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5 Formas de potencializar o vocábulo de uma criança

1. As letras do alfabeto. A base de toda a aprendizagem em termos de falar, ler, escrever


e ouvir, o alfabeto é algo que muitas crianças aprendem e memorizam relativamente
cedo. Usar o alfabeto para potenciar o vocabulário da pequenada passa pela
visualização das letras, ou seja, a criança deve poder reconhecê-las em qualquer lugar:
letreiros, outdoors, revistas, livros… Numa saída ao supermercado ou no consultório
do médico, peça à criança para procurar e identificar a letra “A”, “C”, “M” e assim
sucessivamente, lendo depois em conjunto a palavra que a letra integra.

2. Palavras e mais palavras. Não há melhor maneira de expandir o vocabulário infantil do


que com muita conversa! Quantas mais palavras utilizar numa frase dirigida à criança,
maior será a sua absorção desse vocabulário, mais fácil será a aprendizagem de novas
palavras e a sua consequente utilização nos dias que se seguem. Sem exagerar, tente
ser muito específico sempre que se dirigir à criança e vice-versa, sempre que ela pedir,
perguntar ou referenciar alguma coisa.  

3. Ler, ler, ler. Para além de ser um excelente passatempo para dias chuvosos ou para
facilitar a hora da ida para a cama, ler para uma criança é uma das melhores formas de
estimular e desenvolver o seu vocabulário. Para além de permitir a aprendizagem de
novas palavras, a leitura estimula a conversa, mesmo junto da pequenada que não
sabe ler mas que tem sempre muitas perguntas! Uma visita regular à biblioteca da
cidade é meio caminho andado para incentivar o gosto pelos livros, pela leitura e pelo
vocabulário: deixe a criança escolher os seus próprios livros ou ajude-a a procurar
temas do seu interesse.

4. Sinónimos simples. Fugir do vocabulário habitual, substituindo palavras conhecidas por


sinónimos desconhecidos é uma excelente forma de desenvolver o vocabulário de
uma criança. Adicionalmente, a criança é incentivada a pensar em formas diferentes
de dizer e exprimir a mesma coisa. Pode fazer deste exercício um jogo, onde a criança
terá de enumerar o máximo de sinónimos possível para determinada palavra; se ela
tiver dificuldade, façam-no em conjunto.

5. Brincar & Rimar. As rimas são outra forma divertida e pedagógica de solidificar o
vocabulário de uma criança: para além de aumentar a sua lista de palavras conhecidas,
ajuda-a a perceber as sonoridades distintas que os diferentes tipos de letras
conseguem produzir quando são agrupados; e a maneira como as palavras se
relacionam entre si. No caminho para a escola, por exemplo, diga 3 ou 4 palavras que
rimam, incluindo uma que não rima e pergunte à criança qual é que está a mais; pode
ainda sugerir uma palavra e pedir à criança que pense numa que rime com essa. Leiam
livros de rimas juntos e, à medida que a criança se vai familiarizando com a história,
peça-a para completar as frases.
Vocábulo Infantil: Desenvolver a Oralidade
Desenvolver a oralidade é uma das habilidades que se espera nos primeiros anos de
escolaridade. Nas turmas de pré-escola, é possível fazer isso de diversas formas. Brincadeiras
cantadas, como músicas e  cantigas de roda, ou faladas, como  trava-línguas e parlendas,
sempre são bem recebidas nessa idade. De forma lúdica, elas ampliam as possibilidades de
comunicação e expressão e promovem o interesse pelos vários gêneros orais e escritos. O
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil prevê que os conteúdos ligados a essa
área devem ser divididos em três blocos nas classes de 4 e 5 anos de idade: falar e
escutar, práticas de leitura e práticas de escrita. Assim, num bom trabalho com esse tema a
oralidade, a leitura e a escrita são apresentadas às crianças de forma integrada e
complementar. O objetivo é potencializar os diferentes aspectos que cada uma dessas
linguagens exige das crianças. (TREVIZAN, 2007. Grifo nosso)

          A oralidade deve ser vista com a mesma importância da escrita. Brincar com as palavras
permite que a criança aumente seu repertório, teste as possibilidades e aprenda a empregar o
que aprendeu em e para diferentes contextos. Na infância é muito importante o falar com
sobre as coisas do cotidiano com os pequeninos.

          Para Baktin a língua materna é adquirida a partir do contato com a figura materna e dos
que estão presentes na vida do indivíduo apropriação, repetição e reformulação

[...] a língua materna – a composição de seu léxico e sua estrutura gramatical - não a
aprendemos nos dicionários e nas gramáticas, nós a adquirimos mediante enunciados
concretos que ouvimos e reproduzimos durante a comunicação verbal viva que se efetua com
os indivíduos que nos rodeiam. (2000, p. 301 apud DAROS, 2006, p. 2)

          Nas creches e pré-escola as atividades de oralidade precisam fazer parte do cotidiano dos
pequenos, não é preciso que haja um vocabulário específico para serem ensinadas, mas é
preciso que a criança participe cotidianamente de atividades de comunicação. O uso de
palavras e termos podem ser inseridos nas mais diversas atividades e intervenções, sem a
necessidade de criar artifícios mágicos para ensiná-los.

          Contextualizar o que é dito é uma maneira de atribuir significado e facilitar a


aprendizagem de novos vocábulos. Infantilizar a fala não permitirá a construção de novos
significados, nem tão pouco contribuíra para o crescimento do léxico do infante. As crianças na
primeira infância já conhecem a língua materna e isto deve ser respeitado e explorado pela
escola.

O vocabulário infantil é ampliado pelo estímulo à leitura de textos literários e similares, pois
essa leitura, e não a massificação repetitiva, é o meio mais eficaz para enriquecer o linguajar
da criança e se constitui na chave-mestra do processo de ensino e de aprendizagem. Desse
modo, o processo de alfabetização não se deve organizar em torno do treino de aptidões:
coordenação motora, discriminação perceptual e linguagem oral. (TELES)
A LINGUAGEM NA VIDA DA CRIANÇA
EDUCAÇÃO

A linguagem na vida da criança, Criança, Escola, Conceitos, Desenvolvimento psicológico, a


lógica da criança, O pensamento na infância: em pauta a formação de conceitos, A
comunicação da criança no espaço escolar.

Fabricia Pereira Teles- UFPI

RESUMO:

O presente artigo foi produzido a partir de fontes bibliográficas, as quais nos forneceram
subsídios para uma discussão sobre o papel da linguagem verbal no processo de
desenvolvimento das funções psicológicas da criança. Nesse sentido, partimos da análise do
processo evolutivo da mente da criança, tendo como aporte teórico o pensamento
vigotskiano. Assim, iniciamos o texto apresentando a gênese dos conceitos infantis, situando à
escola como local indispensável para a sistematização desses conceitos. Desse modo, ao
fazermos as considerações finais, enfocamos que a comunicação propicia o desenvolvimento
intelectual da criança, cujo espaço escolar é o ambiente mais adequado para o seu
crescimento cognitivo.

Palavras-chave: Criança. Escola. Conceitos. Desenvolvimento psicológico.

Introdução

A criança desde o momento do seu nascimento é envolvida por um universo de linguagens,


dentre as quais está fundamentalmente a linguagem verbal. Essa questão pode ser verificada a
partir de palavras usadas a princípio com o objetivo de mostrar o sentimento de carinho
sentido pela mãe, pai, tias, avós, e por todos aqueles que usam as palavras para se comunicar
com a criança.

Envolvida nesse ambiente de falantes, a criança logo procura recursos que a façam ser
também compreendida pelos seus interlocutores. Segundo Vigotski (2000) a comunicação
representa a função primordial da fala, o que nos leva a acreditar em pesquisas que apontam
crianças com poucos meses de nascimento já sentirem a necessidade de fazerem uso de
recursos comunicativos. Portanto, ao passo que a criança vai conseguindo emitir sons, cada
vez mais, é bombardeada de estímulos sonoros, no caso, a fala das pessoas que a cerca,
impulsionando-a a repetir as palavras ouvidas e conseguindo fazer uso da fala, aos poucos a
criança vai utilizar as palavras como instrumento para a comunicação.

Nesse processo de aquisição da linguagem verbal, vai se exigindo mais da criança, à medida
que as palavras são pronunciadas por ela para designar objetos que nem sempre corresponde
ao significado da palavra. É nesse clima de descoberta que as palavras passam a fazer parte do
vocabulário infantil em um permanente movimento, como ressalta Vigotski:

Se seguirmos a história de uma palavra em qualquer idioma, veremos, por mais surpreendente
que possa parecer à primeira vista, que os seus significados se transformam, exatamente como
acontece com o pensamento infantil.(2000, p. 91)
Quando a criança começa a falar, por exemplo, as palavras au-au, aprendida como signo para
representar o animal cachorro, no início do uso da fala, essas palavras são usadas também,
como signo a todo objeto compreendido na lógica da criança como correspondente a esse
termo. No entanto, com sucessivos problemas enfrentados pela criança com relação ao
significado, a compreensão dessas palavras vai se modificando à medida que as funções
mentais da criança estão cada vez mais desenvolvidas.

Para isso, ela precisa contar com as interações comunicativas com pares mais experientes,
adultos do convívio diário, bem como, crianças com capacidades cognitivas superiores as suas.

Dessa forma, para que possamos discorrer sobre o processo mental da criança no uso das
palavras na infância, levando em consideração a necessidade sentida por ela de se comunicar,
optamos como referência nesse trabalho a corrente sócio-histórica, representada pelas idéias
de Lev Semiónovich Vigotski.

Para Vigotski (2000) o estudo do desenvolvimento humano parte do princípio de que todos os
fenômenos mentais devem ser estudados de forma unitária, isto é, compreendido em um
sistema dialético do pensamento e das atividades realizadas, uma vez que nenhum aspecto
mental deve ser analisado isoladamente.

Dessa compreensão vigotskiana inferimos que em toda situação exercida pela criança, seja no
ato de brincar, de dançar, de cantar e de conversar, são desencadeados concomitantemente
vários processos mentais. Entendimento compartilhado por Machado (2004) quando enfatiza
que é através de variadas interações sociais, em situações comunicativas, que a criança
desenvolve seus processos psicológicos.

Nesse sentido, a fim de compreender os processos psicológicos da criança quanto a


necessidade desta se fazer entendida, que discorreremos um pouco mais sobre a teoria da
formação de conceitos nas seções posteriores deste texto.

O pensamento na infância: em pauta a formação de conceitos

Para Vigotski (2000, p. 66-67) “[...] o conceito não é uma formação isolada, fossilizada e
imutável, mas sim uma parte ativa do processo intelectual, constantemente a serviço da
comunicação, do entendimento e da solução de problemas”. Com base nessa afirmativa,
devemos mencionar que o conceito se trata de um processo mental que tem suas origens na
infância, nesse caso, desde tenra idade a criança começa o seu processo de construção de
conceitos.

Embora o processo aconteça desde a infância, o conceito é uma função psicológica superior
que só apresenta condições para ser real a partir da adolescência, já que nesse período
inúmeras outras funções mentais estão desenvolvidas. Mas, enquanto a criança se encaminha
para essa etapa da vida, a linguagem verbal será a principal mediadora para a formação dos
conceitos na infância. Portanto, a formação dos conceitos acontece de forma evolutiva e
gradual, apresentando-se nessa trajetória, com traços bem específicos, caracterizados pelo
pensamento sincrético, pensamento por complexos, depois desencadeando para os conceitos
científicos.

No momento em que “[...] a criança tende a misturar os mais diferentes elementos em uma
imagem desarticulada, por força de alguma impressão ocasional” (VIGOTSKI, 2000, p. 74) está
manifestando um pensamento sincrético. Partindo desse pensamento os primeiros problemas
enfrentados pela criança para se fazer entendida na linguagem verbal, em parte, são
solucionados, pois, em algumas situações, tanto adultos como criança fazem uso de mesmas
palavras para designar um objeto, embora com compreensões diferenciadas formadas sobre
esse objeto.

Para Vigotski apud Facci (2004) os agrupamentos sincréticos estão subdivididos em três
etapas. No primeiro agrupamento acontece a manifestação de características de ensaio e erro
do pensamento infantil; depois, os agrupamentos sincréticos são feitos com base nas leis da
percepção criadas pela própria criança no campo visual, portanto, guiada pelas subjetividades
imediatas; em uma nova etapa o sincretismo passa a ter uma base mais complexa, entretanto
ainda com agrupamentos incoerentes.

Em relação ao pensamento por complexo, Vigotski (2000) ressalta que nesse estágio, a criança
não mais faz generalizações incoerentes, ela começa a articular seguindo uma certa relação
objetiva entre os objetos, as coisas, as pessoas. Diante disso, esse pesquisador destaca, dentro
desse pensamento por complexo, cinco tipos básicos de divisões, que são: o associativo, o por
coleção, o em cadeia, o difuso e o pseudoconceito.
No tipo de pensamento associativo a criança faz junções a determinado grupo de elementos
tendo como referência um núcleo. A esse núcleo pode se juntar qualquer elemento que possa
com ele ter alguma correspondência. Ao pedirmos a uma criança nessa fase que reúna formas
geométricas que se combinem, a exemplo, com a forma quadrada, em meio a muitas outras
formas diversas, talvez ela inclua nesse grupo a forma triangular, o paralelogramo, e outras
formas que compreende como fazendo parte desse grupo, pois estaria tendo como referência
nuclear às vértices.

Quanto ao tipo complexo por coleção, a criança leva em consideração algumas características
que a faça encontrar relações de semelhanças e diferenças. O que marca nesse tipo de
pensamento é a formação de grupos a partir de contrastes, sobretudo de diferenças.
Utilizando o exemplo anterior a criança combinaria formas geométricas de cores diferenciadas.

Em relação ao complexo em cadeia, diferentemente da existência de um elemento nuclear


como acontece com o complexo associativo, esse tipo de pensamento se caracteriza pela não
existência de um núcleo. Nele funciona um elo capaz de relacionar um objeto ao grupo tendo
como referência uma particularidade de um dos objetos do grupo. Por exemplo, a criança
escolhe um triângulo amarelo e junta inicialmente a ele outros triângulos amarelos, mas à
medida que se sente atraída pela cor azul, passa a ter como referência os triângulos azuis, e
logo em seguida, passa a escolher os círculos azuis, e assim por diante em uma cadeia de
conexões.

No complexo difuso, os grupos são formados com base na percepção de imagens concretas. O
pensamento gerado a partir de imagens conexas difusas e indeterminadas podem construir
conexões de complexos ilimitados devido sua infinita abrangência. Vigotski (2000) em seus
experimentos identificou que a criança poderia combinar os triângulos amarelos com os
trapezóides e triângulos, os trapezóides por sua vez poderiam levá-la a selecionar os
quadrados, esses aos hexágonos, os hexágonos aos semicírculos até chegar talvez no círculo.

E, finalmente, o último tipo de pensamento por complexo é o dos pseudoconceitos. É assim


chamado por ser o modo de pensar intermediário entre o pensamento por complexos e o
conceito real. Nessa acepção, Vigotski afirma:
O pseudoconceito serve de elo de ligação entre o pensamento por complexos e o pensamento
por conceito. É dual por natureza: um complexo já carrega uma semente que fará germinar um
conceito. Desse modo, a comunicação verbal com os adultos torna-se um poderoso fator do
desenvolvimento dos conceitos infantis. (2000, p.85-86)

Os pseudoconceitos da criança são determinados pelos significados já predeterminados


anteriormente por aqueles que a cercam em seu ambiente, a partir da comunicação. No caso,
ao nomear uma certa palavra pela primeira vez, a criança terá como base o significado dessa
palavra fornecido pelo adulto, porém o adulto não pode ensinar a criança a pensar como ele
sobre aquela palavra, então, a criança para compreender e fazer uso dessa palavra forma o seu
próprio pensamento.

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As palavras utilizadas pelas crianças e compreendidas pelos adultos geram a ilusão de que a
criança já está dominando o conceito real histórico e cultural dessa palavra. Para Vigotski
(2000) quando a criança acrescenta uma palavra nova ao seu vocabulário, está apenas
iniciando o processo de desenvolvimento intelectual sobre a respectiva palavra, portanto, a
comunicação verbal é instrumento indispensável para o desenvolvimento intelectual. 

Nesse sentido, durante a formação do pensamento existem duas fases: a de abstração e a de


conceitos potenciais. Vigotski, na passagem a seguir, esclarece que a fase de abstração
aparece nas primeiras formas de pensamento da criança.

Em nossos experimentos, o primeiro passo em direção à abstração deu-se quando a criança


agrupou objetos com um grau máximo de semelhança; por exemplo, objetos que eram
redondos e pequenos, ou vermelhos e achatados. Uma vez o material usado nos testes não
contêm objetos idênticos, até mesmo aqueles entre os quais existe um máximo de semelhança
são dessemelhantes sob certos aspectos. O que se conclui é que, ao apanhar essas
“combinações máximas” a criança deve estar com sua atenção voltada mais para algumas
características de um objeto do que para outra – dando-lhes, por assim dizer um tratamento
preferencial. Os atributos que, somados, fazem um objeto o mais semelhante possível à
amostra, tornam-se o centro da atenção, sendo, portanto, em certo sentido, abstraídos dos
atributos aos quais a criança presta menos atenção. (2000, p.95-96)

Nesse recorte verificamos os primeiros momentos de abstração feitos pela criança,


confirmando que esse tipo de raciocínio começa acontecer quando a criança ainda está na fase
do pensamento por complexos.

Quanto a fase de conceitos potenciais, ela ocorre após a fase da abstração, é identificada
quando a criança em vez de ter atenção a várias características para seus agrupamentos, terá
atenção apenas em um único atributo desse objeto.

Tendo como base o exemplo citado por Vigotski acima, verificamos que no lugar da criança
agrupar objetos que eram redondos e pequenos, ou vermelhos e achatados, ela agrupa tendo
como atributo central só os redondos ou só os achatados. Assim, é só com o domínio da
abstração aliada com o desenvolvimento do pensamento por complexos que se pode formar
verdadeiros conceitos.

Diante dessas considerações sobre o processo de desenvolvimento do pensamento infantil,


desde a forma de pensar mais elementar, o sincretismo, passando pelo pensamento por
complexo e chegando as mais primitivas formas de pensamento em conceitos em um
movimento constante do particular para o geral e do geral para o particular é que acontece a
evolução intelectual da criança.

Portanto, examinando o desenvolvimento do pensamento tendo como referência a formação


de conceitos, observamos constantemente o uso da palavra como instrumento para a
apropriação de um novo conhecimento. Sendo assim, é indispensável para a evolução
intelectual da criança as interações sociais, principalmente se tratando da comunicação entre
sujeitos.

A comunicação da criança no espaço escolar

Na seção anterior abordamos o desenvolvimento do pensamento infantil em linhas gerais de


evolução, a partir deste momento, trataremos da questão do desenvolvimento intelectual da
criança em um âmbito mais formal de crescimento, no ambiente escolar.
A criança no espaço escolar, certamente, vivenciará questões bem mais desafiadoras do que se
estivesse fora dele. Isso acontece, porque a escola é o local formal, social e culturalmente
destinado ao desenvolvimento de todas as dimensões da criança, seja em âmbito intelectual,
social, afetivo e emocional, pois a ação educativa das crianças na escola confere ao professor a
responsabilidade de ensiná-las a adquirir novos conhecimentos. Portanto, a afirmativa é
compreendida a partir da concepção de que as crianças auxiliadas, sistematicamente, por
adultos desenvolvem bem mais seu intelecto do que sozinha.

O primeiro estudioso que defendeu essa concepção foi Jean Piaget, teórico da psicologia
moderna que questionou a concepção até então mais aceitada, que o pensamento não tinha
um processo histórico de desenvolvimento e atrelado a essas idéias faz um estudo
aprofundado da formação dos conceitos espontâneos e os não espontâneos. Entretanto,
segundo Vigotski (2000) as idéias de Piaget a respeito dos conceitos sofrem um equívoco, pois,
para Piaget, a socialização do pensamento é uma eliminação mecânica da forma de
pensamento da criança a favor da forma de pensamento do adulto. Dessa forma, Piaget
acreditava que conhecendo como se processa os conceitos espontâneos da criança teríamos
condições de combatê-los em nome dos conceitos não espontâneos.
Entretanto, na concepção de Vigotski (2000) o desenvolvimento do pensamento acontece na
relação constante dos conceitos espontâneos e não-espontâneos, por meio de um único
processo indissociável. A criança constrói os seus conceitos científicos, partindo de seus
conceitos espontâneos e os conceitos científicos obtidos poderão contribuir para a formação
de mais conceitos espontâneos, como um fenômeno cíclico infinito.
Nesse sentido, a escola é o espaço onde a criança efetivamente constrói seus conceitos
científicos, e esses, por sua vez proporcionam o desenvolvimento intelectual das mesmas,
como evidencia Vigotski:

O aprendizado escolar induz o tipo de percepção generalizante, desempenhando assim um


papel decisivo na conscientização da criança dos seus próprios processos mentais. Os
conceitos científicos, com o seu sistema hierárquico de inter-relações, parecem constituir o
meio no qual a consciência e o domínio se desenvolvem, sendo mais tarde transferidos a
outros conceitos e a outras áreas do pensamento. A consciência reflexiva chega à criança
através dos portais dos conhecimentos científicos. (2000, p. 115)

Desse modo, é justamente em virtude da colaboração direta do “par mais experiente”, no caso
o professor, que esse processo de desenvolvimento intelectual da criança acontece. Sem a
participação do adulto de forma sistematizada, a criança faz uso apenas de seus próprios
mecanismos mentais, alcançando no máximo a aquisição de conceitos espontâneos
(VIGOTSKI ,2000).

Segundo Luria apud Facci (2004) a comunicação exige da linguagem falada pela criança uma
reorganização de seu pensamento, isto é, das suas funções mentais, conduzindo-a
progressivamente a organização psicológica da criança. Assim, a comunicação direta entre a
criança e outra pessoa em seu convívio cotidiano, não apresenta intencionalidade quanto ao
aprendizado, entretanto, quando há um direcionamento pedagógico para a criança, mediante
uma comunicação com fins específicos para aprendizagem, como é realizada na escola pelo
professor, a relação comunicativa entre criança e adulto, torna-se um fenômeno ímpar para a
evolução intelectual da criança.

Considerações finais

Tivemos a intenção neste artigo, apresentar a contribuição da comunicação à vida da criança.


Mas, além da comunicação ocorrida no cotidiano infantil, procuramos evidenciar a
contribuição da comunicação sistematizada no espaço escolar, possibilitando uma análise mais
detalhada de como se processa a formação do pensamento da criança, pois na nossa
compreensão todo ato de comunicação precede um ato de pensamento e todo pensamento
mais bem elaborado conduz uma comunicação mais organizada, conforme anuncia o estudo
sobre a gênese dos conceitos.

O estudo dos conceitos tem como contexto de análise o âmbito escolar, pois é nesse local que
especificamente deverá haver ações comunicativas de aprendizado. Embora, apresentando
nessa linha de pensamento o papel fundamental da escola para o desenvolvimento psicológico
da criança, não temos a intenção de ignorar outros espaços de formação de pensamento, até
porque como já tentamos mostrar anteriormente, eles também são muito importantes para
uma compreensão científica. Contudo, devemos esclarecer que social e culturalmente a
apropriação dos conhecimentos científicos é feita na escola e por essa razão a comunicação
sistematizada nesse local é compreendida como a mais eficiente.

Portanto, neste estudo, enfatizamos a contribuição da comunicação em todos os ambientes,


pois para a criança que desde tenra idade enfrenta situações comunicativas, o importante para
sua formação e desenvolvimento será a possibilidade de se deparar com tais situações
linguísticas. Uma vez que a criança encontrando-se no processo de aquisição da linguagem
verbal, a comunicação será um ponto fundamental para o aumento de vocabulário e,
certamente, com as vivências e experiências desafiadoras da escola, o seu desenvolvimento
intelectual será antecipado qualitativamente. Por isso, seja qual for o tempo e o espaço de
comunicação, esta sempre estará a serviço da formação intelectual da criança.
Estimulando o Vocábulo Infantil
"O processo de desenvolvimento linguístico das crianças ocorre de forma gradual, ano a ano,
com o aprendizado de novas formas de pronúncia, tentativas de comunicação com os pais e
absorção de vocabulário. [...]

  No entanto, é preciso lembrar que cada criança tem um ritmo de desenvolvimento e, por isto,
alguns são mais rápidos ou mais lentos que os outros. Além da escola, os pais também
possuem um papel importante neste processo e podem colaborar muito com o avanço dos
filhos.

  Veja abaixo algumas brincadeiras que ajudam a ampliar o vocabulário, reduzir as dificuldades
de expressão das crianças e melhorar as habilidades linguísticas. Porém, não deixe de verificar
com um profissional se há alguma problema caso a criança mostre um atraso incomum para a
idade.

1. Leitura e histórias
  O contato desde cedo com a literatura é muito benéfico para as crianças. Ler histórias
infantis, apresentar livros com letras grandes e ilustrações ajuda também a aguçar o interesse
do pequeno em aprender a ler e descobrir mais sobre o mundo da literatura.
  Além de contar com os livros, invente histórias para a criança, conte histórias com desenhos
ou reúna alguns objetos ao redor para formar uma pequena história com eles, incentivando a
criança a fazer o mesmo.

2. Desenhos e associações
  Jogos simples, cartas grandes e com desenhos de animais, lugares e objetos, por exemplo,
podem ajudar muito no desenvolvimento das habilidades linguísticas. 
   Mesmo quando a criança ainda não consegue se expressar, tente mostrar cartas, repetir os
nomes e fazer o pequeno apontar para o cartão certo ao dizer o nome ou fazer uma descrição
do objeto. O nível de dificuldade da brincadeira deve estar de acordo com a idade da criança.

3. Poesia e rimas
   O mundo das rimas e poesias são excelentes formas de trabalhar a linguagem, além da
música. Cantarolar com rimas, desafiar o pequeno a fazer o mesmo e apresentar vocábulos
compatíveis para a criança é uma maneira de avançar no processo de absorção de novos
conhecimentos.

4. Vocabulário
    Quando a criança ainda é um bebê, é muito importante que os pais se esforcem para que o
pequeno interaja com objetos e possa absorver o máximo de vocabulários. Aponte para os
objetos e repita o nome, você poderá se surpreender com a rapidez que a criança consegue
memorizar novas informações. 
   Para os pais interessados em desenvolver habilidades em idiomas estrangeiros, vale todo o
tipo de brincadeira. Se você é fluente em outro idioma, converse com a criança neste idioma,
mostre desenhos animados em língua estrangeira, apresente vocabulários e repita com
frequência nomes de objetos.

Rotina
   Para que o desenvolvimento da linguagem seja conduzido de forma próspera, é importante
que as brincadeiras estejam inseridas na rotina da criança. Se for difícil trabalhar a linguagem
de forma natural, escolha uma hora do dia ou alguns momentos fixos durante a semana para
por as brincadeiras em prática.