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Novo Módulo de MD 2020 Unidade 1

Matemática Discreta
Tópicos da Linguagem e da Lógica Matemáticas
Texto da Semana 6, Parte 2

Passos lógicos

Sumário
1 Introdução 19

2 Passos lógicos 21
2.1 Observação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.2 Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

3 Exercı́cios Propostos 28

1 Introdução
Como vimos no Texto da Semana 6, Parte 1, um argumento é uma sequência
finita de enunciados, em que um é considerado como conclusão (também chamado de
tese) e os demais são considerados como premissas (também chamadas de hipóteses)
sendo que as hipóteses são consideradas como justificativas para a tese:
Hipótese 1
Hipótese 2
..
.
Hipótese n
Tese
Vimos, também, que um argumento é válido se em qualquer contexto em que
suas hipóteses são simultaneamente V a sua tese também é V . E que um argumento
é inválido se não é válido, isto é, se existe ao menos um contexto no qual as suas
hipóteses são simultaneamente V e a sua tese é F .
Como vimos no Texto da Semana 3, Parte 1, e no Texto da Semana 5, Parte
1, em Lógica, trocamos a noção vaga de contexto por duas noções precisas de in-
terpretação: uma para enunciados que só possuem ocorrência de conectivos e
outra para enunciados que possuem ocorrência de quantificadores (e, possivelmente,
também de conectivos). Desta maneira, a noção de validade fica refraseada como:
Um argumento é válido se em qualquer interpretação na qual suas
hipóteses são simultaneamente V a sua tese também é V .
Um argumento é inválido se existe ao menos uma interpretação na qual
as suas hipóteses são simultaneamente V e a sua tese é F .

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Finalmente, no Texto da Semana 6, Parte 1, apresentamos o Método das Tabelas


para Validade, que é uma ferramenta para decidir a validade de argumentos que não
possuem enunciados quantificados.
Com tudo isto em mente, considere o seguinte argumento:
p∧q
¬p ∨ r
r→s
s ↔ ¬t
t∨u
¬v → ¬u
v→w
w
Este argumento é válido ou não?
Bem, poderı́amos aplicar o Método das Tabelas para Validade para responder a
esta questão. Mas, como a implicação associada ao argumento possui um total de
8 enunciados componentes — a saber p, q, r, s, t, u, v, w — isto acarretaria na
construção de uma tabela com 28 = 256 linhas o que, mesmo para uma pessoa muito
cuidadosa, pode ser uma tarefa enfadonha e, consequentemente, levar a erros. Além
disso, embora os computadores possam manipular tabelas razoavelmente grandes,
na verdade, tabelas com mais de 8 linhas já são consideradas impraticáveis para um
ser humano.
Surge, então, o problema de verificar a validade de argumentos “muito grandes”,
isto é, o problema de
dado um argumento cuja implicação associada, ϕ, possui a ocorrência
de pelo menos 4 enunciados componentes, classificá-lo como válido ou
inválido, sem construir a tabela de avaliação de ϕ.
Neste texto, vamos iniciar a elaboração de um método para resolver este pro-
blema: o Método das Demonstrações. Este método está mais perto da atividade
matemática do que outros processos que são estudados em Lógica, para a resolução
do problema da validade de argumentos. Na verdade, podemos dizer que do ponto
de vista da Linguagem e da Lógica Matemáticas, as atividades mais importantes
executadas pelos matemáticos são a definição (descrição) de conceitos e a demons-
tração (justificativa) de resultados.
Se você já estudou demonstrações em outras disciplinas, certamente o estudo que
segue enriquecerá a visão que você tem sobre esta noção. Se você nunca estudou
demonstrações, o estudo que segue pode ser considerado como uma porta de entrada
para estes aspecto fascinante da atividade matemática.
Mais especificamente, neste texto, abordamos a noção fundamental de passo
lógico (Seção 2).
Depois de estudarmos este texto, vamos ser capazes de: mostrar que um argu-
mento é um passo lógico, examinando as possibilidades de valores para seus compo-
nentes (Exercı́cios 3 e 1); e mostrar que um argumento não é um passo lógico,
exibindo uma interpretação na qual suas premissas são V e sua conclusão é F
(Exercı́cio 2).

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2 Passos lógicos
Uma alternativa para o Método das Tabelas para Validade (que também pode
ser aplicada no estudo da validade de argumentos que possuem enunciados quanti-
ficados) surge da tentativa de classificar os argumentos de acordo com a dificuldade
inerente de classificá-los como válidos ou não:
(1) Existem argumentos cujas validades (ou invalidades) são fáceis de determinar.
(2) Existem argumentos cujas validades (ou invalidades) não são tão fáceis de
determinar.
Vejamos exemplos de argumentos que pertencem às categorias (1) e (2), acima.

Exemplo 1 (a) Considere o argumento

p∧q
p
Com um pouco de pensamento, concluı́mos que este argumento é válido e que,
na verdade, a sua validade é imediata.
De fato, supondo p ∧ q : V , podemos concluir que ambos os componentes são V .
Assim, temos p : V .
Ou seja, em todas as interpretações em que a premissa é V , a conclusão também
é V . Logo, o argumento é válido.

(b) Por razões análogas às do argumento do Exemplo 1(a), o argumento

p∧q
q
também é válido e sua validade é imediata.

(c) Considere o argumento


p∨q
p
Com um pouco de pensamento, concluı́mos que este argumento é inválido e que,
na verdade, sua invalidade é imediata.
De fato, supondo p ∨ q : V , podemos concluir que ao menos um dos dois compo-
nentes é V . Mas não podemos concluir que p : V .
Por exemplo, tomando p : F e q : V , temos premissa V e conclusão F .
Ou seja, existe ao menos uma interpretação em que a premissa é V e a conclusão
é F . Logo, o argumento é inválido.

(d) Por razões análogas às do argumento do Exemplo 1(c), o argumento

p∨q
q
também é inválido e sua invalidade é imediata. 

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Os argumentos do Exemplo 1 motivam um dos principais conceitos que nos levam


a um método alternativo (ao Método das Tabelas para Validade), para a justificativa
da validade de argumentos: a noção de passo lógico.

Um passo lógico é um argumento simbolizado que

1. possui no máximo ocorrências de três variáveis;

2. possui no máximo três premissas;

3. é válido.

Exemplo 2 Os argumentos do Exemplo 1(a) e 1(b) são passos Lógicos. Os outros


não são.

Vejamos mais alguns exemplos e contra-exemplos de passos lógicos.

Exemplo 3 (a) O argumento


p
p→q
q
é um passo lógico.
De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, supondo p : V
e p → q : V , temos uma implicação V cujo antecedente também é V . Agora, como a
verdade não decresce quando passamos do antecedente para o consequente de uma
implicação, temos q : V .
Ou seja, em todas as interpretações em que as premissas são V , a conclusão
também é V . Logo, o argumento é válido.

(b) O argumento
q
p→q
p
não é um passo lógico.
De fato, supondo q : V e p → q : V , temos uma implicação V cujo consequente
também é V . Mas isto não nos permite concluir que o antecedente também é V .
Por exemplo, tomando p : F e q : V , temos premissas V e conclusão F .
Ou seja, existe ao menos uma interpretação em que as premissas são V e a con-
clusão é F . Logo, o argumento é inválido.

(c) O argumento
p∨q
¬q
p

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é um passo lógico.
De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, supondo p ∨ q :
V e ¬q : V , temos p ∨ q : V e q : F . Agora, como a disjunção é V e o segundo
componente é F , temos que ter o primeiro componente V . Assim, p : V .
Ou seja, em todas as interpretações em que as premissas são V , a conclusão
também é V . Logo, o argumento é válido.

(d) O argumento
p∨q
q→r
.
r
não é um passo lógico.
De fato, supondo p ∨ q : V e q → r : V , temos que ao menos um dentre p e q
é V e que a verdade não decresce quando passamos de q para r. Mas isto não nos
permite concluir que r : V .
Por exemplo, tomando a interpretação p : V , q : F e r : F , temos p ∨ q : V ,
q → r : V e r : F.
Ou seja, existe ao menos uma interpretação em que as premissas são V e a con-
clusão é F . Logo, o argumento é inválido.

(e) O argumento
¬p
p→q
é um passo lógico.
De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, supondo ¬p :
V , temos p : F . Agora, como o antecedente é F , temos que p → q : V .
Ou seja, em todas as interpretações em que as premissas são V , a conclusão
também é V . Logo, o argumento é válido. 

O ponto principal sobre a noção de passo lógico é que a validade de um argumento


candidato a passo lógico pode ser justificada, com um pouco de pensamento, pelo
seguinte processo:

(1) Supor que as premissas do argumento são simultaneamente V .

(2) Raciocinar a partir desta suposição, por meio das tabelas dos conectivos, de
modo a mostrar que sob esta suposição a conclusão também é V .

Por outro lado, para justificar que um argumento candidato a passo lógico não é
um passo lógico, basta exibir uma interpretação na qual as premissas do argumento
são simultanemante V e a conclusão é F .
Nos casos mais extremos, quando o uso do processo explicado acima parecer
complicado, podemos verificar se um argumento é um passo lógico, recorrendo a
uma tabela de avaliação.

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Exemplo 4 O argumento
p∨q
q→r
p↔r
não é um passo lógico.
Se você tiver dificuldade em justificar isto usando raciocı́nio análogo aos usados
acima, basta construir uma tabela de avalição. De fato, como o argumento possui
ocorrência de apenas três componentes — a saber p, q e r — a tabela de avaliação da
implicação associada possui apenas 8 interpretações e construı́-la não é considerada
uma tarefa muito trabalhosa.
De fato, a implicação associada é:
ϕ : [(p ∨ q) ∧ (q → r)] → (p ↔ r)
e a tabela de avaliação de ϕ é:
ψ1 ψ2
z }| { z }|
p ∨ q q → r p ↔ r ψ1 ∧ ψ2
{
p q r ϕ
V V V V V V V V
V V F V F F F V
V F V V V V V V
V F F V V F V F
F V V V V F V F
F V F V F V F V
F F V F V F F V
F F F F V V F V
Como existe ao menos uma interpretação — por exemplo, p : V , q : F e r : F —
na qual a implicação associada é F , o argumento é inválido.

2.1 Observação
Observação 1 Nosso objetivo é classificar como passos lógicos argumentos válidos
que possuem tabelas pequenas, pois nos casos extremos isto facilita a verificação de
que eles são, de fato, passos lógicos. Mas, ... atenção!!!
Na prática, muitas vezes é conveniente considerarmos como passos lógicos, argu-
mentos válidos que possuem tabelas um pouco maiores, mas cujas validades “saltam
aos olhos”.
Por exemplo, qualquer estudante de Lógica que observa que o argumento
p∧q
p
é um passo lógico, não vacila em considerar que o argumento
p∧q∧r∧s∧t
p
cuja tabela possui 32 linhas, também pode ser aceito como um passo lógico, dado
que sua validade “salta aos olhos”.

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2.2 Exercı́cios
Exercı́cio 1 Mostre que os seguintes argumentos são passos lógicos:
Passos lógicos associados ao ¬:
¬¬p ¬(p ∧ q) ¬(p ∨ q)
(i) (ii) (iii)
p (¬p) ∨ (¬q) (¬p) ∧ (¬q)

Passos lógicos associados ao ∧:


p
p∧q p∧q q
(iv) (v) (vi)
p q p∧q

Passos lógicos associados ao ∨:


p∨q
p→r
p p∨q q→r
(vii) (viii) (ix)
p∨q q∨p r

Passos lógicos associados ao →:


p p→q p→q
p→q q→r ¬q
(x) (xi) (xii)
q p→r ¬p

Passos lógicos associados ao ↔:


p↔q p↔q p ∧ ¬q
(xiii) (xiv) (xv)
p→q q→p ¬(p ↔ q)

Exercı́cio 2 Mostre que os argumentos abaixo não são passos lógicos, exibindo uma
interpretação na qual a(s) premissa(s) é(são) V e a conclusão é F :
¬(p ∧ q) p ∨ (¬q) p→q
(i) (ii) (iii)
(¬p) ∧ (¬q) p→q p∧q
p∨q p∨q
p∨q ¬q q∨r
(iv) (v) (vi)
p∧q p→q p∨r

p
p → (¬q)
q∨r
r→s
(vii)
p→s

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Exercı́cio 3 Classifique os argumentos abaixo como passos lógicos ou não:

¬p ¬¬¬p ¬p
(i) (ii) (iii)
p ¬p ¬¬¬p

p∧q p∧q∧r p∨q


(iv) (v) (vi)
q∧p q p∧q

p∨q ¬p ¬(p ∨ q)
(vii) (viii) (ix)
¬p ¬(p ∨ q) ¬q

p→q p→q ¬p
(x) (xi) (xii)
p q p→q

q p↔q p∧q
(xiii) (xiv) (xv)
p→q p∧q p↔q

Antes de ler a resolução, tente resolver o exercı́cio usando os con-


ceitos estudados.

Resolução do Exercı́cio 1: (i) De fato, possui ocorrências de apenas uma variável. Além disso,
suponhamos que ¬¬p : V . Daı́, ¬p : F . Logo, p : V . Ou seja, em todas as interpretações em
que a premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. (ii) De fato, possui
ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que ¬(p ∧ q) : V . Daı́, p ∧ q : F .
Assim, ao menos um dos dois p : F ou q : F . Daı́, ao menos um dos dois ¬p : V ou ¬q : V . Logo,
(¬p) ∨ (¬q) : V . Ou seja, em todas as interpretações em que a premissa é V a conclusão também
é V . Assim, o argumento é válido. (iii) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis.
Além disso, suponhamos que ¬(p ∨ q) : V . Daı́, p ∨ q : F . Assim, ambos p : F e q : F . Daı́,
ambos ¬p : V e ¬q : V . Logo, (¬p) ∧ (¬q) : V . Ou seja, em todas as interpretações em que a
premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. Observe que (i), (ii) e (iii)
são, na verdade, equivalências. (iv) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além
disso, suponhamos que p ∧ q : V . Daı́, ambos p : V e q : V . Logo, p : V . Ou seja, em todas as
interpretações em que a premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. (v)
De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que p ∧ q : V . Daı́,
ambos p : V e q : V . Logo, p : V . Ou seja, em todas as interpretações em que a premissa é V a
conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. (vi) De fato, possui ocorrências de apenas
duas variáveis. Além disso, suponhamos que p : V e q : V . Daı́, p ∧ q : V . Ou seja, em todas as
interpretações em que as premissas são V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido.
Observe que nenhum dentre (iv), (v) e (vi) é uma equivalência. (vii) De fato, possui ocorrências
de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que p : V . Logo, p ∨ q : V . Ou seja, em todas
as interpretações em que a premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido.
(viii) Suponha p ∨ q : V . Daı́, ao menos um dos dois p : V ou q : V . Logo, q ∨ p : V . Ou seja,
em todas as interpretações em que a premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento
é válido. (ix) De fato, possui ocorrências de apenas três variáveis. Além disso, suponhamos que

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p ∨ q : V , p → r : V e q → r : V . Daı́, ao menos um dos dois p : V ou q : V . Se for p : V , como


p → r : V , temos r : V . Analogamente, se for q : V , como q → r : V , temos r : V . Logo, sempre
temos r : V . Ou seja, em todas as interpretações em que as premissas são V a conclusão também é
V . Assim, o argumento é válido. Observe que (viii) é uma equivalência, mas nem (vii) nem (ix) são
equivalências. (x) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos
que p : V e p → q : V . Daı́, temos que ter q : V . Pois se fosse q : F , terı́amos p : V e q : F ,
o que nos daria p → q : F , contradizendo a Tabela do →. Ou seja, em todas as interpretações
em que as premissas são V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. (xi) De fato,
possui ocorrências de apenas três variáveis. Além disso, suponhamos que p → q : V e q → r : V .
Daı́, temos que ter p → r : V . Pois se fosse p → r : F , terı́amos p : V e r : F . Agora, p : V e
p → q : V nos daria q : V . Além disso, q : V e q → r : V nos daria r : V . Assim, ao final, terı́amos
p : V e r : V , o que nos daria p → r : V , contradizendo a Tabela do →. Ou seja, em todas as
interpretações em que as premissas são V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido.
(xii) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que p → q : V
e ¬q : V . Daı́, q : F . Assim, temos que ter p : F , ou seja, ¬p : V . Pois se fosse p : V , terı́amos p : V
e q : F , contradizendo a Tabela do →. Ou seja, em todas as interpretações em que as premissas são
V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. Observe que nenhum dentre (x), (xi) e
(xii) é uma equivalência. (xiii) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso,
suponhamos que p ↔ q : V . Daı́, p e q têm o mesmo valor. Se ambos são V , temos p → q : V . Se
ambos são F , temos p → q : V . Logo, sempre temos p → q : V . Ou seja, em todas as interpretações
em que a premissa é V a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. (xiv) De fato, possui
ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que p ↔ q : V . Daı́, p e q têm o
mesmo valor. Se ambos são V , temos q → p : V . Se ambos são F , temos q → p : V . Logo, sempre
temos q → p : V . Ou seja, em todas as interpretações em que a premissa é V a conclusão também é
V . Assim, o argumento é válido. (xv) De fato, possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além
disso, suponhamos que p ∧ ¬q : V . Daı́, temos p : V e ¬q : V . Assim, p : V e q : F . Daı́, p ↔ q : F .
Logo, ¬(p ↔ q) : V . não podemos ter q → p : F , pois se assim fosse, terı́amos q : V e p : F ,
contradizendo a suposição p ↔ q : V . Ou seja, em todas as interpretações em que a premissa é V
a conclusão também é V . Assim, o argumento é válido. Observe que nenhum dentre (xiii), (xiv)
e (xv) é uma equivalência. Resolução do Exercı́cio 2: (i) Considere a interpretação p : V e
q : F . Temos p ∧ q : F . Assim, ¬(p ∧ q) : V (premissa V ). Mas como p : V , temos ¬p : F . Assim,
(¬p) ∧ (¬q) : F (conclusão F ). Logo, o argumento é inválido. (ii) Considere a interpretação p : V
e q : F . Temos ¬q : V . Assim, p ∨ (¬q) : V (premissa V ). Mas p → q : F (conclusão F ). Logo, o
argumento é inválido. (iii) Considere a interpretação p : F e q : V . Temos p → q : V (premissa V ).
Mas p ∧ q : F (conclusão F ). Logo, o argumento é inválido. (iv) Considere a interpretaçãor p : V
e q : F . Temos p ∨ q : V (premissa V ). Mas p ∧ q : F (conclusão F ). Logo, o argumento é inválido.
(v) Considere a interpretação p : V e q : F . Temos p ∨ q : V e ¬q : V (premissas simultaneamente
V ). Mas p → q : F (conclusão F ). Logo, o argumento é inválido. (vi) Considere a interpretação
p : F , q : V e r : F . Temos p ∨ q : V e q ∨ r : V (premissas simultaneamente V ). Mas p ∨ r : F
(conclusão F ). Logo, o argumento é inválido. (vii) Não é um passo lógico, pois possui ocorrências
de 4 variáveis. Lembre-se: passos lógicos são argumentos pequenos! Resolução do Exercı́cio 3:
(i) Possui ocorrências de apenas uma variável. Além disso, suponhamos que ¬p : V . Daı́, p : F .
Mas não podemos concluir que p : V . Por exemplo, tomando p : F , temos ¬p : V e p : F . Logo, o
argumento é inválido. Assim, é um passo lógico. (ii) Possui ocorrências de apenas uma variável.
Além disso, suponhamos que ¬¬¬p : V . Daı́, ¬¬p : F . Assim, ¬p : V . Logo, o argumento é
válido. Assim, é um passo lógico. (iii) Possui ocorrências de apenas uma variável. Além disso,

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suponhamos que ¬p : V . Daı́, ¬¬p : F . Assim, ¬¬¬p : V . Logo, o argumento é válido. Assim, é
um passo lógico. (iv) Possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que
p ∧ q : V . Daı́, p : V e q : V . Assim, q ∧ p : V . Logo, o argumento é válido. Assim, é um passo
lógico. (v) Possui ocorrências de apenas três variáveis. Além disso, suponhamos que p ∧ q ∧ r : V .
Daı́, p : V , q : V e r : V . Assim, q : V . Logo, o argumento é válido. (vi) Suponhamos que p ∨ q : V .
Daı́, ao menos um dentre p e q é V . Mas não podemos concluir que os dois são V . Por exemplo,
tomando p : V e q : F , temos p ∨ q : V e p ∧ q : F . Logo, o argumento é inválido. Assim, não
é um passo lógico. (vii) Suponhamos p ∨ q : V . Daı́, ao menos um dentre p e q é V . Mas não
podemos concluir que ¬p : V , ou seja, que p : F . Por exemplo, tomando p : V e q : V , temos
p ∨ q : V e ¬p : F . Logo, o argumento é inválido. Assim, não é um passo lógico. (viii) Suponhamos
¬p : V . Daı́, temos p : F . Mas não podemos concluir que ¬(p ∨ q) : V , ou seja, que p ∨ q : F . Por
exemplo, tomando p : F e q : V , temos ¬p : V e ¬(p ∨ q) : F . Logo, o argumento é inválido. Assim,
não é um passo lógico. (ix) Possui ocorrências de apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos
que ¬(p ∨ q) : V . Daı́, p ∨ q : F . Daı́, ambos p e q são F . Daı́, q : F . Assim, ¬q : V . Logo,
o argumento é válido. Assim, é um passo lógico. (x) Suponhamos p → q : V . Desta informação
não podemos concluir que p : V . Por exemplo, tomando p : F e q : V , temos p → q : V e p : F .
Logo, o argumento é inválido. Assim, não é um passo lógico. (xi) Suponhamos p → q : V . Desta
informação não podemos concluir que q : V . Por exemplo, tomando p : F e q : F , temos p → q : V
e q : F . Logo, o argumento é inválido. Assim, não é um passo lógico. (xii) Possui ocorrências de
apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que ¬p : V . Daı́, p : F . Daı́, p → q : V . Logo, o
argumento é válido. Assim, é um passo lógico. (xiii) Possui ocorrências de apenas duas variáveis.
Além disso, suponhamos que q : V . Daı́ p → q : V . Logo, o argumento é válido. Assim, é um
passo lógico. (xiv) Supondo p ↔ q : V . Daı́, temos que p e q possuem os mesmos valores. Mas
não podemos concluir que ambos são V . Por exemplo, tomando p : F e q : F , temos p ↔ q : V e
p ∧ q : F . Logo, o argumento é inválido. Assim, não é um passo lógico. (xv) Possui ocorrências de
apenas duas variáveis. Além disso, suponhamos que p ∧ q : V . Daı́, temos p : V e q : V . Daı́, p e
q possuem os mesmos valores. Assim, p ↔ q : V . Logo, o argumento é válido. Assim, é um passo
lógico.

3 Exercı́cios Propostos

Após resolver cada exercı́cio proposto, verifique se alguma resolução para ele
já foi postada na Sala de MD. Se não, poste a sua resolução. Se sim, caso
haja discordância, comente a resolução que já foi postada, dialogando com os
colegas.

Exercı́cio Proposto 1 Verifique se os seguintes argumentos são passos lógicos:

¬p
¬(p → q) q ¬q
(i) (ii) (iii)
p ∧ (¬q) p→q (p → r) ∧ (¬q)

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p→q
q→r
¬q ¬r ¬(p → (q → r))
(iv) (v) (vi)
(p ∨ r) ∨ (¬q) ¬p ¬r

p ∨ (q → p) p → (q → r)
¬p ¬(p ∧ (q → r)) ¬q
(vii) (viii) (ix)
(¬q) ∨ p ¬r ¬p

p ∧ (q → r)
¬r
q∨s
(x)
p∧s

c 2020 Márcia Cerioli e Petrucio Viana


Coordenação da Disciplina MD/CEDERJ-UAB

Atualizado em 14 de setembro de 2020.

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