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Manual de

Mediação Judicial

POLÍTICAS PÚBLICAS EM RAD

A Resolução 125 e seus objetivos


A criação de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça que dispõe sobre a conciliação
e a mediação partiu de uma premissa de que cabe ao Judiciário estabelecer a política
pública de tratamento adequado dos conflitos de interesses resolvidos no seu âmbito –
seja por meios heterocompositivos, seja por meios autocompositivos. Esta orientação
foi adotada, de forma a organizar, em todo território nacional, não somente os serviços
prestados no curso da relação processual (atividades processuais), como também os que
possam incentivar a atividade do Poder Judiciário de prevenção de demandas com as
chamadas atividades pré‑processuais de conciliação e mediação.

A criação da Resolução 125 do CNJ foi decorrente da necessidade de se estimular, apoiar


e difundir a sistematização e o aprimoramento de práticas já adotadas pelos tribunais.
Desde a década de 1990, houve estímulos na legislação processual à autocomposição,
acompanhada na década seguinte de diversos projetos piloto nos mais diversos campos
da autocomposição: mediação civil, mediação comunitária, mediação vítima‑ofensor
(ou mediação penal), conciliação previdenciária, conciliação em desapropriações,
entre muitos outros, bem como práticas autocompositivas inominadas como oficinas
para dependentes químicos, grupos de apoio e oficinas para prevenção de violência
doméstica, oficinas de habilidades emocionais para divorciandos, oficinas de prevenção
de sobreendividamento, entre outras.

Nesse sentido, diante dos resultados positivos desses projetos piloto e diante da patente
necessidade de se estabelecer uma política pública nacional em resolução adequada de
conflitos o Conselho Nacional de Justiça aprovou em 29 de novembro de 2010 a Resolução
125. Os objetivos desta Resolução estão indicados de forma bastante taxativa: i) disseminar
a cultura da pacificação social e estimular a prestação de serviços autocompositivos de

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qualidade (art. 2º); ii) incentivar os tribunais a se organizarem e planejarem programas
amplos de autocomposição (art. 4º); iii) reafirmar a função de agente apoiador da
implantação de políticas públicas do CNJ (art. 3º).

De fato, com base nos considerandos e no primeiro capítulo da Resolução 125, pode‑se
afirmar que o Conselho Nacional de Justiça tem envidado esforços para mudar a forma com
que o Poder Judiciário se apresenta. Não apenas de forma mais ágil e como solucionador
de conflitos mas principalmente como um centro de soluções efetivas do ponto de vista do
jurisdicionado. Em suma, busca‑se mudar o “rosto” do Poder Judiciário.

As pesquisas sobre o Poder Judiciário13 têm apontado que o jurisdicionado percebe


os tribunais como locais onde estes terão impostas sobre si decisões ou sentenças.
De fato, esta tem sido também a posição da doutrina, sustenta‑se que de um lado
cresce a percepção de que o Estado tem falhado na sua missão pacificadora em razão
de fatores como, entre outros, a sobrecarga dos tribunais14, as elevadas despesas com
os litígios e o excessivo formalismo processual; por outro lado, tem se aceitado o fato
de que escopo social mais elevado das atividades jurídicas do Estado é harmonizar a
sociedade mediante critérios justos, e, ao mesmo tempo, apregoa‑se uma “tendência
quanto aos escopos do processo e do exercício da jurisdição que é o abandono de
fórmulas exclusivamente positivadas”15.

Ao se desenvolver esse conceito de “abandono de fórmulas exclusivamente positivadas”,


o que se propõe é a implementação no nosso ordenamento jurídico‑processual de
mecanismos processuais e pré‑processuais que efetivamente complementem o sistema
instrumental, visando ao melhor atingimento de seus escopos fundamentais ou, até mesmo,
que atinjam metas não pretendidas diretamente no processo heterocompositivo judicial.

A Resolução 125 e o novo acesso à justiça


Como registrado desde a primeira edição deste Manual, em razão do foco em satisfação
do público com serviços de pacificação social estabeleceu‑se que “o acesso à Justiça
não se confunde com acesso ao Judiciário, tendo em vista que não visa apenas a levar
as demandas dos necessitados àquele Poder, mas realmente incluir os jurisdicionados
que estão à margem do sistema16” para que possam ter seus conflitos resolvidos (por

13 Eg. SOUZA SANTOS, Boaventura de,“Os Tribunais nas Sociedades Contemporâneas”,in SOUZA SANTOS, Boaventura de et al, Os Tribunais nas Sociedades Contemporâneas. Porto: Afrontamento, 1996, pp. 19‑56
14 Eg. WATANABE, Kazuo, Política Pública do Poder Judiciário Nacional para Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesse in PELUZO, Min. Antônio Cezar e RICHA, Morgana de Almeida (Coords.)
Conciliação e Mediação: Estruturação da Política Judiciária Nacional, Rio de Janeiro: Forense, 2011.
15 DINAMARCO, Cândido Rangel, A Instrumentalidade do Processo, Ed. Malheiros, 8a. Edição, São Paulo, 2000, P. 157 – A expressão original do autor é “abandono de fórmulas exclusivamente jurídicas”,
contudo, entende‑se mais adequada a indicação de que a autocomposição, com sua adequada técnica, consiste em um instrumento jurídico. Isto porque se consideram as novas concepções de
Direito apresentadas contemporaneamente por diversos autores, dos quais se destaca Boaventura de Souza Santos segundo o qual “concebe‑se o direito como o conjunto de processos regularizados
e de princípios normativos, considerados justificáveis num dado grupo, que contribuem para a identificação e prevenção de litígios e para a resolução destes através de um discurso argumentativo, de
amplitude variável, apoiado ou não pela força organizada (SANTOS, Boaventura de Sousa. O discurso e o poder; Ensaio sobre a sociologia da retórica jurídica. Porto Alegre : Fabris, 1988, p. 72).
16 GENRO, Tarso, Prefácio da primeira edição do Manual de Mediação Judicial, Brasília/DF: Ministério da Justiça e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, p. 13

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heterocomposição) ou receberem auxílio para que resolvam suas próprias disputas


(pela autocomposição).

Nota‑se assim que o acesso à justiça está mais ligado à satisfação do usuário (ou
jurisdicionado) com o resultado final do processo de resolução de conflito do que com
o mero acesso ao poder judiciário, a uma relação jurídica processual ou ao ordenamento
jurídico material aplicado ao caso concreto. De fato, as pesquisas desenvolvidas atualmente
têm sinalizado que a satisfação dos usuários com o devido processo legal depende
fortemente da percepção de que o procedimento foi justo, bem como, nas hipóteses
permitidas por lei. Alguma participação do jurisdicionado na seleção dos processos a
serem utilizados para dirimir suas questões aumenta significativamente essa percepção de
justiça. Com isso, o acesso à Justiça passa a ser concebido como um acesso a uma solução
efetiva para o conflito por meio de participação adequada – resultados, procedimento e
sua condução apropriada – do Estado.

De fato, o que se nota como marca característica do movimento de acesso à Justiça, como
vem sendo atualmente concebido, consiste precisamente em administrar‑se o sistema
público de resolução de conflitos como se este fosse legitimado principalmente pela
satisfação do jurisdicionado com a condução e com o resultado final de seu processo.

A Resolução 125 e os novos processos


Pode‑se afirmar, portanto, que o nosso ordenamento jurídico‑processual é composto,
atualmente, de vários processos distintos. Esse espectro de processos (e.g. processo
judicial, mediação, avaliação neutral preliminar, negociação direta, entre outros – inclusive
práticas autocompositivas inominadas), forma um mecanismo que denominado sistema
pluri‑processual17. Com o pluri‑processualismo, busca‑se um ordenamento jurídico
processual no qual as características intrínsecas de cada processo são utilizadas para se
reduzirem as ineficiências inerentes aos mecanismos de solução de disputas, na medida
em que se escolhe um processo que permita endereçar da melhor maneira possível a
solução da disputa no caso concreto.

Nessa mesma linha, busca‑se complementar o sistema processual, que há poucos


anos ainda era composto principalmente com o processo heterocompositivo judicial
(e atrofiadas formas autocompositivas) com eficientes processos auxiliares sejam estes
autocompositivos (e.g. mediação) ou heterocompositivos privados (e.g. arbitragem).
Ressalte‑se que todos esses processos integram hoje o sistema (pluri‑)processual.
Nessa complementariedade, são consideradas as características intrínsecas ou aspectos
relativos a esses processos na escolha do instrumento de resolução de disputa (v.g. custo
financeiro, celeridade, sigilo, manutenção de relacionamentos, flexibilidade procedimental,

17 AZEVEDO, André Gomma, Perspectivas metodológicas do processo de mediação: apontamentos sobre a autocomposição no direito processual, in Estudos em Arbitragem, Mediação e Negociação Vol. 3,
Brasília, Ed. Grupos de Pesquisa, 2005, p. 151.

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exequibilidade da solução, custos emocionais na composição da disputa, adimplemento
espontâneo do resultado e recorribilidade). Assim, havendo uma disputa na qual as partes
sabem que ainda irão se relacionar uma com a outra no futuro (e.g. disputa entre vizinhos),
em regra recomenda‑se algum processo que assegure elevados índices de manutenção
de relacionamentos, como a mediação. Por outro lado, se uma das partes tiver interesse
de abrir um precedente ou assegurar grande publicidade a uma decisão (e.g. disputa
relativa a direitos individuais homogêneos referentes a consumidores), recomenda‑se um
processo que promova elevada recorribilidade, necessária para a criação de precedente
em tribunal superior, e que seja pouco sigiloso (e.g. processo judicial). A moderna doutrina
registra que essa característica de afeiçoamento do procedimento às peculiaridades de
cada litígio decorre do chamado princípio da adaptabilidade18.

Em grande parte, esses processos já estão sendo aplicados por tribunais como forma de
emprestar efetividade ao sistema. A chamada institucionalização desses instrumentos
iniciou‑se ainda no final da década de 1970, em razão de uma proposta do professor
Frank Sander19 denominada posteriormente de Multidoor Courthouse (Fórum de
Múltiplas Portas). Esta organização judiciária proposta pelo Fórum de Múltiplas Portas
(FMP) compõe‑se de um poder judiciário como um centro de resoluções de disputas,
com distintos processos, baseado na premissa de que há vantagens e desvantagens de
cada processo que devem ser consideradas em função das características específicas de
cada conflito. Assim, em vez de existir apenas uma “porta” – o processo judicial – que
conduz à sala de audiência, o FMP trata de um amplo sistema com vários distintos tipos
de processo que formam um “centro de justiça”, organizado pelo Estado, no qual as partes
podem ser direcionadas ao processo adequado a cada disputa. Nesse sentido, nota‑se
que o magistrado, além da função jurisdicional que lhe é atribuída, assume também uma
função gerencial, pois ainda que a orientação ao público seja feita por um serventuário, ao
magistrado cabem a fiscalização e acompanhamento para assegurar a efetiva realização
dos escopos pretendidos pelo ordenamento jurídico processual, ou, no mínimo, que os
auxiliares (e.g. mediadores e conciliadores) estejam atuando dentro dos limites impostos
pelos princípios processuais constitucionalmente previstos.

Inicialmente o movimento de acesso à justiça buscava endereçar conflitos que ficavam


sem solução em razão da falta de instrumentos processuais efetivos ou custos elevados,
voltando‑se a reduzir a denominada litigiosidade contida. Contudo, atualmente, a
administração da justiça volta‑se a melhor resolver disputas afastando‑se muitas vezes
de fórmulas exclusivamente positivadas e incorporando métodos interdisciplinares a fim
de atender não apenas aqueles interesses juridicamente tutelados mas também outros
que possam auxiliar na sua função de pacificação social.

18 v. Princípio da adaptabilidade do órgão às exigências do processo in CALAMANDREI, Piero, Instituzioni di dirrito processuale civile, I § 54, p. 198 apud DINAMARCO, Cândido Rangel, A Instrumentalidade
do Processo, São Paulo: Ed. Malheiros, 8ª Ed., 2000, p. 290
19 SANDER, Frank E.A., Varieties of Dispute Processing, in The Pound Conference, 70 Federal Rules Decisions 111, 1976

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O judiciário como efetivo centro de


harmonização social
Com a Resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, começa‑se a criar a necessidade de
tribunais e magistrados abordarem questões como solucionadores de problemas ou como
efetivos pacificadores – a pergunta recorrente no Poder Judiciário deixou de ser “como devo
sentenciar em tempo hábil” e passou a ser “como devo abordar essa questão para que os
interesses que estão sendo pleiteados sejam realizados de modo mais eficiente, com maior
satisfação do jurisdicionado e no menor prazo”. Assim, as perspectivas metodológicas da
administração da justiça refletem uma crescente tendência de se observar o operador
do direito como um pacificador – mesmo em processos heterocompositivos, pois passa
a existir a preocupação com o meio mais eficiente de compor certa disputa na medida
em que esta escolha passa a refletir a própria efetividade do sistema de resolução de
conflitos. A composição de conflitos sob os auspícios do Estado, de um lado, impõe um
ônus específico ao magistrado que deverá acompanhar e fiscalizar seus auxiliares (e.g.
mediadores e conciliadores).

Nesse contexto de se estimular o uso de práticas cooperativas em processos de resolução


de disputas,
“o acesso à Justiça deve, sob o prisma da autocomposição, estimular, difundir e educar seu
usuário a melhor resolver conflitos por meio de ações comunicativas. Passa‑se a compreender o
usuário do Poder Judiciário como não apenas aquele que, por um motivo ou outro, encontra‑se
em um dos pólos de uma relação jurídica processual – o usuário do poder judiciário é também
todo e qualquer ser humano que possa aprender a melhor resolver seus conflitos, por meio de
comunicações eficientes – estimuladas por terceiros, como na mediação ou diretamente, como
na negociação. O verdadeiro acesso à Justiça abrange não apenas a prevenção e reparação de
direitos, mas a realização de soluções negociadas e o fomento da mobilização da sociedade
para que possa participar ativamente dos procedimentos de resolução de disputas como de
seus resultados20”.

Naturalmente, se mostra possível realizar efetivamente esse novo acesso à justiça se


os tribunais conseguirem redefinir o papel do poder judiciário na sociedade como
menos judicatório e mais harmonizador. Busca‑se assim estabelecer uma nova face ao
judiciário: um local onde pessoas buscam e encontram suas soluções – um centro de
harmonização social.

20 GENRO, Tarso, ob. cit., p. 13

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A estrutura da autocomposição no
Poder Judiciário
O art. 7º da Resolução 125 cria o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução
de Conflitos (“Núcleo” ou “NUPEMEC) com o objetivo principal de que este órgão, composto
por magistrados da ativa ou aposentados e servidores, desenvolva a política judiciária
local de RAD. Para contextualizar o propósito do núcleo em treinamentos utiliza‑se
informalmente a expressão “cérebro autocompositivo” do Tribunal pois a este núcleo
compete promover a capacitação de magistrados e servidores em gestão de processos
autocompositivos bem como capacitar mediadores e conciliadores – seja entre o rol de
servidores seja com voluntários externos. De igual forma, compete ao Núcleo instalar os
Centros Judiciários de Solução de Conflitos e planejar de forma centralizada a implantação
dessa política pública no respectivo Tribunal.

Por sua vez, o art. 8º da Resolução em comento cria os Centros Judiciários de Solução
de Conflitos e Cidadania (“Centros”) com o objetivo principal de realizar as sessões de
conciliação e mediação do Tribunal. Naturalmente, todas as conciliações e mediação
pré‑processuais são de responsabilidade do Centro – uma vez que ainda não houve
distribuição para varas. Todavia, mesmo demandas já distribuídas podem ser encaminhadas
para os Centros com o objetivo de apoiar os Juízos, Juizados e Varas nas suas conciliações e
mediações qualidade. Por este motivo, em treinamentos refere‑se ao Centro como sendo
o “corpo autocompositivo” do tribunal.

A atuação do CNJ na implantação da


Resolução 125
Para auxiliar os tribunais de justiça a estruturarem seus núcleos permanentes (art. 7º) e
seus centros (art. 8º) o Conselho Nacional de Justiça tem: i) acompanhado o planejamento
estratégico dos Tribunais para a implantação de núcleos e centros tendo inclusive feito
contato com presidentes para sensibilização de necessidade de suporte orçamentário;
ii) capacitado instrutores em mediação e conciliação fornecendo completo material
pedagógico (arquivos powerpoint, vídeos, manuais de mediação judicial, exercícios
simulados, formulários de avaliação, etc.); iii) prestado consultoria na estruturação de
núcleos e centros; iv) mantido diálogo contínuo com coordenadores de núcleos; v)
envolvido os instrutores em formação para contribuírem com a elaboração de novos
materiais pedagógicos por área temática (e.g. mediação de família, mediação penal,
cadernos de exercícios, entre outros); e vi) auxiliado tribunais a treinarem empresas para
que essas treinem seus prepostos para que negociem melhor.

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A Emenda 2 à Resolução 125


A Res. 125 foi atualizada em março de 2016 visando adequar a Política Judiciária Nacional
de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário à Lei
de Mediação e ao Código de Processo Civil de 2015. Entre as inovações introduzidas,
esta emenda criou o Cadastro Nacional de Mediadores Judiciais e Conciliadores (CNMJC),
para apoiar tribunais na organização de mediadores e facilitadores. O CNMJC facilitou
também para as partes (com seus advogados) a escolha de mediadores na medida em
que criou a oportunidade de seleção do mediador com base no histórico de avaliações
de satisfação das partes e advogados com o mediador. O CNMJC também indica qual
a expectativa de remuneração por parte do mediador. Assim, as avaliações que outras
partes e advogados fizerem da prestação de serviço de mediação estará disponível para
consulta de futuros usuários servindo de estímulo para que o trabalho dos mediadores
e conciliadores seja cada vez melhor e, consequentemente, melhor avaliado..

Outra inovação importante introduzida com esta emenda consiste na valorização dos
Fóruns de Coordenadores de NUPEMECs. A partir da nova redação, tanto o Fórum Nacional
de Mediação e Conciliação (FONAMEC) – da Justiça Estadual – como o Fórum Nacional
de Conciliação da Justiça Federal poderão firmar enunciados, de aplicabilidade restrita
ao respectivo segmento da Justiça, que, se aprovados pela Comissão Permanente de
Acesso à Justiça e Cidadania, terão força normativa como se integrassem a Res. 125/10.

Ademais, a referida emenda além de publicar no seu anexo I as diretrizes curriculares


estabelecidas nos termos do art. 167 §1º do Novo Código de Processo Civil, também
fez uma adequação do código de ética dos conciliadores e mediadores reportando-se
ao art. 48 §5º do novo código de ética da advocacia, no que se refere aos honorários
conciliatórios. Pelo texto atualizado do Art. 4º, parágrafo único “O mediador/conciliador
deve, preferencialmente no início da sessão inicial de mediação/conciliação, proporcionar
ambiente adequado para que advogados atendam o disposto no art. 48, § 5º, do Novo
Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil”. A preocupação desta
alteração foi valorizar os advogados que frequentemente encontravam-se ao final de
conciliações sendo pressionados para reduzir honorários como forma de alcançar um
acordo. Como será examinado no capítulo referente à declaração de abertura, a proposta
é que se faça, já na declaração de abertura, a valorização do advogado indicando que
seus honorários conciliatórios devem ser claramente definidos e preservados.

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Próximos objetivos na implantação da
Resolução 125
A Resolução 125 pode ser indicada como de difícil implantação, mesmo com o Novo
CPC e a Lei de Mediação ratificando seus principais aspectos. Isto porque a mudança
de paradigma quanto a papéis exercidos no poder judiciário como quanto a gestão
tornam especialmente desafiador a criação de CEJUSCs e o encaminhamento de casos
a mediadores que atuem como auxiliares da justiça. Todavia, existe tamba consciência
de que é possível compor a maior parte das demandas levadas ao Poder Judiciário que
sejam conciliáveis com o auxílio de boas práticas gerenciais e técnicas autocompositivas.

Espera‑se que progressivamente os tribunais tenham Núcleos cada vez mais atuantes, com
cada vez mais Centros e estes por sua vez com um número cada vez maior de conciliadores
e mediadores de excelência. Por outro lado, já houve significativa mudança nos tribunais.
Percebe‑se o crescente número de magistrados que verdadeiramente acreditam que a
autocomposição seja a principal política pública do judiciário para a solução efetiva de
conflitos.

De igual forma, a Resolução tem logrado êxito também ao emprestar um tom mais
positivo à busca do cidadão por justiça perante o Judiciário. A perspectiva de que se
mostra desagradável ou desconfortável resolver conflitos no Judiciário começa a
lentamente se alterar para uma visão da sociedade de que os tribunais podem e devem
ser vistos como centros de soluções efetivas de disputas, casas de justiça21 ou mesmo
hospitais de relações sociais – aonde o jurisdicionado se dirige para ter auxílio na resolução
de seus conflitos de interesses.

Como sugere a doutrina, nota‑se


“uma transformação revolucionária no Poder Judiciário em termos de natureza, qualidade e
quantidade dos serviços judiciários, com o estabelecimento de filtro importante da litigiosidade,
com o atendimento mais facilitado dos jurisdicionados [...] com o maior índice de pacificação
das partes em conflito [...] E assistiremos, com toda certeza, à profunda transformação do nosso
país que substituirá a ‘cultura da sentença’ pela ‘cultura da pacificação’22”.

21 Cf MENKEL‑MEADOW, Carrie, Peace and Justice: Notes on the Evolution and Purposes of Legal Processes; Inaugural Lecture of the A.B. Chettle, Jr. Chair in Dispute Resolution and Civil Procedure,
palestra proferida da Georgetown Law School em 25 de abril de 2005.
22 WATANABE, Kazuo, Política Pública do Poder Judiciário Nacional para Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesse in PELUZO, Min. Antônio Cezar e RICHA, Morgana de Almeida (Coords.) Conciliação
e Mediação: Estruturação da Política Judiciária Nacional, Rio de Janeiro: Forense, 2011.

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Perguntas de fixação:
1. Quais os objetivos principais da Resolução 125?
2. Qual a importância do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos?
3. Qual a importância dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania?
4. O que há de diferente no Acesso à Justiça estimulado na Resolução 125?

Bibliografia:
PELUZO, Min. Antônio Cezar e RICHA, Morgana de Almeida (Coords.) Conciliação e Mediação: Estruturação da
Política Judiciária Nacional. Rio de Janeiro: Forense, 2011.

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