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Unidade II

Unidade II
5 GEOMETRIA ANALÍTICA: UMA ABORDAGEM VETORIAL

5.1 Vetores – tratamento geométrico

O estudo da geometria analítica está alicerçado na ideia de representar os pontos da reta por
números reais, os pontos do plano por pares ordenados de números reais e os pontos do espaço por
ternas ordenadas de números reais.

Faremos, inicialmente, um estudo intuitivo da noção de vetores, buscando apresentar, sempre que
possível, uma linguagem informal.

Você poderá fazer um estudo mais formal e rigoroso a partir das referências bibliográficas.

Destacaremos um tratamento geométrico dos vetores, evidenciando algumas noções elementares


relacionadas a eles.

Na visão geométrica de vetores, não precisamos diferenciar vetores no plano e no espaço. Assim,
nessa primeira abordagem, vamos simplesmente falar em vetores.

Os vetores servem, principalmente, para deslocar pontos ou, mais precisamente, efetuar translações.
Ao deslocar cada um dos pontos de uma figura, o vetor efetua uma translação dessa figura.

Podemos classificar as grandezas em dois tipos: escalares e vetoriais.

As grandezas escalares podem ser caracterizadas por um número real (e sua unidade de medida
correspondente). Como exemplos, temos: área, volume, massa, temperatura, entre outras.

As grandezas vetoriais necessitam mais do que um número para serem caracterizadas, ou seja, não
ficam completamente definidas apenas pelo número com sua unidade correspondente. Para defini‑las
completamente, é necessário conhecer seu módulo (ou comprimento ou intensidade, que também é
conhecido como a norma de um vetor), sua direção e seu sentido. Vejamos exemplos: força, velocidade
e aceleração.

Para o nosso estudo, alguns conceitos serão considerados básicos, isto é, não necessitam de definição.
Por exemplo: ponto, reta, segmento de reta, plano.

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5.1.1 O conceito de vetor

Para chegarmos à definição de vetores, vamos considerar dois pontos distintos, A e B, e o segmento
de reta AB .

A todo segmento de reta podemos associar uma direção e um comprimento. A direção será dada
pela reta que contém os pontos e o seu comprimento pela medida entre A e B.

Se considerarmos a ordem de escolha dos pontos A e B, teremos uma origem e uma extremidade para
o nosso segmento e, assim, um segmento orientado, isto é, um segmento que tem origem e extremidade.
Desse modo, estabelecemos um sentido para o segmento, por exemplo, de A para B.

Vamos utilizar notações diferentes para indicar um segmento de reta e um segmento orientado.
Representaremos o segmento orientado com origem em A e extremidade em B por AB.

Você terá, então, a notação AB para indicar o segmento de reta formado pelos pontos A e B, e as
notações AB ou (AB) ou (A,B) para indicar o segmento orientado.

Observação

Note que AB e BA representam o mesmo segmento de reta. Já os segmentos


orientados AB e BA destacam segmentos diversos, com sentidos diferentes.

Para um segmento orientado AB, podemos definir:

• direção: dada pela reta que contém os pontos A e B;

• sentido: dado pela ordem de escolha dos pontos A e B;

• norma (comprimento): dada pela medida do segmento.

Os segmentos orientados da forma AA são chamados de segmentos nulos, isto é, começam e acabam
no mesmo ponto.

Considere os segmentos orientados elencados a seguir. O que você pode dizer sobre a direção, o
sentido e o comprimento deles?

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r s t

B
D
E
A C

Figura 1

Você deve ter notado que os segmentos orientados AB, DC e EF estão em retas paralelas, portanto,
possuem a mesma direção. Os segmentos AB e EF têm o mesmo sentido, já DC tem sentido oposto ao de
AB e de EF. Quanto ao comprimento, notamos que AB e DC têm comprimento igual.

Definimos vetor AB como o conjunto de todos os segmentos orientados


 que têm direção e sentido
iguais e a norma do segmento orientado AB. Usaremos a notação AB para indicar esse vetor.

Qualquer um dos segmentos desse conjunto pode ser seu representante,


  isto é, se os segmentos AB,
CD, EF têm direção, sentido e norma iguais, podemos escrever: AB
= CD= EF .

Também podemos indicar o vetor por uma letra minúscula com uma flecha em cima, por exemplo, v .

Cada ponto do espaço


 pode ser considerado como origem de um segmento orientado, que é
representante do vetor v .

A figura a seguir nos indica o que define a direção de um vetor. Considerando a reta que passa pelos
pontos A e B, podemos afirmar que o deslocamento de um objeto nessa mesma direção pode ser feito
de duas maneiras: no sentido de A para B, ou no sentido contrário, de B para A.

Assim, a cada direção, podemos associar dois sentidos:

A B A B A B

Figura 2

Observação

É importante observar que somente podemos falar em mesmo sentido


ou em sentido contrário quando os vetores têm a mesma direção.

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  
O módulo (norma ou comprimento) de um vetor v é indicado pelas notações v ou v . Você pode
trabalhar com qualquer uma das notações, sendo a notação com as barras duplas a mais conveniente.
A outra notação pode ser confundida com a notação para módulo de um número.

Mais adiante, veremos como fazer o cálculo do módulo de um vetor.

5.1.2 Casos particulares de vetores


   
a) Os vetores u e v são paralelos e são indicados por u // v se têm representantes com mesma
direção, isto é, em retas paralelas.


u  
v w

Figura 3

  
Nesse caso, temos u / / v , mas w não é paralelo aos outros dois vetores, isto é:
   
w // u e w // v
 
b) Dois vetores u e v são iguais e, caso tenham direção, sentido e módulo iguais, indicado por
 
u = v.
 
u v

u = v
Figura 4

c)Vetor nulo ou zero pode ser representado por qualquer ponto do espaço e será indicado por 0
ou AA (a origem coincide com a extremidade). Esse vetor não possui direção e sentido definidos, e
tem norma igual a zero, isto é, u = 0 .
 
0 = AA
  
d) Vetor oposto: ‑v é o oposto de v e tem mesmo módulo e mesma direção de v , porém, de
sentido contrário.

v

-v
Figura 5

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 
e) Vetor u é unitário é um vetor com comprimento 1, isto é, | u | = 1.
    
f) Vetores ortogonais: u e v são ortogonais,e indica‑se por u ⊥ v , se algum representante de u
formar ângulo reto com algum representante de v . Considera‑se o vetor nulo ortogonal a qualquer vetor.


u


v

Figura 6

g) Dois ou mais vetores são coplanares, se existir


 algum plano onde esses vetores estão representados.

É importante observar que dois vetores u e v são sempre coplanares. Três vetores poderão ser
coplanares ou não.

5.1.3 Operações com vetores

Um aspecto importante dos vetores é que podemos efetuar operações entre eles, tema que
estudaremos agora.

5.1.3.1 Adição de vetores


   
Consideremos os vetores u e v , o vetor soma u + v (que representará um outro vetor) .


u 
v

Figura 7

Como encontrar esse vetor soma?

Vamos tomar um ponto


 A qualquer e, com origem nele, traçar um segmento orientado AB
representante do vetor u :

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B

u

Figura 8


A partir da extremidade B, vamos traçar o segmento orientado BC representante de v :

B C
 
u v

Figura 9

O vetor representado
 pelo segmento orientado de origem A e extremidade C é, por definição, o vetor
u
soma de e v , isto é:

B C

A
     
u  v  AC ou AB  BC  AC

Figura 10
   
Sendo u // v , a maneira de se obter o vetor u + v é a mesma e está ilustrada nas figuras a seguir.
Note que quando os vetores são paralelos, podemos encontrar duas situações: quando possuem mesmo
sentido e quando possuem sentidos contrários:
  
u v u


v
   
u + v u + v

Figura 11

 
Quando os vetores u e v não são paralelos, podemos utilizar outra forma para encontrar o vetor
 
soma u + v .

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Regra do paralelogramo
 
Consideremos os vetores u e v não paralelos:

 
u v

Figura 12
   
Vamos representar os vetores por segmentos orientados com origem em A, u = AB e v = AD .

 B
u 
v

A D

Figura 13

Completa‑se o paralelogramo ABCD  e o segmento  de origem A, que corresponde à


 orientado
diagonal do paralelogramo, é o vetor u + v , isto é, u + v =AC ou:
B C
 
u+ v

A D

Figura 14

Para determinar a soma de três vetores ou mais, o procedimento é análogo, ou seja, você deve
pegar representantes dos vetores, de forma a colocar a extremidade de um na origem do próximo, e o
resultado obtido com a adição desses vetores será dado pela primeira origem e última extremidade.

Lembrete

Quando a extremidade do representante do último vetor coincidir com


a origem do representante
 do primeiro, a soma deles será o vetor nulo
  
(u+v+w+ t = )
0 .

Toda vez que definimos uma operação, precisamos saber quais são as propriedades que ela satisfaz.

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A adição de vetores satisfaz as seguintes propriedades: associativa, existência do elemento neutro,


existência do simétrico e propriedade comutativa. Um conjunto, munido da operação de adição, que
satisfaz essas propriedades é definido como grupo comutativo (abeliano).
  
Vejamos, então, quais são essas propriedades, para quaisquer vetores u, v e w :
     
( )
(I) associativa: + v + w =u + v + w
u ( )
  
(II) elemento neutro: + 0 =
u u
  
( )
(III) elemento oposto: u + ‑u = 0
   
(IV) comutativa: u + v = u + v

Observação
   
A diferença entre
 os vetores u e v será interpretada por u + (– v ), e
escreveremos u – v para representar essa diferença.
 
É importante
  ressaltar e observar que, no paralelogramo determinado pelos vetores
 
u e v , verifica‑se
a soma + v representada por uma das diagonais, enquanto a diferença – v pela outra diagonal:
u u

B C
 
u-v

A D

Figura 15

Exemplos:

1) Nas figuras a seguir, determine a soma dos vetores indicados.

a) (quadrado)

D C

A B
Figura 16

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 
Queremos saber a soma dos vetores AB e AD . Como os vetores têm a mesma origem, podemos
utilizar a regra do paralelogramo para determinar a resultante.

Assim,
 pela
regra do paralelogramo, o vetor resultante será a diagonal AC. Podemos escrever
AB + AD = AC .
b) (hexágono regular)

E D

F C
G

A B

Figura 17

No hexágono regular, temos vetores em três direções diferentes, todos com mesmo módulo.
  
Queremos saber a soma dos vetores AB , DC e FE . Dessa vez, como os vetores não têm a mesma
origem, não podemos utilizar a regra do paralelogramo.

Você precisa escolher outros representantes dos vetores que estejam em posição conveniente para
que possam ser somados, isto é, a extremidade de um emendando na origem do próximo.

Há várias possibilidades, basta escolher uma delas. Você pode refazer o exemplo utilizando outro caminho.
    
Vamos substituir o vetor AB . Observando a definição de vetor, temos que AB = ED= FG = GC .

Podemos substituir AB por ED .

Agora os vetores estão emendados, fim de um na origem do seguinte, observe a figura a seguir:

E D

F C
G

A B
Figura 18

Pela definição de adição, temos que o vetor resultante é FC .
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Lembrete

Note que, se você escolher outro caminho, deve encontrar sempre o


mesmo resultado, ou um outro representante desse vetor.

c) (cubo)

H G

E
F

D C

A B

Figura 19
   
Queremos a soma dos vetores AE ,HG , FB e BC . Como a figura é um cubo, temos vetores em três
direções diferentes.
 
Inicialmente, notamos que os vetores AE e FB têm direção e norma iguais, mas com sentidos opostos,
isto é, são vetores opostos. Assim, a soma desses dois vetores será nula.

A soma a ser feita passa a ser:


     
AE + HG + FB + BC = HG + BC
 
Observando a figura, notamos que podemos substituir BC por EH . Então, a soma passa a ser:
   
HG + BC = HG + EH

Invertendo a ordem dos vetores, temos a extremidade do primeiro na origem do seguinte. Desse  modo,
a soma passa a ser primeira origem (E) e última extremidade (G), isto é, o vetor resultante será EG :
    
HG + EH = EH + HG = EG
 
Note
que, se você fizer a soma substituindo o vetor HG pelo vetor AB encontrará como resposta
o vetor AC . Os vetores encontrados são iguais, ou seja, você pode ter mais de uma resposta correta,
representantes diferentes do mesmo vetor.

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Em física, temos várias grandezas vetoriais, por exemplo, a posição, o deslocamento, a velocidade.

Vejamos uma aplicação para o vetor deslocamento e a adição de vetores.

2) Uma pessoa encontra‑se no ponto A e vai encontrar com um colega que está a 100 m, em um
ponto B. A seguir andam até outro colega que está em um ponto C, na mesma direção, a 400 m.

Represente o seu deslocamento e determine o módulo do vetor deslocamento total.

Resolução:

Conforme o enunciado, temos:


 
d1 d2
A 100m B 400m

Figura 20

Notamos que os dois vetores a serem somados têm direção e sentido iguais, logo, a resultante dessa
soma será o vetor com origem em A e extremidade em C.

Assim, o módulo do vetor deslocamento será 100 m + 400 m = 500 m.

Representando o resultado, temos:


 
d1 d2
A 100m B 400m C


d

Figura 21

Encontramos também a adição de vetores no estudo de campos elétricos.

Vejamos agora uma aplicação na determinação do vetor campo elétrico gerado por duas
partículas eletrizadas.

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3) Dadas duas partículas eletrizadas com cargas positivas Q1 e Q2, colocadas nos pontos A e B,
conforme figura a seguir, represente o vetor campo elétrico resultante.


E2

+ 
P E1
A

+
B

Figura 22

Resolução:

 Observe
 que o ponto P sofre influência dos dois campos gerados, simultaneamente. Os vetores
E1 e E2 representam o vetor campo elétrico de cada carga.

O vetor resultante será determinado pela soma dos vetores e, nesse caso, vamos utilizar a regra do paralelogramo.

Assim:



 ER
E2

+ 
P E1
A

+
B

Figura 23

O vetor resultante ER indica o módulo, a direção e o sentido do campo elétrico resultante.

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5.1.3.2 Multiplicação por escalar (ou número real)


  
Dado um
 vetor v ≠ 0 e um número real a ≠ 0 , chama‑se produto do número real a pelo vetor v ,
o vetor a.v , tal que:
   
• Módulo: a.v =a . v , isto é, o comprimento de a.v é igual ao comprimento de v multiplicado
por | a |
 
• Direção: a.v é paralelo a v , ambos têm a mesma direção.
 
a.v e v têm o mesmo sentido se a > 0
• Sentido:   
a.v e v têm sentido contrário se a < 0
   
Se a =0 ou v = 0 , então a .v =0.

Vamos ver geometricamente o que significa o produto por escalar.

Exemplos:

   1 2 
Dado o vetor u , vamos representar os vetores −u ; 3u ; u ; − u
2 3

u

Figura 24

Resolução:

Para representar os vetores, devemos lembrar que todos serão paralelos ao vetor dado, ou seja,

estarão em retas paralelas à direção de u .
 
• Vetor – u : mesma direção e norma de u e sentido contrário:

- u

Figura 25
   
• Vetor 3 u : mesma direção e sentido contrário de u e norma igual a 3.u = 3 . u , isto é, norma

igual a três vezes a norma do vetor u .


u

3u

Figura 26

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1  1 1  1 
• Vetor 2 u : mesma direção e sentido de u e norma igual a = u = .u . u , isto é, norma
é igual à metade da norma do vetor: 2 2 2


u
1
u
2

Figura 27

2  
• Vetor − u : mesma direção de u , sentido contrário ao de u , e norma igual a
3
2  2  2 
= ‑ u ‑= .u . u , isto é, norma igual a 2/3 da norma do vetor original.
3 3 3

 2
u − u
3

Figura 28

Propriedades

Novamente, se definimos uma operação, precisamos saber quais são as propriedades que ela satisfaz.
 
A multiplicação por escalar satisfaz as propriedades a seguir, para quaisquer vetores u e v e para
quaisquer números reais a e β :
   
(I) a. ( u + v ) = a.u + a.v
  
(II) ( a + β ) .u = a.u + β.u
 
(III) ( a.β ) .u = a.(β.u)
 
(IV) 1.u = u

Note que, para essas propriedades, não demos nomes, e isso acontece porque estamos trabalhando
com elementos de conjuntos diferentes.

Com essas propriedades, podemos definir o versor de um vetor.

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 
Versor de u : é um vetor unitário que tem mesma direção e sentido de u , e é dado por:

 1 
v=  u
u

Com as propriedades de adição e de multiplicação por escalar, podemos resolver equações vetoriais,
isto é, equação em que as variáveis são vetores e sistemas de equações vetoriais.

Exemplos:

1) Resolva a equação vetorial na variável x e a seguir represente geometricamente a solução
 
conforme os vetores u e v :
    
3x + 2u = 3u + 2v + x


v


u

Figura 29

Resolução:

Para resolver a equação, você deve utilizar as propriedades da adição e da multiplicação por escalar.

Devemos isolar a variável do lado esquerdo da equação:


    
3x + 2u = 3u + 2v + x
    
3x ‑ =
x 3u + 2v ‑ 2u
  
2x= u + 2v

 1 
=
x u+v
2
 1 
Logo, a solução da equação é: =
x u+v
2
Para fazer a representação geométrica da solução, você deve representar os dois vetores e depois a
soma deles:

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v

1
u
2

u

Figura 30

Como os vetores que formam a solução da equação estão representados com mesma origem, você
pode utilizar a regra do paralelogramo. Assim, temos:


v  1 
x  u v
2

1
u
2

u

Figura 31

 
2) Resolva o sistema de equações vetoriais, nas variáveis x e y , e a seguir represente geometricamente
 
a solução conforme os vetores u e v :

    
v x  2 y  2u  v
   
 x  y  u  2v

u

Figura 32

Resolução:

Para resolver o sistema de equações vetoriais, você pode utilizar qualquer um dos métodos já conhecidos.

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Vamos resolver esse sistema por adição:


   
 x + 2y = 2u + v
   
 x − y = u + 2v

Vamos eliminar a variável x . Para isso, vamos multiplicar a 2ª equação por (‑1):
   
x + 2y = 2u + v
   
x − y = u + 2v (multiplicando por ( −1))

   
x + 2y = 2u + v (somando as equações)
    
−x + y =−u − 2v
  
3y= u − v

 1 1
Então, temos: =
y u− v
3 3

Agora vamos eliminar a variável y . Devemos multiplicar a 2ª equação por 2:
   
x + 2y = 2u + v
   
x − y = u + 2v (multiplicando por 2)

   
x + 2y = 2u + v (somando as equações)
    
2x ‑ =
2y 2u + 4 v
  
3x= 4u + 5v

 4 5
Daí, temos: =
x u+ v
3 3
 4  5   1 1
Logo, a solução do sistema é: =
x u+ v e = y u− v
3 3 3 3
 4 5
Primeiramente, vamos representar o vetor =
x u+ v:
3 3

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5
v
3  4 5
x  u v
 3 3
v


u
4
u
3

Figura 33

 1 1
Então, representamos o vetor=
y u− v:
3 3


v
1
1 − v 
− v 3 u
3

 1 1
y  u v
3 3

Figura 34

5.2 Espaço vetorial real

Um conjunto V com as operações de adição e produto por número real, que satisfaça as propriedades
que vimos anteriormente, é chamado de espaço vetorial. Os elementos do espaço vetorial V são
denominados vetores, e os números reais da multiplicação são chamados de escalares. É por isso que,
em alguns textos, a multiplicação por número real é indicada como multiplicação por escalar.

Resumindo, um conjunto é um espaço vetorial que tem duas operações, adição e multiplicação por
número real, que satisfazem as seguintes propriedades:

I) Em relação à operação de adição:

A1: u + v = v + u (propriedade comutativa)

A2: u + (v + w) = (u + v) + w (propriedade associativa)

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A3: u + 0 = 0 + u = u (elemento neutro)

A4: u + ( −u) = ( −u) + u = 0 (oposto aditivo)

A propriedade A3 indica que existe um vetor em V, chamado vetor nulo, o qual será simbolizado
u , para qualquer vetor u ∈ V .
genericamente por 0, tal que u + 0 =

A propriedade A4 indica que, para cada vetor u ∈ V , existe um vetor em V, denotado por – u, e
chamado de oposto de u.

Observe que A1, A2, A3 e A4 formam uma estrutura algébrica que chamamos de grupo comutativo
(ou abeliano), ou seja, um espaço vetorial é um grupo comutativo com a operação adição.

II) Em relação à operação de multiplicação por escalar:

M1: a(βu) = (aβ)u

M2: (a + β)u = au + βu

M3: a(u + v) = au + av

M4: 1u = u

É importante observarmos que podemos tratar a definição de espaço vetorial de forma genérica,
ou seja, para um espaço vetorial V qualquer. Assim, ela serve para conjuntos diversos, tais como
o IR2 e IR3, o conjunto das matrizes Mmxn, entre outros. Dessa forma, os vetores terão a natureza
dos elementos desse espaço, e os conjuntos correspondentes terão a mesma estrutura quanto às
operações de adição e multiplicação por escalar.

5.3 Vetores – tratamento algébrico

Para localizarmos elementos de um plano, utilizamos o sistema cartesiano, isso possibilita o estudo
algébrico de vetores a partir das coordenadas dos pontos.

Deixaremos de trabalhar exclusivamente com a parte geométrica e passaremos a usar coordenadas


para representar os nossos vetores. Tudo o que foi estudado sobre vetores até agora deve ser refeito
utilizando‑se as coordenadas.

Mas, afinal, o que são coordenadas de um vetor? O que muda na teoria que você estudou até agora?

Para respondermos essas questões, lembraremos o que é um plano cartesiano.

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5.3.1 Plano cartesiano

O termo cartesiano é devido ao filósofo e matemático francês René Descartes, cujo nome em latim
era Renatus Cartesius, criador da geometria analítica.

Indicaremos por IR o conjunto dos números reais, e por IR2 ou IRxIR (leia‑se IR cartesiano IR) o
conjunto formado pelos pares ordenados (x, y ), em que x e y são números reais. Em geral, usamos a
notação IR2 para representar o plano.

Chamamos o número x de primeira coordenada e o número y de segunda coordenada.

Dados (x, y) e (x’, y’) em IR2, temos que (x, y) = (x’, y’) se, e somente se,

x = x’ e y = y’

Vejamos um sistema de coordenadas cartesianas:

0 x

Figura 35

Um sistema de coordenadas cartesianas em um plano a é determinado por um par de eixos


perpendiculares OX e OY contidos nesse plano, com a mesma origem O. Chamamos o eixo OX de eixo
das abscissas (ou simplesmente eixo X), e o eixo OY de eixo das ordenadas (ou eixo Y). Indicamos esse
sistema com a notação XOY.

Um sistema de coordenadas no plano a nos permite estabelecer uma correspondência biunívoca


(um a um) a → IR2 , de forma que cada ponto Q do plano a corresponde a um único par ordenado
(x,y) ∈ IR2 . Os números x e y são as coordenadas do ponto Q relativamente ao sistema XOY, onde x é
a abscissa e y é a ordenada de Q.

As coordenadas (x, y) do ponto Q podem ser definidas do seguinte modo:

• Se Q estiver sobre o eixo OX, o par ordenado que lhe corresponde é (x, 0), em que x é a coordenada
de Q no eixo OX.

• Se Q estiver sobre o eixo OY, a ele corresponde o par (0, y), em que y é a coordenada de Q nesse eixo.

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• Se Q não está em qualquer um dos eixos, traçamos por Q uma paralela ao eixo OY, a qual
corta OX no ponto de coordenada x e uma paralela ao eixo OX, a qual corta OY no ponto de
coordenada y. Então, x será a abscissa e y a ordenada do ponto Q. Dessa forma, temos que
(x,y) ∈ IR2 é o par ordenado de números reais que corresponde ao ponto Q.

Observe a seguir a representação de alguns pontos. Vamos localizar, no sistema, os pontos:

A (1, 0), B (0, 2), C (1,1), D (‑2, ‑1)

2 B

1 C

-2 0 1 X
A
-1
D

Figura 36

O ponto 0, origem do sistema de coordenadas, tem abscissa e ordenada iguais a zero, ou seja, ele
corresponde ao par ordenado (0,0) ∈IR2 .

5.3.2 Vetores no plano



Dado um ponto P do plano, podemos associar a ele um vetor u (vetor posição do ponto)
 que
 tem
origem em O (origem do sistema cartesiano) e extremidade em P. Assim, podemos escrever u = OP .

Consideremos, nos eixos coordenados x e y, vetores unitários com origem em O. Esses vetores
ortogonais e unitários são os versores dos eixos OX e OY.

 Você
 encontrará várias notações para esses versores. Neste livro‑texto, usaremos a mais comum,
i e j , para indicar os versores dos eixos OX e OY, respectivamente.

Observe a figura a seguir:

120
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

A
1

 v
j

0  1
i X

Figura 37
 
O ponto A indicado na figura
  anterior tem coordenadas (1,1). Assim, o vetor  
v = OA
 pode ser
escrito segundo os versores i e j . Temos, então, pela regra do paralelogramo: v= i + j .
 
Do mesmo modo,  se escolhemos um ponto qualquer P(x,y), podemos escrever o vetor v = OP com
base nos versores i e j . Observe a figura a seguir:

y P

 1
yj

 v
j


0 i 1 x X

xi

Figura 38
   
  v = OP pautando‑se nos versores i e j . Utilizando a regra do
Você pode escrever o vetor
paralelogramo, temos v= xi + y j .
 
De forma geral, considerando os versores i e j , qualquer vetor do plano pode ser escrito de
forma única.

121
Unidade II

Observação

Na figura anterior, note que o ponto P está no 1º quadrante. Logo, x >0


e y>0. Contudo, essa conclusão vale para o ponto P em qualquer quadrante.

Vamos agora representar dois pontos, A(a,b) e B(c,d), no plano e o vetor AB no plano Oxy. Para
compreender melhor, vamos adotar pontos no 1º quadrante. Você pode utilizar o mesmo procedimento
para os pontos em qualquer um dos outros quadrantes.

d B
A
b


j


0 i c a X

Figura 39
  
Podemos escrever o vetor AB considerando os vetores OA e OB . Observe a figura a seguir:

d B

b A


j


0 i c a X

Figura 40

122
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

     


= AO + OB , e a partir disso obtém‑se
Escrevendo o vetor AB com base em OA e OB , temos AB
  
AB ‑OA + OB .
=

5.3.3 Combinação linear


 
Quando escrevemos um vetor v em função outros, dizemos que v é combinação linear desses vetores.

Assim, se o vetor v é combinação linear dos vetores v, então existem escalares a1, a2 ,..., an , tais
que podemos escrever:
   
v  1.u 1 2 .u 2    n .u n

Exemplos:
  
 o vetor como combinação linear dos vetores a e b , isto é, escreva o
1) Dadas as figuras, escreva v
vetor v com base em a e b .

a) M é o ponto médio do lado CD de um paralelogramo:

D M C

b 
v

A  B
a

Figura 41

Resolução:

Como estamos trabalhando com um paralelogramo, temos:


  
= = DC
a AB
  
= = BC
b AD

O ponto M divide o lado DC ao meio. Assim, temos:

 1  1 
=
DM = DC a
2 2

123
Unidade II

     


Para escrever o vetor v = AM em função de = a AB = e b AD , você deve começar a escrever o
vetor pelo vértice que dá a sua origem (nesse caso, A) e continuar caminhando de vértice em vértice até
chegar no ponto que dá a extremidade, ao vértice M.
   
Assim, temos: = = AD + DM .
v AM
   
=
Está quase terminado. Falta ainda deixar só em função dos vetores =
a AB e b AD . Vamos substituir
 1
DM por a e assim encontramos a combinação linear pedida, isto é:
2
   1 
v= AM= b + a
2

b) R e S são pontos da trissecção do lado DC, isto é, dividem o lado DC de um paralelogramo em


três partes iguais:

D R S C

b 
v

A  B
a

Figura 42

Resolução:

Novamente, estamos trabalhando com um paralelogramo. Então, temos:


  
= = DC
a AB
  
= = BC
b AD

Os pontos R e S dividem o lado DC em três partes iguais:

   1  1 


= RS
DR = SC= DC = a
3 3
     
Para escrever o vetor v = AS em função=
de a AB =e b AD , você deve começar a escrever o vetor
pelo vértice que dá a sua origem (nesse caso, A) e continuar caminhando de vértice em vértice até
chegar no ponto que dá a extremidade, ao vértice S.
124
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

        


Assim, temos: v = AS = AD + DR + RS , ou podemos também escrever = v AS= AD + DS . Nas duas
formas, chegaremos à mesma resposta. Você pode escolher a maneira que achar mais prática.
   
=
Falta ainda deixar o vetor só em função dos vetores =
a AB e b AD . Utilizando a segunda forma,
 2    2 
vamos substituir DS por a . Assim, encontramos a combinação linear v= AS= b + a .
3 3

Observação

   1  1  2 


Note que DS = DR + RS = a + a = a
3 3 3
Podemos utilizar o mesmo raciocínio para figuras espaciais. Veja, no próximo exemplo, como trabalhar
com um paralelepípedo.

2) M é o ponto médio do lado HG, isto é, divide o lado HG em duas partes iguais:

H M G
E F
 
c v
 D
b C
A  B
a

Figura 43

Resolução:

Num paralelogramo, temos:


    
=
a AB= DC= EF= HG
    
=
b AD= BC
= EH= FG
    
= = BF= DH
c AE = CG

O ponto M divide o lado HG em duas partes iguais. Assim, temos:

  1  1 


= MG
HM = HG = a
2 2

125
Unidade II

       


Queremos escrever o vetor v = BM em função dos vetores
= =
a AB, b AD=e c AE .

Assim, temos:
     
v = BM = BA + AE + EH + HM

Observando a figura, temos:


  
=
BA ‑=
AB ‑a
 
AE = c
 
EH = b

 1  1 
=
HM = HG a
2 2

Substituindo na expressão, obtém‑se:

     1
v =BM =−a + c + b + a
2
 1  
Logo, v =− a + c + b .
2
A partir de combinação linear, definimos vetores linearmente dependentes e linearmente
independentes. Esses conceitos são essenciais no estudo de vetores, tanto na geometria analítica
quanto na álgebra linear. Com eles, definimos a base de um espaço vetorial e, como consequência, as
coordenadas dos vetores.

O estudo dos resultados importantes relativos a bases de um espaço vetorial é feito em álgebra
linear. Portanto, não detalharemos esses resultados neste livro‑texto.

Vejamos, então, esses novos conceitos.

5.3.4 Dependência e independência linear

Dois ou mais vetores são chamados de linearmente dependentes (LD) se pelo menos um deles é
combinação linear dos demais, isto é, podemos escrever um deles como combinação linear dos outros.

Dois ou mais vetores serão linearmente independentes (LI) se nenhum deles é combinação linear
dos demais.

126
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Nos exemplos anteriores, quando escrevemos um vetor em função dos outros, temos vetores LD.

Por exemplo:

  2   
v= b + a , os vetores a, b e v são LD.
3

 1      
v =− a + c + b, os vetores a, b, c e v são LD.
2

Agora, você já sabe quando dois ou mais vetores são LD ou LI. Mas o que acontece se você tiver
somente um vetor?

Nesse caso, o conjunto formado por só um vetor será LI, se ele não for o vetor nulo, e será LD se ele
for o vetor nulo.
  
a LI ⇔ a ≠ 0

Para continuarmos o nosso estudo e assimilarmos o conceito de LI e LD, vamos ver o significado
geométrico da dependência linear, isto é, como representamos geometricamente vetores LI e LD.

Lembrete

Vetores são linearmente independentes (LI) se não são linearmente


dependentes (LD), ou seja, LI é negação de LD.

5.3.4.1 Interpretação geométrica da dependência linear

Os conceitos de combinação linear e de vetores LI e LD, dados anteriormente, não dependem do tipo
de vetor que estamos tratando, isto é, podemos utilizar a mesma definição para vetores no plano (IR2)
e no espaço (IR3).

No entanto, a interpretação geométrica da dependência linear é diferente no plano e no espaço.


Assim, vamos dividir o nosso estudo em vetores no IR2 e vetores no IR3.

No plano (IR2), temos:


    
Dois vetores: a, b são LD ⇔ a =ab ou b =βa , isto é, um é combinação linear do outro.

Geometricamente, temos que são vetores paralelos, assim:


  
a, b LD ⇔ a / / b

127
Unidade II

De modo análogo, temos:


  
a, b LI ⇔ a e b não são paralelos
Observe a figura a seguir. Você é capaz de indicar quais dos vetores são LI e quais são LD?


d
 
a b

c

Figura 44

Observando os vetores e a definição de vetores LI e LD, temos que:


     
• os pares de vetores: a e b ; a e c; b e c , são LD;
     
• os pares de vetores: a e d ; b e d ; c e d , são LI.

Três ou mais vetores: no plano (IR2), três ou mais vetores serão sempre LD.

No espaço (IR3), temos:


    
Dois vetores: do mesmo modo que no plano temos a, b são LD ⇔ a =ab ou b =βa , isto é, um
é combinação linear do outro.

Geometricamente, são vetores paralelos, assim:


  
a, b LD ⇔ a / / b

De modo análogo, temos:


  
a, b LI ⇔ a e b não são paralelos
 
Três vetores: a, b, c são LD ⇔ a, b, c são coplanares .

De modo análogo, temos:


     
a, b, c são LI ⇔ a, b, c não são coplanares .

128
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Observação

Vetores são coplanares se têm representante no mesmo plano, isto é,


no plano do desenho.

Observe a representação a seguir.


 b
c


a
α

Figura 45
  
Os três vetores representados estão no plano α, isto é, são coplanares. Logo, a, b, c são LD .

Para que você visualize melhor a representação de vetores LI, ou seja, vetores nãocoplanares,
  vamos
observar a figura seguinte (paralelepípedo). Tomaremos representantes dos vetores a, b, c nas arestas
da figura:

H G
E F

c
D
 C
b 
A a B

Figura 46
  
Note que não é possível representar a, b, c num mesmo plano.
  
Se considerarmos a face que tem os vetores a e b , não conseguimos representar o vetor c nessa
mesma face. Da mesma forma, sempre que considerarmos o plano que contém uma das faces, teremos
o terceiro vetor fora dele.

Observação

Para representar vetores LI, você não precisará sempre utilizar uma

129
Unidade II

figura geométrica, mas esse é um artifício que facilita a visualização.


Quatro ou mais vetores: no espaço (IR3) são sempre LD.

Assim, você só conseguirá encontrar conjuntos de vetores LI, no IR3, com no máximo três vetores.

5.3.5 Base

Veremos agora o conceito de base, fundamental no estudo da geometria analítica e da álgebra linear.

No espaço vetorial IR2 (plano), temos que qualquer conjunto ordenado com dois vetores LI será uma
base. De modo idêntico, no espaço vetorial IR3 (espaço), qualquer conjunto ordenado com três vetores
LI será uma base.

O número de vetores LI na base depende do espaço vetorial que estamos trabalhando. Em álgebra
linear, estudamos outros espaços vetoriais além do IR2 e do IR3.

5.3.5.1 Base ortonormal


 
Nessa mesma lógica, teremos, por exemplo, que o conjunto B = { i , j} , formado pelos versores dos
  
eixos coordenados do plano, é uma base do IR2. Da mesma forma, B = {i , j, k } , dos versores dos eixos
coordenados do espaço, são uma base do IR3.

Essas duas bases são chamadas de bases ortonormais ou bases canônicas: os vetores são LI, unitários
e ortogonais dois a dois.

A seguir, acentuamos a representação mais comum para essas duas bases.

Base ortonormal do IR²:

1

j


i 1 x

Figura 47

Base ortonormal do IR³ (representação usual):

130
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

1

k

 
i j 1 y
1
x

Figura 48

Dada uma base qualquer no plano, todo vetor desse plano é combinação linear dos vetores dessa
base de modo único. Assim, temos:

• no plano:
   2
  
B = {i , j} base ortonormal e, para qualquer vetor u ∈ IR , podemos escrever u =ai + β j de
modo único.

• no espaço:
   
B = {i , j, k} base ortonormal e, para qualquer vetor u ∈ IR3 , podemos escrever u = ai + βj + γk
de modo único.

Os escalares da combinação linear dos vetores da base serão as coordenadas do vetor u na base B.
   
Assim, se escrevemos o vetor do IR 2
da forma u =ai + β j , temos u = ( a, β )B . Do mesmo modo,
    
se escrevemos u = ai + β j + γk , temos u = ( a, β, γ )B .

O índice B indica a base a que se referem as coordenadas. Em geral, trabalhamos com a base canônica, por
 
isso escreveremos simplesmente u = ( a, β ) para vetor do plano e u = ( a, β, γ ) para vetor do espaço.
 
As coordenadas dos vetores da base canônica do IR2 serão i = (1,0) e j = (0,1). Já as coordenadas
  
dos vetores da base canônica do IR=
3
=
serão i (1,0,0), =
j (0,1,0) e k (0,0,1) .
 
Se u = (x,y) , temos que a primeira componente x é chamada abscissa de u , e a segunda componente

y é a ordenada de u .

131
Unidade II

   
Se B = {e1 , e2 , e3} é uma base do IR3, então, as coordenadas de v na base B são 2, 3 e ‑1,
portanto, escrevemos v = ( 2 , 3, ‑ 1)B .

Note que, nesse caso, é obrigatório indicar a base B.

Saiba mais

Para saber mais sobre base e mudança de base, veja os capítulos 7 e 8 de:

BOULOS, P.; OLIVEIRA, I. C. Geometria analítica: um tratamento vetorial.


São Paulo: Prentice Hall, 2005.

Agora que já temos as coordenadas de um vetor, devemos rever os conceitos estudados anteriormente.

5.4 Operações com vetores utilizando as coordenadas

Para que seja possível efetuar a adição de vetores, é necessário verificar se eles estão escritos em
relação à mesma base. Vamos trabalhar com as coordenadas na base canônica.

5.4.1 Adição
• no IR2:
   
=
Se u (x=,y
1 1 ) e v (x ,y
2 2 ) , então u + v = (x1 + x2 , y1 + y2 ) .

• no IR3:
   
= u (x=
1,y1,z1) e v (x 2 ,y 2 ,z2 ) ⇒ u + v = (x1 + x 2 , y1 + y 2 , z1 + z2 )

Exemplos:

Determinar a soma dos vetores:


 
= =
a) u (2,‑1) e v (0,2)

Conforme a definição, a adição de vetores é feita somando as coordenadas correspondentes, isto é,


1ª coordenada de um com a 1ª do outro, e 2ª coordenada de um com a 2ª coordenada do outro.

Assim, temos:
 
u + v = ( x1,y1) + (x2 , y2 ) = (x1 + x2 ,y1 + y2 )
 
u + v = (2,‑1) + (0,2) = (2 + 0, ‑1 + 2) = (2,1)
132
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

 
=b) u (1,=
‑ 2,0) e v (3,1,4)
Conforme a definição, a adição de vetores é feita somando as coordenadas correspondentes,
isto é, 1ª coordenada de um com a 1ª do outro, 2ª coordenada com 2ª coordenada, e 3ª coordenada
com 3ª coordenada.

Assim, temos:
 
u + v = (x1,y1,z1) + (x2 ,y2 ,z2 ) = (x1 + x2 , y1 + y2 , z1 + z2 )

 
u + v = (1,‑2,0) + (3,1,4) = (1 + 3,‑2 + 1, 0 + 4) = (4,‑1,4)

5.4.2 Multiplicação por escalar

• no IR2:
 
u = (x1,y1) e a ∈IR ⇒ a u = (a x1, a y1)

• no IR3:
 
u = (x1, y1,z1) e a ∈IR ⇒ a u = (ax1, ay1, az1)

Exemplos:

Determine as coordenadas dos vetores indicados:


   1
a) u = (2,‑1); 2 u ; ‑ 3 u ; u
2
Conforme a definição de multiplicação por escalar, devemos multiplicar o escalar por cada coordenada.

Assim, temos:

= = (4,‑2)
2u 2(2,‑1)

−3u =−3(2, −1) =−
( 6,3)

1 1 1
u = (2, −1) = (1, − )
2 2 2

133
Unidade II

   1
b) u =
(2, −1,3); 2u; − 3u; u
2
Devemos multiplicar o escalar por cada uma das coordenadas do vetor.

Assim, temos:

2u =2(2, −1,3) =(4, −2,6)

−3u =−3(2, −1, 3) =
( − 6, 3, − 9)

1 1 1 3
u = (2, −1, 3) =(1, − , )
2 2 2 2

5.4.3 Vetores paralelos

Vetores são paralelos se têm coordenadas proporcionais. Nessa lógica, temos:

• no IR2
 
=u (x=
1,y1) e v (x 2 ,y 2 )

  x y
u //v ⇔ 1 = 1
x2 y2

• no IR3
 
=u (x=
1,y1,z1) e v (x 2 ,y 2 ,z2 )

  x y z
u / /v ⇔ 1 = 1 = 1
x 2 y 2 z2

Para verificar se são paralelos, você deve colocar as coordenadas de um dos vetores nos numeradores,
as coordenadas do outro nos denominadores e verificar se todos os resultados são iguais. Sendo iguais,
os vetores são paralelos. Se alguma das frações não for igual às outras, os vetores não serão paralelos.

Exemplos:

Verifique se os vetores são paralelos ou não:


 
= =
a) u (2,6) e v (1,3)

134
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Nesse caso, temos:

2 6
1 3

Simplificando as frações, encontramos:

2=2

2 6  
Logo, = , isto é, os vetores são paralelos e podemos escrever u = 2v
1 3

Observação
 
Vetores paralelos são do tipo u = av e o valor de a é determinado
pelo resultado da proporção das coordenadas.
 
= =
b) u (1, 6) e v (2,3)
Nesse caso, temos:

1 6
2 3

Simplificando as frações, encontramos:

1
≠2
2
1 6
Assim, ≠ e os vetores não são paralelos.
2 3
 
= =
c) u (‑1, 2, 4) e v (2, 4, ‑ 8)

Montando as proporções, temos:

‑1 2 4
2 4 ‑8

Simplificando as frações:

1 1 1
− ≠ ≠−
2 2 2
135
Unidade II

Nem todos os resultados deram iguais, por isso os vetores não são paralelos.
 
d) u =( −1,2,4) e v =(2, −4, −8)

Notamos que, montando as proporções, temos:

−1 2 4
2 −4 −8

Simplificando as frações:

1 1 1
− =− =−
2 2 2
 1
Todos os resultados são iguais, por isso os vetores são paralelos e, assim, podemos escrever u = − v
2

Observação
 1  
Você pode escrever tanto u = − v como −2u =
v
2
Vetor nulo

Todas as suas coordenadas devem ser iguais a zero.


 
Assim, 0 = (0,0) representa o vetor nulo do plano e 0 = (0,0,0) indica o vetor nulo do espaço.

5.4.4 Dependência linear

Novamente, vamos separar nosso estudo em vetores do plano e do espaço.

• no IR2:

Dois vetores: sabemos que vetores são LD se são paralelos, logo, têm coordenadas proporcionais.
 
=
Assim, se u (=
x1 , y1) , v ( x2 , y2 ) e x2 . y2 ≠ 0 , podemos escrever:

  x y1
u , v são LD ⇔ 1 =
x2 y2

De modo análogo, os vetores são LI se não têm coordenadas proporcionais.


 
u , v são LI ⇔ suas coordenadas não são proporcionais.

136
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Note a necessidade da condição x2 . y2 ≠ 0 , pois, se algum deles for zero, nãopoderemos


 montar
as frações para comparação. Nesse caso, você vai procurar o número a, para que u = av . Se existir o
número, são LD, caso contrário, são LI.

Três ou mais vetores: já sabemos que no plano serão sempre LD.

• no IR3:

Dois vetores: do mesmo modo que para vetores do plano, temos que dois vetores do espaço serão
LD se suas coordenadas são proporcionais.
 
=
Assim, se u (=
x1 , y1 , z1) , v ( x2 , y2 , z2 ) e x2 . y2 . z2 ≠ 0 , podemos escrever:

  x y z
u , v são LD  1  1  1
x 2 y 2 z2

Lembrete

Novamente, é necessária a condição x2 . y2 . z 2 ≠ 0 , pois, se


algum deles for zero, não poderemos montar as frações para comparação.
 
Você deve procurar o número a, para que u = av . Se existir o número,
são LD, caso contrário, são LI.

Três vetores: já sabemos que três vetores no espaço são LD se um forem combinação linear dos
demais, isto é, se são coplanares.
  
Consideremos os = vetores u (x= 1,y1,z1), v (x 2 ,y 2 ,z2 ) e w = (x 3 ,y 3 ,z3 ) do espaço. Podemos
verificar se são LI ou LD utilizando a combinação linear ou o determinante formado pelas coordenadas
dos vetores.

Nesse caso, temos:

x1 y1 z1
  
u , v , w são LD    x2 y 2 z2  0
x3 y 3 z3

Do mesmo modo:

x1 y1 z1
  
u, v, w são LI    x2 y 2 z2  0
x3 y 3 z3

137
Unidade II

As condições que destacamos servem também para estudarmos se os vetores são ou não coplanares.
Então, para verificar se três vetores do espaço são LD ou LI, você deve montar o determinante formado
pelas coordenadas deles e avaliar o resultado comparando com zero.

Vejamos agora alguns exemplos com vetores tanto do plano quanto do espaço, assim você saberá
como proceder para determinar se os vetores dados são LI ou LD.

Exemplos:

Verifique se os vetores a seguir são LI ou LD:


 
= =
a) u (‑2,8), v (1,‑4)

Os vetores dados são do plano. Para verificar se são LI ou LD, é preciso comparar suas coordenadas.

Assim, temos:

−2 8
1 −4

Simplificando as frações, encontramos:

–2 = –2
2 8
Logo, − =− , isto é, as coordenadas são proporcionais, e os vetores são LD.
1 4
 
b) u =(0,2, −1), v =(0, −4,2)
 
Note que o produto das três coordenadas, tanto do vetor u quanto do vetor v , é igual a zero. Para
verificar se são LI ou LD, não podemos usar a comparação das coordenadas.
 
Nesse caso, você deve resolver a equação u = av . Se encontramos o valor de a , teremos vetores
LD, se não encontramos, teremos vetores LI.

Assim, substituindo as coordenadas dos vetores, obtém‑se:


 
u = av

(0,2,‑1) = a(0,‑4,2)

= (0, ‑ 4 a, 2a)
(0, 2, ‑1)

138
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Igualando as coordenadas, temos o sistema:


0 = 0

 1
2 = − 4 a ⇒ a = −
 2
 1
−1 = 2a ⇒ a = − 2

1  1
Como o sistema tem solução a = − , os vetores são LD, assim podemos escrever u = − v .
2 2
  
c) u = (3,1, − 1), v = (1, 2, 0) e w = (2, − 1, − 1)

Temos agora três vetores do IR3. Montemos o determinante com as coordenadas dos vetores:

x1 y1 z1 3 1 −1
=∆ =
x 2 y 2 z2 1 2 0
x 3 y 3 z3 2 −1 −1

Você já viu anteriormente como desenvolver um determinante, escolha um dos processos e confirme
o resultado a seguir.

Temos:

3 1 −1
=∆ =
1 2 0 0
2 −1 −1

  
Como ∆ =0 , os vetores u , v e w são LD.

Relação para vetores ortogonais

Já sabemos que dois vetores são ortogonais se têm representantes em retas perpendiculares ou um
deles for nulo.

Observe a figura a seguir. Nela estão representados dois vetores ortogonais não nulos:

139
Unidade II

 
u+ v 
v

A 
u B
Figura 49

2 2 2
= AB + BC .
De acordo com o teorema de Pitágoras: AC

Você já sabe que o comprimento ou norma de um vetor é representado por u . Portanto,
reescrevendo a expressão anterior, temos:

  2  2  2
u+v = u + v

Dessa forma, obtém‑se:


    
u , v ortogonais  || u  v ||2 || u ||2  || v ||2

5.4.5 Módulo ou norma de um vetor

Se os vetores têm suas coordenadas dadas em relação a uma base ortonormal, teremos:


• no plano: =
u (x,=
y) x2 + y2


u y

0 x
Figura 50


• no espaço: u = (x, y, z) = x 2 + y 2 + z2
140
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Exemplos:

Determinar o módulo dos vetores:



a) u= (2, −1)


u = (2, ‑1) = 22 + (‑1)2 = 4 + 1= 5


b) u = (0,1, 3)


u= (0,1, 3) = 02 + 12 + 32= 0 + 1 + 9= 10

c) u = (0, 0, 0)


u = (0, 0, 0) = 02 + 02 + 02 = 0 + 0 + 0= 0= 0

Soma de ponto com vetor



Vamos agora considerar um ponto A e um vetor u , Existe somente um segmento orientado AB

representante de u .


u

Figura 51

Podemos interpretar essa situação como o deslocamento do ponto A para o ponto B, determinado
 
pelo vetor u , isto é, A + u = B.

Essa notação será conveniente para o estudo da reta, que veremos mais adiante.

141
Unidade II

5.5 Produto escalar

5.5.1 Definição algébrica


   
O produto escalar dos vetores u e v é indicado por u . v e é calculado por:
 
u . v = (x1 , y1 , z1) . (x2 , y2 , z2 ) = x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2
 
O produto escalar u . v é sempre um número real.

5.5.2 Propriedades do produto escalar


  
Em quaisquer vetores u , v e w e qualquer número real a , temos:
 
I) u . v = v . u
 
             
II) u . ( v + w)
= u . v + u . w e (u + v ). w = u . w + v . w
     
III) a ( u . v ) =
(a u) . v = u . ( av )
   
IV) u . u > 0 se u ≠ 0
   
= u . u 0=se u 0
  
V) u . u = u 2
   
VI) u ⊥ v ⇔ u . v =
0

Para destacar essas propriedades, precisamos das coordenadas dos vetores.

Essas propriedades valem para vetores do plano e do espaço, e faremos nossa demonstração
com vetores do espaço. Tente refazer a demonstração das propriedades utilizando vetores do plano
(duas coordenadas).
    
Tomemos u , v e w , três vetores do espaço =
e sejam u (x=
1, y1, z1) , v (x2 , y2 , z2 ) e

w = ( x 3 , y 3 , z3 ) as coordenadas desses vetores numa base ortonormal. Então, tem‑se:
   
I) u . v = v . u

Vamos substituir as coordenadas dos vetores e efetuar o produto escalar:


 
u . v = (x1 , y1 , z1) . (x2 , y2 , z2 ) = x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2
 
v . u = (x2 , y2 , z2 ) . (x1 , y1 , z1) = x2 . x1 + y2 . y1 + z2 . z1

142
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Agora é preciso comparar os resultados e verificar se são iguais. As coordenadas são formadas por
números reais, e o produto de números reais é comutativo. Temos, então, que:
x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2 = x2 . x1 + y2 . y1 + z2 . z1

   
Logo, u . v = v . u
             
II) u . ( v + w)
= u . v + u . w e (u + v ). w = u . w + v . w

Nesse caso, vamos demonstrar somente uma das afirmações.

Devemos substituir as coordenadas dos vetores e efetuar as operações indicadas.

Assim, temos:
  
u . ( v + w) (x1 , y1 , z1) . [ (x2 , y2 , z2 ) + (x 3 , y 3 , z3 ) ]
=
  
=
u . ( v + w) (x1 , y1 , z1) . [ (x2 + x 3 , y2 + y 3 , z2 + z3 ) ]
  
u . ( v +=
w) x1 . ( x2 + x 3 ) + y1 . ( y2 + y 3 ) + z1 . ( z2 + z3 )

Agrupando de forma conveniente, obtém‑se:


  
w) ( x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2 ) + ( x1 . x 3 + y1 . y 3 + z1 . z3 )
u . ( v +=
      
u . ( v + w)= u.v + u.w

Tente demonstrar a outra afirmação utilizando a primeira como modelo.


     
III) a ( u . v ) =
(a u) . v =a
u.( v )

Substituindo as coordenadas dos vetores, temos:


 
a ( u . v ) = a ((x1 , y1 , z1) . (x2 , y2 , z2 ) )
 
a ( x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2 )
a(u.v )=
 
a ( u . v ) = a (x1 . x2 ) + a (y1 . y2 ) + a (z1 . z2 )
 
a ( u . v ) = (a x1 ). x2 + (a y1 ). y2 + ( a z1 ) . z2

   
Assim, temos a ( u . v ) =
(a u ). v .
   
Do mesmo modo, você pode verificar que a ( u . v ) =
u . ( av ) .
143
Unidade II

   
IV) u . u > 0 se u ≠ 0
   
=
u . u 0=
se u 0
   
Inicialmente, vamos demonstrar que u . u > 0 se u ≠ 0 .

Substituindo as coordenadas do vetor u na expressão, obtém‑se:
 
u . u = (x1 , y1 , z1) . (x1 , y1 , z1)
 
u . u =(x1)2 + (y1)2 + ( z1)2

Como temos a soma de valores positivos e ao menos um deles diferente de zero, concluímos que o
 
produto u . u é maior que zero:
     
u . u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 > 0, se u ≠ 0 , isto é, u . u > 0, se u ≠ 0
   
Para demonstrar que =u . u 0= se u 0 , vamos utilizar a mesma igualdade da primeira parte,
  2 2 2
isto é, u . u =(x1) + (y1) + ( z1) .
 
Então, igualando a zero: u . u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 = 0 . A única maneira de termos a soma de
números positivos igual a zero é se todos os números forem iguais a zero.
 
Logo, u . u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 = 0 se x=
1 y=
1 z=
1 0, isto é, se
 
=u ( x1 , y=
1 , z1 ) = 0.
(0,0,0)
   
=
Assim, u . u 0=
se u 0 .
   2
V) u . u = u

  2 2 2 
Já sabemos que u . u =(x1) + (y1) + ( z1) e u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 .


Elevando ao quadrado os dois lados da igualdade u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 , encontramos

( ).
2
 2
u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2

 2  2  
Então, obtém‑se u = (x1)2 + (y1)2 + ( z1)2 , isto é, u = u .u

2 2  
Para vetores, não tem significado a notação ( u) ou u para indicar o produto u . u . O correto é
utilizar a notação com a norma do vetor ao quadrado.
144
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

 
VI) u ⊥ v ⇔ u . v =
 
0
    2  2  2
Já vimos, pelo teorema de Pitágoras, que u ⊥ v ⇔ u + v= u + v .

Utilizando a propriedade anterior, temos:


  2    
u + v = ( u + v ) . ( u + v ) . Substituindo na expressão anterior, obtém‑se:

     2  2
(u + v). (u + =
v) u + v

Utilizando a propriedade distributiva, temos:


         
u . u + u . v + v . u + v . v= u 2 + v 2

      2
=
Como u . u u 2 e v.v
= v , podemos escrever:
 2    2  2  2
|| u || + 2 u . v + || v || = u + v
   
Simplificando, chegamos em 2 u . v = 0 , isto é, u . v = 0
   
Por fim, obtém‑se u ⊥ v ⇔ u . v = 0

5.5.3 Ângulo entre dois vetores

Só podemos definir ângulo entre vetores se eles forem não nulos.


   
Assim, se u e v são não nulos, chamamos de ângulo entre u e v ao menor ângulo formado por
seus representantes, com mesma origem.
   
Podemos indicar o ângulo θ entre os vetores u e v . Para tal, usaremos as notações: θ =âng ( u , v )
 
ou θ = ∠ ( u , v ) .

Veja a seguir algumas representações de ângulos entre dois vetores.


v 
v
θ θ
A)  B) 
u u

Figura 52 – A) θ < 90º (ângulo agudo); B) θ > 90º (ângulo agudo)

145
Unidade II

Temos ainda dois casos extremos quando os vetores são paralelos. Podem ter mesmo sentido ou
sentidos opostos. Vejamos o que acontece com o ângulo entre os vetores nesses casos.


v

  
u v u
A) θ = 0º B) θ = 180º
Figura 53 – A) Mesmo sentido (ângulo nulo); B) Sentido oposto (ângulo raso)

Note que o ângulo entre dois vetores está entre 0º e 180º, isto é, 0º < θ < 180º ou em radianos
0  <  θ  < π.

Geometricamente, você já sabe o ângulo entre dois vetores. Como calcular a medida desse ângulo?

Para calcular o ângulo analiticamente, vamos precisar de mais uma propriedade do produto escalar,
a propriedade VII.

Vejamos, então, o que diz essa propriedade:


       
VII) =
u.v u v cos θ se u≠0 e v ≠ 0
     
=
u.v 0=
se u =0 e v 0
Não faremos, neste livro‑texto, a demonstração dessa propriedade.

Exemplos:
   
Sendo =
u 2, =
v 3 e=
θ âng ( u , v=
) 120 º , calcular:
 
a) u . v

Resolução:
 
Para calcular o produto escalar de u por v , como não temos as coordenadas dos vetores, devemos
utilizar a propriedade VII.

Assim, temos:
   
=u.v u v cos θ

   −1 
u . v = 2 . 3 . cos 120º = 6 .   = − 3
 2
146
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

   −1 
u .v= 6 .  = − 3
 2
 
u . v = −3
 
b) u + v

Resolução:
   
Para determinar a norma de ( u + v ), vamos calcular inicialmente || u + v ||2.

Vejamos:
  2    
u + v =
(u + v) . (u + v)

Utilizando a propriedade distributiva:


  2        
u + v = u . u + u .v+ v . u + v .v

Dessa forma, obtém‑se:


  2  2    2
u + v = u + 2 u.v + v

Substituindo os dados do enunciado:


  2  
u + v =22 + 2 u.v + 32

    2  
No exemplo anterior, vimos que u . v = − 3 . Substituindo em u + v =2 2 + 2 u . v + 3 2 ,
  2
encontramos u + v =2 2 + 2 (‑ 3) + 3 2

 
A partir disso, determinamos u + v 2 = 22 − 6 + 32 e, em seguida:

  2
u + v = 4 −6 + 9 = 7

 
u + v =7

 
c) u − v

147
Unidade II

Resolução:

  2
Novamente, vamos calcular u − v .

Observe:

  2    
u−v =(u − v).(u − v)

Utilizando a propriedade distributiva, temos:

  2        
u − v = u . u − u .v− v . u + v .v

Então, obtém‑se:

  2  2    2
u − v = u − 2u.v + v

Substituindo os dados do enunciado:

  2  
u − v =22 − 2 u . v + 32

 
No exemplo anterior, vimos que u . v = − 3 . Substituindo na expressão

      2
u − v
2
=22 − 2 u . v + 32 , encontramos u − v = 22 − 2 ( −3) + 32 .

Em seguida, determinamos:

  2
u + v = 4 + 6 + 9 = 19

 
u + v =19

5.5.4 Projeção ortogonal


   
Dados dois vetores u e v , chamamos de projeção ortogonal do vetor u na direção do vetor v ao


vetor proj uv , paralelo a v , dado por:

  u . v  
u
proj v =  2  v
 v 
 
148
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Geometricamente:

 
u u

 

u v 
u v
proj v proj v

Figura 54

Exemplo:

v
  
Determine as projeções ortogonais proj uv e proj=
u , sendo u (1,=
‑ 2,0) e v (1,1, 2) .

Resolução:

  
u
Para calcular a projeção de u na direção de v , isto é, proj v , precisamos calcular o produto escalar
  
de u por v e a norma de v :
 
u . v =(1, −2, 0) . (1,1, 2) =−
1 2 + 0 =−1

Vejamos a norma de v :

v = (1, 1, 2) . (1, 1, 2) = 1+1+ 4= 6

  u . v  
u
Substituindo em proj v =   2  v , temos:
 v 
 

 u . v    
 −1 
  −1 
proj uv
= = v = (1,1, 2)   (1,1, 2)
 v 2   2
  
 ( )
6 

6 


 −1 −1 −1 
ou proj uv =  , , 
 6 6 3 .

  v
Agora, queremos calcular a projeção de v na direção de u , isto é, proj u .
  
Precisamos determinar v . u e o módulo do vetor u . Como o produto escalar é comutativo, isto é,
       
v . u = u . v , temos que v=
. u u= .v ‑1.

149
Unidade II


Vamos determinar o módulo de u :

u = (1, ‑ 2, 0) . (1, ‑ 2, 0) = 1 + 4 + 0 = 5

  u . v  
v
Substituindo em proj u =   2  u , obtém‑se:
 u 
 

  u . v    
−1   −1 
v   =
proj=
u u  2
(1, − 2, =
0)   (1, − 2, 0)
 u 2
  
 ( )
5 

 5 


 −1 2 
ou proj uv =  , , 0  .
 5 5 

Então, definimos outro produto entre vetores do IR3, o produto vetorial. Nesse caso, o resultado
do produto será um novo vetor, diferente do produto escalar no qual o resultado encontrado era um
número real.

Para tal, será necessário definir a orientação no espaço vetorial IR3, isto é, queremos saber quando
uma base é positiva e quando é negativa.

5.6 Produto vetorial

5.6.1 Orientação no espaço vetorial IR3

As bases do IR3 podem ser divididas em dois tipos: as de orientação positiva e as de orientação
negativa. Para facilitar a visualização dessa orientação, é comum utilizarmos a seguinte correspondência:
mão esquerda para a orientação positiva, e mão direita para a orientação negativa.
  
Consideremos uma base B = { u, v, w } . Para saber se B é positiva ou negativa, usamos a
correspondência a seguir:

Orientação positiva: regra da mão esquerda

150
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

polegar  
w Dedo médio ↔ vetor u
Dedo indicador ↔ vetor v

v Polegar ↔ vetor w
dedo
indicador


u
dedo médio

Figura 55

Orientação negativa: regra da mão direita

 
polegar w Dedo médio ↔ vetor u
Dedo indicador ↔ vetor v
Polegar ↔ vetor w


v
dedo 
u
indicador
dedo médio

Figura 56

5.6.2 Produto vetorial – definição


     
Chamamos de produto vetorial de u por v ao vetor u ∧ v ou u x v , tal que:
    
• u e v LD ⇒ u ∧ v =0
   
• u e v L I ⇒ u ∧ v é o vetor que tem:
     
— Direção: u ∧ v ⊥ u e u ∧ v ⊥ v .
     
— Sentido: o sentido de u ∧ v é tal que a=
base B { u, v, u ∧ v } é positiva.
     
— Norma ou módulo:=
u ∧ v u v sen θ, θ ang( u , v ) .
=
151
Unidade II

   
Se os vetores u e v são LI, representamos o vetor produto vetorial, u ∧ v , da seguinte forma:
 
u∧ v


v

θ

u

Figura 57

     
Lemos a notação u ∧ v ou u x v como "u vetorial v".
   
A=
base B { u, v, u ∧ v } , sendo de orientação positiva, obedece à regra da mão esquerda.
 
O sentido do produto
 vetorial
  depende da ordem que colocamos os vetores u e v . Assim, são
  
diferentes os produtosu ∧ v e v =∧ u . Sendo u ( = x1 , y1 , z1) e v ( x2 , y2 , z2 ) , definimos
o produto vetorial de u por v por:

   y z x z x y1 
u  v   1 1 , 1 1 , 1 
 y 2 z2 x 2 z2 x2 y2 

Ou escrevendo em função da base ortonormal:

  y1 z1  x1 z1  x1 y1 
=
u ∧ v i − j + k
y 2 z2 x 2 z2 x2 y2

Para memorizar essa expressão,


  
utilizamos um determinante simbólico que tem na primeira linha os

vetores da base ortonormal { i , j, k } , na segunda linha as coordenadas do vetor u e na terceira linha

as coordenadas do vetor v . Assim, escrevemos:
  
i j k
 
u ∧ v = x1 y1 z1
x2 y 2 z2

Se desenvolvemos esse determinante “simbólico” utilizando Laplace na primeira linha, temos:

152
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

  
i j k
  y1 z1  x z  x y1 
=
u ∧v x1= y1 z1 i‑ 1 1 j + 1 k
y 2 z2 x 2 z2 x2 y2
x 2 y 2 z2

É importante notarmos que a representação anterior não é um determinante, pois a primeira linha
contém vetores em vez de escalares.

Exemplo:
 
Dados =
  os vetores
u (1,=
‑ 2, 2) e v ( 0,1, 2) , referidos a uma base ortonormal positiva
B = { i , j, k } , calcule:
 
a) u ∧ v
 
b) v ∧ u

Resolução:

Vamos utilizar o determinante formado pelas coordenadas dos vetores e pelos vetores da base ortonormal,
observando que, em cada item, devemos obedecer à ordem de colocação dos vetores nas linhas.

Assim:
  
i j k
 
a) u ∧ v =1 ‑2 2
0 1 2

Desenvolvendo o determinante pela 1ª linha, temos:

  −2 2  1 2  1 −2 
=
u ∧ v i − j + k
1 2 0 2 0 1
    
=u ∧ v (‑ 4 ‑ 2) i ‑ ( 2 ‑ 0) j + ( 1‑ 0) k
    
=u ∧ v ‑ 6 i ‑ 2 j +k
 
u ∧ v =−
( 6, − 2 ,1)
  
i j k
 
b) v ∧ u =0 1 2
1 ‑2 2

153
Unidade II

Nesse item vamos desenvolver o determinante usando a regra de Sarrus, assim você poderá optar
pelo procedimento que melhor se adaptar.
    
i j k i j
 
v ∧ u =0 1 2 0 1
1 ‑2 2 1 ‑2

       
v ∧ u = 2 i + 2 j + 0k ‑ (1k ‑ 4 i + 0 j)

       
v ∧ u = 2 i + 2 j + 0 k ‑1k + 4 i ‑ 0 j)

    
v ∧ u = 6 i + 2 j ‑1k
 
v ∧u=(6,2,‑1)
   
Comparando os valores encontrados em u ∧ v e v ∧ u , notamos que são vetores opostos.

5.6.3 Propriedades

Acentuaremos algumas propriedades do produto vetorial, entre elas a observada no exemplo anterior.
  
Para as propriedades a seguir, considere u , v e w vetores quaisquer do IR3 e α, β números reais:
   
1. (Anticomutativa) u ∧ v = ‑ v ∧ u
   
2. a u ∧ β v = a β (u ∧ v)
      
3. (Distributivas) (i) u ∧ ( v + w) = u ∧ v + u ∧ w
      
(ii) ( v + w) ∧ u = v ∧ u + w ∧ u

4. Interpretação geométrica do módulo do produto vetorial de vetores não nulos e não paralelos.
 
=
Aparalelogramo u ∧ v

 
Para demonstrar essa propriedade, observe o paralelogramo a seguir, cujos vetores u e v são LI e
não nulos.

154
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

D C


v h

A  B
u

Figura 58

Da geometria plana, temos:

Aparalelogramo = base x altura

Da trigonometria, sabemos que:



=h v senθ

No paralelogramo ABCD, temos:



base = u

=h v senθ

Assim:
 
Aparalelogramo =base x altura= u v sen θ

   
Aparalelogramo = u ∧v = u v senθ
 
=
Aparalelogramo u∧v

Exemplos:
   
1) Utilizando as propriedades, determine (2u ‑ v) ∧ (u + 2v) .

Resolução:

Pela propriedade distributiva, temos:


           
( 2 u ‑ v) ∧ ( u + 2 v) = (2 u ∧ u) + (2 u ∧ 2 v) + (‑v ∧ u) + (‑v ∧ 2 v)
155
Unidade II

       
(2 u − v) ∧ (u + 2 v) =0 + 2.2(u ∧ v) − (v ∧ u) + 0
       
(2 u − v) ∧ (u + 2 v) = 4(u ∧ v) − ( − (u ∧ v))
       
(2 u − v) ∧ (u + 2 v) = 4(u ∧ v) + (u ∧ v)
     
(2 u − v) ∧ (u + 2v) = 5(u ∧ v)
 
2) Determine a área do paralelogramo definido pelos vetores u = ( −1,1, 2) e v = (1, 2, 2) .

Resolução:

Para encontrarmos a área do paralelogramo, vamos utilizar a propriedade 4. Assim, devemos


 
determinar o módulo do produto vetorial dos vetores u e v , isto é:
 
=
Aparalelogramo u∧v

Calculando o produto vetorial dos vetores, temos:


  
i j k
 
u ∧ v =‑1 1 2
1 2 2

       
u ∧ v = 2 i + 2 j − 2k − (1k + 4 i − 2 j)
       
u ∧ v = 2 i + 2 j − 2k − 1k − 4 i + 2 j
    
u ∧ v =−2 i + 4 j − 3k
 
u ∧ v =−
( 2, 4, − 3)

Determinando agora o módulo do produto vetorial, obtém‑se:

 
u ∧ v = ( −2,4, −3) = ( −2)2 + 42 + ( −3)2 = 4 + 16 + 9 = 29

Aparalelogramo = 29

156
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

5.7 Produto misto

5.7.1 Definição

Esse tipo de produto envolve tanto o produto escalar quanto o produto vetorial, por isso o nome
produto misto.
  
Tomemos três vetores cujas coordenadas em relação a uma base ortonormal positiva, B = { i , j, k} ,
     
são u = (x1 , y1 , z1) , v = (x2 , y2 , z2 ) e w = (x 3 , y 3 , z3 ) . Chamamos de produto misto de u, v, w ao
  
número u ∧ v ⋅ w .
  
Para indicar esse produto, usamos a notação [u, v, w] , assim:
     
[ u, v, w] = u ∧ v ⋅ w

Observação

O único modo possível de se efetuar este cálculo é fazendo primeiro o


produto vetorial e depois o produto escalar.
  
Para efetuar o produto [u, v, w] , você pode adotar a definição de produto vetorial e depois de
produto escalar, ou então aplicar o determinante formado pelas coordenadas dos vetores, obedecendo
à ordem que desejar para o cálculo.
  
Então, se queremos determinar ovalor de [u, v, w] , usaremos o determinante

com as coordenadas
de u na 1ª linha, as coordenadas de v na 2ª linha e as coordenadas de w na 3ª linha, isto é:

x1 y1 z1
  
[u, v, w ] = x2 y 2 z2
x3 y 3 z3

Lembrete

O produto misto é um número real.

Exemplo:
              
=
Determine o valor de [u, v, w] , dados =
u (3i ‑ j + 2k) , v 2 i ‑ j + k e w =− i + j + 2k .

157
Unidade II

Resolução:

Inicialmente devemos definir as coordenadas dos três vetores. Observando as expressões, notamos
  
u (3, − 1, 2) , v= (2, −1,1) e w = ( −1,1,2) . Assim:
que: =

x1 y1 z1 3 ‑1 2
  
=
[u, v, w ] =
x 2 y 2 z2 2 ‑1 1
x 3 y 3 z3 ‑1 1 2

  
Desenvolvendo o determinante, encontramos [u, v, w] = −2 .

Definimos mais uma operação com vetores, agora devemos verificar quais propriedades valem para ela.

5.7.2 Propriedades do produto misto


  
Consideremos os vetores u = (x1, y1, z1) , v = (x2 , y2 , z2 ) e w = (x 3 , y 3 , z3 ) , com coordenadas
dadas em relação a uma base canônica B = { i , j, k} .
     
[ u , v, w]= 0 ⇔ u, v, w são LD
Demonstração:

Já vimos, em dependência linear, que:

x1 y1 z1
  
x2 y2 z2 = 0 ⇔ u, v, w são LD
x3 y 3 z3

     
Logo, [ u , v, w]= 0 ⇔ u, v, w são LD .

De forma equivalente, temos:


     
[u, v, w] ≠ 0 ⇔ u, v, w são LI

Lembrete
     
Vetores LD são coplanares. Logo, [u, v, =
w] 0 ⇔ u, v, w são coplanares.

158
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

1. Propriedade anticíclica:
     
[u, v, w] = − [v, u, w]

Demonstração:
     
Pela definição, temos

[ u, v, w] = u ∧ v ⋅ w ; pela propriedade anticomutativa do produto vetorial,
          
temos u ∧ v =− v ∧ u . Portanto: [u, v, w] = u ∧ v ⋅ w = ‑ v ∧ u ⋅ w .

2. Propriedades cíclicas:
        
=
[u, =
v, w] [v, w, u] [w, u, v]
     
[ a u, βv, γw] = a.β.γ[ u, v, w]

Demonstração:

Pela definição de produto misto, temos:


     
[ a u, βv, γw] = a u ∧ βv ⋅ γw

Usando a propriedade do produto vetorial, obtém‑se:


     
[ a u, βv, γw] = aβ ( u ∧ v ) ⋅ γw

Pela propriedade de produto escalar, podemos escrever:


     
[ a u, βv, γw] = a.β.γ [u, v, w]
          
[u + u1, v, w] = [ u, v, w] + [ u 1, v, w] , sendo u 1 um vetor dado.

Demonstração:

Adotando a definição de produto misto e as propriedades de produto vetorial, temos:


      
[u + u1, v, w] = ( u + u1 ) ∧ v ⋅ w
       
[u + u 1, v, w] = ( u ∧ v + u 1∧ v ) ⋅ w
        
[u + u 1, v, w] = u ∧ v ⋅ w + u1 ∧ v ⋅ w
         
[u + u 1, v, w] = [u, v, w] + [u 1, v, w]

159
Unidade II

Observação

Essa propriedade pode ser generalizada para os outros vetores, assim:


         
[u + u1, v, w] = [u, v, w] + [u 1, v, w]
        
[u, v + v1, w]= [u, v, w] + [u, v1, w]
         
[u, v, w + w=
1 ] [u, v, w] + [u, v, w1 ]

Interpretação geométrica do módulo do produto misto:


  
[u, v, w] = Vparelelepípedo

Demonstração:

Pela definição de produto misto e pela interpretação geométrica do módulo do produto vetorial,
           
sabemos que: [u, v, w] = u ∧ v ⋅ w = u ∧ v w cos θ , em que = θ âng (u ∧ v, w)
  
Observemos o paralelepípedo formado pelos vetores u, v, w :

  H G
u∧ v
F
 E
w
h
θ D
v C
A  B
u

Figura 59


Note=
que h w cos θ , assim:
     
[u, v, w]= u ∧ v w cos θ= Abase .h = V paralelepípedo

  
[u, v, w] = V paralelepípedo

Com o produto misto, também podemos calcular o volume do prisma triangular ABCDEF e do
tetraedro ABDE.
160
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Vejamos o paralelepípedo a seguir:

H G
E F

w
D
v C
A  B
u
1 1   
V prisma triangular 
2
V paralelepipedo
´ 
2
 u, v, w 

Figura 60

Observe agora o tetraedro ABDE no paralelepípedo:

H G
E F

w
D
v C
A  B
u
1 1   
V tetraedro 
6
V paralelepipedo
´ 
6
 u, v, w 

Figura 61

Acentuamos a seguir a relação entre produto misto e orientação da base:


     
u, v, w  0  B  {u, v, w} é base positiva.
     
u, v, w  0  B  {u, v, w} é base negativa.
Demonstração:

Podemos demonstrar esses resultados através da definição de produto misto e das propriedades de
produto escalar, assim:
        
[u, v, w]  u  v  w  u  v w cos 

161
Unidade II

  
=
Observando as possibilidades para o ângulo θ ang (u ∧ v, w) , podemos ter um ângulo agudo
0º < θ < 90º ou um ângulo obtuso 90º < θ < 180º .
  
Para o ângulo agudo, temos cos θ > 0 , então, B = {u, v, w} é base positiva:
           
[u, v, w]= u ∧ v ⋅ w = u ∧ v w cos θ > 0 ⇔ B = {u, v, w} é base positiva.
  
Para o ângulo obtuso, temos cos θ < 0 , então, B = {u, v, w} é base negativa:
           
[u, v, w]= u ∧ v ⋅ w = u ∧ v w cos θ < 0 ⇔ B = {u, v, w} é base negativa.

Exemplos:

1) Calcule o produto misto dos vetores:

           
a) u =− i + 3 j + 2k , v = 2 i + j + 3k =
e w 2 i ‑ j + 2k .

Resolução:

 Inicialmente,vamos determinar  as coordenadas dos três vetores. Observando as expressões, temos:


u = ( −1, 3, 2) , v = (2,1, 3) e =
w (2, − 1, 2) . Portanto:

x1 y1 z1 −1 3 2
 
=[u, v,w] =
x 2 y 2 z2 2 1 3
x 3 y 3 z3 2 −1 2

Desenvolvendo o determinante por Sarrus:

−1 3 2 −1 3
  
u, v, w  = 2 1 3 2 1
 
2 −1 2 2 −1

  
u, v, w  =( −1).1.2 + 3.3.2 + 2.2.( −1) − 2.1.2 − ( −1).3.( −1) − 3.2.2
 

  
Logo, u, v, w  = −7 .
  
b) u = (2, 2, 3) ,=
v (0, 2, −1) , e w = (2, 4, 2) .

162
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Resolução:

Montando o determinante formado pelas coordenadas dos vetores, obtém‑se:

x1 y1 z1 2 2 3
 
=[u,v,w] =
x 2 y 2 z2 0 2 ‑1
x 3 y 3 z3 2 4 2

Desenvolvendo o determinante por Sarrus:

2 2 3 2 2
  
[u , v, w] = 0 2 ‑1 0 2
2 4 2 2 4

  
u, v, w = 2.2.2 + 2.( −1).2 + 3.0.4 − 3.2.2 ‑ 2.( −1).4 − 2.0.2
 
  
u, v, w  = 8 − 4 + 0 − 12 + 8 + 0
 
  
Logo, u, v, w  = 0 .
 
2) Determine o volume do paralelepípedo formado pelos vetores u= (2, −2, 3) , v = (1, 2,1) , e

w = (2,1, 2) .
Resolução:

Sabemos que o volume do paralelepípedo pode ser calculado pelo módulo do produto misto dos
vetores que formam o paralelepípedo.

Assim:
  
V paralelepípedo = [u, v, w]

Calculando o produto misto, temos:

2 −2 3 2 −2
 
[u,v,w] = 1 2 1 1 2
2 1 2 2 1

163
Unidade II

 
=]
[ u,v,w 2 . 2 . 2 + ( −2) .1. 2 + 3.1.1 − ( 3 . 2 . 2 + 2 .1.1 + ( −2) .1. 2 )
 
[u,v,w] = 8 − 4 + 3 − (12 + 2 − 4 )
 
[u,v,w]= 7 − 10
 
[u,v,w] = − 3

Como o volume do paralelepípedo é o módulo do produto misto, obtém‑se:

= ‑3
V paralelepípedo = 3 u . v.

5.8 Sistema de coordenadas

5.8.1 No plano

Vamos usar a notação E 2 para indicar o conjunto dos pontos do plano.


 
O conjunto O = { i , j } é um sistema de coordenadas no plano E 2. Fixado um sistema de coordenadas,
podemos escrever as coordenadas de um ponto P ∈E2 . Dessa forma, P = (x1, y1).

y1 P

1

j

 x1
0 i 1 x

Figura 62
  
Observando as coordenadas do vetor OP na base B = { i , j } , teremos:

OP = (x,y)B

Agora vamos representar os pontos A = (x1 ,y1) , B = (x2 ,y2 ) e o vetor AB no sistema de coordenadas
a seguir.

164
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

y
y1 A
y2 B
1
j
 x1 x2 x
0 i1

Figura 63
  
Escrevendo o vetor AB em função dos vetores OA e OB , obtém‑se:
  
= AO + OB
AB
  
=
AB ‑ OA + OB
 
Como as coordenadas dos vetores OA e OB são as mesmas dos pontos A e B, podemos escrever:
  
AB =−OA + OB =− A + B

Assim, estabelecemos uma relação entre coordenadas de pontos e de vetores.



A = (x1 ,y1) e B = (x2 ,y2 ) ⇔ AB = (x2 − x1,y2 − y1)

Usamos uma representação conveniente, notação de Grassmann, para indicar a conta a ser feita,
isto é:

AB= B − A

Observação

O sinal “‑“ entre os pontos A e B não indica uma operação, é apenas


uma notação.

5.8.2 No espaço

De modo análogo, podemos utilizar a notação de Grassmann  para pontos e vetores do espaço.
=
Portanto, se A (x= 1 ,y1 , z1) e B (x 2 ,y 2 , z2 ) , teremos AB =(x2 − x1,y2 − y1, z2 − z 1) , isto é,

AB= B − A .
165
Unidade II

Lembrete

As coordenadas do ponto A são as coordenadas
  do vetor OA . Por isso,
escrever B – A é o mesmo que escrever OB ‑ OA .

Coordenadas do ponto médio

Sendo A e B pontos de E2, com A(x1,y1) e B(x2 ,y2 ) , temos que as coordenadas de M, ponto médio
do segmento com extremidades A e B, serão dadas por:

x +x y +y 
M= 1 2 , 1 2 
 2 2 

Da mesma forma, se A e B são pontos de E3, com A(x1,y1 ,z1) e B(x2 ,y2 , z2 ) , temos que as
coordenadas de M, ponto médio do segmento com extremidades A e B, serão dadas por:

x +x y +y z +z 
M= 1 2 , 1 2 , 1 2 
 2 2 2 

Exemplos:

1) Dados os pontos A (1, 2, 1), B (0, ‑1, 1) e C (2, 1, 0), determine as coordenadas dos vetores
  
AB , AC e CB .

Usando a notação de Grassmann, temos:



AB =B − A =(xB − x A ,yB − y A ,zB − z A )

AB = (0 − 1 , − 1 − 2 ,1 − 1)

AB =( −1 , − 3 , 0 )

AC = C ‑ A =(x C − x A ,y C − y A , zC − z A )

AC = (2 − 1, 1 − 2 , 0 − 1)

AC = (1 , − 1, − 1)

166
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR


CB = B − C = (xB − x C ,yB − y C , zB − z C )

CB = (0 − 2, −1 − 1,1 − 0)

CB =( −2, −2 ,1)

2) Determine o ponto médio do segmento com extremidades A e B, sendo A(2, 1, 3) e B(4, 3, ‑1).

Para definir as coordenadas de M, ponto médio, vamos substituir as coordenadas dos pontos A e B
na expressão:

x +x y +y z +z 
M= 1 2 , 1 2 , 1 2 
 2 2 2 

Assim:

 x + x y + yB z A + zB 
M=  A B , A , 
 2 2 2 
 2 + 4 1 + 3 3 + ( −1) 
M=  , , 
 2 2 2 
M = ( 3 , 2 ,1)

5.9 Ampliando seu leque de exemplos



1) No cubo ABCDEFGH, determine os vetores que são iguais ao vetor AD .

H G

E
F

D C

A B

Figura 64

Resolução:

Observando a figura, notamos que temos três
vetores iguais ao vetor AD , isto é, três vetores que têm
direção, sentido e comprimento iguais aos de AD .
167
Unidade II

   


Portanto, os vetores BC , EH e FG são iguais ao vetor AD .

2) No cubo ABCDEFGH, defina os vetores que são paralelos ao vetor DH .

H G

E
F

D C

A B

Figura 65

Resolução:
  
Lembrando,
 vetores são paralelos se têm mesma direção. Os vetores EA , BF e CG são paralelos ao
vetor DH .
   
Note que existem outras possibilidades, os vetores AE , FB e GC , eles também são paralelos ao vetor DH .

3) Considerando o paralelepípedo ABCDEFGH, determine a resultante da soma dos vetores


   
BC + HE + AD + AB .
H G
E
F
D
C
A B

Figura 66

Resolução:
 
Os vetores BC e HE são opostos, por isso, a soma deles é nula, isto é,
  
0.
BC + HE =

168
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

H G
E
F
D
C
A B

Figura 67
      
Logo, BC + HE + AD + AB = AD + AB e, pela regra do paralelogramo, temos a soma igual a AC .

4) Considerando que a figura é formada por quadrados iguais, determine a soma dos vetores indicados:

A B C D

E H
F G

I J K L

Figura 68

Resolução:

Para efetuar a soma dos vetores indicados, vamos procurar vetores iguais, mas que estejam em
posições convenientes, isto é, extremidade de um com a origem do outro.

Na figura a seguir, estão representados os vetores iguais aos vetores dados, mas em posição
conveniente para que possam ser somados:

A B C D

E H
F G

I J K L

Figura 69

169
Unidade II

      


=
Como HL FJ= e GD JG , substituindo em AF + HL + GD , obtém‑se:
      
AF + HL + GD = AF + FJ + JG = AG . Então, teremos a resposta para a soma dos vetores ao traçar
um vetor que vai do ponto A ao ponto G.
      
5) Dê a solução da equação vetorial 5x + 2a − b = 2x − 4a + 2b na variável x .

Resolução:

Para resolver a equação vetorial, devemos separar os termos em x .

Dessa forma:
     
5 x +2 a−b= 2 x −4 a+2b
     
5 x −2 x =
− 4 a +2 b −2 a + b
  
3x=−6 a+3b
 
 −6 a + 3 b
x=
3
  
x=−2a+b

6) Sendo A = (2, ‑1, 3) e B = (4, 0, 1), determine as coordenadas do vetor 3 BA .

Resolução:

Sabemos que BA= A − B . Substituindo as coordenadas dos pontos, temos:

BA = (2, −1, 3) − (4, 0,1) = (2 − 4, −1 − 0, 3 − 1) = ( −2, −1, 2)

Logo, 3BA = 3 ( −2, −1, 2 ) = ( −6, −3, 6 ) .
      
7) Sendo u = (2, 5) , v = (1, 2) e w = (0, 3) , dê o valor da expressão x = 2 u − v + 3 w .

Resolução:

Substituindo as coordenadas dos vetores na expressão, obtém‑se:


   
x= 2 u − v + 3w

x= 2.(2, 5) − (1, 2) + 3.(0, 3)

170
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR


x = (4, 10) − (1, 2) + (0, 9)

x = (4 − 1, 10 − 2) + (0, 9)

=x (3, 8) + (0, 9)

x = (3, 17)

8) Determine o módulo do vetor u = ( −3, 1, 2) .

Resolução:


Sabemos que u = (x, y, z) = x 2 + y 2 + z2 .

Logo:

u= ( −3,1, 2)


u = ( −3)2 + 12 + 22


u = 9 + 1+ 4


u = 14


9) Dê o versor do vetor u= (3, −1, 2) .

Resolução:

 
 u
Sabemos que o versor de u é dado por U =  , assim:
u

u= 32 + ( −1)2 + 22


u = 14

 
u (3, −1, 2)
=U =

u 14

171
Unidade II

   
=
10) Escreva o vetor r (6, 2, −4)como combinação linear dos vetores u, v e w , sabendo que
 
u= (3, −1, 0) , v = (0, 2, 0) e w = (0, 0, 2) .
Resolução:
   
Queremos escrever r em função de u , v e w , isto é, temos que determinar os valores de a, b e c,
   
tais que r = a u + b v + c w .

Substituindo as coordenadas de cada vetor, temos:


   
r =au+b v +c w
(6, 2, −4)= a.(3, −1, 0) + b.(0, 2, 0) + c.(0, 0, 2)
(6, 2, −4) = (3a, −a, 0) + (0, 2b, 0) + (0, 0, 2c)
(6, 2, −4)= (3a, −a + 2b, 2c)

Igualando os vetores, temos o sistema:

3 a = 6

−a + 2 b =2
2 c = − 4

   
Resolvendo o sistema, encontramos: a = 2, b = 2 e c = ‑2. Então, podemos escrever r = 2 u + 2 v − 2 w .
 
11) Defina o valor de m para que u = (m, 2, 3) seja combinação linear dos vetores v = (1, 3, 3) e

= w (1, 0, −1) .
Resolução:
  
Devemos determinar a, b e m, tais que =
u av +bw .

Substituindo as coordenadas dos vetores, temos:


  
=
u av +bw
(m, 2, 3)= a.(1, 3, 3) + b.(1, 0, −1)
(m, 2,=3) (a, 3a, 3a) + (b, 0, −b)
(m, 2, 3) =(a + b, 3a, 3a − b)

a + b = m

3 a = 2

3 a − b =3

172
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Resolvendo o sistema, temos: a = 2/3, b = ‑1 e m = ‑1/3.


  
12) Dados os vetores u = ( −1, 2) e v = (2, 3) , calcule o produto escalar u.v .

Resolução:
 
Sabemos que=
u . v x1 . x2 + y1 . y2 , substituindo as coordenadas dos vetores, temos:
 
u . v = ( −1, 2) . (2, 3)
 
u . v =−2 + 6
 
u .v=4
  
13) Dados os vetores u = (2, 1, 4) e v = ( −1, 0, 3) , calcule o produto escalar u.v .

Resolução:
 
Sabemos que u . v = x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2 . Substituindo as coordenadas dos vetores, temos:
 
=
u . v (2,1, 4). ( −1, 0, 3)
 
u . v =−2 + 0 + 12
 
u . v = 10
    
14) Sendo a = 5, b = 7 e a, b formam ângulo de 600, determine o produto escalar a . b .

Resolução:
   
=
Sabemos que u .v u v cos θ . Substituindo os dados do enunciado, temos:
   
=a.b a b cos θ

 
a . b = 5 . 7 cos 60º

  1
a.b =5.7
2

  35
a=
.b = 17,5
2

173
Unidade II

    
15) Sendo a = 5 , b =7 e a, b ortogonais, determine o valor de a ‑ 2 b

Resolução:
  
Sabemos que u = u . u . Logo, temos:

   
a−2b = ( a − 2 b ) . ( a − 2 b )
   2      2
a −2=
b a −2a.b−2a.b +4 b

 
a −2 b = 5 2 − 2 . 0 − 2 . 0 + 4 .7 2

 
a − 2 b = 25 + 196

 
a −2 b =221

 
16) Determine a projeção ortogonal de u = (2, 3,1) na direção de = ( −1, 2, 2) .
v

Resolução:
  
u u. v 
Lembrando, calculamos a projeção ortogonal pela expressão projv = 2 v
|v|
Substituindo os dados do enunciado na expressão, temos:

  
u u.v 
projv = 2 v
|v|

 (2, 3,1) . ( −1, 2, 2) 


projuv = v
( )
2
1+ 4 + 4

 −2 + 6 + 2
projuv
= ( −1, 2, 2)
9

 2
u
proj=v ( −1, 2, 2)
3

174
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

  
17) Defina o vetor a , que é ortogonal a u = ( −2,1, 2) e a v = (0, 2, 3) , com módulo igual a 53 .

Resolução:

Para determinar o vetor a que é ortogonal a esses dois vetores, devemos lembrar que vetores são

ortogonais se a . b = 0 .

Assim, se a = (a, b, c) e satisfaz as condições do enunciado, temos:

 a . u = 0
 
a . v = 0
 
 a = 53

Substituindo as coordenadas dos vetores:

 a, b, c    2, 1, 2   0  2a  b  2c  0

 a, b, c    0, 2, 3  0  2b  3c  0
 2 2 2
 a  b  c  53  a2  b2  c2  53

Resolvendo o sistema:

−2 a + b + 2 c =0 ⇒ b =− 2 c + 2 a ⇒ b =− 2 (4a) + 2 a =− 6 a

2 b + 3 c = 0 ⇒ 2 ( − 2 c + 2 a ) + 3 c = 0 ⇒ c = 4 a
 2 2 2 2 2 2 2 2
 a + b + c = 53 ⇒ a + ( −6a) + (4 a) = 53 ⇒ 53 a = 53 ⇒ a = 1

Logo, a = 1 ou a = – 1. Dessa forma:

a = 1, b = – 6. 1 = – 6 e c = 4.1 = 4

a = – 1, b = – 6.(‑1) = 6 e c = 4 . (‑ 1) = – 4
 
Portanto, a = (1, ‑ 6, 4) e a =
( −1, 6, −4)
 
18) Dados os vetores u = (1, 2, 3) e v = ( −1, 0, 2) , calcule os produtos vetoriais:
 
a) u ∧ v
 
b) v ∧ u

175
Unidade II

Resolução:
  
i j k
 
u ∧ v =1 2 3
‑1 0 2

Desenvolvendo o determinante pela 1ª linha, temos:

  2 3  1 3  1 2 
=
u∧v i− j + k
0 2 −1 2 −1 0

    
u ∧ v = (4 − 0) i − (2 + 3) j + (0 + 2) k
    
u ∧ v= 4 i − 5 j + 2 k
 
u ∧ v = (4, − 5, 2)

  
i j k
 
v ∧ u = −1 0 2
1 2 3

Nesse item, vamos desenvolver o determinante utilizando a regra de Sarrus. Assim, você poderá
optar pelo procedimento que melhor se adaptar.
    
i j k i j
 
v ∧ u = −1 0 2 −1 0
1 2 3 1 2

       
v ∧ u = 0 i + 2 j − 2 k − (0 k + 4 i − 3 j)
     
v ∧ u = 2 j − 2k − 4 i + 3 j
    
v∧u=− 4 i + 5 j − 2k
 
v ∧ u =−
( 4, 5, −2)
  
19) Determine, utilizando produto vetorial, o vetor w , que é ortogonal a u = ( −2,1, 2) e a v = (0, 2, 3)
e tem módulo igual a 53 .

176
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Resolução:
   
Pela definição de produto vetorial, sabemos que o vetor u ∧ v é ortogonal tanto a u quanto a v .
Logo, o vetor almejado será paralelo ao produto vetorial.

Assim, pelas condições do enunciado, temos:


  
w / /u  v

 w  53

 
Inicialmente, vamos calcular o produto vetorial u ∧ v :
  
i j k
       
u ∧ v = −2 1 2 =3i + 0j − 4k − 0k − 4i + 6j =−
( 1, 6, − 4)
0 2 3

Agora vamos substituir esses valores nas condições do enunciado:


   
w / /u  v  w    1, 6, 4    , 6, 4  

 w  53

Substituindo na segunda condição:



| w |= 53


=|
|w (‑ a)2 + ( 6 a)2 + (‑ 4 a=
)2 53

53a2 = 53

53 a2 =53

a = ±1


Logo, w =±1( −1, 6, − 4)
 
20) Determine a área do paralelogramo formado pelos vetores u = (4, 5,1) e v = ( −2, 0, 3) .

177
Unidade II

Resolução:

Para encontrarmos a área do paralelogramo, vamos utilizar a propriedade 4. Assim, devemos


 
determinar o módulo do produto vetorial dos vetores u e v , isto é:
 
=
Aparalelogramo u∧v

Calculando o produto vetorial, temos:


  
i j k
 
u ∧ v= 4 5 1 = (15, − 14, 10)
−2 0 3

Calculando o modulo do produto vetorial:


 
=
Aparalelogramo u∧v

 
A = | u ∧ v |= 152 + ( −14)2 + 102 = 521 u. v.

     
=
21) =
Sendo u (‑1, =
‑1, 2) , v (2,1, ‑1) e w (0, 0, 2) , determine o produto misto [ u , v, w ] .

Resolução:

Sabemos que o produto misto é dado por:

x1 y1 z1
 
u, v, w  x2 y2 z2
x 3 y 3 z3

Substituindo as coordenadas dadas no enunciado, temos:

1  1 2
 
u, v, w  2 1  1  2
0 0 2

  
22) Qual o volume do tetraedro formado pelos vetores u = (3, 2, ‑1) v = (2, ‑1, 0) e w = (1, 0, 0) ?

178
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Resolução:

Para calcular o volume do tetraedro, sabemos que é preciso usar o produto misto dos vetores que
formam a figura, assim:

1  
VT  u, v, w
6

Calculando o produto misto:

3 2 1
 
u, v, w  2  1 0  1
1 0 0

1   1 1
VT  u, v, w  1  u.v.
6 6 6
  
23) Determine o valor de m para que os vetores u = (2, m,1) , v = (1, 0, 3) e w = ( −2,1, 0) não
sejam coplanares.

Resolução:

Pelas propriedades do produto misto, sabemos que três vetores são coplanares se o produto misto
  
for igual a zero, isto é, [u , v, w] = 0 .

Nesse exemplo, queremos determinar o valor de m para que os vetores não sejam coplanares, isto é,
o produto misto deve ser diferente de zero.

Vamos inicialmente calcular o produto misto e igualar a zero:


  
[u , v, w] = 0

2 m 1
 
u, v, w  1 0 3 0
2 1 0

  
[ u, v, w ] =−6m + 1 − 0 − 6 =0

5
−6m + 1 − 0 − 6 =0 ⇒ m =−
6
179
Unidade II

5
Para que os vetores não sejam coplanares, devemos ter m ≠ − .
6

24) Dê o vetor w   a, b, c  , tal que:

w  12 , ,1

w   0, 2, 0   4

w  11, , 0  1

Resolução:

Você deve verificar a definição ou propriedade a ser usada em cada uma das condições do enunciado.

Temos, então:

w  12 , ,1  a  2b  c  0

w   0, 2, 0   4  2b  4  b  2

w  11, , 0  1  a  b  1


Resolvendo o sistema, temos a = ‑1, b = 2 e c = – 3 e, então, w   12
, , 3 .

6 RETAS E PLANOS

6.1 Estudo da reta

Estudaremos algumas formas para representar a equação de uma reta: a equação vetorial, as
paramétricas e a forma simétrica.

6.1.1 Equação vetorial

Começaremos
 pela equação vetorial. Para isso, consideremos uma reta r, um ponto A dessa reta e
v
um vetor não nulo, paralelo à reta r.

v
r
A

Figura 70

180
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

 
Um ponto X será ponto da reta r se o vetor AX for paralelo ao vetor v :

v
X r
A

Figura 71
  
AX  v e, dessa forma, podemos escrever X  A  v .

Equação vetorial da reta: X  A  v

O vetor v é designado como vetor diretor de r. Ele dará a direção da reta. O ponto A é chamado de
ponto base.

Observação

O ponto A pode ser substituído por qualquer outro ponto da reta, assim
como o vetor diretor pode ser substituído por outro vetor paralelo.

Exemplo:

1) Defina a equação vetorial da reta que passa por A(2, 1, —1) e é paralela ao vetor v   0,12
, .

Resolução:

Como o ponto da reta e o vetor diretor são conhecidos, basta substituir os dados na expressão

X = A + λ v .

v
X r
A

Figura 72

A equação vetorial de r é: X = (2, 1, –1) + λ(0, 1, 2)

2) Determine a equação vetorial da reta que passa pelos pontos A (0, –1, 1) e B (2, –1, 0).

181
Unidade II

Resolução:

São dados dois pontos da reta e não conhecemos o vetor diretor. Devemos então calcular esse vetor.
O vetor diretor é paralelo à reta, logo, é paralelo ao vetor formado por A e B.

v
B
r
A

Figura 73

 
Podemos escolher v = AB como o vetor diretor de r:
 
=
v AB = B‑A

v = (2 , ‑1,0) ‑ ( 0, ‑1,1)

v = (2 , 0, ‑1)

Agora já temos o vetor diretor, falta decidir qual dos pontos será utilizado, A ou B.

Escolhendo o ponto A, temos a equação vetorial da reta r:



X  A  v
X   0, 11
,     2, 0, 1

Assim, a equação vetorial de r é: X=(0,–1,1) + λ(2,0,–1).

Observação

Essa equação nãoé única, se você escolher o ponto B ou um vetor



paralelo ao vetor v = AB , teremos outra equação para a mesma reta.

6.1.2 Equações paramétricas

Substituindo as coordenadas do ponto conhecido da reta e do vetor diretor da reta r na equação



vetorial, isto é, A (x0, y0, z0) e v = (l, m, n), temos:

X  A  v
 x, y, z    x 0 , y 0 , z0    l,m,n

182
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Distribuindo λ, somando os vetores e igualando as coordenadas:

x  x 0   . a

y  y 0   . b (   IR)
z  z   . c
 0
  

X A u
Exemplos:

Utilizando os dados dos exemplos anteriores, vamos agora escrever as equações paramétricas da reta.

1) Determine as equações paramétricas da reta que passa por A(2, 1, –1) e é paralela ao vetor

v  = (0, 1, 2).

Resolução:

Já sabemos que a equação vetorial de r é: X (2, 1, –1) + λ(0, 1, 2).

Então, se as coordenadas do ponto X são dadas por (x, y, z), podemos escrever as equações
paramétricas de r:

x  2  0 . 

r y  1  1 .    IR
 z  ‑1  2 . 


2) Dê a equação vetorial da reta que passa pelos pontos A(0, –1, 1) e B(2, –1, 0).

Resolução:
 
Já definimos o vetor diretor da reta, isto é, v  AB   2, 0, 1 . Inicialmente, vamos utilizar o ponto A
(0, –1, 1) para substituir na expressão, encontrando, dessa forma, as equações paramétricas:

x  0  2 .  x  2 . 
 
r y  1  0 .  ou y  1   IR (I)
z  1  1 .  z  1  
 

E se você escolher o ponto B no lugar do ponto A?

Vamos fazer essa substituição e comparar os resultados. Alterando o ponto na equação da reta,
ficamos com:
183
Unidade II

x  2  2 . 

r y  1  0 .  ( II )
z  0  1 . 

Comparando os resultados, aparentemente observamos equações diferentes, que, no entanto,
representam a mesma reta. Podemos verificar isso substituindo na equação (I) as coordenadas do ponto
B, no lugar de X, assim:

2  0  2 . 

r 1  1  0 .  (I)
1  1  1 . 

Resolvendo o sistema, vimos que λ = 1, logo, o ponto B pertence à reta r.

Repetindo o procedimento para o ponto A na equação (II), encontramos:

0  2  2 . 

r 1  1  0 .  ( II )
1  0  1 . 

Resolvendo o sistema, temos que λ = –1. Logo, o ponto A satisfaz a equação (II), isto é, pertence à reta r.

Concluímos que as equações (I) e (II) representam a mesma reta. Assim, é indiferente montar a
equação com o ponto A ou com o ponto B.

6.1.3 Equações simétricas (na forma simétrica)

Inicialmente, tomemos as equações paramétricas da reta r:

x  x 0   . a

y  y 0   . b (   IR)
z  z   . c
 0

Se a . b . c ≠ 0, podemos isolar λ em cada uma das equações:

 x  x0
 a  

 y  y0
  
 b
 z  z0
 c  

184
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Assim, igualando as três expressões, temos a equação na forma simétrica:

x  x0 y  y0 z  z0
 
a b c

Observação

A equação na forma simétrica só será possível se o vetor diretor não


tiver coordenada nula, isto é, a . b . c ≠ 0.

Exemplos:

1) Dê a equação na forma simétrica, se possível, da reta que tem equação vetorial r {X = (2, 1, 0) + λ (1, 2, 2).

Resolução:

Para determinar a equação na forma simétrica, precisamos inicialmente escrever as equações paramétricas:

x  2  1 . 

r y  1  2 . 
z  0  2 . 


Agora, isolando o valor de λ em cada uma das três expressões:

x 2
 1  

 y 1
  
 2
z
2  


Logo, a equação na forma simétrica da reta r é:

x 2 y 1 z
 
1 2 2

2) A reta dada pela equação vetorial r X = (2, 1, -1) + λ (0, 1, 2) não admite equação na forma simétrica.

185
Unidade II

Resolução:

O vetor diretor de r é u = (0, 1, 2) e como uma das coordenadas é zero, não podemos escrever a
equação na forma simétrica.

3) Defina a equação vetorial, as equações paramétricas e a equação simétrica, se possível, da reta



que contém o ponto A (–2, 0, 2) e é paralela ao vetor v = (1, 1, 1).

Resolução:

Como a reta é paralela ao vetor v = (1, 1, 1), podemos utilizar como vetor diretor da reta o próprio
vetor ou qualquer outro paralelo a ele.

Tomemos o vetor dado como vetor diretor. Então:

• Equação vetorial:

r {X = (–2, 0, 2) + λ (1, 1, 1)

• Equações paramétricas:

x  ‑2  1 . 

 x  ‑2  
 
r y  0  1 .  e, y  
, isto é, (  IR)
 z  2  
 
z  2  1 . 

• Equações simétricas:

x  ( 2) y0 z 2
  , isto e,é, x  2  y  z  2
1 1 1

6.2 Estudo do plano

Para determinar a equação de um plano, vamos precisar de um ponto do plano e de dois vetores LI,
paralelos ao plano.

Observação

Vetores paralelos ao plano ou estão no plano ou têm representantes


contidos nele.

186
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

 
Seja A um ponto do plano e u e v vetores diretores, tomemos representantes dos vetores diretores
com origem em A.

Vamos representar graficamente o nosso plano conforme a figura a seguir, mas note que isso não
indica que seja uma região limitada, é apenas uma representação prática.


v

A 
u p

Figura 74
  
Um ponto X será ponto do plano π somente se os vetores AX , u , v forem LD, isto é, coplanares.
6.2.1 Equação vetorial

Observe a figura a seguir:


bv X

v

A  
u au p
Figura 75

  
Como os três vetores são LD, podemos escrever AX como combinação linear de u e v . Assim,
  
AX    u  v .
 
Isolando X, temos: X = A + α u + β v

Equação vetorial do plano:


 
π {X = A + α u + β v (α, β ∈ IR)
 
O ponto A é denominado ponto base, e os vetores u e v são chamados vetores diretores.

Exemplos:

1) Escreva a equação vetorial do plano que contém o ponto A(‑1,2,0) e é paralelo aos vetores
 
u   =  (1, 0, 1) e v = (0, 1, 2).

187
Unidade II


v


u

A
p

Figura 76

Resolução:
 
Como o plano é paralelo a u e v e eles são LI, podemos utilizar esses vetores como vetores diretores
do plano.


v 
u


v

A 
u p

Figura 77

 
Substituindo na expressão, X = A + a u + β v , temos a equação vetorial do plano:

π {X (‑1, 2, 0) + a (1, 0,1) + β (0,1, 2)


=

2) Dê a equação vetorial do plano que contém os pontos A = (‑1, 2,1) e B = (1,1,1) . O plano que é

paralelo ao vetor u = (2 ,1, ‑1) .

Resolução:

Para determinar um plano, precisamos de um ponto e de dois vetores diretores. Para isso, vamos
utilizar os pontos A e B para encontrar o outro vetor diretor.

188
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR


u

A
p

Figura 78

     


Você pode utilizar v = AB ou v = BA . Escolhendo o vetor AB, temos v = AB = B – A = (1, 1, 1) – (–1, 2,
1)=(2, -1, 0).

Portanto, obtém‑se:

B

v

A 
u p

Figura 79

Você tem agora dois vetores diretores e dois pontos do plano. É possível escolher qualquer um dos
pontos para montar a equação do plano.

Vamos escolher o ponto A, assim podemos encontrar a equação vetorial do plano π.


 
Substituindo os dados na expressão X= A + a u + βv , temos:

π {X = (–1, 2, 1) + α (2, 1, –1) + β (2, –1, 0)

Se você escolher o ponto B no lugar do ponto A, encontrará outra forma para a equação do mesmo plano.

Da geometria comum, sabemos que três pontos não colineares determinam um plano. Vejamos no
próximo exemplo como definir a equação desse plano.

3) Dê a equação vetorial do plano que contém os pontos A = (1, 1, 3), B = (2, 1, 1) e C (2, 0, 1),
não colineares.

Resolução:

De início, vamos representar os três pontos, não colineares, no plano:


189
Unidade II

A
C p

Figura 80

Para definir um plano, precisamos de um ponto e de dois vetores diretores. Dessa forma, vamos
determinar vetores diretores usando os pontos A, B e C.

Adotando os três pontos, é possível determinar vários vetores. Vamos escolher como vetores diretores,
   
=
por exemplo, u AC= e v AB .

Assim, obtemos:
 
u= = C ‑=
AC A ( 2, 0,1) ‑ (1,1, 3=) (1, ‑1, ‑2) e
 
v= = B ‑=
AB A ( 2 ,1,1) ‑ (1,1, =
3) (1, 0, ‑2)

Representando os vetores:

B

v

A 
u C p

Figura 81

Agora, já temos dois vetores diretores e três pontos do plano. Podemos escolher qualquer um dos
pontos para montar a equação do plano. Vamos optar pelo ponto A para encontrar a equação vetorial
do plano π.
 
Substituindo os dados na expressão X= A + a u + βv , temos:

π {X = (1, 1, 3) + α (1, –1, –2) + β (1, 0, –2)

Lembrete
 
 Se três pontos A, B e C são não colineares, então os vetores AB , AC e
BC não são paralelos, isto é, são LI.
190
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

6.2.2 Equações paramétricas do plano

Para determinar as equações paramétricas de um plano, devemos substituir as coordenadas do


ponto base e dos vetores diretores na equação vetorial do plano.
 
=
Se A (x A ,y A , z A ) , u (a=
,b, c) e v (l , m, n) , então, substituindo na equação vetorial do plano, temos:

π {(x, y, z) = (xA, yA, zA)+ α (a, b, c) + β (l, m, n)

Assim, podemos escrever:

x  x A   . a   . l

 y  y A   . b   . m
z  z   . c   . n
 A
  
 
A u v
Logo:

Equações paramétricas do plano:

x  x A   . a   . l

 y  y A   . b   . m ( ,   IR)
z  z   . c   . n
 A

Exemplos:

1) Escreva as equações paramétricas


 do plano que contém o ponto A (2, –1, 0) e é paralelo aos

vetores u = (1, 1, 0) e v = (0, 1, 1).


v


u

A
p

Figura 82

191
Unidade II

Resolução:
 
Como o plano é paralelo a u e v e eles são LI, vamos utilizar esses vetores como vetores diretores
do plano.


v 
u


v

A 
u p
Figura 83

 
Assim, substituindo na expressão X= A + a u + βv , temos a equação vetorial do plano:

π {X = (2, –1, 0) + α (1, 1, 0) + β (0, 1, 1)

A partir disso, podemos escrever as equações paramétricas:

x = 2 + a .1 + β . 0

π =y ‑1 + a .1 + β .1 ( a, β ∈ IR)
z = 0 + a . 0 + β .1

2) Dê a equação vetorial do plano que contém os pontos A = (1, 1, 2) e B = (1, 0, 1), plano que é

paralelo ao vetor u = (2, 1, 2).

Resolução:

Para determinar um plano, precisamos de um ponto e de dois vetores diretores. Assim, vamos usar
os pontos A e B para encontrar o outro vetor diretor.

u

A
p

Figura 84

192
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

 
Seja v = AB o outro vetor diretor:
 
v = AB = B – A = (1, 0, 1) – (1, 1, 2) = (0, –1, –1)

Então, temos:

B

v

A 
u p

Figura 85

Logo:

x = 1 + a . 2 + β . 0

π =y 1 + a .1 + β . (‑1) ( a, β ∈ IR)
z = 2 + a . 2 + β . (‑1)

3) Dê as equações paramétricas do plano que contém os pontos

A = (1, 1, 3), B = (2, 1, 1) e C = (2, 0, 1), não colineares.

Resolução:

Você já sabe os vetores diretores desse


 plano.
 Por
 isso,pode utilizá‑los ou calcular outros, por
exemplo, também são vetores diretores AC e BC ou AB e BC .

Adotando os mesmos vetores diretores, temos:

   
= = C ‑=
u AC 3) (1, ‑1, ‑ 2) e =
A (2,0,1) ‑ (1,1, = = B ‑=
v AB = (1, 0, ‑2)
A ( 2 ,1,1) ‑ (1,1, 3)

B

v

A 
u C p

Figura 86

193
Unidade II

Substituindo as coordenadas do ponto A e dos vetores diretores, obtém‑se:

x = 1 + a .1 + β .1

π y= 1 + a . (‑1) + β . 0 ( a, β ∈ IR)
z = 3 + a . (‑2) + β . (‑2)

Ou seja:

x = 1 + a + β

π =
y 1 ‑ a ( a, β ∈ IR)
z= 3 ‑ 2 . a ‑ 2 . β

6.2.3 Equação geral do plano

Para definir
 a equação geral doplano, vamos desenvolver o determinante formado pelas coordenadas
dos vetores AX = (x ‑ x 0 ,y 0 ,z0 ) , u = (x,y,z) e v = (r, s, t), onde A = x0, y0, z0) é um ponto dado do plano
e X = (x, y, z) é um ponto qualquer do plano.

Como esses três vetores são LI, já sabemos que o determinante deve ser igual a zero. Assim, devemos
desenvolver o determinante:

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

Desse modo, teremos a equação geral do plano:

π {ax + by + cz + d = 0

Exemplos:

1) Dê a equação geral do plano que contém o ponto A (2, –1, 0) e é paralelo aos vetores u = (1, 1, 0) e

v = (0, 1, 1).

194
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Resolução:


v 
u


v

A 
u p

Figura 87

 Para
 
definir a equação geral do plano, vamos montar o determinante formado pelos vetores
AX, u e v :

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

x‑2 y‑(‑1) z‑0


1 1 0 =0
0 1 1

Para encontrar a equação geral do plano, você deve desenvolver o determinante por algum dos
processos já estudados.

Vamos usar Laplace na 1ª linha:

1 . (x – 2) –1 . (y + 1) + 1 . z = 0

Então, obtemos a equação:

π {x – y + z – 3 = 0

2) Defina a equação vetorial do plano que contém os pontos A = (1, 2, 2) e B = (1, 1, 0), plano que é

paralelo ao vetor u = (2, 1, 1).

195
Unidade II

Resolução:

Já sabemos que, para determinar um plano, precisamos de um ponto e de dois vetores diretores. Por
isso, vamos adotar os pontos A e B para encontrar o outro vetor diretor:

u

A
p

Figura 88

 
Seja v = AB o outro vetor diretor:
 
v= AB
= B ‑=
A (1,1, 0) ‑ (1, 2, 2=) (0, ‑1, ‑ 2)

Definimos duas direções e um ponto em nosso plano. Podemos substituir esses valores no
determinante e encontrar a equação geral do plano.

B

v

A 
u p

Figura 89

Como conhecemos dois pontos do plano, podemos escolher qualquer um deles para substituir no
determinante. Escolhendo o ponto A =(1, 2, 2) , temos:

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

x‑1 y‑2 z‑2


0 ‑1 ‑2 = 0
2 1 1

196
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Agora você deve desenvolver o determinante. Vamos usar Laplace na 1ª linha:

‑1 ‑2 0 ‑2 0 ‑1
(x ‑1). ‑ ( y ‑ 2) . + (z ‑ 2) . =
0
1 1 2 1 2 1

Temos, então, a equação:

π {x – 4y + 2z – 3 = 0

3) Dê as equações paramétricas do plano que contém os pontos

A = (–2, 1, 0), B = (1, –2, 1), e C = (2, 1, –1), não colineares.

Resolução:

Determinando os vetores diretores do plano, temos:


 
u= AC
= C ‑=
A ( 2 ,1, ‑1) ‑ (‑2,1, =
0) (4, 0, ‑1)

 
v= AB
= B ‑= = (3, ‑ 3,1)
A (1, ‑ 2,1) ‑ (‑2,1, 0)

Substituindo as coordenadas do ponto A e dos vetores diretores no determinante, obtém‑se:

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

x‑(‑2) y‑ 1 z‑0
4 0 ‑1 = 0
3 ‑3 1

Agora devemos desenvolver o determinante. Usando Laplace na 1ª linha, temos:

0 -1 4 -1 4 0
(x + 2) . - ( y - 1) . + z. =0
-3 1 3 1 3 -3

Temos, então, a equação:

π {–3x – 7y – 12z + 1 = 0
197
Unidade II

6.2.4 Vetor normal ao plano

Dada a equação geral de um plano, π { a x + b y + c z + d =


0 , chamamos de vetor normal o plano

n = ( a, b, c) .

Saiba mais

Para mais exemplos de retas e planos, leia o capítulo 14 de:

BOULOS, P.; Oliveira, I. C. Geometria analítica: um tratamento vetorial.


São Paulo: Prentice Hall, 2005.

Esse vetor é ortogonal a todos  os vetores doplano. Assim,


 dados
 dois pontos A = (x A , y A , z A ) e
B = (xB , yB , zB ) do plano, temos n ortogonal a AB , isto é, n . AB = 0

Observação

O vetor normal é ortogonal a todo vetor paralelo ao plano.


 
n v


w

 B
u A
p

Figura 90

  
Por exemplo, o vetor normal é ortogonal aos vetores u e w do plano e ao vetor v paralelo ao plano.

Exemplos:

1) Dê o vetor normal aos planos dos exercícios do item anterior:

a) π { x ‑ y + z ‑ 3 =
0

O vetor normal ao plano π é n = (1, –1, 1)

b) {x  4 y  2z  3  0

198
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR


O vetor normal ao plano π é n = (1, –4, 2)

c) π {−3 x − 7 y − 12z + 1 = 0

O vetor normal ao plano π é n = (–3, –7, –12)

2) Defina o vetor normal ao plano que tem equação vetorial dada por:

=
π { X (‑2, ‑1, 0) + a (1, 0, 2) + β (2, 2, 0)

Resolução:

Observando a equação do plano, temos o ponto A = (‑2, ‑1, 0) e os vetores diretores u = (1, 0, 2) e

v = (2, 2, 0).


v

A 
u p

Figura 91

Você deve, inicialmente, determinar a equação geral do plano π. Para isso,


 é preciso montar o
determinante formado pelas coordenadas do ponto A e dos vetores diretores u e v .

Substituindo no determinante, vê‑se:

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

x‑(‑2) y‑ (‑1) z‑0


1 0 2 =0
2 2 0

Agora, você deve desenvolver o determinante. Vamos utilizar Laplace na 1ª linha:

0 2 1 2 1 0
(x  2) .  ( y  1) .  z.  0
2 0 2 0 2 2

199
Unidade II

Temos, então, a equação:


π{‑4 x + 4 y + 2 z ‑ 4 =
0

A partir daí, sabemos que o vetor normal a π é dado por n = (–4, 4, 2).

Perceba que a equação –2x + 2y + z –2 = 0 é equivalente à equação encontrada anteriormente.

Assim, o vetor (‑2, 2, 1) também é vetor normal ao plano π.

Observação
 
O vetor n normal ao plano π não é único, vetores paralelos n também
serão normais a π.

6.3 Ampliando seu leque de exemplos



1) Dê as equações paramétricas da reta que passa por A (6, 2, –1) e que é paralela ao vetor v = (–1, –1, 2).

Resolução:

Como o ponto da reta e o vetor diretor são conhecidos, basta substituir os dados na expressão

X = A + λv .

v
X r
A

Figura 92

Dessa forma, as equações paramétricas de r são:

x  6  1 

r y  2  1 .    IR
 z  ‑1  2 . 

2) Defina a equação vetorial e a forma simétrica da reta que passa pelos pontos A (1, 0, 2) e B (2, 1, 1).

Resolução:

São dados dois pontos da reta e não conhecemos o vetor diretor, então devemos calcular esse vetor.
O vetor diretor é paralelo à reta, logo, é paralelo ao vetor formado por A e B.
200
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR


v
B
r
A

Figura 93

 
Podemos escolher v = AB como o vetor diretor de r, assim:
 
=
v AB = B‑A

v = (2 ,1,1) ‑ ( 1, 0, 2)

v = (1,1, ‑1)

Agora que já temos o vetor diretor, falta decidir qual dos pontos será usado, A ou B.

Optando pelo ponto A, temos a equação vetorial da reta r:



X  A  v
X  ( 1, 0, 2)   ( 1, 1, ‑1 )

Assim, a equação vetorial de r é: X = (1, 0, 2) + λ(1, 1, –1).

Escrevendo a equação na forma simétrica:

x ‑1 y ‑0 z ‑2
= =
1 1 ‑1

3) Escreva as equações vetorial, simétrica e geral do plano que satisfaçam as condições a seguir:

a) Contém os pontos A(1,2,2), B(2,3,0) e C(3,1,2), não colineares.

Já sabemos que três pontos não colineares determinam um plano e que, para definir a equação de
um plano, você precisa de um ponto e de dois vetores diretores.

A
C p

Figura 94

201
Unidade II

Vamos, então, determinar dois vetores diretores utilizando os pontos dados. Por exemplo, podemos
   
escolher os vetores u = AC e v = AB .
 
=
u = C ‑=
AC A ( 3 ,1, 2) ‑ (1, 2, 2=
) (2, ‑1, 0)
 
v = AB =B − A =( 2, 3, 0) − (1, 2, 2) =(1,1, − 2)
Representando os vetores:

 B
v

A 
u C p

Figura 95

Agora temos dois vetores diretores e três pontos do plano. Você pode escolher qualquer um dos
pontos para montar a equação do plano. Vamos optar pelo ponto A e, com isso, encontrar a equação
vetorial do plano π.

Substituindo os dados na expressão, temos:


 
X= A + a u + βv

=X (1, 2, 2) + a (2, − 1, 0) + β (1,1, − 2)

A equação vetorial do plano é: π =


{ X (1, 2, 2) + a (2, − 1, 0) + β (1,1, − 2) .

Sabemos que as equações paramétricas do plano são dadas pela forma:

=x xA + a . a + β . l

π=
y y A + a . b + β. m
= zA + a . c + β . n
z

Substituindo os valores, temos:

x = 1 + a . 2 + β .1

π y= 2 + a . (‑1) + β .1
z = 2 + a . 0 + β . (‑2)

202
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

x = 1 + 2 a + β

As equações paramétricas são: π=
y 2 ‑ a+ β (a, β∈IR)
=z 2‑ 2 β

Para definir a equação geral do plano, devemos montar o determinante formado pelos vetores
 :
AX, u e v
x‑x o y‑y o z‑zo
x y z =0
r s t

x‑1 y‑2 z‑2


2 ‑1 0 = 0
1 1 ‑2

Para encontrar a equação geral do plano, você deve desenvolver o determinante por algum dos
processos já estudados.

Vamos usar Laplace na 1ª linha:


2. (x ‑1) − ( −4). ( y − 2) + 3 . (z − 2) =0

A equação geral é: π { 2 x + 4 y + 3 z − 16 =
0

4) Escreva a equação vetorial, as paramétricas e a geral do plano que contém o ponto A (‑1,1,2) e que
 
é paralelo aos vetores u = (1, 0, 2) e v = (0, –1, –2). Determine também o vetor normal ao plano:


v


u

A
p

Figura 96

203
Unidade II

Resolução:
 
Como o plano é paralelo a u e v e eles são LI, podemos utilizar esses vetores como vetores diretores
do plano:


v 
u


v

A 
u p

Figura 97

Agora temos tudo o que é necessário para determinar a equação do plano, ou seja, o ponto A e os
dois vetores diretores.

Assim, substituindo na expressão, obtém‑se:


 
X= A + a u + βv

X = ( −1,1, 2) + a (1, 0, 2) + β (0, − 1, − 2)

A equação vetorial =
é π {X (‑1,1, 2) + a (1, 0, 2) + β (0, ‑1, ‑ 2) .

Sabemos que as equações paramétricas do plano são dadas pela forma:

=x xA + a . a + β . l

π=
y y A + a . b + β. m
= zA + a . c + β . n
z

Substituindo os valores, temos:

x= ‑1 + a .1 + β . 0

π y= 1 + a. 0 + β. (‑1)
z = 2 + a . 2 + β . (‑2)

204
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

x= ‑1 + a

As equações paramétricas são: π=
y 1 ‑ β (a, β ∈ IR)
z = 2 + 2 a ‑ 2 β

Sabemos
 que, para definir a equação geral do plano, devemos montar o determinante formado pelos
 
vetores AX, u e v :

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z =0
r s t

x  1 y‑1 z‑2
1 0 2 0
1 ‑1 ‑2

Para encontrar a equação geral do plano, é preciso desenvolver o determinante por algum dos
processos já estudados.

Utilizando Laplace na 1ª linha:

2 . (x + 1) ‑ (‑2). ( y ‑1) + (‑1) . (z ‑ 2) =


0

Equação geral:

π { 2 x + 2y ‑ z + 2 =
0


Logo, o vetor normal é: n = (2, 4, –1).

5) Dê a equação vetorial, as paramétricas e a geral do plano que contém os pontos A = (1, 0, 0) e



B  =  (1, 1, 3), plano que é paralelo ao vetor u = (2, 2, –1).

Resolução:

Para determinar um plano, precisamos de um ponto e de dois vetores diretores. Por isso, vamos
adotar os pontos A e B para encontrar o outro vetor diretor:

205
Unidade II


u

A
p

Figura 98

   
Você pode usar v = AB ou v
= BA . Escolhendo o vetor AB, encontramos
 
v = AB =B − A =( 1,1, 3) − (1, 0, 0 ) =(0,1, 3) .
Assim, temos:

B

v

A 
u p

Figura 99

Agora você tem dois vetores diretores e dois pontos do plano, podendo escolher qualquer um dos
pontos para montar a equação do plano. Optemos pelo ponto B para determinar a equação vetorial
do plano π.

Substituindo os dados na expressão, temos:


 
X = B + a u + βv

=X (1,1, 3) + a (2, 2, ‑1) + β (0,1, 3)

Equação vetorial:
=
π {X (1,1, 3) + a (2, 2, ‑1) + β (0,1, 3)

Sabemos que as equações paramétricas do plano são dadas pela forma:

=x xA + a . a + β . l

π=
y y A + a . b + β. m
= zA + a . c + β . n
z

206
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Substituindo os valores, obtém‑se:

x= 1 + a . 2 + β . 0

π =y 1 + a . 2 + β . (1)
z= 3 + a . (‑1) + β . 3

x = 1 + 2 a

Equações paramétricas: π =y 1 +2a+ β (a, β ∈ IR)
= 3 ‑ a + 3β
z

 Para
 
definir a equação geral do plano, devemos montar o determinante formado pelos vetores
BX, u e v :

x‑x o y‑y o z‑zo


x y z 0
r s t

x  1 y‑1 z‑3
2 2 ‑1  0
0 1 3

Para encontrar a equação geral do plano, é preciso desenvolver o determinante por algum dos
processos já estudados.

Vamos adotar Laplace na 1ª linha:


7 . (x − 1) − 6. (y − 1) + 2 . (z − 3) =0

Equação geral do plano é


π {7x − 6y + 2 z − 7 = 0

O vetor normal é n = (7, –6, 2).

Resumo

Nesta unidade, iniciamos o estudo de vetores, no plano e no espaço,


tanto no aspecto geométrico quanto no algébrico. Vimos as operações com
vetores: adição, multiplicação por escalar, produto escalar, vetorial e misto.

207
Unidade II

Destacamos a reta, o plano e suas equações. Vimos os conceitos de


vetores iguais, paralelos, unitários, ortogonais e versores. Estudamos
diversos conceitos, vejamos alguns deles a seguir.
   
Combinação linear: v = α1 . u 1 + α2 . u 2 + ... + αn . u n

Dependência linear: vetores LI e LD.

Vetores LD: um é combinação linear dos outros.

Operações

• Adição
   
no IR2 : u  ( x1, y1) e v  ( x2 , y2 )  u  v  ( x1  x2 , y1  y2 )
 
no IR3 : u  ( x1, y1,z1) e v  ( x2 , y2 ,z2 )
 
 u  v  ( x1  x2 , y1  y 2 , z1  z2 )

• Multiplicação por escalar


 
no IR2: u= ( x1 , y1) e a ∈IR ⇒ a u= ( a x1 , a y1)
 
no IR3: u= ( x1 , y1 , z 1) e a ∈IR ⇒ a u= ( a x1 , a y1 , a z1)

Vetores paralelos têm coordenadas proporcionais.

Vetores LI e LD

x1 y1 z1
  
u,=
v, w LD ⇔ ∆ =
x 2 y 2 z2 0
x 3 y 3 z3
  
u, v, w LI ⇔ ∆ ≠ 0

Norma ou módulo:

 
=
u =
(x, y) x2 + y2 e u = (x, y, z) = x 2 + y 2 + z2

Produto escalar
 
u . v = (x1 , y1 , z1) . (x2 , y2 , z2 ) = x1 . x2 + y1 . y2 + z1 . z2

208
GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR

Algumas propriedades do produto escalar:

   2
u.u = u

   
u⊥v ⇔ u.v=0

       
=
u.v u v cos θ se u ≠ 0 e v ≠ 0

  u . v  
Projeção ortogonal projuv =   2 v
 v 
 
Produto vetorial
  
i j k
 
u ∧ v = x1 y1 z1
x2 y 2 z2

Algumas propriedades do produto vetorial:


   
(Anticomutativa) u ∧ v = ‑ v ∧ u
 
=
Aparalelogramo u∧v

Produto misto
x1 y1 z1
        
[ u , v , w ] = u ∧ v ⋅ w ou [ u , v , w ] = x 2 y 2 z2
x3 y 3 z3

Algumas propriedades do produto misto:


     
[ u, v, w]= 0 ⇔ u, v, w são LD

     
Anticíclica [u, v, w] = −[v, u, w]
        
Cíclica [u,= =
v, w] [v, w, u] [ w, u, v]

  
Vparelelepípedo = [u, v, w]

209
Unidade II

Reta

Equação vetorial: X= A + λ v

x= x 0 + λ . a
Equações paramétricas: y= y 0 + λ . b ( λ ∈ IR)
z= z + λ . c
 0

x−x y−y z − z0
Forma simétrica: =0
=0
a b c

Plano
 
Equação vetorial: π { X= A + a u + β v (a , β∈ IR)

=x x A + a.a + β.l



Equações paramétricas: π =y y A + a.b + β.m (a, β∈IR)
=
z z A + a.c + β.n
Equação geral: π { a x + b y + c z + d = 0

Vetor normal: n = (a, b, c)

210

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