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A Cultura enquanto valor

Parece que nossas sementes estão começando a germinar. Certa ocasião, num
Simpósio sobre Terapia Multidisciplinar da Família, realizado na cidade de Poços de Caldas, fui
defino como um “jardineiro”. Na época, fiquei muito contente e lisonjeado com essa descrição
e, desde então, fico sempre a pensar na figura desse profissional que cuida dos nossos jardins.
Tenho buscado ser este “jardineiro” graças a vocês, caros leitores e leitoras. Pois é!
Apesar das crises que estamos passando, das dificuldades em prover algo, em agrupar pessoas,
do desanimo e do pessimismo de muitos em realizar sonhos e ideais, algo de bom está sendo
valorizado em nossa cidade.
Em outras ocasiões já tive a oportunidade de expressar minhas opiniões sobre os
talentos guaxupeanos, e isso é pura verdade... Pintores, artistas plásticos, fotógrafos, doceiras
e quituteiras, cozinheiros, músicos, atores e atrizes, escultores, grupos folclóricos e de dança,
estudantes, intelectuais, grandes mestres, uma potência no comércio de café, sede de
bispado, grandes nomes de nossa história, enfim, Guaxupé não é uma cidadezinha perdida no
mapa.
Daqui já saiu muita gente que fez e faz sucesso por aí a fora. Daqui muitos talentos
foram e têm sido gerados. Aqui já se fez e faz muita coisa em prol da cultura e de nossa
cultura.
Cultura: essa palavrinha pequena, mas com um significado tão amplo. Indica o cultivo,
um modo de vida, artes, aprendizagem, processos especiais de descoberta e esforços criativos.
A questão que faço referência, diz respeito sobre aquilo que, aos nossos propósitos
mais comuns e gerais, busca dar significado as pessoas na nossa sociedade e em todas as
mentes. Como já dizia o historiador britânico Raymond Willians que “as pessoas mudam, é
certo, através da luta e da ação. Só se muda algo tão arraigado quanto uma estrutura de
sentimentos através de uma nova experiência ativa”. Comenta o mesmo historiador que a
“análise da cultura é a tentativa de se descobrir a natureza da organização que é um complexo
das relações” sociais. Pois é! A cultura é fundamental para o funcionamento e à manutenção
de um sistema, de uma comunidade, de uma sociedade, de uma nação.
Cultura é algo substantivo que se refere ao processo de cuidar de algo. Creio que a
Casa da Cultura de Guaxupé tem feito isso. Cuidado de nossa cultura, de nossa história, de
nossa memória, de nossa gente. O projeto “Tudo começa pela Cultura” é a expressão da
cultura enquanto valor e consideramos valor tudo aqui que, em qualquer das esferas da vida e
das relações sociais, contribua para o enriquecimento dos componentes essenciais do ser
humano, que são para nós: trabalho, consciência, liberdade, universalidade e sociabilidade.
É preciso reconhecer os méritos daqueles que tão arduamente e insistentemente têm
valorado a nossa cultura enquanto valor. Outras manifestações de cultura estão previstas para
setembro, como a 3ª FLIG (3ª Feira do Livro de Guaxupé). Nomes renomados da literatura
estarão presentes nesse grande evento literata, mas não somente, eventos como estes, fazem
com que nossos talentos mostrem sua cara, e, aqui, não estamos falando de uma cultura
elitista, mas popular, uma mistura de erudito com as mais folclóricas expressões culturais, uma
mistura da mais fina arte com as expressões mais simples de nosso artesanato. Dança, arte,
música, poesia, livros, são exemplos de canais veiculadores de cultura que se infiltram
silenciosamente em nossas veias. Talvez, não tão silenciosamente assim... Tudo junto e
misturado.
Não somente agora estamos vivenciando este momento, outras pessoas já fizeram e
tem feito sua parte. Grupos de teatro, música, dança, artes em geral tem lutado para a
preservação do nossa patrimônio material, imaterial e espiritual. Nosso olhar para o passado
nos remete a plantar sementes para o nosso futuro.
Por outro lado, está havendo uma explosão de nomes de profissionais, alunos e
professores, novos intelectuais guaxupeanos que estão sendo reconhecidos mundo afora.
Nomes que, muitas vezes, tiveram pouca oportunidade e reconhecimento em nossa terra
natal. Profissionais que tem expandido sua rede de relacionamento e mostrado que Guaxupé
tem talento e que pode realizar ações que enriquece nossa gente.
Como é bom ver tudo isso! Como é bom estar envolvido nesse meio! Como é bom
fazer cultura! Isso nos inspira a escrever com amor, carinho e admiração a todas as pessoas
que acreditaram que poderiam realizar ações engrandecedoras, que algo diferente é possível
acontecer, que a união faz a força. Sem sombra de dúvida a “psicosfera positiva” irradiada pelo
Foro Permanente está surtindo efeitos. Não podemos deixar esta chama apagar.
Por isso, nessas poucas linhas, não citamos nomes, com certeza deixamos muitas
ações, pessoas, entidades e pontos positivos a ressaltar, o motivo é que não é uma pessoa,
uma entidade, uma comunidade fazendo, mas sim todos nós que enriquecemos o nome de
nossa cidade, que levamos o nome de nossa terra, que brilhamos por aí.
A abóboda estrelada é escura, mas é pontilhada pelas estrelas que brilham a anos luz
de distância. Por isso, viva a nossa gente! Viva a nossa cultura!!!

Renato Tadeu Veroneze


Assistente Social
E-mail: rtveroneze@hotmail.com

Artigo Publicado no Jornal da Região, Guaxupé, 05/08/2016

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