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09 | SETEMBRO | 2020

A MUCAMA, A MULATA E A DOMÉSTICA:


SIGNIFICAÇÕES REGRADAS PRLO
RACISMO E SEXISMO NA MÍDIA

PLATAFORMA FEMINISMOS PLURAIS

ARTIGO SEMANAL - TIAGO VINÍCIUS

O que significa dizer que a mídia colabora para a


manutenção do racismo e do sexismo? Quais são os sentidos
do ser negro na mídia e como eles se conectam com a vida
das pessoas? O movimento negro feminista tem se esforçado
no sentido de desvelar não somente a relação entre o racismo
e o sexismo, mas também como estas ideologias são
disseminadas pela mídia. Iremos propor uma breve reflexão de
maneira que seja possível apontar caminhos seguros para a
compreensão deste problema.
A intelectual Rosane da Silva Borges, professora da Escola
de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e
especialista em Teorias da Comunicação, no seu texto Mídia,
racismo e representações do outro: ligeiras reflexões em torno
da imagem da mulher negra (2013) faz uma reflexão
interessante sobre racismo, sexismo e mídia. A partir da
temática mídia e representações do outro, a autora entende
que seja possível compreender de forma mais ampla o modo
como o imaginário e os consensos sociais ordenam-se em
torno do ser negro. Esta reflexão envolve discriminações acerca
do que é certo e errado, melhor e pior, belo e feio, normal e
desviante, fornecendo a todos nós padrões com os quais
constituímos nossas formas de ver o mundo (2013, p. 178).
A intelectual da comunicação entende que as formas de
emoldurar o Outro, de fundi-lo em figuras restritas, limitadas,
demarcadas, contidas é prática recorrente nos sistemas
midiáticos que se nutrem em grande medida do discurso
imagético. A forma de produção desses sistemas homogeneíza
signos dispersos no tecido social, funda-se em imagens que se
adequam a alguns códigos que se querem universais, de fácil
identificação por leitores, ouvintes, internautas adequando-os
às máquinas tecnológicas de produção de sentido da
contemporaneidade, tais como as redes sociais (Facebook,
Instagram, Twitter etc). E isto tudo não é por acaso, segundo a
autora. Esta padronização e fixação de enunciados midiáticos
em categorias predeterminadas é um empreendimento
necessário, pois, ela está dentro de um sistema de orientações,
expectativas e convenções que circulam entre a indústria, os
sujeitos espectadores, o texto e a imagem. Na realidade a
finalidade desta padronização é justamente orientar escolhas
e gostos da audiência, pois, possibilita que os programas sejam
formatados em modalidades relativamente estáveis, capazes
de favorecer uma compreensão mais fácil destas categorias
(BORGES, 2013, p. 180).

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