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DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO

DO ESTADO DE SÃO PAULO

Fulano de tal

Vem, respeitosamente,

Interpor Recurso

Com base no artigo 265 do Código de Trânsito Brasileiro, pelos fatos e


fundamentos a seguir expostos:

DOS FATOS

A Recorrente recebeu a NOTIFICAÇÃO PARA PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO


do Direito de Dirigir Veículos Automotores, que vai anexada por xerocópia,
frente e verso.
II- Referida Notificação relaciona 12 autos de infração, desde 23/06/98 até
11/07/2000.
III- Conforme adiante se verá, em diversos casos dessas 12 autuações, a
ocorrência não chegou ao conhecimento da ora Recorrente.
Em outros, notificada, a ora Recorrente, nos termos do 265 do Código de
Trânsito Brasileiro, indicou tempestivamente o nome do condutor do veículo no
momento da autuação, uma vez que, não obstante a propriedade do veículo em
nome da ora Recorrente, não era esta a condutora.

DO DIREITO

Assim, conforme onze xerocópias anexadas ao presente Recurso, é a


seguinte a situação relativamente a cada um dos Autos de Infração de
Trânsito relacionados na NOTIFICAÇÃO agora recebida, e da que se
recorre:
1º AIT nº 5 I 003927-1 - 07 (sete) pontos - Placa xxxxxx- data da
infração: 23/06/98
- não chegou ao conhecimento da recorrente. Fica desde já requerido
que a Autoridade Municipal e/ou Estadual de trânsito traga para o
Expediente ou Processo a ser formado com este Recurso as provas de
que a ora Recorrente tenha sido devidamente notificada, nos termos do
Código de trânsito Brasileiro e Resolução nº..../ do CONTRAN, a fim de
que a Recorrente não sofra cerceamento no seu direito de ampla defesa,
assegurado pela Constituição do Brasil (artigo 5º, Inciso LV)

No caso de as Autoridades de trânsito, Estadual e/ou Municipal, não


fazerem a prova ora requerida, toda essa matéria estará
irremediavelmente preclusa, não mais podendo expedir notificações
válidas à ora Recorrente, relativas àquelas autuações, porquanto
transcorrido, de há muito, o prazo de 30 (trinta) dias do CTB.

2º AIT nº 5I 003930-1 - 04 (quatro) pontos - Placa - data da infração:


23/06/98
- não chegou ao conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo
requerimento do item anterior

3º AIT nº 5I 003938-1 - 07 (sete) ponto - Placa - data da infração:


23/06/98
- não chegou ao conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo
requerimento do item 1º e seguintes.

4º AIT nº 3 A 555929-1 - 04 (quatro) pontos - Placa não chegou ao


conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo requerimento do item.

5º AIT nº 3 W 874597-1 - 04 (quatro) pontos - Placa


- Devidamente comunicado que o condutor do veículo, quando da
infração, erafulano de tal, CNH nº xxxxxxx portanto esta infração não é
de responsabilidade da ora Recorrente
6º AIT nº 3 B 788662-1 - 04(quatro) pontos - Placa não chegou ao
conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo requerimento do item

7º AIT nº 3 C 221742-1 - 07 (sete) pontos - Placa Devidamente


comunicado que o condutor da motocicleta, quando da infração, era
fulano de tal, CNH nº xxxxxxx Vale nota que esta infração trata-se de
"dirigir com C.N.H. vencida há mais de 30 (trinta) dias e a C.N.H. da
Recorrente é válida até 24/04/2009 (conforme doc. Anexo), tendo sida
emitida em 12/01/90
- Portanto esta infração não é de responsabilidade da ora Recorrente

8º AIT nº 3 C 221742-2 - 07 (sete) pontos - Placa


- Devidamente comunicado que o condutor da motocicleta, quando da
infração, era fulano de tal, CNH nº xxxxxx
- Vale notar que esta infração foi aplicada no mesmo dia e horário da
anterior.
- Portanto esta infração não é de responsabilidade da ora Recorrente

9º AIT 3 C 221742-2 - 07 (sete) pontos - Placa


- Devidamente comunicado que o condutor da motocicleta, quando da
infração, era , CNH nº Vale notar que esta infração foi aplicada no
mesmo dia e horário das anteriores.
- Portanto esta infração não é de responsabilidade da ora Recorrente

Intercala-se, neste ponto, a seguinte argumentação, válida para os itens


7º, 8º e 9º, supra:

Pelas circustâncias - três autuações simultâneas (7ª, 8ª e 9ª), sendo


uma delas referente a "CNH vencida", essas três autuações foram
inquestionávelmente lavradas em flagrante, possivelmente com
assinatura do então Condutor, hipótese que vale como notificação
(artigo...,..., do CTB), razão pela qual a ora Recorrente nem deveria ter
sido agora notificada, sendo duplamente injustificável que essas
infrações estejam em seu nome, prontuário e pontuação.
Neste passo, fica desde já requerido o imediato cancelamento das
autuações, imposição de multa e penalidade (pontos) e notificações
relativas aos mencionados itens 7º, 8º e 9º, supra.

10º AIT 5 Z 184449-1 - 03 (três) pontos - Placa


- não chegou ao conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo
requerimento do item 1º

11º AIT 5Z 311722-2 - 03 (três) pontos - Placa não chegou ao


conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo requerimento do item

12º AIT 5 O 731952-2 - 07 (sete) pontos - Placa


- não chegou ao conhecimento da Recorrente. Fica aqui o mesmo
requerimento do item 1º

Consideram-se intercalados, neste ponto, as considerações,


requerimento e respectiva conseqüência, referentes aos itens 7º, 8º e
9º, supra.

IV - Conforme acima se especificou detalhadamente, analizando a


situação de cada um dos 12 (doze) Autos de Infração de Trânsito:

a) em 8 casos, a Notificação da infração não chegou ao conhecimento da


ora Recorrente (números de ordem, na relação supra, 1º, 2º, 3º, 4º, 6º,
10º, 11º e 12º).

Com relação a estes 8 casos, reiteram-se, aqui, as considerações,


requerimento e respectivas conseqüências, tudo como constou nos
respectivos itens, supra.

b) em 4 (quatro) casos, foi regularmente indicado o verdadeiro


Condutor, que não o Recorrente (nºs 5º, 7º, 8º e 9º)
Reiteram-se aqui as considerações e conseqüências supra incluídas
quanto a esses itens(nºs 7º, 8º e 9º).

Dos 8 (oito) casos em que a ora Recorrente não foi Notificada;

a) os três primeiros Autos de Infração (1º, 2º e 3º), referindo-se ao


veículo Moto placa xx, são de responsabilidade do Condutor, que utiliza
referida Moto, o qual só não foi indicado regularmente pelo próprio fato
de a ora Recorrente não Ter sido Notificada e/ou recebido a notificação.
De notar que nos dois primeiros as infrações foram no mesmo dia e
hora, e tratando-se de "dirigir sem capacete" e "estacionamento
irregular", as autuações dificilmente não teriam sido em flagrante, razão
pela qual a identidade do Condutor er5a conhecida.

Este fato até justifica o não Ter sido notificada a ora Recorrente (pois o
Condutor, identificado no Auto de Infração, já era conhecido, e deve Ter
sido notificado), e a ele atribuídas as conseqüências (multa e pontos).
O que não se justifica no caso, é a duplicidade de Notificação posterior,
da ora Recorrente, que é ilegal e deve ser cancelada . O que fica
requerido.

Passa-se, agora, a outra ordem de argumentação.

Conforme se vê do COMUNICADO e PORTARIA Nº 1.385, de 21 de


dezembro de 2000, do Diretor do Departamento Estadual de Trânsito do
Estado de São Paulo (Suplemento do Diário Oficial do Estado, de
29/12/2000):

- " O Banco de Pontuação do DETRAN é alimentado por órgãos


autuantes...(das esferas administrativas "municipal, estadual e federal";
- houve acúmulo de autuações "relativas aos anos de 1998, 1999 e
2000"
- "o Condutor somente será punido se no período de 12 (doze) meses,
computados entre a primeira e a última infração houver ultrapassado os
20 (vinte) pontos, independentemente das infrações terem sido
praticadas nos anos de 1998, 1999 ou 2000"

Ora, a Resolução nº 54/98, do CONTRAN (citada na Portariado


DETRAN/SP) e que dispõe sobre a penalidade de suspensão do direito de
dirigir, estabelece que:
- "(art.3º) o cômputo da pontuação referente às infrações de trânsito,
para fins de aplicabilidade de suspensão do direito de dirigir, terá
validade do período de 12 (doze) meses;
- (§1º) a contagem do período expresso no caput deste artigo será
computada sempre que o infrator for penalizado, retroativo aos últimos
12 (doze) meses.
- (§2º) para efeito das penalidades previstas nesta Resolução, serão
consideradas apenas as infrações cometidas a partir da data de sua
publicação" (posterior a 21 de maio de 1998).

Portanto, está claro que o marco para a contagem é o momento atual


em que se der uma aplicação de penalidade, contando-se, então, o
período de 12 (doze) meses retroativamente.

A conseqüência desse mecanismo legal é que, em cada um desses


momentos torna-se precluso o direito da autoridade administrativa de
trânsito de pretender aplicar a penalidade de suspensão do direito de
dirigir, se não o fez tempestivamente, com relação aos períodos
anteriores aos "últimos 12 (doze) meses" (§1º, do art.3º, da Resolução
54/98 - CONTRAN)

Ora, como se vê da "Notificação para procedimento de Suspensão",


recebida pela Recorrente (Cópia anexa) há autuações que vão de
23/06/98 até 11/07/2000 (isto sem levar em conta as exclusões
necessárias, conforme anteriormente exposto).
Logo, consoante regra acima extraída da Resolução CONTRAN 54/98, a
contagem do período será feita a partir da última autuação - 11/07/2000
- retroagindo aos últimos doze meses.

De 11/07/2000 sé se pode retroagir a igual data 11/07/1999 (ano


contado de acordo com o Código Civil Brasileiro e modificações).
Nesse período constam Notificações referida as seguintes autuações:

7º) AIT221742-1 em 23/11/99 - 07 pontos


8º) AIT221742-2 em 23/11/99 - 07 pontos
9º) AIT221742-3 em 23/11/99 - 07 pontos
10º)AIT184449-1 em 30/12/99 - 03 pontos
11º)AIT311722-2 em 23/05/00 - 03 pontos
12º)AIT731952-2 em 11/07/00 - 07 pontos

Ocorre que as três primeiras, desse período, conforme se expôs,


referem-se à moto (a mesma das 3 primeiras infrações da Notificação,
que como se viu, são de responsabilidade do Senhor fulano, que desde
então encontra-se na posse do veículo, e que já foi identificado na
autuação do item 7º e outros).

Restam, portanto apenas as três últimas autuações (10ª, 11ª e 12ª) da


Notificação, que, além de não terem chegado ao conhecimento da ora
Recorrente, somariam apenas 13 pontos, muito menos do que os 20
(vinte) que, num período de doze meses retroativos à partir da última
autuação, justificariam a suspensão do direito de dirigir!

Reitera-se que ocorreu a preclusão do direito da autoridade de trânsito


de impor penalidade para períodos anteriores ao citado.
Vale recordar, sobre ocorrências de prescrição, decadência, preclusão:
"dormientibus non sucurrit jus"!

V- Diante de tudo que se expôs, é dispensável quaisquer argumentações


de mérito para defesa da ora Recorrente, pois a responsabilidade pelas
demais infrações é de terceiros, conforme indicado em cada caso, dentro
do prazo legal.

VI- Por todo exposto, não havendo fundamento legal para a


NOTIFICAÇÃO e penalidade para a ora Recorrente, é o presente para
Recorrer contra o Ato Administrativo de Vossa Senhoria, Senhor Diretor
do Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo, consubstanciado
na notificação para Procedimento de Suspensão de Direito de Dirigir
Veículos Automotores com apreensão da Carteira Nacional de
Habilitação, uma vez que a ora Recorrente não atingiu o limite de pontos
previstos no artigo 259 do CTB.

Nestes termos, por ser de direito e de justiça,

Pede e espera deferimento de todo o ora requerido.

São Paulo,

FULANO DE TAL COM RG.

DOS PEDIDOS

'EX POSITIS', fica requerido:


a) a exclusão do nome da ora Recorrente dos registros relativos aos
Autos de Infração de Trânsito relacionados e comentados;
b) O cancelamento da NOTIFICAÇÃO para Procedimento de Suspensão
de Direito de Dirigir Veículos Automotores, dispensada a apreensão da
CNH, por indevida.