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23/07/2011

“E a telona chegava a Caruaru...” (I)


 

José Daniel da Silva

Nossa cidade acordou mais feliz, estes dias, com a abertura de novos cinematógrafos em Caruaru. Já não era
sem tempo! A nossa convivência com cinemas é bastante antiga, estando alguns dos cinemas na memória de
boa parte da população, sejam os mais jovens ou os mais experientes. Quando o primeiro shopping da cidade
abriu suas portas, agora nos anos 90, havia três salas em suas instalações, que funcionaram até meados dos
anos 2000.

Antes disto, e de história mais recente, havia os cines "Maciel", "Santa Rosa" (já menos imponente) e o "Grande
Hotel". Nos anos 50 e 60, por sua vez, o "Santa Rosa", de propriedade de Miguel "das Molas", teve seus tempos
de glória, tendo como concorrente o "Cine Caruaru", de Santino Cursino. Havia, ainda, o "Cine Rádio", nas
instalações do auditório da "Rádio Difusora de Caruaru". (Em loja alugada, na Festa do Comércio, Paulo Santos
também projetava filmes).

Destes três últimos cinemas citados, o mais "cult" era o da Difusora, pois nele eram reproduzidos filmes de
Allain Resnais, Chabrol, Truffaut, Goddard, De Sica, Fellini, Rossellini, Antonioni, Pasolini, Bertolucci, etc.
(pesquisando nos arquivos do Jornal VANGUARDA é possível localizar propagandas de filmes de todos estes
grandes diretores), distribuídos pela ART Filmes. Havia um crítico de cinema em nossa cidade, o jornalista
Ivan Soares, que fazia um programa nesta emissora. No "Difusora", entretanto, não havia grande freqüência
nesta sala.

O mais popular era o "Cine Caruaru", que funcionava onde hoje é o Banco do Brasil, no Centro. Era servido por
distribuidoras importantes como a Fox, Columbia, Universal, Atlântida, UCB, Vera Cruz, enquanto o "Santa
Rosa" exibia principalmente filmes da Warner Bros., United Artists, Paramount etc. Ambos tinham grande
capacidade de público (algo em torno de 800 lugares). Era comum a exibição de um "cine-jornal", nacional ou
estrangeiro, com destaque para o "Canal 100", que passava clássicos de futebol do Maracanã, enquanto se
ouvia a música "Na cadência do samba (Que bonito é)", de Luiz Bandeira, interpretada pelo conjunto do
pianista Waldyr Calmon. De vez em quando, passava-se também um desenho animado.

Porém, já nas primeiras décadas do século passado, Caruaru conhecia salas de projeção cinematográfica: na
década de 1910, havia o "Cine Ideal", de propriedade de Vincenzo Ponzo, tio de Giácomo Mastroianni (um
italiano de Trecchina, província de Potenza, que radicou-se em Caruaru), que gerenciava o mesmo; havia o
Cine Theatro Rio Branco, anos 1920; o "Cine Avenida" (ou "Cine Modelo", ficou a dúvida, na pesquisa), de
Giácomo Mastroianni e Aristo Fonseca, aproximadamente na década de 1930; Cine Bandeirantes, na rua Preta;
Cine São José, na rua Vidal de Negreiros. Devemos lembrar que as primeiras projeções cinematográficas,
feitas pelos irmãos Lumière, se deram em 1895... Caruaru, portanto, já vivenciava, bem cedo, este grande
avanço tecnológico, uma das "maravilhas da modernidade".

Em tempo: este artigo é fruto de um diálogo informal, on line, com os seguintes amigos: os filhos de Giácomo
Mastroianni (Gianni, Giovanni, Giuseppe, Giácomo, Giovannita), bem como Ivan Galvão, Sóstenes Fonseca,
Detto Costa, José Torres e Clóvis Pereira, etc. A eles, grande agradecimento pelo resultado. Também realizei
pesquisas no livro "Minha Vida com Papai", de Giannina Mastroianni de Almeida. Na semana que vem, concluo
minhas narrativas sobre os cinemas de nossa cidade.

José Daniel da Silva é mestre em História (UFPE), professor universitário e pesquisador. @HistCaruaru
(twitter) - danielhistoria@hotmail.com

http://www.jornalvanguarda.com.br/v2/?pagina=noticias&id=8869

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