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REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228

Volume 4 - Número 1 - 1º Semestre 2004

Avaliação da polinização e estudo comportamental de Apis mellifera L.


na cultura do meloeiro em Mossoró, RN
Maria Santana de Araújo Trindade1; Adalberto Hipólito de Sousa2; Welber Eustáquio de Vasconcelos3;
Romenique da Silva de Freitas4; Anna Maria Amorim Silva5; Daniel Santiago Pereira6; Patrício Borges
Maracajá7

1 - INTRODUÇÃO

0 melão (Cucumis melo L.) é uma importante espécie polimórfica da família


Cucurbitaceae, cuja origem ainda é muito discutida. Alguns pesquisadores sugerem como
provável centro de origem da espécie uma região que abrange do Irã a Transcaucásia,
tendo como secundários o nordeste da Índia, Kashimir e Afeganistão (PEDROSA, 1997),
mas outros autores reportam que o melão é originário da África tropical e subtropical.

Sendo o melão uma das espécies olerícolas de maior expressão econômica e social para
a região Nordeste do Brasil. A sua introdução no país se deu através de imigrantes
europeus, tendo se desenvolvido inicialmente no Rio Grande do Sul, que foi o maior
produtor nacional até o final da década de 60. A sua expansão ocorreu somente depois
de 1970, quando emergiram importantes pólos de produção nos Estados de São Paulo,
Pará e na região do Sub-médio do São Francisco, polarizado por Petrolina (PE) e
Juazeiro (BA). Essa expansão tem sido registrada tanto em área cultivada quanto em
produtividade (ALMEIDA, 1992). Em 1992 a região Nordeste era responsável por 84% da
produção total do país (IBGE, 1992; FAO, 1994), sendo o Rio Grande do Norte o maior
produtor.

Atualmente destacam-se como maiores produtores de melão no Brasil os Estados do Rio


Grande do Norte, Ceará, Bahia e Pernambuco, que contribuem com mais de 90% da
produção nacional.

Esta planta pode apresentar quatro tipos de expressão sexual: andromonóica, monóica,
ginomonóica e hermafrodita (COSTA & PINTO, 1977). O híbrido Gold Pride tem
expressão sexual andromonóica, sendo necessário as visitas das abelhas (Apis mellifera
L.) para que ocorra a polinização.

A apicultura é o ramo da indústria animal que trata da criação da abelha Apis mellifera do
aproveitamento de seus produtos e da polinização.

A importância da apicultura é conhecida já há muito tempo, especialmente pelas quase


sempre positivas repercussões que tem sobre a economia agrária em geral: o primeiro
grande lucro da criação de abelhas é indireto, já que consiste na polinização de muitas
plantas cultivadas, realizadas pelas abelhas em seu trabalho diário, que ocasiona uma
fecundação muito mais rápida e completa que a realizada pela simples ação do vento ou
de outros animais.

Tanto em inúmeras provas experimentais realizadas, como efetivamente na produção


agrária, demonstrou-se já de modo definitivo que essas plantas aumentam sua produção
em mais do dobro, quando ocorre a intervenção da abelha, comparativamente a
espécimes similares plantados e cuidados em cultivos isolados. É claro que, nesse caso,
devem ser instaladas na plantação colméias em ditos prônubos (ou seja, polinizadores), a
abelha representa cerca de 90% de todos os animais visitadores das flores e, entre eles,
é quase praticamente o único que pode ser criado e explorado com finalidades
econômicas pelo homem (MELCHOR & ALEMANY, 1979). Poucos esforços têm sido
dedicados ao estudo de polinização que poderiam melhorar a qualidade e a produtividade
dos produtos agrícolas. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo analisar o efeito
da polinização da Apis mellifera na produção de melão.

2 - REVISÃO DE LITERATURA

A medida que a agricultura vai se desenvolvendo com aprimoramento das técnicas de


cultivo, da fertilização e irrigação do solo, da utilização de sementes selecionadas, a
polinização pode se tornar um fator limitante na produção agrícola dos países tropicais.

McGregor (1976) afirma que quase 80% dos vegetais superiores de interesse econômico,
seja pelos seus frutos como pelas sementes, grãos, fibras e demais produtos, dependem
quase que exclusivamente dos insetos para a polinização.

A população de insetos nativos, responsável pela polinização de muitas espécies


vegetais, tem se reduzido drasticamente devido ao desmatamento, queimadas e uso de
pesticidas, aumentando a dependência de polinizadores com ampla distribuição e
eficiência, como tem demonstrado ser a abelha Apis (COUTO, 1989).

Segundo PEDROSA (1992), a espécie apresenta plantas anuais, herbáceas, de caule


prostado, com um número de hastes variável em função da cultivar. As folhas são
alternadas, angulosas quando jovens e subcordiformes quando completamente
desenvolvidas. Possui gavinhas, que são órgãos de sustentação da planta, que nascem
das axilas das folhas. O sistema radicular é ramificado, vigoroso e pouco profundo, cujo
maior volume se concentra nos primeiros 20 cm.

Quanto a expressão do sexo o melão pode apresentar quatro tipos: andromonóica,


ginomonóica, monóica e hermafrodita (COSTA & PINTO, 1977).

O ovário é ínfero, apresenta inúmeros nectários na base do estilete. O grão de pólen é de


natureza viscosa, necessitando de um agente polinizador para haver o transporte até a
superfície estigmática (FILGUEIRA, 1972). As abelhas são atraídas às flores pela
considerável secreção de néctar, e então, realizam seu trabalho.

Quando se inicia a floração, por volta dos 30 a 35 dias, a abertura das flores se procede
nas primeiras horas da manhã (VALLESPIR, 1997), todavia, verifica-se que algumas
plantas continuam a antese durante todo o dia, até o final da tarde (PEDROSA, 1995).
Uma vez a flor fecundada o ovário começa a engrossar muito rapidamente. Mas se a
polinização for deficiente, os frutos serão de baixa qualidade, por isso o emprego de
colméias é uma prática necessária neste cultivo (VALLESPIR, 1997).

Pesquisa realizada por LOPES et alli (1990), com a cultivar Valenciano Amarelo,
determinou que da abertura da flor pistilada até a maturação do fruto, decorrem,
aproximadamente, 30 dias. O início da colheita, no Nordeste, ocorre por volta dos 60 a 70
dias, período que o meloeiro permanece produzindo.
O fruto, de acordo com BERNARDI (1974), é uma baga carnuda ou pepônio, que varia em
forma, tamanho e coloração, conforme a variedade. Segundo GOMES (1987), os frutos
são bagas grandes, polimorfas, pubescentes ou glabras, de cores variadas. Geralmente
são amarelos, amarelados e verdes. A polpa é doce, branda, aquosa, bastante saborosa.
Contém de 200 a 600 sementes.

Pelo seu poder aromático e sabor delicado poucas plantas hortícolas se destacam,
organolepticamente como o melão (GARDÉ & GARDÉ, 1981). No seu estado natural o
fruto é excelente alimento, bastante rico em hidratos de carbono e vitamina C, possuindo
quantidade bastante significativa das vitaminas A e B, além dos elementos fósforo e cálcio
(BERNARDI, 1974)

A classificação zoológica das abelhas, segundo os biólogos, é a seguinte:

Reino: Animal
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Subordem: Apocrita
Superfamília: Apoidea
Nome Científico: Apis mellifera
Nome Comum: Abelha

De acordo com Salvetti De Cicco (1997) a abelha é um inseto que pertence à ordem dos
himenópteros e à família dos apídeos. São conhecidas cerca de vinte mil espécies
diferentes e, são as abelhas do gênero Apis mellifera que mais se prestam para a
polinização, ajudando a agricultura, produção de mel, geléia real, cera, própolis e pólen.

As abelhas são insetos sociais que vivem em colônias. Elas são conhecidas há mais de
40 mil anos. A abelha do mel acha-se espalhada pela Europa, Ásia e África. A apicultura,
a técnica de explorar racionalmente os produtos das abelhas existe desde o ano de 2400
a.C.. E os egípcios e gregos desenvolveram as rudimentares técnicas de manejo que só
foram aperfeiçoadas no final do século XVII por apicultores como Lorenzo Langstroth (ele
desenvolveu as bases da apicultura moderna).

A abelha do mel acha-se espalhada pela Europa, Ásia e África. A sua introdução no Brasil
é atribuída aos jesuítas que estabeleceram suas missões no século XVIII, nos territórios
que hoje fazem fronteira entre o Brasil e o Uruguai, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Em 1839, o padre Antonio Carneiro Aureliano mandou vir colméias de Portugal e instalou-
as no Rio de Janeiro. Em 1841 já haviam mais de 200 colméias, instaladas na Quinta
Imperial. Em 1845, colonizadores alemães trouxeram abelhas da Alemanha (Nigra, Apis
mellifera melífera) e iniciaram a apicultura nos Estados do sul. Entre 1870 e 1880,
Frederico Hanemann trouxe abelhas italianas.

A abelha utilizada como agente polinizador é a italiana (Apis mellifera L.), que forma
sociedade onde existe uma só rainha, vários zangões e as operárias. Quando em suas
visitas às flores para coletar alimento a abelha transfere o pólen da antera de uma flor
para o estigma de outra flor, ocorrendo a fecundação cruzada (CAMARGO & STORT,
1973).
A composição social de um enxame se resume em três indivíduos: a rainha, a operária e
o zangão. Só a rainha é uma fêmea normal reprodutora, com seus ovários desenvolvidos.
As operárias são fêmeas estéreis, com ovários não desenvolvidos, por não terem
recebido a mesma dieta especial da rainha em seu estado larval.

As operárias somam o maior número da população de um enxame e são responsáveis


pelo equilíbrio do conjunto. O zangão é o macho. É o único indivíduo que não trabalha e
tem acesso livre em qualquer colméia. Uma ou duas vezes por, quando o tempo estiver
ensolarado e sem vento, ele saem e fazem suas revoadas e passeios (SCHIRMER,
1985).

No ninho a rainha coloca seus ovos nos alvéolos, que são sempre abertos, e as larvas
são alimentadas pelas operárias. Os zangões se originam de
alvéolos não fecundados, colocados em alvéolos maiores (GALLO, 1988).

O comportamento da Apis mellifera é resultante das interações entre o seu potencial


genético, seu estado fisiológico, as condições da colméia e do meio ambiente onde se
encontra (COUTO, 1989).

A apicultura migratória ou móvel é fundamentada na mudança de conjuntos de colméias


(apiários) de uma região para outra acompanhando as floradas com vistas à produção de
mel e para a prestação de serviços de polinização. Sendo uma nova modalidade de
exploração apícola, além de significar um incentivo para a apicultura industrial, é também
o caminho para possibilitar a prestação de serviços de polinização entomófila com
abelhas nos pomares e culturas . Apresentando-se como um dos caminhos para atender
as necessidades de polinização dos pomares e culturas para a produção de sementes e
frutas. E o Brasil, como um dos principais produtores de alimentos do mundo, não pode
dispensar a participação das abelhas para garantir a produção, quando os outros insetos
de polinização estão sendo destruídos progressivamente pela aplicação cada vez mais
intensa e descontrolada dos defensivos agrícolas (UFV, 1997).

A polinização consiste no transporte de pólen desde as anteras até ao estigma de uma


flor. As plantas destinadas à produção de frutos e sementes devem ser polinizadas, ou
seja, as flores destas plantas devem receber pólen em quantidade suficiente para se
transformarem em frutos e estes por sua vez produzirem sementes.

Em determinadas espécies a polinização pode ser direta, isto é, a transferência de pólen


faz-se para o estigma da mesma flor. Porém, a maior parte das espécies vegetais
necessitam de polinização cruzada, ou seja, da transferência de pólen de uma flor para
outra, na mesma planta ou em plantas diferentes da mesma espécie. Para que a
polinização ocorra, nas espécies que necessitam de polinização cruzada, é necessário
que o pólen seja transportado geralmente ou pelo vento - polinização anemófila - ou pelos
insectos - polinização entomófila. A abelha, ao pousar numa flor masculina e depois numa
outra flor feminina, realiza a polinização cruzada, que pela fecundação dará origem ao
fruto (SILVA, 1987).

Após a polinização, ocorre a formação do tubo polínico e a fecundação. Os dois núcleos


do grão de pólen descem por dentro do tubo polínico e, durante a descida, o núcleo
generativo se divide, dando origem aos dois gametas masculinos do vegetal, estes, ao
atingir o óvulo, fecundam a oosfera e os núcleos polares (que previamente se fundem),
respectivamente.
A partir deste momento, as paredes do ovário começam a se transformar no pericarpo,
que é a parte externa do fruto, enquanto que o óvulo fecundado se transforma na
semente.

As abelhas são atraídas para as flores através de fatores fisiológicos estimulantes,


mecânico-estruturais, tróficos e biológicos, que são peculiares a cada tipo de planta.
Esses fatores são demonstrados na cor, odor, néctar, pólen, período de floração, tamanho
e forma das flores (SILVA, 1987).

O pólen é coletado pelas abelhas nas anteras das flores e transportado para outra flor nas
patas, regiões do abdômen ou do tórax desde manhã até a tarde (SILVA, 1987).

A polinização depende, essencialmente, das abelhas. Como o estabelecimento dos frutos


depende da polinização, a produção é baixa, quando não há número suficiente de
abelhas em atividade (FILGUEIRA, 1972). Como norma geral é suficiente colocar ao
menos uma colméia para uma área de 5.000 m². A colocação das colméias deve ser
antes no início da floração e só devem ser retiradas no início da colheita (VALLESPIR,
1997).

A polinização deficiente das flores originam frutos deformados ou que morrem logo após
iniciado o seu desenvolvimento (FILGUEIRA, 1972). O bom pegamento de frutos com
características comerciais é o resultado da deposição de mitos grãos de pólen sobre os
estigmas. Para que isso ocorra são necessárias de 10 a 15 visitas de abelhas em uma flor
hermafrodita ou feminina (PEDROSA, 1997). Portanto, torna-se necessário que no
período de florescimento haja uma boa população de abelhas no campo.

Outro fator digno de destaque é que quanto mais uma flor for polinizada, menos tempo ela
ficará exposta às pragas das plantas, apresentando assim um melhor rendimento em
economia da trabalho e de aplicação de inseticidas (SCHIRMER, 1986).

A polinização com abelhas apresenta, ainda, a vantagem desta deixar-se manejar e


dirigir, em hora e lugar, nas épocas precisas e em todas as direções do campo.

Os fatores que afetam a polinização com abelhas são: O comportamento de preferência


das abelha com relação as flores, Competição entre flores, Compatibilidade de variedades
, Facilidade de pouso e de chegar ao pólen e o tempo (esp. Temperatura e chuva)
(FERGUSON, J, 1998).

3 - MATERIAL E MÉTODOS

Os trabalhos foram conduzidos na Empresa Fazenda São João, localizada na Rod. RN


15, Km 04, Zona Rural – Mossoró, RN, estando localizado a 5°11’ de latitude sul e 37°20’
de longitude norte e altitude de 18m, o clima da região, segundo a classificação de
Thornthhwait, é semi-árido e de acordo com Koeppen é BSwh, seco e muito quente, com
duas estações climáticas: uma seca, que vai geralmente de junho a janeiro, e uma
chuvosa, de fevereiro a maio (CARMO FILHO & OLIVEIRA, 1989). A precipitação média
anual é de 825mm, a temperatura média do ar está entre 32,1 e 34,5ºC e a média mínima
entre 21,3 e 23,7ºC. A evaporização média anual está em torno de 1.945,20mm e a
insolação média de 236h/mês, sendo os meses mais secos os de maior insolação. Solo
classificado como Podzólico Vermelho-Amarelo Equivalente Eutrófico (BRASIL, 1971),
grande grupo Entrustalfs do “Soil Taxonomy” (PEREIRA, 2000).
Os tratamentos foram constituídos de polinização natural com abelhas e polinização
natural sem abelhas (as flores foram protegidas com gaiolas), em flores de meloeiro da
cultivar Gold Pride, plantado em espaçamento 0,3 x 2,0 m numa área de 0,96 há. Para
cada tratamento foram utilizadas 30 flores, escolhidas aleatoriamente, em três repetições,
num total de 180 flores. Quanto às abelhas, foram utilizadas a italiana (Apis mellifera L.),
colocadas às margens do experimento em oito caixas (colméias). As gaiolas foram
confeccionadas de tela de arame malha número 10, com 9,5 x 8,0 x 6,0 cm de tamanho.

As flores que receberam polinização natural foram marcadas no período da manhã do dia
da antese. E as demais flores foram protegidas com gaiolas de tela de arame no período
da amanhã do dia da antese. As gaiolas foram retiradas quatro dias depois e as flores
marcadas para posterior avaliação.

O preparo do solo foi o comumente empregado na cultura de melão; a adubação de


fundação foi feita com 844,80 kg de MAP (10-52-00), de acordo com a análise do solo. O
raleio dos frutos foi deito retirando-se somente os frutos mal formados, devido a
polinização deficiente. A irrigação foi feita por gotejamento, sendo que os tratos culturais e
fitossanitários foram os comumente empregados na cultura do melão.

A colheita foi realizada em torno de 70 dias após a semeadura.

As características avaliadas foram o número de flores abortadas e o número de flores


fecundadas. E destas flores fecundadas, quantos frutos vingaram.

4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores médios dos parâmetros observados (flores fecundadas, flores não fecundadas
e flores fecundadas e abortadas), no período em que as flores ficaram expostas aos
tratamentos ( com gaiola e sem gaiola), entre o período de antese e fechamento das
flores, estão representados no Quadro 1. O elevado número de flores não fecundadas no
tratamento com gaiola demonstra ser a abelha de fundamental importância para a
polinização da cultura do meloeiro. Na Figura 1 pode-se observar a diferença entre os
dois tratamentos em termos de percentagem.

O elevado número de abortos de flores no tratamento com gaiola foi, aparentemente, em


razão:

a) da ausência de abelhas;
b) das alterações do ambiente (temperatura, umidade), devido a presença das gaiolas;
c) da ação de genes gametofíticos que impedem que o pólen de uma mesma flor
germinem formando o tubo polínico, consequentemente não ocorre a fecundação.
Segundo BREWBAKER (1969), a incompatibilidade ocorre como resultado da
paralisação do crescimento do tubo polínico haplóide nas células diplóides do pistilo.
Quando um grão de pólen contém um alelo de incompatibilidade que está presente
também no estilo, o crescimento do tubo polínico fica paralisado. Somente quando o
alelo no pólen não está presente no estilo a fertilização pode ocorrer.

Quadro 1. Valores médios observados durante o período em que as flores ficaram expostas aos
tratamentos. Mossoró-RN, 2000.
TESTEMUNHA GAIOLA

FLORES FECUNDADAS 18,66 3


FLORES FECUNDADAS 7,66 10
ABORTADAS
FLORES NÃO 0,33 17
FECUNDADAS

0,8
Porc. média (%)

0,6
Testemunha
0,4
Gaiola
0,2

0
FF FFA FNF
Tipos de flores
Figura 1. Número de flores fecundadas (FF), flores fecundadas abortadas (FFA) e flores não fecundadas
(FNF) na cultura do meloeiro na presença (Testemunha) e ausência de abelhas (Apis mellifera
L.) (Gaiola).

Os valores médios de frutos vingados e frutos abortados , obtidos das flores fecundadas,
estão representados no Quadro 2. Observou-se que no tratamento sem gaiola
(testemunha) o número de frutos vingados foi superior ao número de frutos obtidos no
tratamento com gaiola, mesmo aplicando-se o mesmo manejo, o que demonstra ser a
abelha fator limitante na produção do meloeiro. Na Figura 2 pode-se observar, em termos
de percentagem, a diferença na produção de frutos nos dois tratamentos.

Quadro 2. Valores médios de frutos obtidos a partir das flores fecundadas. Mossoró-RN, 2000.

TESTEMUNHA GAIOLA
FRUTOS VINGADOS 13,33 0,66
FRUTOS ABORTADOS 8,66 2,33
0,5

Porc. média (%)


0,4
0,3 Testemunha
0,2 Gaiola
0,1
0
FV FA
Tipos de frutos
Figura 2. Número de frutos vingados (FV) e frutos não vingados (FA) cultura do meloeiro na presença
(Testemunha) e ausência de abelhas (Apis mellifera L.) (Gaiola).

O número de flores fecundadas e de frutos vingados no tratamento com gaiola foi inferior
ao número de flores fecundadas e frutos vingados na testemunha, diferindo
estatisticamente, como está representado na Tabela 1.

TABELA 1. Resumo da análise de variância para número de flores não-abortadas e frutos vingados na
cultura do meloeiro na presença e ausência de abelhas (Apis mellifera L.).

FV GL Qui-quadrado
(χ2)
Flores Frutos
Gaiola 1 241,95**1 74,05**
** p<00,1.

Foi observado durante o desenvolvimento da pesquisa, que as visita das abelhas às flores
é mais freqüente pela manhã, e a medida que a planta fica mais velha o número de visitas
cai, pois diminui a disponibilidade de pólen. Algumas vezes a flor é visitada por duas
abelhas ao mesmo tempo. Algumas visitas são rápidas ( 2-5 segundos ), outras são
demoradas ( em torno de três minutos ). Porém se verificou a presença de outros insetos
visitando as flores do meloeiro no campo experimental : dipteros, borboletas e formigas.
De acordo com MELCHOR (1979), aceita-se normalmente como média de visita às flores
de diversas plantas a seguinte (entendendo-se que se trata de percentagens sobre 100
visitas): abelha melífera, 76,6; zangão, 7,6; mosca, 3,9; formigas, 3,7; coleópteros
(besouros), 3,4; abelhas silvestres, 2,6; vespas e marimbondos, 0,5; outros insetos, 1,7.
Ou seja, de cada 100 visitas feitas a uma flor por inseto polinizador, mais de ¾ são
devidas às abelhas.

5 - CONCLUSÃO

Os resultados obtidos no presente estudo levam as seguintes conclusões: Que a abelha


(Apis mellifera L.) é de extrema importância na polinização da cultura do meloeiro, pois
das poucas flores fecundadas na sua ausência houve uma grande prevalência de aborto,
o mesmo ocorrendo com os frutos.

A presença da abelha (Apis mellifera L.) no processo de polinização da cultura do


meloeiro é indispensável, já que na sua ausência, praticamente, não houve produção.

6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Leonard Hill, 1962. 250p.

[1,3] Mestrandos em Fitotecnia – Escola Superior de Agricultura de Mossoró – ESAM -


Welber@click21.com.br
[2,4,5 e 6]Graduandos do curso de Agronomia – Escola Superior de Agricultura de
Mossoró ESAM - adalbertohipolito@bol.com.br
[7] Prof. Dr. Dep. De Fitossanidade – Escola Superior de Agricultura de Mossoró – ESAM
-patrício@esam.br

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