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Conselho Nacional de Justiça

PJe - Processo Judicial Eletrônico

30/09/2020

Número: 0007785-42.2020.2.00.0000
Classe: PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO
Órgão julgador colegiado: Plenário
Órgão julgador: Gab. Cons. Marcos Vinícius Jardim Rodrigues
Última distribuição : 23/09/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Cargos de Direção
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
SEBASTIÃO DE MORAES FILHO (REQUERENTE) MAURO THADEU PRADO DE MORAES (ADVOGADO)
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO -
TJMT (REQUERIDO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
41243 23/09/2020 21:14 Inicial de Procedimento de Controle Administrativo. Documento de comprovação
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO


CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA –MINISTRO LUIZ FUX.

URGENTE / URGENTISSIMO.

(1) - PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS COM PEDIDO DE


LIMINAR – ELEIÇÃO PARA A CARGO DE DIREÇAO
DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO
GROSSO MARCADA PARA DIA 08/10/2020.

(2) - PREFERÊNCIA DE TRAMITAÇÃO NOS MOLDES


DO ARTIGO 71 e § 3º DA LEI 10.741 DE 01/10/2003 –
MAIOR DE 60 ANOS

ASSUNTO: REELEIÇÃO A CARGOS DE DIREÇÃO DO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO
GROSSO – VEDAÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 102 DA
LOMAN – VIOLAÇÃO / ILEGALIDADE

O Desembargador SEBASTIÃO DE MORAES FILHO, membro do Tribunal de


Justiça do Estado de Mato Grosso, brasileiro, casado, portador da Carteira de Identidade n. RG
156.071-MT, CPF n. 021.691.001/30, telefone celular n. (65) 99981-3355, e-mail funcional
sebastiao.filho@tjmt.jus.br , residente e domiciliado em Cuiabá, Estado de Mato Grosso, à Rua
Moçambique n. 261, Bairro Santa Rosa, CEP: 78040-260, vem, através de seu advogado
legalmente constituído que subscreve a presente peça, com endereço profissional descrito na
procuração, bem como, e-mail profissional maurothadeu@live.com , respeitosamente perante esse
colendo CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA apresentar o presente:

MAURO THADEU PRADO DE MORAES


OAB/MT 11.526

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PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE LIMINAR EM CARÁTER


DE URGÊNCIA – URGENTÍSSIMA.

Em face de ato editado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO


GROSSO, em votação realizada pelo TRIBUNAL PLENO, representado pelo seu E.
Desembargador Presidente Carlos Alberto Alves da Rocha, pelos motivos que, a seguir, passa a
expor:

I-DO CABIMENTO DO PRESENTE PROCEDIMENTO DE CONTROLE


ADMINISTRATIVO

O artigo 91 do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça descreve as


hipóteses de possibilidade de controle de atos administrativos, nos seguintes termos:

“Art. 91. O controle dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do
Poder Judiciário será exercido pelo Plenário do CNJ, de ofício ou mediante
provocação, sempre que restarem contrariados os princípios estabelecidos
no art. 37 da Constituição, especialmente os de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência, sem prejuízo da competência do Tribunal de
Contas da União e dos Tribunais de Contas dos Estados.”(destaquei)

E nos presentes autos está a se discutir exatamente uma ilegalidade a seguir


demonstrada, praticada pelo Tribunal Pleno do E. Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.

II - DOS FATOS – ILEGAL ALTERAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO TJMT EM


VIOLAÇÃO AO ARTIGO 102 DA LOMAN

No que tange da eleição para a Diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato


Grosso a norma do Regimento Interno assim estava prescrita, em especial o § 11 do artigo 47:

“SEÇÃO ÚNICA DA ELEIÇÃO E POSSE

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Art. 47 - Na segunda quinta-feira do mês de outubro, do último ano de cada biênio, o Tribunal
Pleno elegerá, dentre todos os seus membros em atividade, o Presidente, o Vice-Presidente e o
Corregedor-Geral da Justiça, que constituirão o Conselho da Magistratura. (Alterado pela E.R. n.º
032/2018/TP) (destaquei)

§ 1º - Para os cargos de Presidente, Vice-Presidente e Corregedor-Geral da Justiça poderão concorrer


todos os Desembargadores em atividade.

§ 2° - Até vinte dias antes da data prevista para a eleição, o Tribunal publicará edital, comunicando a
realização de eleição para Presidente, Vice-Presidente e Corregedor-Geral da Justiça.

§ 3° - Publicado o edital, todos os Desembargadores do Tribunal terão cinco dias para requerer o
registro das respectivas candidaturas, vedada a formação de chapa.

§ 4° - Terminado o prazo de registro das candidaturas, estas serão imediatamente publicadas no


Diário da Justiça Eletrônico.

§ 5º - Qualquer membro do Tribunal, em exercício, poderá impugnar a inscrição no prazo de quarenta


oito horas (48) horas, a contar da publicação dos nomes no Diário da Justiça Eletrônico.

§ 6º - Ouvido o impugnado, em igual prazo, o Presidente relatará o feito perante o Tribunal Pleno,
como preliminar, na sessão designada para a eleição.

§ 7º - As impugnações serão julgadas pelo Tribunal Pleno.

§ 8° - A eleição será feita em escrutínios distintos e secretos, sendo a primeira votação para escolha
do Presidente, a segunda para escolha do Vice-Presidente e a terceira para escolha do Corregedor-
Geral da Justiça, considerando-se eleito o que obtiver a maioria dos votos dos membros do Tribunal e,
em caso de empate, o Desembargador mais antigo e, se iguais em antiguidade, de mais idade.

§ 9º - Aos Desembargadores em exercício, ausente por motivo justificado na sessão de escolha dos
dirigentes é facultado votar por carta, em envelope lacrado, entregue à Presidência do Sodalício até o
início da sessão, resguardando-se o sigilo respectivo.

§ 10 - Registrada a candidatura, a desistência será permitida até o momento do início da votação.

§ 11 - É proibida a reeleição ou a recondução. Quem tiver exercido qualquer cargo de direção


por quatro anos, ou o de Presidente, não mais figurará entre os elegíveis até que se esgotem
todos os nomes na ordem de antiguidade. (destaquei) (aqui houve a alteração que abaixo se
demonstrará)

§ 12 - O disposto no parágrafo anterior não se aplica ao Desembargador eleito para completar o


mandato inferior a um ano.

§ 13 – Ficam excluídos do processo eleitoral os Desembargadores afastados das atividades por


decisão judicial ou administrativa, em decorrência de processo instaurado’.

O destaque dado acima ao artigo 47, “caput” justifica exatamente a necessidade


premente da concessão da liminar que será tratada em tópico exclusivo ao final, ante a

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proximidade da eleição que se avizinha, JÁ AGENDADA REGIMENTALMENTE PARA O DIA


08/10/2020.

A redação anterior, acima destacada, e que fora “CASUISTICAMENTE” revogada


estava em consonância com o que era previsto pelo artigo 102 da LOMAN, porém, em data de 10 de
setembro de 2020, o Tribunal Pleno do E. Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, às vésperas
do pleito que se avizinha, aprovou a emenda regimental 47, que, por maioria, alterou a redação do
§ 11 do artigo 47 (anteriormente transcrito) do Regimento Interno do TJMT, que restou assim
consolidada em sua nova redação:

‘O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO, por meio do Tribunal Pleno, no uso de
suas atribuições legais:

CONSIDERANDO os termos da Ementa Regimental n. 32/2018/TP, que, entre outros, alterou a


redação do art. 47 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso:

CONSIDERANDO que compete ao Tribunal de Justiça deliberar sobre a escolha de seu Presidente,
Vice-Presidente e do Corregedor Geral.

RESOLVE.

Art. 1º - O parágrafo 11, do artigo 47, do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato
Grosso, passa a vigorar com a seguinte redação.

Art. 47.

(...).

§ 11 – O Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor Geral de Justiça poderão figurar como


elegíveis a um segundo biênio, desde que não tenham exercido cargo de direção por quatro
anos.

Art. 2º - Esta Emenda Regimental entre em vigor na data de sua publicação, revogando-se as
disposições em contrário. (destaquei)

Esta emenda regimental, aprovada no dia 10/09/2020, foi publicada no Diário da


Justiça Eletrônico do Estado de Mato Grosso de número 10.816, em data de 11/09/2009 e, portanto,
já esta em plena vigência, aprovando a REELEIÇÃO aos cargos de direção do E. TJMT.

Calha ainda o registro que essa Sessão Plenária Extraordinária do Tribunal Pleno do
E. TJMT, do dia 10/09/2020, que aprovou a contestada emenda regimental, pode ser acompanhada
na íntegra pelo acesso ao seguinte link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=H_lCebJ4bSI ,
de onde, mesmo com a advertência de 04 desembargadores, sobre vedação legal da LOMAN e

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desobediência às prescrições do Conselho Nacional de Justiça e Supremo Tribunal Federal, restou


aprovada sem se levar em consideração o alerta da ILEGALIDADE de tal propositura, aprovando a
casuística alteração regimental.

Colendo Conselho Nacional de Justiça.

Douto Conselheiro Relator.

Como se vê, a proposição levada a efeito pretende fazer com que, a ocupação dos
cargos da mais alta direção do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, não mais se submeta
às disposições contidas no art. 102 da Lei Orgânica da Magistratura, LC nº 35, de 14 de março de
1979 (LOMAN), especialmente no que diz respeito ao indispensável esgotamento de todos os nomes,
a partir da ordem cronológica de antiguidade, para novo preenchimento dos Cargos de Direção
exercidos por 04 (Quatro) anos ou do Cargo de Presidente do Tribunal de Justiça, de onde, por tais
motivos, está eivada de ilegalidade, não podendo subsistir.

Isto porque, inicialmente, a referida proposta de alteração à norma já constante do


Regimento Interno revela-se em flagrante violação, em razão da matéria, cujo objeto é reserva de Lei
Complementar Nacional, conforme disposição expressa no Art. 93, caput, da Constituição da
República, cuja à iniciativa é privativa do E. Supremo Tribunal Federal.

Portanto, até que não se edite novo Estatuto da Magistratura Nacional, em substituição
ao que restou disciplinado pela Lei Complementar nº 35/1979, em consonância com as atribuições
previstas no art. 103-B, § 4º, da Constituição Federal, com a nova redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45/2004, afigura-se absolutamente incompatível proceder qualquer alteração
nas disposições contidas no Regimento Interno, de forma a estabelecer novas regras relativas
ao processo eleitoral e permitir a reeleição no Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso ou,
ainda, de qualquer outro Tribunal de Justiça dos Estados Federados e do Distrito Federal.

Como se sabe, as disposições insertas na LOMAN constituem, no ordenamento


jurídico, um único regime à Magistratura Nacional, garantindo tratamento uniforme a todo o Poder
Judiciário Brasileiro.

Neste contexto, não é difícil de concluir que, malgrado o entendimento favorável


por maioria, a alteração do Regimento Interno permitiu a possibilidade de que sejam eleitos

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para os Órgãos Diretivos do Tribunal de Justiça deste Estado Desembargadores inelegíveis, à


luz das disposições contidas no art. 102 da LOMAN, assim redigido:

“Art. 102 - Os Tribunais, pela maioria dos seus membros efetivos, por votação secreta, elegerão dentre
seus Juízes mais antigos, em número correspondente ao dos cargos de direção, os titulares destes,
com mandato por dois anos, proibido a reeleição. Quem tiver exercido quaisquer cargos de direção
por quatro anos, ou o de Presidente, não figurará mais entre os elegíveis, até que se esgotem todos os
nomes, na ordem de antigüidade. É obrigatória a aceitação do cargo, salvo recusa manifestada e
aceita antes da eleição. (destaquei)

“Parágrafo único - O disposto neste artigo não se aplica ao Juiz eleito, para completar período de
mandato inferior a um ano”.

Convém, ainda, acrescentar que, na espécie, nem mesmo no futuro Estatuto da


Magistratura, cuja redação já foi devidamente aprovada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal,
com os quais todos deverão se adaptar, a rigor dos seus artigos 39 a 42, está ainda em consonância
com a LC 35/79, a proibir a reeleição e nova administração ao Presidente, aspecto que, de igual
forma, merece ser visto, conforme redação preliminar abaixo:

“Art. 42. São inelegíveis para qualquer cargo diretivo, salvo se não houver candidato
elegível:

I – quem tiver exercido dois cargos de direção por dois mandatos, consecutivos ou
alternados;

II – quem tiver exercido o cargo de Presidente;” (destaquei)

Isto apenas reforça a idéia de que a nova LOMAN, devidamente aprovada pelo
Plenário do Supremo Tribunal Federal, traz a repulsa ao instituto da reeleição ou recondução (salvo
na exceção descrita no próprio dispositivo), como tratado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato
Grosso, sendo um sinalizador claro ao assunto aqui exposto, sendo esta de iniciativa do Supremo
Tribunal Federal, apesar de ainda ser apenas um projeto de lei.

Por isso, torna-se incontroverso que, em eventual conflito entre o Regimento


Interno e a LOMAN, o Poder Judiciário deve, indiscutivelmente, prestigiar o Estatuto Nacional
da Magistratura, consoante inúmeros precedentes do E. Supremo Tribunal Federal, dentre as
quais se destaca o seguinte, cuja ementa está assim redigida:

‘AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.310 RIO DE JANEIRO - STF

RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA

REQTE. (S): PROCURADOR –GERAL DA REPÚBLICA

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INTDO. (A/S): PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

ADV.(A/S): SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INSCONTITUCIONALIDADE. ELEIÇÃO PARA ÓRGÃOS DIRETIVOS DO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO. RESOLUÇÃO N. 1/2014 DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO RIO DE JANEIRO. ART. 93, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 102 DA
LOMAN: NORMA GERAL RECEPCIONADA PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
PRECEDENTES. REGULAMENTAÇÃO ESTADUAL DIVERGENTE DA PREVISÃO NORMATIVA
GERAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE JULGADA PROCEDENTE. (14 de dezembro
de 2016)(destaquei)

Nesta toada, ao pretender permitir a possibilidade de um Desembargador ser


novamente eleito para o mesmo cargo, admitiu-se como sendo regular o instituto da reeleição, o
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso contrariando frontalmente as disposições contidas no
art. 102 da Lei Complementar 35/1979.

Aqui, nobre Conselheiro, cabe o registro importante de que, em momento


algum se está a pretender algum tipo de controle de constitucionalidade através do Conselho
Nacional de Justiça, e sim, a simples invocação da violação do artigo 102, da LOMAN, em
especial, da sua vedação mais do que explícita da reeleição, trata-se, portanto, do controle de
LEGALIDADE do ato.

Mais a mais, cabe uma pequena digressão histórica, neste momento, sobre os atuais
entendimentos da extensão e da recepção do artigo 102 da LOMAN, após a Emenda Constitucional
45/2004, de onde, a partir do momento em que se permitiu, pela aludida emenda, a constituição de
Órgão Especial, com a composição mista de Desembargadores mais antigos e Desembargadores
mais novos, eleitos para tanto, passou-se a construir o entendimento de que, diante disso, todos os
Desembargadores poderiam ser alocados na condição de elegíveis aos cargos diretores e não mais
apenas os mais antigos, apenas isso, sendo que, em nenhum momento se apontou a
possibilidade de que poderia haver a reeleição, de onde, a alteração regimental propiciada pelo
Pleno do TJMT, alargou o espectro de alcance, da não recepção do artigo 102 da LOMAN, de
forma integral, pela alteração efetivada pela EC 45/2004.

Já no longínquo ano de 2013, quando o eminente Ministro do Supremo Tribunal


Federal Ricardo Lewandowski concedeu a liminar no Mandado de Segurança 32451, que discutia
acerca da limitação dos elegíveis aos cargos diretivos do Tribunal de Justiça de São Paulo apenas
aos mais antigos, já fazia exatamente essa interpretação de que apenas em relação aos elegíveis o

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artigo 102 da LOMAN não teria sido recepcionado, de onde colaciono excertos da sua decisão
abaixo:

“Ora, na instituição de órgão especial por um tribunal está implícito que sobre qualquer dos
membros do órgão pode recair a incumbência de dirigir o tribunal. A função de direção que exerce o
órgão especial é mesmo elemento integrante da atividade administrativa delegada pelo Pleno. O
critério de antiguidade não poderia desvirtuar esse elemento integrante. Tudo isso me leva a crer,
ao menos no caso dos tribunais que contam com órgão especial, que a expressão 'dentre seus
Juízes mais antigos', contida no art. 102 da Loman, não mais pode ser interpretado como tendo sido
recepcionada pela Constituição federal. Ressalto, nesse sentido, que não considero
recepcionado o art. 102 da Loman somente no que diz respeito à eleição para os cargos de
direção dos desembargadores mais antigos. No resto, o citado art. 102 continua sendo
aplicável, especialmente no que se refere à vedação de reeleição e à proibição de um mesmo
desembargador ocupar cargos de direção por mais de quatro anos. Diante de todo o exposto,
em razão da proximidade da realização das eleições para os cargos diretivos do TJSP, a ser
realizada em 4/12/2013, com base no artigo 7º, III, da Lei 12.016/2009, e sem prejuízo de um
exame mais aprofundado da matéria por ocasião do julgamento de mérito deste writ, defiro o pedido
de medida liminar para suspender os efeitos da decisão proferida pelo Plenário do Conselho
Nacional de Justiça, nos autos do Pedido de Providências 0005039-51.2013.2.00.0000, ficando
restabelecida, até o julgamento definitivo deste mandado de segurança, a eficácia da Resolução
606/2013 do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Comuniquem-se o
Presidente do Conselho Nacional de Justiça, notificando-o para que preste informações no prazo de
dez dias (art. 7º, I, da Lei 12.016/2009), e o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo. Dê-se ciência desta impetração à Advocacia-Geral da União, enviando-lhe cópia da petição
inicial e desta decisão (art. 7º, II, da Lei 12.016/2009). (destaquei)

Ainda, em sequência, no julgamento da ADIN 5310-RJ, que tratava exatamente do


tema acerca da possibilidade de reeleição ao cargo de Presidente de Tribunal de Justiça do Estado
do Rio de Janeiro, assim se pronunciou o E. Supremo Tribunal Federal:

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ELEIÇÃO PARA ÓRGÃOS DIRETIVOS


DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO. RESOLUÇÃO N. 1/2014 DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO. ART. 93, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 102
DA LOMAN: NORMA GERAL RECEPCIONADA PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
PRECEDENTES. REGULAMENTAÇÃO ESTADUAL DIVERGENTE DA PREVISÃO NORMATIVA
GERAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE JULGADA PROCEDENTE.

(...) omissis

15. Tenho afirmado, como exposto nos inúmeros precedentes apontados, que as disposições da Lei
Complementar n. 35/1979 definem regime jurídico único para a magistratura brasileira e viabilizam
tratamento uniforme, válido em todo o território nacional, para as questões intrínsecas ao Poder
Judiciário, garantindo a necessária independência para a devida prestação jurisdicional. Essas

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normas, não contrariando a Constituição da República, devem ser obrigatoriamente observadas pelos
tribunais ao elaborarem seus regimentos internos e demais atos normativos.

16. Na espécie vertente, ao estabelecer a possibilidade de “o Desembargador ser novamente


eleito para o mesmo cargo, desde que observado o intervalo de dois mandatos”, o Plenário do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contrariou as balizas estabelecidas no art. 102 da Lei
Complementar n. 35/1979, recepcionado pela Constituição da República nos termos do seu art. 93.
(fls.43) (destaquei)

(...) omissis

19. Pelo exposto, julgo procedente a presente ação, para declarar a inconstitucionalidade do art. 3º da
Resolução TJ/TP/RJ n. 1/2014 do Plenário do Tribunal de Justiça do Rio do Janeiro. (fls.44)

(...) omissis

Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente a presente ação,
para declarar a inconstitucionalidade do art. 3º da Resolução TJ/TP/RJ nº 1/2014 do Plenário do
Tribunal de Justiça do Rio Janeiro, vencidos os Ministros Luiz Fux, Dias Toffoli e Marco Aurélio, que
julgavam improcedente a ação. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Falou pelo
Ministério Público Federal o Dr. José Bonifácio Borges de Andrada, Vice-Procurador-Geral da
República. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia - RELATORA. Plenário, 14.12.2016.”

Por último, em recentíssimo julgamento ocorrido em data de 25/06/2020. O


Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, no julgamento da ADIN 3976-
SP, cuja data de publicação do acórdão na íntegra se deu em data de 21/09/2020, pelo DJE Nº
232, assim se pronunciou:

(...) omissis

“(fls.16) A disciplina inserida na Constituição da República após a edição da EC 45/2004, todavia,


inaugura uma nova lógica, eis que não tem na antiguidade critério exclusivo, como já se referiu. A
composição do órgão especial passa a ser ditada não apenas pela antiguidade, mas também pela
eleição dentre os pares do plenário das Cortes. E não há, no texto da Constituição da República,
distinção praticada entre os integrantes do Órgão Especial e os demais componentes da Corte que
justifique impedimento a que estes últimos concorram aos cargos de cúpula. Tal entendimento não
representa inovação nesta Casa: já foi adotado pelos e. Ministros Joaquim Barbosa e Ricardo
Lewandowski. Da decisão monocrática proferida pelo Min. Ricardo Lewandowski, no MS 32.451, que
também versa a respeito da matéria objeto da presente ação direta, extraio:

(...) omissis

(fls.19) Ressalto, nesse sentido, que não considero recepcionado o art. 102 da Loman somente no
que diz respeito à eleição para os cargos de direção dos desembargadores mais antigos. No resto, o
citado art. 102 continua sendo aplicável, especialmente no que se refere à vedação de reeleição e à

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proibição de um mesmo desembargador ocupar cargos de direção por mais de quatro anos” (grifos
meus).

(...) Omissis

(fls.20) Destaco, contudo, que a não recepção se dá tão somente no que se refere à eleição
para os cargos de direção dos desembargadores mais antigos. Continua aplicável o artigo
102 da LOMAN, em especial no que se refere à vedação de reeleição e à proibição de um
mesmo desembargador ocupar cargos de direção por mais de quatro anos. Ante o exposto,
conheço parcialmente da presente ação direta de inconstitucionalidade, por perda de objeto, ante a
revogação expressa do artigo 27, § 2º, do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo e do artigo 1º, § 1º, da Resolução n.º 395/2007, daquele Tribunal. (destaquei)

(...) Omissis

(FLS.21) Declaro, ademais, não recepcionado, pela Constituição de 1988, o artigo 102, da Lei
Orgânica da Magistratura (Lei Complementar n.º 35/1979), para que não subsista a interpretação
segundo a qual apenas os desembargadores mais antigos possam concorrer aos cargos diretivos
das Cortes. Deve a matéria, em razão da autonomia dos tribunais, consagrada nos artigos 93, I, ‘a’ e
99, da Constituição Federal, ser remetida à disciplina regimental de cada Corte.

(...) omissis

(fls.42) Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu parcialmente da ação direta de


inconstitucionalidade, por perda de objeto, ante a revogação expressa do artigo 27, § 2º, do
Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e do artigo 1º, § 1º, da
Resolução nº 395/2007 daquele Tribunal. Na parte conhecida, julgou-a procedente para
declarar a inconstitucionalidade do artigo 62 da Constituição do Estado de São Paulo, por
ofensa aos artigos 96, I, a, e 99 da Constituição da República, e declarou não recepcionado
pela Constituição de 1988 o artigo 102 da Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar nº
35/1979), para que não subsista a interpretação segundo a qual apenas os
desembargadores mais antigos possam concorrer aos cargos diretivos das Cortes,
devendo a matéria, em razão da autonomia dos tribunais, consagrada nos artigos 93, I, a e
99, da Constituição Federal, ser remetida à disciplina regimental de cada Corte, nos termos do
voto do Relator e dos votos proferidos. Presidência do Ministro Dias Toffoli. Plenário,
25.06.2020 (Sessão realizada inteiramente por videoconferência - Resolução
672/2020/STF). (destaquei)

No julgamento acima, destaca-se sobremaneira a evolução do Supremo Tribunal


Federal, ao longo dos anos, em especial após a EC 45/2004, no quesito permissivo de não se
considerar recepcionado o artigo 102 da LOMAN, apenas no ponto em que se limitavam os
Desembargadores elegíveis, sendo que o julgamento acima se mostrou com resultado
UNÂNIME, ao apontar a não recepção do artigo 102 da LOMAN apenas no quesito que limitava os

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Desembargadores elegíveis, porém, manteve-se de forma absoluta e hígida a vedação da pretensão


de reeleição.

Ainda se faz o registro de que a sessão de julgamento da ADIN 3976, acima


transcrita pode ser acompanhada na íntegra pelo link do “site youtube”, no seguinte link de acesso:
https://m.youtube.com/watch?v=uRXRV5we2L0, sendo julgada pelo Plenário Virtual do Supremo
Tribunal Federal, onde o julgamento da matéria se inicia a partir do minuto 15 (quinze) da sessão.

Ao comentar o artigo 102 da LOMAN, o mestre José Afonso da Silva leciona:

“O Estatuto da Magistratura é estabelecido por lei complementar de iniciativa do STF e contém


as regras sobre a carreira da Magistratura Nacional, observados os princípios constitucionais
sobre o ingresso, a promoção, o acesso aos tribunais, os vencimentos, a aposentadoria e seus
proventos, a publicidade dos julgamentos e a constituição de Órgão Especial nos tribunais. A Lei
Complementar n. 35, de 1979, que ‘Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional
(LOM), foi recepcionada pela Constituição e vigorará, naquilo que não a contrarie, até que
se elabore outra, por iniciativa do STF” (SILVA, José Afonso. Comentário Contextual à
Constituição. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 508).(destaquei)

E isto o Supremo Tribunal Federal já o fez, nas diversas ADINs


anteriormente citadas e transcritas, dizendo de forma clara e textual, que na parte que o
artigo 102 da LOMAN veda a reeleição, continua totalmente válida e recepcionada pela
Constituição Federal.

III – DA AUTONOMIA DOS TRIBUNAIS

Não se está aqui, Eminente Conselheiro, a tolher qualquer autonomia do Tribunal,


sendo que, realmente o artigo 99 da Constituição Federal concedeu aos Tribunais a sua autonomia
administrativa e financeira, com as alterações ali inseridas pela EC 45/2004.

Porém, essa autonomia tem balizadores legais maiores, dentre eles: a própria
LOMAN e ainda a Constituição Federal, não tendo nenhum Tribunal do país a autonomia ilimitada,
em detrimento da violação de tais institutos, tendo limite de atuação, nestes instrumentos e em vários
outros, prova disso são as inúmeras decisões do próprio Conselho Nacional de Justiça a impor série
de restrições administrativas, a tratar de promoção, eleição, controle orçamentário, forma de
pagamento, quantia de valores pagos, verbas pretéritas, entre tantas outras, demonstrando de forma

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positiva, que a decantada autonomia tem limites impostos e controlados pelo Conselho Nacional de
Justiça, dentro dos ditames legais e constitucionais.

Ou seja, a autonomia dos Tribunais deve respeitar a lei, em sentido amplo, o que não
está sendo feito pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, ao aprovar e editar a emenda
regimental 47, que alterou o § 11 do artigo 47 do Regimento Interno do TJMT, anteriormente
transcrito.

Em caso contrario, certamente está a desobedecer ao primado constitucional de seu


artigo 37 da CF, em especial o Princípio da Legalidade ao lado ainda dos Princípios da
Razoabilidade e da Proporcionalidade que também são cânones constitucionais a partir da
edição da EC-45/2004.

Ademais, o próprio artigo 4º, II do Regimento Interno do Conselho Nacional de


Justiça assim prescreve:

Art. 4º Ao Plenário do CNJ compete o controle da atuação administrativa e financeira do Poder


Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados, cabendo-lhe, além de outras
atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, o seguinte:

II - zelar pela observância do art. 37 da Constituição Federal e apreciar, de ofício ou mediante


provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder
Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal
de Contas da União e dos Tribunais de Contas dos Estados; (destaquei)

De onde, fica clara a atuação do Conselho Nacional de Justiça, a ter a atribuição


positiva para corrigir a ilegalidade anunciada, dentro de sua missão constitucional e regimental,
podendo desconstituir e rever atos administrativos ilegais, exatamente como no presente caso, com
balizamento previsto na Constituição Federal e ainda em seu próprio Regimento Interno, em especial
no artigo 4º, II c/c 91 (anteriormente transcrito).

IV- TEMA JÁ ENFRENTADO PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

O tema em tela, Sr. Conselheiro, inclusive, já foi objeto de análise pelo Conselho
Nacional de Justiça, no Pedido de Providências nº 0006153-25.2013.2.00.0000, da lavra do Ilustre
Conselheiro Fabiano Silveira, nos moldes abaixo descritos:

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“AUTOS: PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS – 0006153-25.2013.2.00.0000 – CONSELHO NACIONAL DE


JUSTIÇA

RELATOR: FABIANO SILVEIRA

REQUERENTE: MARCOS ALVES PINTAS

REQUERIDO: IVAN RICARDOGARISIO SARTORI E OUTROS.

EMENTA: RECURSO ADMINISTRATIVO EM PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. TRIBUNAL DE JUSTIÇA


DO ESTADO DE SÃO PAULO (TJSP). ELEIÇÃO PARA OS CARGOS DE DIREÇÃO DO TRIBUNAL.
VEDAÇÃO À REELEIÇÃO. ART. 102 DA LOMAN. LIMINAR DEFERIDA E RATIFICADA PELO
PLENÁRIO. AUSÊNCIA DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS A SEREM DETERMINADAS. DECISÃO
MONOCRÁTICA DE ARQUIVAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA REVISÃO EM GRAU
DE RECURSO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESPROVIDO.

"A discussão que se estabelece no presente Pedido de Providências diz respeito à possibilidade de
reeleição de Desembargador para cargo de direção do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
A controvérsia acentuou-se a partir da Resolução nº 606, de 2013, editada pela Corte Especial do
TJSP, estabelecendo a elegibilidade de todos os Desembargadores para os cargos de direção.
Conforme ato relatado, referido ato normativo é objeto do Mandado de Segurança nº 32.451/DF, de
relatoria do eminente Ministro Ricardo Lewandowski.
Todavia, de acordo com as informações prestadas pelo próprio Ministro Relator, o objeto da
impetração é restrito, tratando da elegibilidade dos Desembargadores. Não contempla, portanto, a
matéria da reeleição.
Plausibilidade jurídica do pedido
Em primeiro lugar, não há como desconhecer o fato de que a Loman contém cláusula expressa no
sentido de proibir a reeleição para quaisquer cargos de direção dos Tribunais, conforme estabelece o
caput do seu art. 102:
(...)
Referida norma, a toda evidência, foi inspirada pelo princípio da alternância no preenchimento dos
cargos de direção, de modo a evitar, inclusive, que magistrados afastem-se de suas funções
judicantes por longos períodos, perdendo contato com as suas atribuições finalísticas.
Parece-nos, pois, que a inscrição do atual Presidente do TJSP nas eleições que definirão o próximo
mandatário constituiria ato abertamente contrário à lei e aos princípios que a inspiraram, na linha de
entendimentos já sufragados pelo Superior Tribunal de Justiça (RMS 4.689/RS, Relator Ministro Pedro
Acioli) e pelo Supremo Tribunal Federal (Rcl 8.025, Relator Ministro Eros Grau; MS 28.447, Relator
Ministros Dias Toffoli; ADI 3.566, Relator Ministro Joaquim Barbosa).
Não fossem suficientes os argumentos expostos, ad argumentandum, a recente Resolução nº 606, de
2013, editada pelo Órgão Especial do TJSP, cuja constitucionalidade é analisada no Mandado de
Segurança nº 32.451/DF, igualmente não daria suporte à candidatura do atual Presidente, na medida
em que se cinge à pretensa ampliação do número de Desembargadores elegíveis, o que significa tudo
menos contemplar a possibilidade de reeleição, tema diverso, como, aliás, reconheceu Excelentíssimo
Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (evento 19).

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Não há dúvida de que compete ao Conselho Nacional de Justiça, no exercício de suas funções
como órgão de controle administrativo do Poder Judiciário, zelar pela legalidade e higidez das
eleições para preenchimento dos cargos de direção dos tribunais, contrapondo-se a quaisquer
manipulações ou alterações abruptas e casuísticas das “regras do jogo”.
Periculum in mora
Sobre o periculum in mora, ponderamos, inicialmente, que o prazo de inscrição para o processo eletivo
dos futuros dirigentes do TJSP está prestes a se encerrar.
Teríamos, a nosso ver, vindo a se confirmar a candidatura à reeleição do atual Presidente do TJSP,
indiscutíveis prejuízos para o regular transcurso do processo eleitoral. Por outras palavras, referida
inscrição, se realizada, poderia conturbar as eleições criando expectativas sobre o conjunto dos
eleitores, expectativas essas que, como dissemos, não encontra abrigo nem na Loman nem em
regramento interno do TJSP. É dizer, as eleições poderiam ficar comprometidas na sua legitimidade.
De se ver que a própria resposta a este Conselho Nacional assinada pelo Presidente Ivan Ricardo
Garisio Sartori (evento 11), ao desviar-se propositalmente da principal questão discutida – isto é, saber
se o atual Presidente é, ou não, candidato à reeleição, e se esta é permitida – dá indicações sutis de
que a referida candidatura é bastante possível.
Em suma, estamos persuadidos de que haveria consideráveis prejuízos caso a medida de cautela não
fosse concedida nesse momento.
Pelos fundamentos expostos, concedo a liminar requerida para obstar a inscrição do
Desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori como candidato ao cargo de Presidente do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, tendo em vista a proibição de reeleição constante
do caput do art. 102 da Loman. Na eventualidade de que a inscrição já tenha sido realizada, seja
o ato imediatamente sustado, como quaisquer outros efeitos dele decorrentes.
Intime-se com urgência o TJSP, que deverá informar em 24 (vinte e quatro) horas as providências
adotadas para cumprimento da presente decisão liminar". (destaquei)

Ou seja, não se trata de matéria nova ao Conselho Nacional de Justiça, de onde, o


mencionado julgamento administrativo, acima transcrito foi um desdobramento do MS 32451, cuja
relatoria foi do E. Ministro Ricardo Lewandowski, no STF, de onde o STF tratou acerca do universo de
Desembargadores elegíveis após a EC 45/2004, ao passo que o Pedido de Providência, tratou acerca
da impossibilidade da reeleição, demonstrando que, a alteração realizada foi totalmente casuística e
com alteração substancial das regras eleitorais administrativas do Poder Judiciário, em relação a
eleição, passando-se a permitir a reeleição, vedada pelo artigo 102 da LOMAN.

V – DA ILEGALIDADE NA CONDUÇÃO DO PLEITO ELEITORAL NO TRIBUNAL


DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO JÁ AGENDADO PARA O DIA
08/10/2020

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Se não bastasse toda a ilegalidade já amplamente demonstrada anteriormente, nobre


Conselheiro, a emenda regimental da qual se insurge neste momento, foi feita como se diz
popularmente “a toque de caixa”, tanto é que, a redação final da mesma, “aprovada pela comissão
responsável pela sua aprovação”, enviou a redação final da proposta ilegal, na tarde do dia anterior à
votação que se deu em data de 10/09/2020, bem como, de forma açodada se esqueceu de traçar
qualquer normativa no que tange a condução do pleito eleitoral, com a aludida aprovação da
reeleição.

Nada se alterou no regimento interno acerca da condução e forma do processo


eleitoral, de onde, pela redação do artigo 47 do Regimento Interno, permaneceu que a condução dos
trabalhos, mesmo no caso de reeleição, ainda restaria nas mãos do próprio Presidente do Tribunal,
também interessado em se reeleger.

Permita-me, novamente transcrever o artigo 47 do regimento interno do TJMT, com a


sua alteração do § 11, dada pela emenda regimental 47 aprovada pelo Tribunal Pleno em data de
10/10/2020, por ser estritamente necessária a sua visualização no presente contexto:

“SEÇÃO ÚNICA DA ELEIÇÃO E POSSE

Art. 47 - Na segunda quinta-feira do mês de outubro, do último ano de cada biênio, o Tribunal
Pleno elegerá, dentre todos os seus membros em atividade, o Presidente, o Vice-Presidente e o
Corregedor-Geral da Justiça, que constituirão o Conselho da Magistratura. (Alterado pela E.R. n.º
032/2018/TP) (destaquei)

§ 1º - Para os cargos de Presidente, Vice-Presidente e Corregedor-Geral da Justiça poderão concorrer


todos os Desembargadores em atividade.

§ 2° - Até vinte dias antes da data prevista para a eleição, o Tribunal publicará edital, comunicando a
realização de eleição para Presidente, Vice-Presidente e Corregedor-Geral da Justiça.

§ 3° - Publicado o edital, todos os Desembargadores do Tribunal terão cinco dias para requerer o
registro das respectivas candidaturas, vedada a formação de chapa.

§ 4° - Terminado o prazo de registro das candidaturas, estas serão imediatamente publicadas no


Diário da Justiça Eletrônico.

§ 5º - Qualquer membro do Tribunal, em exercício, poderá impugnar a inscrição no prazo de quarenta


oito horas (48) horas, a contar da publicação dos nomes no Diário da Justiça Eletrônico.

§ 6º - Ouvido o impugnado, em igual prazo, o Presidente relatará o feito perante o Tribunal Pleno,
como preliminar, na sessão designada para a eleição.

§ 7º - As impugnações serão julgadas pelo Tribunal Pleno.

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§ 8° - A eleição será feita em escrutínios distintos e secretos, sendo a primeira votação para escolha
do Presidente, a segunda para escolha do Vice-Presidente e a terceira para escolha do Corregedor-
Geral da Justiça, considerando-se eleito o que obtiver a maioria dos votos dos membros do Tribunal e,
em caso de empate, o Desembargador mais antigo e, se iguais em antiguidade, de mais idade.

§ 9º - Aos Desembargadores em exercício, ausente por motivo justificado na sessão de escolha dos
dirigentes é facultado votar por carta, em envelope lacrado, entregue à Presidência do Sodalício até o
início da sessão, resguardando-se o sigilo respectivo.

§ 10 - Registrada a candidatura, a desistência será permitida até o momento do início da votação.

§ 11 – O Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor Geral de Justiça poderão figurar como


elegíveis a um segundo biênio, desde que não tenham exercido cargo de direção por quatro
anos. (destaquei) (inserido pela Emenda Regimental 47 de 10/09/2020 –TP)

§ 12 - O disposto no parágrafo anterior não se aplica ao Desembargador eleito para completar o


mandato inferior a um ano.

§ 13 – Ficam excluídos do processo eleitoral os Desembargadores afastados das atividades por


decisão judicial ou administrativa, em decorrência de processo instaurado’.

Em leitura dos comandos acima transcritos, observa-se que durante todo o processo
eleitoral, o mesmo Presidente do Tribunal de Justiça, que estiver concorrendo à reeleição, conduzirá
todo o processo eleitoral, sendo de uma ilegalidade a toda a prova, demonstrando de forma clara que,
na intenção única de aprovar emenda regimental totalmente direcionada, foi “esquecido” de se tratar
qualquer tipo de alteração do processo legislativo interno, num vício procedimental sem
precedentes.

Aponta-se tal fato, pois foi esquecido que o artigo 47 do Regimento Interno foi
pensado na tramitação nos moldes legais, ou seja, nunca o Presidente estaria concorrendo à
reeleição, por isso o mesmo poderia normalmente conduzir o pleito eleitoral, porém, com a alteração
ilegal anunciada e questionada neste Procedimento de Controle Administrativo, observa-se que,
mesmo candidato à reeleição, o Presidente/candidato à reeleição conduzirá o certame e ainda
decidirá as possíveis “impugnações”, tudo isto por causa da aprovação direcionada e às pressas
no apagar das luzes da gestão da atual diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato
Grosso.

O que está a ocorrer no caso em tela é patente violação dos princípios da moralidade
e impessoalidade administrativa, ambos registrados no artigo 37 da Constituição Federal, sem falar,
na anterioridade da Lei Eleitoral, em análise de simetria / analogia, pois, mudada a regra do jogo nos
seus acréscimos finais, com o intuito único de se permitir a reeleição do atual Presidente do E. TJMT,
num ato de ilegalidade perante o Sodalício Mato-grossense.

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V- DA VEICULAÇÃO DA CANDIDATURA À REELEIÇÃO NA MÍDIA LOCAL

Apenas para a demonstração do ocorrido, a mídia local vem divulgando exatamente


a candidatura à reeleição do atual Presidente do E. Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso à
reeleição ao cargo diretivo de Presidente, vejam-se os “links” abaixo, com fácil acesso em um “click”
via rede mundial de computadores:

https://www.midianews.com.br/judiciario/quatro-desembargadores-se-candidatam-a-presidencia-
do-tj/384286

https://pontonacurva.com.br/ponto-central/candidato-a-reeleicao-rocha-enfrentara-disputa-com-
tres-desembargadores/12701

https://www.olharjuridico.com.br/noticias/exibir.asp?id=44314&noticia=carlos-alberto-formaliza-
candidatura-e-enfrenta-desembargadores-que-divergiram-sobre-reeleicao&edicao=2

https://www.folhamax.com/policia/com-presidente-na-disputa-a-reeleicao-4-tentarao-comandar-tj-
de-mt/274540

https://estadaomatogrosso.com.br/judiciario/desembargadores-aprovam-reeleicao-para-
presidente-do-tjmt/12529

https://www.reportermt.com.br/direto-ao-ponto/pleno-aprova-reeleicao-de-presidente-no-tribunal-
de-justica-de-mt/121000

VII- DA IMPERIOSA NECESSIDADE DA CONCESSÃO DA LIMINAR NO


PRESENTE FEITO.

Nobre Conselheiro em relação ao pleito de liminar, observa-se ainda que o artigo 25,
XI do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça dispõe sobre os poderes do relator a
conceder medidas urgentes e acautelatórias, de aplicação geral, quando haja fundado receio de
prejuízo, dano irreparável ou risco de perecimento, senão vejamos:

“Art. 25. São atribuições do Relator:

XI - deferir medidas urgentes e acauteladoras, motivadamente, quando haja fundado receio de


prejuízo, dano irreparável ou risco de perecimento do direito invocado, determinando a inclusão
em pauta, na sessão seguinte, para submissão ao referendo do Plenário;” (destaquei)

A medida aqui se demonstra mais do que necessária, visto que, as eleições para a
Diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, regimentalmente estão agendadas para a

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segunda quinta-feira do mês de outubro do encerramento do biênio, como se delimita no artigo 47 do


Regimento Interno do TJMT:

Art. 47 - Na segunda quinta-feira do mês de outubro, do último ano de cada biênio, o Tribunal
Pleno elegerá, dentre todos os seus membros em atividade, o Presidente, o Vice-Presidente e o
Corregedor-Geral da Justiça, que constituirão o Conselho da Magistratura. (Alterado pela E.R. n.º
032/2018/TP) (destaquei)

E, nesta toada a data do pleito eleitoral será em 08/10/2020, de onde, se


demonstra, neste momento da real urgência, a preservar direito, combatendo o risco de prejuízo e
dano irreparável ao solicitante.

Isto se mostra ainda mais claro quando se comprova que o atual Presidente do
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, Desembargador Carlos Alberto Alves da
Rocha, está inscrito para se candidatar à reeleição ao cargo diretivo de Presidente do Egrégio
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, conforme a lista dos candidatos inscritos publicada
em data de 22/09/2020, no Diário de Justiça Eletrônico de número 10.823, abaixo demonstrado (bem
como anexo o documento integral):

Comprova-se que, ao arrepio da LOMAN, no seu artigo 102, devidamente


demonstrado que recepcionado pela Constituição Federal, no que tange da vedação da reeleição, a
emenda regimental aprovada pelo Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso,

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permitiu tamanha ilegalidade, necessitando da intervenção do Conselho Nacional de Justiça para a


suspensão do ato ilegal e ainda seus eventuais efeitos derivados.

Eminente Conselheiro, a medida liminar “inaudita altera pars” se impõe de maneira


ímpar e rápida, ante a publicação do EDITAL 03/2020-DTPOE (abertura das inscrições – DOC.6) e
ainda do Edital (DOC.7) com a lista dos Desembargadores inscritos, acima colacionada, no sentido
de:

a) Concessão da Medida Liminar “inaudita altera pars” para a suspensão, nos


moldes do artigo 25, XI do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, bem como, com
lastro subsidiário do Código de Processo Civil, em especial do seu artigos 300 e 311, aplicação
subsidiária por força do art. 15 do mesmo instrumento processual civil do texto da Emenda
Regimental 47 que alterou o § 11 do artigo 47 do Regimento Interno do TJMT e, desta forma,
proceder às eleições para a Diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso apenas com
os candidatos que não estejam a desobedecer a regra imposta pelo artigo 102 da LOMAN de
vedação à reeleição, registrado/decidido ainda de forma textual-expressa na ADIN 3976 (transcrita
anteriormente), mantendo-se hígida a anterior redação do § 11 do artigo 47 do Regimento Interno,
que assim previa:

§ 11 - É proibida a reeleição ou a recondução. Quem tiver exercido qualquer


cargo de direção por quatro anos, ou o de Presidente, não mais figurará entre
os elegíveis até que se esgotem todos os nomes na ordem de antiguidade;

b) Bem como, na mesma medida liminar “inaudita altera pars”, em


complementação, se conceda ainda a exclusão do certame eleitoral do candidato que estiver a violar
a vedação contida da reeleição no artigo 102 da LOMAN, do atual Presidente do Tribunal de
Justiça do Estado de Mato Grosso Desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, candidato à
reeleição, ante sua inelegibilidade , sem que seja reaberto prazo de novas inscrições, pelo fato de
que, o prazo das inscrições restou aberto e disponível para todos igualmente, cabendo apenas a
exclusão do certame daqueles que não obedeçam a vedação da reeleição do artigo 102 da LOMAN,
seguindo-se normalmente o pleito agendado para o dia 08/10/2020, apenas com os candidatos aptos
a cada cargo diretivo;

c) – Subsidiariamente, como tem sido alardeado entre os membros do Tribunal de


Justiça de Mato Grosso, de que a recondução/reeleição do atual Presidente Desembargador Carlos
Alberto Alves da Rocha, já detém mais de 50% (cinqüenta por cento) dos votos, o que restaria
diminutos eleitores a votarem nos demais candidatos e, de igual forma, prejudicado o espírito do

MAURO THADEU PRADO DE MORAES


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Número do documento: 20092321105057400000003728506
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ESTADO DEMOCRATICO, para dar mais reforço de representatividade, ANULAR O PLEITO, acaso
já ocorrido quando da análise da liminar e, consequentemente, fixar data para novas eleições,
agora tão somente com os candidatos regularmente inscritos, Desembargadores JUVENAL PEREIRA
DA SILVA, SEBASTIÃO DE MORAES FILHO e LUIZ FERREIRA DA SILVA, únicos elegíveis
consoante o disposto no art. 102 da LOMAM e ratificadas por decisões do colendo SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL e pelo egrégio CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA;

d) E, se os aspectos acima não forem levado em conta, o que não acredita em face
da clareza da situação, mesmo os demais recebendo ínfimos votos, subsidiariamente, na remota
hipótese da medida liminar ser analisada após o pleito das eleições diretivas de 08/10/2020, que seja,
alternativamente, em segundo plano, diante desse ingrediente, concedida a medida liminar “inaudita
altera pars” para a exclusão do certame e tornado sem efeito a eleição do candidato eventualmente
reeleito / reconduzido, em violação do artigo 102 da LOMAN, desconsiderando-se os votos dados a
este, e proclamando como eleito o segundo colocado ao cargo diretivo de Presidente do TJMT, desde
que também, não incorra em vedação à reeleição / recondução;

MEDIDA URGENTE/URGENTISSIMA - A medida urge de rápida intervenção ante a


proximidade das eleições diretivas já anunciada para o dia 08/10/2020, evitando-se o prejuízo ao
subscritor do presente pedido de providências.

Feitas as devidas explanações, passo aos pedidos finais.

VII- DOS PEDIDOS

1-Diante das considerações realizadas, requer a medida liminar nos seguintes


moldes:

1.1) Concessão da Medida Liminar “inaudita altera pars” para a suspensão, nos
moldes do artigo 25, XI do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, bem como, com
lastro subsidiário do Código de Processo Civil, em especial do seu artigos 300 e 311, aplicação
subsidiária por força do art. 15 do mesmo instrumento processual civil do texto da Emenda
Regimental 47 que alterou o § 11 do artigo 47 do Regimento Interno do TJMT e, desta forma,
proceder às eleições para a Diretoria do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso apenas com
os candidatos que não estejam a desobedecer a regra imposta pelo artigo 102 da LOMAN de
vedação à reeleição, registrado/decidido ainda de forma textual-expressa na ADIN 3976 (transcrita
anteriormente), mantendo-se hígida a anterior redação do § 11 do artigo 47 do Regimento Interno,
que assim previa:

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§ 11 - É proibida a reeleição ou a recondução. Quem tiver exercido qualquer


cargo de direção por quatro anos, ou o de Presidente, não mais figurará entre
os elegíveis até que se esgotem todos os nomes na ordem de antiguidade;

1.2) Bem como, na mesma medida liminar “inaudita altera pars”, em


complementação, se conceda ainda a exclusão do certame eleitoral do candidato que estiver a violar
a vedação contida da reeleição no artigo 102 da LOMAN, do atual Presidente do Tribunal de
Justiça do Estado de Mato Grosso Desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, candidato à
reeleição, ante sua inelegibilidade , sem que seja reaberto prazo de novas inscrições, pelo fato de
que, o prazo das inscrições restou aberto e disponível para todos igualmente, cabendo apenas a
exclusão do certame daqueles que não obedeçam a vedação da reeleição do artigo 102 da LOMAN,
seguindo-se normalmente o pleito agendado para o dia 08/10/2020, apenas com os candidatos aptos
a cada cargo diretivo;

1.3) – Subsidiariamente, como tem sido alardeado entre os membros do Tribunal de


Justiça de Mato Grosso, de que a recondução/reeleição do atual Presidente Desembargador Carlos
Alberto Alves da Rocha, já detém mais de 50% (cinqüenta por cento) dos votos, o que restaria
diminutos eleitores a votarem nos demais candidatos e, de igual forma, prejudicado o espírito do
ESTADO DEMOCRATICO, para dar mais reforço de representatividade, ANULAR O PLEITO, acaso
já ocorrido quando da análise da liminar e, consequentemente, fixar data para novas eleições,
agora tão somente com os candidatos regularmente inscritos, Desembargadores JUVENAL PEREIRA
DA SILVA, SEBASTIÃO DE MORAES FILHO e LUIZ FERREIRA DA SILVA, únicos elegíveis
consoante o disposto no art. 102 da LOMAM e ratificadas por decisões do colendo SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL e pelo egrégio CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA;

1.4) E, se os aspectos acima não forem levado em conta, o que não acredita em
face da clareza da situação, mesmo os demais recebendo ínfimos votos, subsidiariamente, na remota
hipótese da medida liminar ser analisada após o pleito das eleições diretivas de 08/10/2020, que seja,
alternativamente, em segundo plano, diante desse ingrediente, concedida a medida liminar “inaudita
altera pars” para a exclusão do certame e tornado sem efeito a eleição do candidato eventualmente
reeleito / reconduzido, em violação do artigo 102 da LOMAN, desconsiderando-se os votos dados a
este, e proclamando como eleito o segundo colocado ao cargo diretivo de Presidente do TJMT, desde
que também, não incorra em vedação à reeleição / recondução;

2- FINALMENTE, quando da apreciação do mérito, deste PEDIDO DE CONTROLE


ADMINISTRATIVO, ao restaurar a legalidade, seja JULGADO TOTALMENTE PROCEDENTE por

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esse Colendo CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, confirmando-se ainda medida liminar que se
espera será concedida e, por consequência:

2.1) Seja excluída / tornado sem efeito / revogada, a modificação regimental prescrita
pela Emenda Regimental de número 47 aprovada em data de 10/09/2020, que alterou a redação do §
11, do artigo 47, do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, por
manifesta ilegalidade e violação à expressa vedação à reeleição contida no artigo 102 da LOMAN,
retornando à condição anterior, em confirmação da liminar descrita no item 1.1;

2.2) Seja excluído em definitivo ainda do certame eleitoral diretivo o candidato à


reeleição ao cargo de Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, Desembargador
Carlos Alberto Alves da Rocha, do pleito do dia 08/10/2020, em confirmação da liminar complementar
do item 1.2, considerando-o inelegível ao pleito;

2.3) Caso, por motivos inesperados, venha o atual Presidente, candidato inscrito à
reeleição, eventualmente a tomar posse, que também seja anulada a sua eleição para Presidente do
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, com a cassação da sua candidatura, com a
consequente anulação da eleição e realizada outra apenas com os candidatos elegíveis, nas pessoas
dos Desembargadores Juvenal Pereira da Silva, Sebastião de Moraes Filho e ainda Luiz Ferreira da
Silva ao cargo diretivo de Presidente do E.Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso;

2.4) Alternativamente, caso não se entenda pela realização de novas eleições, que,
seja dada a posse ao candidato 2º colocado no pleito eleitoral diretivo, em confirmação ainda da
liminar concedida, desde que não afronte o artigo 102 da LOMAN, no que tange da vedação da
reeleição;;

3- Notificação do Excelentíssimo Sr. Presidente do E. Tribunal de Justiça do Estado


de Mato Grosso, na pessoa do atual Presidente E também candidato à reeleição vedada pelo
artigo 102 da LOMAN ao cargo diretivo de Presidente o Desembargador Carlos Alberto Alves da
Rocha, para apresentar a sua manifestação no prazo legal, na condição de Presidente do Tribunal
de Justiça do Estado de Mato Grosso, bem como, na condição de litisconsorte passivo
interessado pessoal na presente questão, podendo o mesmo ser encontrado no endereço
funcional do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, localizado no Centro Político
Administrativo, Rua C, S/N, CEP: 78049-936, cidade de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, telefone
(65) 3617-3000, bem como, tendo ainda à disposição e-mail funcional carlos.rocha@tjmt.jus.br ,
presidencia@tjmt.jus.br, assessoria.senior@tjmt.jus.br, gab.carlosalberto@tjmt.jus.br e ainda os

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meios comumente utilizados pelo próprio CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA para comunicação
com o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso;

São os termos que, com a documentação anexa para comprovar os fatos, pede e
espera deferimento por parte de Vossa Excelência.

Cuiabá, 23 de setembro de 2020.

Mauro Thadeu Prado de Moraes


OAB 11526 - MT

DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM O PRESENTE PCA:

DOC-1 – Documentos pessoais;

DOC – 2 – PROCURAÇÃO;

DOC -3 -Comprovante de endereço;

DOC – 4- Regimento Interno do TJMT, com a anterior redação do §11 do artigo 47;

DOC- 5- Alteração realizada pela Emenda Regimental 47 de 10/09/2020, que alterou a redação
do § 11 do artigo 47 do Regimento Interno do TJMT;

DOC – 6 – Publicação do Edital 03/2020/DTPOE, que abriu as inscrições aos candidatos aos
cargos diretivos do TJMT;

DOC – 7 – Publicação do Edital com a LISTA DOS INSCRITOS;

DOC - 8- ADIN 3976 - SP- MIN.STF. EDSON FACHIN

DOC- 9- MANDADO DE SEGURANÇA 32454-RJ

DOC- 10- ADIN 5310-RJ

DOC- 11 –ADIN 3504 –TRT 15

DOC- 12 – PCA 006153-25.2013.2.00.0000 – CNJ

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