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Resumo de trabalhos de Psicologia Comunitário

Elisabeth Dapona Anlaue Buangur1

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Introdução
O presente resumo, foi produzido no âmbito da cadeira de Psicologia Comunitária e tem
como objetivo, a análise e recapitulação dos conteúdos que são: Processos básicos em
Psicologia Comunitária; Método de investigação em psicologia; Desvio social,
delinquência e planificação social: comunicação da massa (sociedade) e meio ambiente;
Modelo de atuação do Psicologia; Prevenção e tratamento da psicologia comunitária. E o
resumo esta estruturado em fases que compoem conteudos esecificos dos respetivos temas, e
em cade um dos temos consta uma sintese dos temas acima mencionados, que ajudaram na
compreensao e de facil identificacao mesmos.
Processos básicos em Psicologia Comunitária
Individuo
É um termo que se refere à pessoa humana, considerada quanto às suas características
particulares, físicas e psíquicas (Lene, 1999).
Indivíduo é a singularidade humana, isto é indivíduo é uma unidade independente
relativamente aos outros, que possui características próprias que o caracterizam e o
diferenciam em relação aos outros. Campos (2006) afirma que a consciência da
individualidade é adquirida dentro da sociedade através das relações com os outros.
Grupo
De acordo com Campos (2006) define grupo como um conjunto de indivíduos que estão em
constante contacto, que se consideram mutuamente e que estão conscientes que tem algo
significativo e importante em comum. Por outra, grupo é um conjunto de indivíduos
interligados com um objectivo comum que condiciona a coesão de seus membros.
De acordo com Adorno & Horkheimer, (1973, p.23) “definem grupo como sendo mais do
que uma colecção de pessoas, onde os seus membros partilham atitudes e valores comuns,
aceitam-se uns aos outros e relacionam-se uns com os outros”. Aceitam a pertença no grupo
para lidar com os problemas que têm em comum, assim como para satisfazer algumas
necessidades individuais.

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Estudantes do curso de psicologia educacional 4 ano.
Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de Psicologia Comunitária no Âmbito do Curso de Psicologia Educacional
recomendado pelo Docente: MA. Machel isac
Sociedade
De acordo com Bonavides (2012) sociedade é uma associação de pessoas que compartilham
valores culturais, um sistema jurídico e regras de conduta que permitem aos indivíduos que a
integra o sentimento de pertencer ao todo.

A sociedade é definida ainda, como o resultado histórico das relações entre os indivíduos,
que resulta na formação de uma identidade cultural e um organismo social (Adorno &
Horkheimer, 1973).

Método de investigação em psicologia

Segundo Ferrari (1974) e Farinha (2014), definem método como um instrumento básico que
contém dos elementos e regras básicas para a produção e análise de conhecimentos

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científicos. A psicologia comunitária sendo a ciência que esta preocupada com o bem-estar
dos indivíduos nas comunidades, possui alguns métodos de investigação.
Intervenções psicossociais: Questões éticas e técnicas

A intervenção psicossocial refere se a prática multidisciplinar, em que diversos profissionais


assumem posturas de construção conjunta e igualitária de saberes com os membros da
comunidade, de forma que possa interferir nesta realidade, no sentido de ajudar a promover
o bem-estar de seus moradores.

Para Sawaia (1995,p.50), diz que dentre as questões marcantes na dinâmica das
comunidades, com as quais os interventores precisam lidar, esta a presença do sofrimento
psicossocial. O sofrimento psicossocial é a chave para a acomodação para o
estrangulamento do colectivo em prol do bem-estar individual, ele destrói o sistema de
resistência social, quebrando o nexo entre o agir, pensar e o sentir.

Segundo Guareschi (2003) define a ética como uma postura crítica na relação dialógica
com o outro, diante de todo conceito criado e institucionalizado. O outro é visto em uma
relação de convivência, sendo construído nessa relação que se estabelece.

Investigação - acção- participante


Em campos como a psicologia comunitária, o desenvolvimento internacional e a saúde
pública, a investigação-acção implica que um investigador entre em uma instituição ou
comunidade para fazer investigação-acção junto com e não sobre os participantes. Este tipo
de investigação-acção se chama investigação-acção participativa, (Freire,1968)
Diário de campo
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O diário de campo uma forma de complementação das informações sobre o cenário onde a
pesquisa se desenvolve e onde estão envolvidos os sujeitos, a partir do Registro de todas as
informações que não sejam aquelas colectadas em contactos e entrevistas formais, em
aplicação de questionários, formulários e na realização de grupos focais, (Triviños, 1987).

Entrevista
Para Agostinho (2005, P. 19), diz que a entrevista é um instrumento de colecta de dados em
que o pesquisador elabora perguntas necessárias para explorar os tópicos sob investigação.
A entrevista é uma conversa entre duas ou mais pessoas onde perguntas são feitas pelo
entrevistador de modo a obter informações necessária por do entrevistado.na comunidade é
feita a entrevista para se colher dados acerca das necessidades que os indivíduos possuem.
Visita domiciliar

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A visita domiciliar potencializa as condições de conhecimento dos sujeitos, sendo no seu
ambiente familiar ou comunitário. Esta propicia ao visitador maior conhecimento das
condições em que vivem os sujeitos visitados, tomando consciência de aspectos do seu
quotidiano, de suas relações ou outros aspectos que só poderiam ser observados através da
visita, (MIOTO, 2001).

Desvio social, delinquência e planificação social; comunicação da massa (sociedade) e


meio ambiente
Assim como a definição de desvio social, o conceito de práticas sociais é, também, tomado a
partir de uma perspectiva interacionista, na qual se “salienta o caráter social e negociado
explícito e tácito dos percursos dos indivíduos” (Brazão, 2008, p. 2).
Um comportamento ou uma qualidade (característica) da pessoa
social que, superando os limites de tolerância em relação à norma,
consentidos em um determinado contexto social espaçotemporal, é
objeto de um processo de sanção e/ou estigmatização, que exprime
a necessidade funcional do sistema social de controlar a mudança
cultural segundo a lógica do poder dominante. (Caliman, 2006, p.
126)

Conforme a concepção do autor, a noção de desvio é complexa, uma vez que não prescinde
das contingências sociais, culturais e societais. Assim, inicialmente, buscou-se descrever,
quanto ao público das crianças e adolescentes, o que foi considerado desviante ao longo dos
séculos, quais métodos de controle utilizados e expectativas de seus resultados.

Delinquência
E segundo Campos & Lúcia (2017) É um comportamento geralmente associado aos jovens,
porém é um engano restringir sua ocorrência a apenas esse grupo, embora a prática de atos
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criminosos ou delinquentes ocorram com frequência consideravelmente maior nessa faixa
etária.
Planificação familiar Vs delinquência ou desvio social
Para Fonseca (2002) a importância da família para o desenvolvimento equilibrado de
qualquer criança ou jovem é inquestionável. A família deve ser vista como um meio
acolhedor, um meio capaz de garantir segurança e proteção.

Comunicação e Meio Ambiente


Na visão de Oliveira & Nader (2004, p. 3), “a comunicação tem papel muito pertinente junto
às questões ambientais, pois pode traduzir, informar e conscientizar a população sobre o
meio ambiente”. A educação e a comunicação são necessidades exigidas em todos os
campos em que prevalecem as relações humanas e técnicas. De acordo com Oliveira &

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Nader (2004), reconhecer essa inter-relação é um novo campo de intervenção social e
profissional. É considerar a informação um fator fundamental para a educação.

Modelo de atuação do Psicologia

Na visão de Mancebo (1997:24) nos últimos quinze anos, têm sido desenvolvidos modos
alternativos de atuação. Conforme Basto e Achcar citado por Catão (2011), o sentido destas
mudanças, ainda pontuais, seriam os citados a seguir:
(1) os esquemas conceituais, tradicionalmente centrados no plano individual (indivíduo a-
histórico, isolado do seu contexto social) estariam se ampliando para uma concepção de
sujeito visto na sua interdependência com o contexto sódo-cultural; (2) as fontes de
conhecimento, norteadoras das práticas, estariam caminhando da perspectiva unidisciplinar
para a multidisciplinaridade, abarcando, em especial, os conhecimentos produzidos no
campo da Sociologia e da Antropologia; (3) a intervenção psicológica centrada na ação do
psicólogo isolado sobre um indivíduo, dentro de uma perspectiva curativa (ou de
remediação), estaria evoluindo para uma atuação em equipes multiprofissionais, centrada em
contextos, em grupos, com características preventiva e de prospecção;

Psicologia e problemas sócios


Segundo CATÃO (2011, p. 460) Um problema social existe
quando coletividades sofrem por mutilações do cotidiano, por
desigualdade social e injustiça vivenciada. Isto é, quando as
instituições que deveriam estar em consonância com o desejo
humano não cumprem seus objetivos ou não existem.

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Quando isso acontece, as leis são transgredidas e não atendem as coletividades nas suas
necessidades, nas suas carências, no seu desejo de ser gente, e a relação entre fazer e ser
humano não se produz.
Relação ser humano e problemas sociais
Na visão de Catão (2011, p. 462) O ser humano é um ser social e histórico; é um ser
constituído no seu movimento, em todas as suas fases e processos de mudança ao longo do
tempo, pela relação com a cultura e condições sociais produzidas. Concebe-se o
desenvolvimento do ser humano vinculado à história social mediado por sistemas
simbólicos. A abordagem psico-sócio-histórica, admitindo a influência da natureza sobre o
ser humano, afirma que este age sobre a natureza e cria, através das mudanças nela
provocadas, novas condições para sua existência, portanto, precisa aprender formas de

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satisfação de suas necessidades, e sendo essas sociais, precisam ser estimuladas de maneira a
serem adquiridas.

Prevenção e tratamento da psicologia comunitária

Segundo Ximenes et all (2017, p. 5) a psicologia comunitária trata-se, portanto, de uma


Psicologia que busca a mudança comunitária e social, cujo psicólogo coloca-se como um
facilitador de processos sociais e humanos. Nessa perspectiva, deve-se partir das condições
da comunidade e dos seus potenciais, buscando-se identificar os processos psicossociais que
bloqueiam ou facilitam o desenvolvimento dos seus moradores.

Segundo Góis (2005) O psicólogo comunitário não deve se colocar como promotor da
transformação social, sua intervenção busca potencializar ações concretas na realidade
comunitária a ser transformada. Para tanto, faz-se necessário potencializar os recursos
comunitários, integrando suas práticas aos movimentos sociais; à organização, luta e
reivindicação comunitária; as associações comunitárias; aos sindicatos; aos demais
movimentos e grupos de organização e luta política, ou seja, o psicólogo deve atuar menos
em instâncias de controle, desenvolvendo práticas com grupos populares (Góis, 2005).

Atuação do psicólogo em contexto social

Diante de tudo que foi descrito no decorrer da pesquisa, é possível afirmar que a Psicologia
Social na atualidade tem seu foco no meio e busca compreensão do comportamento social
(Almeida, 2018, p.1). Ela possui inter-relação com a Sociologia, pois ambas buscam estudar
situações voltadas para o cotidiano. É função do psicólogo social colaborar na luta contra o

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rompimento dos entraves sociais, tais como: preconceitos, estigmas, estereótipos e estigmas,
mostrando através de intervenções que somos pessoas de direito, capazes de combater as
desigualdades sociais, assim como compreender suas causas e efeitos.

Segundo SARRIERA (2000) e NEIVA (2010), O papel do psicólogo na comunidade é de


fundamental importância, pois este profissional faz o uso de seus conhecimentos para poder
ajudar as pessoas que sofrem pela falta de melhores condições. O psicólogo depara-se com
diversas situações que na maioria das vezes chocam, mas que é necessário abrir novos
espaços para a resolução desses problemas sociais, buscando melhores condições de vida.
Bibliografia
Adorno, T. & Horkheimer, M. Temas básicos de sociologia. São Paulo: Cultrix, 1973.
Bonavides, Paulo. Ciência Política. 19 ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 57)

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Campos, R. H. F. Psicologia comunitária, cultura e consciência. In: Campos, R. H. F. (Org.).
Psicologia desigualdade: uma semana de notícias nos jornais. São Paulo: Cortez. 2006
Lane, S. T. M. Histórico e fundamentos da psicologia comunitária no Brasil. In: Campos, R.
H. F. (Org.). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. Rio de Janeiro:
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Farrinha José. Métodos em Psicologia de Desenvolvimento. Faro. 2014.
Ferrari, Trujillo A. Metodologia da ciência. 3. ed. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974.
Sawaia, B. psicologia social: aspectos epistemológicos e éticos. São Paulo:brasiliense. 1995.
Freire, P. Pedagogía del Oprimido. Madrid: Siglo XXI, 1968.
Guareschi, P. psicologia social critica; uma prática de libertação. Porto Alegre,2003.
Triviños, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
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Agostinho, Ana Vilela. Sebenta de psicologia geral. Maputo, 2005.
Catão, M. F. O ser humano e problemas sociais: questões de intervenção. Temas em
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Mioto, R. C. T. Perícia social: proposta de um percurso operativo. In: Serviço Social e
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Caliman, G. (2006). Desvio social e delinquência juvenil: teorias e fundamentos da exclusão
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Campos, M. F. & Lúcia, G. A. (2017). A história das práticas diante do desvio social de
jovens no Brasil: reflexões sobre o ideal de ressocializaçãoPesquisas e Práticas Psicossociais
12 (2), São João del Rei.
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Oliveira, M. J. & Nader, S. (2004). Comunicação organizacional e meio ambiente: Uma
análise sobre a relação entre políticas ambientais e de comunicação. METROCAMP -
Faculdades Metropolitanas de Campinas.
Brazão, P. (2008). A prática social, a tecnologia e a construção do currículo. In A.
Mendonça & Bento, A. (Orgs.). Educação em tempo de mudança (pp. 107-113). Funchal:
CIE – UMa.
Mancebo, Deise. Formação do psicólogo: uma breve análise dos modelos de intervenção.
Psicologia ciencia e Profissão, 1997. 17. (1). 20-28.
Ximenes, V.M., Lemos, E.C., Silva, A.M.S., Abreu, M.K.A., Filho, C.E.E. & Gomes, L.M.
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participativas. Psicologia em Pesquisa | UFJF | 11(2) | 4-13 | 2017.

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Góis, C.W. Psicologia Comunitária: Atividade e Consciência. Fortaleza, CE: Publicações
Instituto Paulo Freire. 2005

Neiva, Kathia Maria da Costa. Intervenção Psicossocial: aspectos teóricos, metodológicos e


experiências práticas. São Paulo: Vetor, 2010.
Sarriera, Jorge Castellá. Psicologia Comunitária- estudos atuais. Porto Alegre: Sulina, 2000.

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