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Wolfgang Amadeus Mozart

A Flauta Mágica
Ó P E R A E M D O I S AT O S

3 de fevereiro de 2017, 20h30


Grande Auditório da SCAR

Direção de Cena - Carlos Harmuch


Direção Musical - Alex Klein
Produção - FEMUSC
Programa de Canto Lírico
Orquestra de Ópera do FEMUSC
O legado do FEMUSC para Jaraguá do Sul
Hilton da Veiga Faria, presidente do Instituto FEMUSC

Hilton José da Veiga Faria, Presidente, Instituto FEMUSC


A cidade de Jaraguá do Sul recebe mais uma edição do Festival de
Música deSanta Catarina. Este evento, que já é cartão de visitas do
município e do Estado, atinge proporções internacionais, atraindo
jovens talentos de mais de 20 países e renomados intérpretes
da música de concerto que brilham nos palcos da SCAR e nas
apresentações em praças, hospitais, empresas e
nas cidades vizinhas.

Mas o FEMUSC é mais do que música. O FEMUSC é turismo cultural,


movimentação econômica e um projeto social com participação de
mais de60 mil pessoas.

A última grande novidade a ser adicionada ao nosso festival foi um


programa de Canto Lírico, recebido por grandes talentos com o mesmo entusiasmo dos outros programas: mais
de 120 cantores se candidataram às 30 vagas oferecidas. Entre os escolhidos, estão verdadeiros profissionais,
experientes em óperas e produções artísticas no Brasil, América Latina e Europa. A eles, na Orquestra de Ópera do
FEMUSC, unem-se músicos que já ocupam posições de destaque no cenário mundial, como o spalla da Ópera de
Pittsburgh, e um violista do famoso Metropolitan Opera de Nova York, ambos dos Estados Unidos.

Em Jaraguá, o encontro desses talentos produz muito mais do que classes de canto com célebres professores.
A união estende a produtividade desses jovens também à direção de cena e administração de grandes
produções de ópera. Um exemplo é a apresentação da “Flauta Mágica”, de Mozart, onde nosso público
poderá apreciar lindas vozes e vivenciar a ascendente carreira de ilustres intérpretes sobre os quais ainda
ouviremos muito no futuro.

São raras as oportunidades de ouvirmos ópera em Santa Catarina e, no FEMUSC, elas trazem também a
oportunidade de treinarmos uma equipe local nos detalhes que fazem uma ópera de sucesso. Este know-how
permanece na cidade e é aproveitado pelas produções artísticas locais. Através de produções de tal nível e
alcance, Jaraguá do Sul cresce como polo cultural e em qualidade de vida para seus 160 mil habitantes.

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Grandes pequenos passos
Alex Klein, Diretor Artístico do FEMUSC

Foto: Todd Rosemberg, Chicago.

Quando decidimos adicionar um Programa de Canto Lírico ao FEMUSC,


obviamente seguimos a mesma meta, oferecendo de atividades solo, em música
de câmara e em coral, assim como professores experientes e conhecedores, de
respeito no mercado de trabalho, e humanistas em sua capacidade de enxergar
um talento sem distrações quanto à sua origem, oportunidades e vivência. São 3
horas diárias de classes de canto, envolvendo repertório, técnicas de respiração,
projeção sonora e observação do desempenho de colegas e as técnicas de ensino
sendo demonstradas pelos professores. Com a adição de experientes pianistas
correpetidores - uma modalidade de trabalho pianístico onde esta pessoa possui
experiência no trabalho específico com cantores, nossos participantes
preenchem a programação de uma série diária e exclusiva de Recitais de Canto
Lírico, às 18h na Sala de Exposições da SCAR. No terceiro ano deste Programa
nos orgulhamos em já termos apresentado importantes obras corais com
orquestra, como a 9a Sinfonia de Beethoven, a cantata “Carmina Burana” de Carl
Orff, o “Choros 10” de Villa-Lobos e agora em 2017 apresentaremos a 2a Sinfonia
de Gustav Mahler, “Ressurreição”. Mas nenhum Programa de Canto Lírico estaria
completo sem apresentação de óperas, mesmo se estas são notórias em sua
complexidade de produção e exigem dedicação de tempo muito superior às
meras duas semanas de extensão do FEMUSC. Em 2015 experimentamos com a idéia em uma “Noite de Ópera”
que foi imediatamente acolhida por participantes e público. Já em 2016 apresentamos nosso primeiro título
operático, a “Carmen” de Georges Bizet, assim como “Dido e Enéas” de Henry Purcell. E agora em 2017, contando
já com uma excelente e experiente equipe de produção em Jaraguá do Sul, temos orgulho de apresentar “A
Flauta Mágica” de Wolfgang Amadeus Mozart, uma das mais importantes óperas do repertório, e “The Turn of the
Screw” de Benjamin Britten. E já que estamos oferecendo também montagens de óperas, porque não envolver
nossos participantes na própria produção dos eventos, e é assim que a ópera de Britten conta com a Direção
Cênica de Isabella Luchi, e a de Mozart conta com a Coordenação de Laura Valladares Bulhões. O Programa de
Canto Lírico segue na esperança de ver nossos participantes brilharem em suas futuras carreiras, e de estarem
preparados com o conhecimento e experiência que seus talentos merecem.

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“A Flauta Mágica” e a desenvoltura do equilíbrio
Carlos Harmuch, Diretor de Cena

Foto: Judith Schlosser, Zürich.

A Flauta mágica é uma obra de arte excepcional que conta


uma bela estória de vida. Com elementos tragicômicos, esta
ópera evidencia as dualidades da nossa existência e discute a
eterna luta entre o bem e o mal. Está impregnada de símbolos,
numerologia, ritos, assim como faz algumas referências à
Maçonaria, à qual Mozart pertenceu. Mas sobretudo
acreditamos que a magia desta obra está na genial
representação dramático-musical que ilustra o percurso e a
transformação gradativa de seus personagens.

Para mostrar o trabalho dos jovens solistas do FEMUSC ao


público, a nossa intenção é a de montar e encenar esta obra de
uma forma atemporal. Os personagens dividem-se entre reais
e simbólicos, quase sempre contracenando simultaneamente.
Contaremos a estória do jovem “cavalheiro errante“ Tamino que
parte em busca de seu ideal, Pamina.

Tamino representa o ser humano prisioneiro da ilusão e será


pouco a pouco iniciado por uma sociedade misteriosa que evoca a Maçonaria. Pamina representa as forças do
coração que devem ser preservadas delas mesmas. Sarastro simboliza a luz racional e a Rainha da Noite, com
seus mistérios e sua magia, representa a mãe das forças destrutivas indispensáveis à vida. Papageno,
acompanhante de Tamino, e sua Papagena representam as forças da terra materna. Monostatos representa o
inimigo que não é leal a ninguém, só a si mesmo.

Em um sentido filosófico mais profundo existe uma relação fundamental entre Sarastro e a Rainha da Noite
que representam a razão e o instinto. Sarastro aprisiona Pamina, a filha da Rainha, mas compreende que
deve renunciar à ela em vista de uma reconciliação final entre os dois reinos que será adquirida pela união
de Tamino, discípulo da razão com Pamina, filha do instinto. Ou seja, o encontro do ponto de equilíbrio
entre o intelecto e o coração.

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As palavras e um festival de música
Laura Valladares Bulhões, Coordenadora Artística de Ópera do FEMUSC

Foto: Amanda Respício, Rio de Janeiro.

Na nossa realidade é muito difícil ficar num momento sem


absolutamente nenhum ruído. Mas facilmente encontramos a
energia do silêncio quando trabalhamos no universo musical. A
música simula a “manipulação do som”, e as palavras são sua luz. A
arte lírica, desta forma, nos permite alcançar nossos corações tão
simplesmente como acessamos uma fotografia. E é por isso que eu
digo que podemos aprender a viver quando estudamos as grandes
óperas.

Qual a diferença de trabalhar um repertório com letra e um


repertório sem letra? O que isso muda na vida de um flautista, ou
de um pianista? Como cantora lírica, reflito o quanto é comum só
compreendermos a personagem quando escutamos enfim a parte
orquestral que se expressa concomitantemente. Isso acontece
porque a orquestra esclarece muitas intenções que não estão no
libreto. É muito diferente do teatro sem música. Em uma ópera, as
personagens são tão definidas que sua vida própria facilmente toma
conta do nosso estado de espírito.

Por essa razão eu também frequentemente escuto de grandes pianistas que enfim entenderam o papel da música na vida
deles depois de trabalhar com os cantores. Associando o que eles tocam à poesia cantada naquele momento, as melodias
e harmonias se entrelaçam e as intenções e resoluções se tornam óbvias. A orquestra é como o coração que expressa em
vibração. Mas muitas vezes, só conseguimos ouvir as suas mensagens, se junto ouvirmos as palavras. Como um código que
só é decifrado com outro código.

Em uma associação desses códigos com o FEMUSC, aqui é o lugar onde aprendemos a crescer juntos. Com os
erros, com os acertos, assistimos às aulas uns dos outros, nos apoiamos sem medo. Quando nos falta
coração, o colega nos empresta, quando nos falta discernimento, não acontece de outra forma, e em outros
momentos chega a nossa vez de emprestar, e crescemos muito com isso! E por este caminho nos tornamos
grandiosos e competentes.

É por isso que o FEMUSC se tornou um dos festivais mais completos que existem. Ele não é um festival de
ópera, ele contém óperas! Ele contém tudo o que possamos imaginar! Peças curtas, peças longas, populares,
ou as mais virtuosas, alunos que já são fenômenos na profissão, outros que começaram no FEMUSC mesmo,
ousadia e simplicidade, performances nas ruas, nos corredores, nos teatros mais simples até os mais
sofisticados.

Sejam bem-vindos à essa encantada noite de A Flauta Mágica!

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A Flauta Mágica
3 de fevereiro de 2017, 20h30
Grande Auditório da SCAR - Jaraguá do Sul

Direção Cênica - Carlos Harmuch


Direção Musical - Alex Klein
Coordenação Artística do FEMUSC - Lorena Bianucci
Coordenação Artística de Ópera - Laura Valladares Bulhões
Coordenador de Produção - Fred Paiva
Assistente de Produção Artística - Dandara Mendes
Preparação do Coral - André dos Santos
Mentoria técnica e artística - Céline Imbert de Figueiredo
Mentoria técnica e artística - Ana Häsler
Mentoria técnica e artística - André dos Santos
Maestro assistente - Luiz Lenzi
Pianista co-repetidora - Alexandra Torrens
Coordenação Técnica/Projeto de Iluminação - Gilberto Amaro
Legendas - Juliana Stringari

Elenco
Tamino Caio Duran
Pamina Rosiane Queiroz
Sarastro Anderson Barbosa
Rainha da Noite Jéssica Leão
Monostatos Eudes Naziazeno
Papageno Rodrigo Cruz
Papagena Kauanny Klein
Três Damas Natalia Hubner
Juliana Taino
Catarina Taira
Dois soldados Thijs Haalstra
Igor Lourenço
Dois Sacerdotes Carlos Morais
Deivisson Pereira
Três Gênios Kamila Karsten
Letícia Guimarães Goulart
Juliane Guimarães Goulart
Três escravos Fernando Ciello
Julio Chagas Pithan
Fernando José da Silva
Orador do Templo Carlos Morais e Anderson Barbosa

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Coral Lírico do FEMUSC

Alexandra Alvarez Juliane Guimarães Goulart


Ana Milka Bravo Javier Julio Chagas Pitthan
Anderson Pereira Barbosa Kauanny Klein Hippler
Annelise Cavalcanti Prado Laura Valladares Bulhões de Freitas
Caio Duran Letícia Guimarães Goulart
Camila Antonia Guggiana Stuparich Luana Shaeffer Chagas
Carlos Eduardo de Jesus Morais Araú Lucas Ellera Lopes de Oliveira
Catarina Gomes Taira Marcela Batista Rahal
Deborah Burgarelli Alves de Aguiar María Belén Rivarola
Deivisson Carlos Pereira Mariana Correa de Oliveira
Diego de Almeida Pereira Natália Gessika Campos Hubner Andra
Eudes Naziazeno Galvão Nathália Rezende Carvalho
Fernando José Ciello Rodrigo da Cruz Silveira
Fernando Silva Rodrigo Kenji de Oliveira
Gabrielle Christinne Oliveira Agura Rosiane Kill Queiroz
Igor Lourenço Luiz da Silva Savio Alves Oliveira
Isabela Vieira Rocha Marinho Silvia Mauricio de Souza C. Neves
Isabella Luchi Coutinho Sindy Vanesa Martinez Guevara
Isis Cunha Oliveira Barbosa Thijs Haalstra
Jean Carlos Gorges
Jéssica Leão
Juliana da Silva Nascimento Taino

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Orquestra de Ópera do FEMUSC

Primeiros Violinos Violoncelos Fagotes


Charles Stegeman, spalla Eduardo Vassallo Benjamin Coelho
Olger Reyes Ana Clara Alves Andrés Sebastián Romero
Julian Andrey Albino Peralta José Paredes Suárez Trompetes
Astro Rocco Salvador Palominos Fernando Dissenha
Natália Versehgi Samir Barrientos Carlos Eggert
Brigitte Valdivia
Contrabaixos Trompas
Segundos Violinos Thibault Delor Luiz Garcia
Annie Mao Patricio Amador Rios Jerez Roberson Gonçalves
Anna Murakawa
Rodrigo Eloy Flauta Trombones
Rafael Amurov Curt Schroeder Darcio Gianelli
Meilang Wong Lorena Bianucci Miguel Angel Osorio Pinedo
Ariel Polycarpo
Jairo Armando Meza Lopez
Oboés
Violas Gordon Hunt
Craig Mumm Raquel Rodríguez Escobar
Erick das Neves
Javier Honores Nuñez Clarinetes
Carol Isabel Basoalto Valladares Jon Manasse
Dayana Parra Angelica Diaz

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ELENCO

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Carlos Harmuc / Direção de Cena
Após os estudos de arquitetura e música, o brasileiro Carlos
Harmuch consagra-se totalmente à direção cênica de Opera
e Teatro Musical. Atualmente divide suas atividades entre
direção cênica de espetáculos e formação profissional
de cantores cênicos. Entre suas inúmeras encenações
destacam-se: Orfeo ed Euridice de C .W.Gluck (Teatro Guaira),
Foto: Diana Wittkowski.

Carmen de G.Bizet (Helikon Theater Moscou), Ariana de


B.Marcello (Theater Basel), La Serva Padrona de Pergolesi
(Volkshaustheater Zürich), Acis e Galatea e Los Elementos de
A.Literes (Teatro del Circulo de Bellas Artes de Madrid/Theater
Basel) e La descente d’Orphée aux enfers de M.A.Charpentier, apresentada na noite de gala em comemoração
aos 50 anos do Festival de Flandres na Bélgica. Desde 1989 Carlos Harmuch é docente na Schola Cantorum
Basiliensis em Basel (Fachhochschule Nordwestschweiz, Suiça), onde criou juntamente
com Richard Levitt a Opernklasse. Em 1992 cria o curso de Opera Studio na Oficina de Música de Curitiba, ao
qual uniram-se Neyde Thomaz, Rio Novello e Joaquim Paulo do Espirito Santo. Colabora regularmente com
Martin Gester no projeto Génération Barroque realizado na Cité de la musique de Strasbourg, e também na
Académie Baroque Européenne d’Ambronay (França). Mestre em Música e Musicologia pela Universidade
Sorbonne IV de Paris.

Alex Klein / Direção Musical


Alex Klein é Diretor Artístico e Fundador do Festival de Música de Santa
Catarina - FEMUSC, tendo idealizado e instituído a diferenciada estratégia de
ensino e acolhimento cultural promovida pelo evento, incluindo os diversos
Programas de ensino, Zoológico Musical, e a cuidadosa escolha de professores.
Klein é solista de oboé na Orquestra Sinfônica de Chicago e se apresenta
regularmente com os mais conceituados músicos, maestros e solistas. Em 2002
Klein se tornou o primeiro e até hoje único músico brasileiro a receber um
Prêmio Grammy na música de concerto, como “Melhor Solista Instrumental
Foto: Alice Rodrigues, Curitiba.

com Orquestra” por sua gravação com a Sinfônica de Chicago e Daniel


Barenboim. Klein foi também premiado em concursos internacionais em
Nova York, Tókio, Praga, e em Genebra onde foi o primeiro oboísta a receber
o primeiro prêmio desde que Heinz Holliger o recebeu 29 anos antes. Klein
é um jurado regular em concursos em Moscou, Inglaterra, Genebra, Estados
Unidos e Japão, e já apresentou master classes em escolas renomadas como os
Conservatórios de Paris, Lyon e Genebra, a Juilliard School em Nova York, Conservatório Tchaikovsky
em Moscou, Conservatório Rimsky-Korsakov em São Petersburgo, Conservatório Central de Beijing, e
atualmente é professor de oboé na DePaul University em Chicago. No Brasil, Klein desenvolveu projetos
focados na interação entre as artes e a igualdade social, como o PRIMA, Programa de Inclusão através da
Música e das Artes, o qual fundou em 2012 na Paraíba.

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Caio Duran
Tamino

Caio Duran, tenor


Natural de Jundiaí (SP), iniciou seus estudos com Benito Maresca aos
16 anos. Em 2007, foi vencedor do primeiro prêmio do concurso de
canto juvenil “A Pauta Mágica”.
Em 2009 graduou-se em canto lírico pela Faculdade Carlos Gomes.
Interpretou Conte d’Almaviva (Rossini e Paisiello), Tamino (Die
Zauberflöte, Mozart), Colin (Ledevin du village, Rousseau), Borsa
(Rigoletto, Verdi), Gastone (La Traviata, Verdi), Don Ramiro (Colombo,
Gomes), Don Alvaro (Il Guarany, Gomes), Spoletta (Tosca, Puccini),
Flavio (Norma, Bellini), Cascada (Die Lustige Witwe, Lehar) e Augusto
(A moreninha, Mahle). Seu repertório inclui Ode a Santa Cecilia
(Purcell) e Magnificat (Vivaldi).
Cantou sob a direção de Luis Gustavo Petri, Sergio Monterisi, Roberto
Duarte, Edmar Ferreti, Ernest Mahle, Diego Crovetti e Roberto Gianola
e com os diretores de cena Cleber Papa, Livia Sabag, Mauro Wrona,
Iacov Hillel, Enzo Dara, nos teatros: Teatro São Pedro, Teatro Arthur
Rubinstein, São Paulo; Teatro Rondon Pacheco, Teatro Municipal,
Uberlândia; Teatro Cagnoni, Vigevano (Itália); Teatro Villa, Teatro Dal Verme, Milão (Itália).
Trabalhou com o “Coro Jovem do Estado de São Paulo”, com o “Coro Sinfônico de Milão” emturnê na Royal
Opera House de Mascate (Omã) com a ópera “Carmen” (Bizet) sob direção dePatrick Fournillier e Gianni
Quaranta, e com a companhia “Les Soirées Lyriques” em Sanxay, França.
Em 2012 diplomou-se pela “Accademia Internazionale della Musica di Milano” em canto na classe do
maestro Vincenzo Manno, e “Interpretação Cênica” com Antonio Madau.
Em 2013 obteve o prêmio Revelação do Concurso lírico “Carlos Gomes”.
Em 2015 e 2016 integrou o Opera Studio do Theatro Municipal de São Paulo sob direção de Gabriel
Rhein-Schirato. Apresentou-se pelo Estado de São Paulo em mais de 30 cidades com a “Companhia de
Ópera Curta” em “O Barbeiro de Sevilha” e “La traviata”. Recebe orientação da
professora Isabel Maresca em São Paulo.

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Rosiane Queiroz
Pamina

Rosiane Queiroz, soprano, 22, graduada em canto erudito pela


Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES) sob orientação do
tenor Renato Gonçalves. Em 2014, em um projeto da FAMES, cantou
em sua primeira operetta como personagem Rositta, em “Un Mari
à La Porte” de Offenbach, com Lorena Espina e Margareth Galvão.
Participou do Festival Maria Callas 2015 - Concurso Brasileiro de
Canto Maria Callas, no Theatro São Pedro. No fim do mesmo ano,
atuou como a personagem Belinda na ópera “Dido and Aeneas” no
Teatro Carlos Gomes, sob regência do maestro Leonardo David e
direção de Francisco Mayrink. Participou de cursos, master classes
e festivais de música com Edna D’oliveira, Edineia de Oliveira,
Lorena Espina e Augusto Caruso, Margareth Galvão, Juliana Moura,
e Lício Bruno. Participou como corista no World Youth Choir 2016,
apresentando concertos na Alemanha, Suíça e Bélgica. Atuou como
a personagem Silberklang na ópera “Der Schauspieldirektor” de Mozart no Primeiro Festival de Ópera do
Sesi, sob regência do maestro Leonardo David e direção de Francisco Mayrink.

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Anderson Barbosa
Sarastro e Orador

Natural de São Paulo, iniciou seus estudos musicais na Igreja Assembleia


de Deus. Estudou violino no conservatório Municipal de Artes de Guarulhos
com o professor Renato Kutner e no Conservatório Heitor Villa-Lobos com
os professores Josias e Luciano e lá foi violinista da orquestra por três anos.
Estudou canto na UnicSul com o professor Walter Chamun e com o professor
Francisco Campos (USP). Na Alemanha, recebeu orientações vocais do
professor Martin Hummel - Hochshule für Musik – Würzburg (escola superior
de música de Würzburg). Participou de diversas master classes de canto,
teve como orientadores Luis Tenaglia, Marília Vargas e Nicolau de Figueiredo
(Brasil), Manuela Custer, (Italia), Felicity Lott (Reino Unido), Gregory Reinhart
e Susan Ruggiero (USA). Recebeu orientações musicais do pianista polonês
Maciej Pikulski. Integrou os seguintes corais: coral USP, Coro Jovem do Estado,
coro acadêmico da OSESP, coro de ópera do Theatro São Pedro e Coral Paulistano Mario de Andrade. Foi
solista na Missa da Paz de Almeida Prado, Missa em Sol menor, BWV 235 J. S. Bach e Missa de André da
Silva Gomes. Foi maestro titular da orquestra e assistente do coral da Igreja Assembleia de Deus por sete
anos. Aprovado nas audições para temporada 2015 e Academia de Ópera 2016 do Theatro São Pedro.
Cantou nos recitais de canções de Beethoven e de canções russas (Theatro São Pedro). Papéis realizados
em ópera: Sarastro, sob direção musical do Maestro Abel Rocha, Superintendente budd e cenas de Óperas,
(Lucia di Lammermmoor – RAIMONDO) e (Catarina Cornaro – Andrea) sob direção Musical do maestro
André dos Santos. Atualmente, tem aulas com o maestro André dos Santos e estuda canto com Daniela
Carvalho. Aprovado no Berlin Opera Academy para o verão de 2017.

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Jéssica Leão
Rainha da Noite
Jessica Leão, soprano, 25 anos, nascida na cidade de São Bernardo do
Campo, São Paulo, iniciou seus estudos em 2006. Formada em canto
lírico pelo conservatório André da Silva Gomes, atualmente, cursando
bacharelado em Canto Lírico pela faculdade UNESP-IA. Solista no 2°
Festival de Ópera do Paraná, interpretando a personagem Serpina da
ópera “La Serva Padrona” de Pergolesi. É participante da Fábrica de
Óperas da Unesp com direção cênica de Abel Rocha, onde interpretou
as personagens Madame Hertz da opereta “O Empresário”, e a Rainha
da Noite da ópera “A flauta mágica”, ambas
do compositor W.A.Mozart. Integrante da
academia de ópera do Theatro São Pedro, foi
bolsista da 2ª Academia de Canto em Trancoso,
participou no projeto Chorakademie Lübeck na
Alemanha, em 2014 e 2015.

Rodrigo Cruz
Papageno
O baixo-barítono recifense Rodrigo Cruz concluiu, em 2014, o curso
preparatório em Canto Erudito no Conservatório Pernambucano de Música
e, desde 2013, participa de óperas, recitais, festivais de música, concursos e
cursos de aperfeiçoamento técnico dentro e fora do Brasil.
Em 2016, conquistou o Prêmio Ópera no 14° Concurso Brasileiro de Canto
Maria Callas, sendo premiado com apresentações na montagem da ópera La
Bohème, de G. Puccini, interpretando o personagem Schaunard em teatros
nas cidades de São Paulo, Jacareí e São Caetano. Nesse mesmo ano, foi
convidado para participar de sua primeira experiência fora do Brasil, a ópera
La Bohème no Teatro Municipal do Paraguai, sob a
regência do maestro uruguaio Ignacio Pilone e elenco
internacional. Sua primeira oportunidade para participar de uma ópera fora de
Recife foi em Jaraguá do Sul, durante o 11º Festival de Música de Santa Catarina,
interpretando o papel de Escamillo, na ópera Carmen, de G. Bizet. Em Recife,
interpretou Masetto da ópera Don Giovanni, de W.A. Mozart; Il Notaio da ópera
Gianni Schicchi, de G. Puccini; Ben da ópera The Telephone, de Gian Carlo Menotti;
O Pescador e O Padre da ópera O Pescador e Sua Alma, de Marcos Vieira Lucas; 2º
Sacerdote da ópera Die Zauberflöte, de W.A. Mozart.

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Kauanny Klein
Papagena
A soprano Kauanny Klein começou seus estudos com os pais, ainda na
infância. É formada em Música - Canto Lírico pela Universidade de Passo
Fundo (RS). Foi professora na Escola de Música Fabíola Mugnol de Passo
Fundo. Participou de diversos cursos em lugares como São Paulo, Curitiba,
Florianópolis e Bahia. Estudou com cantores de renome internacional como
Eiko Senda, Masami Ganev, Cintia De Los Santos.
Foi solista da Orquestra de Câmara UPF por três
anos e integrante do Coro Resonare e Coro UPF.
Cantou acompanhada pela Orquestra sinfônica
de Carazinho e fez concertos ao lado do grande
maestro e cravista Fernando Cordella. Atualmente
é integrante do Duo com o violonista argentino
Javier Buján e cursa o Mestrado em Música na Universidade Federal da Bahia.

Eudes Naziazeno
Monostatos
Eudes Naziazeno é doutor em matemática pela Universidade Federal de
Pernambuco. Estudou canto com Fábia Sobral (UFPE), Marika Kuzma (UC/
Berkeley), Virgínia Cavalcanti, e atualmente com Luiz Kleber de Queiroz
(UFPE). Integra o grupo vocal Contracantos, o Coro Opus 2, o quarteto
Opus4 e o Coro Universitário, todos da UFPE, e desde 2012 o coro adulto
do Baile do Menino Deus. Como solista, cantou nos seguintes espetáculos:
Requiem Nordestino para Ariano Suassuna (D. Torres, 2016); Povo Brasileiro,
Cantos do Nordeste, em turnê pela França (2016); ópera O Pescador e Sua
Alma (M. Lucas, 2015); Gianni Schicchi (G. Puccini, 2013), ópera Pepita
Jimenez(I. Albeniz, 2012); Die Zauberflöte (W.A. Mozart, 2012); e na
Grande Missa Nordestina (C. Pereira, 2015). Nos
Estados Unidos (EUA), participou da University
Chorus da University of California at Berkeley, e do San Francisco Chorus Society.
Participou do Festival de Inverno de Garanhuns (PE) com o sexteto in’Operanti,
cantando em A Ópera de Giuseppe Verdi. As peças corais que já cantou incluem:
Magnificat, J.S. Bach; Missa em Dó Maior, L.V. Beethoven; Liebeslieder Walzer,
J. Brahms; Le Martyre de Saint Sébastien, C. Debussy; Carmina Burana, C. Orff;
Excerpts of Porgy & Bess, G. Gershwin; Symphony of Psalms, I. Stravinsky; e Rejoice
in the Lamb, B. Britten.

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Natalia Hubner
Dama 1
Nascida em 1988 em Minas Gerais, Natália Hubner iniciou seus estudos
musicais com o piano ainda quando criança. Desde 2007 se dedica
exclusivamente ao canto lírico. É Bacharel em Canto Lírico pela Faculdade
de Música do Espírito Santo. Atuou na ópera “Cosi fan Tutte” de Mozart,
interpretando a personagem “Fiordiligi” junto à orquestra Camerata SESI
no Teatro Carlos Gomes. Foi vencedora da 10ª edição do Concurso Villa
Lobos na categoria “Melhor Intérprete Capixaba”, em 2013. Participou de
vários concertos, oratórios e óperas como corista. Como solista executou
obras importantes como o Requiem e a Vesperae Solennes de Confessore
de ‘Mozart’ junto ao Coro Sinfônico da FAMES, a Orquestra Camerata SESI
e a Orquestra Sinfônica do ES. Fez uma participação no Cinema Capixaba
no curta metragem do diretor Rodrigo de Oliveira - “Eclipse Solar”
interpretando obras de Rachmaninoff. Interpretou a personagem “Second Woman” na ópera Inglesa de
Purcell no 3º Festival de Música Erudita de Vitória. Em 2016 foi pela segunda vez a única cantora capixaba
selecionada para participar do Programa Prelúdio da TV Cultura em SP e venceu a primeira fase, ficando
entre os 16 mais talentos jovens eruditos brasileiros eleitos pelo programa.
Foi solista do Moteto de Mozart junto a Orquestra Sinfônica da Faculdade de
Música do ES. Participou do II VOE (Vitória Ópera Estúdio) onde interpretou
a personagem Ottavia da ópera L’incoronazione di Poppea de ‘Monteverdi’.
Entre os principais professores está seu orientador na graduação, Renato
Gonçalves, tenor capixaba e Edna D’Oliveira, renomada e reconhecida cantora
lírica brasileira. Atualmente trabalha seu repertório com o baixo-barítono Lício
Bruno.

Juliana Taino
Dama 2
ascida em 1991, a mezzo soprano Juliana Taino, é formada em Música pela
Faculdade de Artes Alcântara Machado e, atualmente, é aluna da soprano
Céline Imbert. Fez parte da primeira academia de ópera do Theatro São Pedro.
No FEMUSC, foi solista da 9ª Sinfonia de Beethoven, e interpretou Carmen
de Bizet. Atuou com Ivan Lins no espetáculo
“Bandeira do Divino”. Atualmente é aluna do
Ópera Studio do Theatro Municipal de São Paulo.
Em 2016, foi finalista do Concurso de Canto Maria
Callas, semifinalista do concurso de bolsa da
Academia de Ópera de Florença e vencedora do
concurso “Jovens Solistas”de Belo Horizonte.

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Catarina Taira
Dama 3
A mezzo soprano Catarina Gomes Taira iniciou seus estudos aos 15 anos no
Conservatório Professor Antonino Simalha, São Paulo. É Bacharel em Canto Lírico
pela Unesp, sob orientação de Márcia Guimarães e Martha Herr. Atualmente, é
aluna do barítono Francisco Campos. Foi integrante do Coral Jovem do Estado de
São Paulo, sob regência de Naomi Munakata e Fernando Tomimura e também do
Coral Lírico Paulista sob regência de Nibaldo Araneda. Desde 2016, é integrante
da Academia de Ópera do Theatro São Pedro sob orientação do maestro André
dos Santos, onde participou das montagens da ópera “Albert Herring” de
Benjamin Britten, “Monsieur Choufleuri” de Jacques
Offenbach, além de concertos de música de câmara, dentre os quais apresentou
canções do compositor russo Nicolai Medtner, acompanhada ao piano pelo
maestro André dos Santos. Participou da 30ª Oficina de Música de Curitiba, na
classe de canto da soprano Neide Thomas. Foi bolsista da 1ª Academia de Canto
em Trancoso e também do 16° e 17° Festival Música nas Montanhas, em Poços de
Caldas, sob orientação de Francisco Campos e Susan Ruggiero (Mississippi – USA).
Foi aprovada na Academia de Ópera de Berlin (Alemanha) para a produção da
ópera “Die Zauberflöte” de W.A. Mozart onde fará o papel da terceira dama, em
junho de 2017.

Carlos Morais
Orador e Sacerdote 1
Natural de Santa Bárbara, Minas Gerais, iniciou os estudos em canto aos 15
anos na de escola de música “Estação da Música José Luiz Pinto Coelho” sob
orientação da professora Raquel Calais. Participou de festivais de música
realizando aulas com nomes como Marília Vargas, Francisco Campos Neto
e Heloísa Petri. Atuou como solista na missa requiem de Gabriel Fauré, nas
óperas Bastien und Bastienne e Der Schauspieldirektor de W.A.Mozart.
Participou de master classes com Raminta Lampsatis e Sávio Sperandio. É
membro do coral Ars Nova da UFMG e do coral Concentus Musicum de Belo
Horizonte, ambos com regência da maestrina Iara
Frickie Matte. Atualmente, cursa o terceiro período do curso de bacharelado em
Canto pela UFMG, sendo orientado pela professora Mônica Pedrosa.

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Thijs Haalstra
Soldado 1
D esde os 8 anos de idade Thijs Haalstra tocava violino e cantava. Era violinista
em orquestras de oratórios e produções de ópera. Após uma carreira como
doutor, se dedicou ao canto a partir de 2007, estudando na Schumann Academy.
No começo participou de corais da Paixão segundo São Mateus, entre outras, e
outros como o Messias e Cantatas de Bach, mas já desde 2010 como um cantor
de lied e solista. Em 2011 representou o papel de Gerald na ópera “Lakmé” de
Léo Delibes, e em 2012 o papel de “Rodney” na ópera “One Touch of Venus” de
Kurt Weil. A partir daí foram vários recitais como solista e concertos incluindo
o ‘The Best Of’ no concerto de aniversário do ‘Cantina Vocalis’ em Amsterdam
e uma tournée com o grupo “Muz and Scene”. Em
2013 foi solista na “Crucifixão” de John Stainer,
interpretou”Edwin” na opereta “Die Czárdasfürstin”
de Emmerich Kálmán e seguiu para o papel de ”Thomas” em “The Zoo” de
O’Sullivan. Em 2014 fez sua estréia no Concertgebouw de Amsterdam como
cantor com a NedPho no Requiem de Berlioz, seguido pelo tradicional concerto
de ano novo com o Ensemble de Sopros da Holanda, com 17 apresentações
de “The Pearl Fishers” de Georges Bizet e a Ópera Sul-Holandesa com 15
apresentações da “La Cenerentola” de Rossini em 2015. Desde 2016 ele é membro
da ‘Dutch Bach Academy’. Thijs retém Rudolf Ruivenkamp como mentor de canto.
Thijs também atendeu diversas master classes com, entre outros Bruno V.

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Igor Lourenço
Soldado 2
Igor Lourenço Luiz da Silva, natural de Ribeirão Preto, São Paulo, começou a
carreira em sua cidade cantando na Igreja Batista da Fé. Em 2013, ingressou
no coro juvenil da CIA. Minaz. Em 2014, começou o Bacharelado em Canto
e Arte Lírica pela Universidade de São Paulo/FFCLRP e entrou para a Escola
de Canto Coral da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Participou do 3º
Encontro Nacional de Canto do Conservatório de Tatuí. Em 2015, tornou-se
integrante da Sinfonietta Ribeirão como coralista, nos Concertos Domingos
Sacros com regência de Marianna Ruggiero e em concertos realizados em
importantes Catedrais no estado de São Paulo.
Aprendeu a arte de cantar com Marcos Vinicius Pinafo, e com Profª e Drª
Yuka de Almeida Prado. Em sua jornada musical, já participou de trabalhos
com importantes maestros, como Roberto Minczuk, Abel Rocha, Gisele Ganade, Snizhana Drahan, Mítia
D’Acol. Foi integrante, do Festival de Ópera em Maringá, com orientação professora Rosana Lamosa,
Maestro Alessandro Sangiorgi e Tatiane Veroneze Pratti; e, pela Cia. Minaz, do 3º Festival Minaz de Ópera.
Como coralista se destacam as apresentações na ópera Dido & Aeneas, de Henry
Purcell; O Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo; Carmina Burana de Carl Orff; O
Morcego de Johann Strauss; Ópera do Malandro de Chico Buarque no Teatro
Municipal de Franca; Óperas de todos os tempos; Ópera Studio da Ópera Don
Giovanni, do compositor W.A.Mozart; Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni
com regência do maestro italiano Lorenzo Tazzieri; Cavalleria Rusticana de
Pietro Mascagni; e pelo coral juvenil, com solo em conjunto, como personagens
leproso e repórter apresentou a Ópera-Rock (Musical) Jesus Christ Superstar de
Andrew Lloyd Webber, Tim Rice.

Deivisson Pereira
Sacerdote 2
Nascido em Mantena, Minas Gerais, iniciou seus
estudos de técnica vocal no Canadá. Dentre os
principais trabalhos e apresentações, em 2016,
destacam-se Der Schauspieldirektor (O Empresário)
Mozart, A Tempestade (Rodando Miranda), Carmen,
Como Don José (Bizet), Festival de Música de Santa
Catarina 2015, Ópera Studio do Recife 2014, convidado
no festival internacional de corais de Londrina.

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Kamila Karsten
Gênios 1
Kamila Karsten, nascida em novembro de 2001, na mesma cidade, hoje,
contemplada pelo FEMUSC, Jaraguá do Sul, estuda, atualmente, no Instituto
Federal de Santa Catarina-IFSC cursando Técnico em Química e se aperfeiçoa
na música. Com a certeza do amor desenvolvido pela área musical, a natureza
dessa relação nasceu da obrigação dada pela mãe, porém, que logo perdeu
o título de obrigação, tornando-se umas das atividades mais relevantes de
sua vida. Começou a tocar violino quando tinha 12 anos e no mesmo ano
participou do Femuskinho, fator crucial para o seu encantamento profundo e
sem volta. Desenvolveu suas habilidades musicais sempre a partir de projetos
da SCAR, primeiramente, com o projeto Camerata da Scar e depois de dois anos
passou para o projeto Música Para Todos- MPT. Nessa mudança, concomitante
às aulas de violino se ofertava outras modalidades musicais, como teoria
musical, canto coral, percussão corporal e prática em conjunto. Nas aulas de
canto coral, Kamila desenvolveu a prática do canto. No coral do projeto ela
participou de vários grupos, entre eles alguns com canto e encenação. Uma
das obras principais apresentadas nesse grupo foi o Forrobodó de Chiquinha
Gonzaga, dirigido pela professora Elisabeth Mueller. Em 2015, participou do
Femusc Jovem e também cantou no Coral do Femusc. Nesse ano, apresentou
cantando a 9° Sinfonia de Beethoven e Carmina Burana. No ano seguinte de
igual forma, participou da apresentação da peça Choro N° 10 de Villa-Lobos
e Carmen de Bizet. Convidada a se encantar e motivar esse sentimento, em
2017, participou do Coro do Femusc como uma personagem da Ópera A Flauta
Mágica de Mozart.

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Letícia Guimarães Goulart
Gênio 2
Letícia Guimarães Goulart nasceu em 11 de janeiro de 2001, em São Joaquim,
cidade localizada na região serrana de Santa Catarina. Desde pequena,
conviveu com o pai que tocava instrumentos, o que despertou seu interesse
pela música. Aos oito anos, começou a cantar em um grupo musical formado
na escola onde estudava que era voltado para músicas populares. Depois
do fim do grupo, seguiu cantando com a irmã em uma dupla também
voltada para músicas populares, onde fez diversas apresentações na região
e participou de audições de programas/festivais,
chegando a ganhar alguns deles. Em 2015,
recebeu o convite de participar de um coral,
integrando o Centro de Aprendizagem Musical
(CAM) da cidade, entrando em contato com um
universo de músicas totalmente diferente: o canto lírico/erudito. Durante
esse período, iniciou um processo de adaptação quanto às diferenças entre
o popular e o erudito. Hoje, o Canto Lírico se tornou uma grande paixão e
cada vez mais, apesar da cidade ser pobre no que se refere a essa cultura, vai
conquistando espaço.

Juliane Guimarães Goulart


Gênio 3
Nasceu em São Joaquim, cidade com 25 mil habitantes, no dia 27 de março de
2002. Estudou desde criança em escola pública, onde desenvolveu também o
gosto pela música, fazendo parte de um projeto desenvolvido por ela e sua irmã
em músicas populares brasileiras. Porém, seu contato com músicas eruditas veio
mais tarde. A música entrou em sua vida ainda pequena com o pai musicista.
Sempre teve interesse em encontrar a verdadeira identidade por meio de uma
forma de expressão que acabou se tornando sua verdadeira paixão. Com 13 anos
de idade, começou a estudar no Centro de Aprendizagem Musical (CAM), onde
encontrou a música clássica, e, depois disso, seu interesse
por músicas desse gênero foi aumentando e seu gosto por
cantores como o tenor Luciano Pavarotti e a mezzo soprano Cecilia Bartoli também
foram se engrandecendo. Com esse interesse e a certeza de poder fazer mais para
contribuir com esse gênero musical, fez aulas de técnica vocal e aulas teóricas.
Juliane, hoje, é parte de um coral de sua cidade, focado diretamente para a música
lírica. A soprano Juliane tem 14 anos e vive no meio lírico há um ano e dois meses
e, nesse tempo, conheceu músicas fantásticas com autores como: Johann Sebastian
Bach, Wolfgang Amadeus Mozart e Giuseppe Verdi, entre outros. Música se tornou
um de seus pilares.

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Fernando Ciello
Escravo 1
Natural de Cascavel, no Paraná. Iniciou seus estudos de canto sob os cuidados
de Jocimar Silva e Michele Coelho. Em seguida, frequentou as aulas da
mezzo-soprano Denise Sartori no curso de bacharelado em Canto da Escola
de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP/ UNESPAR). Foi aluno das classes
de canto lírico da Oficina de Música de Curitiba (2012, 2016) e do Festival
de Música de Santa Catarina (FEMUSC 2015, 2016). Nestes festivais e em
outras oportunidades recebeu orientação de Tamás Salgo; Gino Quilico;
Celine Imbert; Rio Novello; Rosana Lamosa;
Masami Ganev e Vitor Philomeno. Participou, como
integrante do coro, de montagens das óperas Trial
by Jury; The Mikado; Monsieur Choufleuri resterá
chez lui..; L’Elisir d’Amore; Carmen; Der Freischütz
e de montagens de obras-coral, com destaque para participação como solista no
sexteto da Fantasia Coral de Beethoven (Opus 80) no 11º FEMUSC. Desenvolve
paralelamente carreira como antropólogo e cursa, atualmente, o doutorado em
Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC).
Tem continuado seus estudos com o tenor Alexandre Mousquer e integra o
grupo vocal Ottava Bassa, que explora o repertório coral para vozes masculinas.

Julio Chagas Pithan


Escravo 2
Com 31 anos, natural de Passo Fundo/RS, integra o Coral UPF e Coro
Resonare, é tenor solista na Orquestra Sinfônica de Lages e também o fez na
Orquestra de Câmara da UPF. Já se apresentou sob a batuta de importantes
maestros nacionais e internacionais como Catherine Larsen-Maguire
(Inglaterra/Alemanha), Cláudio Cruz (Brasil) e Linus Lerner (Brasil/EUA).
Além de se apresentar por todo o Rio Grande do Sul, se apresentou em
Curitiba e Londrina/PR, Jaraguá do Sul, Lages e Timbó/SC, Pelotas, Porto
Alegre e Vale Vêneto/RS, San Luis Potosí/
México. Seu repertório inclui compositores
alemães, brasileiros, ingleses e italianos.
Participou dos seguintes festivais: Festival de
Ópera de San Luis Potosí (México), The Art of Singing (Colômbia), FEMUSC,
Oficina de Música de Curitiba, Festival Internacional de Inverno da UFSM,
Harmos, Encontro de Canto de Tatuí e Festival Aldo Baldin. Há três anos faz
parte da destacada classe de alunos da soprano Eiko Senda (Japão/Uruguai/
Brasil).

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Fernando Silva
Escravo 3
O barítono Fernando Jose Silva iniciou seus estudos em 2012 na
Licenciatura de Música da Universidade Nacional de Assunção – Paraguay,
com a professora Jacqueline Enrique Cohen. Estreiou no papel de
protagonist de Conde Robinson em “O Matrimônio Secreto” de Domenico
Cimarosa, foi solista na Missa in Sol de F. Schubert com a Orquestra
Filarmônica da Cidade de Assunção. Foi solista
no Oratorio de Páscoa e Cantatas 147 e 192 de J.
S. Bach com a Orquestra Sinfônica do Congresso
sob a batuta do Maestro Diego Sanchez Haase.
Foi narrador na Flauta Màgica de Mozart com a
orquestra da FADA.

23
SINOPSE
ARGUMENTO
O príncipe Tamino é perseguido por uma serpente gigante, que ao tentar fugir penetra em um bos-
que. Entrou no reino da Rainha da Noite sem saber. Fará um acordo com a soberana com o objetivo
de obter a mão de sua filha em troca de libertá-la do sequestro cometido por Sarastro. Tamino,
acompanhado pelo passarinheiro se dispõe a salvar sua amada, no entanto, uma vez chegado ao
reino de Sarastro, percebe que a realidade é outra e decide permanecer ali, ao lado de sua amada
e longe da rainha. Para ficar e pertencer ao templo dos sábios passará por uma série de testes que
superará. Finalmente os dois amantes se unem para sempre, enquanto sua malvada mãe será
derrotada definitivamente.

Ato I:
O príncipe Tamino chega a um bosque na floresta para refugiar-se da perseguição de uma ser-
pente monstruosa. Desmaia e é resgatado por três damas. Elas se maravilham com sua beleza e
saem para dar a notícia à sua senhoria, a rainha da noite. Entretanto, chega ao local Papageno, um
curioso personagem que caça pássaros para a rainha. Este lhe mentirá fazendo-se passar por seu
salvador. As damas o castigam pela mentira fechando sua boca com um cadeado.

As damas mostram um retrato da filha da Rainha da Noite a Tamino, que se apaixona ao vê-la. A
rainha faz uma entrada triunfal e, comovida pelas palavras de amor do príncipe, se dirige a ele
para contar a história sua filha: foi raptada por Sarastro e se ele conseguir resgatá-la, obterá sua
mão.

Tamino aceita a oferta, em troca as três damas lhe darão uma flauta mágica capaz de mudar o
humor das pessoas que a ouvem. E a Papageno darão um carrilhão mágico porque decidiu acom-
panhar o príncipe.

Pamina está em um aposento vigiado por Monostatos, escravo mouro que enamorou-se dela.
Neste momento chega Papageno e ao vê-lo, o escravo foge com medo de sua aparência. O passari-
nheiro conta a Pamina que veio em seu socorro. Depois de lamentar sua solidão, fogem.

Tamino dirige-se para uma floresta sagrada guiado pelos três gênios. Ali encontrará três templos:

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o da razão, o da natureza e o da sabedoria. Depois de tentar entrar em cada um, sai do templo da
sabedoria o orador que irá informá-lo de que Sarastro governa em todos os três. Tamino preocupa-
do com Pamina tocará a flauta, o som irá atrair os animais do bosque que ficam mansos. Também
atrai Papageno e Pamina.

Monostatos, que seguiu o casal consegue capturá-los. Papageno toca seu carrilhão para escapar.
Aparece em cena Sarastro, Pamina diz-lhe que sua fuga é devida ao assédio de Monostatos, razão
pela qual ele será punido por Sarastro. Tamino e seu companheiro serão preparados para serem
iniciados nos mistérios da sabedoria.

Ato II:
Em um bosque de palmeiras se encontram Tamino e o passarinheiro para serem iniciados pelos
sacerdotes, na presença do grão-sacerdote.

Um dos testes que ambos os personagens são submetidos é o de guardar silêncio. No templo, à
noite chegam as três damas que provocam os dois, mas não recebem nenhuma resposta.

Pamina se encontra em um jardim. Aparece a rainha da noite informando-a que seu amado está
aliado com o inimigo. A jovem se dá conta do verdadeiro coração da sua mãe que destila maldade
e ódio. Entrega uma faca à jovem exigindo-lhe para matar Sarastro com ela, sob pena de ser rejei-
tada por sua mãe para sempre. Pamina fica horrorizada. Neste momento aparece Monostatos que
ouviu toda a conversa e tenta fazer chantagem. No entanto, o diálogo anterior também foi ouvido
por Sarastro, que manda deter o escravo e reconforta Pamina pedindo paciência e compreensão.

Tamino e Papageno permanecem em silêncio no templo. Aparecem os três gênios, que lhes dão a
flauta e o carrilhão pedindo para manter silêncio. Ao tocar a flauta aparece Pamina, que não obte-
ve nenhum tipo de resposta às suas questões. Sentindo-se abandonada, se deixa dominar pela dor.

Os sacerdotes conduzem os iniciados ao interior do templo onde ambos decidem seguir adiante
com a sua iniciação.
Papageno está no jardim. Aparece uma mulher idosa que pede sua mão em casamento. Com medo
de permanecer só ele aceita, então a velha se transforma em uma bela mulher, Papagena. No
entanto, o sacerdote do templo leva-a para fora porque primeiro ele deve merecê-la.

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Pamina está à beira da loucura e prestes a cometer suicídio com a adaga de sua mãe. Os três gênios
intervêm e a convencem de não fazê-lo e procurar o seu amado. Quando o encontra ele está se
preparando para passar nas provas de fogo e água até a conclusão. Pamina, loucamente apaixona-
da pede permissão para acompanhá-lo à prova. Ambos conseguem e são admitidos ao templo da
sabedoria.

Papageno está desesperado, perdeu sua amada e temia ser deixado sozinho. Neste momento,
quando está determinado a cometer suicídio, os três gênios aparecem e o aconselham de usar o
carrilhão. Ele o faz e Papagena aparece. Ambos declaram seu amor.

A Rainha da Noite, a quem Monostatos se uniu, tenta dar o golpe final contra os sacerdotes. Eles
serão vencidos no último momento e são atirados na noite eterna.
Sarastro em plena luz do dia proclama o reino da luz na presença de todos, que se felicitam.

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A FLAUTA MÁGICA
Libretto: Emanuel Schikaneder
Tradução: Renato Icarahy

Primeiro Ato

O teatro representa uma paisagem rochosa, com algumas árvores aqui e ali. De ambos os lados,
colinas cortadas por trilhas que dão acesso a um templo.

Cena I

Tamino desce de um rochedo, vestindo um luxuoso traje de caça japonês. Traz um arco, já sem flechas.
Uma serpente o persegue. Depois, AS TRÊS DAMAS.

N° 1: Introdução

TAMINO

Zu Hilfe! zu Hilfe! sonst bin ich verloren, Socorro! Ajudai-me, senão estou perdido!
Der listigen Schlange zum Opfer erkoren. Por presa da astuta serpente escolhido.
Barmherzige Götter! Schon nahet sie sich! Ó deuses misericordiosos! Ela já se aproxima!
Ach rettet mich, schützet mich! Ah, salvai-me! Ah, protegei-me!

(Ele cai desmaiado. Imediatamente a porta do templo se abre e saem por ela três damas, cobertas por véus,
cada qual trazendo uma lança de prata na mão.)

AS TRÊS DAMAS

Stirb Ungeheur, durch unsre Macht! Morre, monstro, ao nosso comando!

(Atravessam a serpente com suas lanças.)

Triumph! Triumph! Sie ist vollbracht Vitória! Vitória! Está consumado


Die Heldentat. Er ist befreit O feito heróico! Ele está salvo
Durch unsres Armes Tapferkeit. Pela coragem de nossos braços.

PRIMEIRA DAMA
(contemplando Tamino)

Ein holder Jüngling sanft und schön! Um belo rapaz, meigo e gracioso.

SEGUNDA DAMA

So schön, als ich noch nie gesehn. Jamais vi alguém tão formoso.

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TERCEIRA DAMA

Ja ja gewiß! zum Malen schön. Que belo quadro daria esse moço!

AS TRÊS DAMAS

Würd’ ich mein Herz der Liebe weihn, Se meu coração ao amor consagrasse,
So müßt’ es dieser Jüngling sein. Seria por essa jovem face.
Laßt uns zu unsrer Fürstin eilen Vamos deporessa até nossa princesa,
Ihr diese Nachricht zu erteilen. Participar-lhe a grande proeza:
Vielleicht daß dieser schöne Mann Talvez lhe possa o belo rapaz,
Die vor’ge Ruh’ ihr geben kann. Trazer de volta a antiga paz

PRIMEIRA DAMA

So geht und sagt es ihr, Vão na frente lhe contando,


Ich bleib’ indessen hier. Eu fico aqui aguardando.

SEGUNDA DAMA

Nein nein, geht ihr nur hin, Não, não! Vão lá vocês,
Ich wache hier für ihn! Eu o vigio por nós três.

TERCEIRA DAMA

Nein nein, das kann nicht sein, Não, não! Não Pode ser!
ich schütze ihn allein. Fico eu a proteger.

PRIMEIRA DAMA

Ich sollte fort! Ei ei! wie fein! Sair, eu? Ah, que conveniente!
Sie wären gern bei ihm allein, Com ele, a sós, estariam contentes.
Nein nein, das kann nicht sein. Não, não, não! Não pode ser!

Was wollte ich darum nicht geben, O que no mundo eu não daria
Könnt’ ich mit diesem Jüngling leben! Para a seu lado viver um dia!
Hätt’ ich ihn doch so ganz allein! Se ele fosse meu tão somente!
Doch keine geht, es kann nicht sein. Mas ninguém vai! Não pode ser!
Am besten ist es nun, ich geh’. Já que é assim, vou eu na frente.

Du Jüngling, schön und liebevoll, Ó jovem amável e bonito,


Du trauter Jüngling lebe wohl, Adeus, adeus, meu querido!
Bis ich dich wieder seh’. Até mais ver.

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(Saem as três pela porta do templo, que se abre e fecha sozinha.)

Diálogo

TAMINO
- Onde estou? Quem terá me salvado?

Cena II

Durante a introdução de sua ária, PAPAGENO vem descendo por uma trilha. Traz nas costas uma grande gaiola,, que ultra-
passa a altura de sua cabeça, com pássaros diversos. Nas mãos segura uma flauta de caniços. Toca e canta.

N° 2: ÁRIA

PAPAGENO

Der Vogelfänger bin ich ja, Eu sou o passarinheiro, eu sou,


Stets lustig heißa hopsasa! E contente trá-lá-lá, eu vou!
Ich Vogelfänger bin bekannt Passarinheiro é o meu apelido,
Bei Alt und Jung im ganzen Land. Por velhos e moços sou conhecido.
Weiß mit dem Locken umzugehn Sei assoviar que é uma maravilha.
Und mich aufs Pfeifen zu verstehn. Os pássaros não escapam da armadilha.
Drum kann ich froh und lustig sein, Por isso sigo feliz a jornada,
Denn alle Vögel sind ja mein. Pois sei que é minha a passarada.

(Toca.)

Der Vogelfänger bin ich ja, Eu sou o passarinheiro, eu sou,


Sets lustig heißa hopsasa! E contente trá-lá-lá, eu vou!
Ich Vogelfänger bin bekannt Passarinheiro é o meu apelido,
Bei Alt und Jung im ganzen Land. Por velhos e moços sou conhecido.
Ein Netz für Mädchen möchte ich, Se eu tivesse uma rede de apanhar donzelas,
Ich fing’ sie dutzendweis für mich. Apanhava para mim uma dúzia delas!
Dann sperrte ich sie bei mir ein, Aí eu trancava as moças comigo,
Und alle Mädchen wären mein. E ficava com todas em meu abrigo.

(Toca.)

Wenn alle Mädchen wären mein, Com todas elas na minha algibeira,
So tauschte ich brav Zucker ein, Trocava-as por açúcar de primeira:
Welche mir am liebsten wär’, E pràquela de quem fosse pretendente,
Der gäb’ ich gleich den Zucker her. Dava todo o meu açúcar de presente.
Und küßte sie mich zärtlich dann, E aí ela me beijava com ardor,

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Wär’ sie mein Weib und ich ihr Mann. Ela, minha esposa, eu, o senhor,.
Sie schlief ’ an meiner Seite ein, E dormindo a meu lado, tão serena,
Ich wiegte wie ein Kind sie ein. Eu a ninava como criança pequena.

(Toca. Depois da ária, dirige-se para a porta do templo.)

Diálogo

PAPAGUENO
(Em voz alta, para Tamino)

-Porque você fica me olhando desse jeito desconfiado e maroto?

(Tamino se aproxima-se de Papagueno.)

PAPAGUENO
-Não! Para longe de mim! Estou avisando! É bom não confiar em mim que eu tenho a força de um gigante quando acerto
alguém.

TAMINO
- Força de um gigante?
(olha para a serpente)
Então foi você que me salvou da serpente?! Serei eternamente grato.

(Olha em volta e recua, tremendo, alguns passos.)

PAPAGUENO
(à parte)
-Acho que nunca fui tão forte como hoje.

Cena III

AS 3 DAMAS
(chamam e ameaçam ao mesmo tempo)
- Papagueno!!!

DAMA 1
-Temos um presente para você, em troca de seus pássaros.

DAMA 2
-Para que não minta mais a estrangeiros.

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DAMA 3
-Nossa princesa me deu a honra de trancar sua boca com este cadeado de ouro.
(virando-se para Tamino com carinho)
Fomos nós, meu jovem, que te salvamos. Nada temas. Estás seguro por aqui.

(saem, a dama 2 deixa cair o retrato propositalmente perto de Tamino)

TAMINO
-Ei, vocês perderam...
(Tamino, vendo a imagem, para de falar subitamente).

Cena IV
TAMINO, PAPAGENO

N° 3: ÁRIA

TAMINO
Dies Bildnis ist bezaubernd schön, A imagem é bela e fascinante,
Wie noch kein Auge je gesehn. Como olho algum jamais viu antes!
Ich fühl’ es, wie dies Götterbild Sinto que a divina feição
Mein Herz mit neuer Regung füllt. Renova o meu coração
Dies Etwas kann ich zwar nicht nennen, Algo que não posso nomear,
Doch fühl’ ich’s hier wie Feuer brennen: Mas que sinto dentro a queimar:
Soll die Empfindung Liebe sein? Será amor tal sensação?
Ja, ja die Liebe ist’s allein. Sim, amor! Não outra emoção.
O wenn ich sie nur finden könnte! Ah, se encontrá-la eu pudesse!
O wenn sie doch schon vor mir stünde! Ah, se ao meu lado ela estivesse!
Ich würde - würde - warm und rein - Febril e puro eu iria… iria…
Was würde ich? - Ich würde sie voll Entzücken Iria o que? - Iria abraçá-la ternamente,
An diesen heißen Busen drücken, Contra esse peito pulsante e ardente,
Und ewig wäre sie dann mein! E minha para sempre ela seria.

Cena V

Os mesmos.
(logo se ouve um acorde violento, seguido de música, que faz tremer a cena)

Diálogo

TAMINO
-Ó deuses! O que é isso?

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Cena VI

Os mesmos. A RAINHA DA NOITE, em seu trono ornado de estrelas transparentes.

N° 4: RECITATIVO E ÁRIA

A RAINHA DA NOITE

RECITATIVO

O zittre nicht, mein lieber Sohn, Não temas, ó filho amado!


Du bist unschuldig, weise, fromm - És inocente, casto e moderado.
Ein Jüngling so wie du, vermag am besten, Só tua juventude poderá trazer alento,
Dies tiefbetrübte Mutterherz zu trösten. A esse materno coração em sofrimento

ARIA

Zum Leiden bin ich auserkoren, Estou destinada a padecer,


Denn meine Tochter fehlet mir -. Pois não tenho a filha a meu lado;
Durch sie ging all mein Glück verloren: Vi minha alegria esvanecer
Ein Bösewicht entfloh mit ihr. Raptada por um celerado.
Noch seh’ ich ihr Zittern Ainda vejo o seu tremor,
Mit bangem Erschüttern, Os calafrios de pavor,
Ihr ängstliches Beben, O pânico convulso,
Ihr schüchternes Streben. O trêmulo pulso.
Ich mußte sie mir rauben sehen, Vi quando a levaram de mim:
Ach, helft! - war alles, was sie sprach - “Socorro”! Foi o que disse então.
Allein vergebens war ihr Flehen, Nada adiantou gritar assim,
Denn meine Hilfe war zu schwach. Pois meu esforço foi todo em vão.
Du wirst sie zu befreien gehen, Tu Pamina libertarás,
Du wirst der Tochter Retter sein! - Tu serás o seu salvador.
Und werd’ ich dich als Sieger sehen, E se voltares vencedor,
So sei sie dann auf ewig dein. Contigo, para sempre, a terás.

(Sai.)

Cena VII
TAMINO, depois PAPAGENO

Diálogo

TAMINO
(olhando para o retrato)

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- Então se chama Pamina... e essa era sua inconsolada mãe.
Ó, Pamina! Arrancada de mim... em poder de um bandido!
Eu vou salvá-la e o bandido há de sucumbir à força de meus braços! Isso eu juro pelo meu amor, pelo meu coração!
(Faz menção de sair, mas é interceptado por Papageno.)

N° 5: QUINTETO

PAPAGENO
(aponte, triste, para o cadeado que tem na boca)

Hm! hm! Hm! Hm! hm! Hm!

TAMINO

Der Arme kann von Strafe sagen, Bem fala o pobre em penitência:
Denn seine Sprache ist dahin! Perdeu de vez toda a eloquência.

PAPAGENO

Hm! hm! Hm! Hm! hm! Hm!

TAMINO

Ich kann nichts tun, als dich beklagen, Não posso mais que lamentar.
Weil ich zu schwach zu helfen bin! Sou fraco demais para ajuda

PAPAGENO

Hm! hm! Hm! Hm! hm! Hm!

Cena VIII
Os mesmos, AS TRÊS DAMAS

PRIMEIRA DAMA
(para Papageno)

Die Königin begnadigt dich, A Rainha concede a sua graça.

(Tira o cadeado da boca de Papageno)

Entläßt die Strafe dir durch mich. Mandou retirar-lhe a mordaça.

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PAPAGENO

Nun plaudert Papageno wieder! Papageno fala outra vez.

SEGUNDA DAMA

Ja plaudre - lüge nur nicht wieder! Fala! Mas não mente outra vez!

PAPAGENO

Ich lüge nimmermehr, nein, nein! Não vou mais mentir. Podem deixar!

AS TRÊS DAMAS

Dies Schloß soll deine Warnung sein! O cadeado o vai alertar!

PAPAGENO

Dies Schloß meine Warnung sein! O cadeado vai me alertar.

TODOS

Bekämen doch die Lügner alle Se todo o mentiroso tivesse


Ein solches Schloß vor ihren Mund: Um cadeado assim como esse,
Statt Haß,Verleumdung, schwarzer Galle Sobre o ódio, calúnia e maldade,
Bestünde Lieb’ und Bruderbund! Reinariam o amor e a amizade.

PRIMEIRA DAMA
(para Tamino)

O Prinz, nimm dies Geschenk von mir, Ó principe, de minhas mãos recebe
Dies sendet unsre Fürstin dir. A prenda que a rainha te concede

(Entrega a Tamino uma flauta de ouro.)

Die Zauberflöte wird dich schützen, A Flauta Mágica te guardará,


Im größten Unglück unterstützen. Dos males piores te livrará.

AS TRÊS DAMAS

Hiemit kannst du allmächtig handeln, Com ela terás o condão


Der Menschen Leidenschaft verwandeln, De transformar a humana paixão.
Der Traurige wird freudig sein, Ao triste, fazer contente,

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Den Hagestolz nimmt Liebe ein. E ao frígido, amante ardente.

TODOS

O so eine Flöte ist mehr Ah, uma flauta assim vale mais
Als Gold und Kronen wert, Que ouro e mil coroas,
Denn durch sie wird Menschenglück Pois traz felicidade
Und Zufriedenheit vermehrt. e alegria à alma das pessoas

PAPAGENO

Nun, ihr schönen Frauenzimmer - Então, minhas belas senhoras,


Darf ich? - so empfehl ich mich? Posso… me despeço agora.

AS TRÊS DAMAS

Dich empfehlen kannst du immer, Despedir-se, pode sempre,


Doch bestimmt die Fürstin dich, Embora a rainha lhe ordene
Mit dem Prinzen ohn’Verweilen Seguir do príncipe o rastro
Nach Sarastros Burg zu eilen. Até o castelo de Sarastro.

PAPAGENO

Nein, dafür bedank’ ich mich. Não, não, não, muito obrigado!
Von euch selbsten hörte ich, Sobre esse estou bem informado.
Daß er wie ein Tigertier. Disseram que é um tigre feroz!
Sicher ließ’ ohn’ alle Gnaden Juro que, sem dó, o tal Sarastro,
Mich Sarastro rupfen, braten, Dos cães, me fazia de repasto,
Setzte mich den Hunden für. Frito e dependa - ó dor atroz!

AS TRÊS DAMAS

Dich schützt der Prinz, trau ihm allein,


Dafür sollst du sein Diener sein.

Confie: o príncipe o protege!


Você será o seu valete!

PAPAGENO
(à parte)

Daß doch der Prinz beim Teufel wäre. O príncipe que vá pro diabo!
Mein Leben ist mir lieb. Amo a vida de paixão.
Am Ende schleicht, bei meiner Ehre, Aposto que ao fim e ao cabo,

35
Er von mir wie ein Dieb. Corre de mim como um ladrão.

PRIMEIRA DAMA
(A primeira dama dá a Papageno uma pequena arca onde há um carrilhão em miniatura.)

Hier nimm dies Kleinod, es ist dein! Tome! É seu esse tesouro.

PAPAGENO

Ei! ei! was mag darinnen sein? - Ah! O quue terá dentro, ouro?

AS TRÊS DAMAS

Darinnen hörst du Glöckchen tönen! De dentro sai o som de sininhos.

PAPAGENO

Werd’ ich sie auch wohl spielen können? Será que eu sei tocar sozinho?

AS TRÊS DAMAS

O ganz gewiß! ja ja gewiß! Ah, claro que sim!

TODOS

Silberglöckchen, Zauberflöten Sinos de preta e flauta encantada


Sind zu eurem/unserm Schutz vonnöten! Para guardar a vossa jornada.
Lebet wohl! wir wollen gehn! Então adeus, vamos embora!
Lebet wohl - auf Wiedersehn! Então adeus, até outra hora!

(Todos fazem menção de sair.)

TAMINO

Doch schöne Damen saget an… Belas damas, dizei afinal…

TAMINO E PAPAGENO

Wo man die Burg wohl finden kann? - Como encontrar o castelo do mal?

AS TRÊS DAMAS

Drei Knäbchen, jung, schön, hold und weise Três belos e sábios garotinhos
Umschweben euch auf eurer Reise. Hão de pairar sobre vós no caminho.

36
Sie werden eure Führer sein, Eles irão vos conduzir
Folgt ihrem Rate ganz allein. Só a eles deveis ouvir.

TAMINO E PAPAGENO

Drei Knäbchen, jung, schön, hold und weise Três belos e sábios garotinhos
Umschweben euch auf unsrer Reise. Hão de pairar sobre nós no caminho.

TODOS

So lebt wohl! wir wollen gehn; Então, adeus, vamos embora,


Lebt wohl, lebt wohl, auf Wiedersehn! Adeus, adeus, até outra hora!
(Todos saem.)

Cena XI
O teatro se transforma em um suntuoso aposento egípcio,
MONÓSTATOS, PAMINA, trazida por escravos.

N° 6: TRIO

MONOSTATOS
(muito rápido)

Du feines Täubchen nur herein. Para dentro, minha pombinha!

PAMINA

O welche Marter, welche Pein! Ó suplicio! Ó dor a minha!

MONOSTATOS

Verloren ist dein Leben. Agora estás perdida.

PAMINA
ww
Der Tod macht mich nicht beben; A morte não me intimida
Nur meine Mutter dauert mich, Sinto por minha mãe apenas,
Sie stirbt vor Gram ganz sicherlich. Que morre por minhas penas.

MONOSTATOS

He Sklaven legt ihr Fesseln an; Escravos: Levem-na à masmorra!


Mein Haß soll dich verderben! Meu ódio há de te perder.

37
(Os escravos prendem-lhe correntes.)

PAMINA

O laß mich lieber sterben, Bárbaro, melhor que eu morra,


Weil nichts, Barbar, dich rühren kann! Pois nada há de te comover!

(Cai desmaiada num sofá.)

MONOSTATOS

Nun fort! Laßt mich bei ihr allein. Fora! A sós, com ela, ficarei!
(Saem os escravos)

Cena XII
Os mesmos. PAPAGENO.

PAPAGENO
(de uma janela, sem ser visto)

Wo bin ich wohl! wo mag ich sein? Onde estou? Onde estarei?
Aha! da find’ ich Leute, Aha! Tem gente aqui.
Gewagt; ich geh’ hinein. Mas, sem medo, entrarei.
(Entra.)

Schön Mädchen, jung und rein, Que moça linda encontrei!


Viel weißer noch als Kreide… É mais branca que o giz!

MONOSTATOS UND PAPAGENO


(ao se defrontarem, um se assusta com o outro)

Hu - das ist der Teufel sicherlich. Hu! É o diabo em pessoa!


Hab Mitleid! verschone mich! - Tem dó de mim! me perdoa!
Hu! Hu! hu! Hu! Hu! hu!

(saem ambos correndo.)

Cena XIV
PAMINA. PAPAGENO.

Diálogo

PAPAGENO

38
-Ah, olha só! O belo retrato da moça aqui denovo! Ei, você aí, filha da rainha noturna!
PAMINA
-Você conhece minha boa e carinhosa mãe! Ó graças! Seu nome?

PAPAGENO
(Observa o retrato que agora traz pendurado por uma fita ao pescoço)
-Papageno.

PAMINA
(vendo o retrato na mão de Papageno)
-E como tem o meu retrato?

PAPAGENO
-Capturei de um príncipe que vem salvá-la.
É... Porque mesmo?
Ah, sim, porque ele te ama!

PAMINA
-Amor!

N° 7: DUETO

PAMINA

Bei Männern, welche Liebe fühlen, Ao homem que sente amo


Fehlt auch ein gutes Herze nicht. Não falta um bom coração.

PAPAGENO

Die süßen Triebe mitzüfuhlen Compartilhar do doce ardor


Ist dann der Weiber erste Pflicht. É da mulher obrigação.

PAMINA, PAPAGENO

Wir wollen uns der Liebe freun, A alegria do amor nós queremos;
Wir leben durch die Lieb’ allein. Pelo amor, apenas, vivemos.

PAMINA

Die Lieb’ versüßet jede Plage, O amor adoça o sofrimento,


Ihr opfert jede Kreatur. Toda criatura é sua presa.

PAPAGENO

39
Sie würzet unsre Lebenstage, Do dia-a-dia é o fermento.

Sie wirkt im Kreise der Natur. Que recicla a natureza.

PAMINA, PAPAGENO

Ihr hoher Zweck zeigt deutlich an: Sua meta suprema nos faz conhecer,
Nichts Edlers sei, als Weib und Mann. A nobreza maior: ser marido e mulher.
Mann und Weib, und Weib und Mann, Mulher e homem, homem e mulher.
Reichen an die Gottheit an. Atingem a plena divindade do ser

Diálogo

PAMINA
-E aonde está o príncipe?

PAPAGENO
-Mandou-me na frente para anunciar a nossa chegada.

(saem os dois.)

Cena XV

O teatro se transforma em um bosque. Ao fundo, um belo templo, onde se lê: “Templo da Sabedoria”.
Arcadas com colunas ligam esse templo a dois outros.
No da direita, lê-se: “Templo da Razão”. No da esquerda, lê-se: “Templo da Natureza”.

OS TRÊS GÊNIOS acompanham TAMINO. Cada um deles traz na mão uma palma de prata. Depois, O ORADOR.

N° 8: FINALE

OS TRÊS GÊNIOS

Zum Ziele führt dich diese Bahn, O caminho leva ao teu destino;
Doch mußt du Jüngling männlich siegen, Hás de vencê-lo virilmente.
Drum höre unsre Lehre an: Escuta, pois, o nosso ensino:
Sei standhaft, duldsam, und verschwiegen! - Sê firme, calado e paciente.

TAMINO

Ihr holden Kleinen saget an, Jovens gentis, dizei-me ainda:


Ob ich Paminen retten kann? - Poderei eu salvar Pamina?

40
OS TRÊS GÊNIOS

Dies kund zu tun steht uns nicht an; Não nos cabe revelar.
Sei standhaft, duldsam, und verschwiegen! Sê firme, calado e paciente:
Bedenke dies, kurz, sei ein Mann. - Um homem! Assim deves pensar.
Dann, Jüngling, wirst du männlich siegen. E hás de vencer bravamente.

(Saem)

(Tamino dirige-se para a porta da direita, abre-a, mas quando vai entrar, ouve-se uma voz, de dentro.)

UMA VOZ

Zurück! Para trás!

TAMINO

Zurück? - so wag’ ich hier mein Glück! Para trás? Arrisco aqui uma chance mais!

(Dirige-se para a porta da esquerda.)

UMA VOZ

Zurück! Para trás!

TAMINO

Auch hier ruft man: zurück? Também aqui gritam: para trás!

(Olha em torno de si.)

Da seh’ ich noch eine Tür. Vejo ainda outro portão.


Vielleicht find’ ich den Eingang hier. Entrarei por ele, então.

(Bate, aparece um velho sacerdote.)

ORADOR

Wo willst du, kühner Fremdling, hin? Onde vais, ousado estrangeiro?


Was suchst du hier im Heiligtum? Que queres neste santuário?

41
TAMINO

Der Lieb’ und Tugend Eigentum. Do amor e da virtude, o relicário.

ORADOR

Die Worte sind von hohem Sinn! Falas com elevado esmero!
Allein, wie willst du diese finden? Como irás, sozinho, encontrar
Dich leitet Lieb’ und Tugend nicht, e não te guiam virtude e amor?
Weil Tod und Rache dich entzünden. Tens morte e vingança a te inflamar.

TAMINO

Nur Rache für den Bösewicht. Vingança contra um malfeitor!

ORADOR

Den wirst du wohl bei uns nicht finden. Não é aqui que o vais achar.

TAMINO

Sarastro herrscht in diesen Gründen? Sarastro é o senhor do lugar?

ORADOR

Ja, ja, Sarastro herrschet hier. Sarastro reina aqui sim.

TAMINO

Wann also wird die Decke schwinden? E quando o negro véu cairá?

ORADOR

Sobald dich führt der Freundschaft Hand Assim que te unir o amor fraterno
Ins Heiligtum zum ew’gen Band. Ao templo, por um laço eterno.

(sai)

TAMINO

O ew’ge Nacht! Wann wirst du schwinden? Ó noite eterna! Irás clarear?


Wann wird das Licht mein Auge finden? A luz tornarei a enxergar?

42
ALGUMAS VOZES
(de dentro)

Bald, Jüngling, oder nie! Logo, jovem, ou jamais!

TAMINO

Bald, sagt ihr oder nie? - Logo, dizeis, ou jamais?


Ihr Unsichtbaren saget mir: Invisíveis seres, falai.
Lebt denn Pamina noch? Vive Pamina ainda?

ALGUMAS VOZES

Pamina lebet noch! Pamina vive ainda!

TAMINO

Sie lebt! Vive!


Ich danke euch dafür. Agradeço-vos por isso!

(Pega a flauta.)

O wenn ich doch im Stande wäre, Ah, se eu pudesse vos honrar,


Allmächtige, zu eurer Ehre, E com minha flauta expressar,
Mit jedem Tone meinen Dank A cada nota, a gratidão
Zu schildern, wie er hier, entsprang! Que ressoa em meu coração!

(Aponta para o coração. Toca. Imediatamente surgem animais


de toda espécie para escutá-lo. Quando Tamino pára de tocar, os animais fogem. Os pássaros cantam ao som da flauta.)

Wie stark ist nicht dein Zauberton, Que voz tão mágica e sonora!
Weil, holde Flöte, durch dein Spielen Doce flauta, tua melodia
Selbst wilde Tiere Freude fühlen. - Mesmo às feras traz alegria.
Doch nur Pamina bleibt davon. Só Pamina fica de fora.

(Toca.)

Pamina! höre, höre mich! Pamina! Escuta! Escuta a mim!


Umsonst! Em vão!

(Toca.)

43
Wo? ach, wo find’ ich dich? Onde encontrar-te enfim?

(Papageno responde, de fora, com sua flautinha.)

Ha, das ist Papagenos Ton! Ah, Papageno se aproxima!

(Toca. Papageno responde)

Vielleicht sah er Paminen schon! - Quem sabe já encontrou Pamina?


Vielleicht eilt sie mit ihm zu mir! - Quem sabe traz a minha bela?
Vielleicht - führt mich der Ton zu ihr! Quem sabe o som me leve a ela?

(Sai depressa.)

Cena XVI
PAPAGENO, PAMINA, sem correntes

PAPAGENO e PAMINA

Schnelle Füße, rascher Mut Lépidos pés, veloz bravura


Schützt vor Feindes List und Wut. Salvai-nos da inimiga fúria.
Fänden wir Tamino doch! Tamino temos de encontrar,
Sonst erwischen sie uns noch! Senão eles vão nos pegar.

PAMINA

Holder Jüngling! Belo moço!

PAPAGENO

Stille, stille! ich kann’s besser! Silêncio, que eu faço melhor!

(toca sua flauta.)

(Tamino responde de fora com a Flauta Mágica.)

PAPAGENO e PAMINA

Welche Freude ist wohl größer, Haverá alegria maior?


Freund Tamino hört uns schon, Nosso amigo já nos escuta;
Wolfgang Amadeus Mozart Chegou-nos o som de sua flauta.
Hieher kam der Flötenton. Que sorte se eu o encontrar!

44
Welch ein Glück, wenn ich ihn finde. Só tenho que me apressar!

(Apressam-se para sair.)

Cena XVII
Os mesmos. MONOSTATOS, depois os ESCRAVOS.

MONOSTATOS
(caçoando)

Nur geschwinde, nur geschwinde… Só tenho que me apressar!


Ha! - hab’ ich euch noch erwischt!Ha! Acabo de vos pegar.
Nur herbei mit Stahl und Eisen; Tragam ferros e correntes!
Wart, man will euch Mores weisen! Hei de educar essa gente;
Den Monostatos berücken! - Fazer Monostatos de parvo!
Nur herbei mit Band und Stricken, Rápido, as cordas, ó escravos,
He, ihr Sklaven, kommt herbei! Atendam logo ao meu pedido.

(ESCRAVOS entram com correntes.)

PAPAGENO E PAMINA

Ach, nun ist’s mit uns vorbei! Agora estamos perdidos!

PAPAGENO

Wer viel wagt, gewinnt oft viel! Quem não arrisca, não petisca!
Komm, du schönes Glockenspiel, Vamos, meus sinos queridos,
Laß die Glöckchen klingen, klingen, Toquem até sair faísca.
Daß die Ohren ihnen singen! Tintilando em seus ouvidos!

(Papageno toca seu instrumento. Os escravos saem dançando.)

MONOSTATOS E ESCRAVOS

Das klinget so herrlich, Laralá, lá, lá, laralá!


Das klinget so schön! Que som tão alegre!
La ra la, la la ra. Que som tão agradável!
Nie hab’ ich so etwas La ra la, la la ra.
Gehört und gesehn! Nunca vi nem ouvi algo tão formidável!
Laralá, lá, lá, laralá!

45
PAPAGENO E PAMINA

Könnte jeder brave Mann Talvez desaparecesse.


Solche Glöckchen finden, Assim ele viveria
Seine Feinde würden dann Na mais perfeita harmonia.
Ohne Mühe schwinden. Somente a calma amizade
Tivesse um homem consigo Traz tranquilidade.
Sinos iguais a esses, Só quando há tal simpatia,
Todo o seu inimigo Há felicidade.

Cena XIX
Os mesmos. Entra MONOSTATOS conduzindo TAMINO.

MONOSTATOS

Na, stolzer Jüngling; nur hieher! Jovem orgulhoso, entra,


Hier ist Sarastro, unser Herr. Eis Sarastro, nosso mestre.

PAMINA

Er ist’s, ich glaub’ es kaum. É ele! Mal posso acreditar!

TAMINO

Sie ist’s, es ist kein Traum. É ela! Não estou a sonhar!

PAMINA E TAMINO

Es schling mein Arm sich um ihn/sie her! Vou abraçá-lo (a) enfim!
Und wenn es auch mein Ende wär’! Nem que fosse o meu fim.

(Pamina e Tamino abraçam-se.)

TODOS

Was soll das heißen? O que significa isso?

MONOSTATOS

Welch eine Dreistigkeit! Com que audácia vos comportais!


Gleich auseinander, das geht zu weit! Apartai-vos, assim é demais!

(separa os dois jovens. Ajoelha-se diante de Sarastro.)

46
Dein Sklave liegt zu deinen Füßen, Rogo, aos pés do meu senhor,
Laß den verwegnen Frevler büßen! Castigo para um malfeitor.
Bedenk, wie frech der Knabe ist! O atrevido e jovem vilão,
Durch dieses seltnen Vogels List Com a astúcia de um falcão,
Wollt’ er Paminen dir entführen, Pretendia raptar Pamina.
Allein, ich wußt’ ihn aufzuspüren. Eu farejei a manha ferina!
Du kennst mich! - Meine Wachsamkeit - Bem me conheceis! Minha vigilância...

SARASTRO

Verdient, daß man ihr Lorbeer streut! … merece prêmios em abundância.


He, gebt dem Ehrenmann sogleich - Ei! Cobri de louros a testa honrada…

MONOSTATOS

Schon deine Gnade macht mich reich! Vossa graça já me vale. Mais nada.

SARASTRO

Nur sieben und siebenzig Sohlenstreich’. … e os pés com setenta e sete bastonadas.

MONOSTATOS

Ach Herr, den Lohn verhofft’ ich nicht! Senhor, não esperava tal premiação!

SARASTRO

Nicht Dank! es ist ja meine Pflicht! Qual! Não fiz mais que a obrigação!

(Monostatos é levado para fora.)

TODOS

Es lebe Sarastro, der göttliche Weise, Divino Sarastro! Ao sábio, longa vida!
Er lohnet, und strafet in ähnlichem Kreise. Premia e castiga na mesma medida.

SARASTRO

Führt diese beiden Fremdlinge Conduzi os dois estrangeiros


In unsern Prüfungstempel ein, Ao templo, onde serão provados.
Bedecket ihre Häupter dann - Cobri suas cabeças primeiro,
Sie müssen erst gereinigt sein. Pois devem ser purificados.

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(O ORADOR e o SEGUNDO SACERDOTE trazem capuzes, com os quais cobrem as cabeças de Tamino e Papageno.)

CORO FINAL

Wenn Tugend und Gerechtigkeit, Quando a virtude e a justiça,


Den Großen Pfad mit Ruhm bestreut, Cobrirem de glória a grande via,
Dann ist die Erd’ ein Himmelreich, A terra será como os céus,
Und Sterbliche den Göttern gleich. E cada mortal, como um deus.

Fim do ato I

Segundo Ato

O teatro representa um palmeiral, todas as árvores com troncos de prata e folhas de ouro. Dezoito cadeiras feitas de
folhas, e, sobre cada uma delas, uma pirâmide e um grande corne negro engastado em ouro. A pirâmide mais alta está no
centro, cercada pelas palmeiras mais altas.

Cena I

SARASTRO, O ORADOR e os demais sacerdotes entram solenemente, cada um trazendo uma palma na mão. Uma marcha
tocada por instrumentos de sopro acompanha a entrada dos sacerdotes.

Diálogo

SARASTRO
(depois de uma pausa)

- Ó Servos dos grandes deuses Osíris e Isis!


Em nossa importante assembléia de hoje nosso dever é estender a mão da amizade ao jovem que se dirige ao portão
norte de nosso templo.
O amável Tamino deve aliar-se a nós e, como iniciado ele será, em pessoa, a recompensa da virtude e o castigo do vício.

N° 10: ÁRIA COM CORO

SARASTRO

O Isis und Osiris, schenket Ó Isis e Osíris ofertai


Der Weisheit Geist dem neuen Paar! O dom do saber ao novo casal!
Die ihr der Wandrer Schritte lenket, Seus passos peregrinos orientai,
Stärkt mit Geduld sie in Gefahr. Fortalecei sua paciência ante o mal.

48
CORO

Stärkt mit Geduld sie in Gefahr. Fortalecei sua paciência ante o mal.

SARASTRO

Laßt sie der Prüfung Früchte sehen. Que colham os frutos dessa prova
Doch sollten sie zu Grabe gehen, Mas, se isso os levar até a cova,
So lohnt der Tugend kühnen Lauf, Premiai da virtude a jornada:
Nehmt sie in euren Wohnsitz auf! Acolhei-os na vossa morada.

CORO

Nehmt sie in euren Wohnsitz auf! Acolhei-os na vossa morada.

(Sarastro sai, os outros o acompanham.)

Cena II
Noite. Ao longe, rolar de trovões. O teatro se transforma em um pequeno átrio de um templo, onde se vêem vestígios
de colunas e pirâmides em meio a alguns arbustos espinhosos. De ambos os lados, altos praticáveis com velhas portas
egípcias que representam outros prédios anexos.

TAMINO e PAPAGENO são trazidos pelo ORADOR e por um SEGUNDO SACERDOTE, que lhes retiram os capuzes e saem.

Cena III

Diálogo

ORADOR
- Estrangeiros, que procurais aqui?

TAMINO
-Amizade e Amor.

ORADOR
-Estás pronto a dar a vida para conquistá-los? Aceitando todas as provas? Mesmo que resultasse em sua morte?

TAMINO
- Sim, cada uma delas.
(Papageno reage com desespero)
ORADOR
- Estende-me tua mão.

49
SEGUNDO SACERDOTE
(ao Papageno)
- Também quer lutar pelo amor ao saber?

PAPAGENO
- Eu me contento com comer, beber, e dormir.

SEGUNDO SACERDOTE
- Mas... e se Sarastro tivesse separado para você uma moça com roupas e cores iguaizinhas às suas. Jovem e bonita,
chamada Papagena?

PAPAGENO
- Essa eu gostaria de ver, por mera curiosidade.

SEGUNDO SACERDOTE
- Ver você pode.

PAPAGENO
- Mas depois que eu tiver visto, aí eu tenho que morrer?

(o sacerdote faz um gesto ambíguo.)

PAPAGENO
- Continuo solteiro.

SEGUNDO SACERDOTE
- Você vai vê-la, mas até que passe a prova, não pode falar uma palavra.
Será que tens força de vontade bastante para a prova?

PAPAGENO
- Tenho sim.

SEGUNDO SACERDOTE
- Dê-me sua mão.

ORADOR
(ao Tamino)
- Príncipe, também verás Pamina, mas não deve falar
com ela. Aqui tem início o templo das provas.

50
N° 11: DUO

ORADOR e o SEGUNDO SACERDOTE

Bewahret euch vor Weibertücken, Guardai-vos da astúcia da mulher:


Dies ist des Bundes erste Pflicht; Nessa união é o primeiro dever.
Manch weiser Mann ließ sich berücken, Muito sábio já se enganou;
Er fehlte und versah sich’s nicht. Sem se dar conta, pecou.
Verlassen sah er sich am Ende, Ao final, tornou à solidão.
Vergolten seine Treu mit Hohn! - Fidelidade virou desprezo!
Vergebens rang er seine Hände, Em vão estorceram-se-lhe as mãos;
Tod und Verzweiflung war sein Lohn. Seu prêmio foi morte e desespero.

(Saem os dois sacerdotes.)

Cena IV

Diálogo

PAPAGENO
- Ei! Apagaram a luz denovo?!

Cena VII

O teatro transforma-se em um belo jardim, com árvores distribuídas em forma de ferradura. No centro, um canteiro de flores e
rosas, onde dorme Pamina; a lua ilumina-lhe o rosto. À frente, um banco de relva.

MONOSTATOS entra e senta-se, após uma pausa.

Diálogo

MONOSTATOS
- Ah! Aí está a esquiva beldade. E foi por causa dessa plantinha que eu quase apanhei na planta dos pés!

N° 13: ÁRIA

Alles fühlt der Liebe Freuden, Todos desfrutam do amor,


Schnäbelt, tändelt, herzt und küßt - Beijam e namoram com ardor.
Und ich sollt’ die Liebe meiden, Não posso ter tal anseio,
Weil ein Schwarzer häßlich ist! Só porque um negro é feio!
Ist mir denn kein Herz gegeben, Não terei um coração?
Bin ich nicht von Fleisch und Blut? - Sou também de carne e osso:
Immer ohne Weibchen leben Sem mulher, viver não posso,
Wäre wahrlich Höllenglut. Ou me consome a paixão.

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Drum so will ich, weil ich lebe, Quero, pois, já que estou vivo,
Schnäbeln, küssen, zärtlich sein! - Beijos, namoros, sorrisos.
Lieber guter Mond, vergebe, Perdoa-me, doce lua,
Eine Weiße nahm mich ein. Uma branca me fez sua.
Weiß ist schön - ich muß sie küssen. O brando eu quero beijar,
Mond! verstecke dich dazu! - Ó lua, esconde-te pois!
Sollt’ es dich zu sehr verdrießen, Se isso te contrariar,
O so mach’ die Augen zu. Fecha os olhos para nós dois!

(Lentamente avança para PAMINA.)

Cena VIII

Os mesmos. Ao som de trovões, do alçapão central, surge A RAINHA DA NOITE bem diante de PAMINA.

Diálogo

RAINHA DA NOITE
- Para trás!

(Monostatos esconde-se)

PAMINA
-Mãe! Mãe! Minha mãe!

RAINHA DA NOITE
-Onde está o jovem que enviei a você?

PAMINA
-Consagrou-se aos iniciados. Também meu pai estava ligado a esses homens sábios.

RAINHA DA NOITE
-O que estou ouvindo? Como pode você, minha filha, considerar esses bárbaros?
Sua mãe nem pode mais proteger você. Seu pai levou meu poder com ele para a tumba quando deliberadamente legou
aos iniciados o poderoso Círculo do Sol de Sete Raios que Sarastro traz em seu peito.
Está vendo este punhal? Foi forjado para Sarastro! Você deve matá-lo e trazer o poderoso Círculo do Sol para mim.

PAMINA
-Mas minha mãe adorada!

RAINHA DA NOITE
- Nem mais uma palavra!

52
N° 14: ÁRIA

RAINHA DA NOITE

Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen, Arde em meu peito a vingança infernal,
Tod und Verzweiflung flammet um mich her! Sinto morte e desespero a me inflamar!
Fühlt nicht durch dich Sarastro Todesschmerzen, Se não matar Sarastro o teu punhal,
So bist du meine Tochter nimmermehr! De filha nunca mais vou te chamar.
Verstoßen sei auf ewig, verlassen sei auf ewig, Serás banida e abandonada à própria sorte,
Zertrümmert sei’n auf ewig alle Bande der Natur, Rompidos serão, para sempre, os laços naturais,
Wenn nicht durch dich Sarastro wird erblassen! Se não levares Sarastro à sua morte!
Hört, Rachegötter, - hört! der Mutter Schwur! Deuses, ouvi as juras maternais!

(desaparece no alçapão.)

Cena IX

PAMINA, só, com o punhal nas mãos. Depois, MONOSTATOS, saindo do esconderijo

Diálogo

PAMINA
-Matar, eu? Não sou capaz!

(PAMINA fica pensativa. MONOSTATOS vai começar a falar com malícia, mas é interrompido por SARASTRO)

Cena XII
Os mesmos. SARASTRO

N° 15: ÁRIA

SARASTRO

In diesen heil’gen Hallen Nessa sagrada morada,


Kennt man die Rache nicht! A vingança é ignorada.
Und ist ein Mensch gefallen, Se um homem aqui se perder
Führt Liebe ihn zur Pflicht. O amor o guiará ao dever.
Dann wandelt er an Freundes Hand E uma mão amiga lhe assegura
Vergnügt und froh ins bessre Land. Terras de melhor ventura.
In diesen heil’gen Mauern, Entre esses muros sagrados
Wo Mensch den Menschen liebt - Homens amam e são amados.
Kann kein Verräter lauern, Aqui não espreita a traição,
Weil man dem Feind vergiebt. Pois o inimigo tem perdão.
Wen solche Lehren nicht erfreun, Quem não fruir de tal preceito

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Verdienet nicht ein Mensch zu sein. A ser homem não tem direito.

(Saem)
Cena XIII

O teatro se transforma num grande salão onde pode pairar uma glória arnada de flores e rosas e onde há uma porta que
se abrirá em seguida. Na frente, dois bancos de jardim.

TAMINO e PAPAGENO, de cabeças cobertas, são conduzidos pelo ORADOR e pelo SEGUNDO SACERDOTE

Diálogo

ORADOR
-Por ora fiquem aqui. Entrem ao soar dos trombones. E mais uma vez: Silêncio!

Cena XIV

PAPAGENO
-Tamino

TAMINO
-psshh!

PAPAGENO
(reclamando)
-Se eles não dão para a gente nem uma gota d’água, quanto mais outra coisa.

Cena XV
(entra Papagena com um copão d’água)
PAPAGENO
-É para mim?

PAPAGENA
-É sim, meu anjo.

PAPAGENO
(lamentando)
- ... Água.

(fitando-a longamente)
... Me diga, quantos anos a senhora tem?

54
PAPAGENA
-Dezoito anos e dois minutos.

PAPAGENO
-Hahaha! Tão novinha! E você tem namorado?

PAPAGENA
-Sim. É o Papageno!

PAPAGENO
(assusta-se; depois de uma pausa...)
-Então me diga qual é o seu nome!

PAPAGENA
-Eu me chamo…
(Forte rumor de trovão. Papagena sai mancando)

Cena XVI

Os mesmos, OS TRÊS GÊNIOS aparecem pairando numa glória toda enfeitada de rosas, trazendo uma mesa muito bem
servida. Um deles traz a flauta; um outro, a pequena arca com o carrilhão.

N° 16: TRIO

OS TRÊS GÊNIOS

Seid uns zum zweiten Mal willkommen, Pela segunda vez, bem-vindos,
Ihr Männer in Sarastros Reich! Senhores, ao reino de Sarastro,
Er schickt, was man euch abgenommen, Que vos devolve a flauta e os sinos,
Die Flöte und die Glöckchen euch. Tomados de vós em seu átrio.
Wollt ihr die Speisen nicht verschmähen, A comida não desprezeis:

So esset, trinket froh davon! - Comei e bebei a fartar,


Wenn wir zum dritten Mal uns sehen, Se nos virmos mais uma vez
Ist Freude eures Mutes Lohn! Será p’ra vitória brindar.
Tamino, Mut! - Nah ist das Ziel! Tamino, coragem, estás perto!
Du, Papageno! schweige still! Você, Papageno, fique quieto!
(Durante o trio, os gênios põem a mesa no centro do palco, e saem voando)

Cena XVII

Diálogo

PAPAGENO
-Tamino, não vai comer?
(Tamino tocando sua flauta)
55
PAPAGENO
-Assim é fácil ficar de boca calada.
(bebe)
... Ah! Esse vinho é dos deuses!

(Tamino para de tocar.)

Cena XVIII
Os mesmos. PAMINA

PAMINA
(alegre)
-Bons deuses! Ouvi a flauta e logo vim!

(Tamino suspira)
PAMINA
-Mas estás triste?

(Tamino faz sinal para que ela se vá)

PAMINA
-Doce Tamino, eu te magoei? Não me amas mais?... Papageno, o que houve?

(Papageno de boca cheia, segura com as duas mãos a comida e faz sinal para que ela se vá)

PAMINA
-Ah, você também... isso é pior que a morte!

N° 17: ÁRIA

PAMINA

Ach, ich fühl’s, es ist verschwunden! Ah, eu sinto que se acabou


Ewig hin der Liebe Glück! Para sempre a alegria do amor!
Nimmer kommt ihr Wonnestunden Foram-se as horas de paixão
Meinem Herzen mehr zurück! Que alegravam meu coração.
Sieh Tamino! diese Tränen, Olha essas lágrimas, Tamino,
Fließen Trauter dir allein! Correm por ti, meu menino.
Fühlst du nicht der Liebe Sehnen Se o teu amor não é mais tão forte,
So wird Ruh’ im Tode sein! Meu repouso será a morte.

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(Sai.)

Cena XIX
TAMINO, PAPAGENO.

Diálogo

PAPAGENO
(comendo vorazmente)
-Viu Tamino? Eu também sei me calar quando é preciso. É, numa situação dessas eu sou homem.

(triplo acorde dos trombones. Tamino faz sinal à Papageno para que o acompanhe)

PAPAGENO
-Vá na frente, eu vou depois.

(Tamino tenta força-lo a sair)

PAPAGENO
- O mais forte fica.

(Tamino sai.)

Cena XXIII

PAPAGENO, O ORADOR, com sua pirâmide.

ORADOR
(ao Papageno)

- Homem! Você bem que merecia vagar eternamente pelas tenebrosas profundezas da Terra;
Os bons deuses, porém, retiraram seu castigo. Mas não desfrutará dos prazeres celestes dos iniciados.

PAPAGENO
-O maior prazer agora seria um bom copo de vinho.

ORADOR
-Logo será servido.

PAPAGENO
-Celestial!... Que sensação maravilhosa no meu coração!
Eu queria... Eu gostaria.. Bem de que?

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N° 20: ÁRIA
PAPAGENO
(Toca em seu carrilhão.)

Ein Mädchen oder Weibchen Uma moça ou mulherzinha


Wünscht Papageno sich! Quer Papageno para si!
O so ein sanftes Täubchen Oh, uma doce rolinha,
Wär’ Seligkeit für mich! Seria a glória para mim!
Dann schmeckte mir Trinken und Essen, Aí, com prazer comeria!
Dann könnt’ ich mit Fürsten mich messen, Igual a um rei beberia!
Des Lebens als Weiser mich freun, Gozando a vida com juízo,
Und wie im Elysium sein. Como se fosse num paraíso.
Ein Mädchen oder Weibchen Uma moça ou mulherzinha
Wünscht Papageno sich! Quer Papageno para si.
O so ein sanftes TäubchenOh, uma doce rolinha
Wär’ Seligkeit für mich! Seria a glória para mim!
Ach kann ich denn keiner von allen Ah, não haverá quem eu possa
Den reizenden Mädchen gefallen? Amar dentre tão lindas moças?
Helf ’ eine mir nur aus der Not, Se nenhuma me socorrer,
Sonst gräm’ ich mich wahrlich zu Tod. Até a morte eu vou padecer.
Ein Mädchen oder Weibchen Uma moça ou mulherzinha
Wünscht Papageno sich! Quer Papageno para si.
O so ein sanftes Täubchen Oh, uma doce rolinha
Wär’ Seligkeit für mich! Seria a glória para mim!
Wird keine mir Liebe gewähren, Se ninguém disser que me ama,
So muß mich die Flamme verzehren, Vou me atirar entre as chamas!
Doch küßt mich ein weiblicher Mund, Mas se uma mulher me beijar,
So bin ich schon wieder gesund. A saúde vou recuperar!

Cena XXIV
PAPAGENO, A MULHER VELHA entra, dançando, apoiada em sua bengala.)

Diálogo

PAPAGENA
-Estou aqui, meu anjo!

PAPAGENO
-Que sorte.

PAPAGENA
-Venha. Me dê sua mão como penhor de nossa união.

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PAPAGENO
-É melhor uma mulher velha do que mulher nenhuma.
Aqui está minha mão, com a garantia de ser sempre fiel ... a você...
(à parte)
... até encontrar uma mais bonitinha.

PAPAGENA
-Jura?

PAPAGENO
-Juro!
(a Papagena se transforma em Papagena)

PAPAGENO
-Pa... Pa... Papagena!
(tenta abraçá-la)

Cena XXV
Os mesmos. O ORADOR.

ORADOR
-Afaste-se mocinha. Ele ainda não merece você.
(Empurra-a para fora e Papageno tenta ir atrás)

ORADOR
-Para trás, Papageno, ou pode começar a tremer!

PAPAGENO
- Para trás coisa nenhuma! Nem que a terra me engula!

(Saem.)

Cena XXVIII
O teatro se transforma em duas grandes montanhas. De uma delas, cai uma cachoeira, cujo estrondo é audível; a outra
expele fogo. Em cada uma das montanhas há uma grade, através das quais se vê respectivamente, água e fogo. Onde arde
o fogo, o horizonte deve ser vermelho claro e onde está a água de haver um nevoeiro escuro. Duas portas de ferro fecham
as entradas para o interior de dois rochedos que se erguem próximos às grades. TAMINO veste roupas leves, está sem san-
dálias, e é conduzido por dois homens, vestidos de armaduras negras e com elmos em cujo topo ardem chamas. OS DOIS
HOMENS DE ARMADURA lêem para Tamino as inscrições transparentes que se encontram sobre uma pirâmide situada ao
centro, bem no alto, perto das grades. Depois, PAMINA.

N° 21: ÁRIA

59
HOMENS COM ARMADURA

Der, welcher wandert diese Straße voll Beschwerden, Quem trilhar a estrada que tanto perigo encerra,
Wird rein durch Feuer,Wasser, Luft und Erden. Será purificado por fogo, água, ar e terra;
Wenn er des Todes Schrecken überwinden kann, Quando o terror da morte ele sobrepujar,
Schwingt er sich aus der Erde himmelan! Da terra até océu se há de elevar.
Erleuchtet wird er dann im Stande sein, Iluminado, então, pode entregar-se
Sich den Mysterien der Isis ganz zu weih’n. A Ísis e, aos seus mistérios, consagrar-se.

TAMINO

Mich schreckt kein Tod, als Mann zu handeln, Não temo a morte e com bravura,
Den Weg der Tugend fortzuwandeln! Prossigo a virtuosa aventura.
Schließt mir die Schreckenspforten auf Abram--se as portas do terror;
Ich wage froh den kühnen Lauf. Empreendo a marcha com ardor.

PAMINA
(de fora)

Tamino halt! ich muß dich sehn! Tamino! Espera! Quero ver-te, amigo.

TAMINO

Was hör’ ich? Paminens Stimme? O que foi? A voz de Pamina?

HOMENS COM ARMADURA

Ja ja, das ist Paminens Stimme! Foi, sim, foi a voz de Pamina.

TAMINO E HOMENS COM ARMADURA

Wohl mir/dir, nun kann sie mit mir/dir gehn! Que alegria, ela pode vir/ir comigo/ contigo.
Nun trennet uns/euch kein Schicksal mehr, Nem o destino irá nos/vos separar,
Wenn auch der Tod beschieden wär’. Mesmo que a morte venha nos/vos levar!

TAMINO

st mir erlaubt mit ihr zu sprechen? Posso, então, falar com ela?

HOMENS COM ARMADURA

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Er ist erlaubt mit ihr zu sprechen! Podes, sim, falar com ela.

TAMINO E HOMENS COM ARMADURA

Welch Glück, wenn wir uns/euch wiedersehn, Que bom que será nos/vos reencontrarmos!
Froh Hand in Hand in Tempel gehn. E ao templo, de mãos dadas, caminharmos.
Ein Weib, das Nacht und Tod nicht scheut, Uma mulher que a noite e a morte desafia,
Ist würdig und wird eingeweiht. É digna de nossa confraria.

(A porta é aberta; Tamino e Pamina se abraçam.)

PAMINA

Tamino mein! o welch ein Glück! Tamino! Que felicidade!

TAMINO

Pamina mein! o welch ein Glück! Pamina! Que felicidade!


Hier sind die Schreckenspforten, Eis os terríveis portais
Die Not und Tod mir dräun. Que encerram perigos mortais.

PAMINA

Ich werde aller Orten Não importa em que lugar,


An deiner Seite sein - Ao teu lado hei de estar.
Ich selbsten führe dich - Eu mesma te guiando,
Die Liebe leite mich! O amor me orientando.

(nimmt ihn bei der Hand)

Sie mag den Weg mit Rosen streun, Rosas cobrirão teus caminhos,
Weil Rosen stets bei Dornen sein. Pois rosas sempre vão com espinhos.
Spiel du die Zauberflöte an, Toca tua flauta encantada;
Sie schütze uns auf unsrer Bahn. Que ela nos guarde pela estrada.
Es schnitt in einer Zauberstunde Meu pai, num instante de magia,
Mein Vater sie aus tiefstem Grunde Talhou-a na madeira fria
Der tausendjähr’gen Eiche aus, De um carvalho milenar,
Bei Blitz und Donner - Sturm und Braus. - Com a tempestade a trovejar.
Nun komm und spiel die Flöte an! Vem, toca tua flauta encantada,
Sie leite uns auf grauser Bahn. Que ela nos guie na horrível estrada

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TAMINO, PAMINA E HOMENS COM ARMADURA

Wir wandeln/Ihr wandelt durch des Tones Macht Que o alegre som nos/vos transporte
Froh durch des Todes düstre Nacht. Pela escura noite da morte.

(As portas se fecham atrás deles. Vê-se Pamina e Tamino caminharem; ouve-se o crepitar do fogo, o zunir do vento e, por
vezes, também o som abafado de trovões e ruído d’água. Tamino toca sua flauta; alguns toques de tímpanos acompa-
nham, por vezes, ao fundo. Logo que saem do fogo, Pamina e Tamino abraçam-se e ficam no centro.)

TAMINO E PAMINA

Wir wandelten durch Feuergluten, O fogo nós atravessamos,


Bekämpften mutig die Gefahr, Fortes, o perigo enfrentamos.
Dein Ton sei Schutz in Wasserfluten, Teu som das águas nos guarde,
So wie er es im Feuer war. Como fez com o fogo que arde.

(Tamino toca. Vê-se Tamino e Pamina descerem e, depois de algum tempo, tornarem a subir. Imediatamente abre-se um
porta, através da qual se vislumbra a entrada de um templo claramente iluminado. Silêncio solene. Esta visão deve repre-
sentar algo de esplendoroso. Logo o coro começa a cantar em meio a tímpanos e trompetes. À frente, Tamino e Pamina.)

TAMINO E PAMINA

Ihr Götter, welch ein Augenblick! Ó deuses! Estamos felizes!


Gewähret ist uns Isis’ Glück! Ganhamos a graça de Ísis!

CORO

Triumph,Triumph! du edles Paar, Vitória! Nobre casal! Vitória!


Besieget hast du die Gefahr! Vencestes todos os perigos!
Der Isis Weihe ist nun dein! Ísis vos cobrirá de glória!
Kommt! tretet in den Tempel ein! Vinde! Entrai no templo, amigos!

(Todos saem.)

Cena XXIX

O teatro transforma-se no mesmo jardim de antes. PAPAGENO, depois OS TRÊS GÊNIOS. Finalmente, PAPAGENA.

Diálogo

PAPAGENO
-Morrer faz o amor ter fim. Boa noite mundo cruel!...

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Belas donzelas, socorro!
... Nada escuto... Espero ainda uma vez, até contar: Um, dois, três.
(Chama, com su flautinha)

eins,
(Toca.)

zwei,
(Toca.)

drei!…
(Olha em torno de si.)

ÁRIA DO PAPAGENO
(A partir do corte)

Nun wohlan! es bleibt dabei! Pois bem, fico no três!


Weil mich nichts zurücke hält, Nada mais há sob o céu.
Gute Nacht, du falsche Welt! Boa noite, mundo cruel!

(Vai enforcar-se.)

OS TRÊS ESPÌRITOS
(Descem voando.)

Halt ein! o Papageno, und sei klug! Pare, ó Papageno, seja prudente!
Man lebt nur einmal, dies sei dir genug! Só se vive uma vez; não vá em frente.

PAPAGENO

Ihr habt gut reden, habt gut scherzen; Podem falar e até zombar;
Doch brennt’ es euch, wie mich im Herzen, Mas, se essa febre os queimasse,
Ihr würdet auch nach Mädchen gehn. Atrás de moça iriam andar.

OS TRÊS GÊNIOS

So lasse deine Glöckchen klingen,


Dies wird dein Weibchen zu dir bringen.
Deixe soarem seus sininhos,
Sua amada virá direitinho.

PAPAGENO

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Ich Narr vergaß der Zauberdinge! Esqueceu dos sinos, seu louco?
Erklinge Glockenspiel, erklinge, Sinos mágicos, toquem um pouco!
Ich muß mein liebes Mädchen sehn! Tenho que ver meu bem-querer.
Klinget Glöckchen klinget, Toquem, sinos, toquem,
Schafft mein Mädchen her! - Tragam a minha amada,
Klinget Glöckchen klinget, Toquem, sinos, toquem,
Bringt mein Weibchen her! Por minha namorada.

(Ao soar dos sinos, os três gênios correm até sua glória e trazem de lá Papagena.)

OS TRÊS GÊNIOS

Nun, Papageno, sieh dich um!


Papageno, olhe pr’a cá!...

(Papageno olha em torno de si; os dois têm uma atuação cômica durante o ritornello.)

PAPAGENO

Pa-Pa-Pa-Pa-Papagena!

PAPAGENA

Pa-Pa-Pa-Pa-Papageno!

PAPAGENO

Bist du mir nun ganz gegeben? Você todinha pra mim?

PAPAGENA

Nun bin ich dir ganz gegeben. Sou sua todinha, sim!

PAPAGENO

Nun so sei mein liebes Weibchen! Seja então a minha mulherzinha!

PAPAGENA

Nun so sei mein Herzenstäubchen! Seja, então, o meu pombinho!

PAPAGENO E PAPAGENA

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Welche Freude wird das sein, Que alegria será a nossa
Wenn die Götter uns bedenken, Se os deuses lembrar-se possam
Unsrer Liebe Kinder schenken, De nos darem de presente
So liebe, kleine Kinderlein! Criancinhas sorridentes!

PAPAGENO

Erst einen kleinen Papageno! Primeiro, um pequeno Papageno!

PAPAGENA

Dann eine kleine Papagena! Depois, uma pequena Papagena!

PAPAGENO

Dann wieder einen Papageno! E mais outro Papageno!

PAPAGENA

Dann wieder eine Papagena! E mais outra Papagena!

PAPAGENO E PAPAGENA

Papagena! Papageno! Papagena! Papagena! Papageno! Papagena!


Es ist das höchste der Gefühle, É o sentimento mais bonito,
Wenn viele, viele, viele, viele, Quando muitos, muitos, muitos, muitos,
Pa-Pa-Pa-Pa-geno, Pa-Pa-Pa-Pa-geno,
Pa-Pa-Pa-Pa-gena, Pa-Pa-Pa-Pa-gena,
Der Eltern Segen werden sein. Forem a benção dos seus pais

(saem os dois.)

Cena XXX
MONOSTATOS, A RAINHA DA NOITE, e AS TRÊS DAMAS surgem dos dois alçapões;
Carregam tochas negras nas mãos.

TODOS

Nur stille! stille! stille! stille! Silêncio! Silêncio! Silêncio!


Bald dringen wir im Tempel ein! No templo, já vamos entrar.

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MONOSTATOS

Doch, Fürstin! halte Wort! erfülle! Cumpri a promessa, majestade:


Dein Kind muß meine Gattin sein! Vossa filha vou desposar.
A RAINHA DA NOITE

Ich halte Wort! es ist mein Wille, Eu cumprirei; é minha vontade:


Mein Kind soll deine Gattin sein! Minha filha vais desposar.

AS TRÊS DAMAS

Ihr Kind soll deine Gattin sein! Sua filha vais desposar.
(Ouvem-se surdo rolar de trovões e ruído de água.)

MONOSTATOS

Doch still, ich höre schrecklich Rauschen, Silêncio! Ouço um horrível clamor,
Wie Donnerton und Wasserfall. Como trovão e queda d’água.

A RAINHA DA NOITE E AS TRÊS DAMAS

Ja, fürchterlich ist dieses Rauschen, Sim, um ruído assustador,


Wie fernen Donners Widerhall! Como longínqua trovoada!

MONOSTATOS

Nun sind sie in des Tempels Hallen. No templo estarão reunidos.

TODOS

Dort wollen wir sie überfallen, Lá serão por nós surpreendidos.


Die Frömmler tilgen von der Erd’ E a beatice, da terra, estirpada
Mit Feuersglut und mächt’gem Schwert! Com o poder do fogo e da espada.

AS TRÊS DAMAS E MONOSTATOS

Dir, große Königin der Nacht, Ó grande Rainha da Noite,


Sei unsrer Rache Opfer gebracht! Da vingança, sêde o açoite.

(Ouve-se um altíssimo acorde: trovões, raios, tempestade.)

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Cena Final

Imediatamente, todo o teatro se transforma num grana sol. SARASTRO eleva-se por sobre os demais; TAMINO e PAMINA,
em vestes sacerdotais. Junto deles, os sacerdotes egípcios de ambos os lados. OS TRÊS GÊNIOS trazem flores.

MONOSTATOS, A RAINHA DA NOITE e AS TRÊS DAMAS

Zerschmettert, zernichtet ist unsere Macht, Nosso poder, foi esmagado e aniquilado,
Wir alle gestürzet in ewige Nacht! Todos nós à noite eterna confinados.

(Desaparecem no alçapão.)

SARASTRO

Die Strahlen der Sonne vertreiben die Nacht, Foi a noite expulsa pelo fulgor do dia,
Zernichten der Heuchler erschlichene Macht. Que anulou o falso poder da hipocrisia.

CORO DOS SACERDOTES

Heil sei euch Geweihten! Glória aos iniciados!


Ihr dränget durch Nacht! Da noite, vencedores!
Dank sei dir, Osiris! A Ísis e Osíris
Dank dir Isis gebracht! Graças e louvores!
Es siegte die Stärke A força triunfou,
Und krönet zum Lohn E por prêmio, abençoa
Die Schönheit und Weisheit O Saber e a Beleza
Mit ewiger Kron’!! Com eterna coroa.

FIM

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PATROCÍNIO APOIO APOIO INSTITUCIONAL REALIZAÇÃO

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