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TEMA: Efeitos do fanatismo no século XXI

Fanatismo substantivo masculino 1.zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de
intolerância. 2. faccionismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação
excessiva a alguém ou algo; paixão.
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Contexto histórico
O mais interessante do documentário [que conta a história da de uma parte assustadora da
história do líder espiritual indiano Bhagwan Rajneesh (1931-1990; mais tarde conhecido como
Osho), e de seus fanáticos seguidores] provavelmente seja o fato de, naquele período
controverso da seita nos Estados Unidos, testemunharmos diferentes matizes de fanatismo:
religioso, político, militar e pitadas de idolatria de um Superstar pop. Observa-se a coesão e
sensação de pertencimento por meio de símbolos e cores; o inimigo externo comum em uma
simplista visão dualística de mundo; a crença na infalibilidade das convicções e/ou doutrinas; o
amplo desejo de validar e impor a “absoluta verdade” na sociedade e a identificação irracional ao
líder de sua devoção com o óbvio culto a personalidade. Essas características são facilmente
observadas nos principais regimes totalitários que definiram o século XX, nos atuais líderes
populistas autoritários e nas formas mais violentas de fundamentalismo religioso
contemporâneo. Mas o que diferencia uma pessoa fanática das outras? Talvez a recusa da
primeira em acreditar nos mais claros argumentos críticos ou provas diante de fatos consumados,
recusando firmemente de obter conclusões de suas próprias experiências ou observações do real
– simplesmente negando suas existências e seguindo a opinião do grupo. O fanático acredita na
supremacia de suas ideias, crenças ou cultura, muitas vezes querendo sumariamente impô-las.
Assim, a própria crença na infalibilidade de sua doutrina ou no seu líder ajuda-lhe a negar as suas
contradições e desprazeres da realidade. De certa forma, o fanático encontra-se em uma
posição narcísica projetando no líder ou objeto de culto a perfeição que idealiza para si. Projeta
seu egocentrismo naqueles que pensam diferente os seus próprios defeitos negados – não sendo
incomum rotular os outros de autoritários, preconceituosos e… fanáticos!
Fonte: https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/fanatismo-existe-e-deve-ser-reconhecido-
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Há alguma coisa boa no fanatismo?
Qualquer experiência que envolva fãs e devotos com intensa paixão e emoção, está a um passo
do fanatismo. O termo fanatismo, do latim fanaticus, “o que pertence a um templo (fanum)”, foi
utilizado a partir do século XVIII para se referir a pessoas que seriam partidárias extremistas,
exaltadas e acríticas de uma causa religiosa ou política. O grande perigo do fanatismo consiste
na certeza absoluta e incontestável que o devoto tem a respeito de suas verdades. O fanático não
age com a razão quando defrontado com posições diferentes ou questionamentos daquilo que
defende. São características do fanatismo a irracionalidade, o autoritarismo e o agir passional,
frequentemente agressivo. Nesse sentido, fanatismo é a “exaltação que leva indivíduos ou grupos
a praticarem atos violentos contra outras pessoas (prejudicando significativamente sua liberdade
e atentando contra a vida). É assim que fanáticos podem ser definidos como aqueles que
acreditam que o fim, qualquer que seja, justifica os meios, dizia o escritor Amós Oz. Por isso,
aceitam, por exemplo, o uso de ilegalidades para linchamentos públicos de pessoas que
consideram inimigas ou até mesmo a prática da tortura contra elas. São quatro os principais tipos
de justificativas ideológicas adotadas por fanáticos: as religiosas, as racistas, as políticas e as
esportivas.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/ha-alguma-coisa-boa-no-fanatismo/