Você está na página 1de 195

UNIFAE – CENTRO UNIVERSITÁRIO

ESTUDO DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA IMPLANTAÇÃO DE


UMA INDÚSTRIA DE RECICLAGEM DE PNEUS INSERVÍVEIS

CURITIBA

2009
2

ALEXANDRE SUEKITI FURUTA

GABRIEL DILAY PENTEADO

RODRIGO OTÁVIO DAL’ASTA

ESTUDO DA VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA IMPLANTAÇÃO DE


UMA INDÚSTRIA DE RECICLAGEM DE PNEUS INSERVÍVEIS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à UNIFAE – Centro
Universitário, na disciplina de
Administração.
Prof. Mario Romero P de Souza

CURITIBA

2009
3

ALEXANDRE SUEKITI FURUTA

GABRIEL DILAY PENTEADO

RODRIGO OTÁVIO DAL’ASTA

PLANO DE NEGÓCIOS FEDERAL RECICLAGEM DE PNEUS – ESTUDO DA


VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA IMPLANTAÇÃO DE UMA
INDÚSTRIA DE RECICLAGEM DE PNEUS INSERVÍVEIS

Este trabalho foi julgado adequado para obtenção do grau de Bacharel em


Administração e aprovado na sua forma final pela Banca Examinadora, da FAE –
Centro Universitário.

Curitiba, 30 de Outubro de 2009.

BANCA EXAMINADORA

Profº Mário Romero Pellegrini de Souza


Orientador

Profº Convidado
4

SUMÁRIO

LISTA DE ILUSTRAÇÕES .........................................................................................9

LISTA DE GRÁFICOS ..............................................................................................10

LISTA DE TABELAS ................................................................................................11

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ...................................................................12

1. TEMA ....................................................................................................................13

2. PROBLEMA DE PESQUISA ................................................................................13

3. OBJETIVO GERAL...............................................................................................13

4. JUSTIFICATIVA....................................................................................................13

5. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................16

5.1. INDÚSTRIA AUTOMOBILISTICA ..................................................................16

5.2. O PNEU E A SUA COMPOSIÇÃO .................................................................17

5.4. MEIO AMBIENTE ...........................................................................................19

5.4. POLUIÇÃO .....................................................................................................20

5.5. SUSTENTABILIDADE....................................................................................21

5.6. RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO .................................................................22

5.7. LEGISLAÇÃO ................................................................................................23

6. DEFINIÇÃO DO NEGÓCIO ..................................................................................25

6.1. OPORTUNIDADE ...........................................................................................25

6.2. DESCRIÇÃO DO NEGÓCIO ..........................................................................25

6.3. PRODUTOS E SERVIÇOS.............................................................................25

6.4. NOVOS NEGÓCIOS.......................................................................................26

7. ANÁLISE DE MERCADO .....................................................................................27

7.1. ANÁLISE SWOT.............................................................................................27

7.1.1. Oportunidades ..........................................................................................27

7.1.2. Ameaças...................................................................................................28

7.1.3. Forças.......................................................................................................28
5

7.1.4. Fraquezas.................................................................................................29

7.2. AS CINCO FORÇAS DE PORTER.................................................................29

7.2.1. Poder de Barganha dos Clientes ..............................................................29

7.2.2. Poder de Barganha dos Fornecedores .....................................................29

7.2.3. Barreiras a Novos Entrantes.....................................................................30

7.2.4. Existência de Produtos Substitutos...........................................................30

7.2.5. Concorrência ............................................................................................30

7.3. POTENCIAL DE MERCADO ..........................................................................31

7.4. ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO......................................................................31

7.5. ANÁLISE DE COMPETIÇÃO .........................................................................32

8 MARKETING..........................................................................................................34

8.1 MERCADO CONSUMIDOR.............................................................................34

8.2 POSICIONAMENTO ........................................................................................37

8.3 COLETA DE PNEUS .......................................................................................37

8.4 COMERCIALIZAÇÃO......................................................................................37

8.3.1 Borracha ....................................................................................................38

8.3.2 Aço.............................................................................................................38

8.3.3 Nylon..........................................................................................................38

8.3.4 Certificado de Destinação..........................................................................39

8.4. ESTIMATIVA DE VENDAS ............................................................................40

9. OPERACIONALIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA.................................................41

9.1. PROCESSOS ................................................................................................41

9.1.1. Visão Macro do Processo .........................................................................41

9.1.2. Descrição Operacional..............................................................................41

9.2. EQUIPAMENTO .............................................................................................43

9.2.1. Planta do Equipamento.............................................................................43

9.2.2. Descrição do Equipamento.......................................................................44


6

10. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E EQUIPE GERENCIAL.............................46

10.1. EQUIPE GERENCIAL ..................................................................................46

10.1.1. Diretor Administrativo e Financeiro .........................................................46

10.1.2. Gerente Comercial..................................................................................46

10.1.3. Supervisor Técnico de Equipamentos ....................................................47

10.2. ESTRATÉGIA DE RH...................................................................................47

10.2.1. Plano de Saúde ......................................................................................47

10.2.2. Vale Alimentação ....................................................................................47

10.2.3. Comissões ..............................................................................................47

10.2.4. Salários...................................................................................................47

10.3. EMPRESA ....................................................................................................48

10.3.1. Constituição ............................................................................................48

10.3.2. Licenciamentos e outras necessidades ..................................................48

10.3.3. Sindicatos ...............................................................................................48

10.3.4. Terceirizados ..........................................................................................49

10.3.5. Localização .............................................................................................49

11. ANÁLISE FINANCEIRA......................................................................................50

11.1. VARIÁVEIS ECONÔMICAS .........................................................................50

11.2. PROJEÇÕES FINANCEIRAS ......................................................................53

11.2.1. Custos e Despesas.................................................................................53

11.2.2. Resultado................................................................................................54

11.2.3. Ponto de Equilíbrio..................................................................................54

11.2.4. Fluxo de Caixa ........................................................................................55

11.3. INDICADORES CHAVE ...............................................................................55

12. ANÁLISE DE RISCOS ........................................................................................57

13. PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO .........................................................................58

13.1. CRONOGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO.....................................................58


7

14. PROPOSTA DE INVESTIMENTO ......................................................................59

14.1. NECESSIDADE DE FINANCIAMENTO .......................................................59

14.2. FINANCIAMENTO DO EQUIPAMENTO ......................................................59

15 CONCLUSÃO ......................................................................................................60

REFERÊNCIAS.........................................................................................................61

ANEXO I – FUNCIONAMENTO DAS MÁQUINAS...................................................63

ANEXO II – DESCRIÇÃO GERAL DOS EQUIPAMENTOS .....................................67

ANEXO III – INFORMAÇÕES SOBRE CAPACIDADE DE CONSUMO...................79

ANEXO IV – COTAÇÃO EQUIPAMENTOS E PEÇAS DE REPOSIÇÃO ................82

ANEXO V – FINANCIAMENTO INTERNACIONAL..................................................91

ANEXO VI – PROPOSTA FRETE TAIWAN/ PARANAGUÁ ....................................96

ANEXO VII – PROPOSTA FRETE PARANAGUÁ/ CURITIBA ................................98

ANEXO VIII – CAMEX ISENÇÃO ...........................................................................100

ANEXO IX – CCT 2008/ 2009 .................................................................................114

ANEXO X – CONTRATO SOCIAL .........................................................................128

ANEXO XI – RESOLUÇÃO 237/99 CONAMA .......................................................132

ANEXO XII – IMÓVEL PARA INSTALAÇÃO .........................................................142

ANEXO XIII – COTAÇÃO BORRACHA NATURAL ...............................................146

ANEXO XIV – RESOLUÇÃO 258/99 CONAMA .....................................................149

ANEXO XV – DESCRIÇÃO DE CARGOS..............................................................153

ANEXO XVI – PLANILHAS FLUXO DE CAIXA .....................................................159

ANEXO XVII – PLANILHA ANÁLISE FINANCEIRA TIR .......................................163

ANEXO XVIII – PLANILHA DRE E PONTO DE EQUILIBRIO ...............................165

ANEXO XIX – PLANILHA DE CUSTOS ADMINISTRATIVOS...............................167

ANEXO XX – PLANILHA DE CUSTOS DE PRODUÇÃO ......................................169

ANEXO XXI – PLANILHA DE FATURAMENTO ....................................................171


8

ANEXO XXII – PLANILHA DE VARIÁVEIS ECONÔMICAS, DESPESAS,


MANUTENÇÃO E GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS..............................................173

ANEXO XXIII – PLANILHA DE ESTOQUE DE PRODUTOS ACABADOS............175

ANEXO XXIV – PLANILHA DO FLUXO OPERACIONAL .....................................178

ANEXO XXV – PLANILHA INFRA-ESTRUTURA ..................................................181

ANEXO XXVI – RELAÇÃO DE FORNECEDORES................................................183

ANEXO XXVII – RELAÇÃO DE CLIENTES ...........................................................186

ANEXO XXVIII – COTAÇÃO DÓLAR COMERCIAL ..............................................192


9

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 - ESTRUTURA DO PNEU .......................................................................18


FIGURA 2 - SWOT....................................................................................................27
FIGURA 3 - PRODUTOS FABRICADOS PELOS CLIENTES...................................36
FIGURA 4 - PRODUTOS FABRICADOS ..................................................................38
FIGURA 5 - LAYOUT PRODUTIVO ..........................................................................41
FIGURA 6 - LAYOUT EQUIPAMENTOS ..................................................................43
FIGURA 7 - ORGANOGRAMA..................................................................................46
FIGURA 8 - VISTA AÉREA DO BARRAÇÃO............................................................49
FIGURA 9 - CRONOGRAMA ....................................................................................58
10

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - RECICLAGEM DE PNEUS.................................................................14


GRÁFICO 2 - RECEITA DO SETOR DE ARTEFATOS DE BORRACHA .................34
GRÁFICO 3 - CONSUMO DE ARTEFATOS DE BORRACHA POR SETOR............35
GRÁFICO 4 - EVOLUÇÃO DAS VENDAS ................................................................40
11

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - VALOR PRODUTOS, SERVIÇOS E MATÉRIA PRIMA ........................50


TABELA 2 - REMUNERAÇÃO POR CARGOS .........................................................50
TABELA 3 - DESPESAS COM IMÓVEL ...................................................................50
TABELA 4 - CUSTOS RELATIVOS À MAQUINA PRINCIPAL..................................51
TABELA 5 - PEÇAS DE REPOSIÇÃO ......................................................................51
TABELA 6 - GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS...........................................................52
TABELA 7 - RESULTADO PRÉ-OPERACIONAL .....................................................52
TABELA 8 - CUSTOS DE PRODUÇÃO ....................................................................53
TABELA 9 - CUSTOS ADMINISTRATIVOS..............................................................53
TABELA 10 - RESULTADO.......................................................................................54
TABELA 11 - PONTO DE EQUILÍBRIO ....................................................................54
TABELA 12 - FLUXO DE CAIXA...............................................................................55
TABELA 13 - INDICADORES....................................................................................55
12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland


ABIARB - Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Borracha
ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
ANIP - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos
BTU - British Thermal Unit (Unidade Térmica Britânica)
CAMEX - Câmara de Comércio Exterior
CCT - Convenção Coletiva de Trabalho
CDB - Certificado de Depósito Bancário
CDI - Certificado de Depósito Interbancário
CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem
CIC - Cidade Industrial de Curitiba
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente
EBITDA - Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and
Amortization (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e
amortização)
FOB - Free On Board
IAP - Instituto Ambiental do Paraná
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
PLR - Participação nos Lucros e Resultados
SELIC - Sistema Especial de Liquidação e Custódia
SINDIBOR - Sindicato da Indústria de Artefatos de Borracha
SINDIPEÇAS - Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos
Automotores
TIR - Taxa Interna de Retorno
TMA - Taxa Mínima de Atratividade
VPL - Valor Presente Líquido
13

1. TEMA

Avaliação de oportunidade: implantação de uma indústria recicladora de


pneus inservíveis, gerando borracha, aço e nylon em pó, para serem vendidos como
matéria prima para outras empresas.

2. PROBLEMA DE PESQUISA

Qual a viabilidade da implantação de uma indústria de reciclagem de pneus


na região de Curitiba, PR?

3. OBJETIVO GERAL

Estudar a viabilidade econômico-financeira para a implantação de uma


indústria especializada na reciclagem de pneus inservíveis até o processo de
granulação do pneu, repassando para outras empresas o processo de
beneficiamento desta matéria prima.

4. JUSTIFICATIVA

A cada ano, dezenas de milhões de pneus novos são fabricados no País. Em


2008, foram produzidos mais de 60 milhões de unidades. Por outro lado, uma
quantidade equivalente à metade dessa produção tem sido descartada no mesmo
intervalo, por não apresentarem mais condições de uso. Esses pneus inservíveis
não são apenas um problema ambiental devido ao fato da borracha não se
decompor facilmente, mas também de saúde pública, pois são propícios à
disseminação de doenças como a dengue e a febre amarela. Segundo estimativa da
Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), cerca de 100 milhões de
pneus velhos estão espalhados em aterros, terrenos baldios, rios e lagos.

Pneus com meia vida ou passíveis de recauchutagem têm "valor positivo",


pois tem a possibilidade de retornar ao mercado após serem reformados. Já os
pneus que não são passíveis de recuperação têm "valor negativo", pois as empresas
14

geradoras destas carcaças devem pagar para que estas sejam destruídas
apropriadamente. A reciclagem de pneus é a alternativa mais eficiente para resolver
o problema, pois devolve a borracha novamente à cadeia produtiva por menos da
metade do custo que o da borracha natural ou sintética. Além disso, economiza
energia e poupa petróleo usado como matéria-prima virgem.

GRÁFICO 1 - RECICLAGEM DE PNEUS

FONTE: ANIP

Estima-se que o Brasil recicle em torno de 260 mil toneladas de pneus


inservíveis por ano, que corresponde a 57% do descarte total de carcaças
pneumáticas. Deste total, 57% são utilizados como combustível em fornos de
indústrias cimenteiras. Neste caso, as cimenteiras não pagam por este produto e sim
cobram um aluguel pela utilização dos fornos, por parte de empresas que querem
obter somente o certificado de destinação do IBAMA. Estas empresas pagam pelo
aluguel do forno e também pelo pneu, num média de R$ 50,00 / tonelada pelo
aluguel e R$ 50,00 / tonelada pelo pneu.Apesar da correta destinação, este
processo não pode ser chamado de reciclagem, pois o produto gerado não mais
retornará ao ciclo produtivo.

As carcaças destinadas à reciclagem podem seguir 2 caminhos diferentes: a


recuperação e a regeneração.
15

I. Recuperação consiste na trituração dos pneus e moagem dos resíduos,


reduzidos a pó fino. A borracha contida nos resíduos, na forma vulcanizada,
pode ou não ser separada do aço e do nylon. As principais utilizações para o
material resultante deste processo são:

a. Grânulos maiores que 5 mm podem ser misturados ao asfalto na


proporção de 3% a 25%, gerando um pavimento de melhor qualidade e
mais resistente ao tempo;

b. Utilização como combustível para fornos industriais, principalmente em


fábricas de cimento. O pneu é altamente combustível, com poder
calorífico de 12 mil a 16 mil BTUs por quilo, superior ao carvão. Estima-
se que 57% do total de carcaças recicladas no país tem esta
destinação;

c. Fabricação de artefatos de borracha mais simples que não necessitem


ser vulcanizados novamente, como pisos, solados, pneus maciços, etc.

II. No processo conhecido como regeneração, a borracha é moída e separada


do aço e do nylon. Em seguida, passa por um processo de desvulcanização
onde as cadeias de fibras são quebradas, devolvendo em torno de 75% das
suas propriedades originais. O material resultante, geralmente misturado à
borracha crua, pode ser utilizado na fabricação de artigos emborrachados,
como tapetes para carros.

O crescimento expressivo da frota de veículos no Brasil e no mundo tem


impulsionado a produção de pneus, e a conseqüente geração de carcaças de pneus
inservíveis. Aliando este fato ao baixo índice de reciclagem no país, visualiza-se
uma grande oportunidade para implantar uma indústria especializada na reciclagem
de pneus inservíveis, através do processo de trituração e separação dos elementos
formadores do pneu: borracha, aço e nylon, que podem ser comercializados
conforme abaixo:

I. Pó de borracha (55%), que pode ser comercializado como matéria prima por
valores entre US$ 200 e US$ 1.100 a tonelada, dependendo da
granularidade;
16

II. Fabricação de artigos de borracha com maior valor agregado que o pó bruto.
Menos de 10% dos artefatos de borracha fabricados no país são reciclados,
segundo a Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), o que pode
ser visualizado como uma oportunidade;

III. Pó de nylon (30%), que pode ser comercializado como matéria prima para
embalagens, principalmente as de papelão, a um custo de R$ 50 / ton;

IV. Pó de aço (15%), que pode ser vendido para siderúrgicas por R$ 50 a R$ 150
a tonelada.

V. Além disso, cada tonelada de pneu reciclado gera um certificado de


destinação adequada do material, que podem ser vendidos aos fabricantes e
importadores de pneus por R$ 200,00. Por lei, estas empresas precisam dar
destino adequado a 5 pneus para cada 4 que são importados, e devem
comprovar tal fato por meio de um certificado de destinação;

5. REVISÃO DA LITERATURA

5.1. INDÚSTRIA AUTOMOBILISTICA

Há 63 anos, Peter Drucker (1946), denominou-a “A indústria das indústrias”.

A indústria automobilística mundial teve grande crescimento a partir da


implantação do sistema de produção em série de Henry Ford na década de 20. De lá
para cá o automóvel firmou-se como meio de transporte e também como produto de
desejo para grande parte da população. Segundo Womack (1992, p.1) “a indústria
automobilística continua sendo a maior atividade industrial”.

O desenvolvimento tecnológico, principalmente após a II guerra mundial,


permitiu que a produção se tornasse cada vez maior e os custos ficassem mais
baixos, tornando o carro um produto mais acessível para grande parte da população.
“A produção enxuta oferece o melhor da produção artesanal e da produção em
massa: a capacidade de reduzir custos, aumentar tremendamente a qualidade,
oferecendo ao mesmo tempo uma variedade crescente de produtos”. (Womack,
17

1992, p.278). Também o crescimento populacional criou demanda necessária para o


investimento neste setor.

Em 2006 a produção mundial atingiu 69 milhões de veículos produzidos no


mundo. No Brasil, a história do automóvel teve inicio em 1956 com a fabricação do
Romi-isetta. Segundo Nabuco (2002, p.51) “O Brasil apresenta um grande potencial
de crescimento, ou seja, passa a exercer um papel estratégico cada vez mais
importante na expansão da indústria automobilística mundial”.

De lá para cá, muitas outras montadoras se instalaram no país e em 2008 a


produção nacional, segunda a ANFAVEA, foi de 3,2 milhões de veículos,
impulsionadas principalmente pela estabilidade econômica e aumento do crédito
para financiamento.

A frota nacional em 2008, segundo a SINDIPEÇAS, conta com


aproximadamente 20,7 milhões de veículos de passeio com vida média de 20 anos
de uso. Esta média de vida gera a necessidade de troca de peças e componentes
para que o carro mantenha seu funcionamento adequado.

No Brasil ainda não foi regulamentada a inspeção veicular, que visa diminuir a
frota de carros sem o mínimo de segurança para transitar. Mesmo assim, o país
produz 25 milhões de pneus inservíveis por ano que precisam ser corretamente
retiradas do meio ambiente.

5.2. O PNEU E A SUA COMPOSIÇÃO

Tecnicamente conhecido como pneumático, o pneu é um dispositivo,


composto principalmente por borracha, que contorna o aro de uma roda de forma
que absorve o impacto entre a mesma e a superfície de contato, proporcionando
maior conforto e segurança aos veículos.

O pneumático é formado por seis partes principais:

I. Carcaça: composto por lonas de poliéster, aço ou nylon, é a estrutura interna


do pneumático, e tem como função a retenção da pressão do ar e a
sustentação do peso do veículo. As lonas podem estar dispostas em sentido
18

diagonal, caracterizando os pneumáticos chamados convencionais ou


diagonais, ou podem estar dispostas de forma radial, sendo o pneumático por
sua vez chamado de radial;

II. Talão: é a parte do pneumático que garante sua fixação ao aro. É feito de aço
de alta resistência revestido de borracha;

III. Paredes laterais: também conhecidas como flancos, são as laterais da


carcaça do pneumático. São revestidas de borracha com alto grau de
flexibilidade, para resistir às torções provocadas por acelerações e frenagens
do veículo;

IV. Cintas (lonas): presentes em pneumáticos radiais, revestindo a estrutura


resistente (carcaça), sendo sua finalidade estabilizá-lo;

V. Banda de rodagem: é a parte do pneumático que entra em contato com a


superfície de contato. Feito de um composto de borrachas muito resiste,
possui relevo trabalhado para otimizar o escoamento de água, aumentando a
sua eficiência;

VI. Ombro: é o componente localizado entre a banda de rodagem e a parede


lateral.

FIGURA 1 - ESTRUTURA DO PNEU

FONTE: www.braziltires.com.br
19

O pneumático, em sua maior parte, é composto por borracha (cerca de 40%


do seu peso). Esta borracha pode ser natural, resultando da resina extraída da
árvore seringueira, ou pode ter origem sintética, como é o caso de elastômeros e
polímeros que possuem propriedades semelhantes com as da borracha natural.

Os outros materiais utilizados na confecção do pneu são: o negro de carbono


ou negro de fumo, que é utilizado em um processo chamado vulcanização e
favorece a resistência do pneu e o poliéster, nylon e aço, utilizados nas carcaças,
talões e cintas.

5.4. MEIO AMBIENTE

É o conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos e


as coisas em geral. É possível separá-lo em Biótico e Abiótico. Biótico tem relação
direta com os seres vivos animais e vegetais e Abióticos tem relação com a água,
solo, ar e luz.

Na prática está separação serve somente para fins didáticos. É impossível


separar os seres vivos dos elementos da natureza.

O ser humano, por questões econômicas, tem tratado o meio ambiente de


forma secundária e sem preocupação com o futuro. Para manter seu padrão de vida
muitas pessoas não se preocupam de qual é a origem dos produtos que consomem
e também qual é o destino dos restos deste consumo. A utilização indiscriminada e
de forma irracional dos recursos naturais tem trazido problemas ao meio ambiente,
com a contaminação do solo, da água e do ar por agentes químicos derivados deste
processo. “A preocupação com problemas ambientais decorrentes dos processos de
crescimento e desenvolvimento deu-se lentamente e de modo muito diferenciada
entre os diversos agentes, indivíduos, governos, organizações internacionais,
entidades da sociedade civil etc”. (Barbieri, 1997, p.15).

Os recursos que a natureza oferece estão se tornando mais escassos e


menos renováveis. Dentro deste contexto é necessário que seja encontrada formas
de exploração baseadas na manutenção dos recursos naturais e na correta
destinação do lixo produzido pelo ser humano.
20

5.4. POLUIÇÃO

Entende-se por poluição, a introdução pelo homem, direta ou indiretamente,


de substâncias ou algum tipo de energia no ambiente que irá provocar um efeito
negativo em seu equilíbrio, provocando danos aos seres vivos, à saúde humana e
ao ecossistema.

Os poluentes podem ser de origem química ou genética ou sob a forma de


energia, como no caso de luz, calor ou radiação.

Os tipos de poluição mais comuns são do ar, do solo, da água. Nos grandes
centros urbanos observa-se também a poluição sonora, visual, térmica e luminosa.

A poluição é uma das grandes preocupações da humanidade e várias


organizações e países se reúnem com o objetivo de diminuí-la e também de criar
maneiras alternativas de explorar o meio ambiente sem poluí-lo ou degradá-lo. O
efeito estufa é um dos sintomas mais reconhecidos da poluição descontrolada,
emitida principalmente por países desenvolvidos como os Estados Unidos e em
desenvolvimento como o Brasil e a China.

Existe um consenso muito grande de que a própria raça humana corre risco
de extinção, junto com muitas outras espécies, caso não sejam tomadas medidas
eficientes no controle da emissão de poluentes no meio ambiente.

O crescimento econômico tem sido a causa do aumento da poluição e a


crescente competitividade entre os países tem influenciado os governos a deixarem
em segundo plano os acordos firmados.

Neste contexto, a poluição provocada por pneus ao meio ambiente ocorre


quando ele é descartado como lixo. O pneu é um produto que não é biodegradável,
seu tamanho dificulta o armazenamento, se queimados libera substâncias tóxicas e
cancerígenas. Se jogados nos rios, obstruem passagem de água podendo causar
alagamentos e se expostos no tempo, retém água da chuva criando um reservatório
de mosquitos da dengue.

Também, segundo Barbieri (1997, p.33) em recursos não renováveis como


combustíveis de origem fóssil, a sustentabilidade será sempre uma questão de
21

tempo. “Assim, reduzir ao máximo todo tipo de desperdício na exploração e uso


desse tipo de recurso é uma providência necessária, urgente e que depende do tipo
de tecnologias adotadas pelos sistemas produtivos”.

5.5. SUSTENTABILIDADE

A alternativa para a diminuição da degradação ambiental, assim como para as


alterações climáticas, é o desenvolvimento sustentável. Sustentável, palavra que
atualmente está presente na maioria dos projetos, é, no sentido puro e simples da
palavra, “o que sustenta alguém ou alguma coisa” (RUSCHEINSKY, 2004, p. 17).
Desta forma, ainda segundo Ruscheinsky:

Sustentabilidade consiste num conceito, a bem da verdade, bastante amplo


e admite variações de acordo com interesses e posicionamentos, além do
que ainda é recente e por isso mesmo sujeito a ambigüidades e dilemas
quanto ao seu uso e significado (...) talvez esteja aí a raiz da levianidade
com que ele vem sendo aplicado a todo tipo de discurso e projeto (...).
(RUSCHEINSKY, 2004, P.17)

Levando em consideração a sustentabilidade do meio ambiente, as


empresas, tanto as produtoras quanto prestadoras de serviços, são ameaças em
potencial ao ambiente. As empresas utilizam como matéria-prima diversos recursos
naturais, empregam grandes frotas para transporte e processam materiais para
obter seu produto, tendo muitas vezes como conseqüência a poluição do ambiente e
resíduos sem o devido tratamento. Ao mesmo tempo em que são grandes
poluidores, as indústrias também oferecem grande oportunidade para melhorias
relacionadas à sustentabilidade, porém, as medidas que poderiam ser tomadas
refletem nos custos das empresas, fazendo com que os responsáveis sobre estas
decisões sintam-se desanimados em um primeiro momento. As diretrizes da
sustentabilidade no meio ambiente são explicadas de forma sucinta por Veiga:

No que se refere as dimensões ecológicas e ambientais, os objetivos de


sustentabilidade formam um verdadeiro tripé:

• preservação do potencial da natureza para a produção de recursos


renováveis;

• limitação do uso de recursos não renováveis;


22

• respeito e realce para a capacidade de autodepuração dos


ecossistemas naturais (VEIGA, 2005, p. 171)

Mas os incentivos as empresas a praticarem a sustentabilidade vêm sendo


cada vez maior, pois entre eles figuram o reconhecimento que estas empresas
recebem e muitas vezes a redução de custo, através da obtenção de energias mais
limpas e baratas e o reaproveitamento dos resíduos através da reciclagem.

5.6. RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO

A reciclagem e a reutilização são formas de contribuir com a longevidade do


ambiente no qual a empresa está inserida. Trata-se de reaproveitar recursos já
utilizados anteriormente como matéria-prima na elaboração de um novo produto.
Porém, o termo “reciclável” é aplicável apenas aos materiais que podem retornar ao
seu estado original, mantendo as suas propriedades iniciais, como é o caso do
alumínio. As vantagens destes processos de reutilização são: o emprego de um
material que poderia ser considerado lixo e demoraria a se decompor; a diminuição
do desgaste de recursos naturais para a elaboração dos mesmos produtos que
podem ser elaborados com material reciclado, poupando o ambiente; a
comercialização de material reciclado para ser utilizado como matéria prima na
elaboração de novos produtos, gerando empregos e renda.

A reutilização de materiais, como papel, plásticos, borrachas, metais e vidros,


tem se apresentado como uma oportunidade de negócio, sendo a razão de existir de
diversas indústrias. Uma grande fonte de materiais que podem ser reutilizados é o
pneumático, vulgarmente conhecido como pneu.

Reflexo da crescente frota de veículos no Brasil, a quantidade de


pneumáticos produzidos e inutilizados aumentou, evidenciando a necessidade de
reutilizá-los de alguma forma.

Porém, atualmente pode-se contar com tecnologias que permitem a


regeneração da borracha na forma de uma pasta, a partir do processo de
desvulcanização da borracha dos pneumáticos. Esta pasta possui propriedades,
como elasticidade e resistência, semelhantes ao da borracha em sua primeira
23

utilização e, com esse recurso, podem ser produzidos, por exemplo, tapetes para
automóveis, pisos industriais, borrachas de vedação e solado de calçados.

Já a borracha moída pode ser utilizada na composição de asfalto,


aprimorando sua flexibilidade e durabilidade. Além disso, pode ser empregada como
amortecimento em gramados sintéticos e aerador de solos compactados.

Enquanto isso, os pneus inteiros também adquirem utilidade, como pára-


choques em pistas, estruturas de recifes artificiais e a geração de energia a partir da
queima de carcaças em fornos especiais.

Além do reaproveitamento da borracha, também há o emprego do pó de aço,


que pode ser comercializado para as siderúrgicas, e o pó de nylon, que é muito
utilizado em embalagens, como as de papelão.

5.7. LEGISLAÇÃO

No Brasil, o CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, é o órgão


responsável pela legislação ambiental e em 26 de Agosto de 1999 publicou a
resolução 258 que regulamenta a destinação de pneumáticos inservíveis
abandonados ou dispostos inadequadamente.

A Resolução determina que a partir de janeiro de 2005 para 04 pneus novos


fabricados no país ou pneus novos importados, inclusive aqueles que acompanham
os veículos importados, as empresas fabricantes ou importadoras deverão dar
destinação final a cinco pneus inservíveis. Para cada 03 pneus reformados
importados, as empresas importadoras deverão dar destinação final a 04 pneus
inservíveis.

No quinto ano após a vigência desta resolução, o CONAMA, juntamente com


o IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis irá reavaliar estas normas e procedimentos.

Em março de 2002, o CONAMA publicou a Resolução 302 complementando a


resolução anterior. A Resolução diz que as empresas fabricantes e as importadoras
de pneumáticos para uso em veículos automotores e bicicletas ficam obrigadas a
24

coletar e dar destinação final, ambientalmente adequada, aos pneus inservíveis


existentes no território nacional, na proporção definida nesta Resolução
relativamente às quantidades fabricadas e/ou importadas. Em seu livro, Berle (1992,
p.28) já apontava a necessidade dos fabricantes assumirem suas responsabilidades,
pois “Os bens de consumo final são responsáveis pela maior parte do lixo que
produzimos e o custo de sua remoção não desaparece nas esferas
governamentais”.

No âmbito municipal a Secretaria Municipal do Meio Ambiente é o órgão


responsável por fiscalizar as empresas para a correta destinação dos pneus
inservíveis. Em Curitiba, a ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos
instalou em dezembro de 2008 na Cidade Industrial um Eco-ponto para a coleta de
pneus inservíveis.
25

6. DEFINIÇÃO DO NEGÓCIO

6.1. OPORTUNIDADE

O Brasil produz em torno de 60 milhões de pneus por ano, sendo que uma
quantidade equivalente à metade deste total é descartada no mesmo período.
Dentre estes pneus descartados, cerca de 57% do total das carcaças geradas são
recicladas, um percentual baixo se comparado com países desenvolvidos como os
EUA, onde o aproveitamento chega a 73%. O crescimento do mercado de veículos
automotores, experimentado nos últimos anos, intensificou a produção e o descarte
de pneus, gerando inúmeras oportunidades para empresas recicladoras deste
material, uma vez que o custo da borracha reciclada corresponde a menos da
metade do custo de fabricação de borracha natural ou sintética. (Anexo XIII).

Além disto, entrou em vigor no Brasil a resolução 258/1999 do CONAMA –


Conselho Nacional do Meio Ambiente que determina que para 04 pneus novos
fabricados no país ou pneus novos importados, inclusive aqueles que acompanham
os veículos importados, as empresas fabricantes ou importadoras deverão dar
destinação final a cinco pneus inservíveis. Para cada 03 pneus reformados
importados, as empresas importadoras deverão dar destinação final a 04 pneus
inservíveis. (Anexo XIV).

6.2. DESCRIÇÃO DO NEGÓCIO

Implantação de uma indústria recicladora de pneus inservíveis, gerando


borracha, aço e nylon em pó, para serem vendidos como matéria prima para outras
empresas, além de outros produtos e serviços indiretos.

6.3. PRODUTOS E SERVIÇOS

Através do processo de trituração e separação dos elementos formadores do


pneu, é possível gerar os seguintes produtos para comercialização:

a) Pó de borracha (55%), que pode ser comercializado como matéria prima;


b) Pó de nylon (30%), que pode ser comercializado como matéria prima para
26

embalagens, principalmente as de papelão;


c) Pó de aço (15%), que pode ser vendido para siderúrgicas;
d) Além disso, cada tonelada de pneu reciclado gera um certificado de
destinação adequada do material, que podem ser vendidos aos fabricantes e
importadores de pneus;

6.4. NOVOS NEGÓCIOS

Além dos produtos e serviços já citados, visualiza-se também a possibilidade


de ingresso em outros mercados, futuramente, como forma de crescimento e
ampliação das atividades da empresa, mediante prévia análise de viabilidade.
Podemos listar algumas oportunidades abaixo:

a) Fabricação de artigos de borracha com maior valor agregado que o pó bruto.


Menos de 10% dos artefatos de borracha fabricados no país são reciclados,
segundo a Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), o que pode
ser visualizado como uma oportunidade;
27

7. ANÁLISE DE MERCADO

7.1. ANÁLISE SWOT

FIGURA 2 - SWOT

FONTE: Próprio.

7.1.1. Oportunidades

As principais oportunidades do negócio são:

• Legislação prevê e exige destinação adequada às carcaças de pneumáticos.


Desta forma, os fabricantes e importadores são obrigados a saber de todo o
ciclo de vida do produto, inclusive depois de sua vida útil ter acabado.

• Preços mais baixos do que da matéria prima convencional que atrai para o
setor outras indústrias que estão procurando maior eficiência em sua
estrutura, através da utilização de produtos alternativos que tragam qualidade
satisfatória com custos menores.
28

• Produto social e ambientalmente correto que também atrai para o setor


empresas e consumidores que tem consciência da limitação dos recursos
naturais, procurando alternativas para minimizar esta escassez.

7.1.2. Ameaças

As principais ameaças são:

• Preconceito com a matéria prima reaproveitada que pode gerar uma rejeição
associada a um conceito de “baixa qualidade” do produto

• Concorrentes estabelecidos que podem brigar pela mesmo consumidor,


oferecendo um preço menor para impedir a entrada de novas empresas no
setor.

• Trata-se de um produto substituto ao utilizado regularmente, pode gerar,


conforme a situação do mercado mundial, uma defasagem inversa no preço
deste produto em comparação ao da borracha sintética, principalmente com a
queda acentuada no valor do barril de petróleo.

• Conflito com indústria cimenteira ao captar carcaças de pneumáticos, pois


atualmente as cimenteiras não pagam pelos inservíveis que são queimados
em seus fornos. Ao contrário obtêm uma receita do aluguel da utilização do
forno.

7.1.3. Forças

As principais forças são:

• Pouca mão-de-obra demandada, com facilidade de operação proporciona um


custo fixo menor, com menor custo operacional e provisão para reclamações
trabalhistas.

• Operação relativamente fácil que exige um menor investimento em


treinamento.
29

• Transformar em matéria-prima algo que é considerado lixo, com grande apelo


ambiental e com grande impacto social, principalmente na eliminação de
doenças.

7.1.4. Fraquezas

As principais fraquezas são:

• Processo agrega pouco valor ao produto final que pode atrair a concorrência
de outras empresas, que terão certa facilidade em copiar o processo.

• Necessidade de financiamento para compra do equipamento que deixa a


empresa vulnerável com relação a variação cambial.

• Necessidade de grande espaço físico para maquinário e armazenamento que


pode engessar o crescimento da operação.

7.2. AS CINCO FORÇAS DE PORTER

7.2.1. Poder de Barganha dos Clientes

O poder de barganha dos clientes pode ser considerado alto, pois existem
fornecedores de produtos substitutos já estabelecidos no mercado. Por sermos uma
empresa nova e nossos potenciais clientes serem indústrias, os clientes se
caracterizam como com baixa receptividade.

7.2.2. Poder de Barganha dos Fornecedores

As empresas fabricantes ou importadoras pagam pela destinação correta dos


pneus. A partir do momento em que estas carcaças de pneumáticos tornarem-se
uma matéria prima mais disputada pela indústria, poderá haver uma inversão,
ocasionando a compra da matéria prima, e não o contrário como ocorre atualmente.
Porém, enquanto quem possui a responsabilidade de destinar os pneus possui o
maior interesse, ainda há grande margem para negociação com os fornecedores.
30

7.2.3. Barreiras a Novos Entrantes

Os clientes do empreendimento são indústrias que utilizam aço, plástico e,


principalmente, borracha como matéria prima. Por se tratar de indústrias, as relações
entre clientes e fornecedores são estreitas, pois as quantidades envolvidas nas
negociações são altas e há interesse mútuo em manter as relações enquanto
possível. A entrada de uma nova empresa neste mercado é dificultada pelos
vínculos existentes entre os fornecedores e clientes já estabelecidos. Também o
valor de investimento inicial para operacionalizar o negócio é elevado, dificultando a
entrada de novas empresas.

7.2.4. Existência de Produtos Substitutos

Justamente, a proposta do novo empreendimento é oferecer um produto


substituto ao regularmente utilizado. Indústrias, como metalúrgicas, produtoras de
embalagens e de artefatos de borracha, poderão utilizar matéria-prima reaproveitada
a partir de carcaças de pneumáticos. É um produto substituto mais barato e
sustentável em relação ao ambiente e a sociedade. Porém, ainda há preconceito
contra os produtos reutilizados por desconhecimento de suas propriedades, dando a
falsa sensação de falta de qualidade apenas pelo fato de serem reaproveitados.

7.2.5. Concorrência

A concorrência da Federal Reciclagem de Pneus é composta pelas indústrias


que comercializam borracha, tanto sintética quanto a natural. Porém, o preço da
borracha natural é notavelmente mais alto que o preço da borracha reciclada: em
setembro de 2009 estava sendo comercializada ao preço de R$1,35 o quilograma.
(Anexo XIII).

Enquanto isso, a borracha sintética possui variação de preço dependente da


sua matéria-prima, o petróleo.
31

A única indústria da região que trabalha de forma semelhante, reciclando


pneus, é a Ecija. Esta costuma exportar os grânulos para a Europa, porém, devido à
crise entre 2008 e 2009, as exportações foram prejudicadas. Então a Ecija optou por
ela própria utilizar o seu produto para fabricar artefatos de borracha, como pisos.

7.3. POTENCIAL DE MERCADO

Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), o Brasil


produz em torno de 60 milhões de pneus por ano, sendo que uma quantidade
equivalente à metade deste total é descartada no mesmo período. Dentre estes
pneus descartados, cerca de 57% do total das carcaças geradas são recicladas, um
percentual baixo se comparado com países desenvolvidos como os EUA, onde o
aproveitamento chega a 73%. O crescimento do mercado de veículos automotores
experimentado nos últimos anos intensificou a produção e o descarte de pneus,
gerando inúmeras oportunidades para empresas recicladoras deste material, uma
vez que o custo da borracha reciclada corresponde a menos da metade do custo de
fabricação de borracha natural ou sintética. (Anexo XIII).

A partir da necessidade de destinação adequada a estes pneus descartados e


a atual preocupação com a sustentabilidade da natureza, é observada a tendência
de se produzir artefatos a partir de carcaças dos pneumáticos. A proposta da nossa
empresa é buscar estes pneumáticos inservíveis comprando-os a partir de quem faz
a coleta (e não diretamente dos agentes geradores), para então produzirmos
grânulos de borracha, aço e nylon e, em seguida, vendermos como matéria prima
para indústrias de artefatos de borracha, siderúrgicas (aço) e indústrias de
embalagens (nylon).

7.4. ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO

A indústria trabalha na produção de matéria prima para outras indústrias que


utilizam plástico, aço e, principalmente, borracha na confecção de seus produtos. A
venda, ao contrário do varejo, ocorre a partir de um contrato entre esta indústria e a
interessada na matéria prima, no qual determina a quantidade que venderemos por
período e seu tempo de vigência. Desta forma, a obtenção de clientes ocorrerá
32

através do contato com potenciais clientes, demonstrando a importância de utilizar


um material reaproveitado na produção de novos artefatos.

7.5. ANÁLISE DE COMPETIÇÃO

A competição pode ser observada em dois momentos: a competição na


captação de matéria prima e a competição na venda do produto.

Por motivos legais, as empresas fabricantes ou importadoras de pneus devem


dar destinação final à cinco pneus para cada quatro fabricados ou importados. Ao
buscar esta destinação adequada, estas empresas contatam outras empresas que
captam este material e repassam às indústrias, que aproveitam estes pneus como
matéria prima na composição de novos produtos ou, o que ocorre com maior
freqüência no Brasil, como combustível para fornos como os de cimenteiras. Desta
forma, a destinação adequada do material é comprovada através de um certificado
emitido pelas entidades competentes.

O maior consumidor de carcaças de pneumáticos no Brasil, e maior


competidor na utilização da matéria prima, é a indústria de cimentos. De acordo com
a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), no ano de 2008 cerca de 166
mil toneladas de pneus foram co-processados no país, equivalente a 33 milhões de
pneus. Pode-se ter como exemplo uma das unidades do Grupo Votorantim: a
unidade queima cerca de 50 toneladas de pneus por dia para a produção de dez mil
toneladas de cimento.

As empresas fabricantes ou importadoras pagam pela destinação correta dos


pneus. A partir do momento em que estas carcaças de pneumáticos tornarem-se
uma matéria prima mais disputada pela indústria, poderá haver uma inversão,
ocasionando a compra da matéria prima, e não o contrário como ocorre atualmente.

Já no momento da venda do produto a partir dos pneus, a concorrência será


enfrentada novamente, mas desta vez composta por empresas que oferecem
produtos substitutos. O produto que ofereceremos é caracterizado como um produto
alternativo ao que é utilizado, por exemplo, na indústria de artefatos de borracha,
33

pois estamos reaproveitando um material que já foi utilizado, reduzindo a exploração


do meio ambiente.
34

8 MARKETING

8.1 MERCADO CONSUMIDOR

A indústria de artefatos de borracha movimentou, segundo a ABIARB, cerca


de 2,2 bilhões de dólares em 2008. Este mercado é formado por indústrias que
fornecem peças de borrachas para os setores de automóveis, calçados, mineração,
siderurgia, eletroeletrônicos, saúde, construção civil, saneamento, petrolífera e
indústrias em geral e engloba empresas que trabalham com borracha natural e
sintética em sua maioria, mas que também trabalham com a borracha reciclada.

GRÁFICO 2 - RECEITA DO SETOR DE ARTEFATOS DE BORRACHA

Resultados Financeiros do Setor de Borrachas


em US$/ Bilhão

2,5

1,5

0,5

0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

Valor

FONTE: ABIARB

O principal mercado consumidor para nossos produtos são as empresas que


fabricam artefatos de borracha, tais como pisos para a construção civil, tapetes
automotivos e solados de sapatos que estão inseridos principalmente dentro do
setor de produtos para a construção civil, automóveis e outros.

Não podemos esquecer também as indústrias de embalagem que utilizam o


nylon e as indústrias siderúrgicas que utilizam aço, além dos importadores e
fabricantes de pneus que precisam do certificado do IBAMA.
35

GRÁFICO 3 - CONSUMO DE ARTEFATOS DE BORRACHA POR SETOR

15%
4%
4%
6% 58%
8%
5%

Automóveis
Calçados
Mineração/ Siderurgia
Eletroeletrônicos
Entretenimento
Saúde
Petrolifera, Constr. Civil, Saneamento

FONTE: ABIARB

Dentro dos fabricantes de tapetes de borracha para automóveis e pisos para


a construção civil identificamos a Borcol e a Adan como potenciais clientes,
principalmente por já produzirem produtos com a utilização do pó da borracha
oriunda da reciclagem de pneus. Também identificamos outras empresas como
potenciais clientes que estão listadas no anexo XXVII.
36

FIGURA 3 - PRODUTOS FABRICADOS PELOS CLIENTES

FONTES: www.borcol.com.br/ www.ciaform.com.br


37

8.2 POSICIONAMENTO

Na outra ponta da cadeia de valor, em relação às vendas, como serão


comercializadas matérias primas, a empresa planeja diferenciar-se dos concorrentes
pela qualidade dos serviços oferecidos, já que a qualidade do produto não tem
influência significativa na percepção dos clientes. Essa estratégia é justificada pois
os produtos apresentam alto fator de recorrência, ou seja, o cliente compra com
razoável freqüência.

8.3 COLETA DE PNEUS

A Federal irá se posicionar de forma a atrair o fluxo de pneus destinados à


queima em autofornos, pagando um preço acima do praticado no mercado. Desta
forma, estima-se que os fornecedores de pneus se interessem em trabalhar com a
empresa.

Apesar de tratar-se de uma atividade operacional, a coleta dos pneus tem


grande importância na estratégia da empresa, visto que todos os competidores
disputam uma quantidade limitada de pneus que são inutilizados todos os dias.

8.4 COMERCIALIZAÇÃO

Como resultado do processo de reciclagem, obtém-se três subprodutos que


serão comercializados como matéria prima, e que apresentam características
mercadológicas diferenciadas, de forma que será necessário utilizar estratégias
diferenciadas.

As vendas serão realizadas diretamente para as empresas consumidoras,


sem necessidade de representantes ou atacadistas. Inicialmente, a estratégia da
empresa é atender as empresas localizadas na Região Sul e São Paulo, por
questões de proximidade e também potencial de mercado.
38

FIGURA 4 - PRODUTOS FABRICADOS

FONTE: www.rerubber.com

8.3.1 Borracha

A borracha granulada será comercializada em grânulos menores que 6 mm,


como matéria prima para fabricantes de artefatos de borracha, solados, tapetes,
entre outros, bem como para aplicações de paisagismo.

O preço de comercialização será R$ 450,00 / tonelada, frete FOB, podendo


sofrer desconto conforme o volume negociado.

8.3.2 Aço

O pó de aço será comercializado diretamente para usinas siderúrgicas, para


ser misturado com o aço derretido. O preço de venda será de R$ 500,00 / tonelada,
frete FOB.

8.3.3 Nylon

O pó de nylon e outros resíduos gerados na reciclagem serão


comercializados como matéria prima para embalagens, principalmente de papelão, a
um preço de R$ 45,00 / tonelada, frete FOB.
39

8.3.4 Certificado de Destinação

Cada tonelada de pneu reciclado gera um certificado de destinação adequada


do material, que será comercializado junto aos fabricantes e importadores de pneus.
Tais empresas precisam comprovar a destinação adequada de pneus como requisito
legal para operarem. O Certificado será comercializado na base R$ 200,00 /
tonelada.
8.4. ESTIMATIVA DE VENDAS

GRÁFICO 4 - EVOLUÇÃO DAS VENDAS

EVOLUÇÃO DAS VENDAS

160.000

140.000

120.000

100.000

80.000

60.000

40.000

20.000

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Borracha Aço Nylon + Resíduos Serviço de Destinação de Pneus Inservíveis TOTAL

FONTE: PRÓPRIA

A projeção mostra um crescimento gradual das vendas no primeiro ano,


justificada principalmente pela produção. No inicio existe um tempo para que a linha
de produção esteja ajustada e também para que os operadores estejam adaptados
ao funcionamento dela. No 12º mês estaremos processando 300 toneladas de pneus
por mês, o que irá gerar 165 toneladas de pó de borracha, 30 toneladas de aço e 90
toneladas de nylon, além de gerar o crédito de 300 toneladas para emissão do
certificado de destinação do IBAMA. Desta produção, projetamos uma venda de
163,6 toneladas de pó de borracha, 29,7 toneladas de aço, 89,2 toneladas de nylon
e 258 toneladas em certificados. Para os anos seguintes, projetamos uma
estabilização nas vendas dentro destes valores.
41

9. OPERACIONALIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA

9.1. PROCESSOS

9.1.1. Visão Macro do Processo

FIGURA 5 - LAYOUT PRODUTIVO

FONTE: Própria

9.1.2. Descrição Operacional

Após instalado e testado o equipamento, estando pronto para operação, 02


operadores alimentam o equipamento com os pneus. Após está alimentação, o
equipamento começa o processo de moagem e separação dos pneus de maneira
automática. Caberiam no final da linha mais 02 operadores para fechar os sacos de
acomodação dos produtos e dispor no estoque para venda. (Anexo I).

O pó da borracha é acomodado em sacos de 60kg o que dá uma média de


135 sacos por dias. O nylon é acomodado também em sacos de 60 kgs o que
42

resulta numa média de 10 sacos e o aço é acomodado em pequenas caçambas de


100kgs o que dá uma média de 2 caçambas por dia.

Há a necessidade de um operador que atue como supervisor e técnico dos


equipamentos.

A programação de recebimento é de 2 caminhões a cada três dias, sendo


necessária uma área de aproximadamente 200m2 para acomodar estes pneus. Isto
significa uma quantidade aproximada de 2000 pneus de carro de passeio. Esta área
de descarga terá que ficar em uma região próxima no máximo em 10 metros da
cabeça da linha de produção.

Para a projeção de 300 toneladas mês de processamento será necessário um


turno de 8 horas de segunda a sexta-feira. Considerando que cada caminhão
transporta em média 10 toneladas, haverá um fluxo mensal de 30 caminhões ou
aproximadamente 1,5 por dia.

A busca de fornecedores de matéria-prima (pneus inservíveis) será realizada


através da localização e contato com os fornecedores de pneus inservíveis para a
cimenteira Votorantim em Rio Branco do Sul. Nossa estratégia seria oferecer um
valor de R$ 70,00 a tonelada (o mercado está pagando R$ 60,00) além de estarmos
localizados mais próximos que a cimenteira, diminuindo o gasto de combustível do
caminhão.
43

9.2. EQUIPAMENTO

9.2.1. Planta do Equipamento

FIGURA 6 - LAYOUT EQUIPAMENTOS

FONTE: Fabricante do equipamento


44

9.2.2. Descrição do Equipamento

O equipamento a ser utilizado para o processamento dos pneus é fabricado


em Taiwan pela empresa SSK. O valor do equipamento em dólar é de USD
1.300.000,00. (Anexo IV). Não encontramos no Brasil, similar que oferecesse as
mesmas características de funcionamento, somente fabricantes que executam
etapas do processo. No Brasil, a maioria dos pneus é queimada em autofornos de
cimenteiras, por isto encontramos somente fabricantes que vendem equipamentos
que picam o pneu. Não encontramos um equipamento que faça todo o processo.
Uma vantagem do fornecedor de Taiwan, além de oferecer um linha que executa
todo o processo, é que existe uma agência de fomento taiwanesa que através do
banco Eximbank financia em 85% o valor do equipamento com uma taxa de 4% ao
ano, com carência de até 18 meses e prazo de pagamento de até 5 anos. (Anexo V).

Para trazer o equipamento de Taiwan para o Brasil são necessários 3


containeres de 40’HC, partindo dos portos de Keelung ou Taoyan com chegada em
Paranaguá. O valor do frete marítimo em Setembro 2009 está em USD 3800 por
container. (Anexo VI). O valor do frete de Paranaguá para região metropolitana é de
R$ 1100,00 por container. (Anexo VII). O imposto de importação é de 2% conforme
resolução 52/2009 da Camex. (Anexo VII, pg. 8/13).

Para a instalação dos equipamentos serão necessárias obras civis no


barracão para adequação na parte elétrica e pneumática. Para implantação dos
equipamentos da fábrica de reciclagem de pneus inservíveis é necessário utilizar um
barracão com dimensões de 30x24x6m (720m2), além de uma área 200m2 para
descarga de pneus velhos e área de 200m2 armazenagem do pó da borracha, do
nylon e aço, resultantes do processo. Do processamento dos pneus resulta 50 a
60% de pó de borracha, 20 a 30% nylon e 10 a 15% de aço. (Anexo II)

O consumo de energia elétrica é de 508 kw/hora. (Anexo II). A capacidade de


processamento do equipamento é de 2 toneladas de pneus por hora e seriam
necessários 4 operadores de linha e 1 supervisor técnico da linha para operar o
equipamento. (Anexo III).
45

Também serão necessárias 04 pessoas na parte administrativa, sendo o


diretor administrativo e financeiro, gerente comercial e um assistente administrativo e
um assistente comercial.
46

10. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E EQUIPE GERENCIAL

FIGURA 7 - ORGANOGRAMA

FONTE: PRÓPRIA

10.1. EQUIPE GERENCIAL

10.1.1. Diretor Administrativo e Financeiro

Elaborar o planejamento estratégico da empresa, analisar o mercado e buscar


oportunidades de negócios. Elaborar relatórios para analisar desempenho. Fazer o
pagamento de fornecedores e funcionários, além de controlar o recebimento de
contas dos clientes. Administrar os recursos financeiros da empresa.

10.1.2. Gerente Comercial

Prospectar novos clientes, com objetivo de aumentar o faturamento da


empresa. Manter contato com clientes, procurando obter informações sobre o
mercado e o grau de satisfação com relação aos produtos. Manter contato com
potenciais fornecedores de matéria prima.
47

10.1.3. Supervisor Técnico de Equipamentos

Manter a linha de produção em funcionamento, realizando inspeções


periódicas nos equipamentos e fazendo manutenções preventivas. Coordenar
equipe de operadores de linha. Manter organizado o barracão, principalmente na
acomodação de matéria prima e estoque de produtos acabados.

10.2. ESTRATÉGIA DE RH

10.2.1. Plano de Saúde

A empresa irá oferecer um plano de saúde para os funcionários com mais de


6 meses de registro em carteira.

10.2.2. Vale Alimentação

Será feito convênio com empresas de alimentação para o fornecimento de


almoço no local de trabalho, visando facilitar o acesso ao almoço, devido a
localização da empresa.

10.2.3. Comissões

O diretor administrativo e financeiro irá receber 2% de comissão sobre o


faturamento da empresa e o gerente comercial irá receber 1,5% sobre o faturamento
da empresa.

10.2.4. Salários

Os salários serão baseados aos definidos pelo Sindicado dos


Trabalhadores da Categoria, conforme CCT. (Anexo IX). Atualmente o valor do
operador de linha é de R$ 510,00 nos três primeiros meses e R$ 600,00 após este
período. O salário do supervisor será de R$ 1200,00 e dos assistentes será de R$
48

800,00. O salário do gerente será de R$ 1500,00 e do diretor administrativo e


financeiro de R$ 2500,00.

A contratação dos operados de linha dará preferência para pessoas que


trabalham próximo ao endereço da fábrica.

10.3. EMPRESA

10.3.1. Constituição

A empresa será uma sociedade por cotas limitada, com 03 sócios, sendo um
capitalista e dois gerenciais, enquadrada no regime tributário simples nacional, e
terá a razão social Federal Reciclagem de Pneus Ltda. (Anexo X).

A Classificação Nacional de Atividades Econômicos do IBGE para a empresa


é E38.39-4 Recuperação de materiais não especificados em outras atividades.

10.3.2. Licenciamentos e outras necessidades

Pesquisando a resolução 237/1997 do CONAMA, que regulamenta as


atividades que necessitam de licença ambiental, constatamos que a atividade da
empresa não está relacionada nesta resolução, não havendo assim a necessidade
da solicitação da Licença Ambiental junto ao IAP, órgão regulador no Paraná.
(Anexo XI).

Para poder emitir o certificado de destinação do IBAMA é necessário fazer o


Cadastro Técnico Federal do IBAMA, além de encaminhar a Síntese do Processo
Produtivo para este órgão.

10.3.3. Sindicatos

O Sindicato Patronal será Sindibor-Pr Sindicato das Industrias de Artefato de


Borracha do Paraná com sede na Av. Cândido de Abreu, 200 - Centro Cívico
80530-902 - Curitiba – Paraná - Fone: (41) 3271-9000
49

Sindicato dos Trabalhadores será SINDIBORRACHA - Sindicato dos


Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha de Curitiba com sede na Rua
Coronel Izantino Pinho, 437 - Vila Fanny - CEP 81030-160 - Curitiba - Paraná. Fone:
(11) 3334-3030.

10.3.4. Terceirizados

Os serviços de contabilidade, assessoria jurídica, segurança e serviços gerais


de limpeza serão terceirizados.

10.3.5. Localização

A empresa terá sede na Rua Manoel Manfredini, 90 – CIC – Curitiba – Paraná


em um terreno de 1500m2 com um barracão de 1000m2 distribuídos em distribuído
em vão livre, 02 salas, 01 escritório, 01 cozinha, 04 banheiros, refeitório e vestiário.

Valor do Aluguel: R$ 8.000,00, IPTU: R$ 4933,33 por ano, Seguro Incêndio:


R$ 2.140,00 por ano. (Anexo XII)

FIGURA 8 - VISTA AÉREA DO BARRAÇÃO

FONTE: GOOGLE EARTH


50

11. ANÁLISE FINANCEIRA

11.1. VARIÁVEIS ECONÔMICAS

A relação completa dos custos, despesas, entre outras variáveis que compõe
as planilhas e gráficos financeiros estão listados e detalhados entre os anexos XXVI
e XXV. Nas tabelas que utilizam valores em US$, foi utilizada a cotação de R$ 1,755
= US$ 1,0, do dia 9 de setembro de 2009, para efeitos de conversão.

TABELA 1 - VALOR PRODUTOS, SERVIÇOS E MATÉRIA PRIMA

PREÇOS (por tonelada)


Borracha 450
Aço 500
Nylon + Resíduos 45
Serviço de Destinação Pneus Inservíveis 200
CUSTO DA MP (por tonelada)
Custo da MP = Pneus (produto + frete) 70
FONTE: Própria

TABELA 2 - REMUNERAÇÃO POR CARGOS

REMUNERAÇÃO R.H. Sal Base Encargos TOTAL comis fat


Operador Produção 600 33,78% 803
Supervisor Produção 1.200 33,78% 1.605
Estagiário 650 10,00% 715
Assistente 800 33,78% 1.070
Gerente Comercial 1.500 33,78% 2.007 1,5%
Diretor Administrativo 2.500 33,78% 3.345 2,0%
FONTE: Própria

O percentual utilizado no cálculo dos salários foi retirado dos anexos da Lei
Complementar 123/06, que trata do regime unificado de tributação denominado
Simples Nacional, já inclusos os valores referentes à 13º salário, adicional de férias
e demais custos trabalhistas.

TABELA 3 - DESPESAS COM IMÓVEL

DESPESAS MENSAIS COM IMÓVEL


Aluguel 8.000
IPTU 411
Seguro 178
TOTAL 8.589
FONTE: Própria
51

TABELA 4 - CUSTOS RELATIVOS À MAQUINA PRINCIPAL

MAQUINA DE TRITURAÇÃO/SEGREGAÇÃO
INVESTIMENTO
Preço à Vista 1.900.000
Entrada (15%) 285.000
Saldo Devedor 1.615.000
FINANCIAMENTO
Taxa (a.a.) 4,00%
Nro de Prestações 60
Parcela Mensal à Pagar 32.748
Juros Financiamento 1.310
DEPRECIAÇÃO
Depreciação (mensal) 15.833
FONTE: Própria

A depreciação foi calculada com base nas normas contábeis, ou seja,


utilizando prazo de 10 anos. O financiamento da máquina de trituração e
segregação, será efetuado da seguinte forma:
• Entrada de 15% do valor do equipamento;
• Parcelamento do saldo devedor em de 60 meses, com 18 meses de carência,
a partir do fechamento do contrato de compra e venda.
• Taxa de Juros: 4% a.a.

TABELA 5 - PEÇAS DE REPOSIÇÃO

PEÇAS DE REPOSIÇÃO US$ Dur/ton Ano2 R$


Retalhador & Separador de Aço 42.120 28.000 9.504
Processador de aço 9.936 6.000 10.463
Triturador de borracha grossa 4.806 600 50.607
Triturador de borracha fina 4.050 1.000 25.588
TOTAL 96.162
Custo Mensal de Peças 8.013
FONTE: Própria

A duração das peças foi calculada considerando o processamento médio de


pneus no segundo ano, pois apresenta valores mais próximos à realidade, visto que
no primeiro ano o processamento é muito instável. Além disso, foram utilizadas as
informações fornecidas pelo fabricante quanto à duração média das principais
peças.
52

TABELA 6 - GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS

GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS
Abertura da Empresa 450
Reforma e Preparação do Barracão 20.000
Aluguel + IPTU + Seg Antecipados (4 meses) 34.358
Salários Antecipados 20.000
Despesas com viagens 6.000
Advogado 4.000
Despesas com Frete Internacional da Máquina 20.400
Despesas com Nacionalização da Máquina 38.000
Despesas com Frete Nacional da Máquina 3.300
Despesas com Despachante Aduaneiro 1.350
Juros Financiamento da Máquina Antecipados (6 mes) 7.860
TOTAL 155.717
Parcela Mensal (24x) 6.488
FONTE: Própria

Os gastos pré-operacionais serão necessários devido à realização das tarefas


iniciais (abertura da empresa, preparação da infra-estrutura, aquisição e montagem
do equipamento), programadas para os 10 meses que antecederão o início das
operações propriamente ditas, cujo cronograma encontra-se no capítulo 13. Para
efeitos contábeis, estes gastos serão diferidos nos 2 primeiros anos de
funcionamento.

TABELA 7 - RESULTADO PRÉ-OPERACIONAL

RESULTADO PRÉ-OPERACIONAL
Valor Integralizado 720.000
(-) Entrada para compra da Máquina (285.000)
(-) Gastos Pré-Operacionais (155.717)
(=) SALDO INICIAL DE CAIXA 279.283
FONTE: Própria

O resultado pré operacional é o confronto de todas as despesas incorridas no


período com o capital de giro inicial, oriundo do investimento dos sócios, e que será
o saldo inicial do caixa no primeiro mês de operação.
53

11.2. PROJEÇÕES FINANCEIRAS

11.2.1. Custos e Despesas

TABELA 8 - CUSTOS DE PRODUÇÃO

CUSTOS DE PRODUÇÃO Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5


CUSTOS VARIÁVEIS DE PROD. 85.742 239.391 239.400 239.400 239.400
Custo dos Pneus 85.742 239.391 239.400 239.400 239.400
CUSTOS FIXOS DE PRODUÇÃO 365.028 365.028 365.028 365.028 365.028
MÃO DE OBRA 57.793 57.793 57.793 57.793 57.793
Operador Produção 38.529 38.529 38.529 38.529 38.529
Supervisor Produção 19.264 19.264 19.264 19.264 19.264
CUSTOS INDIRETOS 307.235 307.235 307.235 307.235 307.235
Aluguel + IPTU + Seguro 103.073 103.073 103.073 103.073 103.073
Energia Elétrica 42.000 42.000 42.000 42.000 42.000
Água 12.000 12.000 12.000 12.000 12.000
Manutenção das Máquinas 30.000 30.000 30.000 30.000 30.000
Peças de reposição 96.162 96.162 96.162 96.162 96.162
Provisão para outros custos 24.000 24.000 24.000 24.000 24.000
TOTAL 450.769 604.419 604.428 604.428 604.428
FONTE: Própria

TABELA 9 - CUSTOS ADMINISTRATIVOS

CUSTOS ADMINISTRATIVOS Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5


MÃO DE OBRA 111.950 153.025 153.026 153.026 153.026
Estagiário 0 0 0 0 0
Assistente 25.686 25.686 25.686 25.686 25.686
Gerente Comercial 24.080 24.080 24.080 24.080 24.080
Comissão s/ Faturamento 9.450 27.053 27.054 27.054 27.054
Diretor Administrativo 40.134 40.134 40.134 40.134 40.134
Comissão s/ Faturamento 12.600 36.071 36.072 36.072 36.072
DESPESAS 19.200 19.200 19.200 19.200 19.200
Telefone + ADSL 6.000 6.000 6.000 6.000 6.000
Material de Escritório 3.600 3.600 3.600 3.600 3.600
Limpeza (serviço + material) 9.600 9.600 9.600 9.600 9.600
OUTROS 48.000 48.000 48.000 48.000 48.000
Terceirizados (Contador, advog.) 12.000 12.000 12.000 12.000 12.000
Marketing (materiais, ações, etc...) 36.000 36.000 36.000 36.000 36.000
TOTAL 179.150 220.225 220.226 220.226 220.226
FONTE: Própria

Os valores de aluguel, IPTU, seguro, e energia elétrica foram alocados


exclusivamente para os custos de produção para facilitar o cálculo, visto que a
parcela do setor administrativo é irrisória.
54

11.2.2. Resultado

TABELA 10 - RESULTADO

RESULTADO Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5


FATURAMENTO BRUTO 629.988 1.803.557 1.803.600 1.803.600 1.803.600
(-) Tributos (55.313) (211.557) (211.562) (211.562) (211.562)
(-) Custos Variáveis (85.742) (239.391) (239.400) (239.400) (239.400)
(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO 488.933 1.352.609 1.352.638 1.352.638 1.352.638
(-) Custos Fixos Produção (365.028) (365.028) (365.028) (365.028) (365.028)
(-) Despesas Fixas Administrativas (166.550) (184.154) (184.154) (184.154) (184.154)
(=) EBITDA (Geração Oper. de Caixa) (42.645) 803.428 803.456 803.456 803.456
(-) Depreciações e Amortizações (190.000) (190.000) (190.000) (190.000) (190.000)
(-) Diferidos (Despesas Pré Oper.) (77.859) (77.859) 0 0 0
(=) LUCRO LÍQUIDO (310.503) 535.569 613.456 613.456 613.456
LUCRO LÍQUIDO ACUMULADO (310.503) 225.066 838.521 1.451.977 2.065.433
FONTE: Própria

A tributação utilizada foi baseada nas regras da Lei Complementar 123/06, do


Simples Nacional, onde é aplicada uma alíquota única sobre o faturamento bruto da
empresa, substituindo os impostos e contribuições: ICMS, IPI, PIS, COFINS, IRPJ,
CSLL. A alíquota varia de 4,5% até 12,11% conforme o faturamento da empresa nos
12 meses anteriores. Para efeito de simplificação, foi aplicada a alíquota
correspondente ao faturamento anual. Assim, no primeiro ano, a alíquota foi de
8,78%, enquanto nos demais anos utilizou-se o percentual de 11,73%.

11.2.3. Ponto de Equilíbrio

TABELA 11 - PONTO DE EQUILÍBRIO

PONTO DE EQUILÍBRIO Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5


Custo Fixo Total 531.578 549.181 549.182 549.182 549.182
(/) MARGEM DE CONTRIB. (por ton.) 3.908 4.509 4.509 4.509 4.509
(=) PONTO DE EQUILÍBRIO (em ton) 136 122 122 122 122
FONTE: Própria

No primeiro ano, as operações da empresa ainda estão em processo de


desenvolvimento, de forma que o ponto de equilíbrio ainda é instável. A partir do
segundo ano, a variável se torna mais estável e confiável.
55

11.2.4. Fluxo de Caixa

TABELA 12 - FLUXO DE CAIXA

FLUXO DE CAIXA Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5


SALDO INICIAL 279.283 230.680 628.519 1.026.396 1.424.273

ENTRADAS 629.988 1.803.557 1.803.600 1.803.600 1.803.600


Receitas de Vendas 629.988 1.803.557 1.803.600 1.803.600 1.803.600

SAIDAS (678.591) (1.405.717) (1.405.723) (1.405.723) (1.405.723)


Custos Matéria Prima (91.700) (252.000) (252.000) (252.000) (252.000)
Despesas Fixas Administrativas (166.550) (184.154) (184.154) (184.154) (184.154)
Custos Fixos de Produção (365.028) (365.028) (365.028) (365.028) (365.028)
Tributos (55.313) (211.557) (211.562) (211.562) (211.562)
Financiamento de Equipamentos 0 (392.979) (392.979) (392.979) (392.979)

SALDO FINAL 230.680 628.519 1.026.396 1.424.273 1.822.150


FONTE: Própria

11.3. INDICADORES CHAVE

No cálculo dos indicadores, foi utilizado o EBITDA como fluxo descontado


para cálculo da TIR. Também foi considerado que o aporte para financiamento do
equipamento ocorreu integralmente no mês zero, para facilitar o cálculo.

TABELA 13 - INDICADORES

ao mês ao ano
Taxa Mínima de Atratividade (TMA) 1,24% 16,0%
Taxa Interna de Retorno (TIR) 1,45% 18,9%
Valor Presente Líquido (VPL) 233.589
Payback 4 anos
FONTE: Própria

• Sob o ponto de vista financeiro, uma aplicação tradicional em renda fixa está
acumulando uma rentabilidade média de 9% nos últimos 12 meses. A Selic
está fixada em 8,75% a.a e serve de parâmetro para o mercado de CDB e
CDI. A TIR do investimento na reciclagem de pneus apresenta uma taxa de
1,73% a.m ou 22,8% a.a, ou seja 160% a mais que a taxa Selic, 153% a mais
que a rentabilidade média em renda fixa.
56

• Nossa TMA está fixada em 16% a.a e neste caso a TIR do investimento
apresenta um resultado 42% maior que o valor mínimo esperado.

• O payback do investimento é de 49 meses ou aproximadamente 4 anos, com


uma taxa média de retorno de 25% a.a do valor aplicado.
57

12. ANÁLISE DE RISCOS

Os principais riscos relacionados ao negócio são:

• Financiamento do equipamento baseado em moeda estrangeira, sujeito a


flutuações do mercado cambial, correndo o risco da elevação do custo fixo da
empresa e conseqüente redução do lucro. Além disto, o equipamento
importado depende de peças de reposição importadas.

• Possibilidade de insuficiência de matéria-prima, pela concorrência das


cimenteiras que utilizam o pneu inservível como combustível para produção
de cimento.

• Possibilidade de resistência do mercado em aproveitar material reciclado pela


visão de que produtos reciclados possam ter um nível de qualidade inferior.
Por outro lado, a responsabilidade ambiental corporativa tem aumentado nos
últimos anos, tendendo a diminuir esta rejeição.

• Alterações na legislação ambiental, principalmente na resolução do


CONAMA, embora todos os competidores também tenham o mesmo tipo de
limitação.

• Capacidade limitada de produção e armazenamento, pois a máquina estará


operando com capacidade de 95% e o aumento da produção, por meio do
incremento de novos turnos de trabalho, irá aumentar o custo fixo da empresa
e também poderá impactar no enquadramento tributário da empresa.

• Equipe enxuta que deixa a empresa dependente das pessoas que ocupam os
cargos gerenciais. Além disto, a especialização da empresa pode atrair
concorrentes no sentido de tentar contratar pessoas chaves do negócio.
58

13. PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO

13.1. CRONOGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO

FIGURA 9 - CRONOGRAMA

FONTE: Própria

O cronograma de implementação prevê um prazo de 10 meses para que a


infra-estrutura esteja concluída e o operacional preparado para iniciar a operação.

Dois processos críticos no cronograma são a obtenção do financiamento


bancário e também a obtenção do certificado de destinação junto ao IBAMA. A
explicação é de ordem burocrática, principalmente para conseguir garantias ao
agente financeiro externo, através do aval de um banco brasileiro e de apresentar ao
IBAMA uma síntese do processo produtivo, que poderá sofrer a verificação in loco
da operação.
59

14. PROPOSTA DE INVESTIMENTO

14.1. NECESSIDADE DE FINANCIAMENTO

Segundo as projeções, estima-se necessário aporte de R$ 720.000,


considerando gastos pré-operacionais, capital de giro e margem de segurança,
sendo esta última estimada em 2 meses de saídas de caixa (média = R$ 80.000). O
capital deve ser integralizado em duas partes:

• 70% à ser integralizado 10 meses antes do funcionamento da empresa, para


as despesas pré-operacionais e entrada no financiamento da máquina.
• 30% à ser integralizado no mês anterior ao início da operações.

14.2. FINANCIAMENTO DO EQUIPAMENTO

O valor do equipamento que será utilizado no processo de reciclagem do


pneu é de R$ 1.900.000,00 que obterá financiamento de 85% do valor, ou seja R$
1.615.000,00 através de uma agência de fomento Taiwanesa. A carência do
financiamento é de 18 meses e o prazo total de pagamento é de 60 meses. O valor
dos juros a serem pagos até o fim da carência é de R$ 1.310,00 e o valor da parcela
do financiamento é de R$ 32.748,00 que serão pagos em 60 meses.
O valor da entrada do equipamento será feito com capital próprio, originário
da integralização de capital por parte dos sócios.
60

15 CONCLUSÃO

Avaliando-se os aspectos relacionados com o mercado, percebe-se que


existe uma oportunidade para o negócio proposto, visto que a geração de pneus
inservíveis vem aumentando ao longo dos anos, como fonte de geração da matéria
prima para o negócio. Além disso, a maior parte dos pneus descartados são
queimados, através de um modelo de negócios de baixo valor agregado, e de forma
a desperdiçar o potencial de venda dos produtos reciclados: borracha, aço e nylon.
Outro fator importante é a utilização crescente de borracha reciclada em diversas
aplicações, como a fabricação de artefatos de borracha, graças ao crescimento da
consciência ambiental e valorização de empreendimentos sustentáveis.

A operação da empresa não é complexa, exigindo pouca mão de obra e


qualificação relativamente simples, visto que a máquina é quem faz a maior parte do
trabalho. Ainda sobre o equipamento, o único inconveniente é a utilização de peças
importadas, exigindo um planejamento eficiente de manutenção e compra de peças
para evitar problemas com a continuidade da operação.

Financeiramente, o retorno esperado é satisfatório, pois apresenta uma TIR


de 22,8% a.a., excedendo em quase 7 pontos percentuais a TMA, que foi estipulada
em 16% a.a. O payback de 4 anos é bem aceitável, visto que empreendimentos
industriais costumam apresentar prazos maiores, principalmente pelo alto volume de
investimentos em ativo fixo (maquias e equipamentos).

Concluindo, o negócio analisado é viável sob todos estes aspectos, além de


estar enquadrado numa proposta correta de logística reversa, aonde é possível
prever todo o ciclo de vida do produto, inclusive com sua reutilização após o fim de
sua vida útil.
61

REFERÊNCIAS

BARBIERI, José Carlos. Desenvolvimento e Meio Ambiente: as estratégias de


mudanças da agenda 21. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 1997.

BENNETT, Steven J. Ecoempreendedor: oportunidades de negócios


decorrentes da revolução industrial. São Paulo, SP. Makron Books, 1992.

BERLE, Gustav. O Empreendedor do Verde: oportunidades de negócios em que


você pode salvar a terra e ainda ganhar dinheiro. São Paulo, SP. Makron,
McGraw-Hill, 1992.

BRANCO, Samuel Murgel. Poluição. Rio de Janeiro, RJ. Ao Livro Técnico, 1972.

DONAIRE, Denis. Gestão Ambiental na Empresa. 2ª Edição. São Paulo: Atlas,


1999.

DRUCKER, Peter. The Concept of the Corporation. Nova York, Joh Day, 1946.

MARTINS, Harold A.F. A utilização de borracha de pneus na pavimentação


asfáltica. 2004. 115p. Trabalho de Conclusão de Curso. (Engenharia Civil com
ênfase ambiental). Universidade Anhembi Morumbi, 2004.

NABUCO, Maria Regina et al. Indústria Automotiva: a nova geografia do setor


produtivo. Rio de Janeiro, DP & A, 2002.

RUSCHEINSKY, Aloisio (Org.). Sustentabilidade: Uma Paixão em movimento.


Porto Alegre: Meridional, 2004.

VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio
de Janeiro: Editora Garamond, 2005.

WOMACK, James P. et al. A máquina que mudou o Mundo. Rio de Janeiro,


Editora Campus, 1992.

Eco pontos. Disponível em http://www.anip.com.br/. Acesso em 20 de fev. 2009.

Estatísticas Veículos. Disponível em http://www.sindipecas.org.br. Acesso em 20 de


fev. 2009.

Legislação sobre reciclagem de inservíveis. Disponível em:


http://www.mma.gov.br/conama/. Acesso em 21 de fev. 2009.

Meio ambiente. Disponível em http://www.ibama.gov.br/. Acesso em 20 de fev. 2009.


62

NUNES, Raquel. O que é sustentabilidade? Disponível em:


http://www.ecologiaurbana.com.br/sustentabilidade/o-que-e-sustentabilidade. Acesso
em: 20 de fev. 2009

O que é reciclagem. Disponível em: http://www.compam.com.br. Acesso em: 22 de


fev. 2009.

Partes do pneu. Disponível em:


http://www.pneuseguro.com.br/index.asp?page=partes_do_pneu. Acesso em: 24 de
fev. 2009.

Produção Nacional de Veículos. Disponível em http://www.anfavea.com.br/. Acesso


em 20 de fev. 2009.

Reciclagem de pneus. Disponível em http://www.reciclanip.com.br/. Acesso em 20


de fev. 2009.

Reciclar pneus. Disponível em: http://www.compam.com.br. Acesso em: 22 de fev.


2009.

Tudo sobre pneus. Disponível em:


http://www.braziltires.com.br/tudosobrepneus/pneus.html#estrut. Acesso em: 24 de
fev. 2009.

Produtos derivados da reciclagem dos pneus. Disponível em:


http://www.ciaform.com.br/. Acesso em: 01 de out. 2009.

http://www.lunna.com.br/prod_maxi.html. Acesso em 01 de out. 2009.

http://www.borcol.com.br/. Acesso em 01 de out. 2009.

http://www.adan.com.br/. Acesso em 01 de out. 2009.

Produtos fabricados. Disponível em http://www.rerubber.com/products/. Acesso em


01 de out. 2009.
63

ANEXO I – FUNCIONAMENTO DAS MÁQUINAS


64
65
66
67

ANEXO II – DESCRIÇÃO GERAL DOS EQUIPAMENTOS


68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79

ANEXO III – INFORMAÇÕES SOBRE CAPACIDADE DE CONSUMO


80
81
82

ANEXO IV – COTAÇÃO EQUIPAMENTOS E PEÇAS DE REPOSIÇÃO


83
84
85
86
87
88
89
90
91

ANEXO V – FINANCIAMENTO INTERNACIONAL


92
93
94
95
96

ANEXO VI – PROPOSTA FRETE TAIWAN/ PARANAGUÁ


97
98

ANEXO VII – PROPOSTA FRETE PARANAGUÁ/ CURITIBA


99
100

ANEXO VIII – CAMEX ISENÇÃO


101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114

ANEXO IX – CCT 2008/ 2009


115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128

ANEXO X – CONTRATO SOCIAL


129
130
131
132

ANEXO XI – RESOLUÇÃO 237/99 CONAMA


133
134
135
136
137
138
139
140
141
142

ANEXO XII – IMÓVEL PARA INSTALAÇÃO


143
144
145
146

ANEXO XIII – COTAÇÃO BORRACHA NATURAL


147
148
149

ANEXO XIV – RESOLUÇÃO 258/99 CONAMA


150
151
152
153

ANEXO XV – DESCRIÇÃO DE CARGOS


154
155
156
157
158
159

ANEXO XVI – PLANILHAS FLUXO DE CAIXA


160
161
162
163

ANEXO XVII – PLANILHA ANÁLISE FINANCEIRA TIR


164
165

ANEXO XVIII – PLANILHA DRE E PONTO DE EQUILIBRIO


166
167

ANEXO XIX – PLANILHA DE CUSTOS ADMINISTRATIVOS


168
169

ANEXO XX – PLANILHA DE CUSTOS DE PRODUÇÃO


170
171

ANEXO XXI – PLANILHA DE FATURAMENTO


172
173

ANEXO XXII – PLANILHA DE VARIÁVEIS ECONÔMICAS, DESPESAS,


MANUTENÇÃO E GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS
174
175

ANEXO XXIII – PLANILHA DE ESTOQUE DE PRODUTOS ACABADOS


176
177
178

ANEXO XXIV – PLANILHA DO FLUXO OPERACIONAL


179
180
181

ANEXO XXV – PLANILHA INFRA-ESTRUTURA


182
183

ANEXO XXVI – RELAÇÃO DE FORNECEDORES


184
185
186

ANEXO XXVII – RELAÇÃO DE CLIENTES


187
188
189
190
191
192

ANEXO XXVIII – COTAÇÃO DÓLAR COMERCIAL


193
194
195

Você também pode gostar