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Universidade de Brasília

Departamento de Engenharia Civil e Ambiental / FT


Geotecnia

CAPÍTULO 2 – FATORES QUE INTERFEREM NO ARRANJO GERAL


DE UM APROVEITAMENTO

2.1 - ARRANJOS DOS APROVEITAMENTOS

Os arranjos dos aproveitamentos são estudados para cada local, considerando-se


principalmente as condições topográficas locais, o provável apoio logístico em fase de
construção, a possibilidade de evacuação de cheias durante a construção, a provável
disponibilidade de materiais de construção, as condições gerais do ponto de vista geológico e
geotécnico, a potência instalada calculada para o aproveitamento, a descarga calculada para o
vertedouro e os resultados dos estudos especiais.

O arranjo de um aproveitamento hidrelétrico é muito influenciado pelo tipo de vale, podendo


este ser este encaixado e estreito, semi-encaixado ou aberto. Em vales encaixados e estreitos é
usual a execução de barragens de concreto do tipo arco, como mostrado na Figura 2.1. No
caso de vales semi-encaixados pode-se optar por barragens do tipo gravidade, com
contrafortes (Figura 2.2) ou mesmo barragens de enrocamento. Quando se têm vales muito
abertos, recomenda-se barragens do tipo gravidade de concreto convencional ou concreto
compactado com rolo (CCR) e barragens de terra.

As Figuras de 2.3 a 2.5 ilustram arranjos típicos para os três tipos de vales citados
anteriormente.

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-1


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Figura 2.1 - UHE Funil-RJ – Barragem tipo abóboda de concreto

Figura 2.2 - UHE Funil-BA – Barragem de concreto com contrafortes

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-2


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Tomada de água
Barragem
Vertedouro

Casa de força

Figura 2.3 - Arranjo típico em vale estreito (UHE Yoshida)

Ensecadeira

T únel de Barragem
desvio

Vertedouro

T om ada
de água

C asa de força

Figura 2.4 - Arranjo típico em vale medianamente encaixado (UHE Foz do Areia)

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-3


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Eclusa

Vertedouro

Barragem

Casa de Força

Canal de fuga
Barragem

Figura 2.5 - Arranjo típico em vale aberto (UHE Tucuruí)

2.2 – DEFINIÇÃO DO TIPO DE BARRAGEM

A escolha do tipo de barragem dependerá, principalmente, da existência de material


qualificado para sua construção, dos aspectos geológicos e geotécnicos, e da conformação
topográfica do local da obra. Outros fatores igualmente importantes para a seleção são:

 disponibilidade de solo ou rocha: proveniente de escavações requeridas, disponíveis em


quantidade e qualidade adequadas, segundo um fluxo compatível com a construção do
arranjo proposto;
 natureza das fundações: barragens de enrocamento e de concreto somente deverão ser
colocadas sobre fundação em rocha, enquanto que as de terra poderão ser colocadas em
solo; e
 condições climáticas: a existência de períodos chuvosos razoavelmente prolongados onera
exageradamente a construção de aterro de solo compactado ou núcleos de argila porque
condiciona o progresso da construção.

Um local poderá ser considerado propício para construção de barragem de terra homogênea
(Figura 2.6) quando o reconhecimento de campo indicar que a rocha se encontra a grandes

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-4


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profundidades na área em consideração. Esse tipo de barragem exige menor declividade nos
paramentos de montante e jusante e, portanto, resultando em maiores volumes. Por isso, é
utilizado para pequenas e médias alturas.

NAmax
B
NAmin
2,5 Hba
3,0 1
1

aterro filtro

Figura 2.6 - Seção típica de barragem homogênea de terra

O local poderá ser considerado propício para construção de barragem de enrocamento com
núcleo de argila (Figuras 2.7 e 2.8) ou com face de concreto (Figura 2.9) se o reconhecimento
de campo indicar, na área selecionada, a existência de rocha sã e de boa qualidade ao longo do
eixo, a pequena profundidade. Esse tipo de barragem não necessita de condições especiais de
fundação. Grandes volumes de escavação em rocha na casa de força, em canais e vertedouros
são um bom indicativo para a utilização deste tipo de barragem. Além disso, se existirem
períodos chuvosos ou excessiva umidade que prejudique a execução de núcleos de argila, ou a
dificuldade na obtenção de material adequado para o núcleo, a solução com face de concreto é
a mais indicada.

Um local poderá ser considerado propício para construção de barragem de concreto (Figura
2.10) quando o reconhecimento de campo indicar, na área selecionada, a existência de rocha
sã e com compressibilidade pequena ao longo de todo o eixo já que estas exercem maiores
pressões nas fundações, a pequena profundidade. A estabilidade é garantida principalmente
pelos esforços de gravidade. A não ser em casos excepcionais, somente deverão ser
consideradas barragens de concreto tipo gravidade maciça.

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-5


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transição
10,0
NA
B
0,2 0,2
1
1 1 H ba
El te

enrocamento núcleo de argila

Figura 2.7 – Seção típica de barragem de enrocamento com núcleo de argila vertical

tra n siç ã o

E lcr
N A max
B

1 1
0 ,8
H ba
1
1
0 ,5
E lte

n ú c le o d e a rg ila

e n ro c a m e n to

Figura 2.8 – Seção típica de barragem de enrocamento com núcleo de argila inclinado

B NAmax
laje de concreto

1 Hba

enrocamento
Elte
Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-6

plinto transição
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Figura 2.9 – Seção típica de barragem de enrocamento com face de concreto

8,0
Elcr
NAma
Hbl
x

1
Hba

Elte

Figura 2.10 – Seção típica de barragem de concreto convencional a gravidade

Barragens – Apostila G.AP-AA006/01 – Capítulo 2 1-7