Você está na página 1de 29

col.

qarir

§{ísÉôr§a
Iisser**ilrl da
FiÊos*tía
,v'
lffi

Kem§§dmde

\u l* 1-l

pu' ülavo de Calvalho

§,
olavo de Carvalho, nesia aula en qü. falâ dâs
tef,sóes exisrefles entre lógica e reali.lade, chLle
os mÍndos da idéia e da experiência, entrc o
.ôhhê.imenlô da existência é o da cssancia. diz
que em Asosiinho 'a certeza qü. o cogilô 1em de
si mesmo náo é completa, c{imo cm Descailes,
ÂSostinho obseNa: "Eu sei quc soui úâs náô sei o
que sou ( ..) e muiio m€nos conhcço ó pôrqúê desta

Olavo evoca Descdt.s, sanlo À8os1inho, a


nlosofia islâmica, Santó Tôúás de Áqúino e tantos
oulros para disculirà pontc d.sde ô eü at.r o mundo
exterior que há séculos o hómcú ieíta conslruir

"Olavo de Carvalho é o
mais importante pensador
brasileiro hoje."
\vagner Carclli

"Filósofo de grande emdiçâo."


RobeÍto Campos

"Um gigante "


Bruno Tolentino

"Olavo de Carvalho se
destaca porque pensa,
rellete,eédeumâ
honestidade intelectual
que chega a ser cruel."
CaÍlos Heitor Cony

"Loüvo a comgem e lucidez


de suas idéias e a maneira
admirável com que as expóe."

lilnililuilill Herberto Sales

Esta publicagão vem acompânhadâ de um D\.'D,


qúe ráo Dode ser vêrdido sepâÍadamente.
Idéia versus Realidade
Aula 14

por Olavo de Carvalho

coleçáo

História
Essencial da
Filosofia
Idéia ,eNes Realidade

por Olavo de Catrauro

coleçáo História Esenciat da Filosoiia

esla públicaçáo un DVD,


^companha
que náo pode servendido separadamenle.

Impresso no Brasil. setembrc dc 2005


Coptright O 2005 by Olâvo de CaNâlhô

Foto Olavo de CNdho

Ediror
Edson Manoel de oliveira lllho

Monlque Schcnkds c Dagmar Rizzolo


Idéia versus Realidade
Dagui Desigr Aula 14

por Olavo de Carualho


Tc.ezâ Maria Lourenço Perein

Os direilos autorais dessa edição pearencem à coleção


É Realizaçôes Editora. Llvraria e Distribuidora Ltda. História
CEP:04010-970 Sao Paulo SP Essencial da
Telelu: (11) s572 5363
F-,'ail' e@ eEal.zacoe -om br
\I/w.erealizacoes.com.br
Filosofia
nesêNídds todls!sdiritos desla obra Preibldatodae qualquer reprcduçâo deía edição
por quâlquer meio ou lorma sejâ elà eletrônica or mecânica. fotocópiâ. grârâ9áo oú qúalquer
.rÜ
2005
Coleçáo Históriâ Essencial da Filosolia
Idéia uers s Realidade - Aula 14
por Olavo de Carvalho

Eu tinh.r prometido explicar um pouco melhor sobrc Santo


Àgoslinho. Hâvia falado apenas do cogilo. comparado coff o úogÍo
cârtesiâno. A principal dilerença enirc o cogil., cartesiano e o âgosii
niâno é que. no cârtesiano, quando o ez/ consciente chegê a constatar
sLrâ própriâ €xistôncia. ater a intuiçáo patenie. inegável de sua própria
c\istôncia - ao menos nír momento em qrle está pensando precisamen-
tc isto , ele descobre quc desta certeza nâo erdste ponte para nenhulnâ
outrâ referentc ao rnundo exterior Ou seja: da existência do eu nâo se
podc sequer deduzir â existência de uln cosmos, quanto mais o edilício
inleiro das ciências. E ó a isso que Descârtes pretendia ter chegado no

Tcndo chegado a este ponto. tendo entrado ncÍa iaula do ego cons
ciente, que iem rcncza absoluta de si mas nào pode chegar ao conhe-
cimento dc nada mais, Desúrtes náo vé oütra saida senáo apclar à 1é.

quc é o que ele havia abandonado logo no comcÇo. Havia prometido


a si mesmo nada aceitar qüc náo l'osse demonstrável e, quando chega
llcsse ponio, para fazer a ponte entre o ego e o mundo exterior, apcla à
crcnça bíblica de qlre Deus é bom e de que, tendo criado o mundo em
voltê de si, Ele náo ialazer isso com o propósito mâlicioso de engâná lo.
Por conta da credibilidade de Deus. é aceito o ffundo extcrior c cntáo
sc reconstrói, partindo desses elementos mcio racionais. meio de 1é, o
cdilício das ciências.
Em Agostinho náo é assim. Nele, a certeza que o cogÍo tem d€
si mesno. em prineir) lugaÍ, náo é uma ccrtcza completa, cono em
l)escartes. PêÍa Descârics, a "coí:ito erg,o ston" é o p ncipio de todas
as roisas, a pra ccr1.7a iniciàl c au(o suricicnlc Mas Agostjnho obser ir rrlilrha vcrdadcira naiurczê, Â minha vcrdadcirâ origenr. quc subsisle

',,.Ê. r'. lr.,.i1u..\,r,..,..rq. ir rr,!I'r'i,r' q..\i (lcrtio (ic rnlnr. pcrmanccc dcntro dc mim conro trm mistérlo'
ou scjt'. conheço â minhâ ()iistanciâ, mas não a rninha consistôncia l)css. cilo r\gosljnho vâi tirar ainda urnas outras coisas llle pcrccbc
oir essência. c rnuito nrenos conhcqo o porquê dcsta exiÍênci.r". Quer {tuc. .omo un1 conponctrtc dcsse nrcsrno cgo conscicnte. e\istc o c{rnhe
dizcr: cu sci írllr so'1. mâs nrio sci í) ./!, soLr c rnuito nrcnos o porqrli ii ncntodcccrtasidéiasele.nas,connr.porerernplô.oprincipiod.idcn-
solr Nío olrstante, csla ccúcza dc !rLc cLL sciqr/ sou c dc qLLc nâo sci li(LLdc ou os princílios da aritrnética ele rentar c da geoneiria. Sabc-se

a que sor n(.nt o potquê solr tr7 quc cssc cgo ulrosliniano tcnha unlâ tLrc ma iglral rurncqueurn lnâls umóigualtldois, ctanlbélnse

'.rnlL. i, tr1'bl' n. ,r,-, 1,r., . t.rrr.t,xr.,r..1,r r',...ts',.'r ..ro ', srbc que êssâs idói.rs sáo indcPcodcnlcs cla crisrôncia ienrPo.al Elâs
crrrega lnr sl Lrln lorte clemcnto dc Dristaifio. quc ó üm conlponcntc \rio.lc ccrto mo.lo c(ernas c Lncondicionadas. ou §eja, rrânsccndenr
intctno Cotrro essc cgo sabc que a. mas nro srLbc o qlrc a rrelll o porquê rliritâmcnte o rr)do dc cxislência do próprio.?,
ó, clc tânrbónr sabc quc clc mL\rno não ó lun.lârrelto.le si próprio. o .r/ conscicntc sabe que é rclnporal, sabe qlre ó rlx)rtâI. s.rbc quc
poi§ sc dcscobre conro cristcntc, a partir dc rrrr ccto nnnncnto. scm L.ri uinâ tbrmâ.lc exisiôncia contingenle c, âo mcsnlo lcr.po, carrcgâ
tcr tido â rrenor idéia dc oncle veio. I,lni Lo clc sabc qlre nào é autLrr ou ( .rrt11) dc si lláo $rnclrtc o n1is(érir) dc suâ orige , Inas tâlrbóm es§es

ca'rsâ dc si nrcsmo (,)rhccinrenlos quc. náo estand(, condiciLrnados à loflna dc exislência


Nessa eslmlura do ego. t.Ll como o vê cristc uln choquc r,,'t*, , o, prut riu.Ê, 'n o,J'rr rr urrgrrr n' ''írr( rr. rrr'..riu
cntrc Lrrnâ
^gostmllo,
paúe qrre é auio evidenic e oulra paúc que é tLrtâlmentc tk suâ origcnl. O honrcrn sabe coisas quc clc, por si. conro scr tcnpo
nistcriosa c qnc rcqucr â prcscnL_â de Lrrnâ causa dcscr)nhecidr lUas rf l. nao Doderia sabcr, e ao nlesrro tcmpo sabe que o qrc clc sabe de sl
cstr causâ dcscofhccida não ó inicr|a. pois o mistório da câusa do ca ,rcsB) csiá condicionâ.lo à sua cxisiência e pírica tcnrporal De ondc
làz paÍc dc sua fr(a)priâ eslrulurâr onLle qucr quc um scr humanL, des ,1. iirou cssas idéias ctcrnâs? Só podc scr da p.Lrie .lesco|hecida. e
oubra qLrc cxistc, quc tomc consciôncia.lc.luc exisie, ele. na rnesnra ( ssa parie desconhccidâ tanbéIn não ó tdalnlen le .lcsconhcci.tâ, por
hora, tL,mâ consciênciâ do scu cârátcr problcmático c dc ccdo modo ,t1 ( olgo de Etcrnidâde se conhccc.
incolrpleto üe sabe que aquilo que sabe ntLo é o todo do que cle ó.
Carrcga dcntm dc sio mistório dc suâ calrsa, rnas esse nristério é uni t\lü1a: Vacê potle àat al\uns ercnpLos dessas coisas que nio le
componcnte seu. náo é uma coisa cxtcrna. iil,t t:t)tno set rcnlrccítlas dpenas pL'r sutts eúslências tetnpotctis?)
Isto significâ quc â ]rislâ paru l)eLrs, ern Agostinho. nâ1, é um snn 'li)dos os princípios da kigica. o princíptu dc identiclâde, o principio de
plcs âpelo â uln elcnrento c\tcrno. A corcxão cnirc o rTr e I)eus não que se consegrc
rirfrontradiçao, o principio lio lercciro cxcluso. Comô ó
é exlerna e necânic.L, dc ltcnó Dcscartcs. Aitosiinho , ,nrprrender a aritmédca elemcntar? Se rio se soubcr que um nÚmcro ó
chcgará a esse Deus mais ou lnenos por âquela viâ que. no sóculo XX, ( lL rrcsrlro. ou que urna coisa é elâ nresrÍ4, não sc conscgue lâzcr ncnhum
será resumida por Paul Clâudcl. quc diz: "Dcns ó âqt]€le q0e err rnirn é pri leiro, ncnl o nais elemcniar deles.
ri ri(,(lnio adlÍrérico, ncm o
nrnis eü clo que eu mesmL'. ou seja. é minha vcrdadcira corsistôncia c
l{lr1no: E isso nao tefi coma set cotl.lprcetdido na própría eaísíên- Você nao poderia ier consciência de si mesmo no sentido humâno,
cvidentcmente, seÍn isto. Signiiica quc ele percebe que o princípio

Náo, poÍque náo se encontrârá nada na existência temporal que de identidâde é um dos fundancntos do próprio cogilo. coisa que
permaneça cxatamenie como é. Tudo na cxistênciâ temporal é uma
Descâ es nem de longe perccbe.

mistura de ser e de nâo-scr. O que é a iransibrmaçâo tcnrporal? Sáo


ooisas que náo exisiian e quc pâssâm a existir, e outras que cxistiâm lAlunor }Íds er? ouÍÍos allimttis ttt lbéfi se díz que eLes aprcen
e passarn a inexisiir E tudo o que vocô vô e toÍno, âbsolutamente
àe o üincípio íle idel1Ííàãàe. Pot erempb. tenha um cachotÍo q e
me rccanlrcce toda aez que eu aoLto paru casa. Issa é parque eLe sabe
tudo, é âssinr: você nâo encontra unra coisa que tenha entrado na eris
que eu sou o mesmo qüe eru quando sai.1
tência no primeiro dià e que continuc lá imuiavelDrente â mesma. IÍo
significa quc, na esleÍa ternporal, você só teff experiência de dados Pois é. mas reclrnheccr a identjdade dos obietos é uma coisai reco_
tcmporâis; no entânto. náo conseguida nem apreendcr os primeiros nhcccr â pennanôncia do principio é ouira conlpleiamente dilcrente.
elerncntos de aritnéiica se nâo tivcsse â idéiâ da identidade. Dc onde Vcja, a apresentaçào dos lenômcnos sob o aspccto "do mesmo" ou 'do
outro". pâla un animâ|, isso é pura coniingência Se a coisa se apre_

sentou coln o mesmo aspecto ou com outro, isio faz parte do processo
Alrna: Não podctfu netn percel)et que as caisas nurlatn, pois nào do mesno modo. Você peÍcebcr que por trás de todo o iluxo temporal
seria passíLel percebet que eLas sãa as mesna'l cxisle um ncgócio chamado ideniidade, isso é Lrutrâ coisa conpletâ-

Não seriâ sequer possivel perceber que âs coisas mudam. Você es


tâ a dcntro do processo cono um animal. senr ter este rccuo tipica-
[\ unn 114 cu rt quP ?^t'tcn oteu'na\ p'\quro' .om tntaai\
ment€ humano. Por exemplo, L, fêto de o homcm p€nsaÍ sobr.e a moÍe:
muilos anos ântes ele já cstá pensando nela, porquc já sabe o que vai
úais intelíEefiÍes, que conseguem perceber coficeiíos mais abstntas,
como as t1únercs (nãa em ganàes q a litiddes. fias até sete até
acontcccr Isto, sem um recuo em rclâção ao lluxo iempora], você não
oito, pat aí), que lotfiam.. )
consegueria Íàzcr. Vileria dentro do fluxo, mas não o perceberiâ como
lal parâ percebê-lo, ó preciso que. de certo modo. você o deienha, Náo. Perceber númcro tânlbéln faz parte do flrxo, porque o númcro
coloque-se Íora dele hipoteticament€, imâginariamentc. Por que é que a o próprio iluxo, a contâgem é o próprio [lüxo. O que ele não vai con
você conseguc fâzer isto? É porque tem algunra idéia de que existem scguir é Iazer conta, pois nâ bâse do cálculo está um ncgócio chamado
verdades independentcs de tempo. identidade lbda conta qlre você faz tem um resultado que se chama
''igual': esta quântidâde aqú1 é a mesma que aquclai €nbora náo pâreçâ.
ÍAlüt1o: A ptóptia cofisciêt1cia também é alga assifi, ào é? Você Islo é impossível de Lrm animal percebcr
lej cofisciêficia de si mesnlo, taübéfi aclto que üem de outrc...l

E
lAl|lno Entlia o animaL páru na cotltage l. e o set hunano ztai Claro, você cria ciclos proposit.ris, ciclos ritualislicos, ciclos cívi
aLéfi?) d)s. rolinas de trabalho, etc. qüe não aconlpânh m de malreira algurra
., ,,tJ.r ',"rurá'. I úlro . q. . ro.r . ur\eeilc'r/.r ruuu i'ro.' L for'lu(
Elc pára na constâlâçAo empÍrica de idcntidadcs, scrn perceber qlre
tcnr a idéia cle un exlrâien1porâ], do slrpratenrporal. A idéia de ciclo o
eriste a própria idcntidad€ conro unr clemento estrutlrrânte dcssc con-
hirho la bé1n ie Ele acomp.Lnha o ciclo o que elc náo pode {azer ó
junio. Isto signilica qlre conscguimos ncgar o fluxo temporal, conse
sair lorâ. c muito m€nos criar o scu próprio.
guimos sâber que ele nao é lu.lo. E como ó quc sabcrros que seffpre
Ísro significa qlre. no nível puranentc empÍ ico. no ní\'el cte pcrcep
soubernos disso? UÍr indício é o seguintc: jan1âis se encontrará uma
Çao cnpirica, você vai acabar não âchando dilêrenÇâ cntre
homenr e
civilizaçáo. por mais primitiva quc scja. por ffais bárbaÍa, por mâjs
rnimal. Vai perccber é no quadro li prrolr, colno diria o Kanr. deniro do
ignorantc que seja, que rlao tenhâ un1 úto qualqucr dc scpuliâmento
(tual sc dá a e)iperiência hunâna Já no nivel empírico. âcabará achan
dos moÍos lsto indica clara renie a idéia de uD1â permanênciâ por
(k) que o homen1 é idôntico ao aninral. Hoje enl diâ. por causâ disso, as
pcÍluisâs a esse rcspejio se confündem bârbaramcnte' Eles não sâbem
Provavelmente. a percepçAo conscienle da idcntidâde é a bâse dâ
própria existôncia h]rnrâna. Já explicânos sobre aquelas culturas dc frais a diÍerença entre hon1eln c animali pois, na medida em quc náo
ü)nscguen dcfini la cle acordo com os crilérios de uma dada ciênciâ
lipo cosnológico como ltnômcnos que enreÍgialn da busca de permâ,
cmpírica, cm vez de dizercm que csta é limitada dizcm qÜe â diíerença
nôncia por tÍás do Íluxo. O que nos 1ã2, por excmplo. obscrvar uff ciclo
que a ciência náo conscgue pegar náo existe.
lunar intciro? Nâo ó â idéia de percebermos portrás do fluxo uma rcpc-
iição e de podermos usá-lo conscientelnel1te? Nole que o homcln nâo
1àz isso corno os animais. O âninal. quan.lo tcm uff coflpoÍamenlo
cÍclico, clc simplesmente eíá denlro do ciclo. âconpanha o ciclo dâ N,las iocla a estrutura da ciôncia empírica, nâ medlda em quc esteja
nâtureza lielmentc... Elc pode aconpanhá lo ou nao. O honem é o bàscada num pressuposto empirisiâ, é ideológicâ, é purânrente ideo_
contrárilr. em vez de acompanhá-lo, pretende vencê Io, criando situa l(rgicai E consisic exatamcnte nâ ideologia do mótodo: invenla-se o
çõcs cstávcis no meio de LlL clima instável, por exemplo. Na mcdicla I,(rôJn i .rgora el< lc rr Drio' JadE 'uhrc u' l(nnnrnu'' Uu \e a' \ uLê

em que procum colocâr sobre o nreio nailrral uma orden abstrata não cstá abcrto à variedttde dos lenômenos, só âceita âquel€s qlre
que nAo esiá na própria naturcza emborâ possa ter sido jnspirada cstào no método que vocô mesmo inventou É isio chega â ial ponto
até ncla mcsma -. ele está se cLrlocando lbrâ e acirna dcssc ciclo. c qlre a sinples possibiLidâde dc perceber a e{istência dos ienômenos
islo iudo já pressupóc o conceito de identid.tde, de Eternidade, de para alé você acaba abolindo.
As pessoas acreditam piamentc, por êxemplo. que é possível afir_
mar a quase humanidade dos chimpânzés peio fato de que, genciica
ÍNnrc lnclusiae institui ciclos exlrus (.. )) nrcnte. eles são isso ou aqüilo. lsto signiiica que â genética só consegue

l0 tl
txrrchcr ata aí. ltá outras djferenças que sâo patentes, cxiensa ' que diz para si: 'Eu cxisto" Pela própriâ heterogeneidade: as
que esião nos
olhos clâ câru, porént não poderianr
ser aprcendidas por mcios genéti_ opcraçôes de ocupar um lugar no espaço e de falar consigo nesmo sào
cos - e rcquercriâm até mesmo
um estudo, p/ioll dessas estruiuras. táo diferenlcs que náo vejLr por que del'eriâ supor duas substânoiês
Mas esião tora dâ gcnética; enião. para
o geneticista, elas náo existem. I)or que a mesna substância náo pode fazer as duas operaçóes? Elâ
E claro quc esse ó um râciocÍnio
muito primário.
muito bobo. muilo ocupa um lugar no espaço e làla consigo mesmal Por que náo? Aliás'
pueril, mas rão podemos esquecer quc
qualq(er pessoa pode obier todo mündo está Íazendo isto dcsde que existe.
um diploma de geneiicisia coniinuando
puerjt. imbecjl.
eue sejam to- O lato é que, com Descanes. sllÍge o chamado "subjetivismo nro_
talmente selvagens_ isso é perl.citânrenlc
pr)ssí,e1, pois ó unl emprcgo dcrno". O que é o subjetivismo modcrnol É a idéia de quc o eu, ten-
técnico, no fift das contas. A própria
estruturu de cnsiro universjtário do o conhccimento de si mesmo, chegâ por si só ao conhecimento
se incumbe d€ simplilicá lo pârâ que o jndivíduo possa rapidam€rtc dos princípios universais. pode deduzir todo o cditício das ciênclas
aimvessar as ctapâs inrermediárias
e, cntão, cxercer um trabaiho réc_ c âlcançdr um conhecimcnto perfeitâmente universal por pura dedu_
nico..Clêro que isso é barbárie, claro que viu qlre
é o reino .la cslupidcz, mâs é çào. Isso, cvidentemcntc. é uma idéia louca, pois se Descartes
a rcaiidadc na qual vivemos.
náo tem clentrc dc si meios parâ chegar â alirmar sequer a existência
.lo mundo exterior pârtindo da existência do eL, âi já está negâda
[Alfio: E ísso coneça bem no Descartes mestta, poryue. sabrc â possibilidade de um conhecimento universalmente válido por purâ
essa questão da esÍruiura do et1, ele padetia tü cameqado a percebet dcduçáo. Ou vai ter que apelar ao conhccimento por exPeÍiência, que
o que Agostinha petcebeu.
_mest11o
Mas, a haru de dizer o (tue é a cn, ó extcrno ao er, ou, náo querendo lazer isso. vai ter qúe apelâr à fé
I:,utfl.Dta pntpd\antru h t.tna tot^tl pt.pta o co,\a t)pn.o,.1p. a
' rcligiosa, como ele fez. os pedaços do nundo do Descartes sao, entáo'
lala. Ah p ;\ -n ' . e nno te, a .ob?t o q,c
e oqtrctt iot\a .I pedaços inconexos colados uns aos outros mediânie truques lógicos
Dcsca(es separa a icléia que tem perfcitamente bobos.
do eu da cxp€riéncia real. Abole
aexpe ênciâ rcal e fica sonrente coln
a idéia com a autodcfiniçáo quc
O subietivisno modcrno. por sua vez. não conseguindo se sustcrr
o eu se deu. Então. a pariir do tar, será substituído - a patir do século XIX, sobrctudo' mas no XX
momento e
.rcrinc o e como,,coisa p"""",,,", lânrbém - por uma série de lilosofias que negam a exisiência do e eâ
",.r,,i1'.11,".;ffij:."',:j::
lensê". Ou scja, exisienr coisas mâteriais da consciência. É uma espécie de tcoriê da compensaçáor fDi leito um
cuia principal caracieristicâ
é mcdir âlgunta coisa. e há uma
outrâ coisa quc.não medc nâda e tamanho absurdo pâra unl lado que, mais diâ menos dia. é laÍal que
cujá
prircipal carâctcrísticâ é dizer para
si mesma: .,Eu exisio,,. rlguém invente um outro absurdo para o outro lado Se vocÔ se afastâ
Ilescarr.s
pirie crrão Darç â JuJliJroc dá.ubrt"n.rá .lâ complexidade da expcriência concreta e, abstrâtivamcntc. alirma
.tU(. rjgo,cr r pr ncnr (r-
bc." e\:dínlcmente \,n,iiopnrqurII" .cô,\. LLmâ verdadc para cá, urn outro vai âlirnar, tambén abstrâtivamcnte'
,,Eu
r\rên\a nitolu\!à
dizer para si: existo',. Aliás, eu acho mcsmo que r verdade pâra 1á. Isso é quase ia1al. E csse rnesmo lenômeno sugerlÍá
sou uma,.coisa
r Hcgel a idéia de qlle cste é o processo normal do EspÍrito: alirmar

l:l
, L , , Ll( i!,js rtjlrlar a roisir
conrráriâ para lâ. Mas nenr (ii,rhcço Se nrcu oofheci'rcnto cle nim mcsmo é irconrplcio, porque
,, I,, L , ..r,, tsr() tnxlc scr o proccsír nonnal
d:l intctigôrciâ que rr prrlc dcsconhecldâ cstá a prescnça do Íundarn§nto ocLrlto. ê mesma
,,,, r,r),, irJ)slr!tilando. mas.
no processo da crpcr;tncia concreta.
( irli, orrc ntro ó
cla .i)is.r dcvc acon{êccr corn ludo aquilo que colrhcço. pois nadâ ó cdrrd
issinl.
\r// cntao, em tudo esiá prcscntc. está insinuâdâ. r marca da causÂ
{goslirho rcndo pcrccbjcto es\a qucsrão
dâs jdóits crcrnas, altirna .l(!rra quc trln.l nrerrta o tcmporÍrl
.1 ,. .'i.,. .rn r.c,i.'uc ori.du
.1r l\......\ \.Lo li Ailostinhr ) .lirá quc, se de âcorclo oonr .L Bíblia DCLIS é ao rrrcsrno
nlr.cc essas idójas ctcrnas n:io
|or a .rpcnêncjâ concrcta, m4s por Lcrnpo uno e trino. se lcr. ünra trnidade de srbstância. rrrâs com 1rês
cstâ pâ'.lc Dristcriosa quc thc
crjt, c the flrf.hmenlâ, c que já the.tiL
Lr,,dali.ladcs ou pessr»s dncrsas. a ücsma Trindr.le sc rcconhecerá
unras dicas a rcspcilo cta ttcrni.lârJe.
tsro signiíicâ qu.. scgundo Sântí) ( r {o,:los os obielos, cnl todos os scrcs. Pois lodo scr sc constirri clc
\,L,,ti ,,rô I
'r,têt:e,
n..ir ,r.,,,,Ij ,.,. tUn,.
- --- -rona scnr rrna esDecrrl ilu- ircs clcorenlr)s.:listintos t ltseparávcis. Prlmeiro. tudo que ó, ó alguma
rrinâçáo .riyina. rllcsmo cn seu i
L,,isa, ou seiâ. tcn1 erislirria: porén], alóm dc i€r e\islênciâ. cle Lern
co.curs., d,vino Daqui â pouco
-,,,ar,.ui.,.,,J.u,,j,.," Iôj. '".crno§
]:lil:Hl r:H:::,: Irra consistência, tclü uma írssi/r.la. Scgundo. sc a cxistêrci.r rcflc-
f,,,. , . ,," L. o podcr divino, ou a ofiü)ianciâ divnra, quc o chanra do nada àr
de toda a discussilo cont.rrporânea
inchrsivc potitica, gcopolíicâ.
cl.l , \islajci, o làto de €le tcr uma cssência ou con§islência lmstrâ â
\4,i. a ,t. " r,.utr.,,,.,. ,.,,o.r",..r \f...,,,,..
;..- r",;; ,'' Ircscirça dâ iÍkligÉlrúid dirrnd. que conhcce de anicmão âs essências
/endo que a gcrltc chegâ a cssâs "
cojsas.:rs idóias onjvcrsais. nro por (los scrcs e cria lllnmcriiveis lirrmâs pcúeilanlenic difcrcnci.Lclas c intcr'
iluminâçãodÀrr .nrâs]rorurnprocessochama.loatrsrraqão.
isÍr náo é uIna objeçao. Ltc mancira atgumâ
Aclloquc re rrion.L.lls Em tcrcelro lugâr, tudo.Lquilo quc c\iste é rrm berr. de

du7 csse conhcc;menrr)i cla a


Não é â:rbstrâç.to que plÍ) .1,r,rr."lo,.,,h.,r,rn..':r pr.ri.rr,n., r,\u. rr,'r.\i'r.n.i,
àpcnâs o Trmdrl
ca, a tund çá(, de p{rssíbrlr.r".b,r"
. n cssanci.L; ou seiâ. a cxisiência ó dcvi.lt\ i atlipatêncía ditína, qllc
p,,,p..,;;f,:l:li:, :;;1;rrr*t cr)nhccendo as cssôncias dos scrcs. quis sua e\istônciâ por ser um bcln
a iâl da ilurninaçtu,.livina quc
esiá no inndo.ta pr(rpiiâ râ,ao naiurât. li,nro! aí a eÍiiiir.i.r. a cssêtLia e a betn, ot valor. reflelindo â oni
Tcndo ahrnado a existôncia do
con|ecinrcnnr das i.léiâs cternas.
r il0rrinaçiio divina c, porra to, o lrolancia divina: Deus Pai. a inleligência clivinar DeLrs Filho. o l,ogosi
conhccjmenrr) crn lleus, Agosrinho
ó natunlnrerie incljnaclo.
. r) Espíri1o S;Ln1í). ou o amor enirc os dois. l5sência c e:iislênciâ tônr
ncstc po lo, a rerroailir sobre atgrma cojsa
que elc Jravia liclo nâ Bíbtia. . rlrc si. cnlrú, urra relaçio dc Alnor, que é erarârncntc tL do Pâi pclo
Int,ro.lizi ..Se
j;r,1.,
â Fitosoíiâ üe levor aió I L , 'r r,., unituti , rr t.l: ,,'l( ;-,,rr Jr' r'.
- ',n,,...,j,t\,,,,,,,. c.1.,1 ..,rj,,o q.
n,or r \, p. b,, ,tüu .:r Noic quc. em ncnhuln mo.renio, Agostinho lc!c quc sair da aná-
'. (-" o, n, u JL ,, ir i. .r ..., ,. .r, rri, t,. isc dâ cstiulurâ do ?r1 parâ lazcr isso l'lle aprovciiou urn dado da
conslituiçào c, po(a n) (lue Deus
estil prcsenic, crr mim coll]o nrcü
darncrto naquclc rrrcsnro nrcrncnto
hi llsrillura. rnas náo o.Lpro!ciiou parâ collr pcdâços da estrulura do c .
enr quc cstoü tatan.to .onrjgo ( silll pârâ cnriquecô-14, pois .L esl.L]iura do e./ jii esiâva clcmonslradâ
cnláo
. nornral qlrc esl.r prcsença rlivina esteja tambón
crn iu.lo aquilo qLrc rrlcs disto. Não ó corüo Descadcs. qrtc, nro conscilLLirxlo conrplctar
l
a estrrtura do eu, tem qüe puxar um elemcnto de Ié que
náo estava lnl)liâ: as espécics náo surgem todâs ao mesmo tempo
dado. que estava totâlmente lora da conversa aié esse n1omel1to.
Tendo chegado ató esse ponto, AgoÍinho percebc que, se a i.orma que
lAlrno: So Li]1 tt)tlto: existem alquns madelos eÜalucianistas
de exislência dessa consciência, desse er, ó temporâI, é necessário
in- ttibolham (. ) r\\! línha ta bém.l
vestigar o problema do tempo. El. percebe. entáo, que náo ó
concebivel
'l'cve gcnte que viu nessa idóia de Agostinho ulna antecipâção da
nenhuDra iorma de concepçâo do tempo senâo por referéncia
à almê
que o perccbe. O tenpo é múltiplo c perccbido de lroriâ cvolucionista. Mas é evidenie que náo prccisamos cndossar a
maneirâs distintas
por seres distinlos, cm situações distinrâs porianto, iem le()ria cvolucionista nos termos darwinianos. Àlém dc existiÍ uma
algo inirin-
secamentc a ver com a ahna. Dito de outro modo: não é simplesmente rr(nrlanha de leoriâs evolucionislas totalmente dilêrentes, essa é
que a alma existe no tcmpo; o iempo é a esruturê lrirâ qucstaro bastante controversa da qual ludo que se sabe aié hojc
dc existônciâ da
própria alma, considerada náo enquanto razão etcrna, não . rigorosamentc nada. Para lnim, o debaie evohrcionismo ze'§lls an_
enquânto
lorma eierna de possibilidâdc, nlas enquanto ser existcnte. Ela licvolucionismo deu enpate até agora.
se exis
tencia. entrâ no tcmpo, náo comlr uma coisa puranente
externa. mas
cono algo cuja própia estrurura Alüna: O que eu conheço que é púxina a ele cansidera que exis
ale cxistência é o tempo. Tempo é a
estrutura de existência da própria allna. Mas, se é âssim. entáo lcn ceúas lotuús gue stto eslá1.eís e outras tttte não. ELes àão ufia
existe
umâ cspécic de dcscompasso entre a essência it\age l disso coma se hauúesse utno planíciP tom dhe^as fia ta-
e a existência. pois entre
um e oulro há as chamadas ,,idóias eternas'.. tthLls. . Efllão se tefi os Ltales de ttansiçao ente ton(t e outfa e...)

As idéias eternas são, plalonicamente lalândo (Agostinho


se repor Mas isso é só uma das milhares, das milhôes d€ possibilidadcs cof
ia a Platáo nesse ponto), as concepções das várias possibilidâdes ccbívcis.
de scr
inerentes a todas ês criâturas possíveist e as espécics de scres.
tal como
as conhecemos, sào sinplcsnente a entrada dessas possibilidades
no lAll!1o: Ahipótese tlesses eüohlcionistas é que, no cafieça1 ape as
mundo da existênciâ tcmporal. Isto signilica que, segundír Agostinho, alluns desses espaqas estâa prce chidas; com o íefitpo. ocorte uma
no instanie em que Deus cria a idéia de uma espécie, Ele nâo precisa pcquetú lrunsiçào pelo rale inteünediiitio ati alcatrcat ufi panto
criarâ cspécic junto com cla. Dada ê criêção clo mundo. todas as possi- t stáúe!.. e assitfi tai.)
bilidades de espécie já cstâvanl dâdas naquele monenro, mas
etâs não É possível. mas você percebe que isto seria un1a das inúneras ver_
prccisam ter aparccido todâs ao mesnlo rcmpo Agostinho
usa até o socs que esta teoria dc Agostinho pocleÍiâ assumir E precisaver se es
tcrmo hislórico das ,,razõcs seminais,'. É â razão, o logos,
a tórrnula clo
sâs versôcs, por sua vez, divergindo entrc si, aindâ podem ser testâdas
ser: é como se fosse a senente do ser pode se ter primeiro
â semente e
no conlilrnto con os latos. Náo icmos, até hoie, â nrenor condição dc
depois a manifestação d€ssâ espécie temporalmente. lsto
é, ete admite
tcstar. Essc debâie, até hoje ninguém sâbc que rorreu: eu gâranlo
um surginento progressivo das espécjes, co o, aliás, está na própria
quc loicle, ele garante que fui eu. Qucm quer que digâ que tem uma

t7
conclusáo sobrc isso es1á menitu.Jo, pois.
quando apâreccm cjnqüenta i,r,. pois aÍ já nâo sc rclcr. à cristôncia dâ elolução. ni.rs à evoluqaro
ary!mcntos a ia\,Í4 aparecem cinqiicnta
arglrmenios conh.à. cle iguat r orro prircipio explicativo da prÍjpria c{istônciâ dos ser€s !i!os Nâ
peso. E.tlrc a cv0luçâo sc
rornou um ncgócjo i.leoti)glco, é unrâ
cspócic ,Qlidadc, tudo isso cI{)trrerrente frematuro. pois nào se sabe dirciio
a
de pscrido rcligiáo, cntão a preciso
nranler aqu,lo. por ouiro la.:to. os
rr r qual ó o lirnitc .lo scr vivo c o do nllo scr vivo \rerros enrpiiica
camaradas quc são contra â cvoJUcao
insistcrr nâo na jdéia .le quc não rr.rrlc unra dilerenç.r na expcriência comum c corrcntc, mâs nllo há
houve cvoluçâo. clc que não ho0rc
ncnhunrâ h.anstorn)acáo. mas d.
r.r)lrunra ciência habilitêda â lra(ar o limiie. lsto n:lo signilica quc o
.,
:l " ,
Ccb.rc.,n.,\"r,.J,.
D.au,nr., r,u
" t,". -, ".,: I rrrit( náo erisiâ signilica .tuc ntio tcmos rncios dc saber onde ele estl,L
rr\.n,-J. ,, , .,""
cnntismo "
Há o evotucil,njsrrro c.LsLrat, Ji,rnra.lo ",., ",.,.,;,-- NlrLr se nao se sabe nem isio, nem ondc comcqâ. ncrn qLrais os linriies
por ! ál8 lrrrg _ dc (io obicio qre se esiá .llscutindo, corro é quc se vai sâbcr dc ondc clc
repenre aconlcccu. iudo sc misturou
e acêb()u resu[an.lo em nós sriu,' Se não sc sâbe ncrn o., qli.
c como ó quc sc vai saber o po,qrl,?
há â lesc da evohrçro com propósjto
Tudo isto. pala nrinr. ó ntuilo engraÇado
O tato é qlre tL porcaria da educaçâo univcrsal mctc t(xlo ffll do
Acho quc essa ó unrà .liç ra cscolâ desde pequeno, ensinê lodo nmndLr a discutir c todo rrundo
,,,..i,,r,ni,.re,r..r. Ir,, .ui.o L , u.^,.a-.u .
n tar,4a\.oncq)tL,at\ n . lcnr quc tcr opinião sobrc iudo, sobre o qüe sâbe e sobre o que não
,,elrrsl.os (Inerafisicânrente. não se vii chegar
â saber o que .le Íãro srrl)c 1l a besieim obrigalória Você tcnl quc tomar panido: ou é â Iavor
,. o. ic. .u. tc n-.- ..rr..r.,.
u .t,,rJ u J( tu,,rbi,rJ. d, . L :,r
,re<qr. In,ior,r fô .rhiJ:Jil rl clolLrção. olr conim ll se dilscr "l:u não sei". pensam quc vocô cstá
t,.rr , | ( D,..,r,1 .lkJ.,r , r,EL, na,1, .r1,5.,o.
u J,
rncntindo. quc cstá cnrolando... Então lodo mundo é obrigado â tomar
o'lr, .ê t,, t.,t \i, ,1 rju r(.I .,li.r,
"),, t)rriido $bre coisas que desconhec€ completamcntc. Rcsnltado: o qu€
ouira. lem rais cons€qiiê,.,,,,, ,,"
,. u rj:::;"n:;'il",;,::'#: rüba acontcccndo é que â discLrss.lo inleira lica viciâda. c sc circga a
p,rcos, é lãcil perceber que a coleta clc daclos nccessários para
gâr a unrà conctusao sobre â
sc chc- u ccrto ponto cnl quc não ó possivcl sequer se lentar colocar orde ,
evoluçâo é intcrnlinável. Vanros
slrpor pois a lorlusáo já está ianta qlre...
que, se você consegLrjsse pegar
toda ê cvoluçâo clc uma .lercmrina.lir
Voltando a Agoíinho: tendo chegado a esia lilLrsoiia do tcrnpo. clc
cspócic (e nuncâ se conseguiu
nenhurna, na vcrdade), conr todas
as sc coloca. pcla primcira vcz nâ História, a idéia de unra irtelprelação
crapas intenncdiárias, se conseguisse
.l,,orl Jr crpt"irn.i.. lri,rurirlr nr ".nbna,.r:r I J .r.r.rr. u
provâ. aqlrito para Lrma. não
es,
laria provado paft as oLrrras
|rrblcma do scrrido ou do rráo-seniido Agostinho é o pdneiro quc
roioca esse problema. e é o primcirc c único â olerecer u.ra soluçáL)
[AlLtntr ttas nàa pãruce unl debate - pi cipahlletlte
üos Estaílos . i, rr 'i.'. rr <rr . \"liJr Vud ..;.rr dir run.raÍ
Ufiidos. eü guu isso é mdis !1c?so ^ pnrqu.
tipa erolucíonisno vercos ctia-
única filosofia dâ Histririâ que é dign de respeiio é a de Santo
^ âs outras são todas idcológicâs. Elc a baseiâ no conheci
Ijssa ó 1ânrbénr una maneira toialnrenie falsca.ta.lc ^gostinho.
irerrto da estrutura clo tempo e percebe o seguintcr quc o icmpo do
colocara ques
âcontcccr histórico é unr teÍrpo Iineal que ele começâ e fão ternina

t,
Nirglrén sâbc ondc isto vâi terurinar ninguén sabe a data do
iérnino r )is. cnquânto você cstá vivendo, tudo o que loi feito você podc tentar
da História. Ora, se náo se sabe a daia do iérnrino, não
se sabe a forma frLr.lâr no diâ seguinte. Mas, e sc náo tcm dia segunlte? Entáo lechou'
do fenômeno como um todo. pois, quando se pcnsa que
lislc lcchamenio ó simbolizado, exatâmente, no caixão de delunto
Írcabou, pode- que
se ter mais outro capitlrlo, e mais Lrutro. e nrais
urn milhão de capíiulos
rcnr seis lâdos. Esses seis lados são o quê? Sáo os seis dias da
criação'
para adiantc. Se não sc sabe â lorma do fenônreno,
cono ó que se vâi lslr) significa que fcchou, que náo ten mais nada Entáo, inrcdiâtamen
p.dcr übLr^ q L ( re r c qur t\ .Lu ic ,ridô, pâra a
rc, você passa cla escâla de tempo para a escala de EteÍnidade'
(\.r1. Jr ;muraoi.idadp Saiu do flur" do re r'"n c nro muJa ,lai' id c
Agostinho percebe quc,se o acontccer históricô, o aconteccr col.Ti
vo, é lineêr ao mcsrno tcrDpo âs colclividârles §e compóem
de individuos vl\rô nà escalâ de EteÍniclâde E esse é precisanenie o seu iulgamcnio:
corporalmentc distinto§, c cuja iemporâtidade não é .to
mesmo tipo, o que você fez. cstá feiio.
pois câda sujeiro nasce e rnorre. A História nao morre.
ela coniinu. Santo Agostinho entende, en1âo. quc só é possívcl unâ conprc_
Ela sc compoe nâo de um fluxo coniínuo. mas de tidas indjvj.luàis
.nsáo da êstruiura dâ hlstóriâ humana levândo-se em conta esse cru
descontfuuas. Uma biografia nao se prolonga na outra.
A iornta de l Lrento dos dois tempos Elc diz: "Por üm lêdo, cxisie a história dos
coniinuidade histórica é enormemente ambígua: você pode
conlinuar nrpérios e das sociealades, que é um iio continuo que nâo se sabe onde
o caminho do seu pai, ou pode tornar outro completamentc que vai de sua
aliferente. lcrnina: nras, por outro, há a história da vida humana'
ou pode âté ignorá,lo por completo.
r)r'igen até sua morie, até sua sâlvâçào oü sLra danâçAo"' lsto signiiicâ
Isto significa que a continuidade histórjca é uma espécie
cle ,,eleito quc, ncsta escalâ clâ vida individual, ela pode ier um scntido' Pode tcr
de superfícic". que você vé ao romar. juntas, uma mutiidão
de vidas unr scntido por quê? Porque techou. Pode ier um sentido ou pode ter
hunrànas que sáo, na verdade, ctjsiinras e scpâradas. Náo que
cssc €fci- llrn sentido absuralo tambún, e o absurdo então se reiniegrará num
to de conjunio náo exisia: elc exisie, mas só existe numa determinada
scnlido maior Mâs temos a FIistória dos inpérios, e temos a história
cscalâ. Vista de uma ceria distância, parcce que uma
vida continua (ll Salvaçâo Somcnte a história da Salvâçâo 1ãz scntido, pois só ela
na outra, e âssim vai. parcce que os plocessos são contínuos.
r, rminl A oulra púde cunL ruar indP i-iddm<nt ' l'ro'i8ni[ira
fi,ls na que
verdade todos eles se dcram através cle elos humanos,
cujas exisrências locê pode lalar l1um "sentido da Históriâ" se conseguir âdicular o
nào Lrar riunl'r rra..nrr,Jir rr.rr. rpr.ala..
llu\o temporal com a história da Salvaçâo do co'irário, nâo
Ora, o indivíduo nasce c, quando nrorre, nada mais sc acrescenta
à Dito de outro modor Agosiinho entende que tudo que tcn um sen
sua vidâ: sua vida está complerzr. É cono no verso
de Maltarmé sobre liclo. esse sentialo sempre vai paraaLém dâfortr: 'lÊ ê{istênciâ dâ coisa'
Edgar Allan Poe)t "Tel qu e Lui mêne enli l,éLemité le chan|e,, dâ coisa em si. Uma coisa é o ente enquanto tal' outra é o scu
sentido
(a cternidade o transformaj finalnrentc. naquilo que
ele eü). Enrâo, o scntido necessariamcnte está para alén dele, náo pode ser pura-
se há na origen do indivíduo uma essência completa,
ro fin da vida nr.nte imanenic. assim como, por cxemplo' náo se pode diuer que o
se tem um.r vidâ cornpleta. Náo há mais nadê a acrescenrâr que esiavâ
náo há scniirlo de unl livÍo cstá ncle Está nele como umâ potência
mâis nudançâ possívcl E isto equivatc precisamenie âo
rstinrane NI\L.r-nN, .r-.ro»u,u
]uizo Finat, atualizada na cabcça do autore que se atualizade novo em suacâbeqa'
d ragu, no.t rrEio nun,nrag,"
?a
21
quando você o lô. Mas no livrr,, fisicânr€nle, não sc pode dizcr que o NÍârx usâ a exprcssâo -filn da }listória" Hegel usa'iim dâ

senddo esieja. Está só metadc âli. llistóriâ" .. Ful(llyama iâmbén1, se bem que o FuhuyamiL usa meto_
'lbmadâ a História conro cicto te'nporal dc conjunto, ainda que seja rinric.r ente. É um rnodo de dizer os outros âcreditâvam nlesmo
um conjulto irtcrnrinável. nâo se sabc onde ete sc fccha, e. se tivcr un1 O l,uklLyanrâ já não cstá lazcndo LLmâ iilosoi'ia do fim da Hisiória'
sentido, esle t€nl que esiar pârâ alélll do ternpo. Entâo, o senrido.lâ (siá filosolandLr sobre a idéia do ftn dâ História tlvidcntenrcnte elc
História só pode estar na r,tternidâde. Ora, a históri.r quc desemboca Iio é lrouxa de acreditar qlre. por s€ ter alcançado un certo tipo de
na Eternidadc ó somentc a história dâ vida mdividual como hislóriê .gIr z"r'ru e. rr. du r"\ cl Lla 'c'r clt*' -. rreI cue Ôurr"' rÔir
\
^nur "
da Salvaçáo ou da dânàção. ao passo quc o flüxo temporat continuâ c rro vâo continuâr rnoclificanclo-a e qu€ podern acabar com elâ do dia
só quis dizer
ninguém sâbe orlde clc \,âi dar Dib dc ourro mo.to: ÀgoÍinho entendc t).ra a noite. E1c precisaria ser nluiio trLruxa' Fukuyama
quc, se exisic um sentido da llisiória, ele cstá na meta história. e nno quc. clo pLrnto cle visia de estruturâ cconónrica, chcgênos a umâ ccrta
pode scr um sentido imanentc, pois todo sentj.lo é rccessariamcntc soluçào qüc naro scrá supcrâda nun1 prâzo previsível' Mas, c o irnpre-
visivcl? E os outros laiores de orderr nào econôn1ica cono serão?
Como isto é baseado nLrma estrutura ieal do teúrpr,. há um funda lsto signilica qüe. nâ verdade, todâs essâs iilosofias que vêcm L)
mcnto científico. e âi se pode chegar a algunra coisâ. Câso se queim scntirlo da História nun1 capítulo da própria História esiáo luncionan
encontrar um sentido da História no próprio plâno histórico irrjanentc. (lo nuis ou nenos como esses desenhos do Eschel cn1 que a nlão se
crrtáo se cstá lazendo a q0adratura do circulo, c isso nào é possível. ,l,i$rha a si rcsmai ó un1a coisâ irnaginávcl, mas náo realizável pois
Irá se rebatcr pâra o plano da renporalidêd€ lincar algo quc sc per rontmria â estrulu€ da reâlidade lnesma Nao sc pode lãzeÍ que o
cebcu na escalâ da Etemidade c dâ história da Salvação, o que é uma scntido clc um cliscurso csteia lcchado no próprio discurso pois seria
por ningüóm'
simples ilusão IraL se criar um sÍmbolo hisrórico um símboto tcÍnporêl trcciso que ele se falâsse a si mesmo c náo fosse ouvido
da SalvaEâo ou da danaçáo. entáo irá se criêr LrnÉ espécie dc apoca Contrâ isso. iá no século lV Agostiiho tinha dâdlr â solução di
lipsc icmporal. dc âpocalipse hiÍórico e. sc se realiza o apocalipse, a zcnclo: "Olha. só pode hâver ul1l sentido da Históriâ se refcrido à
História continLra existindo l,t(r'niLladc. ou met.r história' Dai elc dirá que essas várias verticais
É dâí quc viráo, muito nlais rarrlc, todas essas concepçôcs utópi lilritas, que cortan o tcmpo todo o fluxo horizontal do tempo
poden
cas que projetaff o senildo da ÉIi§tória nu ra determinâda erapa a ser s.r representadas como uma únicâ linha, tal como a história clâ lgreia'
"Estâ
atjngida no luturo, como se essa ciapa parassc o tluro do iempo e al- rtuc é À histó a da Salvaç,Lo ou da danaçao E Agosrinho dirá:
cânçâssc a perleiç,ro o que é umâ idóia perlêitaffenie idiora E depois lristóriâ. que é ahistóriâ da ]grcja, pode laTer un1 sentido Aqui se pode
da perleiçào. não vai âcontcce. n1âis nada? Vâj tcr o filn cta História l l.Lr.lc lracâsso ou de sucesso. rnâs no outro caso não"' Acho, cntáo'
E depois clo Jim da Hisiótia? E ro da). aíter. c.)i1o é quc ó? projeta-sc (tllc isio é imbalivcl. Nao iemlrs conlo cscapar disto, tanto qüe ninguém
Lrmâ etapa de perleiçáo na quai a Históriâ âting€ um patamâr de per, escapotl. Toda tcniaiiva de enconlrâr um scniido da Históriâ esbana
lciçáo 1â1 eln que náo há mais Ilistória. cm obstáculos âbsolrtalnenic intrân»oníveis. e csse§ obstáclrlos s.to

,.
dados por esse erro lógico fundamenial,
quc é o dc rebater cono em
geonretria,
.\pcriência, e, de repente, con1 o advcnto do cdstianismo, estâ dimen
cn que se projcia o espaço no plano. isio projetando-se
é, siro se condensa na escalâ dê alma individual.
os dois eixos num eixo só.
Com isso fcchafios â explicaçáo sobre
Iío signjfica que Agostinho representa, pcla prineira vez, a con-
Sânto Agostinho. Já dá pâra (lrnsâçào simultâneâ dos três tipos anteriores: os sâcerdoics egípcio
ter unla jdéia gtobat de suâ tilosofia
Ainclâ mais imporiênte do que l)ahilônicos, com o conhecimento dâ naturcza; os profetas hebraicos:
tudo isso é o fato de que Santo
começa sua tjlosofia Dor r,nn snâ consciência histórica; e o lilósolb; com suâ consciência do
uIr. (un.idera.aoiutobinr,ari.a. ^gostinho
D^r unu r,Jrrat:\a üulubioLrdt;.a e ;rccsso quc a alma individual tinha às leis etemas Tudo isso se con,
por um cxame dc si nresrno n,ro
comLr uln cu abstraio, um eu filosótico.
(lcnsa eln Agosiinho. E s€ cria unl novo tipo de filósofo: o lilósofo que
r'.d5 Lnnu u r e,r b;úgratrcu. r(ai
f
Dúr qIc ele t-,, r!.. i pnrque. a,1re\
lilosotã âtrâvés da confissão. âtravés da consciência autobiográfica.
delc, houve três sécuios dc práticâ da
conlissâo cristã Á confissáo oi§- ()u seja, elc discute as coisâs não a pafiir de conceitos que estao cir-
r; ibre. Dara a rnl.lig;n(:à hurnrna ulrrdimcn.áoouecrarnc\i\,(nte
culândo püblicâmentc, mas da experiência pessoal real. Claro quc os
para os irês tipos ânieriores: o filósoi.o
grcgo. o proltta hebraico e o
tl.s tipos anleriores tanibónr paltian dâ experiênciâ real: os sâcerdotcs
saccrdote egipcio-babilônjco.
cgÍpcio-babilônicos tinham expcriôncia real da naturczai os profetas
Essa dimensáo temporal de que você vai lazcndo sua vida
conl.oÍ hcbrâicos tinhâm experiência real dessas mârchâs e contramarchâs do
mc suas escolhas, erra ou acerta, e
coniinU
povo iudeu; e o iilósolb grcgo tinha umâ experiência reêl do acesso
xaminando esse passado para se co,igir
cntre os ludeus. mâs não na irdividual.
J[T::jii,H"'::i:J: às leis etcrnas. Só que esta nova dimensáo dÍr experiôncia real que se
Essa dimensAo quc Israel vi
abre com o crGtianismo somente adquire auloconsciênciâ filosóIica
via coletivamente, de repente as pcssoas
percebem quc cadê indivídDo
cm Agostinho.
e'lã d.IIo deld.. tdn,o oue qu.ndu o ti( t,.ri.rao
le r Brblia, ond< c,r, Podemos entáo perguntar: por que todos os outros filósolos cris-
cscrito',Israel. ele é convidado a ier .,você rnesrno,.. Não é somênTê ô
t,Lrs subseqüentes não fizerâm assirn? Durante todâ a Escolástica, esse
po\o < o Dovo. ni\ trfloem e \u.e {quiloque!.
ru.,,u"o,-.,orr,; làdo conlessionâl ó deixâdo para o confessionáÍio, e os filósofos só
de Israel vâi se passar igualzinho
con1 você, em sua escalâ biográiica.
(liscutcm a paÍiiÍ de conceitos jácirculântes na cultura. Ou sejâ, perde-
Alé esse momento. os acontecimentos da
vida individualemm ti- sc o hábito agostiniano de raciocinar a partir dâ pessoâ concreta e se
dos..de maneirâ mais ou menos implícita,
como i[elevantes, pl]js o
que interessava eram só as verdades começa a raciocinar por conceitos consolidâdos. Isto é um convite a
eternas. De lepente. com o âd-
quc a Filosofia se âliene da experiência reâ].
vento do cistiaüismo, descobÍe-se que
cssa sucessão de rnisériês, de
De certo modo, podenos ver que. em iodâ a evolução posterior da
sofiimentos e humilhâções, que é esta porcâ
virlâ, é chêvc e âcesso lilosolia cristã, csse legado agostiniano acabou se perdendo em algum
pâra a Erernidade. Nà escata cotetivo+istórica,
os judeus
já sabiam ponto. Para ver como é que isto âconteceu, vamos dar um salto e pular
isso, pois a ioda hora eram obdgados
a reconhecer seus eros _ contá-
do século IV para o século XIL Às vezes é importantc âcomparhar a
los. reconhecêJos e tàzer o câminho
de voliê. toran milênios desta
continuidadc interna dos processos saltando sobre a distância cronoló

Z5
gica. pois qualqlrer processo intclccrual pode ser rctomado â qualquer r[ a garanlia do próp o corpo da crisiandade
momento, sóculos depois, tito logo alguórn volte a pensar no asslrnto. Essâ quesiao do lnrpódo cristáo nunca sc rcsolvctt Houve
várias
.h noLlu.rutr.r,zc.".ur.,raoir,,.,u:i.r \ r.r nn...o.rgj'o\o rcnlalivas de ioürá 10. e váriâs delas cairâm Houve Llma lentativa
Dumnte todo o periodo quc châmârnos ,re.iiezrd1, houvc tlm cedo ,ro Ocidente. outra no Oricnte, umâ co fusáo miserávcl' Mais tarde'
atrito entre lmpório c Igrcja Existia â autoridâde imperial. no tempo (t ando o ImpéÍio s€ clesrnembla de vcz. qucstát'] rcssurge muliiplica
romano, que era alhcia c hostil à ]greja. À partir do ffoffento e que la pclos reiros nacionaisi ou seia, câda reino nacional volta a colocar
dcixa dc ser hoslil. qlrâl é o novo padráo de rclaEões quc sc cstabclccc? ,) problena dc sua autonomia ou dependôncia cnl lacc da lgrcja, mas
Quândo o nnpcrador sc convertej clc está submeliclo à tgreja como rgorâ e]n cscâlâ mÍrlliPla.
ficl. IÍas iaDlbém o está como imperador? Qual ó dc fâlo â origem do Orâ. é iácil percebcr quc esse problena político
já contén denlro
podcr imperial? tlla é constituída através da lgreja ou iem uma origcm rlc si â queÍâo da rclaqão possívcl entÍc duâs nn)dalidades dc conhc-
própriâ, tcnt unrâ râiz divina próprial, Aparcnlen1enie, estâ segunda .imcnto: por via natural ou por via sobrenâtural Uma coisâ é a orga_
soluçáo pârece â mais razoável. pois antes dc cxisiir a ]grejê já exis Iizâçao cla sociedacle terrena, â da cconomia. do cxército, dâ polÍtica'
tianr impérios NIas há o prcccdcnte bíbllco do prolcia Iacó. a quem ctc.: outra coisa é a orgÂnizaçao da vida cm vista da SalvaÇáo' As
ii-
a comunidadc pede que constitlra uln rci, e ele ctiz: 'Nâo. não làçanr ,,rlro.d.,r;u.,oa. ne\rrr\ I riüL.nnJi.J^pJrd"u" 1 -nJ'r;o
isso, pois ele vâi cobrar imposto, vai bot seus filhos no exércjto, vai , iJe"rilirr rr \' rela.o.r nn.'t 'âo 'du ub\11' à
pcgâr suas filhas pâra transar, c assiff por diânte" Nlas clcs insistern, e plrreira visiâ aliás. ne à segunda. nem à lerccirâ ncm à qua â '
do
elc o constitui, dai vem o rei Sarnucl que laz exatamente isro. Existcm. c cssc é um problcma quc cLrntinuâ prcsenle hoie Esre é o rniolo
entào. as duas hipót€sês drâmâ nundiâl hoje em dia Aconiecc que, nesta discussáo, âcabam
O lnpério cristào sc constitui, pela primeira vcz Iormalmente, corn aparecenalo dcltnsores L1e un1 ia.lo e c1e outror aparecem teóricos
da
Carlos Magno. n1âs seu impório dura algumas décadas c dcpois se hegcmonia da Igrcia e 1eóricos da aulononia imperiâl ou, mais târdc'
deslãz nunr caos nriserável. Mesmo rcssc império. que loi constituído r.âl una coisa e outra, cra preciso acabar se del]nindo
Para delêndcr
pela Igreja, havia a ambigúidade do poder rcmporal e da autoidade tâmbém conr rclação às duasvlas de conhecinenio anaturaleâsobre
cspiritual, pela própria ótica pcssoâl de Carlos Magno, que se pellrritia n.rtüral. Qual é o encâixe das duâs?
certas coisas que nenhum liel cristáo se pernitiriâ Por crcmplo, elc Aí se .lcscobrcn as obras dc uDr süicito chamado Averróis, que ti-
tinha ciuas ou três filhâs a quenr êdorava. eniáo nao queria que elâs nhâ l'ormulaclo isto para o mündo islâmico sob âlor11lâ cle um duâlismo
fossen eniboriL de casa. Elc náo deixavâ que elas sc câsassem, entáo radicâI. Éle dizia: 'Tudo aquilo que é dc fé. vocô só conhece atr-âves
dizia: 'Tenhâm quantos amântcs vocôs quiserem, mas âqui dcntro do .ln fó mesmo. Iiiá escrito no Coráo, então vocô aceita' Nada d'Lqüilo
palácio ' Dai as lilhas viviam numa "gandaiâ' pennanente dentro do podc ser deDlorrsiraalo, poÍanto. é nratória exclusivamente dc crenqa"'
palácio, para náo licarcm Ionge do pai. Ntro vamos dizerque esse erê un'L Considcrâdo do ponto de vistâ da purâ razáo e conlo razão ete cnten-

dia partjcülarmenrc a lógica cle Aristórclcs , todo o conteÚdo de
corrpol1arnenio de unl liel cristâo. l\Ías, ao nesmo tcmpo, o imperadoÍ ó

zlt
purâ crença. NAo podc seÍ demonstrâdo, mas tcrn que ser crido. Eniao (li.ltL que a briga prossegue, a idéia do Corpo Mistico vai sendo jogada
sc tern duas viâs de acesso, e nao âdianra nada miÍurar Lrnrâ misá .ônl frm trás, c a idéia da unidadc Íormal, legal. iurídica e polílica começa
a rdq uirir inporiância. Imagine à gra!idadc dcste processo, porque, dc
Esta soluçáo tenderiâ a fãvorccer üma separação radical de Eslado rcpenie, mil ânos de religiáLr estão baixando para o nível dc umâ dispu
e Igreja (âinda náo havia Eíado no scntido noderno, então seria de ta dc iurisdiqôes, e isto a câda diâ que passâ vai licândo pjor
Impório e lgreja). Ou sejê, isto fâvoreceria â auionomia dos dois. rnas QlrandLr a disputa passa do plano dc lgreja e Inrpério para o de
nesmo ncssa êutonomiâ aindâ dcixâ em âberto â quest,ro da origem e, Igrejâ coln reinos nâcionais, qu€ iam surgindo e se âlirmando, etoma a
portânio, dâ dcpendênciâ. nrcialisicâ e nâo l'ísic.t não da dependênciâ lorma de umâ dispuiâ cntre o pâpa Bonifácio VIII e Lr rei da França. aí
jurÍdicâ. mas da mciâfísicâ. Duranie muito tcmpo. esse dcbâte prosse- r coisaengrossa dc vez. O rei da FranÇâ-Felipe. o Belo-cstava seguro
guiu sem que abâlassc fundamentâimenre a unidade da comunidade .le que a instituiçâo real tinha origcm divina diÍeia c que, porlanlo, ele
crista, pois a cniendia no scntido do Corpo MÍsiico dc Cristo. A partir náo dcvia satisfaçâo à Igrcja. Iá o papâ estava convencido exatamcntc
da hom em que você se conltssa e se conrunga, você sc iniegra ao do corrário, pois hâvia lido uln Iivro sobre o governo dos papâs (que,
Corpo Mkiico de Cristo. Todos, e com idêntico estaluio, se integranl. aliás, existc cn trâduçáo brasilcira':), escrito por um individuo chama-
lodas ir. oc.,o"r rirpazr, de cuntê5.ar e curnunpa- q-( \iu is que do Egídio lton1ano. Egídio concebe a uiidâdc cristà. agora, como uma
têm consciência moral sulicicnte para sercm capazes .lc reconhecer organização hicrárquicâ, que comcça no pâpâ e, de escaláo em escalâo.
seus pccados, conlêssáJos e obter absolviçáo -, todos as pessoâs adul vai desccndo até os úliinros lióis cristáos. Este é o primeiro exemplo de
tas. todos os cÍistaros âdrltos estâo iniegrâdos no Corpir Místico de conccpçâo totâlitáÍiâ da Hlstória humana, é a sôciedâde i!iegÍalmcnte
CriÍo em condiçóes idénticas. adlninisrrada c governâda.
idci"du(uroo \'lrn cutu:.ut "ie r<par" na.r<r. rrrrirl"decri. O papa leu esse livÍo c gostou, ertão publicou umâ bulâ na qüal
^
tá durantc Íril anos. poróm, de repcnte. à nedidâ que se acirra a dis âfirmavâ, conl.a o rei da França, o pdmado âbsoluto da Igreja sobre
puta entre Irnpério e lgreja. e mâis tardc cntre os reinos e a Igreja vai- os reis. portanto, é o papa que constitui o rei. que náo passa de um
se vcndo ê necessidade de se criar uln padráo Iegal, juridico, polirico ernissário do poder papal. Note ben que já não sc iratâva nals dâ
de unidade. Isto significa que â Igrciâ tinhâ sobrcvivido perfeitamente unidade mistica do Corpo de Cristo, mâs da unidade política de uma
bem e havia crescido e sc erpÂndido, havia tomado conta Llo Ocidente cstrutura administraiivâ. NâluÍalmentc, quando aparcce cssa teoriâ.
inteiro sem ter essc padráo. tel1l que aparecer uma ouira análoga do ouiro lado. Existe, então, um
A simples idéia do CoÍpo Místico erâ suficicnte para todo mundo camârâda chamâdo Pierre Dubois, que Iaz também uma teoria dc tipo
perceber que as disputas de alrtoddadc se dêvâm dcntro da própria co totâlitário para a escalâ nacional: o rcino, particulaimentc o da Frânçâ.
munidâde cristã e que nenhuma das duas. ncm a hipóresc cclesial nem é tido como de origem divina, sendo, porianio, totalmenie autônono
a hipótcse inpe al, cra Íesponsável pela unidade crislá, pois esta era cn relaqAo à Igreja, e dentro do reino dâ França os membros do clero
o próprio Cristo. entâo ninguém iâ dar palpiie. Mas, de repentc, à me passam a scr funcionários do rei.
-.M, . L ü,, 1," , ât ,n.,r .,;
2N r,e hnun. LunA. dcRoil vú2.s,1939
Fcrfópolis/ltl: 29
lAl\tno: 11. a otieefi do a el.ícafiistto-1 rciLl dcsses seres c que. porlanto. as concxôes kigicas teriarr que ter
súr correspondência em conexões rcais Esses dois elementos a sepa_
lsto. é â o gem remota. É no mcio dcsta confusâo quc apârccc
ruráo râdical enlre razáo e fé, e atendênciâ para unla lógicâ puÍamcnte
- r ,uje ru clUr rJrlu S,n.u j.m,. d- qL. rrj. u Lr iru qr,
^quinu l)nIal. totalDentc separada da lógicâ materiâ1 entran no Ocidenle
rinhâ â cabeçâ no lugar ria época e que percebeu que precisava articu
lar essas coisas de uma outra mâncira. Ertão, partindo das obras de
Sânio Tomás 1ê Averróis e âcha que lcnl que dar unl jeiio naquele
Aye óis que h.Lvia cLrlocado Lrm.r lronteir.L bem nÍti.lâ entre razáo e
rcg(icio. Primeiro, ele vai rcstaur$ o scntido onlológico da lógica. Pârâ
fó -, a primeira coisa que Sânto Tonrás de Aquino laz é nrostraÍ qüe
isso era necessárjo reinicrpret.u todas as obrâs de Àristótcles e cir_
esstL lionteir.L náo é nÍtidâ de maneira alguDra. Ou seja, de alsum modo
oulaçáo c r€expor toda umâ cosnologia. acertândo umâ estrutura dll
ele rcslaura a idéiê agostiniano de que a razáo natural prccisa.tâ ajuda
cl)smos seg!ndo os primciros princípios íl elatamenre o que ele vâi
sobrcnârurâ1. Ele o fâz d€ maneira m0iio lnais nrecliada e rnuito menos
i.tzü ra Suma ca tra os le líos: vai colocândo os pÍincipios. Deus,
râdical do que mas 1ã2.
^sostinho, depois os ênjos, a criâçao. o Universo, os seres. elc.. até chegâr na pâr
Averróis havia tirado essa douldna de dentro d;r! obras de
lc psicológicâ c morâI. Tudo é colocado como um sisterrâ totalmenie
Aristótclcs. mâs interpretadas de umâ ceftâ mâneirâ muito peculiar,
hicrarquizado. com âs suâs dilerençês de nívcis e seus conl'liios tam-
que â partir dessâ época começa a virar moda. Esta mancira consisic
bénr. Em nenhum mornenio o raciocinio lógico se afasta dâ estruturâ
err se considerar a lógica de AÍistóteles náo comLr um súnbollr dâ on
.lâ rcâlidade. Ern segundo lugar, Sânto fbmás vai reafiÍrnar a impossi_
tologia. ou da cstrurura do Scr, consklerâdâ no seu refle\o lingliístico
bilidâde de sepârâÍ o naiur.Ll do sobr€natrrrâ1. Ele dizr "Por melhor que
pensênte. mâs conio uma técnica operacional rcltrida apcnas ao pcn-
seja nossa razáo naiurai, exisicm aiguns pontos em que ela náo pode
sânrento ou à linguâgem. Enláo. vai se subslituindo a lógica dos seres
andar sem o auxÍlio sobrenatlÍal".
que havia enl Aristóiclcs por umâ lógica dos iermos, por uma lógicâ
Por excmplo. quando você considera a criação, a existência do
das pâlavras. Isto entra no Ocidente através dc
^verróis. Dlunclo criado, a nâtureza, ela l'oi ciadâ no tempo . No tempo ou lorâ
do tempo? As duas hipóteses levan a contÍadições lsto signilica quc
l{lrno Nào utto Lo\onaquia?l
"ito nâo se tcm como raciocinaÍ a partir de um elenento revelâdo. Mas a
Com o tempo isso vâivirâr loquomâquiâ, certamente, mas acontece criâçáo é a base de todas as ciências naturàis Isto signilica que, de
que csie é o conceiio de lógica qlre exlste alnda hoje Até hoje se enten uma mâneira discretâ e até tênue, embora Santo Tomás seja adepto da
de à lógica como un esquema l'ormal distinto do mundo da cxpcriên- teoria da abstração c não da teoriâ da iluminaqão divina ou seia. vai
cia. entáo se pode bolar um sistema ]ógico inteiro que sejâ todo irreal. clizer que os universais sáo conhecidos por abstraçáo . ele coloca um
lsto significa que, qüando Aristó1eles montava um raciocinio lógi limite nisio e diz que, num ce o ponto, a Íazâo nâtural cngancha na
co paiindo das delinições dos seres, ele estava scguro de que csiava sobrenatural. Entáo, ao mesmo tempo em que tenta costuraÍ isto. ele
lidando com conceitos que expressâvam a consistência olr a essência tem o princípio da unidade ou da continuidade entre o conhecimento

l0 i1
dc orden sobrenatural c o natuÍal. Sânto Tomás alirmará, erltao, reso ertcrna, mâs em nome da anlotidaLe da maiestas gerii, dâ majestade
lutamcnie, senáo â unidadc direta dessas duâs dimensôcs, ao menos tlo gênio. É o primciro que laz isso na história do ocidente.
sua nâo-incoerência, isto é, que umâ coisa nao pode ser incoercnte Isto já mostra que não haviâ lugar no debate público para Lr homem
quc, pârtindo de uma cxperiência espiritual mais proÍunda, analisas-
Nós nunca podenos nos esquccer, tanbém. de que é clc que lança sc o conjunto, como fez Sânto Tornás de Aquino. Santo Tomás ainda
as bâses de todo o constilucionalismo moderno. A concepçào de dc- cra un1 professor universiiário, âinda tinha âlguma autoridâde dentro
mocrâcia constitucional é üma concepçào dc Sanro lbmás de Aquino, .lc um grupo, e Dante já náo a tinha. Sua situaçâo já reflete a perda
que via â cristandade como unl simples Íetlero terreno do próprio dâ oportlrnidade que se teve da salvâção mesmo da Lrnidadc cristá. À
Corpo Místico dc Cristo, ou seja, a comunidâde dos crisiãos adultos e partir daí, essa unidade vai se romper, vai se ftagnentar cadâ vez tnais.
rcsponsáveis capazes dc confessar e comunga! porianto, de participar rcmpre com reivindicaçóes dc prirnâziâ cla palte dc um e da paÍte dc
dâ lgreja. Dcsse modo, este conccito s€ sobrepunha âos conccitos ecle- outro. Esse processo da ruptlüa da unidade crisiá virá lunto. E, não
sialislâs e âos monârquisias ou imperiâlistas. No entanto, tudo o quc por coincidência. virá com a perda da uridâde entte a lógica e a onro
Sânio Tomás Íez. tudo o que ele disse. "entrou pôr um lado e sâilr por logia, entre o conhecimento do Scr e a ordem do discurso.
outro '. O homenr tinha a salvação da civil;zêçáo na mâo... Mâs a paÍiir Esses dois processos sáo irmàos gémeos. Por exen1plo, Guilherme
daí começa a aparccer um lenóDreno, quc é a progÍessiva retirâda do dc Occam, que é o primeiro dos chânrados nominalistas, também está
Espirito de dentro dos dcbâtes públicos. lsto se toflrará claro con1 uma convencido dc que as verdades da fé têm de licar totâlmcnie à mârgenr
espécic de coriinuador de Santo Tomás, que é Dantc Alighieri. do exâmc racionâI. Àquela marca deixadâ poÍ Averróis não loi, portan-
Dante tem a consciência de ser uln intclcctual serr representaçâo to. apagada por Santo Tomás. Náo se pode esquecer que Santo 1bD1ás
públicâ. Ele nAo ient umpúblico pronto. nâo perrcnce â nenhuma orga- só ioi nomeado Doutor da Igreia no século XIX (sete séculos depois);
nizaçáo, não representa ninguóm. a náo ser â si mesmo, cntão se dirige cntão, nos primeiros momenios, tudo aquilo que elc disse ficoLr "o dito
auma entidâde abstrâta, que é â opinião pública. Parâ estelim. invcnta pclo nâo dito". O surgimento de Guilhermc de Occân1, unr século de-
um gênero literário quc depois loi muito usado, que é a Carta Àbe a. pois. mostra islo aÍ. Quem quer que tivesse esludado dircito Sênto
Na Cârta Aberia, o indivíduo, senr lalar exceto em nome dos conhe Ibmás de Aquino jamais podeÍia âceitar esl:r coisa de quc a lé tem que
cimentos quc tem e da sua própda int€ligênciÂ. dirige-se ao público. ser mantida iotâlmente intacta, l'ora da eslerâ da razáo, e vice versâ.
Isto mostrâ a consciôncia que Dante tinha de quc seu conhecimento Orâ, ao mesmo tcmpo, a proclamaÇáo da total sepaÍâçáo cntre.)
espiritual, sua experiência espiritual, já náo representava nada pr.rbli conhecinrento racional e â lé inplica também que a lógica iá nào será
camente, e quc cle náo tinhamais, pelo fâto de teresta reraguarda, esia ljonsiderada como um conhecimento do Ser, como um coniuntlr de co_
vivônciâ do que seria o Corpo Místico de Cristo, nem poÍ isso tinha ncxóes captâdas na própria estflriura do Scr. rnas apenas como cone_
uma autoridade para falar Diz Eric Voegelin. numa expressão muitl) xâo entre iermos. Ora, nâ lógica dos tcrmos. câda termo tem um duplo
feliz, que Dantc ó o pdmeiro que lãla náo em nome de uma autoridade papel: por um lado, teln o que sc chama sig,?ilicdçAo. tcm sempre um

32
conjunto de significaçóes quc ó rcdutível â Lrm certo rcpcriório: por ou' !) conhecimento é constiiuído de ter os, iá é l(antr náo conhecemos

tro lado, o teÍmo excr cc umê olrtra funçáo, quc


chânâda de §uposilio
é a roisd eÍr ri. mas somente suâ reprcseniaçáo. Se exaninaÍmos bem,
(náo sei eratâmenie con1o lraduzir, pois nâo é "suposiÇáo , é -estar rssa é uma liase totalnentc sem scntido
e lugar de outro"i seria "delcgaçâo'. olr "substit!ição", algo assir'o.
llrluno: É porque não se pode ( --) a rcPese laçda se rcieftnci't

l\lrno: "Superposíçaa" , ÍaLre.?l no que é rcpresentado (...)?1

Supeposiçao... Na verdâdc scria nêis uÍÍa espécic de interinidadel Nào é só por isso. É porque aqüilo que a coisa lhe apresentâ' se

o sujeiio esiá ocupando o cârgo no lugar do outro. Isto significa que o você clisser que ó apenas um aspecto ou fcnôInenÔ destâ acaba chc_
termo está, na sentençâ, em lugâr dc urn ente. e tudo o quc se conhece gando cm contEaliçóes absolutamente insolúveis, poil está supondo
é sobrc o termo. e náo sobre o cntc lsto signilica quc. de acordo com qlre a coisa em si se constitlri de uma coleçáo inunerávcl de aspcctos.
Guiiherme de Occâm. na verdâdc. . ro passo que sua apresentaçào, ou rcpresentaÇâo' se constitui de um

ora, isso signilicâ qu€ só se pode ver as coisas sob detcnninados as


lÁluno: ( ..) reprcsentuçAo?l
que cu sai'
É. nós nilo conh€cemos as coisas diretamentc. mas apenas os scus
fcctos, conforme elcs se aprcsenlam. mas nunca ninguém,
ba. Iez a pergunta clrntráriê. Só posso conhecer a coisa por âspectos'
conceitos. Quâl é a dilerença entre significâEáo e suposiçâo? A sig
Mas a coisa poal€ se apresentar de outra mâneira? Isto significa qu€ a
nilicaçáo ó o conjunto; e a suposiçâo, ou substituiçáo, a suposilio, é
§übdivisáo cm aspectos náo ó uma limitâçAo 'ln n'ssÔ 'onhecimento'
apenas o sentido que aq!elc tcrmo tem naqüela frasc. Significação é o
clê faz pârte da própriâ cstrutum da r€âlidade Portênto, quando co-
conjunlo; as significaEões estao no dicionário. Nulnâ cerla liâse. nun1â
nheço â coisâ só poÍ um aspecto, náo ó que só posso conhecer por as
certa senienÇa, adquire um significado precis.r e, portânto, é uln ente
pectos: a coisa também nâo pode se mostrar sob todos os âspectos ao
determinado que â palavÍa substiiui para efeitos do raciocínio.
mesmo tcmpo- pois esse é o modo de sua rcalidade cspâço{cmporal'
Essâ lógica dos tcrmos é, entáo, aprimorada tecnicanrente dc modo
Conhccer a coisa por aspeclos é, portanto, conhecer a próp a coisa
muito rápido, pois, na nedida eln quc sc desvencilha dâ rcsponsabi
en si, pois a coisa cn si é assiml Por exemplo, quando estou nun1
lidâde pelo conhecinento do Ser, cla vai virando uffa tócnicâ iorn1al
rlos lâdos da mesâ, só posso vê Ia por este lado. Mas elâ poderia se
e seu dcsenvolvimento é quase automáiico. Dâí ató a modema lógica
mostrar:r im de outra naneira? Portanto, o faio de quc ela tern este
matemálica. o âbismo que vai se criândo entre lógicâ e rcalidade é
lâ.lo voliado para cá e não iodos eles voltados pâra o mesmo lado não
inenso. A lógica nào tem mais nenhuma sâtisfâçáo â prcstar à reâ1i
ó una limitaçáo cognitivâ minha, mas a própria estrLúura do modo de
dade alguma, e isso significâ quc também a separaÇáo entre esta e o
conhecimento vai s.. tornando cada vez maior O que Guilhcrme de
Occên1 cliz, que não conhecenos dirctâmcnte os seres, que todo o nos

35
:1.1
]-r"-.-''''

cu esrivesse vendo. vocô estâria lnono. nreu Dcus do Céul Não solr cu
l^lunor I o rsPaço?l
que não consigo vcr, é você quc não conscgue moímr, pois náo pode.
lslo significâ qrc. quanLlo cu estou conheccndo um aspeclo e
â
sernmorrer lirâr scus iniestinos. seu iígado. para nostrá los para nirn
coisâ cnr si que cstur conheccndo. c não ape'râs Üm ienôneno
utna
Esta limiLaÇáo é, entao, a est tura do seu modo de existência. e ó
aparência. A mesa cm si tcnr sinuliâneamcnie todos
os scus lado§'
exala rcntc assirn qu€ eu the vcio. Portanio, esto! vcndo exatamcnte
rnas náo 1e]lr todos eles vollados para o mesnro lado
a náo ser nun
a essôncia reâl tal conlo ela se apresenta. Vollâ]nos ao anligo Ploiirro,
quaclro cuhistâ nuln quâdrô cubistâ vocô póe nxlos do
mcsnlo lado -'
quc dizia quc nada é mais lãcjl de conllecer do que o essência dns coi-
dos seus
e isto é a coisâ em si N:úl À coisa cln sié a simullancidadc sâs, pois csta se nrâniltsia na fonna. A essôncia não ó um mislório por
adu.
',Jr..dô' lbr' !Jrrô' r.l '' . 'u l'ru ' qniii'a \Lrc trás dâ lbmra, ó â própriâ formâ qlre sc manifesta Quândo vocêvê urr'â
crtjÍc unrâ pcúeiia. colno diriâ SantLr'Iomás dc Aquino conrpropor'
vâcâ, náo é uli] aspecto dc Íaca quc você vÉ, ó vacal
ci(xrâlidacle" cntre nossa pcrcepçào c â csLrutlrrâ da
reâlidadc Nao há
tarde l(dni verá
o abismo quc Cuilhennc de Occan via ou qÜc mâis ÍAluna: 'Fama d.al esse rei"?l
EIes, nâ verdâ.le, sc iiudem por palavras
lsso. exâtamenle, "a lbm1ê dá o ser das coisas". lsto signi$ca quc a

apefias ufia ctistaLizaçàa de cone{ão de lógica c ontologia ó lnlrilo mais próxinra do que sc pensa
lAliino: E o lerna "rcprese laçào" é ontologia, ou seia, podeiros
A lóilica pode scr operada scnl relerôncia à
ruda um desses as?ecfu)s?l
pcnsá Iâ sem rcÍerênciâ, n1âs esta distinrao náo está nâ própria lógica'
Ceriâmenle, a representaçAo ó o lerô eno tâl como âparecc ern sua
cstá no lDodo de opcrarmos conr cla. },lrlão clas enl §i ráo têm abismo
mente. Fenômeno é nquilo quc aparcce Náo há um âbismo enlre a deliniçáo da cuisâ. da essência da coisa. c
sua exisiência. Nós é quc podenros, por dbsimçâo, olhár unl lâdo' olhar
l \,ur a. \,rr ' o lrttlo t' t- - tlur Orruti dt ta qtr
tt.t tittrtt?P' o oulro. ou olhitr os dois ao mcsmo te po Tr.Lia sc, cntào. de umâ
podenu)s conhecet nào !. a aspeclo em si ttlutbéttt ( ')ll dislinçáo nominâl que os camâriLdas toman colno real de Guilhernre
Nâr)1 Aí. além de você lcr a separâção cntrc a coisâ e scus aspeclos' dc Occânr ató l(âni, e àié hoje
nâ mentc' e cntre
rem a separâçáo entrc o âspecio e suâ represcnlaqáo
â reprcsenlaEáo na mcnte e sua expressão vcrbal' e assnn por diante' l{\una: Lngnça(la Erc o póptio Atistóteles iá ti la pext'bítl')
Ou scia, você vai introduzindo uma §üccssáo
dê âhism{)s c' no lim' ficâ que se potletio tet essa iúerPrctttçào eÍruda... (...) dessa distittlcia, e
nr, nâ conlusão miscrável. Mâs â confusão é puramente vcrbal'
pois eb tl.tí un eret pt.o de Lomo esse ca tillho ttãa lcüa a lu\Ltt enhlLn'
dilcrcrça díze rlo: 'St üocê aai Li1'anào os \ciclentes- só sohru o espaço. o Íin
ela começa conl ümâ coníLrsáo inicial, dc qüc existc urna
essencial cntreâ coisâ e seus aspcctos, quândo teÍ aspectos é â
própria , uodtc\ ),taú'.naMJr I dt.. \la nou' a,LnÍot'n""u"t
vendo' mas não
estrulura de rcâljdadc da coisa. Por excmplo eíou Ihe
estou vcndo o íuncionâr enlo do seu figâdo' clo seu
pulnrão eic E seu
.17
I
Claro quc se podcria làlconro Agostinho, Arisrórelcs sernpre partia lnlrLna Na e ta ta, nós nos ]ectimin tas.)

clâ ânálisc da expcriência rcâ}. nnnca de conceilos filt'jsólicos


já Úaba
Clârol l\Ías isso é un1a tcrtação dcmoníaca. Você n.lo consegue co-
lhaclos. Feilâ rma ctisiinçáo lilosóficÂ, cla tirha scnlprc que conservar nhcccr a vacâ toiâl poque eh lambén nào conscguc crislir cle ma
sua raiz nâ cxperlência e podcr retornar desdc as Úlrinüs conclusócs feira lotâl. Nâscc pcqucnininha e vai crescendo. e. cm cada mome|io
âté os primelros clementos de cxpcriência co.rpactados c conrplcxos' quc clâ ó, clâ só é âqüilo que é nâquclc momcnto, os outros Dronentos
tal como eles apârecem na vi.lâ concrciâ A pârtir de Avcrróis, porén, jri loranl. Sc vocô tcniar conhecer a vêca totâ], vai conhccer por unrir
..1áí àté Guilhermc de Occaln (e dc mai§ gcntc. Ião são só dos dois)' duira Dlodalidâdc: por obscrvação e por ínaginaEão, quc vocô vai ier
começa-sc a racbcnra. cont basc cm Pr{nncnrÀs intclccluris, técnicos quc corlrpleta. Nao vai poder tcr agora. a pcrccpção .lo que â vâca lbi
Guiilermc de Occam é Llrn sujcito muito inteligentc que dá Lrma três anos âtrás. isso náo dá. N:'o pr,.te toniar hojc o lcitc que a vlca vai
.ôru.J, tô!r... L rd .LIr d' .ir.u'.u.', u, (.lr\orr'(r I *u rr.i' dai r.Lnhâ
inielectual N{as cm nenhun nromenio sc reporta à erpcriônciâ rcâI, Quando você exisc isso c nâo consegre, dâí crir o abismo. Mas
for.. .. ( \. \1r:r' r''rr( i'\u ,ltrr - <\lcri(''Jia
L notc quc isto ó rm erro lógico. Lnn erro dc abstrâcionisrno: você estaL
r.rl ,i..,'rp. rr. I:rn.uu e. qur nlÔ p' tomando por distinçâo real urnê dil'erença que só cxistc mcnLalmente.
coisas quc nAo podem sc mostriir a mim a náo ser por pârics Ponanto, Íislá supon.to que a vâca quc você cslá verLlo por lbra ó rcalmcnic
isio ó a estrutura reâl dc1Âsi â linitâção está nclas, e náo eln nrim scpârada da qre eriste por deftro c quc vocô náo vê. O que está por
lora a vaca mostrâ, c o que está por dentro cla tcm quc conservar
lAlúna Naa pad.e set Ítue úós, tle
lna Leia furna. satnos Íruídas ,- 1'n( iJu. n1.o, Iôr. o q,rc jr \, r; \. ,, qu. r \d.jr
p(» nosso .leseít)? Poryuc osso dcseio setiú de cofihecer lrLdo s()bre não nrosra vo.ô iniÂgina. e conrplcta aimvós do jogo de inaginaçáo.
ãtgufia coistl. No e lanÍo. é cano ter üna met1le atada se seúi::do mcmória, pcrccpçáo do ser das cLrisas.
cülpado. (.. )) Uma coisâé vocô pcrccbcrâssinr. Narealidâde. todomundo percebe

Nâo, o dcscjo é pcrfeitanrente legítimo. pedcitamentc Sanio Tomás


âssi.r perceber nós sabcrnos há muito teÍnpo, no tempo clâs cavcrnas
já sabíâffos; podanto, é unla habilidadc muito âniigâ Mas a habilidâ-
iá tinha rcspondido a isso dizendo o segllnltc: quc ó próprio do sábio
de de montar râciocinios lógicos começâ coln a lilosofiâ grega, entao.
nrlo tcntar conhccer üais do qüc â coisa ó
na escal.L hist&ica global. cla ó muilo rccente, é r1ova, Evidcntcmenie.
vocô náo tcnl o domÍ1io.lo raciocnrio lógico corro o te
l|luna.Potque daí para Írcnte elc desanda' iioél')
r dn percepçào.
Erltáo, na hora cm que ienlil expressar logicamcntc o que eíá na per
Porque dâÍ para .lianie estamos invcntândo Exisie LLmâ limitaç'o
cepç,ro. podc comctcr uma infiridade de crros. Na escalâ da pcrccpção,
.:lo conheccr, e existc unla limihçAo &r ser orcsmo dâ coisa Sc â coisa
!ocê náo vai cometê-los Gâranto quc Grilhernre (le Occam nunca tm-
eristc de mancira contingenle, cla só pode ser conhecida colno tâl tou âs pcssoas do seu ellomo conlo sc f(xscrr nrcms rcpieseriaçóes.
Náo é unrâ hniuçao sua. é dc1â
11

que clc as lrâiava como pessoas reâisi .lrc ele nunca coÍrcu a reprcsen no sentido de conhecimcrto puramente racionâl foi praticamente im
laqáo de um prtLto dc leijão, coDleu o pr.rro dc leijáo Isto sigrificâ quc' pugnâda no Islá Foi cLrnsentida, mas impugnacla, porque acima dcla
na eslera da existôncia real. do leáe s,lrell, cle Àgia conro umâ pesÍrâ há duas coisas: a revelaçáo dâ sáarir7, qucr dizet a lei, o Corão, e o
nornrali só !omo iilósoto é que cra louco conhecinenio nrístico. E âmbos se dizem superiorcs à filosolia.
Essâ.lcíasagenr, csse abismo cnire a expcriência real e o n1lÚdo Averróis, na prarpriâ evollrcão islâffica, acabolr tendo muilo pouca
das cogiraÇóes lilosóficas coneÇâ ncssâ éPoca À origem dcssa rupiurâ inrportância. Nào ligârarn nruito para cle, pois erâ apenas um iilósolb;
é islâmic.L. Íl con1 Averróis. Ou scja. nós conlraíInos esta doença do c lá o sujeito ser "apenâs um filósofo" signitica qlre elc não tcm nada
Is1ã E de onde vcrn esttL tlocnç.I'l Vcrr clc quc. no Islá, o mundo da dc inrportantc a dizcr Se sua filosolia esti!€sse cncaixêda com â teo
c\periência religiosa é tigorosanrcntc separado do nnnrdo da religiãL) logia islâmica. como ê cle Al-Ghâzali. olr con] a experlência místicâ.
cnquanto noÍna clc virla cLrmum. ,\ nonna dc !ida cL''r rn iguâl para conro a de tbn'Arabi e ouúos, aí sinl. Mas Aveffóis foi "iogado para
' jican lora as traças' . Por quê? Porquc cra o represenlante dâ Filosofia grega no
lodos. mas as revtlaÇÕcs inlimas, tLs cxpcrlências místicas,
disto. não cntranr na discusstlo pública. l-l a diierençâ que elcs ch rnâm sentido estriio, ial con1o ele a enlendia - quc tâmbém já não ela igual

J. \rd../r., U(".ii tH.tJitt tut c,"rJ',J( t. nrro n- \at'tt\ttL ao modo como Àristóleles a entcntlia Era entendida. eniáo, como um
e o rs.,ler flÍr. â dislirlçáo quc, séculos depois, René Guónon rplicará conhecimenro puramentc râcional a pârtir dos dados scnsíveis E o
à oislan.lade fus conceiios de esoterisDro c exolerismo sao copia'los nlundo islâmico scmpre resolveu esses conflitos através do lumpão..
iguaizinhos aos do munrlo islârnico). li elc ohegará a uma tal corrlusâo Há o famoso episódio de A1 Hallaj, unl nÍstico que, lendo prâtica-
que clc meslno, querendo rastrcar âs oriilens do cristianisnlo (elc pcr do os ritos ascéticos durânie muito tcmpo, chegá a um cerio csiado de

.. r" auJ,'. i.. J'. d.''u ír'ln,'' J"ri\_nu e'"i' ri''r a nu' rr'r l,rit âbsorçáo na divindade que diz elh pÍrblico: "Árd al Haq(l", qtrf.r dize\
mo). no lnn da vicla. nurna cêria, conlessâ: "Quanto nlais cstuLlo isso, 'llu sou Deüs". Os teólogos olrviÍam isso c lalaram: 'lsso é blasfêmial

n1enos cll enlendo". Você náo podc ser Deus. porquc Deus é un1 só. Se lem um lá c outro
Vcja qlre, cmboÍa Guénon contessc isso crr pârlicülar, enr scus li aqui. já sáo dois. lntào temos que lhe cort a cabeçâ'. E a coriâraln.

vros publicaclos elc mâlrtém csia distinçao, c selrs discípulos c seguido- de 1àlo Quando a cortaram, eles nresmos falâram: "Mas o caü erâ
res mantôrn jsto rigiLlamcnie l\'Ias por quc ftLnlê1r rigidamcnte sc cle unr santo, por que lizemos isso?". Aí comcça aquele debate robrc sc
mesmo cs1á dizcn.to qtlc náo sabe'l il porque sc criou ulna e§lócic de o sujciro tinhâ ou náo o direito de dizer aquilo, e chegâram à scguinte
âutoridadc papal dc liené Cuónon c as pessoas têrn quc seguir aquilo conclusão: que sentenças ditas por míslisos no curso de sua cxperiên
Ent,Lo, sc cle conttssoü quc nao sabe. pollco impírna' Por quêl t')orque cia mística náo sáo julgáveis em tribunal.

cles lhc reaplicam o nrcsno esqucn1tL: valc o quc Guénon disse publi Isto significa qlre lodo o mündo .la experiência nrísticâ fica à mar'
camcrte. Fazcrn isso quase quc inconscienlerncnte. ) ( gcnl da discuss,to pública, mas sc reconhece como cxistcntc E até
Ora, vcja que Aveüóls tcve alguns crcontros, âlguns tlcbates com hoje, no mündo islârnico, náo eaiste o €ncaixc disso. Se você pegar um
mislicos islâmicos. que irnpugnavâm lotalmente a Filo$liâ Iikxolia rnuçolmano c perguntar o que ele acha dcssas organiTações místicas,
^
ll
dcssas ldliqas, como elas se chamam (ldr&r7 quer dizer câminho), uns como queí, eo Estâdo náo tem quc se meter nisto. poróm. aos polrcos.
dirão que aquilo ó o supra-sumo da naravilha, é o próprio espírito do âparece a gritariâ do tipo: ,,Mas querenros ensino graiuito.,. E qucm é
Islát oütros váo dizer que é a praga e que ten) quc matar todo nundo quc pocle dar o ensino gratuito? Só qucm já iomou seu dinheiro, por
Ou scja, o lslá náo sâbe o que làzer com isso até hoje. outro lado, chamado imposto. é que pode dar o ensino ,,pseudogÍatui-
Àtravés de Averróis, esse dualismo, esse abisnro de scparaçáo, con to". Entâo o Estêdo coneça a se neter na educaçáo, na cultura, etc.
iamina o ocidcnte. e nuncâ mais nos livraffos disso aié hoje. Agora, Há uma outr.r situação: de u lado. havia iniciatnente o Estado
que cstá havendo esia onda islâmicâ, ó quc a gcnte conseglre rastÍeaÍ a l.-igo como aqucle que imperava sobre uma sociedadc religiosa ou mul-
origem disto lá paÍa irás, no século Xll. o que, naiurâlmentc, rccoloca tirreligiosâ; do outro, há o Esrado leigo que irnpera sobrc uma socie
em questáo todâ â relaçâo entre o qlre seria sociedadc políticâ e o que dade leigâ. Significê que, na mcdida ern que a vida religiosa é retiradâ
seria rcligiáo. do domÍrio estatal, eia acabâ sendo retirada do domínio público para
Por exemplo, essa confusáo entrc Império e lgreja, qlre começacom o privado. Mas aconiece quc o domínio privado nAo tem limites claros.
Bonilácio VIII, Egídio Romano, etc., vai evoluir até um ponto em que cducâção, por ei{emplo. é privada ou pública? Se o Estado provê a
náo há outra soluçáo senâo cria" um Estado leigo. O pcssoâi das reli
^cducaçáo, entáo ele nâo poderá pro\,er educaçáo
religiosa. Durante um
giocs cstá se pegando a tapa. Iá tendo rido a Relbrnla, tem que lazer lempo, â influênciâ Íeligiosâ permanecerá, pois elaestava imbricada na
um Esiado no quâl todâs as rcligióes possâm conviver de algum modo própda sociedâde, mas r1o fim será retirâda. Nos Estados Unjdos, hoje
e que regre as relaçõcs entre elâs sen1 enltar no inérito da questã.) ent dia, há muitas escolas em que un1 garoio nâo pode entrar com a
teológica. lsio é uma solução? Náo. É um paliâtivo. Uma cois.r é o Bibliâ, senào ó suspenso e pode scr exputso: e se tãlaÍ da Bíbtia podc
Esta.lo lcigo como aquele que imp€m sobrc uma sociedâde religiosâ ou ser expulso tambénr.
nultirreligiosa; o!úa, poróm, é o Estado tambén gerâdor dc lcis e Islo significê que o Esiêdo leigo se torna um inimigo da religiáo.
na nredida em quc é gerador de leis é gerador de normas morais e de Nâ m€didâ em que se tornâ inimigo da rctigiáo e participâ de toda
\,alores culturais. etc. Ele começa. então, a influcnciar a sociedade e a a cultura anti-rcligiosâ e antiespiritual moderna, ele cria um câos de
torná-lê leiga tâmbén. valores em que podem surgir cliscussôes como essa do peter Singer
Por exenplor o ensino eÍá na máo de queú, do Estado ou dâ sobre o direito das minhocas, sobre sevocê tem o direito ale coner uma
Igreja? Hoje, está na mâo do Estàdo. mas esqueccmos que isso foi gâlinha, ou nâo, e contra o preconceiio do ,,especiisnro,,. Ou seja, você
muito recente. e que morreu n1üiia gcnte para que sc chegasse a isso. achar quc o ser humano é mclhor do que um orângotango é um pre
I)urante um certo tempo. acducaEâo náo estâva na máo do Estado. Nâ conceiio espcciístâ. Eu nem sei por que nos congressos ern que se diz
trâdiçáo americana, a educaEáo nunca esteve nâ ]não do Estado os isso náo é admiiido nenhun1 reprcsentantc dos orangotôngos. por que
Esiados Unidos passarâm a 1er um Ministério da EducaÇâo no govemo somentc os seres humânos têm o direito de làlar contra o preconceito
limmy Cârter. À educaçáo é problerna da sociedade: cada um cduca cspeciístâ? Por que náo ouvir o represcniante dos chirnpanzés, dos
os seus lilhos conro quct cada comunidâde religiosa educa seus íilhos orangotangos e dês minhocâs? Aí você chega ao câos total, quândo

1Z .+3
materialismo e dâ negaçáo de tudo, até no niilisDro, o passo seguinte
já náo é câpaz de distinguir por que está numa asscnbléiâ e náo
eslado de
tem um orangotângo sentaalo ao seu lado; você está num
estupidez comPleto. lAluno Pot que o lsLà e fião o budisno, ou.__?l

ÍAIúno: O E)e prcact q e os on Eatansos saa t eLhoÍes do que Tàmbém poderiâ ser, se estas religjoes tivesscm o apârâto impe,
rialista que tem o Islá, mâs náo têm. O budismo, na verdaale, se ex-
algutts...l
pandiu muito pârâ o Ocidente, porém cstá seüdo destruído em sua
Sob certo aspecto, siml Elcs jamais coneteriâm
un1abesteirâ dessas'
própria terra. Leiam o meu artigo editado no Cloáo,r no qual com€n1o
uma minhocal Imagine
Um orangotango iamais vai se coniun'lir con
a frâse do Dalai Lama em que ele disse o seguinte: ,,O marxismo tem
a ze
un ]eáo. Tem aqui um bando de leóes que dizem: "\'dn1os câçâr um mórito, ele se baseia em princípios morais. enquanto o cap,iêlismo
tem você de
bra'. E um lcáo pcrgünta para o outror "Mas que direito busca apcnâs lucro e rentabilidade... por isso sou meio budisiâ, meio
1eâo náo se coloca
comer zebras? Isso é um preconceito especiísta"' O
Dralxlsia'. Eu digor "Vocé é neio meniiroso e mcio idiot.r, isso é que
esse problema. Ele sabe de suâ superioidade em
rclaçáo à zebrâ: "Eu
vocô é1".
ponto final"
estou aqui para comer, cia está para seÍ comida, e
Por quê? É simples: conheço o
n1â ismo e conheço toda a filosofia
uma aberturâ
Nâ medidê em que se criâ isio, tem_se pôr Llm lado,
do liberâl-capitalismo. Sei que csiâ úliima é toda baseada em prin-
de substiiuiçáo
âos grandes movimentos ideolÓgico§, qüe são religiões
cípios nrorais. Àdam Smiih, aúes dc A iqueza tlas naÇões, está lá
à penetrâçáo is-
ou pseualo-religióes; por outio, lem-le uma âbertura
imbatÍveis e é o que
ÍIâbalhando a Teoria dos senlifie Íos moruis. e assim por diante.a Ele
lâmica. Quando csse§ alois se â1iam, tornam_se
civilizâçáo do
leln essa preocupaçâo, IGnt tem essâ preocupâçáo, Iohn Locke tem
está acontecerrdo hoie. Isio signilica que náo exlste;mâ
cssa prcocupaçâo, todos eles. E enl I{arl Marr náo exisie preocupaçáo
a civilizaaao iudaico
Estaalo lcigo;náo existe â civilizâçáo leigâ' Havia
moral de espécie alguma, ao conirário: elc nega a substancialidade dos
iniciâlmenie
crisiá na qual o Estaalo leigo aparcce como um intelvalo princípios moÍais dizendo que eles sâo apenas aspectos ideológicos
mas um
criaalo paÍâ propiciar a paz entÍc as organizaçócs religiosas'
supereslruturais à economia. Dito de outro modo: pâÍa MaIx, moral
e com sua
intervàlo qué terrnina com ê autodestruiçáo da ciúlizaçáo é apcnas legitinaçâo ideológicâ da economia. seja a escravisla, seia a
ou âo Islá'
abertura olt à revoluçáo, aos movimentos Íêvqlucionátios'
peÍguntar por que â leudal, a capiialista ou a socialista.
que hoie em dia ó a mcsma coisa. Entâo se você
Isto significa que, ou o Dalai Lâmê está lãlando sobre coisas quc
quando se chegou
Europa está se islamizânalo o tempotodo, eü digo:
ignora totalmente - c ele náo tem nenhum direito de fazer isso. entáo
€ivilizaçáo laica'
ao ponto em que, a partir dos elementos da §upo§ta
é um irrcsponsável, um idiota , ou eÍá mentindo conscientemente.
já náo se é câpaz de distinguir um homem de um orangotango e de
pois afinal
uma lagal1ixâ. eniáo vem o Islá e cnsinâ essâ distinçáo' ' 'O Dalâil]âma rd€'r''. O C/ràd,14jun 200J
rÀiam Slrrr.Á,iqre2, dal raçôes SáoPaul{r: Nova Cultuiit.1996
tudo
d€ contas. elc iem vâlores, iem uma trâdiqáo, una cosmovisáo' | tu)na das sentihehktr narun. Sáo Parlo NtaÍins Fonres, I S99
chegou no auge do
orgânizado. lsto signilicâ que, quanclo o sujeilo
+5
+1
por essâ criâtura depois de ouvir [A1rrt1() PeLa menos a úertente libelana, não é?)
O que sei é que perdi todo o respeito
para quem qllcira para mlm nao e o Islâ taDrbén está contâminado pelo comunismo. mas ele nâ ver
isso. EIe é autoriclade cspiritüâl
mais. Náo pode lalar uma coisa lsso é táo absurdo e mentiroso dâde nào ioi a[elado por nada doconünismo. está ó usando-o. Durante
'lessas que foi expulso de sua tempo. ele foi usado, mâs agora o eslá usando, e mantém sua !lni_
que não iem sentialo. lsto tlito por üm llrjeito un1
cinqüentâ anos no exiljol dâdc. E está náo somente em cxpansâo quantitativa, no scntido de âl
ierrâ pela ideologia comunista e quc esiá a
mal! guns ocidentais se convcrterem â isso. Ínas é tâmbém urn lenômeno de
Isto é o supra-sumo alâ sübseNiência ao
mâssa. Você não vai compârar a eÍpansáo do budismo coln a do Islã.

o Comple:xo d? I:'síoúlmo ou Sí drcme Alóm disso. o budismo nao tem organizaçâo política própria. cniâo
ÍAlllt1o. tsLo se parcce com
o sujeito pode se converter e continuar levand o sua vida civil separada.
cle Estocoltúo.l
riv("e (ortr'r<nci- e'pi_ Já no Islá isso é impossível, pois ele tem sua legislaçáo civil ptópria.
Smdronc de L.roculrru sÉ e\\e \omcIr
HniAo, quando você entra no Islá, corta todos os selrs lêços com â so_
riiual, iamais ele cairia nisto' cicdade extema e só vai conviver com ela de longc. Sua convivêicia
s€rá essencialmente dcntro da comunidade islâmica, pois apenas com
que teln ufia cena naquele lilfie que fiostta
IAIüÍto. Ertgaça(lo é
outros muçulmanos se pode conviver islamicamente. Aquilo é um blo_
Nessa
a bio?raÍia dele, em que ele se etlconba com a Mao Tsé'TunE co, c quando cresce anexa cadaelemento integralmentc. cercê o sujeilo
o fiatxistfio é bofi'
ce a: eb meio que se conÚefice d'e qlle rcalmente por completo. Tanto que muitas pessoas que sc convertem âo islamin
fias depois olta atús (...)) r'ru .ornem; roô \\ ou', m1i. lil"r J*1". publrcarrenrc E o ca\o dc\.c
hein'l Ele diz€r que o
Pârece que o Mao Tsérlung leva vantagcnr cânio( o Cat Stevens. Esse suieito sumiul Ou seja, não tem mais ieito
,r,artisrro i bos"udo princípios moraisl or não leu uma linha de de ele ter uma vida cxterna, civil. exita-islâmica, pois há uma Íegra
"m grana da KGB pâra 1ãlâr
Marx ou é um mentiroso, está lcvân'lo uma pârâ comeÍ, üma regJâ pêra lon1ar banho, uma regrâ paÉ iazer comór_
isto. Náo iem ouiÍâ alicrnativa cio, uma rcgra parâ casar, umâ regra para isso, uma Íegra para aquilo...
fm .um.. nxo da pár" c, n\ i\er (um ndo 'lam'co..
\o'P tttttliu dc"'aDo\içào- a pc-
[\'urú /'.lo fle'o no Íilfie I lP lsto significa quc o lslã es1á se oferecendo como remédio parâ unr
Mao Tsé TufiA
son'.trent (...), o atar que representa ele' loit '
ÍaLoLL
mâl que ele mesmo c ou. Ele nesmo infecta o Ocidente com isto, cria
pela me os"')
catúrcr o budis lo. Potque, a ptificípio, uma séric de inlecçóes ao longo do tempo, e no fim aparccc como "sa]
Mas"'si ''o' à vador da pátria' . Mas isto aí será um assunto iá muito complexo que â
Nós náo sabemos sc essas cenas são autênticas'
mes gente poderia anaiisâr melhor depois.
z)era. à bene lpnato" 'pois' no tim, Mâo Tsérlirng levoü vantagem
prosiernaçáo anle o marxismo mostra A gente entende melhor, na verdade, a filosofia dc Santo Tomás
mo. Essâ ab.licaçào. esse ato
'le nào tem lorças para continuar de Àquino colocando-â dentro desse contexto que discute qual o pro_
o quê? O fim do budismo o budismo
náo tcm uma cnergia interna O Islà iem'
Ele será escravizado,
+1
blcnâ â que ele rcsponclcui e mais ou mcnos como respondeü, do que uto{leb esÍrututa ctiarla na cabeça de aLguén, inzretiado ( )
é Lltfia

analisando intcrntLnente os dctahes dcssa filosolia A genialidade do XIns ela estaaadize d.a: " ,uasso orlelL', no q e a Eeníe Íoí educado,
slrlcito aparccc nuito lnais pela equaçáo históricâ que elc tinha na tliz, pot etempb, que a z)aao estti aí para set- usctda, ctploruda econo

náo. e como a resolveu. do que âpenas pcla estrutura interna dcssa flticnmetlle, cotilidll, elc llas há un t1oüa naàelo. tambin, en que a
lilosofiâ, eíÍütur.L quc no lim dâs !o tas é bâstante simpie§ raca nãL) é un1 hent aa nosso dispor".l

I.,n.;..1.n,a,hivr,ôn{,.jrr\'.., . .oi.d.lu. :r1..jrn


IAIünor (.. ) Lhha ttoís Laneütátk)s (" ) O ptineitu delcs é
E?r dcpois. ó evidente.
quanlo a essa dsào calncçdt t1o Ociclente caln A1)e óis et rc Lólica
e otúola|ict. uo ó'l (..) a idlia é disc tso itleologi@ alé set sabcr fAlüno: f...). ELú coneçou a ne Íalat e da oprcssào àas tacas
qua .la é ímprcsso. qü? (:a lru a & 1pletanel1te a Úifu rcal ( ) |
t...).
Isto já seria um eleito relnotíssimo de unr estâdo dc alienâÇáo entrc o ltcnâto Iânine Ribcirc náo escrcvcu um artigo dizendo quc
N,Í.Ls
a linguagem e â expcriênciâ (. ) ó unr âleniado ao direitr) dos aninrâis você ircinâr o cachorro para ete
não làzcr pipi na sala, qlre tenl quc dcixar o cachorro tazer pipi nâ sala
lAj:rto: Falo a quali(lade nais prcsaica e wris ("') rluando e11'
de quâlqucr ieliolL
lnLt no enprega, ela sabe que o enpresário qlte o efiprul'o que o Pois él Você trcina suê mulhcr parr limpar, o câcho o não Depir is,
patúo é (-- ), mas cLe úderc aa disüoso de qüe a pabaa é etpk»ador' quando poe aíacachorrinha l\,lichcllc parapêsscar no carro prcsidenciat,
eÍc. a priori l lsso está inicirillnente normal O estrânho é o presidcnle usar o can.o

\J', fa --u .', r" -rlu 1.1 I rL'ao 'r r ' l' Jre g'^"r l: '" prcsidenci.Ll, dcslocar a cLritada da cachorra c rlsar Lün carro que. no
"quur(
lim das cont;Ls, é dcla

LL',)na: ( ..) O s4lt tia et? |pk) a qua ta 4.


da "as
í)ocê ÍaLou l{lü11o EngmÇado é quq nos Estados U idas, surlítr 111Í ut!:utn
sembléio ()os onn|olan|as' e de que o IeAo sabe (tüe a zebru está aí te tpo utlta nozra conenle {le aryumel1laÇão a latot do direito das
paru set calniàa e pelo as dais (. .). EsliÜe cotlÚefit1ndo com ütha racas, {tue é 11o se tidr de q e elas sãa símbobs rcligíosos. po|t:ausa
prclessoÍa (...). ta essa prclessara cr:,neço a qtlcstio at a educaçãa r1o hínduísna, e Ílue, pattanto- quantla aca mata una üaca. está

que é daàa, LradícionaL.. fazetldo d úsma Loisa que chuíat umú sa to_l

â gmmsciana Pois ó, nlas o que cics náo levaram cÍ]r conta até agora é a vida se
Qual clelas? Nao cxisre nelrhuma tradicionâI, só existe
crela das plantas, plris as plâniâs tambóm senten1, então não se podc
(lue a Eente' o LnadeLo comcr ânimal e tanrbérn náo sc pode comer plânia. pensando bem.
lAfunot Pois é, mas eLa me deuÍ) e?iemplo de
qtrc esta aí, ct»b se losse um fiodela (. .). Pior' 11ão é o nodelo a náo se pode comer coisâ enhlünal Qlando chcga nisto. você esiá

49
que chega um discurso
num estado de íragilidade intelectual tâo total
certo senso de
islâmico e e1e lhe ganha na primeira' poj§ restaura um
de centralidade'
normalialade. O Islá iem um senso de normalidade,
que também tínhamos, mas (.. ).
isso nâo é de
O que se tem é umâ guerra de civilizaçÔes há séculos;
época' atrâvés da
agora, E essa guerra começa mais ou menos nessa
Àverróis aca_
disputa cultural. No fim, vê-se que, ao longo do tenpo'
lbmás de Aquino'
bou sendo mais influente no Ocidente do que Santo
para nem
A ciência toda tomou uma alireçáo averroísla, e náo tomista'
opçáor o que
falar agostiniana. Eniáo agora será colocada de novo esta
se que! afinâl de contas? Por um la'lo, há umâ
sociedade que criou

direito, mais aquele, mais âquele E há outra que toma todos


es
esie
ses direitos. mas devolve um §enso de ser normal Todavia é uma nor_
é umâ condiçáo
malidade diminuída, pois a condiçáo do muçulmano
de ilrdeu e de
extremamente baixa. Você vai peraler sÚas prerrogativas
cristáo, que Deus iinha aberto, e agora náo vai ser nem povo eleito e

muito menos filho de Deus: vai ser aáed, quer dizer! escravo
Lste iá e um ourro conc.ito de rcligiao e de 'ocicdade'
tum ero_
Rüshdie
terismo brutal no qual náo se pode nada e âí está o Salman
quer que esses go_
que náo me deixa mentir' A gente, por um lado,
que ningüém
vernos tipo Sadalam Hussein e aiatolás sejam mântidos'
mexâ 1á, e, por outro lado, quer a liberdade
pala o Salman Rushdie
Aí fica difícil. náo é? Leituras sugeridas

DENIP4 AroÀ sa.nm rmperu,: .d Fit$aÍa ,iettd sbtú e à.ttÕ stdb trt ttik?ri .

GILsoN. Éreme /,rfil,.r,o, à L d,1? ,1e sdiht Àq:rain PÃtis \rr, tel.)

\tALGEl,tN,EÍic.HitbrydPalínalD.6:HelLiis,Ronea'dEdt\Crrirria.i,:r.Edanmth ios

N{ouhkn Cohmbii Lnie^iryof MissouÍiPrcs, 1997 Í1.

5l
História
Dados I nter. acionais de calalos!çâo na Pu blicaçáo (cIP) Essênciol da
(cÂmara BEsileüâ do Livro, sq Brâsil)
Filosofia
Hisbna esenciâl da Iil.s.fiâ /
poÍ Olâvô dê Cdvâlhô Sáo Paulo: É P€alizações,2OO5.

Conteúdo: aula 7 Psriodo helenisti m I I - aula 3: Adrento do üisii ân isnô


a rilo ôÍd Dd' ari .,.,.1.ac" "Ld'0s.0oÁBori,Lo
aula 11 Tomás de Aquino e Duns Scolt - âúh 12: Filosotiâ islânicâ
âulâ ti Filôsófiâc stá aüla 14: Idéiayersus rellidade.

1. Filosona . tru do e ensino 2 lilosona -

hdices para catáloso sGlemático

Esle livrc é a iranscriçáq da aula que


. foi gravada no dia 13/06/2003 na
E Realizaçóes em Sáo Paülo SP Brasil.

Impresso peia sermograllcT páü a


E Realizaçóes, em setembrô de 2005
Os lipos usados sáo da lamflia Dútch.
O papel é chamoh Búlk 90 g/m, párá
o miolo e súpremô 250 &/mr pám a capa