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Resenha do texto: “Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação

de um procedimento”

1. REFERÊNCIA DO TEXTO
DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências
didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In:
SCHNEUWLY, Bernard.; DOLZ, Joaquim (coord.). Gêneros orais e escritos
na escola. Campinas-SP: Mercado de Letras, 2004.

2. CREDENCIAIS DOS AUTORES

Joaquim Dolz é professor de didática de idiomas e de formação de


professores da Universidade de Genebra (Suíça). Michèle Noverraz é
formadora de professores e professora em Lousane (Suíça). Bernard
Schneuwly é psicólogo, Doutor em Ciências da Educação e professor da
Universidade de Genebra (Suíça) e estuda gêneros e tipos de discurso e
linguagem oral.

3. RESUMO DO CAPÍTULO

O texto propõe o ensino da expressão oral e escrita a partir da


didatização dos gêneros textuais com o uso de textos verbais e não verbais
para abarcar uma multiplicidade de ocasiões de escrita e de fala e, também,
para que o professor possa utilizar exercícios múltiplos e variados.
Para embasar a proposta, são apresentadas as características de uma
sequência didática, que é entendida pelos autores como “conjunto de
atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um
gênero textual oral ou escrito” (p.97).
Os autores então apresentam a estrutura de base de uma sequência
didática, que deve obedecer às seguintes fases:
 Apresentação da situação de comunicação;
 Produção inicial;
 Desenvolvimentos dos módulos (quantos forem necessários);
 Produção final.
Para a apresentação inicial, é necessário definir o gênero que será
trabalhado, para apresentar um problema de comunicação bem definido que
seja bem compreendido pelos alunos. Algumas perguntas devem ser
respondidas nesse processo (pp.99-100):
 Qual é o gênero que será abordado?
 A quem se dirige a produção? (ex.: pais, outros alunos,
autoridades etc.);
 Que forma assumirá a produção? Definir o formato do resultado
final;
 Quem participará da produção? Definição e divisão dos papéis e
responsabilidades dos alunos da turma.
Em seguida, é preciso preparar os conteúdos de forma que os alunos
percebam a sua importância. Ou seja, buscar integrar textos, orientações de
estrutura e forma, para construir um projeto de classe, “para tornar as
atividades de aprendizagem significativas e pertinentes” (p.100).
Na fase modular, os alunos devem trabalhar com exercícios
diferenciados e diversificados de forma a adquirir adequadamente a
competência esperada que foi definida para a realização da sequência didática,
tais como atividades de observação e análise de textos, produção de textos e o
desenvolvimento da habilidade de argumentação (p.105). Para isso, o
professor deve utilizar ferramentas e criar situações para proporcionar aos
alunos uma avaliação formativa e processual, chamada de avaliação somativa
(p.107), que contemple a produção e o envolvimento dos alunos em cada uma
das atividades propostas em cada um dos módulos e na produção textual final.
Os autores destacam que “a avaliação é uma questão de comunicação e de
trocas. Assim, ela orienta os professores para uma atitude responsável,
humanista e profissional” (p.108).
Os princípios teóricos são elencados a partir de escolhas pedagógicas,
psicológicas, linguísticas e gerais para guiar a elaboração e a finalidade das
sequências didáticas (pp. 108-110):
 As escolhas pedagógicas dizem respeitos às escolhas para dos
processos de ensino, aprendizagem e avaliação que permitam, a
partir da diversificação das atividades, a possibilidade de que os
alunos se apropriem dos instrumentos e noções propostas.
 As escolhas psicológicas envolvem a percepção dos pressupostos
envolvidos na possibilidade de desenvolver nos alunos uma
consciência mais ampla do seu comportamento de linguagem a
partir das escolhas de palavras e adaptação dos textos para o
público destinatário da mensagem e do uso de diferentes
instrumentos de linguagem.
 As escolhas linguísticas são baseadas nas escolhas de
instrumentos que facilitem a compreensão das unidades de
linguagem.
 As finalidades gerais envolvem a preparação do aluno para
dominar o uso da língua em situações diversas, bem como
aprimorar suas capacidades de escrever e falar e de adaptá-las
ao contexto em que esteja inserido.

A modularidade é apresentada como um princípio geral no uso das


sequências didáticas (p.110), pela necessidade de levar em consideração a
heterogeneidade dos aprendizes e a necessidade de apresentar uma
variedade de atividades “que devem ser selecionadas, adaptadas e
transformadas em função das necessidades dos alunos, dos momentos
escolhidos para o trabalho, da história didática do grupo e da
complementaridade em relação a outras situações de aprendizagem” e
esse trabalho de adaptação das sequências exige do professor a análise
das produções dos alunos “em função dos objetivos da sequência e das
caraterísticas do gênero”, das escolhas das “atividades indispensáveis para
a realização da atividade da sequência” e, além de verificar os casos de
insucesso, realizar “um trabalho mais profundo e intervenções
diferenciadas” sobre as “dimensões mais problemáticas” (p.111).
A perspectiva adotada nas sequências é uma perspectiva textual
(p.114) e, por isso, propõem numerosas atividades de observação, de
manipulação e de análise de unidades linguísticas e, assim, o trabalho é
centrado em questões como as “marcas de organização características de
um gênero, nas unidades que permitem designar uma mesma realidade ao
longo de um texto”, bem como “nos elementos de responsabilidade
enunciativa e de modalização dos enunciados, no emprego de tempos
verbais, na maneira como são utilizados e inseridos os discursos indiretos”
(p.114).
Nas questões de gramática, sintaxe e ortografia (pp. 115-119), os
autores destacam que os textos produzidos permitem identificar os pontos
problemáticos, para orientar o professor na escolha das noções e
conteúdos que devem ser revistos ou estudados em profundidade,
determinando quais são as intervenções prioritárias.
Os autores apresentam o agrupamento de gêneros e progressão
(p.119-128) como uma forma de auxiliar o professor a escolher os gêneros
a partir dos domínios sociais de comunicação e das capacidades de
linguagem a serem desenvolvidos, associando exemplos de gêneros orais e
escritos que podem ser utilizados no processo de definição das sequências
didáticas.
Para definir a progressão é necessário, igualmente, e talvez
sobretudo, levar em conta (pp.122-123):
 A avaliação das capacidades iniciais dos alunos; a escolha de
objetivos que merecem uma prioridade para assegurar novas
aquisições e que estão ligeiramente acima das possibilidades
dos alunos, a fim de criar um desafio intelectual
desestabilizador;
 As etapas decisivas a serem vencidas, os obstáculos e os
conflitos que intervêm na aprendizagem;
 As ajudas didáticas, os dispositivos de apoio e as condições
que favorecem o trabalho em sala de aula, permitindo
evidenciar os desafios de aprendizagem;
 As formas de redução de ajuda externa, para permitir aos
alunos realizar tarefas análogas de maneira autônoma.

Os autores ponderam que as sequências não devem ser


consideradas como um manual a ser seguido passo a passo (p.127). O
professor deve efetuar escolhas em diferentes níveis considerando o que é
esperado que os alunos desenvolvam em termos de capacidade e
habilidades para cada ciclo/série, o perfil dos alunos e as atividades mais
adequadas ao contexto e capacidade tanto escola quanto do professor.

4. ANÁLISE DO CAPÍTULO

Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004) realizam um trabalho meticuloso de


organização da sequência didática em módulos.
A grande contribuição da proposta está na possibilidade do
planejamento prévio pelo professor e da reflexão e busca de atividades (e da
diversificação de atividades) e análises que permitem instrumentalizam os
alunos para a escrita dos variados gêneros textuais. O esforço dos autores se
assemelha ao processo de reflexão de um professor que procura analisar as
dificuldades apresentadas nas produções e um esforço de trabalhá-las de
forma sistemática.
O uso da modulação permite ao professor decompor os textos a fim de
desenvolver análises metodizadas para, ao fim do processo, compô-los
novamente. Como exposto pelos autores, a modularidade “deseja pôr em
relevo os processos de observação e de descoberta” (DOLZ, NOVERRAZ E
SCHNEUWLY, 2004, p. 93).
Outro ponto a ser destacado é que, a sistematização proposta pelos
autores permite a construção de um “projeto coletivo de produção de um
gênero oral ou escrito”, ou seja, o aluno adquire um papel ativo na construção
do próprio conhecimento, o que é fundamental para sua emancipação e
constituição enquanto cidadão (DOLZ, NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004, p.
99).

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