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ANDREIA LAIS CANTELLI

SAYONARA NOGUEIRA

DIÁLOGOS
TRANS

ibteducacao@gmail.com
Instituto Brasileiro Trans de Educação - ano 1 - n. 01 - ago. 2020 - Uberlândia/MG

COLUNA DIÁLOGOS TRANS

A coluna diálogos trans, é um projeto Nossa primeira entrevistada é Gabriela


criado por Andreia Lais Cantelli e da Silva, travesti, professora
Sayonara Nogueira, que tem como aposentada com 30 anos de trabalho
finalidade abrir um espaço no Instituto dedicado a Educação Básica e hoje
Brasileiro Trans de Educação - IBTE, doutoranda na UFSC.
para promover diversas conversas com
pessoas travestis, transexuais e homens
trans que atuam/atuaram em diversos
espaços na educação brasileira, seja na
pesquisa, na docência do ensino regular
ou superior e ainda em áreas .
administrativas da educação.

É um local de diálogos que a partir de


entrevistas, temos o objetivo de
historiografar a existência e a trajetória
de pessoas trans na educação, o
pioneirismo de mulheres travestis e Gabriela da Silva
 
transexuais e homens trans que
Atualmente professora aposentada 30 anos
desbravaram espaços educacionais e dedicada à educação pública;  co-fundadora
driblaram as violências transfóbicas e do Núcleo de pesquisa e estudos de
criaram estratégias para continuarem travestilidades, transexualidades e
transgeneridades NETRANS-UFSC. Professora
existindo e resistindo na educação. da Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina
na modalidade da EJA (Educação de Jovens e
Por meio deste projeto o Instituto Adultos), atuando por 20 anos, nas disciplinas
de Língua Portuguesa,  Inglesa, e Literatura.
Brasileiro Trans de Educação busca
Graduada pela Universidade do Sul de Santa
registrar a história promover a visibilidade Catarina. Mestra em Educação UNISUL 2015
de professores e professoras trans e na linha de pesquisa Relações Culturais e
Históricas na Educação e Doutoranda na
travestis, bem como suas trajetórias de
Universidade Federal de Santa Catarina no
luta contra os apagamentos e Programa de Pós -Graduação Educação na
silenciamentos de nossas vidas Linha de pesquisa: Sujeitos, Processo
Produção IBTE Educativos e Docência, Ensino e Formação de
Professores.

Andreia Lais Cantelli e Sayonara Nogueira


Instituto Brasileiro Trans de Educação - ano 1 - n. 01 - ago. 2020 - Uberlândia/MG

Quem é Gabriela da Silva? Como você Claro que tudo isto iria se refletir na escola,
identifica sua identidade de gênero? Você ainda mais que vivenciei uma educação de
poderia nos contar um pouco sobre você concepção tradicional e de um regime
e sua trajetória? Como foi sua infância e ainda fortemente ditatorial. Um sistema
sua trajetória escolar no ensino em que os reforços as normas de gênero
fundamental e médio? eram constantes e como forma de
disciplinamento de nossos corpos. As
Uma travesti de 54 anos que se senti divisões de sexo eram as marcas da
privilegiada por ultrapassar a média da vida escola em que meninos conviviam com
estimada de nossas coirmãs. Venho de uma meninos e vice-versa.
família de sete irmãos, minha mãe aos 35
anos separou-se e teve que criar os filhos A educação física era realizada de forma
sozinha. Vivenciei todo este sofrimento de separada, inclusive com professores
dor não somente pela separação, mas definidos para cada sexo. Os assentos
porque minha mãe teve que assumir nossa escolares eram divididos em filas das
educação e sustento. Mas hoje acredito que meninas e dos meninos, em que as
isto nos fortaleceu como família. carteiras eram em duplas. Isto tudo para
evitar que os sexos se confundissem e
Sinto orgulho da educação recebida e das que acabassem sendo motivos de
palmadas levada, pois desde criança já curiosidades. Lembro-me de que as
era transgressiva, mesmo sem entender o questões sobre os desvios das normas
que se passava com meu corpo e identidade. binárias de sexo/gênero somente foram
A presença de mulheres forte como minha aparecer no ensino fundamental e nas
mãe e minhas 5 irmãs contribuiu na series finais. Foi no momento que mudei
construção de minha identidade de gênero. de escola, aqui começou todo meu
Sendo que muitas das aprendizagens de calvário.
gênero estão constituídas por estas
experiências. Diferentemente do que os homossexuais
enfrentam, nossa identidade de gênero é
As mulheres cisgêneras sempre foram que se constitui em motivos de chacotas,
presença marcante em minha vida, foi delas humilhações e inferioridades. Convivi toda
que recebi acolhimento. Diria que minha minha trajetória escolar no ensino
infância foi “normal”, porém as brincadeiras fundamental com expressões do tipo
que me atravessam eram em sua maioria as mané-mulher, mulherzinha, mariquinha.
que as meninas cisgêneras me aceitam. Veja que são expressões de gênero,
Nunca entendi direito porque não conseguia como que ser mulher fosse algo ruim e de
realizar as brincadeira “ditas” de meninos. menor valor.
Até tentava, mas eram brincadeiras que não
em atraiam.
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Em que momento da sua vida você Ao mesmo tempo que me causava


compreendeu ser uma mulher travesti? desconforto isto também me fascinava. Com
Como foi esse processo? E como foi a certeza era muito estranho naquela momento
relação com seus familiares, com a escola, enxergar uma mulher como tendo sido um dia
colegas, professores/As e pessoas designada como homem. Mas o auge de
próximas? minha transição se deu no momento que
conheci na vida real outras travestis, e isto se
No meu caso e por vir de momento histórico deu por frequentar espaços LGBT na época
diferente, por algum tempo relutei muito. boates chamadas gays. Claro que isto
Inclusive houve casos de tentativa de suicídio. somente foi possível por minhas idas para
Reflexo de uma sociedade que nos condena a Florianópolis. Em minha cidade não conhecia
morte. Isto teve um preso, o sofrimento por nenhuma travesti. Toda a transição se
não me reconhecer quem de fato eu era e realizou de forma intensa em minha vida e
podia ser. Estas dores ainda machucam e são acima de tudo sofredora. Sempre tive que
presença forte em minha existência como lutar sozinha sem apoio, o isolamento sempre
travesti. Há fortes motivos para lutar contra fez parte de todo processo.
tudo o que está imposto como natural. E isto
me chama para a luta. Não bastasse ter que
sofrer por não saber quem eu era, ainda tive
que passar pela experiência de ser
homossexual. Algo que sabia não em
encaixar, inclusive não era muito bem aceita
no universo gay. Pois neste momento convivia
com a ideia do homossexual ativo e passivo,
e com a de entendido. Então eu era a
bichinha afetada, escandalosa e pintosa e
para minha realidade quem se aproximava de
mim eram os homens digamos
heterossexuais.

Veja que parece contraditório, fui excluída do


Thelma Lipp e Roberta Close
universo cisheterossexual e ao mesmo tempo
também do cishomossexual. Mas foram os
homens heterossexuais que me propiciaram a
eu também me compreender como travesti.
Nunca havia tido contado com pessoas
travestis, quando então a mídia começou a
investir nas identidades trans. Lembro-me de
ver na TV figuras como Roberta Close e
Telma Lipe.
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Qual sua formação acadêmica? Como foi Qual foi o ano que você se graduou?
seu processo acadêmico? Poderia nos Após a graduação você seguiu direto
contar como era a relação com a para a pós graduação lato sensu e
comunidade acadêmica (docentes e stricto sensu?
discentes)?
Habilitação Profissional Plena para
Licenciatura em Letras Português/Inglês, Magistério de I Grau da Iª a 4ª séries
Especialização em Fundamentos da em 1986. Graduação em Letras
Educação, Mestrado em Educação e 1997 Especialização em Fundamentos da
Doutoranda em Educação. Como tudo em Educação 1999. Mestrado 2015.
minha vida sempre foi muito conturbado e
intenso. Mas descobri que para ser Observe que sempre procurei me qualificar
reconhecida e aceita no universo cisgênero profissionalmente e tenho uma carreira
teria que me superar e buscar estratégia de linear na Educação. Foi por esta carreira
visibilidade social. Na graduação ativei o profissional que atuei no início com as
Centro Acadêmico Estudantil de Letras, que series iniciais em escola multisseriada (as
estava desativado fazia algum tempo. Em quatro séries numa mesma turma) escola
minha gestão realizamos a Semana de localizada na zona rural.
Letras, que foi considerada um sucesso. Atuei também numa escola Reunida ao
ingressar no magistério estadual de Santa
De lá para cá não lembro de haver outro Catarina como efetiva no município de
evento deste tipo. Sempre fui ativista e Mafra. Nesta modalidade de educação o 1º
tentava me inserir nos espaços para e 2º anos estudavam juntos no período
promover empatia. Mas com certeza vespertino, e o 3º e 4º anos juntos no
acredito que somos sempre mais cobradas período matutino. Foi por estes desafios
em tudo que fazemos, pois há no que me tornei professora.
imaginário social de que pessoas como nós
somos artistas e temos o dom de realizar
tarefas de forma eximia. E isto também é
sofredor, pois nos traz com peso social que
muitas vezes nos coloca na condição se
superação constante, e isto cansa.

LETRAS
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Como foi sua trajetória na graduação e no Tendo em vista que não havia, ainda até
mestrado? Visto que era um momento em neste momento, discussões em torno de
que existiam poucas ou nenhuma política gênero e sexualidade, em especial as
afirmativa sobre as pessoas travestis e questões transgêneros. Eram raros os
transexuais nos processos educacionais programas que tinham linhas de pesquisas
ou que ainda essas políticas estavam em ou mesmo grupo de estudos sobre
construção? temáticas que envolvem gênero e
sexualidade no âmbito LGBT, como temos
Meu processo de entrada na graduação se atualmente inclusive como cotas para
deu por vestibular em uma universidade travesti e transexuais.
privada. A escolha não se realizou por
opção, mas por saber que não teria Fui a primeira travesti em Santa Catarina a
condições de ingressar numa universidade ingressar num programa de Mestrado em
pública naquela momento. Como se sabe Educação, sendo também que fui a
não havia nenhum tipo de cotas ou primeira professora autodeclarada travesti
programas de entrada como expandiu-se na educação pública. Conciliando meu
atualmente com várias possibilidades. Sem ativismo com minha formação acadêmica
deixar de considerar que isto teria um é que resolvi então acessar no mestrado.
impacto no fator econômico, pois precisaria ir Reconhecendo que teria um compromisso
residir em Florianópolis. social, ético e moral com as próximas
gerações de pessoas transgêneras.
Por fator de condições econômicas fui
contemplada na época com o programa de Sabia que há lugares legitimados e que
financiamento estudantil. Assim realizei toda precisamos disputar narrativas a fim de
graduação financiada sendo que a construir e contribuir como nossos saberes
efetivação do pagamento somente depois de e conhecimentos. De que os mesmos
formada e empregada. Havia um prazo de precisam ser falados por nós. Com certeza
carência após se graduar. Veja que entrei na esta visão se constitui por minha inserção
graduação por teimosia e sabendo que seria no movimento LGBT. De lá para cá atuo
minha inserção social. Por aprendizagem de como pesquisadora e militante, pois são
minha mãe, reconhecia que teria que pensar processos interseccionais.
no meu futuro e em minha estabilidade
social. Lembro-me de que quando cheguei
em casa e falei para minha mãe que havia
passado no vestibular e entraria na
universidade, ao invés de parabéns,
imediatamente questionou como eu iria
pagar.

Entrei no mestrado em 2013, veja que


depois de muito tempo de formada.
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Atualmente você está no Doutorado. Por este fator, ao chegar na UFSC em 2018
Quais são os impactos que a existência idealizei junto com Maria Zanella o Núcleo
de uma professora e pesquisadora de Pesquisas e Estudos em Travestilidades,
travesti pode provocar no âmbito Transexualidades e Transgeneridades. Um
acadêmico e na produção do núcleo que no início era para acolhimento e
conhecimento científico? troca de experiências entre corpos,
identidade e subjetividades transgêneras.
Tenho afirmado que nosso corpo e
identidade é pedagógico. Didaticamente Porém, sentimos a necessidade de
desconstruirmos certas hierarquias e normas transformar em um núcleo cadastrado no
instituídas na educação. Propiciamos e ao CNPQ. Este núcleo adquiriu visibilidade
mesmo tempo forçamos as/os social dentro e fora da universidade. Somos
professoras/es na universidade a discutir o primeiro núcleo de pesquisadoras/es
temáticas que envolvem nosso universo não transgêneros e que utiliza de seus
somente como pesquisadora, mas como conhecimentos para transformar a realidade
sujeitas num espaço estruturado pela ideia de muitas outras pessoas transgêneras.
de ciência como sendo coisa de corpo e
identidades racionalizados. Além do mais, Aprendi na universidade e nos movimentos
temos um compromisso ético, moral e social sociais de que precisamos nos apropriar dos
para com as novas gerações, ao materializar mesmos conhecimentos produzidos pela
na prática através de nossas experiência, de classe burguesa para poder de igual
que é possível sermos travesti e estar num dialogar e lutar contra o sexismo, machismo,
espaço que historicamente nos expulso. racismo e LGBTIfobia. E o caminho com
certeza se faz pela educação escolar.
Tenho orgulho e sou privilegiada em ser a
primeira travesti a cursar Doutorado em
Educação numa universidade público e sem
entrar pelo programa de cotas. Nos espaços
que transito faço questão de afirmar que sou
doutoranda. Sei que é um compromisso que
precisa ser produtivo, não na lógica
meritocrática, e que com certeza vamos ser
cobradas muito mais. A maturidade também
me ensinou que precisamos saber entrar e
sair destes espaços que são legitimados por
certo fazer. De que precisamos aprender e
nos apropriar da funcionalidade do sistema
para poder combater e contribuir na sua
transformação.
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Quais foram as estratégias pedagógicas


É notório que seremos muito mais
que você desenvolveu para driblar a questionadas. Por adentrar um espaço
transfobia e permanecer no espaço acadêmico nos possibilita construir
acadêmico e também como professora de conhecimentos e saberes, a partir de nosso
língua portuguesa e inglesa no Ensino lugar social de fala. Estar em contato com
para Jovens e adultos? diferentes corpos também é muito
significativo e acima de tudo formador de
Sinceridade, no meu caso, a questão novas aprendizagens. Acredito que nossas
primordial foi a apropriação do conhecimento. inserção na universidade mobiliza
Sempre fui muito pro ativa e isto me fez ser educadores a repensar suas práticas
convidada para ministrar palestras, formação pedagógicas e com quais autores anunciam
de professores e com certeza consegui uma suas teorias.
oratória e uma didática que conseguia atrair
as pessoas para o que discutia. Inclusive em Mais do que aprendermos na universidades,
sala de aula minha didática sempre foi penso que a mesma precisa aprender muito
pautada numa concepção crítica de mundo e conosco. O quanto precisamos resistir para
realidade. Isso fazia com que os estudantes existir. A universidade está acostumada a
participassem e se motivassem a aprender. vomitar teorias, agora chegou a vez de
Nos trinta anos que lecionei, o que sempre colocar na prática tudo que por muito tempo
ouvi os estudantes dizer é que eu era uma discursaram. Nossos corpos e identidades
excelente professora. Considero-me um pressionam a universidade a mudar e se
autoridade em termos de educação escolar transformar.
formal. Além da experiência prática de 30
anos no chão da escola, o transito que tive Nós interseccionamos muitos marcadores
na formação continuada contribuiu em muito sociais ao mesmo tempo e isso é conflitante
para me constituir na identidade de para quem acostumou a somente enxergar
professora e travesti. o outro pelas lentes da teoria. Somos
presença viva num espaço que se diz
Você se considera uma mulher travesti universitário, mas que ainda não realizou
pioneira enquanto docente nos espaços transformações em suas práticas cotidianas.
educacionais e enquanto pesquisadora Mas estamos nos travestis, lá para
nos espaços acadêmicos? pressionar, exigir e garantir nossos direitos
não somente como produtoras de
Sem dúvidas, porém isto nos deixa muito conhecimentos, mas como seres humanos
ao demonstrar o quando fomos
mais vulneráveis. Somos cobradas de todos
desumanizadas por concepções
os lados e segmentos. Precisamos ser
universalistas. Tendo consciência de que a
exemplos e acima de tudo enfrentar este
educação não muda o mundo, mas
lugar de disputas de egos.
possibilita mudar e transformar pessoas.
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E são pessoas como eu, uma travesti, que É por elas que existimos e resistimos na
revolucionamos o mundo. Tenho dito que luta e na esperança de transformar as
carrego três p em minha identidade de gênero nossas vidas e das próximas gerações de
e isto é muito forte, professora, pesquisadora pessoas travestis. O mestre e pedagogo
e puta. Puta da vida com tudo o que sofremos Paulo Freire nos ensina que é pela
na escola. A escolha pela educação, acredito amorosidade e esperanças que devemos
que faz parte deste enfrentamento. Não foi a ensinar e aprender. E isto nos últimos
escola que me escolheu, foi eu que escolhi a tempos tem que constituído minha ética
escola para pesquisar e estudar. como ser humano.

Como você vê a questão do pioneirismo


acadêmico de pessoas travestis e
transexuais que a mídia tem mostrado no
Brasil atualmente?

Sem dúvidas é importante a visibilidade e a


representatividade de pessoas reais.
Por muito tempo assisti programas de TV em
que homens cisgêneros atuavam produzindo
papeis femininos ou imitando travestis. Veja
que a mídia por muito tempo investiu em
corpos cisgêneros para nos representar e com Reportagem: Andreia Lais Cantelli
certeza uma caricatura de nossas vidas. Esta Diagramação: Sayonara Nogueira
interpretação contribui para que a sociedade Instituto Brasileiro Trans de educação
nos enxergue como uma farsa, uma paródia ibteducacao@gmail.com
ou mesmo um engano.

Houve todo um investimento midiático sobre


nossos corpos, para nos reproduzir como
marginais, assim fomos capa de manchetes
policiais no tratando como delinquentes e no
masculino. Isto tudo tem mudado e estamos
vivendo um momento de positivar nossas
experiências e vivências para contribuir e
afirmar nossas identidade de gênero. Orgulho-
me de ter vivido para enxergar os avanços de
direitos conquistados e tudo isto graças ao
ativismo de muitos outras travestis que nos
sucederam.