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Vale a pena estudar

ENGENHARIA
QUÍMICA

• O que é Engenharia Química

• O que faz o engenheiro químico


\
• Áreas de atuação do engenheiro químico .

• História da Engenharia Química

• Ética e Engenharia Química

Marco Aurélio (remasco

Blucher
PREFÁCIO

Steiner, psicólogo clínico com formação em Engenharia, faz-nos urna con-


fissão interessante e que aqui merece ser mencionada:

O que aprendi com as máquinas acabou sendo muito útil, mas também
desenvolveu a minha tendência a pensar por meio de metáforas mecâni-
cas. Raciocínio de máquina - lógico, técnico, racional, linear, científico.
Tão poderoso quanto possível, mas incapaz de falar da realidade do amor,
do ódio, da esperança, do medo, da alegria ou da culpa. Infelizmente, a
maior parte do poder do mundo está nas mãos de homens que gostariam
de pensar de forma racional e científica, ainda que o pensamento que dirige
as suas decisões não seja sempre científico ou racional. Para eles, o que não
pode ser abrangido pela racionalidade não é real, por isso as emoções não
devem ser consideradas reais, importantes ou válidas. Por ter crescido
assim, fui urn analfabeto emocional durante os primeiros trinta e cinco
anos de minha vida.

O interessante na confissão de Steiner é que ela se aplica em outras


situ ações na vida daqueles que têm formação puramente tecnológica e/ou
científica, bem como incita aqueles ainda em formação. Quando Steiner
menciona que o "raciocínio de máquina" é a caracteristica básica daqueles
que tomam decisões, pois podem utilizá-la em pessoas, corre-se o risco de
ver tais pessoas como simples máquinas de produção, sem qualquer res-
quício de alma nelas contido. Ou seja, transplantar o poder que o ser
humano tem sobre a máquina para ele próprio, tornando-se hábil em
controlar tudo a sua volta: desde o destino de urna reação química até o da
própria Terra.

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~ - Engenharia Químico Ma rco Aurélio Cremasco

A Engenharia Química que o mundo precisa, àeve centrar-se na ex- Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos que, de
pectativa da sociedade em relação às dimensões de responsabilidades do algum modo, contribuíram com informações preciosas para este livro. Agra-
profissional, as quais são: individual, técnica, legal, ética e social, contex- deco, em esvecial, ao funcionário Patrício da Silva Freitas (UFRG - Univer-
tualizadas - por sua vez - em suas habilidades técnica, humana e conceitual sidade Fede;al do Rio Grande do Sul) e aos Professores Carla Hori (UFU -
para, além de contribuir para o aprimoramento e desenvolvimento da UDiversidade Federal de üoerlândia), Cecília Vilas Boas (UNIP - Universi-
dade Paulista), Célia Souza (UFPA - Universidade Feàeral do Pará), Ednild
humanidade, conservar a vida em toda a sua amplitude.
Torres e Ricardo Kalid (UFBA - Universidade Federal da Ba.½..ia), George
A motivação para escrever este livro foi a de procurar mostrar a im-
Kachan (UMC - U~iversida.de de Mogi das Cruzes), Hugo Soares (UF ,
portância da Engenharia Química e como ela se faz presente no cotidiano
Universidade Federal de Santa Catarina), João Inácio Solleti (UFAL - Uni
das pessoas. A intenção é a de ser um livro introdutório em que se deixam
versidade Federal de Alagoas), Marcel Mendes e Osny Rodrigues (Instituto
fórmulas químicas e equações matemáticas para outra oportunidade, para
Presbiteriano Mackenzie), Marco Farah (UERJ - Universidade Estadual d
que se possa esclarecer aspectos sobre a formação do engenheiro químico
Rio de Janeiro), Marcos A. S. de Amarante (FURG - Fundação Universicla
e de uma profissão nobre no cenário mundial e essencial ao desenvolvi- de Feàeral do Rio Grande), Maria C. Lima (UNISUL- Universidade d S1il
mento de qualquer nação. de Santa Catarina) e Maurício Manci.,,i (UFRRJ - Universidade Fe<l ' 1,1
Busca-se, portanto, entender a Engenharia Química por meio de áreas Rural do Rio de Janeiro). Ressalto, também, a importância da contribuit,.,111
e campos de atuação do seu profissional, assim como dos produtos e serviços de Eduardo Blücher com as sugestões para a estruturação desta obra. Sal i n to
advindos de suas atividades. Considera-se importante contextualizar a En- que este livro não viria à luz caso não fosse a presença de Solange rcmu\ 1 o
genharia Química historicamente e as responsabilidades imputadas a essa
profissão. Desse modo, pode-se dividir este livro em três partes. Aa.rco } .. uré!io Cr:.:n?U
A primeira parte, correspondente aos Capítulos de 1 a 4, está associada
à identificação da Engenharia Química dentro dos ramos da Engenharia e
de áreas correlatas, tais como Química, Química Industrial e Engenharia
Industrial. Apresentam-se, também, discussões sobre a formação do enge-
nheiro químico e de um de seus campos de atuação: o setor químico. A
segunda parte, compreendendo os Capítulos de 5 a 9, apresenta um pouco
da história mundial e nacional da Indústria e da Engenharia Química até o
final do séc. XX. A terceira parte, que diz respeito ao Capítulo 10, discute
aspectos das dimensões de responsabilidade inerentes ao engenheiro químico,
ressaltando a importância da Ética como norteadora de suas ações.
Há três Apêndices. No primeiro, encontram-se cem exercícios de fixa-
ção de aprendizagem, sendo cinquenta e cinco de caráter dissertativo e o_
restante de múltipla escolha. O segundo apresenta, a título de ilustração,
disciplinas e ementas características de um curso de graduação em Engenha-
ria Química. O terceiro Apêndice fornece um conjunto de fatos e eventos
associados à Engenharia Química, incluindo informações sobre o Brasil.
r

CONTEÚDO

Prefácio vii

1 Engenharia 1

2 Engenharia Química 9

3 A formação do engenheiro químico 23


4 A Indústria Química 39

5 A Revolução Industrial 45

6 História da Indústria Química mundial 51

7 História da Indústria Química no Brasil 61

8 História da Engenharia Química mundial 73

9 História da Engenharia Química no Brasil 83


10 Engenharia Química responsável 93
Apêndice A Exercícios propostos 109
Apêndice B Disciplinas e ementas características de um curso
de graduação em Engenharia Química 129
Apêndice e Fatos & eventos históricos associados

à Engenharia Química J37

Índice Remissivo 149


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i::NGc:N w "R 1A
L.I L.. 1 lr\l 1

O ser humano é um ser inquieto. Em tudo o que vê, sente e ouv · qu ·1 p111 1
mão e ir além das asas da imaginação, para simplesmente cria.r q I ir I tJ,,
existe e modificar o que já se fez presente. Um exemplo é i.magin;1111111 ·, 11 11 1
homem pré-histórico deparado à margem de um rio, cercado p r v l; ·1,1 i•,
rasteira e algumas árvores. Está faminto. Na outra margem, c1 t .i~ ., . i.,
como ir além das asas da imaginação para pousar na outra mar, ·111 d11 1111
De repente: a razão! A árvore! Da árvore, a criação do que não •, isu.i 111 11.1
ponte rústica, porém o suficiente para sustentá-lo, ass im co 1,111 iiul.,
uma geração e o tempo; e o que era uma ponte rústica virou ar o · 111,11 ,1~·1
lhosos, sustentados por aços formidáveis de urna ponte pênsil, u j.1: 111<1, h
ficou-se o que já existia. Dessa maneira foi no passado e assim será no f 111111 ,,
Essa capacidade de criar e modificar as coisas é a essência d::i Eng ·n li .111 ,1

CARACTERÍSTICAS DO ENGENHEIRO

O engenheiro é o profissional que procura aplicar conhecimentos mp11", ,·.


técnicos e científicos à criação e à modificação de mecanismos, e ·t II li , 11 , , .
produtos e processos para converter recursos naturais e não natur.11 , 11.1
formas de matéria e/ou energia em formas adequadas às necessidades dt , ,, 1
humano e do meio que o cerca. Um profissional apto para trabalh a, , 11111
transformações e indispensável aos dias atuais, pois estamos em um a 111 ,
de mudanças velozes que atuam diretamente na percepção human u, t 11J•,
reflexo se dá diretamente no ambiente que o abriga como a outrem .

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n enharia Química Engenharia

Para a Engenharia é fundamental o domínio da Ciência, no momento ê] supervisionar a operação e a manutenção de sistemas;
cm que existe a intenção de ampliar o conhecimento para explicar, classi-
ê] avaliar criticamente a operação e a manutenção de sistemas;
fi :tr e prever fenômenos naturais e não naturais. O advento da Informática
(jll comunicar-se eficientemente nas formas escrita, oral e gráfica;
p sibilitou aos engenheiros elaborarem projetos mais complexos, assim
·o mo solucionar modelos, permitindo prever o desempenho de um deter- ê] atuar em equipes multidisciplinares;
111 in ado equipamento ou de um processo real em um universo virtual. Tais ê] compreender e aplicar a ética e responsabilidade profissional;
, i Lu ações não se restringem ao mundo macroscópico, regido por leis ôil avaliar o impacto das atividades da Engenharia no contexto social e
11·w to nianas, como também à sua compreensão em nível microscópico . A
ambiental;
11.rn logia e o desenvolvimento da engenharia do chip são exemplos da
úlJ avaliar a viabilidade econômica de projetos de Engenharia;
im portância do domínio da Ciência para a sua aplicacão '
na Eno-enharia
o ,
c r 11 ' ala que a nossa visão natural não alcança.
éJi assumir a postura de permanente busca de atualização profissional.
Uma outra característica da Engenharia é a necessidade da interacão
ri o s ' U I rofissional com o universo que o cerca. É importante ressaltar ~ue Tais características desejadas ao engenheiro aplicam-se a qualquer que
"c n ' ·rd1eiro não é o centro, mas parte de uma rede de inter-relações. Em seja o seu ramo de Engenharia, mesmo porque devido à extensão e à diversi-
,1•1s i111 ' ndo, o profissional de Engenharia pode exercer cargos, nos quais dade dos conhecimentos exigidos para a solução de problemas tão distintos
,di.1111 s e nhecimentos técnicos, científicos e de relacionamento humano dentro da Engenharia, toma-se inevitável certo grau de especialização. É pra-
11 1•,.,11d o a melhoria das condições de vida em toda a sua extensão. A postu- ticamente impossível a um mesmo engenheiro ser igualmente capaz de proje-
1 ,1 ' ,t alitude ética desse profissional são virtudes indispensáveis para exer- tar pontes, aparelhos de televisão, motores a jato, redes elétricas, fermentadores
1 1 ,1 utt pr fissão. Desse modo, é importante para a Engenharia O domí- etc. Por isso, no campo de Engenharia, distinguem-se vários ramos, tais como
111• 1 d · G-rramentas de gestão empresarial, de processos, de produtos, as- aeronáutica, aeroespacial, agrícola, agronômica, ambiental, cartográfica, ci-
•11 11 H mo de pessoas. vil, da computação, de alimentos, de materiais, de minas, de pesca, de petró-
engenheiro deve apresentar um perfil oriundo de uma formacão leo, de produção, elétrica, eletrônica, fisica, mecânica, mecatrônica, metalúrgica,
p,,· 11 , 1\ ilis ta, humanista, crítica e reflexiva, e ser capacitado a absorv~r e naval, química, sanitária e têxtil. O Quadro 1.1 apresenta algumas caracterís-
d ·1, ·1111 lver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica e criativa ticas de quatro grandes ramos dentro da Engenharia.
11.1 i I nlificação e resolução de problemas, considerando aspectos políticos,
,,,,e i: i , ambientais e culturais para atender às demandas da sociedade.
Quadro 1.1 Características de alguns ramos da Engenharia.
l' ,1ra tanto, a própria legislação brasileira (Resolução 11/2002, da Câmara
d · Rducação Superior), estabelece as seguintes competências para O profis- troi!)alho·
•, i,inal de Engenharia: éO engel'.lhei.o civil:poª;, 0tuar,
em projetos, coastr.uçpa,. .
aplicar conhecimentos matemáticos, científicos, tecnológicos e ins- fiseeliz;ci._ão 0e. 0biás,.pe~Lci0·~ · ;
trumentais em Engenharia; j' pfoilej~rtíe_mto e•m1'Jíi\Ulençi'Jo ,,:• ¼
. nos se§t1intes 6 reos;:e-
projetar e conduzir experimentos e interpretar resultados; . respectiv.0s • -j1llie• §ôes:
m0teriars; estrufores ,;.
conceber, projetar e analisar sistemas, produtos e processos;
~ediffêi@s . residerndais,.
ôi planejar, sup ervisionar, elaborar e coordenar projetos e servicos de irndostriciis ocr cpmercieis,
Engenharia; ' . wEintes, fuan:Ôgéns;
bi.dr-õulica e sanegmemto;
identificar, formular e resolver problemas de Enoenharia·
<:, ,

desenvolver e/ou utilizar novas ferramentas e técnicas;


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Engenharia 5
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definindo mêtodos, técnicas e materiais
que devem ser utilizados na construçoo·-
de alicerces de edifícoções.
Qualquer qu e seja a especialidade de Engenharia, são observadas, em ca a
Elétrica ~ projetar, construir e fazer manutenção-de O engenheiro elétrico pode
transmissores e receptores-de rádio e de atuar em indústrias, empresas de llJ.T.a, ;;,s mesmas características fundamentais, como aqueias já apontada - J:: rn
televisão; centreis telefônicas; equipamentos projeto-e .insta1ações, em presas cada caso, cria-se um dado sistema físico, químico ou bioiógico para tran f 1
de micro-ondas, tomógrofos etc. ; comerciais de equipamentos
_"'.) elaborar e aprimorar sistem as de controle·' eletrônicos, instituições mar, em formas úteis, recursos materiais, energéticos, h umanos ou de infor
e ouiomoção de máquinas operotrizes, · : científicas, no setor d.e, mação. Para tanto, o profissional de Engenha.ria utiliza-se da su a h a il i
usinas hidreiétricas e !inhas de: transmissão t elecomunicações e fi b.ros
em geral; ópticas. técnica, a qual diz respeito à com preensão e proficiência em determinuct li, ,i

~ proie.far, construir, fazera montagem ; d.e atividade, principalmente n aquela em que estejam envolvidos métodm,
operação e manutenção de instalações.
industriais, sistemas de mediçao processos e procedimentos. A formação do engenh.eiro, _ o século pass,1d • •1 J
e controfes elétricos; · voitada, b asicamente, para cálculos, simulações e projetos, ca.ractc iz 11100 ,i

= atuar em todas a etapÓs do processo de


cerno um individuo objetivo e voltado para coisas.
geração, transmissão; ê:lis;r.ibúiçõo e uso
de-energia elétrirn ·e fontes olter_n• -tivos hoje, mais do que nunca, o engenÍl.eiro deve ter habilidade h u111.ir1.1 , ,
de ener51io . ·
qual se refere à capacidade de o inciivíd.uo interagir com ou·· s, pa, , li,1111,11
!vi ecânica . <Jl ·projetar, instalar e manter Õombos, vá lvufas O engenheiro mecânico p·ode
e máquinas em funcionamento; frabalhar em Indústrias fêxfeis, um semelhante que respeil:e o seu semelhante e a namreza com respo11s,1i>il1
C definir instrumentos poro monitorar metalúrgicas, siderúrgicas,
dades ética e social. O futuro engenheiro n ão deve ser apena · c rn ww111,
processos térmicos e hidráulicos; · outomobilísitca etc. Atuoln:iente
~ determinar o tamanho do~ equipamentos, o setor automobilístico é o que tecnicarr.ente, mas ter consciência críúca, capaz de atuar na Jan~ 0 111,,".-"
fazenda e·specificações térmicas e ·mais absorve esse profissional, social (LOrJGO, 1992). Ao ter esta habilidade, o profissionai possu i um,, 1, 11
escol hendo o material para que poderç, tr~balhar, também,.
os equipamentos irid us trià is; na comando de equipes de. eia de suas próprias atitudes, opiniões e convicções acer a a o~ o ul I o,
"' el-• borarcatâlogos técn icos, moldes poro especialistÕs, em r:nanutenção. perceber a existência de outras atitudes, opiniões e convicçõe d i(c rnl 1·\ 1•
ferramentas e dispositivos de oÍimentaçãa -de máquinas em geral e no
de rnáquinas;.testes de resistência em desenvolvimento de novos sua, o i..t-:idivíduo é hábil para compreendê-las e, portanto, passfv •! d,· rq ,11

máauinas e equipamentos; projetos . ti-las para o bem comum (CREIVIASCO e CREJ:v1ASCO, 2002).
.,, desenvolver turbinas a vapor, compressores,
coideirns, motores de. comb.ustão interna O engenheiro precisa conciliar as suas habilidaô.es t écnica e hun1,1,1,1
e sistemàs de refrigeração . para desenvolver a sua h abilidade conceituai, que está diretamente as~rn 1,1
criação de novos, produ tos e processos O engenheira químico pode
da à coordenação e integraçiio cie todas as atitudes e interesses da on~.1111
de fabricaçco por meio de experiências especializa r-se na.fabricação de.
desenvolvidas em laboratórios; borracha, celulose, tintas, zação à qual pertence ou presta serviço, assim como permite a r • ,· ,11,
.. tratamento de ág.ua e esgotos; ' corantes, inseticidas, derivados
sobre i.,_-npacto de suas ações. Segunó.o DAVIS e NEWSTRON ( Jl 9 ,) , 1
rec•cloge m de lixo e controle de do petróleo, resinas,
pc:uiçõo; medicamentos e bebidas. ha.bilidade conceituai está relacionada à capacidade de pensar em tcrm ,
,__, plcnejamenta-e supervisão das Todas as atividades relacionadas de medeios, estruturas e amplas interligações, tais como planos a 1 111,11
operações e P,rocessos na Indústria com o meio ambiente, com·o
Quím ica; higiene industrial e com 0 . prazo. De modo resumido, esses autores mencionam que a h a i id .1 d,
definição do processo de produção, dos · segurança estão em franco conceitua! lida com ideias, enquanto a habiliciade humana diz respe1t ,1•.
recursos materiais, equipamentos, desenvolvimento, po r exigência
processos de segurança, da esiocagem e , dos órgãos governamentais, o pessoas e a h abilidade técnica envolve coisas. Como se vê, não basta ·1
movimentação das matérias-primas . que torna, assim, ind ispensável bom técnico, caso não for capaz de entender de forma abrangente o senti n
e da produção na Indú stria Química. o presença desses profissionais
para à adequação das empresas da atividade que está exercendo, por meio dessas três h abilidades intercon .._
. à legislação vigente. tadas, como ilustra a Figura Ll. Ao desenvolver tais habilidades, o p ro
(Fonte : Caderno UNIP e as profissões, 2002). fi.ssional estará envolvido e compro missado com a integração cio ser hu
Engenharia Químico

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CONCLUSÃO
Engenharia

A Engenharia faz parte da vida das pessoas. Não existe espaço para a divi-
são do humanista, de um lado, e do técnico, de outro, separados como
água e óleo e tão diferentes quanto café e leite. Emerge o técnico ser huma-
no, não significando que o ser humano distancie-se da virtude, da ética ou
que o técnico simplesmente abra mão de suas habilidades específicas. O
engenheiro deve se_r resultante de contribuições . Ele não resulta da soma
das partes, mas do grau. Ele não é a soma do café e leite, mas a mistura café
com leite, que não é café nem leite, muito menos a soma, mas resultado do
teor de café e de leite, constituindo o novo. Não se trata .de humanizar o
técnico ou vice-versa, mas moldar o espírito das pessoas para a realidade
que não se cansa de nos assombrar com rapidez e diversidade, levando-nos
Figura 1.1 Habil idades desejadas para a profissional sistêm ico . para um futuro nada previsível, contudo possível de manter o p laneta
vivo para as futuras gerações.

mano com a sociedade e o seu entorno; estará atent o à integração da


tecnologia com o mundo e às consequências de seus serviços no comporta- BIBLIOGRAFIA CO NSULTADA
nto do ser humano e daquilo que o cerca.
CAl"!TANHEDE, O. O engenheiro criativo. ln: Anais do XXII Congresso Brasileiro de
m o surgimento da Revolução Industrial no séc. XVIII (a ser visto no Ensino de Engenharia, p.671 -673, Porto Alegre. 1994.
apítulo 5) até um passado recente, a habilidade técnica foi se tornando, DAVIS, K.; NEWSTRON, J.W. Comportamento Humano no Trabalho. Vol. 1. Trad.
C.W. Bergarnini e R. Coda. São Paulo: Pioneira. 1992.
1 ass a passo, mais importante do que a humana, a ponto de pôr em risco a
CREMASCO, M.A.; CREMASCO, S.B.R. Educação tecnológica hllIIlanista. ln: Anais do
1 r pria espécie humana com o surgimento da Era Atômica. Foram criadas
INTERTECH, CD ROM. Santos. 2002.
d avenças e erguidos muros, feito os de Berlim. Quando o mundo se viu
LONGO, H.I. Por uma educação transformadora para o ensino de Engenharia. ln: Anais do
li vre desses muros notou, amargamente, que tecnologia estava distanciada, XX Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia, p.391-400. Rio de Janeiro. 1992.
paradoxalmente, da própria habilidade técnica, pois o conhecimento de PORTUGAL, AD. Para crescer, a agricultura precisar ser competitiva. ln: Encarte Especial: Pen-
1 n ta estava nos laboratórios, e a aplicação deste na expectativa da melhor sando São Paulo: Universidades e Institutos de Pesquisa, Fapesp Pesquisa, n.56, agosto. 2000.
opo rtunidade econômica. Especula-se a viabilidade da Ciência com agrega-
ç~ o da possibilidade econômica, sem qualquer preocupação com a Ética.
om o final da guerra fria, simbolizada pela queda do Muro de Berlim em
1. 89, o mundo não ficou dividido por ideologias, mas pela capacidade de
gerar e absorver tecnologia (PORTUGAL, 2000) . Dessa maneira, o profissi-
nal de Engenharia precisa ter a compreensão exata do que seja modernidade,
para concorrer eticamente com tais mudanças, provendo-as e, dentro do
possível, prevendo- as. É o crescente acervo de conhecimento dinamicamen-
te traduzido em tecnologia que define, como processo de transformação do
mundo, a modernização (CANTANHEDE, 1994).
ENGENHARIA QUÍMICA

Definir uma profissão é procurar a natureza do que ela faz, no que e (rnd,·
o seu profissional atua, além de identificar habilidades e compet n i,1·
para o seu exercício. No caso da Engenharia, como mencionado n J' IJ ll
tulo 1, cria-se um sistema físico, químico ou biológico para transfo ,·111.11
em formas úteis recursos materiais e energéticos. Tal característica tc1 111
bém é encontrada no ramo da Engenharia Química.

O QUE É A ENGENHARIA QUÍMICA

Dentro do contexto exposto no parágrafo anterior, a Engenharia ur 111 ,, 1


pode ser vista como o ramo da Engenharia envolvido com processos, cn qu ,·
as matérias-primas sofrem modificações na sua composição, co n tcútlo
energético ou estado físico, por meio de processamento, no qual os pro lu
tos resultantes venham a atender a um determinado fim. A essência da E11 'L'
nharia Química, segundo SCRIVEN (1987), está na concepção ou sír L,: s ·,
no projeto, teste, scale- up, operação, controle e otimização de processo,
químicos que mudam o estado e a microestrutura, mais tipicamente a co 111
posição química, de materiais por meio de separações físico-químicas, tai s
como destilação, extração, adsorção, cristalização; filtração, secagem e po r
reações químicas, incluindo bioquímicas e eletroquímicas.
A Engenharia Química também figura na inovação e no desenvolvi-
mento de produtos, particularmente quando há no processo de produção

....__ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _.i.,m...;
1'......,_ _ _ _ _ _ _ _ _ __
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1O Engenharia Química Engenharia Quím ica
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características de composição e microestrutura que conferem certas proprie- ciando e sendo influenciada por largo espectro de conhecimento dentro
dades aos produtos. O impacto principal desse ramo de Engenharia, entre- da Engenharia, assim como estabelece interação e parceria com profissio-
tanto, está na concepção, no exame, no projeto preliminar de um possível nais de áreas que não sejam específicas da Engenharia, tais como Adminis-
processo; na avaliação econômica do processo e incertezas; na geração de tração de Empresas, Farmácia, Medicina, Economia, entre outras.
dados e experiência; na seleção de alternativas e na definição do projeto final
que considera todos os fatores, incluindo a controlabilidade, segurança e
as pectos ambientais; no gerenciamento da construção e a partida da planta;
e finalmente no andamento, correções, aprimoramento do processo em O QUE É O ENGENHEIRO QUÍMICO
operação, bem como na demanda do mercado para o produto obtido.
orno pode ser observado, o profissional de Engenharia Química está cada O engenheiro químico, originalmente, foi concebido para .atuar exclusi-
v z mais envolvido no projeto de produto em complementação ao projeto vamente na Indústria Química, diferenciando-se de um químico por tra-
d, processo. Isso exige maior esforço do profissional para atender as necessi- balhar com transformações em: nível macroscópico, larga escala e opera-
dades dos stakeholders, que são os vários atores que interagem com uma ções contínuas. Hoje em dia, a sua formação (a ser vista no próximo capí-
d ·L rminada organização, influenciando-a e desempenhando papel impor-
tulo ), a qual combina princípios da matemática, química, física e biologia,
11111t para ela e vice-versa. Os stakeholders compõem uma rede de relações,
com ciências e técnicas da Engenharia, permite que o engenheiro químico
rnv lv ndo os diversos públicos afetados por atividades de uma certa orga-
resolva problemas relacionados a projeto, construção e operação de ins-
11 iz.:1~:1 , assim como esta é afetada por tais públicos (veja a Figura 2.1). Em
talações (plantas), onde ocorre praticamente qualquer tipo de transforma-
.,-..~i in sendo, a capacitação do profissional de Engenharia Química extrapola
ção de materiais em níveis moleculares ou macroscópicos, em pequena ou
11 n 11n po essencialmente técnico de seu ramo.
larga escala e em operações contínuas ou em batelada.
Dada a característica multidisciplinar da sua profissão, é comum con-
fundir as atividades básicas do profissionai de Engenharia Química com a
de outros profissionais que atuam em áreas correlatas. O Quadro 2.1 apre-
senta, sucintamente, algumas características das atividades de cada um
desses profissionais.

Quadro 2.1 Características do engenheiro químico e de profissionais correlatos.*


Engei:,h-ei.ro . .O engênheiro químico está. envoltido·com o des~n_v~fimenfo.dé processos
quí mico. · de IÓl'iricci.ç âo, pelos·quais o matéria,prifna Mmnsfor~adi:rer.n-produfo:dê}
uso comercial e industciol. O pràlissional elabora noves-métod'o~.pora a.
prosuçõ&-cfe procÍ~tos qwími€bs-~ bem como· aperfeiçoa:es:.têcnicos-de ,
Figura 2.1 A rede de re lações de uma organizazação: os stakeholders '' extração; fransform0cs;_ã0 e utilhàçffi"o demo+ériOs:-primas__.füe·p'esquiso-e:
·anolisa..os pr,ocessós,<tle•produ§Õbepresentes en:i ihdústries e laborotóríos."
Éela quem projeto e _aéompoAha-.a c_anstruçõo, 0 mqnt0gem e o funcio-
Tendo em vista que a transformação da matéria e energia está no cerne _nainento de. instalações e fóbriem,dulndúsfriO'Química ec0rrelota,0ss-,m:1
da Engenharia Química, a sua evolução proporcionou e vem proporcio- ccimo.~stoçõei;-detratamento d~•,esfdues. ··
nando sub-ramos, tornando-se híbrida com diversas ciências aplicadas, ·o ;;-:,ím~";;~bi~a-se co~ o ~s'"1u.ó:d~_o: d:;;o~o,;;;a~-m~'p;:;o~.s~iç;;.,ã;oj:i.,
El
""a i;;:~,;-os::rlaicie
; ;• .e
::-~r:a:íst
:,;:i~c;a.:;,' da,

ta is como bioquímica, materiais eletrônicos, ciência de polímeros e cerâ- estruturo e .propriedades dos su0stàncias, da interação ~ntre 0s mesmas~
das transformações e.cambinaçõés"i'la rn0téria,. Com licenG:iàturn, 0 eiuímii::o
mica, assim como com outros ramos de Engenharia: ambiental, de ali- p~·de dar aulas n~ ensino fundamkntal ,é' ;;,édiO e, corn'"pósagrtiduaçõo, ~m·
mentos, metalúrgica etc. A Engenharia Química, portanto, acaba influen- _foç~lçpdes. · ..<' : · ·. · ·
--1:~:~ .l_ng enhorio Química Enge nhari a Qu ím ica 13

Químico O químico·indUstriÕI desenvolve produtos e novas tecnologias ns _


indústricr· CAMPOS E ÁREAS DE ATUACÃO DO ENG!ENHEIRO QUÍMICO
indu st rial b·uscando aperfeiçoar prodÜtos e noves fórmulas que recebám carocte-
rfsticas físico-químicas, além de cva!iar o via bilidade. eco~ômica e técnica
Ressalta-se que é objeto do engenheiro químico a arte de engendrar e tra ,1 s
de processos de fabricação e linho de produção, coordenando a.
manutenção e instalaçao_de equipcmenics .. formar matérias-primas (insumos ou inputs ) em produtos (outputs) co m
En genheiro O enaenheiro i·ndustric! cvid0 d0s-recúrsGs envo lvidos na ,Íinhude orodu- valor agregado e para atender as necessidades dos stakeho lders, conforrri ,
t in àustrlal ção, ;rn busca de maior produtividade. Es~e profissional. está habilitado ilustrado na Figura 2.2.
j para o planeiamento de processos indu.striars. O engenheiro industriai
1. p!ar_1eià instal_àções, cu ida daproieção, reposição e.aquisição de máquinas
i · e equipcimentÓs; supervisiona a produção e o controie de auoiidade ..
i-· t:79.én.·he•ir~; .. o engenhelro ambienta ( r)esqGisa,. desen,;olve .e ;pli~a-t~cnologias de;
{ ::smb ie·nta!· manejo que buscam prcrriover q-·- desenv.olvimento.econÔrnico sem o_re-
' iudicor o meio ambiente. O p;C:físsicnal ocupo-se com esiratégias para·
l
!
preservara qualidade dà -água, are saio; com 6 pianeiamento cmbieniol;.
figura 2.2 Processo bás ico de t ransformação.
recomposição_de regiões, .s aneamento·, maÍrizes energéticas, controle da•
1 poluição e oufrÓs 'açces de _presewãção e,re\::u.péraçã~ cb meio ambiente.
. . . . . ...
~ - . .. .: . .. . .
Imagine o quanto é ampla a Figura 2.2. Pense no dia a dia. Para dar n 1,J,,
f E.1g·enh~i.ro b en.genh~i~o dy afi m:er:ito; ..c_~id~ -d~.fabrica.ç_õo, an&nse:_ ~r--m-azen·ager;i,'.-
d e anrnentos conservoção e transporte de prod'utes 0limentíciós-industrieli2ados e be- . disto acompanhe o Quadro 2.2, o qual nos mostra alguns produtos oriu 11rh,
bidas de origem O!)imol e ve,ge:tc !. Êie estu.do ·e Pesquisa cs"':eservas.do· de suas respectivas matérias-primas. Atente que uma dada matéria-prim.1 1r,rl,·
agricultura, da pecuário.e-da.pesca . Acómpanhc o-processamento de moiéri0s- ·
gerar mais de um produto, isto decorre do modo como a matéria-prirn:1 ío1
:. p~mas·básic0s, como le.jte, c_
Grrne, ~8ídtJras,_leQurries, frt.Jtas_e·c~r~is.
Í· ·Er~áenheiro
da .... mGte,ríaiS
o.engenhei~o d~.~ateriai; dedicà-se:"~ pes~~i;~;, d~;;,~~~ l; e i'~~~os transformada. O Quadro 2.3 nos apresenta como os produtos advindo · ri"
arte da Engenharia Química se faz presente em nossa rotina.
i materiais e n<?vás·aplióJções·: i~dustriais párq mOteri ~is kadicioiÍÔi.S.,..cara.c-
terizados especialmente pei0•resistencia. O profissionai estuda desde-o
desen,.,,oiviroento deproEessqs.d~ irotÓr.nen'to de matérias-p rimos-de alta Quadro 2.2 Elementos básicos de um p roc esso de transforma ção .
' . ~_-. ·'. . -: .,
o
iecnobgia até a fabricação.e coniroie d_e q.uali,fode de divei'sos,pré,dutos.
-:'lo~~ ' ~-- ..: .,_ - .;.....,-- -~, -.;._ :· ~

. O enQ,eobei:-o metcJ~·(g_icdé~respo~S611e! P,Or todo o pr:ocesso,de benefi-


cia,nerito de minérios, por sua transformação em metais e.!igps rnet_áíicas,
bem com? sua_utilizaçãf _·~.o ;'r,dú~_tri_ci. . ·
O enger-,heiro.de minas ocupa'.seda,pesqt:1isa, da pro;pecção, dei extr~çõo
e do apro·veitamento de recursos naturais e éJas rié(vezas d0 solo e.- do
s.ubso!c., como_minas -de carvão,-_; xisto-_ ~ águas m."i'ne'r;óis, O profiSsional
c<5ii:uJa e.'orie.ntc escavoções;anolisa fJrop riedades fís,cas, ·quím icas dos
minérios e define. prncessos de· b_eneficfamento, trotando os minerais a
seE_em· empreg_a dos,rro,indúst_ria_._
t11-oen·hei•io O engenheiro de petróleo atuo ,en'.1-atividad.e's que envoivem o çlesen- Quadr«> 2.3 Seleção de alguns produtos do d ia a dia , cuia produção estó
d e~ petr61e·o voivimenfo dos i:icu.muÍações.de 61eo _e dé gás.descobertas durante a fose associada à Engenharia Química (basead o em FIELD, 1988) .
de explorm;éio·de \Jffi comp0 petrolífero, sendo associada, pr.immdialmente,
à área de explbra-.ão. Ésse profission0I pode atuarem quótro á'reas bósicas:
pe~uração, reservaiório, comp]em_e n!açõo-e produçã_o. .
E_n g e n hei ro .O engenheir.o de p.;oduçõo gere nc i_a. recursos h-urnanos, fi'na'nEeiros e
d e. produção materiais para aumentar a. produtividade de um0 empresa. Ç)proHssional
promove aintera~ão gerQI do moo de 9bra;mdtêriÓs-primos e equiP,amentos1
planeiando e oclrríinistraodo o acompanhomento·e controlando o processo. E
_o eb de ligação enire as áreas administrativa e té~nica. ·
E, gen heiro Õ engerihei ro têxtil ded ica-se à s~pe~·i;ôo, coordenaçã·o ;~rient~~ão de ·
·;-~xtii . serviços técnitõos da produção têxtiLaao trata mento de fibrós, fios e tecidos·
para confecção de vest0ários. foz: manutenção periódirn de máqu inas de
fiaçãó,_tecelogem, ci:alhario e tingimento. ·

Fontes : www.vestibula rl .com. br/correiros, wwvv.profissaaonl ine. com.br; www.seiob ixo.com.br,


acessados em 05/08/2004.
r ~
14 Engenhorio Químico
----··· -------··-·-···---·-·-·"--- -- -- -- - - -
Engenho rio Quím ica
··~---- -·-~- ---- --------~ ·------------------....=c.----------<®,(1·"
.:;i.
Tendo em vista as suas características, assim como os inúmeros produtos 1 Enge_nbaria" .. de _ ·. · - ·P.r0jÍllo os·meios ·de p~odução eequipai,:,ei)to;, assim c;m~ dêifimf o;
e serviços oriundos de suas atividades, o engenheiro químico é um profissio- _., P roce·ss9s materiais. empregados no_proce~so. produti:vo·. Provê. suporte .téc,:,ico
gara·á-~qCÍipe e proêedimê~tos'.de IÓ'~oli•ZOÇÓO·de-defeitos:opeiaciõnais
nal bastante flexível, a ponto de atuar em outras áreas, aparentemente fora
em umá inslolo.ç ão para manter.o.unidade.de proê:essomento·operando
de sua especialidade. Cada vez mais o engenheiro químico opera em equipe "º!TI efrciêncio e eficáciÓ. :
multidisciplinar, orientada para diversos ramos de atividades: pesquisa,
. ··-"' .-·--··- ·- ...... __ _ -. ·- -· -. ._;,,,;;
_ _.. ~....-..-~
Engenharia de · E.responsáyel p_elc:i oper0ç_áó de um proce~so:esp~cífiçO:de transformoç~o;.
mercado, terceiro setor etc. O Quadro 2.4 ilustra exemplos dos campos de ·' produção trobalhánc:lo diretome·r-ite com 9s operadores: paro gorontir que um pro_-
atuação do profissional de Engenharia Química, enquanto o Quadro 2.5 dutó-e/Õu -umà mat_ério-P.rimo-erT-1.processame:nto estejq(m)·de. acordo '
a presenta exemplos de áreas nas quais o engenheiro químico pode atuar. com assespedficoçõés. ··
:'~:'. ~-.:=·-_-~ "".:•- -. - - ~ ~ ~ - _? --.- ·.... .· ' '
Àcô'mp.anna ·e ·monitoro•o cíclo_produfü,o âe um-i!)roduto,para gorantir o :
uadro 2.4 Campos de atuação do engenheiro químico. sua especificiclade .., Coodi:,r ensqios.-paro- determinar des~n:rpenr,o do
prodotb 00 le nga do tempo. R~olizn pesqui;~i; desenv,;lve·e;acompa ~
Aç úco r e álcool • nha a's,i;iol.íticas e os,pw~ediménk,s qt:1e bs êr:rip,reso·s-devem SElguic P.º 'ª
'· gor,ontir OcCOrreto_mm:iusei0 de·p~i;Jdut0s.e .comgomeAtes-qufmic9s ..
_:;.;~;::;:;:~-:.:; --,;.,~ .. . '

2.5 Áreas de atuação do engenheiro químico (baseado em ZAKON


e MANHÃES, 2004)
Descrição das at.iviâcrdes
----~
,. ,_ :--·-· ·····

Proieta- sistemas e progromas: de rnstrumentação, controle e mon ilo,-


ra menta de processos em· instoloções-do· lnd'úslrià Qu(mico e correlato..
---- ·-
- ~-:;:.- _.... ~ .::.." ·-:: .. .
0
" ·-·· -..:~ ' < -'-=~~::::::::=~;;J
11 "lt r Tro bol ha .poro dife rentes stokeHolders oferecendo conhecimentos espe,
,

.: Dá assistãn~ió técníô:rt10s,dien~~ p;·ra;olvciohar.prohilemiJ~ de pi~dw- '


cializados. _Em uma empresa- pode Otl,• r com equi pe· de eng_enheiros
poro projetor e construirn expansão de determinada únidade prÕdutiva.
"çãp e de; processo;~_ pelh oferta ,de_prodútos _e serviços i;,aro atender· -
necessídades específicos, empregor,1do s·eus c0nhecimentos poro vender
prodútosquímicos,.e qµipmnenfos, bem comó.fornecer serviços de àcofT-1:
1 11 111 10 e Contribui ·para o formação básico d1, recurso huma~o no ramo da Enge:
, .. 111,1111 nto . pn~hornanto·e t;êi~~men\b q ~ando ~ecess~pqs:i . ' : . '.,.. . .
nhor,a· Químico . Atuo ·em atividades· dê Pesquisa e Desenvolvimento.
Pode -min.istror lormaçáocomplern entar a profissionais·em atividades·dec
extensão dentro e fora ·de universidades.
Em se tratando de campo de atuação, um aflora de maneira especial: o do
1 ,1qrt11 il orio Desen'-<olve térnirns poro redu, ir e recuperar maieriais-úteis a p0rtirde petróleo. A Indústria do petróleo apresenta enorme abrangência, cobrindo ativi-
1111d,11111tal re-jeitos·produzidos d orante o processo de fobrie0çõo; projeta·. sistemos dades que -vão do poço de produção à distribuição de produtos, estendendo-se ao
de esto.cogem e tratamentos, ass im como estratégias de controle de
poluição poro operação de plantas; pod e ser o responsáve l pelo ramo petroquímica e de fertilizantes, cada um com diferentes possibilidades de
monitoramento de todos os sistemas emuma instaloção p"éiro,Cumprir a absorção de engenheiro químico. Em todas as áreas ocorre a participação desse
legislação cm biental.
profissional, tal como listado no Quadro 2.6 (BARATElll Jr., 1995).
r ~

. i'~.. Engenharia Químico


Engenharia Q u ímica ~r~

Quadro 2.6 .Ativida des técnicos de um engenheiro quím ico na Indústria do B'c rracha sin téti co Nossos meios datronsporte dependem muito das borrachas sinté-

petró leo (BARATELLI Jr., l 995) . ticos, seiam automóveis·, 6'nibus ou caminhões, ou mesma aviões,
bicicletas e o tênis.
! Áre a Atividad es
l .
O desenvolvimento de conversores catalíticos a~tomoiivos e o aumen-
! Pro d ução de •operação em unidades de separnçõ~ de óleo-águo-gá.s; ·

l! p etró léo e
g ós noturcl
_•


operação e acompanhamento de processamento de.gás· notu mi;
pesquisa de procéssos de ~ecuperaçõosecundária de pefróleo;
proieto de facilidades para.e produção de petróleo e d.e-unidades
to do odcnagem de ,;osoli,:ia são exemplos ·de como os .engenheiros
q.µífílicoS contrtbuírafll paro a reduçõC?_dos problemas ambieniais gera-
dos pelo.vide moderno.
de processamento de gás natural;
Í· • controle·ombiental e segurança industriai.
F1;1r.'f! i1 zanles A pro dução de feni,izontes é umo das grandes canq!-)istas da humanidade.
1
ReHno de- petróleo , • ope ração e acompanhamento de unidades industriais; A necessidade de se ifxar o nitrogênio do ar e do inco rporoçõo do potós-
! petroquímic a -e • pesquiso. e ovo lio(âÕO d·e unid'odes industriais; . sio e do fósforo·na composição de-produto; adequados ao solo, perm ifi u
! ferti'liz cn t es Q p.esquisa.e desenvolvimento de produtos-, catolisodqres eprocess0s aumento sem precedentes no produção de alimentos, sem o qual o cres
industricis; ·colitrole ambientai e,seguranço indusirigi.,
cimento populacional hu.rncno terja sid_o !read~ pela-escassez ou insu fi
r j
1C ofne rc icliiaçço de • plonejamer,ito da produçpo de petróleo e de produtos;
ciência de a!imenio~ -.
! p etróleo , pe.t roq_uí.- •- distribuiçõ_o_dé pe;ró leo e de prod·utos;
r mica e_ ferti!izcm i es • escoamento e armazenamento de petróleo e de produtos;
.. o~tsistência técnicâ.
/:., ·Jti!'.zcçéc de fü: rcs.s!nté!!cc5 ::-ia. prcdeção de cdchões, travesseiros, mt- 1r 1·
de nylon_. coletes à prova· debdos, e-uma infinidade de outros ortig s d, '
f uso cciidion~, permiiiu o substiiviçiío do algodão e do. lã, torno 11 d,, 11
1 Des e nvol vi mento .. pesquiscrde mercado;
nosso vida mais confortável e seguro.
rf de
. produtos~ , desenvolvimento de mercâdo;
1. 0
assistência técnJca ao cliente.
A liq,iefação do orá 160 ºC abaixo de zero·permiie a separação de Sflll',
componentes. O nitrogênio é utilizado na. recuperação de pefrólfln,
wngelame.nto de olime1;tos, produção de s~micondutores e como q<J·
CONTIIBUIÇÃO DA ENGfEi\lHARIA QUÍMSCA inerte ·em várias recçõ~s; o oxigênio é utilizado na fabricação do aço, rn,
so ldagem.de metais_. e·ern aparelhos de respiração or:tificial.
• ·- "' > •

A Engenharia Química vem oferecendo grande avanço tecnológico para a


A separação e desintegrnção de isótopos rad·ioativos permitem que s 1ui 11
sociedade, sendo difícil imaginar a vida moderna sem a fabricação em larga rad i oat ivos utilizados.amplamente m:: medicina po"ra monitorar o funcionamen lo ri,
escala de produtos como aqueles apresentados no Qu adro 2.3. PORTO organ ismo,assim como-identificar artérias.e-veios bloqueadas, identif,c ,
(2004) menciona que o American Institute of Chemical Engineers (AIChE) meccni,smos metabólicos; .são cindo utilizados fJó r orq~eólogos p11111
datação de artefatos ..
compilou uma lista das "10 Maiores Conquistas da Engenharia Química" no
séc. XX. Entre os produtos presentes nessa lista, alguns se destacam por caracteri- " Med,icamentos Desde o desrnberta da penicilina, em 1929, foi essencial o partidµr,
zar o que pode ser entendido como sociedade moderna, constituindo-se tri- çõo do Engenhcirio Química no aumento Calo rendimento para o pro
duçõ o em massa d'e anti5iõtico.s é · outros medicamentos o custo •,
unfos da humanidade (PORTO, 2004), conforme mostrado no Quadro 2.7.
relotivomente oa ixos·.

Plá'sticas tmbora·a química dos polímeros tenha se desenvolvido muito no séc. XIX,
Quadro 2.7 Co nquistas da Engenharia Química (baseado em Porto, 2004). foi somente com .a contribuição do Engenharia Quím ica do séc. XX q,J<,
·se.~iobilizou a prod ução em massa &econ~~i ca de plásticos.
Produtos. Comentár io s
.. - ............... .
Artefatos Aaplicdção do c~nce ifo de operações un itárias (veja Capítulos 3 e-8) Produtos O desenvolvimento do croqueomento·catalítico, que permite a. que brn
l:iio.mé dkos fo i decisiva pa ra o sucesso do cfesenvolvimerito·de órgãos ortificiois e pet r o·qu fmicos de compostos.oriundos do petróleo em moléculas básicas, viabil izou"
implantes,_olém de dro§os microencapsulodas-para adminisfmçõo con- produção em larga escalo de gasolioo, óleo diesel., óleos lubrifica nl cs,
trola do de princípios ativos. borracho e fib ras,si ntéticas .

- L
18 Engenharia Química
r Enge nharia Q uím ica *-9.!1
---·. ··------- --- --·--·----- ----------·---···----- ---------------~:....------ --""'"""
r
TENDÊNCIAS DA ENGENHARIA QUÍMICA : Engenharí'cr ·. -.. :,· A:Engeh~·aria· MetoÇ.ó lic0 pr~ocupa-Se c0~.-9 Pr9duÇ"ão-'ôe,~om~o~t~S-.'
' Bihló,;i.icat • ,vià::manipulação de.metobólitos específkos.ou,ç• minhos·específícos d'e ';
Além dos produtos apresentados no Quadro 2.7, é importante que se es- , G.enôm_fc a /, fr~"'scfGçà'o de sinq i;, estrotég_ios•: poro alter.ar a réguloção de v·i• s· bi~:-:;J
creva que, com o crescente desenvolvimento da ciência dos materiais e das Meta·bólica. (i ncrui :··. ~ufm iéas:é-proc~ssós ciu lores', por meio' do uso. tecnolo~ia-do DNI\, : ;fo
estruturas moleculares, criaram-se oportunidades concretas de projetar · pro.cessas ce.fu làres, reC:omblnante.(Engenharia Gênéti~a). Com ograÕde oum·e nto_d e org·anis.• ·1
1
produtos para necessidades específicas, tais como pastas de dente, cremes e : Eng~Ahct~ia· ino~ g.énet.ica,;,ente·séq~ehcibdos;e i:~m qs ava~çôsda biolo~~ comp~';
1 ções, em que a microestrutura é essencial na definição do produto final · -E.nzi i:Tl'ática., ., · tadianál, o:genoma:.'c onsi9erà.do,como.·um todo:estó ob rindo caminho:;
, p recessos para é;;_studo de eéluÍas in filiço e· Engenharia Génõmita. Genericamen- .,
(PORTO , 2004). Mais do que uma boa qualidade do produto, continua o
, fer rrrentatiyos,) te, -~od'e -se ~onsidera·r ~sse conjunto de assu-;,t~s:c_o m_o Engenharia'•Bio, ·
pro f. Porto, objetiva-se trabalhar sobre o desempenho desse produto, para
lógíca;q·ueirota tarnbém'clm~ng~nn'Eiriade Íeci&Js(e de órgã~ ~-.
que possua propriedades que satisfaçam certos critérios para atender de- ,. r -- - Y:~ ~ .- . . T'.~ r• ~ ...
le rminadas características que farão parte do produto, por sua própria .· Engenharia Trata de-process_0s. que· envolv.em, baixíssi mas··temperqh1ras, exig indo
natureza, um item competitivo no mercado. Como resultado de estudos :. Criogê11ica . pr~fundo conhecim:ento d~·term9di".âmica e cier.l'Ei? dos moteri'~iss En , '
·coÀtro•aplic0ç_õ es e m· d,ver:sas ór~ast0is como,réfrigernç_fo, separ~çãs ,
•n, nível atômico e molecular (nanotecnologia), uma nova classe de mate-
do~:co~pone~tes do q/(He; N2 ,-Ar, 0 2), p~oduç§o de paro idr.agêmio, 1
ria is deve emergir para aplicações em tecnologia de sensores (de resposta
hél io superfll'.lido, supercondüioresetc. - .· · ·
ult rarrápida), óptico-eletrônicos, fotovoltaicos (fotossíntese artificial), ele- .., • • /:~.,..,;. "":T'· - • ;:;:......, ,. r .. • - ·,.,,-.:~-t..: ;-..;;::; . , ~ ~ - _.;...'"';"

trô ni os (tunelamento de um único elétron) e catálise (KLEINTJEINS, 1999). . , IA ciê~c:a êos fen çim~nãs:-)d~ sµpe rfíE:ii:. éo.m o dé'vicl'9 supor.t~ de foge~hg~ '
·;- ,- ~ia,. sêrüêÍ capazes c;le 'â efínir,. <rnAfr0l'ar- e,- i:nar.iipÜlar os cbmpçnente,s .
Na maioria dos casos, estas novas vias ou especializações da Engenharia
'· ', qu(mieo~ de µm úni<c~ sítio:de.ads.~r<c;iiioa (v\uitos.fenõmenos imp'ortarrtes -
11111 1 roa (pós-química, no sentido de ser mais abrangente do que a Enge-
• aconte'cem em inteda(es. .{\quido,-líquk!o, , gós-líq~ido, fluido-sólid_o , e
_J• ,· . • '- _ .;t,,ç. ··. -- •;,;. • '_ ' -. . -· •
11 h:iria Química) devem ser vistas mais como campos de atuação do que
' p~ ~sêrem _maléoiinp_?efeâdkjas:pademse beneficiar·dos recentes avanços.
prnp ri,lmente profissões emergentes (PORTO, 2004}. Ainda sob este aspec- -; ~ tecr,,alõgic_as•, /ilf_)r(môr;rídó'._os b'tCõis processos ou desénvalveAdQ novos
11,, 1 ·s ·alta o prof Porto, o título de engenheiro químico mais soma do que •. :, . ;;L, p~i CeSSÇ)_: e f:)í.Ô~Ut0S-_ Ç, > ' ~ •--• ,_ •• ~~-
.! ,v,d · quando se trata de buscar novas alternativas de trabalho ou novo f,,;;~~~~;:;:::::'.,.~;:;:==~i:;::-::;.., .~ . ' . . '" ' . . '- .. •.
c'} ·ng;enhoci:O• de , . . f:ut_bJ ros~á~0nços deve_.n ~frirde-rtíoior inter:discfpliiJarida di:rna-c_iênéio e·
" ' '1 pr ·go. Profissionais mais específicos tendem também a limitar mais o seu ' Mo.ter:j_a.i s fin",l'uJ9d'.9 ;,. er,,gemliiari'a de, ,:note rio.is, ~o bretudo no óre0·d~Í Arn:iotec~ologio .' Al'.é m·~
" '"11 <J de atuação. Como exemplo, pode-se citar a Engenharia de tecidos, · cer.h'míca,. r,ol.ímé,o~ / di~o'(in~l1Jsão r.io~so), ~o
Brasil o plástico deorig;erri'.petroquímica poderá. 1
q 11 • precisa ser devidamente "dissecada" para que possa ser dominada. POR- ' 'metei~, têx-t e is, ,: . ' ser \ ubstitÚído p~Ío· b_io[:Jló~ico a <partir do bi9r<Dass9 ~riÚndp d_á canO:~.
' l'U ( 004) apresenta, a partir de informações colhidas do American Institute
: • -· .
,seini c'on,d~t.o iies t"

de-açú-~ài.'
.
··
• .,
~ .~
)C..
.
• • • •• •.
.· • _· ' ..~--- · ~ _ · ·: _ .. __
• • .
J'i
,• • . , •

cJj . hemical Engineers (AIChE), algumas possíveis áreas de especialização -li! \. . -. . • . -,;-.-,. :?'
· ·A g_rond'e abvndã;_nçia, de -gás r a túral represente; ~[]Qrrr,e potenc(aL paro ,
. • . . ·~. ~ - ~

den Lr da Engenharia Química, as quais estão mostradas no Quadro 2.8. .. ·s·au· uso· mais.inte.nsíficado·.,:oirra ~ombustível e: mi:Ítéria.-prima. A enge 0 :

".' '. ; . ~haria de gás. noiu,rqi de,v:~ ~ mplià~·s-~as· ativicfode,s para'o melliór aprovei- .
,1 h o 2.8 Possíve is futuros áreas de especializa ção na Engenharia Química . ··~. tament6 deste re~urso . Emoora. s~jo aampo .d e atividade -também-para·:
(PORTO, 2004) . ::·... ~ ufraséngenh~irti's, :~~b~ QO engenh~iro químic:9 o' desenv~!v iment;.de
.. 'i;Jr.o~ess~s, aexerri.plodo processo SMDS iShell Oil C:i::r.'sMiddleDistil(aie
S.y~the;is), ·para,ço~versão do· rn.é ton·o em gasóle o,' par0fi?qs e_combús~ :
. . . ~~ ....., ~ -~ ~...,. .~ ~~·~ -- -~ líve is !fquidos livres di, enxofre e de nitrogênio .
Proc~ssósl:íioqu ímiéós sqo'coda vez"(TlOÍS útilizad~s pa ra:a fábniêação -
de produtos: q u,,,;icos. A fufurq·expló raç_ã o de bjoc~ta l,sa:dqres dev.erq- Er:i.ger.ih0 r.ia _ Os conhecimentos de En.g enharia Química podem ser de grande lJtil idade
omplicir:ei:n'muitaas·pers1~ivas,dabi0fecnologf0;~ o 'p ap;l'do ên'geriheifo . Q:uêmica Med'ico/' r-10 medicina, ;por meio, por exemplo, da fo rmulação de modelos r;-iatemó-

químiao eii1·pço~essos oiôquími;o~.imdustri0is. 0 papel.d& E~ge?ihari~. . .: de, Te<ti'd0s tiê:os pero sist~ma~b iológicos, i'nd.uindo o fis iologia{Íe-órgpo.s; tais como ·
Bioq.uímica, e mais amplome~te•db, Engenh.oriã éde ,B.iop r'óé~ss6s. 'ltfío· · · · ólho, pulrnão, corà.ç_êia' e ctesen:vo)yi.mento de ma.feriais poi iméricos
impo:rtante pa rcr a in.dústriéJ m·oderna· que deverá ~brir- e~12aç0 -pa_,;a o, '. biocompotf,eis. Esses,podem ser utilizados em aparelhos médicos, pesqui - .
ingressá de novas ó reas'd e Eng~ nharia Químiêa, GP':10 po;:exemplo ª'· . sos cir:iéficQS, de transÍ;,orle e term·od in ô[l1i'79 GJé.sistemas vivos e no de- ~
Enge,.'.1haria·M_::ta bóli'.;a eda:_Engenliaiia Genômica., senvolvimenta de tecidos e órgãos.
1

l
r!
' Engenharia Química
2'0 Engenharia Químico _

Além das apresentadas no Quadro 2.8, outras áreas de especialização CONCLUSÃO


de Engenharia podem se beneficiar dos conhecimentos do engenheiro quí-
Ao analisarmos a Figura 2.3 em conjunto com os quadros ap rest 11t.1dll,,
mico, que, por sua vez, encontra oportunidades para pesquisa e trabalho
neste capítulo, tem-se a dimensão do que pode fazer e onde o engenh •11 li
em tópicos relacionados à engenharia eletroquímica, engenharia de alta
químico pode atuar. Apesar de a Figura 2.3 destacar matéria-prima e pro
pressão (supercrítica e outras áreas), engenharia de segurança de proces-
duto, cuja etapa de transformação (Figura 2.2), até um passado rcc nt •
sos e instalações químicas. Novos processos comerciais serão baseados ain-
era considerada a. característica básica do engenheiro químico, é imp() 1
da em processos químicos não convencionais envolvenào plasma, micro-
tante ressaltar a importância do conhecimento, que complem enta 0s ,\ .~
ondas, fotoquímica e biomateriais. Sensores de análise e controie em tem-
pectos relacionados às habilidades do engenheiro (veja a Figura l. l ).
po real deverão exigir a integração de engenheiros, químicos, físicos e outros
serve que o engenheiro químico podendo atuar como gestor, profcss 1.
profission ais (PORTO, 2004) .
pesquisador, vendedor, precisa relacionar-se com o outro, tais com fun
Ao estabelecer os campos e as áreas de atuação (veja os Quadros 2.4,
cionários, alunos, clientes, mesmo com a população, já que a sua ativi l:1 d,·
2.5, 2.6), bem como as possibilidades de atividades futuras ( Qu adro 2.8)
também envolve, por exemplo, aspectos ambientais (veja a Figura 2.1 ). O
associadas à Engenharia Química, o seu profissional estará apto para atuar
aspecto ético é importantíssimo, pois nenhuma discussão sobre t 11 ,l l,1
no desenvolvimento de processos, produtos, projetos, operação e siste-
de decisão é completa sem a sua inclusão. A instalação de uma Indústr ia
mas, assim como em diversas áreas tecnológicas e gerenciais, conforme
Química, por exemplo, além de contemplar os interesses de acionis lu ',
ilu stra a Figura 2.3. Deste modo, deve haver alguém capaz de entender a
deve respeitar e satisfazer as necessidades da comunidade em geral. Ern
natureza do que ele faz (o "transformar": matéria-prima em produto e/ou
outras palavras, não basta ser bom técnico se não for capaz de entender, de
serviço), no que (projeto e/ou processo, por exemplo) e onde ele atua
forma abrangente, o sentido da atividade que está exercendo.
(indústria e/ou universidade e/ou centros de pesquisa), além de desenvol-
ver competências para exercer a sua profissão, baseado em suas habilida-
BBBUOGRAFIA CONSULTADA
des e competências. Esse profissional é o engenheiro químico.
BARATELLI Jr., F. Perfil do engenheiro químico: necessidades das indústrias. ln: Anais do
V1 Encontro Brasileiro sobre o Ensino de Engenharia Química. p.93-96, Itatiaia, Rio de
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FIELD, R. Chemical Engineering: Introductory Aspects. London: Macmillan Educati n
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Equipamento------ -- - - - - - -

I
Manutenção____.,;"
Instalação/operação ________...,,
da planta
/
Controle ___./ I .
:.
\..._ Projeto

/ t \ Comunidade
Cliente ___.// ( \.... Fornecedores
l t ' Funcionários
Ac1on1stas ___.// "--- Governo
PORTO, L. M. A evolução da Engenharia Química - Perspectivas e novos desafios. In:
www.hottopos.com./regeql0/luismar.htm. Acessado em 03/08/2004.
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Processo Matéria-prima Stakeholders
ZAKON.A.; !VIANHÃES, LN. O ensino da Engenharia Química perante a diversificação profis-
!!=iguir::! 2.3 Atividades inerentes a um engenheiro químico. sional nos EUA e no Brasil. www.pp.ufu.br/arquivos/16.pdf. Acessado em 04/08/2004.
A FORMAÇÃO DO
ENGENHEIRO QUÍfv11CO

É comum escutar de um estudante que a sua escolha por Engenharia Quí-


mica deveu-se à sua atração por química, por gostar de matemática, mais
ou menos de física. Além de não gostar de biologia e áreas correlatas e por
querer ver português e outras áreás de Ciências Humanas por lentes de
binóculo (e dos bons). Quem pensa assim, distancia-se da contemporanei-
dade da profissão.
Um engenheiro químico ao pesquisar, por exemplo, a purificação do
Paclitaxel, conhecido como Taxol®, um poderoso anticancerígeno, deve
ter a curiosidade de saber como o fármaco inibe a divisão celular. Além
disso, ele precisa saber como esse agente pode ser extraído da natureza,
pois o Paclitaxel está presente nas cascas de árvores do teixo do Pacífico
(Taxus brevifolia). É importante que o profissional esteja atento sobre. as
consequências dessa extração, pois são necessárias seis de tais árvores, cada
qual com cerca de cem anos de idade, para a obtenção da quantidade
anual de Paclitaxel o suficiente para um só paciente, implicando descascar
a árvore, levando-a à morte. O engenheiro químico, dessa maneira, deve
estar preparado para, eventualmente, ficar frente a frente com um dilema
ético que, neste exemplo, aflora entre o combate ao câncer e a desertificação.
Felizmente, foi possível a descrição da estrutura molecular do Paclita-
xel e sintetizá-lo, assim como obtê-lo a partir da cultura de células vege-
tais, preservando a espécie natural de onde provém. Nesse caso, o profissio-
nal de Engenharia Química deve estar familiarizado com o tipo de síntese,
assim como ter o conhecimento de que a obtenção do Paclitaxel é acompa-

;.,..__.,• .
__J,E~.._=·----------
Engenharia Qu ímica A formação do engenh eiro químico 25
--·----------------
nhacia pela obtenção de vários comp ostos estrut uralmente semelhantes, Quodro 3.1 Exem pl os associados a dive rsas á reas do conhecimento huma-
complicando a sua posterior separação e purificação. Em sendo assim, o no en vo lvid as na purificação do Paclitaxei.
engenheiro quím ico deve propor soluções para separn.r e p u rificar o fármaco Are.os· do Exemplos
por meio de alguma técnica de separação como, por exemplo, a adsorção. con hec i mento

Dessa maneira, urge a importância cie o engenheiro q uínüco ter o dcmí- Ciê11c ia s H umoncs 1:Di lema ético entre o combale ao cô:ncer e o desertificação (Él11 o)
:lio sobre o mecanismo cie separação, o a_ual está associaá.o a conhecimen - 2) Comun icação orn! e ·escrita das etapas de pesquisa do Projeto (\
municação_e Expressão).
tos de Termodinàmica e de Transferência de Massa, assim como sobre a
!epr esentação do fenômenoirnecanism o cie separação, que ocorre por meio Ci ências Bio i ósicas. 1) O mo do como o Pacl ilaxel inibe.a divisão· celular (Biologia).
do est abelecimento de equações matemáticas e respectiva solução . Conhe- 2) Cultu,·a de cé(uias vegetais (Microbiologia).

cido o mecanism o e presumindo a pureza desejada ao produto, o enge- Q uím ic p 11 ldeniificoçõo da estrutura molecular do Paclitaxel·(Química O ralir w <1)
nheiro químico pode realizar o projeto do processo de purificação bem 2}Ané!isc quantitativ~ e qualitativa dos produ tos advindos dos 1 , "" 11 .
como estabeiecer a técnica a,_, aiítica -oara avaliar a c-uantíciade e a aualida- de ~eparoçã.o e de purificação do Pac!ifaxel (Química Analíti o)
-
de do Paclita.'Cel obtido. M atem á tic a. 1} RePresentação- matemáticc tjo fenômeno de odsorção .
Saliente-se que a escolha da aà.sorção, além da eficácia ( obtenção da pure- 2)S6iui;ão do mod~b m'ateméti,: o ~rapo.sto.

za desejada), deve ser eficiente, a qual está reiacionacia a wn estudo ó.e viaoili-
·ciênci as da 1) Definiçóo da isotérma.de adsorçãc do ·Podi10xel (Termodi nur-111 1
dade econômica. Não se pode esquecer que o profissional à.e :En gennaria Quí- Eng.en hori a Q ufm ica• 2) Explicaç,ã o sob re o mecanismo-d,,i Trnnsferência de Massa ossc 111rl,

mica tem de reportar, por comunicação oral e escrita, todas as etapas do seu ao fer-iêmeno da adsorçõo (Transferência.de M assa).

8.'abalho, com métoào e de forma clara e objetiva, pois ele mantém contam
Te c;:,o!ogi as da 1) Separação d0 Pcdi(axel de uma mistur a multicomaonent , e d, ·
continuo com diversos profissionais a_ue não sejam engenheiros. En genh aria Q ~ímico· impurezas. · .
2).Puriii~ação do Paclitaxe! em mistura com c;orr,p;,stos estruturalm " 1,
Nota-se que a pesquisa sobre a purificação do Paclitaxei envoive di-
semelha ntes a ele. -
versas áreas do conhecimento humano, confo rme indica o Qu adro 3. 1,
Ge.stõo l) Projeto iecnico de equlpamintos e de processos do ob1ençõo r:l,
mostrando q ue o binóculo deve ser recoibido e com urgência. Taxo!® (Gestão Técnológirn}. ·
2) Estudo de.viabilidade financeiro e de parcerias,(Gestfo Organizacional)

CONHs:CttMIEN'íOS IESSENCIAiS À !ENGIENHARSA QU8MSCA


Ciências Humanas
Como pode ser observado no exemplo apresentado e resumido no Quaàro 3.1, Ciên cias Biológicas
assim como no Capítulo 2 (veja os Quaàros 2.1 a 2.8), a Engenharia Química Ciências Bá sicas Química
{ Física
abrange amplo espectro de conhecimento. A escoiha da profissão não pode ser Matemótica
pautada tão somente em gostar ou não de algo, mas em ter clareza do que se
quer para o futuro. Hoje não sobrevive o forte ou o fraco, mas o flexível. Aliás, Ciências do Termodinâmica
Engenharia Química Fenômenos de Transporte
a capacidade de se adaptar às mudanças e situações é indicativo de inteligência. {
C in ética Q uímica
Mas o que permite esta flexibilidade e mesmo a abrangência de atuação do
Tecnologias do Ope rações Unitári as
engenheiro químico? A resposta está associada à formação do profissional de Engenharia Química { Reatores Q uímicos
Engenharia Química, alicerçada, por sua vez, nos conhecimentos que a caracte-
rizam. Tais conhecimentos podem ser divididos, para efeito de entendimento, Gestão Tecno lógica
{ O rganizacional
em Ciências Básicas, Ciências e Tecnologias da Engenharia Química, Gestão
Tecnológica e Organizacional, conforme esquematizado na Figura 3. 1. figura 3.1 Conhecimentos esse nciais à formação do engenheiro químico .
li
' 7;

_ _ _ _ _ _ __ _ _ __ __ _ _ __ _A
_ fo
_ r_m_a
_ ç"--ã_o_ d_o _e_n..:::gé..e_n_h_e_ir_o_q.:..u_ í_m_i_c_
o _ _,..
'~
2b Eng enhario Química

A importância do conhecimento das Ciências Básicas, assim como das Quadro 3.2 Tópicos característicos à modal idade de Engenharia Química.
Ciências da Engenharia Química, reside no fato de estimular o futuro pro-
Ní:rd~ci d'e cÔníeúdos, básicos. .'N:acrea ·11e cór1tei.íêt~s
fissional a conhecer e entender fenômenos físicos, químicos e biológicos, e p~ófl_ss:ióna 1;·zcin_tes (.~ugestõo) .
mesmo aqueles relacionados à natureza humana, por meio da compreen- ,. ·-;-:.., . ':;: ·-»o:·.-·:.i., . - ·· -.:' .·

· :~etbdologia~ientífica •e tecnológ icai Céiin~ni" , Bioquímiê~:; Cbntr2ole · de sistemas di"~<!lrnicos;


são de mecanismos que lhe dão condições para ver o mundo de modo
i:açóo ~.expressão; lnforrnâ)ica.;·Expressao gr{j- Enge~n:ario d~·pr6duto; 6rgonornia ese<]Jurança'
sistêrnico. Já o aprendizado dos conceitos inerentes às Tecnologias da En- . ficá;. Maternátrca;.Física; . Fenômenos de.Trans- . do trabalho; Físi~o-Qufrnica; Gestão Ambiental;
genharia Química possibilita ao aluno a aplicação de seu aprendizado · .porte; Mecâni<sádos Sólíctos-; El,,;tr.íéiclâ.de ·aplic0; - l'nstr~rri~ntaçao;' Mate'm ótica Eliscreta·;-M'étodos,'
. da i Químiê~;· Ciência e ·ternoÍogia çJ~s M0te_- -Numéricos; f0icrob ialogia; Modelagem, Aoáli -
científico à técnica de engenharia corno, por exemplo, o dimensionamento ···riais; Admi"niíitraçqo;- Ec; nomia;, CiênCias' _do. se ê'simula~ão &:sistemas; Operações Unilárias;-
d equipamentos. Diante da necessidade de pôr os seus conhecimentos, 'ambiént~;-Humànidod'es,, ,Ç::iêncià s; Sotiais é · _P,rOi:éssos,~uímicose B'ij'l_químicos; Qualidade;"
·. Cid~dóni~,,. . ' ' Química_Anqlfticà; Ouín;,ic;a:ornãnica_-;. Reafores, '
oriundos tanto das ciências quanto das tecnologias, a serviço da socieda- . Ouímicos' e. Bioquímicos;·Têri;,;íõdir.i0mica .à/Jli.- ·
d , entendendo-a de modo global, o qual atinge todo o público que afeta <"adir. • " · ·'
e é afetado pela atuação do engenheiro químico (stakeholders, veja a Figu-
ra 2. 1), este profissional deverá ter a capacidade de contextualizá-los por
meio de gestão, tanto tecnológica quanto organizacional. A formação do
·n cnheiro químico está embasada, portanto, nos seus conhecimentos ca- se constitui em extensões e aprofundamentos dos conteúdos do núcleo de
l', terísticos e nas habilidades a ele desejadas (veja a Figura 1.1 ), para que conteúdos profissionalizantes, bem como de outros conteúdos destinados
n1111p reenda a sua profissão e a responsabilidade que a cerca. a caracterizar modalidades. Estes conteúdos constituem-se em conhecimen-
tos científicos, tecnológicos e instrumentais necessários para a definição,
por exemplo, da modalidade Engenharia Química.
UTURA oe UM CURSO DE GRADUAÇÃO Há de se notar que os tópicos característicos do curso de Engenharia
NGENHARBA QUÍMICA Química (Quadro 3.2) contemplam aqueles conhecimentos expostos na
Figura 3.1. Tais conhecimentos, por sua vez, são oferecidos aos alunos ao
o nselho Nacional de Educação, por meio da Câmara de Educação longo do seu processo de formação, o qual pode ser estruturado no orga-
.' u1 eri o r (CES), estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais do Cur- nograma presente na Figura 3.2.
so r,/" Graduação em Engenharia por meio da Resolução n. 11, de 11/03/2002.
P:irn balizar e homogeneizar os cursos de graduação de Engenharia em
1 do o território nacional, o Art. 6° dessa resolução menciona qu e todo

cu rso de Engenharia, independente da sua modalidade, deve possuir em


~ ·u currículo um núcleo de conteúdos básicos, um núcleo de conteúdos
1° ao 3º 1° ao 2º
1 r íissionalizantes e um núcleo de conteúdos específicos que caracterizem ano
ano
a modalidade.
2º 004° 2ºao 4°
O núcleo de conteúdos básicos versa sobre os tópicos que estão apresen- ano ano
tados na primeira coluna do Quadro 3.2. Saliente-se que nos conteúdos de 3°00 5°
rt ica, química e informática, é obrigatória a existência de atividades de labora- 3º 004° ano
ano l
l rio. Já o núcleo de conteúdos profissionalizantes versa sobre um subcon- 1

jw1to coerente dos tópicos, como os sugeridos na segunda coluna do Quadro


.2, para o caso da Engenharia Química. O núcleo de conteúdos específicos figuro 3.:2 Organograma de um curso de graduação de Engenharia Química .
.e•
,
r
i-

.~s-
~-~-- Engenharia Química i A fo rmação do engenheiro químico 29

Na Figura 3.2 há um cronograma que estabelece, em média, o tempo O conhecimento das Ciências Básicas é fundamental para a forma ,Hl
de duração referente à formação do engenheiro químico em escolas brasi- global do estudante, pois o coloca em contato com os mais var ia 1,
leiras. A maioria dos cursos de Engenharia Química no Brasil forma, em tipos de conhecimentos e linguagens . Além disso, fornece suporte con · i
média, seus alunos em cinco anos, contudo existe a possibilidade de o estu- tua! à compreensão de mecanismos essenciais às Ciências e às Tecno l ,inH
dante concluir o curso em quatro anos. Cada célula do organograma é da Engenharia Química. O Quadro 3. i , por exemplo, ilustra com ,1.~
constituída por tópicos ou por uma ou mais disciplinas, como aquelas Ciências Básicas podem estar presentes no cotidiano de um engenheiro
apresentadas no Apêndice B. Obedecida a Resolução n. 11/2002 do CES, químico .
cada Instituição de Ensino Superior (IES) pode definir o seu elenco de
disciplinas e respectivas ementas de acordo com as suas características e
necessidades, assim como a disposição temporal de tais disciplinas. É im-
portante que se escreva que os Quadros B. la B.10, presentes no Apêndice
B, estão assim postos para apenas exemplificar as características de um
curso de graduação em Engenharia Química no Brasil. As Ciências da Engenharia Química estão representadas na Figura 3.4, t' II

quanto a descrição de suas ementas está no Apêndice B, Quadro B.6.


A Terinodi11â.n1ica ~rata das sitl1ações de equilíbrio de energia / o
estados da matéria, assim como das condições necessárias para qL1e u111
AS CIÊNCIAS BÁSICAS
determinado sistema deixe de estar em equilíbrio. As descrições dos i ·1H
A Figura 3.3 apresenta as Ciências Básicas relativas à formação do enge- menos do não equilíbrio envolvendo transporte de energia e/ ou de m aL 1 1.1
nheiro químico . No caso das Ciências Humanas, encontram-se, nas IES são abordadas em disciplinas conhecidas como Fenômenos de Trans t lr
brasileiras que oferecem o curso de Engenharia Química, disciplinas rela- Em havendo produção ou consumo d.e matéria, aflora o estudo da Cin I ic ,1
cionadas, por exemplo, a Port uguês, Filosofia, Ética, Ciências Sociais e (bio )Química.
Direito. No caso das Ciências Biológicas existem disciplinas relacionadas à No caso dos Fenômenos de Transporte há três segmentos do conh • i
Microbiologia, Bioquímica e Biotecnologia. Em se tratando de Química, menta, por meio de disciplinas, que os caracterizam: Mecânica dos Plu i
há disciplinas relativas, por exemplo, à Química Inorgânica, Orgânica, dos (ou transferência de quantidade de movimento), Transferên ci< lc
Analítica e Físico-Química. Para o caso da Física, há disciplinas que ver- Calor ( ou de energia) e Transferência de Massa (ou de matéria). Tais dis i
sam sob_re: Mecânica, Estática, Dinâmica, Cinemática, Eletricidade, Óptica. plinas tratam, basicamente, do estudo de fenômenos e mecanismos de trai s
Na Matemática encontram-se, por exemplo: Cálculo, Geometria Analítica, porte em níveis molecular e macroscópico de transferência de quantidade
Álgebra Linear, Estatística, Informática e Métodos Numéricos-.
de movimento, de calor (ou de energia) e de massa (ou de matéria).

• · Ciêndas,da 1
1 Engenh~ria Quí:;_,ca
·,~·-~ . ·•• ..· -.-1;?-;tc ~ , . --'7'
j

Tarmodinãmíca fenôménos de
Trár.sporta

f-iguro l .4 Ciê ncias da Engen haria Química no curso de graduação de En-


Figura 3.3 Ciências Bás icas no curso de gra duação de Eng enharia Química . i genha ria Qu ímica

J
JO Engenharia Química A formação do engenheiro químico

As Ciências da Engenharia Química não são disciplinas estanques no mental para o entendimento operacional de certa aplicação tecnológica
entido de abordar um tipo de fenômeno de transporte. Pode haver simulta- (Operação Unitária). Os mecanismos de transferência de massa como,
neidade entre, por exemplo, Termodinâmica e os três Fenômenos de Trans- por exemplo, a difusão de um soluto em uma matriz porosa, são úteis para
p rte como no caso, por exemplo, na secagem de grânulos de resina de PET a compreensão de certas Operações Unitárias, tais como adsorção e seca-
(polietileno tereftalato), os quais darão origem às garrafas PET (veja a Figu- gem. Essas Operações Unitárias, por sua vez, são encontradas nas indústrias
ra 4.2), quando expostos à corrente aquecida de ar seco. Nesse caso, o ar de antibióticos e de resinas termoplásticas. As Operações Unitárias, que
fc mecerá energia aos grânulos, aquecendo-os (Transferência de Calor) . têm como ciência predominante a Transferência de Massa, são reconheci-
I laverá a migração da umidade dos grânulos até o ar seco, umedecendo-o das como "Operações de Transferência de Massa". As Operações Unitárias,
(Transferência de Massa), cujo limite para umedecê-lo dependerá das con- que possuem a Transferência de Calor como ciência base, são reconheci-
cliç es da temperatura do ar, assim como da pressão de operação (Termodi- das como "Operações Energéticas". Já as Operações Unitárias, governadas
nâ mica) . A quantidade de umidade retirada da resina, por sua vez, estará preferencialmente por mecanismos físicos e pela Mecânica dos Fluidos,
·o ndicionada, também, à velocidade do escoamento do ar (Transferência são tratadas como "Separações Mecânicas". No Quadro 3.3, encontram-se
d Quantidade de Movimento). Um outro exemplo que trata da ocorrência alguns exemplos sobre as relações entre as Operações Unitárias e os seus
irn ul tânea das Ciências que caracterizam a Engenharia Química é quando respectivos Fenômenos de Transporte, assim como onde estão presentes
os Penômenos de Transporte dão-se com reação química, como é o caso da
na fabricação de produtos característicos da Indústria Química e correlata.
t 1J lll bustão em que pode haver, ao mesmo tempo, fenômenos de Transferência

de Ene t·gia e de Matéria associados à reação química.


Quadro 3.3 Fenômenos de Transporte e Operações Un itários.
Ao se estudar, por exemplo, os "locais" onde ocorrem as Ciências de
1-: 11 11 ·n ha ri a Química como, por exemplo, secadores e cornbustores, bem
1 01110 o dimensionamento de tais equipamentos, o seu design, o modo de

np ·ração, estar-se-á no universo das Tecnologias da Engenharia Química.


!;s i ' universo pode ser visitado por meio de disciplinas relativas a Reatores
2ufmicos e Bioquímicos e à de Operações Unitárias, conforme ilustra a
,:; •ura 3.5, sendo a descrição de suas ementas apresentada no Quadro B.7,
'·;: . 5epiÍr;:oçõ<6 de-partículas'sólidbs ' fe:rtili~-~nÍés .
lo Apêndice B.
; fendo como b_a se o. diferençasde .'.Extraç_õo-de
. '. dfôriietro e .de densidade. · _ .. diamqbte
A importância do conhecimento de determinada Ciência de Enge- 1

n haria Química como, por exemplo, Fenômenos de Transporte, é funda- ',filiraçõo " Sép0raçãade pa rticulodos,'p oi
~ J: dife:renç(J no,to _
m onho entre·a
0

p_artírnla e · os.por.os ou · .
... .
• 'interstícios. do meío-filtronte:
. .
F-loculação ,. Remoção de· material co loidol lnseficidas·
.'. em s~spensão apóS'coagu lpçâo ,:Tratamento
1 de <iígu.a
.j T~cnologias·da Engenha~ia QUímica j . e aglomer,::;ção·. .

.,-- ----·-·"""l_· --:g;~-~T:_,,g.~


i-'__·~_"""_.
_ r_-_._. ~_ií""_~_.-~-*_·______ Flotaç.õ o ; s·e porpçõo,desólidos po_r·meio da '.; Resinas
-suspensão de matéria para a, · Tratam:ento
Reatóres Químicos · ,~ . Op~ráções~Un,ifárias ~1 . · . superfície dei~m líquido, na fbrma :de água ·
~ · · · _::deêscuma esubsequente ·remoção'··
·. _Sedi mentação · . Processo de sepamç.ã o de , Papel
1 ro 3.5 Tecnologias da Engen haria Química no curso de graduação de particul0dos por meio i:k, ' Tinto
Engenharia Química. depos.içõo·de·mater,ã l.

_L
32__ _E~fl_::,nhario Químic~
--
r
t
A formação do engenheiro químico
ri+•.
~,3~
·• .. ---·-·-·-· •. ·····---------- ------
1 -------------------------------~----"'----~------"-=
!Trc:nsferêncio Operações Aqu~cimento . Fornecimento de.eneraia a um Adesivos . 1 As Ciências e as Tecnologias da Engenharia Química constituem-se
'de Caiar Energéticos fluido ou sóiido. - Fertil izantes nos Fundamentos da Engenharia Química, ilustrados na Figura 3.6. Fel
Condensaçiío Retirada de energia de úrri vapor Inseticidas exposto, as Ciências da Engenharia Química estabeiecem os princípio ·
para provocar e suo mudo nca de Derivodos
fase, de modo, se necessári~,. a de petróleo necessários à compreensão de fenômenos inerentes à transformação d<l
reaproveitar o conde ris.ceio no. matéria e/ou energia, possibüitai,do a sua aplicação técnica, a qual, por ua
. procesc50 ou permitir o seu
trotamento enquanto coproduto. vez, configura as Tecnologias da Engenharia Química. Há àe se notar, por
Produção de Utiiização de vapor pera 0 tanto, que o engenheiro a_uímico com sóliàa fonnação científica e tecnoi gi ,
Açúcar
vapor (Caid:eiras) geração dç energia 'c omo, por Adubos acaba sendo, natllral1nente, iar1çado a cargos à.e gestão nas orga.riiza ões.
· · · exemplo,-e!êtrica .
Retirada de energia de um ·Alimentos
.! Fundamentos da t:ngenhàri~ Químicl::
líqüido ou de um sól_ido para _Bebidas
...\_ ,.:'~ ~i"_s; ·'. : '( ."_:r'7-t>.
i; e;-~ , ·-

preservar as suas: propriedades


por exemplo, físico-químicas . '
· Resfrian,enfo Retirada de, energia de um fluído Jertilíza rtes ) Termod;nãmicaj ., . _Cif!ét~c~ .. ~ Transferência . 1 J Transferen clt
j,. ;"~ ;t '"· l__l ,~~'.:~~~~~'.eª_: L,==~~=~~ "=-ª~'e·_c~ai-'~orr~"~!' L de Mas ,
1
ou de um_sólido. Resines 7

Trocadorde ,. Processó Si!Tl ultôneo de· "'- · AÇúcur: 1


calo~_. aquecirneoto/r:es-friornento Petróiéc ___..l.
·ervolvenào cOfrentes de fluido Bebioqs - Reafores Operações j Operaçoo•
em determinado equipameni_o. l__: ~ufmkos J.
1
.
F
_nergéticas .
Transfer 111
de Mil ,·
Eva;::oroç,:io Fornecime_nto d~ energ·io a· um ,Anti biótico
![quido pare provocara suo · Fi bras Figura 3. 6 Fundamentos da Eng en haria Qu.ímica.
mudança âe fase ~istmdo-a ·· · artificia.is
·cor1centração i:le determino.do
agente presente no líquido.
0
fran~ferêncíc. Operações Absorção Seporc;içãopr~ferenci~i de,_,•.:.
:de Messa Ácido su!f0ri~~
de molécula(s), pres:ente.(s) em uma F.ertHizantes
Transferência mistura gasosa por meio da sue
ee Mgsso
Ao se observar a Figura 3.2, verifica-se a existência de uma área, a 4t1,tl d
retenção erri u01-i(EJuido.
nominamos àe Gestão, envoívendo as Gestões Tecnológica e O r g.1 1111.11 ,o
Separação preferenciai.de e•
i_Qfff\ CCOS
molécula(s) presente(s) em um nal, cujas àisciplinas ou tôpicos que as caracterizam estão presen e· rni· r >t
Resinas
fluido (gás ou líquido) por me io da dros B.9 e B.10 (veja o Apênàice B), respectivamente.
sue fixação em sólido adsorvente .
A Gestão Tecnológica, Figura 3.7, relaciona-se aos conh · 111 w1111
Cristalizor,ão Seporação de um componente Açúcar
presente em· uma solução -por meio Fármacos técnicos e gerenciamento do processo produtivo nas áreas e c;11111111•, d
de, si:10 dissolução em um solver.te-. atuação ào engenheiro químico. :Ê onde se encontram disciplinas (1111 1111
Destil0ção Separação de líquidos por , Derivados cos) que visam, por exemplo, o projeto de um determinado pro t•s,11, 1'•11
.aquecimento, baseado na de. petróleo definir, entre outros, a forma física, o aspecto e a composi~ão física l' ,11111 '"
diferença d~ seus pontos de Tinta
ebulição {ou.de pressão de.vapor). de produtos, bem como as rotas ótimas no processo de transíorn1 ,1 1
Extração líquido- Separncão breferencial de um Fáímacos
líqu ido . líquida ~m ~istur.a com outro(s} ) Gestão Tecnológ,ic~
Derivad os > j• '> '
· poroçõo de um terceiro líquido. de Petró leo
Secagem Remoção cie um solvente vo!ótii Ãdubos
contido no meio sólido por me_i o- Papel Contro!e 1Projeto e Pmcessos\ Instrumentação
f.;
do ação do calo~
Separação poF Sepmação de moléculas de ,'\rama s
Orgânicc ; ~ Biotecnológk.
membranas diferentes tamanhos utilizando-
-se uma barreira seletiva. .
· natura is
Bebidas
----~==--~
_!
~ -
' l~tm~ ~.7 Ccrnde rísticcs da Gestão Tecnológica.
-..:..--'
~ ; , : 'lf!

A formação do engenheiro químico 35


34 Engenharia Química --------··- ----------------- - -..:._____::<--- ---'----~---"

Em se tratando de um processo químico, este pode ser entendido como


as etapas de transformação que sofre uma (o u mais de uma) matéria-
prima, visando a produção de um produto que atenda as necessidades dos
stakeholders (veja a Figura 2.1) . SHEREVE e BRINK (1977) mencionam
que, dentro da Indústria Química, há o processamento qu e tem por base a
conversão química (ou reação), como na produção do etilenoglicol a partir
do etileno, bem como no processamento baseado tão somente na modifi-
cação física, como é o caso da destilação para separar e purificar as frações
de petróleo (px.: a obtenção da nafta).
Seja qual for a nat ureza da transform ação (química e/ou física ) da
matéria-prima (veja a Figura 2.2), pode-se entender o processamento quí-
rni c por meio de elementos industriais a ele relacionados. Desta maneira,
LOrn a-se fundamental o conhecimento e beneficiamento (físico e/ou quí- M°
o,..
o,..
111 ic) da m atéria-prima bruta para caracterizá-la, visando a determina-
.lo de propriedades físicas e/ou químicas por meio de ensaios de desempe- z'
nh ( iências Básicas). É importante conhecer o estado físico das matérias-
o
:,.,'.
<(
p, imas bruta e beneficiada para verificar a necessidade de embalagem e t::::I..
o
m •s mo de estocagem desse material. Depois de se processar as matérias- .'::!
p, imn s bruta e beneficiada por meio de Tecnologias da Engenharia Quí- J~
:J

mi · :i , para as quais é essencial o conhecimento de mecanismos associados
.'2
Ol
,h Ci ncias da Engenharia Química, obtêm-se os produtos desejáveis ao o
,n ·r ;ido e aqueles que podem retornar ao processo . Esta descrição está oe
u
,lt 1str· da no flu.,-wgrama presente na Figura 3.8. Aqui, retoma-se a obra de 2
o
' 1IEREVE e BRINK (1977), na qual se encontra a definição de fluxograma E
:J
Lo n1 0: uma sequência coordenada de conversões químicas e das Opera- Q)

D
-o
nitárias, expondo, assim, os aspectos básicos do processo químico. ô o Q -º Q2Q).g -~
/\ 1 rn disso, indica os pontos de en trada das matérias-primas e da energia
..5:1
E ºº
'º o e: E/ -E 2:g!E
2 D .::, o
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·5 ~gil;<D
O'"c:?5 <D- .Q
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n •e sária às etapas de transformação e também os pontos de remoção do m ng ~ 8 -o
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p, oduto e dos coprodutos.


.!!!.
-o !2 ~ >..:.
o- o m\. 8 :gBg~ e
~ u < ~ ~~i:~
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A. Gestão Organizacional (Figura 3.9), por sua vez, está associada ao 9-
-;;;- ·º
ü
eQ)

K·r nciamento da organização em si, envolvendo competências para tornar Q -me E

'
D a,Sl -ãi (]) ~
E -O"§_- ô .o w
t~a
ü
,1pl o futuro engenheiro químico a exercer funções básicas de administra- o Sl O ~ o 2:
ã. ~ D
'g,8 - s j E~ ,o E -;;;-
~· o, tais como planejamento, organização, direção e controle. Neste caso, i ~?-~ Ü" ru E
futuro profissional poderá alcançar o cont role adequado de um pro- ~2:
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·sso, assegurando a conclusão deste no prazo e no orçamento determina- ~\o


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&i l,.,

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u s, ob tendo a qualidade estipulada ao objetivo pretendido (produto e/ ~ õ.~ C)
ii:
u processo) . l
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l
36 Engenharia Químico A formação do engenheiro químic<:J_____ 37

A QUfESTÃiO DA !NlERD!5(~PUl\..~ARIDADE
DílJR.0.1 "!!'E A FORMAÇÃO DO !l:!NG~NHEIRO QUÍMDCO

/ Administrativa Segura nça do É importante ressaltar que, normalmente, há disciplinas de cunho expcri
Trabalhe
mental direcionadas ao reforço da aprendizagem dos Fundamentos d.-
Engenharia Química (Figura 3.6), além de serem previstos estágio 11 ,1
.! modalidade de Engenharia Química, de modo a pôr o estudante em Cc)l1
] Financeiro f ·Ambientai
tato, por exempio, com processos produtivos característicos da sua fuLu 1c1
profissão. Além disso, convém mencionar que determinadas discipliu l~
figura 3.9 Características da Gestão Organizacional.
podem fundir-se, dando corpo a uma terceira disciplina. Como exem1 lu,
pode-se citar a existência de uma disciplina denominada Fenômenos de Trn 11
porte que engioba os tópicos presentes em Mecânica dos Fluidos, Tmn:, I,·
O profissional de Engenharia Química, dependendo da sua opção sobre rência de Calor e Tnu1sferência de Massa, conforme ementas descritas n u<1
áreas e campos de atuação (veja os Quadros 2.4 e 2.5), poderá deparar-se àrc B.7. O mesmo pede ser escrito a respeito de Processes Industriai - com
com processos de gestão em praticamente todos os níveis: desde a definição uma disciplina que abarca tópicos presentes em Processos Industri:1h
da localização da fábrica até disponibilizar os produtos no mercado, pas- inorgânicos, orgânicos e biotecnológicos ( Quadro B.9), sob o enfi qu ·
sando pelo desenvolvimento daqueles, assim como o gerenciamento de descritivo tendo como base, por exemplo, a Figura 3.8. Além disso, 0 111 r,1•,
pessoas. disciplinas, em vez de constituírem uma única, podem difundir-se em vári,1s,
Seja qual for a situação, torna-se necessária a avaliação econômica do complementando-as. Como é o caso de Direito, cujos tópicos podem ~ 1

empreendimento, identificando, por exemplo, oportunidades e envolvendo vistos dentro daqueles presentes em uma disciplina de Projems àe Processo:,
estudos estratégicos de custos e benefícios sobre a localização, matéria-prima, (Quadro B.9), no que diz respeito à Legislação Ambiental, assim com m
mão de obra, mercado consumidor e distribuição do produto e/ou serviço. caso de Segurança de Trabalho ( Quadro B. l O). A questão da Ética ( Qu :1d I n

Deve-se lembrar que o processamento químico está associado ao pro- B.l), por exemplo, não precisa - necessariamente - ser abordada c 1111 ,

disciplina isolada, mas permeando disciplinas ao longo do cu rs , c1 11,1


cesso de produção de riscos. DEMAJOROVIC (2003) ressalta que uma das
aprendizagem deve vir pelo exercício constante.
principais consequências do desenvolvimento científico industrial é a expo-
sição da humanidade a riscos e inúmeras formas de contaminação jamais
observadas. Sob esta ótica, não se pode perder de vista o impacto advindo de
um determinado tipo de processamento. Em assim sendo, dentro de um CONCUJSÃO
determinado empreendimento nas atividades de um engenheiro químico,
É fundamental para o futuro engenheiro químico desenvolver a visão si~
em especial no caso das Gestões Tecnológica e Organizacional, deve-se ha-
têmica, ou seja: a habilidade de compreender o processo como um todo ,
ver a constante preocupação com: prevenção de perdas; manuseio, trans-
incluindo aspectos macroscópicos do processo produtivo ( como o con h •
porte e armazenamento de produtos perigosos; planejamento para emer-
cimento de Reatores Químicos e de Operações Unitárias) e m icroscó pi LOs
gências; aspectos da poluição do meio ambiente causada pela indústria; o
(modelos termodinâmicos, cinéticos e fenomenológicos ), além de de· •n
controle interno e externo de e.trissão de poluentes, entre outros aspectos. voiver habilidade humana, que vem a ser, sob este aspecto, a sua capacidade
Aflora, portanto, a questão da Gestão Ambiental, a qual pode (e deve! ) ser de se reiacionar eticamente com o público direta e indiretamente afetntl
aoordada durante a formação do engenheiro químico. per suas atividades.
r
38 Engenharia Química
r
A formação acadêmica do engenheiro químico, da maneira como apre-
sentada neste capítulo, pode ser comparada a uma árvore, conforme ilustra-
da na Figura 3.10. Apesar de não estarem representadas na figura, as raízes - ~ J~

·, •..r._
correspondem às Ciências Básicas (Figura 3.3 ), enquanto o tronco aos Fun-
damentos de Engenharia Química (Figura 3.6) e os galhos aos aspectos rela-
tivos a processos, projetos e gerenciais (Figuras 3. 7 e 3.9). Note que os frutos
desta árvore não estão representados na Figura 3.10, mas são aqueles, por
exemplo, contidos nos Quadros (2 .2), (2.3) e (2.6). Além disso, neste exato A INDÚSTRIA QUÍMICA
momento você pode estar em contato com qualquer um desses frutos, basta
observar à sua volta ou mesmo aquilo que está vestindo.

Um dos indicadores de desenvolvimento e de riqueza de um país é o seu


grau de industrialização. Neste sentido, como escreve DEw1AJOROVIC
(2003 ), a Indústria Química é um dos setores mais dinâmicos e vitais de
qualquer economia industrializada. Isto é consequência da geração de seus
produtos finais amplamente demandados por consumidores como, por
exemplo, aqueles apresentados no Quadro 2.3, assim como urna vasta lista
de intermediários utilizados por outras indústrias em seus processos de
produção, entre os quais aqueles utilizados como intermediários nas in-
dústrias automobilística e eletrônica. A capacidade de inovar mais rapi-
damente do que os demais setores, oferecendo sempre novos produtos e
modificando processos, permitiu notável crescimento à Indústria Química.
Tecnologia, pesquisa e ciência fundidas em busca da produtividade encon-
traram no setor químico o terreno ideal para seu desenvolvimento. Não
por acaso o setor ser denominado: indústria baseada na ciência (DEw1A-
JOROVIC, 2003 ).
A indústria, de modo geral, pode ser entendida como um conjunto de
t 1, ur 1 3 . 1 O A á rvo re da formação do engenheiro químico. atividades econômicas, visando a manipulação e a exploração de matérias-
primas e fontes energéticas, bem corno a transformação de produtos semi-
acabados em bens de produção (ou de capital, que são bens intermediários
flAFIA CONSULTADA
que servem para a produção de outros) ou de consumo (bens que atendem
1) 1 MA! R. VTC, J. Sociedade de Risco e Responsabilidade Socioambiental. São Paulo: Edi- diretamente à demanda a médio ou a longo prazo).
11,r ,1 S ·nuc, 2003.
A Indústria Química é, resumidamente, um tipo de indústria de trans-
'ti ll'IUlVE, R. N.; BRINK, ).A. Indústrias de processos químicos. 4ª Edição. Trad. Horácio
formação (Figura 2.2), cujas atividades consistem na transformação de
~LtLtUo, Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1977 .
f ON, /\. Engenharia Química e os novos materiais. ln: Anais do V Encontro Brasi-
l, 111> , bre Engenharia Química. Itatiaia. p. 208-223. Rio de Janeiro, 1993. 3.9 ·,

J
~ÁO, __ Engenharia_Química ,A, Indústria Química 41

maté1ia-prima em produtos intermeàiários ou que sofrem wna primeira


transformação, neste caso tem- se a indústria de base ou pesada (p.ex., a
obtenção de óleos essenciais, dos quais advêm vários derivados). Quando Um dos grandes problemas em se conceituar Indústria Química está 11;:i dt!
tais transformações acarretam bens de consumo, tem-se a indústria de finição do produto obtido como sendo "de química" . No passado, ore 111 fJ
consumo ou leve (um exempio é a indústria farmacêutica). Há também a de peiróieo não era considerado uma "categoria" da Indústria Quírnic 1
indústria de ponta, que consiste de um setor ou empresa que finaliza um tendo em vista a_ue não há reações químicas no processo de transformaç.a,
processo de fabricação em que se envolveram diversas outras indústrias. da matéria-prima, apesar da existência de segmentos tipicamente u(n1 i ·o~
Normalmente, essas indústrias são do tipo leve (a química fina e a indús- a partir, por ex:empio, da transformação da nafta conforme a apres n u a,
tria de especialidades são exempios típicos ). na Figura 4.1. Como bem salientado por WONGTSCHOWSKI (2002),
Podemos nos deparar com tais indústrias a partir da exploração d.o estudo da Indústria Química deve ser precedido por concreta definiçuo
petróieo, onde o seu refino encontra-se no início da cadeia produtiva para produtos ou de atividades que nela estejam incluídos. Assim send o, p di.: ··
diversos produtos, encerrando-se com os produtos característicos da quí- classificar a Indústria Quí,.nica, para efeitos tributários e aduaneiros, a oar
mica fina ou de especialidades. A partir da destilação do petróleo, é possí- tir do produto; ou em função da sua atividade econômica, para pos ib il i1 u
vel obter, por exemplo a nafta e o GLP. Esses produtos fundamentam o a coleta, àissem.i.nação e análises estatísticas econômicas.
sêtor petroquímica, pois a partir deies são obtidos compostos orgânicos, No Brasil, a classificação de Indústria Química por p roduw re i ,
que são dassificados como produtos de base ou de primeira geração, tais pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), seção V1, capítulos 28 a 38,
como as olefinas (p .ex: etileno); intermediários ou de segunda geração que considera produtos das Indústrias Químicas ou conexas aqueles a r ·
(p.ex. : etilenoglicol), produtos finais ou de terceira geração (p.ex: resinas sentados no Quadro 4.1.
PET) e, finaimente, a de transformação (garrafas PET). A Figura 4. í ilus-
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, com o ap io
tra, de modo bastante simplificado, as diversas categorias de produt os,
da Abiquim (Associação Brasileira das Indústrias Químicas) e utilizand o
oriundas da indústria petroquímica a partir da nafta.
critérios aprovados pela ONU, definiu uma nova Classificação Nacional
2• Geração de Atividades Econômicas (CNAE) e promoveu o enquadramento de todos
os produtos químicos nessa ciassificação por atividades (Divisão 24)
(WONGTSCHOWSKI, 2002 ). De acor do com essa classificação, conside-

1' Geração 3ª Geração Ql.llarciiro 4 .1J Classificação de Indústria Química no Brasil, pN prod u"io ,
de acordo com a N CM .
i\
%\

"'-o '
Adubos e fertiliza ntes · Prod'uios fa rmacêuiic:os

mi _Extrato~, tanon~es· e· hntoria~s Prod.utos-químicos -inorgânii;:os


-lY
;,;,----,
/vk1teria.is albu,ninóídes e cólas Produtos. quimices· orgânicos
Refinaria ·~ / Transfo rmação
t;) - -
'l, Pólvoros. e· ~xplosivos· Produtos di.versos ·da Indústria Químico, tais
0 e::amc: _ gr afite, -corv.õo ativcdo, cclofôn !as,
'-, ' inseticidas, fungicidas, herbicidas; desinfetantes,
,',,-'» 'ácidos grax0s e q_utros

?roeu.tos de pe_rfu maria e Sa bões e agentes orgânicos de ·superfrc i.e e


p(e pa rações ccs méticos· produtos de ii mpezo
Process o básico da obtenção de garrafa s PET a pari·i r da nafta .
1 111q nhoria Química
·------·---------- ---
r A Indústria Químico

rJ m-se como de Indústria Química os segmentos mencionados no Quadro PRODUYOS QUÍMICOS


,!,.~. Este quadro, à maneira do Quadro 2.4, indica possíveis campos de atuação
para o engenheiro químico, permitindo-lhe, por exemplo, especializar-se em Se consultarmos um bom dicionário, verificaremos que produto é o resulta-
uma ou em várias atividades entre aquelas áreas apresentadas no Quadro 2.5. do de uma atividade (veja a Figura 2.2). Na presente situação, esta atividade
está associada à da Indústria Química (veja a Figura 4.1), o que nos leva a
,mdro 4.2 Segmentos do Indústria Químico brasileiro. considerar um produto químico como sendo qualquer substância pura ou
de composição conhecida produzida pela Indústria Química, podendo ser
utilizado por ela ou por indústrias correlatas, bem como em laboratórios.
1 ,11111 u~"'-' de prod utos
pHHtH u· . inorgâ nicos Os produtos químicos podem ser classificados, devido às.suas caracterís-
ticas, em quatro grupos: commodities, pseudocommodities, produtos de
química fina e especialidades químicas, conforme nos mostra o Quadro 4.3.
,11111 111 ,11, do produt~s
p111t111 11•, ,, ,qônicos

Qucc:ro 4 .3 Pro dutos Químicos (adaptad o de WONGTSCHOWSKI, 2002).


1 111111 111 11n rlt?. resinas
n Al11 .f1.J11!f"•rns

1 ,lo 11 , 1, d<> de fibms , fi os, .


,1, ,, "1111 ,111c11tas co ntínuos
11111t, 1111·, 1! sintéticos

1 ,li111111,rn rln p rodutos


!111111111 1 tJ II ( os

1, ,1,. 11 , ,~uo de.defensivos.


11r p h nle1~
/As indústrias não, ·

...... ~.
-necessitam de
~
intensiv.o · grande~ ira-vesti- ·
I , 1h1111 ,çõo de sa.b6 es, : J'.'.:/ sa~ s7 bon ~ e cÍ;t;ig~;~s sintéti~os; mentas para 0
, 111!1·1 IJ ntes, produtos de Q" produtos de limpeza e polimer,ito'; · impla,,tação de ,
l1111 p, ·1.o e artigos de perfumorio ,. úJ mtigps de· perfumar-ia· e ccisméticos. suas fábricas
~~=~;:;;;.;;;.;;:,:~ - - ·
l 11l,11 c:oção de tintas, v~rnizes,. ,:'_,"i ti·ntes, ver~izesr esmaltes ec lacas;,> :. "· _lJs6 fina l' do . ' Elaboràção de 'i:iabç,raçã0 de.- _Podem·'servendiê!os l?odem set ~endi7
11·.,11u lt s, lacas e produtós . ".:,; tintas de impressão; . . . p,:oduto outros- produtos e.' outros produtos e outros. ind6striqs . , dos-à ,outr.as. -
<1 li11 , e; imperme_obil imntes, solventes e · prodútos.afins. rara'm~nte.são e -r~ramente são. para. posterior indústriàs poro _
ve.ndidos ao vend idos ao elaboraçõo,çi.,,_. posterior efaborO'-- ·
1, il,n caçõo de prodt1tqs e· r,fadesivos e selantes;
pr parados químicos diversos :e; explo~ivos;
~ catalisadores·;.
rn nsumidor final cons_úrr;iidSr final/ -.endjâas ao
· co nsumidor.final
ção ou i.-endidos
ao consumidor
final - ·
. -"l' aditivos de uso ir-idústria I;
~ chapas, fi lmes, papéis e outros mote'riãis e -produtos · Exemplos _ AfJ1ônia 1 eten~, Elastômeros, libras Aromotiza f\tes, Catalisado.res,
químkos para fotografia ; · ácido sulfúrico, artfficiais, resinas fármacos, sacari'na enzimas, bi_a cidos,
G discos·e fitas.virgens; _ metanol, ·gases tern:1oplásfícas· antioxidantes,
''e} óutr.os p.r.odutos químicos não especifií:adcis Ôu não industriais corantes, aditivos,
classificados. espessantes
rl
---
:44,) En gen haria Química
-----··- -- --·---------------

Um produto é dito diferenciado quando for projetado para f,nalidades espe-


cíficas do cliente. Todavia, as classes apresentadas nesse quadro não apresen-
tam limites rígidos. AJguns compostos podem pertencer a uma ou outra
ciasse em função da a_uantidade produzida. Como exemplo, pode-se citar os
elastômeros. Quan.do esses compostos forem produzidos em larga escala, A REVOLUÇÃO
serão considerados pseudocommodities, caso contrário, pertencerão à classe
das especialidades químicas. 11\ 1 í""\ ! 1C•R .1 .1\ i
li'Jl.JU...J 1 ~f'\L

CONCtl.USÃO

Convive-se dia a dia com o resultado da Indústria Química, basta repor- A tecnologia e, por consequência, a Engenharia têm os seus espaços na
tar-se às gôndolas dos supermercados. A transformação do petróleo per- evolução do ser humano , pois devido às suas necessidades é que surgiram
mite obter combustíveis para automóveis, óleos lubrificantes. A partir as invenções, descobertas de produtos e processos que revolucionaram e
das substâncias orgânicas obtidas durante a transformação de gases na- continuam revolucionando o mundo, conforme pode ser acompanhad
turais, petróleo, hulha e o utros, são fabricados corantes, co mpostos por inspeção dos eventos e fatos contidos no Apêndice C. O ser tecnológic
medicinais, álcoois, plásticos, fibras sintéticas, entre outros ;n odutos . A surgiu no instante em que tomou urna pedra e fez dela um instrument
partir do sal comum obtém-se: o ácido clorídrico, hidrato sódico e clo- para lascar, cortar, enfim usá-la para garantir a sua sobrevivência . Da
ro, os quais, por sua vez, são utilizados na produção de: alumínio, vidro, pedra lascada, os seres humanos passaram à pedra polida e daí para o
papel, tecidos de algodão e lã. Produtos valiosos são produzidos por cobre, o bronze e o ferro. Note que tais nomes, associados aos de elemen -
transformação química da madeira, entre eles estão o papel, carvão ati- tos técnicos, nomeiam os períodos da Pré-História.
vado, ácido acético, álcool etílico e acetona. Como se vê, o Benjamim Franklin tinha certa razão quando disse:
! importante ressaltar que todas as grandes economias do mundo "O homem é um anin1al que fabrica instrumentos". E, aqui, poderíamos
possuem Indústria Química forte, como, por exemplo, os Estados Uni- escrever a partir de Franklin: o ser humano é um animal que fabrica u1 -
dos, o Japão, a Alemanha e a França, influenciando, inclusive, o destino trumentos para transformar uma matéria-prima em um determinado
da paz mundial. Não é difícil, portanto, perceber a importância do en- produto para certa finalidade. Note que isto, de algum modo, lembra em
genheiro químico nesse cenário. Pois, àevido à sua formação (veja o Ca- muito a atividade básica de uma indústria, representada na Figura 2.2.
pítuio 3), ele é um ator fundamentai para e progresso e comprometi- A Figura 2.2 ilustra, de maneira bastante simplificada, o que é singu-
mento de uma nação. lar nas diversas fases da história da indústria, as quais são: a fase do artesa-
nato, a da manufatura e a industrial (ou mecanizada). A fase do artesana-
to está associada aos primórdios da civilização, em que se produzia em
pequena escala para atender pequenas populações (tribos). Nessa fase, o
agente que transformava a matéria-prima era o artesão, que desempenha-
DEMAJOROV1C, J. Sociedade de Risco e Responsabilidade Socioamoiental. São Paulo: Edi- va todas as funções em um processo produtivo. Imagine, por exemplo, um
to ra Senac, São Paulo. 2003.

WONGTSCHOWSICT, P. Indústria ouímica. 2•. Eàição. São Paulo: Blucher. 2002.

J
'16 f11 cnharia Química

·opateiro-artesão que, ele mesmo, prepare o couro, corte -o e o costure


r
1
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _A_ R_e_
v o_ l_u~ç_ã_o_l_n _
d _u _
st_ri_a_l ~ ~~!

tante foi a máquina a vapor, que substituiu as fontes tradicionais de energia


!
~

!
produ zindo, desse modo, um sapato. mecânica, como a roda de água, a roda de vento e a tração animal.
Já na fase da manufatura, começa existir certa complexidade no modo A tríade tear mecânico, metalurgia e máquina a vapor foram os setores
d· produção (observando- a como transformação da matéria-prima), am- determinantes para o início da Revolução Industrial (IGLÉSL<\S, 1996), e
pliando-a e diversificando-a, procurando atingir escalas e populações se desenvolveu a ponto de alterar condições anteriores e impulsionarem
mai res do que as da fase do artesanato. A manufatura caracterizava-se um crescimento jamais visto na história da humanidade, afetando consi-
0 1110 fab riquetas tipo fundo de quintal em que havia trabalhadores reu- deravelmente setores produtivos permitindo, por exemplo, a passagem da
nid em um determinado local e a especialização do trabalho, em que sociedade rural para a sociedade industrial; a mecanização da indústria e
, ,l!fo trabalhador realizava uma atividade específica. No caso da produ- da agricultura; o desenvolvimento do sistema fabril; o desenvolvimento
\ .lO de um sapato, por exemplo, um trabalhador preparava o couro; o dos transportes e comunicações; a expansão da importância do capital
uuLro, cortava-o; um terceiro, costurava-o. Ensaiava-se uma linha de pro- com o consequente distanciamento entre ricos e pobres, empregados e
, li1 'r: í1) ue viria a tomar corpo na fase industrial. patrões. Apesar de esses setores terem sido incrementados na segunda meta-
N'a fase industrial, entendendo-a de modo mais abrangente do que o de do séc. XVIII, o uso generalizado dos inventos deles decorrentes ocorreu
, •,, 1u ·matizado na Figura 2.2, há a passagem do sistema doméstico para o no séc. XIX, caracterizando a primeira fase da Revolução Industrial, na
il,• C bri a, a ponto de a máquina substituir o ser humano em boa parte do qual alguns de seus fenômenos típicos são descritos na primeira coluna do
111 " ·:s de transformação da matéria-prima ao produto. A relação ho- Quadro 5.1.
1111 •111 máquina na terceira fase é intensificada até o limite em que o ser

1!11111.1 110 deixa de usar as mãos, como agentes de transformação (manu-


l. 11111 ,1), para operar, dirigir, manobrar aparelhos com certo grau de com-
Quadro 5.1 Alguns fenômenos ca racterísticos da Revolução Industrial.
, ,l,·rnladc (maquinofatura). A passagem da manufatura para a maquino-
Lti1 1rJ, associada à produção em série, em larga escala, e destinada a um
111 ti Iico de conhecido, caracteriza a Revolução Indust rial.

l_
nven çõo da m_ ôquina:a vapo.r para; ent~e.outras·· · l::ltilifoção de novas fóotes·de.ene~gia·, como~ i
coisos, retirar d água ac·umu lada n0s minas,d,i ' pemáleo e ã emergia elét,ica . .
carvão, mel horarid°o com isso o processo éle · · ·
1 1111, 111 l · a segunda metade do séc. XVIII, ocorreu na Inglaterra uma série
:xploraçpo 1e ca;rvão rnin_erol
, 11 11 ,111Sfo nnações no processo de produção, originando o qu e se conven-
. . ,· . .
1, 111,1 lc n minar Revolução Industrial, que pode ser reconhecida como Uso do coque pa ra a fund.ição do fe'rra; a, ,· Aperfeiçoamento no p;oeu.çêi'o do aço, que
,1ucnws de transformação, culminando com a divisão da pequena pro- p.rodução de lâm inas de ferro e o prodwçã0 do. · superou·-o uso do ferro; be·m·como o emprego .
a ço em largo escalo · · , de metais, como cilumínio e.o magnési·o
111 10 da grande indústria moderna. Surgiu com a invenção, entre outras,

h, 1,•,11 mecânico, o qual propiciou condições para o desenvolvimento da Pro gressos na ogricultur0, com a pró dução de · lniroduç00 ·damáquinos.automótic:as,
11lw,11ia Têxtil e, com isto, in crementou o progresso n a agricultura, pois a.dunos, me l.hores grades e arados, invenção'd0 . P.ermifindo·a produção em.série e ·provocando
debulhadora e da ceifadeira·mecffnica grande aum_ ento no produção
• 11111 n t u, entre outros fatos, o consumo de algodão e, por via d e

111,1 qu ncia, o de adubo. O aumento da fabr icação das máquinas aca-


.Revoluçi;io.nos transportes e ~as comu nicações, Novo ev0_lução nos transpor!es, com.a,.' :.
' 111 p1H ·:agir o desenvolvimento da Indústria Metaiúrgica que, por sua · -com O-invenção do locomotivo, do navio a vapor ' introdu ção dos locomotivas e- d0s novi0s a
pr •ci ·ava de altos-fornos para movimentá-la, cujo aprimoramento e do telégrafo ' óle0, ir:ivenção.ab a-wfófl:'?"el;.cl~ 01j!'5~\),fo~
_-telégra.fo:cs.em fi~ ?Q ;?dfo
e \lo. televisi'io' ·
111 ,1 111 utilização do .coque corno combustível. Outra invenção impor-
l
í
!

! A Revolução lnduslrial 49
~
Não se pode encarar a Revoiução Industrial corno algo estanque, primeira gra.ride escola científica do mundo moderno, começaram a surgir,
inerte, encravado em um período histórico, mas como um movimento principalmente na Alemanha no séc. XIX, escolas técnicas a ponto de for -
vivo de trnnsformação tanto no setor proàutivo quanto no científico e illarem profissionais especializados e direcionados às atividades industriais,
social. A industrialização, apesar de ter sido marcante na Grã-Bretanha, e c:entistas preàestinaà.os a mudar o olhar da humanidade .
alastrou- se para outros países europeus tais como França, AJemanha e
Bélgica, além ó.e transpor as fronteiras europeias e indo instalar-se nos
Estados Unidos e Japão, ainàa no séc. XIX.
'.J aperfeiçoamento de inve!lções características da primeira fase da
_ evolução Industrial; o uso de novas fontes cie energia e àe novos materiais É uma tarefa o_uase impossível definir limites de es:i_:,aço e de tempo na
em suostituição ao carvão e ferro, respectivamente; a substituição da tecnologia, mesmo por que ela nasceu com o próprio ser humano quai,do
máquina a vapor; a evolução nos transportes como as invenções do auto- se viu frágil e, em um proc~sso histórico, foi capaz de se adaptar à natureza
móvel e avião tomaram conta do setor produtivo (e outros), a partir da até chegar ao estágio de o_uerer domin á-la, com o seu alto potencial de
segunda metacíe do séc. XIX até o clíma...-x de a produção em massa ser tra::isformação. Contudo, o período da Revolução Industrial, se conside-
substituída pela possioiliàaàe da ciestruição em massa com o advento da rê.:mas que ela se origi_TJ.ou por vcita de 1750, so,responde ape!las a qua-
bomoa atômica já no séc. YJ, caracterizanáo o que muitos denominam tro minutos na semana evolutiva do ser humano como "animal superior",
da segunda fase da Revolução Industriai, como ilustra a segunda coluna conforme ilustra a Figura 5.1. Durante esses breves minutos ocorreu 99%
do Quadro 5.1. do desenvolvimento tecnológico conhecido na face da Terra. É importan-
Os dois séculos presentes no Quaciro 5.1 e relativos à Revoiução te salientar que, ao final da Segunda Guerra Mundial, período que encerra
Industrial são comparados de importância no desenvoivimento produtivo a 2ª Fase da Revolução Industrial, não existia 80% dos bens utilizados no
da humanidade à Revolução Agrícola, que se deu no Oriente Próximo e a!lc 2000. E se proccrarmcs 0H1ar para Q ft:turs, a partir d.o começa d.esse

por volta do oitavo milênio a.C. Para se ter uma ideia dessa comparação, milênio, pode-se prever que no finai da década de 2020, a cuitura material
na Revolução Agrícola a espécie humana, em linhas gerais, deixou de ser do ser humano será novamente renovada e mais do que 90% dos produtos
nômade. A partir de então surgiram as primeiras concentrações de popu- que utilizaremos ainda serão criados (ROCHA, 2002). E o que criaremos
lação caracterizando as protocidades. Dessa maneira, novas relações en- além de nossos clones?
tre as pessoas foram estabelecidas, decorrentes, também, do comércio. No
período considerado no Quadro 5.1, observa-se que o ser humano sim-
plesmente virou o mundo de ponta-cabeça com a introdução do maqui- 1°· dia 4° dia 5° dia 1 6° dia 7° dia
nismo, dando base para o advento de uma nova sociedade regida, agora e
fortemente, pelo aspecto econômico advindo, sobretudo, da transforma- 7 x 10' anos Últimos 2so,anos = 4 minutos
ção em massa de matéria-prima. Uma decorrência imediata desse proces-
. so, entre outras, foi a urbanização, ou seja o êxodo do campo para a cidade, Figura 5.1 A semana evolutiva do ser humano (l dia = lx l 0 5anos) .
acentuando a diferença entre ambos. Os habitantes das cidades, por sua
vez, consumiram toda espécie de serviços e de produtos da própria indús-
CONCLUSÃO
tria, o que colaborava para manter o setor em expansão.
A Revolução Industrial influenciou, também, o desenvolvimento da 1 A preocupação para com o futuro não diz respeito à criação de novos
ciência moderna quando se vislumbrou a aplicação da ciência aos pro- produtos ou processos que nos permitam viver com tranquilidade, mas
1
blemas da indústria. A partir da fundação da École Polytechnique, com o temor de repetir erros que podem ser fatais, como aquele em que a
_j
O En genharia Química

própria humanidade aterrorizou-se quando, na justificativa de acabar


com uma guerra, ela mesma procurou dizimar de vez com a própria espé-
cie, ao lançar uma bomba atômica. E do pe1iodo de tempo que se estende
da bomba atômica à conquista do espaço foi, em cruel trocadilho, um
tiro. O ser humano presenciou a tecnologia atômica ser empregada no
tratamento do câncer, no desenvolvimento de novas máquinas capazes de
HISTÓRIA DA INDÚSTRIA
nxe rgar dentro do corpo humano e dentro de outras máquinas na inten-
de perpetuar-se na sempre lei do menor esforço . QUÍMICA fv1UNDIAL
A lei do menor esforço? Depois da Idade das Pedras, dos Metais tão
aracterísticos da nossa pré-história, atravessamos, em um piscar de olhos,
:1 Idade do Plástico. O ser humano, a partir de então, mergulhou na cria-

de novos materiais, presentes desde utensílios mais comuns de nossa


· zinha até o para-choque de automóveis controlados por computador. Desde quando a Química está presente na vida das pessoas? Vimos no capítulo
u rioso. O ser humano, desse modo, retoma ao barro. O que pensariam anterior que a concepção de tecnologia nasceu junto com o uso de ferramentas
ll , no. sos avós que utilizavam do barro para fazer um pote e nele guarda-
como, por exemplo, a pedra lascada. Ao fecharmos os olhos, vêm-nos figuras
v,1rn alimentos ou as cinzas dos antepassados, se ouvissem falar de supercon- rupestres desenhadas nas paredes das cavernas há 20 mil a.C. O ser hu-
du Lo res? A cerâmica, até há poucos anos, esteve no nariz de ônibus espaciais. mano, nesse período, fabricava tintas moendo materiais coloridos como
1\ 111 csma argila! Enquanto nossos avós deliciavam-se em ap reciar estrelas, plantas e argila em pó, misturando-os com água. Essa mesma arte, a pin-
o~ netos as visitam. Pois é, o ser humano é um bicho danado, faz de tudo e tura, foi legada à posteridade, até os egípcios, quando a desenvolveram
.ii ,id a corre atrás do próprio rabo. nos idos de 1,5 mil a.C.; e, por volta de 1 mil a.C., descobriram os princi-
pais componentes dos vernizes atuais, usando resinas naturais ou cera de
abelha. Esses mesmos egípcios descreveram os ingredientes e a produção
IOGRAflA CONSULTADA de cerveja, além de conhecerem a alizarina, um corante vermelho utiliza-
do para tingir as roupas com as quais as múmias eram embrulhadas. As
lf. l. i';STAS, F. A revolução industrial, 11' Edição. São Paulo: Editora Brasiliense. 1996.
1 f l 11 /\ ,A.A. Interação Design-Engenharia: um modelo de apoio ao ensino tecnológico. ln:
primeiras tintas de escrever foram provavelmente inventadas pelos anti-
A,1 11 is do INTERTECH. CD-ROM, Santos. 2002. gos egípcios e chineses. Manuscritos de cerca de 2 mil a.C. mostram que os
chineses conheciam e utilizavam nanquirn.
O uso do petróleo vem de longa data: os assírios descobriram betume
elástico próximo ao rio Eufrates e usaram-no como material vedante. Aliás,
encontra-se paralelo desta aplicação no Gênesis bíblico, basta acompanhar
a saga de Noé, que usou do betume para vedar a sua arca contra a fúria das
águas. Nos países árabes, onde hoje se concentr a a maior produção d e
petróleo do mundo, esse mineral líquido foi usado na construção das pirâ-
mides. Os antigos habitantes da América do Sul, corno os Incas, utilizavam
o petróleo na pavimentação de suas estradas.

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r
1 História da Indústria Q uímica mundia l

A humanidade vem utilizando adesivos por milênios. A cola animal é O NASCIMENTO DA INDÚSTRBA QUÍMICA MODERNA
o tipo mais antigo de adesivo, sendo conhecida há mais de 3,3 mil anos. Os
Na busca da síntese do quinino, um antimalárico, a partir da toluidina,
egípcios usavam-na para colar papiros. Os arqueiros mongóis usavam
derivada do alcatrão da hulha, o inglês William Perkin, em 1856, obteve
adesivos provavelmente feitos de peles, cascos e ossos e até sangue de cava-
uma borra marrom-avermelhada desinteressante. Perkin, então, par ti u
lo para fazerem seus arcos de madeira. Já os chineses usavam argamassa
para a anilina como matéria-prima (e que tinha traços de toluidin a ) e
nos seus trabalhos estruturais e cola de animais na decoração de seus prédios.
como resultado, obteve sólidos aparentemente sem qualquer utili daJ ·.
As primeiras evidências de material parecido com o sabão, registradas Ao lavar o frasco que continha tais sólidos, Perlcin percebeu que a c I ra
na história, datam de aproximadamente 2,8 mil a.Ç., sendo encontradas ção do líquido utilizado tomara-se roxo vivaz. Havia-se descoberto pri
durante escavações da antiga Babilônia. De acordo com antiga lenda ro- meiro corante sintético: a malva. Perkin patenteou o seu corante sin tét i n
mana o nome "sabão" teve origem no Monte Sapo, onde sacrifícios de e abriu uma fábrica com grande aceitação popular. Há de se notar q u , a
animais eram realizados. A chuva levava a mistura de sebo animal derreti- contribuição de Perkin foi: produ ção em grande escala de um produ LO
do com cinzas para as margens do Rio Tigre. As mulheres descobriram químico sintético associado ao mercado. Em menos de um ano, ele
que, usando essa mistura de barro, suas roupas ficavam mais limpas com senvolveu a síntese comercial da alizarina a partir do antraceno do alca-
menos esforço. Os gregos, em 400 a.C., propuseram regras de higiene com trão da hulha e, em 1871 , a fábrica de Perkin produzia 220 toneladas p ,.
base em cosméticos. Não se pode esquecer dos árabes que, na Era Cristã, ano . O "pai da Indústria Química moderna", aos 36 anos e rico, vend• u
desenvolveram a destilação a vapor de óleos voláteis na busca de poções sua fábrica sem, contudo, esquecer o alcatrão da hulha, a partir do qua l
medicinais, descobrindo que as flores fervidas com água em um alambique conseguiu sintetizar a cumarina: um perfume!
deixavam parte de sua fragrância no destilado: o perfume!
O Apêndice C apresenta uma lista razoável de eventos e fatos relacio-
nados tanto ao desenvolvimento da tecnologia quando ao da Química.
A INDÚSTRIA QUÍMICA ALEMÃ
Como pode ser observado, assim como da leitura do Capítulo 5, a Histó-
ria da Química é acompanhada pela da Tecnologia, sendo parte essencial Apesar de Perkin ter tido a sua fábrica na Inglaterra, foi na Alemanha qu ·
da Revolução Industrial, apresentada no capítulo anterior, do qual resga- aconteceu o grande boom da indústria de corantes, principalmente co m
tamos três setores determinantes para o seu início: a metalurgia o tear os estudos iniciados por Bayer a respeito do índigo. Cabe ressaltar que as
mecânico e a máquina a vapor (IGLÉSIAS, 1996). grandes Indústrias Químicas alemãs, Hoescht (1863), Bayer (1863 ), Basf
O uso do coque para a fundição do ferro; a produção de lâminas de (1867) e Agfa (1867) , nasceram graças aos corantes. A passagem da quími-
ferro e a produção do aço em larga escala pennitiram a construção de máqui- ca de corantes sintéticos, segundo WONGTSCHOWSKI (2002), para a quí-
nas e destas, por exemplo, a geração de mais energia na forma de vapor. O mica farmacêutica, produtos químicos para fotografia, aditivos para a
emprego do vapor na segunda fase da Revolução Industrial teve grande indústria de borracha, polímeros, acabou sendo um processo natural.
impacto no desenvolvimento da Indústria Química moderna, em uma su- Nesse sentido, pode-se citar os produtos descobertos em laboratórios que
cessão de fatos, como o emprego do vapor nos teares, navios e trens, o que acabaram sendo produzidos em escala comercial, tais como a aspirina,
ocasionou a vinda de lã da Austrália e do algodão da América em grande desenvolvida pela Bayer em 1897, o índigo sintético , produzido pela Basf
quantidade à Europa, em particular à Inglaterra. Isso, inclusive, permitiu também em 1897; e esta mesma empresa desenvolveu, em 1898, o processo
progressos na agricultura, com a produção de adubos, lançando base para a catalítico da produção do ácido sulfúrico.
formulação dos primeiros fertilizantes. Como resultado, o aumento da pro- A Alemanh a até a Segunda Guerra Mundial foi a grande potência
dução levou teares a vapor a produzirem mais e mais tecidos, os quais até a i industrial no setor químico. Nas décadas que antecederam o final des~
metade do séc. XIX eram tingidos por meio de corantes vegetais. ·1 conflito (1945), foi nesse país que se desenvolveu, entre outros processos, a

1
:í4 111 nhorio Quím ica
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'
História do Ind ústria Químico mundia l

r ·v olucionária síntese direta da amônia por Fritz Haber em 1910, sen- Por volta de 1860, já existiam 15 refinarias em operação nos EUA.
do que a produção em escala industrial desse produto químico ocor- Conhecidos como chaleiras de chá, os alambiques eram grandes panelas
r ºLI em 19 13, pelo processo H arber-Bos h. Devido à sua descoberta, de ferro com um tubo longo que atuava como condensador. A capacidade
l•ritz Haber recebeu o Prêmio Nobel da Química em 19 18 e Carl Bosh, desses alambiques era de 1 a l 00 barris por dia. Aquecidos por carvão,
· 111 l93 1, por sua contribuição no projeto e execução de reações cata- obtinham-se três frações de destilados. O primeiro a ebulir era a nafta,
i ticas em altas pressões. seguida do querosene e, finalmente , dos óleos pesados e alcatrão que eram
A Primeira Guerra Mundial fez com que a Alemanha transformasse a simplesmente retirados da base do equipamento. Esse processo permitia
, ua desenvolvida indústria de corantes em outros segmentos, tais como destilar cerca de 75% de querosene, o qual era bem-aceito no mercado
i,,J ústria de materiais bélicos, farmacê uticos e borracha sintética. Em 1925, para iluminação, enquanto os produtos de base começavam a ser utiliza-
d Bayer, a Basf e a Hoescht, entre outras empresas, formar am uma socie-
dos como lubrificantes e graxas, a ponto de em 1865 existirem 194 refina-
' ln Jc que ficou conhecida como IG Farben, que acabou sendo responsável
rias em operação. Ou seja, em cinco anos houve aumento de mais de dez
r> la produção de diversos produtos sintéticos como o metanol a partir do
vezes o número de refinarias em operação nos EUA.
LOq ue; a gasolina a partir do carvão e as fibras de PVC (policloreto de
vinila) a partir de cloreto de vinila. Após a Segunda Guerra, com a derro- Em 1870, John Rockefeller fundou a Standard Oil Company, vindo a
t.1 ,ilernã, os Estados Unidos fizeram com que a poderosa IG Farben desin- controlar 10% da capacidade de refino de petróleo nos EUA e, em 1880, ele
l • rasse e voltasse a ser como era, ou seja, dividiu-se na Bayer, Basf e Hoescht, detinha 80% dessa capacidade, levando Rockfeller a ser considerado, na
.11 m de os americanos, a partir de então , assumirem o posto de potência época, a pessoa mais rica do planeta. Em 1911, a Standard Oil foi dividida
111 uodia l no setor químico. em várias empresas por decisão da Suprema Corte Americana, sendo trans-
formada na então Standard Oil of New Jersey, hoje Exxon que, depois de
algum tempo, veio a dominar os processos de hidrogenação à alta pressão,
permitindo o desenvolvimento de vários processos, entre eles: tratamento
ÚSTRIA NORTE-AMERICANA DO PETRÓLEO
e estabilização de óleos lubrificantes por hidrogenação, a produção de
P de-se considerar a década de 1850 como a do nascimento da Indús- álcool isopropílico a partir do p ropeno, a hidrogenação de di-isobuteno
tr ia no r te-americana do petróleo, a partir do momento em que George gerando o isooctano, um aditivo extremamente importante para aumentar
Bissel, imaginando que o petróleo pudesse ser convertido em querose- o índice de octanagem da gasolina e, em particular, a de avião .
ne e este utilizado em lamparinas, procurou Benjamin Silliman, um
O interessante dessa história é que a Standard Oil ofNew Jersey conse-
E r fess or de química e de geologia em Yale, que veio a confirmar a in-
guiu o domínio dos processos de hidrogenação à alta pressão, após comprar
Luição de Bissel. Em 1853, o querosene fo i destilado do petróleo e dois anos
a licença do processo de hidrogenação à alta temperatura do carvão em pó
depois, Silliman destilou, a partir do petróleo, o alcatrão, o naftaleno e
da poderosa alemã IG Farben. A ironia dá-se com a vitória dos aliados na
vários solventes.
Segunda Guerra Mundial, tendo como grande trunfo a gasolina, a ponto
Dada a viabilidade da destilação do petróleo para a produção do que-
de Winston Churchill mencionar: "Nunca, no campo dos conflitos huma-
rosene, Bissel e um colaborador inauguraram, em 1854, a primeira compa-
nos, tantos deveram a tão poucos ". A vitória, além da competência dos
nhia de petróleo do mundo, a Pennsylvania Rock Oil Company, que não
conseguiu sucesso, sendo desmantelada em 1858, quando o mesmo Bissel e pilotos dos caças, estava também creditada à superioridade do combustível
associados fundaram a Seneca Oil Company. Esse grupo contratou um ex- utilizado pelos_britânicos e americanos, o qual continha tolueno e outros
maquinista de trem, Edwin Drake, para realizar a perfuração de um poço na hidrocarbonetos alifáticos, a despeito da superioridade do número e tec-
busca do óleo, o que foi conseguido com sucesso, em 1859, na Pennsylvania. 1
nologia mecânica dos aviões alemães.

l.
1/1 Engenharia Qu ímico História da Indústria Quím ico mundial 57

A IDADE DO PLÁSTICO escala destinou-se à fabricação de paraquedas, tendo em vista a Segunda


Guerra Mundial.
A diminuição da manada de elefantes africanos fez com que um dos maio-
O poliestireno foi disponibilizado para o consumo pela Dow ChemknJ
res fabricantes de bolas de bilhar nos EUA, no séc. XI.,"'{, oferecesse um
em 1937, sendo utilizado para ser moldado em caixas de rádio, baterias ~
prêmio para um substituto do marfim, utilizado, até então, como maté-
brinquedos. A espuma do poliestireno, o isopor, é utilizada para is la
ria-prima. Motivados, John e Isaiah Hyatt descobriram em 1863, por acaso,
mentos em construções, recipiente de gelo e copos descartáveis. A des
que o nitrato de celulose e cânfora, misturados com álcool e aquecidos sob
berta do polietileno em 1933 é atribuída aos químicos britânicos da [mpc
pressão, produziam um plástico aparentemente apropriado para as bolas
rial Chemical Industrial (ICI), a partir da reação do etileno e benzaldeíd1l.
de bilhar. Contudo, a presença da cânfora deve ter modificado a natureza
O polietileno despertou a curiosidade da Compar,J1ia Britânica de C ns•
explosiva do nitrato de celulose levando, ocasionalmente, à explosão das
trução e Manutenção de Telégrafo, responsável pela produção de cabos 1·
bolas de bilhar. Os irmãos Hyatt não ganharam o prêmio, mas patentea-
telégrafos e telefônicos subaquáticos, para utilizá-lo como material is -
ram em 1870 o seu plástico com o nome "celuloide". No final do séc. XIX, o
lante. Em 1939, a ICI produziu material o suficiente para a construçã dv
celuloide era usado em colarinhos e punhos de camisas masculinas, além de
uma milha náutica de cabo subaquático. Depois da Segunda Guerra MUJI
serem utilizados em dentaduras, cabos de faca, dados e canetas-tinteiro.
dial, o desenvolvimento do polietileno voltou-se para a fabricação de fi.l-
O aparecimento da seda artificial deu-se nos laboratórios de Louis mes, os quais são utilizados, por exemplo, na embalagem de produ1 os
Pasteur, quando um de seus assistentes, Hilaire de Chardonnet, depois de Tais filmes são conhecidos como "polietileno ramificado de baixa den ida
aventar a possibilidade de existir um substituto para a seda natural, pre- de". Na tentativa de produzir o polietileno em pressões mais baixas, KL11 I
parou, em 1884, um colódio a partir da pasta de folhas de amoreira dissol- Ziegler, em 1953, desenvolveu os catalisadores estéreo-reguladores, levan
vida em éter e álcool. Os resultados foram filamentos a partir da fibra do à produção de polietileno de alta massa molecular, alto ponto de li.is. 11
obtida originando, dessa maneira, o "rayon". Contudo, o rayon de Char- e geometria molecular linear, características do "polietileno linear de all,1
donnet, como as bolas de bilhar dos irmãos Hyatt continham nitrato de densidade". A sua aplicação foi imediata na confecção de copos e oulr ~
celulose: eram, portanto, inflamáveis. Hoje em dia, dado o avanço das artigos de cozinha que não derretiam nas máquinas de lavar louça. O
pesquisas em ciências de polímeros, têm-se os rayons de acetato e os de italiano Giulio Natta aplico u o catalisador de Ziegler na polimerizaçã
xantato . A Indústria Têxtil utiliza o termo acetato para evitar confusão propileno, obtendo o polipropileno. Ziegler e Natta dividiram o Nobel d:1
com o rayon de xantato. O rayon de xantato, ou simplesmente rayon ( o Química em 1963.
que se encontra nas etiquetas), é quimicamente idêntico ao algodão. A utilização em massa dos materiais sintéticos, sem dúvida, é umu
Desde a descoberta do rayon, várias fibras sintéticas foram desenvol- característica marcante do séc. XX. Se a Pré-História é caracterizada p r
vidas, destacando a descoberta do nylon por Wallace Hume Carother. termos técnicos: Idade das Pedras, dos Metais; no final do séc. XX poder-
Este químico, na década de 1930, iniciou um programa de investigação se-ia dizer que se vivia na Idade do Plástico (ou na de materiais sintético ),
científica para compreender a composição de polímeros naturais, como a devido à sua aplicação no dia a dia e mesmo em situações que é difí il
celulose, a seda e a borracha natural, visando a produção de materiais imaginarmos, como o caso do teflon.
sintéticos para a Du Pont. Em 1931, Carother descobriu o cloropreno, O teflon, nome comercial do politetrafluoretileno, foi desenvolvido
levando a Du Pont, em 1931, a fabricar a borracha sintética com o nome nos laboratórios da Du Pont por Roy Plunket, em 1938. A característica
comercial neopreno. Em 1935, Carother desenvolveu o nylon (nome basea- básica do teflon é a de seu sólido ser mais inerte do que a areia; não ser
do nas iniciais de N.ew Xork e London). A primeira aplicação comercial do afetado por ácidos fortes, bases, calor ou qualquer solvente conhecido na
nylon foi a fabricação de meias femininas que, ao serem colocadas à venda época. A sua primeira aplicação ocorreu na Segunda Guerra Mundial corno
pela primeira vez em Nova York, foram vendidas na forma de quatro material para as juntas de vedação para resistir ao hexafluoreto de urânio,
milhões de pares nas primeiras horas. Entretanto, a sua produção em grande um dos materiais utilizados para produzir o urânio-235 para a bomb a
1 ngenhorio Químico História da Indústria Química mundial

at mica. A Du Pont produziu, em segredo, o teflon para esse objetivo. A HISTÓRIA RECENTE
mente a partir de 1960 é que apareceram as primeiras panelas cobertas
1 or camada de teflon. Além dessa utilização, o teflon acabou sendo em- Como relatado por WONGTSCHOWSKI (2002), os últimos anos do séc.
pregado na parte externa de roupas espaciais; nos narizes de naves espaciais XX apresentaram profundas transformações na Indústria Química. Algu-
para protegê-las do calor do Sol; matéria-prima para os tanques combus- mas empresas, como a Ciba-Geigy e Sandoz, abandonaram os produtos
11 v is dessas naves, além de material isolante dos fios e cabos elétricos que químicos para tornarem-se, primeiramente, especialistas em "ciências da
r ·sistem à violenta radiação do Sol na Lua. vida", para, dali a pouco, serem indústrias farmacêuticas. Tais empresas,
teflon, como observado, pode ser encontrado em panelas, na bomba inclusive, trocaram de nome devido às fusões, como é o caso da Ciba-
,11 mica e em naves espaciais; na Terra e fora dela. Isso lembra o início do Geigy e Sandoz que se fundiram para se tornarem a Novartis, assim como
fi l111 "2001 - Uma odisseia no espaço" de Stanley Kubrick, em que o nosso o surgimento de novas empresas, tais como a Clariant e a V antico. Por
11v macaco lança um osso ao ar e este se transforma em urna nave espacial. outro lado, nomes clássicos, como o da Union Carbide, desapareceram.
1:~sa metáfora poderia ser muito bem representada pelo teflon. WONGTSCHOWSKI (2002) aponta a globalização, a concentração,
a especialização e a descentralização geográfica como os principais moti-
vadores para as transformações ocorridas no final do séc. XX para a In-
dústria Química. De acordo com esse autor, a globalização é reflexo da
11 RANÇA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
mobilidade de capital, da revolução nas comunicações e da abertura gene-
A lndús tria Química, após a Segunda Guerra Mundial, ficou caracterizada, ralizada. A concentração, por sua vez, é o processo de criação de empresas
t .111 16 ·m, pelo boom da Indústria petroquúnica. Verificou-se a solidificação de grande porte, que se beneficiam do poder de escala, como o caso da
d,i., E tados Unidos como grande produtor, e o renascimento da Alemanha Novartis. A especialização, como o próprio nome indica, diz respeito à
, 1 1 nrlir da Indústria petroquímica. É interessante observar que a Alemanha empresas destinadas à produção de especialidades (veja o Quadro 4.3),
d ·iro u o carvão como sua matéria-prima, trocando-o por petróleo, ocasio- como é o caso da DyStar, a qual concentra o negócio de corantes da Hoechst,
111 nclo o reinado dessa fonte de energia por todo o planeta. Os EUA, por sua da Bayer e da Basf. A descentralização geográfica está associada à instalação
vt·z, 6 meceram à Alemanha a tecnologia de novos processos petroquúnicos de empresas onde os insumos são excedentes, portanto mais baratos. Os
pD I' meio de empresas de engenharia, além de empresas alemãs, como a Quadros 6.1 e 6.2 apresentam, respectivamente, as exportações e importa-
Bnyer, terem-se associadas às britânicas, Bayer-BT. ções da Indústria Química de algumas nações na última década do séc. XX.
Apesar de, junto da Alemanha e da Itália, ser um dos grandes derrota- Em termos de produção, o Brasil, em 2000, ocupava o nono lugar no
los na Segunda Guerra Mundial, o Japão, principalmente a partir da déca- planeta, sendo o primeiro lugar ocupado pelos EUA.
la de 1970, tornou-se um dos grandes produtores químicos, chegando a
p1.: rder, em produção, apenas para os Estados Unidos e bem à frente da
AI ·manha. As características básicas da Indústria japonesa são a sua eficiên-
CONCLUSÃO
io operacional, diversificação de seus produtos, pertencer a grandes grupos
li,1::uiceiros, os quais não se especializam tão somente em produtos quími- Como observado neste capítulo, a história da Indústria Química está den-
. s, denominados kigyo shudam, como, por exemplo, o da Mitsubisbi que tro do próprio contexto da história da humanidade. As guerras, revolu-
atua nas áreas quúnica (petróleo, quúnica, fibras, vidro), de alimentos, au- ções tecnológicas, entre outros fatores, alteram profundamente a dinâmi-
lomobilística, aviação, de construção, eletrônica, finanças, imobiliária, se- ca do setor químico. Mas uma coisa é certa, um país forte possui urna
guros, transportes marítimos, entre outras (WONGTSCHOWSKI, 2002). Indústria Química forte.
Engenharia Químico
r
t

f
Qua dro 6.1 Crescimento das exportações da Indústria Química mundial I
(US$ bilhões).

!
HISTÓRIA DA INDÚSTRIA
QUÍ~v~ICA NO BRASIL

Ao considerarmos os primórdios do processo industrial em solo brasil iro ,


verificaremos que o Brasil nasceu atrelado à política de colonização 1,;ct~
nômica, visando a exploração de um corante presente na árvore do pa.11
brasil, sendo enviado a Portugal a partir de 1500-1530. Exemplo s · 111 ,·
Fonte: Abiquim e associações. Toante encontra-se com a cana-de-açúcar a qual, trazida pelos portuguc:i ",
da Ilha da Madeira em 1502, adaptou-se ao solo e ao clima do No rd · 'l ·
brasileiro e já em 1520 havia sido instalado o primeiro engenho de a ú ctu ,
Quadro 6.2 Crescimento das importações da Indústria Química mundial sendo este a primeira atividade de transformação de matéria-prima ·111
(US$ bilhões) . um produto viável economicamente em nosso país.
A partir de fins do séc. XVI, o cultivo da cana-de-açúcar e a fab ricaçao
do açúcar tornaram-se as principais atividades econômicas no Brasil. LI
rante bastante tempo, o açúcar caracterizou-se por ser o produto mais un-
portante de nossa exportação. Entretanto, somente o açúcar bruto era aq ui
produzido e exportado para a Europa e Estados Unidos, onde passava por
operação de refino antes de ser distribuído aos consumidores. Nenhu rn ~1
grande usina de açúcar existiu no Brasil antes do final do séc. XIX.
Como mostrado por SUZIGAN (2000), o investimento na indústria
de transformação no Brasil foi bastante restrito até meados do séc. XIX,
lembrando que, no mesmo período, a Europa experimentava a eferves-
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA cência da Revolução Industrial. Em vez de acompanhar o ritmo ào proces-
so produtivo europeu, houve a sua proibição em nosso país, a partir de
CHASSOT, A. A ciência através dos tempos. São Paulo: Editora Moderna. 1994. 1785, por D. Maria. Tal proibição foi revogada em 1808, ano da transferên-
IGLÉSIAS, F. A re_volução industrial, 11 ·Edição.São Paulo: Editora Brasiliense. 1996.
cia do governo central português para o Brasil. Quando D. João VI chegou
ROBERT, R.,M. Descobertas acidentais em ciências. Trad . André O. Mattos, 2' Edicão. Cam-
pinas: Papirus Editora. 1995. '
WONGTSCHOWSKI P. Indústria química. 2ª. Edição. São Paulo: Bluc.her. 2002.
[ ngenhorio Químico
-------------------- -------- História da Indústria Químico no Brasil

ao Brasil, aqui se produzia, além de açúcar e aguardente, sabão, potassa, A gênese do capital industrial no Brasil ocorreu a partir da década de
barrilha, salitre, cloreto de amônia, cal, drogas medicinais e resinas vege- 1880. A partir de então, é que se estabeleceram grandes fábricas de tecidos
ta is. Todavia, os investimentos continuaram desestimulados por aqui, em e outras indústrias começaram a se desenvolver, incluindo as usinas de
vinude dos acordos comerciais assinados a partir de 1810 até 1844. Tais açúcar, indústria de papel e celulose, moinhos de trigo, cervejaria, fábricas
,1 o rdos foram realizados principalmente com a Inglaterra, para a qual eram de fósforos e alguns ramos das indústrias de metalmecânicas (SUZIGAN,
k it ~s concessões tarifárias às importações provenientes daquele país. Além 2000). Ressalte-se, nessa época, o início da indústria brasileira de tintas,
1 lisso, o desempenho da economia agrícola exportadora baseava-se no tra-
em 1886, com Paul Hering, em Blumenau- Santa Catarina (VANIN, 1994).
i ,ilh o escravo, representando sério desestimulo à diversificação da atividade
O início da década de 1890 foi caracterizado pelo Encilhamento, uma
,., onómica, retardando, inclusive, o desenvolvimento tecnológico do Impé-
série de decretos baixada pelo então ministro da Fazenda do governo de
111i . mo exemplo de inércia tecnológica do país, associado ao regime de
Deodoro, Rui Barbosa, que provocou intensa especulação, seguida de grave
,..,, r;widão nos dois primeiros terços do séc. XIX, pode-se citar o processo
crise no mercado. Esses eventos, como aponta SUZIGAN (2000), são
, 11d iJ11 ·ntar da obtenção do açúcar, para o qual eram usados moinhos primi-
relacionados com a adoção de uma reforma bancária que levou ao maciço
1,vos, s banguês, que consistiam em uma moenda de cana movida à tração
aumento no estoque da moeda e à facilidade de crédito e com a introdução
"111 n,;d u força hidráulica, uma fornalha e tachas.
de normas mais liberais para a formação de sociedades anônimas. Con-
tudo, a proposta de Rui era parte de uma política industrialista, visando
diminuir a dependência do Brasil de produtos oriundos do mercado ex-
terno. Se, por_um lado, o projeto industrialista de Rui gerou uma febre
especulativa, provocando, inclusive, a sua queda do ministério; por ou-
lll'~,1r da existência de algumas fábricas espall_iadas pelo país, não se pode tro, caracterizou-se por tentar romper com uma estrutura agrícola tradi-
l,d,11 •111 industrialização no Brasil antes da Guerra contra o Paraguai (1865- cional, herdada do Império, procurando o progresso por meio do desen-
1H/0 ), p is após esse conflito é que se encontram as primeiras tentativas de volvimento industrial. No período do Encilhamento, algumas das maio-
•,r 11 111d ·rniza r a indústria brasileira em termos de mecanização. O exem- res empresas brasileiras foram fundadas (veja o Apêndice C).
1ilo l,1s ico foi a instalação, em 1878, do engenho central da Companhia A instalação, em São Paulo, da Fábrica de Productos Chimicos de Luís
/\ ,, 1tc ,11· ·ira ele Porto Feliz, em São Paulo, que veio a modificar a concepção de Queiroz & C. em 1895, objetivando a produção de produtos químicos e
lrt 1101 i a no processamento do açúcar. O engenho estava equipado com farmacêuticos, pode ser considerada o marco inicial da produção em larga
!ll,lljlt inaria francesa, incluindo três moendas interligadas (que tinham a escala do setor químico brasileiro. VANIN (1994) menciona que, em 1903,
v,1 11 t.tg m de aumentar a porcentagem de suco extraído da cana-de-açú- essa fábrica produzia, diariamente, 700 kg de ácido sulfúrico pelo método
' , 11 ', também, de tornar o bagaço suficientemente seco para ser usado das câmaras de chumbo. Produzia 3.000 kg/mês de ácido muriático e nítrico,
,1Jtll t1 <.: mb ustível para caldeira) acionadas por um motor a vapor de 25 além de fornecer "bissulfito de cal" para o tratamento redutor (defecação) do
111'; •v;:i po radores ele efeito triplo; dois recipientes para cozimento a vá- caldo de cana das usinas de açúcar.Já em 1904, começou a fabricação de adubos
, u" ; 1111·bin as centrífugas, movidas por dois motores independentes de 10 químicos, até se tornar, na década de 1930, um dos maiores fabricantes de
111' ( 'UZIGAl'\f, 2000). O processo como um todo foi concebido de manei- produtos químicos e farmacêuticos do Brasil.
, • q 11 · t s engenhos centrais, equipados com máquinas modernas, especia- Deu-se em 1905 a fundação do Moinho Santista que, futuramente,
l, ,11 e-iam na etapa industrial, comp rando cana dos plantadores, os ampliou a sua atuação na área industrial química com a instalação, em
<I"" 1,, por sua vez, se concentrariam apenas no cultivo da matéria-prima. 1934, da Sanbra e da Tintas Coral, em 1936. Nas primeiras duas décadas do
1
1 111 , utro lado, os resultados foram improdutivos e o sistema falhou in-
séc. XX começaram a ser instaladas algumas indústrias multinacionais,
i r- 11 ,1111 '11 te.
tais como a Bayer do Brasil (1911) , de natureza alemã, e a Cia. Brasileira
Engenharia Química História da Indústria Química no Bra sil 65
'---=-- - - - - - ------------ - - - --------
de Carbureto de Cálcio (1912), pertencente ao grupo belga Solvay. Em da década de 1930, pode ser caracterizado como industrialização µo ,
1912, instalou-se a americana White-Martins e, em 1919, é fundada a substituição de importação. MOTOYA.lvlA et al. (1994) refor çam :1 ,1f1,
Rhodia Brasileira, pertencente ao grupo francês Rhône-Poulenc. mativa, pois, a partir da década de 1930, o padrão de acumulação d ,q i
tal alterou-se no Brasil. A indústria tomou lugar central na dinâmica ti 11
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estabeleceu outro marco no
mica, assumindo o lugar desempenhado pela agricultura.
desenvolvimento industrial brasileiro. O governo brasileiro e os de alo-uns
Estados da nação passaram a estimular, deliberadamente, o desenvolvimento" A Figura 7.1, baseada nos dados levantados por SUZIGAN (2000), ilu\
de indústrias específicas, tais como a do aço, do carvão, da soda cáustica, de tra o comportamento da importação, por parte do Brasil, de m aq.ii 11u1i.1·
óleo de caroço de algodão. Durante a guerra, a escassez de matérias-pri- advindas da Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha e França utiliz,1L1.1•,
mas e insumos básicos fez com que houvesse a necessidade de incrementar em atividades correlatas à da Indústria Química. Pode-se utilizar st ' i11 d1
a produção industrial interna para obter tais produtos. Apesar de estimu- cador para termos noção do desempenho das indústrias de transf rmu Jq
no Brasil, tendo em vista a falta de informação sobre importação de tin,1J,1
lada durante a guerra, a diversificação industrial começou na década de
exclusivamente às atividades do setor químico. Entretanto, é visível a i11íl 11<'11
1920, a partir da qual os incentivos governamentais foram estendidos à
eia tanto do período relativo à Primeira Guerra Mundial (1914- 1918) qu un
produção de cimento, de papel, de produtos de borracha e de fertilizantes.
to à Crise do Café (1930-1932). No caso específico da produção em ltllf\ J
Ainda nessa década foram fundadas diversas empresas, podendo-se citar:
escala de produtos químicos pesados, como soda cáustica, ácidos com •r i.1i•.
a Kodak Brasileira (1920 ), que fabricava artigos para fotografia; Esso Quí-
e, em menor escala, fertilizantes químicos, corantes, esta só começaria ,1 l l' 1
mica (1921), fabricante de produtos derivados de petróleo; Hélios (1922),
efeito nos finais das décadas de 1930 e 1940, e, em alguns casos, nem n1 •s 111u
tintas de escrever; Merck (1923), produtos químicos e farmacêuticos; ICI
antes das décadas de 1950 e 1960.
do Brasil (1928), produtos químicos diversos; Industrial Irmãos Lever
(1929), sabões e sabonetes. O período compreendido entre 1914 e 1930,
4,0E+OS
segundo SUZIGAN (2000), caracterizou o desenvolvimento da indústria
- - Papel '
1
de transformação brasileira, o qual foi induzido pela expansão do setor 3,SE+OS --Óleo li
li
agrícola exportador. Isto indica, claramente, a natureza de o País ser essen- ----- Açúcar lb

cialmente agrícola, a ponto de sentir fortemente os efeitos da Grande De- -;;;- 3,0E+OS
-- --- Cerveja
--- Total
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pressão nos EUA e da Crise do Café em 1929, esta ocasionada pela super- :e"'
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produção da rubiácea no Brasil. 2,sE+os ii
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Tendo em vista a crise econômica mundial no final da década de 1920 ..o
2,0E+OS
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e início da de 1930, houve queda significativa nos investimentos na indústria ,.. 1, \ 1 i I i
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de transformação. Somente duas indústrias fizeram aplicações substanciais

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durante a depressão: as de cimento e de fios de rayon. A partir de 1933 ou-
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Iu Lu\-li
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houve aumento significativo do investimento na indústria de transforma- o:
ção, como foram os casos de borracha, de produtos químicos, farmacêutica
1
O,SE+OS / .,_,\
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e de perfumaria, podendo-se citar a instalação das seguintes indústrias:
Cia. Nitro Química Brasileira (1935), que fabricava ácido sulfúrico, ácido O,OE+OS .
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1890 1895 1900 1905 1910 1915 1920 1925 1930 1935 1940
nítrico; Du Pont do Brasil (1937), produtos químicos diversos; e em 1939
Anos
destacam-se a fundação da Goodyear do Brasil e Firestone do Brasil, ambas
destinadas à fabricação de pneus, câmaras de ar e artigos de borracha. O Figura 7 .1 Investimentos nas indústrias de transformação no Brasil (baseado
prof. Suzigan esclarece que o desenvolvimento industrial, ocorrido a partir em SUZ\GAN, 2000).
•• 111111 nhorio Q uímico
r
! História do Indústria Q uímica no Brasil
l
~

IN USlRIA QUÍMICA BRASILEIRA OE 1940 A 1970 1 contribuir para fortalecer o empresário nacional e para a dissemina-
ção da propriedade do capital de empresas;
N,1 J cad a de 1940, o Brasil continuou importando inúmeros produtos químicos,
2 contribuir para o aperfeiçoamento e disseminação da técnica, da pes-
t.i 1. ·orno soda cáustica, bicarbonato de sódio, vários sulfitos, hipossulfitos e
quisa e da experimentação;
1111 1ro:;sulíitos, sulfatos de cobre e de alurrúnio, evidenciando o atraso da Indús-
l I i11 LÚ!nica nacional. Somente depois da década de 1940 e 1950 é que a produ- 3 contribuir para alterar as disparidades regionais do nível de desen-
1,, 11> b1.si.leira de produtos químicos industriais pesados (inchúda a petroquí- volvimento;
1111 ,1 ), fertilizantes quúnicos e produtos fannacêuticos, iniciaria um processo de 4 ampliar unidades já existentes, melhorar a produção;
d," ,<'11V lvimento mais intenso e diversificado (SUZIGA.t"T, 2000). Saliente-se 5 dar preferência aos projetos que dispensassem ou exigissem menor grau de
q11c, 110 período do Estado Novo (1937-1945), a industrialização e a busca da apoio governamental por via de :financiamento, investimento ou garantia.
,111lm~u ficiência foram questões de soberania nacional, a ponto de em 1938 ser
, 11,1do o o nselho Nacional de Petróleo (CNP), objetivando regulamentar to-
,!, 1•, os ,1spectos ligados à importação, prospecção, extração, exploração, refino,
11 ,111 ·,p1J rl ', distribuição e comercialização do petróleo e de seus derivados. No Quadro 7.1 Produtos químicos fabricados, importados e exportados pelo
•1111 > w uinte, Getúlio Vargas afirmou: "Ferro, carvão e petróleo são os esteios da Brasil - ano-base 1965 (VANIN, 1994).
ri 11.1nripnção econômica de qualquer país" e no seu segundo governo, será o ano
Prael-~.tos fabricados no Br.os il , PTOdu.tos impor.tadoss ·.
d.1 11i,1 ao da Petrobras, em 1953. É interessante avaliar a profundidade da -~-~ ·.. - ~- . .. "" >ili!. · •. ' .. ~:......... , - - -y";:.;,I,..

, 11.i\,ld J etúlio, pois nela estavam incluídas as duas grandes forças motrizes Acetatos (de inetila , eÍilo,
. is;;propila, ·butila, de.vinilaÍ;
, 111111vt i ·1s q ue iniciaram a moderna Indústria Química mundial: o carvão para acetona; ácidos (acético, , •
1 111111 1~trin alemã, e o petróleo, para a norte-americana. clorídrico,-esteóoiE;, fórmico",
lóuritc;;'. nílrico,."Õxól1{0, su.lfúiií::o); .
inda na década de 1950 foram instaladas importantes Indústrias Quí- ,J~ríl1E:0i óko0E etílico; -. -. i. _ ._ ~-

1111, .1 •, 11 0 Brasil, cabendo citar: novas unidades da Rhodia, em 1951, para . -omii,oplósticos; amõnià;_anidrido ·
acético; corbeto-de cálcio; carvão;
1 p , od ução de amônia e, em 1955, para a produção de ácido acético e clorato ;de, potá ssio;, clor<:i; cres~I;
11 1·t.1 1os ; a rborundum (1953 ), carbeto de silício (um abrasivo ); Nitro estirenó.; é'ter fenílico; ~tileno ;
1 ·fenol; g_l'icecina; metar;iol; peridr.ob
< 11l111 ica ( l955 ), ácido sulfúrico; Brasitex (1955), resinas acrílicas. É válida
· (ógua.oxigénada)•; poliestirenO';
t 111 ·n çao de q u e o total acumulativo de empresas químicas que iniciaram poliést~res), silic,ato. de. sódio;, ·
1•, •, u ,is ,1Lividades até a década de 1940 foi de 64, enquanto na década de · sulfato~de alumínio~ sulfeto:'de ·
1>1',0 , ·s ., n úmero aumentou para 144. carban9; de rivados usuais da
petr'."'químiiw; ó leos-,vegeia is e
i\ 1 ·cad a de 1960 apresentou grande impulso no setor químico brasi- motériãs g rraxas (pamfazer _sab? a).
) ,,1n, representando 12,4% em relação a o utros segmentos industriais (en-
q11.1 n t0 na décad a anteri or era de 8,8%). O total acumulativo de empresas
q111 11ti ·as que iniciaram as suas atividades até a década de 1960 foi de 269.
1 111 1 65, co n st atava-se a produção de diversos produtos químicos em A INDÚSTRIA QUiMICA BRASILEIRA DE 1970 A 1990
!ri I it ri nacional, como atesta o Quadro 7.1, inclusive começando a ex-
}'11 1tc1r produtos de natureza química. Um ano antes, 1964, deu-se a criacão 0
A grande arrancada e consolidação da Indústria Química em nosso país,
do ( ,rupo Executivo da Indústria Química (Geiquirn). A importância da de acordo com WONGTSCHOWSKI (2002), deu-se após a década de 1960.
11,1 1.. ri·1ção reside no fato de este ser o primeiro instrumento de coordena- O evento mais marcante, segundo o autor, foi o estabelecimento dos três
~ .h1 vo ltad o especialmente para a Indústria Química. Nesse instrumento, polos petroquímicas brasileiros: o de São Paulo em 1972, o do N ordeste
1.11 'citar o Decreto n. 55 .759, que apresentava como metas: em 1978 e o do Sul em 1982.
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~ E...;ng:::.e_n_h_o_r_io_ Q_u_í_
m_ic_a________________________________ História da Indústria Químico no Brasil 69
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_Ém }975, com a crise mundial do petróleo, o Brasil buscou fontes indústrias dá-se entre 1971 e 1980 e isto se deve, como citado anteriormente,
.alternatiYas, criando o Pro rama Nacional do- Álcool, o Proálcool.,1Esse especialmente à criação dos polos petroquírnicos de São Paulo e do Nor
programa não pegou de imediato, o que levou o governo brasileiro, em deste.
1979, a criar o Conselho Nacional do Álcool ( CNAL), que tinha por obje- Ao fim da década de 1980, a produção química brasileira abrangia
tivo a substituição de 35% de petróleo importado. Apesar de o Proálcool cerca de 300 produtos diferentes, distribuídos entre as seguintes categori,t~
ter surgido em caráter emergencial, acabou surpreendendo por ajustar-se (VA.J."\J"IN, 1994): produtos inorgânicos, orgânicos básicos, termoplásticos,
muito bem à realidade brasileira desenvolvendo, inclusive, tecnologia pró- defensivos agrícolas, elastômeros, solventes, corantes e pigmentos o rgâni
pria. Para se ter uma ideia, no final de 1987, 97% dos carros fabricados no cos, produtos orgânicos diversos, fibras, detergentes, tensoativos, fe rlil i
país eram movidos por álcool (etanol ). O final da década de 1970 foi zantes, plásticos diversos e plastificantes.
marcada pela criação da Norquisa, importante indústria de química fina.
No início da década de 1980, dados do IBGE mostraram que os valo-
res agregados pelas indústrias químicas ( excluído o setor de plásticos) eram
2,37 vezes maiores do que aqueles das indústrias atuantes na área elétrica e A HISTÓRIA RECENTE DA INOÚSTRüA QUÍMICA BRASDLE RA
de comunicação, e 8,94 vezes maiores do que aos de produtos farmacêuticos
O início da década de 1990, principalmente com o governo Collo r, foi
(VANIN, 1994). Em levantamento realizado em 1987 pela Associação
prejudicial ao desenvolvimento do setor químico brasileiro. Esse govern ,
Brasileira da Indústria Química e de Produtos Derivados (Abiquim), com
segundo WONGTSCHOWSKI (2002 ), deflagrou alterações significativa
886 empresas, foi possível compor uma lista na qual constavam as datas de
no cenário econômico nacional visando, principalmente, o processo d ·
início de suas operações. A partir das informações contidas em VANIN
desestatização e de integração do Brasil à economia internacional. A In -
(1994), foi possível construir a Figura 7.2, a qual apresenta o total acumu-
dústria Química foi afetada, de modo simultâneo, por:
lativo de empresas químicas a partir de suas datas de criação, desde a década
de 1940 até a década de 1980. A maior concentração de instalação dessas 1 um processo recessivo;
2 uma redução de proteção aduaneira e por remoção das barreiras não
tarifárias às importações, inviabilizando a fabricação de inúmeros
800 738 produtos químicos;
700 3 uma redução dos preços no mercado internacional.
~

::l(lJ 600
Q. 461
E
soo A Indústria Química brasileira, de modo crescente após 1990, passou
u..,
(lJ
êJ
400 a sofrer os mesmos desafios de viabilizar-se em um mercado cíclico (WONG-
e
(lJ 300
269 TSCHOWSKI, 2002). Políticas internas associadas a pressões internacio-
E
,:::, nais vieram a repercutir mesmo após o impeachment de Collor e ocasio-
z
nar a desativação de diversas unidades químicas, entre as q uais: Carbonor
100
(1993), com a produção de ácido salicílico; Dow (1994), produção de
o ácido 2,4-D; Hoechst (1995 ), cloro e soda; Basf (1997), cloreto de etila;
1940 1950 1960 1970 1980
Décadas Bayer (1998), sais de cromo.
Apesar do comportamento da década de 1990, representado na Figura
Figura 7.2 Total acumulativo de empresas desde as suas criações - ano- 7.3 no seu total e representado pelo Quadro 7.2 pela série histórica de 1990 a
base: 1987 (baseado em VA NIN, 1994). 2000, por segmentos da Indústria Química brasileira, o Brasil não era o
TO Engenharia Química ___ - - - - - - - - - · - - · - - - - · - - - - - - - História da Ind ústria Química no Brasil 71

mesmo, quando comparado com aquele do final da década de 1960, em que É válido ressaltar que, em 2000, a Indústria Química brasileira, com
país era, basicamente, um país exportador de matérias-primas e de produtos um faturamento de US$ 42,6 bilhões, figurava entre os dez maiores fabri-
agrícolas, que alcançavam preços bem inferiores aos manufaturados e má- cantes de produtos químicos do mundo. Analisando-se os Quadros 6.1 e
qLiinas produzidos por nações plenamente industrializadas. 6.2 e os retomando no Quadro 7.3, verifica-se que o Brasil apresentou
déficit na balança comercial de US$ 1 bilhão em 1990, aumentando o déficit
50 / 45,3
em sete vezes em 2000. Isto reflete, na última década do séc. XX, o aumento
42 ,Q 42,5 42,6
41
45
C, ,,e;, ;:-; ,Q da demanda de produtos químicos em nosso país, sem que o setor químico
40 35,3 35,4.
31,6 3 1, 4 ,Q Q pudesse supri-los. Evidencia-se a necessidade de se aumentar a capacidade
iO 35 ~ 28,6 }!/ e, de produção e mesmo de desenvolvimento de novas tecnologias associadas
j 30 Q
..a a processos e produtos, aflorando - então - a urgência na modernização
V\
25
.J do parque industrial do setor, assim como na formação ,de mão de obra
20
especializada, ou seja: engenheiros químicos.
15
10
5 ,- e- .... ,_ ~ e- e- e-
v-v -
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O 1990 1991
~l,, ~ [; ~ Y _v
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1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000


_]/ ~ ~ ~v - 1/
Anos

1 ur 1 7.3 Fotu ramento líqu ido da Indústria Química brasileira no período


1 990 o 2000 (e m US$ bilhões).

, t h o 7.2 Foturamento líqu ido de segmentos da Indústria Química brasi-


l ira no período 1990 a 2000 (em US$ bilhões) . CONCLUSÃO
.. . - ~' .· -_ . . , - . ' 4:'. -. ,., _:_, -_ '~. -,'.
q998 19·9.9 .20·00 , Pode-se estruturar o desenvolvimento das indústrias de transformação no
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q1111111, .)~
1990 ; 1 f9 l H n ; 1 9Sr3;'.J 994 T99S:l-996. 1' 997
19,0 2Z,ff
Brasil, em particular, as associadas ao setor químico em diversas fases:
1 11 1111 h1 --.1r tnl sendo a primeira que permeia desde o descobrimento até meados do séc.
11111111 m1 t1 cos XIX e caracterizada como de exploração de recursos naturais, em que o
investimento na indústria de transformação no Brasil foi bastante restrito,
culminando com a sua proibição no final do séc. XVIII.
11'1111111 1111 s 2,3
Com o advento do Império, mas ainda baseado no trabalho escravo e
IAf 1q,111lt .,Pl 2,0
conservando técnicas de transformação da época de Colônia de Portugal e
1' 1 1q rl to lCJ-; r ,1 distante da Revolução Industrial em curso, os investimentos na indústria
1 l 1,111hr1~1 n v n1izcs 1,7 continuaram desestimulados, em virtude dos acordos comerciais assinados
lllfh II H , 1 ,,ntélicas 0,9 de 1810 a 1844, além de o desempenho da economia exportadora ter sido
0,5 calcada na agricultura.
31,6 28,6 29,7 . 31;4 35,3- 41 ,0 42,0 45,3 42,5 35,4 . 4tó Verifica-se, por outro lado, que a gênese do capital industrial acorreu
r ,,,,. ll lr UIM associações dos segmentos. (l) O fatura mente de 1990 a 1994 foi estimado a partir da década de 1880. Como marca no setor químico, pode-se citar a
pMlu ABI UI/vi e m US$ 2 bilh ões. instalação da Fábrica de Productos Chimicos de Luís de Queiroz & C. em
72 _ Engenharia Química

1895, objetivando a produção de especialidades químicas e farmacêuticas


em larga escala. Nas duas primeiras décadas do séc. XX, começaram a ser
instaladas indústrias multinacionais, principalmente as alemãs. Alguma
diversificação industrial começou no Brasil na década de 1920, a partir
da qual os incentivos governamentais foram estendidos à produção de
cimento, entre outros setores. O desenvolvimento industrial que ocorreu
HISTÓRIA DA ENGENHARIA
a partir da década de 1930 pode ser caracterizado corno industrialização
por substituição de importação e, somente depois da década de 1940, é QUÍfv'llCA- MUNDIAL
que começa a haver a produção brasileira de produtos químicos indus-
triais pesados.
A década de 1960 apresentou grande impulso da Indústria Química no
Brasil, representando 12,4% em relação a outros segmentos industriais. Na
década de 1970, surgiram dois, dos três polos petroquímicas no Brasil. Ao fim Se buscarmos o nascimento da Indústria Química moderna e a do petróleo,
da década de 1980, o setor químico brasileiro abrangia cerca de 300 produtos iremos encontrar a década de 1850 como decisiva para tais setores. Na Euro-
diferentes. O início da década de 1990 foi caracterizado pela ascensão do pa, houve o desenvolvimento do corante sintético. Essa descoberta impulsio-
governo Collor. Esse governo deflagrou alterações significativas no cenário nou sobremaneira a Indústria Química naquele continente, principalmente
econômico nacional visando, principalmente, o processo de desestatização e a alemã, a partir da década de 1860, estendendo-se a sua liderança no setor,
de integração do Brasil à economia internacional, prejudicando o setor inclusive em nível mundial, até a Segunda Guerra Mundial, quando foi substi-
químico nacional. Contudo, no final da década de 1990, verificou-se que a tuída pelos Estados Unidos. Enquanto na Europa, o carvão era a fonte de
Indústria Química brasileira figurava entre os dez maiores fabricantes de energia mais utilizada, bem como matéria-prima essencial para o advento
produtos químicos do mundo, apesar de apresentar forte déficit comercial, da moderna Indústria Química, os Estados Unidos, paralelamente, desenvol-
demandando inovação tecnológica e formação de engenheiros químicos. veram a tecnologia do processamento do petróleo, principalmente a partir
da década de 1850, quando a destilação do petróleo foi viabilizada para a
produção do querosene, entre outros subprodutos.

BIBUOGRAIFI. CONSULTADA
O MOD!E~O ALEMÃO

O progresso da indústria alemã, que a levou ao topo no setor durante a 2ª


BUENO, E. Brasil: uma História. São Paulo: Editora Ática. 2003.
Fase da Revolução Industrial (veja o Quadro 5. 1), foi baseado fortemente
DE LUCA, T. R. Indústria e Trabalho na História do Brasil. São Paulo: Editora Contexto. 2001. em uma intensa interação entre os setores educacional e produtivo. A gran-
SUZIGAN, W. Indústria Brasileira: Origem e Desenvolvimento. Nova Edição, Campinas: de disponibilidade alemã de químicos altamente treinados se deve, princi-
Editora Hucitec/Editora da U nicamp. 2000. palmente, ao surgimento da primeira escola de formação profissional na
MOTOYAl\tlA, S.; GALVAN, C.G.; BARCELOS, E.D.; MARQUES, P.Q.; CAPOZOLI, U. As especialidade proposta por Justus von Liebig, em 1825, na Universidade
tecnologias e o desenvolvimento industrial brasileiro. ln: Tecnologia e Industrialização no de Giessen. Os químicos importantes do séc. XIX foram discípulos de Liebig
Brasil. Motoyama, S. (org.). São Paulo: Editora da Unesp. 1994. ou alunos de alunos de Liebig. O intercâmbio entre a academia e o setor
VANIN, J. A. Industrialização na Area Química. ln: Tecnologia e Industrialização no Brasil. produtivo foi a essência do desenvolvimento do setor químico germânico.
Motoyama, S. (otg.). São Paulo: Editora da Unesp. 1994.

WONGTSCHOWSKI, P. Indústria Química. 2•. Edição. São Paulo: Blucher. 2002.


--------------~--~------------
73
14 En!J..enharia Química História da Engenharia Química mundial '· 7'5.
-~•-•--.,, ..- .. P• ••--•-••---•-•-h< •••-•-•••·-• - ••~•---•-••••• .. -»••--- -- ----'-- - -- - - - - - ~ •a.:.:!.,.,. ,.

Em 1897 cerca de quatro mil químicos formados trabalhavam fora de ativi- ros os aplicarem no campo industrial. Iniciou-se, dessa maneira, uma ativi-
dades acadêmicas. Destes, duzentos e cinquenta trabalhavam no setor de dade distinta para tais profissionais. Os químicos, limitados a trabalhos de
inorgânicos da Indústria Química, mil no setor de orgânicos e cerca de seis- pesquisa nas grandes universidades, começaram a trabalhar e;m plantas-
centos em outros negócios químicos ou farmacêuticos (VANIN, 1994). Res- pilotos junto com engenheiros, geralmente mecânicos, que estudavam proje-
alte-se, também, o gerenciamento alemâo de suas fábricas no setor quími- tos de novos equipamentos. No início, esses profissionais limitavam-se a
i; . Em quase todas, havia, no nível mais alto de gerência, pelo menos um recomendar aos industriais os equipamentos que consideravam mais eficien-
p1 ímico ou cientista que pudesse entender do assunto desde o processo pro- tes dentre aqueles oferecidos por catálogos de fornecedores. Um pouco mais
luti.vo até o atendimento aos clientes, de modo a esclarecê-los sobre o me- adiante, essa tarefa estendeu-se ao convívio de químicos e engenheiros nas
lhor aproveitamento do produto (WONGTSCHOWSKI, 2002). plantas, e começaram a projetar e fabricar equipamentos específicos. A esta
BEVENUTO (1999) menciona que as indústrias alemãs recrutavam atividade, George E. Davis, um consultor industrial britânico, denominou
os melhores egressos universitários para incorporá-los em seus laborató- Engenharia Química e, em 1880, propôs sem sucesso a formação da Society
1 ios e fábricas com excelentes salários. Essa atitude empresarial despertou of Chemical Engineers. Em 1887, Davis ministrou uma série de palestras
o interesse dos estudantes e as matrículas em especialidades químicas cres- sobre operações em processos químicos na lvianchester Technical School,
i;c mm rapidamente. As empresas, com o incentivo do Estado alemão por nas quais o então exercício da Engenb.ariã. Qu.L."11ica> associado a uin esforço
111 ·io da criação de lei de patentes que protegiam a inovação tecnológica, conjunto de químicos e engenheiros, visava transferir, desde a escala de
L<) nstruírarn os seus próprios laboratórios, onde doutores em química e laboratório à industrial, parâmetros e experiências de um conjunto de opera-
rn ~ ·nheiros mecânicos, civis e elétricos trabalhavam em equipe sem a ne- ções comuns a processos industriais diversos, tais como a filtração, a sedi-
' ·~8 idade, até então, da existência de um especialista em que nele conver- mentação e a destilação. Davis, além de lançar a semente da Engenharia
p,1:,. ' m onhecimentos da Química e da Engenharia. Por via de consequên- Química, por meio das Operações Unitárias, publicou, em 1901, o seu
1 1, 1, as universidades alemãs não precisaram de departamentos especiali- Handbook of Chemical Engineering.
,,,dos cm Engenharia Química, de forma que a abordagem alemã de tal
O sonho de Davis não vingou na Inglaterra, sendo necessário cruzar o
r•, p ·cialidade considerava a combinação de conhecimento de QU:ímica com
Atlântico e aportar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Cam-
En nharia Mecânica (PORTO, 2004). Essa especialidade era desenvolvida
brige, EUA, indo encontrar - poucos meses depois - Lewis Norton, um
por d utores em Química e engenheiros nas próprias empresas ou se ne-
industrial e professor de Química Orgânica, permitindo-lhes lançarem as
·s ·fr io, supridos por cursos de pós-graduação em Engenharia Química.
bases, em i888, do primeiro curso de Engenharia Química no mundo. No
primeiros departamentos especializados em Engenharia Química apare-
final do séc. XIX havia cursos de Engenharia Química nos Estados Unidos,
·r:im nas universidades alemãs no início da década de 1930.
além do MIT, na Universidade da Pennsylvania, em 1892, em Tulane, em
1894, e em Michigan, em 1898. Em todos esses cursos, prevalecia o ensino
da química descritiva dos processos industriais, utilizando-se de metodo-
NGENHARiA QUÍMICA
logia que contribuía pouco à compreensão dos princípios científicos. A
, por um lado, na Alemanha havia a concepção do trabalho em equipe maior parte do tempo era dedicada para a descrição de centenas de indús-
que impulsionou a sua Indústria Química sem a presença de uin profissional trias em que os processos se repetiam frequentemente.
d Engenharia Química, do outro, tanto nos Estados Unidos quanto na No MIT, o curso evoluiu, criando-se em 1903 um laboratório de pes-
Inglaterra, existiam químicos nas indústrias que ocupavam, até 1880, pos- quisa em Físico-Química, abrindo, dessa maneira, uma divisão para a co-
t s de bai.,-x:o nível e realizavam tarefas de auxiliares em laboratórios rudi- operação industrial. Só em 1920 é que foi criado, no MIT, o Departamento
mentares nas fábricas. Com os descobrimentos científicos, especialmente em de Engenharia Química, onde Arthur D. Little propôs a sistematização do
Q uímica e Física, aumentaram as possibilidades para químicos e engenhei- estudo das "Operações Unitárias" enquanto disciplinas. Cinco anos antes,
.J

;~-76 Engenharia Química História da Engenharia Q uímica mundia l ' 77


..,}~'...------- - - - -------- ~-·--·---

em 1915, D. Little engendrou tal sistematização, revolucionando o ensino revolucionários na época e direcionados, basicamente, à indústria do petró
de Engenharia Química nos EUA. Ao precisar com claridade o objeto epis- leo. Neste aspecto, convém salientar os trabalhos de Ponchon e Savar iL,
temológico da disciplina, D. Little assentou as bases para o seu rápido em 1920, em que desenvolveram e apresentaram o diagrama de ental 1 i:1
desenvolvimento, impulsionando trabalhos teóricos e experimentais de concentração, extremamente útil para resolver cálculos de destilação, b · 111
todo o tipo sobre as Operações Unitárias nos mais avançados institutos como o de McCabe e Thiele, em 1925, em que propuseram um m él d
universitários daquele país (BEVENUTO, 1999). gráfico para calcular o número de pratos teóricos de uma coluna fra ic1
nada de destilação para misturas binárias. Antes, porém, os diversos at r
A importância da contribuição de D.Little está na visão de que os
envolvidos nesse processo puderam ser agrupados no poderoso Americw1
processos, quaisquer que fossem, eram constituídos de passos ou etapas,
Institute of Chemical Engineers (AIChE), fundado em 1908, assim 1111J
que eram iguais em diversos processos de transformação, podendo ser
desenharam um corpo curricular para o ensino e fixaram as atribuições pro
analisados independentemente dos processos particulares de produção em
fissionais dos engenheiros químicos nos EUA
que estivessem inseridos, conforme ilustra o Quadro 8.1. Por exemplo,
etapas ou operações de evaporação, filtração, moagem e secagem (primeira
coluna do Quadro 8.1) poderiam ser estudadas independentemente do
processo nelas presente ou dos materiais a serem processados (segunda
coluna do Quadro 8.1 ).
A segunda metade do séc. XX pode ser considerada que "começo u' n d
Quadro 8.1 Operações Un itárias presentes em alguns processos de produção. década de 1930 com o advento da indústria dos derivados do petróleo e e1n
especial a indústria petroquímica, bem como o desenvolvimento de vá ri :1,
fibras sintéticas, em particular com a descoberta do nylon por Wa ll a •
Hume Carother. Nas décadas de 1930 e 1940, em paralelo ao boo111. d,t
"' Indústria do Plástico principalmente nos EUA, começou a haver esfor os
Âdesivos e.. sélaníes; Ácido.: stiffurico: Antibióticos; Cerv.eio;.•ribras·.
a ~iliciais_\ ~esinas; ~obão:; Tinta. · para salientar a importância do ensino de Termodinâmica nos curs · cl ·
Moagem Engenharia Química desse país, assim como foram estabelecidos fund a
mentos básicos de Equilíbrio de Fases, Transferência de Quantidade de
'. Secagem Movimento, de Calor, de Massa nos cursos de Engenharia Química. P 1·
outro lado, até a década de 1950, o estudo das Operações Unitárias em
conjunto com os processos unitários, considerando que nesses, também as
Em outras palavras: as "Operações Unitárias" têm vida própria. Verifi- etapas de reações químicas possam ser entendidas como processos unitários,
cou-se, também, que as "Operações Unitárias" giravam, na época, em torno ordenou a formação do engenheiro químico até o advento das chamadas
de trinta, enquanto o número de processos industriais chegava a centenas. Ciências da Engenharia Química.
O estudo dos processos, em si, era uma tarefa cansativa, enfadonha e ten- As Ciências da Engenharia Química, como apresentadas no Capítulo 3,
dia à impossibilidade devido ao número crescente de processos. O conceito partem do pressuposto de analisar as operações e processos unitários tendo
desenvolvido por Little libertou o engenheiro químico desta impossibili- como base aspectos de Fenômenos de Transporte (Transferência de Matéria,
dade, construindo as verdadeiras bases da Engenharia Química (THOBER Energia e de Quantidade de Movimento), associados ao domínio da F~sico-
e GERNIANY, 1992). Química (Termodinâmica, Reações Químicas). Um exemplo dessa funda-
A partir da década de 1920, houve acelerada expansão da Engenharia mentação está na publicação, em 1954, do livro Molecular Theory af Gases,
Química nos EUA, como resultado de negociações entre cientistas, universi- de Hirschfelder, Curtiss e Bird, que foi essencial para o aparecimento, em
tários, industriais e profissionais, permitindo a elaboração de trabalhos 1960, do Transport Phenomena, livro de Bird, Stewart e Lighfoot.
78 Engenharia Químico História da Engenharia Químico mundial

O conceito de Operações Unitárias evoluiu a partir do maior conheci-


mento dos Fenômenos de Transporte. Assim, operações como absorção,
adsorção, extração líquido-líquido, por exemplo, têm em comum várias
características, entre elas a transferência de massa entre duas fases e a teoria "'
'6,
o .!!! .!!! "'u
das duas resistências, podendo ser tratadas genericamente por Operações de oe: :;; "'u
.e
~
.i:: :~e: o
u e·- .,e: :;; -;;; o
Transferência de Massa (veja o Quadro 3.3). O reconhecimento da "unifica- ~ "e,, •-E o N
o ·e:,
O\
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i:õ wO w o ~ _Q
ção" de algumas operações deu-se também com os processos. Em alguns o ·;;:
o.
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processos químicos modernos, a ideia de serialização foi substituída por
~ "o
simultaneidade: surgiram assim os reatores com membranas, a destilação o
extrativa/reativa, entre outros, que congregam várias etapas ou vários pro- o...
t
cessos em um único equipamento. Como decorrência, aumentou-se o nú- ~
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mero de processos integrados, em que coexistem operações e processos "uni- "'"' 0
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tários", aproveitando-se de maneira mais eficiente os gradientes internos V'>
e o
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existentes/gerados no processo como um todo (PORTO, 2004) . .
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Ném dos Fundamentos da Engenharia Química (veja a Figura 3.6), ressal- '. E o
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te-se a importância do advento da Informática e a sua aplicação no campo da -ó ..2..
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Engenharia Química. Em 1947, houve a proposta da solução do problema e·

da difusão de nêutrons usando o método de Monte Cario pelo computador


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ENIAC e, em 1959, o controle de processos por computador ganhou cre-
2
dibilidade. Em 1981, a Microsoft desenvolveu o MS-DOS para PC da IBM e, ·a3
..s:::
e
11esse mesmo ano, um software de simulação de processos químicos foi desen- Q)
Ol
volvido para PC. Como consequência, é comum encontrar pacotes compu- e
Q)

tacionais como DESIGN II, ASPEN, Slt\l.[SCI (PRO II), HYSIM, & CHEMCAD o
"'O
sendo aplicados na formação do engenheiro químico. Atualmente, como salien- o
'ºou,
tado por PORTO (2004), a utilização da Dinâmica de Fluidos Computacional ::,
(CFD) tem realizado avanços importantes nos conceitos de mistura e segrega- "'., o
·;::-ov,
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ção de matéria, além de permitir a descrição de fenômenos complexos que ·"'

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regem os Fundamentos da Engenharia Química. e - ~a_ Q.
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E O ENGENH~IRO QUiMãCO? °' 'º::,u,
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Levenspiel, citado por d'ÁVILA (2001), parafraseando a 2ª Lei da Termodi- w
nâmica, diz: "O ensino de EngenJi.aria Química existe para atender às neces-
sidades do setor industrial: logo, deve se adaptar e mudar na direção que a
indústria toma". Apesar de ser um tanto forte, ou seja uma profissão regida
apenas por um setor de suas atividades, não se pode tampar o Soi com uma
peneira, pois se observarmos a Figura 8.1, notaremos estreita relação entre
so· Engenharia Químico História do Engenharia Quím ico '21~ :!!?~ 81
-----·---..- ----·-----

as atividades do engenheiro químico e o desenvolv:imento industrial desde 1915-1960: Crescimento científico e períod9 das operações e processos unitários. Ao
1930, considerando o seu início com a Indústria petroquímica. Ao tempo surgir a sistematização das "Operações Unit árias", houve a preo u pa
de apresentar tal vínculo, esta mesma figura mostra a expansão das ativi- ção científica em identificar e estudar teoricamente passos ou eta ;1.
dades do engenheiro químico, de tal modo que o prof. d' Ávila ilustra a que se repetiam em diferentes processos unitários. Nesse p tfo lc>,
definição da profissão, em tom de leveza: "Engenharia Química é aquilo aflorou o interesse de diversos setores da sociedade nas atividad s do
que os engenheiros químicos fazem". Isto se deve bastante à sua caracterís- engenheiro químico. A Indústria Química tornou-se sinônin10 d d ·
tica multidisciplinar, pois com uma forte formação em Ciências Básicas e
senvolvirnento. Iniciou-se a Idade do Plástico, a Era dos Petr oqufmico·,
de Engenharia Química (veja o Capítulo 3), a engenheiro químico é capaz
e os primeiros· passos da Informática associada ao controle de p roc •
de contribuir nos processos de produção, gerência, vendas e de pesquisa,
so e solução de problemas complexos. Os EUA tornaram-se a gra nde
atuando nos campos dos agroquírnicos, alimentos, cosméticos, fármacos,
potência tanto no ensino da Engenharia Química quanto n ·tc1 1
até a indústria aeroespacial, eletrônica, software, robótica etc. (d'ÁVILA,
2001). químico .
1960-2000: Período das Ciências da Engenharia Química e crescimen to m1i/11
disciplinar. Nesse período, ampliou-se a visão da Engenharia Q u'Í miccll
que, além de tecnológica, passou a interessar-se fortemente por ci I ti .i
CONCLUSÃO
O engenheiro químico apresenta sólida formação científica e t cno
Tendo como ponto de partida o início da segunda fase da Revolução In- lógica, abrindo novos horizontes para o seu campo de atuação c 111

dustrial (1850-1945), podemos concluir que a Engenharia Química, no áreas do conhecin1ento que transcendem a concepção original de L •1
seu início, alçou voo nos Estados Unidos, e atravessou períodos assim carac- nele um químico e um engenheiro, apenas.
terizados:
1850-1880: Atividade relacionada à Engenharia Química sem reconhecimento
profissional. Foi um período, como apontado por THOBER e GER-
BIBLIOGRAFIA CONSUlTADA
MAJ."'IT (1992), regido por amadorismo, segredo e empirismo, princi-
palmente devido à dificuldade da difusão de informações técnicas e
por não dispor de base científica desenvolvida. Esse período acaba BEVENUTO, M.R. Las orígenes de la Ingeniería Química en la Argentina, 1920. ln: Saber y
sendo coincidente com o do nascimento da Indústria Química mo- Tiempo. V.7, pp.39-59. 1999.
derna, principalmente na Alemanha. D' ÁVILA, S.G. ENBEQs: Uma análise dos resultados e propostas de novos rumos. ln: Anais
1880-1915: Estabelecimento da profissão e atividade de químico industrial. Ape- do IX Encontro Brasileiro sobre o Ensino de Engenharia Quúnica. Vol. 1, p.3-23. Poços de
sar de reconhecer a. necessidade da existência profissional do enge- Caldas. 2001.
nheiro químico, a Engenharia Química era regida por "receitas". Ha- PORTO, L.M. A evolução da Engenharia Q uímica - Perspectivas e novos desafios. ln:
via o estudo dos diversos tipos de processos como sendo independen- www.hottopos.com./regeqlO/luismar.htm. Acessado em 03/08/2004.
tes (p.ex. indústria de fertilizantes) ou associado à família de processos THOBER, C.W.A.; C.J. GERMANY; C.J. Engenharia Química: uma perspectiva da profissão
(p.ex. indústria de silicatos, compreendendo a cerâmica, o vidro etc.). no Brasil. ln: Anais do 9° Congresso Brasileiro de Engenharia Química. Vol. 1, p.423-430.
Em se tratando da Indústria Química, este período pode ser visto pela Salvador. 1992.
polarização entre a Alemanha, esta por meio da Indústria Química VANIN, J. A. Industrialização na Área Química. ln: Tecnologia e Industrialização no Brasil.
propriamente dita, e os Estados Unidos, pelo crescente uso dos deri- Motoyama, S. (org.). São Paulo: Editora da Unesp. 1994.
vados do petróleo. WONGTSCHOWSKI, P. Indústria Química. 2•. Edição. São Paulo: Blucher. 2002.
HISTÓRIA DA ENGENHARIA
QUÍ~v11CA NO BRASIL

A Engenharia Química, antes da sua concepção enquanto profissão, já


existia no Brasil Colonial nos engenhos de açúcar, no quais se percebiam
as Operações Urütárias de moagem e recristalização (V A..N"IN, 1994). Res-
salte-se, inclusive, a evolução tecnológica do engenho de açúcar quando
da passagem dos banguês ao processamento do açúcar com a adoção, por
parte da Companhia Açucareira de Porto Feliz, em 1878, de um conjunto
de equipamentos que incluía moendas interligadas; evaporadores de triplo
efeito; recipientes para cozimento a vácuo; turbinas centrífugas SUZIGAN
(2000) . Todavia, o conceito de "Operações Unitárias", que veio a fazer
parte do tronco na formação do engenheiro químico (veja a Figura 3.10),
só se sistematizou na década de 1910, nos EUA.
Se observarmos a história da Engenharia Química mundial, verifica-
mos que é a partir da década de 1880 que se reconheceu, principalmente
nos Estados Unidos, a Engenharia Química como campo para as ativida-
des conjuntas de químicos e engenheiros dentro de uma fábrica do setor
químico e correlato. Tendo como referência esta década, pode-se vislum-
brar a história da Engenharia Química no Brasil, para efeito de estudo,
desde o surgimento do capital industrial em nosso país, por meio de três
períodos: 1880-1920; 1920-1960; 1960-2000.

PRIMEIRO PlERSODO: 1880 A 1920

A partir da década de 1880 ocorreu, segundo SUZIGAN (2000), o nasci-


mento do capital industrial brasileiro. Reconhece-se que, apesar de ensaios a
84 __ Engenharia Químico História da Engenharia Química no Brasil 85

partir do último terço do séc. XIX, a Indústria Química brasileira deu os primei- primeiro no Brasil, na Escola de Engenharia do Mackenzie College. fü;s '
ros passos no início do séc. X,"'{ com a incipiente indústria nacional e com o curso congregou, além da parte específica de química; metalurgia e medl-
começo da instalação de multinacionais, estas a partir da década de 1910. nica aplicadas à indústria de transformação ( GARCEZ, 1970 ).
No que diz respeito à formação de recursos humanos destinados à Além do Mackenzie College, instalou-se, também na cidade de a
atividade técnica e industrial é importante salientar a instalação, em 1893, Paulo e na USP, em 1925, o segundo curso de graduação em Engenlmriu
do curso de Engenharia Industrial na USP, e em 1896 da Escola de Enge- Química no Brasil. Esse curso teve como precursores os cursos de En 1t! -
nharia do Mackenzie College, unidade pioneira da atual Universidade nharia Industrial, criado em 1893 e extinto em 1926, o de Química crio lo
Presbiteriana Mackenzie. Essas duas escolas, situadas na cidade de São Paulo, . em 1918 e o de Química Industrial criado em 1920 e fechado em 1935.
foram fundamentais para a criação dos primeiros cursos de Engenharia Como pode ser notado, a Engenharia Química não foi concebida d r r
Química no Brasil. ma homogênea. Em ambos os casos citados nos dois parágrafos anterior ·, J
Segundo GARCEZ (1970), o surto industrial em São Paulo, no início da Engenharia Química adveio de um mi-"< de Engenharia e de Química IndusLrinl .
década de 1910, foi acelerado. O Prof. Alfred Cownley Slater, do Mackenzie Saliente-se que, no caso do USP, houve a sobreposição, durante dez an s, i<-'
College e pioneiro do ensino industrial em São Paulo, propôs, em 1911, a cursos similares Engenharia Química e Química Industrial, visando atend ' r
criação de um curso de Química Industrial destinado ao preparo de técnicos mesmo mercado. Sobreviveu o moderno, permitindo-nos tomar a década J,
industriais de nível médio bastante em voga, então, na Inglaterra. Era um 1920 como a do nascimento da Engenharia Química no país.
curso equivalente ao hoje ensino médio. Em 1915, o curso de Química In- Convém salientar que o ano de 1929 foi catastrófico para o Brasil, tendo
dustrial foi anexado à Escola de Engenharia, com duração de três anos. em vista a quebra da bolsa em Nova York e a Crise do Café no Brasil. TJis
A partir da Primeira Guerra Mundial (1914-191 8), houve a necessi- eventos vieram a refletir no setor produtivo nacional. A partir de 1932, i11i
dade da substituição de alguns produtos químicos importados por similares dou-se o reaquecimento na economia brasileira e o setor produtivo quími o
desenvolvidos no país, com incentivo discreto do governo brasileiro. Pro- começou a responder, como também houve o interesse das Instituições IP
curou-se intensificar a diversificação industrial na década de 1920. Parale- Ensino de Nível Superior (IES) no Brasil em criarem cursos de Engenharia
lamente, programas de formação de profissionais surgiram, voltados para Química. Entretanto, em vez de nascerem cursos novos, com o enfoque volt;,
o mercado, assim como para acompanhar, de algum modo, as tendências do para a concepção das Operações e Processos Unitários reinante nas escolas
fora do país. Exemplo disso foi a instalação de diversos cursos de Química de Engenharia Química, principalmente dos Estados Unidos, os cursos
Industrial no país, além daquele do Mackenzie College (1915), como os da implementados no Brasil decorreram, basicamente, dos cursos de Química
Universidade de São Paulo (1920); Escola Politécnica da Bahia (depois Uni- Industrial então existentes, como são os casos, na década de 1940, das Univcr•
versidade Federal da Bahia - UFBA) em 1920; Universidade do Brasil, sidades_Federais da Bahia, do Paraná e do Rio de Janeiro e esses "novos cursos",
hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, em 1922; Universida- seguiam, em linhas gerais, a filosofia descritiva dos processos industriais, send
de Federal do Rio Grande do Sul, em 1923; Universidade Federal do Paraná as novidades ou os conceitos realmente diferenciadores da Engenharia Química
- UFPR, em 1924. (Operações Unitárias), apenas adicionados aos anteriores, como fossem áreas
novas de conhecimento (THOBER e GERMA.l"'lY, 1992).
Até o final da década de 1940, havia sete IESs que ofereciam cursos de
SEGUNDO PERÍODO: 1920 A 1960 Engenharia Química no Brasil, apesar de o país evidenciar, segundo SUZI-
GAN (2000), o desenvolvimento industrial a partir da década de 1930, carac-
Na década de 1920, o Brasil começou a se ajustar a um modelo de desen- terizado pela industrialização por substituição de importação e iniciar a
volvimento industrial ligado à importação maciça de tecnologia e de ma- década de 1950 com o espírito da autossuficiência energética com o nasci-
térias-primas, o que era estendido à formação de recursos humanos. Em mento da Petrobras em 1953. Nessa década, surgiram "novos cursos" de
1922, o Prof. Slater fundou e estruturou o curso de Engenharia Química, o Engenharia Química, grande parte deles com o mapa genético herdado da
11'1 111 q t nhorio Químico
------------------------------ História da Engenharia Química no Brasil

tJ u1n1ica Industrial, como é o caso da UFRGS onde, em 1958, foi criado o mestrado e um de doutorado em território nacional. Convém mencionar que
111rs de Engenharia Química tendo como mãe a Química Industrial rei- a Indústria Química viria a deslanchar na década seguinte, principalmente -
11 ,1r1 t ali desde 1923. como mencionado no Capítulo 7 - com a instalação dos polos petroquímicos.
Enquanto em outros países, principalmente a partir da segunda me- Havia, até o final da década de 1970, trinta e oito cursos de graduação
1.1d · d;i década de 1940, florescia o apetite das Ciências da Engenharia em Engenharia Química (um aumento de quase 50% em relação à década
t l11ím ica, conduzidas pela compreensão fenomenológica dos mecanismos anterior), seis programas de mestrado e três de doutorado (veja· a Figura
q 11 l' vernavam os processos de transformação, no Brasil ainda se vivia 9.1 ). Um dos fatores determinantes na expansão da criação de cursos de
•,oh I do mínio da descrição de processos sobrepostos a conceitos de Ope- Engenharia Química é a instalação, em 1964, do Grupo Executivo da In-
' .1.,_o 'S Unitárias, levando a currículos cada vez mais inchados, e os egres- dústria Química (Geiquim). Este instrumento de coordenação voltado
',P', ·om formação ultrapassada em relação aos centros mais desenvolvi- especialmente para a Indústria Química, apresentava, entre suas metas
, 111 •,. E isto , sem dúvida, estendia-se para o setor produtivo, pois este, além contidas no Decreto n. 55.759, o aperfeiçoamento e a disseminação da
d e i1n 1 ortar máquinas, continuava com a importação de cérebros. técnica, da pesquisa e da experimentação; alterar as disparidades regio-
nais do nível de desenvolvimento; ampliar unidades já existentes. Além
disso, é importante frisar que na década de 1970 houve grande concentra-
ção da instalação de indústrias químicas no Brasil, conforme mencionado
O PERÍODO: 1960 A 2000
no Capítulo 7. D 'ÁVILA (200 1) salienta que, embora não seja tão aparente,
havia urna invisível intercomunicação entre os dois sistemas, os quais cres-
1\11 1 59 e.'<istiam onze cursos de Engenharia Quúnica no Brasil, todos em
ciam aparentemente de forma independente. É cabível que as universidades,
, 11 w l de graduação. HABERT (2003) aponta que a industrialização brasileira,
nesse período, estavam fornecendo mão de obra qualificada e em quanti-
, 1,1 qm ·a, demandava profissionais de alta competência científica para a política
dade para atender a demanda do setor industrial. O Brasil estava formando
de1,envolvimentista corno no caso da expansão das refinarias no então nascen-
engenheiros para operarem tecnologias importadas e, quanto muito, adap -
11' •,, l r petroquúnico. Isto veio a provocar impacto importante na criação de
tadas à realidade do país.
r H v s cursos, incorporando uma urgente transformação cultural na pesquisa
A década de 1970 foi decisiva para a consolidação da Engenharia Quí-
i<"~ 11d gica: a ênfase nas Ciências de Engenharia, superando as limitações
d · LJ111 empirismo histórico. mica no Brasil. Nessa década aconteceram fatos determinantes para a for-
mação de uma identidade nacional da Engenharia Química. Entre os quais
om a criação do Programa de Mestrado da COPPE/UFRJ, em 1963,
pode- se citar a criação, em 30 de abril de 1975, da Associação Brasileira de
inaugurou-se, em nível acadêmico, o período das Ciências da Engenharia
Engenharia Química (ABEQ), a qual objetivava congregar pessoas físicas e
~dmica no país. Uma consequência imediata foi a formação, no Brasil, de
jurídicas que se interessavam pelo desenvolvimento da Engenharia Química
pr fessores-rnestres que vieram a colaborar, já no início da década de 1970,
e pela valorização tecnológico-científica dos engenheiros quúnicos.
()m a criação de cursos com currículos tipicamente de Engenharia Química,
Conforme a inspeção tanto da Figura 7.2 quanto da Figura 9.1, a qual
orno são os casos da Universidade Estadual de Maringá (UEM-1971 ) e Uni-
mostra a evolução da criação de cursos de graduação e de pós-graduação
versidade Estadual de Campinas (Urúcamp-1974). Para se ter uma ideia do
em Engenharia Química no país, verifica-se que na década de 1970 o país
boom da criação de cursos de graduação de Engenharia Química no Brasil,
passou por um período de crescimento acelerado tanto no sistema educa-
basta citar que nos anos de 1970 e 1971 foram criados cinco novos cursos.
cional superior, como na Indústria Química. Isto possibilitou a disposi-
No final da década de 1960, houve o reconhecimento da profissão de ção, por parte do meio acadêmico, em discutir a oferta e a demanda de
engenheiro químico no Brasil, regulada pela Lei Federal 5194, de 24/12/1966, profissionais e de conhecimento tecnológico na área da Engenharia Quí-
a q ual foi regulamentada pelo Decreto Federal n. 620, de 10/06/1969. No mica. Segundo d' ÁVILA (2001 ), com o apoio da ABEQ e por iniciativa de
final dessa década, havia vinte e cinco cursos de graduação, quatro de professores do curso de Engenharia Química da Unicarnp, surgiu a ideia
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88, Engenharia Química História do Engenharia Quím ico no Bra sil 89

60 55
1111 Graduação - - Graduação
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~Mestrado - - - Mestrado
51 _ • _ • Doutorado
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1900- 1921 - 1931- 1941 - 1951- 1961 - 1971- 1981 - 1 01
oo o 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 20óó
o
1900- 1921- 1931- 1941- 1951- 1961- 1971- 1981- 1991- Décadas do séc. XX
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000
fi g ura 9.2: Curva de aprendizado relativo aos cursos de graduaçã d
Décadas do séc. XX
pós-graduação de Engenharia Químico no Bra sil .
Figura 9.1 Total acumulado de criação de cursos de Engenharia Química
no séc. XX.
surgimento, assimilação e emprego de tecnologias realiza-se com o LlITI JJ I n
de se organizar o 1° Encontro Brasileiro sobre Ensino em Engenharia Quí- cesso de aprendizado. Dada a relação, podemos identificar três fa ' s 1111
mica (ENBEQ), que acabou sendo realizado em novembro de 1981, em Campinas. caso de cursos de graàuação: 1) A primeira, àe 1920 a 1950, como e 1u .lu ,1
fase embrionária, em que a aquisição do conhecimento tecn ol gi o / 0 1
O objetivo do ENBEQ, conforme salientado por MORI e lVIAEGAVA (1993),
bastante lenta, porém na qual começou a sedimentar as bases d t clti c1
era o de melhorar a qualidade e o ensino de Engenharia Química no Brasil. O
processo, influenciando - dessa maneira - o surgimento in cipient d · 111
ENBEQ foi referência para criação e reformulação de cursos de Engenharia
sos de Engenharia Química, oriundos dos já existentes de Química !1J du
Química no país nos níveis de graduação e de pós-graduação.
trial; 2) A segunda, de 1950 a 1980, identificada à fase de crescim ·nlo,
A partir do final da década de 1960, é que se inicia a tríade na forma- sendo caracterizada pela rápida geração e absorção de novos conh ecim ·n
ção do · engenheiro químico (graduação, mestrado e doutorado ), como tos, em que se observa o acelerado crescimento dos cursos de graduaç,11 >
ilustra a Figura 9.1. Há de se observar que ao final da década de 1990 há em Engenharia Química, principalmente quando comparad o ao foLO K
uma leve tendência no crescimento dos cursos de graduação, esta tendência relacionados à primeira década do terceiro período (1965-1974 ), cami.: te
é bem mais acentuada em nível de pós-graduação, tanto no mestrado quan- rizado principalmente pela criação de cursos genuinamente de Engenh.1
to no doutorado. Observando-se a Figura 9.1, em particular as informações ria Química; 3) A terceira, de 1980 a 2000, coincide com a fase de amadu
relativas à pós-graduação em Engenharia Química, nota-se que esta é bas- recimento, em que houve leve desaceleração na taxa de criação dos cursos 1 ·
tante incipiente. D'ÁVlLA (2001 ) atribui este comportamento ao fato do graduação de Engenharia Química. Este efeito é pronunciado à medida qu ·
pouco estímulo para ações de internalização efetiva dos conhecimentos em- no final do séc. X,"( se constata a existência de 49 cursos de graduação em
butidos na tecnologia importada, e muito menos para investimentos em atividade no Brasil, no universo de 51 criados ao longo do século passado.
Pesquisa & Desenvolvimento para gerar tecnologia no Brasil. A Figura 9.2 aponta que, no final do séc. XX, a fase da criação dos
Retomando a Figura 9.1 como uma curva logística de aprendizado, cursos de pós-graduação estava experimentando , quando comparada à
conforme apresentada na Figura 9.2, tendo como base a proposição que o da fase de graduação, um processo de crescimento, mostrando-nos que as
n nhoria Química História da Engenharia Química no Brasil

GARCEZ, B. N. O Mackenzie. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 1970.


·:iracterísticas desejadas para o engenheiro químico devem vir e atender
'l sistemas educacional, empresarial e da própria sociedade, a qual é HABERT, C. Folha de São Paulo. 05/05/2003.

diretamente afetada e afeta a profissão. Em outras palavras, a Indústria MORI.M.; MA.EGAVA, L. Introdução. ln: Anais do V Encontro Brasileiro sobre o Ensino de
Engenharia Quúnica. Vol.l, p.v-xviii. Campinas. 1993.
( uímica brasileira tenderá a ter em seus quadros engenheiros químicos
SUZIGAN, W. Indústria Brasileira: Origem e Desenvolvimento. Nova Edição. Campinas:
n: o somente técnicos operacionais, mas pesquisadores e cientistas, provo-
Editora Hucitec/Editora da Unicamp. 2000.
u 1 nd a tão sonhada independência tecnológica do Brasil, com responsa-
THOBER, C.W.A.; GERMANY, C.J. Engenharia Química: uma perspectiva da profissão no
l1ilidade e compromissad_a com o bem-estar de tudo e de todos . Brasil. ln: Anais do 9° Congresso Brasileiro de Engenharia Quúnica. Vol.3, p. 423-430.
O processo de criação e ·extinção de cursos é dinâmico. Ao se aumentar a Salvador. 1992.
,1 pacidade produtiva do setor químico, instalando-se, por exemplo, fábricas VANIN, J. A. Industrialização na Área Química. ln: Tecnologia e Industrialização no
11.1s regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, haverá, como consequência, a aber- Brasil. Motoyama, S. (org.). São Paulo: Editora da Unesp. 1994.

Lu 1,1 de novos cursos de Engenharia Química, sem contar com a geração de


rn1pregos tanto para engenheiros químicos quanto para outros profissio-
11.11,· . orno exemplo, pode-se citar a região Centro-Oeste: com o gás natu-
r,il advindo da Bolívia, há possibilidade de empreendimentos no seto r
p ·lr q uímico para a produção, entre outros produtos, de resinas plásti-
L,l ~. A.lém desse tipo de setor, não há como não citar a riqueza da bio-

Lliv..:rs idade da região amazônica possibilitando a produção de especia-


l1d:id · e de produtos oriundos da Química Fina. Para tanto, requer-se o
w 11lt ·c imento de ciência e tecnologia característico do engenheiro químico.

N LUSÃO

A ISngenharia Química é uma atividade em constante mutação, alimen-


t.1 ndo e alimentando-se de inovações científicas e tecnológicas as quais
pu sam, necessariamente, pelo meio acadêmico e setor produtivo, salien-
W n lo - nitidamente - a contínua parceria entre os setores. Percebe-se que
.i partir da década de 1960 e em particular os eventos ocorridos na década

d L970, é que se tem a consolidação da Engenharia Química no Brasil,


mo atesta a Figura 9.2, tendo como indicador implícito a formação de
recursos humanos, que nutre a matéria-prima para o desenvolvimento de
qualquer nação neste séc. XXI: o conhecimento.

lllBLIO GRAFIA CONSULTADA

D' Á VILA, S.G. ENBEQs: Uma análise dos resultados e propostas de novos rumos. ln: Anais
do IX Encontro Brasileiro sobre o Ensino de Engenharia Química. Vol l, p.3-23. Poços
de Caldas. 2001.
ENGENHARIA QUÍMICA
RESPONSÁVEL
r=--~-~---~,--------------~-·-"'""'-----.. . ----

Por mais óbvio que possa parecer, não é forçoso dizer que o engenh •i1n
guúnico, antes de ser um engenheiro, é uma pessoa. Contudo, c m L m
po e o exercício constante da profissão, ele acaba sendo - também - 111 0 1
dado pela Ciência e Tecnologia. É importante, aqui, resgatar o pensam · 11
to de SKINNER (2000) em que menciona: "A ciência é mais que a m · 1, 1
descrição dos acontecimentos à medida que ocorrem. É uma tentativa d('
descobrir ordem, de mostrar que certos acontecimentos estão relacio1w
dos com outros. Nenhuma tecnologia prática pode basear-se na i n i<1
até que estas relações tenham sido descobertas. Não se pode apli a o,
métodos da ciência em assuntos que se presumem ditadl'.ls pelo capri. ho . A
ciência não só descreve, ela prevê. Trata não só do passado, mas tambi.;111
do futuro. Nem ·é previsão sua última palavra: desde que as condi ·s
relevantes possam ser alteradas, ou de algum modo controladas, o futur t)
pode ser manipulado. É característica da ciência, continua SKINN:E R
(2000), que qualquer falta de honestidade acarreta imediatamente desas
tre. Os cientistas descobriram que ser honesto, consigo mesmo tanto c m
os outros, é essencial para progredir".
Ao encontrarmos Skinner, deparamos com três atores: Ciência, Tec-
nologia e Honestidade. A Ciência e a Tecnologia decorrem do conhe-
cimento e da sua aplicação, respectivamente, as quais podem ser treinadas,
aperfeiçoadas com o tempo. Por outro lado, a Honestidade - valor moral
básico - é inerente à pessoa. Desse modo, a Engenharia Quúnica que o
mundo precisa deve centrar-se na expectativa da sociedade em relação à
dimensões de responsabilidades do seu profissional, quais sejam: individu.tl,

93
.!,
Engenharia Química responsável ~
94 Enge nharia Química
-----------------"--------"----
são características da pessoa ética (ARRUDA, 2002): Ser ético é ser bom,
técnica, legal, ética e social, contextualizadas - por sua vez - em suas habi-
lidades técnica, humana e conceitual (veja a Figura 1.1 ) para, além de certo, justo, honesto, reto, correto, verdadeiro, paciente, tolerante, gene-
contribuir para o aprimoramento e desenvolvimento da humanidade , roso, sábio, caridoso, filantropo, solidário, leal, equânime, responsável,
conservar a vida em toda a sua amplitude. íntegro . Se o ser ético é o perfeito, a busca para sê-lo, por si só, é ética
(CREMASCO e CREMASCO, 2002a).
A vitória do egoísmo parece ainda vigorar e a su a reversão não parece
ser fácil diante da desmassifi.cação que se tem promovido, propositada-
ONSABILI0ADE INDIVIDUAL
mente, para a conservação de grupos dominantes no poder (ROBBINS,
Na é difícil ter a falsa impressão de que as organizações são entes físicos 1996). É visível, portanto, a urgência de se retomar a questão da Ética que,
tl1J t:1das de alma. Algumas delas transmitem tal sensação ao confundir hoje, transcende a definição de ser nada mais do que a conduta desejada para
v, il o res individuais de seus dirigentes com os institucionais por imposição vivermos em harmonia (LIMA, 1999) , para ser a condição básica para a
, 11 . pr prios princípios. Todavia, o mundo não é feito tão somente por sobrevivência do ser humano (CREMASCO e CREMASCO, 2002b).
•,,• 1 <'~ humanos, apesar de naquele residir fundamentalmente a sobrevivên- Apesar de a filosofia estóica, largamente aceita na sua concepção con-
' 1,1 d esses, a qual se dá - sobretudo - por conservação de valores morais, a ceituai em nos apresentar a Ética como uma conduta relativa à reaiidade
, l,··,11 ·it "do império daqueles econômicos. MORRlS (2000) menciona que de cada época, portanto, mutável (ROBBINS, 1996), é importante, hoje,
, 1 l 11 tu r dos negócios exige a compreensão das necessidades universais,
mais do que nunca, resgatar o princípio clássico de Ética: o que se deve
, ,rnt iJ:i · na natureza humana e depende fortemente do espírito das pesso- buscar para que se sinta e se pratique o bem, o qual pode ser lido como
,, 1· 1w [vidas, as quais precisam de certa dose de verdade, beleza, bondade
aquilo que não prejudica o ser e nem a terceiros, e que seja bom, isto
unid.1tl em sua experiência diária de trabalho, levando-as a alcançar as entendido corno tudo quanto mantém a vida, tudo o que a favorec e, tudo
1 11 ,,-~ pr fun d as da motivação humana.
que a faz crescer, em contrapartida a mau, que se refere a tudo aquilo que
A r '$ 1 o nsabilidade individual passa, primeiro e necessariamente, pela destrói a vida, que a danifica ou que a impede d e desenvolver-se (CRE-
1 l'I 1,· X,ló de valores essenciais de cada um, tais como: ética, honestidade,
MASCO e CREMASCO, 20026 ). Enfim, princípios construtivos e positivos
v,· 1d.td re peito. A partir de então e compromissado com ações proati- que extrapolam as aspirações do indivíduo, pois o sentimento social é um
v,1•, , lrv ·• ' respeitar qualquer diferença que possa existir no outro, ainda imperativo na construção de princípios éticos e estes são incompreendidos
, pt r tl utr não seja da sua espécie. O futuro, na ponta no nariz, está nos
sem aquele (ROBBINS, 1996), e da raça humana, para ser uma meta univer-
.! 1, ri 1Ju; ' multifaceteia-te" para poder conhecer o outro e resgatar, com
sal, em toda a extensão do que vem a ser universal.
1 t, 1, .1 m, x im a délfi.ca "conheça-te a ti mesmo".

ÉTICA EMPRESARIAL E A RESPONSABILIDADE


NECESSÁRIA
INTERNA DAS ORGANIZAÇÕES
1 1 1111111 1 at ual tendeu para a supervalorização do dinheiro, para a super-
' ,111 ,1.1 ,10 p der e para a incerteza sobre as condutas, dilapidando princípios Nenhuma discussão sobre tomada de decisão é completa sem a inclusão da
11111 1 ,11 •,, m, s nada disto altera a essência da virtude nem a doutrina ética em Ética, pois - atualmente - há o aumento da sensibilidade social por uma
,·11', ,L'<-io mas (ROBBINS, 1996) . Um dos grandes desafios do séc. XXI, por- compatibilização entre as atividades empresariais, o meio ambiente e a so-
1 1111,1, · ,1 r 'Cuperação da Ética como elemento norteador da conduta hurna- ciedade. Ou seja, a característica básica de uma empresa cidadã, para a qual a
11,1 l c 11 ,11· e agir são prerrogativas do ser humano. Pensar bem e agir bem responsabilidade social é o objetivo social da empresa somado à sua atuação
Engenharia Química responsóv 1
(2fil En ge nharia Químico

econômica (OLNEIRA, 2002 ). Não nos devemos esquecer que as pessoas A ÉTICA NA ENGENHARIA QUÍMICA
jurídicas são feitas por pessoas físicas, pois não existem organizações por si Mencionou-se no Capítulo 8 que a Indústria Química moderna LL' V • 1 ,, 11
sós, o que existem são pessoas que fazem uma organização e assim sendo a sopro vital no movimento mundial conhecido como a Rev I u\·Jq I n il1 1
Ética da organização e, portanto, Empresarial, passa - necessariamente - triai. Além de ser um marco divisório nas relações de trabaU1 , p ti , 1, 'l ,,ti
pela Ética das pessoas que a compõem em uma rede de relações, envolven- mente com o nascimento do maquinismo como fo r çam triz ' p 11J 111 111
do os stakeholders (veja a Figura 2.1 ). em massa, a Revolução Industrial alterou comportamentos p r 11 w 1,1 ,l,1
No domínio dos stakeholders, há um público que continua sendo pos- distanciamento ent:i;e as pessoas. O que era regido por contat t1 t r · 1111 · 111 111
to à margem das reflexões: as relações das organizações com o trabalho, e pupilo, passou a sê-lo intermediado pela máquina, gerando a i ~t .1 111 i.,
com o desemprego e com os empregados. Aqui ressaltamos a importância da habilidade humana para aumentar a importância da habilidad · l ·, 11 11 , 1,
das obras de HIROGOYEN (2002) sobre Assédio Moral, o qual considera- deixando o ser humano como simples elemento da própria p 1· J 11 1,,111
mos ser, junto com o Trabalho, um dos pilares para o entendimento e Desse modo, pode-se ressaltar três importantes aspectos, in terl igL111 11 •
aprimoramento da Ética Empresarial, mesmo porque como apontado por característicos do moderno processo de industrialização:
essa autora, as empresas não podem ignorar o ser humano e esquecer a sua #1 advento da máquina em substituição ao ser humano e a conseq 1 · 11l 1

dignidade. O desempenho de uma empresa é indissociável do cuidado que perda em relação à habilidade humana de inter-relacionament ; n1 u1
a direção tem com o bem-estar de seus empregados. Os desvios que permi- tos trabalham sem condições mínimas para tal, para lucros de p Oll d l ',,
tem a ocorrência de Assédio Moral, por exemplo, não são uma fatalidade , #2 aumento do poder econômico de poucos com o aumento da es oln ti
e as organizações têm tudo a ganhar saneando seus métodos de administra- produção. Produzir mais, gastar de menos;
ção. Estudos empíricos mostram que as empresas que apoiam suas estraté- #3 nascimento e crescimento de indústrias de transformaçã · ll
gias de negócios em sólidos fundamentos éticos possuem mais potencial de consequente aumento da utilização de combustíveis fósseis para g 1, 11
lucros que as unicamente voltadas a alcançar esses lucros (ARRUDA, 1989). energia o suficiente e assim aumentar a produção . •
Como bem-posto por essa autora, a Ética significa a sobrevivência das
organizações. Tais ~pectos dão corpo a uma "químicà' explosiva: dinheiro com produ
A emergência de uma exigência ética nas organizações faz precisamente ção em massa associado à falta de respeito para com as relações humanas. A
com que as responsabilidades política, cívica, ecológica e psíquica sejam ausência de controle de um desses parâmetros foi essencial para gerar o senti-
cada vez mais asseguradas, não porque o dinamismo da organização exige, mento negativo associado a qualquer Indústria Química que, após a Segunda
mas porque é impossível, a quem quer que seja, ignorá-las, sob o risco de ver Guerra Mundial, é vista como um monstro que, ao eliminar as suas fezes
triunfar unicamente o cinismo perverso (ENRIQUEZ, 1997) . Há, como sa- contamina o solo; ao eliminar a sua urina, contamina as águas; ao expelir a
lientado por ARRUDA et al. (1996), uma mentalidade bastante difundida sua respiração, contamina o ar. Esta é uma imagem feita a partir apenas do
no mundo empresarial, de que a ciência e a técnica seriam totalmente estra- ponto de vista técnico, pois ao ser olhado sob o ponto de vista humano, este
nhas às verdades últimas referentes ao ser humano e à sua vida, servindo monstro alimenta-se dos seres humanos, e de toda a natureza, para assim
apenas de instrumentos de qualificação profissional. E este é um paradigma eliminá-los como rejeitos poluidores seja nas fezes, na urina ou no ar que
a ser mudado, pois os Fundamentos da Engenharia Quimica (veja o Capítu- expele. O resultado da ação desse monstro pode ser acompanhado por inspe-
lo 3), por exemplo, enquanto habilidades técnicas, estão no contexto da ção do Quadro 10.1, que mostra alguns eventos históricos oriundos da
habilidade conceituai, a qual é fundamental para o mundo empresarial. tecnologia de transformação em larga escala, associada à área em que o enge-
nheiro químico pode vir a atuar, principalmente na Indústria Química.
Ignorar isto é viver no passado, obstruído pela cegueira da ignorância.
98 Engenharia Química l 1111, 1111111111 !JiJll \1 1 11 ,IJV 1
1,.,.., 11~e...==~,,..,......
--·--····-··--------~------
uadro 10.1 Os fluidos do dragão (Cremasco e Cremasco, 2002c). lnfegror:it~-s do culfo.Shimi Kyo utili'zom sorin ·(gás ·nervoso) em um ataque mortal no
r méfr0.de Tó~t110: ' ; - : ·"\ , · : ~,-·

Fato . Uma. bomba fabdcodo a parti, dafertilizonte de nitrÓto.da amônia e fue l oi l destrói o
1995
federcil'Build[ng em Oklahoma 00s EUA. ..
11 1 O gove~~~ britânico ~pró.,o.a le;-''l\lkoli Works" poro controlor~~:~i;~õ:~-~bi;nt~;~. :',

11 / t Um smog (misturo de nevo.eiro e l~maça)é responsávef'pelo morte âe 1:, 1'5D pessoas . · 1997 · -Foi· feito o Protbcolo de Kyoto, no qual sé pretendi; implementar a redÚção de--
e m Londres. · · polue~tes n;·
atmosfera d'o planeta por- pÓrte de· países. ind'ustrializados em 5 ,2%,'
entre 2008 e 2012, (sobre os níveis de emissão em 9Õ). Em 2001 os EUA, apesor.:de
Ili Arrhen ius argurn~n_ta _qu·e o .eleito est~la pro.veniente do uso de _carvào e. de·petróleo. -confribuírem com cerca de 25% .da emissão global de C02, g·ós r.espon:sável pelo
co uso o aquecimento do globo terrestre·. ._ ·. ; · _· 'efeito estufo; rejéitoi:rpôrticipâ.r do prafocola,.devido a fotor.~s ecónômicos internos.
Contudo, o protocolo entrou, em_vigor em 16/ 02/2005,
O gás tóxico (gás ':lo rícl'ri~o). ê ~til\zada ~o bata lho :de Yp_res.
lJn,o ca rgo de 4.500 _t6ITTeládas de'~itr,oto·de amõ~-io e s~lfato,de:amônjb exbh;le ~m'
1, 3 riiJlhães de:litras de.óleo·vazom de dutos,d9 Refinerio Duque. de:Caxiàs, conta mi~
,uno planto química em Oppou ,. Afemonho.· Como consequêndo, 600 pessoas são· nandé:d 6,5 kmdo BaiàdtrGcJOn~baro' ..
111u1tos, l .500•feridas ecerco ,de. 7:.000.perdem suas cosas. · ·
. -~- ~ - ..
Af{'}ndà no Brasil a m;ior plotofo;r:na d'e. produção,semi_ss0bm'ersíve/ do;midndo, a
',uo detona dos bom'?os atõmicos;e m..l-Íirosbia;i6 e Nag~saki. /?etmb_ras:36; ·vitimand9) ·1 pess.ci.as:,

11,nn ba rco , o Grondcamp,.co'rregodo corJvo-fer-til izonté à ,bo.se de niirolo'de amônia · é


A SheÍI ,Q~íinica re~ponsobiíiza.da pela' pÓÍ'uiç_õo. do Reconto dos P0ssoro~, em
li'" J' 1fo gp.e explode, destruindo porte de uma çidade-·e :matand0 _5 76 pessoas. Mais Poufírri.a, São Paulo: . '.
l11 1< l1; este desastre ficou conh'ecído como à "desastr; d·o·Texos". · · · ·

'111l(;<J rr, lo 19 e deixa doe!ltes·1).000 pessoas-em Don ora, EUA . .. ·Criação,: rio Brasil; ôa· Centri;;, Nacion.;1 de: Prevenção-e· Remediação de Desastres
fl:;nbientois.'· ' ·
,,.,,,., mo to 4 .000 pessoas em Loqdrês. ·~ .
Z002_ Repr~~e nta ntes d·e l 9Q pO'íses parti.'cipom;:em Johannesburgo~da Cúpula _Mundial
,, ""' 1 111u to 1 .000 .pessoas em bondres-. . s0bre· Desenvolvimento ·sustenfóv:el: Rio + l O. São d'iscutidos temas so.b're, Eneroía ,
• .,• ••

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. . . • Bi;êJi;.,e~iiclade! Clím;, s~n'eáni?;to-., Sub;íâ i~s Àgrícalos. ··.. .: . . ' . '. · ". ,: .
l'111111111n lonloliva de controloGo-'er:nissão,de sólve~ie's o'rgôoicos.ncis E8À (lei 66). , ~ ':, ·:-'.-

V, 'I''" d,i ,; lo hexano vazo ·e explode, matondo:2s pessoas em flixboro0gh, :íngÍaterra .. NaútrÓ~'io,d_9J~-1't~~lej ro ~re~trg/ éo,tn 7il'F)il fone lados de ?1eo -~o'm9us!h1~I'. no Ga-
liza, costa sete.r.it'ri~noJ da Espanh''?;:,! razentjo•cfar:ios ímed·iato~ à viâo: ma rinlío. ·
A, "'1,i, niu Nocional de· Ciências. dos EUA ,~formá· que os· d ~ rofluÓrocarbo~o~ .. . . - . . - -, .
111 ttnn•,) podem ofelara ca~o,do·de oi:ôn.io . . , , .: ... ·. ·: · · ·:, · · · 2003: For~~s qn,gl6·- america;\as:ofec51i:n. o lrn"l~e-, ;rovocondo 9 contomina.ção ,d o ri:iE?.io
\ •• • , ••1* a• •·,-- ; . • • •"' . . •• "' • • •

dmliienfo, ,pr.incipalmente·nos arredores ,dé,Bogdó_. -'. _ · · ·. ·.·. , · ·


1,111 11111111!0 de 41 mil loneladas de metil-iso'ciaaalod~ Unia~ Carbide m:ta mais de'.: !.
' IJ00 p,,,, as e m Bhopal, . Índia.
. · . .. · -· - · ' . : '
. },
' 200~ Ro,m~im~nfo do Barro;em de ;eff,Õç~o de resíduo tóxico (lixívia nê gra)'do Fabrico
1 J,,,,, u•.11 1u
11ucleo r de Chernobyl explode e•libero •enorme qug~ticfade-dé rad ia_ç_ão Ca.toguazes provô~·a 'o maior acfdente ec~lógico dõ Biasil, éortta:minà ndo cerco de
'" 1, m 111IH111ços de Kiev, no então Unió<J Soviético. · 400' krrr e/e rids enfre-.o~ Estados de Minas. e Rio. · ·

1111111 p l,1 111formo de petró leo éxpl~_d e ~oÚar .da Norte·,

1 • 1'"111 11,111 o Exxon Valdez afundo e· li bera 41 milhões litros de petrçleo b ~uto no
·1 1,u 11 , 111u lundo mi lhares.de aves ean irnois·mori·nhos. . · , A Indústria Química, por sua própria natureza, não goza de muito
\, fll""" 1tnliofivo com·césio 1'37, ;;m GÔióni;,- l'ifii-nou 4 pessoas, 706 Fóralfrexpos- prestígio em relação ao grande público. Nessa indústria, a multiplicação
t,, ,, ,, i,l,uço , sendo 55 delas afingidas póra/fas,dosagens. · ~ dos materiais e compostos químicos desenvolve-se em velocidade muito
1 lrtl ili,udu 110 Rio de Janei ro o Ccinferênci~·dns Noções un:idas·,;~ rd o Mei0AmbL: , maior do que o conhecimento sobre os reais efeitos desses produtos ou
"' ,1, " " 1l1· ~ nvolvimento (EC0-?2), em que foi produzido um do.5=u.ment9,, a Agendb poluentes sobre os indivíduos e o meio ambiente, corno ficou demonstra-
'1 111, '11JOI s eslabeleceram compromissos·dasnaçóes com ini,;iativospuegaran'-
111111 11 ·111· .t,•11tobilidade e promovam a melhpria da quolidode,de.viâa das atuais.e dos do com os problemas decorrentes do uso abusivo de agrotóxicos (DEMA-
'"''" ,,.. q 1 11oç6es . · JOROVIC, 2003 ). Pesquisas feitas nos EUA mostraram a incapacidade desse
Engenharia Químico responsável 101
10~ Engenharia Química

setor para reverter efetivamente a sua imagem perante a opinião pública por estar estreitamente ligado a este tipo de indústria, tem o dever, o com-
promisso de assumir esta responsabilidade perante a sociedade e o futuro.
(veja a Figura 10.1). Dados de pesquisa feitas em 1999 revelaram que na
Argentina e na Inglaterra só as indústrias nuclear e de tabaco recebem Este desafio enobrece a profissão.
avaliação pior que a do setor químico. A responsabilidade ética da Engenharia Química nasce da reflexão sobre
Ética em si, vendo-a sob o certo e o errado, podendo-se considerar antiético
90 tudo aquilo que pode causar algum tipo de mal ou dano às pessoas (FERREL
'
80 r-- -.::=:::±====~'-=--= =·-- -----!--:::::=-:::::::::::::::.:::.:::.:::.:::__ ~ et al., 2001 ). Todavia, pode-se estender este conceito ao _meio que cerca as
pessoas, tirando-as -do lugar cômodo de centro do m~do, para dele fazerem

:: [__-===~=~-t:~=~~=~=~-=~=~~t~:=~~=~ !
- - Computador
- - Alimentícia
· - - · Papel e Celulose
parte, bem como lhes imputando a responsabilidade de preservarem a vida,
em toda a sua extensão, seja dentro de uma organização, seja fora dela.
50 1 ---!--- '\, __,' _,,..- __J
, __.-..c"· _
'
- - - Aviação
- - Automobilística
1 l I , ,,..- ~ - - Farmacêutica
40
~ r-·······:....--j-----=:::..~ . - , : : : : : . . . .----11 - - Petróleo A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
30 --- L 1 "+•- . - - - + -- --__; •••••• Nuclear
·---~---.L! 25 I _26
···-..J1.....···-_··- 2-Õ:···-i""""""""
1
' -----· Químico Como apresentado na Figura 2.1, o meio ambiente faz parte do público de
20 ! --Tabaco
uma organização e um dos efeitos patentes e presentes atualmente na vida
10 ~--===:::t======::t====l=====~=-- _J das pessoas é o resultado, negativo (veja o Quadro 10.1 ), da tecnologia em
Oc___ _ _-'-_ __ ___.1_ _ _ _..!__ _ ___;__ _ _~ relação a este stakeholder, urna vez que a proteção ambiental é uma tarefa
1991 1992 1993 1994 1995 que está presente em todos os processos tecnológicos (ou científicos): desde
a pesquisa, passando pelo desenvolvimento, produção e aplicação dos produ-
Figura 1 0.1 Pesquisa de opinião pública favorável feita em dez setores in- tos, até a eliminação ou aproveitamento dos resíduos. A responsabilidade
dustriais (l 990- 199 5). ambiental, portanto, deve estar inserida na estratégia empRsarial na medida
(Fonte: DEMAJOROVIC, 2003) em que transformando e/manipulando matéria e/ou energia afeta a todos.
JACQUES (1995) menciona que Indústria Química é, de certo modo, LEISINGER e SCHMITT (2001) apontam alguns fatores que afetam os
"vítima de seus desenvolvimentos recentes, é como que ultrapassada por públicos de uma determinada organização:
seus próprios poderes: cada vez menos simples, ela é cada vez mais difícil de õJ A compatibilidade ambiental dos processos de produção, dos produ-
vulgárizar e cada vez menos compreendida; cada vez mais eficiente e cada tos finais e dos produtos intermediários.
vez mais presente em nosso cotidiano, ela causa medo a partir do momen- Precauções de segurança no transporte e armazenamento de materiais
to em que já não passa despercebida. Algumas poluições de que a acusam ambientalmente problemáticos.
só podem ser observadas porque os químicos desenvolveram métodos de Precauções para prevenção de acidentes durante a produção e o trans-
análise e de detecção de grande sensibilidade. E que, apesar dos fantasmas porte.
alimentados por ameaças da guerra química, um produto tóxico só se Grau de intensidade de matérias-primas e de energia da empresa.
torna uma arma entre as mãos dos que quiserem que assim seja".
Quantidade e composição do lixo.
É interessante os discursos dos autores citados nos dois últimos pará- Esforços constantes para reaproveitamento de matéria-prima.
grafos: eles mostram as faces da Indústria Química, as quais se confundem
Favorecimento de tecnologias ecoeficientes.
com as do s_er humano. A escolha do bem e do mal é a prerrogativa do
Constante verificação do status quo por meio de revisões de proteção
livre-arbítrio, o qual embasado na Ética, principalmente na Ética indivi-
dual, será a responsável por manter este planeta vivo. O engenheiro químico, ambiental e de segurança.

!
·1
Ln nharia Química Engenharia Química responsável

No setor produtivo químico, há um importante documento que se conceituando qualidade como sendo as propriedades de um produto ou
propõe a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento de serviço necessárias para satisfazer os clientes (ZACHARIAS, 2001 ). Exis-
.1111biental: Responsible Care Program®. Criado no Canadá, em 1985, pela tem as normas 9001, 9002 e 9003. A primeira assegura a qualidade total da
c;,wadian Chemical Producers Association - CCP A, e, até o final do séc. XX, operação empresarial, desde a aquisição da matéria-prima até o serviço
•n ontrado em mais de 40 países com Indústrias Químicas em operação. pós-venda do produto. A segunda assegura a qualidade total do processo
F.s lc programa inclui a segurança das instalações, processos e produtos, e a produtivo interno da fábrica. A terceira assegura a qualidade do produto
pr ª ·1-vação da saúde ocupacional dos trabalhadores, além da proteção do vendido. A ISO 14000, por sua vez, enfoca o gerenciamento do processo
m ,j ambiente, por parte das empresas do setor e ao longo da cadeia produ- com ênfase na preservação do meio ambiente, tratando de minimizar os
tivn. No Brasil, há o Programa de Atuação Responsável que possui diversos efeitos nocivos que certas atividades possam causar. As normas 14000, 14001,
c bn ·n tos contidos no Responsible Care Program®, baseados em princípios 14010, 14011 e 14012 descrevem, respectivamente: os princípios do sistema
diretivos e em códigos de práticas gerenciais. de gerenciamento ambiental; a guia de implementação do sistema; os princí-
· princípios direti,vos são os padrões éticos que direcionam a política de pios da auditoria ambiental; os procedimentos dessa auditoria; e os critérios
,1\, IO da Indústria Química brasileira em termos de saúde, segurança e meio de seleção dos auditores.
.1 111bi nte. Tais princípios estabelecem a base ética do processo, indicando as

qw·,I ·s fundamentais que devem nortear as ações de cada empresa. Já os


, 11 1 li os de práticas gerenciais são documentos destinados para definir uma
A RESPONSABIUDAD!E SOCIAL
'" 1 ll' de p ráticas, que permitem a implementação efetiva dos princípios

,1,,d ivo ' , stabelecendo os elementos que devem estar contidos nos progra- Há de se notar, pelo apresentado, a importância, para a formação do enge-
111, 1~ int rnos de saúde, segurança e meio ambiente das empresas. Os códigos nheiro químico, do desenvolvimento e o cultivo de valores morais para
.d1 1.1 ni:;c m todas as etapas do processo de fabricação dos produtos químicos, dar sustento à Ética individual e, dessa maneira, possibilitar a sua inserção
.dr111 1• tratarem das peculiaridades dos próprios produtos. no meio social, visando - sobretudo - a sua sobrevivência, assim como de
AJ m do Responsible Care Program®, existem outras normas e certi- tudo aquilo que o cerca. Dentro dos campos e áreas de atuação do engenheiro
11 , "r ·s relacionadas a ações éticas profundamente afeitas ao engenheiro químico, encontra-se a questão de ser socialmente responsável na medida
,p11111i ·o. Aqui, porém, é pertinente diferenciar certificação de norma. As em que há ações sociais ou filantrópicas, seja pelo indivíduo seja pela orga-
, ,·11ili aç es diferem-se das normas, basicamente, por conferirem atesta- nização, destinadas à comunidade no seu entorno. Torna-se, portanto,
tl,l', 1c o nformidade a um conjunto de regras que é seguido por deterrni- fundamental diferenciar Filantropia de Responsabilidade Social, a qual
11,1,l.1 o r anização, após a realização de sua verificação e da auditoria por no caso de uma organização é vista como Responsabilidade Social Empresa-
11111.1 l ·r ei ra parte do órgão certificador. Como exemplo de normas e rial (RSE). Segundo MELO NETO e FROES (2001) , a Filantropia baseia-se
, 1 lifi a ões, pode-se citar as séries ISO. no "assistencialismo", enquanto a RSE busca estimular o desenvolvimento
A rganização Internacional para Normatização (International Stan- do cidadão e fomentar a cidadania individual e coletiva. Sua ética social é
d11ul ( rga nization), conhecida como ISO, foi criada em 1947 visando a centrada no dever cívico, enquanto a Filantropia tem no dever moral sua
l.i Li li La ão da coordenação internacional e a unificação de padrões inter- ética absoluta. Além disso, uma organização não pode considerar-se social-
11.1 ...io n-is . Com o propósito de desenvolver e promover normas e padrões mente responsável somente por cumprir benefícios legais, como a distribui-
1111 111li ~1is que traduzam o consenso dos diferentes países do mundo para ção de vale-transporte, creche para filhos dos funcionários etc. (MIRAN-
f.1 ilitar o comércio internacional, a ISO estabeleceu normas, conhecidas DA, 2002). A empresa socialmente responsável deve ir além dos limites
w m série ISOs, possibilitando o credenciamento de empresas no sistema impostos pela legislação. BUENO et al. (2002 ) consideram que a RSE é um
i11l 'rnacional de Controle de Qualidade. A série ISO 9000, por exemplo, valor a ser incorporado pela cultura da empresa, na qual a Ética é a base da
1r,1ta do gerenciamento de processos sob o enfoque da gestão de qualidade, relação com todos os seus públicos .
1'04, Engenho ria Químico Engenharia Química respons v 1

Por meio desse rápido apanhado sobre RSE, podem ser observadas as Responsabilidade ética
seguintes dimensões: econômica, legal, ética e filantrópica. Essas características
A sociedade espera que as tomadas de decisões por parte da '11 11 11 ... ,
estruturam o modelo de CARROL (1979), para o qual a responsabilidade
sejam resultados de análise e reflexão ética, exigindo que as t mnd.1•, d,
social dos negócios engloba as expectativas econômicas, lega,is, éticas e discricio-
decisões sejam feitas considerando-se os efeitos das ações, h nrond n n d,
nárias que a sociedade tem da organização. Esse autor propôs um modelo
conceitual que, de certa forma, contempla o significado amplo da Responsabi- reito dos outros, cumprindo deveres e evitando prejudicar o o ulfo.
lidade Social Empresarial, o qual está representado na Figura 10.2.
Responsobilidade filantrópico

A sociedade espera que a empresa contribua com recursos para a 111u 111

dade, visando à melhoria da qualidade de vid a.


As organizações simplesmente não esquecem o lucro, pois, com o 1 , ,··,
suposto por CARROL (1979), isto faz parte da RSE. As empresas carr gc1111
consigo o lucro como necessidade primeira e, em muitos casos, últinw 1
Legal grande questão é o preço do lucro ou o lucro responsável. Em send ass i111
afloram algumas questões: para ter esse lucro, funcionários são demiti lm
ou perseguidos? Há trabalho infantil ou degradação do m eio arnbi ·111 ,·
decorrente do processo produtivo? O que a sociedade espera é a insC l'\,l(1
no espírito empresarial de outras necessidades muito mais humanas.

Figura 10.2 Pirâmide da RSE de CARROL.


O NOVO PROFISSIONAL DE ENGENHARIA QUÍMICA

Na estrutura ilustrada na Figura 10.2, a RSE é vista sob diversas di- Tendo em vista o apresentado neste capítulo, -0 engenheiro químico, consi
mensões de respo nsabilidades assim descritas: derando a especificidade do seu campo e área de atuação, está cada vez 111 :IÍ !,
e diretamente envolvido com o todo que o cerca (veja a Figura 2.1). A so ll'
Responsobmdade- econômica dade, dessa forma, espera as seguintes características desse profissional:

A sociedade espera que os negócios realizem lucros. Os negócios têm res- o A consciência de que ações individuais, técnicas e gerenciais afct,1111.
ponsabilidade de natureza econômica pois, primeiramente, a instituição direta e indiretamente, a vida das pessoas e do meio que as cerc,1.
dos necrócios
t,
é a unidade econômica básica da nossa sociedade, e como tal o Desenvolvimento e aprimoramento de valores morais, pois som ei11 1•
tem a responsabilidade de produzir bens e serviços que a sociedade deseja. a determinação das pessoas de agir com ética pode garantir o co111
portamento ético de uma organização.
Responsabmdade legal O: Conhecimento da Lei (trabalhista, ambiental etc.) e de normas regu
A sociedade espera que os negócios obedeçam às Leis, para ter acesso a ladoras (Atuação Responsável, IS0s 9000 e 14000 etc.).
produtos que tenham padrões de segurança e obedeçam a regulamenta- ô1 Envolvimento proativo na comunidade, usando ou não as suas habi -
ções ambientais estabelecidas pelo governo . lidades técnica e conceitua!.
1
:ti.
r1
1 061 Engenharia Química _ __ _ _ _ _ _ ___ _ _ _ _ _ _ _ __ E
_n...;gc..e_n_h_a_ri_o_Q_ uí_rn_i_ca_ re_sc..p_o_n_sa_'v_e_l_-"'.:;~

Tendo como base a Figura 10.2, pode-se traçar as seguintes expectati- Ao estabelecer tais requisitos e comungá-los com as habilidades dese-
vas da sociedade para com o engenheiro químico, por meio das seguintes jadas ao engenheiro químico (veja a Figura 1.1), pode-se construir um
dimensões de responsabilidade: modelo, o qual poderíamos denominar de "hábil responsável", dentro do
qual há elementos de responsabilidade social para atender as expectativas
R sponsabilidade individual do público no seu entorno em um ambiente socialmente responsável. Tal
modelo é ilustrado na Figura 10.3.
A sociedade espera que o profissional tenha e exerça os seus valores pessoais
com efetividade, eficiencia e eficácia.

_ ponsabilidade técnica

A sociedade espera que o profissional seja capacitado a desenvolver, ab-


orver e aplicar Ciência e Tecnologia, estimulando a sua atuação crítica e
criativa na identificação e solução de problemas, considerando seus
aspectos políticos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e
humanística, em atendimento às expectativas dos stakeholders.

ponsabilidade legal

A sociedade espera que as atividades desse profissional produzam serviços


( processos e/ou produtos) que tenham padrões de segurança e obedeçam •
,,,~
k, .

;:i leis ambientais, entre outras leis. Figura 10.3 Dimensões de habilidades e responsab il idades poro o
engenheiro químico.

R ponsa bilidade éfü:c


CONCLUSÃO
A sociedade espera que as tomadas de decisões por parte desse profissional
cjam resultados de análise e reflexão ética, exigindo que as tomadas de A partir do instante em que o engenheiro químico esteja cônscio de suas
lecisões sejam feitas considerando-se os efeitos das ações, honrando o di- habilidades e responsabilidades, as suas ações tornam-se proativas dentro
reito dos outros, cumprindo deveres e evitando prejudicar os atores inter- da sua organização, principalmente quando esse profissional se vê em car-
n e externo à organização, fundamentado no respeito aos valores mo- gos de decisões, fazendo com que a própria empresa absorva as habilida-
rais, por meio do exercício constante da sua habilidade humana. des e competências positivas de seus gestores.
É fundamental a busca da compreensão das dimensões estabelecidas na
Figura 10.3 por meio da urgência para atender as diversas necessidades relacio-
R sponscbfüdade sedai nadas às atividades do engenheiro químico. Não é difícil, portanto, perceber que
a natureza da Engenharia Química transcende ao aspecto técnico, pois o seu
A sociedade espera que esse profissional, enquanto dotado de decisão es-
profissional- além de ser responsável por aquilo que desenvolve (produto e/ou
tratégica na organização e ciente das suas habilidades técnica e conceitual,
processo), deve ter uma formação que o permita gerenciar diversos aspectos,
contrib ua com recursos e/ou conhecimento para a comunidade, visando a
principalmente o humano. O engenhe:iro químico que se precisa para o séc.
melhoria da qualidade de vida. XXI é um ser hábil, responsável e compromissado com o bem-estar de todos.
lOS; Engenharia Químico

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isto tem a ver com a Engenharia? Exemplifique.
HIRIGOYEN, M-F. Mal-estar no trabalho . Trad. R. Janowitzer. Rio de Janeiro: Editora
Bertrand do Brasil. 2002. 1.2 É possível afirmar que, hoje em dia, se busca o "engenheiro cientisl,1" /
JACQUES, J. Um olhar sobre a Química Moderna. ln: Ciência e Tecnologia Hoje. Org. N. Por quê? Exemplifique.
Witkowski. Trad. R.L. Ferreira. São Paulo: Editora Ensaio. 1995.
1. 3 Construa um esquema para as Engenharias Civil, Elétrica, Mecânjc:1 <'
LEISINGER, K.M.; SCHMITT, H. Ética empresarial. Trad. C. A Pereira. Petrópolis: Editora
Química a partir das competências e habilidades gerais do engenheir .
Vozes. 200 l.
É possível surgir sub-ramos desses ramos de Engenharia? Mostre (Su
LL!VIA, A. ·o. R. Ética global. São Paulo: Iglu Editora. 1999.
MELO NETO, F.P; FROES C. Gestão da Responsabilidade Social Corporativa: O caso
gestão: construa uma "árvore genealógica" para cada engenharia).
brasileiro. Qualityrnark: Rio de Janeiro. 2001. 1. 4 Construa um quadro semelhante ao Quadro 1.1 para os segui 1 l ç :I
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llOl Engenharia Química Apêndice A - Exercícios propostos

Capítulo 2 químico direcionada para:


a) Engenharia de processos.
2.1 Assuma que a sua profissão seja a de um cafeteiro que tem por obri-
b ) Engenharia ambiental.
gação conhecer todas as etapas para fazer cafezinho. Construa uma
figura semelhantes à Figura 2.2 para descrever a sua atividade. Es- c) Vendas técnicas.
tabeleça os seus stakeholders, bem como descreva detalhadamente 3.5 Construa a grade curricular do seu curso de graduação em Engenha-
o processo de fazer o cafezinho e o instrumental necessário para ria Química tendo como modelo os organogramas apresentados
tanto. no Capítulo 3. Construa quadros semelhantes aos do Apêndice B,
2.2 Descreva o seu dia, desde o levantar-se até o deitar-se, utilizando-se onde constem ementas das disciplinas do seu curso.
de produtos oriundos do campo e da área de atuação do engenhei-
ro químico.
2.3 O que faz um engenheiro químico? Como ele se difere de outros Capítulo 4
profissionais de Engenharia? Qual a diferença dele com os profissio-
nais de Química, Química Industrial e Engenharia Industrial? 4.1 Como se classifica uma usina de açúcar que também produz álcool
2 .4 Qual a importância do engenheiro químico? Quais foram as con- etílico? É uma Indústria Química? Faça a mesma análise para a In-
tribuições da sua profissão no séc. XX para a humanidade e o que dústria do petróleo.
ele pode fazer para o séc. XXI? 4. 2 Tendo em vista que a CNAE promove o enquadramento de produ-
2 .5 Avalie a afirmação: "para definir a profissão do engenheiro químico, tos químicos por atividades, procure identificá-los, de acordo com
torna-se necessário vê-lo de modo sistêmico e não como um simples a Divisão 24, como commodities, pseudocommodities, produtos
especialista inserido no setor químico". de quLT..ica fi.11a ou especialidades químicas, segundo as caracterís-
ticas apresentadas no Quadro 4.1.
4.3 O que significa produto químico? Cerveja, aguardente, remédio
para dor de cabeça e perfume podem ser considerados produtos quí-
CQpitulo 3
micos? E as indústrias que os produzem, são químicas? Como elas
3 .1 Tendo como base o Apêndice B, explique o que vem a ser as Operações podem ser classificadas de acordo com o Quadro 4.1? Elabore a sua
Un itárias. resposta pontuando os produtos citados nesta questão.
3 .2 Analisando a Figura 3.8, procure interpretar as diferenças entre: 4.4 Considere o seguinte texto: A pimenta-longa (Piper h.ispidinervium
C. DC.) é um arbusto encontrado na região amazônica, que forne-
a) Análise química por via seca e por via úmida.
ce óleo essencial rico em safrol. Atualmente, os dois maiores empre-
b) Estocagem física e química.
gos do safra/ natural é a sua conversão química em heliotropina,
c) Processos físico e quúnico. um fixador de fragrância; e em butóxido de piperonila, um agente
d) Conformação e embalagem. sinergístico estabilizador do pyrethrum, cuja formulação consti-
e) Rejeitas primário e industrializado. tui-se em um inseticida natural, biodegradável, usado no armaze-
3 .3 Qual é a importância da área de Gestão Organizacional para a for- namento e na conservação de alimentos. Identifique:
mação do engenheiro químico? Exemplifique. a) Os tipos de indústrias envolvidos em cada etapa do processo
3.4 Considerando o Quadro 2.6, construa uma árvore semelhante à re- produtivo.
presentada na Figura 3.10, considerando a formação do engenheiro b ) Os tipos de Indústrias Químicas, por produto, segundo a NCM.
1
!'21
:.!!
;n c_~ Engenharia Química Apêndice A - Exercícios propostos

c) Os segmentos da Indústria Química de acordo com a CNAE. 6.5 Discuta os processos de globalização, da concentração, da especia-
d) Produtos químicos de acordo com o Quadro 4.2. lização e da descentralização geográfica na Indústria Química.
Como tais processos se aplicam ao Brasil?
4.5 Quais os produtos mais comuns, oriundos da Indústria Química,
que você utiliza no seu dia a dia?

Capítulo 7
Capítulo 5 7 .1 Analise, baseado em fatos históricos, a seguinte frase: "Consideran-
5 .1 Comente a seguinte afirmação do antropólogo Herskovitz: "O his- do os primórdios do processo industrial, verifica-se que o Brasil
toriador da Pré-História não estuda culturas, mas indústrias". sempre esteve atrelado à política de colonização econômica" . Essa
5 .2 Faça uma pesquisa sobre a Revolução Agrícola, comparando-a com colonização deu-se até quando? Exemplifique.
a Revolução Industrial. 7.2 Alguns autores consideram Rui Barbosa um grande intelectual,
5 .3 Estabeleça diferenças e semelhanças entre as diversas fases da indús- porém um péssimo economista? Você concorda? Qual é a impor-
tria. Existe tecnologia em todas? Exemplifique. tância de Rui para a história da industrialização no Brasil?
5 .4 Quais são as características da Revolução Industrial? Como pode- 7.3 Apesar de a Figura 7.1 ter sido construída para nos dar noção do
ríamos classificar um país como "atrasado"? Esta "revolução" atin- comportamento da indústria de transformação no Brasil, como
giu somente o processo produtivo das nações? ela poderia estar relacionada às atividades do engenheiro químico?
5 .5 Imagine que estejamos atravessando a 3ª Fase da Revolução Indus- Afinal, por que é difícil construir uma figura semelhante para, espe-
trial e, nos moldes do Quadro 5.1, descreva cinco descobertas, cificamente, Indústria Química?
processos ou invenções que marcaram a humanidade a partir de 7.4 Qual P ~ r~r~rtPríi;:tira básica do desenvolvimento da Indústria
1945 até o ano 2000. Exemplifique. Química brasileira na década de 1960? Baseado nos produtos ex-
portados e importados analise a seguinte afirmação : "Até o final da
década de 1960 o Brasil era, basicamente, um país exportador de
Capitulo 6 matérias-primas e de produtos agrícolas, que alcançavam preços
6 .1 Por que a Revolução Industrial foi determinante para o nascimento bem inferiores aos manufaturados e máquinas produzidos por na-
da Indústria Química moderna? Não havia este tipo de indústria ções plenamente industrializadas".
antes? Exemplifique. 7. 5 O Proálcool fo i decisivo como alternativa tecnológica brasileira
6.2 Em se tratando de origens, qual é a diferença fundamental entre as para a substituição do petróleo . Qual a semelhança que esse pro-
indústrias alemã e americana? Desenvolva a sua resposta conside- grama guarda com a utilização do carvão pela indústria alemã, e
rando apenas um fator diferencial. do petróleo pela indústria americana no início da 2ª fase da Revolu-
6.3 O empreendedorismo é fundamental para o desenvolvimento de ção Industrial?
uma tecnologia e mesmo de um país. Como isto pode ser interpre-
tado ao longo da história da Indústria Química?
6. 4 Cite três utensílios relativos às Idades das Pedras e dos Metais, bem Capítulo 8
como a sua aplicação no cotidiano daquelas Eras. Há alguns deles
que ainda utilizamos em termos de concepção? Por que o séc. X,"'( 8.1 Qual é a diferença histórica básica entre os modelos alemão e norte-
atravessou a Idade do Plástico? Qual seria a próxima Idade da huma- americano dos profissionais que trabalham no setor químico no
nidade? Exemplifique. final do séc. XIX?
1
,::.'1 -~

1'.t41 Engenharia Química Apêndice A - Exercícios propostos


E~-~
8.2 Se a Engenharia Química é assim tão importante, por que os ale- 10.3 Pesquise e reflita sobre o que vem a ser Assédio Moral.
mães conseguiram ser a primeira potência mundial no setor quími- 10.4 Por que as empresas devem ser éticas? Dá lucro ser ética? Explique.
co, até a Segunda Guerra Mundial, sem a presença do engenheiro 10.5 O que vem a ser Responsabilidade Social Empresarial? A empresa
químico em suas fábricas? que exerce filantropia é socialmente responsável?
8.3 Por que o sonho de Davis foi realizado nos Estados Unidos e não na 1 O. 6 Por que o engenheiro químico deve ser ético? Qual o reflexo de suas
Inglaterra, sendo esta o berço da Revolução Industrial? ações no meio ambiente? Tome o Quadro 10.l para balizar sua
8.4 Com a passagem do domínio das Operações Unitárias para o dos resposta.
Fenômenos de Transporte, salientou-se uma preocupação maior
1 O. 7 Por que a Ética torna-se necessária e diz respeito ao futuro da exis-
com a Ciência em relação à Tecnologia. Neste sentido, qual é a
tência humana no planeta?
diferença entre a Tecnologia e Ciência da Engenharia Química?
1 O. 8 No Quadro 10.1 constata-se o acidente ambiental provocado pela
8.5 Analise criticamente a seguinte afirmação: "Com o advento da
Indústria Cataguazes, em 2003. Pesquise a natureza e a consequência
nanologia, há uma tendência de a Engenharia Química se voltar ao
do acidente e faça uma análise crítica do caso tendo como base o
desenvolvimento de produtos altamente especializados levando,
Responsible Care Program ®.
com isto, a uma revisitação à sua história desde seus pri...TJ1órdios".
10.9 Ao estudar um determinado acidente ecológico causado por uma In-
dústria Química, um grupo de alunos formulou o seguinte: Todo o
Capítulo 9 ocorrido mostrou a importância da avaliação prévia de impactos
ambientais, fator crucial para a realização de qualquer projeto in-
9.1 Como se insere a Engenharia Química no Brasil, de 1880 a 1920, no dustrial. Um engenheiro químico deve ter, portanto, princípios
contexto mundial da história da Engenharia Química em período éticos e consciência de que atitudes e decisões interferem no desen-
semelhante? volvimento da sociedade e na manutenção do meio ambiente. Per-
9.2 Por que a Química Industrial foi criada antes da Engenharia Quí- gunta-se: a análise dos alunos está fundamentada em alguma N ar-
mica no Brasil? Procure responder tendo como ponto de partida os ma (ISO 14000, Responsible Care Program®) ou foi "achismo"?
modelos alemão e norte-americano. Discuta a sua resposta com embasamento teórico.
9.3 Faça uma análise crítica e comparativa entre o desenvolvimento da 1 O.1 O Quais as características e habilidades do engenheiro químico espera-
Engenharia Química no Brasil e nos Estados Unidos, tendo como das pela sociedade? Como você pode desenvolvê-las a partir de hoje?
base o período de 1920 a 1960.
9.4 Nomeie e caracterize, sucintamente, os períodos da história da En-
genharia Química no Brasil, associando-os à curva de aprendizado
presente na Figura 9.2.
9.5 Descreva a história da sua escola de Engenharia Química, incluin-
do-a no contexto nacional.

Capítulo 1 O

10.1 Por que se torna importante a retomada da Ética hoje em d.ia?


10.2 Por que o respeito a empregados é essencial para a Ética empresarial?
-,,
1

11 6 Engenharia Química Apênd ice A - Exercícios prop?s_!:l_s 11 7

QUESTÕES DE MÚ LTIPLAS ESCO LHAS d) Relacionamento humano proativo, executar atividade espeu fit.,1,
pensar em termos de modelos, estruturas e amplas interligaçc) •~.
Assinale a alternativa correta
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
OI) De modo genérico, trata-se da essência da Engenbaria a capacidade de:
05) Trata-se de área de atuação do engenheiro químico:
a) Avaliar criticamente a operação e a manutenção de sistemas.
a) Manutenção periódica de máquinas de fiação , tecelagelll , 111 ,1
b) Calcular e resolver problemas de Engenharia. lharia e tingimento.
e) Criar e modificar as coisas. b) Pesquisa de reservas da agricultura, da pecuária e da pes o.
d) Planejar e coordenar projetos e serviços de Engenbaria. c) Prospecção de riquezas do solo e do subsolo, tais como min::ts d ·
e) Nenhuma das alternativas anteriores. carvão e reservas de petróleo.
02) Considere as seguintes características: comunicar-se eficientemente nas d) Desenvolvimento de técnicas para reduzir e recuperar rnatcriai•,
formas escrita, oral e gráfica; atuar em equipes multidisciplinares; com- úteis a partir de rejeitos industriais.
preender e aplicar a ética e responsabilida de profissional; avaliar o e) Todas as alternativas anteriores.
impacto das atividades da Engenharia no contexto social e ambiental;
06 ) São produtos resultantes das áreas e caiupos de atuação do en' ·
assumir a postura de permanente busca de atualização profissional.
nheiro químico:
Tais características dizem respeito a qual ramo de Engenharia:
a) Álcool, gasolina, óleo diesel, lubrificantes.
a) Engenharia Civil.
b ) Antissépticos, anestésicos, antitérmicos, certos antib ióticos.
b) Engenharia Elétrica.
c) Borracha sintética, tinta, cal, cimento.
c) Engenharia Mecânica.
d) Detergentes, desinfetantes, ceras, sabões.
d) Engenharia Química.
e) Todas as alternativas anteriores.
e) Todas as alternativas estão corretas.
07) De acordo com BARATELLI Jr. (1995), entre as atividades técni ;1,
O3) Espera-se que o engenheiro apresente um perfil oriundo de que tipo
de um engenheiro químico na Indústria do petróleo, na ár a 1·
de formação?
desenvolvimento de produtos, pode-se dizer:
a) Específica, técnica, acrítica e conclusiva.
a) Operação e acompanhamento de unidades industriais; pes uisa
b ) Generalista, técnica, acrítica e reflexiva.
e avaliação de unidades industriais; controle ambiental e segurança
c) Específica, humanista, crítica e conclusiva. industrial.
d) Generalista, humanista, crítica e reflexiva. b) Projeto de facilidades para produção de petróleo e de unid ade~
e) Nenhuma das alternativas anteriores . de processamento de gás natural; pesquisa de processos de recup ·
04) As habilidades humana, conceitua! e técnica referem-se, respecti- ração secundária de petróleo; operação e acompanhamen to d •
vamente, a: processamento de gás natural.
a) Executar atividade específica; pensar em termos de modelos, es- c) Planejamento da produção de petróleo e de produtos; distrib ui
truturas e amplas interligações; relacionamento humano proativo. ção de petróleo e de produtos; escoamento e armazenamento
b ) Relacionamento humano proativo; pensar em termos de mode- petróleo e de produtos.
los, estruturas e amplas interligações; executar atividade específica. d) Pesquisa de mercado; desenvolvimento de mercado; assistênci,1
c) Pensar em termos de modelos, estruturas e amplas interligações; técnica ao cliente.
executar atividade específica; relacionamento humano proativo . e) Nenhuma das altern ativas ante iores.
1
::li,,.
1 1 li En e nharia Química _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Apêndi~ A - Exercícios propostos )~i9

08) O craqueamento catalítico está associado a qual área de atividades d) Biotecnologia, Controle e Automação.
do engenheiro químico na Indústria do petróleo? e) Todas as alternativas anteriores.
a) Produção de petróleo e de gás natural. 12) São disciplinas que compõem os Fenômenos de Transporte:
b) Refino de petróleo, petroquímica e fertilizantes . a) Mecânica dos Fluidos, Transferência de Calor e Transferência de
c) Comercialização de petróleo, petroquímica e fertilizantes. Massa.
d) Desenvolvimento de produtos. b ) Separação Mecânica, Operações Energéticas e Operações de
e) Todas as alternativas· anteriores. Transferência de Massa.

o) São consideradas conquistas importantes da Engenharia Química c) Processos Inorgânicos, Processos Orgânicos e Processos Biotec-
no séc. XX:: nológicos.

a) Borracha e fibras sintéticas. d) Química Inorgânica, Química Orgânica e Análise Instrumental.

b) Gases puros e conversores catalíticos. e) Nenhuma das alternativas anteriores.

c) Medicamentos e isótopos radioativos. 13 ) São considerados Fundamentos da Engenharia Química:

d) Produtos petroquímicas e plásticos. a) Ciências e Tecnologias da Engenharia Química.

e) Todas as alternativas anteriores. b) Fenômenos de Transporte e Operações Unitárias.

1O) É considerada uma tendência de área de atuação do engenheiro


c) Cinética e Reatores Químicos.
q uímico : d) Operações e Processos Químicos.
a) Adaptação de processos químicos ou desenvolvimento de novos e) Todas as alternativas anteriores.
processos para a produção em larga escala de bioplástico, visando 14) As Operações Unitárias evaporação, filtração e secagem são encon-
a substituição de plásticos oriundos da Indústria petroquímica. tradas nas indústrias de:
b) Operação de unidades de separação óleo-água-gás na produ ção a) Adesivos e selantes.
de petróleo e de gás natural em substituição à produção de coque a b) Cerveja e antibióticos.
partir do carvão.
c) Refino de petróleo.
c) Produção de fertilizantes, tendo como base a fixação do nitrogê-
d) Sabão e perfumes.
nio presente no ar e da incorporação do potássio e do fósforo na
e) Todas as alternativas anteriores.
sua composição em substituição à cinza oriunda da queimada de
florestas. 1 5) As funções básicas da Administração são:

d) Produção de drogas rnicroencapsuladas para administração con- a) Diagnóstico; desenvolvimento; previsão; qualidade.
trolada de princípios ativos em substituição a drogas líquidas diluí- b) Prognóstico; envolvimento; ação; responsabilidade.
das em solventes alcoólicos. c) Planejamento; -organização; direção; controle.
e) Todas as alternativas anteriores. d) Negócio; aperfeiçoamento; delegação; marketing.
11) São consideradas Ciências da Engenharia Química: e) Nenhuma das alternativas anteriores.
a) Termodinâmica, Fenômeuos de Transporte e Cinética Química. 16) Entende-se por processo:
b) Matemática, Física e Química. a) Deseuvolvimento de instrumentos que permitam saber em que etapa se
e) Operações Unitárias, Processos Químicos e Reatores Químicos. está na produção de mn determinado bem de consumo (ou de serviço) .
Apêndice A - Exercícios propostos 121
r211, Engenharia Química
---·--~ --· -----·-------~----·----·
b) Conjunto de atividades realizadas em uma sequência lógica com para a posterior fabricação dos produtos citados nesta questão d i
o objetivo de produzir um ou mais bens de consumo (ou de servi- zem respeito a quais tipos de indústrias, respectivamente:
ço ) para atender as necessidades dos stakeholders. a) Base e de produção.
c) Integração das equipes de projeto, tanto ho1izontal quanto vertical- b ) Leve e de produção.
mente, por meio de relações de autoridade e sistemas de informação. e) Base e de ponta.
d) Trata-se de uma mediação entre o conhecimento e a ação, com o d) Pesada e de capital.
suporte de recurso. Refere-se a uma estimativa de impacto no futu- e) Nenhuma das alternativas anteriores.
ro das ações adotadas no presente.
19) Na Indústria petroquímica, o etileno é um produto de:
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
a) Refinaria.
17) Tem-se como definição de fluxograma de processamento químico:
b) Primeira geração.
a) Sequência necessária para definir exatamente as características
c) Segunda geração.
do produto; a concepção da fábrica; projeto básico em que se esta-
belecem fluxo de produção, tipos de equipamentos e processos/ope- d) Terceira geração.
rações unitárias e as suas características operacionais; e layout da e) Nenhuma das alternativas anteriores.
fábrica e o aspecto econômico; balanços de massa e de energia, mo- 20) De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômi ;,
vimentação de materiais, diagramas de tubulações. (CNAE), Divisão 24, as Indústrias Químicas relativas à produçao
b) Sequência adotada para levantar parâmetros do empreendimen- de catalisadores dizem respeito à fabricação de:
to industrial, abrangendo: estudo de mercado, de localização, defi- a) Tintas, vernizes, esmaltes, lacas e produtos afins.
nição de tecnologia e caracterização do processo produtivo e a de- b) Produtos químicos inorgânicos.
finição preliminar de investimento e captação de recursos.
c) Produtos químicos orgânicos.
e) Sequência suficiente para realizar a pesquisa de mercado para
d) Produtos e preparados químicos diversos.
viabilizar a compra de equipamentos e suprimentos necessários à
e) Todas as alternativas estão corretas.
instalação industrial, nos quais estão envolvidos a qualidade, prazos
de pagamento e de entrega e garantia. 21) Gases industriais, aromatizantes e corantes, sendo os dois últirn s
produzidos em pequenas quantidades, dizem respeito às seguinl c~
d) Sequência coordenada das conversões químicas e das operações
classes de produtos químicos, respectivamente:
unitárias, expondo, assim, os aspectos básicos do processo quími-
co. Indicam os pontos de entrada das matérias-primas e da energia a) Commodities, química fina e especialidade.
necessária às etapas de transformação e também os pontos de re- b) Química fina, pseudocommodities e especialidade.
moção do produto e dos subprodutos. c) Especialidade, commodities e pseudocommodities.
e) Nenhuma das alternativas ameriores. d) Pseudocommodities, química fina e commodities.
18 ) Considere o seguinte enunciado: O eucalipto citriodora (Eucalyptus e) Nenhuma das alternativas anteriores.
citriodora) é uma árvore cultivada no Estado de São Paulo. Das A história da indústria, pode ser vista - classicamente - por mei ,
22 )
suas folhas é possível extrair um óleo essencial rico em citronelal, o
respectivamente, das seguintes fases:
qual é indispensável na fabrica ção de alguns produtos, como: cre-
a) Artesanato, maquinofatura, manufatura.
mes dentais, desinfetan tes, antibactericida, repelentes e pe1fumes.
A obtenção do óleo essencial e a conversão química do citronelal b ) Maquinofatura, artesanato, manufatura.
122 Engenharia Química Apênd ice A - Exercícios propostos

c) Artesanato, manufatura, maquinofatura. 27) Segundo WONGTSCHOWSKI (2002 ), os principais motivadores


d) lviaquinofatura, manufatura, artesanato. para as transformações ocorridas no final do séc. XX para Indús-
e) Nenhuma das alternativas anteriores. tria Química foram:

2 3) Foram setores determinantes para o início da Revolução Industrial: a) A globalização, a dispersão, a massificação e a descentralização
geográfica.
a) Tear mecânico, metalurgia e máquina a vapor.
b) A democratização, a concentração, a especialização e a centraliza-
b) Petróleo, tear mecânico e metalurgia.
ção geográfica.
c) Máquina a vapo r, petróleo e tear mecânico.
c) A globali~ação, a concentração, a especialização e a descentrali-
d) Metalurgia, máquina a vapor e petróleo.
zação geográfica.
e) Todas as alternativas estão corretas.
d) A democratização, a dispersão, a massificação e a centralização
24) São fenômenos característicos da 2ª Fase da Revolução Industrial: geográfica.
a) Progressos na agricultura, com a produção de adubos, melhores e) Nenhuma das alternativas anteriores.
grades e arados, invenção da debulhadora e da ceifadeira mecânica.
28 ) É considerado como o marco para o setor químico brasileiro:
b) Revolução nos transportes e nas comunicações, com a invenção
a) A instalação em 1520 do primeiro engenho de açúcar, sendo este
da locomotiva, do navio a vapor e do telégrafo.
a primeira atividade de transformação de matéria-prima em um
c) Invenção do descaroçador de algodão e consequente desenvolvi-
produto viável economicamente em nosso país.
mento da Indústria Têxtil.
b ) A instalação em São Paulo da Fábrica de Productos Chimicos de
d) Uso do coque para a fundição do ferro; a produção de lâminas
Luís de Queiroz & C. em 1895.
de ferro e a produção do aço em pequena escala.
c) Fundação em 1905 do Moinho Santista que, futuramente, am-
e) Nenh uma das alternativas anteriores.
pliou a sua atuação na área industrial química com a instalação,
5) Foi fator determinante para o nascimento da Indústria Química em 1934, da Sanbra e da Tintas Coral em 1936.
moderna:
d ) A instalação em 1911 da Bayer do Brasil.
a) Os antigos egípcios, com o emprego da alizarina, um corante
e) Todas as alternativas estão corretas.
vermelho natural.
29) A importância da criação do Grupo Executivo da Indústria Química
b) Carother, com a obtenção da borracha sintética.
( Geiquim), em 1964, reside no fato de este ser o primeiro instrwnent
c) Perkin, com o descobrimento por acaso da malva.
de coordenação voltado especialmente para a Indústria Química no
d) Haber, com a revolucionária síntese direta da amônia. Brasil. Neste instrumento, cabe citar o Decreto n. 55.759, que apresen-
e) Todas as alternativas estão corretas. tava como metas:
2 6) O naylon, o teflon e o polietileno linear de alta densidade foram a) Contribuir para fortalecer o empresário nacional e para a disse-
descobertos, respectivamente, por: minação da propriedade do capital de empresas.
a) Roy Plunket, Wallace Carother e Giulio Natta. b ) Con tribuir para o aperfeiçoamento e disseminação da técnica,
b) Karl Ziegler, Giulio Natta e Roy Plunket. da pesquisa e da experimentação e para alterar as disparidades re-
c) Giulio Natta, Karl Ziegler e Wallace Carother. gionais do nível de desenvolvimento.
d) W allace Carother, Roy Plunket e Karl Ziegler.
i c) Ampliar unidades já existentes e melhorar a produção.
e) Nenhuma das alternativas anteriores. 1 d) Dar preferência aos projetos que dispensassem ou e.c'Cigissem me-
1
L
124: Engenharia Químico
·'-'""-·--=--------------------·---- - - - - - - - - -
_______________ ______ ___ __,__
Apêndice A ........,_........,_
- Exercícios propostos 125i

nor grau de apoio governamental por via de financiamento, inves- 34) O primeiro curso de Engenharia Química no Brasil foi criado em
timento ou garantia. que universidade?
e) Todas as alternativas estão corretas. a) IME.
30 ) Na última década do séc. XX, o segmento da Indústria Química b ) UFPR.
brasileira que apresentou o maior faturamento foi o de: c) UFRJ.
a) Adubos e fertilizantes. d) UFBA.
b ) Higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. e) Nenhuma das alternativas anteriores.
c) Produtos químicos de uso industrial. 35) O reconhecimento da profissão de engenheiro químico no Brasil ocorreu:
d) Tintas, esmaltes e vernizes. a) No final da década de 1930.
e) Nenhuma das alternativas anteriores. b ) No início da década de 1940.
3 1) É válido dizer que, no final do séc. X,"'(, o setor químico brasileiro c) No final da década de 1950.
apresentou, em relação à sua balança comercial: d) No início da década de 1960.
a) Déficit de US$ 1 bilhão.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
b) Superávit de US$ 1 bilhão. 36) A fase de crescimento da criação de cursos de graduação Engenh a
c) Déficit de US$ 10 bilhões. ria Química no Brasil ocorreu entre as décadas:
d) Superávit de US$ 10 bilhões. a) 1900-1920.
e) Nenhuma das alternativas anteriores. b) 1920-1950.
3 2) A fundação da primeira associação de engenheiros químicos no c) 1950- 1980.
mundo, assim como a sistematização dos conceitos de Operações d) 1980-2000.
Unitárias, empregando-as como disciplinas e que revolucionaram
e) Nenh uma das alternativas anteriores.
o ensino da Engenharia Quúnica foram propostas, respectivamente,
por quem e em que ano? 37 ) Tratou-se de um Encontro que objetivava a melhoria e a qualidad ·
do ensino de Engenharia Química no Brasil:
a) Arthur Little, em 1880; George Davis, em 1915.
a) ENBEQ.
b)" George Davis, em 1880; Arthur Little, em 1915.
b) ENEMP.
c) Arthur Little, em 1887; George Davis, em 1921.
c) ENCIT.
d) George Davis, em 1887; Arthur Little, em 1921.
d) ENPROMER.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 3) O estabelecimento da profissão de Engenharia Química, principal-
mente nos EUA, deu-se no período: 38) Trata-se de consequência do nascimento da Indústria Química
moderna, cuja falta de controle gera a natureza antiética associad a
a) 1850-1880.
ao processo produtivo:
b) 1880-1915.
a) Advento da máquina em s ubstituição ao ser hum ano e
c) 1915-1960.
consequente perda em relação à habilidade humana de inter-rela-
d) 1960-2000. cionamento; muitos trabalham sem condições mínimas para tal,
e) Nenhuma das alternativas anteriores. para lucros de poucos.
.,,.~:?-
126 En genharia Químico Apênd ice A - Exercícios propostos ·12·7l
1- ..J

b) Aumento do poder econômico de poucos com o aumento da d) Gerenciamento de processos sob o enfoque da gestão de qualida-
escala de produção. Produzir mais, gastar de menos. de, conceituando qualidade como sendo as propriedades de um
c) Nascimento e crescimento de indústrias de transformação e produto ou serviço necessário para satisfazer os clientes.
consequente aumento da utilização de combustíveis fósseis para e) Todas as alternativas estão corretas .
gerar energia o suficiente e assim aumentar a produção. 42) As dimensões de Responsabilidade Social Empresarial, segundo
d) As três alternativas anteriores estão corretas. Carrol, são :
e) Nenhuma das alternativas anteriores. a) Econômica, legal, técnica e filantrópica.
39) O vazamento de 41 mil toneladas de meti! isocianato da Union Carbide, b) Econômica, ambiental, ética e filantrópica.
que ocasionou a morte de mais de duas mil pessoas, ocorreu em: c) Econômica, legal, ética e filantrópica.
a) Donora, EUA. d) Econômica, ambiental, técnica e filantrópica.
b ) Bhopal, !ndia. e) Todas as alternativas estão corretas.
c) Flexborough, Inglaterra. 43) As tornadas de decisões devem ser feitas considerando-se os efeitos das
d ) Oppau, Alemanha. ações, honrando o direito dos outros, cumprindo deveres e evitando
e) Nenhuma das alternativas anteriores. prejudicar o outro. Esta responsabilidade também inclui a procura da
4 O) Os códigos de práticas gerenciais que abrangem: segurança de pro- justiça e equilíbrio nos interesses dos stakeholders. Esta dimensão é
cessos; saúde e segurança do trabalhador; proteção ambiental; trans- caracterizada, de acordo com Carrol, por Responsabilidade:
porte e distribuição; diálogo com a comunidade e preparação e a) Ética.
atendimento a emergências; gerenciamento do produto, são carac- b) Econômica.
terísticas de: c) Ambiental.
a) SA 8000. d) Técnica.
b ) ISO 14000. e) Nenhuma das alternativas anteriores.
c) ISO 9000. 44) A sociedade espera as seguintes características do engenheiro q1úmico:
d) Responsible Care Program®. a) A consciência de que ações pessoais, técnicas e gerenciais afetam,
e) Nenhuma das alternativas anteriores. direta e indiretamente, a vida das pessoas e do meio que as cerca.
41) A série ISO 9000 diz respeito ao: b) Desenvolvimento e aprimoramento de valores morais, pois so-
a) Gerenciamento do processo com ênfase na preservação do meio mente a determinação das pessoas de agir com ética pode garantir o
ambiente, tratando de minimizar os efeitos nocivos que certas ati- comportamento ético de uma organização.
vidades possam causar. e) Conhecimento da Lei e de normas reguladoras, assim como o
b ) Gerenciamento calcado em padrões de Responsabilidade Social envolvimento proativo na comunidade, usando ou não, as suas
e de prestação de contas desenvolvida para garantir determinados habilidades técnica e conceitual.
direitos dos trabalhadores inseridos no cenário global. d ) As três alternativas anteriores estão corretas.
c) Gerenciamento de processos que permite a implementação efetiva e) Nenhuma das alternativas anteriores.
dos princípios diretivos, estabelecendo os elementos que devem estar 45 ) São as seguintes responsabilidades que a sociedade espera do enge-
contidos nos programas internos de s aúde, segurança e meio nheiro químico :
ambiente das empresas. a) Espiritual; social; científica; legal; ética.
Engenharia Químico
-· ·---~---- ----·----------·------
b ) Individual; técnica; legal; ética; social.
c) Individual; científica; legal; ética; social.
Disciplinas e ementas
d ) Espiritual; social; técnica; legal; ética.
características de um
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
curso de graduação
Gabar ito dos questões de múltiplo escolha

01 - e 24'- E
em Engenharia Química B
02 -E 25-C:
03 - D 26-D
Quodro B. 1 Introdução à Engenharia Q uímica.
04 - B 27~ e
1ntroduçõo ó O que é Eng:~n ho ria QuímicO:. lrnp.ortân_c io da,Engenhario Qu írn1<"
05 - E 28-R Engenharia Químico Campos e áreas de atuação do profiss ional de Engenharia Qu írni<"
06 - E 29-E ' Formação d-o ~ngenfíeiro químico. História da Indúst ria Químrcn
História âa Engenliorio Química. Erigenbar.ia Química Respans6v"I
07-D 30-C
Introdução oos Processos A lndúskia Q c,ír.nica. Produto químico. Processos químicos. Fluxogromn
os·-B 31- E- da lndústrio·Químico de processos. Descrição de processos da Engenharia Quírnirn

09-E 32-B Princíp ios de Procéssos · Sistema de u:nidodes. Conversão de un idades. Conservação de mosse,
10 .,_ A 33- B 0-uímicos e Bíoquímkos ede energia: Estequiometria. Bolançosc:!e·massa e de energia. Bala nço~
com reações químicas .. Conceitos termodinâmicos. Formas de energio.
11 -A 34-E Princípfos e funções fermodinâmic0s aplicados -• o ba lanço de energ ia .
Sistemas ab.erto e fediodo.
12-A 35-E
H-A 36 e:.. e
Quadro B.2 Ciência s Humanas.
14-A 37-A
Português Ortografia. Frase,. oração, período. Substantivo. Artigo. Adieifvo. Pro-
15 - e 38-D nomes. Numerais. Verbo . Advérbio-. Preposição .•Con iunção.O período
e a suo construção. Discurso-direto, discurso indireto e discurso indi'reto
16-B 39-B livre. Pontuação. Concordâncias e regênéias verba l e nomin al.
17-D 40-D
Comun icação e Expressão Técnicas de redação científica. Prod~çõo, interpretação e análise de
is- e. 41-D . textos. Expressão e·comunicoção verbal. Oratóri0. Elementos do Dis-
curso. Técnicas de apresentação de trabalhos técnicos e científirns.
19-B 42. - e
Pesquisa em Engenharia Concepção, métodos e técnicas de pesqu isas. Identificação do proble-
20-D 43-A Química ma de pesqúisa. Objetivos da pesqu isa. Construção de um proieta
21-A 44-D _de pesqui·sa.

22~ e 45-B
23-A
!
.. e

---'-------'....------ ---------''----'----~
I Hl
/ ng nhorio_químico-····-- Apênd ice B - Disciplinas e ementas caraderísticos de um curso de graduação...

1, .11'11 1
A Fil_osofio;: O
cçnhecirn<onto r:ieniífico. A.ciência: experimentaLe O ;
mét?do hipotético:d.iiêl.vtfvo: O a~anço te20ológico. Çiênôo, t~c~o- ·'

·•.· Furidarnentosfeórrêõs de Ourini2 Análffica:·Re6çâês dêicf5: i5a~e: Rea- ':
· ;ções'él~ pre,;:ipi-t açãó Reaçõ~s áe'. c6mpl~~6çãô: ·R~dções: dio"xir;e. ':
lb;Jia e•o mvndo atual.: · · · · · ' · ,. · e·
,; di.J.çõ6\oluçõ'e;:eleimiíticas: Reaçõe,s ,ônicosem splÜç.ie;_ Fcirça 1'6Íi)- -
·.. -- . . .. . ·. -· . . . ~
. cá e atividoife, i;quilíb,ioiõniéo, Qqssifii:0é;ão dósc_m étodôs dt; onólL~e.
'Ó'~ueié Étic~. Éti2a geral e profissionaC /v\o~àl e-vaÍ~rés. Refle;ó'es ~. ...,.,}.? 'z- ..Í'< \~• . ·~~":, ~""7,.:·~-- <,...;.:_;:,\. -.··!_.;::::: ~ -.!'" - ,,..-_ :-:.;
. sobre ·a _étirn pràfissiorial do . eng-~nh~ ir; q,uírnicp en:; relação ~os
stqk~holders e à prátirnprofissionaLA questão _docidaçl0nio . ·.:' . Ánóli;e if'lstr\Jment~I
. ·. Erras _e trotamento a;
dodó~' ,esto;ístic6s. ' ú;;v,metri~ . Vo li:J;,,efria. ,
· Métodos ópticos- de onál isé-Métodos ·· el'e koquímicos. Vo ltametrio ..
Cr.ombiograÍio. · · · ·· ·· · ·
As Ciências Sóciois. Esir~tifiéaçãà social e m~bilidade. A arde~, na
sódeôad§', A orde,n jurídico. O ser h1:m1ano-n0s organizações •.Recilicloda . ····~ «·-- • ·. -- "

-;;'ocial'. Responsól:íilidàde SbGia/ comÚnitórie.-Responsobilidàde so~ib.i· 'S-i~t~n=:as-fisi~a,qµ:í~íc~s · <:J-~ode!'o-t~rmodipámico, !:~er,gi~e eq~ ill- .
emp~e~arial. · · · " .. 0,. • ·· brio. Conteitàs funâamentais dó termodinâmica:-t.eis da-termodinâmica .
-
'• ·•

- ;:Regrci, de ·t~sés. ,Equilíhno'q,:if:ihicô. Cinético. quíiiiica : Teôric\-cinétii:a


li d.oi g~ses~ Coéfkientes de transporte. Propriedades de líquidos e
_Noçç,es-gerais de:Direito. Ç)sistemci ~Ónstituciona l brasileim. Noçoe:s
de Direiio _Civil, Comercial,.Adminisfrativa, .Tribuffüio,. Ambiental e-· sól idos_. Ele\roquí~ic-;,,_ lr,iterfo~e.,, ' '' · i ·_ _ · i · _
do Trabalho. RegÚl0mentação.. profissi0nal do engenl'ieii:o,químico. :
'.-C • rocierís\i~as éxig i.óas eest~úruca if1t~ma:dos,_mtirririois: us_ad~1 em
Engen,haria Quí~ica. Lig.o çõo~qmica: Estrutura e i'm pedejções,crista-
C iências Biológicas. . · 1fnas. Di0g,rarn~ çle.fases. M0ter1ais cerâmicos: Materiais poliméricos.
,.: P;líméros natu raisJssintétiiêos, l'écniüis.de. polimerizaçã'ó.
Cél ula __, Organelai. ,;el.~lores. Clmssilic~ção. do sistem'o , biológico:
Principais grupos.çJe mic;:ro·-·orgpnismos. Métod~s utiÍiz0d0s no iso.10-
mento de r.nicro-o r9o~ismos ..Reprod0çã-o'.qe iniçr~-orª01:1ismó, Culturas
de células ~egeiois e.animais. ,. ·' -. - ,' Quadro B.5 Fís ica.
_h .. ~~!";:'; . ·.·.~.. . . ~ :,.·:'" ·~}- ,.
'' ' Am inoá~idos e,pr0teínos.Ligaçõ6 peptídico.. Conformaçã: -d;~pro!Eeín~s' ,
Enzimas. Biossfr,itesé e metabolismo de amii:\oácidos ..Síntese e,degrada~
ção·~e glicídeôs e ,deJipídeo~. - , .. '~ .
. . ~-- /~-:: ._ 7· "<>. ~- ~ _·- ~. _..;, -· '."· ~
1 / •t..j h l
Introdução dos proc.essos,biàfecnológicr0s\ ;tilizand9 injcio~organism'Õs, ·
de importância paio ajm:Jéistn0. Prindpais g_rup6s,de'rniéro-o.rgaAisn:ias
envolvidas.na praauçp,o dos princip0is produtos férr,;entadôs: Óntibió-
tico-s; ' bfopo'límecós, ':amihóócidos; etanol, âÍi [ller;itos, . eA~rrnos. e ~
a nfii:orp.os. · · ·,_ w - • ·

Q uím ica. . ,,.· I\;, ,. . -- ,' . . , ' . ,·, ,


, C • q'J.O e rnaf~rio. Caf)'lpcielé_frit0 '. Alel"d!' Gauss:- Pote<1cia l e létrico. ,
Nornendaiwra dos isómr,Óstos q~í;,.,icbs. Est~~tura..·éitômic:a. Tobélo ..-Ca00êitores: e d,elétri.cos. Corrente, e res-,stência êl_étrica.: Campo:
periódico . . Estrutura élefrônica ·dos ótomo·s .• N~túrezá e teoria das - ; mà~~étic~. f~rça eletr~motri:c_induzido·. Piopr,iedoó~s magnéticas da
ligações.qwí~ic:'a s .. ReiiçÉi~s química_s. Êstequibmetrid e éóleülos poro . ,,: mótéri_a ; Lei's de Ampere _efaradây. lndutôílcia ; .
as tronsformaçõesquímicasem gera.!. Equilíbd.o-Gjuímiê:oe eleltoquímico,
~::-· :. ~ Eletrótéc-~ico Conente Glteniada .. Circuito~ dê ~o rre~te alternado-. AtérrGmentós.
l li li.Jl{jl 11 11( CJ
Propriedades p.~riôdic-as: Elemento; ~ep;eseAtativos\ de tran~icõo. Motores ;;,onafásicos e trifásicos. Foror de p0tênciã. TransfonmàdOres.
Propriedades-dos compostos iónicos 'e covà'íentes. Química efos c;m. '; Moto~es·elétrfcósc lnstolaç0es eléÍricos ... 0

postos-de éóarder-wçãa. Tea;ios d~ óctdos e bases.Solve~les. Ligas· -~·.


metó lic:as. Síntese-de Gomp-ostos inorgânicos: · Óptica Óptica geométrica. 9 ·pti~a eletrô_nic~: Natureza e propagação da luz.
··, O.nd~s-e-iuperfíc;:ies planas. Opdas é superfíc-ies esféricos. Redes,
1 I IHJ!l l HI { I
J
Compostos· de carqono e.ligações q uím k~s: Rêpresentaçpes de c~m-- espectros.e polarização. Onél-a~ e:portículos.
postos de carbono. Orbitais· híoriâ-os~ l',Jidr0cmbonetos. Petróleo. ;,.;;- ,.. - .,,:, - . .

Alcoô is·. Éteres~Aldeídos e cetonas. ·Ácidos carboxíl icos e seu~ deri- Resistência. dos Materiais T~ac;õo, com!?ressão e cisalharnento. Análise d.; tensães·e deformo_çõo.
vados . Aminas e amidos. Compostos b:eterocíclicos. Polímeros. Sín- Vasos de pressão. Torçào. e flexão em barras. Estabil idade dos materiais
tese orgâ nico_
nos condições de-serviço.
i32)l.---------~--
Engenharia química
- ---- -- ----- ---·· --------- - - ·-- ·------- ·- ---------- ---- P,pêndice B -Disciplinas e ementas características de um curso de g radua~o .. ,

Quadro B.6 Matemáti ca. Qucclro B.7 Ciências da Engen haria Química.
. ' .
Cálcu1o · Funções reais de uma variável real. Limite. E:ontinuidode. Derivada.
Termodinô'mica Prcipri~da.des· de uma substôn~ia p~ra. Trai:i'o lh o e ca lo,. Lei·, d,,,~,
Integral . Técnicos de Integração. Funções de vá rias variáveis.reais.
·modinômica. Entropia·.· Relações- entre grandezas te r mou ,11,\11111 ,,
Fórmula de Taylor. Máximos e míhimos. lníegrais Múltiplas. Integrais .
Métodos · d~ predição de propriédudes termodinâmi cas. 1q1J1 lil 111,,
d_e linho e de superfície. Sequências e séries numéricos e de funções.
Equações diferenciais de 1ª. ordem é·oºrdem n. Sistemas de equoçpes químico. Equilíbrio defases. Solução ideal. Equilíbrio em is! 11111, '""
diferenciais. Transformada de Laplace.· ideais. Sistem·os binários. Soluçê'les é; súas.propri edodes. lrr uv, ,. 1111
!idade e disponibi lidade. Ciclos motores e de refri geração.
Geometria Analítico Sistemas lineares. Espaços vetoriais reais. Produtos escolar e vetorial ..
e Álgebra Linear Retos e planos. Distâncias. Cônicas e quadráticos. CoorçJenodas cartesia- M~cânica dos F.luidos Próp riedades fundamentais dos fl u~dos. Estático-dos fluidos. Eq,ic ,, • "
nas, cilíndricas· e esféricas. Dependência e independêncio ' línear. gerais do.dinâmico dos-fluidos. Aoálisediriiensional. Como IIJ lrr111tn
Espaço vetorial real. Transformações-lineares. Matrizes. Autovalores· laminar d inâmica. Escoi:imeofo em,regime turbulento. Escoam 11 1,> ,,, ,,
e autàvetores.
tubos, corpos imersos e em !eito de recreio.
-:.-:--
Estatístim Fases do irabal ho estatísticq. Linguagem estatística: quadros, tobelos
Transferência de Calor Pr.opciedades.térmims .. Cond_,:ição·de col"or em regime esta io11,'rr ,., "
e.gráficos. Distribuição_de frequência. Média, mediana, moda e ootras
transiente. Conveccão térmico natural e forçada . Camada limite l(•r 11111 1 ,
medidas da tendência central. O desvio padrão e outrc'is medidas-de
dispersão. Teoria da amostra.gern. Regressão. Correlação. Pro"bobili- Transferência. de ~al'or· no escoàmento. turbulento. Tran sferênc 111 rJ,,
dode. Anális';l estatístico de dados, vori·áveis e gráficos: calo.rcom mtJdança de 'fase. Radiação.

Matemática Financeiro Ba_lanços con_tal:,ilísticos._Capital, iuro e mçmtante. Regi.m ede capita- Transferência de Mossa Coefi~iente de 0ilusão _" Difusão mossica. Equações de transf 11 111< '"
lização. Fluxo de caixa. Juros simples. Taxas equivalentes. Valor nomi- demassa. Transferência de mossa em: regime estacionário e lransi, 111t,
nal e oiua l. Taxas efetiv0s. Juros compostos.. Períodos fracionários. · Trànsferência de mossa com reação química. Convecçã o mó:.:.1u1
Capitalização com taxas variáveis. Taxa bruta. e taxa líquida . E·quiva- naturál e forçoda. Camada. limite mássico. Transferência de mas:.o "''
lência ele capitais a juros cómpbstos. ·
escoamentot1:1rbulento. Tra"1sferência simultânea de colore de mow1
Desenho Técnico Transferência-de mossa.entre fases.
Teoria elementar do des,;,nh;_proietivo. Proieç6e:s ortogonais. Leitura
e interpr_etaçõo de desenhos. Escolas. -Desenhos com instrumentos.
Cinético e. Catálise Cinético das reações homogê~eas. Teorias cfo f=inética de reo çõ selo
Cortes e representações convenciona is. Aplicação de tolerância.
em sistemas químicos mentores em fase gasosa e líquida _Reaçpes ~amplexos. Determ1n<r
. Fundomentosde Fundamentos dà camputação·ede computadores. Técnicas básicas e bioqu_ímicos çõo de parâmetros cinéticos, Catál ise homogênea. Adsorção e calólh<1
Informática, Algoritmos de programação. Estrutura de dados. Fundamentos de· alg,o ritmos e heterogênea·. Catalisadore·s. isotermos de adsorção. Desativação d,•
e Programação de sua representação em linguagem.de alto nível. Estudo pormenorizado cotálisadqres. Cinétko do cafólise héter;igênea. Cinética micro bia no
computadores de uma ou mais linguagens. Desénvolvimento sistemático e implemen- C inétic:a enzimótica .
tação de programas. Modularidade, depuraçao, testes e documeoto~ão
de programas.

Cálculo .e Métodos Sistemas lineares. )nterpoloçõo polinomial. Sé ries. Raízes do função.


Numéricos Quadro B.8 Te cnologias da Engenharia Q uími ca.
Reg"ressáo. Integração numérico. Erros. Resolução numérico de equações
alg_é bricas não lineares e de sistemas algébricos lineares ou não li-
Separação Mecânica Caracterização de.. partfculo~ e sistemas particvlados. Dinâmico d a
neares. Resoluçã0 numérica d.e. equações diferenciais ocdinárias e
interq·ção só.lid o-fluido. Peneiraçã·o .. Elutri0çáo. Colunas de recheio.
e
parciais de sistemas de equações diferenciá is. Utilização de recursos
computacionais: Fluidização. Trorosportes hidráulico e pneumático_ Filtração. Sedimenta-
ção. Flotoção. Agitação.e misturo .. Centrifugação. Ciclones. Dimensio-
Modelagem, simulação e Classificação dos modelos aplicados na análise e simulação de pro- namento"de equipamentos de separação mecânica.
otimização de processos cessos químicos e bioquímicos. Aplicação de métodos numéricos em
problemas de Engenharia Química. Técnicas de linearização. Técnicas Opera.ções Energéticos Troca dores de ~a loc reçuperotivos de. processo. Tmnsferê'n cia.de calor
de perturbação. Modelos estáticos e dinâmicos .. Simulação e resolução e escoamento de fluidos nos trocàdores de. colar. Distribuição de
di, modelos. Introdução o programas computacionais de simu lação temperatura. Proieto dinâmico e térmico de troc_adores de calor. Com-
de processos. Simulação e análise de processos. Otimização de bustão e geração de vapor. Caldeiras. Evoporaçâo. Reírig_eração. Dimen-
processos.
sionamento de equipamentos de operações ene_rgéti cas.
b
134 Engenharia química ,J:S
Apêndice B - Disciplinas e ementas características de um curso de graduação ... . ·•

Op, rações de . Processos de. sepomção. e· ope,6ções. de ·separação ém, estógi0:ic. - .. P.rocessos-qyímicos Sih-1açâà t_eçnológica de;, li:1_d ústria petrolíl'?r,a "e;da petroquímica, de-
Ir ,1111fcrência .Absorção. Extração. lixivioção, 0-esti loçõo. Adsorçõo. Cristaliz~çã_o . orgânicos químico finà ; farmacêui ica,.de corantes e pigrnen1os e dedefénsivos
dn Mosso e
Secagem. Separação-por. membranas . Seporaçoo purificação d·e· agrícoÍa"s. Ácidos : Alcoolq _ u [mica. Corboqwímica: Óleos•, gorduras, .
_bi_oprodutos, Dimensionamento dos equipamentos· de separaçpO . . sabões e glicerol. Detergentes. Celu lose e pap<éll. .PetroquímicCJ. Polí-
-
..... . .,..
~-·-·'--··-·-
......._ .. meros naturais e. sintéticos.
~Mrl ll.l l s Q uímicos -· Reatores químicos. Classificaçpo dos reatores e princípios gerais de se~~
r ll,aq uímicos cólcúlos, Reatores químié:c,s:ide.ais isotérmicos e~õo isotérmicos. ·Rea - Pràcessos. biotecnológ icos PriC1cipais processos biotecnológicos. Processos fermentativos e.enzi-
tores não ideais. Reatores·cota líticos. Biorreatores-. Reàtores erizimó.- . mó1icos. Linh_à dé.fabricaçõo âo" etano l por fermentação. Manufatura
ticos. Reatores bate lado e contínuo. Dimensionamento de reatores. de soros ·e·vocinas. Tratamento .biológico de.efluentes.

B.9 Gestão Tecnológica.


Quadro S. 'i O Gestão Organizacional.
Projeto de processos·da !ndúst~ia Química Escolho do pr.o1et;_ Avu-
Gestão Industrial Teoria, princípios e elementos do.Adminislràçôo. Organização funciono!
1,oção de segurança e,rnpacto ombíentol Seleção do processo Estuaa
e operacional. Processos é té~nicos do plonejomer:ite.. Planejamento
da vrobilidade econômico do processo. Novos produtos-e·processos.
e controle daproôuçóo. Administração de compras. Comunicações
Descrição de processos. Sereção e especificoçõo-de-equipomentos·e
interná e externo:, Transporte interno de materiais-. FomeceGlor e diente.
de·moteriais. Estudo do arranjo físico. Locolizaçõo e implantação da
. Organogramas: E'rogramos de,produ§ão. Qualidade. Inspeção e con,
inâustrio. Balanços· màt:eriais e de energia, Dimerisionomento das uni- ,:
trole de·quolidade. Certificações e entidades certificadoras.
dades de processo. Otimiza'çõo de.processos·da Indústria Quí~rca·.

\,11 1,nr;tio e a nólise


• ,; ' - :.>': ' ' • •
-" _...;..
Gestão_Fi"naoceira. Objetivo c;la-gesfão finaflceira nós empresas . O processo de produção
Diog_n0stico da empresa,. EfÓpé:ls do projeto globíal de--u ma lndústrib"
'"' "" oco nô rnica de 9wíinic;o. Documentos do projeto .. Folhos·de dados e especificações. visto pelos-óticos. mirÚo-e macr.o.econ-ômiéo. Origens 'dos recurso s:
1rr "I' ln na Enge nho rio · Estimativo de investimentos. Custos dos equipamentos; instcumentação; cq~ital p.róprib e o·é~pif;I de terceiros. Ploriej9,:nento fi"nanceiro. Custo
( }IJ/ttllLU
mão de.obro e instalações, Análise econômica do irivesti.:rientp. Or;,e~ de-fóbricrne_.preço de -venda. tnvestimentos. Ríscos.
_/ _ racionalidade do pro jeto. ·
,Gestão de Pessoas- ·, lntrod"l,çãÔ ao processo de·gerenciomento. Relações-humanos-. Princí-
·-
Ir, ,h1!11c;oes industriais Noç?es de desenho técnico e,de tubulações. Materiais e-suas apl iê:oçJes-~ gios P.Sicológicas q,ue fu ndementam as reloçãi:s de trabalho, obron-
0imensiooamentõ de:tu bulo,;ões e seus ocessõr.ios , ~9lvulos, .·purga~ aendô•c:"heli0 e lideronca: comtinicocãó, recrutamento, selecão e arien-
dore_s, frltros, conexões .es~portes. linlios de vapor. Projeio de Ínsfolaçõo: to§ôo p(Ofis;io'noL t>!e~essi8odese ~ativação . Negotiãçõ; ~adminis-
/ayaul, planta, isoméfrico e lista de-materiais. Instalações hidráulicas,. tração de·conf.!itos·. Ptócesso ·de mudanças\ Cultwra argànizocional'.
ar c:omprimido., vácuo, gps_es é outros. lhstolações de geradores e
turoinos o vapor. Instalações.de-linho. de vapor. l"nsfolciçoes elétricos. Gestõ"o,Ambiental •. A éonsciê_• cia ecólóg_ica. Preservp çõo ombierit~I. Po luentes gasosos,
de baixa-tensão . · · · · líqLJidos, sólidos e' seus eleit0s. Sistemas de controle.de poluições hídrico,
· atrciosfériêa.edo solb eACJ p~oéessos _industripís: Critér.ios de quàlídode
l rinl ro le de proces; ós~- · '.- ê ; n; itos b;sico; ;e ~a~i::i: :e processo. Mod~la~::::i;nâ~ ic~d: do ar;e da óguo. C~stos ambientais _Custç,s de .imP,l~ntaçõo e m9nuiençõo
p_rocessos. Conceitos_: e OP.licoções práticas de simulaç,õ o-dinâm_ i co· de _sistem.rns,cde. controle. Co~porZente•omoiental no análise de custos
~e processos. Dinâmica dossisfemasde·cont~ole. Controle,convencionol. do_empreso. lo::,gisl9ção·co._rrelôto . . .· .
Sisfemos e equ ipomentos de-controle. Controle aYonçado. Ávaliaçãa
de sistemas de controle. Estabil idade. Controle multi:vorióvél e-,digitol. Se_gu-roriço do Trabalho Organização da Ségu rança ·e Mediei no do Trabo lho. Ergonomia. Rotu-
~--· ~. - - ·- .... lagem i:;ireventiva, de materiais.. Equipamentos de proteção individual.
111~1,umentocõo no Çircuitos de_co rrente contínuo. Análise de circ.uitos. Ois~~~~;~os semi-- Gases é vapores. Produto~ quím icos tóxicos, corro sivos e inflo móveis.
ln ús tria O Címica condwtores. Amplificadores operac ionais .. Sensores e tronsd"utores. TranspÓrte e·armozenomento de produtos perigosos. Disposiçã o de
Medidos de pressão, temperatura, vazão, nível e densidodeé Medidos
resíduos. Seleçgo ·de equipementos. Manutenç_õo preventiva e corretivo.
de propriedades fenomenológicos de transporte. Transmissores pneu-
Análise de per,g9s,e aperobi lido~e. Anólise de árvores de falhas e de ·
r:nótícos e eletrônicos: Contr9ladores. · 0

~-
·eventos. Anâlise e ovoliçiçõo de.cor.ise q~êncios ede vuln _
e robilidode.
Gerencia·m,,"nto·de riscos. Planos de emergências.
Processos. químicos S.i.tuaçõo tecnológica do Setor:quími-~ 0 inorgânico. Combustíveis .. Üli--
ino rgànicos lidades. Energi·o n0 Indústria Químico. Ar líqw.icjo e gases.industriais,
Amônia, ácido nítr.ico·e nitratos. Cloro, soda cáustico, hicfrogênio e
sódio. C!or.eto de-sódio, carbon·ato de sódio e ácido clorídrico. Ácido :
sulfúrico. Fósforos e fosfatos. Fertiliz:ontes. Trotamento ·de água poro
uso industria 1. Trot_o menta de· efluentes. Pai uentes otmosféri_cos e seu
trotamento.
Fatos & eventos
históricos associados
à Engenharia Química
r.,..,.---------------·=---------------~------""·

- 6 milhões a.C: O primeiro ancestral do ser humana.


-3 milhões a .C: O ser humana inicia a tecnolog ia ao lascar a pedra.
- 400 mil a.C: O ser humana domina o fogo.
- 40 mil a.C: Provável presença do ser humano em terras brasileiros.
- 30 mil a.C: O ser humano conhece a tinta.
- 10 mil a.C: Indícios de pinturas em cavernas no Brasil.
- 8 mila.C: Revolução Agríco la . Primeiras tecelagens, cerâmicas (inclusive no Brasil) .
- 6 mila.C: Cerve ia feita a partir de cevada maltado é fabricada na Mesopotâm ia .
- 6 mila.C: Descoberta de gás natural no que é hoie território do Irã.
-4 mila.C: Descoberta tecnológico do chumbo e do cobre.
-3 mil a.C: O Brasil estava quase todo ocupado pelo ser humano.
- 2,5 mil o.C: Primeiras cerâmicas chinesas .
-2,3 mila.C: Os hebreus utilizam coalhada como ag lutinante.
- 2,3 mila.C: Fabricação da cerveia na China a partir do arroz .
-2 mi l a.C: Utilização do gás natura l na Pérsia paro manter aceso o "fogo eterno" , símbo-
lo de adoração de seita loca 1.
- 1,5 mil o.C: Aglutinantes são desenvolvidos no Egito: goma arábica, clara de ovos, gelati-
na, cera de abelhas.
- 440a.C: Demócrito propõe o conceito do átomo como sendo pa rtícula indivisível e
indestrutível, estando presente em todas as coisas.
-2 50 • .C: Arquimedes observa a densidade relativa entre os corpos por meio de suas
forças de empuxo.
- 2100.C: Chineses uti lizam o gás natural para seca r ped ras de sal .
Séc. 1a.C: A pintura roma na , a serviço da arqu itetura, desenvolve técn icas de têmpera e
afresco.
- 80 a.C: Descoberta do âmba r, uma res ina te rmaplástica proveniente de árvores
fossilizados .
Apêndice C - Fatos & eventos históricos associados à Engenharia Química

70: Plínio, o Velho, escreve "H istória Naturol" em 39 volumes, compondo umo 1766: Covend ish descreve a "ar inflamável" (hidrogênio), como advinda da combus-
enciclopédio sobre todo o conhecimento científi co de seu tempo. tão da água pelo flogi sto.
130: Ptolomeu pro põe a Terro como o centro do universo . 1770: Priestley descreve o oxigênio, mostrando que este gás é consumido por ani-
8 O: Descoberta da hulha na Inglaterra. mais e produzido por plantas .

900: Os árabes descobrem o óxido e o sulfato de zinco. 1772 : Rutherford descreve o "ar residua l": o primeiro descrição publicada sobre o
nitrogênio.
1000: Obtém-se álcool etílico por destilação do vi nho.
1775: Lavoisier mostra que o fogo oco rre devido o uma reação exotérm ica entre
1.30 Utilização das primeiros armas de fogo. substâncias combustíveis e o oxigênio. Demonstra, também, que o dióxido de
130 Apa recimento das primeiros fundições no Ocidente. carbo no, a ácido nítrico e o ácido sulfú rico contêm oxigên io. ·

IV. Sob a dinastio Ming, os ch ineses desenvolvem esmoltes de chumbo e tintas 1780: Lavoisier e Laplace publicam suos "Memoire on Heot" , em que eles concl uem
resistentes ao fogo, poro uso em porcelanas. que o respiração é umo forma de combustão.
1 1')2· Colombo "descobre" o América. 1781: Destilação da hulha em recipiente fechodo.
,()()· Cobra i "descob re " o Brosil. 1783: Spallonzoni faz experimentos demonstrando que a digestão é muito mais um
processo química do que umo trituração mecân ica de al imentos.
1 00 · Leonardo do Vinci pro põe que os an imais não poderiam sobreviver em uma
atmosfero que não sofra co mbustão. 1785: D. Maria 1, ra inha de Portugal, p roíbe a instalação de fá bricas, manufaturas e
indústrias no Brasil .
():) Os portugueses trazem a cana-de-açúcar da Ilha da Madeira pa ra o Brasil.
1786: Fitch desenvolve o barco a vapor.
'() Instala -se o primeira engenho de açúcar na Brasil.
1787: Utilização das máquinas a vapor nas ficções de olgodão.
, -l i Gutenberg ap rimora a imprensa .
1787: Charles estuda a mudanço de volume dos gases com a mudança de temperatura.
11 Copérnico propõe o modelo heliocentral, em que o So l, e não a Terra, é o
centro do universo. 1789: Le Blanc desenvolve um processo, que leva o seu nome, no qual converte sal
comum em soda cáustica.
,n Primeira menção à borracha natural feita par Vai dez após expedição à América
Centra l. Primeira metade O guono do Peru começa a ser importado e usado como fertilizante pelos Esto-
do séc. XIX: dos Unidos e Europa .
li Ossos moídos (an imais e humanos) são bastante usados, como adubo, na
Europa. 1802: Gay -Lussac anuncia o lei dos gases ideais.

1 Oll lniroduçãa no Brasil da moenda vertical com dois ou três tambores, que veio a 1802: A Du Pont é fundada nos EUA.
ser um passo importante no desenvolviment o da técn ica no engenho de açúcar. 1806: Vauquel in e Robiquet são os prime iros a isolarem um am inoácido, osporg ino,
1f, 1 ' Roy desenvolve o prime iro termômetro de água. o partir do espargo.
, 11 Produção do coq ue a partir do carvão. 1808: Vi ndo de D. João VI com o Côrte partugueso paro o Brasil. Revogado o proib i-
ção de Mo ria 1.
,-1-1 Torricel li desenvolve o barômetro .
1808: D. João VI traz a cerveia para o Brasi l . A fabricação em território no cio nal
1/ Pascal determino a pressão do are também inventa uma máquina que adiciona
esbarrou nos contratos de primazia ingleso para o fornecimento de cerveio ao
e subtrai, sendo esta uma remota precursora das máquinas de calcu lar.
Brasil .
l f,. ,l Boyle encontro que o vo lume ocu pada no mesmo recipiente por qualquer gás
1809 : O alemão Thaddeus Haenke, q ue vivia no Bolívia, escreve sobre o uso do
à te mperatura constante é inversa mente proporcion al à pressão . sa litre do Chile (no época, território peruano) coma adubo.
111 Inicia -se a produção de sal em escala comercial no Brasil.
1810: Gay-Lussoc deduz os eq uações da fermentação alcoólico .
1t, Kene lm 0igby, na Inglaterra , constata o efeito b enéf ico do nitra to de potássio
1811: Avogodro demonstro que todos os gases, quando ocupom o mesma volu me
no prod ução de adubo.
sob o mesma pressão e temperatura, contêm o mesmo número de moléculas .
l 6B/. Newlon publica "Phi/osophiae Natura/is Principia Motematico" . Nesse livro, Newton
1815: Dá-se no Brasi I o início da utilização de máquinas o vapor no processamento
lança os fundamentos da mecânico, a teoria da gravitação, o teo ria da luz e,
de oçúcor.
concom ita ntem ente, co m Leibn itz: inventa o cálcu lo i nfinitesimol.
1821: Prime iro gasoduto, com fins comercio is, entra em operação nos Eslod os Uni-
li'> Máquina a vapor de Pop in.
dos, fornecendo energia aos consumidores poro iluminação e preparação de
1 /()'} Inicio-se o pr odução de salitre no Brasil. alimentos.
1/09 Fundição do coque. 1822: Luiz Louvia n e Simão Clothe solicitam a primeiro pate nte no Brasil:
uma máquina d e descascar café.
l /18. Fahrenheit desenvolve o termômetro d e mercúrio .
1/-16: Introduz-se, na Inglaterra, o método do câmara de chumbo para a produção de
1822: D. Pedra I proclama o independência do Bras il.
ácido sulfúrica. 1822: Fourier pu blica "Theórie Anali tique de lo Cha leur".
f40 Engenharia Química Apêndice C - Fatos & eventos históricos associados à Engenharia Química 141
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1823: C hevreul inicia a fabricação industrial do sabão. Década de 1860: Fundação, no Aleman ha, do Hoeschi, Bayer, Bosf e Agfa, importantes Indústrias
1824: Carnot publica "Reflexions sur la Pu issance Moirice du Feu" , estabelecendo Químicas no cenário mundial.
diversos princípios que constituem a base da atual Termodinâmica. 1858: Outorgadas por D. Pedro li os primeiras concessões poro a explora ção d
1825: Criação de uma escola de formação profi ssional em Química no Universidade petró leo no Brasil, na Bahia.
de Giessen, Alemanha, porvan Liebig. 1859: Invenção da iorre de Glover, propiciando um método de desnitrifica ção , sem
1827: Invenção da torre de Goy-Lussac poro a recuperação do óxido de nitrogênio. diluição, do ácido nitroso do torre de Gay-Lussac.
1828 : Wõhler sintetiza a uréia: prime iro composto orgâ nico a partir de compostos 1860: Kolbe consegue sinteiizor o ácida so licíl ico, partindo do fenol (síntese d
inorgânicos. Kolbe).
1828: Brown é o primeiro a descrever o movimento aleatório das partículas (conhe- 18ó0: A Alemanha explora os seus depósit os de sois potássicos poro aduba ção,
cido como movimento brawniano). exportando-os poro outros países.
1829: A substância salicilina foi isolado pe la primeira vez par H. Leroux. 1860: °
Durante o 1 Congresso Internacional de Quím ica em Karlsruhe, Canizzaro
1835: Berzelius publica a primeira teoria geral sobre catálise química. apresenta novo método para determinar a massa atômica de substância s ui
micos. Adota-se a mosso atômico do oxigênio, como 16, como base pare,
1835: Regnau lt relato o produção, até então inédito, de cloreto de vinilo, monômero
determinar a de outros elementos.
de PVC.
1863: Solvay aperfeiçoo o seu método para produzir bicarbonato de sódio.
1839: Charles Gcodyeor desenvolve a vulcanização da borracha, processo que con-
siste na ad ição de enxofre à borracha natura l, tornando-a mais forte e resistente. 1863: Os irm ãos Hyait descobrem o celu loide .
1840: Inicia-se na Inglaterra (e, no fim do século XIX, nos EUA) o emprego do sulfato 1864: Seyler obtém, pela primeira vez, a crista lizoção de u ma proteína: o hemoglobi nn
de amônia como adubo, obtido como subproduto de caquerio.
1865: Kekuié propõe o modelo qo anel paro a fórmula estrutural do benzen o.
1842 : Mayer enuncia a Lei da Conservação da Energia (1 ° Leida Termod inâm ico),
1865-1870: O Brasil envo lve -se no Guerra contra o Parag uai.
após estabelecer a equivalência entre trabalho e calor.
1842: Lowes, na In glate rra, recebe a potente do processo de fab ricação do "super- 1866: A dinamite é desenvolvida por Nobel.
fosfoto", por meio da solubilização da rocha fosfatada moída com ácido sulfúrico 1868: Os norte-americanos iniciam a exp loração de seus depósitos de fosfatos na tu
diluído em água. Dez anos depois, começa nos EUA o produção desse adubo ro is. O mesmo ocorre no norte do África, em 1899.
usando ossos moídos como fonte de fósforo.
1869: Mendeleieff publ ica o tabela para elementos químicos, a qual veio a sera bos
1845: Helmoltz e Mayerformulom os Leis do Termodinâmico. poro o tabelo periód ico.
1845: Kolbe sintetiza o ácido acético. 1870: Liebeg propõe que tod os os fermentos são muito ma is reações químicas do
1846 : Jou le demonstra a equivalência entre as várias formas de energia (ca lor - que impu lsos vitais .
elétrico - mecânico). 1870: Primeiro processo ind ustrial catal ítico, com a produção de claro por oxidaçã o
1849: Começo nos EUA o empreg o de adubos mistu radas, sendo o prático rapida- do gás cloríd rico, usando como catal isador uma argila impregnada com su lfa -
mente absorvida, enquanto no Europa isto acontece a partir de 1930. to de cobre.
Anos 1850: A primeiro refinaria de petróleo, um "alambique", é desenvolvido por Samue l 187 1: Miescher isola uma substância a que ele denominou "nucleíno" a partir das
Kier, nos EUA células broncas do sangue. Tais substâncias são hoie conhecidas como ácidos
1851: Nelson Goodyeor recebe o pate nte da ebonite e a comercializa. nucleicos.

1853: Estabelece-se, em Petrópolis, a produção de cerveio em escalo industrial no 1872: O que hoie é conhecido como superfosfato triplo é fabricado no Alemanha e
Brasil. Inglaterra.
1853: Charles Gerhardt descobre o estrutu ro química do ácido sa licílico. Reag indo 1874: Zeider descobre o fórmul a químico do DDT.
este ácido com cloreto de acetilo, Gerhardt sintetiza, pela prime iro vez, o ácido
1876: Otto desenvolve o motor mecânico.
aceti l salicíl ico (MS).
1877: Kühne propõe o termo "enzima", diferenciando-o dos organismos que o pro-
1853: O querosene é extraído do petró leo.
duzem.
1853: Fabricação.do alumínio pelo processo Saint-Cla ire Deville.
1877: O ácido solicílico sintético é ca mpeão de vendas em Londres.
1854 Criação da primeiro companhia de petróleo nos EUA: a Pennsylvan ia Rock
Oi l Company. 1878: Gibbs desenvolve a teoria da Termodinâmica Química, introduzindo os equa-
ções e os relações fundamentais pa ra o cálculo do equilíbrio multilás ico, o
1854: Fundação, no Brasi l, do Cerveiario Bohemio. regro dos fases e o conceito de energia livre. Seu traba lho permanece desco-
1855: Sillimon ~btém o alcotrão, naftaleno, gasolina e vários solventes por destila- nhecido até 1883, quando Ostwold o descobre, traduzindo-o para o alemão.
ção do petró leo. 1878 : Instalação do engenho de açúcar "Companh ia Açucareiro Porto Feliz", marco
1856: Perkin obtém o primeiro corante sintético e o comercializo em largo escola. na maquinização dos processos de ironsformoção no Brasil.
14~ Engenharia Quím ica --·-- ___ Apêndice C - Fotos & eventos históricos associados à Engenharia Química 1431
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1879: Fohlberg descobre o socorino. 1899: Fundação do Instituto de Pesquises Tecnológicos do Estado de São Paulo (IPT) .
1880 Davis propõe, no lngloierro, o "Society oi Chemicol Engineers". Final do séc. XIX: Primeira perfuração de um poço de petróleo no Brasil, em Bofete, São Paulo.
1880: O Brasil adoto os pa drões métricos franceses. 1900: Diesel o presento suo invenção usando óleo de amendoim como combustível
em seguido capitolizodo pela indústria do petróleo paro funcionamento corn
1883: Reynolds publ ica um artigo e propõe um número odimensionol que relaciono
óleo derivado de petróleo.
os forças inerciais e viscosos associados o um fluido sujeito o escoamento.
Esse número é conhecido como o número de Reynolds . 1900: Herreshoff desenvolve o primeiro processo de produção, por colunas de corr
tato, de ácido sulfú rico.
1883: Fundação do Companhia Melhoramentos de São Paulo, vindo poro atuar nos
setores de papel, cal e ce râmico. 1901: Davis publica o "Hondbook oi Chemical Engineering".

1884: Arrhenius e Ostwald, independentemente, definem "ácido" como substâncias 1903: Birkeland e Eyde fixam, com baixo rendimento, o nitrogênio presente no t11
que perdem íons de hidrogênio quando dissolvidos em água. pelo processo do arco voltaico, obtendo o ác ido nítrico como produto finnl
permitindo o fabricação do primeiro nitrato sintético, o nitrato de có lcio, rin r
1884: Cha rd onnet descobre a viscose (seda artificiei). meio da neutralização do ácido com cal.
1885 Karl Benz desenvolve o gosolino poro automóveis. Anies, a gaso lina era uma 1905: Einstein formula o Teoria Especia l do Relatividade, estabelece a Lei de Eqv rvo
fração indesejável do petróleo, responsável por vários incêndios domésticos lência entre massa e energia, cria o Teoria do Movimento Browniono e forrnulu
por ser usada em vez do querosene. a Teorio do Fóton do Luz.
1886. Primeiro empreendimento óliciolmente registrado do indústria brasileira de 1905: Fundação do Moinho Sentista que, futuramente, ampliaria a suo atuaçc.w ru ,
ti ntos e vernizes. área industrial químico com a instalação, em 1934, do Sonbra.
1887 Fischer concebe a estruturo das proteínas. 1908: Éfundado o Americo n lnstitute of Chem ical Engineers (AIChE).
1887 Davis elabora um programo poro a profissão de Engenharia Químico e opre- 1908: Brondenberger descobre o celofane.
senio uma série de pa lestras no Manchester Technicol School.
1908: Baekelond descobre o baquel ite: primeiro resino termofixa, sendo patenl udu
1888: Fundação, no Rio de Janeiro, do Manufatura de Cerveja Brohmo, Wi lliger e Cio. em 1909. Em 19 1O, começa o produção em la rga escala desse plástico, su11do
O Massachusetts lnstitute oi Technology (MIT) começo o "Course X" (dez), o largamente utilizado, na época, como isolante elétrico, em " plugs" e soquij lt1~,
1888:
primeiro programo de Engenharia Químico, de quatro anos, nos Estados Unidos. entre outros.
Década de 19 1O: Instalação de multinacionais de Indústrias Q uímicos no Brasil: Bayer, So lvny,
1888: Abolição da escravatura no Brasil.
White-Martins, Rhodio.
1889: Proclamação da Repúblico no Brasil.
1911: Rutherford propõe suo teoria sobre o nú ci eo atômico.
1890: Criação de um gasoduto à provo devozamentos no Europa .
1913: Amônia sintética começo a ser produzido em escalo comercial pe lo pr ce•r.n
1892: Diesel desenvolve o motor de combustão inierna . de Horber-Bosch, na Alemanha.
1891 : Fundação da Fóbrico de Cerveja Companhia Antordico Poul isto (em São Paulo). 1913: A Standard O il Co . (Indiano, EUA) utiliza o processo de croqueomento t rm r o
do petróleo. ·
1893: Fundação da Escola Politécnico de São Paulo.
1913: Bohr propõe o seu modelo atôm ico (modelo do sistema solar).
1893 : Serei pub lica a "Lo redilicotion de l'olcool" em que ele desenvolve e aplica
uma teoria matemático poro colunas de retificação po ro misturas binárias. 1914: Os alemães começam o produzir o sulfonitrato de omônio (n itrato de amônia
Fischer conduz invesiigações paro dar as bases à especificidade das enzimas.
+ sulfato de amônia): o "salitre de Leuno" .
1894:
19 14: Diversos reações catolíticos são descobertos o partir da obtenção do ácido
1895: Instalação da "Fábrica de Productos Chimicos" , primeira lndúsiria Química sulfúrico por oxidação do gás sulfuroso sobre cotai isa dor de pla ti no.
destinado à produção em larga escola no Brasil.
1914-1918: Primeiro Guerra Mundial.
1895: Linde desenvolve o processo de li quefação do ar.
1914- 19 18: Inicia - se o exploração das minas norie-omericanas de sais potássicos.
1896 : Criação da Revisto Pharmoceutica, veícu lo importante poro o disseminação de
artigos ligados à Indústria Química brasileira. 19 15: A sistematização do abordagem dos Operações Unitárias é proposto por Arthur
D. Little.
1897 : A Boyer alemã produz o índigo siniético em larga escalo.
1917: A Chemical Construction Co . constrói uma planto totalmente destinada paro o
1897: Felix Hoffmann sintetiza o AAS, simplificando o método de Gerhardt. produção de ácido nítrico o partir do amônia.
1897- 1905: Com o processo de Fron k e Caro, real iza-se a fixação do nitrogênio presente 191 7: Mediante o ad ição de carbonato de sódio e de sílica à rocho fosfatado, obtém-se,
no ar pelo processo de colciocianomida em que, com o auxílio de oltostempe- por fusão, o termofosfoto de Rhenan io.
roturos, o carboneto de cálcio é forçado o rec eber o nitrogênio. A pri meira
1919: As atividades de perfuração visando a exploração de petróleo e de gás natural
fábrica é construído na Itál ia em 1906.
no Brasil tornam-se mais frequentes e pouco mais organ izados, porém ainda
1898: A Boyer alemã desenvolve o processo cata lítico poro a produção de ácido com escasso~ recursos e equipamentos simples.
su lfúrico . Anos 1920: O acetato de celu lose, acrílicos e poliestireno são, finalmente, produzidos em
1899 : A Boyer alemã consegue o potente do AAS. la rga escalo.
Apêndice C - Fatos & eventos históricos associados à Engenharia Química 145

Década de l 920: Instalação de várias Indústrias Químicos no Brasil, tais como: Kodak Brasileira, Anos 1940: São desenvolvidos o polieiileno (de baixo densidade), silicones e o epoxy.
Esso Química, Héiios, ICI da Brasil, Merck.
Década de 1940: Ganha ímpeto o prepa ro de adubos mistos de maior concentração (acima de
1920: O Massachusetts lnstitute ofTechnology crio um departamento independente 30% de nutrientes).
de Engenharia Químico nos EUA.
1940: Descoberta de gás natural no Bahia.
1920: Começo a produção de fosfato de amônia na Alemanha e EUA.
1940: Fu ndoçõo da Associação Brasi leiro de Normas Técnicos (ABNn.
1920 Ponchon e Savorit desenvolvem e apresentam o diagramo de entolpia -concen-
tração, extremamente útil paro resolver cálculos de destilação. 1940 A Standard Oil Co. (Indiana) desenvolve a gasolina de alta odonagem.
1920: A Standard Oil Co. (New Jersey) produz álcool isopropílico: o primeiro produ - 1940: Os primeiros pneus de borracha sintéiica são produzidos nos EUA.
to petroquímica comercial. 1941. Whinfield e Dickson produzem e paienieiam uma fibra de poliéster: o terileno,
1922: Criação, no Mackenzie, do primeiro curso de g roduoção em Eng~nharia Quí- o futuro PET.
mica no Brasil. 1943: Éproduzido o DDT: um pod eroso pesticida.
1922: Midgley usa chumbo tetraetílico como aditivo antichoque na gasolina.
1943: O nitrato de amônia, antes destinado apenas para explosivos, começa a ser
1923: O su lfato de amônia sintético é produzido na Alemanha. produzido como adubo, muitas vezes misturado com ca lcório.
1923: Broglie demonstra que a radiação tem propriedades corpusculares, e os partí- 1944: Woksmon descobre a estreptomicina: primeira droga efetiva contra o tuberculose .
culas de matéria, tais como os elétrons, apresentam características de onda.
1945: Os Estados Unidos detonam bombas atômicas em Hiroshimo e Nagasaki, no
1925: McCobe e Thiele ap resentam um método gráfico poro calcu lar o número de Japão.
pratos teóricos de uma coluna fracionada de destilação para misturas binárias.
194 7: Produçõc de hidrocarbonetos o partir de gás sintético pelo processo de Fische(-
1925: Criação, na USP, do segundo curso de graduação em Engenharia Quím ica no Trop ish .
Brasil.
1947: Solução do problema da difusão de nêutrons usando o método de Monie
1928: Wolloce Carothers entro poro o equipe de pesquisa do Du Ponte, entre vá rias
Cario pelo computador ENIAC.
descobertos, chego aos poliésteres.
1947: Éperfurado o primeiro poço de petróleo em alto-mar.
1929: Fleming observa o efeito da penicilina em bactérias.
Década de 1950: São produzidos os pol isfosfatos a partir do chamado ácido superfosfórico.
Anos 1930: Hougen e Watson defendem o importância do Termodinâmica no ensino de
Engenharia Quím ica. 1950: O benzeno é produzido a partir do petróleo.
Década de 1930: Instalação de várias Indústrias Qu ímicas no Brasil, tais como: Cio . Nitro Quí- 1951: A prim eira bomba por fusão é iestoda.
mico Brasileira, Du Pont do Brasil,Goodyeor do Brasil e Firestone do Brasil.
1951: Écriada, no Brasil, o Conselho Nacional de Pesquisa, que futuramente vi rio a
1930: O superfosfato triplo e amoniacal é fabricados nos EUA. ser o CNPq.
1931: Produção em escola comercial de fibras artificiais pela Compa nhia Brasileira 1953: Ziegler obtém o polietileno de oito densidade.
Rhodioceto (Rhodio) com o filamento têxtil de acetato.
1953: Criação do Petrobros. Começa um trabalho intenso para desenvolver nossa
193 1: O neopreno, o borracho sintético, é produzido pe!o Du Pont. Indústria petrolífera.
1933: O polietileno de baixo densidade é obtido no Imperia l Chemicol Industries 1953: Estabelecimento do estrutura helicoidal dupla do DNA por Francis Crick e James
(ICI), no Inglaterra. Watson.
1933: Criação do Instituto do Açúcar e Álcool (IM), permanecendo em atividade até 1954: Édesenvolvida a borracha de poli-isopreno.
março de 1990, quando o governo do então presidente Collor o extingue.
1954: Fundação do Tintos Coral no Brasil. Em 1996, passou a integrar o grupo bri-
1934: É publicado o primeira edição do "Perry": Chemical Engineers Handbook . tânico ICI.
1935: Carothers, do Ou Pont, descobre o nylon. 1955: Fibras sintéticas são produzidas no Brasil pelo Rhodia.
1937: O poliestireno começo o ser comercializado nos EUA pela Dow Chemicol. 1957 : A General Electric desenvolve os plásticos de pol icarbonatos.
1938-1945: Segundo Guerra Mundial.
1959: O controle de processos por computador ganha credibilidade.
1938: Plunket obtém o teflon no Du Pont.
1961: Fundação, no Brasil, da Suvinil Indústria e Comércio de Tintas.
1938: Éiniciado o produção de ureia, o mais concentrado adubo nitrogenado sólido.
1961: Elucidação do natureza do código genético por Crick, Bornett, Brennere Watts-
1939: Na localidade de Lobato, no Bahia, os esforços dos pioneiros são recompen- Tobin.
sa.dos: surge petróleo pelo primeiro vez no território brasileiro. Começa a
1963: Criação, na COPPE/UFRJ, do primeiro curso de pós-graduação (mestrado) em
nascer a Indústria nacional do petró leo.
Engenharia Química no Brasil.
1939: Descoberta do fissão nuclear.
1964: Crioção do Grupo Executivo do Indústria Q uímica (Ge;quim), primeiro instru -
1939 O nylon é usado paro o fabricação de me ios fem ininos. mento de coordenação voltado poro a Indústria Química b rasileiro .
1114 'nhorio Químico Apê ndice C - Fatos & eventos históricos associados à Engenharia Química

A profissão de engenheiro químico no Brasil é reguloda pela Lei Federal n. 1989: É lançodo o Projeto do Genoma Hu mano, o mapa genético humano .
5.194, de 24/12/ 1966, a qual foi regulamentada pelo Decreto Federal n. 620,
Década de 1990: Início da produção em escala industriei na Europa de biocombustível com a
de l 0/06/ 1969.
denom inação de biodiesel.
Início do exploração do petróleo affshore no Brasil (Bacia de Sergipe) .
Anos 1990: Construção de diversos gasodutos no Brasil, destacando-se o gasoduto Brasil-
O primeiro ser humano pisa na Lua. Bolívia e avanços no fornecimento de gás natural no Brasil.
,, 11 IH 1? 70: Choques do petróleo de 1973 e 1979 - retomada dos ideias, no Bras il, da 1990: Tim Bernes-Lee cria a linguagem World Wide Web (www) no Laboratório Euro-
produção de combustíveis a partir de óleos vegetais. peu de Física de Partículas.
Insta lação da Replan, a ma ior refinaria nacional de petróleo, em Paulínia, São 1992 : O governo australiano começa a introduzir o dinheiro de plástico.
Paulo. 1995: Primeiro C'?ngresso Brasileiro de Catálise.
Primeiro Encontro Nacional sobre Escoamento em Meios Porosos. 1996: Primeiro Encontro Brasileiro de Adsorção.
Descoberta de petróleo na Bacia de Campos. 1997: Criação do Sociedade Brasileira de Catá lise.
Criação, no Brasil, do Programa Nocional do Álcoo l. Programa fundamental 1999: Pesquisadores do Laboratório Nac iona l de Luz Síncontron, em Campinas,
para o substituição da gasolina por álcoo l com tecno logia nacional. observam o rompimento de nanofios de ouro . Com essa pesquisa, o Brasil é
Criação da Associação Brasileira de Engenha ria Químico (AB EQ). lançado aos domínios da nanotecnologia.

São fabricados as primeiras garrafas de refrigerante em polietileno tereltalato 2000: É lançado o dinheiro plástico no Brasi l.
(PET), nas EUA. 2000: Criação do AmBev por meio da junção da Brahma e da Antárdica.
I' 1111 Real iza ção de exaustivos testes de aplicab il idade de biadiesel em importantes 2000: O Brasil ocupa a nona posição no mundo em produção industrial de produtos
centros de pesquisa do Brasi l. químicas.
tq A Suprema Corte norte-americana perm ite a aprovação à General Electric 2001: O genoma humano é mapeado. Marco histórico da humanidade comparado à
para patentear um micróbio usado na lim peza de óleos. invenção da escrita e da imprensa. Descobre-se que o ser humano tem em
torno de 30 mi l genes.
Grande ma rco do gás natural, no Brasil, com a exploração da Bacia de Cam -
pos (RJ). 2001: O Brasil investe no desenvolvimento do biodiesel, uma mistura de óleo vegetal
- soja, dendê, babaçu e girassol, entre outras - e á lcool anidro, capaz de reduzir
Patente PI - 8007957: primei ra patente de biod iesel e querosene vegetal no
consideravelmente os níveis de gases poluentes e de produtos corcinogênicos
mundo.
emitidos por veículos a utomotores.
Lançamento Nacional do Prodiesel. Criação da unidade piloto industrial
PROERG em Forta leza.
11 Primeiro Encontra Brasileiro sobre Ensino em Enge nha ria Química.
UI A Microsoft desenvolve o MS-DOS para PC da IBM . BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Açúcar, 13, 14, 32, 61, 62, 63, 83 Cerâmica, 1 O, 50, 80
www.cervesia.com.br (Acessado em 08/09/2002)
Adsorção,9,24,25,31,32, 78 Cerveja, 13, 119
www.copebras.com.br (Acessado em 03/03/2004)
Adesivo, 31, 32, 42, 52, 76, 119 Ciclone, 31
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Adubo, 32, 41,42, 47, 52, 63, 70, 124 Ciência,2, 6, 10,3 1, 48,90,93,96, 106,114
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Bebida, 4, 12, 32, Commodities,43, 111, 121
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Bens,49 Computador, (v. lnformática)
www.tintascoral. com.br (Acessado em 15/05/2001)
de capital, (v. Bens de produção) Condensação, 32
www.unica.com.br (Acessado em 16/06/2004)
de co nsum o, 39, 11 9 Conteúdos, 26, 27
www.usinaester.com.br (Acessado em 14/03/2004)
de produção, 39 Controle, 4, 9, 20, 27, 78, 102, 119, 134
www.unilever.com.br (Acessado em 28/04/2001 )
de serviço, (v. Bens de consumo) Conversão química, (v.Reação q uím ica)
Bioquímica, 1O, 27, 28, 130 Corante, 4,44,51,52,53,65,69
Borracha,4, 13, 17, 53,64, 118 Cosmético (v. Perfume)
natura l, 56 Cristalização, 9, 32
sintética, 14, 17, 54, 1 22 Destilação, 9, 32, 34, 40, 52, 54, 73, 77, 78
Câmara de Educação Superior 2, 26 Elutriação, 31
Cana-de-açúcar, 13, 61, 62 Engenharia, 1, 7, 9, 26, 45, 74, 85, 109, 11 O
Carvão, 12,44,47,48,54,64,66, 11 3,118 ambient al, 1O, 14, 18, 111
Catalisador, 16, 42, 43, 57 ca racterísticas da, 2, 3

-
~ Engenh aria química Índice rem issivo

lvi l, 3, 109, 116 o que é, 9 empresarial, 95, 96,108 fases da, 45


o mpet ê ncias da, 2 pós-graduação em, 74, 87, 88, 89 individual, 100 história da, 45, 121
d1' lim e ntos, 3, 1O responsável, 93 na Engenharia Quím ica, 97,10 1 leve, (v.lndústria de consumo)
ti1' mate riais, 3 tecnologias da, 26, 29, 30, 33, 34, 114, Evaporação, 32, 76, 119 pesada (v.lndústria de base)
tlr m inas,3 119, 133 Extração líquido-líquido, 32, 78 petroquímica, 14, 16, 40, 58, 80, 118, 121
d1 p tró leo, 3, 16, 17 tendências da, 1 8, 118 Fármaco, 14, 23, 24, 31 , 32, 43, 76 têxtil, 46, 47, 56
ti, processos, 15 Engenheiro, 1, 2, 5, 74, 75, 81, 87 Fenômenos de Transporte, 27, 29, 30, 31, Indústria Química, 11, 14, 21, 34, 39, 41 ,
ambienta l, 12 77, 78, 114,118,119 44,65, 66,68,69, 72,73,74,80,87,90,
ti,• 1 , odução, 3, 15 97,99, 100,102, 112,113,123,124
111 pr duto, 15 civi l,3 Ferro,45,47,48,66, 122
criação da (v. Nascimento da Indústria
, I, • <,Pq ura nça, 15 características do, 1 Fertilizante, 13, 15, 17, 31, 32, 41, 42, 52,
Química)
69,76,80, 118,124
,. j lri c , 3,4, 109,116 competências do, 2 classificação da, 41
Filtração, 9, 31 , 75, 76, 119
, ,,,,, ncia da, 1, 116 de alimentos, 12 faturamento líquido da, 70
Floculação, 31
l11tl11;tria l, v iii , 84, 11 O de materiais, 1 2 gênese da (v.N ascimento da Indústria
Fibra, 12, 13, 17, 31, 43, 44, 70, 76, 118
111,•r, ni c ,4,74, 109,116 de minas, 12 Química)
Física, 25, 27, 28, 74, 118, 131 história da, 51, 59, 61, 69, 112
1,,.,1,il ~1rg ica, 3, 1O de petróleo, 12
Físico-Química, 12, 27, 28, 75, 77, 131 moderna, 52, 53, 73, 97
\f ~,1 1, ,56 de produção, 12
Fluxograma, 34, 120 nascimento da, 53, 54, 73, 80, 85, 112,
1 ,1c1• 11h ria Química, viii, 2, 4, 9, 1O, 1 7, 23, elétrico, 4, 74
Gás natural, 13, 16, 19, 117, 118 122, 125
i· I, 2 , 27, 74, 75, 76, 78, 80, 83, 84, 87, habilidades do, 5
li•, , 3,105,107, 109,114,116, 124 Gasolina, 13, 17, 54, 55, 117 sa ldo comercial brasi leiro da, 71
industrial, 12
,111w, de a tuação da, (v.Área de atuação Gestão, 2, 25, 33, 36 segmentos da, 42
mecânico,4, 74, 75
do 1'11 9 nheiro químico) ambiental, 27, 36, 135 Informática, 2, 26, 27, 78, 81, 131
metalúrgico, 12
, ,11,1po d atuação da,(v.Área de atuação d e pessoas, 2, 135 ISO, 102
dü I n nhe iro químico) perfil do, 2, 116
d e projeto, 15 9000, 102,105,126
, 1 ilLl.i da, 24, 25, 27, 28, 30, 33, 34, 38, têxtil, 12
financeira, 15, 135 14000, 103,105,126
//,8 1,86, 118, 119,133 Engenheiro químico, 4, 16, 18, 20, 23, 24,
industrial, 135 Matemática, 25, 28, 118, 132
1 1111111 • ime ntos essenciais à, 24 44,76, 81, 88, 93, 97,100,105,106,107,
11 o, 115 organizacional,24,25,26,33,34,36, 110,135 Matéria-prima, 11 , 13, 15, 19, 20, 34, 40, 45,
, ,1111 11lis t s da, 17, 118 46,48,53,56,61,62,90, 101, 120,1 23
área de atuação do, 13, 14, 117 tecnológ ica, 15, 24, 26, 27, 33, 134
1 11111 1ili uição da, 16, 17 Mecânica dos fluidos (v. Transferência de
at ividades do, 4, 14, 16, 20, 36, 80, 118 Habilidade, 5, 6, 7, 9, 37
r 1i,1Ç,, d c ursos de Engenharia Química, Quantidade de Movimento)
ca racterísticas do, 11, 90, 105, 127 conceitua i, viii, 5, 94, 96, 105,106, 116
11/, 88, 1 25 Medicamento (v.Fá rmacos)
campo de atuação do, 14, 18, 79, 117 humana, viii, 5, 6, 37, 94, 97,106,109, 116, 125
tltJut r do e m (v.Pós-graduçãoem Enge- Meio Ambiente, 4, 12, 36, 99, 102, 103,
1111.irlu Química) evolução do campo de atuação do, 79 técnica, viii, 5, 6, 94, 97,105,106, 109, 116 1 05, 11 5, 126
,..,,, n ia da, 9 formação do, 11, 23, 24, 28, 36, 37, 38, 72, Inseticida; 4, 13, 3 1, 41, 42, 76, 111 Mercado de trabalho, 3
r' tl ,1na (v.Ética na Engenharia Química) 77, 78,83,88, 103,110 Indústria, 39, 45, 46, 48 Nafta, 13, 34, 40, 41, 55
l11nd.imentos da, 29, 33, 37,38,78, 96, 119 habilidades do, 5,26, 115 ia geração, 40, 121 Naylon, 122
ltJI Uld reasda,18 objeto do, 13 2ª geração, 40, 121 Operações, 11
q1, d11 çã oem,viii,26,28,85,87,88,89, o que é, 11 3ª geração, 40, 121 de Transferência de Ma ssa, 31,32, 78,119,
11 1, 125 reconhecimento da profissão de, 86, 125 de base,40, 121 134
h istória da, 73, 83, 114 responsabilidades do, viii, 93, 127 de consumo,40 energéticas, 31,32, 119,133
Impacto da, 1o Especialidade (produtos químicos), 43, deponta,40, 12 1 unitárias, 16, 25, 27, 30, 31, 37, 75, 76, 78,
44,59, 72, 12 1 de transformação, 39, 61 , 64, 65, 71,85, 81,8~ 110,118, 119, 120,124
Introdução à, 129
Ética, viii, 6, 28, 37, 94, 95, 96, 100,102, 103, 97,113,120,126 Papel, 31, 44, 63, 64, 76
m trado em (v.Pós-gradução em Enge- 1
11ha ria Quím ica) 114, 127, 130 do petróleo, 15, 16, 54, 77, 117, 118 Perfume, 14, 52, 53, 70,76, 111 ,119,720
1

L
l
m Engenharia química

PET,30,40 econômica, 104, 127


Petróleo, 4, 12, 14, 16, 32, 34,40, 44, 47, ética,viii,94, 101,104,105,106,127
51,54,55,66,68, 73,77,80, 113,122 filantrópica, viii, 104,105
Petroquímica (v. lndústria petroquímica) individual, viii, 93, 94,106
Plástico, 13, 17, 44, 50, 56, 68, 69, 77, 112, 118 legal, viii,94, 104,106
Polímero (v. Plástico) social,viii,94, 103,106,107,115,126
Polietileno, 57, 122
social empresarial, 103,104,115,127
Poluição, 14, 18, 36, 99
técnica, vi ii, 94, 106, 127
Produto, 1, 9, 1O, 13, 15, 16, 17, 33, 34, 39,
Revolução Industrial, 6, 45, 46, 47, 48, 49,
40,41,43,45,49,61, 103,118
52, 61, 71, 73, 97, 112,113, 1 14, 122
Produto químico, 11, 43, 53, 84,102, 111,
ia Fase,47
121,124
2ª Fase, 4 7, 113, 122
classificação de, 41
Fabricação de,42, 69 fenômenos característicos da, 47
Produção de vapor, 32 Sabão,52,62,76, 119
Processo, 1,9, 10, 11 , 13,31,34, 37,39,40, Sabonete (v.sabão)
45,49,62, 75,76,80, 119,127 Secagem, 9, 30, 31, 32, 76, 119
bioquímico (v. Processo biotecnológico) Sedimentação,31, 75
biotecnológico, 37, 119, 130, 135 Segurança do Trabalho, 27, 135
controle de, 9 Separação, 31, 32
quím ico, 9, 20, 27, 33, 78, 85, 118, 129 mecânica, 31, 119, 133
químico inorgânico, 121, 134 por membranas, 32
químico orgân ico, 121, 135 Setor químico (v.lndústria Química)
unitários, 77, 78, 81, 85 Stakeho/ders, 1O, 14, 26, 34, 96, 106, 11 O,
Pseudocommodities, 43, 44, 111 , 1 21 120, 127
Querosene, 54, 55, 73 Tecnologia, 2, 6, 18, 45, 49, 50, 52, 58, 68,
Química, viii, 14, 25, 27, 28, 51, 52, 74, 75, 71,73,84,87,88,90,93, 106, 114
85, 11 o, 118, 130 Teflon, 57, 58, 122
fina, 14,40,43,90, 121 Termodinâmica, 19, 24, 27, 29, 30, 77, 78,
industrial, viii, 84, 85, 86, 89, 11 O, 114 118,131,133
Químico, 1· 1, 73, 74, 75, 80, 100, 11 O Tinta,4, 13,31,32,42,51,63,64,70,76,
Químico industrial, 12, 80, 89 121,124
Rayon, 56, 64 Transferência,
Reação química, vii, 30, 130 de Calor, 29, 30, 32, 37, 77, 119, 133
Reator, de Energia (v.Transferência de Calor)
bioquímico, 27, 134 de Massa, 24, 29, 30, 31, 32, 37, 77, 78,
químico, 25, 27, 30, 37, 118, 119, 134 119, 133
Refrigeração, 19, 32 de M,atéria (v.Transferência de Massa)
Resfriamento, 32 de Quantidade d e Movimento,29,30,
Resina, 4, 30, 31, 42, 51, 62, 76, 90 77
Responsible Care Program ®, 102, 115, 126 Transformação, 6, 1 O, 13, 15, 21, 33, 34, 39,
Responsabilidade, viii, 3, 26, 93, 95, 96, 40,41,44,46,61,76, 123
101,106 Trocador de calor, 32
ambiental, 101, 127 Verniz (v.Tinta)

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