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UFSM – Colégio Técnico Industrial Eletrotécnica 2005

Unidade V – Eletromagnetismo

5.1. Histórico

Procurando identificar a origem do


magnetismo nos corpos, Gilbert pesava metais
antes e depois de serem magnetizados,
concluindo que a magnetização não modifica o O aspecto do campo magnético gerado
peso do corpo. por corrente elétrica depende do tipo e formato
Naquela ocasião, a eletricidade e o do condutor, conforme veremos a seguir.
magnetismo ainda não se apresentavam como
ciência, o que só foi alcançado no século 5.2.1. Campo Magnético Criado por
XVIII. Mas no século XIX, uma nova Condutor Retilíneo
descoberta lançou os físicos numa tarefa que
levou à formulação da ciência do A distribuição do campo magnético
Eletromagnetismo. gerado por um fio retilíneo extenso é tal que as
Hans Christian Oersted (1777-1851), linhas de indução são circunferências
físico dinamarquês, descobriu a relação entre concêntricas, cujo centro é o próprio fio.
circuitos magnéticos e elétricos através de uma O sentido desse campo magnético pode
experiência onde se aproximou uma bússola a ser obtido pela regra da mão direita, aplicada
um circuito elétrico controlado por um como mostra a figura abaixo. O polegar é
interruptor. Nesta experiência, Oersted colocado no sentido convencional da corrente
percebeu que o fechamento do interruptor, e a e os outros dedos, que envolvem o condutor,
conseqüente circulação de corrente elétrica, indicam o sentido de B.
causava uma deflexão na agulha da bússola.
Além de sugerir que os fenômenos
elétricos e magnéticos estão relacionados, a
descoberta de Oersted levou à conclusão de
que a corrente elétrica cria um campo
magnético no espaço que a circunda.
Desta forma, campos magnéticos
idênticos aos originados por ímãs naturais,
podem ser produzidos através de corrente
elétrica, permitindo desta forma o
desenvolvimento de diversos equipamentos
diretamente relacionados à produção e
utilização da energia elétrica, tais como
geradores, motores, transformadores, etc.

5.2. Campo Magnético Criado por


Corrente Elétrica

Sempre que houver cargas elétricas em


movimento, em torno dessa carga surgirá um
campo magnético. A figura abaixo mostra a
experiência de Oersted, onde o campo
magnético criado por corrente elétrica
interagia com a agulha de uma bússola,
desviando-a.

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Num determinado ponto P do campo µ o.i


magnético, o vetor B pode ser representado β=
num plano que seja perpendicular ao condutor 2. r
e que contenha o ponto P. Observe que B é
tangente à circunferência que contém o ponto onde r é o raio da espira.
P.
Nessas condições, a intensidade de B
pode ser determinada pela relação: 5.2.3. Campo Magnético Criado por
Bobina
µ o.i
β= Uma bobina, ou solenóide, é constituído
2π . d por um fio enrolado várias vezes, tomando
uma forma cilíndrica. Cada uma das voltas do
Onde “µo” é a permeabilidade fio da bobina é denominada uma espira.
magnética do meio, no caso o vácuo, e “d” é a
distância do ponto P ao fio.

5.2.2. Campo Magnético Criado por Espira


Circular

Espira circular é um fio condutor em


forma de circunferência. O esquema a seguir
mostra o aspecto do campo magnético gerado
por esse tipo de condutor.

Desta forma, considerando as espiras muito


próximas e desprezando o comprimento da
bobina, temos:

µ o.i
β = N.
2. r

Se inserirmos um núcleo ferromagnético


Os pólos norte e sul da espira circular são
em uma bobina, teremos um eletroímã, cuja
determinados, respectivamente, pela saída e
polaridade pode ser determinada aplicando-se
entrada das linhas de indução. Para relacionar
a regra da mão direita, conforme a figura
o sentido do vetor B com o sentido da corrente
abaixo.
i, usamos a regra da mão direita.

A intensidade de β é dada pela relação:

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5.3. Circuitos Magnéticos 5.3.3. Lei de Ohm para Circuitos


Magnéticos
5.3.1. Força Magnetomotriz
Considere o circuito magnético abaixo,
A força magnetomotriz de uma bobina é composto de um núcleo ferromagnético e uma
a força produtora de campo magnético. A fmm bobina.
depende da corrente elétrica (I) e do número
de espiras (N) da bobina. Sua unidade é o
Ampère-espira (Ae).

fmm = N.I

5.3.2. Intensidade de Campo Magnético (H)

Se a bobina de um eletroímã, com uma


determinada fmm, for esticada até atingir o
dobro do seu comprimento original, a
intensidade do campo magnético produzido A Lei de Ohm para circuitos magnéticos,
por este eletroímã terá a metade do seu valor correspondente a I=V/R, é expressa por:
original. A unidade da intensidade magnética
em circuitos magnéticos é Ae/m.
fmm
N .I φ=
H= ℜ
l
Onde l é o comprimento da bobina. Onde:
φ : fluxo magnético [Wb];
Exemplo: fmm: força magnetomotriz [Ae];
ℜ : relutância [Ae/Wb].

5.4. Aplicações de Eletroímãs

De um modo geral, todos os eletroímãs,


usados em suas diversas aplicações,
apresentam em seu interior um núcleo de ferro,
construído, quase sempre, por várias lâminas
de ferro justapostas. Esse procedimento é
adotado por ter sido verificado
experimentalmente que, ao se introduzir o
núcleo de ferro na bobina, o campo magnético
do eletroímã torna-se muitas vezes mais
intenso. A figura abaixo mostra um guindaste
eletromagnético, capaz de transportar cargas
muito pesadas através da força de atração
Se o núcleo ferromagnético do eletroímã magnética produzida pelo eletroímã.
for maior que o comprimento da bobina, l será
então o comprimento do núcleo, uma vez que
este é parte integrante do eletroímã.

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Quanto a corrente alternada passa pela


bobina do eletroímã, ela é sucessivamente
O princípio de funcionamento de um
atraída e repelida pelo imã permanente. O cone
eletroímã também pode ser aplicado na
acompanha essas vibrações da bobina,
construção de uma campainha, conforme a
provocando compressões e rarefações no ar,
figura abaixo, onde L é uma lâmina de ferro
cuja vibração constitui uma onda sonora.
flexível e C é um contato que abre e fecha o
Além dos equipamentos apresentados
circuito quando a lâmina se afasta ou encosta
acima, os eletroímãs também são
nele.
indispensáveis no funcionamento de máquinas
elétricas, tais como motores, geradores,
transformadores, etc, cujo princípio de
funcionamento será visto posteriormente.

5.5. Força Magnética

5.5.1. Força Magnética numa Carga em


Movimento

Cargas elétricas em movimento originam


campo magnético. Estando a carga elétrica em
movimento, em um campo magnético, há uma
Quando o circuito é fechado pelo interação entre esse campo e o campo
interruptor I, a corrente no eletroímã faz com originado pela carga. Essa interação manifesta-
que L seja atraída, e o martelo M golpeia o se por forças que agem na carga elétrica; estas
tímpano T. Em virtude desse deslocamento de forças são denominadas forças magnéticas.
L, o circuito se interrompe em C e o eletroímã O valor da força magnética, assim como
perde imantação. A lâmina flexível L retorna a seu sentido, depende do tipo de carga (positiva
sua posição normal, estabelecendo o contato ou negativa), de seu valor, do campo
em C. Assim, o processo se repete e M golpeia magnético externo ao da carga, e da forma
T repetidas vezes enquanto o interruptor I com que esta carga é lançada no campo
estiver acionado. magnético externo.
O alto-falante é um dispositivo que Para determinação do sentido da força
produz som a partir de uma corrente elétrica magnética em uma carga elétrica em
variável que passa na bobina de um eletroímã. movimento num campo magnético externo,
Esta bobina está presa à base de um cone de utiliza-se a regra da mão direita da seguinte
papelão e encaixada, com folga, em um ímã forma:
permanente, conforme a figura abaixo.

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F = B.q.v
Dedos no sentido do campo magnético
B, polegar no sentido do movimento da carga 5.5.2. Força Magnética num Condutor
(vetor velocidade v). Se a carga for positiva, a Percorrido por Corrente
força F sai da palma da mão; se negativa a
força F sai do dorso da mão. Sabemos que a corrente elétrica i é
Matematicamente, a força magnética é constituída por um movimento ordenado de
dada por: cargas elétricas q. Cargas elétricas imersas em
um campo magnético sofrem a ação de uma
F = β . q. v. senθ força magnética F. Assim podemos dizer que:
“ Em todo condutor percorrido por corrente e
Onde: imerso num campo magnético de tal forma a
B: vetor indução magnética (Tesla); cortar suas linhas de fluxo magnético, surge
q: carga elétrica (Coulomb); uma força magnética.”
v: velocidade (m/s);
θ: ângulo entre o campo e o vetor velocidade. O sentido dessa força é dado pela regra
da mão direita conforme figura abaixo e o
Verificam-se experimentalmente os valor da força é dada por:
seguintes casos:
1) Se a carga se deslocar na direção paralela a
B, ela não ficará sujeita à ação de nenhuma
força, pois o ângulo entre B e v é 0°, sendo
seno de 0° igual a zero.

F = β .i. l. senθ
F=0

2) Se a carga se deslocar em uma direção Onde:


perpendicular ao vetor B, ela não ficará i: corrente elétrica (ampère);
sujeita à ação de uma força magnética B: vetor indução magnética;
F máxima, pois o ângulo entre B e v é l: comprimento do condutor imerso no campo;
90°, sendo seno de 90° igual a um. θ: ângulo entre β e a corrente i.

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Essa força magnética, é usada para fazer Em situações como as representadas


funcionar um grande número de aparelhos acima, verifica-se que:
elétricos, como os medidores (amperímetros e ● um condutor está imerso no campo
voltímetros) e muitos motores elétricos. A magnético criado pelo outro;
figura abaixo mostra o funcionamento de um ● em cada condutor aparece uma força
motor elementar de corrente contínua. magnética F respectivamente perpendicular
a eles.
Essa força magnética é:
● de atração, quando as correntes elétricas
paralelas têm o mesmo sentido;
● de repulsão, quando as correntes elétricas
paralelas têm os sentidos opostos;

De acordo com a lei da ação e reação


F1,2 = F2,1, assim concluímos que:

F = β .i1. l. sen90
1, 2 2

µo.i 2
β =
2.π . d
2

5.5.3. Força Magnética Entre Dois


Condutores Retilíneos Percorridos
µo.i1.i 2
por Corrente F = .l = F
2.π . d
1, 2 2 ,1

O esquema I abaixo representa dois


condutores retilíneos de comprimento l,
paralelos um ao outro com certa distância d e 5.6. Força Eletromotriz Induzida
percorridos por correntes elétricas de mesmo (Femi) – Lei de Faraday
sentido e com intensidades i1 e i2 . No
esquema II, a única diferença é o sentido Se a corrente elétrica produz um campo
oposto entre as duas correntes paralelas: magnético, como demonstrou Oersted com a
deflexão da agulha próxima de um fio
conduzindo eletricidade, pode um campo
magnético produzir corrente elétrica?
Faraday descobriu que sim, realizando
uma experiência bem simples. Construiu uma
bobina de fio de cobre isolado e a partir dela
montou um circuito com chave, colocando
uma bússola próxima ao circuito, conforme a
figura abaixo.

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Mantendo o circuito fixo e com a chave


fechada, Faraday empurrou o pólo de um ímã ∆φ
para o interior da bobina, observando uma femi = − N .
deflexão na agulha da bússola. Removendo o ∆t
ímã do interior da bobina, a deflexão da agulha
era em sentido oposto ao anterior. Entretanto, O sinal negativo da fórmula se deve a Lei
parando o movimento do ímã, quer seja de Lenz e atribuí-se ao princípio da
aproximando-se ou afastando-se, a agulha da conservação de energia.
bússola voltava ao normal.
Sabendo que a aproximação ou
afastamento dos pólos de um ímã varia o fluxo 5.8. Indutância de uma Bobina
magnético no interior da espira, Faraday
deduziu que a variação do fluxo magnético A indutância de uma bobina é a grandeza
induzia uma ddp nos terminais da bobina, que relaciona a variação do fluxo em seu
produzindo uma corrente elétrica. interior em função da variação da corrente
Ao fenômeno da produção de corrente aplicada. A indutância é uma característica
elétrica por um campo magnético variável, dá- construtiva, que depende do meio, do número
se o nome de indução eletromagnética. À de espiras, da área da bobina e de seu
corrente elétrica assim gerada denominamos comprimento, conforme a equação abaixo.
corrente induzida.
Desta forma, podemos enunciar a Lei de ∆φ µ .N 2 . A
Faraday: L = N. L=
∆i l
“Em todo condutor imerso num fluxo
magnético variado, surge uma força A unidade de indutância é o Henry [H].
eletromotriz induzida (femi).”
Símbolo:
A corrente induzida também pode ser
gerada mantendo o ímã em repouso (fixo) e 5.9. Força Eletromotriz Auto-
variando a posição da bobina, princípio este Induzida (femai)
muito utilizado em geradores elétricos.
O funcionamento elementar de um Considere o circuito da figura abaixo,
gerador CC consiste basicamente no processo onde circula a corrente i, que origina o campo
inverso de um motor CC; isto é, se ao invés de B. Este campo determina o fluxo magnético φa
aplicarmos uma ddp nos terminais, aplicarmos através da espira, denominado fluxo auto-
força no eixo, fazendo-o girar, suas bobinas induzido. Verifica-se experimentalmente, que
estarão se movimentando dentro de um campo φa é diretamente proporcional à intensidade de
magnético, estando sujeitas a um fluxo corrente i ( φ a = L.i ).
magnético variável, que, pela Lei de Faraday,
induz uma femi nos terminais do gerador.

5.7. Sentido da Força Eletromotriz


Induzida (Femi) – Lei de Lenz

Para determinarmos o sentido da corrente


induzida, utilizamos a Lei de Lenz:

“O sentido da corrente induzida é tal que, por


seus efeitos, opõe-se a causa que lhe deu
origem.”

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Na figura, mudando-se a posição do Quando abrirmos o circuito, conforme a


cursor no reostato, variamos i e, por figura abaixo, a corrente também varia, mas
conseguinte, φa. Então aparece uma femai no agora de i até zero. Neste caso também surge
próprio circuito que, por sua vez, é ao mesmo uma femai, porém agora se opondo ao
tempo circuito indutor e circuito induzido. A decréscimo de corrente.
este fenômeno denominamos auto-indução.
Desta forma, podemos concluir que:
∆φ
femi = − N .
∆t
N .∆φa = L.∆i

∆φ ∆i
femai = − N . = − L. Estas forças eletromotrizes de auto-
∆t ∆t indução se comportam como uma força contra-
eletromotriz, pois, opondo-se sempre à causa,
estas produzem correntes que tendem sempre a
5.10. Fechamento e Abertura de manter as condições iniciais do circuito, isto é,
Circuitos Indutivos opondo-se ao aumento ou redução da corrente
na bobina.
No momento do fechamento do circuito,
a femai opõe-se ao crescimento da corrente,
fazendo com que a mesma demore para atingir
seu valor máximo, limitado pela resistência R.
Quando a corrente atinge um valor constante,
não há variação de fluxo magnético e,
portanto, não há femai (regime permanente). Já
no momento da abertura do circuito, a femai
opõe-se ao decréscimo da corrente, fazendo
Considerando o circuito acima, quando com que esta demore para atingir o valor zero,
fecharmos o circuito, a corrente varia de zero produzindo um faiscamento nos contatos da
até i em um determinado tempo. Esta variação chave, devido à circulação de corrente por um
de corrente dá origem a uma variação de fluxo pequeno intervalo de tempo, mesmo após sua
no indutor L que, durante o tempo da variação abertura. Este faiscamento recebe o nome de
de corrente, produz uma femai. A polaridade arco voltaico. Desta forma, mesmo sem a fonte
desta femai obedece a Lei de Lenz, sendo de alimentação, a corrente demora para ser
oposta à causa que a originou, isto é, a eliminada. Isto se deve à descarga da energia
variação crescente da corrente. A figura abaixo armazenada no indutor, sob forma de campo
mostra o comportamento da corrente em magnético. A figura abaixo mostra a variação
função do tempo durante o fechamento da da corrente do circuito nos momentos de
chave (0-t1). fechamento (0-t1), regime permanente (t1-t2) e
abertura (t2- t3) da chave.

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A femai depende da indutância da bobina superfície de contato, e consequentemente


e da variação da corrente. Desta forma, para aumentando a queda de tensão.
uma mesma bobina, utilizando núcleos ● A faísca queima oxigênio e oxida os
diferentes, obteremos diferentes oposições, contatos da chave, reduzindo
conforme a figura abaixo, que compara um significativamente sua vida útil.
núcleo de ar com um núcleo de ferro. ● Dependendo do valor da indutância L e da
corrente do circuito, o arco voltaico pode
ocasionar queimaduras sérias no operador
da chave, caso este não a manobre
adequadamente.

Visando reduzir a duração e as


conseqüências do arco voltaico, chaves
especiais oferecem dispositivos para reduzi-lo
através da abertura rápida dos contatos, injeção
de ar sob pressão nos contatos ou um campo
magnético, que reduzem a propagação do arco.
5.11. Energia Acumulada no Indutor Algumas chaves têm seus contatos banhados
em óleo isolante, atenuando assim a
O indutor ideal, assim como o capacitor ideal, manifestação do arco voltaico.
não dissipa a energia elétrica que recebe. No
caso do indutor ideal, essa energia é
armazenada em um campo magnético. As 5.13. Correntes de Foucault
curvas da tensão, corrente e potência de um
indutor, durante o processo de carga, são Até agora, consideramos apenas
mostradas na figura abaixo. A energia condutores em forma de fio, mas pode-se
armazenada é representada pela região também obter correntes induzidas em
sombreada sob a curva de potência. condutores maciços. O cubo de cobre fixo, na
figura abaixo, está submetido a um campo
magnético variável.

Dentro desse cubo, podemos encontrar


grande número de percursos fechados, como
L.i 2
EL = aquele que se destaca na figura. Em cada
percurso fechado, o fluxo magnético varia com
2 o tempo e, portanto, fem induzidas fazem
circular, no interior do cubo, correntes
induzidas, chamadas de Correntes de
5.12. Conseqüências do Arco Voltaico Foucault ou também de Correntes Parasitas.
Já que o condutor maciço tem resistência
● O aquecimento torna os contatos da chave elétrica muito pequena, as correntes de
rugosos, aumentando com isso a Foucault podem atingir valores elevados.
resistência elétrica, devido a diminuição da Quando isto ocorre, há dissipação de

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consideráveis quantidades de energia, fluxo magnético alternado φ no núcleo de


causando o aquecimento da massa metálica. ferro. Este fluxo primário φ percorre o
Este fenômeno deve ser minimizado na caminho magnético de baixa relutância
construção de transformadores e motores, para oferecida pelo ferro, cortando as espiras do
tanto, as massas metálicas que o compõem são secundário e induzindo, pela Lei de Faraday
laminadas afim de se aumentar a resistência uma tensão Vs nos terminais, cujos módulos
elétrica do mesmo. Assim diminuí-se as estão expressos nas equações abaixo.
correntes parasitas ou correntes de Foucault.
A principal aplicação deste fenômeno é
∆φ ∆φ
na construção dos fornos de indução, onde Vp = Np. Vs = Ns.
uma peça metálica se funde, devido ao efeito ∆t ∆t
Joule originado pelas correntes de Foucault.
∆φ
Isolando e igualando as equações, temos:
∆t
5.14. Transformador Vp Np
=
O transformador é um dispositivo que Vs Ns
permite modificar a amplitude de uma tensão
Desprezando-se as perdas, a potência
alternada, aumentando-a ou diminuindo-a. Ele
absorvida no circuito primário (Pp) é igual à
consiste, essencialmente, em duas bobinas
potência fornecida pelo circuito secundário
isoladas eletricamente, montadas em um
(Ps).
mesmo núcleo de ferro, conforme a figura
abaixo.

Onde: Pp = Vp.Ip e Ps = Vs.Is.

Igualando-se as potências Pp e Ps, temos:

Ip Vs
=
Símbolo: Is Vp
Finalmente, relacionando tensão, corrente
e número de espiras em uma mesma equação,
obtemos:
Vp Np Is
= =
Vs Ns Ip

A bobina que recebe a tensão a ser Entretanto, em um transformador real,


transformada (Vp) denomina-se primário, e a devido às perdas de potência por efeito Joule
outra que fornece a tensão transformada (Vs) (correntes de Foucault e resistência das
denomina-se secundário. bobinas) e por dispersão do fluxo magnético
A tensão alternada Vp, aplicada ao no acoplamento, a potência do secundário é
circuito primário, faz circular por suas espiras menor que a do primário, isto é, Ps<Pp,
uma corrente alternada Ip, originando um fazendo com que η < 100%.

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Visando reduzir as perdas por correntes Exercícios


parasitas (Foucault), os núcleos de
transformadores são constituídos por diversas 01. Qual a relação existente entre circuitos
camadas laminadas, às quais aumentam a elétricos e magnéticos?
resistência elétrica entre as lâminas, reduzindo
assim as correntes parasitas. 02. Quais os aspectos dos campos
Um transformador só pode ser usado magnéticos criados por um fio retilíneo
com corrente alternada, uma vez que nenhuma e por uma espira circular?
tensão será induzida no secundário, se não
houver variação do fluxo magnético. Se uma 03. O que é uma bobina? Qual o aspecto do
tensão contínua é aplicada ao primário, só campo magnético por ela criado?
haverá indução de tensão no secundário no
instante do fechamento ou abertura do circuito 04. O que é um eletroímã? Qual seu
primário, pois somente nestes instantes haverá princípio de funcionamento? Como
variação de fluxo magnético. pode ser determinada sua polaridade?

05. Dois eletroímãs idênticos diferem


apenas no material do núcleo, sendo
que um utiliza cobalto e o outro aço.
Quais as diferenças da intensidade
magnética e da indução magnética entre
os dois eletroímãs?

06. Qual a expressão da força magnética


que atua em um condutor percorrido
por corrente elétrica e imerso em um
campo magnético? Quando esta força é
máxima?

07. O que dizem as Leis de Faraday e


Lenz?

08. Diferencie foca eletromotriz induzida


de força eletromotriz auto-induzida;

09. O que é indutância? Qual o seu símbolo


e unidade? De que ela depende?

10. Explique o que ocorre na abertura e


fechamento de um circuito magnético.

11. O que é arco voltaico? Quais suas


conseqüências? Como ele pode ser
reduzido?

12. Explique o que são correntes parasitas.


Como elas surgem em
transformadores? Quais suas
desvantagens? Como elas podem ser
reduzidas?

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13. O que é um transformador? Explique Dados: i1 = 4 A, i2 = 10 A e µ0 = 4π.10-7 H/m


seu princípio de funcionamento.

14. Por que um transformador não funciona


em corrente contínua?

15. Explique o princípio de funcionamento de


um motor de corrente contínua. 20. Duas espiras circulares, concêntricas e
coplanares, de raios 3π m e 5π m, são
16. Um condutor extenso é percorrido por uma percorridas por correntes de 3 A e 4 A,
corrente de intensidade 2A. Calcular a como mostra a figura. Determinar o
intensidade do vetor indução magnética módulo do vetor campo magnético no
num ponto P, no vácuo, localizado a 10 centro das espiras.
cm do condutor.

4A
10 cm
3A
M

17. Dois fios metálicos, paralelos e longos, são 21. Duas espiras circulares, concêntricas e
percorridos por correntes de intensidades 2 coplanares, de raios 4 cm e 10 cm, são
A e 6 A, conforme a figura. O meio é o percorridas pelas correntes de 2 A e 6 A,
vácuo. Calcular a densidade do campo conforme indica a figura. Caracterize o
magnético resultante no ponto M. campo magnético no centro das espiras.

2A 80 cm 40 cm 6A

22. Num plano, estão uma espira circular E e


18. A figura mostra um fio longo e horizontal um fio retilíneo F1. Dois fios, F2 e F3, são
percorrido por uma corrente de 6A. perpendiculares a esse plano e o furam nos
Calcule o vetor indução magnética nos pontos A e B, de modo que A, B e C sejam
pontos M e N, no vácuo. lineares e a reta AB seja paralela a F1. As
correntes elétricas têm seus sentidos
indicados pelas setas, e são tais que o
campo magnético que cada uma das quatro
correntes cria no centro C da espira tem
intensidade K. Determine a intensidade do
vetor campo magnético criado em C pelas
quatro correntes simultaneamente.
19. Dada a figura, determine a densidade do de
fluxo magnético resultante no ponto P, no
vácuo.

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23. Um solenóide de 1000 espiras por metro é


percorrido por uma corrente de intensidade
i. Sabendo que o vetor indução magnética
no seu interior tem intensidade 8π.10-4 T,
determine i.

24.Considere um solenóide de 16cm de


comprimento com 50 espiras. Sabendo que
o solenóide é percorrido por uma corrente
de 20 A, determine:
a) a intensidade do campo magnético no
interior do solenóide.
b) o número de espiras, de modo que o
campo magnético tenha intensidade 6π.10-3
T, quando percorrido pela mesma corrente. 26. Um anel de ferro tem um comprimento
médio de circunferência de 40 cm e uma
25. Seja uma bobina com um núcleo de ar (fig. área da seção reta de 1 cm2. Enrola-se
a). A bobina tem 5cm de comprimento e uniformemente em torno dele um fio
possui 8 espiras. Ao se fechar a chave, formando 500 espiras. As medições feitas
passa pela bobina uma corrente de 5 A. com uma bobina de prova em torno do anel
a) Calcule a fmm e H; indicam que a corrente do enrolamento é
b) Se fizermos um núcleo de ferro deslizar de 0,06 A e o fluxo no anel é de 6.10-6 Wb.
para dentro da bobina (fig. b), qual será Calcule a densidade de fluxo B,
agora a fmm e H? Que mudanças intensidade de campo H, a permeabilidade
qualitativas ocorrem? µ e a permeabilidade relativa µr.
c) Se o comprimento da bobina permanece
o mesmo, mas o comprimento do núcleo 27.Uma bobina tem uma força magnetomotriz
de ferro é aumentado para 10cm (fig. c). de 300 Ae. O seu comprimento é duplicado
Quais os novos valores da fmm e de H? de 20 para 40 cm para o mesmo valor de
fmm. Qual a nova intensidade do campo
magnético?

28. O µ de um núcleo de ferro é 5.600.10-6


(T.m)/Ae quando a corrente é de 80 mA. A
bobina é formada por 200 espiras sobre o
núcleo de 20 cm de comprimento. Calcule
H, B e µr.

29. Uma bobina de 100 espiras tem 8 cm de


comprimento. A corrente na bobina é de
0,2 A. Se o núcleo for de ferro fundido

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com B de 0,13 T, calcule H, µ e µr. Se esse 32. Calcular o vetor indução magnética
mesmo núcleo tiver uma área da seção reta (módulo, direção e sentido) nos pontos
de 2 cm2, calcule a relutância e a fmm “A” e “B”. i1= 15A; i2= 9A; As distâncias
desse circuito magnético. estão expressas em cm e o meio é o vácuo.

30. Uma bobina tem 200 Ae (fig. a) com um


fluxo de 25 µWb no núcleo de ferro.
Calcule a relutância. Se a relutância do
percurso com um entreferro de ar fosse de
800.106 Ae/Wb (fig b), qual seria a fmm
necessária para se obter o mesmo fluxo de
25 µWb?

33. Determine a polaridade dos eletroímãs


indicando a força que agirá entre eles
(atração ou repulsão).

31. Determine a polaridade dos eletroímãs


indicando a força que agirá entre eles
(atração ou repulsão).

Prof. Marcos Daniel Zancan 69


UFSM – Colégio Técnico Industrial Eletrotécnica 2005

34. Determine as polaridades das figuras d) O que ocorre com o circuito se


abaixo: abrirmos a chave ch em regime
permanente? Represente graficamente
a corrente no indutor.

37. Dado o circuito abaixo, determine:

35. Determine o sentido da corrente induzida


nos desenhos abaixo.
a)

e) a corrente no momento do fechamento


da chave ch;
f) a corrente em regime permanente;
g) represente graficamente a corrente
b) desde o fechamento da chave ch até o
regime permanente;
h) O que ocorre com o circuito se
abrirmos a chave ch em regime
permanente? Represente graficamente
a corrente no indutor.
c)
38. Um transformador ideal tem 200 espiras no
primário e 800 espiras no secundário. Se
aplicarmos uma tensão de 10V no
primário, determine:
a) tensão induzida no secundário;
b) corrente no primário e no secundário,
d)
quando o transformador alimenta uma
carga resistiva de 100 ohms.

39. Um transformador tem 500 espiras no


primário, no qual é aplicada uma tensão de
110V. qual o número de espiras do
secundário para que sua tensão seja de
36. Dado o circuito, determine:
12V?

40. Qual deve ser a relação de espiras num


transformador abaixador de tensão de
110V para 24V? Qual a corrente no
primário, se o secundário fornece 1A para
uma carga resistiva?

a) a corrente no momento do fechamento 41. Calcule a energia armazenada (regime


da chave ch; permanente) nos indutores das questões 36
b) a corrente em regime permanente; e 37.
c) represente graficamente a corrente
desde o fechamento da chave ch até o
regime permanente;

Prof. Marcos Daniel Zancan 70