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MEDICINA VETERINÁRIA

VICTOR HUGO OLIVEIRA SILVA - 319102067

GRIPE AVIÁRIA

São Paulo
2020
VICTOR HUGO OLIVEIRA SILVA

GRIPE AVIÁRIA

Trabalho apresentado ao Curso Medicina


Veterinária da Universidade Nove de Julho para a
disciplina Zoonoses Aplicada à Saúde Pública.

Prof. Fernanda Aparecida Nieri Bastos

São Paulo
2020
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Gripe Aviária
A gripe aviária é resultado da infecção das aves pelo vírus da influenza, cujas
cepas são classificadas ou de baixa ou de alta patogenicidade (Cepas do vírus
da gripe que atacam principalmente aves, mas que também podem infectar os
seres humanos.), de acordo com a capacidade de provocarem doença leve ou
grave nesses animais. Todas as aves são consideradas suscetíveis à infecção,
embora algumas espécies sejam mais resistentes que outras. Quinze subtipos
do vírus Influenza infectam as aves. Todos os surtos da forma de maior
patogenicidade foram causados pelos subtipos H5 e H7.

A influenza ocorre durante todo o ano, sendo que a dispersão aumenta


rapidamente em algumas estações do ano. Em regiões de clima temperado, as
epidemias acontecem predominantemente na estação do inverno, geralmente
de novembro a abril no hemisfério Norte e de junho a agosto no hemisfério Sul.
Nos trópicos, o vírus da influenza circula durante todo o ano.

Etiologia
Família: Orthomyxoviridae
Gênero: Influenzavirus Tipo A

É um vírus que apresenta RNA envelopado e possui glicoproteínas em sua


superfície, as Hemaglutininas (HA) e as Neuraminidase (N). Atualmente,
existem 16 variações de Hemaglutinina (H1 a H16) e 9 de Neuraminidase (N1 a
N9), podendo existir várias combinações entre elas Hn Ny, onde n varia de 1 a
16 e y de 1 a 9. Os subtipos H5 e o H7 são os que caracterizam a gripe do
frango.

Surtos Pelo Mundo e Casos em Humanos


O século XX testemunhou três pandemias de influenza: a espanhola (subtipo
viral H1N1), em 1918, a asiática (H2N2), em 1957, e a de Hong Kong (H3N2),
em 1968. Essas epidemias causaram doença grave com altas taxas de
mortalidade, em particular a espanhola que, em 1918, dizimou pelo menos 20
milhões de pessoas em todo o mundo. A sequência de genes do vírus
influenza H1N1, responsável por esta epidemia, sugere que ele tenha se
originado de um reservatório aviário. Os subtipos virais responsáveis pela
pandemia asiática e pela de Hong Kong compartilham duas características
importantes: surgiram no sudeste asiático e são antigenicamente distintos dos
vírus influenza que circulavam antes em humanos. O sudeste da China é
considerado o epicentro do vírus influenza, com base nas duas epidemias
prévias que lá ocorreram. A convivência estreita entre porcos, pessoas e patos,
nessa região, propicia um ambiente ideal para a geração de vírus
recombinantes, ou seja, uma recombinação genética entre vírus humanos e
aviários. Estudos genéticos e análises bioquímicas indicam que as pandemias
da Ásia e de Hong Kong foram geradas por vírus recombinantes. É importante
salientar que o H5N1 isolado de humanos não é um recombinante como os de
1957 e 1968, e todos os seus genes originaram-se de vírus aviários.

Em 1996, o subtipo H7N7 foi isolado, na Inglaterra, do olho de uma paciente


com conjuntivite que lidava com patos. Este subtipo era idêntico ao vírus que
infectava aves, com mais de 98% de homologia entre os nucleotídeos.

Embora humanos e outros mamíferos possam experimentalmente ser


infectados com vírus influenza aviários, estes vírus não eram, até
recentemente, transmitidos diretamente aos humanos. O reservatório dos vírus
influenza A, em populações de aves aquáticas, é a origem dos vírus influenza
A que infectam humanos, outros mamíferos e aves domésticas.

A teoria segundo a qual os vírus influenza aviários não se replicam


eficientemente em humanos levou à formulação da hipótese de que seria
necessário um intermediário para promover a infecção em humanos.
Entretanto, as recentes epidemias do H5N1 na Ásia levaram pesquisadores a
reexaminar esse conceito. O primeiro caso de infecção humana pelo H5N1
ocorreu em maio de 1997 em Hong Kong. Nenhum outro caso foi detectado
durante seis meses, mas, em novembro e dezembro desse mesmo ano, uma
epidemia ocorreu e mais dezessete casos foram relatados, sendo 18 pessoas
hospitalizadas, com 6 óbitos.
Durante dezembro de 2003 e até fevereiro de 2004, um total de 23 casos de
infecção humana por esse mesmo vírus, confirmados laboratorialmente, foi
detectado no Camboja, China, Indonésia, Japão, Laos, Coréia do Sul, Tailândia
e Vietnã. Em fevereiro de 2003, 2 casos de gripe aviária em humanos foi
identificado, com 1 óbito, foram registrados em Hong Kong, em uma família que
havia viajado recentemente para a China continental. Entre 2003 e 2007, mais
de 20 países da Ásia, África e Europa registraram casos de gripe aviária em
animais e aproximadamente 1,5 milhões de aves foram sacrificadas para a
prevenção da disseminação do vírus.

No entanto, a partir de 2003, as infecções em humanos começaram a ocorrer


com maior frequência em vários países, sendo responsável por uma elevada
taxa de mortalidade. Até 10 de setembro de 2008, a Organização Mundial de
Saúde (OMS) registrou 387 casos confirmados em humanos, com 245 óbitos.

Sintomatologia
 Humanos
As manifestações clínicas associadas à infecção pelo H5N1 variam de
infecção assintomática e doença leve do trato respiratório superior a
pneumonia grave e falência múltipla de órgãos. Alguns casos de
infecção pelo H5N1 são caracterizados pela rápida progressão clínica,
com sinais de envolvimento do trato respiratório inferior à admissão
hospitalar, com rápida evolução para um estágio em que há
necessidade de ventilação mecânica. Pacientes com infecção grave pelo
H5N1 desenvolvem pneumonia viral primária, linfopenia precoce e
insuficiência renal em uma a duas semanas após o início dos sintomas.
Elevação das transaminases foi detectada antes da deterioração
respiratória na maioria dos pacientes graves.

Febre é a queixa de apresentação de todos os pacientes. Sintomas


iniciais incluem também, dores nos músculos do corpo, problemas
respiratórios, ressecamento da garganta, cefaléia, fadiga, mialgia,
odinofagia, tosse e coriza. Dispnéia foi relatada pela maioria dos
pacientes, um a cinco dias após o início dos sintomas. No estágio
precoce da doença, é difícil prever qual paciente irá evoluir para a sua
forma grave. Dor abdominal, vômitos, diarréia, disfunção hepática,
síndrome de Reye, pancitopenia, falência renal, hemorragia pulmonar,
síndrome da angústia respiratória aguda e choque séptico foram
relatados com diferentes frequências.

 Animais
Assim como a gripe humana, causada pelos vírus de influenza humano,
os vírus de influenza aviária causam nas aves problemas respiratórios
(tosse, espirros, corrimento nasal), fraqueza e complicações como
pneumonia. A doença causada pelos subtipos H5 e H7 (classificados
como vírus de influenza aviária de alta patogenicidade) podem causar
quadros graves da doença, com manifestações neurológicas (dificuldade
de locomoção) e outras (edema da crista e barbela, nas juntas, nas
pernas, bem como hemorragia nos músculos), resultando na alta
mortalidade das aves. Em alguns casos, as aves morrem
repentinamente, antes de apresentarem sinais da doença. Nesses
casos, a letalidade pode ocorrer em 50 a 80% das aves. Nas galinhas de
postura observa-se diminuição na produção de ovos, bem como
alterações na casca dos mesmos, deixando-as mais finas.

O tempo de aparecimento dos sintomas após a infecção pelo vírus da influenza


depende do subtipo do vírus. Em geral os sintomas aparecem 3 dias após a
infecção pelo vírus da influenza, podendo ocorrer a morte da ave. Em alguns
casos esse tempo é menor que 24 horas e em outros pode chegar a 14 dias.

Com base na patogenicidade:


Influenza Aviária de Baixa Patogenicidade – Sinais respiratórios discretos,
aerosaculites, diarréia, mortalidade baixa, ovos com má formação, involução
ovariana e presença de hemorragia, queda de postura.
Influenza Aviária de Média Patogenicidade - Sinais respiratórios discretos,
aerosaculites, diarréia, mortalidade baixa, ovos com má formação, peritonite
por ruptura de ovário, inflamação renal com presença de uratos, queda de
postura.
Influenza Aviária de Alta Patogenicidade – Depressão severa, inapetência,
penas arrepiadas, edema facial com crista e barbela inchada e cianótica,
canelas com lesões hemorrágicas, dificuldade respiratória com descarga nasal,
severa queda de postura, prostração, diarréia, paralisia e morte, morte súbita
sem presença dos sinais clínicos mortalidade de até 100% do aviário.

Aspecto Epidemiologico
São conhecidos três tipos de vírus da influenza: A, B e C. Esses vírus são
altamente transmissíveis e podem sofrer mutações (transformações em sua
estrutura genética). O tipo A é o mais mutável entre os três. As epidemias e as
pandemias geralmente estão associadas ao vírus do tipo A.
O vírus se reproduz no epitélio nasal e/ou da faringe e se espalha nas
membranas mucosas do sistema respiratório, podendo se disseminar por todo
o organismo do animal e causar a forma sistêmica da doença. Os sinais
clínicos da influenza aviária podem variar de acordo com a espécie afetada, a
idade, o sexo, virulência do vírus, ambiente, presença de infecções associadas
e manejo. Todavia o fator mais importante que determina o quadro sintomático
é patogenicidade do vírus(2,5). O vírus possui três formas distintas: Baixa
patogenicidade (VIABP), média patogenicidade (VIAMP) e alta patogenicidade
(VIAAP)

Via de Transmissão
A doença pode se espalhar facilmente de uma granja para outra. Um grande
número de vírus é eliminado nas fezes das aves, contaminando a terra e o
esterco. Os vírus respiratórios, quando inalados, podem propagar-se de ave
para ave, causando infecção. Os equipamentos contaminados, veículos,
forragem (pasto, alimento), viveiros ou roupas – principalmente sapatos –
podem carrear o vírus de uma fazenda para outra. O vírus também pode ser
carreado nos pés e corpos de animais, como roedores, que atuam como
“vetores mecânicos” para propagar a doença.

As fezes de aves selvagens infectadas podem introduzir o vírus nas aves


comerciais e domésticas (de quintais). O risco de que a infecção seja
transmitida de aves selvagens para aves domésticas é maior quando as aves
domésticas estão livres, compartilham o reservatório de água com as aves
selvagens ou usam um reservatório de água que pode tornar-se contaminado
por excretas de aves selvagens infectadas. Outra fonte de disseminação são
as aves vivas, quando comercializadas em aglomerados sob condições
insalubres.

A doença pode propagar-se de um país para outro país também, por meio do
comércio internacional de aves domésticas vivas. Aves migratórias podem
carrear o vírus por longas distâncias, como ocorrido anteriormente na difusão
internacional da influenza aviária de alta patogenicidade. Aves aquáticas
migratórias – principalmente patos selvagens – são o reservatório natural dos
vírus da influenza aviária e são mais resistentes à infecção. Eles podem carrear
o vírus por grandes distâncias e eliminá-los nas fezes, ainda que desenvolvam
apenas doença leve e auto-limitada. No entanto, os patos domésticos são
suscetíveis a infecções letais, bem como os perus, os gansos e diversas outras
espécies criadas em granjas comerciais ou quintais. O H5N1 também pode
infectar mamíferos, incluindo animais domésticos, como cães e gatos.

Principais formas de contágio em seres humanos


A transmissão do vírus aviário para o homem é rara e geralmente ocorre em
casos de contato próximo e frequente com o animal doente, principalmente na
semana anterior a sua morte. A maioria dos pacientes adquiriu o vírus através
da exposição a aves domésticas em casa ou no peridomicílio. Em cerca de
25% dos casos, a forma de transmissão não foi totalmente esclarecida e pode
ter ocorrido transmissão por fômites ou pelo meio ambiente, como através de
fertilizantes contendo fezes de aves ou da inalação de fezes aerolizadas de
animais contaminados.

Até o momento, não há registro de casos de infecção humana através de


mamíferos. A infecção de mamíferos pode ser uma das vias de adaptação do
H5N1 a seres humanos. Classicamente, acredita-se que adaptação do vírus de
influenza sazonal ao homem ocorre através da adaptação do vírus aviário a
uma espécie intermediária, geralmente os suínos. A segunda possibilidade de
adaptação do H5N1 ao homem seria através da troca de material genético
entre o vírus influenza humano e o aviário em uma pessoa coinfectada por
ambos. O último mecanismo de adaptação é a ocorrência de uma mutação
genética isolada no vírus aviário, teoria mais aceita para o aparecimento do
H1N1 atualmente. É importante destacar que todas essas possíveis formas de
adaptação dependem de mutações genéticas, que são fenômenos aleatórios.
Dessa forma, não é possível prever se alguma delas ocorrerá ou quando
ocorrerá. No entanto, para que uma delas ocorra, é necessário o contato
constante do vírus aviário com o homem, condição que vem acontecendo
desde dezembro de 2003.
A transmissão da influenza também pode ocorrer através das secreções das
vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir. Outra
forma de transmissão é por meio das mãos: após contato com superfícies
recentemente contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo
infectado, as mãos podem carregar o agente infeccioso diretamente para a
boca, nariz e olhos. Assim como alimentos e água contaminados.

Vias de Eliminação
Um grande número de vírus é eliminado nas fezes das aves, contaminando a
terra e o esterco. Os vírus também podem ser eliminados pela via respiratória,
quando inalados, podem propagar-se de ave para ave, causando infecção. A
infecção pode ser transmitida de aves selvagens para aves domésticas via
compartilhamento de reservatório de água, um reservatório de água pode
tornar-se contaminado por excretas de aves selvagens infectadas. Ovos
contaminados constituem outra fonte de infecção de galinhas, principalmente
nos incubatórios de pintinhos, visto que o vírus pode ficar presente durante 3 a
4 dias na casca dos ovos postos por aves contaminadas (Não foi evidenciada
transmissão pela ingestão de ovos).

Medidas de Controle
As medidas de controle mais importantes são: a rápida destruição de todas as
aves infectadas ou expostas, o descarte adequado das carcaças, quarentena e
desinfecção rigorosa das granjas. Além de restrições ao transporte de aves
domésticas vivas, tanto no próprio país como entre países. Vacinação de
pessoas com alto risco de contaminação por exposição a aves infectadas, com
vacinas efetivas contra as cepas de influenza humano mais prevalentes, o que
pode reduzir a probabilidade de co-infecção de humanos por cepas aviárias e
humanas, reduzindo assim a chance de recombinação genética; uso de roupas
e equipamentos de proteção pelos trabalhadores envolvidos com aves
possivelmente contaminadas; e administração profilática de antivirais a esses
trabalhadores.

O abate sanitário das aves infectadas ou expostas a estas, incluindo a


destruição das carcaças, desinfecção do local e procedimentos de quarentena
são formas de controlar este vírus. Restrições quanto à movimentação de aves
vivas dentro e entre nações e a proteção dos trabalhadores que têm contato
mais próximo com estes animais são cuidados importantes para evitar
contaminações destes animais e de seres humanos.

Prevenção
 Destruição rápida de todas as aves infetadas ou expostas à infecção
através de contatos com aves doentes ou suspeitas;
 descarte das carcaças;

 Quarentena e desinfecção rigorosa das granjas com aves infetadas pelo


vírus;

 Restrições ao transporte de aves domésticas vivas, tanto no próprio


país como entre países.

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda aos países


afetados pela influenza humana e aviária as seguintes medidas:

 Utilização de equipamentos adequados para proteção pessoal dos


abatedores
 Transportadores de aves, tais como:

 Roupas de proteção, de preferência macacões e aventais impermeáveis


ou roupas cirúrgicas com mangas longas e aventais impermeáveis;

 Luvas de borracha, que possam ser desinfetadas;

 Máscaras N95 de preferência 1 ou máscaras cirúrgicas 2 ;

 Óculos de proteção;

 Botas de borracha ou de poliuretano que possam ser desinfetadas ou


proteção descartável para os pés.

 Lavagem frequente das mãos com água e sabão. Os abatedores e


transportadores devem desinfetar suas mãos depois de cada operação.

 A limpeza do ambiente nas áreas de abate, usando EPI (equipamentos


de proteção individual).

 Todas as pessoas expostas a aves infetadas ou a fazendas sob suspeita


devem ser monitoradas pelas autoridades sanitárias locais.

 Informação imediata ao serviço de saúde sobre o aparecimento de


sintomas tais como dificuldade de respirar, conjuntivite, febre, dor no
corpo ou outros sintomas de gripe. Pessoas com alto risco de
complicações graves de influenza (imunodeprimidos, com 60 anos e
mais de idade, com doenças crônicas de coração ou pulmões) devem
evitar trabalhar com aves com suspeita de infecção.
Fontes: https://adapec.to.gov.br/animal/sanidade-animal/influenza-aviaria/
http://www.fiocruz.br/bibsp/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
UserActiveTemplate=bibsp&infoid=156&sid=106
https://www.jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=903
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-
37132005000500012
https://www.todabiologia.com/doencas/gripe_aviaria_frango.htm
https://www.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/22/informe-influenza-2009-
2010-2011-220514.pdf
https://brasilescola.uol.com.br/doencas/gripedofrango.htm
https://www.adagri.ce.gov.br/2008/12/08/gripe-aviaria/