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Prova Parcial – Procedimentos Especiais

Beatriz Mena nº USP: 8012467 – 5º ano

Questão 1

1.1) A decisão liminar foi corretamente deferida? (2,5 pontos)

O caso em questão trata-se de Ação Possessória de força nova, pois o


autor propôs a ação em fevereiro de 2020 e alegou que ocorreu esbulho em
junho de 2019, ou seja, antes de completar 1 ano da alegada ofensa à posse.
Dessa forma, nos termos do art. 558, caput, do CPC, o procedimento do feito é
disciplinado de acordo com as regras especiais dispostas nos art. 560 e
seguintes do CPC.
Dentre as regras especiais do procedimento de Reintegração de Posse,
tem-se a possibilidade de concessão de liminar inaudita altera parte (art. 562,
CPC) caso o juiz entenda estarem preenchidos os requisitos legais do art. 560 e
561 do CPC.
Assim, no caso da Reintegração de Posse, será expedida liminar de
reintegração de posse se a petição inicial estiver devidamente instruída,
acompanhada de provas da posse do Autor, bem como comprovação do
esbulho, da data em que ele ocorreu e prova da perda da posse.
No caso em questão, consta que o autor juntou documentos que
comprovam sua propriedade e não sua posse. Forçoso destacar que os
interditos proibitórios se destinam à tutela da posse, não do domínio, sendo que
inclusive, é admissível ordem de reintegração de posse contra o titular do
domínio, nos termos do art. 557, parágrafo único, do CPC. Sendo assim, a
decisão liminar NÃO foi corretamente deferida, já que o magistrado concedeu a
ordem na ausência de comprovação da posse do Autor, requisito listado no art.
561, inc. I, do CPC.

1.2) Caso você fosse “juiz” da causa, qual seria sua decisão de mérito e
quem seria tutelado por ela? (2,5 pontos)

A reintegração de posse é uma ação que tutela o direito de posse. Assim,


dispõe o art. 560 do CPC que o possuidor tem o direito de ser reintegrado na
posse em caso de esbulho.
Frisa-se que não se admite discussão acerca do domínio da coisa, de
forma que o magistrado deve resolver o litígio apenas com base na posse,
conforme se depreende da leitura do art. 557, parágrafo único, do CPC. No
mesmo sentido dispõe o art. 1.210, §2º, do Código Civil, que estabelece que a
alegação de propriedade não tem o condão de obstar a posse.
No caso em análise, o autor trouxe aos autos apenas provas de sua
propriedade, ou seja, o domínio. Já o réu atestou que vem exercendo há anos
atos de posse sobre o imóvel, plantando, pagando tributos e a conta de energia.
Portanto as provas trazidas nos autos indicam que réu é possuidor do
imóvel, não o autor. Sendo assim, o autor é parte é parte ilegítima para
propositura de ação de reintegração de posse, de modo que ação deve ser
extinta sem resolução do mérito com base no art. 485, VI, do CPC.
Questão 2

2.1) A decisão de expedição do mandado de pagamento foi corretamente


deferida? (2,5 pontos)

A ação monitória é um procedimento que antecipa a formação do título


executivo extrajudicial na medida em que partindo de uma obrigação
consubstanciada em prova escrita, dá provimento judicial de eficácia executiva
sujeita à condição suspensiva de ausência de oposição de embargos pelo réu.
Assim, de acordo com o art. 701, do CPC, se o magistrado entender ser
evidente o direito do autor, expedirá mandado monitório para que o Réu pague
a quantia alegada pelo Autor no prazo de 15 dias.
A evidência do direito do autor está diretamente relacionada com o peso
da prova escrita que ele apresenta. No entanto, observa-se que não há na lei
parâmetros claros acerca desta prova, sendo que a redação legal se limita a
consignar que a ação monitória é cabível em se tratando de prova escrita sem
eficácia de título executivo (art. 700, caput, CPC).
Dessa forma, coube à doutrina e à jurisprudência delimitar a aptidão do
título a instruir a pretensão monitória. De acordo com Marcato 1, prevalece no
STJ e nos Tribunais ordinários a tese de que qualquer documento é hábil para
embasar o pedido do autor, basta que ele seja capaz de atestar uma relação
jurídica material entre o demandante e o requerido e a comprovar a liquidez da
prestação.
No caso em questão o contrato de prestação de serviço e a planilha de
serviços prestados pelo autor comprovam que o requerente é credor em face do
requerido, bem como que a prestação é certa e líquida. Dessa forma, convencido
da verossimilhança e idoneidade das alegações do autor, o magistrado agiu
corretamente ao expedir o mandado monitório.

2.2) Caso você fosse “juiz” da causa, qual seria sua decisão de mérito e quem
seria tutelado por ela? (2,5 pontos)

As alegações de que contrato não estava assinado e que a planilha foi


elaborada unilateralmente por “X” não são suficientes para afastar o direito do
autor, pois a troca de e-mails juntada pelo próprio réu confirma que ele e o autor
celebraram contrato de prestação de serviços. Dessa forma, conclui-se que não
há discussão sobre o an debeatur.
Por outro lado, o réu contesta o quantum deabeatur, alegando que 30%
da prestação não foi cumprida adequadamente.
Dessa forma, se fosse a juíza da causa constituiria o título executivo de
pleno direito em relação à parte incontroversa (70%), com base no art. 702, §7º,
do CPC. Com relação aos demais 30%, entendo que seria o caso de continuar
a instrução, dando oportunidade para que o Autor ofereça réplica.

1
MARCATO, Antônio Carlos. Procedimentos Especiais.