.378/2010
Art. 7º Exerce ilegalmente a profissão de arquiteto e urbanista a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou
prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei ou, ainda, que, mesmo não
realizando atos privativos, se apresenta como arquiteto e urbanista ou como pessoa jurídica que atue na área de
arquitetura e urbanismo sem registro no CAU.

Lei nº 5.194/1966
Art. 58. Se o profissional, firma ou organização, registrado em qualquer Conselho Regional, exercer atividade
em outra Região, ficará obrigado a visar, nela, o seu registro.
(...)
Art. 68. As autoridades administrativas e judiciárias, as repartições estatais, paraestatais, autárquicas ou de
economia mista não receberão estudos, projetos, laudos, perícias, arbitramentos e quaisquer outros trabalhos,
sem que os autores, profissionais ou pessoas jurídicas; façam prova de estar em dia com o pagamento da
respectiva anuidade.
(...)
Art. 69. Só poderão ser admitidos nas concorrências públicas para obras ou serviços técnicos e para concursos
de projetos, profissionais e pessoas jurídicas que apresentarem prova de quitação de débito ou visto do
Conselho Regional da jurisdição onde a obra, o serviço técnico ou projeto deva ser executado.
Acórdão 1735/2009 – TCU – Plenário
“4.5.2.1. A Lei 5.194/1966, que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro
agrônomo, dispõe em seu art. 58 que, o profissional, firma ou organização, registrado em qualquer Conselho
Regional, que for exercer atividade em outra região, ficará obrigado a visar, nela, o seu registro.
4.5.2.2. Se a exigência de visto somente se materializa no momento do exercício da atividade, que
somente ocorrerá com a contratação, e não na licitação, não há como a Administração requerer esse
visto como requisito de qualificação técnica.

Seminário Nacional de Obras Públicas e Manutenção Predial Online 145


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4.5.2.3. Esse entendimento guarda conformidade com o posicionamento do TCU exarado no Acórdão 1.768/2008-TCU-
Plenário.”

Acórdão 1889/2019 – TCU – Plenário


“20. Com relação ao art. 69 da Lei 5.194/1966, também mencionado em sua manifestação à oitiva prévia, cabe
trazer o seguinte excerto da instrução elaborada por esta Unidade Técnica no bojo do TC 005.989/2019-1 (peça 14,
p. 3-4 daqueles autos) e que embasou no Acórdão 1.017/2019-TCU-Plenário:
8. De fato, a mencionada lei contém essa previsão, porém o agente deixou de observar que o dispositivo
mencionado foi tacitamente revogado pela edição do Decreto-Lei 2.300/1986 e, posteriormente, das
Leis 8.666/1993 e 13.303/2016.
9. O Decreto-Lei 2.300/1986 havia criado, à época, um ordenamento jurídico completo em matéria de licitações
e contratos. Seu art. 25, § 1º, tratou especificamente dos requisitos para habilitação jurídica e estabeleceu,
exaustivamente, o rol de documentos passíveis de ser exigidos para comprovação da habilitação
jurídica, razão pela qual provocou a mencionada revogação tácita do art. 69 da Lei 5.194/1966.
10. Tal fato também se repetiu com a Lei 8.666/1993, mais especificamente por força do seu art. 28. Ressalte-
se que essas duas normais legais disciplinavam todos os certames realizados tanto pela Administração Direta
quanto a Indireta.
11. Esse entendimento está em consonância com aquele firmado pelo Tribunal, por meio do Acórdão
434/2016-TCU-Plenário, da relatoria do Ministro Bruno Dantas.”

Deliberação
“9.3. determinar ao Banco do Brasil, com fundamento no art. 250, II, do Regimento Interno do TCU, que adote a
providência a seguir e informe ao Tribunal, no prazo de 30 (trinta) dias, acerca dos encaminhamentos realizados:
9.3.1. promova alteração na sua minuta padrão de licitação, para contratação de obras e serviços de engenharia,
de forma a afastar a exigência de apresentação pelas licitantes de visto no Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia da localidade onde os serviços serão prestados, como critério de habilitação,
ante à violação ao art. 37, XXI, da Constituição Federal c/c o art. 31 da Lei 13.303/2016, a Súmula-TCU 272 e os
princípios da igualdade e da obtenção da competividade, estabelecendo prazo razoável, após a homologação
do certame, para que a vencedora possa apresentar esse documento no ato da celebração do contrato.”

Acórdão 739/2020 – TCU – Plenário


“35. No bojo da Lei 8.666/1993 (arts. 27 a 31), há uma descrição mais pormenorizada dos documentos que
podem ser exigidos na fase de habilitação. Já no bojo da Lei 13.303/2016, o legislador optou por não especificar
os documentos exigíveis, permitindo que as empresas fizessem a adaptação necessária de acordo com as
peculiaridades de suas atuações no mercado.
36. Com efeito, o novo diploma das empresas estatais, com respaldo no art. 173 da Constituição Federal,
busca assegurar às estatais um regime jurídico semelhante aos das empresas privadas. Assim, com uma maior
flexibilidade de atuação, as empresas públicas e as sociedades de economia mista terão melhores condições
de atingir seus objetivos estatutários com a eficiência esperada pela sociedade.
37. Em que pese essa maior liberdade na escolha dos requisitos de habilitação, há algumas exigências que
derivam do ordenamento jurídico e são aplicáveis também às contratações no setor privado. Dentre elas, como
antes exposto, pode-se destacar a exigência de registro no conselho regional de engenharia nas situações
antes mencionadas.
38. Para a concessão do registro no Crea, devem ser atendidos os requisitos estabelecidos no art. 12 da
Resolução Confea 1.121/2019:
“Art. 12. A câmara especializada competente somente concederá o registro à pessoa jurídica na plenitude de seus
objetivos sociais quando possuir em seu quadro técnico profissionais com atribuições coerentes com os referidos
objetivos.
Parágrafo único. O registro será concedido com restrição das atividades não cobertas pelas atribuições dos
profissionais integrantes de seu quadro técnico.” (grifou-se).
39. Concedido o registro, supõe-se que a sociedade empresária está apta a atuar de acordo com os normativos

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Exigências para análise da qualificação técnica nas licitações: qualificação técnica profissional e qualificação operacional Paulo Reis |

do sistema Confea/Crea e, portanto, sob essa ótica, estaria capacitada a participar de licitações públicas.
40. Já o visto ou registro subsequente, exigidos para que a sociedade empresária execute atividade na
circunscrição de outro Crea, nada acrescentam acerca da capacidade técnica da empresa. Na essência,
apenas deverá ser atendido o § 3º do art. 14 da Resolução Confea 1.121/2019:
“§ 3º A pessoa jurídica deve comprovar que possui em seu quadro técnico profissionais com registro ou visto no Crea
da circunscrição onde for requerido o visto para executar nessa circunscrição as atividades prescritas em seu objetivo
social.”
41. Em outras palavras, o licitante, sob o aspecto de fiscalização profissional, já se mostrou apto para ser
contratado pela administração com o seu registro originário no Crea. Assim, o registro suplementar,
embora necessário por expressa disposição legal, é dispensável para se aferir a capacidade da empresa e consiste
mais em um instrumento de apoio à fiscalização do conselho profissional com jurisdição sobre onde será executado
o serviço.
42. Sob esse aspecto, cabe observar que a imposição de despesa desnecessária a todos que desejem participar
da licitação pode afastar potenciais licitantes. Trata-se, assim, de típica exigência a ser exigida somente do
vencedor da licitação na fase de contratação, pois não é razoável impor ao licitante uma obrigação que somente
se fará necessária caso seja vencedor da licitação.
43. Em suma, se não é imprescindível para a avaliação da capacidade técnica da empresa, de acordo com as
normas antes expostas, não é cabível a exigência na fase de habilitação.
44. Pertinente a respeito é a seguinte manifestação do Tribunal Federal da 3ª região e mantida pelo Superior
Tribunal de Justiça em decisão monocrática (Recurso Especial 1.587.643/2018) :
“se a empresa licitante já se encontra regularmente registrada junto à entidade de classe do local onde está estabelecida,
a imposição do visto do CREA do local onde a obra será executada se revela completamente desarrazoada, eis que
tal exigência fere os princípios da livre concorrência e da busca do menor preço para a implementação de obras
públicas, restringindo a isonomia entre os participantes;” (grifou-se).
45. Em seguimento da sua linha argumentativa, o Banco do Brasil entende que a exigência da manifestação
suplementar do Crea somente do licitante vencedor acaba por atrasar o procedimento da contratação,
o que iria de encontro ao espírito da Lei das Estatais, “instituída para desvencilhar as empresas públicas e
sociedades de economia mista – sobretudo as que exploram atividade econômica – das amarras e burocracias
não condizentes com a prática nos mercados em que atuam.”
46. Como demonstração dos atrasos provocados no certame, a instituição apresentou quadro em que demonstra
os atrasos nas contratações quando o licitante não possui previamente a autorização do Crea referente ao
local da prestação dos serviços (peça 17). Nessas dezoito situações, verificou-se que o Crea demorou de 11 a 47
dias (25 dias em média) para emitir, depois de solicitado, o visto referente ao local de execução dos serviços.
(...)
55. Considerando que o sistema Confea/Crea está sujeito à jurisdição do TCU, cabem algumas considerações
sobre os prazos para que sejam emitidos os documentos em questão pelos conselhos regionais.
(...)
56. Primeiramente, cabe ressaltar que os conselhos profissionais estão sujeitos aos ditames da Lei da Liberdade
Econômica (Lei 13.874/2019) , consoante o seu § 6º do art. 1º:
(…)
57. Pois bem, essa norma estabelece como direito de toda pessoa natural e jurídica “a garantia de que, nas
solicitações de atos públicos de liberação da atividade econômica que se sujeitam ao disposto nesta Lei, apresentados
todos os elementos necessários à instrução do processo, o particular será cientificado expressa e imediatamente
do prazo máximo estipulado para a análise de seu pedido e de que, transcorrido o prazo fixado, o silêncio da
autoridade competente importará aprovação tácita para todos os efeitos, ressalvadas as hipóteses expressamente
vedadas em lei.” (inciso IX do art. 3º da Lei 13.874/2019) (grifou-se).
58, Ou seja, cabe ao Sistema Confea/Crea dar cumprimento a essa norma de forma a dar previsibilidade ao
particular que solicitar autorização para o exercício de atividade econômica. Ademais, prazos por demais
extensos para a emissão de autorizações como as tratadas nestes autos, a exemplo daquele de 47 dias
apontado pelo Banco do Brasil, podem ser considerados atentatórios contra o princípio do livre exercício
da atividade econômica, o qual foi albergado no art. 2º, inciso I, da Lei 13.874/2019.

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59. Em sendo assim, parece que a emissão de visto do registro no conselho regional em cuja jurisdição será
exercida a atividade (art. 58 da Lei 5.194/1967) está a depender de maiores regulamentações do Confea, a
teor do poder regulamentar a ele atribuído pelo art. 27, alínea “a” da Lei 5.194/1966.
60. Assim, será proposto o encaminhamento de cópia do presente voto ao Conselho Federal de Engenharia
e Agronomia. Outrossim, entendo pertinente determinar à Segecex que averigue nas contas desse órgão
referentes ao exercício de 2019 o cumprimento das disposições da Lei 13.874/2019 aplicáveis ao conselho.”

Questão Prática
Nas contratações de fornecimento de equipamentos de ar condicionado, incluindo a respectiva instalação,
é possível exigir dos licitantes e dos seus profissionais o registro no CREA como requisito para habilitação?

Acórdão 1134/2017 – TCU – 2ª Câmara


“9.5.5. exigência de condições de habilitação que, além de serem específicas para a licitação de obras ou serviços
de engenharia, não encontram respaldo nos arts. 27 a 31 da Lei nº 8.666/1993, tendendo a acarretar indevida
restrição à competitividade do certame, em afronta ao art. 3º, § 1º, inciso I, da referida lei, com destaque para
as seguintes falhas:
9.5.5.1. exigência de comprovação da capacitação técnico-profissional, mediante a apresentação de Certidão de
Acervo Técnico (CAT) expedida pelo CREA da região pertinente, nos termos da legislação aplicável, em nome
do(s) responsável(is) técnico(s) e/ou membros da equipe técnica que participarão dos serviços ora licitados, com a
apresentação da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) pertinentes ao serviço, embora o aludido certame
tenha por objeto a mera aquisição de material, com obrigação acessória relacionada à sua instalação, ao
invés da prestação de serviço de engenharia;”

Súmula 272 – TCU


No edital de licitação, é vedada a inclusão de exigências de habilitação e de quesitos de pontuação técnica
para cujo atendimento os licitantes tenham de incorrer em custos que não sejam necessários anteriormente
à celebração do contrato.

Lei nº 8.666/1993
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a:
(...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do aparelhamento
e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
(…)
§ 6º As exigências mínimas relativas a instalações de canteiros, máquinas, equipamentos e pessoal técnico
especializado, considerados essenciais para o cumprimento do objeto da licitação, serão atendidas mediante
a apresentação de relação explícita e da declaração formal da sua disponibilidade, sob as penas cabíveis,
vedada as exigências de propriedade e de localização prévias.

Acórdão 52/2014 – TCU – Plenário


“9.3. dar ciência ao INCQS acerca das seguintes ilegalidades constatadas no âmbito do Pregão Eletrônico INCQS
27/2013:
(…)
9.3.2. exigência de comprovação, por meio do item 4, subitem “b”, do Projeto Básico, de experiência pretérita na
execução de objeto com características superiores (classificação no sistema Qualis/CAPES A1 ou A2) em relação
ao que será executado (classificação B1), o que não é aceito pela jurisprudência deste Tribunal, e contraria o
disposto no art. 30, inciso II e § 1º, da Lei 8.666/1993, uma vez que para a comprovação de qualificação técnica
pode-se exigir execução de obra ou serviço semelhante ao que se pretende executar, e não superior;”

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Acórdão 2948/2019 – TCU – Plenário


“31. Sobre o tema, este Tribunal tem entendido que “é irregular o estabelecimento de cláusulas que restrinjam o
caráter competitivo da licitação, a exemplo da comprovação de posse de maquinário específico como condição
para habilitação no certame” (Acórdão 8.117/2011-1ª Câmara, ministro Walton Alencar Rodrigues), e que “não se
deve exigir, para a comprovação da qualificação técnico-operacional, o requisito de propriedade e de localização
prévia dos equipamentos a serem utilizados na obra. Tais exigências podem ser impostas apenas por ocasião
da assinatura do contrato e não como requisito de habilitação” (Acórdão 5.900/2010-2ª Câmara, ministro Benjamin
Zymler).”

Lei nº 8.666/1993
Art. 30. (...)
(...)
§ 1º A comprovação de aptidão referida no inciso II do “caput” deste artigo, no caso das licitações pertinentes
a obras e serviços, será feita por atestados fornecidos por pessoas jurídicas de direito público ou privado,
devidamente registrados nas entidades profissionais competentes, limitadas as exigências a:
• (…)

Resolução nº 1.025/2009 – CONFEA


CAPÍTULO II
DO ACERVO TÉCNICO PROFISSIONAL

Art. 47. O acervo técnico é o conjunto das atividades desenvolvidas ao longo da vida do profissional compatíveis
com suas atribuições e registradas no Crea por meio de anotações de responsabilidade técnica.
Parágrafo único. Constituirão o acervo técnico do profissional as atividades finalizadas cujas ARTs
correspondentes atendam às seguintes condições:
I – tenham sido baixadas; ou
II – não tenham sido baixadas, mas tenha sido apresentado atestado que comprove a execução de parte das
atividades nela consignadas.
Art. 48. A capacidade técnico-profissional de uma pessoa jurídica é representada pelo conjunto dos acervos
técnicos dos profissionais integrantes de seu quadro técnico.
Parágrafo único. A capacidade técnico-profissional de uma pessoa jurídica varia em função da alteração dos
acervos técnicos dos profissionais integrantes de seu quadro técnico.
Seção I
Da Emissão de Certidão de Acervo Técnico
Art. 49. A Certidão de Acervo Técnico – CAT é o instrumento que certifica, para os efeitos legais, que consta
dos assentamentos do Crea a anotação da responsabilidade técnica pelas atividades consignadas no acervo
técnico do profissional.
(…)
Art. 55. É vedada a emissão de CAT em nome da pessoa jurídica.
Parágrafo único. A CAT constituirá prova da capacidade técnico-profissional da pessoa jurídica somente se o
responsável técnico indicado estiver a ela vinculado como integrante de seu quadro técnico.
(conteúdo – slide 53)

Capítulo III
Da Certidão de Acervo Técnico
1. Da Certidão de Acervo Técnico – CAT
A Certidão de Acervo Técnico – CAT é o instrumento que certifica, para os efeitos legais, que consta dos
assentamentos do Crea a anotação da responsabilidade técnica pelas atividades consignadas no acervo técnico
do profissional.
1.5 Fundamentação:
(...)

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1.5.2. Da capacidade técnico-operacional


Da leitura do art. 30, § 1º, da Lei nº 8.666, de 1993, observamos que inexiste dispositivo legal na Lei de Licitações
que obrigue o Crea ao registro do atestado para comprovação da capacidade técnico-operacional, uma vez que
esta exigência, constante do art. 30, § 1º, inciso II, foi vetada pelo Presidente da República por meio da Lei nº
8.883, de 1994, fundamentado nos argumentos de que esta exigência contrariava os princípios propostos no
projeto de lei, como demonstra o extrato do veto abaixo transcrito:
(…)
Apesar do veto, contudo, é praxe os editais de licitação exigirem a comprovação da capacidade técnico-operacional
das empresas, muitas vezes solicitando a emissão da CAT em nome da empresa contratada, situação que
apenas dificulta a participação das empresas nos certames.
Observamos ainda que a exigência de comprovação da capacidade técnico-operacional foi objeto de Decisão
do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul – TCE-RS (Decisão nº TP-0511/2009) em função de
consulta apresentada pelo Crea-RS, que se manifestou no seguinte sentido:
(…)
1.3. Recomendação
Esclarecer às comissões de licitação, aos profissionais e às empresas que:
(...)
- o Crea não emitirá CAT em nome da pessoa jurídica contratada para prova de capacidade técnico-operacional
por falta de dispositivo legal que o autorize a fazê-lo.
Acórdão de Relação 4361/2018 – TCU – 1ª Câmara
“c) dar ciência à Administração Regional do Serviço Nacional do Comércio no Estado do Espírito Santo – SENAC/
ES de que a exigência de registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – CREA dos atestados
de qualificação técnico-operacional, identificada na Concorrência CP nº 1/2018, não tem amparo legal e
está em desacordo com os Acórdãos nº 128/2012 - 2ª Câmara, nº 7.260/2016 - 2ª Câmara, nº 1.452/2015 -
Plenário e nº 655/2016 – Plenário;”
Acórdão de Relação 2561/2018 – TCU – Plenário
“Considerando que não há exigência no edital do certame de registro no Crea dos atestados de capacidade
técnica das empresas licitantes (qualificação técnico-operacional), estando, portanto, em consonância com
o art. 30 da Lei 8.666/1993 e com a jurisprudência do Tribunal, que considera irregular a rejeição dos
atestados de capacidade técnico-operacional, na aferição da capacidade técnica das pessoas jurídicas,
que não possuam registro no conselho profissional, considerando que essa exigência deve ser limitada
à capacidade técnico-profissional, que diz respeito às pessoas físicas indicadas pelas licitantes;
Considerando que inexiste dispositivo legal na Lei de Licitações que obrigue o Crea ao registro do atestado
para comprovação da capacidade técnico-operacional, conforme Manual de Procedimentos Operacionais
(Resolução 1.025, de 30/10/2009, peça 1, p. 47-48) e jurisprudência desta Casa;”

Acórdão 533/2020 – TCU - Plenário


“36. Análise: esses argumentos podem ser acolhidos, haja vista o entendimento jurisprudencial recente
esposado no Acórdão 1674/2018-TCU-Plenário, de relatoria do Ministro Augusto Nardes, reforçando os
Acórdãos 923/2015, 655/2016 e 205/2017, todos também do Plenário, no sentido de que não se pode exigir
que a atestação da capacidade técnica (operacional) da empresa seja registrada ou averbada junto ao Crea
correspondente, em respeito ao art. 55 da Resolução-Confea 1.025/2009, que veda a emissão de CAT em nome
da pessoa jurídica. Assim, a exigência de atestados registrados nas entidades profissionais competentes deve
ser limitada à capacitação técnico-profissional, que diz respeito às pessoas físicas indicadas pelas empresas
licitantes.”

Lei nº 12.378, de 2010


Art. 12. O acervo técnico constitui propriedade do profissional arquiteto e urbanista e é composto por todas
as atividades por ele desenvolvidas, conforme discriminado nos arts. 2º e 3º, resguardando-se a legislação do
Direito Autoral.
Art. 13. Para fins de comprovação de autoria ou de participação e de formação de acervo técnico, o arquiteto

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e urbanista deverá registrar seus projetos e demais trabalhos técnicos ou de criação no CAU do ente da Federação
onde atue.
Parágrafo único. A qualificação técnica de sociedade com atuação nos campos da arquitetura e do urbanismo
será demonstrada por meio dos acervos técnicos dos arquitetos e urbanistas comprovadamente a ela
vinculados.

Lei nº 8.666/1993
Art. 30. (...)
(...)
§ 1º (...)
I - capacitação técnico-profissional: comprovação do licitante de possuir em seu quadro permanente, na
data prevista para entrega da proposta, profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pela
entidade competente, detentor de atestado de responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço de
características semelhantes, limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor significativo
do objeto da licitação, vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos;

Acórdão 498/2013 – TCU – Plenário


“9.2.3. a comprovação do vínculo profissional do(s) responsável(eis) técnico(s) com a licitante, prevista no art. 30 da
Lei nº 8.666/1993, deve admitir a apresentação de cópia da carteira de trabalho (CTPS) em que conste o licitante
como contratante, do contrato social do licitante em que conste o profissional como sócio, do contrato de trabalho
ou, ainda, declaração de contratação futura do profissional detentor do atestado apresentado, desde que
acompanhada de declaração de anuência do profissional;”

Acórdão 1674/2018 – TCU – Plenário


“8.5. Com efeito, o TCU entende que configura restrição ao caráter competitivo da licitação a exigência, para fins
de comprovação da capacidade técnico-profissional (art. 30, § 1º, inciso I, da Lei 8.666/1993), da demonstração
de vínculo empregatício, por meio de carteira de trabalho, do profissional com a empresa licitante, sendo
suficiente a comprovação da disponibilidade do profissional mediante contrato de prestação de serviços, sem
vínculo trabalhista e regido pela legislação civil.”

Acórdão 2505/2018 – TCU – Plenário


“No que concerne à comprovação da capacitação técnico-profissional, de que tratam os subitens 1 e 2 dos
itens 5.2.3.2. e 5.2.3.4. do edital, por meio de profissionais estrangeiros não habilitados no Crea, bem como
à apresentação de atestados não reconhecidos pelo Crea, para atendimento do subitem 1 do item 5.2.3.4. e
subitem 2 do item 5.2.3.4., em afronta ao comando do item 5.2.3.5. do edital da licitação, considero, na linha do
proposto pela secretaria deste Tribunal, que não há obrigação legal de registro prévio no Crea dos atestados
emitidos em nome da empresa Sacyr Construcción S/A, bem assim dos respectivos profissionais.

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De fato, o item 3.2.1.2 do Edital dispõe que “a empresa estrangeira deverá apresentar os documentos
correspondentes do seu País de origem, no que couber, para substituir os relacionados para habilitação,
desde que traduzidos para o português por tradutor juramentado, nos termos previstos § 4º do art. 32 da Lei
Federal 8.666/93”. Como não há órgão equivalente ao Crea em território espanhol, foi apresentada certidão de
equivalência emitida pela embaixada espanhola no Brasil (peça 33, p. 140-142).”

Acórdão 12879/2018 – TCU – 1ª Câmara


“Sobre a quitação profissional, importa registrar que por meio do Acórdão 2126/2016 - Plenário (relator Augusto
Sherman), esta Corte de Contas se manifestou no sentido de que é ilegal a exigência de quitação de anuidades
do Crea, para fins de habilitação, pois o art. 30, inciso I, da lei 8.666/93 exige apenas o registro na entidade.”
(conteúdo – slide 72)
CF/88, art. 37
XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações
serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da
proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
Necessidade de definição das parcelas de maior relevância e valor significativo do objeto da licitação,
vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos

Lei nº 8.666/1993
Art. 30. (...)
(...)
§ 1º (...)
I - capacitação técnico-profissional: comprovação do licitante de possuir em seu quadro permanente, na
data prevista para entrega da proposta, profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pela
entidade competente, detentor de atestado de responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço
de características semelhantes, limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor
significativo do objeto da licitação, vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos;
II - (Vetado).
§ 2º As parcelas de maior relevância técnica e de valor significativo, mencionadas no parágrafo anterior,
serão definidas no instrumento convocatório.

Súmula nº 263 – TCU


Para a comprovação da capacidade técnico-operacional das licitantes, e desde que limitada, simultaneamente,
às parcelas de maior relevância e valor significativo do objeto a ser contratado, é legal a exigência de
comprovação da execução de quantitativos mínimos em obras ou serviços com características semelhantes,

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devendo essa exigência guardar proporção com a dimensão e a complexidade do objeto a ser executado.
Vedação à qualquer tipo de exigência GENÉRICA E IMPRECISA.
Acórdão 1095/2018 – TCU – Plenário
“O art. 30, § 2º da Lei 8.666/1993, assim como a jurisprudência remansosa sobre a questão dispõem que os
atestados de capacidade técnica devem estar circunscritos aos serviços de maior relevância técnica e
valor significativo. Assim, por exemplo, numa obra de implantação de rodovia de pista dupla devem haver
serviços que preencham a tais requisitos, como: pavimentação em CBUQ, terraplenagem, sub-base e base de
determinado tipo, obra de arte corrente etc.
Ao contrário disso, o edital exigiu de forma genérica a experiência com a realização da ‘implantação de rodovia
de pista dupla’. Tecnicamente, a exigência é vaga e imprecisa.”

Acórdão 2474/2019 – TCU – Plenário


“Nos termos de remansosa jurisprudência do TCU, consubstanciada na Súmula 263, as exigências de qualificação
técnica devem se ater às parcelas de maior relevância técnica e valor significativo do objeto licitado. No caso em
apreciação, além de não serem materialmente relevantes, considero que os serviços de desapropriação
não representam parcela de elevada complexidade técnica, sendo compostos basicamente pelo
levantamento cadastral das propriedades afetadas pela obra, plantas gerais da faixa de domínio da rodovia
e da área a ser desapropriada, bem como pela avaliação das benfeitorias a serem indenizadas pelo Poder
Público.”
Vedação à qualquer tipo de exigência de qualificação técnica operacional para AS PARCELAS QUE PODEM SER
OBJETO DE SUBCONTRATAÇÃO, nos termos do instrumento convocatório

Acórdão 2239/2019 – TCU – Plenário


“1.12. Insta ressalvar que em todas as licitações foram exigidos atestados de serviços específicos e que,
provavelmente, seriam subcontratados, com a consequente execução por poucas empresas e não por
empreiteiras, as quais caberiam apenas o gerenciamento dos trabalhos, o que contraria o entendimento
jurisprudencial desta Corte de Contas de que os serviços cuja comprovação for exigida por atestados
para fins de habilitação não podem ser subcontratados, v. g. as seguintes decisões anteriores aos certames,
Acórdãos 2.992/2011, rel. Ministro Valmir Campelo, 3.144/2011, rel. Ministro Aroldo Cedraz, 2.760/2012, rel.
Ministra Ana Arraes, 222/2013, rel. Ministra Ana Arraes, e 1.851/2013, rel. Ministro André Luís de Carvalho,
todos do Plenário. Reiterados recentemente pelos Acórdãos 3.334/2015, rel. Ministra Ana Arraes, 1.190/2016,
rel. Ministro Vital do Rêgo, ambos do Plenário do TCU.”

Acórdão 2239/2019 – TCU - Plenário


“1.36. No caso concreto, entretanto, os vícios não podem ser considerados como ‘ocultos’, sobressaindo, ainda,
que o valor do item correspondia a menos de 0,3% do valor do orçamento base e se tratava de serviço que
poderia ser subcontratado pela vencedora, como demonstrado no relatório de auditoria (peça 108, p. 71) :
Entre os itens exigidos está a comprovação de execução anterior de quadra com pavimento desportivo,
categoria P1. O edital não dá mais informações. Apenas avaliando o projeto (desenhos e especificações
técnicas) é possível encontrar mais informações a respeito desse piso.
Assim como já foi visto nas outras concorrências, é possível afirmar que o item exigido não preenche os
requisitos de relevância técnica e valor significativo do objeto, tendo em vista que responde por apenas
0,3% do valor do orçamento base, contrariando, assim, a já citada Súmula n. 263/2011 do TCU.
Não se duvida da importância da quadra para a arena, mas também é evidente que se trata de um
serviço em que uma empresa especialista será subcontratada, como demonstram as cotações de preços
do serviço efetuadas pela FGV, apenas com empresas especialistas no serviço, como Lisonda, Playpiso e
Recoma (ver evidência IE 14921, p.3).”
Vedação à exigência de quantidade mínima de atestados de capacidade técnica profissional

Acórdão 539/2007 – TCU – Plenário


“9.2.5. não exija número mínimo e/ou certo de atestados para provar aptidão técnica, definindo no instrumento

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convocatório quais as parcelas de maior relevância técnica e de valor significativo e, ainda, os critérios objetivos
para efeito de comprovação da capacidade para o desempenho de atividade pertinente ao objeto licitado;”
Quantitativo máximo de experiência anterior que pode ser exigido

Acórdão 2099/2009 – TCU – Plenário


“9.2.2. abstenha-se, em futuros procedimentos licitatórios para contratações custeadas com recursos públicos
federais, de:
(...)
9.2.2.5. exigir, como requisito qualificação técnica, comprovação de execução de itens que não apresentem
complexidade técnica, por afrontar o inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal;
9.2.2.6. estabelecer percentuais mínimos acima de 50% dos quantitativos dos itens de maior relevância da
obra ou serviço para fins de comprovação da qualificação técnica dos licitantes, salvo em casos excepcionais,
devidamente justificados no processo administrativo relativo à licitação, previamente à publicação do respectivo
edital, ou no próprio edital e em seus anexos, em observância ao disposto nos arts. 37, XXI, da Constituição
Federal; 3º, § 1º, I, e 30, II, da Lei nº 8.666/1993;”
Expressa vedação à comprovação com limitações de tempo, de época ou em locais específicos

Lei nº 8.666/1993
Art. 30. (...)
(...)
§ 5º É vedada a exigência de comprovação de atividade ou de aptidão com limitações de tempo ou de época
ou ainda em locais específicos, ou quaisquer outras não previstas nesta Lei, que inibam a participação na
licitação.

Acórdão 2205/2014 – TCU – 2ª Câmara


“A vedação à exigência de atestados com limitação de época pode ser contemporizada nas situações em
que a tecnologia envolvida só se tornou disponível a partir do período indicado. Conforme apontado pela
unidade técnica, mudanças tecnológicas nos processos desenvolvidos nas áreas portuárias, a exemplo da
conteinerização de produtos agrícolas, ‘ganharam força em um passado recente, de modo que a restrição dos
atestados de capacidade técnica a atividades prestadas pelos interessados nos últimos cinco anos pode ser
considerada razoável’.”

Acórdão 868/2016 – TCU – Plenário


“(...) exigência contida no item 5.6 do edital e alínea ‘e’ do Anexo IV, de número mínimo de atestados e
limitação de que esses documentos tenham sido emitidos há menos de 3 (três) meses da publicação do
edital, uma vez que este Tribunal entende que o estabelecimento de número mínimo de atestados viola
a Lei de Licitações e Contratos (Acórdãos 298/2002, 351/2002, 330/2005, 539/2007, 739/2007, 167/2006,
1.706/2007, 43/2008, do Plenário, e os Acórdãos 1.873/2007, 1.526/2008 e 1.593/2010, da 2ª Câmara), e o § 5º
do art. 30 da Lei 8.666/93 veda expressamente a exigência de comprovação de atividade ou aptidão com
limitação de tempo ou de época;”

Somatório de atestados
• Regra: PERMITIR o somatório
• Exceção: VEDAR o somatório, sempre justificadamente

Acórdão de Relação 409/2020 – TCU – Plenário


“d.2) ausência de justificativas para a vedação ao somatório ou combinação de atestados para as exigências contidas
nas alíneas “a” e “a.1” do item 8.1.2, para fins de comprovação da capacidade técnico-operacional da licitante, em
afronta à jurisprudência deste Tribunal (Acórdãos 1.865/2012-TCU-Plenário, Relator Marcos Bemquerer e Acórdão
7.105/2014-TCU-2ª Câmara, Relator Marcos Bemquerer), uma vez que, em regra, é indevida a proibição de
somatório de atestados, para efeito de comprovação de qualificação técnico-operacional, quando a aptidão da

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licitante puder ser satisfatoriamente demonstrada por mais de um atestado, e que, havendo restrição ao somatório
de atestados, ela deve estar justificada técnica e detalhadamente no respectivo processo administrativo;
(itens 15 a 23 da instrução da unidade técnica), e”

Acórdão 2803/2019 – TCU – Plenário


“64. Em síntese, a estatal buscou justificar as cláusulas de qualificação técnica em razão da ´complexidade técnica
de execução que exige das licitantes apresentarem aprimorados conhecimentos operacionais e profissionais
para gerenciá-las, de forma a cumprir plenamente todas as exigências deste Termo de Referência´ (Evidência 3,
p. 34). Contudo, entende-se que a motivação apresentada não é capaz de afastar a desarrazoabilidade de
tal exigência, sobretudo pela proibição de ser aceito somatório de atestados, pois a complexidade técnica
de um empreendimento é atributo presente em grande parte das obras públicas e não pode, por si, servir
de justificativa para atos de gestão antieconômicos ou em desacordo com a lei. Caso contrário, muitas obras
poderiam ser licitadas à revelia dos preceitos legais, considerando que, em grande parte, são de execução
complexa e de relevante importância socioeconômica.”

Acórdão 2763/2019 – TCU – Plenário


“Tal assunto fora objeto do Relatório de Fiscalização 137/2019 (TC 013.178/20199), cujo objeto foi a licitação
anterior relativa ao empreendimento em comento. Naquela análise, ressaltou-se que são diversos os julgados
que vedam a limitação relativa a número de atestados para comprovação de capacidade técnica de
licitantes, citando-se os acórdãos do Plenário deste TCU n. 1.023/2013 e n. 1.998/2013 (relatora: Ana Arraes)
; n. 1.224/2013 (relator: Benjamin Zymler) ; n. 2.882/2008 (relator: Ubiratan Aguiar) ; n. 1.237/2008 (relator:
Raimundo Carreiro) ; e n. 2.150/2008 (relator: Valmir Campelo) .
Esses julgados apontam que a vedação de somatório de atestados é medida excepcional, restrita a casos
em que seja tecnicamente verificado que a execução de um maior quantitativo de determinado serviço ou a
execução em prazo reduzido implique em aumento de complexidade que venha a exigir maior capacidade
operativa do licitante, seja em termos de alocação de mão de obra, locação de equipamentos, ou esforços de
planejamento e coordenação.”
Necessidade ou não de que os atestados tenham sido emitidos em nome do responsável técnico da licitante,
para efeito de qualificação técnica operacional

Acórdão de Relação 409/2020 – Plenário


“d.1) exigência, na alínea “a”, do item 8.1.2, de atestados de capacidade técnica emitidos em nome do
responsável técnico (pessoa física), para fins de comprovação da qualificação técnico-operacional da
licitante, em afronta ao disposto no art. 55 da Resolução Confea 1.025/2009 e na jurisprudência deste Tribunal
(Acórdão 2.208/2016-TCU-Plenário, Relator Augusto Sherman), considerando que, para fins de habilitação
técnico-operacional devem ser exigidos atestados emitidos em nome da licitante, e, para fins de
qualificação técnico-profissional é que são exigíveis as certidões de acervo técnico (CAT) ou anotações/
registros de responsabilidade técnica (ART/RRT) emitidas pelo conselho de fiscalização profissional
competente, em nome dos respectivos profissionais; (itens 5 a 14 da instrução da unidade técnica);”
Imposição de visita técnica como requisito de habilitação

Acórdão 1331/2020 – TCU – Plenário


“3.2. Irregularidade: aprovar, no exercício da competência prevista no art. 38, parágrafo único, da Lei
8.666/1993, as minutas dos editais das Tomadas de Preços 3/2015, 6/2015 e 3/2016, as quais continham
exigências de caráter restritivo para a habilitação dos licitantes, em desacordo ao disposto no art. 3°, § 1°,
inciso I, da Lei 8.666/1993, a seguir descritas, circunstância que propiciou o direcionamento das contratações,
resultando em certames licitatórios desprovidos de competitividade:
a) exigência, na fase de habilitação, de visita técnica aos locais das obras, sem que houvesse
sido demonstrado e justificado pela Administração, no processo de licitação, que tal restrição era
imprescindível ao cumprimento adequado das obrigações contratuais, e sem que o edital previsse a
possibilidade de substituição do atestado de visita técnica por declaração do responsável técnico de que

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Exigências para análise da qualificação técnica nas licitações: qualificação técnica profissional e qualificação operacional Paulo Reis |

possuía pleno conhecimento do objeto, em contrariedade ao disposto no art. 30, inciso III, da Lei 8.666/1993,
e à orientação jurisprudencial consolidada desta Corte de Contas (cf. Acórdãos 4.991/2017, 2.416/2017,
2.672/2016, 1.447/2015, 373/2015, 234/2015, 2.913/2014 e 2.826/2014, do Plenário) ;
b) exigência de que a vistoria aos locais dos serviços fosse realizada, necessariamente, pelo profissional
indicado como responsável técnico pelas licitantes, em contrariedade ao entendimento consolidado
no sentido de que a visita técnica, quando exigida, não deve sofrer condicionantes por parte da
Administração que resultem em ônus desnecessário aos particulares e importem restrição injustificada
à competitividade do certame, podendo ser realizada por qualquer preposto da licitante, desde que possua
conhecimento técnico suficiente para tanto, ou até mesmo ser terceirizada para profissional competente, a fim
de ser ampliada a competitividade do procedimento licitatório (Acórdãos 4.991/2017, 2.416/2017, 2.672/2016,
1.447/2015, 373/2015, 234/2015, 2.913/2014 e 2.826/2014, do Plenário);”

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PALESTRA

II
ANDRÉ KUHN

RESPONSABILIDADES DA
AUTORIDADE COMPETENTE
NA DESIGNAÇÃO DA EQUIPE
DE FISCALIZAÇÃO
Responsabilidades da autoridade competente na designação da equipe de fiscalização André Kuhn |

RESPONSABILIDADES DA AUTORIDADE COMPETENTE


NA DESIGNAÇÃO DA EQUIPE DE FISCALIZAÇÃO

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
3. Diferenciação entre fiscal técnico e fiscal administrativo;
4. Competências exigidas para cada função;
5. Grau de abrangência de cada fiscalização;
6. Outras atividades que contribuem para o melhor desempenho do fiscal;
7. Importância da atuação da fiscalização para o sucesso do contrato;
8. Necessidade de capacitação técnica, gerencial e legal dos fiscais.

FISCALIZAÇÃO
Atividade exercida de modo sistemático pelo Contratante e seus prepostos, objetivando a verificação do
cumprimento das disposições contratuais, técnicas e administrativas, em todos os seus aspectos.
Manual SEAP

O FISCAL TÉCNICO
O fiscal técnico deve obrigatoriamente possuir habilitação para o exercício da atividade, devendo atender as
Resoluções 218/1977- CONFEA e 091/2014 – CAU. Sendo assim, só poderão fiscalizar tecnicamente obras e
serviços de engenharia e arquitetura os profissionais habilitados em seus respectivos conselhos.
Caso a Administração não possua pessoal habilitado, a legislação permite a contratação da fiscalização técnica.

Lei 5.194/66 - Regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo, e dá outras
providências.

Lei 12.378/10 - Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo.

Resolução Confea 218/73 - Discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia,
Arquitetura e Agronomia.

Resolução Confea 1025/09 – Dispõe sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica e o Acervo Técnico
Profissional.

Resolução Confea 1048/13 - Consolida as áreas de atuação, as atribuições e as atividades profissionais.

Resolução CAU 22/12 - Dispõe sobre a fiscalização do exercício profissional da Arquitetura e Urbanismo.

LEI 8.666/93:
Art. 9º “§ 1o É permitida a participação do autor do projeto ou da empresa a que se refere o inciso II deste
artigo, na licitação de obra ou serviço, ou na execução, como consultor ou técnico, nas funções de fiscalização,
supervisão ou gerenciamento, exclusivamente a serviço da Administração interessada”.

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Responsabilidades da autoridade competente na designação da equipe de fiscalização André Kuhn |

Art. 46. Os tipos de licitação “melhor técnica” ou “técnica e preço” serão utilizados exclusivamente para serviços
de natureza predominantemente intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização,
supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos
técnicos preliminares e projetos básicos e executivos, ressalvado o disposto no § 4o do artigo anterior.

LEI 13.303/16:
Art. 44. § 2º “É permitida a participação das pessoas jurídicas e da pessoa física de que tratam os incisos II e III
do caput deste artigo em licitação ou em execução de contrato, como consultor ou técnico, nas funções de
fiscalização, supervisão ou gerenciamento, exclusivamente a serviço da empresa pública e da sociedade de
economia mista interessadas”.

Além do registro do profissional no CREA ou CAU, toda atividade técnica de engenharia e arquitetura exige
prévia anotação/registro de responsabilidade técnica (ART/ RRT). Sendo assim, tanto o servidor habilitado e
nomeado para fiscalizar tecnicamente um contrato ou o profissional da empresa contratada para executar o
serviço técnico deve providenciar, antes de iniciar seus trabalhos, a respectiva anotação/registro

Caso o engenheiro ou arquiteto seja servidor público, a Administração é responsável por arcar com os custos
de emissão da ART/RRT. Cabe ressaltar que a anotação ou registro de cargo e função do servidor não substitui
a ART/RRT de fiscalização, sendo que o mesmo vale para o engenheiro ou arquiteto da empresa contratada.

Compete ao fiscal técnico a conferência dos serviços realizados, em conformidade com as especificações técnicas
e procedimentos adequados na execução, para efeitos de ratificação do boletim de medição apresentado
periodicamente pela construtora, bem como garantir que as condições do canteiro de obras representem as
condições estabelecidas em contrato.

A eventual ausência do fiscal técnico no canteiro de obras, por si só, não caracteriza a omissão ou a negligência
na sua conduta, quando constatados vícios ocultos em serviços medidos e aceitos. Nesses casos, caberá à
fiscalização cobrar do contratado o reparo do dano causado, além da aplicação de penalidades previstas em
contrato, não podendo o contratado transferir a responsabilidade dos serviços realizados, devido à eventual
ausência da fiscalização.

LEI 8.666/93:
“Art. 69. O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas, no total
ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução
ou de materiais empregados”.

“Art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de
sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização
ou o acompanhamento pelo órgão interessado”.

O FISCAL ADMINISTRATIVO
O fiscal administrativo obrigatoriamente deve ser servidor público, cuja nomeação deve ser mediante documento
formal (publicação). A ele compete garantir que todas as cláusulas contratuais estão sendo cumpridas, focando
seu trabalho de fiscalização em todos os aspectos não técnicos.

Contudo, para proporcionar uma fiscalização eficaz, é importante que a fiscalização técnica e administrativa
trabalhem em harmonia e cooperação mútua.

Não há impedimento do fiscal técnico e administrativo serem a mesma pessoa, desde que o servidor seja
engenheiro ou arquiteto habilitado.

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Entretanto, deve-se observar o vulto e a complexidade do objeto do contrato para dimensionar adequadamente
a equipe de fiscalização.

O servidor não pode negar a atividade de fiscalização administrativa de um contrato de obra ou serviço
de engenharia, com a alegação de que não tem habilitação técnica, pois para essa atividade específica é
desnecessária. A obrigatoriedade está somente para a fiscalização técnica.

O servidor designado para ser o fiscal administrativo de um contrato também não pode recusar a nomeação por
alegar desconhecimento, falta de capacitação ou falta de atribuição específica para essa atividade, pois trata-se
de obrigação adicional, indicada entre os compromissos dos agentes públicos, não havendo possibilidade de
recusa. Exceto em situações específicas, como a caracterização de conflito de interesse, desde que devidamente
justificado.

ATIVIDADES DE FISCALIZAÇÃO
Extraído do Manual SEAP
• Manter um arquivo completo e atualizado de toda a documentação pertinente aos trabalhos, incluindo
o contrato, Caderno de Encargos, orçamentos, cronogramas, correspondência e relatórios de anda-
mento das atividades;
• Analisar e aprovar o Plano de Execução dos Serviços a ser apresentado pela Contratada no início dos
trabalhos, que conterá, entre outros elementos, os dados básicos e critérios de projeto, a relação e
quantidade de documentos a serem produzidos, o fluxograma de desenvolvimento e cronograma de
execução dos trabalhos e organograma da equipe responsável pela elaboração dos trabalhos;
• Aprovar a indicação pela Contratada do preposto responsável pela condução dos trabalhos;
• Solicitar a substituição de qualquer funcionário da Contratada que embarace a ação da Fiscalização;
• Verificar se estão sendo colocados à disposição dos trabalhos as instalações, equipamentos e equipe
técnica previstos na proposta e sucessivo contrato de execução dos serviços;
• Esclarecer ou solucionar incoerências, falhas e omissões eventualmente constatadas no Programa de
Necessidades, bem como nas demais informações e instruções complementares do Caderno de Encar-
gos, necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos;
• Promover reuniões periódicas com a Contratada para análise e discussão sobre o andamento dos tra-
balhos, esclarecimentos e providências necessárias ao cumprimento do contrato;
• Solucionar as dúvidas e questões pertinentes à prioridade dos serviços, bem como às interferências e
interfaces dos trabalhos da Contratada com as atividades de outras empresas ou profissionais, even-
tualmente contratados pela Contratante;
• Verificar e aprovar os relatórios periódicos de execução dos serviços elaborados em conformidade com
os requisitos estabelecidos no Caderno de Encargos;
• Exercer rigoroso controle sobre o cronograma de execução dos serviços, aprovando os eventuais ajust-
es que ocorrerem durante o desenvolvimento dos trabalhos;
• Analisar e aprovar partes, etapas ou a totalidade dos serviços executados, em obediência ao previsto no
Caderno de Encargos, em particular as etapas de Estudo Preliminar, Projeto Básico e Projeto Executivo,
quando pertinentes;
• Verificar e aprovar as soluções propostas nos projetos quanto a sua adequação técnica e econômica de
modo a atender às necessidades do Contratante;
• Verificar e aprovar eventuais acréscimos de serviços necessários ao perfeito atendimento do objeto do
contrato;
• Verificar e atestar as medições dos serviços, bem como conferir, vistar e encaminhar para pagamento
as faturas emitidas pela Contratada;
• Encaminhar à Contratada os comentários efetuados para que sejam providenciados os respectivos
atendimentos;
• Receber a documentação final do projeto, verificando o atendimento aos comentários efetuados e a
apresentação de todos os documentos previstos, como desenhos, especificações, memoriais de cálcu-

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Responsabilidades da autoridade competente na designação da equipe de fiscalização André Kuhn |

lo, descritivos e justificativos, em conformidade com o plano de elaboração do projeto;


• A comunicação entre a Fiscalização e a Contratada será realizada através de correspondência oficial e
anotações ou registros formais.
• Deve-se exigir o correto preenchimento do Livro de Ordens (Diário de Obras), que servirá como fonte
de consulta para possíveis pleitos futuros;
• As reuniões realizadas no local de execução dos trabalhos serão documentadas por Atas de Reunião,
elaboradas pela Fiscalização e que conterão, no mínimo, os seguintes elementos: data, nome e assinat-
ura dos participantes, assuntos tratados, decisões e responsáveis pelas providências a serem tomadas.
• Somente poderão ser considerados para efeito de medição e pagamento os serviços previstos no con-
trato e efetivamente executados pela Contratada;
• Os serviços medidos serão apenas considerados em condições de serem faturados pela Contratada,
podendo o Fiscalização rejeitá-los posteriormente e solicitar da Contratada os ajustes necessários à
aprovação;
• A medição dos serviços será baseada em boletins de medição periódicos elaborados pela Contratada,
registrando os elementos necessários à discriminação e determinação das quantidades dos serviços
efetivamente executados;
• A discriminação e quantificação dos serviços considerados na medição deverão respeitar rigorosa-
mente as planilhas de orçamento anexas ao Contrato, inclusive critérios de medição e pagamento.

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