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Disciplina: Fisiologia Humana

Aula 8: Sistema pulmonar e regulação da ventilação


Apresentação

O sistema respiratório tem como funções básicas suprir o organismo com oxigênio (O2) e promover a eliminação do produto
do metabolismo celular, ou seja, o gás carbônico (CO2). Para isso, nos seres humanos a área de superfície pulmonar
encarregada das trocas gasosas é de 70 a 100 metros quadrados. Devido a essa enorme superfície, estruturas
microscópicas são necessárias para realizar essa tarefa. Por isso, os pulmões possuem cerca de 480 milhões de alvéolos
pulmonares, variando entre 270 e 790 milhões com base na altura e no volume pulmonar do indivíduo.

Além de sua função respiratória, os pulmões são responsáveis também pelo equilíbrio térmico, pois, com o aumento da
ventilação pulmonar, há maior perda de calor e água pelo processo evaporativo das vias aéreas. Além disso, eles auxiliam
ainda na manutenção do pH plasmático dentro da faixa de normalidade através de regulação e eliminação de ácido
carbônico (sob a forma de CO2).

Veremos nesta aula como a circulação pulmonar desempenha também um papel muito importante na ltração de partículas,
evitando, assim, que provoquem obstrução da rede vascular arterial de outros órgãos vitais ao organismo. O endotélio dessa
circulação contém enzimas que produzem, metabolizam ou modi cam substâncias vasoativas. O homem também utiliza
seu aparelho respiratório para outros ns, tendo fundamental destaque a defesa contra agentes agressores e a fonação.

Objetivos

Esclarecer a organização anatômica e funcional do sistema respiratório;

Reconhecer as principais doenças respiratórias comprometedoras da difusão de gases entre os alvéolos e capilares;

Explicar os mecanismos envolvidos no controle da ventilação pulmonar.


Organização do sistema respiratório
Nos mamíferos, o sistema respiratório pode ser dividido em duas zonas:

De transporte gasoso
1 Constituída pelas vias respiratórias superiores e pela árvore traqueobronquial, é responsável pelo acondicionamento e
condução do ar até as porções mais internas dos pulmões onde ocorrerão as trocas gasosas;

Respiratória
2 Responsável pelas trocas dos gases e pela zona de transição. Está localizada entre essas vias e a árvore, onde começam a
ocorrer trocas gasosas em níveis não signi cativos.

 Figura 1: Esquema simplificado das subdivisões do sistema respiratório a partir da


traqueia. (Fonte: AIRES, 2012)
 Fonte: VectorMine / Shutterstock.

Zona de transporte
O ar inspirado pode atingir esta zona por duas cavidades: nasal e oral. A partir daí, o ar penetra na porção da orofaringe. Em seu
trajeto pelas vias respiratórias superiores, ele passa pelo processo de ltração, umidi cação e aquecimento, equilibrando-se com
a temperatura corporal.

Isso se deve à presença das conchas nasais (localizadas na cavidade nasal) que permitem o tráfego turbulento do ar com a
mucosa úmida que reveste essa região, além da faringe e laringe. Além disso, devido à presença de pelos na região do vestíbulo
do nariz, as partículas de maior tamanho são ltradas.

Atenção

Graças aos pelos do vestíbulo do nariz, acredita-se que a respiração nasal é mais vantajosa que a bucal por sua maior capacidade
de ltração e umidi cação do ar inspirado.

Zonas de transição e respiratória

Zona de transição Zona respiratória


Estende-se do bronquíolo respiratório (caracterizado pela Constituída pelas estruturas dos ductos e dos sacos
redução da presença de células ciliadas) até o início dos alveolares e pelos alvéolos.
ductos alveolares onde se inicia a zona respiratória.

As trocas gasosas ocorrem na unidade alvéolo-capilar composta de:

Alvéolos (pequenas estruturas Septo alveolar (formado por Toda rede de capilares
esperoidais com diâmetro de vasos sanguíneos, terminações pulmonares.
aproximadamente 250 nervosas e bras elásticas e
milímetros). colágenas, além de possuir poros
ao longo de sua superfície,
conhecidos como poros de Kohn,
que permitem o transporte de ar e
líquido).

Na superfície alveolar, podemos notar três características diferentes em relação às células:

1 Pneumócitos do tipo I, que correspondem à maior parte da superfície;

Pneumócitos do tipo II, que apresentam diversas microvilosidades e secretam o surfactante que recobre a superfície
2 alveolar, reduzindo a tensão super cial (além de serem capazes de se regenerar e se transformar em tipo I quando
sofrerem algum dano);

Macrófagos alveolares em quantidade signi cativa, cuja função é fagocitar corpos estranhos, partículas poluentes e
3 bactérias ( gura 2).
 Figura 2: Diagrama estrutural das células presentes na zona respiratória. (Fonte:
SILVERTHON, 2010)

Mecânica respiratória, volumes e capacidades pulmonares

A respiração humana é um processo que depende da geração de força (contração muscular)


imposta pela musculatura inspiratória. Em seguida, o ar é transportado para o interior das
cavidades pulmonares devido ao gradiente de pressão criado por esses músculos.

Durante uma respiração laboriosa (normal e


espontânea), os músculos primários
envolvidos na inspiração são:

Diafragma;
Intercostais externos;
esternocleidomastoideos;
Escalenos.

 Fonte: MDGRPHCS / Shutterstock.

Atenção

Na inspiração forçada, outros músculos do tórax podem ser requisitados para auxiliar nesse esforço. Em um exercício físico ou
outra condição que ocasione a obstrução (moderada a grave) das vias respiratórias, teremos de realizar o re exo da tosse ou
espirro.

O processo expiratório se torna ativo e altamente dependente dos seguintes músculos expiratórios:
Abdominais (reto e Músculo peitoral maior. Transverso do tórax. Intercostais internos.
oblíquos internos e
externos).

 Fonte: AIRES, 2012, p. 608.

Na expiração normal, não há participação dos músculos expiratórios, pois ela se dá de maneira passiva, ocorrendo
simultaneamente pelo relaxamento dos músculos inspiratórios e pela retração elástica dos pulmões. Por isso, os pulmões são
considerados importantes órgãos com características elásticas.

Na gura 3, veremos os fenômenos relacionados com a mecânica respiratória e seu impacto no processo da respiração:

 Figura 3: Comportamento das curvas de pressão alveolar (vermelho), pressão intrapleural e suas relações com o volume de ar mobilizado para o interior dos pulmões. (Fonte:
SILVERTHON, 2010)

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a. Início da inspiração 

Os músculos inspiratórios se contraem e o volume torácico aumenta. Esse aumento causará a redução da pressão alveolar,
que diminui cerca de 1 milímetro de mercúrio (mmHg) abaixo da pressão atmosférica (ponto A2), enquanto o ar ui para
dentro dos alvéolos (pontos C1 e C2). Isso ocorre por esse aumento ser mais rápido que o uxo de ar levado até o interior
dos pulmões. Portanto, a pressão alveolar atinge seu valor mínimo aproximadamente na metade da fase inspiratória (ponto
A2). À medida que o ar ui continuamente para os alvéolos, notamos o aumento da pressão e o m da expansão da caixa
torácica (ao término da inspiração), momento em que se igualam a pressão dentro dos pulmões e a atmosférica (ponto A3).

b. Término da inspiração 

O volume pulmonar está no seu valor máximo no ciclo respiratório (ponto C2), enquanto a pressão alveolar é igual à
atmosférica. Os impulsos provenientes do sistema nervoso somático (dos neurônios motores) para os músculos
inspiratórios serão interrompidos. Com isso, esses músculos carão relaxados. Durante a expiração passiva (normal em
repouso), ocorre a retração elástica dos pulmões e da caixa torácica, o que gera a elevação do diafragma e o rebaixamento
das costelas para as suas posições originais. Esse fenômeno é semelhante a um elástico esticado ao retornar a seu
tamanho original após ser solto. Essa redução dos volumes pulmonares e torácico causará a elevação da pressão no interior
dos pulmões (cerca de 1 mmHg acima da pressão atmosférica) ( gura 3, ponto A4). Considerando que agora a pressão
alveolar é maior que a pressão atmosférica, o uxo de ar se inverte e será direcionado para fora dos pulmões. Ao nal da
expiração, as pressões alveolar e atmosférica voltam a se igualar, enquanto o uxo expiratório é interrompido (ponto A5). O
volume pulmonar atinge o seu valor mínimo dentro do ciclo respiratório (ponto C3). A partir desse ponto, esse ciclo já
interrompido estará pronto para ser novamente iniciado. (SILVERTHON, 2010, p. 548)

Dica

Na prática médica, volumes e capacidades pulmonares são frequentemente avaliados para quanti car a função pulmonar.
Durante essas medidas, solicita-se que o paciente realize os movimentos respiratórios através de comandos próprios da equipe
de saúde.

Para a realização dessas medidas, é necessária a utilização de um espirômetro simples, instrumento que mede o volume de ar
movido a cada ciclo respiratório ( gura 4):

 Figura 4: Traçado exemplificado de uma avaliação espirométrica. (Fonte: SILVERTHON, 2010)


c. Mobilização do ar 

Quando conectarmos uma pessoa em um espirômetro que consiga iniciar os ciclos respiratórios normalmente, esta
mobilização poderá ser dividida em quatro volumes pulmonares:

Volume corrente;
Volume de reserva inspiratório;
Volume de reserva expiratório;
Volume residual.

Notem que, na gura 5, os valores referenciados são representativos para volumes médios de um homem com peso
próximo de 70 quilos: (AIRES, 2012, p. 612)

 Figura 5: Traçado esquemático de um registro através da utilização de um


espirógrafo contendo volumes e capacidades pulmonares. (Fonte: SILVERTHON, 2010)
d. Volumes e capacidades 

Ambos recebem denominações especí cas:

Volume corrente (VC ou VT): Quantidade de ar mobilizada (durante inspiração ou expiração) espontaneamente em
cada ciclo respiratório no repouso. Pode sofrer variações entre 350 e 500 milímetros;
Volume de reserva inspiratório (VRI): Compreende o volume máximo que pode ser inspirado voluntariamente a partir
do nal de uma inspiração espontânea;
Volume de reserva expiratório (VRE): É determinado pelo volume de ar máximo que pode ser expirado voluntariamente
a partir do nal de uma expiração espontânea;
Volume residual (VR): Refere-se ao volume de gás que permanece no interior dos pulmões após uma expiração
forçada.

Note que as capacidades pulmonares representam a soma de dois ou mais volumes respiratórios:

Capacidade vital: É caracterizada pela quantidade de gás mobilizada entre uma inspiração e uma expiração máximas
(VRI + VC +VRE);
Capacidade inspiratória: Compreende a soma do VC e VRI. É o volume máximo inspirado a partir do nal de uma
expiração espontânea;
Capacidade residual funcional: Corresponde à quantidade de gás contida nos pulmões ao nal de uma expiração
espontânea. É a soma de VRE e VR;
Capacidade pulmonar total: É a soma de todos os volumes mencionados. Equivale à quantidade de gás contida nos
pulmões ao nal de uma inspiração máxima.

Atenção

Em condições normais, esses parâmetros sofrem variações em função de muitos fatores: sexo, idade, superfície corporal, efeito
da atividade física e postura. Além disso, em casos patológicos, esses volumes podem apresentar alterações signi cativas.
Portanto, é necessário haver a compreensão desses parâmetros para avaliar corretamente se eles estão normais. (AIRES, 2012,
p. 613)

Transporte de gases no organismo


Os gases no ambiente estão dispostos em uma mistura gasosa que pode ser descrita através da fração equivalente de cada um
deles:

Oxigênio (O2), 20,93% Dióxido de carbono (CO2), Nitrogênio (N2), 79,03%.


0,04%;

Essa composição percentual se mantém uniforme até uma altitude equivalente a 60 quilômetros. Se considerarmos que a
pressão atmosférica (PATM) equivale ao somatório das frações de todos os gases do ambiente, podemos determinar a pressão
que cada gás exerce no ambiente através de sua fração decimal.
Exemplo

A fração decimal do O2 representa 20,93% ÷ 1000 (0,2093). Multiplicando esse valor pela PATM geralmente próxima dos 760
mmHg, a pressão de O2 (PO2) atinge cerca de 159 mmHg no ambiente.

A PATM, então, representa um fator de fundamental importância na determinação da pressão parcial de determinado gás. Embora
a composição do ar não sofra variação até uma altitude de 60 km, a PATM diminui quando se atingem altitudes mais elevadas.

Exemplo

A 1.000 metros, a PATM é de 674 mmHg; a 4.000 m (em La Paz), ela corresponde a 462 mmHg; e, no Monte Everest (8.848 m),
equivale a 231 mmHg. A pressão parcial dos gases no ambiente é reduzida à medida que a altitude aumenta - e o ar ca mais
rarefeito.

a. Quantidade de um gás dissolvido no meio líquido em uma temperatura especí ca

Igual ao produto da pressão parcial deste gás pelo seu coe ciente de solubilidade peculiar a cada combinação gás-líquido
determinada pela lei de Henry.

Exemplo

O coe ciente de solubilidade do oxigênio equivale a 0,003. Portanto, a quantidade de O2 dissolvido será 0,003 × 100 (100 mmHg
de PO2 alveolar), resultado equivalente a 0,3 ml de O2 para cada 100 ml de plasma (0,3 ml/100 ml). Por outro lado, o coe ciente de
solubilidade da molécula de gás carbônico — que possui um peso molecular mais elevado que O2 — é 20 vezes maior que o da
molécula de oxigênio. Portanto, a pressão de CO2 será 40 (pressão de CO2 arterial) multiplicado por 0,06 (20 multiplicado por
0,003 utilizando o coe ciente de solubilidade do O2). Como resultado, o teor de CO2 dissolvido no plasma será de 2,4 ml/100 ml.
Diferentemente do que sempre imaginamos, a quantidade de CO2 dissolvida no plasma é maior que a de O2.

No entanto, quando o O2 sofrer difusão dos alvéolos para o sangue, ele se ligará praticamente por inteiro às hemácias, que irão se
combinar à hemoglobina (HB) (98-99% do conteúdo total de O2), enquanto apenas uma pequena quantidade (1-2%) permanece no
plasma. Analisando a molécula de hemoglobina, ela possui capacidade de transportar quatro moléculas de O2 no máximo,
expressando em g% a quantidade de hemoglobina no sangue.

Exemplo

Em um indivíduo aparentemente saudável, a taxa de hemoglobina é de aproximadamente 15 g% (15 g de hemoglobina em 100 ml


de sangue). Considerando essa estimativa, 1 g de hemoglobina é capaz de xar 1,39 ml de O2. Ao determinarmos a taxa de
hemoglobina de um indivíduo e multiplicarmos esse valor por 1,39, poderemos calcular a capacidade ou o conteúdo de O2. Assim,
se a hemoglobina estiver completamente saturada, o sangue será́ capaz de transportar Hb (g%) × 1,39 vol.% de O2.

b. Porcentagem de saturação da hemoglobina

É a relação (HbO2 × 100)/Hb total: uma maneira prática de expressar o nível de oxigênio arterial de uma amostra sanguínea
independentemente da taxa de hemoglobina.

c. Conteúdo de oxigênio
Quantidade total de O2 transportada pelo sangue. Corresponde à soma da quantidade dissolvida com aquela ligada à
hemoglobina.

d. Curva de dissociação da hemoglobina

Ela é descrita através de um comportamento sigmoide (em forma de S). De maneira diferente do O2 dissolvido, a quantidade de
oxigênio combinada com a hemoglobina não mantém uma relação linear com a PO2.

Em um grá co, podemos inserir nos eixos:

Vertical (das ordenadas): Saturação de O2;


Horizontal (das abscissas): PO2.

Notaremos, assim, o aspecto da curva de equilíbrio entre Hb e O2 ( gura 6):

 Figura 6: Diagrama ilustrativo da curva de dissociação da hemoglobina.

Fatores que alteram a curva de dissociação da hemoglobina com


o O2
Há quatro fatores bem conhecidos que alteram a a nidade do O2 pela hemoglobina:

Temperatura Concentrações de 2,3-


PCO2 pH difosfoglicerato

 Fonte: (AIRES, 2012, p. 642)

Observa-se, na gura 6, que, quando a PCO2 aumentar, ocorrerá o deslocamento da curva de dissociação da hemoglobina para a
direita. Esse fenômeno promove a redução da a nidade da hemoglobina pelo O2. Paralelamente, quando ocorrer o aumento da
concentração dos íons hidrogênio, o pH sanguíneo será reduzido, promovendo um estado de acidose temporária. Podemos
observar nesse momento o deslocamento da curva para a direita ( gura 6). Outro fator importante no desvio da curva de
dissociação da HB (e, consequentemente, na redução da a nidade de HB com o O2) é a elevação da temperatura. Na gura 6,
também ocorre o desvio da curva para a direita.
Analisando o meio intracelular das hemácias, observa-se claramente que sua estrutura interna não possui mitocôndrias, o que
obriga o metabolismo energético a depender exclusivamente da glicólise anaeróbia. Um dos produtos intermediários do
metabolismo anaeróbio é o 2,3-difosfoglicerato (2,3-DPG). Situações como hipoxemia e anemia promovem o aumento da
concentração intracelular de 2,3-DPG. A elevação nas concentrações desse intermediário metabólico ocasiona o deslocamento da
curva de dissociação da HB para a direita. Como já mencionamos, isso reduz a a nidade do O2 pela HB ( gura 7):

 Figura 7: Fatores que modificam a curva de dissociação da hemoglobina. (Fonte: AIRES, 2012)

Transporte de dióxido de carbono (CO2) no organismo

Em média, o organismo do ser humano produz aproximadamente cerca de 200 ml de CO2 a cada minuto. Como altas
concentrações desse gás são extremamente nocivas para nosso organismo, ele precisa ser eliminado das células de origem o
mais breve possível. Todo gás carbônico produzido pelas células precisa, então, obedecer a três procedimentos consecutivos:

Transporte até os pulmões por mecanismos especí cos;


Liberação para os alvéolos pulmonares;
Expiração para o meio ambiente.
Esse mecanismo de transporte ocorre pela circulação venosa. Quando o CO2
se difundir das células produtoras para o plasma, ele poderá ser transportado
no sangue da seguinte forma:

CO2 dissolvido;
Forma de íons bicarbonato (HCO3-);
Carbamino-hemoglobina e outros;
Ácido carbônico (H2CO3) e íons carbonato (CO32-) em quantidades muito
menores.

Poderemos, portanto, analisar todos os tipos de transporte do CO2 na gura a seguir: (GUYTON; HALL, 2017, 527)

 Figura 8: Esquema didático representativo de todos os mecanismos de transporte de dióxido de carbono no sangue.
(Fonte: AIRES, 2012)

Regulação da ventilação
Durante todas as nossas atividades do cotidiano, a ventilação pulmonar precisa passar por uma série de ajustes1 para:

Dos tecidos, promover a remoção
Manter adequadamente o teor de
de todo CO2 produzido pelo
O2 para os tecidos.
metabolismo.

Quimiorreceptores no controle da respiração


Os quimiorreceptores podem ser divididos em centrais e periféricos.

Periféricos

Localizados na bifurcação das carótidas e no arco aórtico. Embora estejam em regiões diferentes, tanto os quimiorreceptores
carotídeos como os aórticos desempenham a mesma função: enviar informações ao centro respiratório por meio de potenciais
de ação que trafegam por vias diferentes. Os quimiorreceptores carotídeos as enviam para o centro respiratório através dos
nervos glossofaríngeos (IX par craniano), enquanto os aórticos mandam seus impulsos aferentes através dos nervos vagos (X par
craniano).

Periféricos ainda são:

Sensíveis às mudanças nas concentrações de PO2, PCO2 e pH no sangue arterial;


Caracterizados por dois tipos de células (tipos I e II).

A célula do tipo I apresenta uma atividade metabólica mais signi cativa que a do tipo 2. Isso se deve à grande quantidade de
mitocôndrias e retículo sarcoplasmático desenvolvido, além de vesículas que mostram grande variedade de neurotransmissores
(dopamina, acetilcolina, norepinefrina e neuropeptídios, entre outros). Ao redor dessas células, há uma quantidade bem extensa
de capilares.

Por isso, o uxo sanguíneo é garantido aos quimiorreceptores. Já as células do tipo II funcionam como células de sustentação,
pois envolvem as do tipo I e os capilares. Portanto, as células do tipo I são consideradas os legítimos quimiorreceptores ( gura 9):

 Figura 9: Ilustração esquemática da estrutura dos corpos carotídeos onde estão


localizadas as células do tipo I e II (quimiorreceptores). Note que as células do tipo I são
metabolicamente ativas e apresentam uma grande quantidade de vesículas sinápticas
contendo neurotransmissores.
Centrais

Podem ser distribuídos em três áreas na região ventral do bulbo ( gura 10):

Região rostral (M) Região intermediária (S) Região caudal (L)

 Figura 10: Visualização da região anterior (ventral) da superfície do bulbo representando a localização das áreas
denominadas quimiossensíveis.

Atenção

Os mecanismos responsáveis pela atuação dos quimiorreceptores centrais parecem ser um tema controverso. Sabe-se que esses
receptores centrais não possuem sensibilidade ao O2 como ocorre com os periféricos: eles respondem às variações nos níveis
liquóricos tanto de CO2 como de pH. Isso ocorre devido à presença de neurônios quimiossensíveis na proximidade de grandes
vasos, o que sugere que esses quimiorreceptores possam responder também a variações de pH vascular cerebral ou a rápidas
alterações de CO2.

Resumidamente, podemos relacionar as seguintes atuações dos quimiorreceptores:

Quimiorreceptores atuarão quando houver uma redução na PO2 arterial. Eles desencadearão o aumento da ventilação para
evitar que ocorra a hipóxia tecidual, mas, quando os tecidos estiverem em hipóxia, os neurotransmissores serão liberados
para promover modi cações nos padrões ventilatórios;

A hipóxia está relacionada à queda nas concentrações de ATP intracelular. Como consequência, ocorrerá a liberação de
neurotransmissores capazes de modi car os padrões ventilatórios;

A hipóxia promove a elevação nos níveis de CO2 do organismo, o que acarretará o aumento da ventilação pulmonar;

A redução no pH sanguíneo (acidose) também promoverá o aumento da ventilação. Já na alcalose (aumento do pH


sanguíneo) temos o efeito inverso: a ventilação pulmonar é inibida. (AIRES, 2012, p. 651)
Atividade
1 . (PUC-Rio – Vestibular - 2000) Examine as a rmativas abaixo relativas à respiração humana:

I. Ela é responsável pela captação de O2 e remoção de dióxido de carbônico (CO2).


II. O feto humano respira através de brânquias enquanto estiver na bolsa amniótica; a partir do oitavo mês, as brânquias se
transformam em pulmões.
III. O sangue se utiliza dos glóbulos brancos para transportar o oxigênio, pois eles aumentam bastante a capacidade de o
sangue de transportar gases.
IV. O ar penetra pelo nariz e passa por faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos, onde se dá a troca dos gases.

Estão corretas somente as a rmativas: 

a) I e II
b) II e III
c) I e IV
d) I, III e IV
e) II, III e IV

2. Se considerarmos que a concentração de hemoglobina média se situa em torno de 15 g e que cada grama de hemoglobina,
quando completamente saturada, carrega 1,34 ml de O2 para cada 100 ml de sangue, calcule a quantidade total de oxigênio
transportado no sangue arterial.

3. Tendo em vista que indivíduos normais, com VT de 500 ml, adotam inconscientemente taxas de 12 ventilações por minuto,
perfazendo ventilação-pulmonar de 6.000 ml/min (equivalente à quantidade de ar movido para dentro das vias respiratórias a
cada minuto), explique o que aconteceria se adotássemos taxa de 60 ventilações por minuto e VT de 100 ml.

Notas

Série de ajustes 1

Recapitulemos o diagrama de sistemas apresentado na aula de homeostase: diversos receptores periféricos e centrais
(quimiorreceptores) atuarão para detectar as variações nas concentrações de O2, CO2 e H+. A partir daí, as aferências serão
direcionadas até o centro respiratório, localizado no tronco encefálico, para que o ritmo respiratório seja mantido a m de
estabilizar em valores praticamente constantes as concentrações de O2, CO2 e H+. Para sustentar esse mecanismo de controle, o
centro respiratório desencadeia uma séria de impulsos para que haja a contração dos músculos envolvidos com a ventilação.
Esses músculos atuarão como os efetores no diagrama de sistema de controle homeostático. (GUYTON; HALL, 2017, 533)

Referências

AIRES, M. M. Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

COSTANZO, L. S. Fisiologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de siologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana – uma abordagem integrada. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Próxima aula

Organização morfofuncional dos néfrons renais;


Papel dos rins no controle de osmolaridade, equilíbrio hidroeletrolítico e equilíbrio acidobásico;
Função dos rins no controle da pressão arterial.

Explore mais

Sugestões de vídeo:

Sistema respiratório <https://www.youtube.com/watch?v=rBrDmgL1N30> ;


Pulmões e sistema pulmonar (respiratório) <https://www.youtube.com/watch?v=hmesAAu6hrU> ;
Controle central da respiração <https://www.youtube.com/watch?v=fJlhtQXn5Ps> .