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Ensaios de Laboratório

Ensaios de Permeabilidade

A permeabilidade do solo é influenciada basicamente pela dimensão e forma de vazios que


ocorrem no mesmo. De uma forma geral pode-se prever que solos “porosos” sejam mais
permeáveis do que solos densos. Contudo, a porosidade, se considerada isoladamente, não
pode ser associada a uma permeabilidade, porque são as dimensões e as formas dos vazios
que definem a permeabilidade.
Para um mesmo índice de vazios, pode-se obter permeabilidades que variam em até 500 vezes
em um mesmo tipo de solo. Isto indica que a permeabilidade é afetada diretamente pela
estrutura do solo. Devido a tal fato, deve-se realizar os ensaios de permeabilidade com
amostras retiradas do ensaio de compactação, que representarão de forma mais fidedigna as
condições que serão encontradas no maciço.

Os ensaios de permeabilidade se dividem em duas categorias, o de carga constante, que é mais


aplicado aos solos granulares devido a sua permeabilidade relativamente alta, e o de carga
variável, que é mais aplicado aos solos finos, onde a permeabilidade é relativamente baixa. A
diferença básica entre esses dois ensaios é que o de carga constante possui uma fonte de
alimentação que mantêm o nível de água constante, ou seja, a mesma carga durante todo o
ensaio, ao passo que no ensaio de carga variável não existe reposição de água.

Entretanto, tanto o ensaio de carga constante quanto o de carga variável possuem uma grande
deficiência, pois ambos os ensaios são realizados sem considerar o adensamento e o
confinamento do solo. Sabe-se que com o decorrer do tempo, o maciço adensa, o que
modifica o seu índice de vazios inicial e a estrutura inicial do solo. Sendo assim, os
parâmetros de permeabilidade obtidos por estes ensaios podem não ser representativos para os
cálculos de projeto da barragem.

Ensaios de adensamento

Os ensaios oedométricos ou de adensamento são ensaios de compressão unidimensional


realizados com total drenagem, onde são medidas as cargas aplicadas, as variações de altura

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do corpo de prova e o tempo em que estas variações ocorrem. As deformações laterais são
nulas.

A medida da permeabilidade em ensaios de adensamento constitui-se numa técnica simples,


sendo o resultado obtido mais representativo que os ensaios a carga variável em laboratório,
por incorporar a redução dos vazios decorrentes das pressões aplicadas e pela maior facilidade
de garantir a saturação da amostra.

A colapsibilidade dos solos de fundação de barragens sob o efeito da inundação, sem


acréscimo de pressão, tem sido também determinada através dos ensaios de adensamento.
Neste caso convém se verificar a ocorrência de colapso a várias pressões.

Além da utilização em cálculo de recalques convencionais (teoria de adensamento de


Terzaghi), os resultados dos ensaios de adensamento têm sido aplicados na determinação dos
módulos de elasticidade para o cálculo das deformações de barragens pela teoria elástica.

Ensaio de cisalhamento direto

Durante muitos anos o ensaio de cisalhamento direto foi muito utilizado para a avaliação da
resistência dos solos. Na atualidade é realizado devido à sua fácil execução e ao baixo custo
(Juarez & Rico, 1976). O ensaio é executado em uma caixa constituída de duas partes, uma
primeira parte fixa que contém aproximadamente a metade da amostra, e uma segunda móvel
que contém a metade restante. Duas pedras porosas, uma localizada na parte inferior, e outra
na parte superior da amostra, permitem a drenagem livre de amostras saturadas. A parte
superior móvel, tem um elemento no qual é possível a aplicação de uma carga horizontal no
plano de separação das duas peças, provocando desta forma, a ruptura do corpo de prova ao
longo deste plano bem definido. Sobre a parte superior da caixa de cisalhamento, é possível a
aplicação de carga vertical, proporcionando uma pressão normal no plano de ruptura, n. Esta
pressão pode ser livremente definida pelo operador do equipamento (Juarez & Rico, 1976). A
adição de extensômetros ao equipamento permite a medição de deslocamentos da amostra nas
direções horizontal e vertical. A Figura 2.1 mostra um esquema do equipamento de
cisalhamento direto.

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Caixa N
Superior móvel
Extensômetros

Amostra de Solo
Pedra Porosa
Caixa Inferior Fixa

Figura 2.1 - Equipamento de cisalhamento direto.

Existem duas formas de realização dos ensaios de cisalhamento direto. A primeira consiste
em definir e aplicar a carga vertical para atingir a pressão normal no plano de ruptura. Após
este procedimento, continua-se a induzir na amostra uma deformação controlada, definida por
uma taxa de deformação fixada pelo operador do equipamento (velocidade de cisalhamento).
Durante o processo de deformação da amostra é medida a força tangencial T, aplicada ao
corpo de prova. Este procedimento é conhecido como Ensaio de Cisalhamento a Deformação
Controlada. Já a segunda forma consiste em alcançar a pressão normal no plano de ruptura, e
posteriormente, procede-se induzindo no corpo de prova incrementos da força tangencial T,
medindo os deslocamentos horizontais e verticais geradas pela aplicação desta força
tangencial. Este procedimento recebe o nome de Ensaio de Cisalhamento Direto a Tensão
Controlada.

Com os resultados obtidos do ensaio é possível a construção de curvas de tensão tangencial


() versus deslocamentos horizontais (), para uma determinada tensão normal (n), confotme
apresentado na Figura 2.2 . A partir destas curvas é possível definir os critérios de ruptura do
material, e que tipo de ruptura apresenta, ou seja, se é frágil ou dúctil. Definida a tensão de
ruptura do material () para uma determinada tensão normal (n), e executando o ensaio várias
vezes sob as mesmas condições, mas com diferentes valores de tensão normal, é possível
obter a envoltória de ruptura do material. Da envoltória de ruptura é possível a determinação
dos parâmetros de resistência como coesão (c) e ângulo de atrito () do material, conforme
mostrado na Figura 2.3. A coesão é definida como a intercessão da reta que melhor se ajusta à
envoltória de ruptura com o eixo da tensão cisalhante (), e o ângulo de atrito é representado
pela inclinação desta reta. Em função da magnitude das tensões normais, pode-se não obter

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envoltórias de ruptura retilíneas. Neste caso, o ângulo de atrito e o intercepto de coesão
variam com o incremento da tensão normal (n).

Figura 2.2 – Deslocamentos horizontais x cargas tangenciais.

Figura 2.3 – Valores de  x n.

Este processo de determinação da resistência ao cisalhamento dos solos apresenta algumas


desvantagens. A primeira delas é o fato de que o corpo de prova é condicionado a romper em
um plano de ruptura pré-determinado, desconsiderando a presença de estruturas herdadas ou
planos de fraqueza. Em segundo lugar, a distribuição das tensões no plano de ruptura não é
completamente uniforme, o conjunto de tensões é complexo, e existem rotações das tensões
principais à medida que se incrementa a tensão de cisalhamento. Também não se pode

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controlar a drenagem durante o ensaio, a poro pressão não pode ser medida, e as deformações
aplicadas à amostra são limitadas pelas condições do equipamento.

O ensaio também apresenta grandes vantagens como ser de fácil execução, os princípios
teóricos básicos serem de fácil entendimento, e a moldagem dos corpos de prova ser de rápida
execução. Outras vantagens são que podem ser elaborados equipamentos de maiores
dimensões a um custo relativamente menor que para outro tipo de ensaios e que as
propriedades medidas como ângulo de atrito e coesão podem ser considerados de boa
representatividade. O equipamento pode ser utilizado para ensaios drenados e para a medida
da resistência ao cisalhamento residual, pelo processo de múltipla reversão da direção de
cisalhamento.

Ensaio de compressão simples

Este ensaio é um caso particular do ensaio triaxial onde a tensão confinante é nula. Na área de
barragens de terra geralmente estes ensaios são preteridos em relação aos ensaios triaxiais. A
maior aplicação destes ensaios é no caso de argilas saturadas onde a resistência à compressão
simples deveria ser semelhante a resistência destes solos em ensaios Q (na realidade um
pouco inferior se é considerada a tração nas bordas do corpo de prova). A coesão das argilas
neste caso pode ser tomada igual a 0,43 a 0,50 da resistência à compressão simples. Outra
aplicação destes ensaios está na determinação da sensitividade das argilas.

Ensaio Triaxial

O ensaio triaxial é muito versátil, pois pode ser feito simulando diversas condições de
carregamento de campo para determinação das características de tensão e deformação do solo.
Sendo assim, ele é de extrema importância para simulações de diversas condições encontradas
em um barramento.

Célula Triaxial

A célula triaxial consiste de uma câmara, geralmente de acrílico transparente, assentada sobre
uma base metálica em uma prensa. O corpo de prova é colocado sobre o pedestal, onde há
uma ligação com a base da célula. A carga axial é aplicada pelo pistão e a câmara, cheia de

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água deaerada, permite a aplicação de tensões confinantes à amostra. Entre a amostra e o
pedestal, utiliza-se pedras porosas para facilitar a drenagem. O corpo de prova é envolvido
por uma membrana de borracha, vedada no topo e base por anéis de borracha ou elásticos,
para se impedir contato com água e variação de umidade durante o ensaio. A Figura 2.4
mostra de forma esquematizada uma câmara triaxial.

Figura 2.4 - Célula triaxial.

De uma forma geral, o ensaio é feito aplicando-se uma tensão confinante à amostra e,
depois,varia-se a tensão vertical em relação à horizontal. Esta diferença entre tensões é que
levará o solo a romper por cisalhamento e é chamada de tensão desviadora (  d   1   3 )

Nota-se que não se trata verdadeiramente de um ensaio em três eixos, já que se usa uma
amostra cilíndrica submetida à variação de tensões em dois eixos somente, sendo as tensões
horizontais as mesmas em todas as direções. Na camada real de solo, porém, ocorre uma outra
tensão principal de valor intermediário à maior e a menor. O ensaio triaxial verdadeiro é
considerado o ensaio triaxial cúbico, onde é possível aplicar três tensões diferentes em uma
amostra em formato de cubo, como mostrado na Figura 2.5. A importância disto é poder
considerar a influência da tensão principal intermediária (2).

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Figura 2.5 – Tenções de que atuam no ensaio triaxial.

O ensaio pode ser executado por deformação controlada ou por tensão controlada. No
primeiro caso, aplica-se uma velocidade de deformação determinando-se a velocidade de
deslocamento da base da prensa.

As condições drenadas e não drenadas podem ser investigadas. Para uma condição drenada, à
medida que a carga é aplicada na amostra, permite-se a saída do fluido dos vazios pela
abertura de uma válvula apropriada. Um ensaio não drenado pode ser feito pela não
permissão de saída de fluido dos vazios durante o ensaio. Em geral, entende-se o termo
ensaio drenado pelo fato de a válvula apropriada está aberta para permitir alívio de excesso
poropressões, gerados a partir da aplicação de cargas. Porém, um ensaio drenado é aquele
que além de ter a válvula apropriada aberta tem uma taxa de aplicação de tensão lenta o
suficiente de modo que nenhum excesso de poropressão exista durante o ensaio.

As poropressões podem também ser medidas ao longo de todo o ensaio por meio de
transdutores de poropressões, que são instrumentos capazes de transformar uma variação de
sinal elétrico ou de resistência em tesão.

Descrevem-se a seguir, alguns dos tipos de diferentes ensaios que podem ser realizados pela
abertura ou fechamento da válvula de saída do fluido dos vazios:

 Ensaio não adensado não drenado: é também de ensaio tipo UU


(“unconsolidated-undrained”) ou, em algumas nomenclaturas mais antigas, ensaio
rápido ou ensaio Q (“quick”). Este ensaio é realizado com a válvula de drenagem
fechada para todas as fases do ensaio. Aplica-se uma tensão de confinamento (ou
de câmara) e inicia-se o cisalhamento imediatamente após a pressão de célula ter se
estabilizado.

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 Ensaio adensado não drenado: é também chamado de CU (“consolidated–
undrained”) ou ensaio R nas nomenclaturas antigas. Este ensaio é realizado após a
amostra ter adensado com a válvula de drenagem aberta sob alguma tensão
confinante. Terminado o adensamento, fecha-se a drenagem e aplica-se a tensão
desviadora até a ruptura da amostra. Se a amostra é anisotropicamente adensada o
ensaio é chamado CKU ou CK0U se relação entre tensões for a que se espera ter
em campo. Se as tensões durante a fase de adensamento forem iguais em todas as
direções, tem-se um adensamento isotrópico (CIU). É importante observar que a
amostra não romperá no caso de aplicação de um estado isotrópico de tensão, pois
não existirá tensão desviadora.

 Ensaio adensado–drenado: é também chamado de ensaio CD, ensaio adensado


lento ou ensaio S (“slow”) em nomenclaturas antigas. Nele, a válvula de drenagem
está aberta tanto na faze de adensamento quanto na faze de cisalhamento. Contudo,
a tensão desviadora deve ser aplicada em uma taxa muito baixa, de modo que as
poropressões desenvolvidas durante o cisalhamento sejam dissipadas.

Nos casos em que se tem a necessidade de determinação da pressão neutra e/ou realização de
ensaios em condições saturadas, é comum se encontrar os nomes destes ensaios com uma
barra por cima ou com um índice indicando a saturação, como, por exemplo, CU.

Se o ensaio for conduzido em areia, a velocidade de cisalhamento poderá ser grande, com
ruptura ocorrendo por exemplo, em 20 min. Já no caso de argilas de baixa permeabilidade, a
velocidade de cisalhamento terá de ser muito baixa para que permita que a drenagem ocorra,
podendo um ensaio demorar dias.

Resultados de Ensaio

Para um solo sem coesão saturado ou parcialmente saturado, o ensaio CD dará o mesmo
ângulo de atrito que os de solo seco, a não ser que o material tenha um coeficiente de
permeabilidade baixo e/ou o ensaio foi feito a uma taxa de deformação rápida.

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Para qualquer solo com coesão saturado, os resultados são altamente dependentes de que tipo
de teste foi usado. Ou seja, os parâmetros do solo variarão de   0 e c > o em um ensaio UU
a  = valor verdadeiro e c  0 em um ensaio CD, para o mesmo tipo de solo.

Os parâmetros do solo também dependem da consideração das poropressões na solução da


equação de Mohr–Coulomb de resistência ao cisalhamento. Para isso deve-se medir
poropressões em um ensaio CU e corrigir as tensões para obter os parâmetros efetivos do
solo.

Dados Obtidos do Ensaio

O teste triaxial fornece dados para plotar um círculo de Mohr usando a pressão de célula
como 3 e a correspondente 1, tensão principal maior, na ruptura da amostra. Plotando dois
ou quatro círculos de Mohr usando resultados de ensaio baseados em diferentes pressões de
câmara 3 para cada teste, em amostras de solo com aproximadamente a mesma densidade e
mesmo teor de umidade, a envoltória de resistência pode ser obtida traçando-se a tangente aos
círculos. A inclinação será assumida como o ângulo de atrito interno e o intercepto no eixo
das tensões cisalhantes, o intercepto de coesão na equação de Mohr–Coulomb ( equação 2.1):
  c   tan g

Equação 2.1 – Mohr-Coulomb

Se um medidor de variação de volume ou uma bureta graduada são conectadas ao ensaio pela
saída de drenagem, pode-se fazer medições de variação de volume da amostras saturadas sob
diferentes tensões desviadoras e servem também, como já dito, para indicar o final do estágio
de adensamento.

Pressão de Câmara

A pressão de câmara 3 deve ter alguma relação com a pressão que ocorre no local em que se
deseja implantar a obra. Usualmente, três ou mais ensaios triaxiais são executados e o valor de
3 deve incluir um valor que reflita o corrente estado de tensão e outros valores baseados na
expectativa de aumento nas tensões verticais devido ao projeto que será instalado.

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A linha de drenagem na base do corpo de prova permite aplicar uma pressão inicial de fluido
no interior da amostra, denominada de contrapressão. Isto provoca também a alteração no
valor da pressão da célula, mas não alteração da pressão confinante, uma vez que a pressão no
interior da amostra anula o acréscimo. Por exemplo, seja um ensaio montado com uma tensão
confinante de 100 kPa. Se aí é aplicada uma contrapressão de 20kPa, altera-se o valor da
pressão de câmara para 120 kPa, de modo que a tensão confinante na amostra permanece 100
kPa. Desta forma, a contrapressão não tem qualquer influência nos cálculos do ensaio e o
objetivo de sua aplicação é a saturação do corpo de prova, que pode ter sido perdida durante
os processos de amostragem e moldagem. Esta pressão provocará a dissolvição das bolhas de
ar.

Procedimento para Execução de Ensaios UU

Este é o ensaio onde não se permite drenagem em nenhuma das fases.

a) Determina-se as dimensões e peso do corpo de prova, montando-o, em seguida, na


câmara triaxial.
b) Na câmara triaxial, o corpo de prova é ajustado à base, mantendo-se as válvulas de
drenagem fechadas ou conectadas ao transdutor de poropressão, caso as poropressões
sejam medidas.
c) Envolve-se o corpo de prova por uma membrana de borracha flexível com o auxilio de
um dispositivo próprio, um esticador de membrana. Esta membrana é fixada à base e ao
quepe de topo por meio de anéis de borracha do tipo “o’ ring”.
d) Verifica-se se o corpo de prova está devidamente centrado e completa-se a amostragem
da câmara, colocando-se o cilindro de perspex, tendo o cuidado de vedá-la bem, para que
não ocorra vazamentos no decorrer do ensaio.
e) Assenta-se o pistão sobre o topo do corpo de prova, de forma a assegurar a verticalidade
do mesmo, efetuando o enchimento da câmara, procurando se perturbar o mínimo o
corpo de prova. Pode ser aplicada aqui uma contrapressão para saturação da amostra ou
ainda, por percolação. No caso da contrapressão, esta deve ser aplicada por estágios, para
se minimizar perturbações na amostra. Se a saturação for por percolação, o gradiente
utilizado deve ser baixo, também para se evitar perturbações à amostra.
f) Aplica-se a tensão de câmara ou confiante determinada. Passa-se à fase de cisalhamento.

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g) Aplica-se a velocidade de cisalhamento desejada, ligando-se a prensa regulada para tal.
Esta velocidade é determinada em função das características do material. Faz-se as
leituras dos instrumentos em intervalos de tempo especificados.
h) O ensaio deve ser conduzido até atingir a deformação axial especificada em projeto ou de
20%.
i) Finaliza-se o ensaio com o croquis do corpo de prova após a ruptura e determinação do
teor de umidade final.

Procedimento para Execução de Ensaios CU

É o ensaio onde é permitido o adensamento antes de se iniciar a fase de cisalhamento. Ou


seja, tem-se uma primeira fase de ensaio com as válvulas de drenagem abertas, durante o
adensamento, e outra com elas fechadas, durante o cisalhamento. Pode-se fazer as medições
de poropressões, de modo a se obter os parâmetros efetivos do solo.

a) Repetem-se os procedimentos anteriores de até a letra e.


b) Aplica-se a tensão confinante desejada e, uma vez ela tenha se equilibrado, deixa-se o
corpo de prova adensar, permitindo a drenagem ou saída de fluido da amostra para
buretas ou medidores de variação volumétrica, por meio de abertura das válvulas de
drenagem, até a estabilização. Este tempo de estabilização é em geral tomado como
24 horas, mas para verificação deve ser traçada a curva de deformação por t . As
leituras deverão ser feitas nos mesmos intervalos de tempo dos estágios do ensaio
adensamento ou edométrico. Lembrar que o adensamento pode ser isotrópico, ou seja,
ele ocorre com a amostra sendo submetida à tensão de câmara ou igual em todas as
direções, ou segundo uma relação k qualquer entre a tensão horizontal e a vertical. Se
esta relação for tal que não ocorrerá deformações horizontais, tem-se um
adensamento k0.
c) Em alguns casos, a saturação do corpo de prova é feita após o adensamento, também
com aplicação de contrapressão.
d) Continua-se o ensaio como no anterior, à partir do item g.

Procedimento para Execução de Ensaios CD

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Neste ensaio, a drenagem é permitida em todas as fases, tanto na fase de adensamento
como na de cisalhamento. Desta forma, tem-se as tensões efetivas iguais às tensões totais ao
longo do ensaio.

a) A fase inicial do ensaio é idêntica à do ensaio anterior, até o item c.


b) Determina-se a velocidade de cisalhamento do ensaio à partir do resultado do
adensamento, estipulando-se um valor inferior ao coeficiente de adensamento ou à
permeabilidade do material.
c) Inicia-se a fase de cisalhamento, mantendo-se as válvulas de drenagem abertas e
ligadas aos medidores de variação de volume.
d) Segue-se com o procedimento idêntico aos ensaios UU à partir do item g.

Valores Típicos de ’

A tabela 2.1 apresenta alguns valores típicos para solos granulares com grãos angulosos.
Contudo, a utilização de tabelas contendo valores típicos deve ser utilizada com ressalvas.
Caso o material que estiver sendo analisado não o for angular, uma areia de rio, por exemplo,
que devido ao transporte tem forma mais arredondada, estes valores não são válidos. Além
disso outros fatores, como presença de contaminantes, como a mica, podem reduzir o ângulo
de atrito do solo.

Tabela 2.1. – Valores típicos de ’ (graus)


Mediamente
Material Compacto Estado Crítico
Compacto
Silte 30-34 28-32 26-34
Areia fina média, uniforme 32-36 30-34 26-30
Areia bem graduada 38-46 34-40 30-34
Areia com pedregulhos 40-48 36-42 32-36

Comportamento das Areias

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Influência da Tensão de Confinamento

A tensão de confinamento influi de forma marcante no comportamento de uma areia.


Fixando-se os outros parâmetros e aumentando a tensão confinante, a areia pode passar de de
um comportamento dilatante para um comportamento contráctil. Isso ocorre porque o
fenômeno da dilatância não é função apenas do índice de vazios da amostra, mas também do
estado de tensões que está atuando sobre ela. O gráfico da Figura 2.6 mostra o efeito do nível
de tensões no comportamento da resistência de pico da areia em função do deslocamento
relativo.

Figura 2.6: Gráfico de resistência ao cisalhamento x deslocamento relativo (Palmeira 2002).

Esta tendência de areias compactas apresentarem pico e dilatância desaparece quando se tem
elevadas tensões confinantes. Para estes casos, a inclinação inicial da curva tensão
deformação diminui e, conseqüentemente, o módulo de Young. Isto também ocorre com as
areias fofas. Isto acontece devido à quebra dos grãos da areia pelas elevadas tensões.

Resultados de ensaios de laboratório evidenciam também, que a envoltória de resistência


apresentaria, na verdade, uma curvatura. Para os solos granulares, isso poderia ser devido à
algum tipo de cimentação entre os grãos, da variação da compacidade do material e da quebra
dos grãos com o aumento da tensão confinante. Por exemplo, as areias de sílica ou quartzo,
cujos grãos são bastante resistentes, apresentam curvatura quando a faixa de variação de
tensões é muito grande. Neste caso, a equação de Mohr-Coulomb tem aplicação restrita a
uma pequena faixa de pressões, sendo necessário a realização de ensaios com tensões na faixa
prevista para a obra. Os materiais granulares grossos, como enrocamentos empregados nos
taludes de barragens, por exemplo, que são constituídos por grandes blocos de rocha, têm sua
envoltória com acentuada curvatura. Por isso, ao se analisar a estabilidade de barragens de
enrocamento, principalmente as mais altas, é importante considerar esse fenômeno. O mesmo
se aplica aos taludes de rocha. A curvatura da envoltória pode ser considerada adotando-se

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pequenos trechos lineares ao longo da mesma, cada um com diferentes valores dos parâmetros
c’ e ’, de acordo com o nível de tensões de interesse.

Programação dos ensaios triaxiais

Os ensaios de laboratório devem ser programados e executados de forma a representar da


melhor forma possível as condições de solicitação, drenagem e saturação que existirão no
campo. Como condições de solicitação devem ser considerados o tipo e as tensões de
adensamento, a forma com que estas solicitações são, feitas compressão axial, extensão axial,
compressão lateral e extensão lateral, e a velocidade de carregamento.

Na Figura 2.7 é apresentada a orientação das tensões principais ao longo da superfície


hipotética de ruptura. Há que se notar que as direções das tensões principais ao longo da
superfície potencial de ruptura podem não ser as mesmas no instante de ruptura. Esta hipótese
no entanto, não induzirá um erro muito sério.

1 1
N.A. Máximo Normal
f 
3 3

1

3
1
1
3
3

Figura 2.7 - Tensões principais ao longo de uma superfície de ruptura

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